LIVROS E LEITURAS NO BRASIL ANTES E DEPOIS DE JOÃO VI

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1 LIVROS E LEITURAS NO BRASIL ANTES E DEPOIS DE JOÃO VI Jorge de Souza Araujo UEFS Aqui apresentamos esforços extensivos de uma pesquisa sobre o perfil de leituras no Brasil, cujos resultados foram parcialmente publicados em livros e outros se oferecem, se depender de nosso desejo, a uma veiculação editorial proximamente. Data de 1980 nosso primeiro investimento em bibliotecas de títulos coloniais, um trabalho de levantamento de toda a bibliografia existente em bibliotecas brasileiras, cujos títulos tiveram a data limite de 1825, um ano depois de promulgada a primeira constituição imperial. Esse material constitui hoje uma Memória Bibliográfica Brasileira ( ), aguardando oportunidade de edição, espécie de museu do livro em catálogo, que municiou durante algum tempo o Plano Nacional de Obras Raras da Biblioteca Nacional. Quando procedemos a esse mapeamento, contendo os livros existentes nas bibliotecas brasileiras no período compreendido ( ), percebemos que o fundamental da exposição de um perfil leitor poderia não constar exatamente da catalogação, e que boa parte desse material remetia obrigatoriamente a uma busca mais aprofundada, o que nos levou à extração dos informes através dos inventários de bens, a documentação factual que melhor constituiria o exame nuclear de obras realmente circulares ao menos por sua constância documental. O inventário é um documento jurídico para efeito de partilha e meação e em alguns deles encontramos a rubrica Livros. O inventariante dispunha o que havia em Ouro, Prata, Escravos, bens móveis e semoventes, e em alguns encontramos alinhados os Livros. Os dois parágrafos acima são relevantes, antes de considerarmos o perfil leitor dos brasileiros pós chegada da Família Real à Colônia em Parece-nos que com a expressão de Santo Tomás de Aquino Timeo hominem unius libri, ou Arreceio-me do homem de um só livro encontramos um mote da destinação inicial desta nossa conversa neste Seminário, uma vez que ela ilustra nossa desconfiança de que não seria efetiva a crença um tanto convencional de que pouco se lia no Brasil Colônia ou Brasil Reino, lacuna que permaneceria nos dias de hoje. A cultura letrada no Brasil tem, entre seus objetos, práticas e representações, em certa medida pouco examinada a idéia do livro como forma impressa de ampla circulação e o suporte desses textos na forma de recepção. Achamos que isso seria de fato relevante no Brasil, particularmente porque entre nós a cultura impressa sofreu interdições e só veio a ser implantada, tardiamente, quando os interesses práticos da corte real se efetivou com a transferência. Diferentes eram os objetos e práticas de leitura e escrita manifestos pela 1

2 administração reinol e os brasileiros emergentes como nacionais. Uma vez impresso e circulante, o livro suscitaria outros objetos, práticas e representações. Esta nossa palestra tenta agrupar partes de um conjunto de nossa pesquisa tematicamente afiliada aos objetos do Seminário, de forma a fomentar um mais amplo debate sobre o livro produção, impressão e recepção no Brasil. No momento em que o país, já completado seu meio milênio de existência, se debate entre acertos e desencontros e questiona sua identidade, é sempre oportuno que a universidade acolha interesses de divulgação de resultados de pesquisa, justamente pela apresentação de produtos dos meios universitários, no paradoxo em que a sociedade não se cansa de cobrar maior eficácia na produção acadêmica e, no entanto, lhe devota um solene desinteresse por tal produção. A investigação sobre a trajetória do livro entre nós, antes e depois da chegada de João VI e da constituição do Brasil Reino, é tarefa instigante, que só pode compreender e estimular no circuito de idéias que tem o livro e a leitura como fonte e instrumentos propiciadores do prazer, cuja base essencial lemos na Ética de Aristóteles. Em 1988, apresentamos os resultados parciais de uma pesquisa que até hoje nos anima e que foi iniciada a partir de julho de 1980, encerrado o curso de Mestrado em Literatura Brasileira na Faculdade de Letras da UFRJ. Março de 1988 divulgávamos a pesquisa sob a forma de defesa de tese de doutoramento na mesma Instituição e que resultou no livro Perfil do leitor colonial, editado dez anos depois. Entre 1980 e 1988 militamos na busca de material bibliográfico e documental para a elaboração da Memória Bibliográfica Brasileira ( ) e do próprio Perfil, visitando lugares de reconhecida guarda cultural no Brasil e no exterior, recolhendo pistas que remetessem ao universo que preenchemos em nossos trabalhos. Alguns dados provocados pela investigação estão em processo para outros investimentos, a exemplo do suporte editorial dos livros que mais circularam, os Best-sellers na Colônia, e das marcas de recepção do livro e seu influxo na produção literária brasileira, ou seja, As marcas da grey uma relação leitura/escritura no Brasil, identificando as influências das leituras nas obras de Anchieta, Vieira, Cláudio, Gonzaga e outros. Uma idéia de saber de que maneira se pode ilustrar a cultura literária brasileira a partir dos livros existentes nas estantes, no período colonial e hoje. Para se obter um perfil de leitura praticada na Colônia e no Reino foi preciso o acesso a documentação que ilustrasse os respectivos períodos. Assim foram processados os informes e objetos em ordens régias, sobre instrução, comércio e recepção do livro entre nós. Os documentos do século 16 (encontrados exclusivamente nos arquivos públicos Nacional e de São Paulo) nada contêm ou esclarecem sobre o período, o que nos leva à conformação com a historiografia oficial a História da Companhia de Jesus no Brasil, do jesuíta Serafim Leite, 2

3 A cultura brasileira, de Fernando de Azevedo, Livros e bibliotecas no Brasil Colonial, de Rubens Borba de Moraes, entre outros que formulam a identidade brasileira leitora da época. Do século 17 em diante, os inventários de bens alimentam a pesquisa de seus suportes concretos nos modelos de comportamento leitor, atingindo no 18 um grande vulto em termos quantitativos e de variedade de títulos e assuntos e no 19, quando há uma legítima investida de progressão e volume. Para efeitos comparativos, é importante distinguir os modelos colonizadores de Portugal e Espanha. A colonização espanhola foi mais expansionista e eficaz na América. Os dados desse expansionismo apontaram uma circunstância para a qual os hispânicos se mostraram bastante espertos. Eles aqui encontraram a base cultural já sedimentada dos astecas, dos incas, dos maias. Para competir e, afinal, se fixarem, teriam que implantar sua cultura e sufocar a encontrada. No entanto, adaptaram-se e progressivamente foram impondo seus objetivos colonizadores, mas trazendo livros, não restringindo as novelas de cavalaria que conviviam com os breviários dos padres, aliançando o caráter doutrinário do expansionismo imperialista com o gosto popular em livre acesso. Isso vem magnificamente estudado por Irving Leonard na obra Los libros del conquistador, alentado estudo acerca dos livros que os espanhóis puseram em circulação desde o primeiro movimento colonizador. O mesmo não se deu com os portugueses, até porque as tentativas de aproximação com os nativos foram mais amenas que as alcançadas pelos espanhóis e nem por isso avocaram a expansão da cultura entre nós. O resultado é que o Brasil sofreu um atraso criminoso, do ponto de vista dessa lacuna bibliográfica, porque só irá conhecer extensivamente a cultura letrada quando da chegada de João VI em Justamente para tornar mais suave a estada reinol num sítio provinciano sem qualquer acesso ao conhecimento, nem aos benefícios da cultura urbana, o monarca trouxe a biblioteca da Casa Real e as máquinas que formariam a oficina da Imprensa Régia, ou seja, a legitimidade da circulação definitiva de livros, jornais e revistas, que transformaram a colônia e contribuiriam para a definição de outras legitimações. Conquanto a intenção original fosse difundir o dogma católico impositivo de evangelização aos nativos de hábitos primitivos e a colonos gananciosos de riqueza fácil e imediata, a verdade é que os jesuítas, introduzindo o livro impetrado de importância apostólica, acabaram transformando-o de instrumento de persuasão ao objetivo catequético e colonizador em símbolo de sedução. No século 18 especialmente, além da condução missionária e libertadora da República dos Guaranis, na Colônia do Sacramento, os jesuítas pontificavam em todo o mapa territorial brasileiro, detentores de grandes extensões de terra mas, principalmente, formidáveis reprodutores e intérpretes do conhecimento, a despeito do conteúdo doutrinário de sua pedagogia. 3

