OBRAS SOCIAIS E FÉ NO NORTE IMPERIAL: O TRABALHO MISSIONÁRIO DO PADRE IBIAPINA Danielle Ventura Bandeira de Lima *

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1 OBRAS SOCIAIS E FÉ NO NORTE IMPERIAL: O TRABALHO MISSIONÁRIO DO PADRE IBIAPINA Danielle Ventura Bandeira de Lima * Introdução O trabalho missionário de Padre Ibiapina se deu entre os anos de 1856 a 1883 e representou uma maneira de buscar a melhoria da situação das províncias da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Alagoas através da construção de uma infra-estrutura que permitisse que as pessoas desfrutassem das mesmas e, concomitantemente, colaborassem para que ela existisse. Contudo, nem sempre o missionário conseguiu peregrinar por essas regiões incentivando pessoas, as orientando pessoalmente e buscando recursos em momentos críticos como o da seca de 1877, isso por que, em 1876, ele foi acometido por uma paralisia nas pernas e precisou se fixar em uma de suas casas de caridade, que no caso, sua escolhida foi Santa Fé, localizada no atual município de Arara- PB. Dessa maneira, em momentos de seca, Ibiapina se apoiou na colaboração dos chamados beatos, merecendo destaque a figura do Irmão Ignácio, que tinham o papel de pedir esmolas nos mais variados lugares, além de buscar o apoio financeiro do bispo e de orientar por cartas as Irmãs de Caridade a fim de que essas perseverassem nas instituições e cumprissem o que estava estabelecido no seu Estatuto e Máximas Morais. Sendo assim, nesse artigo analisaremos brevemente o contexto da época que Ibiapina atuou, as suas principais obras estabelecidas e, por fim, enfocaremos as principais dificuldades enfrentadas nesse período dando ênfase a seca, tendo em vista que esta foi um mal que afligiu toda a população carente, destacando a casa de caridade como obra social de grande importância durante esse período. A trajetória missionária de Ibiapina e as dificuldades da época * Graduada em História pela Universidade Federal da Paraíba; mesma instituição onde está cursando o Mestrado em Ciências das Religiões.

2 A preocupação de Ibiapina em investir na salubridade por onde ele passou, através da construção de cemitérios, hospitais, e de açudes, é compreensível perante a dura realidade encontrada no norte do país nesse período, devido à existência de surtos de doenças epidêmicas como a febre amarela, a cólera e a varíola que se proliferavam pelo país cujo orçamento destinado para sua erradicação era minúsculo. Com relação aos Cemitérios construídos pelo religioso, tinham como função diminuir as epidemias, já que os escombros quase sempre eram portadores de mais doenças. Essa obra quase sempre esteve localizada nas imediações das capelas, como em Soledade - PB (1856), Alagoa Grande PB (1863) e Caldas - CE (1870), devido ao significado religioso que elas representavam, já que sob o pensamento cristão há uma constante busca pelo céu. Outra obra social de cunho essencial para a população eram os açudes, entre os quais podemos destacar aqueles construídos em Angicos - RN (1863), Santa Fé - PB (1864) e Santa Luzia- PB (1875), uma vez que muitas delas conviveram até mesmo com a escassez total de água principalmente em tempos de crise como a seca de Os hospitais, por sua vez, foram extremamente significativos também por causa do grande número de epidemias que se alastraram nesse período. Esses geralmente funcionaram no interior das Casas de Caridade como os de Açu e Areia, já que foram as próprias Irmãs de Caridade que, além de exercerem atividades nas casas de caridade junto às órfãs, estiveram dispostas a cuidar dos doentes. Sendo assim, a contribuição dos leigos na obra missionária do Padre Ibiapina, foi essencial para que ele conseguisse realizá-la, pois existia a necessidade da presença de construtores de