Revista Design em Foco ISSN: Universidade do Estado da Bahia Brasil

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1 Revista Design em Foco ISSN: Universidade do Estado da Bahia Brasil Campos, Gisela O design gráfico online e offline da revista Trip Revista Design em Foco, vol. III, núm. 2, julio-diciembre, 2006, pp Universidade do Estado da Bahia Bahia, Brasil Disponível em: Como citar este artigo Número completo Mais artigos Home da revista no Redalyc Sistema de Informação Científica Rede de Revistas Científicas da América Latina, Caribe, Espanha e Portugal Projeto acadêmico sem fins lucrativos desenvolvido no âmbito da iniciativa Acesso Aberto

2 21 Sobre a autora Gisela Campos Doutora e mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Professora do Mestrado em Design, da graduação e pósgraduação em Design Digital da Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo. Pesquisa as inter-relações entre Design e Arte, com ênfase em design gráfico em mídias impressas e digitais.tem artigos publicados na coleção Faces do Design, Semiótica da Arte e na revista Estudos em Design. Faz parte do Centro de Pesquisa em Design da Universidade Anhembi Morumbi. Para citar este artigo (ABNT) / Brazilian referencing format for this article: CAMPOS, G. O design gráfico online e offline da revista Trip. In: Revista Design em Foco, v. III n.2, jul/dez Salvador: EDUNEB, 2006, p O design gráfico online e offline da revista Trip The online and offline graphic design of Trip magazine Resumo Este texto discute a relação entre o design gráfico da revista Trip, em sua versão impressa e em sua versão on line. A análise é feita sobre a linguagem visual dos respectivos projetos gráficos, identificando as possíveis contaminações de um meio a outro. Abstract This text discusses the relashionship between graphic design of the Trip Magazine, in this print s version and its on line version. The analyses is made under visual language of the both graphics projects indentifying the problabes contaminations between the mediums. Palavras-chave Design gráfico, web design, Revista Trip. Keywords Graphic design, web design, Trip Magazine. 1. Introdução Um meio se transforma com o advento de um outro e contaminações ocorrem de um a outro, disse Marshal Macluhan já nos anos Um exemplo, a linguagem pictórica modificou-se com a fotografia, e, esta, em seus primórdios, tomou como modelo a pintura de paisagens. No design gráfico, temos um exemplo claro nas modificações sofridas pelos jornais impressos com o advento da televisão, sobretudo a colorida, e depois com a internet. Nesse caso específico, temos observado, em grande parte dos jornais brasileiros, a diminuição progressiva do tamanho dos textos e a valorização crescente das imagens, seguindo a linha implantada pelo diário norte-americano USA Today a partir de A reformulação do jornal americano contou com um projeto de design eficiente que pudesse ajudar a sobrevivência do jornal impresso diante da concorrências dos novos meios: Este jornal estebeleceu um modelo editorial imediatamente seguido por seus pares, que se traduzia na diminuição do espaço de texto, veiculado em pequenos blocos pílulas distribuídos pela página em conjunto com grandes fotos e gráficos informativos (MORAES, 1996, p ).

