Projeto BRA/12/018 - Desenvolvimento de Metodologias de Articulação e Gestão de Políticas Públicas para Promoção da Democracia Participativa

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1 Projeto BRA/12/018 - Desenvolvimento de Metodologias de Articulação e Gestão de Políticas Públicas para Promoção da Democracia Participativa Produto 4 - Documento contendo estratégias e boas práticas para mediação dos debates na plataforma do Portal da Participação Social e perfis nas redes, considerando o envolvimento de interlocutores temáticos e dos demais órgãos de governo parceiros do projeto Propostas para mediação do debate a partir de experiências bem sucedidas em outras plataformas digitais Grazielle Machado Fernandes Brasília 2014

2 Produto 4 Propostas para mediação do debate a partir de experiências bem sucedidas em outras plataformas digitais Contrato n /2013 Objeto da contratação: Consultor para o aporte de conhecimentos e metodologias para mapeamento e mobilização de interlocutores de governo e sociedade civil, disseminação de conteúdos de comunicação, mediação de debates e análises no âmbito do projeto do portal da participação social. Valor do produto: R$ 9.600,00 (nove mil e seiscentos reais) Data de entrega: Nome do consultor: Grazielle Machado Fernandes Nome do supervisor: Ricardo Augusto Poppi Martins

3 Fernandes, Grazielle Propostas para mediação do debate a partir de experiências bem sucedidas em outras plataformas digitais/2014. Total de folhas: 29 Supervisor: Ricardo Augusto Poppi Martins Secretaria: SNAS Secretaria-Geral da Presidência da República Palavras-chave: Palavras-chave: interação, participação social, debate, digital, redes sociais, colaborativa, Participa.br Esta obra é licenciada sob uma licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial- SemDerivações. 4.0 Internacional.

4 SUMÁRIO Resumo Introdução Contexto e importância da consultoria Contexto atual e Importância do Produto Desenvolvimento Analise de experiências de mobilização bem sucedidas no Facebook Por que é importante ter uma plataforma pública para a mediação desses debates Como mediar os debates que acontecem no Participa.br Como fomentar debates sociais utilizando o Participa.br Como outras plataformas digitais podem ajudar a ampliar os debates no Participa.br Conclusão...23 Referências...25 ANEXOS...26

5 Resumo Esse produto analisa o contexto atual do Brasil e como as interações acontecem nas principais redes sociais digitais do país. A partir da literatura pesquisada e das experiências analisadas, foram elaboradas sugestões metodológicas para que gestores públicos possam mediar e fomentar debates utilizando o Portal Federal da Participação Social (Participa.br). O objetivo é fortalecer o uso da ferramenta para que cada vez mais políticas públicas sejam elaboradas utilizando a Plataforma. São abordadas as teorias de comunicação sobre redes sociais e ações concretas de mobilização social na internet. Por fim, apresenta sugestões de ação e ferramentas que podem ser desenvolvidas para este fim. Palavras-chave: interação, participação social, debate, digital, redes sociais, colaborativa, Participa.br

6 1. Introdução O Brasil tem se transformado, ao longo dos últimos vinte anos, em um país democrático com diversas práticas participativas bem sucedidas que aproximam Estado e sociedade no processo de construção de políticas públicas e melhor distribuição de serviços (AVRITIZER, 2009). As praticas participativas vão desde as mais tradicionais, exercidas através do voto, como referendo e plebiscito, até a realização de conferências de políticas públicas, passando pelas audiências e consultas públicas, e até as menos utilizadas como ouvidorias públicas e mesas de dialogo. No campo digital podemos citar experiências ligadas aos chamados orçamentos participativos, consultas online e até o uso das redes sociais digitais (Facebook e Twitter, por exemplo) como mecanismos de interação entre poder público e sociedade. O uso das novas comunicações para a participação e mobilização social assume, de acordo com Henriques (2009), um papel estratégico para ampliar as relações da democracia representativa para democracia participativa. O autor reforça a necessidade de estimular a participação dos sujeitos através de diversos meios a fim de provocar nos participantes um sentimento de corresponsabilidade com a coisa pública. O Portal Federal da Participação Social (Participa.br) nasceu como um espaço onde governo e sociedade podem, juntos, gerir e exercitar os conceitos da democracia participativa. O Decreto Presidencial nº 8.243/2014 que institui a Política Nacional de Participação Social (PNPS) em seu Art. 6º inciso IX indica que: São instâncias e mecanismos de participação social, sem prejuízo da criação e do reconhecimento de outras formas de diálogo entre administração pública federal e sociedade civil: ambiente virtual de participação social. Diante disso, faz-se necessário que o governo brasileiro se empenhe cada vez mais em ampliar os canais de participação com o uso das novas tecnologias para aproximar ainda mais o

