Monitoramento e Avaliação: uma estratégia para fortalecimento do. Planejamento Estratégico na Superintendência de Atenção à Saúde

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1 SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE ALAGOAS SUPERINTENDÊNCIA DE ATENÇÃO À SAÚDE Monitoramento e Avaliação: uma estratégia para fortalecimento do Planejamento Estratégico na Superintendência de Atenção à Saúde da Secretaria de Estado da Saúde Evelyne Mastrianni Lima Furtado MACEIÓ JULHO-2013

2 Evelyne Mastrianni Lima Furtado Monitoramento e Avaliação: uma estratégia para fortalecimento do Planejamento Estratégico na Superintendência de Atenção à Saúde da Secretaria de Estado da Saúde Artigo encaminhado para 2º Congresso Brasileiro de Política, Planejamento e Gestão em Saúde que teve como referência o Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial à conclusão do Programa de Especialização em Gestão da Atenção à Saúde do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês e da Fundação Dom Cabral.

3 Monitoramento e Avaliação: uma estratégia para fortalecimento do Planejamento Estratégico na Superintendência de Atenção à Saúde da Secretaria de Estado da Saúde RESUMO Esse artigo aborda o tema planejamento estratégico. Pretende discutir como o monitoramento e a avaliação podem se constituir em espaços pedagógicos, numa perspectiva de ir além de conteúdos, numa proposta de aprendizagem significativa de aprender fazendo e sentindo, comprometendo-se com a realidade. Nesse trabalho foi realizada uma revisão teórica, e a partir desses conhecimentos, apresentado como vem se dando o processo de implantação do projeto monitoramento e avaliação, uma estratégia para fortalecimento do Planejamento da Superintendência de Atenção à saúde na Secretaria de Estado da Saúde desenvolvido no curso de Especialização em Gestão da Atenção à Saúde. Palavras Chaves: Planejamento, monitoramento, avaliação e aprendizagem significativa.

4 3 1. INTRODUÇÃO O planejamento como necessidade humana seja no campo pessoal seja em função da organização coletiva acompanha o percurso da história da humanidade. Há, no entanto, diferentes formas de entendimento sobre sua missão, abordagens, modelos e perspectivas. O planejamento em saúde no Brasil teve, historicamente, um percurso singular a partir do processo da redemocratização do país, da Constituição de 1988 e da Lei Orgânica de Saúde (Lei nº 8080/1990) culminando com a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2006, o Ministério da Saúde criou o Sistema de Planejamento do SUS PlanejaSUS, que se configura como um processo estratégico para o aperfeiçoamento da gestão do SUS, através de atuação contínua, articulada, integrada e solidária das três esferas do governo para a oferta de ações e serviços de saúde, capazes de promover, proteger e recuperar a saúde da população, possuindo como instrumentos básicos o Plano de Saúde, a Programação Anual de Saúde e o Relatório Anual de Gestão(BRASIL, 2006). O Planejamento do SUS fundamentado na concepção de Planejamento Estratégico Situacional desenvolvido por Matus (1996) vem, desde sua implantação, incorporando tendências com enfoques que incluem configurações que trazem a perspectiva da participação dos atores sociais como sujeitos de transformação. O enfoque participativo assume uma dimensão importante uma vez que é abrangente e traz ao processo os atores enquanto sujeitos históricos e capazes de decisões competentes e comprometidas com a transformação social. Em Alagoas, a vivência nas ações de planejamento junto aos gestores da saúde em diferentes níveis, desde superintendentes, coordenadores, diretores da equipe da Secretaria de Estado da Saúde até gerentes de unidades e serviços e aos trabalhadores da saúde tem demonstrado como a função planejamento ainda é relegada em detrimento do que se acredita ser o trabalho de execução das ações de saúde. O planejamento entendido como processo de ação-reflexão-ação, como uma ferramenta para melhorar os resultados na gestão, ainda não conseguiu se efetivar totalmente na prática. As equipes gestoras conhecem os instrumentos de planejamento, participam do seu processo de elaboração, porém a maioria não utiliza esses instrumentos no dia a dia como uma ferramenta capaz de subsidiar a prática, não sendo identificado pela maioria dos gestores o compromisso com o planejamento como instrumento de gestão, e o valor de uso desses instrumentos cotidianamente.

