METODOLOGIA "DOMAN": UMA ALTERNATIVA APLIC'NEL AO ENSINO DE CRIANCAS E ADOLESCENTES COM DISTORBIOS DE APRENDIZAGEM

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1 METODOLOGIA "DOMAN": UMA ALTERNATIVA APLIC'NEL AO ENSINO DE CRIANCAS E ADOLESCENTES COM DISTORBIOS DE APRENDIZAGEM Bl'U1IO C'anpoB SOfPlO EustO.quio Marconointil Bini H2roo AntOnio Rodri(JUllB VieiN UniWl'Bidads Ftla.N~a. VigoBa I grande 0 niimero de cr1ancras adolescentes COIl d1sturb10s de aprend1zaqem, tanto "em ca.a COIlIO na cola. Em geral, 1nd1vlduo. apresentam ua ~adro 1nadequado comprobleaas d. perc.pyio precir1a, d controle de at.nqio, d1.1nu1qio da.em6r1., desv10. dab fudqoe n.or10-motore., r.tardo da 1.1tura, da cr1ta e,outro E.tudo. empreend1do..obre 0 a unto concluem que.io taabim 1niimeras a. causa. de ta1. d1sturb10s. Acred! ta-.e que mu1tas dela. podem ter como or1gem problema. pre-nata1. (1ntecQo.s matern, ra10-x, fumo, ilc~, ~ nutr1qao da g tante, fator RH, pr.maturidade, anox1a), para-natais (parto de nid.ga., parto com 1ndutores qulm! co., parto com uso de forc.p., parto rip1do ou prolongado) e pcs-natais (traumat1smo craniano, encefalites, meningite., ac1dentes vasculares), que podem acarretar pe! turbaqoes cerebrai Calcula-.e que 7' a 10' dos brasileiro. sao port~ dore. de alguma di.funqio cerebral. Com 0 objetivo d. rei bilitar indivlduo., hi hoje, no Bra.il, aproximad! mente 800 In.tituiQO que adotam os mai. diverso. metodo Em 4S ano. de trabalh6 com pessoas de cerebro lesado e i frente do Inst1tuto pat'a0 Desenvolvimento do P2

2 tencial H\KIIilno na cidade de Filadelfia, E.U.A., Glenn Doman parte do principio de que 0 homem, entre todas as criatu ras, e a que possui 0 cortex mais desenvolvido. Nele 0 ho mem pode acumular funqoes que the sac exclusivas, como as capacidades de andar ereto, de opor 0 polegar ao indic~ dor, falar e entender a fala, ler e escrever. Assim, ~ quer lesao no cortex pode acarretar a perda de WIIaOIl ~a dessas funqoes. ApOS cuidadosas observaqoes, Doman conclui tambem que, durante 0 desenvolvimento neurologico, a pessoa passa porvirias etapas, uma apos outra e qualquer problema nessa sequencia afeta a area sensorio-mot~ ra. Em 1962, Doman desenvolve uma serie de criterios sistematizados com 0 objetivo de apresentar, desd~ 0 nas cimento, 0 perfil do desenvolvimento neurologico das cri anqas normais e de cerebro lesado, tomando como meta a normalidade. 0 Perfil do Desenvolvimento Humano "i instrumento diagnostico porque revela, de pronto, a presen- Qa da desorganizaqao neurologica. Define claramente 0 grau de extensao da desorganizaqao neurologica, assim como 0 nivel funcional comprometido Determina tambem a posi- Qao da crianqa ilesa na faixa da normalidade, isto i, se o seu desenvolvimento e tardio, medio ou superior"(lewinn, E.8.,1969). Doman acredi ta que 0 cerebro humane pode ser desenvolvido atraves de estimulos no sistema sensorial afe rente e com isso receber respostas nos orgaos sensoriais e motores. Admite ainda que a funqao.determina a estrut~ ra e que 0 desenvolvimento do cerebro paasa por urn processo dinamico. Esse processo pode ser acelerado por uma descarga de estimulos visual, auditiva e tatil, atravis de alta intensidade (365 dias plano), alta frequencia (30 a 100 vezes/estlmulos/dia) e baixa durar;.ao(pequenosflashes). o metoda Doman foi trazido para 0 Brasil pelo Dr. Raimundo Veras, um dos membros de sua equipe e implantado no Centro de ReabilitaQao Nossa Senhora da Gloria, no