7 cidadão dos canais de dialogo com a sociedade. Este trabalho analisa a interação que já acontece nas principais redes sociais digitais (Facebook e Twitter) como forma de embasar e apontar sugestões de ações para que gestores públicos, das diversas esferas administrativas, possam potencializar, moderar e ampliar debates utilizando as ferramentas e comunidades temáticas do Participa.br como um canal de escuta e diálogo com a Sociedade. O presente trabalho também considera essencial o envolvimento dos interlocutores (toda a sociedade brasileira, neste caso) para haja de fato um debate qualificado sobre a ampliação das políticas públicas. 1.1 Contexto e importância da consultoria O trabalho realizado por meio de convênio entre a Secretária-Geral da Presidência da República (SG/PR) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) visa o desenvolvimento de metodologias para o mapeamento e mobilização de interlocutores para ampliação da participação social no âmbito da Política Nacional de Participação Social (Decreto Presidencial nº 8.243/2014) com foco no Portal Nacional da Participação Social (Participa.br). No contexto das pesquisas e atividades já realizadas até o momento este produto visa descrever e sugerir métodos de trabalho a partir das comunidades temáticas e da analise das trilhas de participação social (mecanismo onde governo e sociedade constroem colaborativamente processos participativos para diálogos e debates na plataforma) do Portal da Participação Social (Participa.br). Além disso, a integração do canal oficial com as redes sociais digitais já estabelecidas e amplamente utilizadas no Brasil se mostra um caminho viável para canalizar os debates já propostos pela sociedade. É necessário buscar (mobilizar) o cidadão nas redes sociais já estabelecidas onde as discussões naturalmente ocorrem, porém, onde o Governo não pode fazer a construção de políticas públicas por ser uma rede privada, e chamálos para ambientes apropriados onde a construção de processos colaborartivos e participativos podem ser efetivamente desenvolvidos em conjunto com o Governo Federal, canalizando e dando fluidez as demandas apresentadas pela Sociedade.

8 Nos próximos capítulos as formas de interação, mediação e fomento dos debates no âmbito do Participa.br serão melhor detalhados. Além disso, também existe um capitulo específico para mostrar como é possível que o Governo utilize as redes sociais digitais prioritárias como ferramenta de mobilização, interação e canalização de diálogos e debates para o Participa.br. 1.2 Contexto atual e Importância do Produto A participação social no Brasil representa princípio jurídico-institucional presente na Constituição Federal de 1988, que a definiu como forma de afirmação da democracia e da consolidação da cidadania. Ao incorporar esse princípio como referência para a gestão pública, o Governo Federal aprimora os processos de interação do Estado com a Sociedade e cria as condições institucionais para a prática da democracia participativa. Com isso, verifica-se que, além da crescente participação social nas decisões governamentais, as políticas públicas ganham maior legitimidade, uma vez que expressam as atuais condições socioeconômicas e culturais da população brasileira em suas diferentes realidades regionais. Na estrutura administrativa do Poder Executivo Federal, cabe à Secretaria-Geral da Presidência da República (SG/PR) a função de intermediar as relações do Governo com as entidades da sociedade civil, conforme competências definidas pela Lei /2003 e pelo Decreto nº /2012. Assim, a SG/PR é órgão incumbido de assessorar diretamente a Presidenta da República e outros órgãos e entidades do Governo Federal no relacionamento e na articulação com os movimentos sociais, o que inclui a criação e a implementação de canais que assegurem a consulta e a participação popular na discussão e na definição da agenda prioritária do país.