4 Em que pese os livros por eles introduzidos fossem expurgados de trechos obscuros ou que, a seu juízo, contivessem matérias com indícios de controvérsia moral ou obscenidades (e Ovídio seria o mais expressivo desse modelo de censura leitora prévia, por suas margens de inconveniência), os jesuítas foram os nossos primeiros mestres de estudo e leitura, sobretudo porque eram exímios copistas. Essa cultura leitora, sem embargo da imposição doutrinária de um teocentrismo absolutista com origem na Contra-Reforma e na prática disciplinar dos inacianos, tem uma importância capital na disseminação do livro e na própria formação da cultura letrada no Brasil, em especial porque foram nos seus colégios que, de alguma forma, essa cultura se implantou, circulou e evoluiu. Muitos dos nossos ancestrais leram esses livros, apreenderam a língua universal de então, o Latim, tendo acesso ao conhecimento produzido e extensivo do mundo civilizado. Em nosso Perfil do leitor colonial julgamos demonstrar que, afinal, não estávamos tão distantes da civilização letrada, ao menos no que toca ao comprometimento leitor. Talvez por isso é que, pouco depois de subir ao trono (durante o qual foi conduzido o Tratado de Madrid, que segregava territórios e índios da comunidade jesuítica dos Sete Povos das Missões), D. José I impôs como ministro plenipotenciário o conde de Oeiras e marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho, cuja política contra os jesuítas e a presença massiva no comportamento administrativo de Portugal e colônias modificou inteiramente a mentalidade metropolitana e colonial, com profundas repercussões sociais, produzindo um vácuo na cultura literária e na pedagogia do ensino. Foi Pombal quem reconstruiu Lisboa, quase destruída inteiramente pelo terremoto de A equivalência de seu pensamento conduzindo os negócios da administração portuguesa pode se considerar análoga à experiência de Richilieu na França, com as caraterísticas especiais de deter o estado nas mãos e dele fazer o espelho de sua personalidade. Entre os que embaraçavam seu poder, os jesuítas foram expulsos das colônias, perderam o domínio da Universidade de Coimbra e seus outros poderes detidos desde o século 16. Pombal prormoveria então uma renovação nos estudos da universidade e no ensino médio. Do Brasil os jesuítas foram expulsos em 1757, acarretando um sério comprometimento nas instituições de ensino e nos próprios livros que compunham suas bibliotecas, livros vendidos a preço vil e extraviados para embrulhar sabão. O papel desempenhado por Pombal, por uma série de injunções políticas, representou mais atraso na circulação da cultura bibliográfica no Brasil. Com uma circunstância agravante: Pombal mandou proibir e sequestrar bens e até mesmo castigar com pena de prisão e degredo os que possuíssem ou fizessem circular alguns livros da pedagogia inaciana, especialmente o inocente volume da Arte latina, livro de gramática latina do jesuíta Manoel Álvares, popular desde o século 16. Em substituição aos jesuítas, o ministro todo poderoso 4

5 convocaria os novos responsáveis pelo ensino, os padres da Congregação do Oratório, cujos títulos não podiam concorrer com a gramática do padre Álvares, que trazia exemplos de autores consagrados do período clássico, cumprindo um ideário decisivo do objeto catequético pelo encanto da leitura que o livro produzia nos estudantes. Sendo os jesuítas conservadores, qual a influência que poderiam exercer na Colônia, justificando o ato de Pombal? A resposta mais pertinente é que os disciplinados integrantes da Companhia de Jesus eram conservadores nos aspectos teológicos em que se mostravam inflexíveis, como, aliás, é fácil supor em quem votava à Companhia uma obediência de cadáver..., mas liberais em outros aspectos, como a preservação dos índios contra a escravidão e a inserção de livros, inclusive os filosóficos e científicos em sua ordenação pedagógica, tudo convergindo para os objetos da colonização católica do Novo Mundo, razão a mais da natureza ascética do que propriamente étnica ou antropológica. No período pós inaciano e pós reforma dos estudos na Universidade de Coimbra, ao lado dos clássicos, que circulavam com desenvoltura (Ovídio, Horácio, Virgílio, Quintiliano, Sêneca, Plauto, Terêncio e outros), o século 18 introduziria outras disciplinas leitoras. O conhecimento científico se dissemina, já se postula o enciclopedismo, e esses clássicos conviverão com as ciências médicas e farmacológicas, o direito, a filosofia, disciplinas em latim língua universal de comunicação como hoje é o inglês e francês e uns poucos traduzidos. Às mulheres, no entanto, praticamente o ofício de ler era vedado. Somente a partir da terceira década do século 19 as mulheres ultrapassariam sua exclusão do universo leitor. Os inventários em nome de uma mulher, por exemplo, revelam-na como inventariante e/ou herdeira do patrimônio do marido varão. É possível entender, a partir de nossa pesquisa documental e bibliográfica, que o Brasil cultivou, desde o século de sua fundação, algum modelo de tradição leitora. Essa tradição não será intensa, nos dois primeiros séculos, não ultrapassando quase os objetos do ofício católico e catequético, nem tão extensiva que pudesse cobrir os interesses culturais, considerados subjetivos ante os quadrantes objetivos da incipiente Colônia. O livro, do século 16 ao 18, seguramente era um bem destinado a poucos, como o é até hoje. Sobretudo nos princípios de expansão dos tipos móveis de Gutenberg o livro era um objeto de consumo expressivo, mas caro, sendo também um penhor da cultura, formador de juízo e raciocínio, para o bem ou para o mal, tornando-se ainda um objeto de fetiche, mitologizado como condutor de benefício ou ameaça ao espírito atemorizado dos indivíduos premidos pelos ditames da Contra-Reforma. Ter um livro em casa era, portanto, signo de distinção entre os nossos pentavós. Os poucos que o manuseavam seriam os padres da Companhia de Jesus, os 5

