CONSTITUIÇÃO DE UM CATÁLOGO FOTOGRÁFICO DIGITAL COMO FERRAMENTA DE PESQUISA EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

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1 CONSTITUIÇÃO DE UM CATÁLOGO FOTOGRÁFICO DIGITAL COMO FERRAMENTA DE PESQUISA EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO Andreína de Melo Louveira 1 Maria Eduarda Ferro 2 Palavras-chave: Instrumento de Pesquisa; Catálogo; Fotografia; Criança; Infância. A imagem não fala por si só: é necessário que as perguntas sejam feitas. Ana Maria Mauad, 2005, p Um banco de dados não é um mero ajuntamento de documentos, uma reunião de informações. Há um prévio ajuizamento, uma lógica em sua composição, nas possibilidades de procura de informações, uma certa ação sobre os documentos (...) As operações de concepção e construção de um banco de dados decorrem e, de alguma forma deixam ver, o quadro teórico e as questões de investigação do pesquisador. Flávia Obino Corrêa Werle, 2000, p. 60. Introdução Este artigo apresenta o itinerário, os desafios e as reflexões provenientes do processo de produção de um instrumento de pesquisa nominado Catálogo Fotográfico Digital: Crianças e Infâncias do sul de Mato Grosso ( ). Na terminologia arquivística catálogo é um instrumento de pesquisa organizado segundo critérios temáticos, cronológicos, geográficos, entre outros, reunindo a descrição individualizada de documentos pertencentes a um ou mais fundos, de forma sumária ou analítica. Os fundos são constituídos por um conjunto de documentos de uma mesma proveniência (ARQUIVO NACIONAL, 2005, p.45). A ideia de desenvolver esse instrumento de pesquisa surgiu de necessidades identificadas no processo de classificação, análise e preservação da documentação fotográfica oriunda de investigações realizadas em nível de iniciação científica por integrantes do grupo 1 Aluna do curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS/Dourados). 2 Professora orientadora e docente do curso de Pedagogia da UEMS/Dourados.

2 2 de pesquisa História e Memória (UEMS/CNPq) i. Tais pesquisas resultaram na localização, digitalização e classificação de 176 fotografias de acervos públicos e privados da cidade de Dourados (MS). Os acervos públicos consultados foram o Museu Histórico e Cultural de Dourados e o Centro de Documentação Regional da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Os acervos privados pertencem a famílias que, a convite das pesquisadoras, aceitaram abrir seus álbuns de família para colaborar com a pesquisa. Convêm registrar que essas investigações foram delineadas a partir de estudos vinculados ao projeto Imagens de Crianças e Infâncias no sul de Mato Grosso: final do século XIX até meados do século XX ii, precedido pelo projeto interinstitucional Imagens de Crianças e Infâncias iii. Nas pesquisas de iniciação científica tivemos a oportunidade de proceder a análises do material coletado que resultaram na produção de trabalhos publicados em eventos científicos iv. Percebíamos, contudo, que estávamos de posse de uma massa documental acumulada, termo empregado na arquivística para documentos que, pela ausência ou precária organização, têm sua consulta comprometida. Intencionávamos fazer a triangulação de informações que, dispersas em fichas de papel, demandavam um moroso trabalho. Constatamos a urgência em produzir um sistema que permitisse o arquivamento organizado e a recuperação ágil e precisa das fotografias por meio de buscas por critérios distintos como cronológico, geográfico, temáticos, por procedência (fundos/coleções) e por palavras-chave. Este era nosso grande desafio: como organizar as fotografias de modo a facilitar o uso do acervo? Também éramos movidas pelo objetivo de encontrar meios de socialização do acervo com professores e pesquisadores que poderiam utilizá-las para fins pedagógicos, científicos e culturais. Nossas preocupações com a produção da ferramenta de pesquisa iam ao encontro de discussões realizadas no meio acadêmico, sobretudo nas duas últimas décadas, sobre a constituição e preservação de acervos na área da História e da História da Educação. Inicialmente procuramos por sistemas que tivessem sido criados com a mesma finalidade, mas com o aprofundamento da pesquisa constatamos a necessidade do desenvolvimento de um sistema próprio, que atendesse as especificidades de nossas análises. Isso se explica porque as diretrizes de classificação, descrição e arranjo de acervos possui relações estreitas com os tipos de perguntas que nossas pesquisas pretendem responder. A produção do sistema colocou-se como urgente quando constatamos que as instituições públicas responsáveis pela guarda das fotografias digitalizadas, ainda que

