DESENVOLVIMENTO HUMANO E INCLUSÃO SOCIAL ATRAVÉS DO ESPORTE, CULTURA, TURISMO E LAZER.

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1 DESENVOLVIMENTO HUMANO E INCLUSÃO SOCIAL ATRAVÉS DO ESPORTE, CULTURA, TURISMO E LAZER. Deputada Federal Flávia Moraes (PDT/GO) RESUMO A ideia da inclusão social se fundamenta numa filosofia que reconhece e aceita a diversidade, na vida em sociedade. Isto significa garantia do acesso de todos a todas as oportunidades, independentemente das peculiaridades de cada indivíduo e/ou grupo social. A responsabilidade de viabilizar a inclusão social é do poder público do Estado, e deve ocorrer a partir de ações governamentais essenciais para o desenvolvimento da cidadania. A elaboração de políticas públicas voltadas à promoção cultural dos cidadãos permitirá a efetiva redução da exclusão social dos indivíduos, bem como, o aperfeiçoamento de sua condição de cidadão para a viabilização de seu ingresso efetivo no processo de democracia política do país. O presente trabalho irá discorrer sobre a inclusão social e o desenvolvimento humano relacionado ao turismo, esporte, cultura e lazer. 1. INTRODUÇÃO Houve um tempo, mais precisamente na década de 70, que o bem-estar da sociedade era medido através de seu desenvolvimento econômico. Mais recentemente, no entanto, com o aumento da consciência política e do exercício da cidadania, houve a compreensão de que o desenvolvimento não está somente relacionado ao dinheiro e que a economia não é tudo, e sim, apenas um dos meios de se atingir o bem-estar humano e social. Tem-se adotado de forma geral, que o desenvolvimento, em qualquer concepção, deve resultar do crescimento econômico acompanhado de melhoria na qualidade de vida, melhorando os indicadores de bem-estar econômico e social (pobreza, desemprego, desigualdade, condições de saúde, alimentação, educação e moradia) (Vasconcellos e Garcia, 2009). Para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano/PNUD, desenvolvimento humano, é a ampliação das liberdades das pessoas para que tenham vidas longas, saudáveis e criativas, para que antecipem outras metas, que tenham razões para valorizar e para que se envolvam ativamente na definição equitativa e sustentável do desenvolvimento num planeta partilhado. Nesta vertente, as pessoas tornam-se, ao mesmo tempo, os beneficiários e os impulsores do desenvolvimento humano, tanto individualmente como em grupos (Pnud, 2010). Com a nova concepção de desenvolvimento humano, tornou preemente a necessidade de se estabelecer mudanças baseadas em políticas sociais, focadas na diminuição da pobreza e promoção da inclusão social.

2 No Brasil, esta percepção da necessidade de elaboração de políticas públicas voltadas para o social, iniciou-se no meado dos anos de 80, através de grupos políticos de esquerda, mas foi a partir do início do novo século que estrearam os debates com mais intensidade sobre o tema, motivado, sobretudo, pelo acumulo das desigualdades sociais proporcionados pela má distribuição da riqueza, da terra, do acesso aos bens materiais e culturais. Com isto, reversão da situação de forte exclusão social se fazia urgente e necessária. Assim, a inclusão social e combate a pobreza, adquiriu força e tornou-se coadjuvante nas diretrizes políticas dos governos atuais. A inclusão social com diretrizes transformadoras tem sido entendida como o processo pelo qual a sociedade se adapta para incluir, em seus sistemas sociais gerais, pessoas menos favorecidas, geralmente ligada à classe social, nível educacional, portadoras de deficiência física e mental, idosas ou minorias raciais entre outras que não têm acesso a várias oportunidades, ou seja, inclusão social é oferecer aos mais necessitados oportunidades de participarem da distribuição de renda do país, dentro de um sistema que beneficie a todos e não somente uma camada da sociedade. A inclusão social constitui, então, um processo bilateral no qual as pessoas, ainda excluídas, e a sociedade buscam, em parceria, equacionar problemas, decidir sobre soluções e efetivar a equiparação de oportunidade para todos (Sassaki et. al., 2008). A responsabilidade de viabilizar a inclusão social é do poder público do Estado, e deve ocorrer a partir de ações governamentais essenciais para o desenvolvimento da cidadania. Ações estas, que devem compartilhar em seu interior não apenas a renda, mas também o acesso às políticas e aos serviços sociais. Atendendo com isto, a função principal da inclusão social compreendida como a possibilidade de enfrentamento da situação de exclusão por meio da implementação de políticas sociais (Licurgo. T., 2010). Existem muitos meios que determinam a inclusão social. Um dos mais significativos é o emprego, que representa, com efeito, um aspecto importante do crescimento sustentável e equitativo, uma vez que o trabalho é o principal patrimônio dos menos favorecidos. Este documento não tratará do papel do emprego no processo de inclusão social, e sim, discorrer sobre outros mediadores de inclusão social tão importante como o emprego, a exemplo do turismo, esporte, cultura e lazer. 2.TURISMO COMO FATOR DE INCLUSÃO SOCIAL A Organização Mundial do Turismo OMT (2003) destaca o turismo como um dos principais setores socioeconômicos mundiais, com potencial para causar grandes benefícios para a comunidade. Se planejado adequadamente, pode gerar empregos, renda e impostos que podem ser utilizados nos serviços e infraestrutura da comunidade local. No entanto, o turismo sem planejamento provoca diversos problemas, entre eles: falta de mão-de-obra, produtos e mercadorias importadas de outra região, crescimento desordenado e exclusão da comunidade.

