PELES VERMELHAS O VERDADEIRO ROSTO DOS INDÍGENAS NORTE-AMERICANOS O MISTÉRIO DA CONSCIÊNCIA BANCO MUNDIAL DAS SEMENTES DINOSSAUROS VISTOS DO ALTO #214

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1 EDIÇÃO #214 OÁSIS O MISTÉRIO DA CONSCIÊNCIA Por que ninguém consegue explicá-la? BANCO MUNDIAL DAS SEMENTES A Arca de Noé das espécies vegetais DINOSSAUROS VISTOS DO ALTO Drone filma os fósseis de museu na Argentina O VERDADEIRO ROSTO DOS PELES INDÍGENAS NORTE-AMERICANOS VERMELHAS

2 POR LUIS PELLEGRINI APESAR DE CHAMADOS PELES VERMELHAS PELOS CONQUISTADORES EUROPEUS, OS INDÍGENAS NORTE- AMERICANOS NÃO ERAM VERMELHOS. A COR DA SUA PELE ERA E CONTINUA SENDO - A MESMA DOS SEUS PRIMOS ASIÁTICOS, MONGÓIS, CHINESES, JAPONESES EDITOR N ossa matéria de capa, O verdadeiro rosto dos indígenas norte-americanos, corresponde literalmente ao que nela é apresentado: algumas dezenas de faces e expressões autênticas dos primeiros habitantes da parte norte do nosso continente. Todas elas são fotografias do imenso acervo de Edward S. Curtis, o maior documentarista das civilizações pré-colombianas da América do Norte, que viveu e trabalhou entre a segunda metade do século 19 e a primeira metade do século 20. São imagens de arrepiar, pois revelam com constância exemplar componentes comuns à alma dos indígenas do norte, o seu caráter severo e altaneiro, pouco disposto a concessões, a sorrisos fáceis e amigáveis. Mas também dotados de uma espiritualidade invulgar, aquela que só se conquista a partir de vidas inteiras dedicadas ao conhecimento respeitoso da Mãe Terra e de todos os fenômenos que sobre ela se OÁSIS. EDITORIAL

3 processam. POR LUIS PELLEGRINI EDITOR Mas nem só de texto é feita essa matéria. Há muita informação curiosa e importante, no meio dela a explicação de que, embora apelidados de peles vermelhas pelos europeus invasores, eles nunca tiveram a pele vermelha. A cor da pele dos indígenas do norte, qualquer que seja a nação, é a mesma dos seus primos asiáticos, mongóis, chineses, japoneses. O tom avermelhado que se podia notar nos membros de certas tribos era devido apenas à terra que eles esfregavam na pele para protege-la do sol. Confira. OÁSIS. EDITORIAL

4 FOTOGRAFIA PELES VERMELHAS O verdadeiro rosto dos indígenas norte-americanos OÁSIS. FOTOGRAFIA 4/59

5 OÁSIS. FOTOGRAFIA P Eles se saudavam dizendo hog, não augh ; não possuíam cavalos,não arrancavam escalpos, não eram vermelhos. A verdade sobre um mundo romanceado no cinema, nas fotos extraordinárias de Edward S. Curtis POR: LUIS PELLEGRINI FOTOS: EDWARD S. CURTIS oucos conhecem a história de Edward S. Curtis, o legendário fotógrafo que dedicou sua vida ( ) aos índios da América do Norte. Entre o final do século 19 e o início do século 20, Curtis atravessou os vastos territórios dos Estados Unidos e do Canadá para conhecer as populações indígenas americanas, gravar suas vozes e cantos, contar suas histórias e, sobretudo, gravar na película fotográfica seus rostos e retratos. Em 25 anos de trabalho intenso e viagens incessantes ele conseguiu reunir o maior acervo de imagens do mundo sobre os peles vermelhas. Calcula-se que tirou entre 30 e 60 mil fotografias, embora apenas tenham chegado até nós. Esse material fotográfico, apesar do tempo e dos recursos técnicos não muito desenvolvidos naquela época, nos revela um mundo extraordinário de figuras de chefes tribais, homens de medicina, guerreiros, caçadores. Sobretudo, existe um ponto em comum em quase todos esses rostos indígenas que Curtis preservou para a posteridade: sua extraordinária dignidade. São vultos severos, embora serenos. São homens e mulheres nos quais se adivinha uma grande força vital, segurança, nobreza e confiança em si mesmos. Filhos da Terra, homens e mulheres na verdadeira acepção da palavra. A vasta obra de Curtis está reunida numa enciclopédia de vingte volumes. Trata-se de um texto fundamental para quem deseja conhecer verdadeiramente os indígenas norte-americanos, para além dos lugares comuns que nos foram passados pelos filmes de cowboy e as histórias em quadrinhos. Nesses volumes podemos descobrir se os peles vermelhas realmente colecionavam escal 5/59