3 3 empenhadas na preservação da memória local, não possuíam seus acervos organizados segundo os princípios da arquivística, o que implica na dificuldade dos consulentes realizarem suas pesquisas e, o mais agravante, na possibilidade de deterioração, perda ou extravio dos documentos sob sua custódia. Diante do exposto assumimos riscos ao nos empenharmos na constituição de uma ferramenta de preservação de acervo imagético e de acessibilidade a fontes primárias, cuja operacionalização dependia de um trabalho interdisciplinar. Nesse processo foram de grande serventia conhecimentos prévios no campo da arquivística e experiências adquiridas com as pesquisas que temos realizado com documentos fotográficos. Ademais, foi fundamental a parceria com o programador Douglas Held Pacito que, de modo voluntário, responsabilizouse pela criação do sistema que abriga o banco de dados. Reconhecemos que existem limitações a serem superadas na ferramenta que hoje se apresenta, ainda há etapas a serem percorridas para atingirmos algumas das metas vislumbradas, como o refinamento de algumas funções do programa e, até mesmo, o procedimento a ser adotado para compartilhamento do catálogo com outros pesquisadores guardadas as devidas precauções com relação à autoria de criação do sistema FotoMemo v. Contudo, podemos afirmar que caminhamos em direção aos objetivos propostos e é sobre este percurso que o presente artigo discorre. Para exposição dos desafios enfrentados e dos avanços teórico-metodológicos alcançados no percurso de produção do Catálogo Fotográfico Digital o artigo foi redigido com a seguinte estrutura: 1. Manejo das fotografias antes do catálogo. 2. Itinerário de produção e apresentação do catálogo. 3. Considerações finais. 1. Manejo das fotografias antes do catálogo A princípio mantínhamos as fotografias coletadas por ocasião dos projetos anteriores armazenadas de forma precárias do ponto de vista da recuperação de informações. Acertadamente foi observado desde as primeiras investigações o princípio básico da arquivística nominado integridade do fundo, que consiste em resguardar um fundo de misturas com outros, de parcelamentos e de eliminações indiscriminadas. Ou seja, foram assegurados os cuidados de manutenção das fotografias em seus agrupamentos de origem, de acordo com a procedência. Nominamos esses agrupamentos de Coleções vi que, quando

4 4 provenientes de acervos públicos, foram identificadas pelo nome da instituição de guarda e, quando provenientes de acervos privados, foram nominadas pelo sobrenome da família proprietária. As coleções encontravam-se arquivadas nos computadores pessoais das pesquisadoras em pastas individuais, para cada coleção uma pasta. As pastas armazenavam arquivos em programa Power Point nos quais as fotografias estavam dispostas em slides com suas respectivas fichas catalográficas. Essa era a forma encontrada para o manejo das imagens em conjunto com o documento textual produzido para sua descrição. O ordenamento das imagens dentro da coleção era aleatório, correspondendo à sequência do processo de digitalização. A produção da ficha catalográfica para descrição das fotografias aconteceu em duas etapas, primeiro foi produzida uma versão piloto posteriormente substituída pela versão definitiva (Figura 1). As pesquisas realizadas por Kossoy (2009) e Mauad (1996) nos forneceram pistas para a definição do formato final desse instrumento descritivo. A ficha foi produzida como suporte para a realização da análise técnica e de conteúdo das imagens com adaptações para as especificidades de nossas investigações. Figura 1 Apresentação do catálogo quando armazenado em arquivo Power point

