SÁBADO, 22 DE MAIO, 2010 ANO 2 Nº 183 DIRETOR RICARDO GALUPPO DIRETOR ADJUNTO COSTÁBILE NICOLETTA R$ 4,50

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1 mobile.brasileconomico.com.br Álbum de família SÁBADO, 22 DE MAIO, 2010 ANO 2 Nº 183 DIRETOR RICARDO GALUPPO DIRETOR ADJUNTO COSTÁBILE NICOLETTA R$ 4,50 Festa Economia aquecida faz o número de casamentos aumentar. Comemorações movimentam R$ 10 bilhões por ano. P26 EDIÇÃO DE FIM DE SEMANA Educação Olimpíada da Língua Portuguesa, fruto de uma parceria público-privada, ajuda a capacitar professores da rede pública. P16 Decoração Jockey Club paulista vaisediara24ªediçãodacasa Cor, para a qual são esperados 160 mil visitantes. P18 Seguro para craques ainda engatinha no Brasil Milionárias na Europa, apólices de proteção para atletas praticamente não existem aqui e seus valores são, até agora, muito reduzidos Jaime Reina/AFP As pernas dos jogadores de futebol costumam arrancar suspiros. No Brasil, no entanto, não suscitam muito mais do que isso. Ao contrário de outros países, onde esportistas fazem seguros milionários por seus trunfos profissionais, por aqui a prática ainda não deslanchou. As pernas do atacante português Cristiano Ronaldo, por exemplo, estão seguradas em 90 milhões. O corpo do inglês David Beckham foi avaliado em 100 milhões. No Brasil, os clubes só fazem seguro de atletas que voltam a jogar no país emprestados por times da Europa como Robinho, cujo passe pertence ao Manchester City. Exige-se a contratação de cobertura para diminuir eventuais perdas no caso de contusões que comprometam a volta do jogador aos campos europeus. P4 Telefónica pode aumentar para 8 bi oferta pelo controle da Vivo Analistas do mercado mundial de telecomunicações estimam que o valor estratégico da Vivo aos seus acionistas espanhóis pode elevar a oferta inicial feita à Portugal Telecom de 5,7 bilhões para 8 bilhões, considerando-se seu market value, o prêmio pelo controle e a economia em sinergias futuras. P20 Novasregrasda internet viram alvo de polêmica O período de discussão pública do marco civil da internet termina amanhã dominado pela polêmica. O projeto que será enviado ao Congresso perdeu o mecanismo de retirada imediata de conteúdo ofensivo e manteve a não obrigatoriedade da guarda de registros de navegação. P12 Brasileiro toma gosto pelo uísque importado O consumo da bebida cresceu 56% em 2009, despontando na preferência nacional, com 14,8 milhõesdegarrafasamaisem circulação. Para os fabricantes escoceses, ainda há espaço para crescer. Hoje, o Brasil é o segundo maior mercado na América Latina, atrás apenas da Venezuela. P25 Servtec busca alternativas para gerar energia Companhia inaugurou uma termelétrica no Maranhão esta semana que quadruplicou sua capacidade. Em junho deve iniciar operação de uma usina geradora de energia eólica e já estuda investimentos nousodogás,emparceria com a Petrobras. P22 Na revista Fora de Série, Martinho da Vila assina perfil de Nelson Mandela, e Nirlando Beirão fala sobre Diego Maradona. Outlook traz entrevista com Salvatore Loi, o afável chef do Grupo Fasano Penhor deve crescer quase 40% este ano A Caixa Econômica Federal projeta um avanço forte na concessão de crédito via penhor. Facilidade de acesso, rapidez na concessão do crédito e taxa de juros competitiva mantêm a demanda aquecida. Além disso, o banco vai dobrar o limite máximo para os empréstimos, de R$ 50 mil para R$ 100 mil. P36 INDICADORES TAXAS DE CÂMBIO COMPRA VENDA Dólar Ptax (R$/US$) Dólar Comercial (R$/US$) Euro (R$/ ) Euro (US$/ ) Peso Argentino (R$/$) 1,8702 1,8590 2,3507 1,2569 0,4789 1,8710 1,8610 2,3522 1,2572 0,4796 JUROS META EFETIVA Selic (a.a.) BOLSAS 9,50% VAR. % 9,40% ÍNDICES Bovespa Dow Jones Nasdaq FTSE 100 S&P 500 3,55 1,25 1,14-0,20 1, , , , , ,69 Hang Seng feriado

2 2 Brasil Econômico Sábado, 22 de maio, 2010 NESTA EDIÇÃO Em alta Gustavo Lourenção Casa Cor propõe uma vida mais feliz Marcela Beltrão Emsua24ªedição,oeventoserealizaentre25destemês e 13 de julho no Jockey Club de São Paulo, desdobrando-se em mais de 100 ambientes em 56 mil m 2. O tema da mostra será Sua casa, sua vida, mais sustentável e feliz. P18 Telefónica deve reforçar oferta pela Vivo Grupo espanhol pode elevar para 8,5 bilhões a oferta pela participação da Portugal Telecom (PT) na operadora brasileira. O valor, de acordo com o banco holandês ING, não compromete o caixa do ofertante. P20 Número de casamentos aumenta 35% na década A década atual mostrou uma inversão da curva descendente verificada nos anos 90. Somente em 2008, de acordo com dados do IBGE, aconteceram 959,9 ml uniões legais. Estimativas da Abrafesta indicam que as cerimônias movimentam anualmente R$ 10 bilhões. Tudo mudou. Já fiz casamento com uma baiana confeccionando charutos, outro com lago e peixes no salão e um com um caricaturista desenhando os convidados. Qualquer sonho pode ser realizado, comenta José Antonio de Castro Bernardes, decorador com 20 anos de experiência neste tipo de cerimônia. P26 Petróleo brasileiro atrai mais empresas chinesas A estatal norueguesa Statoil vendeu sua participação no campo petrolífero de Peregrino, na Bacia de Campos, à chinesa Sinochem Corp. por US$ 3,07 bilhões. Outra chinesa, a Sinopec, que também disputou o campo, já tem presença no Brasil, representados por dois blocos petrolíferos na costa Norte, segundo um acordo fechado com a Petrobras, e que envolvem também a compra de petróleo do Brasil, que, de acordo com a empresa, deverão alcançar 200 mil barris por dia em 2011, alta de 43% em relação a O desinvestimento é um passo natural em no esforço de otimizar o portfólio, justificou Helge Lund, presidente da Statoil. P48 Servtec avança com muita energia Usina Gera Maranhão, com capacidade para 330 megawatts (MW), será inaugurada esta semana. Somando os 81 MW que já produzia com 155 MW de geração eólica, a partir de junho, a capacidade da empresa presidida por Lauro Fiúza Junior salta para 566 MW. P22 Regulação da internet sem consenso Amanhã é o último dia da consulta pública do anteprojeto sobre o documento que será encaminhado ao Congresso pelo Ministério da Justiça. Nestes 45 dias de debates não houve consenso entre os especialistas. P12 País já é avaliado por novos ângulos Números da economia brasileira começam a ser vistos com preocupação no exterior. Aproximação com o Irã leva ao exagero da hipótese de que o Brasil teria interesse em produzir armas atômicas. P14 Marcela Beltrão PNBL incentiva pequenos operadores Na avaliação de Vinicius Caetano, analista da consultoria Pyramid Research, o Plano Nacional de Banda Larga incentivará provedores a se interessarem pelo mercado de TV a cabo no país. P21 Patrícia Santos/Folhapress Penhoras geram créditos de R$ 1,9 bi Volume refere-se ao movimento dos quatro primeiros meses e corresponde a aumento de 7,5% na comparação com o primeiro quadrimestre de O penhor é uma das mais antigas modalidades de empréstimo. P34 Golin Harris/Bloomberg Novo porto nos projetos maranhenses Nos próximos dias, o governo do Maranhão deve anunciar a construção do Terminal Portuário de Mearin, em Bacabeira, a 50km de São Luís. O porto servirá de apoio para a refinaria premium que a Petrobras irá construir no estado. P23 Programa para capacitar professores Bolsas em queda e mercados cautelosos Cresce o consumo de uísque escocês entre os brasileiros O reaquecimento da economia também aumenta o apetite dos apreciadores da tradicional bebida escocesa, cujas importações somaram 41 milhões de garrafas em 2009, com crescimento de 56% sobre 2008, o que consolida o mercado brasileiro como o sétimo maior importador da bebida no mundo, com 4% do mercado mundial de uísque escocês. Em 2010, a expectativa de Gavin Hewitt, diretor-executivo da Associação Escocesa de Whisky, e de que as importações brasileiras aumentem cerca de 10%. O Brasil é o segundo maior importador do produto na América Latina, superado apenas pela Venezuela. P25 Olimpíada de Língua Portuguesa, realizada pela Fundação Itaú Social em parceria com o Ministério da Educação, encerra as inscrições dia 7 de junho. Em 2008, o programa chegou a 98% dos municípios brasileiros. P16 Susana Gonzalez/Bloomberg AFRASE Investidores ficaram temerosos com a decisão do governo alemão de proibir vendas a descoberto de ações de outros tipos de ativos, mesmo após o parlamento ter aprovado a participação alemã no pacote de 750 bilhões. P37 AgoraéavezdaAméricaLatina Carlos Slim, empresário mexicano, classificado pela revista Forbes como o homem mais rico do mundo, em entrevista, ontem, em Nova York. As empresas, os governos e os bancos latino-americanos estão fortes, acrescentou, ressaltando que esta é uma oportunidade para o continente crescer.