6 Grande chefe. À parte figuras carismáticas como Cavalo Louco, de caráter irredutível, ou o diplomático Nuvem Vermelha, ambos surgidos da necessidade de unirem-se contra os brancos, não existiam verdadeiros chefes entre os índios norte-americanos. Existiam expertos, autoridades nessa ou naquela atividade. Por exemplo, especialistas nas artes da guerra (geralmente homens nascidos sob o signo do urso), expertos em encontrar fontes de água, chefes da caça, chefes da construção de acampamentos, homens de medicina, e por aí em diante. Todas as decisões importantes eram tomadas pelos conselhos tribais. O chefe não era entendido como p[ara nós, ocidentais. Ele era um simples porta-voz ou o encarregado de desempenhar determinada missão pelo conse Lucille, jovem da tribo sioux, em Dakota (1907) Retrato de chefe indígena pos, eram praticantes de danças para chamar a chuva, ou eram caçadores de baleias. Basta deter o olhar diante das imagens que ele produziu, e as respostas afloram, naturalmente. Lugares comuns a serem eliminados Hog. Os índios se saudavam com o grito hog, com h áspero, que os ingleses transcreveram como haug e os latinos, errando, pronunciam e escrevem augh. Bastão de golpes. Servia para eliminar os inimigos em combate corpo a corpo, sem necessidade de usar armas perfurantes. OÁSIS. FOTOGRAFIA 6/59

7 melhada. A cor da pele dos índios norte-americanos é a mesma dos seus antepassados longínquos que vieram da Ásia, aparentados aos modernos chineses, mongóis, japoneses e coreanos. Cachimbo da paz. Numa das suas extremidades havia um pequeno machado verdadeiro, signo de equilíbrio entre dois opostos, a paz e a guerra. O cachimbo servia para proporcionar ao grupo um estado de espírito comum, harmonizado, e era entendido como um canal; para a comunicação com os espíritos e divindades. Escalpo. Um trunfo de péssimo gosto, consistia na parte superior do couro cabeludo de um inimigo morto em combate. Foi inventado pelos franceses e ingleses que Membro de conselho de anciões da tribo Grande chefe cherokee (1900) lho. Considera-se que a Constituição dos Estados Unidos tenha seu ponto de partida exatamente nos padrões da democracia dos iroqueses. O totem. Grande mastro esculpido, com funções mágicas e ritualísticas, eram usados apenas pelas tribos do noroeste americano, sobretudo as da costa do Pacífico do Canadá. Não tinham nada a ver com os prisioneiros, mas sim, serviam para mostrar as efígies dos animais protetores dos antepassados que deram origem à tribo. Pele vermelha. Os índios não eram vermelhos. Para se proteger do sol algumas tribos costumavam passar terra sobre a pela, e isso dava a eles uma tonalidade aver- OÁSIS. FOTOGRAFIA 7/59