hospitais, açudes, igrejas e casas de caridade, bem como de pessoas dispostas a administrá-las e conduzi-las. (ARAÚJO, 1996) O zelo da população pelo seu projeto missionário é perceptível quando o missionário foi acusado de mentor do Movimento Quebra quilos, (revolta que explodiu ao ser executado do sistema métrico que foi criado em 1872 em que a população esteve abalada com a ausência de melhoria de condições de vida), já que ao ser enviado o mandato de prisão grande número de camponeses foi até a Casa de Caridade Santa Fé, para impedir que prendessem o Padre Ibiapina: O povo cercou o apóstolo que debalde pedia que voltassem todos a seus lares e roçados. Muita gente ficou dia e noite aos pés dos muros da Caridade, sob o abrigo de pequenas casas e de árvores. De armas nas habitações e no colégio, somente as cruzes. Camponeses, fora, quando muito empunhavam foices, que o Padre só aconselham foi o trabalho e a virtude, batia a arrogância e o cangaço. (MARIZ, 1980, p.146)

3 A carência de recursos básicos da população e a comoção mediante as suas pregações foram fortes motivos que levaram essas pessoas a apoiarem sua obra e a admirarem o seu trabalho. Pois, uma das poucas instituições que recebiam o auxílio financeiro do Estado, era a Santa Casa de Misericórdia (instituição constituída por hospital, Igreja, cemitérios públicos e edifícios subjacentes que acolhiam alguns órfãos que, após um tempo, eram abandonados a própria sorte) e cujas verbas enviadas através da Comissão de Socorros Públicos não conseguiram suprir suas necessidades. A ausência de salubridade pública foi tão pouco combatida pelo Estado que, segundo Comblin (1993), os escombros nessa época ficavam expostos fazendo com que um maior número de doenças se proliferasse, acarretando em maiores prejuízos para a população mais pobre. Fundada em 1862 e iniciando o trabalho do religioso na Paraíba, a casa de caridade - hospital em Areia teve um papel fundamental na luta contra os males das doenças epidêmicas, chegando a ser alvo de elogios pelo Presidente da Província da Paraíba Araújo e Lima, no ano de 1863 que, mesmo reconhecendo a colaboração do missionário na diminuição da cólera, não contribuiu em nada com a manutenção dessa instituição. Entre todas as preocupações do Brasil a maior de todas certamente foi a Seca, sendo mencionada até mesmo no discurso do Imperador em 1 de julho de 1877 como o pior dos problemas do país, onde, apesar de afirmar que as epidemias tiveram uma considerável queda e de colocar que esta vinha sendo combatida mediante o auxílio da Comissão de Socorros Públicos e iniciativas particulares. Esse sofrimento da sociedade foi sentido também nas casas de caridade, devido à impossibilidade de seu líder em se locomover e conseguir pessoalmente as verbas necessárias para seu sustento. Sendo a solução por ele encontrada o envio, através de seu beato Ignácio, de uma carta relatando a situação das casas apelando para versículos bíblicos que tinham como intuito comover as pessoas que dela tomassem conhecimento, como podemos observar em um de seus trechos: [...] É o padre Ibiapina que vos pede uma esmola pelo amor de Deus. Lembrai-vos cristãos: a esmola apaga o pecado e faz achar misericórdia na presença de Deus no dia do juízo. Quando Deus julgar o mundo, dirá para os da direita: vinde, bendito de meu eterno Pai! Vinde receber o prêmio da glória que vos está preparada pois estive com fome e me deste de comer, estive com sede e me deste de beber [...]. (CARTA do Padre Ibiapina em 2 de novembro de 1877) Um mês depois de enviar essa carta, Ibiapina fez uma descrição dramática de como estava Santa Fé, relatando sobre a escassez dos alimentos e da água e reforçando que as órfãs que lá se encontravam eram, em sua maioria, menores de sete anos e colocando ainda que, diariamente,