5 4 Embora se tenha esta realidade descrita, o processo de planejamento na Superintendência de Atenção à Saúde da SESAU/AL vem se desenvolvendo de forma ascendente. E isso só ocorre por meio da participação dos diretores, gerentes e técnicos de planejamento de todos os setores, de forma institucional nas oficinas regionais para construção do Plano Plurianual e Plano estadual de Saúde com os municípios, e os conselhos de saúde, na análise da situação de saúde. Apesar da adoção deste modelo participativo percebe-se que na elaboração da programação anual de saúde (PAS), instrumento que operacionaliza as intenções expressas no Plano de Saúde, a cultura de adaptar o planejamento do ano anterior ao ano subsequente ainda tem sido a prática adotada por alguns destes gestores, esquecendo-se de sua vinculação com o Plano Estadual de Saúde e o Relatório Anual de Gestão. O monitoramento e a avaliação da programação Anual de Saúde- PAS da SESAU/AL ocorre através da realização de oficinas envolvendo as áreas técnicas da secretaria e as instâncias de participação e controle social do SUS no Estado, no sentido de analisar os resultados alcançados. A metodologia para medir o alcance quantitativo das metas propostas consiste em um escore com pontos de cortes e legendas coloridas para avaliar o status alcançado em relação à execução das metas programadas, conforme demonstrado abaixo. Gráfico 1 : Escore dos Status Alcançado Fonte: Adaptado do PES pag. 80 Este monitoramento e avaliação das ações são efetivados através do sistema de planejamento online disponível na página da SESAU/AL. Esse sistema é alimentado pelos técnicos responsáveis pelo planejamento das superintendências, coordenadorias, diretorias e gerências com as informações das ações realizadas para execução da programação. Os relatórios produzidos pelo sistema online (relatório de execução financeira, relatório de execução das metas, avaliação qualitativa da ação) terminam por ser a compilação

6 5 de dados conforme o sistema de monitoramento disponível. Identifica-se que há certo distanciamento entre o documento inicial e a prática efetivada faltando, inclusive, muitas vezes, o conhecimento sobre os indicadores, as ferramentas de acompanhamento e avaliação bem como discussão coletiva dos resultados alcançados. As oficinas de avaliação quadrimestrais são realizadas com a participação dos gestores, porém ainda não se percebe uma avaliação dos indicadores, de processo de resultados e de estrutura, do Plano Estadual de Saúde. Assim, a avaliação dos resultados não é utilizada como reflexão crítica o que denota a dificuldade de entendimento do planejamento como ferramenta para melhorar a eficácia da gestão e a impossibilidade de articulação entre os diversos gestores da atenção à saúde. Em pesquisa realizada por Barbosa de Oliveira Melo, Maria de Cassia e Rejane Oliveira Melo, demonstrou-se que a maioria dos gestores e técnicos da SESAU/AL conhece os instrumentos de planejamento, mas não os utiliza. As autoras também pesquisaram sobre as fragilidades na utilização do planejamento para o exercício da gestão e identificaram as seguintes categorias: necessidade de capacitação em planejamento; falta de cultura do uso de planejamento; e morosidade administrativa na instituição e assim se posicionaram: As fragilidades elencadas pelos entrevistados são pontos que interferem no exercício de práticas estruturadas de planejamento pela equipe gestora e técnica da SESAU/AL, dificultando o fortalecimento da organização das ações de saúde e o aperfeiçoamento da gestão do SUS no Estado. ( MELO;MELO, 2010) Diante desta realidade entendeu-se que se faz necessário desenvolver uma estratégia para o fortalecimento e valorização do planejamento pela Superintendência de Atenção à Saúde (SUAS) da SESAU/AL envolvendo toda equipe gestora a ela vinculada e que estariam diretamente comprometidos com todas as etapas do processo de planejamento. Em princípio partiu-se do seguinte questionamento: como utilizar o monitoramento e a avaliação das metas, objetivos e ações previstas nos instrumentos de planejamento como estratégia para fortalecer o planejamento da Superintendência de Atenção à Saúde na SESAU/AL? Diante dessa pergunta de pesquisa, o objetivo do projeto de intervenção desenvolvido foi de desenvolver uma estratégia de monitoramento e avaliação com vistas a fortalecer o processo de planejamento na Superintendência de Atenção à Saúde da SESAU-AL.

