A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DE ESTOQUES PARA A LOGÍSTICA E FORMAÇÃO DE INDICADORES DE DESEMPENHO EM UMA EMPRESA DE IMPRESSÃO GRÁFICA

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1 ISSN A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DE ESTOQUES PARA A LOGÍSTICA E FORMAÇÃO DE INDICADORES DE DESEMPENHO EM UMA EMPRESA DE IMPRESSÃO GRÁFICA Geraldo Cardoso de Oliveira Neto (UNINOVE) Glauciney Souza da Silva (UNINOVE) Lúcio Tadeu Costabile (UNINOVE) Fábio Ytosho Shibao (UNINOVE) Resumo A concepção de um projeto do sistema logístico envolve principalmente, os investimentos em estoques. As necessidades de estoques de uma empresa dependem do sistema logístico para disponibilizar adequadamente o estoque de matéria-prima, de ccomponentes, de produtos em processo e de produtos acabados no lugar certo, no tempo combinado e na condição acordada ao menor custo possível. Nesse trabalho desenvolveu-se um estudo de caso em uma empresa de impressão metálica. Os dados foram levantados por meio de entrevistas semiestruturada e observação em documentos e participação, que possibilitou identificar as melhorias no controle dos almoxarifados utilizando-se ferramentas de gestão de estoques. Os resultados apontaram melhorias em relação ao retorno de capital, a rotatividade dos estoques, a redução de perdas, a redução de custo de armazenagem, ao ganho de eficiência no processo de impressão metálica e formação de indicadores de desempenho para o controle do processo. Palavras-chaves: Ferramentas para Gestão de Estoque; Falhas na Gestão de Estoques; Indicadores de Desempenho

2 1 Introdução O problema dessa pesquisa consistiu no estudo de caso de uma empresa de impressão metálica no qual a desorganização do seu almoxarifado era a causa do alto custo operacional. Porque os investimentos em estoques representam uma parcela significativa de seus ativos totais, que impactam nos custos de distribuição e no nível de serviço prestado aos clientes. Logo, se por um lado justificou-se o controle de estoques orientado para minimizar custos, por outro lado deve-se garantir suprimento adequado em termos de respostas rápidas para atender as necessidades de demandas (PRIDE; FERREL, 2001). Assim, as razões a favor da manutenção de estoques estão relacionadas com o serviço ao cliente ou com economias de custos (BALLOU, 2001), pois os custos derivam indiretamente do nível de serviço. A formação de estoques de segurança reduzem os impactos na produção, porque diminui as incertezas do canal de distribuição e da demanda. A compra de grande quantidade de mercadorias proporcionam descontos ou ajudam antecipar os aumentos de preços, reduz custos de transportes quando as entregas das cargas são consolidadas, os custos de frete diminuem, compensando dessa forma os custos de manter estoques. Os estoques também podem proteger as empresas contra greves, desastres naturais, atrasos nos suprimentos, oscilações da demanda etc. De modo geral, as variáveis mencionadas justificam a existência de estoques porque facilita a administração principalmente evitando problemas. Contudo, existem vertentes contrá ção de estoques, por exemplo, os estoques podem ser considerados como desperdícios, porque o capital consumido poderia ter destino melhor, tais como a melhoria da produtividade ou da competitividade da empresa, ou quando surgem problemas de qualidade, a tendê desovar estoques para proteger o capital investido, que significa empurrar os produtos para o mercado. - ção de estoques possibilita isolar um membro do canal para obter oportunidades de curto prazo, mas isso normalmente ocorre quando nã ção, isto é, não se estabeleceu um fluxo contínuo por meio dos processos logísticos entre os parceiros da cadeia de suprimentos. 2