3 22 No sentido inverso, um exemplo de contaminação de um meio novo por meios mais antigos pode ser dado pela televisão brasileira em suas primeiras décadas que teve como modelo o rádio, o teatro, o cinema e, até mesmo, as salas de aula. Já em 1971, Décio Pignatari alertava para a necessidade da televisão desenvolver sua linguagem através de seus códigos próprios ao referir-se à TV Cultura e em sua forma de transmitir o ensino através de uma aula de telecurso: Violentar um meio como a televisão, forçando-o a comportar-se como outros meios (livro, rádio, sala de aula, cinema, sala de concertos etc), a fim de que seja o menos televisão possível, é um erro básico de comunicação e uma cincada pedagógica ( ) a televisão é um veículo de veículos, é veículo-síntese.(..) o tempo, na televisão, é um tempo de alta concentração ( ) 10 minutos são demais para uma aula (PIGNATARI, 1971, p ). Um outro exemplo, e desta vez, da influência da televisão no design gráfico, é o logotipo da Rede Globo de Televisão projetado por Hans Donner em , que apresenta sugestão de volume, já prevendo e pensando nas possibilidades que a animação eletrônica em breve iria oferecer (HOMEM DE MELO, 2003, p. 37). O conceito tradicional de meio vem deixando de ser um parâmetro eficaz para qualificar ou definir uma obra de arte, e mesmo uma peça de design, desde os anos 1960, quando manifestações artísticas tais como instalações e performances, entre outros, passam a misturar diferentes técnicas e suportes para realização de obras. Com o advento das mídias digitais, estas tipologias passam a ser ainda mais obliteradas, graças à tendência a misturar e a fundir um meio ao outro, como, por exemplo, na hipermídia, que abriga vídeo, áudio, texto, entre outros. O conceito tradicional de meio enfatiza as propriedades físicas de um material e suas capacidades representacionais (isto é, a relação entre o signo e o referente). Como a estética tradicional de modo geral, esse conceito nos encoraja a pensar sobre as intenções do autor, o conteúdo e a forma de uma obra de arte e não no usuário (MANOVICH, 2001, p. 6). Essas colocações e exemplos introdutórios nos servem de apoio para pensar a internet e que tipo de linguagem ela estaria apta a desenvolver e como estaria de fato desenvolvendo nesse momento. A grande crítica que se faz à linguagem da internet é que ela ainda não encontrou seu rumo e que, a maioria dos sites de grande acesso do público, sobretudo os portais, seguem a linguagem de mídias impressas, principalmente dos jornais, revistas e livros. Como aponta Beiguelman (2005, p. 2),...tão paradigmática é ainda

4 23 a cultura impressa que não se conseguiu inventar um vocabulário próprio para as práticas de leitura e escrita on line. Analisando algumas revistas que têm sua versão on line podemos observar melhor como estão sendo operados esses trânsitos e contaminações entre essas duas mídias. A análise recai sobre a linguagem visual, que é ao lado da linguagem verbal, o elemento comum entre as duas mídias, e o que caracteriza o design gráfico, uma vez que podemos definir design gráfico como a atividade de planejamento e projeto que articula texto e imagem, enfatizando a linguagem visual. A configuração ou composição visual é tida normalmente como a cara do design, o cartão de visita, aquilo que faz com que o usuário se sinta estimulado a prosseguir num caminho, rumo ao desvendamento ou exploração de uma peça, seja ela impressa ou digital. Essas configurações ou composições constituem interfaces gráficas. 2. Interfaces, espaços e metáforas O conceito de interface, mais freqüentemente utilizado em produções digitais, pode também ser usado em mídias impressas e se refere ao ponto ou pontos de contato entre o usuário e o conteúdo que se deseja acessar, aquilo que faz com que o primeiro se sinta disposto a adentrar o mundo de dados contidos na peça. Elementos de uma interface gráfica são textos, imagens, cores, texturas, e a própria diagramação. Em um website, além desses elementos, temos janelas, ícones, menus e botões, lembrando que além da homepage temos as interfaces seqüenciais, que se desdobram internamente. São esses elementos que conduzem o usuário para um determinado conteúdo, seja em mídia impressa ou digital. Quando falamos de interface gráfica estamos falando de espaço ou ambiente. O espaço do produto impresso, no caso de uma revista, é um espaço bidimensional, raso, no qual todos os elementos são vistos por contigüidade, isto é, numa seqüência que, mesmo que não seja linear, está lado a lado. Já o espaço da Web é o espaço do hipertexto que possui características totalmente diferentes do espaço do papel. É um espaço profundo e neste sentido, tridimensional e até mesmo tetradimensional, uma vez que inclui o tempo e o movimento. Entretanto, essa tridimensionalidade não significa que o designer tem, necessariamente, de representar um elemento graficamente com volume em uma interface da Web. A profundidade, no caso, está no modo de navegar e nas linkagens possíveis entre conteúdos diversos. Essa idéia de espaço em profundidade está mais próxima do conceito de ciberespaço, colocado por Lúcia Leão: O ciberespaço é um mundo virtual formado por uma base de dados matemáticos que se apresentam aos nossos sentidos como espaços