7 6 Nesse sentido, os objetivos específicos do referido projeto foram: 1) identificar as dificuldades das equipes gestora da SUAS/SESAU para utilização do monitoramento e avaliação como instrumento de gestão. 2) Propor estratégias de monitoramento e avaliação para fortalecer o processo de planejamento na Superintendência de Atenção à Saúde da SESAU-AL. 2. DESENVOLVIMENTO A busca da coerência entre o pensar, o sentir e o agir alicerça a construção do conhecimento no século XXI a partir dos novos paradigmas da educação propostos pela UNESCO. Enquanto no século XX a concepção newtoniana-mecanicista impulsionava uma visão de mundo centrada em paradigmas racionais trazendo grande impulso à ciência e tecnologia, o mundo atual requer o alargamento desta concepção, sem dela prescindir, incluindo-se a dimensão do ser como capaz de aprender fazendo, conhecendo e sentindo para integrar-se a nova dinâmica de enfrentamento à realidade. Assim também evoluiu o conceito de saúde de modo a considerar as múltiplas dimensões da experiência humana, os recursos biológicos, sociais e pessoais, incluindo-se ainda, em nova proposta, a dimensão da subjetividade espiritual. Diante disso é importante realçar a importância do conhecimento do referencial teórico sob o qual se fundamenta o presente projeto bem como esclarecer quais os conceitos assumidos pela pesquisadora para elaboração do mesmo. Tratando-se de um projeto com o foco em planejamento em saúde no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS) e com abordagem no campo da educação, há a inquietação de buscar a fundamentação teórica em autores considerados referenciados em planejamento estratégico como Carlos Matus(1996) e outros, bem como nos instrumentos de planejamento, monitoramento e avaliação. Na área da educação, autores como Paulo Freire (1989), e na educação permanente e formação em serviço, como Ricardo Ceccim (2004), todos com inegável contribuição na construção do conhecimento. O planejamento entendido como processo estratégico se fundamenta na experiência vivenciada na América Latina, mais precisamente por Carlos Matus, no Chile para quem

8 7 negar o planejamento é negar a possibilidade de escolher o futuro, é aceitá-lo, seja ele qual for. As bases conceituais se expressam na análise do ambiente do gestor público por meio de um triângulo, em cujos vértices estariam o projeto ou plano de governo, a capacidade de governo e a governabilidade. Assim, nenhum projeto de governo obtém êxito se não houver a competência técnica e os recursos financeiros e a articulação com todos os atores envolvidos. Por mais avançada que seja a proposta de governo, sofreria o fracasso se não houver a competência alicerçada na capacidade técnica e de tomada de decisão, na administração de conflitos, na flexibilização necessária para a convergência em torno de interesses comuns e no compromisso de transformar o plano em realidade. Silva e Mazzali (2012), analisando a contribuição de Carlos Matus no planejamento estratégico no setor público assim se referem à gestão pública municipal: A gestão do setor público, no âmbito municipal, se caracteriza pelo improviso e pela falta de planejamento, com reflexos profundos na formulação e na implementação de políticas públicas e, de modo particular, na articulação entre elas. Na gestão pública, o governante age normalmente sem um plano, atua de acordo com as circunstâncias emergenciais que vão acontecendo no dia a dia, ou seja, as organizações atuam de forma anárquica ou de maneira improvisada. (SILVA; MAZZALI, 2012 p. 2) Embora os autores se refiram ao município, à situação descrita se reproduz nas demais esferas do poder público com importante repercussão na área da saúde em que o Sistema Único de Saúde, por sua concepção, requer o planejamento e a articulação como exigências básicas para o sucesso. Ao gestor público na área de saúde cabe, portanto, se empenhar para que o planejamento, como ferramenta imprescindível à consolidação do SUS, se institucionalize não apenas como unidade operativa, mas que rompa a barreira da indiferença e da acomodação de todos os atores sociais em relação a todo o processo, isto é, nele incluir o planejamento, o monitoramento, e a avaliação como etapas interpostas e significantes para uma gestão competente e comprometida. A vontade política de transformação da realidade deve ser a principal característica dos gestores, isto é, a responsabilidade da transformação do presente na busca por um futuro diferente. Nesse contexto se entende que planejar é tentar submeter o curso dos acontecimentos à vontade humana (MATUS, 1993, p. 13). Esta leitura aponta para a impossibilidade de construção de um PES sem a participação dos gestores compartilhando com os técnicos de planejamento o entendimento de todo o processo para evitar que sejam tomadas decisões seja em ambientes da micropolítica seja na macropolítica, sem alinhamento entre o planejado e a execução.