3 A empresa pesquisada nesse estudo de caso está no mercado desde 1936, atua na área de embalagens metálicas de aço, produzindo latas, baldes e aerossóis. Possui três unidades de produção e produz mais de 1 bilhão de latas de aço ao ano, um desempenho que se deve a uma associação de atributos como: tecnologia, inovação, pontualidade, competência e preocupação com o meio ambiente. Porém, os seus almoxarifados se encontravam desorganizados e com um custo muito alto e sem nenhum controle, ou seja, a empresa encontrava-se com cenários diferentes de estoques para a produção de impressão gráfica, que conseqüentemente acarretava em perdas de materiais espalhados pelo chão de fábrica. Sem controle de retorno das tintas que sobravam no final da produção, e sem controle das baixas dos materiais, a empresa demonstrava um alto nível de estoque no sistema, tinta deixada nas máquinas após as impressões, falta de abastecimento do insumo no momento o qual o material chega à máquina, máquinas paradas com carga completa de tintas a pelo menos um ano, tintas retornadas para o almoxarifado sem entrada no sistema e máquinas paradas por falta de tintas. O objetivo desse artigo foi de demonstrar um estudo de caso em uma empresa de impressões metálicas que apresentava falhas na gestão do almoxarifado, resultando em desorganização e alto custo em decorrência de perdas de materiais. Para tanto, a o referencial teórico que discorre sobre as falhas e desorganização nos almoxarifados e as ferramentas utilizadas para a análise e gestão dos estoques. A terceira seção apresenta a metodologia de pesquisa destacando o tipo de pesquisa, os instrumentos de coleta e análise dos dados. A quarta seção descreve os resultados da pesquisa e a análise e discussão desses resultados. Na última seção, são apresentadas as principais conclusões e as limitações da pesquisa. 2 Referencial teórico Nesse tópico serão conceituados sobre as falhas e desorganização nos almoxarifados e as ferramentas utilizadas para a análise e gestão dos estoques. 2.1 Falhas e desorganização nos almoxarifados Nessa seção serão conceituados sobre almoxarifados e os resultados das falhas e desorganização dos estoques. 3

4 Os estoques contribuem para as operações da empresa, funcionando como um s várias etapas da produçã a venda final do produto. Bowersox e Closs (2001) explicou que a utilização de estoques pode ser estendida a todos os membros da cadeia de suprimentos. Os fabricantes utilizam estoques de matérias-primas, componentes, produtos em processo e produtos acabados. O comportamento de todas as empresas da cadeia de suprimentos pode ser afetado por aqueles que utilizam a estratégia de formar estoques (PERREAULT; McCARTHY, 2002). Logo, os gestores de estoques devem buscar mecanismos que permitam reduzir os custos de manutenção sem comprometer a cadeia com a falta de mercadorias e produtos. Existem diversas definições para estoque como: composição de materiais (em processamento, os semiacabados e os acabados), que são utilizados em determinado momento na empresa e precisam existir para satisfazer futuras necessidades da empresa. São os materiais que a empresa possui e os utiliza no processo de produção de seus produtos ou serviços, segundo Cesar (2007). Outros como Martins e Alt (2003) entenderam como função de regular o fluxo de negócios, isto é, as entradas e saídas entre as duas etapas dos processos de comercialização e de produção, funcionando como se fosse um amortecedor, diminuindo o efeito dos eventuais erros de planejamento da empresa e das variações de oferta e procura. A classificação de materiais tem como objetivo a catalogação e a padronização de todos os materiais que compõem o estoque da empresa. Classificar um material significa agrupar segundo sua forma, dimensão, peso, tipo, uso, entre outros. Codificar consiste em atribuir uma numeração específica a cada item, segundo Pagotto (2005), e esclareceu que para arrumar os materiais de uma forma mais racional, o almoxarife deve estar sempre atento aos seguintes cuidados: a) Cuidar para manter permanentemente livre o acesso às prateleiras do almoxarifado; b) Manter os materiais estocados em perfeitas condições de uso; c) Arrumar nas prateleiras os materiais mais antigos na frente dos adquiridos mais recentemente; d) Conservar os materiais de acordo com suas característi ção, devem receber proteção de graxa e óleo; e) Não misturar materiais de diferentes tipos; f) Arrumar os materiais e equipamentos nas prateleiras de tal forma que o peso fique bem distribuído; 4