6 fidalgos e bacharéis que para cá se deslocaram a serviço da administração central, um ou outro mais curioso pelas novelas de cavalaria, muito populares à época. De par com essa discriminação de classe, mesmo para Anchieta e os demais jesuítas que são nossos mestres de linguagens, de expansão do idioma do conhecimento formal, as dificuldades, os empecilhos da primitiva colonização, ao lado dos breviários e outras disciplinas da tradição ascética e martirológica da teologia dogmática, sempre seria possível rastrear leituras de um ou outro clássico latino, um Virgílio, um Horácio, um Ovídio, como, aliás, é fecundo e fácil assinalar na obra poética e dramatúrgica do próprio Anchieta. Lia-se, pouco ou muito, em Latim e em Latim surgiram os primeiros fundamentos do Direito e Filosofia e quase nada de literatura de ficção, excetuadas as proibidíssimas e sempre frequentes novelas de cavalaria. Em nossa investigação nos inventários de bens que indiciam um Perfil do leitor colonial, no século 16 nada se demonstra em documentos factuais quanto à expressão leitora. No século 17, a partir dos inventários pesquisados, lia-se um Fernão Mendes Pinto, um Calderón de La Barca, um Miguel de Cervantes. Na mesma centúria emergem os livros de teologia moral e dogmática, de doutrina, ascese e apologética cristã católica, os casos de consciência de Fr. Luís de Granada, ao lado dos entremeses de Calderón, da Peregrinação (meio história, meio memória ou ficção) de Fernão Mendes Pinto e das Novelas exemplares de Cervantes. No século 18, já postos em notável evidência, os indícios leitores se estendem em variedade de títulos e assuntos que emergem das bibliotecas inventariadas, divulgando, além das obras da referência religiosa já apontada, o Direito, a Filosofia, as Ciências Naturais, a Medicina, a Farmacopéia, o enciclopedismo, os clássicos, os moralistas e praticamente todo o universo cultural do conhecimento de então. A partir do século 18, além do Latim, as matérias e assuntos aparecem versados em Francês, Espanhol e Português. E ainda que não se possa precisar com exatidão uma estatística ou ranking dos livros mais freqüentes nas bibliotecas setecentistas (tarefa em que estamos no momento empenhados, enumerando e analisando o que constituiria um rol dos best-sellers coloniais), socorrendo-nos da memória resultado do investimento processado no Perfil do leitor colonial, chegamos à conclusão que, na imensa maioria dos inventários investigados, alguns livros se alinham estendendo-se ao Oitocentismo, com maior incidência nas disciplinas da mística, ascese e apologética católica, obras que, na verdade, não regulariam exatamente um gosto, mas uma imposição de leitura dirigida. Em linhas mais gerais, sem a base estatística que resultará de nosso estudo em curso, figuram como best-sellers nas estantes brasileiras coloniais as Confissões e Cidade de Deus, de Santo Agostinho; Mística cidade de Deus, da Sóror Maria de Jesus, abadessa do convento da 6

7 Imaculada Conceição de Ágreda, na Espanha; Noites de Young, do poeta britânico Edward Young; a História de Gil Blas de Santillana e O diabo coxo, de Alain-René Le Sage; a Imitação de Cristo, de Thomás de Kempis; o Lunário perpétuo, do valenciano Jerônimo Cortês; o Compêndio narrativo do Peregrino da América, de Nuno Marques Pereira; as Confissões, O contrato social, A nova Heloísa e Emílio ou da Educação, de Rousseau; O verdadeiro método de estudar, de Verney; a Arte de furtar, de um anônimo do século 18 e atribuída, por truque de márqueting, ao jesuíta Antonio Vieira, além de outras obras do próprio Vieira, do padre Manuel Bernardes, e outros títulos que constituiriam uma espécie de estante básica ou suma orgânica da biblioteca universal praticada no Brasil a partir do século 18. Se compreendermos a ficção literária, como fazem alguns estudiosos, estendida à poesia e à prosa filosófica (ou à prosa histórica confundida com invenção), diria que a circulação de obras ficcionais no Brasil Setecentista estaria de acordo com a observada em países de maior tradição leitora. No século 18, pelos inventários investigados e pelas informações historiográficas disponíveis, o Brasil leitor era versado em clássicos como Virgílio (Eneida, Bucólicas, Geórgicas), Horácio (a poética e a sátira), Ovídio (A arte de amar, As metamorfoses), Cícero (Da amizade, Da velhice), Quintiliano (As instituições retóricas), Marcial, Plauto, Terêncio; renascentistas como Tasso (Jerusalém libertada), Ariosto (Orlando furioso), Camões (as Rimas, Os Lusíadas), o Paraíso perdido de Milton, mais La Fontaine, La Bruyère, Gracián, Vieira, Bernardes, o Elogio da loucura de Erasmo, os Apólogos dialogais de Francisco Manuel de Melo, Cândido ou o otimismo de Voltaire, as Reflexões sobre a vaidade dos homens, de Matias Aires, a lista é interminável... Por isso mesmo e por mais que possa estarrecer, diríamos que, em termos comparativos e de densidade populacional, recursos midiáticos etc., o brasileiro leitor na Colônia lia mais do que lê hoje. Se hoje temos a multiplicidade de meios editoriais e de acesso à enorme potencialidade populacional, a leitura não se efetiva, pelo menos nos termos que a multiplicidade sugere. Somos quase 200 milhões de almas e as tiragens médias não ultrapassam dois mil exemplares. A ação leitora no Brasil Colônia, se bem se exercitasse em maior número nos títulos das disciplinas e matérias religiosas, pelos inventários investigados verificamos uma surpreendente variedade de assuntos e áreas. Lia-se em Medicina uma Luz da verdadeira cirurgia, de Pedro Gago, um Tratado da conservação da saúde dos povos, de Antonio Ribeiro Sanches; em Farmácia, a Farmacopéia geral, de Francisco Tavares, uma surpreendente Arte de se curar a si mesmo das enfermidades venéreas, de Godde de Liancourt; em Direito, todos os luminares dessa Ciência em Portugal, a exemplo de Supico de Moraes, Vanguerve Cabral, Aboim, Lobão e outros. Lia-se Malthus, Adam Smith, Diderot, 7