9 8 Para Matus: Quem tem capacidade de decisão e responsabilidade de conduzir as políticas públicas deve obrigatoriamente envolver-se no planejamento. O pressuposto do planejamento é estabelecer diretrizes claras a serem perseguidas, assim faz-se necessária a revisão permanente do plano em função do comportamento dos atores e da conjuntura. É preciso estabelecer fluxos de informação, controle, análise, revisão do plano, articulações entre programas e execução. (MATUS, 1997). O autor trata do Planejamento Estratégico Situacional (PES), não havendo como negar que a concepção de um planejamento moderno contém estas mesmas características em todos os níveis de planejamento. O gestor público comprometido e competente dispõe, assim, de fundamentação teórica capaz de alicerçar a construção de um modelo de planejamento em que a tomada de decisão em todas as etapas tenha como referência as questões básicas que se desdobram ao longo do processo de planejamento como ação-reflexão-ação, ou seja: Para que? Para quem? O que? Como? Com quem? E com que? O questionamento inerente ao planejar é, portanto, fundamental para que os atores sociais identifiquem o problema e atuem de forma compartilhada produzindo transformações da realidade encontrada com vistas à construção de uma nova realidade desejada e promissora. Não se pode reduzir a gestão à objetividade de uma ação instrumental sob pena de construir um ciclo vicioso de racionalidade apenas normativo. O planejamento não é um momento em que se constroem documentos mesmo que de forma ascendente e participativa. É processual e, portanto, percorre todas as etapas nas variadas e interdependentes dimensões, desde o reconhecimento da realidade até a avaliação e releitura da realidade transformada. O planejamento em saúde na esfera pública exige que o monitoramento e a avaliação sejam utilizados de forma sistematizada a partir da construção dos indicadores e das referências adequadas para o acompanhamento e análise de resultados. Exige também considerar as ações planejadas, as relações Inter e intrasetoriais para a realização destas ações e o período de execução, pois a destinação dos recursos e a dinâmica da realidade da saúde exigem permanente interpretação para, se necessário, realinhar o planejamento inicial. O monitoramento e a avaliação se constituem em elos entre o que se quer e planejou e o que se alcança os resultados. É, portanto, uma fase que se desenvolve ao longo do processo retroalimentando todas as demais etapas, tornando-se, assim, em garantia para que todos os atores sociais se articulem de forma perene e estratégica.

10 9 Essa consideração comunga com a ideia do autor Cohen, franco (1993) quando ele diz que A avaliação não deve ser concebida como uma atividade isolada e autossuficiente. Ela faz parte do processo de planejamento da política social, gerando uma retroalimentação que permite escolher entre diversos projetos de acordo com sua eficácia e eficiência (COHEN, 1993). O monitoramento caminha pari passu 1 com a avaliação, pois permite flexibilização para intervenções necessárias ao processo a partir da observação e registro de dados concretos da realidade em um espaço de tempo mais curto. Monitoramento é a observação e o registro regular das atividades de um projeto ou programa. É um processo rotineiro de acúmulo de informações do projeto em todos os seus aspectos. Monitorar é checar o progresso das atividades do projeto, ou seja, uma observação sistemática e com propósitos. Monitorar é também dar um retorno sobre o projeto aos seus colaboradores, implementadores e beneficiários. A criação de relatórios permite que todas as informações reunidas sejam usadas na tomada de decisões em prol do aperfeiçoamento da performance do projeto. (BARTLE,2007) Bartle (2007) conceitua o monitoramento sob três principais aspectos: a possibilidade de acompanhar o desenvolvimento de um planejamento, a perspectiva de avaliação em processo e a instrumentalização para a retroalimentação diante dos resultados acompanhados em cada etapa e ao final, quando há necessidade de replanejar de forma a aperfeiçoar o planejamento. Embora o autor se refira a projetos e programas, esta conceituação é adotada pelo planejamento desde que se configurem as ferramentas adequadas a este processo. Ainda segundo Bartle (2007) Monitorar fornece informações que serão úteis para (...)garantir que todas as atividades sejam executadas corretamente pelas pessoas certas no tempo certo, utilizar lições de experiência de projetos anteriores e determinar se a maneira na qual o projeto foi elaborado é o mais apropriado para a resolução do problema em questão. O monitoramento, portanto, se constitui em etapa importante do processo de planejamento sem a qual se deixa de retroalimentar o processo para a superação de dificuldades e para gerar adequações necessárias a novos cenários da realidade. A avaliação no setor saúde se configura como instrumento importante para a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que possibilita a produção de conhecimentos sobre a realidade e subsidia a tomada de decisões, favorecendo o repensar das 1 Pari passu é uma expressão latina que significa "em igual passo", "simultaneamente", "a par", "ao mesmo tempo".