8 Tipí. Era a cabana típica, cônica, feita de couro de búfalo. Mas apenas os indígenas da planície a usavam, por sua facilidade de montar, desmontar e transportar. Os indígenas do sul eram sedentários e moravam em casas de pedra. Os do norte habitavam em cabanas de madeira. Velhos sábios. Eles realmente existiam, eram muito respeitados e geralmente faziam parte dos conselhos tribais. Mas as sociedades indígenas não eram assistencialistas: os velhos, embora muito escutados, tornavam-se um peso quando deixavam de ser autossuficientes. Nesse ponto, a maior parte abandonava discretamente o grupo, para morrer sozinhos na vastidão da pradaria ou da floresta. Homem de medicina ofereciam um prêmio para cada indígena morto, e exigiam uma prova corporal de que esse índio tinha sido realmente eliminado. Em época tardia, começou a ser adotado também pela resistência indígena. Membro do conselho de anciões da tribo Teton Sioux Sinais de fumaça. Eram realmente usados para a comunicação à distância. Mas os índios norte-americanos possuíam cerca de línguas e dialetos diferentes, a tal ponto que foi necessário inventar-se uma complexa linguagem gestual para membros de tribos diversas pudessem se comunicar. Os cherokee inventaram um alfabeto com 68 signos fonéticos, talvez o últimos a surgir em época moderna. Em 1828 surgiu o primeiro jornal escrito em língua indígena, o Cherokee Phoenix, dedicado à sua causa. OÁSIS. FOTOGRAFIA 8/59

9 1 Uma patrulha armada dos sioux (1908) Antes da chegada dos europeus, as diferentes tribos podiam entrar em conflito, mas elas não tinham uma política expansionista. Os conflitos se reduziam em geral a lutas esporádicas, quase sempre por razões territoriais e ritualísticas. Haviam inimizades históricas e tradicionais, como as que existiam entre os sioux e os pawnee. Os jovens, quase sempre sem motivos sérios, faziam incursões iniciáticas às quais se seguiam represálias. Mas haviam alguns mecanismos para controlar a agressividade: encontrar um inimigo do seu próprio signo animal provocava a anulação do combate. A fraternidade mágica e espiritual era mais importante do que qualquer rivalidade tribal. Por outro lado, matar alguém, mesmo um inimigo em combate, não era isento de consequências. Isso obrigava o vencedor a longos e trabalhosos rituais de purificação: preferia-se, assim, ferir o inimigo, muito mais que mata-lo. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 9/59

10 2 Dois assovios, da tribo apsaroke. Era importante caçador de cavalos selvagens. Ferido, foi curado pela medicina xamânica com o uso de um falcão. Desde então, ele usou um falcão empalhado no alto da cabeça, em sinal de agradecimento. Quando conheceram os brancos, os índios norte-americanos viviam o apogeu da sua civilização. Esse nível foi atingido inclusive graças ao cavalo, que contribuiu para o seu desenvolvimento, reduzindo as distâncias e o cansaço, facilitando a caça e a defesa. Os cavalos selvagens norte-americanos, no entanto, estavam extintos há milênios. Esses animais foram reintroduzidos involuntariamente pelos espanhóis sediados no México. Foi em 1600 quandouma pequena manada de cavalos fugiram de um forte espanhol. Soltos na natureza, os animais retornaram à vida selvagem nas planícies norte-americanas, dando origem à raça mustang. Ao redor do ano 1700, os indígenas aprenderam a aprisiona-los e a domestica-los. Inventaram inclusive um estilo próprio de cavalgar. Quando os brancos chegaram à América do Norte, existiam cerca de 20 milhões de índios no território. Em tempo relativamente breve eles foram reduzidos a 2 milhões, devido a guerras, carestias e epidemias de doenças trazidas pelos europeus. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 10/59

11 3 Barriga de urso. Os índios quase sempre tinham nomes de animais, ou ligados a animais. Mas o animal tutelar de um indivíduo podia mudar ao longo da vida. Barriga de Urso, retratado nesta foto, contou a Curtis como conseguiu seu nome e também a pele de urso que usava: Subi num rochedo. Lá embaixo, avistei três ursos. Esperei até que o segundo estivesse junto ao primeiro e disparei minha arma. O urso mais distante caiu, a bala atravessara o corpo do primeiro para se alojar no crânio do segundo. O primeiro, apesar de ferido, investiu contra mim, e eu disparei novamente, rompendo-lhe a espinha dorsal. Um ruído me fez lembrar do terceiro urso: ele corria rosnando e estava a apenas 6 passos de mim. Quando disparei, o cano do fuzil tocava o seu peito, e o matei. Aquele com a espinha quebrada se arrastava ainda. Eu me aproximei e lhe disse: Vim para te encontrar, meu caro amigo, para te manter sempre comigo. E atirei nele mais uma vez. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 11/59