3 Rio de Janeiro. Em 1962, foi fundada a Associa~ao Barbacenense de Assistincia aos Excepcionais seguindo, tambem, a mesma metodologia. A presente pesquisa tea por objetivo verificar se a metodologia Doman, adotada pela Associa~ao Barbacenense de Assistincia aos Excepcionais, apresenta resultados visiveis de recupera~ao de crian~as com disturbios de a- prendizagea. Nosso trabalho vea sendo desenvolvido na Associa- 9io Barbacenense de Assistencia aos Excepcionais (ABAE), por seu rigor nos diagnosticos e controle dos casos, bem como pelos resultados que vea obtendo na recupera~ao de crian~as portadoras de disfun~ao cerebral em seus 26 a- nos de atividade. A Institui~io mantem uma clinica e, em convenio com a Secretaria de Educa9ao do Estado de Minas Gerais, uma Escola Estadual para completar 0 programa de recupera9ao na area intelectiva, capacitando seus alunos para se integrarem nas escolas da rede regular de ensino. A clinica recebe alunos de 0 a 12 anos, embora 0 metodo nio limite a faixa etaria para a execu~io do pro- CJrama. Atualmente, a clinica so admite, para t ratamento diirio, crian9as com idade de ate 12 anos. Porem, no a- ~endimento a famtlias que tem crian~as deficientes, a 1ft!. ti~ui~io acei~a crian9as com idade superior para 0 ~rat~ mento domiciliar. Na sua maioria, os alunos sio de classe socio-eco nomica baixa. Con~a, atualmente, com 280 alunos, que, ao entrarea, sio avaliados por uma equipe interdisciplinar composta de neurologis~a, fisiatra, psicologo, ~ogos,

4 fonoaudiologos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e tecnicos em ortoptica e pleoptica. ApOs os exames, eles sac avaliados de acordo com 0 Perfil do Desenvolvimento Humano e no "estudo de caso", el~ bora-se urnprograma de treinamento obedecendo aos niveis neurol6gicos estabelecidos pelo metodo. Com a programa- Qao organizada, faz-se urn treinamento com a familia, para que 0 programa possa ser completado em casa, quando nao e possivel executa-lo na sua totalidade, na Institu! Qao. Os exames neurologicos testam as funqoes superlores (estado mental, palavra e linguagem), funqoes motoras (marcha, tonus muscular, forqa muscular e reflexos s~ perflclals e profundos), funqoes de coordenaqao, funqoes sensitivas (1nconsclente, superficial e profunda), Os FS! cologos testam 0 nivel mental, a personalidade e a irea psicomotora. De acordo com os exames, a maioria dos alunos se situa na faixa de disturbios de aprendizagem e de linguagem (pre, para e pos natal), em seguida disturbios de comportamento, de mobilidade, genetico e sindrome de Down. Os resultados sac transmitidos i familia para que ela possa aiudar na reintegracao da crianca ao qrupo. feito tamb8m um trabalho sistematizado com as maes. ApOS um programa de tratamento variavel, segundo a caracteristica e a severidade da lesao, as crlancas que comprovarem, par testes, estarem no nivel visual 4 (convergencia visual) do perfil neurol6qico adotado pela cl! nica sac enviadas i Escola Estadual que funciona nas dependencias da ABAE. AI elas sac submetidas ao programado Instituto de Intellgencia e preparadas para serem envladas is Escolas Regulares. ApOS 2 anos em media nest. Escola, sac de novo avalladas nas areas de nivel mental, psicomotora e prontldao (nivel maturacional que determina sua capacidade de seguir a escolaridade normal), Caso se mostrem capazes, sac, entao, enviadas i rede regular de ensino.

