Verdades e mitos sobre o AUXÍLIO RECLUSÃO

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1 Verdades e mitos sobre o AUXÍLIO RECLUSÃO Sidnei Rodrigo Paulo da Cunha Neves é sócio do escritório Rodrigues, Ehlers & Neves. Formado em Administração de Empresas e Direito no Centro Universitário do Distrito Federal UDF. Pós graduando em Direito Tributário no Centro Universitário do Distrito Federal UDF. Circula pela internet um , não assinado, que traz uma interpretação da Portaria nº 48, de 12/2/2009, do INSS, afirmando que: O MAIOR DOS ABSURDOS: Você sabe o que é o AUXÍLIO RECLUSÃO? Todo presidiário com filhos tem direito a uma bolsa que, a partir de 1º/1/2010 é de R$798,30 por filho para sustentar a família, já que o coitadinho não pode trabalhar para sustentar os filhos por estar preso. Mais que um salário mínimo que muita gente por aí rala pra conseguir e manter uma família inteira. Ou seja, (falando agora no popular pra ser entendido) Bandido com 5 filhos, além de comandar o crime de dentro das prisões, comer e beber nas costas de quem trabalha e/ou paga impostos, ainda tem direito a receber auxílio reclusão de R$3.991,50 da Previdência Social. Qual pai de família com 5 filhos recebe um salário suado igual ou mesmo um aposentado que trabalhou e contribuiu a vida inteira e ainda tem que se submeter ao fator previdenciário? Mesmo que seja um auxílio temporário, prisão não é colônia de férias.

2 Isto é um incentivo a criminalidade nesse pais de merda (sic), formado por corruptos e ladrões. 1 É possível notar e entender a indignação do autor do texto que interpreta o recebimento do auxílio, pois se trata de uma boa quantia a ser recebida por alguém que se encontra na condição de presidiário, bastando somente que este tenha filhos. Este raciocínio também nos leva a imaginar, de forma natural, que quanto mais filhos ele tiver, maior a quantia a ser recebida. Considerando-se, portanto, que, infelizmente, no Brasil, a realidade do perfil dos que se encontram na condição de presidiário é, na grande maioria, composta por pessoas de baixa renda que, na sua maioria também possuem uma prole numerosa, fica ainda mais fácil indignar-se com o montante a ser recebido por alguém que está preso, muito provavelmente por ter cometido algum crime, configurando assim algo totalmente reprovável pela sociedade. Porém, faz-se necessária algumas ponderações a respeito do tema. Primeiramente, a portaria que fixa o valor do auxílio em R$ 798,30 é a Portaria nº 350, de 30/12/ Mas, esse não é o maior dos problemas encontrados no texto que, obviamente trata-se de mais um mito dentre tantos que circulam pela rede. Acreditamos que, como juristas, devemos trilhar o caminho da justiça, buscando, neste caso, o esclarecimento do que realmente ocorre no pagamento do citado auxílio. Devemos estabelecer que, de acordo com a legislação vigente, quem é beneficiário do Auxílio Reclusão são os dependentes do segurado da previdência que se encontra na condição de presidiário, ou seja, filhos e cônjuge, pois estes não têm qualquer culpa quanto a conduta criminosa do ente que o tenha praticado, assim como ocorre com a pensão por morte, também devida ao dependente, como garantia mínima de seu sustento, como demonstrado a seguir: 1 Trecho de texto não assinado recebido por acesso em 08 abr