12 4 Grande Chefe Três Cavalos. Fotografado ao redor de OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 12/59

13 5 Índio da tribo Piegan. Neste retrato o homem aparece segurando um cachimbo da paz, adornado com peles de arminho, plumas de ave de rapina, garras de urso marrom e ossos de cervo. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 13/59

14 6 Menino da tribo Nariz Furado. Conhecidos também pelo nome francês de Nez Percé. Viviam onde hoje se encontra o Estado de Idaho, nutrindo-se sobretudo de caça e pesca, e se dedicando à criação de cavalos. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 14/59

15 7 Garota da tribo Nespelem. Esse povo indígena habitava no extremo oeste do território. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 15/59

16 8 Nuvem Vermelha, o diplomata. Ficou famoso pela erudição e a clareza e lógica dos seus argumentos, nos encontros diplomáticos com os brancos para se chegar a um entendimento. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 16/59

17 9 Homem comum. Nem todos os indivíduos eram guerreiros. Os especialistas nas artes da guerra eram em geral os nascidos sob o signo do urso. Mas todos, nas tribos, tinham alguma função. E não se considerava que uma função era melhor que a outra. Todas eram necessárias. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 17/59

18 10 Metralhadora a cavalo. Um índio apsaroke com arco e flecha, outras duas flechas ja prontas na mão e uma na boca. Os apsaroke, também conhecidos como Crow, pertenciam ao grupo linguístico dos Sioux e viviam nas planícies de Montana e de Dakota do Sul. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 18/59

19 11 Gerônimo, o apache. Contou a Curtis que o Grande Espírito lhe dissera: Nenhum fuzil dos brancos conseguirá te matar. Gerônimo foi um chefe de guerra legendário. Foto de OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 19/59

20 12 Índios nômades. A imagem de índios que levam uma vida nômade, à caça de bisões a principal fonte do seu sustento é correta, mas apenas para aqueles que vivem nas planícies centrais da América do Norte. Entre os Sioux, os Cheyenne, Pés Pretos, Arapahós. Os peles vermelhas, com efeito, possuíam economias de diversos tipos. Por exemplo, os Makah do noroeste (foto acima) era um baleeiro, capaz de manejar arpões e embarcações, e se dedicavam à pesca para sobreviver. Os Navajo, no sul dos atuais Estados Unidos, eram seminômades que criavam carneiros e eram conhecidos por viverem também de furtos praticados contra outras tribos. Os Apache também eram predadores. Os Pueblo, por seu lado, que ocupavam os territórios até o México, eram agricultores sedentários, com grandes conhecimentos de métodos de irrigação: cultivavam milho e abóboras e trabalhavam joias e objetos de prata. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 20/59

21 13 Águia Negra (nascido em 1834). Guerreiro desde os 13 anos de idade, carregava sempre consigo uma asa de águia, o seu animal tutelar. Confessou a Curtis nunca ter sido um herói. Em toda a sua vida capturara apenas 6 cavalos. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 21/59

22 14 Águia negra, da tribo dos Nariz Furado. Mais conhecidos pelo seu nome francês, Nez Percé, viviam em cabanas de madeira. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 22/59

23 15 Navajo idoso. Quando percebiam que tinham se tornado um peso para o resto da tribo, os velhos e velhas decidiam abandonar sozinhos o grupo e se retiravam na imensidão da planície ou nas florestas para morrer. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 23/59

24 16 Indígena Arapahó fumando um cachimbo normal (1910). Un indiano Arapaho fuma una pipa normale (foto del 1910, circa). O cachimbo da paz, que possuía um pequeno machado em uma das extremidades, era usado durante rituais. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 24/59