11 10 estruturas operacionais e dos procedimentos de atenção, no sentido de verificar se o que foi realizado gerou aperfeiçoamento e melhorias na gestão das ações e serviços e no estado de saúde da população (PES-AL, p. 79). A importância da avaliação se expressa na reflexão e discussão sobre o ponto de chegada para se construir um novo ponto de partida. Com este escopo a avaliação perde a característica de cobrança e, portanto, cerceadora de ideias e estratégias de superação para assumir a perspectiva de propulsora de processos de transformação e ações inovadoras. Crozier & Freidberg (1977), consideram que uma das funções importantes da avaliação é favorecer os processos de aprendizagem individuais e coletivos. A proposta do projeto se fundamenta nessa concepção, pois entende que favorecendo um olhar crítico sobre a ordem estabelecida, a avaliação deixa de ser um instrumento de poder nas mãos de um grupo de atores e se torna uma verdadeira ferramenta de libertação. (CROZIER E FREIDBERG, 1977 apud CONTANDRIOPOULOS, 2011, pg. 270). Segundo Santos (2004): O campo da avaliação em saúde tem se organizado na concepção de que avaliar é uma forma particular de julgamento e ferramenta de gestão compromissada com os processos de transformação social. Além disso, tem sido buscadas a capacitação e criação de uma massa crítica em avaliação capaz de implantar e adequar propostas relacionadas àquela concepção, institucionalizando a avaliação como um processo contínuo e permanente. (SANTOS, 2004). A criação da massa crítica em avaliação na SESAU vem ao encontro da necessidade institucional de modo a garantir que os técnicos de planejamento possam, de fato, usar o processo avaliativo com o conhecimento e o compromisso necessários para a discussão e realinhamento do planejamento, e como consequência, o fortalecimento da gestão do SUS no estado. Para Baptista (2007): A avaliação está presente dialeticamente em todo o processo do planejamento: quando se inicia a ação planejada, inicia-se concomitantemente sua avaliação, independente de sua formalização em documentos. Não é, portanto, o seu momento final, mas aquele em que o processo ascende a outro patamar, reconstruindo dinamicamente seu objeto, objetivos e procedimentos. (Baptista, 2007 p. 113) Esta concepção proposta por Baptista reforça a configuração de planejamento estratégico no que diz respeito ao caráter processual, ascendente, participativo e comunicativo. Ainda segundo Baptista (2007):

12 11 A avaliação, no processo de planejamento corresponde à fase em que o desempenho e os resultados da ação são examinados a partir de critérios determinados, com vistas à formulação de juízos de valor. A avaliação é o meio através do qual o técnico poderá medir a efetividade de suas ações, e o impacto das decisões estabelecidas no planejamento. Mas, não aponta apenas a efetividade das ações, e onde deve intervir exatamente, mas também na eficiência e eficácia do planejamento. No entanto, para que isso ocorra, faz necessário o controle. A realidade concreta nos tem demonstrado, contudo, que a avaliação ainda não está institucionalizada como ferramenta de gestão, mas, sobretudo, é vista como indicador de resultado mais inerente à quantificação e a redistribuição de recursos financeiros. Romper esta cultura exige que o gestor adote uma política de compartilhar com todos os demais atores a formulação do planejamento de modo que os mesmos absorvam a necessidade de se comprometer com os resultados a qualquer nível de desenvolvimento conforme as metas e objetivos planejados. Matus, (1987) alerta que: A incorporação da avaliação como prática sistemática nos diversos níveis dos serviços de saúde poderia propiciar aos seus gestores as informações requeridas para a definição de estratégias de intervenção. Há uma grande quantidade de informações registradas rotineiramente pelos serviços que não são utilizadas nem para a análise da situação de saúde, nem para a definição de prioridades, nem para a reorientação de práticas. Muitas dessas informações obtidas regularmente, se analisadas, podem se constituir em matéria-prima para um processo desejável de avaliação continuada dos serviços, também chamada de monitoramento, ou em um estágio mais avançado de organização dos serviços de saúde, como uma sala de situações para o planejamento. Esta situação descrita por Matus deve servir de referência, pois a avaliação continuada dos serviços, também chamada de monitoramento seria um dos problemas ainda enfrentado no processo de planejamento em saúde, notadamente pela SUAS/SESAU. Segundo Bartle (2007): A insistência em que a aplicação das ferramentas e a discussão em torno dos seus produtos, seja feita coletivamente, se dá pela convicção que estes processos coletivos são auto pedagógicos, acumulam conhecimento à equipe gestora dos serviços, na medida em que esta vai se apropriando da realidade na qual esta inserida. Neste sentido, dão maior potência aos sujeitos em ato, em processos de gerência e coordenação. Depreende-se daí que a possibilidade de transformação da cultura atual para uma nova realidade em que o planejamento seja concebido como ferramenta importante para a consolidação do SUS e o melhor aproveitamento dos recursos envolvidos para o atendimento das demandas advindas de todos os atores envolvidos estaria vinculada à construção coletiva.