3 Sábado, 22 de maio, 2010 Brasil Econômico 3 EDITORIAL GUILHERME MARTORI, DIRETOR DE MARKETING E EXPANSÃO DA CAROLINA MARTORI Celio Messias Investimentos que gravitam ao redor da Copa Todo o glamour e a riqueza que rondam a Olimpíada eacopadomundonãose limitam à publicidade, à venda de ingressos e aos fabulosos salários dos atletas. Há um voraz mercado no exterior, ainda incipiente no Brasil, que começa pelo setor de seguros e vai até a formação de fundos de investimento em jogadores de futebol, por exemplo. Para se ter uma ideia da sua amplitude, o Real Madrid segurou as pernas do português Cristiano Ronaldo por 90 milhões, pouco até quando se sabe que uma lesão séria no craque pode pôr em risco o desempenho do time nos campeonatos locais e internacionais. David Beckham fez, por conta própria, seguro do corpo inteiro por 100 milhões. AquinoBrasil,nãoháessetipode seguro. Um goleiro não pode segurar as mãos, nem um atacante, o pé. Tampouco um cantor tem a possibilidade de fazer um seguro da voz ou um dançarino, do corpo. O Real Madrid fez seguro das pernas do jogador Cristiano Ronaldo por 90 milhões Em vez disso, existe o seguro de responsabilidade civil profissional (E&O, na sigla em inglês), que prevê uma indenização em caso de acidentes que forcem o profissional a uma parada, caso de médicos, dentistas e engenheiros, entre outros. Aliás, com a escalada da terceirização de mão de obra no país, muitas companhias exigem seguro de seus prestadores de serviços. Outro filão fabuloso é o de instrumentos para financiar jogadores e clubes de futebol. Ainda há, é verdade, muita cartolagem e pouca profissionalização nos times, coisa que começa lentamente a mudar. Já existem algumas iniciativas de estruturação de fundos de investimento em atletas, que poderiam ser rentáveis tanto para o investidor como para a agremiação. De resto, é uma questão de tempo os clubes abrirem capital em bolsa. A Carolina Martori invadiu com grifes femininas o reduto do calçado masculino, em Franca (SP). Guilherme Martori, diretor de marketing e expansão, explica que até 2013 serão abertas 20 lojas personalizadas, incluindo Chile, Argentina e Uruguai. P24 BRASIL ECONÔMICO é uma publicação da Empresa Jornalística Econômico S.A. Presidente do Conselho de Administração Maria Alexandra Mascarenhas Vasconcellos Diretor-Presidente José Mascarenhas Diretor e Jornalista Responsável Ricardo Galuppo Redação, Administração e Publicidade Avenida das Nações Unidas, º andar, CEP , Brooklin, São Paulo (SP), Tel. (11) Fax (11) Diretor de Redação Ricardo Galuppo Diretor Adjunto Costábile Nicoletta Editores Executivos Arnaldo Comin, Fred Melo Paiva, Gabriel de Sales, Jiane Carvalho, Thaís Costa Produção Editorial Clara Ywata Editores Fabiana Parajara e Rita Karam (Empresas), Carla Jimenez (Brasil), Cristina Ramalho (Outlook e FS), Laura Knapp (Destaque), Marcel Salim (On-line), Márcia Pinheiro (Finanças) Subeditores Claudia Bozzo (Brasil),Isabelle Moreira Lima (Empresas), Luciano Feltrin (Finanças), Maeli Prado (Projetos Especiais), Phydia de Athayde (Outlook e FS) Repórteres Amanda Vidigal, Ana Luisa Westphalen, Ana Paula Machado, Ana Paula Ribeiro, Carlos Eduardo Valim, Carolina Alves, Carolina Pereira, Cintia Esteves, Clarissa Oliveira, Claudia Bredarioli, Conrado Mazzoni, Daniela Paiva, Denise Barra, Domingos Zaparolli, Dubes Sônego, Elaine Cotta, Fabiana Monte, Fábio Suzuki, Françoise Terzian, Gabriel Penna, João Paulo Freitas, Juliana Elias, Karen Busic, Luiz Henrique Ligabue, Luiz Silveira, Lurdete Ertel, Marcelo Cabral, Maria Luiza Filgueiras, Mariana Celle, Mariana Segala, Marina Gomara, Martha S. J. França, Michele Loureiro, Micheli Rueda, Natália Flach, Natália Mazzoni, Nivaldo Souza, Paulo Justus, Priscila Machado, Regiane de Oliveira, Ruy Barata Neto, Thais Folego, Vanessa Correia Brasília Simone Cavalcanti, Sílvio Ribas Rio de Janeiro Daniel Haidar, Ricardo Rego Monteiro Arte Pena Placeres (Diretor),Betto Vaz(Editor),Cassiano de O. Araujo, Evandro Moura, Letícia Alves, Maicon Silva, Paulo Argento, Renata Rodrigues, Renato B. Gaspar, Tania Aquino, (Paginadores) Infografia Alex Silva (Chefe), Monica Sobral, Rubens Neto Fotografia Antonio Milena (Editor), Marcela Beltrão (Subeditora), Henrique Manreza, Murillo Constantino (Fotógrafos), Angélica Bueno, Thais Moreira (Pesquisa) Webdesigner Rodrigo Alves Tratamento de imagem Henrique Peixoto, Luiz Carlos Costa Secretaria/Produção Shizuka Matsuno Departamento Comercial Heitor Pontes (Diretor Executivo), Solange Santos (Assistente Executiva) Publicidade Comercial Gian Marco La Barbera (Diretor), Juliana Farias, Renato Frioli, Valquiria Resende, Wilson Haddad (Gerentes Executivos), Márcia Abreu (Gerente), Alisson Castro, Bárbara de Sá, Celeste Viveiros, Edson Ramão, Vinícius Rabello (Executivos de Negócios), Andreia Luiz (Assistente) Publicidade Legal Marco Panza (Diretor Comercial), Ana Alves, Carlos Flores, Celso Nedeher (Executivos de Negócios), Andreia Luiz (Assistente) Departamento de Marketing Evanise Santos (Diretora), Samara Ramos (Coordenadora) Operações Cristiane Perin (Diretora) Departamento de Mercado Leitor Flávio Cordeiro (Diretor), Nancy Socegan Geraldi (Assistente Diretoria), Carlos Madio (Gerente Negócios), Anderson Palma (Coordenador Negócios), Rodrigo Louro (Gerente MktD e Internet), Giselle Leme (Coordenadora MktD e Internet), Lea Soler (Gerente Tmkt ativo), Silvana Chiaradia (Coordenadora Tmkt ativo), Alexandre Rodrigues (Gerente de Processos), Denes Miranda (Coordenador de Planejamento) Central de atendimento e venda de assinaturas (capitais) (demais localidades). De 2 a a6 a, das 7h às 20h. Sábado, das 7h às 15h TABELA DE PREÇOS Assinatura Nacional Trimestral Semestral Anual R$ 167,00 R$ 329,00 R$ 648,00 Condições especiais para pacotes e projetos corporativos (circulação de segunda a sábado, exceto nos feriados nacionais) Auditado pela BDO - Auditores Independentes Impressão: Editora O Dia S.A. (RJ) Oceano Ind. Gráfica e Editora Ltda. (SP/MG/PR/RJ) FCâmara Gráfica e Editora Ltda. (DF/GO) RBS - Zero Hora Editora Jornalística S.A. (RS/SC)

4 4 Brasil Econômico Sábado, 22 de maio, 2010 DESTAQUE GESTÃO DE RISCO Seguro para jogador de futebol dá drible no Brasil Melhor não arriscar: como o Real Madrid, que segurou as pernas de Cristiano Ronaldo, times europeus costumam exigir apólices para seus jogadores Apólices só são feitas quando o atleta é emprestado de clubes europeus, que exigem seguro para garantir volta do atleta Thais Folego O Real Madrid segurou as pernas do atacante Cristiano Ronaldo por 90 milhões. David Beckham, por inteiro, cobriu-se com uma apólice de 100 milhões Os milhões de dólares e euros que clubes e investidores desembolsam na contratação de jogadores podem ir para o ralo num estalar de dedos, caso uma contusãoleveoatletaaficar inativo, seja por um tempo ou de forma permanente. É para mitigar esse risco que os clubes europeus recorrem ao mercado de seguros. Essa prática, no entanto, é realidade lá fora, onde a gestão do futebol é mais profissional e os valores movimentados são monumentais. No Brasil ainda engatinha. Com a volta de vários jogadores para o futebol nacional por meio de empréstimos de clubes europeus, porém, os times nacionais começaram a experimentar seguros com coberturas mais parrudas. Não por livre e espontânea vontade, note-se. O jogador não põe o pé no campo se não estiver coberto. Pelo período de empréstimo, os clubes europeus exigem seguro para o caso de o jogador sofrer uma lesão que o impossibilite de voltar e cumprir o contrato, diz Adalberto Baptista, diretor de marketing do São Paulo Futebol Clube. E os valores são altos. Osvaldo Vieira Abreu, diretor financeiro do São Paulo, conta que o clube já teve problemas com o empréstimo de jogadores por causa de uma apólice que a própria estrutura do mercado brasileirodesegurosnãopermitia fazer. Antes o IRB (resseguradora que detinha o monopólio dessemercadonobrasilaté 2008) só permitia seguro no valor máximo de R$ 6 milhões, diz Abreu. E uma vez queríamos trazer um atleta cujo clube exigia cobertura de R$ 10 milhões. A solução foi contratar cobertura no mercado externo. Hoje, com a abertura do mercado de resseguro no Brasil, já é possível fazê-lo no país. Mas não vejo interesse de seguradoras em fazer apólices específicas para jogadores, comenta Thiago Ferro, sócio diretor da Dis Esportes, braço esportivo do grupo Sonda, que detém o direito econômico sobre a venda de 80 boleiros. Só coletivos No Brasil, o que os jogadores têm são seguros de vida coletivos, cuja contratação é obrigatória pela legislação trabalhista. Mas as indenizações em caso de morte ou invalidez são muito baixas. E no último caso, só há cobertura para invalidez permanente, não há opção para invalidez provisória Na Europa, principalmente, as coberturas são grandes, e em países como a Alemanha, o seguro para caso de contusão, em que o jogador fica afastado por mais de dois meses, é obrigatório, explica Giuliano Bertolucci, empresário de jogadores como Alex, do Chelsea, e Luisão, do Benfica. Láforaagoraelesestãocomeçando a fazer seguros mais específicos, como das pernas, conta Bertolucci. O Real Madrid, por exemplo, segurou as do atacante Cristiano Ronaldo, cobertas por 90 milhões. Já o inglês David Beckham resolveu se prevenir por conta própriaesegurouocorpotodoem 100 milhões, segundo a imprensa inglesa. Caso famoso de pernas são as da cantora Tina Turner, seguradas por US$ 3,2 bilhões, apesar de seu trunfo profissional ser a voz. Aqui no Brasil, porém, os jogadores jovens não se preocupam em fazer seguro de morte. Vão começar a se preocupar com isso depois dos 40 anos, diz Bertolucci. Por enquanto, caso haja interesse por uma apólice com indenização maior, não há muitas opções. As coberturas mais altas encontradas no mercado são de,emmédia,r$500mil, diz Caio Valli, diretor de Vida e Previdência da Mapfre. Voltada para a alta renda, a seguradora criou uma apólice de R$ 10 milhões. Na carteira existem alguns jogadores e atletas em geral. Eles estão expostos a um risco grande de invalidez na prática de suas profissões e precisam de uma cobertura maior, afirma Valli.

5 Sábado, 22 de maio, 2010 Brasil Econômico 5 LEIA MAIS Demanda por apólices de responsabilidade civil profissional, que cobrem danos causados por advogados, médicos, engenheiros e arquitetos, ainda é fraca. Alavancadas pela abertura de capital das empresas e pela crise financeira do ano passado, coberturas para executivos continuam a crescer no Brasil. Há grande expectativa de que Copa e Olimpíada façam com que a administração de futebol doméstico siga o caminho rumo ao profissionalismo, como em outros países. Dominique Faget/AFP VIERAM, MAS VÃO VOLTAR Clubes europeus exigem contratação de seguro para emprestar jogadores Sem cobertura, risco é alto para investidor Robinho Santos Emprestado do Manchester City Até 4 de agosto Wagner Love Flamengo Emprestado pelo CSKA Moscou (Rússia) Até 10 de julho Cicinho São Paulo Emprestado pelo Roma Até 20 de agosto O PRÓXIMO... Ronaldinho o Gaúcho Especula-se que volte ao futebol brasileiro Seria emprestado pelo Milan LÁ FORA... David Beckham Dividido entre Milan e Los Angeles Galaxy, jogador fez seguro do corpo inteiro no valor de 100 milhões EM OUTROS ESPORTES... Fernando Alonso O bicampeão mundial de Fórmula 1 colocou os polegares no seguro, com uma cobertura de 10 milhões Não há ainda, no país, grande interesse por proteção para quem aposta nos jogadores Com a profissionalização do futebol brasileiro e a chegada de novos investidores para este mercado, fica cada vez mais latente a necessidade de mecanismos que protejam o investimento de alto risco, como o de direitos econômicos sobre a venda de jogadores. No Brasil, a Traffic, o Grupo SondaeoBancoBMGsãoalguns dos que investem em jovens talentos. É um investimento de altíssimo risco, pois o atleta está sujeito a contusões, que podem levar o investidor a perder a aplicação, diz Thiago Ferro, sócio-diretor da Dis Esportes, braço esportivo do Grupo Sonda. Com o crescimento do mercado, procuramos mecanismos para mitigar esse risco. A Dis tem direitos econômicos sobre a venda de 80 jogadores, entre eles 40% do Neymar, do Santos. Lá fora existem apólice que garantem indenizações no caso de contusões e que protegem o investidor, não só o clube. Mas no Brasil, essa proteção quase nãoexiste,comonãoháointeresse do mercado de seguros brasileiros pela questão, de acordo com Ferro. As empresas de seguros estrangeiras especializadas em esportes, porém, estão de olho no filão brasileiro. Fomos procurados recentemente por uma corretora de seguros americana especializada em seguro para atletas, inclusive da que faz as apólices para a NBA (National Basketball Association), com interesse em nos fornecer soluções que já são usadas no mercado americano, afirma Ferro. Sem informar o nome da empresa, ele disse que há total interesse nesse tipo de ferramenta para mitigar o risco do investidor e que, numa análise preliminar, o valor das apólices não é caro. Caso Dener A importância de contratar seguros para proteger atletas profissionais veio à tona em 1994, com a morte do jogador Dener. Revelado pela Portuguesa, o atacante considerado uma das grandes promessas do futebol brasileiro à época sofreu um acidente fatal quando atuava pelo Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, cumprindo contrato de empréstimo. As empresas de seguros estrangeiras especializadas em esportes estão de olho no filão brasileiro O jovem jogador viajava dormindo no banco do carona do seu Mitsubishi Eclipse e foi sufocado pelo cinto de segurança. Segundo informações da época, pouco antes o craque havia se reunido com dirigentes do clube paulista e do Stuttgart, da Alemanha. Negociavam detalhes para uma futura transferência do atleta. Esse episódio deixou bastante evidentes os cuidados que jogadores e clubes precisam ter para se proteger. Fora a questão de patrimônio, como não havia a apólice, a família do jogador ficou dependente da bondade dos dois clubes envolvidos, lembra Dirceu Santa Rosa, sócio do Veirano Advogados. T.F. com colaboração de Luciano Feltrin