25 17 Indígena da tribo Piegan. A palavra totem (originalmente ototeman) é a única que todas as línguas europeias herdaram do idioma indígena americano. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 25/59

26 18 Três chefes batedores. Eram índios das planícies e viviam ao longo do rio Bow. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 26/59

27 19 Aldeia Piegan. As tendas tipí eram as moradas típicas dos indígenas das planícies. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 27/59

28 20 Dois Nakoaktok. Vestidos com costumes tradicionais, durante uma dança tribal. Os Nakoaktok viviam na costa ocidental do moderno Canadá. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 28/59

29 21 Homem da tribo Apache Jicarilla. O termo deriva da palavra espanhola que significa pequena caneca, e se referia às copas para beber tecidas em espiral usadas por esse povo Apache. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 29/59

30 22 Beleza indígena. Trata-se de uma jovem da tribo Mohave. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 30/59

31 23 Guerreiros Cheyenne. Viviam nas planícies centrais, e sua língua pertence ao grupo Algonquin. OÁSIS. FOTOGRAFIA 26/39 31/59

32 CIÊNCIA O MISTÉRIO DA CONSCIÊNCIA Por que ninguém consegue explicá-la? OÁSIS. CIÊNCIA 32/59

33 Toda pessoa normal é dotada de consciência. É ela que, aparentemente, nos distingue dos outros animais. Mas, apesar disso, ela ainda é um dos maiores mistérios da ciência, e quando se toca o tema aparecem mais perguntas e dúvidas do que certezas. Sobretudo quando a ciência quântica passa a considerar que a consciência pode sobreviver à morte do corpo POR: GRAHAM HANCOCK A consciência é um dos grandes mistérios da ciência talvez o maior deles. Todos nós sabemos que a temos quando pensamos, sonhamos, apreciamos sabores e aromas, ouvimos uma grande sinfonia ou nos apaixonamos, e ela é certamente a parte mais íntima, sábia e pessoal de nós mesmos. No entanto, ninguém pode realmente afirmar que a entendeu e explicou totalmente. Não há dúvida de que a consciência está de algum modo ligada ao cérebro, mas a natureza dessa associação está longe de ser clara. Em particular, como esse pouco mais de 1,3 quilo de matéria dentro de nosso crânio permite-nos ter experiências? O professor David Chalmers, da Universidade Nacional Australiana, apelidou essa questão de o problema difícil da consciência, mas muitos cientistas, sobretudo aqueles (ainda na maioria) filosoficamente inclinados a acreditar que todos os fenômenos podem ser reduzidos a interações materiais, negam que haja qualquer problema. Para eles, parece evidente que os processos físicos dentro da matéria do cérebro produzem consciência de certa forma como um gerador produz eletricidade ou seja, a consciência é um epifenômeno de atividade cerebral. E eles veem como igualmente óbvio que não pode haver coisas como vida após a morte ou experiências fora do corpo, uma vez que tanto a consciência como a experiência estão confinadas ao cérebro e devem morrer quando o cérebro morre. OÁSIS. CIÊNCIA 33/59

34 Certezas científicas são relativas Somos, em outras palavras, confrontados com uma proporção no mínimo similar de mistério e fato em torno do tema da consciência, e sendo esse o caso, devemos lembrar que o que parece óbvio e evidente para uma geração pode não parecer nada óbvio ou evidente para a próxima. Por centenas de anos, era óbvio e evidente para as maiores mentes humanas que o Sol se movia ao redor da Terra bastava olhar para o céu, diziam, para ver a verdade dessa proposição. Aqueles que mantiveram a visão revolucionária de que a Terra se movia em torno do Sol enfrentaram a Inquisição e a morte na fogueira. No entanto, como se viu, os revolucionários estavam certos e ortodoxia estava terrivelmente, ridiculamente errada. No entanto, outros cientistas com credenciais igualmente impressionantes não têm tanta certeza disso e estão cada vez mais dispostos a considerar uma analogia muito diferente ou seja, que a relação da consciência com o cérebro pode ser menos a relação do gerador com a eletricidade que produz e mais a relação do sinal de TV com o televisor. Nesse caso, quando o televisor é destruído morto, o sinal ainda continua. Nada no atual estado de conhecimento da neurociência exclui essa possibilidade revolucionária. É verdade que se você danifica certas áreas do cérebro, determinadas áreas da consciência são comprometidas, mas isso não prova que essas áreas do cérebro geram as áreas relevantes da consciência. Se você quisesse danificar certas áreas do seu televisor, a imagem pioraria ou desapareceria, mas o sinal de TV permaneceria intacto. OÁSIS. CIÊNCIA 34/59