5 5 Figura 2 CATEGORIAS 1 AMBIENTES DE TRABALHO: CAMPO E COMÉRCIO 2 AMBIENTES DE CONVÍVIO: RURAL E URBANO 3 AÇÕES DE ASSISTÊNCIA: SOCIAL E SAÚDE 4 BRINQUEDOS, JOGOS E BRINCADEIRAS 5 COTIDIANO FAMILIAR 6 EDUCAÇÃO: FORMAL E INFORMAL 7 FESTAS: PÚBLICAS E PRIVADAS 8 MIGRAÇÃO: ESTRANGEIRA E NACIONAL 9 MILITARIZAÇÃO 10 MOVIMENTOS POLÍTICOS 11 MORAL E CIVISMO 12 POVOS INDÍGENAS 13 POLÍTICA AGRÁRIA 14 RELIGIOSIDADE Categorias de análise visualizadas A ficha era composta por campos que interrogavam sobre aspectos de natureza distinta, da identificação da fotografia, dos recursos técnicos empregados para a produção material da imagem e dos elementos nela retratados (conteúdo). É possível observar (Figura 1) que no campo destinado à descrição do conteúdo da imagem produzíamos uma espécie de síntese dos elementos ali expressos. Por último havia um campo nominado demais observações no qual eram registradas informações que não cabiam em nenhum dos descritores acima e que, de certo modo acabava por configurar-se, muitas vezes, em uma análise prévia do documento. Esse modo de produzir e dispor conhecimentos sobre as fotografias nos colocava diante de limitações como a dificuldade de fazer uma leitura panorâmica do acervo, a impossibilidade de quantificar fotografias com elementos de conteúdo semelhantes, a inexistência de um sistema de recuperação do conteúdo das fichas por palavras-chave, entre outras. Mesmo em condições precárias de acesso às informações geradas, a descrição de elementos de conteúdo das imagens resultou na visualização de 14 potenciais categorias de análise das fotografias (Figura 2). Tais categorias eram, a nosso ver, provisórias, pois sabíamos da possibilidade de surgirem outras mediante os olhares e as intencionalidades de outros pesquisadores. Ademais, era provável que outras categorias fossem observadas na medida em que o acervo se ampliasse.

6 6 Realizamos análises que resultaram na apresentação de trabalhos sobre algumas das categorias elencadas inicialmente (vestuário, mundo do trabalho, visibilidades e invisibilidades da criança nos documentos fotográficos). Mas ainda havia o impasse em relação à produção de uma ferramenta mais eficiente de armazenamento e consulta das imagens. 2. Produção e apresentação do catálogo A produção do FotoMemo exigiu que entrássemos em contato com um profissional da área e a partir de então se iniciou um longo processo de construção coletiva do sistema. Descrevemos ao programador as necessidades que tínhamos, ouvimos as possibilidades por ele apresentadas e passamos a discutir qual o melhor modo de constituir o sistema de busca. Paralelamente à produção do sistema demos início ao processo de revisão da ficha catalográfica a fim de definir por um modelo composto por descritores mais objetivos. Uma questão nos preocupava: ao preencher o campo destinado ao conteúdo da imagem acabávamos por realizar uma análise da fotografia e esse não era nosso objetivo. Nosso interesse consistia em encontrar um meio adequado de organização das imagens e de disposição das informações referentes aos seus aspectos técnicos e de conteúdo. A opção por descritores mais objetivos se deu em virtude da possibilidade de outras análises serem feitas das imagens, disponibilizar as imagens com nossas impressões não era nossa contribuição no momento. A eficiência da busca dependia do estabelecimento de um vocabulário controlado, objetivo este que nos impôs o levantamento de palavras e termos usados com frequência na descrição dos elementos de conteúdo das imagens e o estabelecimento de padrões de sinonímia (ex.: brinquedo ao invés de boneca, brinquedo ao invés de carrinho). A escolha dos descritores foi outro desafio, embora pudéssemos nos respaldar em alguns bancos de imagens existentes, no caso de uma ferramenta de pesquisa para fins de análises acadêmicas, precisávamos nos cercar de descritores pertinentes às questões que futuramente seriam feitas às imagens (ex.: incidência de fotografias com crianças em espaços públicos e em espaços privados, para tanto precisávamos garantir a presença de um descritor referente ao ambiente fotografado). Realizamos testes e após inserções e exclusões chegamos a 29 descritores (Figura 3), sendo os sete primeiros destinados a identificação da fotografia (SMIT; KOBASHI, 2003).