9 Para desempenhar suas prerrogativas de maneira eficiente e eficaz é importante que a SG/PR se adeque aos novos tempos, adotando novas tecnologias e metodologias de diálogo com a sociedade. Os processos de participação podem ser tencionadores da democracia, ao exigirem dos governos uma capacidade contínua de renovação dos canais de diálogo e escuta. Como consequência da ampliação dos meios de comunicação, da massificação da internet, da velocidade de produção e troca de informação entre as pessoas, os governos encaram o desafio de incorporar as novas tecnologias e repensar metodologias aos processos tradicionais. Do ponto de vista de nomenclatura, podemos citar diversos termos: democracia digital e-democracy, governo aberto, participação mediada por Internet, participação digital etc. As explicações e soluções caminham no sentido de adaptar os processos convencionais de participação social para os meios digitais, além de criar novas formas de interação possibilitadas pelo uso das novas tecnologias. Uma definição coerente foi proposta por Macintosh (2004) que considera e-democracia como a estratégia de utilizar tecnologias de informação e comunicação para engajar cidadãos, auxiliar no processo de decisão democrático e fortalecer a democracia participativa. Já existem, dentro e fora da administração pública, processos coletivos que auxiliam na tomada de decisões. Na administração pública federal, podemos destacar as conferências nacionais. De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) foram realizadas, no Brasil, 87 conferências setoriais com a participação de mais de sete milhões de pessoas de 2003 a No campo da sociedade civil, podemos destacar o uso das petições online como forma de mobilização e pressão da sociedade civil, por exemplo. As experiências citadas demonstram a necessidade de interação entre governo e sociedade no sentido de ampliar as consultas com vistas à construção de políticas públicas. Este

10 produto visa mostrar como o Portal Nacional da Participação Social (Participa.br) pode ser um instrumento que auxilia o governo na tomada de decisões. Além disso, a plataforma tem vocação para ser o canal de diálogo e escuta entre cidadãos e gestores públicos. A moderação das chamadas comunidades temáticas do Participa.br e o correto monitoramento das trilhas de participação permitem ao gestor público obter um termômetro dos debates propostos e a sistematização das sugestões oferecidas pela sociedade para construção de políticas públicas. 2. Desenvolvimento A fim de demonstrar a importância e a efetividade da interação e do uso de novas formas de comunicação para mobilizar e engajar pessoas analisamos três comunidades do Facebook. Os critérios de escolha foram: quantidade elevada de membros, a não utilização de publicidade paga e a interação entre os integrantes. Durante um mês analisamos como as comunidades são geridas e como seus membros reagem a cada publicação. Também foi avaliada a qualidade dos eventos presenciais organizados por cada iniciativa, pois entendemos que os nestes casos os eventos presenciais são o resultado prático das mobilizações realizadas. Com essa observação espera-se descobrir as melhores práticas de moderação e interação em comunidades online para que gestores públicos possam ampliar e qualificar as iniciativas de participação social no âmbito da administração pública federal. Também observamos as ferramentas utilizadas para fomentar os debates que ocorreram em cada páginas (disparo de , tagueamento de pessoas, etc). A forma como os administradores dessas comunidades publicam e moderam o conteúdo também foi observada.

11 2.1 Analise de experiências de mobilização bem sucedidas no Facebook As comunidades avaliadas foram: - Página Movimento Infância Livre de Consumismo ( curtidas) https://www.facebook.com/infancialivredeconsumismo - Grupo Mães amigas de Águas Claras e Região ( membros) https://www.facebook.com/groups/maesamigasdf/ - Página DF em Movimento (552 curtidas) https://www.facebook.com/dfemmovimento Antes de falar dos resultados é preciso explicar a diferença entre Página e Grupo no Facebook. As páginas foram criadas para facilitar o contato do público com marcas ou artistas de forma mais abrangentes que os perfis pessoais. Já os Grupos são voltados para discussões privadas e por definição a um número pequeno de pessoas. Ambas possuem administradores. Nas Páginas seus nomes são mantidos ocultos, por que se supõe que elas próprias representem outras entidades. A página de um artista, por exemplo, pode ser gerenciada por várias pessoas diferentes que não querem ou não precisam ser identificadas. Todo o conteúdo do mural da página é publicado em nome dela mesma. Já os Grupos funcionam de forma um pouco diferente. Neles, os administradores são conhecidos e suas publicações são feitas no próprio nome. Ao contrário das Páginas, que são incentivadas a ter o maior número de fãs possível, os Grupos perdem funcionalidades quando o número de pessoas é muito grande s em massa, por exemplo, são bloqueados após 5 mil membros. Os Grupos, entretanto, oferecem mais controle para seus participantes, sendo possível aprovar ou não a entrada de um novo membro. Nas Páginas, isto não ocorre. As informações são da Central de Ajuda do Facebook.