35 receptor), em vez de como um gerador de consciência, e em que a consciência é reconhecida como fundamentalmente não local na natureza talvez até mesmo como uma das forças motrizes básicas do universo. No mínimo, deveríamos deixar em suspenso julgamentos sobre esse problema difícil até reunir mais evidências, e ver com desconfiança aqueles que defendem pontos de vista dogmáticos e ideológicos sobre a natureza da consciência. É nesse ponto que toda a questão aparentemente acadêmica se torna intensamente política e atual, porque a sociedade tecnológica moderna idealiza e se concentra monopolisticamente em apenas um estado de consciência o de alerta, o estado de consciência de resolução de problemas que nos torna produtores e consumidores eficientes de bens materiais e serviços. Ao mesmo tempo, nossa sociedade procura policiar e controlar uma vasta gama de outros estados alterados de consciência com base na proposição não comprovada de que a consciência é gerada pelo cérebro. Guerra às drogas O mesmo pode muito bem ser verdadeiro em relação ao mistério da consciência. Sim, parece óbvio e evidente que o cérebro a produz (a analogia do gerador), mas isso é uma dedução a partir de dados incompletos e categoricamente não um fato estabelecido e irrefutável ainda. Novas descobertas podem forçar a ciência materialista a trocar essa teoria por algo mais parecido com a analogia da TV em que o cérebro passa a ser entendido como um transceptor (aparelho que combina um transmissor e um OÁSIS. CIÊNCIA Refiro-me aqui à chamada guerra às drogas, que é realmente melhor entendida como uma guerra à consciência e que sustenta, supostamente no interesse da sociedade, que nós, como adultos, não temos o direito ou a maturidade para tomar decisões soberanas sobre nossa própria consciência e os estados de consciência que desejamos explorar e abarcar. Essa imposição extraordinária sobre a liberdade cognitiva adulta é justificada pela ideia de que nossa atividade cerebral, perturbada pelas drogas, vai ter impacto negativo em nosso comportamento em 35/59

36 continua a ser tão inflexível em sua aplicação da chamada guerra às drogas quanto seus antecessores trabalhistas, e em nome dessa guerra segue despejando dinheiro público em grandes e armados aparatos burocráticos de repressão às drogas, que têm o direito de quebrar as portas na calada da noite, invadir lares, destruir reputações e pôr cidadãos atrás das grades. relação aos outros. No entanto, qualquer um que pare um momento para pensar seriamente sobre o tema deverá perceber que já temos leis adequadas governando o comportamento adverso em relação aos outros e que o verdadeiro propósito da guerra às drogas deve ser, portanto, pressionar a própria consciência. Temos sido persuadidos de tudo isso, está em nossos próprios interesses. No entanto, se nós, como adultos, não estamos livres para tomar decisões soberanas certas ou erradas sobre nossa própria consciência, aquela parte mais íntima, sábia e pessoal de nós mesmos, então em que sentido pode-se dizer que somos absolutamente livres? E como vamos começar a assumir a responsabilidade real e significativa por todos os outros aspectos de Uma confirmação disso veio do último governo trabalhista britânico. Ele declarou que sua política de drogas seria baseada em evidências científicas, embora em 2009 tenha demitido o professor David Nutt, presidente do Conselho Consultivo sobre o Abuso de Drogas, por ele ter afirmado o fato estatístico simples de que a maconha é menos perigosa (em termos de danos medidos) do que o tabaco e o álcool e que o ecstasy é menos perigoso do que andar a cavalo. Claramente, o que estava em jogo aqui eram questões ideológicas de grande importância para os poderes constituídos. E essa é uma ideologia que adere obstinadamente ao poder, independentemente de mudanças na natureza do governo do dia. A coalizão conservadora-liberal atualmente no poder no Reino Unido OÁSIS. CIÊNCIA 36/59