7 7 Figura 3 IDENTIFICAÇÃO DA FOTOGRAFIA COLEÇÃO ACERVO PROCEDÊNCIA REGISTRO DE ENTRADA REFERÊNCIA CONDIÇÕES DE ARMAZENAMENTO ESTADO DE CONSERVAÇÃO DESCRITORES DAS FOTOGRAFIAS LOCAL RETRATADO TEMA RETRATADO PESSOAS RETRATADAS TIPOS DE OBJETOS ATRIBUTOS DAS PESSOAS GESTO ANIMAIS RETRATADOS ATRIBUTOS DA PAISSAGEM TEMPO FORMATO DO SUPORTE TONALIDADE ACABAMENTO TIPO DE FOTO SENTIDO DA FOTO DIREÇÃO DA FOTO DISTRIBUIÇÃO DOS PLANOS PLANO CENTRAL ARRANJO E EQUILÍBRIO FOCO IMPRESSÃO VISUAL ILUMINAÇÃO PRODUTOR Relação dos descritores Para atender as necessidades de organização do acervo (arquivamento das imagens) e de disponibilização do sistema para outros usuários, optamos pelo desenvolvimento de dois sistemas, sendo ambos contemplados pelo mesmo banco de imagens. O primeiro sistema é destinado ao usuário administrador, autorizado a arquivar as imagens e editar os campos correspondentes aos descritores da ficha. Já o segundo sistema destina-se a disponibilização do banco de imagens e de suas respectivas informações, para acesso público do usuário consulente. O sistema do usuário administrador é formado por uma janela inicial que possui quatro botões (Figura 4). O primeiro, ÍNDICE REMISSÍVO, permite acesso ao vocabulário controlado, no qual as palavras empregadas na descrição das fotografias aparecem em ordem alfabética com seus respectivos termos relacionados. O segundo botão, ARQUIVAR, encaminha à opção de cadastro da fotografia e edição dos descritores correspondentes. O botão PESQUISAR conduz a abertura da janela para busca das imagens e o último, CONFIGURAÇÕES, contempla opções de configuração da aparência do sistema.

8 8 Figura 4 Janela Inicial O procedimento de alimentação do programa com fotografias tem início no botão ADICIONAR. Este aciona uma janela para localização do arquivo da fotografia no computador do usuário administrador, após adicioná-la inicia-se a alimentação do sistema com a edição das informações da fotografia clicando no botão de EDIÇÃO. Todos esses procedimentos são restritos ao usuário administrador. Ao lado da fotografia inserida no sistema existe uma área com duas abas. A primeira, IDENTIFICAÇÃO DA FOTOGRAFIA, reúne informações referentes à coleção a qual a fotografia pertence, a procedência do acervo, o responsável por sua digitalização, a data de incorporação da imagem ao acervo, as condições de armazenamento do documento original e o estado de conservação (Figura 5). A segunda aba, DESCRITORES, contém campos para o preenchimento dos 23 descritores da fotografia, como por exemplo, local retratado, pessoas retratadas, tipos de objeto, atributo da paisagem, tonalidade, acabamento, sentido da foto, distribuição dos planos entre outros. Quando a fotografia possui algum tipo de marcação em seu verso (dedicatória, descrição das pessoas retratadas, data e local do evento, entre outras) temos a opção do botão VERSO que o exibe assim que acionado (Figura 6).

9 9 Figura 5 Aba de identificação da fotografia Figura 6 Aba dos descritores da fotografia O terceiro botão da janela inicial, PESQUISAR (Figura 7), destina-se ao procedimento de busca das fotografias. Nesta área existe um campo para digitar a palavra que deseja encontrar nas fotografias. Depois de digitar a palavra clica-se no botão que aciona a pesquisa. O retorno dessa busca consiste em uma relação de fotografias cuja palavra pesquisada encontra-se vinculada.

10 10 Figura 7 Aba para o procedimento de pesquisa Por exemplo, ao digitar a palavra brinquedo todas as fotografias que estão relacionadas ao termo serão listadas. O desenvolvimento do índice remissivo permite que uma palavra remeta a outra a ela relacionada. Por exemplo, se o usuário consulente procurar por bonecas, as fotografias que possuem a palavra brinquedo serão exibidas. Essa é uma das estratégias de refinamento dos resultados de busca, porém o sistema ainda não a contempla, já que a estruturação do vocabulário controlado não foi finalizada. O índice remissivo está em construção para que as ligações temáticas sejam viabilizadas. Até o momento, se digitarmos a palavra brinquedo, já incorporada no índice, todas as fotografias que abrangem a temática brinquedo serão localizadas no banco de dados do sistema. Para além desta possibilidade estamos construindo as bases que possibilitarão o sistema de busca avançada que contemplará a correlação de termos e descritores. Ao digitarmos as palavras brinquedo e casa será possível obter um relatório com todas as fotografias que apresentam ambos os elementos concomitantemente. No momento o que ocorre é a localização de fotografias que possuem tanto brinquedo quanto casa como conteúdo, sem que ambos constem na mesma fotografia. O quarto botão da janela inicial, CONFIGURAR, contempla opções para personalizar a aparência do sistema, como a troca dos temas de apresentação e a escolha da tonalidade de fundo. Essa opção está disponível tanto para o usuário administrador como também para o usuário consulente. Esta ferramenta de configuração oferece um design agradável e um