13 12 Nesta, os sujeitos em ato não apenas acumulam conhecimento como desenvolvem a capacidade de entender que o trabalho em equipe é essencial para o sucesso da gestão. A proposta da construção de um espaço pedagógico para educação permanente tem como propósito desenvolver um processo no qual os atores envolvidos se tornam sujeitos de seu conhecimento. A utilização das ferramentas de monitoramento e da avaliação se presta à construção de saberes a partir da realidade sob a qual se desenvolve o processo de ensinoaprendizagem com vistas a fomentar mudanças atitudinais que permitam um novo olhar sobre o planejamento. Paulo Freire (1967) produziu as bases para a educação em que a pessoa é um ser histórico e ativo de suas opiniões e atitudes. Há necessidade, assim, da formação de uma consciência crítica entendendo-se que todo ato de educação é um ato político, pois se fundamenta no ideário cultural onde o indivíduo está inserido e o momento histórico que se vive. Brasil (2004, p.9 apud CECCIM, 2005) ao analisar o contexto da educação permanente em saúde no Brasil diz: A Educação Permanente parte do pressuposto da aprendizagem significativa, que promove e produz sentidos, e sugere que a transformação das práticas profissionais esteja baseada na reflexão crítica sobre as práticas reais, de profissionais reais, em ação na rede de serviços. A Educação permanente é a realização do encontro entre o mundo de formação e o mundo de trabalho, onde o aprender e ensinar se incorpora ao cotidiano das organizações e ao trabalho. O autor conceitua educação permanente na perspectiva de educação conforme princípios da UNESCO, isto é, educar para fazer, para aprender, para sentir e para ser. Neste sentido o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. Uma proposta para a educação permanente tem, assim, de ter objetivo mais abrangente que o conhecimento. Deve ter como referencial no sentido subjetivo as demandas pessoais dos envolvidos frente a uma realidade sobre a qual se dispõem a trabalhar e reconstruir de forma coletiva. Tem, portanto, a perspectiva de ensino-aprendizagem que vai além do aperfeiçoamento em ferramentas de monitoramento. Busca-se a compreensão da necessidade de construção de uma visão da realidade a partir da qual se planeja com o compromisso de transformação dessa realidade para melhor. A proposta de elaboração do planejamento de forma integrada, ascendente, participativa, coletiva e processual de modo a garantir o atendimento às reais demandas requer o despertar de uma nova atitude em toda a equipe.

14 13 Trata-se de obter uma mudança atitudinal dos atores sociais. O processo pedagógico se dá, portanto, à medida que se alinha à prática educativa à necessidade intrapsíquica de transformação pessoal. Pedagógico, nesta concepção, refere-se a todo o contexto do processo de educação, que vai além de conteúdo, metodologia e técnicas de ensino-aprendizagem e considera a indissociabilidade entre a prática educativa e sua teorização. Com essa configuração pretendese estabelecer a interlocução entre o pensar e o fazer numa proposta de aprender fazendo e sentindo, comprometendo-se e realizando. Monitorar e avaliar passam a ser assim o próprio espaço da prática pedagógica para iniciar um processo através do qual os atores sociais se motivem para a sustentabilidade do processo de educação. André Pierre Contandriopoulos (2011) se posiciona de forma a aliar esta necessidade da construção do saber pelos atores do planejamento enquanto prática social ao conferir à avaliação o papel fundamental para esta construção. Diz ele: Para que o julgamento da avaliação seja verdadeiramente crítico e a avaliação seja, assim uma das alavancas de transformação desses sistemas, seria necessário, em primeiro lugar, certificar-se de que os atores compreendem bem os determinantes de seus julgamentos e de suas práticas. Segundo, seria necessário favorecer os debates em torno dos resultados das avaliações, pois uma mesma informação pode ser interpretada diferentemente conforme posição que alguém ocupa e conforme seu campo de julgamento. Terceiro, seria necessário multiplicar os esclarecimentos que a avaliação permite, trabalhando com o mesmo rigor no mérito de uma intervenção, na avaliação de seus resultados, na avaliação de seus processos e na avaliação de sua implantação. Finalmente, seria necessário favorecer a reflexão sobre a própria natureza do que é a avaliação. (CONTRADDIOPOULUS, 2011, pg. 271) O monitoramento e a avaliação como estratégia e espaço pedagógico do processo de planejamento trazem, portanto, a perspectiva de institucionalização do planejamento atendendo-se às premissas de construção do pensamento crítico, da capacidade de julgamento e da realização das práticas conforme a percepção da realidade, como ator social. O referencial teórico pretendeu embasar o projeto como ponto de partida, pois que ao longo da execução vem permitindo construir novas abordagens em consonância com a metodologia adotada e as expectativas e esperanças despertas. Para concepção da proposta de intervenção foi necessário mapear possíveis cenários e perspectivas de modo a colocar as pessoas como os principais agentes de transformação, pois