4 retirantes procuravam suas casas, nus e sem subsídios básicos para sobreviver, conforme é narrado pelo Beato Antônio Modesto no ano de sua morte. Essa situação condiz com o relato da comissão de socorros públicos ao descrever ao Presidente da Província da Paraíba José Rodrigues Pereira Júnior sobre a Villa de Teixeira no ano de 1879 em que, segundo este, a fome chegou a tal ponto que até mesmo cachorros eram disputados como alimentos para os mais pobres. Além disso, nesse relatório afirma-se que essa situação de maneira nenhuma afetou a elite local alertando para os desvios de verbas e lamentando o grande número de emigrações de pessoas pobres que iam buscar melhores condições de vida. Reclamando ainda da impossibilidade de construção de Sangradouro por parte da Comissão mediante a pequena quantidade de verbas a ela direcionada. Nesse ano ficam evidentes as necessidades da população através da Veneranda responsável pela Casa de Caridade em Cabaçeiras que, pedindo recursos ao Presidente da Província, mostra que as dezoito senhoras que nela residiam não conseguiam suprir as necessidades das trinta e oito órfãs. Vale destacar, que esta conseguiu os recursos solicitados, mas em uma ínfima quantidade, pois em pouco tempo reivindicou novamente o envio de recursos que durassem no mínimo quatro meses. Enfim, o estado calamitoso nesse período é explicitado em narrativas de pessoas que vivenciaram de perto esse período e que buscaram o apoio de autoridades como os presidentes das províncias, líderes religiosos ou, até mesmo, da própria população apelando para o sentimento de partilha cristã. As casas de caridade como foco da missão de Ibiapina Apesar de todas as obras assistencialistas do religioso terem um caráter essencial para a população, as casas de caridade podem ser consideradas como as suas principais, pois mesmo diante de sua paralisia nas pernas ele continuou se comunicando através de cartas com as superioras das respectivas casas e enviando verbas através de seus beatos. Isso fica perceptível em um discurso de sua época que afirma que: Padre Ibiapina viu a órfã sem pai e sem mãe, exposta a todos os perigos e misérias da vida, e seu coração contristou-se. Viu o homem acabrunhado sob o duplo mal de enfermidade e da fome, e sua alma conturbou-se. Mas Deus havia dito Diliges proximum tuum sicut teipsum. Com tais palavras nos lábios e a fé no coração, o virtuoso missionário, encontrando eco ao íntimo da alma dos fiéis, fundou esta Santa Casa para asilo e proteção das órfãs e

5 dos enfermos desvalidos da fortuna. (DOMINGO JÚNIOR, José Pinto Braga Apud ALENCAR, 1863, p 82) Nessa instituição ele propagava lições de conduta cujo foco era a obediência a sua vontade, o silêncio, o trabalho e a penitência através das Máximas Morais, que continham aconselhamentos direcionados as Irmãs de Caridade, do Estatuto que ditava o regimento e das cartas dirigidas às Irmãs quando julgava necessário. Esse modelo educativo estava em sintonia com o de sua época, pois, durante o século XIX, apesar do surgimento de decretos de criação de escolas normais a partir da lei geral de ensino de 1827 e do Ato Adicional de 1834, que buscou regulamentar as atividades dos magistrados, esses tinham incutido em seu pensamento que era mais importante ordenar e controlar que propriamente instruir. Além disso, o curso feminino nas escolas normais brasileiras, apesar de serem mencionados como criados na Bahia em 1836 e em São Paulo em 1846, não foram implantados. No Rio de Janeiro, por sua vez, teve-se uma tentativa frustrada de colocar o estudo masculino e feminino em dias alternados. Portanto, por um longo período o ensino dirigido ao público feminino ficou a cargo de instituições religiosas ou escolas particulares leigas. (VILLELLA, 2003). Para