8 Chompré, Montesquieu, ao lado de Tito Lucrécio Caro e Xenofonte, Platão e Sóror Teresa de Jesus, Antonio José da Silva e o Satiricon de Petrônio, São Basílio ou Santo Tomás e Pascal e Catulo, Bossuet, o comediógrafo Juvenal ou Epicuro, das Décadas de Diogo do Couto ao Apuleio de O asno de ouro, do poeta Rodrigues Lobo ao Exame de bombeiros e Exame de artilheiros de José Fernandes Pinto Alpoim, da História do Imperador Carlos Magno e dos Doze Pares de França aos livrinhos de Santa Bárbara, da Arte da Cozinha à Educação de um menino nobre e às sátiras (expurgadas de obscenidades) de Horácio, Ovídio, Marcial ou Bocage. Ou seja, com base no que investigamos, tudo nos autoriza pensar que o leitor colonial no Brasil tinha uma formação bastante eclética. A educação, que nasceu e se desenvolveu no Brasil sob a ação missionária, pastoral e didática dos jesuítas, é responsável também pela continuidade e substância da iniciativa dos inacianos, que para cá trouxeram os primeiros livros, o que significa dizer as primeiras leituras, a compenetração iniciática da importância do livro como signo de persuasão de objeto catequético e colonizador, mas também de formação primitiva de um gosto. O latim era o idioma universal de comunicação. Sem dúvida, os jesuítas tiveram uma extraordinária influência na constituição de nossos acervos de cultura bibliográfica, bastando lembrar a fabulosa e complexa monumentalidade cultural, literária e filosófica de Antonio Vieira, exclusivamente formado no Colégio das Artes na primeira capital do Brasil. Quanto a preceptores leigos, importa lembrar a completa inércia documentada por Vilhena em suas Cartas soteropolitanas, mencionando professores vivendo como lacaios das sobras de recursos metropolitanos tal como ainda se verifica hoje, quase meio século depois... Quanto à censura, parece que ela é tão velha quanto o livro. Uma de suas vítimas mais notórias foi um tal António Isidoro da Fonseca, impedido de aqui implantar o que seria a nossa primeira tipografia na primeira metade do século 18. A censura convive com o pensamento. São irmãos quase xifópagos. Tivemos a censura inquisitorial, desde a Contra- Reforma e os concílios de Trento, tivemos a censura pombalina, a reinol, a imperial, e depois a republicana, todo um repertório de entulhos autoritários que quase sufocam a mobilidade da cultura e da representação das identidades. Temos, contemporaneamente, o mais terrível tipo de censura que é a censura editorial, essa catingada tutelar das elites, na forma de um Ministério da Cultura apático, uma concentração da informação no eixo Centro-Sul, o escambau. Ainda quanto a António Isidoro da Fonseca, trata-se de um português que aportou no Rio de Janeiro, no marquesato de Pombal e teve frustrada sua iniciativa de instalar uma oficina tipográfica igual à que tinha em Lisboa. Foi vítima da censura de editar... No mesmo século 18, Alvará expedido pelo marquês de Pombal é um primor em termos de atentado à liberdade de informação. Pombal exerceu um papel decisivo na 8

9 transformação do século 18, em Portugal e em suas colônias. Discípulo de Maquiavel e Richilieu, parecidíssimo com próceres da novíssima república brasileira, montou um verdadeiro estado de terror obscurantista contra idéias (sobretudo francesas) que pusessem em risco o regalismo de D. José I. Sem Alvará disciplinava os estudos nos territórios sob jurisdição da Metrópole e proibia tudo o que cheirasse à Companhia de Jesus. Apesar dele, uma Gramática, a famosa Arte latina do jesuíta Manuel Álvares, circulou abundantemente no Brasil, a despeito de interditada sob pena de reclusão. Por aí se observa que o prazer de ler supera até o risco de ir preso... Daí é fato chegar à conclusão de que os portugueses colonizadores não eram lá muito amigos dos livros. O homem comum, o degredado, o nobre desterrado, o capitão, o jesuíta, estes aqui radicaram uma incipiente frequentação leitora, porque precisavam do livro para expandir sua cultura e registrar seu domínio sobre nativos ágrafos. Mas as elites portuguesas, os reis e nobres, os plenipotenciários reinóis, estes sustaram, enquanto puderam, a circulação de livros no Brasil. Muito temos que agradecer a Napoleão que, invadindo Lisboa, forçou João VI a vir para cá, trazendo-nos os recursos de implantação de uma Biblioteca, de uma Imprensa, de um Jardim Botânico, de um Museu Nacional, de uns primeiros vagidos de ensino superior, germe do ser nacional que ainda hoje ostentamos, apesar de todo o esforço em contrário da idade média e dos neo-iluminados. ****** O perfil do leitor brasileiro no período colonial deve ser visto, consequentemente, a partir de uma compreensão indissociável e um tanto óbvia: a que leve em conta o parco legado político, social e cultural que nos imprimiu a experiência colonizadora. Fruto, especialmente durante os séculos 16 e 17, de uma insuperável inércia administrativa baseada no modelo extrativo sem preocupações com retorno ou resistências internos, o Brasil leitor mostra-se parcialmente invisível, a despeito dos traços civilizatórios fornecidos pelo advento da tradição escolástica trazida pelos jesuítas e seus Colégios das Artes. Do século 18 em diante, com os desdobramentos oriundos do ciclo da mineração no Brasil e as sucessivas crises do ultramarino português em outras regiões do mundo, a civilização da cultura livresca/literária vai-se aos poucos acentuando entre nós até a eclosão, já no século 19, de uma natural disposição para a diversidade de títulos, autores e obras em extensão e intensidade consideráveis. Um levantamento preliminar demonstra cabalmente a extravagante supremacia dos portugueses, em relação aos demais europeus, na tarja proibitória de livros no século 16. São 9

10 7 da Inquisição portuguesa (1547, 1551, 1559, 1561, 1564, 1581 e 1597), contra 3 da Inquisição espanhola, 3 da Universidade de Louvain, 2 de Veneza, 1 de Milão, consignandose ainda 6 para a Universidade de Paris em diferentes oportunidades e tribunais. A censura era predominantemente eclesiástica, de natureza preventiva, com a peculiaridade apontada por Antonio Márquez, em artigo para a revista Arbor: Contra la tesis romántica, aún en boga, es necesário insistir que ni el autor ni la obra son los objetivos finales de los Inquisidores, sino el lector cuya hermenéutica depende enteramente de la época. A los tiempos si achacan las prohibiciones de autores, por los demás católicos, y por la misma causa se entiende, e solo por ella, que una obra como La Celestina no se prohiba hasta finales del siglo XVIII, cuando su lectura pasa a ser de moralista a volteireana. Estamos em 1793 [...] La justícia inquisitorial es ejemplar: se castiga a uno para que aprendan los demás (ARBOR, p ). Assim serão consideradas de razão natural as dificuldades provenientes do embargo português ao desabrochar e evoluir de uma inteligência brasileira legitimada pela experiência viva. Essas carências serão suficientes para retardar e obscurecer nosso autoconhecimento como povo e nação, aqui expresso na forma de transmissão da cultura literária, isto é, da leitura, da circularidade de livros que nos retirassem da vala comum dos subtraídos de voz, de discurso e síntese de suas expressões. O zelo colonialista baseado no extrativismo primário e sem retorno (o que Vieira adverte em seu Sermão da Visita de Nossa Senhora a Santa Isabel) fornece os meios de repressão e soterramento de possíveis expansões intelectuais na Colônia. Desprovidos de escolas de orientação humanista e, mais ainda, inteiramente distanciado de um universo favorável à livre circulação de idéias, o homem brasileiro só começa a exercitarse como leitor, timidamente embora, já nos meados do século 17. Tal formação, ainda que em extrato conservador e de inspiração medieval, rigorosamente teocêntrico, terá importância relativa e contribuirá, sem dúvida, para o alargamento de nosso próprio conceito antropológico. Quanto ao livro no Brasil Colônia, seus modos de circular e sua produção influindo diretamente no surgimento de um público leitor, passado o vexame da experiência de Isidoro em 1747, só assumiremos uma possibilidade leitora já nos começos do século 19, com a Impressão e a Biblioteca Régias, criadas em 1808 e 1810 pelo Príncipe Regente e depois rei D. João VI. Os livros serão compostos a partir das caixas de tipos trazidas pela iniciativa do Conde da Barca e o Brasil leitor irá aos poucos se organizando. Ainda assim, com ressalvas. Provisão Real de 14 de Outubro de 1808 estabelece que nenhum livro saia ou entre no Brasil sem licença do Desembargo do Paço. O Intendente de Polícia Paulo Fernandes Viana, por edital de 30 de maio de 1809, determina que avisos, anúncios, notícias de obras à venda, 10