3 A atividade turística é uma forte aliada no processo de ordenamento da comunidade com potencial. É importante, portanto, que exista uma inter-relação entre o planejamento turístico e o planejamento territorial, de forma que o turismo se aproprie do espaço visando o desenvolvimento da localidade. Planejar a forma de exploração do espaço turístico, nas áreas urbana e rural, respeitando as peculiaridades do território, reforça a ideia que a atividade pode ser considerada vetor do desenvolvimento local. O estimulo para crescimento local está relacionado diretamente com desenvolvimento humano e a inclusão social da comunidade, a atividade turística pode trazer qualidade de vida para população. A inclusão social é um processo de atitudes afirmativas, no sentido de inserir os menos favorecidos no contexto social, nas práticas de lazer e entretenimento. As localidades podem dispor de enorme potencial e vocação para o turismo, a atividade turística só se consolida se houver investimentos, principalmente no ser humano. Não se deveria atuar profissionalmente no trade turístico sem uma formação teórica x prática. Existem várias maneiras das quais a gestão participativa do turismo podem auxiliar no desenvolvimento turístico de um município: Lançar campanhas de conscientização, através de ações diretas via cursos, palestras, eventos culturais e outros; Incluir nos currículos escolares dos municípios a mensagem sobre a importância do turismo, suas principais características e como colaborar para o seu desenvolvimento; Esclarecer a população de que o turismo pode proporcionar melhoria na qualidade de vida e elevar o sentimento de cidadania; Mostrar a importância da hospitalidade que deve ser dada aos visitantes; Planejar a atividade turística numa comunidade tem como principal objetivo a melhoria da qualidade de vida dos moradores, e que, consequentemente, promove a proteção e reconhecimento da cultura e recursos naturais. Os impactos positivos acontecerão se houver um planejamento consistente do turismo, em que esteja previsto a conservação do patrimônio e a consolidação da identidade cultural. O turismo também pode trazer impactos negativos na comunidade. No que tange aos impactos socioculturais, podem ocorrer perda de identidade local, consequente da influência da cultura estrangeira, trazida pelos turistas. Em pequenas localidades pode ocorrer uma mudança nos padrões de consumo, geralmente criadas pelos hábitos de compra dos turistas, onde poderão ser despertadas

4 necessidades de consumo até então estranhas aos moradores. Também se corre o risco do aumento de problemas sociais como consumo de drogas ilícitas, alcoolismo e prostituição. Para a comunidade alcançar os benefícios proporcionados pelo turismo, o trabalho não termina na fase do planejamento. Durante a implantação do plano de ação é necessário que haja uma forte coordenação e cooperação entre os diferentes setores públicos e privados (OMT, 1998). 3.CULTURA COMO MEDIADORA DE INCLUSÃO SOCIAL Numerosas são as concepções de cultura, consoante com variadas vertentes teóricas, neste trabalho, entenderemos a cultura como um conjunto de aspectos, processos, rituais, hábitos, crenças e valores que garantem o reconhecimento de uma identidade a um determinado grupo social. Devido às múltiplas áreas de atuação, a cultura tem sido largamente utilizada como forma de redução da exclusão social em que se encontra grande parte dos cidadãos brasileiros e como meio de implementação, no país, de um modelo mais legítimo de democracia deliberativa. Há que se observar que a pobreza e exclusão social, não estão somente ligadas à restrição material, falta de recursos financeiros suficientes para a garantia de um padrão mínimo de subsistência, como comer, vestir, morar. Existe uma nova forma de pobreza, mais ampla, que não se relaciona diretamente aos critérios de consumo e renda, mas sim aos conceitos de capacidade e liberdade, e isso envolve a satisfação das preferências (políticas, impessoais e pessoais), realização profissional, pessoal e engajamento de atividades culturais (Sem, A., 2000). O Estado brasileiro tem promovido através da concessão de benefícios de renda mínima, o abrandamento do problema da miséria material do cidadão, deixando para segundo plano, a questão da miséria intelectual dos mesmos (Bicca, S. C., 2011). Como uma forma de atacar este problema no âmbito educacional, as Diretrizes Curriculares Nacionais (2007 e 2010) propõem a estabelecer uma educação multicultural, procurando formar criticamente os professores, para que mudem suas atitudes diante dos alunos mais pobres e elaborem estratégias instrucionais próprias para a educação das camadas populares, procurando, antes de mais nada, compreendê-las na totalidade de sua cultura e de sua visão de mundo (Lacerda, C. C., 2010). A diversidade cultural é um fator muito importante de ser analisado no sistema de ensino, pois é a forma de mostrar aos alunos que existem muitas culturas além da que eles estão acostumados a ver, proporcionando uma formação mais ampla, no sentido de fazer com que haja interaão com a realidade se auto descobrindo. Paralelamente a estas ações, o Estado tem incentivado a cultura em iniciativas como a alteração à proposta de lei que cria o Programa de Fomento e Incentivo à Cultura (Profic), em substituição à Lei Rouanet (Lei 8.313, de 1991), buscando-se ampliar a capacidade de fomento à cultura e as formas como o produtor pode acessar os recursos, sendo uma novidade importante, a

