EMIR Compensação de Derivados OTC através de Contrapartes Centrais

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1 Lisboa, 6 de março de 2014 Jerónimo Lopes

2 A OBRIGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/CLEARING ATRAVÉS DE UMA CONTRAPARTE CENTRAL 2

3 O SIGNIFICADO DE COMPENSAÇÃO/CLEARING NO EMIR O EMIR define COMPENSAÇÃO/CLEARING no art. 2º, nº 3. É um processo que envolve: O apuramento de posições; O cálculo das obrigações/responsabilidades líquidas; A disponibilização de colateral para a cobertura das exposições/perdas potenciais resultantes daquelas posições. Quando o clearing é efetuado numa Contraparte Central (CCP), designamo-lo por clearing centralizado. Neste caso: A CCP torna-se o comprador para todos os vendedores e o vendedor para todos os compradores. 3

4 PORQUÊ A OBRIGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CENTRALIZADA? Na sequência da crise financeira de 2008, o G20 em 2009 apelou para que: Os derivados OTC fossem preferencialmente compensados através de uma CCP. Quando não pudessem ser compensados através de uma CCP, fossem objeto de medidas de atenuação de risco e de requisitos de fundos próprios mais elevados. Considera-se que as CCPs apresentam um risco de contraparte muito reduzido devido : Ao sistema de requisitos de margens; Ao «mark-to-market» e regularização de ganhos e perdas, numa base diária; À mutualização do risco entre os membros compensadores; Aos requisitos de capital; À sua supervisão. 4

5 ENTIDADES SUJEITAS À OBRIGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CENTRALIZADA De acordo com o art. 4º (1) do EMIR: As Contrapartes Financeiras (CF) estabelecidas na UE ; As Contrapartes não Financeiras estabelecidas na UE que preencham determinadas condições ( CNF+); Entidades de países terceiros * em transações com as CF e CNF+; Entidades de países terceiros * em transações sobre contratos com efeito direto, substancial e previsível na UE. * Apenas as entidades que estariam sujeitas à obrigação de compensação/clearing caso estivessem estabelecidas na UE. 5

6 ENTIDADES / TRANSAÇÕES NÃO SUJEITAS À OBRIGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO A obrigação de clearing centralizado não se aplica: Às transações intragrupo (art. 4º, nº 2 ). As transações intragrupo para este efeito são definidas no art. 3º do EMIR. No caso de Contrapartes (CP) estabelecidas na UE, é exigida a notificação da ANC, que pode opor-se; no caso de uma CP estar estabelecida num país terceiro, é requerida a autorização da ANC da CP estabelecida na UE; Às Contrapartes não Financeiras (CNF) que não atinjam determinados limiares em posições que não sejam de hedging; Aos regimes relativos a planos de pensões referidos no art. 2º, nº 10 do EMIR, durante 3 anos após a entrada em vigor do EMIR, em contratos que reduzam os riscos de investimento relacionados com a sua solvabilidade financeira ( Ver art. 89º, EMIR). 6

7 A OBRIGATORIEDADE DA COMPENSAÇÃO/CLEARING CENTRALIZADO É DETERMINADA: Por classes de derivados; Através de Normas Técnicas de Regulamentação (NTR/RTS) submetidas pela ESMA à aprovação da Comissão Europeia. Essas NTR/RTS estabelecem também: A data ou datas em que a obrigação passa a produzir efeito para as novas transações; Para transações em data anterior, a maturidade residual mínima que torna o clearing obrigatório, nos termos do art. 4º,1,b, ii) do EMIR. 7

8 CRITÉRIOS PARA A OBRIGATORIEDADE DE CLEARING CENTRALIZADO POR CLASSES DE CONTRATOS OTC O OBJETIVO ÚLTIMO É A REDUÇÃO DO RISCO SISTÉMICO! De acordo com o art. 5º, nº 4 do EMIR, as NTR/RTS ao estabelecer a obrigatoriedade devem ter em conta os seguintes critérios : Grau de normalização da classe de contratos e dos procedimentos operacionais; Volume de transações e liquidez; Disponibilidade de informação justa (fair), fiável e geralmente aceite sobre os preços. Estes critérios foram objeto de especificação suplementar no art. 7º do Reg. Delegado (UE) Nº 149/2013 da CE, sob proposta da ESMA. 8

9 O CONCEITO DE CLASSE PARA A OBRIGATORIEDADE DE CLEARING CENTRALIZADO O EMIR define «CLASSE DE DERIVADOS» no classe: art. 2º, nº 6, do EMIR. Uma Partilha características comuns e essenciais que incluem pelo menos : A relação com o activo subjacente; O tipo de ativo subjacente; A divisa do valor nocional. Mas pode incluir contratos com maturidades diferentes. 9