11 estrangeiras ou nacionais, não poderiam sair sem censura, sob pena de prisão e multa. Em 1815, o príncipe regente passa a rei. A censura aos livros permanece, afirma-se que contra a vontade do monarca, submisso a seus funcionários mais próximos. Daí o crescimento da língua portuguesa em Londres e Paris, com o Correio Braziliense e a justificativa de Hipólito da Costa: A dificuldade de publicar obra periódica no Brasil, já pela censura prévia, já pelo perigo a que os redatores se exporiam [...] se estabeleceu a liberdade de imprimir para o Brasil, posto que não no Brasil. A censura, pelo estímulo à delação e à incultura irmãs siamesas da mesquinharia irá sobreviver na Colônia até 28 de fevereiro de 1821, data do Aviso de Pedro I, liberando parcialmente a circulação de idéias e mentalidades. Em Buenos Aires, a partir de 6 de agosto de 1799, circa, conhece-se um modelo de cerceamento à circulação e entrega de livros, com o temor da circulação dos proibidos, especialmente os interditados pelo Tribunal da Inquisição de Lima pelas ameaças ao Estado e à Igreja. Para isso estabeleceram um Control de las aduanas, expurgo de los libros y confisco de material impreso o manuscrito. Decisão do Tribunal da Inquisição em Lima para a Argentina e o Uruguai, nomeadamente. O fim declarado: evitar los graves males que pueden causarse por la Instrucción de libros prohividos. A recomendação é seguir os Índices Expurgatórios, com seus éditos de proibição. Com um adicional de escárnio: fazer as fiscalizações o mais completas possível, sin que se satisfaga por los rotulos de los libros, sino viendo lo interior de ellos, para evitar deste modo el que bajo de rotulos supuestos, se introduzcan obras prohibidas. As caixas de livros eram abertas na presença do Interessado, retirados os que se destinavam ao expurgo e só entregues os que não fossem do Índex. O tribunal era chamado Santo Tribunal dela Inquisición de los Reyes. Contra os livros que se portassem antípodas à vassalagem, obediência e reverência ao Católico Monarca y Vicário Jesu Christo. As determinações alcançavam também as estampas e figuras. Em 6 de julho de 1803, livros expurgados foram retirados das caixas e os outros, liberados, entregues ao Interessado, o francês Isidoro Omón, com o argumento: Los del Baul son prejudiciales à la Religion, à las buenas costumbres, y al Estado por el libertinage que respiran en todas materias (In: LEWIN, Boleslao. La Inquisición en Hispanoamérica Judios, protestantes y patriotas. Buenos Aires: Editorial Proyección, s.d., p ). Dentre os livros liberados à leitura de Isidoro Omón, destacamos os seguintes, parelhos com a circulação no Brasil: Novelas Españolas 2 t. 11

12 Metamorfosis de Ovídio 2 t. Las Viages de Ciro 2 t. Lisuart di Grecia 5 t. Historia Septentrional 4 t. Historia Indiana 2 t. El Triunfo de la Virtud 1 t. Elementos de Quimica 1 t. Romanses de Scarron 5 t. Robinson Crusoe 2 t. Rolando el furioso Poema heroico 3 t. La Diana de Monte mayor 1 t. El Campeon de la Virtud 1 t. Historia de Gil Blas 2 t. La Metamorfosis 1 t. El Infortunado Napolitano 2 t. Romances Comicos de Siaron (sic) 5 t. Metamorfosis de Ovídio 2 t. Entretenimiento Filosofico 1 t. Lisuardo de Grecia 1 t. Persilis y Segismunda 4 t. Biblioteca de Romances 1 t. Elementos de Quimica 1 t. Carta de Voiture (sic) 1 t. Entretenimentos de Damas 2 t. Historia del Mundo 1 t. Escuela dela Juventud 1 t. El Triunfo de la Virtud 3 t. Roland Furioso 3 t. Biblioteca Azul 2 t. Biblioteca de Genio 2 t. El nuevo Don Quijote 2 t. Anedotas Griegas 1 t. Claro que já chegávamos ao apogeu do século de romances franceses de gosto duvidoso e alguns títulos não coincidem com os entrados no Brasil. De qualquer forma, porém, é consolador verificar que os interditos hispanoamericanos abriam margem ao florescimento de perspectivas literárias significativas como os clássicos, os renascentistas, o fantasioso à Defoe, os científicos à Fourcroy etc., que legitimam a idade adulta de um leitor cada vez mais centrado em suas descobertas. Situação evidentemente ainda muito distanciada da que ocorreria na colonização brasileira. Também capítulo curioso sobre a distribuição do livro no Brasil é o das livrarias, de que rareiam informações mais detidas. Além daquela, na Bahia, de João Martins de Andrade, em 1722, a do mineiro Manoel Ribeiro dos Santos, 1770 e, resultado de pesquisa anotada em artigo de Nireu Oliveira Cavalcante 1, a do fluminense José de Souza Teixeira, por volta de 1 ACERVO, Arquivo Nacional, Rio de Janeiro, v. 8, nº 1/2, p. 183 et. seg. 12

13 1794. Briguiet avaliza a informação de que livrarias eram nulas em 1792, havendo uma única no Rio de Janeiro, tendo obras devocionais ou de teologia; afora este caso, um vendedor de livros da medicina portuguesa 2. Também Rizzini segue o compasso, referindo-se ao Almanaque de 1792 atribuído ao Tenente Artilheiro Antonio Duarte Nunes, que registra naquele ano a existência de 17 casas de pasto, 18 estancos de tabaco, 52 lojas de barbeiro, 216 tavernas e... 1 livraria 3. Este número cresceria para 2 em 1799, inclusive com o sistema de empréstimo/aluguel de livros. Com a chegada da família real, o volume comercial dessas livrarias irá crescer significativamente. De 2 em 1808, 5 em 1809, 7 em 1812, 12 em 1816, sendo principais as de Paul Martin e Manuel Jorge da Silva (1808), Francisco Luís Saturnino da Veiga, Manuel Mondillo e João Roberto Bourgeois (1809), Manoel Joaquim da Silva Porto e José Antonio da Silva (1812), Carlos Durand (1815), Fernando José Pinheiro, Jerônimo Gonçalves Guimarães, Francisco José Nicolau Mondillo, João Batista dos Santos (1816), Antonio Joaquim da Silva Garcez, João Lopes de Oliveira Guimarães e Manoel Monteiro Trindade Coelho (1816). Algumas dessas casas sofisticavam a oferta de seus produtos, como a de Paul Martin, que anunciava romances, folhetos políticos, edições da Impressão Régia em periódicos da época e os vendia na rua da Quitanda, John Luccock descreve a importação maciça de livros em 1808, MacCartney diz ter testemunhado a circulação de livros à venda nos campos da Religião e Medicina, a primeira não incluindo a Bíblia em vernáculo. Segundo Hallewel, o Velho e o Novo Testamento, do padre Antonio Pereira de Figueiredo, ficaram proibidos de vir para o Brasil proibição que alcançaria o ano de 1850, mas nossas investigações identificam a circulação franca dessas e outras obras de Antonio Pereira de Figueiredo, festejado oratoriano, de surpreendente prestígio junto ao público leitor do Brasil na segunda metade do século 18 e princípios do 19. Em sua Voyage autours du monde, La Barbinais assim representa o modelo de importação nos portos brasileiros, especialmente o do Rio de Janeiro que formava um dos portos de destino da frota anual que de Lisboa transportava, além de vinho, azeite, farinha, carnes salgadas etc., sedas de Gênova, linho e algodões da Holanda e Inglaterra, tecidos de oiro e prata de Paris e Lion. Até à época, era mais importante transportar escravos do que livros. O mesmo La Barbinais assistiria, no ano em que aportou à Bahia, à representação da peça espanhola La Moja Alférez 5. 2 Raul Briguiet, Instrução pública na Colônia e no Império, Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. II, nº 04, 1944, p RIZZINI, cit., p Sobre o assunto, consultar: HALLEWEL, Laurence. O livro no Brasil, e MORAES, Rubens Borba de. Livros e bibliotecas no Brasil Colonial. 5 Oliveira Lima. Aspectos da literatura colonial brasileira. Leipzig: F. A. Brockhauss, 1896, p

