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1 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU AVM FACULDADE INTEGRADA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS REDES SOCIAIS Por: Raquel Elena Monteiro dos Santos Orientador(a): Mariana de Castro Moreira DOCUMENTO PROTEGIDO PELA LEI DE DIREITO AUTORAL Brasília - DF 2013

2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU AVM FACULDADE INTEGRADA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS REDES SOCIAIS Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Educação Ambiental. Por: Raquel Elena Monteiro dos Santos

3 AGRADECIMENTOS Ao tutor Leonardo Silva da Costa e à minha família.

4 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a todos aqueles que acreditam que os primeiros passos para a transformação estão na educação.

5 RESUMO Este trabalho monográfico desenvolveu-se a partir da identificação de um problema levantado no plano de pesquisa: se as redes sociais são realmente ferramentas úteis para a práxis da educação ambiental. A partir daí buscou-se pesquisar como ocorre a práxis da Educação Ambiental nas redes sociais Facebook e Twitter; refletir as possibilidades da Educação Ambiental com auxílio da tecnologia; analisar a dinâmica do conhecimento no meio virtual, e verificar as redes sociais como ferramenta eficaz na Educação Ambiental. A fim de encontrar possibilidades de resolução do problema, fez-se necessária uma pesquisa bibliográfica e webgráfica em torno de três temas pertinentes ao assunto: Web 2.0, redes sociais e educação ambiental; além de observar como esses temas interagem no Facebook e Twitter ao mesmo tempo. Analisando todos esses veículos de aquisição de conhecimento, acredita-se que as redes sociais podem sim ser uma ferramenta aliada para o fomento da educação ambiental e sua prática. Palavras-chave: Web 2.0; Redes Sociais; Educação Ambiental.

6 METODOLOGIA Para embasar o presente trabalho foram realizadas: revisão bibliográfica e webgráfica com autores renomados como Genebaldo Freire Dias e Pierre Lévy, entre outros; avaliação de publicações ambientais nas redes sociais Facebook/Twitter; acompanhamento de publicações em grupos de discussão via internet ( ) e no Facebook e no Twitter; participação síncrona nos grupos e páginas que tratam das questões e educação ambientais.

7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO... 8 CAPÍTULO I Web CAPÍTULO II Redes Sociais CAPÍTULO III Educação Ambiental CONCLUSÃO BIBLIOGRAFIA WEBGRAFIA

8 INTRODUÇÃO Na construção de um novo desenvolvimento é fundamental a formação de recursos humanos, universalizando a educação básica e conscientizando a população a respeito dos problemas ambientais. Mesmo convivendo com tamanho desequilíbrio ecológico, boa parte da população não interliga seus problemas do dia a dia à degradação do meio ambiente e nem mesmo se veem como multiplicadores desse processo. Há uma necessidade crescente de se promover a conscientização para se conservar o meio ambiente, a qual poderá ser adquirida por meio da educação ambiental (EA). Esta prepara os seres humanos para lidar com a natureza e obter qualidade de vida. A educação ambiental deve ser vista como uma questão inerente ao exercício da cidadania, portanto, como educação política e principalmente social. Não tem sentido opor meio ambiente e desenvolvimento, pois a qualidade do primeiro é o resultado da dinâmica do segundo. Os problemas de preservação do meio ambiente são os problemas do desenvolvimento desigual para as sociedades humanas e nocivo para os sistemas naturais. Nenhuma decisão econômica pode ser feita sem afetar o meio ambiente e nenhuma alteração ambiental pode ocorrer sem provocar impactos econômicos, por menores que eles sejam. A interação entre as pessoas e as organizações de conhecimento comuns tornam as questões ambientais foco de discussões e, assim, permite em um curto espaço de tempo definir/sugerir resoluções para os problemas/dúvidas. Para que isso seja possível o uso da internet da Web 2.0 é um recurso tecnológico muito útil, colaborando para a divulgação da educação ambiental e suas práticas, até mesmo, capaz de uma maior mobilização e engajamento, pois não é necessário se locomover para sensibilizar e agir, com apenas alguns cliques já é possível (ou deveria ser possível) conquistar e envolver um grande número de defensores de uma mesma causa. Desse ponto de vista, as redes sociais são lugares de informações rápidas capazes de abrir caminho para as práticas de EA, tendo um alcance 8

