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1 AVALIAÇÃO DE EMPRESAS VALUATION Ileane Raymundo Padovani Jéssica Ariádne Maziero - Lorena Barbosa Vieira Maria Cristiana de Medeiros Irso Tófoli Heloisa Helena Rovery da Silva - RESUMO O termo inglês Valuation - valor estimado ou valor justo é expresso na língua portuguesa como Avaliação de empresas. Este conceito vem se destacando no meio corporativo devido à grande importância que se tem dado ao conhecimento do valor das empresas, seja para aplicá-lo em casos de fusões, aquisições, acompanhamento do desempenho dos administradores ou até mesmo como ferramenta de gestão para tomada de decisões. Este artigo tem por objetivo abordar os métodos de Valuation e trazer conhecimento sobre um tema pouco explorado na Contabilidade, pelo fato de não abordar somente o que se mensura nos demonstrativos contábeis, pois além destes considera também como ponto importante as reações de mercado, sendo necessária aplicação de alguns conceitos financeiros. Com base para elaboração do estudo de caso foi aplicado o método de Fluxo de Caixa Descontado, por ser o mais utilizado entre os avaliadores e definido pelos autores pesquisados como o mais abrangente por contemplar todos os elementos que afetam o valor da empresa. Palavras-chave: Avaliação de empresas. Valor. Fluxo de Caixa Descontado. ABSTRACT The English term Valuation - estimated value or fair value is expressed in the English language as "Business Valuation". This concept has been highlighted in the corporate environment due to the great importance has been given to understanding the value of companies, is to apply it in cases of mergers, acquisitions, performance monitoring of managers or even as a management tool for decision-decisions. This article aims to consider methods of Valuation and bring awareness to a relatively unexplored subject in Accounting, for not only address what is measured in the financial statements, as well as a point of view the reactions of important market, and required application of some financial concepts. Basis for the preparation of the case study method was used Discounted Cash Flow, to be the most used among the evaluators surveyed and defined by the authors as the most comprehensive to contemplate all the elements that affect the value of the company. Keywords: Valuation of companies, Value, Discounted Cash Flow. - Revista Científica do Unisalesiano Lins SP, ano 2, n.4, jul/dez de

2 INTRODUÇÃO Em face ao crescimento da economia e toda sua capacidade informativa, muitos estudiosos vem se dedicando a desenvolver ferramentas que permitam avaliar uma organização. Esta nova tendência vem despertando grandes interesses, sobretudo de empresários e investidores. A Teoria das Finanças e também a Teoria da Contabilidade fornecem conceitos e técnicas de avaliação de empresas, no entanto são as transações ocorridas de fato em um mercado, influenciadas por vários fatores circunstanciais, que determinam verdadeiramente o preço de um ativo. As técnicas de Valuation expressam um fascinante desafio. Tem como objetivo dar valor a uma empresa de forma justa, de maneira a utilizar as informações fornecidas, para que as melhores decisões sejam tomadas. Existem vários modelos de avaliação de empresas. Os mais conhecidos são a Avaliação Patrimonial, Avaliação Patrimonial de Mercado, Avaliação com base no Lucro Econômico, Avaliação com base nos Fluxo de Caixa Descontado, Avaliação por Opções Reais e Avaliação Relativa ou por Múltiplos conforme Costa, Costa e Alvim (2010). Um dos modelos mais utilizado é o Fluxo de Caixa Descontado. Segundo Costa, Costa e Alvim (2010), esse modelo se sobressai dos outros por levar em conta os fluxos de caixa futuros e por apresentar mecanismos indispensáveis para conclusão do resultado como a tempestividade que representa a capacidade, o tempo em que são gerados os fluxos e sua relação com o valor da empresa, a magnitude que faz referência a proporção do fluxo e a relação com o valor da empresa e o risco, que quanto maior, resultará em taxa de desconto maior e consequentemente o valor da empresa será menor. O processo de avaliação de empresas é recente e pouco se discute sobre o assunto, principalmente no que diz respeito às técnicas de Valuation. No entanto, os resultados obtidos deste processo são incontestáveis para tomadas de decisões. Seus resultados podem ser usufruídos por empresários, investidores, credores, acionistas e por qualquer um que demonstre interesse nos resultados da empresa. Por essa novidade decidiu-se desenvolver esse trabalho com o objetivo de - Revista Científica do Unisalesiano Lins SP, ano 2, n.4, jul/dez de