5 g) Estocar os materiais mais pesados em locais de fácil acesso; h) Manter ao alcance do almoxarife os materiais utilizados com mais frequência; i) Arrumar os materiais perecíveis em locais de fácil visualização; j) Guardar materiais miúdos como porcas, presilhas, botões, etc., em caixas, distribuídas ordenadamente nas prateleiras ou gavetas. Por gestão de estoque entende-se o planejamento e controle dos diversos estoques da empresa. O critério bá ção dos custos de ter e/ou não ter estoque. Portanto, ato de gerir, administrar os chamados recursos ociosos, que possuem valor econômico e são destinados ao suprimento das necessidades do sistema produtivo da empresa. Porém, os investimentos em estoques devem manter-se em constante equilíbrio em relação aos demais investimentos da empresa (CESAR, 2007; MARTINS; ALT, 2003; PAGOTTO, 2005; VIANA, 2002). 2.2 Ferramentas utilizadas para a Gestão de Estoques Nessa seção será apresentado as ferramentas que foram utilizadas para a Gestão dos Estoques, como classificação ABC, Retorno de Capital e Giros de Estoques ou Rotatividade, Perdas e Custo de Armazenagem Classificação ABC Uma ferramenta de grande utilidade para análise de estoqu rque permite identificar aqueles itens que necessitam mais atenção e tratamento adequados quanto a sua administração. Segundo Slack, Chambers e Johnston (2002), a lei de Pareto ou o princípio base da curva ABC, estabelece que aproximadamente 20% dos itens totais contidos em estoque representa uma grande proporção cerca de 80% do valor total em estoque. Assim pode-se utilizar esse princípio para a classificação dos diversos materiais estocados de acordo com sua movimentação de valor. Tornando possível aos gestores priorizarem seus esforços de acordo com os produtos mais significativos. Os produtos e/ou itens são alocados em três classes diferentes, (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002): Classe A: 20% dos itens que possuem um alto valor de demanda ou consumo anual representam cerca de 80 % do valor monetário do estoque. 5

6 : ário de demanda ou consumo anual, usualmente 30% dos itens que representam cerca de 10% do valor monetário total do estoque. Classe C: são itens de baixo valor, representam 50% do total de itens estocados e representam apenas cerca de 10% do valor total dos itens estocados. Os critérios usuais para a classificação de estoque segundo a curva ABC são o uso anual e do valor, mas em alguns casos outros critérios podem contribuir, como por exemplo, efeitos da falta de estoque, fornecimento incerto e risco de deterioração ou obsolescência (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2002) Retorno de Capital e Giros de Estoques ou Rotatividade No passado, acreditava-se que um bom gerenciamento de estoques era aquele em que os itens eram alocados em volume muito superior ao utilizado, favorecendo a segurança de não faltar peças / componentes e matérias-primas para o perfeito fluxo de produção. Atualmente, sabe-se que os estoques são parte do ativo circulante da empresa e representam recursos que estão aguardando para se transformar em caixa, ou seja, risco de dinheiro com baixa liquidez correndo risco de se tornar obsoleto. Portanto, para gerir eficientemente os estoques de uma empresa ário conhecer o capital investido, a disponibilidade do estoque existente e o custo incorrido (MOURA, 2004), o lead-time, e a demanda / consumo. Somente com base no conhecimento destas informaçõ ível que seja desenvolvido um planejamento consistente com e consciente das necessidades da organização, evitando assim desperdícios de recursos financeiros e reduzindo o risco de não atendimento da demanda. Para ilustrar o impacto dos estoques sobre o lucro da companhia, deve-se avaliar o retorno de capital investido em estoques com base no lucro das vendas anuais sobre o capital investido em estoques, segundo Pozo (2010), como segue: Retorno de capital = Lucro / Capital em Estoque Enquanto, Giros de Estoques ou Rotatividade é a avaliação do capital investido em estoques comparado com o custo das vendas anuais, ou da quantidade média de materiais em estoque dividido pelo custo anual das vendas. Para se calcular a rotatividade, é necessário o valor dos estoques e dividir pelo custo anual das vendas. O valor de estoque pode ser utilizado em quantidades monetárias ou quantidades de peças. 6