12 A página Movimento Infância Livre de Consumismo, criada em março de 2012, se identifica como, movimento de mães, pais e cidadãos inconformados com a publicidade dirigida às nossas crianças. Desde a sua primeira postagem a página mostra capacidade de criar engajamento entre os membros do grupo. Falar em engajamento significa que os membros da página ou grupo se envolvem nos temas propostos e dialogam entre si. Ao curtir, comentar ou compartilhar a informação recebida em seu feed de notícias o internauta ajuda a divulgar o conteúdo, além disso, ele enriquece o debate ao concordar ou discordar com a publicação. O engajamento é essencial para que marcas, produtos e movimentos tornem-se conhecidos e ganhem força na internet. Ato ou efeito de engajar ou engajar-se. Ato pelo qual um cidadão declara querer servir nas forças armadas durante tempo determinado. Participação em batalha: o engajamento das reservas. Participação, posição em face das questões políticas e sociais. Dicionário online de português. Nas postagens podemos destacar: uso de imagem ilustrativa, texto explicativo, link para informações externas e tagueamento de pessoas possivelmente interessadas no tema. O resultado disso é que todas as postagens têm comentários, curtidas e compartilhamentos por parte dos membros do grupo. A página produz pouco conteúdo autoral, mas sempre traz informações relevantes sobre o tema tratado. Além isso, faz uso de posts que chamam as pessoas para participar e pedem opiniões. Outro fato que merece ser registrado é que a página sempre responde aos questionamentos que surgem ao longo do tempo. Em conversa com uma das moderadoras do Movimento Infância Livre de Consumismo, Raquel Fusaro, ela explica que o sucesso da página pode estar no fato de reunir pessoas realmente interessadas com o tema (em geral, pais que se preocupam os filhos). Segundo ela, não existe um segredo especial para que a iniciativa tenha alcançado sucesso, mas ela cita que fomentar o debate é essencial e é um papel dos administradores do grupo.

13 O grupo Mães amigas de Águas Claras e Região começou no Facebook, atualmente já conta com site e promove diversos eventos presenciais e conta com uma rede de estabelecimentos que fornece desconto às integrantes do grupo. A entrada de participantes no grupo é moderada pelas administradoras. As integrantes, só mulheres são aceitas, trocam dicas e conversam sobre as dificuldades do dia a dia. As postagens são feitas por qualquer pessoa do grupo. São excluídas apenas as que contrariam, as regras estabelecidas. Os assuntos são os mais diversos possíveis. Vão de dúvidas sobre temas ligados à maternidade até dicas para festa de casamento ou cirurgia plástica. Os eventos presenciais (feiras, passeios no parque, casamento coletivo, etc) são organizados pelas moderadoras do grupo. É delas a tarefa de organizar e divulgar o evento dentro e fora do grupo. A página DF em Movimento foi criada em julho de A iniciativa reúne organizações da sociedade civil do Distrito Federal (DF) com o objetivo de debater as propostas dos candidatos a deputado, senador e governador do DF. Além disso, o grupo se propôs a organizar uma série de encontros presenciais, transmitidos ao vivo pela internet, entre os candidatos e os moradores da cidade. Os integrantes da iniciativa divulgaram a página em suas próprias redes, ou seja, cada pessoa foi responsável por convidar outras pessoas. Além da página, os organizadores elaboraram uma carta de compromisso, onde enumeram o que consideram essencial para a área social do DF. Essa carta foi divulgada na plataforma Avaaz.org e qualquer pessoa pode assinar a petição online para demonstrar que está de acordo e ajudar a pressionar os candidatos (http://migre.me/llon7). Vale destacar a iniciativa dos organizadores do DF em Movimento para formar um mailing de s válidos: ao assinar a petição online a pessoa é obrigada a informar um