6 6 Brasil Econômico Sábado, 22 de maio, 2010 DESTAQUE GESTÃO DE RISCO Lisa F. Young/Dreamstime Profissionais liberais, como engenheiros, podem contratar seguros para cobrir prejuízos a terceiros Apólice de responsabilidade civil profissional é pouco procurada Com demanda da Copa do Mundo e da Olimpíada, interesse de profissionais liberais deve crescer Vanessa Correia Advogados, médicos, dentistas, engenheiros. Esses, assim como outros profissionais liberais, podem contratar um seguro de responsabilidade civil profissional (E&O, na sigla em inglês) que garante o ressarcimento de prejuízos causados a terceiros no exercício das suas atividades. Mas, segundo executivos, a demanda ainda é fraca. O seguro de responsabilidade civil profissional é muito pouco divulgado pelo mercado. Além disso, precisamos mostrar aos profissionais liberais que, no exercício da atividade, é possível que ocorram erros e que não é pecado o consumidor buscar seus direitos, explica Felipe Smith, diretor técnico da área corporativa da Tokio Marine Seguradora. Desde a edição do Código de Defesa ao Consumidor e do Novo Código Civil, a responsabilidade dos profissionais liberais aumentou. Além disso, alguns sindicatos estabeleceram em seus estatutos as responsabilidades dos profissionais Desde a edição do Código de Defesa ao Consumidor (CDC) e do Novo Código Civil, a responsabilidade dos profissionais liberais aumentou. Além disso, alguns sindicatos estabeleceram em seus estatutos as responsabilidades dos profissionais. Por isso é tão importante que o profissional liberal se proteja, ressalta Vinícius Jorge,gerentedaáreaderesponsabilidade civil da Zurich. Aseguradoraéavice-líder do mercadodee&o,comr$3,33 milhões em prêmios e 22% de market share no primeiro trimestre do ano. A líder é a Ace Seguradora, com R$ 4,31 milhões em prêmios e 28% de participação de mercado. A apólice de responsabilidade civil profissional cobre danos causados a terceiros, sejam materiais, corporais, morais, perdas financeiras decorrentes de sinistros cobertos, custas judiciais e honorários advocatícios. Ou seja, se por um lado, quem foi prejudicado merece ter seu dano reparado da melhor forma possível, por outro quem causou um dano de forma involuntária não deseja que seu patrimônio se reduza por um fato involuntário, afirma Roberto Uhl, responsável pela área de responsabilidade civil profissional da Ace Seguradora. Mercado Em 2009, a carteira de E&O totalizou R$ 81,3 milhões em prêmios, montante 42% maior quando comparado aos R$ 57,2 milhões registrados no ano anterior, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep). O mercado do E&O costuma ser mais tímido no primeiro trimestre. Mas, para o segundo semestre deste ano, estamos projetando o dobro do que já foi produzido, completa Uhl. A demanda pelo produto tende a crescer principalmente em função dos projetos de infraestrutura previstos para o Brasil, com Copa do Mundo e Olimpíada de 2016, de acordo com o gerentedaáreaderesponsabilidade civil da Zurich,. O investidor estrangeiro que injeta recursos no Brasil exige que os prestadores de serviço contratem a apólice. Isso se deve ao fato do produto ser mais difundido lá fora, diz Vinícius Jorge. Outro fator que está animando as seguradoras é o crescimento econômico brasileiro. Com a economia aquecida, as grandes empresas contratam um número maior de profissionais terceirizados. E já vemos multinacionais exigirem a apólice de seus prestadores de serviço, afirma Uhl.

7 Sábado, 22 de maio, 2010 Brasil Econômico 7 Negócios cada vez maiores levam executivos a procurar seguro Apólice de responsabilidade civil para administradores de empresas cresce com aquecimento da economia Thais Folego No Brasil, o primeiro boom da demanda pelo seguro de D&O (Directors and Officers) - apólice de responsabilidade civil para administradores de empresa - ocorreu na leva de empresas que abriram capital na bolsa de valores em A segunda onda veio na crise financeira do ano passado, quando a percepção de risco dos executivos aumentou. Agora, na bonança, com a economia aquecida, porém, a demanda pelo D&O continua crescendo. Com as empresas investindo, algumas de forma agressiva,osexecutivostêmquetomar decisões cada vez mais importantes e isso gera insegurança, diz Paulo Baptista, gerentedaáreaded&oda corretoramarsh. Nãosóno Com as empresas investindo, algumas de forma agressiva, os executivos têm que tomar decisões cada vez mais importantes e isso gera insegurança Paulo Baptista, gerente da área de D&O da corretora Marsh momento de crise, mas também de prosperidade, a demanda por D&O cresce, pois o administrador tem que tomar decisões baseado nos interesses da empresa, sem se preocupar com o ônus pessoal que a tomada de decisões de negócios pode trazer, completa. Na crise Populares há mais tempo nos Estados Unidos, onde o nível de litígios é maior, a necessidade da cobertura no Brasil ficou conhecida com o caso do ex-diretor financeiro da Sadia, Adriano Lima Ferreira. A empresa perdeu muito dinheiro com derivativos financeiros e resolveu processá-lo. Os contratos de D&O normalmente são confidencias. Ferreira, porém, acusado como o único culpado pelos prejuízos, deu com as línguas nos dentes e disse à imprensa que os executivos da Sadia estavam segurados pela Chubb. Os agentes do mercado de seguros dizem que, se os contratos forem divulgados, podem incentivar terceiros ligados à empresa a acionarem o seguro. Dependendo do ramo de atividade do executivo, as coberturas têm que ser incrementadas, pois os riscos diferem. Para empresas que estão abrindo capital, por exemplo, há os riscos perante o órgão regulador e os investidores minoritários. Já companhias RECEITA R$ 160 mi foi o volume aproximado de prêmios que os seguros de responsabilidade civil para executivos movimentou no ano passado no Brasil. DEMANDA Bancos são grandes consumidores de seguro de responsabilidade civil, pois o risco de perdas financeiras é maior do que em empresas de outros ramos de atividade. que estão investindo em infraestrutura podem ser alvo de reclamações por causa de problemas com produtos, meio ambiente e impostos. No caso de instituições financeiras, o risco de litígios aumenta com a expansão do crédito. Pelas estimativas de crescimento da economia este ano, a demanda pelo seguro promete continuar grande. OPORTUNIDADES Saúde é um setor em que a demanda por D&O deve crescer. Como a atividade tem cunho social, os prejuízos com possíveis litígios não podem afetar a gestão do negócio. PRIMEIRA ONDA IPOs fazem com que executivos fiquem expostos a demandas judiciais do órgão regulador do mercado financeiro e de investidores minoritários.

8 8 Brasil Econômico Sábado, 22 de maio, 2010 DESTAQUE GESTÃO DE RISCO Copa e Olimpíada movimentam setor financeiro Escritórios de advocacia, empresas de auditoria e consultoria percebem aumento na demanda por serviços Empresas que trabalham com soluções eletrônicas para facilitar compra de ingressos e acesso a estádios podem ajudar a reduzir o martírio de torcedores às vésperas de jogos decisivos, como este Luciano Feltrin A confirmação de que o país abrigará os dois principais eventos esportivos entre 2014 e 2016 já traz oportunidades para o setor financeiro. Escritórios de advocacia, empresas de auditoria e serviços e escolas que formamgestoresesportivosjápercebem o movimento, que se traduz em diversos tipos de demandas. Todas, no entanto, têm algo em comum: a necessidade de profissionalizar a administração do futebol local. Além das apólices de seguros, mercado ainda em desenvolvimento no Brasil, começam a ganhar corpo novas estruturas de investimento. Aindaestamosemumpatamar muito embrionário, mas é cada vez mais comum que se aplique ao atleta profissional o conceitodeativo,queéobem que se transforma em receita futura, explica Amir Somoggi, diretordaáreadeesportetotal da empresa de auditoria Crowe Horwath RCS. A companhia acredita que, nos próximos anos, aumente muito o interesse de investidores por fundos que apostem na boa performance de jogadores em campo para vendê-los no futuro com lucro. Temos interesse em desenvolver produtos nessa área. A grande dificuldade para viabilizá-los está nos riscos inerentes à atividade de atleta profissional, como não render, se machucar e entrar em polêmicas fora de campo. Isso gera desconfianças em muitos investidores, diz. Empresas interessadas em participar dos consórcios que serão responsáveis pelo desenvolvimento da infraestrutura relacionada à Copa e aos Jogos Olímpicos estão se tornando Especialistas acreditam que a Copa pode ser uma oportunidade interessante que clubes locais têm para avançar em gestão clientes cativas de escritórios de advocacia, afirma Dirceu Santa Rosa, sócio do Veirano. Investidores nos consultam para entender quais modelos de investimentos são mais adequados e quais oferecem mais garantias. Potencialmente, há muitos mercados que podem se beneficiar com a realização dos dois eventos. O próprio futebol. Se a economia brasileira continuar no atual ritmo, é possível que times aproveitem a Copa para repatriar jogadores e reformar estádios para atrair um público capaz de pagar mais, diz Antonio Felix de Araujo Cintra, coordenador do Grupo Copa do TozziniFreire Advogados. Vislumbrando boas oportunidades, empresas de outros segmentos também querem entender o ambiente de negócios no Brasil. Há muitas consultas de quem pretende investir em publicidade para a Copa de Outrademandaédeempresas que fornecem soluções para a venda de ingressos, exemplifica Santa Rosa, do Veirano. Nesse último caso, as negociações não evoluíram. Pararam nas federações estaduais de futebol. Elas não ficaram satisfeitas com a sugestão para facilitar o acesso às praças esportivas: queacompraeaentradaaosestádios fossem autorizadas por meio de transações eletrônicas, diz Veirano. Insegurança Um dos motivos de preocupação de potenciais interessados em investir no dois eventos é a falta de clareza e definição dos comitês organizadores dos eventos. Saber a composição e a procedência desses comitês não é uma missão simples. Falta transparência, critica Roberto Lacerda, sócio de serviços especializados da Terco Grant Thornton.