7 O custo anual das vendas representa o valor anual das vendas deduzido do custo da mão-de-obra e as despesas gerais, que se resume nos custos dos matérias comprados durante o ano (POZO, 2010) e representado pelo modelo a seguir: Rotatividade ou Giros de Estoques = Custo das vendas anuais / Estoque Perdas O preço da ineficiência passa a ser mais gritante quando se chega a considerar o q ê produtivos da ordem de 85% a 95%. O parque industrial brasileiro deixa de produzir em torno de 50% da sua capacidade produtiva mesmo operando a plena carga, o que traduz em alto custo que são repassados para o preço final, comprometendo a competitividade, segundo Cortez (2013). A causa das falhas nas indústrias brasileiras são devido a diversos fatores que vão desde deficiências na organização do chão de fábrica passando pela falta de padronização, de procedimentos, capacitação dos recursos humanos e o pouco envolvimento do principal executivo na produção (CORTEZ, 2013). O primeiro passo para redução das perdas e atingir o nível ideal de produção é identificar onde está ocorrendo a perda, e para isso deve- q q q í de eficiência. Vale salientar que após descobrir as perdas, se deve organizar em ordem de prioridade, considerando a que demanda menor esforço e gera maior retorno. Além de avaliar se a metodologia para eliminar a perda não gera mais custos do que a própria perda, porque existem casos em que é mais barato atuar com perdas do que deter tecnologias que as evitem, geralmente são equipamentos não vitais à empresa. Cortez (2013) ainda apontou que se a empresa não dispõe de uma metodologia adequada, os esforços dispendidos para eliminação de perdas torna-se ineficientes, ou seja,. Portanto, estabelecida a ordem de prioridade, na etapa logo a seguir se deve definir os indicadores de desempenho da empresa como: produtividade, qualidade, custo, tempo de 7

8 entrega, segurança, meio ambiente e responsabilidade social, a partir dos quais a empresa terá condições de planejar os meios para atingir a condição ideal. Os tipos de perdas são apresentados no Quadro 1. Quadro 1 Tipos de Perdas. Manutenção programada Quebras / Falhas Set up (troca de produtos) Troca de ferramentas e gabaritos Partida e desligamento Espera Baixas velocidades, pequenas paradas e ociosidade Defeito e retrabalho Falhas administrativas Falhas operacionais Falha logística Desorganização da produção Medição e ajustes excessivos Rendimento de material Desperdício de energia Baixa eficiência de moldes e gabaritos Perdas nos equipamentos Perda de tempo por desligamento decorrente de manutenção periódica conforme calendário anual de manutenção. Perdas de tempo devido à parada inesperada do equipamento em decorrência de quebras ou falhas durante o regime normal de produção. Perdas de hora x máquina entre o final da produção de um produto e o início da produção do produto seguinte, livre de defeitos, inclusive ajustes necessários. Perda de tempo decorrente da substituição de ferramentas ou gabaritos necessários à continuação da produção podendo ser causada por desgaste normal, quebra ou fim da vida útil. Perdas de tempo causadas pelos procedimentos de partida após período planejado de inatividade e desligamento para período planejado de parada de equipamento. Perda causada pela espera por instrução de ordens de produção ou espera por materiais, mão-de-obra e/ou insumos, de maneira não programada. Perdas de produção, equivalentes em tempo, causadas pelo fato de a máquina estar trabalhando com velocidade abaixo da projetada ou a pequenas paradas, devido a problemas temporários. Perdas de produção, equivalentes em tempo, em vista da fabricação de produtos defeituosos descartados ou retrabalho de recuperação ou rebaixamento para produto de segunda categoria. Perdas nos recursos humanos e insumos Perdas de tempo do homem na espera durante processos administrativos, como espera por materiais e por instruções e trabalhos extraordinários. Perdas de tempo do homem, relacionadas ao não cumprimento dos padrões de trabalho previamente estabelecidos. Perdas de tempo do homem, relacionadas ao excessivo movimento ou deslocamento (layout deficiente, falta de sistemas automatizados ou mesmo sistemas mal projetados). Perdas de tempo do homem, relacionadas à desorganização da linha de produção que causam movimentos desnecessários, esperas ou ainda dificuldades para a realização dos trabalhos. Perdas de tempo do homem, relacionadas à utilização de horas x homem em excessivos controles, medições e ajustes, para evitar a ocorrência de produtos defeituosos. Perdas, em volume/peso, devido à diferença de peso entre todas as matérias-primas e os produtos finais, por exemplo, espessuras desnecessárias, sobremetal, refiles, rebarbas, canais de fundição etc. Insumos desperdiçados ou utilizados em excesso, isto é, além do especificado no projeto ou processo (por exemplo, perda de ar comprimido, vapor etc.) Perdas de custos indevidos incorridos na fabricação ou reparo de matrizes, gabaritos ou ferramentas, devido ao desgaste prematuro, não atingindo a vida útil 8