37 resolução de problemas) da consciência, enquanto diversas drogas ilícitas, como maconha, LSD e psilocibina, têm um efeito diferente? Há uma revolução sendo gestada aqui, e o que está em jogo transcende a defesa da liberdade cognitiva como um direito adulto essencial e inalienável. Se for descoberto que o cérebro não é um gerador, mas um transceptor de consciência, então devemos considerar algumas pesquisas científicas pouco conhecidas que apontam para uma possibilidade aparentemente estranha, a de que uma determinada categoria de drogas ilegais alucinógenos como LSD, DMT (presente na ayahuasca) e psilocibina pode alterar o comprimento de onda do receptor do cérebro e nos possibilita contatar entidades inteligentes não materiais, seres de luz, espíritos, elfos-máquinas nossas vidas, quando nossos governos procuram nos privar do mais fundamental de todos os direitos e responsabilidades humanos? Drogas legais que alteram a consciência Nesse contexto, é interessante notar que nossa sociedade não tem qualquer objeção à consciência alterada propriamente dita. Pelo contrário muitas drogas que alteram a consciência, como Prozac, Ritalina, Seroxat e álcool, são maciçamente mais prescritas ou estão livremente disponíveis hoje, e geram grandes fortunas para seus fabricantes, mas permanecem totalmente legais, embora causem danos óbvios. Isso poderia ser explicado porque tais drogas legais não alteram a consciência de formas que ameacem o domínio monopolista do estado de alerta (de OÁSIS. CIÊNCIA 37/59

38 Spirit Molecule (que pode ser adquirido, em versões em inglês ou em espanhol, no site do autor: rickstrassman. com). (como o etnobotânico norte-americano Terence McKenna os chamava), e talvez até mesmo os habitantes de outras dimensões. Essa possibilidade é considerada ponto pacífico pelos xamãs das sociedades de caçadores-coletores, que por milhares de anos fizeram uso de plantas de poder e de fungos para adentrar e interagir com o que eles interpretam como o mundo espiritual. Curiosamente, isso também foi previsto pelo dr. Rick Strassman, professor de Psiquiatria da Universidade do Novo México (EUA), depois de sua pesquisa inovadora com voluntários humanos e DMT realizada na década de 1990 um projeto que produziu resultados com implicações devastadoras para nossa compreensão da natureza da realidade. Para mais informações sobre o trabalho revolucionário de Strassman, vejam seu livro DMT: The OÁSIS. CIÊNCIA 38/59

39 BANCO MUNDIAL DAS SEMENTES A Arca de Noé das espécies vegetais BIODIVERSIDADE OÁSIS. BIODIVERSIDADE 39/59

40 OÁSIS. BIODIVERSIDADE Existe um gigantesco cofreforte escavado numa área de gelo permanente na Noruega, nas Ilhas Svalbard, a cerca de mil quilômetros do Polo Norte. Nela é conservado o tesouro mais precioso da humanidade: as sementes POR: EQUIPE OÁSIS OSvalbard Global Seed Vault é um gigantesco armazém fortificado no interior de uma montanha de gelos eternos, situado a cerca de mil quilômetros do Polo Norte, no arquipélago das Ilhas Svalbard, na Noruega. Nesse bunker protegido de qualquer ameaça, é preservado um dos bens mais preciosos do mundo. Não são obras de arte, pedras preciosas ou metais raros. São sementes: arroz, trigo, feijão, berinjela, batata, banana, centeio. Tudo aquilo que pode-se plantar e, ainda mais importante, tudo aquilo que se deve conservar para a preservação da biodiversidade. Essas centenas de milhares de sementes blindadas são conservadas a 18 graus negativos, para garantir a sua sobrevivência inclusive em caso de guerra ou de cataclismos naturais. Naquela temperatura asseguram os expertos a maior parte das sementes pode sobreviver por milhares de anos (até 20 mil). O projeto global desse banco de sementes (ou banco de germoplasma) foi promovido e financiado pelo governo da Noruega e apoiado pela Fao, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. O banco de sementes de Svalbard é sem dúvida o maior e mais completo do mundo, mas em vários outros países existem também bancos nacionais menores para a conservação das sementes. Alguns deles estão conectados a universidades e a centros de pesquisa científica. Este é o caso, por exemplo, da Itália, que possui bancos desse tipo em quase todas as regiões A galeria de imagens à seguir mostra diferentes aspectos do banco de Svalbard. Cada foto é acompanhada de um texto bastante elucidativo sobre o assunto. 40/59