manter a rigidez almejada pelo missionário, o apoio de mulheres simples das localidades em que atuava, ou de moças ricas que resolveram colaborar com o seu Projeto Missionário, seguindo um rigoroso Estatuto e observando as instruções fornecidas pelas Máximas Morais, foram primordiais para que essas funcionassem. As atividades exercidas dentro de suas instituições iam desde as mais simples como os serviços domésticos e atendimento a pessoas estrangeiras que adentravam as casas em busca de conselhos, como também há atividades cujo grau de confiança era maior, como as exercidas pelas Superioras e Irmãs Zeladoras, principais responsáveis por manter a ordem em suas instituições. (COMBLIN, 1993). Vale destacar que todas essas funções compunham o universo educativo e tinham papéis fundamentais, já que, tal como a escola, ela deveria ser entendida como um conjunto de hierarquias, normas e códigos, não podendo limitar o processo educativo ao simples ato de ensinar as primeiras letras (JALLES, 2005). A responsabilidade da Superiora, todavia, era intensa, conforme pode ser constatada através dos artigos 11, 12 e 14 do Estatuto das Casas de Caridade, pois tinha como função fazer com que todas as repartições funcionassem regularmente, observando, principalmente, o adiantamento da doutrina cristã, a fim de mensalmente construir um mapa declamando o trabalho na casa ao Inspetor Geral, o adiantamento da Escola e repreendendo as Irmãs desobedientes.

6 A Irmã Zeladora, por sua vez, conforme consta no Regime Interno do mesmo Estatuto, era designada pela Irmã de Caridade como responsável pela conduta das órfãs, punindo-as, caso desobedecessem às regras estabelecidas. Cauteloso ao escolher as pessoas de sua confiança, conforme consta nos artigos 5, 6, 7 e 8, Ibiapina admitia que as mulheres que lá estiveram pudessem dedicar parcial ou integralmente seu tempo em suas instituições, mas só após cinco anos demonstrando obediência aos seus serviços e total dedicação, era concedido o direito de serem denominadas de Irmãs de Caridade. Conseguir obedecer tais regras, porém, não era simples, pois o cumprimento de uma rotina árdua que ia das quatro horas e trinta minutos da manhã até a noite, obedecendo grande número de atividades que vão desde oração, trabalho ou estudo silenciosamente e sem questionamentos, sob o constante toque da campa que indicava qual era a atividade a ser realizada naquele momento, exigia uma dedicação profunda e um estado de constante vigilância. O preconceito contra a mulher, a disciplina e controle tão presentes no pensamento dos educadores de todo o país, guiados quase sempre pelo método lancasteriano, foi fruto de uma mentalidade da época que buscou formar as pessoas de acordo com seus interesses particulares, para Foucault: [...] a disciplina não pode se identificar nem com um aparelho: ela é um tipo de poder, uma modalidade para exercê-lo, que comporta todo um conjunto de instrumentos, de técnicas, de procedimentos, de níveis de aplicação, de alvos, ela é uma física ou uma anatomia do poder, uma tecnologia (FOUCAULT, 2001, p.127). Os princípios cristãos, existente nas instituições ibiapianas, coexistiam nas instituições laicas e eram agregados ao ensino das primeiras letras, como forma de doutrinar as pessoas e, sobretudo, de conformar a população com a situação vivenciada, impedindo possíveis questionamentos. O exemplo mariano, para a educação das órfãs e também das mulheres da caridade, era essencial para ele, devido a sua obediência a vontade divina e o silêncio que ela guardava, já que era desejo do religioso manter total controle sobre a instituição. (NOGUEIRA, 1888) Tal pensamento se assemelha ao agostiniano, uma vez que primava pela disciplina e obediência. Nessa instituição, tal como na medievalidade, não havia espaço para indagações e liberdade, pois se prevalecia a disciplina externa e o zelo pela obediência inquestionável, próprios da educação tradicional cristã. (MANACORDA, 1989) O castigo, portanto, existente nas instituições como um todo, inclusive nas do missionário, foram considerados como meios essenciais para conseguir conter os ímpetos tidos como rebeldes