14 endereço de , os organizadores utilizam essa listagem para divulgar os debates sem depender apenas do Facebook. O resultado disso foi que o primeiro encontro presencial organizado (encontro com candidato a governador) lotou o auditório da Câmara Legislativa do DF em pleno sábado à tarde (ver anexo 5). sucesso: Chamaram atenção, nas três iniciativas avaliadas, os seguintes fatores críticos de - Uso de tagueamento de pessoas. Por exemplo, ao falar sobre educação destacar pessoas que têm interesse nesse tema, isso chama os integrantes do grupo/pagina para o debate. -Pedir opinião, expressões como concordam, qual e sua opinião, o que você pensa sobre isso e similares servem para acalourar as conversas. - Sempre responder. Os moderadores das páginas/grupos sempre respondem aos questionamentos. 2.2 Por que é importante ter uma plataforma pública para a mediação desses debates Nos últimos anos, observa-se a popularização de ambientes e ferramentas que digitalizam (ou potencializam) e amplificam as redes de colaboração e amizade, e permitem publicação fácil e instantânea. São exemplos desse processo os assim chamados blogs e serviços de redes sociais digitais (Facebook e Twitter, dentre outros). Esses ambientes, com grande adesão no Brasil, permitem a mobilização e a rápida disseminação de conteúdos. Possuem um grande alcance, pois trafegam por extensas redes de contatos. Percebendo as oportunidades desse novo canal de interação, diversas empresas buscam acompanhar o comportamento desses novos e potenciais clientes para estabelecer contato direto com esses novos atores sociais nas redes.

15 A porcentagem de brasileiros que acessa a internet via telefone celular mais do que dobrou em dois anos, chegando a 31% em o valor representa 52,5 milhões de pessoas com dez anos ou mais. Esse percentual vem apresentando forte crescimento nos últimos anos: 4% em 2010, 15% em 2011 e 20% em Os números que comprovam a força dos canais digitais são da pesquisa TIC Domicílios do Comitê Gestor da Internet (CGI), divulgada em Para mostrar a força e a capilaridade que os meios digitais têm alcançado lembro que diversos países, incluindo o Brasil, têm assistido a diversos movimentos de rua que tiveram seu início nas redes sociais digitais (Primavera Árabe, 15M na Espanha, Occupy Wall Street, os protestos de junho de 2013 e manifestações em todo o Brasil). Todos tiveram em comum a demonstração de insatisfação da população para com o governo local. As plataformas utilizadas para que os manifestantes se organizassem antes de ir às ruas foram majoritariamente Facebook e Twitter (MALINE e ANTOUN, 2013). Essas ferramentas são softwares proprietários, ou seja, todo conhecimento produzido (argumentos, debates, documentos compartilhados, etc) não está à disposição das autoridades públicas e também não pode ser sistematizados posteriormente. Desta forma, essa insatisfação dificilmente poderá ser transformada em insumo para diálogo, debate ou construção de propostas, ações ou políticas públicas de governo. O Portal Nacional da Participação Social (Participa.br) deve ser visto pelos brasileiros como uma rede social que possibilita o debate e a construção efetiva de políticas públicas. Para isso, é importante que a Administração Pública Federal utilize, de fato, o Participa.br como uma rede social. Essas redes são caracterizas pela forte interação entre os agentes que a compõem. Por isso é importante que agentes e órgãos públicos utilizem perfis, blogs e comunidades do Participa.br para interagir com a sociedade. Sem essa interação constante as pessoas tendem a não dar credibilidade à plataforma.