9 inimaginável. A fim de saber se as redes sociais realmente são ferramentas úteis para a práxis de educação ambiental, foi necessário pesquisar como isso ocorre no Facebook e Twitter; refletir as possibilidades da EA com auxílio da tecnologia; analisar a dinâmica do conhecimento no meio virtual; e, verificar as referidas redes sociais como ferramenta eficaz na educação ambiental. Para Lévy (2011) [...] o ciberespaço também pode ser colocado a serviço do desenvolvimento individual ou regional, usando a participação em processos emancipatórios e abertos de inteligência coletiva (p. 227). Corroborando esse pensamento Silva apud Carvalho (2012) o monitoramento nada mais é do que aplicar metodologias diversas para acompanhar e compreender o que falam de determinada marca, seja no ambiente off-line, seja no mundo virtual (p. 14). Ou seja, a formação do capital humano também é possível no universo virtual, no ciberespaço, local esse que reúne diferentes faces de um mesmo objeto/meta onde sua diferença é justamente a velocidade com que se alcança um objetivo e qual profunda pode se tornar as relações entre pessoas que nunca se viram, mas que têm o mesmo foco. Para melhor entendimento da relação entre EA e as redes sociais a presente monografia estará disposta nos seguintes capítulos: Web 2.0; Redes Sociais; Educação Ambiental. 9

10 CAPÍTULO I Web 2.0 A Web 2.0 é a evolução dos meios de comunicação e tecnologia (chamadas de Novas Tecnologias de Informação e Comunicação NTIC s) que auxiliam na interação entre as pessoas e empresas em todo o mundo. Nesse ambiente virtual há várias ferramentas que completam o processo de aquisição de conhecimento pessoal, profissional e/ou educacional. Entre essas ferramentas encontramos: diários virtuais (blogs); Youtube; páginas e/ou diários de fotos; mapas conceituais e, nosso objeto de estudo, as redes sociais Twitter e Facebook. Portanto, a Web 2.0 tem como objetivo ser uma plataforma aberta de multimídias focada na participação do usuário, fortalecendo a inteligência coletiva. [...] Atualmente temos criado espaços de convivência virtualizados ciberespaços. Estes sugerem a necessidade de nos abrirmos às leituras pluri/multifocalizadas. Mais do que nunca somos criadores e criaturas de apelos multimidiáticos e de formulações poliparadigmáticas. Novas territorialidades, que encerram diferentes e inéditas geografias, se desenham e se abrem constantemente sob nossos olhares perplexos. Vivemos uma temporalidade vertiginosa. (CASCINO, 2000, p. 75). A inserção no cotidiano de máquinas que desenvolveram sobremaneira os sistemas de comunicação (computadores, telefones, rádios e televisores), ao lado de meios de transporte velozes, possibilitou uma radical transformação da representação de território, que até então o ser humano experimentara. (Idem, 2000), ou seja, O que a gente conhece como sendo a Internet hoje é parte a infraestrutura tecnológica que a faz funcionar e parte o conjunto de ideias que vem sendo associadas a ela ao longo dos anos. (BRAMBILLA & SPYER, 2011, p. 18). 10

11 Observa-se que o espaço social não é mais somente (re)construído no meio físico, mas também no chamado ciberespaço, cujo alcance é mundial e em várias esferas. Conforme Lévy (2011) [...] se trata de uma interação no centro de uma situação, de um universo de informações, onde um contribui explorando de forma própria, modificando ou estabilizando (p. 231). Cooperar é atuar junto, de forma coordenada, no trabalho ou nas relações sociais para atingir metas comuns. As pessoas cooperam pelo prazer de repartir atividades ou para obter benefícios mútuos. (CAMPOS et al. apud ARGYLE, 2003). As informações chegam a todo instante, nos bombardeando e nos colocando em uma situação bastante difícil, pois é preciso filtrar todas essas informações e checá-las para evitarem-se equívocos, o que nem sempre é possível. A construção coletiva é que fortalece/encoraja as pessoas a dar suas opiniões, a ter uma fonte baseada em fatos, a ir além do que lhe é proposto. Então, A internet, antes vista como apenas mais um meio de comunicação, hoje possui papel fundamental na vida das pessoas, seja para se comunicar, buscar informação, criticar, reclamar ou até mesmo realizar compras. (OLIVEIRA, s.d.) Assim, caracteriza-se a inteligência coletiva como sendo a capacidade de construção colaborativa que um grupo de pessoas/usuários tem para modificar seu futuro e cumprir junto metas em um contexto de alta complexidade (LÉVY, 2011). Para que essa colaboração aconteça é necessário o uso de várias ferramentas tecnológicas que favoreçam a utilização do tempo e do espaço abertos para que pessoas interajam com outras pessoas dando-lhes empoderamento. Un colaboratorio es la más fiel representación de la tecnología social en la cual el conocimiento humano potencia sus capacidades hasta multiplicarse de manera 11