5 24 interativos, hipermidiáticos, e interconectados. O ciberespaço é explorável e visualizável em tempo real (LEÃO, 2001, p. 2). O desafio, para o designer que tem um conjunto de dados, no caso, os de uma revista, é conceber e organizar esses dados de forma que eles não sejam meras ilhas de informação mas sim sistemas organizados (LEÃO,2001, p. 2). Para o usuário, a interface na tela do computador é o único espaço no momento em que este navega, e o que o coloca em contato com o mundo infinito gerado pela informática e suas máquinas. A interface gráfica é aquilo que nos dá acesso à informação que transita no ciberespaço, faz a ponte entre o que conhecemos e os mecanismos numéricos e cria a possibilidade de interferirmos neste universo. As interfaces possuem, portanto, uma carga simbólica que tem por função representar todo o nosso contato com o vasto mundo cibernético. Quando uma pessoa pensa neste universo, ou imagina a utilização de qualquer um destes aparatos digitais, inevitavelmente estará pensando a partir de uma interface gráfica. Um computador ( ) é um sistema simbólico sob todos os aspectos. Aqueles pulsos de eletricidade são símbolos que representam zeros e uns, que por sua vez representam simples conjuntos de instrução matemática, que por sua vez representam palavras ou imagens, planilhas e mensagens de . O enorme poder do computador digital contemporâneo depende dessa capacidade de autorepresentação. O mais das vezes, essa representação assume a forma de uma metáfora. ( ) Essas metáforas são o idioma essencial da interface gráfica contemporânea ( ) a interface torna o mundo prolífico e invisível dos zeros e uns perceptíveis para nós (JOHNSON, 2001, p ). O uso de metáforas visuais e textuais tem sido uma prática constante desde a popularização dos computadores pessoais na década de 1980, pela necessidade de aproximação e familiaridade entre o usuário e o ciberespaço. Os produtos disponibilizados na rede, tais como portais e revistas online têm usado as metáforas dos meios impressos. No caso de um website de uma revista impressa, além da aproximação entre usuário e ciberespaço, há a necessidade de estabelecer uma ponte entre este último e o espaço impresso. Giselle Beiguelman aponta para a questão de que as relações de contigüidade e de semelhança operadas por esses trânsitos off line e on line por meio de metáforas atrofiam a capacidade de pluralizar os sentidos, bloqueando as possibilidades que uma leitura no ciberespaço