11 11 sistema de uso interativo que poderá ser escolhido pelos usuários de acordo com suas preferências pessoais. O sistema foi produzido com vistas a contemplar opções inexistentes em outras bases de dados. Primamos por garantir que houvesse a possibilidade da imagem acessada ser salva no computador do usuário consulente e para que fosse possível a impressão da fotografia e do conteúdo textual das abas que trazem a sua descrição. Para a disponibilização do sistema ao usuário consulente foram observadas algumas precauções quanto ao armazenamento do banco de dados. Quando o usuário consulente inserir o CD-R ou DVD-R no computador de uso pessoal será indagado quanto ao interesse em sua instalação. Ao aceitar que o sistema seja instalado, será criada automaticamente uma pasta de armazenamento das imagens no seu computador, mas isso não o impedirá de salvar as imagens onde achar mais conveniente. Este procedimento de criação da pasta é um caminho que poucas pessoas adotam por salvar a pasta de arquivos do programa em um local pouco acessado no computador. Essas precauções foram adotadas porque quando trabalhamos com imagens não é recomendado que estas sejam salvas no banco de dados do sistema. Caso não sejam observadas essas recomendações a extensão do banco de dados poderá ocasionar lentidão ou interrupção na realização das busca de imagens. Este aspecto ocorre porque quando salva-se a imagem no banco de dados ela transforma-se em um modo código, e quando solicitada sua visualização é feito um processo contrário, de conversão de código para imagem. Esse procedimento que pode causar prejuízo à execução do sistema e consequentemente dificultar a pesquisa. Por esta razão, optamos por outro meio de arquivamento, o banco de dados será salvo em uma pasta do programa, que será composta por um caminho, com as imagens e suas informações, garantindo o melhor desempenho do sistema em tempo de processamento. Há fotografias cujos campos de descritores não são preenchidos por completo. Isso ocorre por desconhecermos informações tanto em relação a aspectos técnicos (ex.: autoria da imagem, localização geográfica, data aproximada do registro fotográfico) como em relação aos aspectos de conteúdo (ex.: identificação das pessoas retratadas, relação de parentesco ou amizade entre elas, evento retratado). No momento estamos nos cercando de cuidados que visam minimizar essas lacunas como a realização de entrevistas com os proprietários dos acervos particulares nos momentos em que as fotografias nos são franqueadas. Outra medida adotada refere-se ao registro de informações acerca da história dos documentos fotográficos.

12 12 Inserimos um campo na ficha descritora para nele sejam registradas atualizações de informações (ex.: o uso de uma imagem em uma publicação). Figura 8 NÚMERO DE FOTOGRAFIAS POR COLEÇÃO ARQUIVOS PÚBLICOS CDR/UFGD 161 Museu 18 ARQUIVOS PRIVADOS Coleção Flores 11 Coleção Gamarra 11 Coleção Pereira 10 Coleção Silva 13 Coleção Willher 25 Número de fotografias por coleção Até o presente momento o banco de dados possui 7 coleções organizadas (Figura 8). Dispomos de descritores que nos permitem fazer levantamentos que respondem às questões de interesse cientifico. Uma base que abarca fotografias que podem ser utilizadas para fins pedagógicos no ensino de história. Pode-se afirmar que com isto contribuímos para a preservação da memória regional. Ainda temos novos desafios a serem enfrentados, como o estabelecimento de um protocolo de recebimento dos acervos. Outra questão que impõe uma solução é o registro de criação do FotoMemo para que ao disponibilizá-lo a terceiros não haja riscos de apropriação indébita. Considerações finais Organizar acervos materiais ou eletrônicos é um trabalho minucioso que requer conhecimentos multidisciplinares. Apostamos nesses esforços, pois eles dão visibilidade à importância dos acervos, contribuem para a democratização do acesso a fontes e, consequentemente, para a produção do conhecimento histórico.