16 O Brasil conta hoje com uma estrutura executiva de 39 ministérios. Destes, 90% tem perfil nas principais redes sociais (Facebook e Twitter). Isso mostra a disposição que governo e sociedade demonstram em se comunicar utilizando as novas tecnologias É importante que além desses canais os órgãos se empenhem em adotar o Participa.br como instância formal de participação social. Além disso, o Participa.br está descrito como um dos compromissos assumidos pelo Brasil no Open Government Partnership (OGP) - Plano de Ação Brasileiro para a Parceria de Governo Aberto. 2.3 Como mediar os debates que acontecem no Participa.br O Portal Nacional da Participação Social (Participa.br) dispõe de ambientes interativos e participativos para consultas públicas e etapas virtuais de conferência, transmissão interativa de eventos e reuniões, tornando-se um repositório transparente e agregador do conhecimento sobre participação social disperso nas redes sociais digitais que, como dito anteriormente, são espaços de debates políticos. O Participa.br se propõe como um espaço onde a sociedade dialoga com diferentes agentes de governo, trazendo contribuições e colaboração nas diversas etapas das políticas públicas. A plataforma organiza seus debates em torno de comunidades temáticas criadas a partir do interesse da sociedade ou governo. A gestão das comunidades é conjunta. A construção de um processo participativo dentro de uma comunidade ocorre no objeto trilha a qual permite estabelecer um caminho colaborativo de participação com diversas etapas. Cada etapa está ligada a uma ferramenta digital de participação.

17 Figura 1 - Diagrama de concepção de funcionamento do participa.br: comunidade possui trilhas; trilha possui etapas; etapa possui ferramenta. Cada comunidade criada pode usufruir de uma ou mais trilhas de participação. Cada trilha pode ter uma ou mais etapas participativas, presenciais ou online. Cada etapa participativa possui uma ferramenta principal empregada no processo que está sendo desenvolvido naquela etapa. O gestor público precisa atendar para os critérios de analise dos debates que ocorrem no Participa.br. Henriques (2009) apresenta oito critérios para análise, em escala, que podem ser aplicados a uma segmentação de públicos em cada projeto institucional, e que podem caracterizar a natureza e a força dos vínculos entre o poder público e os cidadãos. A Figura 2 mostra tais critérios:

18 Figura 2 - Linha Progressiva de Critérios de Análise. Tais critérios permitem entender a criação, a manutenção e o fortalecimento dos vínculos com os projetos particiativos institucionais. Processo que deve ter em seu bojo o uso da interação e da comunicação para a mobilização e o engajamento social. A figura do gestor público nas comunidades é essencial para que haja a continuidade dos debates. Sem o gestor, a sociedade não tem mecanismos para interferir de fato nas ações e decisões do governo. Dentre os critérios a serem avaliados pelo gestor público, a participação institucional aparece como o que tem maior relevância. Esse aspecto reforça a necessidade de comprometimento por parte dos órgãos públicos para o fortalecimento do Participa.br como canal virtual de participação social. O gestor público também deverá julgar e sistematizar os debates ocorridos em cada comunidade temática. Nos processos participativos a sociedade é convidada a opinar sobre a coisa pública, portanto, cabe ao gestor dar vazão ao conhecimento produzido pela comunidade.

19 2.4 Como fomentar debates sociais utilizando o Participa.br Algumas comunidades do Portal Nacional da Participação Social (Participa.br) já possuem trilhas de participação em funcionamento. As Comunidades são ambientes que reúnem pessoas com interesses comuns. Facilitam a troca de ideias e a interação, organizando os debates e aumentando o engajamento. As trilhas de participação representam o caminho que se percorre até a criação e/ou alteração de uma determinada política pública (toda comunidade ou tema precisa ter como fim a incidência nas políticas publicas). Existem diversos mecanismos que são chamados de Trilhas de Participação: debate, fórum, consulta pública, etc. Basta que o gestor ou o representante da sociedade escolha qual dos mecanismos se encaixa melhor em cada etapa de construção do processo participativo de sua política pública. As trilhas de participação personificam o caminho que se percorre até a criação e/ou alteração de uma determinada política pública. As trilhas podem conter etapas (passos). Por exemplo, você vai organizar na sua comunidade uma consulta pública sobre o texto de uma lei específica. A sua trilha de participação vai conter uma etapa (passo) para debater o tema, outra etapa (outro passo) para escrever de forma colaborativa o texto da lei e uma última etapa (último passo) para comentários e intervenções no texto final. Um encontro on-line, uma web conferência e outros mecanismos de participação também podem ser considerados como uma trilha de participação, ou mesmo uma das etapas da sua trilha. Tudo vai depender de como as pessoas vão se organizar para debater um determinado assunto, ou ainda, da metodologia que irão construir ou utilizar para desenvolver seu processo participativo. O importante é que as comunidades tenham trilhas de participação (que incluam, preferencialmente, governo e sociedade) e que possibilitem essa troca de experiências e