9 Sábado, 22 de maio, 2010 Brasil Econômico 9 Tiago Queiroz/AE Valuation Avaliação de empresas Datas: 22, 24, 29 de Junho e 1 de Julho de 2010 Horário: 09:00 as 12:30 Local: Auditório da APIMEC SP (R. São Bento, 545 5ª Sobreloja Centro SP/SP) Investimento inscrições até 07/06/2010 ou pelo tel *A realização deste curso esta sujeita a formação de turma VAGAS LIMITADAS! Programa DATA Tema Objetivos Atividades 22/06 Introdução Geração de Valor e Fluxo de Caixa Descontado Estrutura do curso, tipos de avaliação Eficiência de Mercado Geração de Valor Método do Dividendo Descontado Introdução ao curso Aula expositiva Lista 1 24/06 Método do DCF Projeções e Demonstrativos Financeiros Análises Financeiras Taxas de desconto e mensuração de risco Valor contábil e valor de mercado Valor terminal e perpetuidade Crescimento e reinvestimento Caso Muvuka Método DCF Aula expositiva Casos e Exercícios de fixação 29/06 Método do DCF Taxas de desconto e de crescimento Valor da empresa e valor para o acionista Taxa da dívida Taxa do capital próprio e Betas Divida e estrutura de Capitais Premissas de projeção Caso Bruck Avaliação Geral Aula expositiva Casos e Exercícios de fixação ROMPENDO DESAFIOS É preciso pensar para além da Copa 01/07 Avaliações Relativas - Métodos de Múltiplos e Transações Comparáveis P/E, EV/Ebitda e PEG Outros índices Importantes: Divida / Ebitda, capital de giro, margem Ebitda Avaliação por similaridade e múltiplos operacionais Casos e Exercícios de fixação Lista Múltiplos A expectativa de que o Brasil aproveite a Olimpíada e, principalmente, a Copa do Mundo para profissionalizar seu esporte não apaga a atual realidade, bastante distante da ideal. Há a falácia de que a Copa pode serumgrandenegócioparaos clubes. Mas a realidade é que eles primeiro precisam tornar viáveis a existência de arenas multiuso. Caso contrário, depois da Copa ficaremos como um hotel emfimdeeventodeempresa: quando tudo acaba, todos vão embora sem deixar legado, alerta Claudinei Santos, coordenador do Núcleo de Estudos de Negócios do Esporte da ESPM. Instrutor - MBA com distinção pela Wharton School da Universidade da Pennsilvânia, EUA e engenheiro mecânico (IBMEC-SP) e no IBGC Realização Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais Membro da Association of Certified International Investment Analysts - ACIIA Apoio de divulgação

10 10 Brasil Econômico Sábado, 22 de maio, 2010 OPINIÃO Marcelo Mariaca Presidente da Mariaca e professor da Brazilian Business School Beleza não põe mesa Quando disse que beleza é fundamental, o poeta e compositor Vinicius de Moraes não estava se referindo propriamente ao universo corporativo. A beleza física não está no rol das qualidades buscadas pelas empresas nos processos de recrutamento de profissionais. O que conta, sim, é a boa aparência. A boa aparência inclui uma série de predicados que influenciam a percepção das pessoas e nada tem a ver com atributos físicos. Carisma, simpatia, poder de comunicação e de articulação, elegância e cuidados com o visual fazem parte do portfólio dos profissionais e são importantes para impressionar os interlocutores no primeiro contato e para o sucesso profissional. Pesquisas americanas demonstram que a aparência étãoimportantequantoocurrículoeaqualificação profissional, principalmente no recrutamento de executivos. Mesmo com diplomas em universidades conceituadas, MBAs e outros títulos, o candidato pode ver o emprego ir para o ralo se passar uma má impressão nas entrevistas de recrutamento. Nos processos de recrutamento, a boa aparência sinaliza que o candidato desfruta de boa saúde física e psicológica, está de bem com a vida, tem autoestima elevada e nutre respeito pelas outras pessoas. O visual do candidato pode, ao contrário, conotar falta de energia e disciplina e tendência à desorganização. Numa entrevista de recrutamento de um banco, é recomendável investir num terno e acessórios finos. Outras empresas primam pela informalidade O candidato tem que estar atento à cultura da empresa na qual busca colocação. Alguns segmentos são extremamente exigentes e formais. Numa entrevista de recrutamento para um banco, é recomendável investir num terno e acessórios mais finos. Outras empresas, como as da área de tecnologia e internet, primam pela informalidade. Provavelmente, o candidato não precisará comprar um Armani para buscar emprego no Google ou na Apple, onde o presidente só usa calça jeans e camiseta preta. Quanto à beleza física, não existem pesquisas conclusivas sobre a sua relação com o sucesso profissional, exceto em áreas em que o atributo é valorizado como matéria-prima, como a indústria de entretenimento. Alguns estudos, como um realizado pela Universidade Yale, dos Estados Unidos, revelam que a beleza física pode influenciar não apenas as contratações, mas também o salário do profissional. Outras pesquisas, contudo, mostram que a beleza de mulheres executivas pode ter efeitos negativos na carreira, na medida em que as transformam em alvos fáceis da inveja, do despeito, das suspeitas de incompetência e de favoritismo por parte dos chefes. Mas, como dissemos, essas pesquisas são pouco abrangentes e não podem ser usadas para confirmar uma suposta tendência universal. Mesmo porque, no mundo corporativo, pessoas atraentes que alcançam o sucesso são competentes em vários sentidos até pelo fato de usar esse atributo pessoal para influenciar relacionamentos, promover a integração de pessoas e (por que não?) contribuir para passar uma boa imagem da empresa. Revisitando o poeta, beleza pode ajudar, mas não é fundamental no universo corporativo. William Pinheiro Marques Gerente de vendas de software e aplicações da Alcatel-Lucent Propaganda móvel No Brasil e no mundo, operadoras e anunciantes vislumbram novas receitas com a propaganda móvel. As operadoras móveis no Brasil que tradicionalmente concentram o negócio com receita de voz e, mais recentemente, ampliam a receita de dados através do 3G, ainda contam com uma receita de serviços de valor adicionado um pouco acima de 10% da receita global, quando em países da Europa esse valor já passa dos 50%. Sem falar que quase metade desta receita vem do tradicional torpedo, cuja tendência natural é tornar-se uma commodity. Os indícios já são visíveis onde é cada vez mais comum operadoras oferecerem pacotes de SMS s gratuitos, de acordo com o plano contratado. Com certeza, esse é um campo que precisa de novos negócios e é aí que a propaganda móvel, ou mobile marketing, cai como uma luva. As marcas descobriram que um dos melhores meios para lançar promoções é o celular. E ninguém duvida que o brasileiro ama promoções No que diz respeito aos anunciantes, através das agências de publicidade, a euforia é completamente justificável. A mídia on-line introduziu novos modelos de publicidade com resultados extraordinários. Foi o meio de propaganda que mais cresceu no Brasil e no mundo. Estima-se que, só no Brasil, a receita com publicidade na internet tenha crescido pelo menos 25% em 2009, passando a ocupar a 5ª posição no ranking com uma participação de 4,1% do mercado. O fato é que este modelo ampliou a capacidade das agências segmentarem o público. O resultado com campanhas, principalmente em mecanismos de busca (Google, Yahoo e afins) é realmente satisfatório. O consumidor é interpelado com propagandas associadas ao seu interesse naquele momento, atravésdoqueelebuscanaweb.daíparaocelularéum pulo. O celular é de uso pessoal, portanto seria pertinente associar a ele mecanismos de segmentação. O aparelho tem uma penetração social muito maior que a internet: são 179,1 milhões de celulares contra 67,5 milhões de internautas. No entanto, o uso do celular como meio de propaganda introduz novos conceitos e práticas cruciais para nortear essa iniciativa. Basicamente, tais conceitos sustentam-se no que chamamos de 3P s: Permissão, Privacidade e Preferência. No final, a pergunta que sempre fica é: será que a propaganda no celular pode mesmo vingar? Se dermos uma olhada aí fora, logo ali na Turquia, tem gente ensinando ao mundo a fazer propaganda no celular: a TurkeyCell. Quase 20% dos assinantes têm o seu opt-in (autorização para receber mensagens) no programa de advertising da operadora. É natural racionalizar que nem sempre o que acontece na Europa, EUA e China é o que acontece no Brasil, mas o mundo árabe tem suas similaridades com o país no quesito quero um desconto. As marcas descobriram que um dos melhores meios de se lançar ofertas e promoções é o celular. Ninguém duvida que o brasileiro ama promoções, lembrando que em 2009, em plena crise, tivemos vendas recordes de automóveis, um bem relativamente caro. Que tal mantermos a sociedade informada através do celular sobre promoções especiais associada ao gosto de cada um? Com certeza, eu não vou querer ficar de fora! CARTAS FORA DE SÉRIE Tenho um blog que publica as mais recentes capas de revistas do mundo inteiro. Conheci o jornal BRASIL ECONÔMICO e sua revista Fora de Série. Parabéns pelo jornal e pela revista. Claudio Franco São Paulo (SP) OS DESAFIOS DA ECONOMIA A economia brasileira cresceu acima da previsão do Banco Central. Neste primeiro trimestre, o percentual atingiu 9,85%, quando se esperava no máximo 8%. De um lado o fato é uma demonstração de que estamos numa fase das mais importantes, superando as dificuldades ocasionadas inclusive pelo que acontece na economia mundial. As crises na Europa por certo podem ter alguma influência, o que felizmente ainda não aconteceu. Como se pode perceber, a economia continua sendo um constante desafio. Alguns gênios fazem previsões, apresentam suas teses como irrepreensiveis e como fatos consumados. E no entanto não são incomuns os erros, com reflexos tanto no campo econômico como na parte social. Mas isso não pode ser impedimento para que não se façam estudos que sustentem teses, sejam elas mais ousadas ou não. Mas que não se esqueça que a economia tem profunda repercussão para um coletivo e não apenas para um representante de determinado segmento. E não se trata ainda de uma aplicação de teses do socialismo, mas da chamada inclusão social, da distribuição de renda, que tem reflexos no comportamento dos integrantes das mais diferentes comunidades. Uriel Villas Boas Santos (SP) NESTLÉ FECHA ACORDO PARA PATROCINAR A SELEÇÃO BRASILEIRA Acho fantástica a medida tomada por Ivan Zurita, presidente da Nestlé, no que se refere ao patrocínio da seleção brasileira. Apesar de o Brasil ser conhecido como o país do futebol, vem perdendo essa referência em virtude justamente da falta de coragem e determinação de muitos empresários. Maria Izabel Lucena Belém (PA) FERTILIZANTES GALVANI VAI ELEVAR PRODUÇÃO EM 365% A Galvani é uma empresa familiar muito bem administrada, corajosa e eficiente, sendo de fundamental importância no cenário nacional. É muito importante que continue repondo e aumentando as suas reservas de fosfato, pois isso gera valor à empresa. Seu sucesso é absolutamente merecido, e com essa política vai se perpetuar por muitos anos ainda. Thomas Aps São Paulo (SP) DONO DA OCEANAIR FARÁ MAIOR ESTALEIRO DA AL NO BRASIL Sou caldeireiro e fiquei muito feliz em saber que o nosso estado fará parte dessa nova empresa que se instalará no Brasil. Marcos Claudino Teotônio Vilela (AL) FICHA LIMPA SÓ VAI ATINGIR POLÍTICOS QUE SERÃO CONDENADOS APÓS SANÇÃO E achavam que os nossos políticos iriam aprovar um projeto contra eles mesmos... eu vi alguns senadores defendendo esse engodo em ano eleitoral e achei estranho. Pensei que era sério... Júnior Santos Volta Redonda (RJ) Cartas para Redação - Av. das Nações Unidas, º andar CEP Brooklin São Paulo (SP). As mensagens devem conter nome completo, endereço e telefone e assinatura. Em razão de espaço ou clareza, BRASIL ECONÔMICO reserva-se o direito de editar as cartas recebidas. 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11 Sábado, 22 de maio, 2010 Brasil Econômico 11 Gerard Burkhart/AFP Uma noite com objetos de Michael Jackson Quer passar uma noite com objetos que foram de Michael Jackson? O organizador japonês de uma coleção de objetos de Jackson em exposição em Tóquio pode fazer esse sonho se realizar no primeiro aniversário da morte do ícone pop. A partir do próximo domingo, fãs japoneses do cantor devem fazer fila para ter a chance de passar uma noite dentro da Coleção Neverland, no edifício Tokyo Tower, que, para muitos, é um santuário em memória sagrada de seu ídolo. Reuters Escola de sangue China Daily/Reuters Paulo Lima Soraggi Escritor e jornalista Novembro de 2004: Yan Yiming invade dormitório e mata nove meninos. Junho de 2007: Su matacriançadenoveanose deixa outras três feridas. Fevereiro de 2008: Chen Wenzhen mata um menino e uma menina. Março de 2009: Xu Ximei mata duas crianças, de quatro e seis anos, e fere outras três. Março deste ano: Zheng Minsheng mata oito crianças. Abril: professor esfaqueia dezoito. No dia seguinte: desempregado ataca vinte e oito. Semana passada, 12 de maio: Wu Huanmin assassina cinco meninos, duas meninas, uma professora e a mãe dela. Outras doze crianças ficaram feridas. O que guia o percurso dessas atrocidades? O instrumento: uma faca. O lugar: uma escola. Um país: a China. A naçãodovermelhonabandeira. A cor do socialismo de fachada. A cor do sangue na infância. Os fatos acima nos remetem àqueles filmes em que um vírus recém inaugurado transforma homens em hienas mastigadorasdegente.nachina,o capitalismo seria esse vírus? O instrumento: uma faca. O lugar: uma escola. Um país: a China. A nação do vermelho na bandeira. A cor do socialismo de fachada. A cor do sangue na infância Muriçocas Com tanta história, cultura e beleza, e agora no topo da economia mundial, a China nos assusta com uma epidemia que julgávamos só pertencer aos Estados Unidos. Apostávamos que possuídos a metralhar escolas eram espíritos de exclusividade americana. Agora vemos demônios chineses a brandir peixeiras, já que eles não estão na farra do porte de rifles do país de Obama. Sinistramente curiosa essa característica das grandes potências econômicas da atualidade: quanto maior o desenvolvimento, maior o número de bestas que escolhem escolas para atacar. Algo existente nas crianças em seus uniformes indefesos libera a explosão da violência incubada em psicóticos, tatuadores de gritos eternos em famílias que morrem no florescer. Para o início deste artigo, foram garimpados apenas alguns fatos. Na China, muitos outros tormentos vêm acontecendo, como o homem que mar- telou cinco crianças e se incendiou. E ainda o cantor Zhou Youping, que teria matado seis homens envolvidos em sadomasoquismo. Pequim promete o máximo rigor contra os criminosos. Como? A maioria se suicida depois dos ataques. O Partido Comunista vai ter de pedir a Buda que os mande reencarnar como muriçocas. Grande salto? Entre o Nirvana e o inferno, a China nunca deixou de ser fascinante. Largou na frente do Ocidente ao inventar a escrita, a fundição do ferro, a pólvora, o papeleaimprensa.desenvolveu a primeira indústria naval, mas líderes absolutistas não permitiram a adesão ao mercantilismo. Depois de muitos abalos sacudidos por revoltas camponesas, tornou-se vulnerável ao imperialismo durante o século XIX, quando serviu de regabofe para as potências ocidentais. No século XX, foi virada do avesso pelas barbeiragens comunistas de Mao Tsé-tung. Uma delas foi o Grande Salto Adiante, que acabou pulando para trás: 20 milhões de sepultados pela fome. Hoje, vemos a China misturando capitalismo econômico com estado socialista. Essa esquizofrenia resultou na potência que está na vitrine e que se chafurda na pocilga atrás da loja. Enquanto os investimentos acontecem nas províncias litorâneas, as áreas interioranas purgam em infraestrutura invertebrada, levando migrantes para trabalhar por qualquer merreca nas cidades cover de Las Vegas. Evasão escolar, saúde pública defeituosa e desvio de recursos do governo são outros cânceres. Todos esses furacões revolvemumpovoeducadonoconfucionismo entre 100 a.c. e 1900 d.c. Os chineses sempre meditaram nas aulas sobre compaixão. Mas foram surrados pelo absolutismo, enganados pelo comunismo e ludibriados pelo capitalismo a jogatina na banca imobiliária já começou; sabemos onde isso costuma dar. Da compaixão, muitos ficaramsócomoosso.dessesroedores, surgiram os mutantes que atacam escolas. Foi lá que eles aprenderam que tudo daria certo. A China não está sozinha no oceano da desilusão. Nem o socialismo, nem o capitalismo deram certo. A terceira via dançou. A verdade é que o ser humano não consegue se organizar no planetinha.