15 14 o processo participativo não se esgota na simples participação, mas exige competência e compromisso de todos os envolvidos. Numa primeira etapa buscou-se, assim, ouvir a equipe gestora da SESAU-AL em articulação com a Superintendência de Gestão e Participação Social para análise compartilhada de viabilidade da proposta com vistas à sustentabilidade. Foram identificados os modelos de intervenção, os recursos de conhecimento, a capacidade organizativa e os recursos financeiros, para realização das ações propostas. Buscou-se, assim, desenvolver um cenário em que os gestores pudessem se comprometer com o processo de planejamento além de conhecer-lhe os instrumentos de modo a institucionalizar o seu uso como ferramenta de gestão. Nesta perspectiva a proposta de intervenção favoreceu o inicio da implantação do projeto de monitoramento e avaliação que está sendo desenvolvida, no cenário de atuação em trabalho, com metodologia em que se alinhem a necessidade da transformação pessoal à prática educativa centrada no próprio objeto de trabalho. Elegeu-se, então, capacitar os gestores e técnicos de planejamento a partir do conhecimento e utilização das ferramentas de monitoramento e avaliação. Todo o processo está sendo fundamentado no fazer acontecer, isto é, definindo uma situação que permita aos gestores refletirem sobre os resultados das ações planejadas e, portanto, sobre a importância do planejamento para a gestão. A proposta dessa capacitação está sendo desenvolvida em consonância com a equipe gestora da SUAS-SESAU a partir da concepção de aprendizagem significativa. Nesta concepção, os sujeitos ao construírem sua estrutura de conhecimento, cabem-lhes interpretalas e relacioná-las com outros conhecimentos já adquiridos anteriormente. Nesse sentido a equipe gestora e os técnicos aprendem enquanto se dá o processo de monitoramento e avaliação. O monitoramento e a avaliação se constituem em espaço e oportunidade de aprendizagem, desta forma a avaliação pode se constituir em um processo transformador da vida social e dos indicadores de saúde. A metodologia adotada, centrada na aprendizagem significativa, é aqui assumida de acordo com o que sugere alguns autores referenciados nesse trabalho como Cecim (2004), Contrandriiopoulos (2011). Um conjunto de ações vem sendo desenvolvidas em Encontros Semanais, oficinas compartilhadas, leituras contextualizadas, dia do monitoramento e construção de instrumentos de monitoramento e avaliação e outras estão previstas como seminários integrados e integradores.

16 15 A fundamentação teórica se da através das leituras contextualizadas e ocorre a cada etapa de modo a subsidiar a organização do conhecimento e a perspectiva de atuação na prática do trabalho. A identificação das lacunas de conhecimento e de dificuldades no processo de monitoramento e avaliação ocorreu na etapa inicial por meio da realização de oficinas compartilhadas entre todos os atores do processo. Estas oficinas têm também como objetivo despertar o interesse da equipe para a construção de um projeto de educação permanente, em que se poderiam delinear os principais conteúdos, processos e instrumentos necessários a atuação da equipe como agentes de mudanças. Como estratégia para sensibilizar a equipe gestora e técnica, foi institucionalizado o dia do monitoramento. Trata-se, na realidade, de um momento significativo para deflagrar as ações de capacitações como necessidade intrínseca à formação da equipe para a cultura do planejamento. Ocorrerão seminários integrados e integradores para discussão do processo, revisão da fundamentação teórica, sensibilização dos agentes, discussão dos resultados e fortalecimento do planejamento enquanto processo de ação- reflexão-ação. A construção de indicadores de monitoramento e avaliação bem como a interpretação daqueles propostos pelo Plano Estadual de Saúde se dará através de dia do monitoramento a partir do que se construirá o Painel de Indicadores na SUAS-SESAU com o propósito de torná-lo referencial para acompanhamento, discussão e intervenção. A Oficina de Avaliação Quadrimestral foi realizada como espaço de aprendizagem e de análise critica dos resultados alcançados de modo a implementar a cultura de monitoramento e avaliação como cenário apropriado à criação de alternativas de retroalimentação contínua de todo o planejamento estratégico da SESAU. Todo o desenvolvimento desta proposta de intervenção está sendo monitorado e avaliado nos cenários de Encontros Semanais dialogando e cooperando tecnicamente com a equipe gestora e técnica da SUAS/SESAU, num processo de construção coletiva. As ações propostas, prevista a execução em doze meses (janeiro/dezembro 2013) estão sendo coordenadas pela Assessoria Técnica de Planejamento da Superintendência de Atenção à Saúde em articulação com a superintendência, diretorias e gerências. O processo de acompanhamento técnico vem se dando de forma sistemática e contínua utilizando o aporte teórico do Planejamento Estratégico e os instrumentos básicos do PLANEJASUS.