9 Superprodução Transporte desnecessário Movimentos desnecessários Espera Estoque desnecessário Processamento redundante Correção Fonte: Cortez (2013). esperada Custo de Armazenagem Perdas no fluxo de produção Perdas decorrentes da produção de uma grande quantidade sem necessidade ou de produção mais rápida que a demanda do cliente. Perdas causadas por qualquer movimentação de material não compatível com o sistema de produção just-in-time. Perdas devido a qualquer movimento dos recursos humanos que não adiciona valor. Perdas decorrentes do tempo ocioso entre operações. Perdas causadas por qualquer abastecimento em excesso que não ajude o fluxo de uma peça. Perdas decorrentes de processamentos desnecessários que não adicionam valor ao produto. Perdas devido à necessidade de separar, inspecionar, consertar ou refugar um produto ou serviço, para satisfazer as exigências do cliente. Para a implantação de uma estratégia empresarial, um princí. q agregado por meio de posicionamentos competitivos que são selecionados para apoiar a estratégia. Os centros logísticos prega a redução de custos e a criação de um sistema racional de armazenagem de matérias-primas e insumos para obter uma maior flexibilidade e velocidade na operação, atendendo às exigências e flutuações do mercado. A armazenagem surge como uma das funções que agrega valor ao sistema logístico, porque a mesma apresenta soluções para os problemas de estocagem de materiais e melhora na integração entre suprimento, produção e distribuição. Ballou (2001) apresentou alguns motivos que justificam a armazenagem na cadeia de suprimentos, como apresentado no Quadro 2. Quadro 2 Justificativas para armazenagem na cadeia de suprimentos Redução de custos de transporte e de produção Coordenação entre demanda e oferta Processo de produção Motivos para armazenagem Em decorrência do melhoramento no transporte e produção, as despesas adicionadas podem se compensadas com custos mais baixos da armazenagem e o estoque associado. Empresas que possuem produtos de produção sazonal e demanda variável, recorrem em alguns momentos por manter uma produção em níveis constante í. q - necessário realizar a armazenagem. Um outro fator gerador de armazenagem em decorrência da variação o í. Quando existe uma grande oscilação de preço em um curto espaço de tempo, as empresas buscam de certa forma negociar, se antecipando na compra de insumos ou produtos, afim de obtê-los a um preço mais baixo. q q í (vinhos, queijos etc.).. 9