3 Lei n 8.213, de 24 jul [...] Art. 18. O Regime Geral de Previdência Social compreende as seguintes prestações, devidas inclusive em razão de eventos decorrentes de acidente do trabalho, expressas em benefícios e serviços: [...] II - quanto ao dependente: a) pensão por morte; b) auxílio-reclusão; 3 (grifou-se) Da mesma forma, o art. 80 do mesmo diploma legal reforça a determinação de que é devido o auxílio ao dependente do segurando, conforme demonstrado a seguir: Art. 80. O auxílio-reclusão será devido, nas mesmas condições da pensão por morte, aos dependentes do segurado recolhido à prisão, que não receber remuneração da empresa nem estiver em gozo de auxílio-doença, de aposentadoria ou de abono de permanência em serviço. (grifou-se) benefício: Citamos também as considerações feitas pelo INSS a respeito desse O auxílio-reclusão é um benefício devido aos dependentes do segurado recolhido à prisão, durante o período em que estiver preso sob regime fechado ou semi-aberto. Não cabe concessão de auxílio-reclusão aos dependentes do segurado 3 acesso em 08 abr. 2010

4 que estiver em livramento condicional ou cumprindo pena em regime aberto. Para a concessão do benefício, é necessário o cumprimento dos seguintes requisitos: - o segurado que tiver sido preso não poderá estar recebendo salário da empresa na qual trabalhava, nem estar em gozo de auxílio-doença, aposentadoria ou abono de permanência em serviço; - a reclusão deverá ter ocorrido no prazo de manutenção da qualidade de segurado; - o último salário-de-contribuição do segurado (vigente na data do recolhimento à prisão ou na data do afastamento do trabalho ou cessação das contribuições), tomado em seu valor mensal, deverá ser igual ou inferior aos seguintes valores, independentemente da quantidade de contratos e de atividades exercidas. 4 Feitos esses esclarecimentos a respeito de quem deve receber o auxílio, ainda assim, acreditamos serem necessários comentários adicionais quanto aos valores. Para isso, partiremos do próprio sítio da previdência social, onde temos: O valor do auxílio-reclusão corresponderá ao equivalente a 100% do salário-de-benefício. Na situação acima, o salário-de-benefício corresponderá à média dos 80% maiores salários-de-contribuição do período contributivo, a contar de julho de Para o segurado especial (trabalhador rural), o valor do auxílioreclusão será de um salário-mínimo, se o mesmo não contribuiu facultativamente Idem

5 Isso significa dizer que o salário considerado para a contribuição ao INSS, assim entendido como sendo a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa, somando-se esse valor recebido, em suas maiores cotas recebidas ao longo do período contributivo, 80% desse total é o que vai compor o salário benefício, que é o valor que efetivamente será pago pelo INSS. Vale lembrar que, por força do art. 201, IV da Constituição Federal, o auxílio reclusão só é devido aos dependentes dos segurados de baixa renda, como podemos ver a seguir: Art A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: IV - salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda; Voltamos, então, a citar a Portaria nº 350, de 30/12/2009 do INSS que fixa o valor para pagamento do auxílio, em R$ 798,30. Devemos lembrar que esse valor não é cumulativo por filho e sim uma limitação dada pela Constituição, conforme vimos no artigo transcrito acima, ou seja, esse é o valor máximo a ser recebido pelo dependente do segurado que esteja dentro dos requisitos já explanados aqui. Vale observar também, que em recebendo uma remuneração maior que R$ 798,30, mesmo na condição de segurado, dentro das condições legais, este não tem direito ao recebimento do auxílio, tendo em vista a redação do texto constitucional.

6 que: Podemos então concluir, dentro do que foi analisado, de forma resumida 1- O auxílio reclusão só é pago para quem era segurado da previdência antes de assumir a condição de presidiário, ou seja, estava trabalhando e contribuía para a previdência. 2- O auxílio reclusão não se destina ao presidiário e sim à família (cônjuge e filhos), tendo como limite máximo o valor fixado na portaria do INSS. 3- O valor de R$798,30 não é cumulativo, não importando o número de filhos que o segurado possua. Trata-se, como vimos, de uma limitação exigida pela constituição que destina o benefício aos segurados de baixa renda. Lembrando que, quem trabalha e recebe salário mensal superior a R$798,30 não tem direito a auxílio-reclusão.

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