5 criação do Vale Cultura, que consiste na destinação de uma verba de R$ 50 para trabalhadores investirem no consumo de bens culturais (Figueiró, 2011). A elaboração de políticas públicas voltadas à promoção cultural dos cidadãos permitirá a efetiva redução da exclusão social dos indivíduos, bem como, o aperfeiçoamento de sua condição de cidadão para a viabilização de seu ingresso efetivo no processo de democracia política do país. 4. ESPORTE COMO MEDIADOR DE INCLUSÃO SOCIAL O esporte é um meio importante de socialização por conseguir atingir valores como coletivismo, amizade e solidariedade, que são relevantes para vencer as agruras da pobreza. É uma forma de substituir a violência, por uma competição controlada, em que o respeito à vida é um elemento fundamental. A procura do esporte pelos membros das classes populares, como um meio de elevação social, especialmente por aqueles que são residentes em comunidades violentas, pode representar uma forma de autorrealização e de superação da condição de não ter direitos de cidadania plena (Viana & Lovisolo, 2011). O reconhecimento do esporte como canal de socialização positiva ou inclusão social é revelado pelo crescente número de projetos esportivos destinados aos jovens das classes populares, financiados por instituições governamentais e privadas. São exemplares os programas alternativos paralelos à educação formal, de iniciação profissional e educação através do esporte e do trabalho, que surgiram a partir da década de 80, como oposição a socialização exercida pelo crime organizado em favelas (Zaluar, 1994). Mesmo com várias experiências da ação positiva do esporte no processo de inclusão, existe um movimento de crítica ao ensino de esportes nas escolas como forma de inclusão social. Tal movimento, disseminado principalmente na década de 80, apresenta duras críticas à aprendizagem técnica ou de aprofundamento dos conhecimentos e habilidades dos fundamentos dos esportes na educação física escolar. Tais vertentes justificam que a utilização de técnicas de esporte na escola, teria contribuído para a desvalorização da aprendizagem dos fundamentos profundos ou técnicas corporais na área, passando a ser vista como processo de mecanização ou desumanização, utilizando o discurso da prática de esportes como um instrumento de alienação ou anestesia social, indicada como instrumento de adaptação e controle social (Castelani filho, 1983; Bracht, 1986; Ghiraldelli Junior, 1988). Esta crítica é reforçada, com a difusão da ideia de que o esporte é um mal em si, sendo impossível a sua utilização para a autonomia e emancipação dos membros das camadas populares. Mais ainda, o esporte por essência seria excludente por selecionar os melhores e por isto não poderia ser utilizado como ferramenta de inclusão social. Contrária a esta argumentação, trabalhos recentes têm confirmado os benefícios dos esportes para a melhoria da qualidade de vida dos participantes ou para a sua formação social. Afirmam que o problema da autoexclusão produzida pela constatação pessoal da falta de talento ou dom, não deve ser vista como um mal, mas apenas como um recurso dos atores para definir os

6 caminhos de sua vida a partir da experiência pessoal (Gaya, 2009; Stigger, 2009; Vaz, 2009). Aliado a isto, a vivência esportiva tem contribuído positivamente para a ampliação dos anos de escolaridade e aprofundamento nos conhecimentos destes indivíduos, resultando em mobilidade social quando comparados com o nível de escolaridade e a profissão de seus pais. Um dos grandes problemas enfrentados pelos programas e projetos de inclusão pelo esporte é a adesão e permanência dos atores. Percebe-se que o discurso ideológico presente em programas e políticas de inserção social através do esporte, que postula apenas uma perspectiva de inclusão pelo lazer, não suscita à adesão e permanência de parcelas significativas dos matriculados nas atividades. A solução está em mesclar as atividades esportivas vinculadas ao lazer, com a realização de atividades esportivas orientadas à profissionalização, mediante treinos e participação em eventos esportivos. Para diminuir a evasão, o Ministério dos Esportes tem trabalhado nestas duas frentes, e ao mesmo tempo em que apoia programas de inclusão social pelo esporte e pelo lazer promove a seleção de talentos e a bolsa esporte. 3.LAZER COMO FATOR DE INCLUSÃO SOCIAL O lazer é um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares ou sociais (Dumazedier, 1983). O Lazer, em sua forma ideal, é um instrumento de promoção social, servindo para auxiliar no rompimento da alienação do trabalho, apresentando-se politicamente como um mecanismo inovador aos trabalhadores, na medida em que estabelece novas perspectivas de relacionamento social; promover a integração do ser humano livremente no seu contexto social, onde este meio serviria para o desenvolvimento de sua capacidade crítica, criativa e transformadora e proporcionar condições de bem-estar físico e mental do ser humano (Oleias, 2003). O lazer é um direito social garantido em nosso país pela Constituição Brasileira de Nesse sentido, como um direito deve ser atendido e prestado à população na forma da lei para abrir espaço para a construção de ambientes humanizados, criativos, descontraídos e alegres, voltados a descobertas. Expande-se em diferentes formas de representação, de organização, e de relações nas quais cada indivíduo partilha alegrias e tristezas e constrói referências básicas de sua identidade, da consciência de si e de formas de pertencimentos no mundo que vive. Assim, o lazer é considerado como uma ação humana, pensado de modo a oportunizar aos espaços urbanos funcionarem como um instrumento de interação entre diversos indivíduos, grupos e classes, potencializando o processo de inclusão social. 6. DESAFIOS DA INCLUSÃO SOCIAL E DESENVOLVIMENTO HUMANO PARA A PRÓXIMA DÉCADA.