10 PROCEDIMENTO PARA O ESTABELECIMENTO DA OBRIGATORIEDADE DE CLEARING CENTRALIZADO HÁ DOIS PROCEDIMENTOS POSSÍVEIS: Procedimento Bottom-Up, que se inicia com a autorização concedida a uma CCP para compensar uma determinada classe de derivados por parte da sua Autoridade Nacional Competente (ANC); Procedimento TOP-DOWN, em que a iniciativa parte da ESMA, para as classes de derivados que cumpram os critérios requeridos mas para os quais ainda nenhuma CCP tenha requerido ou obtido autorização. O PRIMEIRO PROCEDIMENTO SERÁ O HABITUAL! 10

11 Procedimento Bottom-Up Aspetos básicos (art. 5º do EMIR): 1. Uma ANC autoriza uma CCP, nos termos dos arts. 14º e 15º do EMIR, a compensar uma classe de derivados OTC; 2. A ANC notifica a ESMA; 3. A ESMA tem 6 meses para submeter à CE um projeto de NTR/RTS especificando a classe, a data de entrada em vigor da obrigação e a maturidade residual mínima que estende a obrigação a contratos já celebrados; 4. A CE adopta a NRT/RTS. Note-se que neste momento o passo 1 é concomitante com a autorização das CCPs pelas ANCs nos termos do EMIR, processo que está em curso. Estima-se assim que a obrigatoriedade de compensação para as primeiras classes de derivados possa ter lugar nos finais de 2014 / primeiro semestre de

12 O CASO ESPECIAL DAS CONTRAPARTES NÃO FINANCEIRAS (CNF) Passam a ficar sujeitas à obrigação de compensação centralizada as CNF: 1. Cuja posição média numa classe de derivados OTC ultrapasse um determinado limiar num período de 30 dias (passam a CNF+ e devem notificar a ESMA e a ANC). 2. Serão incluídos nessa posição apenas os contratos OTC celebrados por essa CNF ou por outras entidades não financeiras do grupo que não reduzam os riscos relacionados com a atividade comercial ou com a gestão de tesouraria. 3. A obrigação só se aplica aos novos contratos. 4. Mas aplica-se a todos os novos contratos, mesmo que só tenha sido ultrapassado o limiar de uma classe (a ultrapassagem de um limiar é um indicador da importância sistémica das transações da CNF). 12

13 CONTRAPARTES NÃO FINANCEIRAS (CNF) LIMIARES EM DERIVADOS OTC: 1. Derivados de crédito: milhões de ; 2. Derivados de ações: milhões de ; 3. Derivados de taxa de juro: milhões de ; 4. Derivados de taxa de câmbio: milhões de ; 5. Commodities e outros: milhões de. Limiares em valor nocional bruto de contratos! Valor nocional: valor de referência utilizado para os pagamentos contratuais. Bruto: utiliza-se o somatório bruto das posições líquidas por contraparte e contrato. (Ver considerandos do Reg. Delegado (UE) nº 149/2013 da CE) 13

14 CONTRAPARTES NÃO FINANCEIRAS (CNF) Contratos a não incluir para efeito dos limiares: 1. Os contratos que cubram os riscos de alteração de valor de ativos e passivos, serviços e produtos, fatores de produção; 2. Os contratos que visem cobrir o potencial impacto de flutuações de taxas de juro, taxas de inflação, taxas de câmbio e risco de crédito. 3. O conceito de «hedging» que decorre do art. 7º do Reg. nº 149/2013 é mais lato que o dos IFRS (inclui por exemplo o «proxy hedging» e o «macro hedging» ; ver considerando 18 do Reg. 149/2013 da CE). A classificação como «hedging» ao abrigo dos IFRS é condição suficiente. 14

15 COMPENSAÇÃO INDIRETA 1. Uma Instituição de crédito ou empresa de investimento poderão prestar serviços de compensação numa determinada CCP aos seus clientes sem serem membros compensadores dessa CCP; 2. Para esse efeito, recorrerão a um membro compensador dessa CCP que ofereça serviços de compensação indireta; 3. A Instituição de crédito ou empresa de investimento deve celebrar acordos com os seus clientes (que se tornam clientes indiretos do MC) em que estes se obrigam a honrar as suas obrigações perante o MC. 4. Nos arranjos contratuais envolvendo a CCP, o MC, a Instituição cliente do MC e os clientes indiretos do MC, é salvaguardada a segregação dos ativos e posições dos clientes indiretos ao nível do MC e da CCP, mas também a confidencialidade dessa informação para efeitos comerciais. 15

16 Obrigado pela vossa atenção Lisboa, 6 de março de 2014 Jerónimo Lopes

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