10 Processo de marketing Fonte: Ballou (2001). Frequente preocupação do mar consumidor. Em alguns casos a armazenagem agrega um determinado valor ao produto, em função da diminuição do tempo de entrega e disponibilidade. Basicamente os custos de armazenagem (mão-de-obra, instalações, aluguel ou aquisição, equipamentos etc.) são caracterizados por serem fixos e indiretos, ou seja, existe uma obrigação contá q q çã çã (acondicionamento) e não por contas naturais (depreciaçã. os itens são contabilizados por sua função -se proporcionais. Mesmo que existam poucos produtos no armazém ou sua movimentação esteja abaixo do planejado, os custos de armazenagem continuarão constantes, pois na grande maioria esses são dependentes dos equipamentos de movimentação, de pessoal, espaço físico e de novos investimentos, se tratando de uma atividade de demanda não constante. O custo de armazenag transportes, obsolescência e despesas diversas (DIAS, 1997), - : Custo Total de Armazenagem = { [ (Q / 2) x P ] + Df } T x i : custos de capital, seguro, q Onde: Q / 2 = estoque médio em unidades de um produto. P = preço unitário do material. Df = despesas financeiras. T = tempo considerado de armazenagem. i = taxa de armazenagem, expressa geralmente em termos de porcentagem do preço unitário. Para que a expressão acima seja vá ária a análise de duas hipóteses: 1. q é q q q ível má áximo, da mesma forma para o estoque mínimo, como apresentado na Figura O preço unitário deve ser constante no período analisado ou se deve utilizar o valor médio. Estoque Estoque Máximo x 10

11 Estoque Médio y Custo de Armazenagem Figura 1 - Curva do custo de armazenagem. Fonte: Dias (1997). Na próxima seção será apresentado a metodologia que norteou o trabalho. 3 Metodologia Nesse trabalho desenvolveu-se um estudo de caso em uma empresa de impressão metálica. Os dados foram levantados por meio de entrevistas semi estruturada e observação em documentos e participação, que possibilitou identificar as melhorias no controle dos almoxarifados utilizando-se ferramentas de gestão de estoques. O estudo de caso permite compreender cada cenário analisado por meio de coleta de dados em entrevistas e observação em documentos e participação do processo, resultando em dados qualitativos e quantitativos (EISENHARDT, 1989). No processo de coleta de dados realizou-se entrevista semiestruturada junto ao gestor de logística, que permitiu a observação participante no almoxarifado de tintas e acesso a documentos e indicadores de desempenho para avaliar dados quantitativos, que possibilitou realizar análise estatística dos dados. Conforme Bogdan e Biklen (1992) a observação participante e a entrevista semiestruturada são ferramentas importantes para desenvolver discussão qualitativa. A avaliação quantitativa dos dados permitiu calcular o ABC dos itens de estoque, o retorno de capital, as perdas de estoque, o custo de armazenagem e cálculos de capacidade de produção para facilitar o entendimento sobre as melhorias conquistadas após a implementação de gestão de estoques. Segundo Hayati et al., (2006) a análise quantitativa permite melhorar compreensão do objeto estudado. 4 Estudo de Caso 11

12 4.1 Apresentação da empresa A empresa está no mercado desde 1936, atua na área de embalagens metálicas de aço, produzindo latas, baldes e aerossóis. Atende aos segmentos químico e alimentício fornecendo embalagens e serviços de litografia para as principais empresas do mercado. Possui três unidades de produção e produz mais de 1 bilhão de latas de aço ao ano, um desempenho que se deve a uma associação de atributos como: tecnologia, inovação, pontualidade, competência e preocupação com o meio ambiente. 4.2 Análise e discussão dos dados As análises foram realizadas, a partir da classificação ABC do inventário total da empresa, com o objetivo de demonstrar diferentes cenários em relação ao retorno de capital da empresa, rotatividade, valores financeiros das perdas dos insumos, comparativo dos custos de armazenagem entre os diferentes cenários dos estoques e os cálculos das capacidades de impressão da gráfica. A Tabela 1demonstra o valor de inventário total da empresa que representa 180 tipos diferentes de tintas em estoques no valor de R$ ,20 classificados em classes ABC, que de acordo com a política de estoque da empresa, visando que seus insumos de tintas possuem valores elevados, sendo assim fica determinado pela diretoria que os itens mais caros que pertencem à classe A representariam 10% que é representado por 18 produtos no valor de R$ ,44 no inventário total, e assim os itens da classe B 30% para 54 produtos no valor de R$ ,50 e para a classe C 60% igual a 108 produtos em R$ 4.799,26 totalizando assim 180 produtos em estoques. O intuito da classificação ABC, foi de fornecer aos gestores uma forma de visualizar quais eram seus produtos mais caros, suas representatividade percentuais e financeiramente no inventário total, tornando assim uma forma mais clara para o controle de compras para os abastecimentos das tintas importando-se principalmente com os itens da classe A que são os mais caros para se manter em estoques. Tabela 1 Classificação ABC do Inventário Total Produto - Tinta $ Lote de Tinta Classificação ABC 18 (10%) R$ ,44 A 54 (30%) R$ ,50 B 108 (60%) R$ 4.799,26 C = 180 (100%) = ,20 Inventário Total 12