7 Um grande desafio para os próximos anos será o mapeamento do estado da arte da exclusão. Saber antecipar que tipo de exclusão será enfrentada e os meios de mitigá-las, será a maior obstáculo dos futuros governos. Sabemos que a exclusão econômica e social é compreendida como a face mais conhecida de uma situação, que tem outros desdobramentos. Temos a exclusão cultural, do saber, o problema do desenraizamento, a quebra de vínculos familiares e comunitários, a perda de referências a partir da quebra de um paradigma social. Compreender essa multiplicidade de problemas é o primeiro passo para que possamos entender a dimensão de nosso campo de ação no futuro. O caminho para enfrentamento do problema está na aliança entre as instituições de governo e as instituições não governamentais na busca de parcerias, sinergias de trabalho pela recuperação da autoestima, da reorganização dos vínculos familiares e, consequentemente, de organização e mobilização da sociedade. Para Patrus Ananias, ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, a construção deve decorrer de um trabalho continuado, com orientação política pautada pelos princípios éticos do direito à vida, com um conceito forte de nação que dê condições a cada brasileiro de exercer plenamente seu sentimento de pertencer ao seu lugar e de ser sujeito da história de seu país.

8 7. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS MELINA, A., & FRANCO, B. J. disponível em: acesso 29/08/2011. BENI, M. C. Análise estrutural do turismo. São Paulo: Senac, BICCA, S. C. Exclusão social também se combate com cultura. Revista Consultor Jurídico, BRACHT, V. A criança que pratica esporte respeita as regras do jogo. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Campinas, v.2, p.62-8, CASTELLANI FILHO, L. A (des)caracterização profi ssional-fi losófi ca da educação física. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Campinas, v.3, p , DUMAZEDIER, 1976, apud OLEIAS. Disponível em: FIGUEIRÓ, A. L. Entre o Assistencialismo e a Emancipação. Uma análise da relação entre Estado e sociedade civil, a partir das experiências do Programa Bolsa Família no entorno do Distrito Federal p. 33. Tese apresentada ao Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade de Brasília Disponível em: acessado em: 20/01/2011. GAYA, A. Sobre o esporte para crianças e jovens. In: STIGGER, M.P.; LOVISOLO, H.R. (Orgs.) Esporte de rendimento e esporte na escola. Campinas: Autores Associados, GUIRALDELLI JUNIOR, P. Educação física progressista. São Paulo: Loyola, LIMA, O. artigocientifico.com.br/uploads/artc_ _97.doc. MINISTÉRIO DO TURISMO. Plano Nacional de Turismo. Diretrizes, Metas e programas Brasília: OMT (1993) apud PRADO, A. C. A., Impactos do Ecoturismo no Parque Estadual da Serra do Mar Núcleo Cubatão Dissertação (Mestrado) ECA USP, OMT Turismo internacional: uma perspectiva global. 2. Ed. São Paulo: Bookman, PASOS. Revista de turismo y Patrimonio Cultural. ISSN PNUD. Relatório de Desenvolvimento. Brasil: PNUD, TORRES, R. C.G. & COSTA, A. V. F. Lazer na cidade: uma proposta de humanização do espaço urbano SASSAKI, R. K. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA,2008. SEN, A. Desenvolvimento como Liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

9 STIGGER, M.P. Relações entre o esporte de rendimento e o esporte da escola.in: STIGGER, M.P.; LOVISOLO, H.R. (Orgs.) Esporte de rendimento e esporte na escola. Campinas: Autores Associados, p VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval de; GARCIA, Manuel Enriquez. Fundamentos de Economia. São Paulo: Saraiva, VAZ, A.F. Técnica, esporte, rendimento. In: STIGGER, M.P.; LOVISOLO, H.R. (Orgs.) Esporte de rendimento e esporte na escola. Campinas: Autores Associados, VIANNA, J. A & LOVISOLO, H. R. Rev. bras. Educ. Fís. Esporte, São Paulo, v.25, n.2, p , abr./jun ZALUAR, A. Cidadãos não vão ao paraíso: juventude e política social. Rio de Janeiro: Escuta, 1994.

10 GRANDES EVENTOS E SEUS LEGADOS (ESPORTE, CULTURA, TURISMO E LAZER) Dep. André Figueiredo RESUMO A escolha do Brasil para sediar a Copa das Confederações em 2013, Copa do Mundo de 2014, bem como a realização da Olimpíada e a Paraolimpíadas no Rio de Janeiro em 2016, apresenta-se como grande desafio e oportunidade para o desenvolvimento do país. Considerando que são os maiores eventos esportivos do mundo, a preparação para a realização destes eventos esportivos trouxe grandes desafios para a política do país. Diversos são os acordos e compromissos firmados pelos entes governamentais e instituições privadas no sentindo de priorizar os investimentos necessários à sua realização. O leque de exigências técnicas é amplo e rigoroso, determinando um plano de aplicação bastante preciso na realização das obras. A Copa do Mundo no Brasil tem grandes chances de alavancar melhoras significativas para a população, trazendo mudanças culturais, sociais, ambientais com significado impacto para a cidade sede com repercussão de um contexto social mais amplo e justo. 1.INTRODUÇÃO Refletir sobre a importância dos legados de megaeventos esportivos importa pensar sobre o projeto de sociedade que buscamos. Uma sociedade soberana e democrática, voltada para a emancipação dos trabalhadores e para a garantia de condições dignas de vida e dos direitos fundamentais a todos os cidadãos, no sentido de alcançar a contínua satisfação das necessidades humanas. Vista sob essa ótica, a geração de legados pressupõe uma ação determinada, pró-ativa, acima de tudo referenciada na perspectiva do desenvolvimento humano, da justiça e da inclusão social desta e de futuras gerações (Ministério dos Esportes, 2008). Não se trata, portanto, de discorrer sobre eventuais legados que sejam autonomamente ou compulsoriamente gerados pelos megaeventos na cidade, estado ou País; mas de identificar possibilidades transformadoras e identificar como maximizar eventuais legados e otimizar os benefícios da realização dos grandes eventos com foco na garantia dos direitos fundamentais dos cidadãos e na superação de limites e vulnerabilidades existentes na cidade, estado ou País que os realizam. A necessidade de preparar uma cidade para sediar grandes eventos pode ser o fator motivacional necessário para a mobilização de esforços e recursos que não seriam disponibilizados