6 25 é capaz de oferecer : uma leitura distribuida e um diagrama em aberto (BEIGUELMAN, 2005). Talvez a metáfora do site (sítio) para designar a situação de nãolocalidade que estrutura o cyberspace esteja na raíz desses mecanismos metafóricos, que não são inconvenientes por serem errôneos, mas por mascararem a situação inédita de uma espacialidade independente da noção de lugar (BEIGUELMAN, 2005, p. 2). A autora está colocando que as metáforas dos meios impressos, possibilitam um relacionamento com dados e informações de uma ordem totalmente distinta dos dados e informações das redes digitais e do ciberespaço. Porém, no caso analisado aqui, a ponte que deve ser estabelecida é entre o usuário, a revista impressa, a revista on line e o ciberespaço, o que, de certa forma, justifica, em parte, o uso de uma linguagem visual similar em ambos os produtos. 3. Revistas em foco Para analisar uma revista, on line ou off line, deve-se levar em conta o conteúdo, a qualidade do texto, a adequação da linguagem (verbal e visual) ao leitor e à identidade da revista; a qualidade ética e técnica; o estímulo à leitura; o equilíbrio e a harmonia entre texto, imagem e diagramação como um todo; o ritmo do espelho, na revista impressa, isto é, como suas partes são previstas e organizadas e, no caso de uma revista on line, como está organizado o hipertexto e navegação; a qualidade das imagens: fotografias e ilustrações bem como do texto (escolha de fonte); o conteúdo informativo das ilustrações e fotografias. 4. Revista impressa Olhando mais atentamente para os elementos visuais, observamos que, em uma capa de revista temos como elementos constituintes: o formato, o logotipo, as chamadas, as fotografias, as legendas e pequenos elementos como selos e códigos de barra. Nestes ítens, entram como elementos de design: a grade, como estrutura compositiva básica; a tipografia e suas variações de forma, estilo e tamanho; as cores; a diagramação ou distribuição desses elementos visando uma organização hierárquica, com elementos mais importantes que outros. A parte interna de uma revista é geralmente composta por sumário, editorial, anúncios e sessões diversas: cartas do leitor, notas com informações curtas, colunas assinadas ou não, matérias principais, matéria de capa, matérias secundárias, que podem utilizar e adaptar os mesmos elementos de design da capa. 5. Revista Trip (projeto original) A revista Trip tem seu projeto gráfico original realizado por David Carson que, antes de ser designer, foi, no final dos anos 1970, surfista e professor de sociologia. Carson cativou seu público como diretor de

7 26 arte das revistas Transworld skateboarding, Beach Culture e depois RayGun. Na Trip, Carson realizou um projeto ousado para os produtos similares da época. Trip é uma revista para o público jovem com seções de interesses múltiplos: cultura, esporte, lazer, comportamento, moda, com reportagens com personagens importantes pertencentes a esses universos e perfis com entrevistas e nús artísticos femininos. A revista tem a opção de escolher entre duas capas. A edição do mês de novembro de 2005 apresenta uma capa com o ator Selton Mello e outra com Lilian Taublid. A marca registrada de seu projeto inicial e o grande diferencial em relação a outras revistas consiste no modo como usa a tipografia, que, basicamente, é utilizada como se estivesse mostrando anúncios de classificados de jornal. As medidas das colunas ocupam todo o espaço disponível com margens muito estreitas entre elas; o entrelinhamento também é pequeno. Nos títulos, intertítulos e olhos, a revista explora diferenças de corpo da mesma fonte. Um recurso usado para não confundir uma coluna com outra é usar diferentes cores de fundo, de preferência um tom de bege amarelado para contrastar com o branco. Também o desalinhamento horizontal das alturas das linhas de textos é usado para não confundir as colunas e as respectivas leituras. Há o uso de textos e frases sobrepostas e de textos que cortam imagens, bem como textos usados na vertical ou mesmo encapsulados em grandes retângulos como se estivessem selecionados por processadores de textos do tipo Word. O uso de tipografias diferentes na mesma revista, dependendo do material, também é pródigo. Há páginas em que o uso da tipografia currier nos remete à máquina de escrever. Há páginas em que a direção vertical tornou-se totalmente horizontal ou diagonal, criando blocos de textos muito largos, desafiando também o padrão de medida de coluna aceito como bom. As imagens são colocadas bem delimitadas em retângulos que interrompem os blocos de texto, empurrando os mesmos para as laterais. Quando se folheia a revista pela primeira vez, há um certo choque pela falta de respiro, mas aos poucos vamos nos acostumando com essa nova estética e percebemos que ela encontra correspondência com o público jovem por seu formato diferente. O uso da tipografia na Trip desafiou as normas clássicas de legibilidade. É importante sublinhar que David Carson é um ícone da tendência pós-modernista em design gráfico que tomou forma no início dos anos A irreverência com que Carson e outros designers desafiaram as regras de legibilidade seguidas até então para o design gráfico possibilitou que aspectos desses padrões fossem rompidos. Lançando mão do excelente estudo realizado por Ana Cláudia Gruszynski (2000) a respeito da tipografia, podemos utilizar o conceito