5 Nota-se, pelo qrif1co 1, que a 1ncidencia de crianqas portadoras de SIndrome de Down e maior no sexofem10ino do que no IIlIUICUlino. Isso contraria as evidincias ate hoje apresentadas, demonstrando que,quaisquer distue bios neurol0q1cos atinqem mais a crianqas do sexo masculino do que feminino. Pore, a ABU nio possui nenhurn e~ tudo que justifique os resultados do qrifico.! preciso ainda salientar que a ABAE nio recupera apenas cr1anqas portadoras de SIndrome de Down. Bla rec! be tambim, para tratamento, cr1anqas com disturb10s de ~ prendizaqelll,de 11nquaqem, de co~portamento e de mob111- dade. o qrif1co 2 ~stra, claramente, os tipos de problema escolar que as crianqas possuem quando admi t1das na ABU. A maior incidencia, 69t, e de crianqas que repetiram a l.a serie e 1St da 2. a Os 16t restantes se repartem entre repetentes da 3. a serie e do pre-escolari alem de alunos que freqfientavam escolas de ensino especial e a1nda daqueles totalmente sam escolarldade. o 1j:i:8.f100 2 mostra, claramente,a lmportijlcia"dotr~ balho desenvolvldo pela ABAE. Em termos pedaqoq1cos, pode-se aventar a hip6tese de que multos alunos que fazem parte da qrande massa de reprovados nas escolas normals podem fazer parte de urncontingente de crianqas nio preparadas coqn1tiva ou neuroloq1camente para a alfabetlza- Qio. I.so 1JIlpl1caque se 0 trabalho desenvolvla> pela ABAE con_qu1r recuperar essas crladqas e adapti-las para 0 8!l sino regular, estari contr1bu1ndo para uma mudanqa rad1- cal na v1da dessas cr1anqas e para 0 sucesso escolar.!

6 o que tentaremos demonstrar no grafico 3. Do universo de crian~as tratadas na ABAE de 1980 a 1985 verifica-se que hoje, a nivel de 1. 0 grau: - 16' frequentama 1.a serie serie - 18' freqiientam a 3. a serie - 14' frequentam a 4. a serie - 10' freqiientam a 5. a serie - 03' frequentam a 6. a serie importante constatar ainda que apenas 4' dos a- lunos que frequentaram a ABAE nesse perlodo, nio trabalham nem estudam. Isso evidencia que 0 metododesenvolv! do pela Institui~ao apresenta resultados no minimo convincentes. No entanto seria extremamente importante acompanhar os alunos egressos da ABAE paraverificar 0 nivel de comportamento linguistico nas escolas regulares. esse o trabalho que comeiaremos a desenvolver~ ~.3. Situagao de entrada/salda de 20 ariangas reintegradas a aomunidade (1986) o grifico 4.A nob revela que do. total de 20 cria~ ~as, 45' eram repetentes do pre-escolar; 25' eram repetentes da 2. a serie; 15' tinham repetido a l.a serie ou nio tinham nenhuma escolaridade. Essa situa~io sera revertida apos as crian~as terem se submetido ao tratamento da ABAE como veremos no grafico 4.8. o grifico da situa~io de salda desses alunos demonstra a recupera9ao conseguida pelo metodo, pais 60' de alunos foram reintegrados i 2.a serie regular de ensino e 40' na La. Porem, e de vital impo~tincia estudar a re~io en

7 b) 0 tempo de recupera~io na escolal c) 0 nlvel de competineia lingulstica apresentado na entrada e na salda. Isso -astra que novos estudos deverio ser empr.e~ didos na irea de psieolingulstiea eom 0 objetivo de avaliar 0 nlvel de competineia lingulstica falada e.scrita, tanto na produ~io eomo na lnt.rpreta~io. Tais.studo. possibilitario eria,.io e 0 desenvolvimento de uma bateria de testes lingulsticos que viabilizem medir com afieiineia a objetivldade a eompeteneia desses alunos na entrada e na salda da Instltui~io, 0 que s.ri assunto da pr6xlma pesqui.a 1, 5, I1 J!IIZ 19I5 J!IIIJl, JA. 2A. 3A. IE lie I'lII fll. 2 - SIUCllD IIlIMlII CIIIMW (l!bl-l9i5l

8 1" 2" 3" IlA SA 6" TR HT $H ESCOUIl! DAOI FIG. 3 - SlTuAtAo "TUAL DAS calaiic"s UINTEGaADAS " C_.DAOI '" to; ESCCUIlIIWIt: FIG. 'IA SnlMlCAO III ~ III 211 tainitas. t) r-- m --.,!il o '- -L...l la ESCllUlII~ FIG. '18 - SITUIdO III SAIIlil III 211 talalltas.

9 DOMAN, G. 0 qua fa ~ pa~a c~ian~a da ci~.b~o ~.aado. R10 de Jane1ro, Aur1verde, VERAS, R. 0 mongo~iamo. R10 de Janeiro, Aur1verde, VDaJA, M.A.R., BINI, E~M., SOGNO, B.C. A ~ingua~.m da c~ianga. no~maia a azcapcionaia. Vi90, 1988 lmsl. LEWINN, E.B. Human,au~o~ogica~ O~gani.ation. Springfield r. Ed.j, 1969.

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