12 ilimitada al expandirse a través de las tecnologías digitales de interacción. El mejor ejemplo de un colaboratorio es un repositorio (ver repositorio en Wikipedia25). (ROMANÍ & KUKLINSKI, 2007, p. 52). De acordo com Romaní & Kuklinski (2007) aplicam-se os quatros pilares da Web 2.0: Social Networking (redes sociais) ferramentas que auxiliam na criação de comunidades e níveis de intercâmbio social. Ex.: Facebook, Twitter; MySpace. Conteúdos (gerados pelos usuários) promovem a leitura e a escrita online, sua distribuição e troca. Ex.: Youtube, blogs, Wikipédia. Organização Social e Inteligente da Informação auxilia no armazenamento de informações e de outros recursos disponíveis na internet. Ex.: Buscadores, Feeds de Notícias (RSS, Atom), Marcadores Sociais de Favoritos, entre outros. Aplicações e Serviços de Mashup recursos criados para fornecer serviços de valor acrescentado para o usuário final. Ex.: serviços que funcionam ao mesmo tempo, Google Maps em um site imobiliário. A relevância é a principal razão para que as pessoas utilizem as Tecnologias de Informação (TI) nas suas atividades de informação. Na Web coexistem dois complexos sistemas informativos interagindo, um construído através dos sistemas computacionais e o outro que movimenta todo o aparato tecnológico: a sociedade (o ser humano interagindo). (BRAMBILLA & LIMA, 2011, p. 25). Na era da informação para saber o básico, a fim de viver na Sociedade do Conhecimento, vai muito além da capacidade de ler e escrever. Saber como usar os computadores de forma produtiva é uma ferramenta de sobrevivência; é preciso aprender a navegar e familiarizar-se com o assunto. (LÉVY, 2010, p. 71). Por muito tempo, abordar a gestão do conhecimento" era tratar quase que exclusivamente de Tecnologia da Informação. Nos últimos anos, a demanda social por processos mais abertos, tanto com seus colaboradores quanto com as pessoas que compunham o ambiente profissional, também se refletiu na gestão do conhecimento empresarial, que precisou dar maior atenção aos ativos humanos envolvidos no processo, 12

13 capacitando-os para estabelecerem trocas mais profundas entre si. (SILVA & FURTADO, 2012, p. 130). Para que isso seja possível alguns componentes críticos para a alfabetização digital do século XXI são necessários, como o uso das TIC s (Tecnologias da Informação e Comunicação) para acessar, gerenciar, integrar, avaliar e criar informação, ou seja, Cabe pensar na Internet como uma grande e ainda pouco explorada mata atlântica digital, com dimensões expansíveis. A Web é o território, as mídias sociais seriam as vilas e comunidades povoando essa nova terra. (BRAMBILLA & VALADARES, 2011, p. 62). Para Lévy (2010) o desenvolvimento do ciberespaço ocorreu por ser embasado, participativo, descentralizado e espontâneo e por causa da ajuda dos poderes econômico, científico e político; na verdade, foi justamente esse empoderamento que deu à internet a sua grandeza atual. O autor ainda pontua: Acrescentemos que esse novo espaço de comunicação é suficientemente vasto e tolerante para que projetos que pareçam ser mutuamente exclusivos sejam executados simultaneamente ou mostrem-se também complementares. (Idem, 2010, p. 216). Corroborando a ideia quanto ao uso do ambiente virtual, Romaní & Kuklinski (2007) indicam que a interatividade é a peça-chave das origens da internet, proporcionando os mecanismos necessários para o desenvolvimento do conhecimento da sociedade/comunidade de maneira organizada e horizontal. Cabe, ainda, ressaltar os três efeitos, segundo Sancho et al. (2006), sobre as NTIC s, são eles: alteram a estrutura de interesses, mudam o caráter dos símbolos, modificam a natureza da comunidade (p. 16). [...] a comunidade virtual é um conjunto de atores e suas relações que, através da interação social em um determinado espaço constitui laços e capital social em uma estrutura de cluster, através do tempo, associado a 13