12 12 Brasil Econômico Sábado, 22 de maio, 2010 BRASIL Polêmica domina debate sobre novas regras da internet Lan house em São Paulo: legislação pode mudar a maneira de usar a internet no país Discussão do Marco Civil Regulatório da rede chega ao final sem consenso sobre a regulamentação do ambiente on-line Marcelo Cabral A polêmica continuou sendo a tônica dominante dos últimos dias de debate sobre o Marco Civil Regulatório da internet, o conjunto de regras que vai estabelecer direitos e deveres dos usuários da rede de computadores no Brasil. O período de consulta públicadoanteprojetoseencerra amanhã, dia 23; após esse prazo, o Ministério da Justiça vai encaminhar o texto ao Congresso, onde iniciará sua tramitação. Nos45diasemqueesteve aberto para debates foram feitas alterações importantes no Marco. A que mais gerou repercussão foi a retirada da introdução no Brasil de um sistema em vigor nos EUA e na Europa conhecido como notice and takedown, atravésdo qual internautas poderiam pedir aos provedores de acesso a retirada imediata de material que eles julgassem ofensivos. Com a desistência da adoção do mecanismo, a remoção de conteúdo só poderá ser realizada através de um pedido judicial. Há grupos com interesses variáveis e muitas vezes contrários uns aos outros. Nossa função é atuar como mediador, defende Guilherme de Almeida, secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça. Censura instantânea Para alguns especialistas, o notice and take down facilitaria o combate mais rápido ao cyberbullying - a humilhação feita através da internet e à difamação praticada em comentários de blogs, posts no Twitter e em fóruns de discussão. Mas prevaleceu outra visão: a de que o mesmo sistema poderia ser usado para, nas palavras do sociólogo Sérgio Amadeu, criar um mercado de censura instantânea, com consequências muito perigosas. Pelo texto, nada impediria que um político ou uma celebridade pedissem a retirada de qualquer tipo de crítica. Nem todos concordam. Segundo Patrícia Peck Pinheiro, advogada especializada em direito digital, com a obrigação de autorização judicial para a retirada Aguardadedados de navegação não pode ser obrigatória em território nacional. Aqui não é a China, um país que controla a internet Sérgio Amadeu, sociólogo A manutenção de registros é necessária. Caso contrário, vamos incentivar práticas criminosas, como a pedofilia e as fraudes bancárias na internet Renato Opice Blum, advogado do conteúdo, vai ficar mais lento ecaroseprotegerdeabusos. O tempo mínimo para conseguir uma ordem judicial é de uns 30 dias. Na internet, esse é um período enorme. Os prejuízos à imagem já podem ter sido irreparáveis. Além disso, ela destaca que esse fator pode gerar uma disparada no número de processos judiciais. Também para o advogado especialista Renato Opice Blum, retirar o notice and takedown foi um passo atrás, na contramão do que se faz no resto do mundo. De qualquer forma, o Ministério não afasta a possibilidade de rever a mudança. Ainda não temos uma posição conclusiva, anuncia Almeida. Opção pelo sigilo Outro ponto que deu o que falar foi a decisão de não tornar obrigatório que sites mantenham registros sobre a navegação dos internautas, um processo conhecido como guarda de logs. Novamente, as opiniões se dividiram. Para Opice Blum, é a mesma coisa que pedir que um bandido deixe seu nome na delegacia. Quem quer usar a internet para cometer um crime não vai se registrar, obviamente. Patrícia concorda: Isso gera um risco, porque pode acabar incentivando a prática de ilícitos. Ela comparaamedidacomaproibiçãodo uso de telefones celulares prépagos sem identificação. Eles estavam sendo usados por quadrilhas criminosas. Foi preciso estabelecer um controle. Mas é justamente esse controle que outros veem como ameaça. Segundo Sérgio Amadeu, a guarda de dados de navegação não pode ser obrigatória em território nacional. Aqui não é a China, que controla a internet, defende. A navegação sempre deveria ser sigilosa, completa. Mas, nesse ponto, o texto do Marco pode esbarrar em um obstáculo. Segundo a advogada especialista, a nova redação do projeto favorece o anonimato, que é proibido pela Constituição. A carta prevê que todos digam o que pensam, mas que assumam a responsabilidade por isso, alerta. Privacidade e Projeto de nova legislação para a internet não O projeto do Marco Civil não causa barulho apenas pelos pontos que aborda, mas também pelos que deixa de lado. Há pelo menos dois itens que estão no centro das discussões nos EUA e em países da Europa que não entram na pauta do debate brasileiro.oprimeirodeleséaquestão da privacidade, especialmente importante em um momento em que serviços como o Google Street View (ferramenta que coloca câmaras nas ruas, que às vezes flagram pessoas em situações constrangedoras) têm seu funcionamento questionado. Mas também há um lado econômico queenvolveoassunto. A União Europeia e mesmo países vizinhos como Argentina, Uruguai e Paraguai já possuem a legislação sobre o tema. É importante, porque mesmo os sites comerciais precisam saber qual tipo de informação podem pedir aos internautas, por quanto tempo manter esses dados e como tratar esses registros, analisa a advogada Patrícia Peck Pinheiro. Na Europa, a lei divide esse tipo de informação em três tipos: as sensíveis (dados sobre cor, raça, religião e opção se-

13 Sábado, 22 de maio, 2010 Brasil Econômico 13 JB Reed/Bloomberg Brasil obtém vitória por genéricos Foi aprovada na Assembleia Mundial de Saúde uma decisão que estabelece um grupo de discussão sobre os mecanismos que permitirão lutar contra os medicamentos falsificados sem que haja qualquer confusão com os medicamentos genéricos. Liderados pelos ministérios da Saúde do Brasil e da Unasul, a iniciativa é um passo significativo para a proteção da circulação de genéricos no mundo, que vinham sendo apreendidos na Europa, quando iam para países em desenvolvimento. Marcela Beltrão REGISTROS DA POLÊMICA Logs O texto atual do Marco Civil diz que os internautas podem pedir que sites, blogs e serviços online não mantenham os registros de quantas pessoas acessaram o endereço e de seus dados de navegação, a chamada guarda de logs. Esses dados mostram de onde vieram os acessos, que tipo de busca, uso ou visualização fizeram e para onde foram, mas não associam o número de IP dado para cada pessoa queacessaainternet aum indivíduo específico. RG VIRTUAL IPs Por outro lado, o Marco Civil prevê que os provedores de acesso guardem por até seis meses os números de IP de quem acessa a rede mundial de computadores. No entanto, a não ser em caso de ordem judicial, as empresas ficam proibidas de associar o número desse IP uma espécie de RG virtual à pessoa física do cliente. Existem penalizações previstas para quem quebrar essa regra. inovação tecnológica ficam de fora avança em temas que estão no centro das discussões sobre a web nos Estados Unidos e nos países europeus Falta de leis sobre privacidade faz com que o Brasil não possa trocar informações sobre consumidores com a Europa xual, que não podem ser pedidos em nenhuma circunstância), as pessoais (nome e identidades, que podem ser coletadas) e as demais, cuja captação depende do consentimento individual. A falta de uma legislação brasileira sobre o tema faz com que, de acordo com as leis europeias, empresas do Brasil não possam trocar informações sobre clientes com as estabelecidas no VelhoContinente.OadvogadoRenato Opice Blum concorda com a urgência da discussão sobre a privacidade, mas defende uma lei que tenha validade para todos os ambientes, e não só no âmbito da internet. O segundo ponto considerado ausente do Marco é uma garantia para a liberdade de criação tecnológica. Lá fora, novidades como o YouTube e os protocolos de P2P e VoIP nasceram fora de grandes empresas, em um ambiente livre. Isso é tão importante como garantir a liberdade de expressão, diz Sérgio Amadeu. Ele afirmou que espera que assuntos como esse possam ser acrescentados ao texto do Marco durante a tramitação no texto no Congresso, no segundo semestre. M.C. Marco traz direitos autorais de volta à baila Os debates sobre o Marco Civil da internet reacenderam a discussão sobre a questão dos direitos autorais na rede. A não obrigação da manter registros de navegação decepcionou quem via no sistema achancedeminimizarcasosde downloads ilegais e de plágio de trabalhos. O registro torna possível saber quem fez o upload de um game, uma música ou uma série pirateados, diz Patrícia Peck. Já o sociólogo Sérgio Amadeu vê na ampliação do controle uma tentativa de criminalizar práticas corriqueiras no uso da internet. E completa: Isso interessa a indústrias que perderam renda com seus copyrights devido à forma como se usa a rede. Seja qual for a direção seguida pelo Marco, ele não vai alterar a lei, mas sim poderá proporcionar mecanismos para aumentar a fiscalização, como lembra Renato Opice Blum: já existe uma lei específica para isso. Em termos legais, o projeto não vai alterar uma vírgula disso. M.C.