20 colaborações na construção colaborativa de políticas públicas. O gestor público precisa estar atento para que as comunidades tenham o máximo de produtividade, ou seja, é essencial oferecer à sociedade temas que podem ser debatidos. Todas as comunidade ativas no Participa.br podem ser visualizadas no endereço abaixo 2.5 Como outras plataformas digitais podem ajudar a ampliar os debates no Participa.br Os atores da sociedade civil com potencial de mobilização, ou seja, grupos socialmente organizados, mas que por algum motivo não dialogam com agentes públicos, são público potencial para debater e formular politicas públicas no âmbito do Portal Nacional da Participação Social (Participa.br). A equipe trabalha para identificar tais atores, traduzir as pautas e dar início a debates temáticos (criação de comunidades e trilhas de participação) que possam resultar em políticas públicas. Esse trabalho é realizado com a ajuda do monitoramento das principais redes sociais (Facebook, Twitter, blogs, etc). A partir dos monitoramentos de redes sociais (já utilizado por grandes empresas para monitorar marcas e produtos) a equipe obtém insigths para aprimorar o planejamento continuo e obter feedbacks das ações que já estão sendo realizadas. Identificar perfis e páginas, influenciadores nas redes sociais digitais já estabelecidas, e trazer os debates já propostos para dentro da plataforma Participa.br (prospectar / mobilizar). Através da analise dos monitoramos de redes sociais a equipe foca em identificar os temas e anseios da sociedade civil (lembrando que as redes sociais são espaços constantes de trocas de impressão e mobilização social). Identificados os temas, a equipe foca nas lideranças sociais já estabelecidas e faz contato para proposição de temas com vistas à criação de novas políticas públicas.

21 Figura 3 - Diagrama de monitoramento das redes sociais digitais para fomentar debates no âmbito do Participa.br. Como mostra a imagem, a equipe entra em contato com gestores públicos e auxilia para que comunidades sejam criadas. Assim a sociedade poderá debater o tema diretamente com o gestor responsável e novas soluções podem ser pensadas e postas em prática. O dialogo entre gestores públicos e sociedade tende a se tornar cíclico, ou seja, à medida que os debates avançam outras questões surgem ampliando e consolidando o Participa.br como canal de diálogo entre governo e sociedade. O processo de sensibilização de gestores e o monitoramento das redes sociais como forma de aproximar gestores e sociedade foi mais bem detalhado no Produto 2 desta consultoria. O documento contém metodologias para identificação de públicos e interlocutores do Participa.br e estratégias para ativação de organizações e redes para disseminação dos conteúdos do projeto. Cabe reforçar que sem o envolvimento real dos gestores públicos as ferramentas de participação social podem tornar-se obsoletas. Como demonstrado nas analises, sem interação

22 real não há engajamento e sem isso é difícil afirmar que há envolvimento da sociedade na formulação de políticas públicas. Figura 4 Fluxo ideal com o debate de ideias até a formulação de políticas públicas no Participa.br.

23 3 Conclusão A partir das leituras realizadas, da analise de ações de comunicação e mobilização nas redes sociais digitais já massificadas no Brasil e da utilização do Portal Federal da Participação Social (Participa.br), percebeu-se a necessidade de mudança na postura dos gestores públicos no que diz respeito ao relacionamento e interação nas redes sociais e a criação de novas funcionalidades para a Plataforma. Importante ressaltar que qualquer gestor público, de qualquer esfera de governo, pode utilizar o Participa.br, pois trata-se de uma plataforma pública. Neste trabalho, presumimos que os gestores públicos estão de fato comprometidos em ouvir a sociedade. Tais ações devem ajudar a tornar o Participa.br mais atrativo, consolidando assim o seu uso pela sociedade. Além disso, os gestores devem se apropriar dessa nova forma de fazer comunicação com vista a tornar a participação social uma forma de fazer governo e política no Brasil. Quanto à metodologia de trabalho para que gestores públicos possam moderar e fomentar debates no âmbito do Participa.br é importante a mudança de postura frente à comunicação realizada na web. É preciso, como demonstrado nas analises realizadas, investir na interação para que se amplie o engajamento. Não basta apenas disponibilizar o conteúdo, é necessário dialogar com seus interlocutores e aplicar os conhecimentos produzidos durante cada debate. A mediação dos debates realizados nas comunidades do Participa.br pode ser proposta pelo gestor público ou por qualquer pessoa da sociedade (como explicado anteriormente, as comunidades precisam necessariamente reunir governo e sociedade em torno de uma temática). Indispensável que o gestor tenha o real domínio do tema em todas as iniciativas analisadas, os moderadores precisam ter domínio da temática abordada.