14 um tipo de pertencimento. Assim, a diferença entre a comunidade e o restante da estrutura da rede social não está nos atores, que são sempre os mesmos, mas sim nos elementos de conexão, nas propriedades das redes. (RECUERO, 2009, p. 144). Em outras palavras, o ciberespaço é o meio mais rápido, e muitas vezes o único, de comunicação e aprendizagem, capaz de transformar os processos de relacionamento social e profissional, proporcionando outro olhar sobre um mesmo processo; O conhecimento é considerado um construtor social, e desta forma o processo educativo acaba sendo beneficiado pela participação social em ambientes que propiciem a interação, a colaboração e a avaliação. Espera-se que os ambientes de aprendizagem cooperativos sejam ricos em possibilidades e proporcionem o desenvolvimento do grupo. (CAMPOS et al., 2003, p. 26). Os elementos formadores da comunidade virtual seriam: as discussões públicas; as pessoas que se encontram e reencontram, ou que ainda mantêm contato através da Internet (RECUERO, 2009, p. 137), Assim, o computador e suas tecnologias associadas, sobretudo a internet, tornaram-se mecanismos prodigiosos que transforma o que tocam, ou quem os toca, e são capazes, inclusive, de fazer o que é impossível para seus criadores. [...] Daí vem a fascinação exercida por essas tecnologias sobre muitos educadores, que julgam encontrar nelas a pedra filosofal que permitirá transformar a escola atual. (SANCHO et al., 2006, p. 17). O caráter transformador das TIC s não pode permitir que seja esse o único elo entre a aquisição da informação e a prática de ensino-aprendizagem, assim cria-se um grande vácuo pedagógico constituindo uma falsa realidade dos processos educativos, portanto, As potencialidades educativas das redes informáticas obrigam a repensar muito seriamente a dimensão individual e coletiva dos processos de ensino- 14

15 aprendizagem. [...] não podemos esquecer que a tecnologia, em si mesma, não significa uma oferta pedagógica como tal. O que acontece é que sua validez educativa se sustenta no uso que os agentes educativos fazem dela. (SANCHO et al., 2006, p. 73). Das diversas mudanças trazidas pelo advento da internet a mais significativa é a possibilidade de expressão e socialização através das ferramentas de comunicação mediada pelo computador (CMC). (RECUERO, 2009). Ainda para a autora (2009) Redes sociais na Internet possuem elementos característicos, que servem de base para que a rede seja percebida e as informações a respeito dela sejam apreendidas (p. 25). É como se fosse uma espécie de transferência da rede social física/offline para a online, com suas diferenças e alcance inerentes. Observa-se que Três principais características distinguem as comunidades das redes sociais: são unidas por interesses comuns de um grupo grande de pessoas e, embora existam relações interpessoais préexistentes, isso não é necessário, pois novos membros normalmente não conhecem a maioria das pessoas de uma comunidade; qualquer pessoa pode fazer parte de muitas comunidades; elas se sobrepõem ou são contidas em outras comunidades. (BRAMBILLA & TARGA, 2012, p. 20). Nesse ambiente virtual, percebe-se que as tecnologias disponíveis são ferramentas que auxiliam a cooperação no sentindo em que aguça o olhar sobre as coisas e as pessoas, modifica o modo de agir em relação a elas e, principalmente, como se adquire e compartilha o conhecimento; [...] a aprendizagem cooperativa amplia as capacidades sociais de interação e comunicação efetivas, promove o desenvolvimento do pensamento crítico, amplia a autoestima e a integração no grupo e fortalece o sentimento de solidariedade e respeito mútuo, com base nos resultados do trabalho em grupo. (CAMPOS et al., 2003, p. 47). Na internet o conteúdo é fragmentado e a partir daí criam-se laços permitindo ao usuário/ator escolher exatamente o que quer ler e aonde quer 15