14 Com a vinda da comitiva real, duas ações do príncipe regente modificariam por completo o panorama cultural do Brasil: a Imprensa Régia (que estimulou a geração das tipografias comerciais nas províncias) e a Biblioteca Régia (com os 60 mil volumes oriundos da Biblioteca da Ajuda). A mentalidade leitora vai naturalmente prosperar, com o país sede do governo e os ares de aristocracia produzindo emulações de civilidade, o livro passando a representar um signo de classe. Com o progressivo abandono da Doutrina Monroe (do presidente James Monroe, norte-americano da Virgínia, que postulava o fechamento do hemisfério à colonização européia, vista como ameaça aos interesses da América, e o absenteísmo nas questões políticas da Europa), o Brasil avança no conhecimento de livros, ainda que de forma esgarçada pelos limites da concessão. Os impressos da Impressão Régia inicialmente eram documentos oficiais, entre 1808 e 1822 cerca de 1.173, mais cartazes, sermões, panfletos, volantes etc. Algumas das obras publicadas tinham fins pedagógicos, como o Tesouro dos meninos: Lições de filosofia contém por demais dogmas de Aristóteles e dos tempos sombrios para demonstrar que seu Autor não é nem instruído nem judicioso; outras instruíam na medicina como o Tratado das doenças dos negros; na economia e na jurisprudência, como as Leis comerciais do Brasil; outras ainda tinham um ar de ecletismo ambicioso como a História de ilusões extravagantes e influência sobrenatural. Apesar do esforço reinol de refrear as liberalidades dos colonos por meio da censura, o brasileiro leitor cumpriria seus ritos sociais, esquecidos da queixa expressa por Melo Morais Filho em A Independência do Brasil de que as artes e as ciências eram proibidas, como era proibida a entrada de livros que pudessem instruir os talentos brasileiros 6. Afinal, são publicações da Impressão Régia: Ensaio sobre a crítica, de Pope (1810), Marília de Dirceu, de T. A. Gonzaga (1810), Uraguai, de Basílio da Gama (1811), Obras poéticas, de Garção, e Obras, de Virgílio (1818), o que praticamente inaugura um ciclo de leitura estética consentida na perspectiva colonizadora. Até 1822 são publicações, com destaque ainda para a edição das idéias econômicas de Cairu, da historiografia de Southey, do cientificismo filosófico de Arruda Câmara, da lexicografia de Antonio Morais Silva etc. Para a história do livro e da leitura no Brasil Colônia, a Impressão Régia teve, sem dúvida, amplo significado, desde a Relação dos despachos públicos na Corte (Rio de Janeiro, 13 de maio de 1808, primeiro impresso da I.R.) até obras literárias como as já citadas e um fenômeno de popularidade de então, O Diabo Coxo, verdades sonhadas e novelas de outra vida traduzidas a esta, de Lesage, popularíssimo autor de outro best-seller colonial, o Gil Blas de Santillana. A partir do molde da I. R., outros empreendimentos lhe sucedem em conferível 6 Cit. por Sílvio Romero, História da literatura brasileira, II, p

15 grau de importância, desde a tipografia respeitosa de Silva Serva, na Bahia (1811) à contrafação dos pernambucanos em 1817 e do jornalismo crítico de Hipólito da Costa e seu Correio Braziliense, marcando o desenvolvimento da tipografia como elemento de propagação e difusão do livro e do jornal, vale dizer, da formação de um estilo e um gosto pela literatura. Os exemplos da formação desse gosto e estilo vão se sucedendo no Brasil, com episódios de conservadorismo ou renovação das mentalidades. Ao libelo do Correio Braziliense responde O Investigador Português, criado pelo Reino para a defesa de suas ações e que circulou entre 1811 e O Semanário Cívico de Cipriano Barata incendeia o mundo político com seu ardor revolucionário. Outra experiência jornalística, com disposição ideológica distinta e maior proximidade com o público popular, é o Diário do Rio de Janeiro, fundado em 1821 por Zeferino Vaz de Meireles (dono da segunda tipografia no Rio) e que teve a duração de seis meses, circulação diária, exceto aos domingos. O Diário.. trazia anúncios e notícias locais, era também chamado Diário do Vintém (por custar vinte réis) ou Diário da Manteiga (por veicular anúncios de gêneros, com seus preços e notícias populares). O humor mais ferino vai aparecer no anúncio de que ia sair do prelo um resumo da Arte de Furtar de Padre Vieira dedicado ao Targini, barão de São Lourenço, detestada e corrupta autoridade do Brasil Reino. Quando da elevação do barão a visconde, a ira popular foi despertada e o povo comum festejou e riu com a quadra: Quem furta pouco é ladrão/quem furta muito é barão/quem mais furta e esconde/passa de barão a visconde 7. Na Bahia, Silva Serva põe em circulação o jornal Idade D Ouro do Brasil e a nossa primeira revista literária Variedades ou ensaios de Literatura. Plancher imprime no Rio a vida administrativa e cultural da sociedade brasileira, com sua Constituição do Império (1824), Coleção de leis e decretos do Império e um curiosíssimo Dicionário das ruas do Rio de Janeiro. Aliada à imprensa, igualmente a educação se amplia com a criação das Escolas de Medicina na Bahia e no Rio, Direito em São Paulo e Olinda, a permanência das escolas conventuais e o Seminário de Órfãos de São Pedro, germe do Colégio Pedro II. Até se fortalecem as conquistas trabalhistas, com decretos como o de 27 de outubro de 1813, estendendo aos professores de primeiras letras o direito à aposentadoria. Com a expansão do ensino e do jornalismo, a conseqüente expansão de leitores. Nas epígrafes dos jornais outra confirmação das leituras brasileiras. Na Idade D Ouro do Brasil, que primava pela liberdade, constituição, patriotismo e religião, a sentença de Sá de Miranda: Fallai em tudo verdade/a quem em tudo as deveis. No corpo interno do jornal 7 In: CARVALHO, M. E. Gomes de. Os deputados brasileiros nas Cortes de Brasília: UNB, 1978, p