8 27 elaborado pela autora de transparência tipográfica para garantir legibilidade e a isenção do designer na comunicação do conteúdo da peça gráfica. Alguns dos mandamentos consagrados para garantir legibilidade são: Escolher tipos clássicos testados e consagrados pelo tempo; não usar fontes diferentes ao mesmo tempo; não combinar fontes que tenham aparência similar; dar preferência para o uso de caixa-baixa e alta e não somente maiúsculas. No corpo do texto usar tamanhos entre 8 e 12. Evitar o uso de corpos e pesos diferentes ao mesmo tempo. Use largura de linhas apropriadas, nem muito curtas nem muito longas porque rompem o processo de leitura. Indicar claramente os parágrafos (GRUSZYNSKI, 2000, p ). Todos esses princípios elencados acima foram desrespeitados nas primeiras edições da Trip. Como salienta Gruszynski: Os princípios acima, se vistos como um conjunto de dogmas a serem seguidos em toda e qualquer situação, enfatizam apenas o design como um meio transparente. Os princípios articulam-se para alcançar a máxima legibilidade, que é nesse caso, elevada a critério de valor da boa composição de um texto (GRUSZYNSKI, 2000, p. 60). Entretanto, salienta a autora citando Gerald Unger: Há muitas formas diferentes de ler, ligadas a objetos de leitura bastante variados. (UNGER apud GRUSZYNSKI, 2000, p. 60). A afirmação de Unger enfatiza o fato de que as diferentes situações de comunicação (contexto) possibilitam também diversos modos de composição dos signos visuais. A sintaxe gerada pode ser adequada a um contexto e não a outro (GRUSZYNSKI, 2000, p. 61). E parece ter sido esse o caso de muitas peças do design pós-moderno. Os trabalhos de David Carson, incluindo a Trip, foram muito apreciados e tornaram-se referência para toda uma geração de novos designers, o que atesta que ele foi compreendido. 6. Trip de novembro de 2005 A edição analisada aqui, de novembro de 2005, está bastante comportada em relação às primeiras edições da Trip. Os textos estão, com poucas exceções, colocados em colunas com medidas iguais e alinhados. Há lembranças sutis do padrão original, como diferenças de medidas de colunas em algumas matérias e a utilização de textos grifados em outra cor e em corpo maior como se estivesse usando canetinhas hidrocor. De um modo geral, as diagramações estão mais ordenadas, no sentido tradicional do termo. As grades são respeitadas em sua ortogonalidade e este é um diferencial básico em relação às primeiras edições.

9 28 A revista mantém, entretanto, as linhas temáticas de matérias e reportagens e o espírito irreverente originais, que a tornaram uma revista diferenciada no mercado. O formato agora é tablóide, provavelmente em razão de custos. O projeto gráfico guarda ainda alguns resquícios herdados das primeiras edições, tais como diferentes layouts para cada matéria ou seção e uma grande variedade no uso de fontes tipográficas. Um grande diferencial em relação as outras revistas do mercado é o modo de identificação das páginas. Uma boa parte das páginas da Trip não é numerada, o que aproxima um pouco a revista do seu portal, uma vez que o leitor se perde um pouco a percorrê-la. 7. Partes da revista impressa sumário, as partes constituintes da revista impressa são: Páginas negras- entrevista com o ator Selton Mello, com projeto gráfico específico para a matéria de 12 páginas, bastante tradicional com duas colunas de texto, não justificados e alinhados a esquerda, fotos de diversos momentos da carreira do ator, colocadas na parte superior das páginas, no meio ou ocupando página inteira com moldura preta. A única lembrança aqui de uma Trip original é o uso da fonte currier em linhas finas e olhos. No site a matéria está quase na íntegra com textos em branco sobre fundo preto e as mesmas fotos com tamanhos e localizações diferentes. Colunas- são no total 5 com matérias com uma única página, sempre no lado esquerdo (página par) da revista, com ilustrações de Selper. As 4 primeiras estão logo no começo da revista e a última está bem no final. Salada- são matérias breves sobre temas diversos, como o nome sugere. Estão elencadas na revista de forma seqüencial, intercaladas por anúncios. Seguem o mesmo projeto gráfico. O diferencial fica por conta da indicação das páginas, inserida em um quadrado amarelo que fica localizado em partes distintas da página. ACP ou Academia de Cultura Pop op- Também dividida em várias partes localizadas no final da revista. A primeira parte é uma matéria com Caetano Veloso sobre sua experiência no Tim Festival no Rio de Janeiro, que tem projeto gráfico e diagramação, totalmente distintos das outras partes da revista. O que identifica as matérias pertencerem a essa coluna fixa é o triângulo preto com o logotipo academia de cultura pop colocado sempre no alto das páginas pares à esquerda. Na seqüência há uma matéria com o cantor Moacir Santos, que no site está como Salada.