13 A partir da classificação ABC, que foi possível quantificar financeiramente os estoques, deu suporte para uma análise do retorno de capital da empresa, porém com cenários diferentes, devido a falta de controle dos estoques do setor de impressão da gráfica, gerando assim três cenários diferentes de estoques: abastecido, baixado e físico. A Tabela 2 mostra o cenário do estoque abastecido, calculado o retorno de capital pela fórmula RC = L / C, sendo L representando o lucro das vendas e C= capital em estoques, seguido de sua rotatividade pela fórmula R = CV / E, onde CV representa os custos das vendas E o capital em estoques. De acordo com os valores fornecidos pela direção da empresa um lucro de R$ ,12 dividindo-se pelo capital em estoques encontrado pela classificação ABC de R$ ,20 obtemos um RC= de 24 e uma rotatividade utilizando um custo de vendas de R$ ,00 e o mesmo capital em estoques R$ ,20 resultou em 10 dias para reposição de insumos em estoques. Esse cenário demonstra que o retorno de capital não é ruim em comparativo com das empresas do mesmo setor, mas por outro lado a rotatividade demonstra a necessidade de reposição de tintas de pelo menos a cada 10 dias, pois essa rotatividade se deve a falta de controle do retorno das tintas nos almoxarifados, gerando assim compras indevidas, elevando assim o valor do capital em estoques. Tabela 2 Retorno de Capital e Rotatividade do Estoque Abastecido Retorno de Capital do Estoque Abastecido Rotatividade RC = L/C R = CV /E R$ ,12 / R$ ,00 / R$ ,20 = 24 R$ ,20 = 10 dias Na Tabela 3 aponta-se para o cenário do estoque baixado no sistema, onde fora utilizado o mesmo valor do lucro das vendas de R$ ,12, porém calculado com o valor do estoque baixado no sistema de R$ ,41 resultando em um retorno de capital de 40 e sua rotatividade para 17 dias. Tabela 3 Retorno de Capital e Rotatividade do Estoque Baixado Retorno de Capital do Estoque Baixado RC = L/C R$ ,12 / R$ ,41 = 40 Rotatividade R = CV /E R$ ,00 / R$ ,41 = 17 dias A Tabela 4 representa para o estoque físico da empresa utilizando o mesmo valor para o lucro das vendas R$ ,12 com o valor de R$ ,00 para o capital em estoques gerando um retorno de capital de 94 e uma rotatividade para 39 dias. 13