16 sonetos patrióticos de Fonseca, citações de Massillon, Vieira, Camões, Descartes, Bacon, Montesquieu, Boulangier, Voltaire, Rousseau. O exemplo do jornal baiano é representativo do perfilado por outros periódicos da época, comprovando-se a circularidade cultural e literária, ainda que indireta, que autores e obras provocavam no universo colonial. Na Biblioteca Régia, criada por decreto de 29 de outubro de 1810, cumpre-se a definitiva assunção da importância do livro. Dos particulares do príncipe regente às aquisições via compras ou doações, como a coleção Barbosa Machado e seus 5 mil volumes, o espólio de Fr. Veloso, os livros de Silva Alvarenga e do arquiteto José da Costa e Silva, a biblioteca do Conde da Barca, de José Bonifácio, Princesa Leopoldina, irmãos Andrada, Intendente Câmara, Cairu, Baltasar da Silva Lisboa, Januário da Cunha Barbosa e outros. São obras em todos os campos do conhecimento, enriquecendo-se o acervo com a Bíblia de Mogúncia e com títulos em História, Economia, Botânica, Mineralogia, Matemática, Literatura. O exemplo da Biblioteca Régia estimula as bibliotecas provinciais, como a da Bahia, criada pelo Conde dos Arcos em 1811 à base de doações particulares. Wied-Neuwied indicava 7 mil volumes na biblioteca pública baiana em Sucessivas riquezas bibliográficas se acrescentariam ao patrimônio brasileiro, como a do Colégio do Caraça, em Minas, com suas obras em Latim e Francês, livros de Geometria, Filosofia e Música, dentre outras tematizações. No universo específico de leituras oitocentistas irão predominar os assuntos políticos e legislativos, com a voga dos correios europeus, das gazetas inglesas contra jacobinos desde 1798, e do constitucionalismo pré-positivista cunhado por nomes como Jéremy Bentham, De Pradt e Benjamin Constant. A vizinhança de movimentos e novidades libertários, em conseqüência das crises sucessivas no interior dos governos imperiais, enseja continuidades no sentimento emancipacionista dos fins do século 18, espraiando-se no Brasil para insurreições como a Revolução Pernambucana de 1817 e a Confederação do Equador, de 1824, por exemplo. Alternam-se os títulos das obras freqüentes nas bibliotecas brasileiras, com anotações de livros em inglês e, até, alemão. Dominam as ciências naturais, como a Zoologia e a Mineralogia. Multiplicam-se os interesses por viagens, como a obra de Freycinet, Voyage autour du monde sur les corvettes L'Uraine... e por política institucional, como Portugal regenerado em 1820 (Lisboa, Tip. Lacerdina, 1820, 48 p.), folheto popular denunciando o caos e justificando a Revolução do Porto. O século 19 também marca a presença do pensamento alemão no Brasil, especialmente Kant, primeiro com Martim Francisco aplicando curso entre 1804 e 1810 e depois, na pós-independência, com Feijó e outros representantes do Primeiro Reinado. Com Kant, pode dizer-se, introduz-se no Brasil a imagem do pensamento liberal, da filosofia da Ilustração experimentalista. 16

17 Entretanto, os livros populares, oriundos do gosto setecentista, permanecerão, alguns alcançando a condição de verdadeiros paradigmas do comportamento leitor brasileiro na Colônia. Um desses fenômenos de popularidade no repertório das letras, aqui recebendo a indicação genérica de Noites de Young, é o poema do inglês Edward Young ( ), autor de notável influência na literatura universal, malgrado a pouca qualidade de sua produção. O título em inglês Night thoughts recebeu em Português a tradução A lamentação ou pensamentos noturnos sobre a vida, a morte e a imortalidade, em São pensamentos impregnados de uma intensa melancolia pré-romântica, onde os desgostos do poeta funcionam como índice das dores humanas a la Werther, condicionadas, no entanto, pela íntima configuração cristã e mística da obra. Popular na Inglaterra e sobretudo na França, Noites de Young impressiona pela atmosfera de rude golpe nos sonhos juvenis, o que contribuiu decisivamente para o êxito do livro nos fins do século 18, êxito alicerçado na visão sombria e nebulosa da literatura francesa, inglesa e alemã do Romantismo. Young é também autor de um poema sobre o Juízo final (1713), outro sobre a Resignação e as tragédias Busiris e A vingança, entre outras. O penumbrismo de suas Noites, entretanto, é o que lhe confere popularidade, pontificando o didatismo de suas sugestões místicas, o estilo sublime combinado com o moralismo clássico sobre a instabilidade corpórea e a imortalidade da alma, éticas cristãs do estoicismo bebido em Sêneca. Sobre Young e seu estilo, o juízo de Carpeaux não poupa a verve: Os contemporâneos consideravam esse estilo como miltoniano, porque viram Milton através dos óculos do classicismo de Pope; e Young era classicista. As suas tragédias são moldadas em Dryden e Corneille; as suas sátiras são imitadas de Pope (...) Realmente cristão em Young é o pessimismo do desiludido. Disso resulta o prazer em evocar imagens de noite, morte, túmulo, cemitério, putrefação eis os assuntos de Night thoughts e disso também são provenientes as súbitas explosões de anarquismo moral (...) Young exprimiu em forma clássica e em símbolos cristãos a melancolia angustiada, pré-revolucionária, da época. 8 Young influenciou Geller, Klopstock, os romances sentimentais de Miller, o próprio Göethe e as Noites clementinas (ed. 1775), obra de Aurelio Giorgi Bertola, muito freqüente nas estantes brasileiras. Sua influência igualmente se fez sentir em Portugal, através de sua tradutora Leonor de Almeida de Portugal Lorens e Lencastre, a marquesa de Alorna, afinada com a lira soturna ( Aquele outeiro sombrio/está de névoa coberto... ), de José Anastácio da Cunha, e até citações de Young aparecem n O Investigador Português. No Brasil, seus êmulos mais destacados serão o padre Antonio Pereira de Sousa Caldas ( ), cujo 8 CARPEAUX, O. M. História da literatura ocidental. 2.ed. Rio de Janeiro: Alhambra, 1978, IV, p