10 Segue-se matéria intitulada Los Três amigos sobre os cineastas Sergio Machado, Marcelo Gomes e o co-roteirista Katim Aïnouz que no site entra como nota de Salada. Em seguida, há uma matéria sobre o quadrinista francês Fréderic Boilet, que trabalha no Japão fazendo HQ no estilo nouvelle manga uma nova linguagem de quadrinhos com cunho erótico. A seção Salada no site é bem mais completa que a da revista impressa e está dividida em notas com as denominações: vai lá; volume; peças; cinequanon; links; nomes adequados; drive-in; literatura; newscotina. Na revista impressa segue a matéria: Arte contra a parede, sobre o filme Infamy que retrata a vida de grafiteiros americanos. Especial- Há duas matérias especiais: a primeira sobre o preconceito, que está na íntegra no site, e a segunda sobre esportes para deficientes visuais, que também está no site, com excessão de uma breve artigo do Prof.Norval Baitello Junior. Repor eportagem tagem- Há duas: a primeira sobre rock gospel, na íntegra também no site. A segunda entitulada Ecomotion sobre esportes radicais, que também está na íntegra no site. Per erfil fil- Ensaio visual e perfil da atriz também deficiente física que está parcialmente no site. Gonzo- Traz uma matéria que é uma espécie de parábola do Rei Arthur, uma encenação teatral em forma de matéria de revista. Está quase na integra no site. Trip Girl- O ensaio de nú artístico que é destaque no site. Ensaio- Uma das partes mais bonitas da revista em projeto gráfico. Ensaios fotográficos de Dimitri Lee com panorâmicas de estádios de futebol vazios, seguidos de crônicas de 4 craques da literatura nacional. É no site que essas fotografias realizadas com uma câmera especial capaz de fotografar paisagens de 140 graus, ficam mais valorizadas, pois então, as vemos em movimento. Artigos tigos- Dois artigos acoplados à matéria sobre preconceitos. Um é o de Norval Baitello Junior, já comentado, e o outro, da Profa. Lilia Moritz Schwarcz, antropóloga que também se encontra no site. 8. Website em foco Para analisar um website devemos levar em conta, além da interface gráfica que vai possibilitar o acesso ao conteúdo, vários outros elementos tais como: a navegação e a interatividade dentro do próprio site ou entre o website e o usuário; a conectividade com outros websites da rede; a intertextualidade ou possibilidade de aprofundamento dos textos em camadas; os recursos de animação e de movimentação dos elementos, os recursos de vídeo e de áudio. Em relação à interface gráfica, em um website utilizamos alguns elementos comuns à mídia impressa, tais como o formato da home page ou das webpages; a grade, como estrutura compositiva básica; 29