7 por não se adaptarem a rotina escolar. Para a elite, o acesso à educação garantido aos pobres não poderia ser considerado como um meio de diminuir as desigualdades, mas de fazer com que o povo não se desviasse do caminho traçado por ela. (FILHO, 2003) Além disso, as preocupações com o casamento e com a educação religiosa das mulheres eram fortemente presentes no pensamento de quase todas as instituições brasileiras e também nas Casas de Caridade. Contudo, uma técnica não tão desenvolvida para as mulheres nesse período e desempenhada por Ibiapina foi a busca em fazer com que as moças aprendessem atividades manuais ou de gênero industrial para que quando se cassassem pudessem colaborar com seus maridos no sustento de suas famílias. Vale destacar que essas atividades industriais eram constantemente incentivadas ao público masculino no ensino laico em busca de mão de obra especializada como podemos constatar no Colégio dos Educandos Artífices criado na Paraíba em 1865, contando, diferentemente das Instituições do Missionário, com o apoio do Estado e padecendo com a falta de estrutura, predominando-se, além disso, a descriminação contra os filhos dos ex-escravos. A consagração a Deus de todas as atividades diárias pode ser constatada também no pensamento de Clemente de Alexandria, que, considerado um dos primeiros educadores, afirma que o mestre tem a função de encaminhar para as virtudes da vida. (MANACORDA, 1989). O trabalho diário nessa instituição era tão valorizado pelo missionário que, em suas Máximas Morais, ele o colocou como um tipo de oração, destacando dois tipos de orações: um é levantando o pensamento ou dirigindo a palavra a Deus, e o outro é trabalhando por amor de Deus, em desempenho do dever do próprio estado. (IBIAPINA apud COMBLIN, 1984). Essa idéia de trabalho como melhor remédio para driblar a ociosidade trazida por Ibiapina esteve igualmente presente na Ordem de São Bento, que, além de trazer este pensamento para os religiosos, também se utilizava de um Inspetor para fiscalizar se esses estavam seguindo seus preceitos, contudo a presença masculina era predominante. Não podemos nos esquecer que essa busca pelo trabalho também foi fruto de uma época que visava formar mão de obra barata e que descriminava os filhos de ex-escravos conforme podemos constatar através do Relatório de Província em 1872, quando alguns jovens filhos de ex-escravos foram expulsos sob a alegação de mau comportamento e readmitidos em seguida sendo incorporados no quadro de funcionários impedindo que esses jovens fossem além do que se acreditava que era necessário para pessoas pobres, cujo destino nessa mentalidade escravocrata era trabalhar ganhando pouco ou nada.

8 Sendo assim, essas casas de caridade foram obras sociais de suma importância para o Padre Ibiapina e nelas podem ser transparecidas a situação da época por ele vivenciada, se assemelhando em diversos aspectos a instituições religiosas e de cunho laico. Considerações finais Ao analisarmos a situação da província da Paraíba durante os anos de , bem como a atuação de Ibiapina por todo norte do país percebemos como a população carente se apegou as suas missões e resolveu colaborar com elas, já que se sentiam reconfortados com suas palavras e com sua busca por construir obras que atendessem as suas necessidades. As casas de caridade tiveram um papel fundamental no cotidiano dessas pessoas e o modelo educativo implantado