11 ou que demandariam um período muito mais longo para se concretizarem. Neste sentido, contribui significativamente a articulação das esferas municipais, estaduais e federal em torno da realização de um megaevento e, posteriormente da gestão de seus legados. Holger Preuss (2008) aborda a existência de vencedores e perdedores com a execução de megaeventos esportivos e adverte que um ponto crucial para entender legado é entender que um legado positivo para as classes mais pobres pode ser um legado negativo para as camadas mais ricas da sociedade (PREUSS, 2008). Pode-se inferir dessa afirmação que o inverso seja verdadeiro, ou seja, um legado positivo para as camadas mais ricas pode ser um legado negativo para as camadas mais pobres. Mais que isso, considerando como a dinâmica dos legados dos megaeventos esportivos vem sendo discutida, seus impactos podem mudar de natureza no processo histórico e, em decorrência, as ações consideradas negativas em um dado momento podem se transformar em legados positivos ao longo do tempo, especialmente quando articuladas a mudanças culturais, sociais, ambientais com significado para a cidade sede com repercussão em um com texto social mais amplo. A intervenção em uma determinada área visando à construção de grandes arenas ou equipamentos voltados ao megaevento deve considerar impactos ambientais, urbanísticos, econômicos e sociais. O planejamento, neste caso, deve buscar favorecer o estabelecimento de redes de relacionamento, fomento à economia local, instalação de equipamentos públicos essenciais e demandas habitacionais. E no que isso nos desafia? O processo de estabelecimento de legados exige uma postura proativa. O Estado, a quem cabe zelar e assegurar os direitos dos cidadãos deve ser sujeito e protagonista, planejando estrategicamente e construindo caminhos para que a realização de megaeventos não perca a perspectiva do desenvolvimento e da inclusão social. Intervenção atenta às múltiplas e articuladas dimensões dos impactos dos megaeventos esportivos, considerando sua possibilidade como fator catalisador de mudanças necessárias e possíveis na realidade onde acontecem. Como fazer com que a realização de megaeventos esportivos produza legados que contribuam para a reversão do quadro de injustiça, exclusão e vulnerabilidade que caracteriza a estrutura da sociedade brasileira? Esse é o grande desafio que deve pautar e orientar a ação dos agentes públicos. 2.LEGADOS POSITIVOS DOS MEGAEVENTOS A realização e organização de um megaevento esportivo, decorrente da elaboração e de um planejamento consistente e responsável, poderá gerar substanciais legados positivos, que serão dispostos em cinco categorias: a) legados do evento em si; b) legados da candidatura do

12 evento; c) legados da imagem do Brasil; d) legados de governança e; e) legados de conhecimento. Abaixo discorreremos sobre cada item. a) Legados do evento em si: - construções esportivas: estádios, arenas e outros equipamentos; - construções de infraestrutura da cidade, como obras de transporte (metrô e etc.), alojamento de atletas; - compras de equipamentos esportivos, de segurança, telecomunicações, informática, etc.; - ocupações de empregos temporários e/ou permanentes; - abertura de novas possibilidades e oportunidades de trabalho especializado; - promoção e realização de outros eventos; - aumento da procura de práticas de atividades físicas por parte de população. b) Legados da candidatura do evento - aprendizado do processo de candidatura como, projetos, o processo em si e a organização prévia do evento; - planejamento urbanístico da cidade-candidata que poderá ser utilizado pelo Poder Público, independente da realização do evento. c) Legados da Imagem do Brasil - projeção da imagem do país; - projeção da imagem da cidade-sede dentro e fora do país, considerada como cultura urbana; - projeção de oportunidades econômicas e de serviços que o país poderá oferecer; - nacionalismo e confiança cívica, bem como o orgulho regional e nacional. d) Legados de Governança - planejamento participativo; - cooperação de diferentes órgãos administrativos; - parceria público- privada; - liderança do poder público local.

13 e) Legados de Conhecimento - treinamento e capacitação do pessoal envolvido na gestão do megaevento, desde gerente até voluntários. (Know-how); - ecos do voluntário que sugere a transmissão dos conhecimentos adquiridos por eles para sua comunidade, podendo se estender até na família e comunidade; - transferência de conhecimento adquirido na gestão do evento (antes, durante e após) para futuros eventos similares; - geração de informações e conhecimentos das instituições organizadoras do evento como, banco de dados, relatórios e outros, que poderão dar origem à produção de pesquisas científicas tanto nas universidades como em outros órgãos públicos e privados de fomento à pesquisa, inclusive, para possíveis publicações; - desenvolvimento de estratégias para a contextualização do megaevento; - referencial longitudinal para planejamento, execução e avaliação de intervenções, visando o desenvolvimento de legados e o estabelecimento de suas diretrizes; - construção de estruturas adequadas, visando o aproveitamento futuro pela população. A figura abaixo, coloca de forma mais explicita os benefícios positivos trazidos pelos megaeventos para os países sedes. FONTE:

14 3. ÁFRICA DO SUL, MUDANÇAS POSITIVAS TRAZIDAS PELA COPA A realização da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul serve como base importante para comparar os benefícios e malefícios que esses grandes eventos podem trazer para um país. 1 O Sistema de Controle de Movimento registrou cerca de 1,4 milhão de estrangeiros que com entradas e saídas do país durante a Copa do Mundo de 2010, o que representou um aumento de, aproximadamente, 25% quando comparado ao mesmo período de 2009 (Fonte: Para ter uma ideia, em 2007 a África do Sul impulsionou o fluxo de turistas mais rapidamente do que a média internacional, e o turismo cresceu 7,6% nos primeiros meses do ano de 2008, quando em comparação com a marca de menos de 600 mil em O crescimento registrado é realmente algo que a África do Sul pode celebrar. Ressalta-se que no ano de 2009, aproximadamente 10 milhões de turistas visitaram o país, sendo 37 mil oriundos do Brasil. Por conta do grande número de visitantes esperados, a África do Sul foi o primeiro país na história da Copa do Mundo a oferecer vistos específicos para o evento, cuja exigência era a comprovação de compra de ingressos para os jogos do Mundial. Entretanto, organizar grandes eventos esportivos internacionais não foi novidade para o país, que sediou de forma bem-sucedida a Copa do Mundo de Rúgbi, em 1995, a Copa do Mundo de Críquete, em 2003, o Campeonato de Críquete Indian Premier League, em 2009 e a Copa das Confederações, também em 2009, entre outros. Assim, acredita-se que o número de visitantes na África do Sul, que já é um destino turístico importante, deverá ser impulsionado, significativamente, pós-copa e pequenos negócios do setor de hospitalidade seguirão amplamente beneficiados. O Tourism Grading Council, fundado pelo Departamento de Assuntos Ambientais e Turismo, tem aumentado a sua capacidade e se empenhado na classificação de alojamentos fornecedores em todo o país. A MATCH-AG, companhia designada pela FIFA para organizar as acomodações para 2010, assinou um termo com o Tourism Grading Council, garantindo que houvesse acomodação suficiente e certificada para o evento. Pela primeira vez na história, a FIFA considerou as acomodações não hoteleiras, como acomodações em parques nacionais, bed and breakfasts, lodges e casas de hóspedes durante a Copa de Assim, além dos 40 mil quartos oferecidos pelos conveniados à MATCH, o Departamento de Turismo da África do Sul designou verba de 200 milhões de rands (R$ 48 milhões) para a classificação de acomodações em micro, pequenos e médios empreendimentos, de modo que o evento beneficiou toda a indústria do Turismo no país e possibilitou oportunidade única para um número considerável de estabelecimentos de acomodação menores. 1 Fonte:

15 Também foram investidos 17 milhões de rands (R$ 4,8 milhões) em festivais de diversos tipos de esporte e outros eventos de recreação, como um programa de futebol de rua, que mobilizou e conscientizou as comunidades, entusiasmando-as para a Copa do Mundo (Fonte: Dados do ministério do turismo sul-africano estimam que, com a vinda dos turistas internacionais, cerca de 93 bilhões de rands (R$ 22,3 bilhões) foram injetados na economia local (Fonte: O valor investido para a abertura e o encerramento da Copa do Mundo, assim como o financiamento para o setor das artes e da cultura com a revitalização de centros comunitários visando aproveitar o crescimento do turismo durante o evento, foi de 150 milhões de rands (R$ 36 milhões). 4. MAZELAS DOS GRANDES EVENTOS PARA UM PAÍS, O EXEMPLO DA AFRICA DO SUL. Poucos meses depois do Mundial, a África do Sul começou a encontrar dificuldades para tornar rentáveis os grandiosos estádios construídos. Para melhoria e construção de infraestrutura para receber o evento, o Estado sul-africano investiu pelo menos 42,5 bilhões de euros, sobretudo em estradas e aeroportos, além dos estádios, O estádio da Cidade do Cabo, que custou 450 milhões de euros, se tornou o centro da polêmica depois que as empresas Sail e Stadefrance, que se combinaram e formaram um consórcio que ficou encarregado da administração durante o Mundial, deu marcha à ré em seu compromisso de alugá-lo para 30 anos. O Sail Stadefrance argumenta que, após um estudo, chegou à conclusão que manter o estádio é caro demais e que as despesas que seriam produzidas nos primeiros cinco anos a levou à conclusão que o investimento seria "irresponsável e imprudente". Embora em alguns estádios tenham sido realizados grandes eventos esportivos após o Mundial, especialmente no Soccer City, em outros, como o de Polokwane ou o de Port Elizabeth, não foi registrada atividade alguma e, por isso, já se encontram em uma situação econômica insustentável. Para solucionar o problema, o Governo vem pedindo às equipes de rúgbi e críquete, dois esportes que na África do Sul movimentam mais dinheiro que o futebol, que realizem partidas nos novos estádios ou que se transfiram para eles para assegurar sua viabilidade. Quanto ao novo sistema de transporte público, só uma minoria se beneficia do Gautrain, considerado o estandarte da modernização na África do Sul, já que poucos podem pagar os 10 euros cobrados por um bilhete do centro de Johanesburgo até o aeroporto.