14 14 Brasil Econômico Sábado, 22 de maio, 2010 BRASIL Luademeldamídiaestrangeiracom Expansão da economia e viagem de Lula ao Irã despertam desconfiança e amenizam entusiasmo que acompanhava análises internacionais Elaine Cotta O país do futuro já virou o do presente? A resposta é não, pelo menos quando a análise vem de fora. Na visão estrangeira, o Brasil pode estar prestes a produzir uma bomba atômica (especulações feitas em torno da aproximação com o Irã, destacada pela revista alemã Der Spiegel), vivendo um superaquecimento econômico ou gestando uma bolha imobiliária. Os números da economia tão comemorados internamente como a geração de emprego recorde, o consumo em expansão e o crescimento acelerado - são alvo de análises críticas e até preocupadas no exterior. O Brasil não é a China, escreve a edição atual da revista britânica Economist ao comentar a estimativa do Banco Central de que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro pode ter crescido 10% no primeiro trimestre na comparação com os primeiros três meses do ano passado. O limite do crescimento brasileiro é de 5% para que o país não quebre, alerta. As previsões já falam em expansão de 7% em O futuro brilhante do Brasil ainda está fora de alcance, escreveu o jornal britânico Financial Times, em caderno especial sobre o setor de infraestrutura brasileiro veiculado na semana passada. E a justificativa para análise tão pessimista está num gargalo que há anos emperra a expansão nacional: a infraestrutura. O progresso [no setor] está acontecendo, mas ainda de maneira muito lenta, destaca o jornal, lembrando que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não chega a ser um fracasso, mas por causa do excesso de burocracia e do mau gerenciamento das obras ainda não conseguiu alcançar os objetivos traçadosdesdeoiníciodesuaimplantação. Essa é uma análise fria e correta, afirma Marcelo Mello, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV). O Brasil só vai crescer 7% este ano porque não cresceu no ano passado. Nós não temos condições de manter esse ritmo sem gerar aumento da inflação, alerta Mello. O problemadobrasiléqueessecrescimento está baseado no consumo e não no investimento, conclui Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios. Superaquecimento Outra análise preocupada veio do Banco Mundial. A vice-presidente do banco para a América Crescimento de 5% do PIB é vista como teto máximo para a economia brasileira, quedevecrescer mais de 7% em Analistas destacam o risco de inflação Latina e Caribe, Pamela Cox, chegou a afirmar que o Brasil, particularmente, vive um superaquecimento econômico que pode criar bolhas de ativos, especialmente em setores como o imobiliário. Essa ainda não é uma grande preocupação, mas temos de acompanhar sua evolução com atenção e cuidado, disse Cox. De fato, se for uma preocupação, ela é questionável pelo menos no curto prazo. Hoje, o crédito habitacional é de apenas 3% do PIB (no Chile, por exemplo, ele é de 13%) e o déficit de habitação se aproxima dos 7 milhões de casas. O Brasil está sim superaquecido, mas isso não pode ser visto como negativo, pondera Nancy GorgulhoBraga,presidentedoCon- selho Regional de Economia (Corecon-SP). Eu não consigo ter uma visão pessimista para o futuro do Brasil. Pela primeira vez temos crescimento com distribuição de renda e isso tem que ser comemorado. THE ECONOMIST Da euforia ao temor de alta superacelerada Em novembro do ano passado, a revista britânica Economist destacou o sucesso da economia brasileira na sua capa. Quase seis meses depois, o contrário: texto da última quinta-feira fala dos riscos de o Brasil crescer demais. Agora, para a revista, a expansão acelerada do Brasil pode não ser segura e levar opaísaofundodo poço num futuro não muito distante. Polêmica extra Questionadora da posição da diplomacia brasileira em relação às negociações sobre o acordo nuclear com o Irã, a secretária de estado americano, Hillary Clinton, fez um elogio - bem polêmico - ao Brasil durante a 40ª Conferência das Américas, em Washington. Hillary, em seu discurso, disse que o sistema tributário brasileiro é um exemplo a ser seguido por outros países da região e chegou até a afirmar que foi graças a ele que o país conseguiu sair mais rapidamente da crise financeira internacional. A carga tributária brasileira não é apenas alta. Ela é injusta, irracional e tolhe o crescimento do país, escreveu o professor Rafael Paschoarelli, do Departamento de Administração da Universidade de São Paulo, para quem a declaração de Hillary foi hilariante, sem perderachancedotrocadilho fácil. Eu ainda prefiro ficar com as minhas opiniões, próprias, diz Nancy, do Corecon. Que o Brasil tem problemas, todos sabemos. Mas como no espetáculo, é impossível equilibrartodosospratosaomesmo tempo. E parece ser isso que querem cobrar de nós.

15 Sábado, 22 de maio, 2010 Brasil Econômico 15 o Brasil entra em crise OS DOIS LADOS DAS CRÍTICAS 1 2 NEW YORK TIMES A ousadia dos diplomatas brasileiros Assumir a liderança nas negociaçõe de um tratato nuclear com o Irã irrita o governo americano, lembra reportagem eeditorialdojornal New York Times. Os prós e contras do Real valorizado O real valorizado ele assim segue apesar das depreciações da última semana prejudica as exportações. Mas há ainda um outro lado dessa moeda: para alguns economistas brasileiros, essa valorização é ótima oportunidade para quem importa: 1) bens de consumo, que podem ajudar a conter a pressão sobre a inflação e 2) bens de capital. Aproveitar o câmbio favorável para ampliar as importações de máquinas e equipamentos, que podem ampliar a produtividade e a capacidade instalada da indústria. Superaquecimento, inflação e juro alto A economia cresce a ritmo acelerado, graças ao aquecimento da demanda. A inflação sobe e para contê-la, o Banco Central elevaataxadejuros.esse é o ciclo perigoso do chamado superaquecimento da economia brasileira. Mas há controvérsias. Paramuitos,asaídaéampliar investimentoseofertapara conter a pressão sobre os preços. As importações também ajudam nessa tarefa. Há, claro, quem comemore a melhora da renda e do poder de compra aquirido pelos brasileiros nos últimos anos. 3 4 Bolha na habitação mesmo com déficit Carga tributária é exemplo para região FINANCIAL TIMES Futuro brilhante está fora de alcance do país O problema, ainda é, a infraestrutura. É ela - ou melhor, a falta dela, que vai impedir que o atual ritmo de crescimento da economia brasileira deslanche e se mantenha sustentável nos médio e longo prazos, segundo análise especial feita pelo diário britânico Financial Times. Bolha no mercado imobiliário brasileiro? Esse risco existe, pelo menos na avaliação de Pamela Cox, do Banco Mundial. Ela diz que esse risco existe, apesar de ele não ser algo que gere grandes preocupações no curto prazo. Por aqui, esse é um alerta sem fundamento, pelo menos por enquanto. O Brasil tem déficit de 7 milhões de moradias, o crédito para o setor é de menos de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) e, apesar da valorização dos imóveis, os especialistas não enxergam isso como especulação. Atacada como um dos principais gargalos do desenvolvimento e do investimento produtivo no país, a carga tributária brasileira foi apontada pela secretária de estado americana, Hilary Clinton, como exemplo a ser seguido. A declaração, claro, virou alvo de chacota entre economistas. O motivo: o Brasil tem uma das tributações mais desiguais do planeta, onera os mais pobres e prestigia os mais ricos. Em 37% do PIB, ela se equipara à Europa, mas não gera saúde, educação ou transporte de qualidade. INFRAESTRUTURA Gargalo nos portos, aeroportos, estradas e ferrovias é problema que merece destaque DER SPIEGEL Os gargalos históricos vividos pelo Brasil no setor de infraestrutura e analisados pelo Financial Times são uma realidade que o país precisa enfrentar. De todas as críticas feitas pelo ponto de vista estrangeiro, esse é o que mais tem fundamentos e coro dentro do Brasil também. De fato, se quiser manter um ritmo de crescimento sustentado ao longo dos próximos anos o Brasil precisa ampliar rapidamente os investimetos nessa área, que encarece a produção, as exportações e dificulta o turismo interno e de estrangeiros. A Economist também destacou acarênciadetransportepúblico do país, que prejudica a qualidade de vida das pessoas e complica cada vez mais o trânsito em grandes metrópoles como São Paulo. E, além da necessidade de investimentos em portos, aeroportos, ferrovias e rodovias, o FT levantou as dificuldades que o país tem enfrentado para se estruturar para a tarefa de receber os dois principais eventos esportivos do planeta: a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos do Rio, em NA BDO O QUE É IMPORTANTE PARA VOCÊ, É IMPORTANTE PARA NÓS. Proximidade com clientes Estratégia e resultado De país do futebol à nação da bomba atômica (11) AUDIT TAX ADVISORY Inspiração para diversas reportagens positivas no ano passado, o presidente Lula virou alvo de um questionamento nada amistoso da revista alemã Der Spiegel na semana passada: O Brasil está desenvolvendo a bomba?, pergunta o título da reportagem sobre a aproximação do país com o Irã. BDO Auditores Independentes, uma empresa brasileira de sociedade simples, é membro da BDO International Limited, uma companhia limitada por garantia do Reino Unido, e faz parte da rede internacional BDO de firmas membro independentes. BDO é o nome comercial para a rede BDO e cada uma das firmas Membro BDO.