no interior das mesmas era tão forte que atraia para si até mesmo pessoas ricas dos locais, já que fazia parte da sociedade, a mentalidade de que a mulher sendo rico ou pobre deveria se preparar para o casamento. Entretanto, tais casas de caridade sofreram, juntamente com as demais instituições criadas pelo sacerdote, os efeitos da seca e o descaso do Governo, pois as pessoas que haviam sido alimentadas com essas mensagens de esperanças tiveram que conviver, conforme é relatado no relatório da comissão de socorros públicos na Vila Teixeira, com os freqüentes desvios de verbas, situação esta que pouco afligia aos mais ricos. Enfim, a temática aqui exposta permite que façamos uma breve reflexão sobre o papel missionário do Padre Ibiapina no Norte do país nesse período, sem deixar de reconhecermos que esta não está longe de nossa realidade, pois reflete o sofrimento ainda hoje enfrentado por grande parte da população mediante os desvios de dinheiro e ausência de infra-estrutura de muitos locais do Brasil. Referências ARAÚJO, Francisco Sadoc. Padre Ibiapina: peregrino da caridade. São Paulo: Paulinas, ALENCAR, Pe Carlos Augusto Peixoto de. Itinerário da Primeira Visita do Sr Dom Luis Antônio dos Santos ao Norte do Bispado no ano de Ceará Arquivo Santa Fé. CARTA da Irmã de Caridade Maria Ibiapina ao presidente da província José Rodrigues Pereira em 16 de dezembro de Arquivo Público da Paraíba. CARTA da Irmã de Caridade Maria Ibiapina ao presidente da província José Rodrigues Pereira em 4 de março de Arquivo Público da Paraíba.

9 CARTA do Padre Ibiapina enviada através do Irmão Ignácio em 2 de novembro de Arquivo Santa Fé. CARTA do Padre Ibiapina enviada através do Irmão Ignácio em dezembro de Arquivo Santa Fé. O CEARENSE, Fortaleza edição de , p 1. Arquivo Santa Fé. COMBLIM, José. Padre Ibiapina. São Paulo: Paulinas, Instruções espirituais do Padre Ibiapina. São Paulo: Ed Paulinas FALLA do Imperador na décima sexta reunião da legislatura em 1 de julho de Arquivo Público da Paraíba. FILHO, Luciano Mendes de Farias. Instrução Elementar no século XIX. In: LOPES, Elina Marta (org.) et. all. 500 anos de escola no Brasil. São Paulo: Autêntica FOULCAULT, Michael. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, JALES, Carlos Alberto. Para que serve uma teoria em educação? in: SALLES, Vilmária Fernandes Sales. et. all. Psicologia na educação: um referencial para professores. João Pessoa: UFPB, 2005 MANACORDA, Mário A. História da Educação: da antiguidade aos nossos dias, São Paulo: Cortez, MANUSCRITO do Beato Antônio Modesto de Maria Ibiapina em maio de 1883 narrando sobre a morte de Ibiapina. (Arquivo Santa Fé) MARIZ, Celso. Ibiapina, Um apóstolo do Nordeste. 2ª Ed. João Pessoa. Ed Universitária /UFPB, NOGUEIRA, Paulino - O Padre Ibiapina - in Revista do Instituto do Ceará, Ano II, 3 Trimestre de 1888, Tomo II, p 174. OFÍCIO do diretor do Colégio dos Educandos Artífices Antonio de Souza Gouveia dirigido ao presidente da Província da Paraíba Frederico Almeida e Albuquerque em 3 de abril de 1872 encontrado no Arquivo Público da Paraíba. Arquivo Público da Paraíba. OFÍCIO do diretor do Colégio dos Educandos Artífices Antonio de Souza Gouveia dirigido ao presidente da Província da Paraíba Frederico Almeida e Albuquerque em 20 de abril de 1872 encontrado no Arquivo Público da Paraíba. Arquivo Público da Paraíba RELATÓRIO do Presidente da Província Araújo e Lima em Arquivo Público da Paraíba RELATÓRIO da Comissão de Serviços público sobre a Villa de Teixeira ao Presidente de Província José Rodrigues Pereira Júnior em 15 de outubro de 1879 VILLELLA, Heloísa de O. O mestre escola e a professora. In: LOPES, Elina Marta (org.) et. all. 500 anos de escola no Brasil. São Paulo: Autêntica

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