16 5.CONCLUSÃO Acredita-se que a chegada dos grandes eventos irá beneficiar todo o país, através do desenvolvimento de políticas de planejamento centralizados não somente nas questões de infraestrutura adequada, mas principalmente na formação dos indivíduos, para que recebam o outro e sejam capazes de dividir e gestar conjuntamente o espaço das relações cotidianas, trocando experiências e promovendo questionamentos diversos em um processo de aprendizagem fundamental para o exercício a cidadania (Silvana Pirillo, 2010). Um grande desafio a ser enfrentado, será a organização da divisão do trabalho com as secretarias municipais, para que as mesmas assumam a responsabilidade de desenvolver atividades em paralelo aos megaeventos, com o intuito de valorizar o turismo local e sazonal que serão proporcionados através dos megaeventos esportivos. 6.REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS Benefícios dos Grandes Eventos para Um País (África do Sul ), disponível em: acesso 16/08/2011. Legados de Megaeventos Esportivos, disponível em: O Brasil na Copa, a Copa no Brasil: antecipação, visibilidade, associações. Os agendamentos para 2014 na cobertura midiática da Copa da África do Sul, Site Ministério do Turismo, disponível em: acesso 15/08/2011 Planejamento e gestão em turismo e hospitalidade/ada Freitas Maneti Dencker, (Coordenação). São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.

17 ANEXO 1. COPA DO MUNDO: CONTEXTUALIZAÇÃO DOS FATOS 1.1. Curiosidade sobre Copa do Mundo A Copa do Mundo FIFA de 2014 será a vigésima edição do evento e terá como paísanfitrião o Brasil. A competição será disputada no período de 12 de junho a 13 de julho e ocorrerá pela quinta vez na América do Sul, a primeira após 36 anos, pois a Argentina acolheu o evento em Foi à última sede de Copa do Mundo escolhida através da política de rodízio de continentes implementada pela FIFA, iniciada a partir da escolha da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul. As doze cidades sede escolhidas para a copa do mundo de 2014 foram: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Natal (RN), Recife (PE) e Salvador (BA). A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estima que o custo de construção e remodelação dos estádios custará cerca de R$ 1,9 bilhão. Além das construções e reformas de estádios, haverá ainda, alguns milhões adicionais em gastos com infraestrutura básica para deixar o país pronto para sediar o evento. Quando informado sobre a decisão de sediar o torneio, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, disse: "somos uma nação civilizada, uma nação que está passando por uma fase excelente e temos tudo preparado para receber adequadamente a honra de organizar uma excelente Copa do Mundo." Realçou que nos próximos anos teremos um fluxo consistente de investimentos e que nos termos sociais será extremamente benéfico. Nosso objetivo é tornar o Brasil mais visível nas arenas globais", acrescentou. "A Copa do Mundo vai muito além de um mero evento esportivo. Vai ser uma ferramenta interessante para promover uma transformação social." Em setembro de 2008, o Ministro de Transportes anunciou a construção do trem de alta velocidade, um projeto para a Copa do Mundo que faria a ligação entre as cidades de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro o projeto custaria R$ 11 bilhões. A tecnologia para a construção provavelmente será feita por empresas da França, Japão, Coreia do Sul ou Alemanha, que irão formar consórcios com empresas de engenharia brasileiras. No entanto, em 2 de julho de 2010, foi anunciado que a linha não é esperada para ser inaugurada antes do final de Em 31 de agosto de 2009, a agência estadual de gestão dos aeroportos da Infraero divulgou um plano de investimentos de R$ 5,3 bilhões para atualizar os aeroportos de dez cidades sede, aumentando a sua capacidade e o conforto para centenas de milhares de turistas esperados 2 Fonte:

18 para a Copa. Uma parcela significativa (55,3%) do dinheiro será gasto reformulando os aeroportos de São Paulo e Rio de Janeiro. O valor de investimento abrange obras a serem realizadas até O anúncio feito pela Infraero veio em resposta às críticas feitas pela Associação Brasileira de Aviação Geral, um grupo de proprietários de aviões particulares, de que os aeroportos do Brasil atualmente não poderiam lidar com o afluxo causado pela Copa do Mundo. O vice-presidente da associação, Adalberto Febeliano, disse a jornalistas que mais de fãs de futebol eram esperados, com cada uma tendo entre seis e quatorze voos durante o torneio para chegar aos jogos nas diversas cidades sede. A maioria dos aeroportos do Brasil foram construídos antes do fim da Segunda Guerra Mundial e vários estão em ponto de saturação em termos de passageiros, de acordo com a associação. Acrescentou que deve ser possível reformar as instalações "no prazo de três ou quatro anos", se existir vontade política. A Infraero afirmou em um comunicado: "Na corrida contra o tempo, a Infraero garantirá que os sessenta e sete aeroportos na sua rede estejam em perfeitas condições para receberem com conforto e segurança os passageiros do Brasil e do exterior". Em maio de 2010, o governo brasileiro alterou a legislação de licitação para permitir maior flexibilidade para a Infraero. Em 11 de junho de 2010, o Governo Federal lançou um programa para proteger as propostas para o trabalho na preparação da Copa de 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016 contra a possibilidade de fraude ou corrupção. O plano, conhecido como "Jogando Limpo", inclui uma série de orientações de conselhos para que as instituições do Governo, e também as autoridades fiscais, como também os cidadãos comuns possam identificar e denunciar tentativas de fraudes nas propostas. O programa, que foi lançado pelo Ministério da Justiça (Brasil) e pelo Ministério do Esporte, também tem um plano de criação de um grupo especial para manter atenção sobre as propostas para protegê-las contra ameaças de fraude e também para evitar atrasos nas obras. Esta iniciativa, também impulsionada pela Controladoria Geral da União, também planeja uma campanha para tornar as pessoas conscientes da necessidade de prestar atenção a possíveis fraudes e sempre denunciar os casos. O programa enfatiza as medidas contra os cartéis e acordos possíveis entre empresas concorrentes para fixar preços acima dos níveis do mercado, na tentativa de aumentar o valor dos contratos com o Estado. "Nada pode ser pior do que alguém tirar proveito destas duas grandes oportunidades para cometer crimes. Este é um fenômeno mundial", disse o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, durante a cerimônia de lançamento do programa. "Os empresários poderiam estar entrando com um acordo sobre os preços, a fim de competir nestas propostas. Isso é algo que precisa ser resolvido. Precisamos promover fair play também nas nossas propostas," o Sr. Barreto acrescentou. "Fair play é uma coisa que seria de