41 1 Parece a entrada de um misterioso reino subterrâneo, escondido no permafrost ártico, a mil quilômetros do Polo Norte. Na verdade, o banco de sementes das Ilhas Svalbard é o nosso seguro de vida contra o risco da perda da biodiversidade que poderia dar fim ao nosso bem mais precioso, as sementes. O Svalbard Global Seed Vault é um verdadeiro cofre-forte destinado à conservação do patrimônio genético das mais importantes culturas agrícolas da Terra. A estrutura física do banco, financiado e gerenciado pelo governo norueguês e apoiado pelas mais importantes instituições mundiais (inclusive a Fao), encontra-se nas imediações de Longyearbyen, na ilha norueguesa de Spitsbergen, que faz parte do arquipélago ártico das Ilhas Svalbard. Foto: Pal Hermansen OÁSIS. BIODIVERSIDADE 26/39 41/59

42 2 Apesar de o banco de sementes ser enorme, apenas a sua entrada é visível do exterior, e assim mesmo isso exige um mínimo de esforço e atenção. A partir da entrada, o bunker é escavado por mais de 120 metros no interior de uma montanha de gelo e de arenito. Ele é composto de três imensos salões, protegidos por sistemas de segurança máxima, superiores àqueles utilizados pelos grandes bancos. Com efeito, nesse lugar são custodiados verdadeiros tesouros, na forma de milhares de variedades de sementes, sobretudo das 21 principais fontes alimentares agrícolas da humanidade: trigo, arroz, batata, feijão, mandioca, maçã, soja, sorgo, coco, etc. No banco, as sementes estão a salvo de guerras, desastres naturais, mudanças climáticas, parasitas, experiências genéticas e técnicas modernas da agricultura intensiva. OÁSIS. BIODIVERSIDADE 26/39 42/59

43 3 As sementes são mantidas a uma temperatura média de 18 graus centígrados negativos, protegidas contra a umidade e problemas meteorológicos. O banco de sementes de Svalbard encontra-se a uma altitude de 130 metros sobre o nível do mar, teoricamente protegidas inclusive do derretimento dos gelos árticos. Um gerador a carvão produz energia para os equipamentos de refrigeração. Se eles parassem de funcionar, o próprio ambiente garantiria durante décadas uma temperatura interna nunca superior a 3,5 graus centígrados negativos. Ela permitiria às sementes uma sobrevivência de cerca 55 anos. A própria ilha foi escolhida pela ausência de atividades tectônicas: é segura inclusive do ponto de vista sísmico. Foto: Mari Tefre OÁSIS. BIODIVERSIDADE 26/39 43/59

44 4 Pacotes de quatro camadas protegem as sementes da umidade. O banco tem espaço suficiente para custodiar 4,5 milhões de amostras de sementes, o dobro da variedade de sementes que, acredita-se, existam no mundo. De 2008 (ano em que foi inaugurado) ao dia de hoje, o banco acumulou nas suas gavetas de segurança mais de 770 mil variedades de sementes. Elas não são exemplares únicos: outras amostras são conservadas em algumas poucas unidades análogas em outros lugares do mundo. OÁSIS. BIODIVERSIDADE 26/39 44/59

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