3 conhecer as técnicas de valoração de empresas e os procedimentos para avaliação e análise dos resultados. Os métodos de pesquisa utilizados foram o Método de observação sistemática, o Método histórico e o Método de estudo de caso. 1 CONCEITOS E MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS O processo de avaliação de empresas vem se destacando no meio corporativo devido à necessidade de conhecer adequadamente o valor de um empreendimento. Segundo Copeland, Koller e Murrin (2002), o valor de uma empresa deve ser compreendido claramente por seus CEOs (Chief Executive Officers) e administradores de forma que suas habilidades sejam fundamentais na tomada de decisão. Além disso, essa informação é indispensável para acionistas e investidores que tenham interesses no desempenho de uma organização. Para Falcini (1995), o valor da empresa serve como balizador para a negociação entre compradores e vendedores. Conforme Costa, Costa e Alvim (2010), existem diferentes metodologias para mensurar o valor de uma empresa, porém, nenhuma representa o seu valor exato, pois, apesar de técnicas avançadas, os estudos são realizados com base em premissas e hipóteses comportamentais resultando em um valor aproximado. Entretanto, segundo Perez e Famá (2003), existem métodos de avaliação mais consistentes que se revelam tecnicamente mais adequados em respeito às circunstâncias de avaliação e à qualidade das informações disponíveis. Para Costa, Costa e Alvim (2010) é importante ressaltar que cada processo avaliativo possui características próprias e que a qualidade de uma avaliação é diretamente proporcional à qualidade dos dados, das informações e do tempo destinado à compreensão do objeto avaliado. 2 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS Segundo Cornell (1993), existem quatro métodos de avaliação de empresas muito usados na prática: o método do valor contábil ajustado, o método de valor de mercado das dívidas e das ações, o método de comparação direta e o método de fluxo de caixa descontado. Neste artigo será abordado o Método do Fluxo de Caixa Descontado, que - Revista Científica do Unisalesiano Lins SP, ano 2, n.4, jul/dez de

4 projeta os fluxos de caixa futuros e os desconta a valor presente. 3 MÉTODO DO FLUXO DE CAIXA DESCONTADO O fluxo de caixa descontado é um método para avaliar a riqueza econômica de uma empresa dimensionada pelos benefícios de caixa a serem agregados no futuro e descontados por uma taxa de atratividade que reflete o custo de oportunidade dos provedores de capital. O fluxo de caixa descontado (FCD) é a principal metodologia utilizada para se avaliar empresas. A abordagem do FCD é amplamente utilizada por bancos de investimentos, consultorias e empresários quando querem calcular o valor de uma empresa, seja para fins internos, de análise de investimentos ou para fusões e aquisições. Ao avaliar uma empresa, objetivamos alcançar o valor justo de mercado, ou seja, aquele que representa de modo equilibrado, a potencialidade econômica de determinada companhia. Entretanto, o preço do negócio somente será definido com base na interação entre as expectativas dos compradores e vendedores. Não existe um valor correto para um negócio. Pelo contrário, ele é determinado para um propósito específico, considerando as perspectivas dos interessados. (MARTINS, 2001, p.263). Considerando que as empresas não possuem prazo de vida determinado, dado o princípio da continuidade, o cálculo de seu valor é baseado na estimativa de fluxos infinitos. Segundo Damodaram (1997), essa metodologia é a mais fácil de ser utilizada em empresas que apresentam fluxos de caixa positivos, os quais possam ser estimados de maneira confiável para períodos futuros, onde exista um substituto para risco que possa ser utilizado para a obtenção de taxas de desconto. A técnica de avaliação por fluxo de caixa descontado captura todos os elementos que afetam o valor da empresa de maneira abrangente e, sendo uma técnica de natureza econômica, reflete de forma mais consistente o valor da empresa do que o valor obtido a partir de técnicas contábeis, as quais baseiam-se no lucro e não consideram o investimento exigido para gerar os lucros nem o momento em que eles ocorrem. 4 INDICADORES CONTEMPLADOS NO FLUXO DE CAIXA DESCONTADO - Revista Científica do Unisalesiano Lins SP, ano 2, n.4, jul/dez de