24 O gestor também precisa estar atento aos possíveis debates que surgem naturalmente nas redes sociais digitais, por isso a recomendação do monitoramento e prospecção das ideias surgidas. Por exemplo, se um grupo de cidadãos se organiza (mesmo que de maneira informal, sem formar uma associação ou ONG), eles formam um grupo do Facebook para debater a questão do transporte público. O gestor tem autonomia para convidar e sugerir que esse debate aconteça no âmbito do Participa.br, onde existe a possibilidade de fazer com as queixas de fato se tornem políticas públicas de estado. Por essa razão, a equipe do projeto criou, e alimenta, perfis do Participa.br nas principais redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram e Google Plus). É preciso que haja uma sinergia entre os temas tratados pela sociedade e pelo poder público, sem isso a democracia não poderá ser chamada de participativa. As políticas criadas com a participação social precisam ser de fato criadas com o auxilio de toda a sociedade, esteja ela organizada ou não. Lembramos que as iniciativas de mobilização bem sucedidas tem um ponto forte em comum: tratam com públicos específicos. Ou seja, não se trata de uma comunicação de massa, mas para aquele público realmente interessado no tema. Do ponto de vista das ferramentas do Participa.br, é importante que as tecnologias estejam sempre se renovando. Importante avaliar a possibilidade de inserir a possibilidade do tagueamento de usuários da ferramenta (tal qual já existe no Facebook, por exemplo). Outra inovação seria a integração do Participa.br com as redes sociais, por exemplo, toda vez que o usuário atualizar seu perfil no Participa.br essa atualização aprece no Facebook< Google Plus ou Twitter. Com isso, acredita-se que o Participa.br possa dar um salto de qualidade no que diz respeito a comunicação, interação e mobilização. Também espera-se que gestores públicos possam assumir uma nova postura diante dos desafios que as redes sociais trazem para as estratégias de comunicação já conhecidas e utilizadas por órgãos públicos.

25 Referências MACINTOSH, A. Electronic Democracy and Young People. Social Science Computer Review 23. p , IPEA. Experiências de Monitoramento dos Resultados de Conferências Nacionais. Nota Técnica. Brasília, Outubro de AVRITZER, L.; SANTOS, B.S. Para ampliar o cânone democrático. Democracia, República e Participação. Módulo I do Programa de Formação de Conselheiros Nacionais, Belo Horizonte: DCP/FAFICH/UFMG, HERIQUES, Márcio S. Comunicação, comunidades e os desafios da mobilização social. Sociedade civil e participação. Módulo 4 do Programa de Formação de Conselheiros Nacionais. Belo Horizonte: UFMG, Portal do Cômite Gestor da Internet no Brasil (cgi.br) - - Acesso em agosto/2014 MALINE, Fábio. ANTOUN, Henrique. Ciberativismo e Mobilização nas redes sociais. Internet e rua. Editora Sulina, Central de ajuda do Facebook - https://www.facebook.com/help/ - Acesso em agosto/2014. Dicionário online de português - - Acesso em agosto/2014. Planalto.gov - - Acesso em setembro/2014 Site de notícias R Acesso em setembro/2014

26 ANEXOS Anexo 1 - Imagem que mostra o primeiro post na página Movimento Infância Livre de Consumismo.

27 Anexo 2 - Imagem que mostra detalhes sobre a página Movimento Infância Livre de Consumismo.

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