PARECER: Fel_004/2010 Data: 30/06/2010

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1 PARECER: Fel_004/2010 Data: 30/06/2010 ASSUNTO: Manutenção e perda da qualidade de segurado. CONSULENTE: MUNICÍPIO DE FELIXLÂNDIA MG INTERESSADO(A): IPREMFEL RELATÓRIO O Instituto de Previdência Municipal de Felixlândia - IPREMFEL, apresenta a seguinte consulta formulada via e.mail: É o breve relatório. Solicito um parecer, no sentido de uma nota explicativa, que informe sobre como o servidor poderá perder seu vínculo com o IPREMFEL, por exemplo, o servidor que está em licença sem vencimento e não está contribuindo com o instituto, ele está assegurado pela previdência? FUNDAMENTAÇÃO 1. Cuida, o presente estudo, de apresentar esclarecimentos sobre as hipóteses de perda da qualidade de segurado dos servidores públicos efetivos do Município de Felixlândia perante o IPREMFEL. DO CARÁTER CONTRIBUTIVO E SOLIDÁRIO DOS RPPS 2. Antes de adentrarmos diretamente ao tema proposto, devemos realizar uma análise acerca do que dispõe o art. 40, caput, da Constituição da República, após as alterações trazidas pela EC 41/03, in verbis: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é 1

2 assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (grifos nossos) 3. Destarte, devemos nos atentar ao fato de que, na atualidade, o Regime Próprio de Previdência Social é um sistema previdenciário essencialmente contributivo e solidário, que objetiva garantir condições de subsistência, independência e dignidade pessoais ao servidor aposentado. 4. Realizando uma breve retrospectiva, podemos observar que a partir da EC 20/98, o regime previdenciário assumiu caráter contributivo para efeito de custeio equitativo e equilibrado dos benefícios, inserindo-se aspectos novos a serem considerados como o tempo de contribuição, o equilíbrio financeiro e atuarial e a regra de contrapartida. Já com a edição da EC 41/2003, houve uma transmutação da natureza do regime previdenciário, aperfeiçoando-se sob a ótica do sistema financeiro que passou a ser fundamentalmente contributivo e, securitariamente, solidário. 5. Neste sentido, para que o servidor faça jus a qualquer benefício previdenciário, é necessário, em regra, que o requerente seja filiado ao sistema e, ao mesmo tempo, efetue as contribuições. DAS HIPÓTESES DE PERDA DA QUALIDADE DE SEGURADO DO IPREMFEL 6. No tópico anterior demonstramos que o sistema previdenciário tem caráter essencialmente contributivo e solidário, contudo, existem hipóteses em que o segurado poderá passar algum tempo sem efetuar os seus recolhimentos, mantendo, mesmo assim, a condição de beneficiário do IPREMFEL. Isto é o que podemos observar da simples leitura do art. 6º da Lei Municipal de n /2007, in verbis: 2

3 Art. 6º. Permanece filiado ao RPPS, na qualidade de segurado, o servidor ativo que estiver: I cedido para outro órgão ou entidade da administração direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios; e II afastado ou licenciado, temporariamente, do cargo efetivo sem recebimento de subsídio ou remuneração do Município, independentemente de contribuição, até doze meses após a cessação das contribuições. 1º - O prazo a que se refere o inciso II será prorrogado por mais doze meses, caso o servidor tenha tempo de contribuição igual ou superior a cento e vinte meses. 2º - O segurado de que trata este artigo deverá proceder o recolhimento da sua contribuição, bem como da integralidade da contribuição patronal. 3º - O servidor efetivo requisitado da União, de Estado, do Distrito Federal ou de outro Município permanece filiado ao regime previdenciário de origem. (grifos nossos) 7. O artigo supra transcrito traz duas situações em que o servidor permanece filiado ao IPREMFEL: quando o servidor é cedido e, quando ele é licenciado ou afastado sem remuneração. 8. Podemos observar que, no Município de Felixlândia, é conferida a prerrogativa aos servidores de se manterem vinculados ao IPREMFEL, mesmo quando licenciados ou afastados, por um período de 12 meses, ainda que não realizem contribuições, sendo 3

4 este período prorrogado por mais 12 meses, caso o servidor conte com tempo de contribuição igual ou superior a cento e vinte meses. 9. No RGPS, o período em que o segurado pode deixar de recolher contribuições sem perder os seus direitos é chamado de período de graça, que, objetiva dar, por algum tempo, proteção ao trabalhador filiado ao sistema. Durante este prazo, o empregado conserva todos os seus direitos perante a Previdência Social. 10. Desta análise podemos concluir que, caso o servidor tenha tempo de contribuição igual ou superior a cento e vinte meses, e venha a ser afastar ou licenciar, continuará filiado ao RPPS por até 24 meses. Mas, frise-se, seguindo-se os moldes previstos no RGPS (diante da falta de previsão legal na Lei local e também na Lei Federal que rege sobre a matéria), o reconhecimento da perda da qualidade de segurado ocorrerá no dia seguinte ao do vencimento da contribuição relativa ao mês imediatamente posterior ao término dos prazos fixados para recolhimento previdenciário. 11. Ultrapassados estes períodos e não realizando contribuições, o servidor perderá a qualidade de segurado, não lhe sendo mais assegurados os benefícios. 12. Outra hipótese de perda da qualidade de segurado, que é óbvia, mas não poderíamos deixar de citá-la, é quando o servidor é exonerado do cargo efetivo pelo qual mantém vínculo com o Instituto. Assim, sendo o servidor exonerado, automaticamente perderá o vínculo com o IPREMFEL. 4

5 CONCLUSÃO Diante da análise realizada na Lei n /2007, art. 6º, podemos concluir que, no Município de Felixlândia, o servidor titular de cargo efetivo manterá vínculo com o IPREMFEL por 12 meses, ainda que afastado ou licenciado sem remuneração e não realize recolhimento previdenciário. Caso o servidor conte com mais de 120 contribuições ao IPREMFEL, poderá ser tal prazo prorrogado por mais 12 meses. Após este período de graça, caso o servidor continue afastado ou licenciado e não realize a contribuição previdenciária nos moldes do art. 6º, 2º da Lei n /2007, não estará mais amparado pelo IPREMFEL. É o parecer, s.m.j. Belo Horizonte, 30 de junho de Cristiana Duarte Clarizia OAB/MG n Daniela Morais Malta OAB/MG n E LIBERTAS E ASSOCIADOS LTDA CRC/MG

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