16 16 Brasil Econômico Sábado, 22 de maio, 2010 INOVAÇÃO & EDUCAÇÃO SEGUNDA-FEIRA ENGENHARIA TERÇA-FEIRA EMPREENDEDORISMO Corrida olímpica garante êxito Comstatusdeprogramadeestado, projeto da Fundação Itaú Social está em sua segunda edição com foco na capacitação de professores de português Professora Renata e a turma do 5º ano do ensino fundamental da escola Francisco Voccio Regiane de Oliveira Pela primeira vez, o material didático de apoio aos professores foi enviado para todas as escolas do país, para subsidiar as atividades O exercício é animado. Alunos da 5ª série da Escola Estadual Francisco Voccio, no Jardim Peri, zona Norte de São Paulo, leem, interpretam e discutem poemas de autores famosos como Tom Jobim, Manoel Bandeira, Cecília Meireles, Vinicius de Moraes. Não são textos simples. Exigem ritmo de leitura, concentração, entendimento e muita coragem para enfrentar o público exigente de colegas de classe. Eles titubeiam um pouco na análise do poema José, passado em vídeo, e com narração do próprio autor, Carlos Drummond de Andrade. Que sentimento esse poema desperta?, pergunta a professora. Tristeza, responde a grande maioria dos alunos. O que o vídeo mostra?, continua ela. Um velhinho, respondem. E o que significa e agora José?, provoca a professora. Silêncio. Algumas risadas. Que ele está sem saída, responde timidamente uma aluna, um pouco antes de o alvoroço tomarcontadaclasse.eraóbvioque aperguntairiasobrarparaoaluno José, que decididamente não sabia o que responder aos colegas. Exigir ponderação sobre a velhice para crianças na faixa de dez anos parece um pouco de exagero. Mas é o momento deles começarem a refletir, afirma a professora Renata Meleiro, que há 16 anos dá aulas de língua portuguesa. O exercício faz parte da preparação da turma para competir na Olimpíada de Língua Portuguesa, cuja inscrição termina no dia 7 de julho. O concurso é realizado pelo Fundação Itaú Social em parceria com o Ministério da Educação.E o objetivo do projeto não é descobrir novos talentos.trata-sedeumprogramade capacitação de professores. Em anos ímpares são feitos cursos em parceria com secretarias de ensino e, em anos pares, é realizado o concurso, diz Antonio Matias, vice-presidente da Fundação Itaú Social. A meta final: ensinar o aluno a escrever, escrevendo. E a ler, conhecendo textos de bons autores. Matias conta que o projeto é uma das mais felizes intervenções da iniciativa privada na educação pública. A Olimpíada é fruto do programa Escrevendo o Futuro, que nasceu em Especialistas em língua portuguesa desenvolveram uma metodologia, que inclui material didático, formação presencial e a distância para capacitar o professor que se inscreve a desenvolver nos alunos o gosto pela leitura e a competência de escrita. Em 2008, o ministro da Educação Fernando Haddad convidouoitaúatransformaro programa em Olimpíada de Língua Portuguesa e, com isso, o programa ganhou escala, chegou a 98% dos municípios brasileiros, com 200 mil inscrições de professores e participação de seis milhões de alunos. Nesta edição já foram 217 mil inscrições de professores e 54,4 mil escolas, conta Matias. No ano passado, o projeto capacitou 1,3 mil técnicos multiplicadores. Pela primeira vez, o material didático de apoio aos professores foi enviado para todas as escolas do país, a fim de subsidiar as atividades. A coleção é formada por quatro livros de orientação para a produção de textos, sendo eles de Poemas (5º a 6º ano do ensino fundamental), Memórias literárias (7 ºa 8º ano do ensino fundamental), Crônica (9º ano do ensino fundamental e 1º ano do ensino médio) e Artigos de opinião (2º e 3º anos do ensino médio). Apesar de o projeto ser exclusivo para a escola pública, a professora Renata também utiliza para apoiar as atividades da escola particular em que dá aula. O material é muito bom e serve de base para o trabalho em sala, diz. Renata deixa claro que sempre vale uma adaptação, para deixar a aula mais rica, como o caso do vídeo do poema José, interpretado por Drummond, que pode ser encontrado no YouTube. Renata prepara a turma para competir com outras escolas compoemassobreotema O lugar onde vivo, que é o mote do programa. A iniciativa está sendo repetida em várias partes do país. São exemplos da escola pública que têm tudo para dar certo, e que em nada se parecem com o modelo clichê de escola pública apresentado pela mídia. Eles sabem ler e escrever. Interpretam o que estão fazendo, tem interesse e curiosidade. Ao que consta, a turma de Renata já deu certo.

17 da alfabetizaçãomarcela Beltrão Sábado, 22 de maio, 2010 Brasil Econômico 17 QUARTA-FEIRA GESTÃO QUINTA-FEIRA SUSTENTABILIDADE SEXTA-FEIRA TECNOLOGIA Divulgação LÉLIA CHACON Jornalista e editora do site e revista Onda Jovem, do Instituto Votorantim Atenções em alta para o ensino fundamental UM PROJETO PARA O FUTURO 1 2 Esforço melhora qualidade do ensino A 2ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro é uma iniciativa da Fundação Itaú Social e do Ministério da Educação, com coordenação técnica do Centro de Estudos epesquisasemeducação, cultura e Ação Comunitária (Cenpec). O objetivo é proporcionar ensino de qualidade para todos. Ações de caráter bienal e contínuo O programa tem caráter bienal e contínuo e constitui uma estratégia de mobilidade, que proporciona aos professores da rede pública oportunidade de formação. Em anos ímpares atende diversos agentes educacionais: técnicos de secretarias de educação, que atuam como formadores, diretores e professores. 3 Tema é o cotidiano dos estudantes O lugar onde vivo é o tema do concurso. Os prêmios vão desde medalha até aparelhos de som, computadores e livros para a escola do aluno vencedor. O material produzido para o concurso fica à disposição de pesquisadores que querem entender a visão das crianças e adolescentes da realidade em que vivem. Alunos pesquisando alunos para melhorar o ensino resume o projeto Megafone na Escola, cujo objetivo é investigar a enorme evasão (30%) e defasagem idade-série (22%) no segundo segmento do ciclo fundamental (6º ao 9º ano). A etapa é estratégica para ampliar o acesso ao ciclo médio e tornar factível o novo período de ensino obrigatório no Brasil, dos 4 aos 17 anos, do qual as escolas públicas têm de dar conta até Correspondente ao antigo ginásio, a segunda fase do ensino fundamental é considerada crítica para a continuidade dos estudos. A partir do 6º ano aumentam o número de matérias e de professores. Os conteúdos e os docentes se especializam. Os alunos estão entrando na adolescência. São mudanças de impacto no aprendizado, assim como a bagagem trazida dos primeiros anos (antigo primário), que é em geral precária nas áreas essenciais para avançar: o português e a matemática. É nesse pano de fundo que surgem os altos índices de defasagem idade-série e de evasão, marcadamente no 6º ano, ponto da passagem do primeiro segmento do fundamental para o segundo. No entanto, a fase é pouco focada pelas políticas governamentais e pelos projetos de investimento social privado. Foi essa avaliação que motivou o Instituto Desiderata a propor o Megafone na Escola à Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, parceira no projeto ao lado do Instituto Paulo Montenegro (ligado ao Ibope), a Segmento é estratégico para novo período de ensino obrigatório, dos4aos17anos, do qual as escolas públicas têm de dar conta até 2016 ONG Cedaps (Centro de Promoção da Saúde) e a Universidade Católica do Rio de Janeiro. Segundo Roberta Costa Marques,daáreadeEducaçãodoInstituto Desiderata, 120 adolescentes de 40 escolas municipais do RiodeJaneiroestãosendocapacitados em oficinas para entrevistar 2,4 mil colegas e 360 professores e gestores dos 6º e 7º anos do ciclo fundamental. Além disso, os alunos-entrevistadores registrarão em mídias digitais (fotos, vídeos etc.) suas percepções sobre o universo pesquisado. Os resultados e análises do Megafone na Escola são esperados para o final de julho, quando se confirmarão ou não as hipóteses mais comumente levantadas para as deficiências do ensino no segmento estudado: falta de diálogo no espaço escolar, metodologias de ensino distantes da realidade e dos interesses dos alunos, estudantes nativo-digitais aprendendo com professores nada-digitais, receosos de apostar no uso pedagógico das tecnologias. O ponto inovador do projeto, para o Instituto Desiderata, é fazer a escola se confrontar com suas próprias questões e provocá-la a debater e empreender a busca de soluções. Estamos unindo os indicadores de educação já existentes e as percepções da comunidade escolar envolvida, utilizando uma pesquisa para tentar gerar uma ação coletiva da própria rede de ensino. É escutar a escola por meio da própria escola, o diagnóstico da situação e as propostas de melhoria saindo de dentro para fora, diz Roberta Marques. Enquanto tal realidade não se mostra, o Instituto trabalha para dar visibilidade ao segundo segmento do ensino fundamental. Vem promovendo debates sobre o tema, reunindo representantes do Ministério da Educação e de institutos e fundações com projetos de investimentosocialnaáreadeeducação.paraopróximoencontro,dia 15 de junho, 28 dirigentes já mostraram adesão.

18 18 Brasil Econômico Sábado, 22 de maio, 2010 PORQUE HOJE É SÁBADO DENISE BARRA Casa Cor propõe uma vida mais feliz com sustentabilidade Casa Hotel é para o setor de turismo, Casa Kids para os pequenos e Casa Talento para artistas e designers Casa como ninho de felicidade Entre 25 de maio e 13 de julho, o Jockey Club de São Paulo vai se desdobrar em mais de 100 ambientes, distribuídos em 56 mil m 2, na 24ª edição da Casa Cor. O tema deste ano é Sua casa, sua vida, mais sustentável e feliz. Para o presidente da Casa Cor, Angelo Derenze, que espera receber 160 mil visitantes, 2010 será um ano muito bom para o Brasil, com prosperidade e crescimento econômico. E a casa será mais sustentável e feliz. A atração inédita da edição é a Casa Talento, uma mostra com a curadoria de Catherine Duvignau, uma das organizadoras da Cow Parade, que trará tendências da arte e do design. Móveis, objetos, acessórios, iluminação e utensílios fazem parte da exposição. Em celebração ao 50 aniversário de Brasília, o homenageado do evento será o urbanista Lucio Costa, responsável pelo projeto da capital federal. No belo Lounge de Inverno, a arquiteta Fernanda Marques incorporou a sustentabilidade em todo o espaço. Os revestimentos interno e externo da construção são de madeira reciclada, assim como todo o mobiliário. A iluminação é feita com LEDS, reduzindo o consumo de energia. Troncos de árvores, cortadas pela prefeitura na cidade de São Paulo, se transformam nos pilares de sustentação da obra. Existe uma desmaterialização geralemcurso:paredes que se vão, ambientes que se sobrepõem uns aos outros, superfícies reflexivas, explica a arquiteta. O resultado foi um ambiente único de 207 m 2,com living, lounge, cozinha gourmet, bar e vídeo hall. O elegante terraço de 235 m 2, que se abre logo à frente, foi projetado para ambientes a céu aberto e recebeu uma longa e sinuosa estrutura, que certamente vai atrair olhares dos visitantes. O charme se completa com a piscina com borda infinita emoldurada por lareira. Como de costume, famosos serviram de inspiração para PARA VER E SENTIR O ecotelhado de Fernanda Marques, todo recoberto por vegetação: ele desce da laje da casa, atravessa a piscina e se transforma em bar os arquitetos que participam da Casa Cor. O chef francês Claude Troisgros ganhou uma cozinha idealizada por Cynthia Pimentel Duarte e a apresentadora Adriane Galisteu inspirou uma suíte de hotel criada pela In House Design. As arquitetas estreantes Angela Martins e Paula Leonardo criaram um quarto de menino pré-adolescente, com referências do skate. Uma minirrampa e um painel de grafite feito por Luís Antônio Luisito Borges, de 9,45 m 2, criam uma atmosfera urbana. Na parede, um LCD que recebeu em seu entorno diversos nichos para CDs e DVDs. Casa Cor Jockey Club de SP 25 de maio e 13 de julho Av. Lineu de Paula Machado, Cidade Jardim São Paulo Tel: (11) Arquitetas trazem referências do skate para a decoração, no espaço de 41 m 2 na Casa Cor Kids Fotos: divulgação