17 16 Almeja-se implantar o Projeto de Educação Permanente como um produto desta proposta de intervenção de modo que se garanta a sustentabilidade da cultura de planejamento na SESAU. 3- CONCLUSÃO: O compromisso com uma gestão competente no serviço público exige profissionais preparados e empenhados em melhorar cada vez mais os resultados na gestão. A proposta de utilizar o monitoramento e avaliação como espaço pedagógico, para fortalecer o planejamento na Superintendência de Atenção à Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, vem ao encontro da concepção da autora de compreender a importância desses momentos. Não sendo estanques, porque se dão dialeticamente e de forma contínua, são importantes cenários para o gestor propor mudança na realidade a partir das análises críticas produzidas com o processo de monitoramento e avaliação. Há evidências de fortalecimento do processo de planejamento da Superintendência de Atenção à Saúde, traduzido nos relatório e no envolvimento dos gestores no processo o que pode nos apontar que a estratégia de aprendizagem significativa vem possibilitando às pessoas não apenas o conhecimento, mas a pertinência como ator social do processo. Esse trabalho é um projeto piloto na Superintendência de Atenção à Saúde com possibilidade de ser ampliado para as demais Superintendências da SESAU-AL a partir das necessidades dos atores sociais, dentre eles, superintendentes, diretores, gerentes e técnicos da Secretaria de Estado da Saúde.

18 17 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Paulo Roberto. A experiência brasileira em planejamento econômico: uma síntese histórica, BAPTISTA, Myrian Veras. Planejamento Social: Intencionalidade e Instrumentação. 2a ed. São Paulo: Veras Editora, BRASIL. Sistema de Planejamento do SUS: uma construção coletiva- trajetórias e orientações de operacionalização Ministério da Saúde. Organização Pan- Americana da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, BROUSSELLE, Astrid; CHAMPAGNE, François; CONTADRIOPOULOS, André Pierre; HARTZ, Zulmira (Og.). Avaliação Conceitos e métodos. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, CECCIM,R.M.B. O desafio que a educação permanente tem em si: a pedagogia da implicação. Interface Comunic. Saúde Educ.9 (16):161-77,set.2004/fev FIGUEIREDO, Débora Ferreira. Uma Reflexão sobre o Planejamento Estratégico. Revista Administração e Diálogo,v. 2, n. 1 PUC-SP São Paulo - SP - Brasil (2000) FIGUEIRÓ, Ana Cláudia et al. Avaliação em Saúde: Bases conceituais e operacionais.rio de Janeiro: MedBook,2010 FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Introdução de Francisco C. Weffort. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989., Educação e conscientização: extencionismo rural. Cuernavaca (México): CIDOC/Cuaderno 25, 1968., Pedagogia do oprimido. New York: Herder&Herder, 1970 (manuscrito em português de 1968). Publicado com Prefácio de Ernani Maria Fiori. Rio de Janeiro, Paz e Terra, JESUS, Washington Luiz Abreu de; ASSIS, Marluce Maria Araújo (Org.). Desafios do Planejamento na construção do SUS. Salvador: EDUFBA, MATUS, Carlos. Política, planejamento e governo. Brasília: Editora IPEA, MATUS, Carlos. Adeus, senhor presidente: governantes governados. São Paulo: FUNDAP, 1996.

19 18 MELO, Maria de Cassia Barbosa; MELO, Rejane de Oliveira. Planejamento em Saúde: percepção da Equipe Gestora da Secretaria de Estado da Saúde, 2010 SESAU-AL, Plano Estadual de Saúde , SILVA, Sergio Vital; NIERO, José Carlos Coelho; MAZZALI, Leonel. O Planejamento Estratégico Situacional no Setor Público A Contribuição de Carlos Matus. Disponível em :www.google.com.br> Acesso em 03 out TEIXEIRA, Carmen F(Org.). Planejamento em Saúde: conceitos, métodos e experiências. Salvador: EDUFBA, 2010.

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