11 30 os logotipos e símbolos que porventura existam, os textos, as chamadas, as fotografias, ilustrações e gráficos, as legendas e outros pequenos elementos. Nestes ítens entram como elementos de design, a tipografia e suas variações de forma, estilo e tamanho; as cores; a diagramação ou distribuição desses elementos. As páginas internas do website podem seguir a homepage ou apresentar estruturas compositivas diferentes, dependendo do website. Em um website de revista, de modo geral, as partes internas ou webpages não seguem um padrão, mas de modo geral devem ter um identidade com a homepage e com o website como um todo. O conteúdo das páginas internas varia conforme o website, sendo de modo geral, posicionado de modo diferente das revistas impressas por usar o recurso do hipertexto. A interface de uma homepage é a mais importante hierarquicamente falando, pois é a partir dela que todas as outras partes do website são acessadas e acionadas. 9. Website da revista Trip (acessado em 8 e 10/12/2005) O website da revista Trip, que pode ser considerado um portal devido a seu tamanho, está hospedado no Universo on line (Uol). Dessa forma, quando acessamos a homepage, podemos visualizar, na parte superior da página uma barra com o cabeçalho padrão do provedor. Logo abaixo, há uma faixa destinada a anunciantes diversos, inclusive, com várias chamadas para assinatura da revista que se alternam em animação e em movimento. Do lado direito há uma faixa colorida que muda de cor conforme a edição, destinada à publicidade, que está vazia. No dia 8/12/2005 esta faixa é bege escuro. Esta faixa começa mais estreita e se alarga à medida em que vamos seguindo a homepage para baixo. Ela é da mesma cor que as barrinhas laterais à esquerda, indicativas de seções. Desse modo, proporciona um conjunto harmonioso em termos de diagramação e configuração visual. O fundo da home é todo branco o que possibilita bastante clareza de visualização e leitura. O primeiro elemento que visualizamos é o sumário, que são links, localizado no canto esquerdo com textos com tipografia serifada em preto, e símbolos da mesma cor da faixa da direita bege escuro. Ao clicar uma vez sobre cada um deles aparece uma faixa horizontal dessa mesma cor e ao clicar duas vezes, é feita a remissão para uma outra página. No caso de clicar duas vezes em Nesta Edição, vamos a uma outra página com indicativos das seções e matérias da revista. Entrando nessa outra página, pode-se acessar as respectivas matérias na íntegra e seções disponibilizadas no site. Trip Girls - clicando neste item temos acesso às fotos das garotas (uma da revista impressa e outra exclusiva do site) dessa edição e também das 10 últimas edições. Colunistas- neste item somos enviados às colunas assinadas da

12 revista impressa. Assuntos diversos e, de certa forma polêmicos, são tratados em textos curtos. No final há a opção de imprimir e comentar. Quando há comentário, abre-se uma janela no alto à esquerda com o comentário do leitor e um box para preencher e tecer seus próprios comentários. À direita uma coluna com todos os colunistas para remeter de um a outro. A home desta seção é em fundo branco, com nomes destacados em azul claro e forte, e, cinza médio nos textos, com uma suave ilustração com essas mesmas cores. Há fotos de 6 colunistas com os respectivos resumos de seus textos, mas há, na verdade, 11 colunistas para serem lidos. Nas páginas com os textos em questão não há ilustração. O fundo é cinza médio, os textos em cinza um pouco mais escuro e detalhes em azul. Cinco desses textos estão na revista impressa em páginas inteiras do lado par com ilustrações de Sesper com muito grafismo e cores que não ficariam tão boas na Web. Nessa home, há um ilustração de Sesper em preto e branco. Salada- essa seção é diversificada como o nome sugere: há notas sobre exposições de arte, mostras de cinema e curiosidades. No website as matérias são mais variadas do que na revista impressa, por serem atualizadas com mais freqüência. As cores usados no website são verde claro neutro, cinza e branco. Na edição impressa, o quadrado amarelo marca cada duas notas por página que tem numeração, por exemplo: salada Edições anteriores nos remete a uma home de seção que mostra as últimas 10 capas, da 129 à 139. Clicando em cada uma delas temos acesso às matérias das respectivas edições. Trip rip FM neste item temos as entrevistas e matérias no rádio, com os horários e matérias de arquivos. Essa home é na cor laranja. Trip rip sem fio- conduz a uma propaganda de celular. Eco trip- leva a uma seção com várias notas sobre ecologia e viagens. Chat- clicando temos acesso a um arquivo com chats de edições anteriores. Seguindo pela home abaixo, sobrepostos em barras da mesma cor bege escuro horizontais bem no estilo gráfico bauhausiano, temos alguns indicativos de seções, a saber: Trip rip do mês - que não é link. Só no site que contém 4 chamadas na mesma tipografia do sumário que são links Em destaque- um concurso da grife Red Nose e outro da festa de 19 anos da revista Trip patrocinado pela pepsi twist. Trip na sua tela-alterna matérias da revista impressa, que, no website, estão praticamente iguais quanto ao texto e às fotos, com pequenas diferenças, tais como a de Danielle Freitas um dos ensaios de nú artístico da edição 139. No site a reportagem está quase na íntegra, mas as fotos da garota são diferentes. A matéria de Arthur Veríssimo está quase na íntegra, com uma adaptação na diagramação e no lay-out. Interativos- Forum; Downloads; SAC; Busca; Quem somos. 10. Revista impressa x revista online 31