5 Conforme Assaf Neto (2005), os indicadores contemplados no fluxo de caixa descontado (FCD) são: a) Capital Asset Pricing Model (CAPM): modelo de finanças que determina o preço de um Ativo utilizando a relação risco x retorno. Trata-se de um modelo de apreçamento de ativos de capital. Determina o custo do capital próprio. Fórmula: CAPM = Kj = Rf + [βj x (Km Rf)] Onde:Rf = taxa livre de risco do ativo J β = Coeficiente Beta do ativo J Km = retorno do mercado O Coeficiente Beta (β) é o coeficiente de risco da ação de uma empresa com relação a um índice de mercado que represente de maneira adequada o mercado acionário como um todo. b) Taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia): índice balizador das taxas de juros cobradas pelo mercado brasileiro. c) Taxa de desconto: Rentabilidade do Patrimônio Líquido do segmento. d) Valor Presente: corresponde ao valor futuro descontado a determinada taxa de juros. Fórmula: VP= [FC 1 / (1+k) 1 ]+[FC 2 / (1+k) 2 ] +[FC 3 / (1+k) 3 ] [FC n / (1+k) n ] e) Free Cash Flow: Fluxo de Caixa Livre, com a fórmula: Vp + VpValor Residual f) Prêmio de Risco de Mercado: Valor pago por um investimento acima de uma taxa livre de risco. Diferença entre a taxa de juros com riscos e outra livre de riscos. 5 ESTUDO DE CASO Para a projeção de valores futuros é necessário considerar dados do mercado e da empresa que darão diretrizes para o processo de avaliação. Todas as informações encontradas fazem parte da resposta do ambiente a que a empresa está inserida e seu mercado de atuação. O presente estudo de caso foi realizado em uma empresa do ramo frigorífico, com capital aberto e ações negociadas na bolsa. - Revista Científica do Unisalesiano Lins SP, ano 2, n.4, jul/dez de

6 Para projeção dos valores é necessário considerar as reações da economia, chamadas premissas, que segundo Assaf Neto (2005), podem influenciar direto ou indiretamente no resultado da empresa. São hipóteses, condições e fatores que para propósitos de planejamento são consideradas certas, reais e seguras. As premissas contempladas para este estudo foram: a) crise imobiliária americana b) inflação c) embargos à carne brasileira d) crise das commodities e) investimentos no mercado chinês f) instabilidade na taxa de câmbio g) avanço do índice IGP-M 6 FLUXO DE CAIXA DESCONTADO PROJETADO Segundo Assaf Neto (2005), para empresas deste porte, sugere-se uma projeção de 15 anos, porém, para efeito acadêmico adotou-se a projeção para 10 anos Quadro 2, haja vista que se pretende apresentar o modelo de avaliação pelo FCD e não necessariamente o valor efetivo da empresa. As projeções previstas assentam-se em: Vendas Líquidas, CMV, Despesas Operacionais, Outras Despesas Variáveis, Despesas Fixas, Depreciação, EBIT, NOPAT, Variação NCG, Capex, Cash Flow, Valor Residual e Free Cash Flow. Ainda no Quadro 2, são contemplados alguns indicadores que Assaf Neto (2005) assim resume: a) Taxa de Desconto Livre de Risco ou Risk Free Return) rendimento pago por um investimento considerado sem risco, exemplo, os títulos públicos. b) Coeficiente Beta medida do risco sistemático (não diversificável), utilizado para se calcular o custo do capital próprio. Constitui-se no elemento de maior dificuldade de ser apurado, pois para sua identificação, busca-se no mercado uma amostra de empresas do mesmo setor e com características, tanto operacionais, como financeiras semelhantes à da empresa avaliada. c) Taxa de Retorno de Mercado rentabilidade oferecida pelo mercado em - Revista Científica do Unisalesiano Lins SP, ano 2, n.4, jul/dez de