16 chegar a suas pesquisas (BRAMBILLA et al., 2012). É também na internet que os códigos vão se transformando o tempo todo e com isso, exigindo maior interatividade entre as diferentes culturas ali presentes. Por isso, a intensificação de relações pelas mídias digitais são sinais de uma reestruturação das identidades perante a globalização e a interculturalidade (BRAMBILLA & GONZATTO, 2012, p. 244). Aprender cooperativamente implica a troca entre pares, a interação entre iguais e o intercâmbio de papéis, de forma que diferentes membros de um grupo ou comunidade podem assumir diferentes papéis (aprendiz, professor, pesquisador de informação, facilitador) em momentos diferentes, dependendo da necessidade. (CAMPOS et al. apud KAYE, 2003, p. 27). Para Silva & Furtado (2012) Gerir conhecimento é, assim, integrante de uma realidade complexa em que mobilizar e compreender expectativas é essencial para vincular e engajar os sujeitos para as trocas (p. 131); A internet é feita de conteúdo. E de pessoas. Pessoas que consomem, compartilham e produzem uma infinidade desse conteúdo. Imagem, texto, vídeo, som, histórias, frases, conversas, fotos, tweets, posts, praticamente tudo que encontramos online é conteúdo. [...] No final, a grande questão é criar envolvimento entre o seu público e o seu conteúdo, o monitoramento e o seu planejamento é apenas uma forma de chegar lá. (SILVA & MUNIZ, 2012, p. 121 e 123). Para Tomaél et al. (2005) o maior desafio da Era da Informação: criar uma organização capaz de compartilhar o conhecimento (p. 94). Por outro lado O contexto em que estamos inseridos desencadeia uma série de mudanças na rotina dos indivíduos, e uma delas evidencia as redes como ponto de convergência da informação e do conhecimento. (Idem, 2005, p. 95). Nas redes sociais, cada indivíduo tem sua função e identidade cultural. Sua relação com outros indivíduos vai formando um todo coeso que representa a rede. De acordo com a temática da organização da rede, é 16

17 possível a formação de configurações diferenciadas e mutantes. (Idem, 2005, p. 93). A autora afirma que a informação está no domínio pessoal do receptor, isto é, é ele quem define se a mensagem recebida acrescenta algum valor ao estado anterior, estabelecendo sentido e modificando atitudes (p. 96). E que se a informação é percebida e aceita como tal, colocando o indivíduo em um estágio melhor, consciente consigo mesmo e dentro do mundo onde se realiza a sua odisséia individual, então essa relação de fato se realizou. (TOMAÉL et al. Apud BARRETO, 2005, p. 96). Reconhecendo-se como certo que a informação e o conhecimento são inerentes às redes sociais, sua importância social e econômica é conseqüência do efeito que causam nas pessoas e nas organizações. Nesse âmbito, constatamos a necessidade de compartilhá-los para que possam trazer mudanças no contexto em que estão inseridos. (TOMAÉL et al., 2005, p. 97). Infere-se, de acordo com Silva & Tori apud Hine (2012) que Os modelos de cultura e de artefato cultural são utilizados para fornecerem uma estrutura para pensar sobre dois aspectos do ciberespaço que podem ser observados como campos para um etnógrafo (p. 136) e que A etnografia virtual deve ser compreendida em seu caráter qualitativo em que a análise da internet pode ser observada sob duas óticas em seus efeitos: como cultura e como artefato cultural (p. 136). E é nesse enfoque que as redes são mais valorizadas; ao mesmo tempo que contribuem para o aprimoramento dos ativos organizacionais, possibilitam que as organizações, distinguindo as características das redes e valendo-se delas, tornem o compartilhamento mais profícuo. (p. 94). Para Lévy (2011) A importância e a realidade de um conhecimento já não se medem pela altura de sua origem, mas por seu grau de acuidade, de encarnação e de prática por indivíduos vivo (p. 02). Portanto, O mundo virtual, por sua vez, ilumina os indivíduos e as equipes que contribuíram para seu 17