14 Tabela 4 Retorno de Capital e Rotatividade do Estoque Físico Retorno de Capital do Estoque Físico RC = L/C R$ ,12 / R$ ,00 = 94 Rotatividade R = CV /E R$ ,00 / R$ ,00 = 39 dias A Tabela 5 compara os retornos de capital encontrados entre os diferentes cenários seguidos de suas rotatividades. O comparativo demonstra as diferenças quantitativas para a gestão dos estoques, onde no estoque abastecido em relação ao baixado houve uma variação de 73,9%, e do estoque baixado para a contagem do estoque físico uma variação de 135%, o mesmo ocorreu com os valores em rotatividade, onde no estoque abastecido era necessária uma reposição a cada 10 dias, no estoque baixado 17 dias e no estoque físico 39 dias. Tabela 5 Comparativo de Retorno de Capital e Rotatividade do Estoque Físico Comparativo do Retorno de Capital e Rotatividade do setor de impressão da empresa Retorno de capital % Rotatividade Abastecido = dias Baixado = 40 73,9 % 17 dias Físico = % 39 dias Com a falta de um controle nos estoques, resultou em perdas financeiras de tintas no setor de impressão, pois as tintas utilizadas para a impressão não retornavam para os almoxarifados, ficando espalhados pela a empresa e até mesmo ficando nos tinteiros das máquinas. A Tabela 6 mensura os valores financeiros em perdas de tintas no setor de impressão, do estoque abastecido em relação ao baixado uma perda de R$ ,79, e do abastecido em relação ao físico R$ ,20. Tabela 6. Perdas de Tintas em Relação aos Estoques Perdas de Tintas em Relação aos Estoques Valores Perdas Financeiras R$ Estoque Abastecido Estoque Baixado Perda de Tintas R$ ,20 R$ ,41 (R$ ,79) Estoque Abastecido Estoque Físico Perda de Tintas R$ , ,00 (R$ ,20) Com a falta de controle dos estoques das tintas para impressão, traz para a empresa uma dificuldade em quantificar seus custos de armazenagem, já que esses insumos podem ser armazenados sem correr o risco de se degradarem, para isso é necessário que a empresa saiba qual é realmente o valor de seu custo de armazenagem, pois nesse cálculo trabalhamos o valor 14

15 de inventário total, as despesas financeiras (Df), tempo de armazenagem (T) e custo do dinheiro investido em estoques (i). Para tanto a Tabela 7 demonstra o cálculo do custo de armazenagem do estoque abastecido [(Q: 2) x P] no valor de R$ ,20 obtendo o valor médio do estoque de R$ ,10, somado com as despesas financeiras R$ ,00 e multiplicado por 0, 22, resultando um custo de armazenagem de R$ ,82. Tabela 7 Custo de Armazenagem do Estoque Abastecido Custo de Armazenagem do Estoque Abastecido CTA = { [ (Q : 2) x P ] + Df } T x i CTA = { [ ( R$ ,20 : 2 ) ]+ R$ 8.500,00 + R$ ,00 + R$ ,00}x 0,22 CTA = {R$ ,10 + R$ ,00}x 0,22 CTA = R$ ,10 x 0,22 CTA = R$ ,82 Na Tabela 8 mostra-se a quantificação do custo de armazenagem do estoque baixado, [(Q: 2) x P] no valor de R$ ,41, obtendo o valor médio de R$ ,71, e que somado pelo mesmo valor das despesas financeiras e multiplicado por 0,22, resultou em um custo de armazenagem de R$ ,06. Tabela 8 Custo de Armazenagem do Estoque Baixado Custo de Armazenagem do Estoque Baixado CTA = { [ (Q : 2) x P ] + Df } T x i CTA = { [ ( R$ ,41 : 2 )] + R$ 8.500,00 + r$ ,00 + R$ ,00}x 0,22 CTA = {R$ ,71 + R$ ,00}x 0,22 CTA = R$ ,71 x 0,22 CTA = R$ ,06 O custo de armazenagem do estoque físico, [(Q: 2) x P] no valor de R$ ,00, obtendo o valor médio de R$ 6.672,00, e que somado pelo mesmo valor das despesas financeiras e multiplicado por 0,22, resultou em um custo de armazenagem de R$ 9.277,84, conforme Tabela 9. Tabela 9 Custo de Armazenagem do Estoque Físico Custo de Armazenagem do Estoque Físico CTA = { [ (Q : 2) x P ] + Df } T x i CTA = {[( R$ ,00 : 2 ) ] + R$ 8.500,00 + r$ ,00 + R$ ,00}x 0,22 CTA = {R$ 6.672,00 + R$ ,00}x 0,22 CTA = R$ ,00 x 0,22 CTA = R$ 9.277,84 15

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