7 sua totalidade e representada pela carteira de mercado d) Prêmio pelo Risco de Mercado diferença entre o retorno entre a carteira de mercado e a taxa de juros livre de risco, indicando o quanto o mercado para em excesso à remuneração de títulos considerados sem risco. 7 PROCEDIMENTOS PARA AS PROJEÇÕES DO FLUXO DE CAIXA DESCONTADO Os números apresentados no FCDE (Quadros 2 e 3) foram calculados em conformidade com as perspectivas descritas nos tópicos abaixo. 7.1 Receitas líquidas Em 2011, foram consideradas as informações contábeis do primeiro semestre de 2011 publicadas pela empresa e, por ter apresentado prejuízo no período em função de alterações no seu mercado, projetou-se o segundo semestre correspondente a 70% do primeiro. Além disso, atentou-se para o cenário econômico vivenciado pelas economias européias de retenção de consumo. Em 2012, foi projetado um crescimento de 10% em relação ao exercício anterior, prevendo uma recuperação de mercado da empresa, em conformidade com as premissas levantadas. Em 2013, foi projetado um crescimento de 12%, considerando a maior participação no comércio exterior, mormente a China que prevê elevação no consumo de carne bovina. De 2014 a 2020 projetado crescimento vegetativo na ordem de 5%aa. 7.2 Custo da mercadoria vendida Em 2011 foi respeitada a mesma proporção em relação ao faturamento líquido praticada no primeiro semestre do ano, que superou os exercícios anteriores. Em 2012 e 2013 projetou-se uma recuperação da participação do CMV nas Receitas na ordem de 2 pontos percentuais. De 2014 a 2020 retorno à media praticada em períodos anteriores, ou seja a de 85% do valor das receitas. - Revista Científica do Unisalesiano Lins SP, ano 2, n.4, jul/dez de

8 7.3 Despesas operacionais De 2011 a 2013 foi projetado um crescimento de 20% para ambos os anos, considerando as acomodações naturais advindas das prováveis vendas da empresa. De 2014 a 2020 crescimento vegetativo de 5% ao ano. 7.4 Net operating after taxes NOPAT Calculou-se o lucro operacional da empresa, líquido do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Esta prática considera os resultados da empresa estritamente em suas atividades operacionais, sem considerar a incidência de encargos financeiros oriundos da captação de capital exógeno. 7.5 Depreciação Nesta rubrica considerou-se o valor da Depreciação, extraída de cálculo do EBITDA, constante de relatórios da empresa, no ano de Nos demonstrativos contábeis da empresa e/ou daqueles publicados na Bolsa de Valores de São Paulo não há identificação dos valores contábeis correspondentes à Depreciação. Assim, projetou-se sua participação nos estudos, considerando sua repetição em 2011 e reduções sistemáticas nos exercícios seguintes. Esta prática se justifica em virtude de não ser contemplada na análise a expansão da estrutura da empresa (CAPEX). Os valores da depreciação são adicionados ao lucro operacional, em virtude de não corresponderem a saídas efetivas de caixa e sim a uma perda apenas econômica e não financeira. 7.6 Earning before interests, taxes, depreciation and amortization - EBTIDA Trata-se do resultado operacional da empresa, antes dos impostos, taxas, depreciação e amortização, que representa a sua geração operacional de caixa, ou seja, o quanto ela gera de recursos apenas das suas atividades operacionais, sem levar em consideração os efeitos financeiros e de impostos. Equivale ao fluxo operacional de caixa identificando a capacidade financeira que a empresa tem para remunerar os credores acionistas com os dividendos, os terceiros, com juros e principal e o Imposto de Renda. - Revista Científica do Unisalesiano Lins SP, ano 2, n.4, jul/dez de

9 7.7 Variação da necessidade de capital de giro A necessidade de capital de giro, conforme Assaf Neto (2005, p. 481), reflete o volume de recursos demandado pelo ciclo operacional da empresa, determinado em função de suas políticas de compra, vendas e estocagem. Resulta da diferença entre o Ativo Circulante Operacional e o Passivo Circulante Operacional. Os números encontrados nos demonstrativos contábeis indicaram uma necessidade de capital de giro, em 2010, na ordem de R$ ,00, valor que foi repetido durante todo o ciclo projetado, em virtude de não se prever alterações no ciclo operacional da empresa. 7.8 Capital expenditures CAPEX Referem-se aos investimentos incrementais, como máquinas, equipamentos, edificações, logística, novos projetos de investimentos. Para esta análise, não se projetou a expansão. 7.9 Valor residual A empresa existirá após o período projetado, gerando caixa e realizando normalmente suas atividades operacionais, proporcionando assim o crescimento de seus fluxos de caixa. Adotou-se o modelo proposto por Assaf Neto (2005), onde o valor residual é determinado pelo fluxo de caixa projetado para o período contínuo, que se expressa pela média aritmética simples dos resultados econômicos estimados para os três anos precedentes Capital asset pricing model - CAPM O modelo de precificação de ativos (CAPM) permite apurar a taxa de retorno requerida pelos investidores. Esta ferramenta contempla alguns valores como a taxa de juros livre de risco (Rf), que geralmente são utilizadas as taxas médias de juros dos títulos públicos de longo prazo emitidos pelo governo americano; o coeficiente Beta (β) entendido como a medida de risco sistemático da empresa em avaliação risco que não se elimina com a diversificação - e é encontrado no mercado de - Revista Científica do Unisalesiano Lins SP, ano 2, n.4, jul/dez de