18 surgimento, enriquecendo-os com sua diversidade e abrindo-lhes novas possibilidades. (LÉVY, 2011, p. 92). O intelectual coletivo é uma espécie de sociedade anônima para cada acionista traz como capital seus conhecimentos, suas navegações, sua capacidade de aprender e de ensinar. O coletivo inteligente não submete nem limita as inteligências individuais; pelo contrário, exalta-as [...[. Ela faz florescer uma forma de inteligência qualitativamente diferente, que vem se acrescentar às inteligências pessoais, uma espécie de cérebro coletivo ou hipercórtex. (Idem, 2011, p. 96). A maior contribuição das TIC s é a possibilidade de mediação quando aplicada nos processos de ensino-aprendizagem (SANCHO et al., 2006, p. 74). Assim como a internet [...] propiciam mudanças sobre muitas concepções preexistentes a respeito da maneira de nos comunicarmos e, portanto, de conhecermos e entendermos o mundo (Idem, 2006, p. 80). As TIC permitem a interação, a construção do conhecimento, a colaboração e a atividade social. [...] Um dos aspectos mais interessantes das TIC é sua natureza acultural, pois não estão enraizadas em nenhuma cultura, mas podem ajudar a transmissão da cultura de maneira significativa. (SANCHO et al. apud GUILLERAN, 2003, p. 106). É justamente essa abrangência que torna as ferramentas da web 2.0 extremamente úteis, independentemente do seu objetivo; é o que se pretende discutir no próximo capitulo: As Redes Sociais. 18

19 CAPÍTULO II Redes Sociais As redes sociais são vistas pelas pessoas/usuários como um espaço onde podem se comunicar com amigos, criar novas relações, um lugar livre. E, também, são ferramentas da Gestão do Conhecimento fomentando a inovação e reutilização de conhecimento explícito, ou seja, são lugares de interação do capital social. (SILVA et al., 2010). Essas interações são, de certo modo, fadadas a permanecer no ciberespaço, permitindo ao pesquisador a percepção das trocas sociais mesmo distante, no tempo e no espaço, de onde foram realizadas. (RECUERO, 2009, p. 30). Uma rede social é definida como um conjunto de dois elementos: atores (pessoas, instituições ou grupos; os nós da rede) e suas conexões (interações ou laços sociais) (Idem, apud WASSERMAN & FAUST; DEGENNE & FORSE, 2009, p. 24). A abordagem de rede tem, assim, seu foco na estrutura social, onde não é possível isolar os atores sociais e nem suas conexões (RECUERO, 2009, p. 24). Entretanto, é preciso compreender que estudar redes sociais na Internet é estudar uma possível rede social que exista na vida concreta de um indivíduo, que apenas utiliza a comunicação mediada por computador para manter ou criar novos laços. Não se pode reduzir a interação unicamente ao ciberespaço, ou ao meio de interação. A comunicação mediada por computador corresponde a uma forma prática e muito utilizada para estabelecer laços sociais, mas isso não quer dizer necessariamente que tais laços sejam unicamente mantidos no ciberespaço. (Idem, 2009, p. 143). Assim, surgiram várias redes sociais que foram se modificando e se transformando como, por exemplo, o Facebook. Este é um serviço de rede social que foi lançada em 2004, onde o usuário cria um perfil pessoal e/ou empresarial e a partir dele pode adicionar outros usuários como amigos, trocar 19

20 mensagens públicas e/ou privadas, compartilhar publicações, criar páginas de fãs (fanpages) e grupos temáticos e, até mesmo, criar uma loja virtual; incluindo notificações automáticas quando atualizar o seu perfil. Atualmente tem mais de 900 milhões de usuários, tornando-se uma das redes sociais mais ativas no mundo virtual. O Facebook tem crescido a medida que a rede social evolui como uma espécie de habitat completo, onde os aplicativos, jogos e recursos tem proporcionado aos usuários um leque cada vez maior de atividades possíveis dentro da rede social. (OLIVEIRA, s.d.). É uma ferramenta bem completa, pois permite ao usuário conectar-se a outras redes sociais, entre elas o Twitter, participar de grupos de discussões e seguir, curtir páginas e conteúdos. O ponto forte dessa rede social é o compartilhamento, seja ele qual for. Seu alcance é bem amplo, aproximando pessoas com interesses comuns em todo o planeta, capaz de transformá-lo no caminho mais rápido para impulsionar uma ideia, ou seja, o indivíduo para se informar, não depende mais apenas da ótica dos tradicionais veículos, mas da ótica dos usuários da rede, ou melhor, do cruzamento das informações que são postadas por eles. (BRAMBILLA & REIS, 2012, p. 210). Já o Twitter é um serviço de microblogging que suporta textos de até 140 caracteres, permitindo aos usuários enviar e receber atualizações, seguir e serem seguidos por outros usuários/contatos. Foi criado em 2006, e tem sido usado para diversos fins: pessoais, educacionais, jornalísticos, pois permite interatividade em tempo real com outros usuários. Uma característica bem interessante dessa rede social é o uso da hashtag (#) Trending Topics (TT s) - marcação utilizada para definir uma lista dos assuntos mais falados em tempo real, [...] percebe se que a indexação de idéias ao redor das tags permite que a reunião de tweets isolados possibilite a construção de movimentos onde os indivíduos atuam 20