13 32 O website da Trip é bastante completo podendo ser considerado um portal, uma vez que estabelece links com os websites de edições anteriores, e por conter vários sites menores inseridos num maior. Na realidade, ele tem um projeto gráfico próprio, independente da revista impressa, porém abriga as matérias principais seguindo as características gráficas das mesmas. O projeto gráfico se aproxima de uma linha modernista e funcionalista: segue uma grade ortogonal, utiliza tipografia com bastante legibilidade, usa combinações de cores muito discretas para não sobrepujar o conteúdo. Os padrões são seguidos nas páginas internas de cada seção apenas mudando de cor, em geral combinando com cinza ou branco. Se analisarmos com atenção percebemos que a Trip on line ganha alguns pontos em relação a Trip off line e vice-versa. A maior vantagem do site é poder armazenar um conteúdo muito maior que a revista impressa. É possível colocar tudo o que a edição impressa coloca e mais um pouco, com excessão dos anúncios. O hipertexto e o espaço em profundidade possibilitam uma profusão de textos e imagens, inimagináveis em uma única edição em papel. Também é possível interagir muito mais com os leitores e essa prática traz benefícios para a revista impressa. A maior desvantagem fica mesmo com matérias com muita exuberância gráfica, que no meio impresso ganham vida e no digital sofrem um redução devido ao pequeno tamanho da tela. 10. Referências BEIGUELMAN, Giselle. Admirável mundo cíbrido, 2005 in <http:// acessado em 01 de novembro de GRUSZINSKI, Ana Cláudia. Design gráfico: do invisível ao ilegível. Rio de Janeiro: 2AB, HOMEM DE MELO, Chico. Do plano ao volume. Revista ADG, São Paulo: n.28, 2003, p JOHNSON, Steven. Cultura da Interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar. Trad. Maria Luísa X.de A. Borges. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, LEÃO, Lúcia. O Labirinto e a arquitetura do ciberespaço. Revista ADG, São Paulo: n.22, 2001, p MANOVICH, Lev. Post-media Aesthetis, 2001 in <http:// acessado em 10 de dezembro de MORAES, Ary. O redesenho de jornais impressos e seus atores. Revista Estudos em Design, v.iv.n.1. Rio de Janeiro: ago.1996, p PIGNATARI, Décio. Contracomunicação. São Paulo: Perspectiva, 1971.

14 Revista TRIP, São Paulo: n.82, ano14. set Revista TRIP, São Paulo: n.139, ano 17. nov Revista TRIP in <http://revistatrip.uol.com.br/ > Acesso em 13.nov., 8 e 10 dez

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