10 referência com amostra de empresas do mesmo setor e com características operacionais e financeiras semelhantes às da companhia em avaliação; e o retorno da carteira de mercado (Rm) calculado de acordo com a média das taxas de rentabilidade do mercado de ações publicadas em certo intervalo de tempo. (ASSAF NETO, 2005). Ainda conforme Assaf Neto (2005, p. 257), a carteira de mercado do Brasil pode ser representada pela carteira Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) e, referindo-se ao coeficiente Beta, Assaf Neto (2005, p. 374) assim se manifesta: o coeficiente Beta usado no modelo de CAPM do Brasil será sugestivamente obtido por benchmarking. A prática aplicada neste trabalho foi a de benchmarking. Foi analisado o desempenho das ações da empresa, de 03/01 a 23/09/2011, apontando suas variações no interregno, assim como o desempenho das ações que compõem a Bovespa, no mesmo período. O mesmo processo foi repetido para o ano de 2010, para ambos os desempenhos. Sobre os resultados obtidos foram calculadas as médias correspondentes, suas correlações e covariâncias, encontrando-se assim o seu Beta contemplado nos cálculos de identificação do custo do capital próprio da empresa. Para determinação da taxa de retorno livre de risco (Rf), utilizou-se a taxa Selic, de setembro de 2011, e para o prêmio de risco de mercado, levou-se em consideração a média brasileira de 8% excedente à Rf, conforme Capitalaberto (2011) Weighted average cost of capital WACC Trata-se do custo médio ponderado de capital onde são encontradas as fontes de financiamentos da empresa, ponderadas pelas suas participações no investimento total realizado no período. Na fórmula foram contemplados o valor do capital próprio encontrado no CAPM e o custo do capital de terceiros livre do imposto de renda, obtido pela divisão entre os encargos financeiros e os passivos onerosos, menos os valores correspondentes ao cálculo da alíquota do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro. Para elaboração do custo de capital da empresa, utilizou-se a fórmula do WACC, onde são contempladas proporcionalmente as participações dos capitais - Revista Científica do Unisalesiano Lins SP, ano 2, n.4, jul/dez de

11 envolvidos no investimento total, quais sejam o patrimônio líquido e os passivos onerosos, assim como os seus respectivos custos. Para o custo do capital próprio, utilizou-se a técnica do CAPM, encontrando um valor na ordem de 17,6%, com a seguinte composição: Rf de 12%, do Beta de 0,7, Rm de 20% e consequente prêmio pelo risco de mercado de 8%. O custo do passivo oneroso respeitou a relação entre o valor dos encargos financeiros implicados, livres do imposto de renda, e o valor do endividamento da empresa, conforme Quadro 1 a seguir. Fonte: elaborado pelos autores, 2011 Quadro 1 Cálculo do WACC da empresa Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Quadro 2 - Fluxo de Caixa Descontado da Empresa Projetado a 2013 O Quadro 2 apresenta as projeções dos exercícios contábeis de 2011 a 2013, - Revista Científica do Unisalesiano Lins SP, ano 2, n.4, jul/dez de