21 coletivamente, bem como traz a possibilidade da criação de novos laços sociais formados ao redor de temas específicos e permite a construção de comunidades baseadas no interesse da coletividade. (BRAMBILLA & REIS, 2012, p. 208). E claro, o fato de se conectar com outras redes sociais, entre elas o Facebook, e aumentar o compartilhamento das publicações e, assim, sincronizando uma rede a outra por apenas uma delas. É um alcance muito grande de informações que podem ser trocadas por todo e qualquer tipo de usuário da ferramenta. Após o grande Boom das redes sociais em 2010/2011 entramos no ano de 2012 com um novo cenário onde as redes sociais deixaram de ser vistas como algo passageiro, para desempenhar um papel fundamental como ferramenta de comunicação em tempo real. Empresas, usuários, profissionais ou não eles estão na internet e acessando as redes sociais. (OLIVEIRA, s.d.). Um dos elementos mais relevantes para o estudo da apropriação dos sites de redes sociais é a verificação dos valores construídos nesses ambientes (RECUERO, 2009, p. 107). Percebe-se que a aprendizagem se dá, também, pela interação e participação online, em tempo real, mesmo porque as pessoas tendem buscar conhecimento na internet de maneira informal e não formal, procurando por grupos de ideias afins. O que é diferencial nos sites de redes sociais é que eles são capazes de construir e facilitar a emergência de tipos de capital social que não são facilmente acessíveis aos atores sociais no espaço offline (Idem, 2009, p. 107), em outras palavras, A mídia social conectada é um formato de comunicação mediada por computador (CMC) que permite a criação, o compartilhamento, comentário, avaliação, classificação, recomendação e disseminação de conteúdos digitais de relevância social de forma descentralizada, colaborativa e autônoma tecnologicamente. Possui como principal característica a participação ativa (síncrona e/ou assíncrona) da comunidade de usuários na integração de informações (LIMA JR apud BRAMBILLA, 2011, p. 26). 21

22 Em uma adaptação quase livre dos quatro pilares da educação/aprendizagem pode-se indicar o Aprender fazendo uso das ferramentas que permitem a leitura e escrita na Web 2.0. Aprender pela interação troca de ideias com outras pessoas/usuários. Aprender pela pesquisa processo de investigação, seleção e adaptação do assunto pesquisado, favorecendo a leitura e a escrita, bem como a síntese. Aprender pelo compartilhamento processo de troca de conhecimentos e experiências fortalecendo a aprendizagem colaborativa. (ROMANÍ & KUKLINSKI, 2007), assim, A interação constante ocasiona mudanças estruturais e, em relação às interações em que a troca é a informação, a mudança estrutural que pode ser percebida é a do conhecimento, quanto mais informação trocamos com o ambiente que nos cerca, com os atores da nossa rede, maior será nossa bagagem de conhecimento, maior será nosso estoque de informação, e é nesse poliedro de significados que inserimos as redes sociais. (TOMAÉL et al., 2005, p. 95). Alguns itens devem ser observados e perseguidos para se conseguir o tão sonhado envolvimento no ciberespaço: geração de conteúdo, saber o que as pessoas procuram/desejam e claro, agregar valor àquilo com que se quer trabalhar. A experiência virtual só é construída quando há engajamento na criação da interatividade, portanto, É um momento de hiperconexão em rede, onde estamos não apenas conectados, mas onde transcrevemos nossos grupos sociais e, através do suporte, geramos novas formas de circulação, filtragem e difusão dessas informações. (BRAMBILLA & RECUERO, 2011, p. 14). Recuero (2009) infere que o capital social apropria-se das ferramentas disponíveis na internet para formar seu tipo de construção aquele mais voltado ao indivíduo e aos atores sociais. Estudos já apontam que as mídias sociais, ao contrário de uma visão comum, estão expondo mais pessoas a questões humanitárias e sociais (BRAMBILLA & BARRETO, 2011, p. 163). E porque não ambiental?! 22

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