18 sacerdócio aproxima-se da mística younguiana, e o mais fiel, Domingos Borges de Barros, o Visconde da Pedra Branca, cuja poesia noturna, pré-romântica, se anuncia em Os túmulos. O leitor oitocentista O processo de mudanças sociais, políticas e administrativas que se observa no Brasil, particularmente até o advento do Império, se faz acompanhar, de forma progressiva, por um conjunto de mudanças nos hábitos do leitor, primeiro, em termos quantitativos, pelo aumento de livros e bibliotecas; segundo, em termos reiterativos, pela manutenção das tendências de leitura no século 18; e, terceiro, em termos valorativos, pela permanência consagradora de um universo sócio-cultural que aparenta pretender um estágio político autônomo ou independente. De fato, a observação mais óbvia que deriva de nossa investigação das livrarias oitocentistas, nas fontes subsidiárias e notadamente a partir da análise dos inventários de bens no Brasil, é que o país parece mudar, aumentam e massificam-se as bibliotecas, ocorre um crescimento horizontal de títulos e de assuntos, com a variação e circularidade de livros populares desde o século 18 e o acrescentamento de outros, novos e antigos, alguns até aparecendo pela primeira vez e antes ausentes das livrarias coloniais brasileiras. O que não muda é o perfil sociológico desse leitor, em geral um homem abastado ou de classe média, entre conservador e liberal, ainda preso ao limite da devoção religiosa e ao profissionalismo, seguramente curioso e interessado numa maior gama de interpretações do mundo à sua volta. O século 19 brasileiro começa, com efeito, pelo aguçamento, ainda proveniente do século anterior, de um período conturbado em Portugal, desde o fim do reinado de D. José I e da sombra impressiva de Pombal, passando pela declaração de demência da rainha D. Maria I, desaguando na ascensão do Príncipe Regente (depois rei D. João VI) e precipitando-se na invasão das tropas de Napoleão a Lisboa. O que antes parecia difícil, demorado ou impossível de acontecer, em termos de civilização, pôde afinal ser conhecido em pouco tempo no Brasil a partir da transferência da Corte, tangida pela fúria napoleônica para o Rio de Janeiro, em Alçado em 1816 à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves, o Brasil pôde afinal contar com melhoramentos sociais efetivos que se vão ampliando, desde 1808, da modernização da malha urbana ao caráter fundador de novidades, como, por exemplo, a criação de um Jardim Botânico, de uma Biblioteca, de uma Tipografia e, em especial, de uma abertura dos portos às nações amigas. Tudo isso, sem dúvida, vem acelerar um sentimento eufórico de expansão sócio-cultural, um gosto nascente pela natureza da nacionalidade e, o que nos vai interessar aqui, de uma mais ampla vontade de saber, de ler, de informar-se. Assim, com a criação e disseminação da arte tipográfica, jornais, livros, confrarias e debates 18

19 vieram a tornar-se elementos multiplicadores de uma característica excepcional: a passagem do Brasil à condição de país emergente num estágio incipiente de civilização. Parece fora de dúvida que o Brasil oitocentista passa a ser visto e considerado como um universo mental diferente a partir da mudança política e administrativa. Mas não será da acepção exclusiva da transferência da Corte esse processo de transformação. A sociedade também se organiza, a educação se amplia, começam enfim a ceder algumas das mais significativas barreiras colonialistas ao nosso papel de gestores de um desenvolvimento nacional associado a um processo civilizatório que compreenda maior integração com idéias e culturas correntes no continente europeu. Tanto será isso verdade que, no caso de nossa investigação documental, constata-se um aumento massivo de títulos e de autores que encontramos nas bibliotecas desde o Setecentismo a este período do século 19, alguns dos quais absolutamente noviços ou ausentes das livrarias, aí incluídos os proscritos, como Locke ou Pascal. O governador França e Horta, interessado na disseminação de atos festivos pela chegada do Príncipe Regente D. João ao Brasil, recomendava expressamente a alunos e professores de Filosofia, Retórica e Gramática, em 10 de março de 1808, que, na oportunidade dos festejos da mudança da família real para o Rio de Janeiro, nas tres noites de fogos dados pelo Corpo de Negócios, os estudantes de todas as classes darão hum Carro de Parnazo com Oitero em q' se repitão, e fação obras aluzivas a tão sublime assumpto. Ou seja, o governador impunha temas de composições poéticas aos alunos e instruía os professores da província de São Paulo para dirigirem seus pupilos na ocasião da chegada do príncipe, de sorte que as composições e as homenagens pudessem ser aplaudidas pela população e, óbvio, bem recebidas pelo monarca. Claro, o estímulo à produção teatral ou às composições em poesia sugerem o conhecimento que professores e alunos deveriam ter de autores e obras correntes no século, segundo o gosto da época. Este gosto, em geral, obedecia a determinações previstas em documentos oficiais, estabelecendo-se as disciplinas, matérias e autores que deveriam ser seguidos. O costume impositivo de leituras e de livros retoma o fôlego e se expande após a permanência do Príncipe Regente no Rio de Janeiro e, particularmente, após o advento da Impressão Régia. Isso é o que se pode deduzir da carta encaminhada pelo Secretário de Governo, em comunicado circular, a todas as Câmaras da capitania de São Paulo e aos escrivães, remetendo exemplares de leis e mais impressos a vender da Impressão Régia do Rio de Janeiro, por mandado de S.A.R. em 12 de setembro de O documento vem assinado por Manoel da Cunha de Azeredo Couto Souza Chichorro. 19

20 Não deixa de ser curioso o projeto governamental de estender livros e idéias de cunho prático a uma população ainda desprovida de grandes conquistas no plano técnico-prático, profissional ou literário. A propósito, é detalhe peculiar em nossas investigações não haver vultosas bibliotecas nos começos do século 19. As grandes livrarias vão se formando da segunda para a terceira década do Oitocentismo, em quantidade, variedade e importância de títulos, autores e assuntos. De qualquer forma, porém, demonstra-se oportuno o conhecimento das características de leitura estimulada pela ação direta do Reino, tanto em Lisboa quanto no Rio de janeiro. O século 19, assim, irá ganhando foros de interesse histórico, com a ampliação do ensino e com o desenvolvimento da tipografia entre nós. Data de 1809, por exemplo, a requisição de um professor de Filosofia para o seminário franciscano de Taubaté, São Paulo, circunstância, aliás, que assinala a continuidade do ensino dito avançado no Brasil Colônia. Tal ensino, antes considerado médio, veio sendo ministrado pelos franciscanos desde 1650 no convento de Santo Antonio no Rio de Janeiro, imprimido a todo o século 18 e 19, conforme salienta Basílio Rower, OFM, na obra Páginas da história franciscana no Brasil. Como os franciscanos, claro que os beneditinos e, sobretudo, os oratorianos e carmelitas, no século 19, também desenvolveram seus esforços em igual sentido. Alguma curiosidade reponta, entretanto, da natureza desses estudos, nem sempre contemplando a ordem e a versão oficial do ensino. Entre 1814 e 1818, segundo informa o mesmo Rower, sendo professor no convento dos franciscanos, em Itu, São Paulo, o Fr. Santa Justina, este teria denunciado a subversão de Diogo Antonio Feijó, que ministrava aulas, no mesmo convento, de uma filosofia pouco ortodoxa, pois nas suas preleções misturava erros dogmáticos de Anglicanismo, Kantismo, Jansenismo e outras heresias. Ainda quanto à instrução pública, que sempre traz consigo reflexos, diretos e indiretos, da circulação de livros ou das tendências de leitura, lembramos os projetos para instalação de uma disciplina de Anatomia e Cirurgia em Vila Bela, no Mato Grosso, planos que foram apresentados em 17 de outubro de 1808 e também os estudos militares e de Engenharia, desde meados do século 18, na mesma província mato-grossense, conforme Carlos Moura, op. cit. Ao estudar as características da educação pública em São Paulo e no Rio de Janeiro, observamos como é rigorosamente específico o universo de leituras decorrentes das orientações pedagógicas. Tanto no ensino prático, quanto no de Humanidades, o rigor censório era de molde a não permitir o desenvolvimento de processos educativos que não estivessem contemplados pela autoridade competente. Em outras palavras, não havia propriamente o desenvolvimento de um gosto, mas a obediência ao senso ideológico e às decisões superiores na ordem de leituras dirigidas. 20

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