13 13 A produção do Catálogo Fotográfico Digital parecia, inicialmente, uma realidade distante. Com o aprofundar dos estudos nos tornamos ainda mais conscientes da importância desse trabalho e intensificamos as pesquisas em busca de subsídios para sua construção. Como fruto desses esforços temos mais duas pesquisas de iniciação científica em andamento que darão continuidade ao projeto de constituição do acervo, pois preveem dentre suas de ações o trabalho com documentos fotográficos privados da região sul de Mato Grosso (atual MS), que serão incorporados futuramente ao Catálogo. O sistema desenvolvido encontra-se em condições de uso, porém coloca-se para nós como uma ferramenta em processo de constante melhoramento. Outras necessidades de reorganização poderão surgir mediante a sua utilização e à soma de novas coleções. O FotoMemo estará em constante processo de aperfeiçoamento e não será considerado um trabalho pronto e acabado. Referências ARQUIVO NACIONAL (Brasil). Dicionário brasileiro de terminologia arquivística. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, BENCOSTTA, M. L. A.; MEIRA, A. Fotografias e culturas escolares: universo digital e preservação da memória. In: III Congresso Brasileiro de História da Educação, 2004, Curitiba. III Congresso Brasileiro de História da Educação. Educação Escolar em perspectiva histórica. Curitiba : PUC-PR, v. 1. p KOSSOY, B. Fotografia e História. Cotia, SP: Ateliê Editorial, MAUAD, A. M. Na Mira do olhar: um exercício de análise da fotografia nas revistas ilustradas cariocas, na primeira metade do século XX. In. Anais do Museu Paulista. São Paulo. N. Sér. V. 13, n. 1, p , jan. jun MAUAD, A. M. Através da Imagem: Fotografia e História Interfaces. Tempo, Rio de Janeiro, v.1, n.2, 1996, p MAUAD, A. M. Sob o signo da imagem: a produção da fotografia e os controles do código de representação social da classe dominante, no Rio de Janeiro, na primeira metade do século XX f. Dissertação (Mestrado em História) Centro de Estudos Gerais Instituto de Ciências Humanas e Filosofia. Universidade Federal Fluminense, Niterói RJ, SMIT, J. W. KOBASHI, N. Y. Como elaborar vocabulário controlado para aplicação em arquivos. São Paulo: Arquivo do Estado Imprensa Oficial Vol. 10, (Projeto Como Fazer).

14 14 WERLE, O. F. C. As novas tecnologias e a pesquisa em história da educação. In: FARIA FILHO, L. M. (org.). Arquivos, fontes e novas tecnologias: questões para a história da educação. Campinas, SP: Autores Associados; Bragança Paulista, SP: Universidade São Francisco, i Edital PIBIC/UEMS/ 2009: Documentos fotográficos e imagens de crianças e infâncias do sul de Mato Grosso ( ). Edital PIBIC/UEMS/ 2010: Documentos Fotográficos e Representações do Mundo do Trabalho: Dourados ( ). Ambos executados por Andreína de Melo Louveira, sob orientação de Maria Eduarda Ferro. ii Edital FUNDECT / Chamada Universal Nº 07/2007. Coordenação: Profa. Dra. Débora de Barros Silveira (UEMS). iii Edital CNPq / Chamada Universal de Coordenação: Profa. Dra. Anete Abramowicz. Esse projeto contou com a participação de pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). iv FERRO, M. E. & LOUVEIRA, A. de M. Produção do Catálogo Fotográfico Digital: crianças e infâncias do sul de Mato Grosso ( ). In: I Seminário Internacional sobre História do Ensino de Leitura e Escrita (08 a 10/ 09/2010, UNESP/Marília). LOUVEIRA, A. de M. & FERRO, M. E. Retratos do Vivido: documentos fotográficos e representações de infâncias do sul de Mato Grosso do Sul ( ). In: VII Seminário em educação e II Colóquio de Pesquisa Escola e Família: Implicações Sociais (08 a 12/06/2010, UEMS/Paranaíba). FERRO, M. E. & LOUVEIRA, A. de M. Anônimos, marginais, invisíveis e esquecidos: o projeto de ampliação do acervo de um catálogo fotográfico digital. FERRO, M. E. & LOUVEIRA, A. de M. Documentos fotográficos e representações do mundo do trabalho em Dourados/MT ( ). In: VI Congresso Brasileiro de História da Educação (16 a 19/05, UFES, Vitória). FERRO, M. E. & LOUVEIRA, A. de M. Imagens de ordem e progresso na região sul de Mato Grosso ( ). FERRO, M. E.; LOUVEIRA, A. de M; SOUZA, M. dos S.. Imagens do cotidiano de crianças e infâncias em álbuns de família do sul de Mato Grosso ( ). In: III Encontro Nacional de Estudos da Imagem (03 a 06/05/2011, UEL/Londrina). v FotoMemo é o nome atribuído ao sistema criado para abrigar o catálogo fotográfico. vi Em arquivística Coleção corresponde a um conjunto de documentos com características comuns, reunidos intencionalmente (ARQUIVO NACIONAL, 2005).

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