12 tomando por base os resultados de 2009 e 2010 e as premissas de mercado contempladas trazidos a valor presente de caixa. Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Quadro 3 - Fluxo de Caixa Descontado da Empresa Projetado 2014 a 2020 O Quadro 3 apresenta as projeções dos exercícios contábeis de 2014 a 2020, aplicando crescimento vegetativo de 5% trazidos a valor presente de caixa, incluindo o valor residual, apurando-se o valor da empresa em R$ ,00. Considera-se fundamental reforçar que o valor apurado sustentou-se na avaliação dos momentos passados da empresa, das premissas de mercado, do cenário nacional e internacional. 8 ANÁLISE DE SENSIBILIDADE A 2 PONTOS PERCENTUAIS Conforme Tófoli (2008, p. 130), a análise de sensibilidade é a simulação feita com as variáveis que mais diretamente interferem nos resultados da empresa e, neste caso, utilizou-se a variação do custo de capital da empresa estagiada, oscilando em dois pontos percentuais do custo utilizado para obtenção do custo de capital da empresa, fundamental para o cálculo dos valores presentes das gerações - Revista Científica do Unisalesiano Lins SP, ano 2, n.4, jul/dez de

13 de caixa, no período projetado. O Custo de Capital encontrado como resultante da aplicação das fórmulas do CAPM e WACC foi de 14,36% e, para verificação do valor da empresa em patamares diferente, calculou-se o menor valor esperado na relação de 12,36%, encontrando a cifra de R$ ,00 e o maior valor esperado na relação de 16.36%, com o importe de R$ ,00. Em síntese, o valor da empresa calculado através do método do Fluxo de Caixa Descontado encontra-se entre os valores de R$ ,00 e R$ ,00. Fonte: elaborado pelas autoras Quadro 3 - Análise de sensibilidade a 2 pontos percentuais CONCLUSÃO Durante o estudo, privilegiou-se o método de avaliação de empresas conhecido como Método do Fluxo de Caixa Descontado, por ser o processo mais indicado pela maioria dos autores e pesquisadores, não obstante a farta gama de métodos existentes e disponíveis. Foram levantados os dados contábeis disponíveis, as informações correlatas necessárias, pesquisou-se as premissas no mercado e elaborou-se as planilhas que sintetizam os números calculados e projetados. Não obstante tratar-se de um trabalho de pesquisa voltado ao modus - Revista Científica do Unisalesiano Lins SP, ano 2, n.4, jul/dez de

14 operandi do método de valoração, isto é sua forma de elaboração, e não efetivamente o valor justo da empresa estagiada, buscou-se projetar os dados futuros sustentados em premissas reais, existentes e pesquisáveis, para os primeiros exercícios e estabelecendo uma evolução vegetativa de 5% ao ano. A experiência foi produtiva, pois exigiu do grupo uma pesquisa aprofundada e prolongada, extraindo novos conhecimentos, novos conceitos provocando o interesse da continuidade de evoluir nas pesquisas neste assunto e outros pertinentes à contabilidade. REFERÊNCIAS ASSAF NETO, A.. Finanças Corporativas e Valor. 2 ed. São Paulo: Atlas, CAPITALABERTO, Captações. Revista Capitalaberto Disponível em <http://www.capitalaberto.com.br/secao.php?pag=2&sec=120&i=120> acesso em 25 nov COPELAND, T.; KOLLER, T; MURRIN, J. Avaliação de Empresas Valuation: Calculando e gerenciando o valor das empresas. Tradução Allan Vidigal Hastings. 3. ed. São Paulo: Makron Books, CORNELL, B. Corporate Valuation: Tools for Effective Appraisal and Decision Making. Homewood: Business One Irwin, COSTA, L. G. T. A; COSTA L. R. T. A; ALVIM, M. A, Valuation: manual de avaliação e reestruturação econômica de empresas. São Paulo: Atlas DAMODARAN, A. Avaliação de investimentos: ferramentas e técnicas para determinação do valor de qualquer ativo. Rio de Janeiro: Qualitymark FALCINI, P. Avaliação econômica de empresas: técnica e prática. São Paulo: Atlas, MARTINS, E. Avaliação de Empresas: da mensuração contábil à econômica. São Paulo: Atlas, PEREZ, M. M.; FAMÁ, R. Métodos de Avaliação de Empresas e a Avaliação Judicial de Sociedades: uma Análise Crítica. VI SEMEAD FEA-USP, São Paulo, TOFOLI, I. Administração financeira empresarial, uma tratativa prática. 1 ed. Campinas: Arte Brasil, Revista Científica do Unisalesiano Lins SP, ano 2, n.4, jul/dez de

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