19 esperar de um país que pretende sediar eventos desse porte", acrescentou. Para o ministro, se a África do Sul abriu sua Copa do Mundo, o Brasil também conseguirá organizar a sua, com a programação das obras que serão necessárias para o evento e também a definição dos investimentos que serão feitos em obras de infraestrutura, serviços e espaços desportivos. O Sr. Barreto disse que, entre 2007 e 2010, houve um total de 265 mandados de busca e apreensão emitidos no Brasil para combater o crime de formação de cartel. No mesmo período mais de 100 pessoas foram presas preventivamente pelo mesmo crime e, atualmente, uns adicionais de 251 pessoas estão sendo investigadas. O Governo Federal informou em 17 de maio de 2010, que fará uma concessão de incentivos fiscais para a construção e remodelação de estádios para a Copa de Em nota, o Ministério da Fazenda disse que "a concessão será de isenção fiscal para os estádios da Copa do Mundo, que não terão de pagar Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto de Importação (II) ou contribuições sociais (PIS/COFINS)." Além disso, as doze cidades que serão sede dos jogos da Copa do Mundo devem ser capazes de conceder a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre todas as operações envolvendo mercadorias e outros bens para a construção ou remodelação dos estádios. "Condicionais sobre a concessão cumulativa dos benefícios envolvendo Imposto de Importação, IPI e PIS/COFINS, a isenção de ICMS sobre as importações só serão aplicáveis se a mercadoria não tiver um produto similar de produção nacional", informou em nota, acrescentando que esta decisão deve ser viabilizada através de uma Lei ou Medida Provisória. Em setembro passado, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu uma linha de crédito de R$ 4,8 bilhões para os estádios da Copa do Mundo. Cada cidade anfitriã será capaz de financiar até R$ 400 milhões, ou 75% do projeto, com recursos do Banco.

20 CULTURA PARA O POVO E DO POVO : Prof.Vera Maria Castilhos Cabral INTRODUÇÃO Um plano de governo, para a cultura, deve enfatizar a ARTE DO POVO sem ignorar a ARTE PARA O POVO. A Arte do Povo é necessária, não somente pela a importância adquirida no Mundo Globalizado, onde as singularidades regionais despertam grande interesse, mas especialmente para estimular e qualificar as manifestações artísticas da população. A arte para o povo, os grandes espetáculos artísticos, as exposições de pintores famosos, as festas de luzes e cores, são meios de aprimoramento cultural e satisfação da população. Os governantes normalmente promovem espetáculos artísticos para o povo, mas raramente têm interesse na qualificação da arte popular. Assim, a ARTE DO POVO se manifesta através do esforço individual de artistas autodidatas naturalmente dotados de vocação. Contudo, a cultura popular no Brasil tem identificando o País, caracterizado suas regiões e cooperado com o turismo. O carnaval, as festas juninas, as músicas e danças regionais são comprovações da importância da Arte do Povo. O aprimoramento da arte popular brasileira com técnicas artísticas adequadas e conhecimentos da historia da arte qualificaria a cultura regional. Em países desenvolvidos verificase maior capacitação dos artistas populares comparativamente com os países periféricos. Uma reflexão diante da Arte do Povo revela claramente que o sentido estético se manifesta de forma independente do desenvolvimento intelectual, mas o motivo inspirador do artista, sem formação adequada, se fixa em objetos e sentimentos singelos com uma clara identificação da falta de recursos técnicos. Demais, normalmente a arte espontânea enfoca o mais perceptível do objeto-inspiração, tornando-a monótona e sem interesse continuado. A Leitura e Interpretação das artes clássicas também precisam ser melhoradas no Brasil. Observa-se nos museus, visitantes deslizando de quadro em quadro sem interesse nas formas, nas cores, nas técnicas ou no contexto histórico. Contemplam as obras de maneira superficial. Só raramente vivenciam as tensões e as soluções que marcam o trabalho do artista. A causa, desse despreparo constrangedor é formação oferecida pela maioria das escolas brasileiras - Nas as aulas de artes, ainda hoje, identificam-se em escolas tradicionais alunos indispostos, recusando a disciplina oferecida. Algumas vezes, outra linguagem artística, diferente da oferecida pela escola é do interesse desses alunos, mas a escola, não dispõe do número de professores necessários para uma oferta variada de modo a satisfazer as diferentes preferências.

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