19 Sábado, 22 de maio, 2010 Brasil Econômico 19 Divulgação Espanhol Ostatu Reserva O Reserva 2004, um tinto de Rioja Alavesa, é composto por 90% Tempranillo e 10% Graciano e envelhecido por 14 meses em barricas de carvalho francês. O vinho tem fortes aromas láctico e frutado. A Ostatu é uma pequena bodega que produz pouco e com qualidade, sob o comando da família Sáenz de Samaniego. São vinhedos com mais de 80 anos em 33 hectares. A maioria das vinhas são velhas, sendo 85% de Tempranillo, 10% de Viura e 5% de Graciano e Garnacha. Na CultVinho, em São Paulo, a garrafa sai por R$ 138. ÉHOJE! O Rio de Janeiro recebe a segunda etapa do MINI Challenge Cup. No autódromo internacional Nelson Piquet também ganham as pistas a Copa Caixa Stock Car e a Copa Chevrolet Montana. A festa Star Final da Heineken, no Forte de Copacabana, no Rio, com transmissão da partida entre Bayer de Munique x Internazionale de Milão, na final da Uefa. PARA EDUCAR Os três porquinhos constroem casas sustentáveis durante o maior evento em defesa da Mata Atlântica Sexta edição do Viva Mata reúne 100 ONGs e2milvoluntários Teatro, música e palestras para proteger a Mata Atlântica Neste final de semana, o Parque do Ibirapuera, em São Paulo, vai sediar a 6ª Viva Mata, o maior evento em defesa da Mata Atlântica. Mais de 80 mil pessoas devem passar por lá para conferir as palestras, debates, exposições, estandes temáticos, oficinas, peças de teatro, maquetes interativas e vídeos. Hoje, às 15 horas, será apresentada a peça Os três porquinhos construindo casinhas sustentáveis. O grupo de voluntários das tintas Coral contará como os famosos três porquinhos se livram de um lobo-guará atrapalhado, enquanto transmitem noções de cidadania às crianças. Hoje e amanhã, na Arena de Eventos, ao lado da Marquise do Parque Ibirapuera, em São Paulo. PARA SE DIVERTIR Jazz e blues invadem as praias de Rio das Ostras Artistas nacionais e estrangeiros em shows gratuitos O Rio das Ostras Jazz & Blues Festival ancora sua oitava ediçãoentre2e6dejunho. Oeventolevaonomedo município que fica na Costa dosoldoestadodoriode Janeiro, a 50 Km de Búzios. Mais de 20 mil pessoas são esperadas para assistir de graçaaosshowsdemúsicos consagrados no cenário nacional e internacional. Entre as atrações, Ron Carter Trio com Russel Malone e Mulgrew Miller, T.M. Stevens Project com Cindy Blackman, Delmar Brown & Blackbyrd Mc Knight, Rod Piazza & The Mighty Flyers, Glen David Andrews, Michael Patches Stewart, The Michael Landau Group, Victor Bailey Band, Stanley Jordan Trio com Armandinho, Joey Calderazzo Quartet, Raul de Souza, André Cristóvam, Brazilian Blues Band, Plataforma C Instrumental e Rio Jazz Big Band & Taryn. A Concha Acústica da Praça São Pedro recebe os novos Claudio Carpi talentos pela manhã, às 11h15. No teatro de arena, em meio à vegetação de restinga da Lagoa de Iriry, os shows acontecemàs14h15. O terceiro palco é montado sobreaspedrasnapraia da Tartaruga, no centro, com shows às 17h15. A partir das 20h, os espetáculos são na Cidade do Jazz e do Blues, em Costazul. Informações: riodasostrasjazzeblues.com Chega ao Brasil uma linha de carnes de alta qualidade, produzidas a partir de gado de origem europeia. A distribuidora de carnes especiais Intermezzo Gourmet promove o Festival de Carnes Australianas, em parceria com a JBS, maior empresa de processamento de proteína animal do mundo, até 6 de junho em algumas das melhores steakhouses do Brasil. Os restaurantes VarandaeNorth Grill de São Paulo, Giuseppe Grill, do Rio de Janeiro, BSB Grill, de Brasília, Baby Beef de Salvador e Ancho Premium Grill de Ribeirão Preto participam do festival. As carnes de origem australiana passarão a fazer parte do cardápio das casas, ao final do festival. Em São Paulo, o Varanda oferece quatro cortes da carne australiana: Ribeye, corte da parte central do bife ancho, por R$ 71, Beef Loin, um corte especial de contrafilé, por R$ 69 (foto). O Skirt Beef éumcorteda fraldinha, por R$ 165 para duas pessoas. Tem também a tradicional picanha, por R$ 87. Varanda Rua General Mena Barreto, 793 Tel: (11) Já no menu O Gosto do Osso, do restaurante La Casserole, o que dá mais sabor aos pratos são os ossos. Até 11 de junho, a restauratrice Marie-France Henry propõe a redescoberta de receitas clássicas, como ossobuco, costelas, joelhos eossosdetutano. Entre as opções, joelho de porco crocante, por R$ 35, jarret de cordeiro com feijão branco e pancetta, por R$ 45, costela de tambaqui com purê de banana da terra, por R$ 48, econfitdepato ao molho merlot e polenta mole, por R$ 55. La Casserole Largo do Arouche, 346 Tel: (11) Os show começam no momento do pôr do sol no palco montado sobre as pedras da Praia da Tartaruga Beef Loin do restaurante Varanda, corte

20 20 Brasil Econômico Sábado, 22 de maio, 2010 EMPRESAS Oferta pela Vivo pode subir para 8 bilhões Lula em encontro com o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, em Lisboa, quando oferta de compra da operadora brasileira foi discutida Banco holandês ING diz que valor não compromete caixa do grupo Telefónica Thaís Costa O grupo Telefónica pode subir para 8 bilhões a oferta pela parte da Portugal Telecom (PT) na Vivo, conforme estimam especialistas do mercado internacional de telecomunicações. Esse valor considera o market value de 5,75 vezes o Ebitda da Vivo, de R$ 5,3 bilhões, o que resulta em R$ 31 bilhões. Sobre ele, seria acrescentado prêmio de 33% por caracterizar participação de controle, chegando-se a R$ 41 bilhões. E seria subtraído o montante da dívida líquida da operadora estimado para fim de 2010, de R$ 3 bilhões, chegando-se a R$ 38 bilhões. Com isso, a participaçãode29,7%daptcorresponderia a cerca de R$ 12 bilhões. Pelacotaçãodoeurodeontem, de R$ 2,33, esse valor equivale a 5 bilhões. Como o mercado estima que a fusão das duas empresas (Telefônica fixa e Vivo) resultará em sinergias de 3 bilhões, em corte de custos, tributos e Capex, o valor final da participação da PT atingiria 8 bilhões. ING fala em oferta de 7,5 bi Conforme o banco holandês ING, em documento divulgado ontem, o grupo Telefónica estaria próximo de ofertar 7,5 bilhões pela parcela da Portugal Telecom na Vivo. O banco acredita ser possível que a operadora portuguesa A Telefónica continua à procura de apoios para conseguir mudar a opinião da PT sobre a venda da Vivo. O mais recente pedido de ajuda feito pela operadora espanhola foi endereçado ao Crédit Suisse. A notícia, publicada ontem no site espanhol Cotizalia, citando fontes financeiras, afirma que o presidente da Telefónica, César Alierta, teria recorrido ao CEO do Crédit Suisse, Fernando Abril-Martorell, tendo em conta as boas relações entre o executivo e alguns membros do conselho de administração da PT. Abril- Martorell foi administrador da PT entre 2001 e 2008, e Alierta pediu ao banco que atue como mediador juntos aos gestores da operadora liderada por Zeinal As movimentações políticas ocorrem ao mesmo tempo que a Portugal Telecom procura convencer os investidores internacionais dos méritos de suas propostas em relação à Vivo Telefónica pede ajuda ao Crédit Suisse para desbloquear compra da Vivo Bava. Além disso, o banco suíço é acionista da PT, com controle de 2% do capital. Fontes próximas à Telefónica, citadas pelo site, confirmam o contato com o banco, mas dizem que ainda não foi assinado qualquer contrato relativo a essa operação. O Crédit Suisse já comunicou aos clientes que não pode emitir recomendações nem atribuir preços as duas operadoras por manter parte do capital delas. Apesar de vários acionistas da PT terem apoiado a rejeição da oferta de 5,7 bilhões pela Vivo, Alierta acredita que conseguirá o apoio dos fundos Brandes Investments (que detém 7,89% do capital), Barclays (5,1%), BlackRock (2,3%) edocréditsuisse. Económico.pt reveja sua recusa ao negócio e afirma que o novo montante faz parte da estratégia de aumentar a pressão sobre o comando da PT. O conselho de administração da empresa rejeitou na semana passada a oferta da Telefónica para comprar os 50% da operadora portuguesa na Brasilcel, que controla cerca de 60% da Vivo, maior operadora de telecomunicações móveisnobrasileaprincipal responsável pelo crescimento da PT. A disputa corporativa, porém, começa a ganhar contornos políticos. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em sua visita-relâmpago a Lisboa, na última quarta-feira, afirmou que deseja a permanência da PT na operadora móvel. Segundo reportagem do jornal DIÁRIO ECONÓMICO, Lula dizqueaparticipaçãonavivoé fundamental para a PT participar do Projeto Nacional de Banda Larga. No fim de um encontro com o primeiro-ministro português, José Sócrates, Lula disse esperar que a PT ajude a internet não ser privilégio de ricos. Estas declarações foram recebidas pelos acionistas da PT como um sinal de apoio do presidente na batalha contra a Telefónica. Ele podia ter dito Vivo, ou Telefónica, mas fez questão de referir-se ao nome da PT, quando a companhia nem era signatária de qualquer um dos acordos que foram assinados naquele encontro, disse uma das pessoas presentes no encontro. Slim apoia PT A revista Economist, por sua vez, sugeriu que mais uma vez a direção da PT pode contar com o apoio de Carlos Slim, que figura entre os homens mais ricos do mundo e a quem não interessa a dominância da Telefónica no Brasil, por controlar os grupos América Móvil e Telmex. Se Slim entrar na negociação, não terá sidoaprimeiravez.durantea OPA do grupo Sonae à PT, em 2006/2007, o empresário mexicano adquiriu cerca de 3% do capital da portuguesa, parte negociada em seguida. Fontes do mercado lembram que os acionistas da PT, especialmente o Banco Espírito Santo, são muito bem-relacionados e poderão, sim, contar com a ajuda de grupos financeiros numa hora de preservar seus interesses. Filipe Alves, de Lisboa, com agências ALIANÇA ATRIBULADA 2002 A PT e a Telefónica assinaram acordo de parceria estratégica, com duração prevista de 25 anos, para atuar em conjunto no mercado de telecomunicações móveis do Brasil. A gestão e o controle da Vivo foram assumidos em conjunto A Telefónica, que mantém uma posição de 10% do capital da PT, foi impedida de aumentar sua posição acionária na empresa, por imposição do Estado e dos principais acionistas portugueses A operadora liderada por César Alierta apoiou a Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelo grupo Sonaecom sobre a PT, votando a favor da mudança dos estatutos da operadora. O objetivo era comprar a Vivo da Sonaecom, mas a OPA falhou por oposição do núcleo duro de acionistas, formado pelo Banco Espírito Santo, pelos grupos Ongoing, Visabeira e Controlinveste e pelo banco estatal Caixa, que detém 26% do capital Os espanhóis ofereceram 3 bilhões à PT pela parte dela na Vivo, mas a operadora recusa, por entender que o seu futuro depende desta participação na maior empresa de telefonia celular brasileira Depois de tentar, em vão, convencer a PT a aceitar uma fusão entre a Vivo e a Telesp, a Telefónica lança uma nova oferta sobre a posição dos portugueses no valor de 5,7 bilhões. A PT volta a recusar, com o mesmo argumento, de que a Vivo é essencial para o seu futuro.

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