Reforma agrária, urgente, necessária e esquecida

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2 2 editorial Reforma agrária, urgente, necessária e esquecida A situação é grave. E o governo se faz de desentendido, se iludindo com a falsa propaganda do sucesso do agronegócio O GOVERNO DILMA está em dívida com os trabalhadores rurais sem terra. Seu desempenho nesta área é tão pífio que corre o risco de entrar para a história como o pior governo para a reforma agrária desde a redemocratização do país. Os movimentos sociais seguem fazendo sua parte, com pressão. Na última semana houve a jornada nacional de luta pela reforma agrária, em que o MST e outros movimentos da Via Campesina se mobilizaram em 18 estados. Em Brasília, mais de 500 trabalhadores estão acampados desde 8 de março, fazendo vigílias e pressões. Os sem terra interromperam o trânsito em mais de 60 rodovias em todo país, para pedir justiça pela impunidade dos fazendeiros, nas centenas de casos de assassinatos de trabalhadores ainda impunes. Da parte dos povos indígenas, aproveitaram também a semana para protestar. Mais de 700 integrantes de diversas etnias ocuparam o plenário da Câmara dos Deputados e depois o Ministério da Justiça. Mas nada disso parece sensibilizar as autoridades federais, em especial o segundo escalão responsável pelas medidas concretas para resolver os problemas sociais que se multiplicam pelo interior do país. Parece repetir-se a máxima de que os muros dos palácios são tão altos, que deixam os governantes surdos e cegos para o povo. Os problemas relacionados com a ausência de uma política séria e verdadeira de reforma agrária só se acumulam. Nesses dois anos de governo Dilma, tivemos o menor número de desapropriações de toda história recente. Há no poder Judiciário 581 processos de desapropriações parados, alguns com os recursos depositados pelo Incra. E nenhuma instância do governo se mexe para pressionar o Judiciário a ser mais célere, já que é um programa social cumprindo o que determina a Constituição. Nas beiras das estradas do país se amontoam mais de 120 mil famílias de sem terras acampados, ligados a diversos movimentos sociais, como da Contag, MST, MLST, sindicatos de trabalhadores rurais e CUT. Com frequência ouvem-se desculpas na imprensa que seria muito caro desapropriar terras, em temos do agronegócio e da valorização da renda da terra. É a surrada desculpa das elites, sempre que se trata de programas sociais. Da elevação das taxas de juros, dos bilhões pagos em juros para os bancos, das obras públicas desperdiçadas, dos bilhões repassados ao agronegócio, ninguém reclama! Na imprensa, ouvem-se vozes governamentais dizerem que agora a prioridade é a qualidade dos assentamentos e depois resolveriam dos sem terra. Outro disparate. Seria como dizer aos sem-tetos da cidade, que primeiro vamos reformar as casas de quem tem, para depois construir novas. Uma coisa não exclui a outra, ao contrário, são complementares. Mas mesmo assim, se o argumento fosse válido, qual é a situação dos assentamentos no Brasil? Os dados do Incra são reveladores, da inoperância do governo. Há 180 mil famílias de sem-terra que já foram assentadas e ainda não têm casa. Depois de dois anos, o governo baixou portaria incluindo os assentados no programa Minha Casa, Minha Vida, mas agora falta outra portaria para regulamentar a primeira. E nenhuma casa foi construída ainda pelo programa. Os assentados não têm acesso a crédito. O MST sempre alertou que o Pronaf era apenas um crédito para o pequeno agricultor já estabilizado e integrado ao mercado. Hoje, das 800 mil famílias assentadas, cerca de apenas 50 mil têm acesso ao Pronaf, e ainda ficam endividadas. Portanto, é urgente implementar uma nova forma de apoio ao crédito às famílias assentadas. O Programa de compra antecipada de alimentos da Conab é excelente. Talvez uma das melhores heranças do governo Lula para a agricultura familiar. Porém, menos de 30 mil famílias assentadas têm tido acesso. Da mesma forma o programa que obriga cada prefeitura comprar no mínimo 30% dos alimentos da merenda escola de agricultores familiares. Os assentados têm muito pouco acesso a esse programa, tal a burocracia de editais, concorrências, e má vontade da maioria dos prefeitos, que preferem seguir com suas negociatas com as grandes empresas fornecedoras pelo atacado, das bolachas, leite em pó e outras enrolações. O tema da educação no campo também está pendente. Os movimentos do campo denunciaram que nos últimos 15 anos, desde FHC até o governo Dilma foram fechadas mais de 20 mil escolas fundamentais no campo. Em troca o MEC financia vans para os prefeitos trazerem as crianças do campo para estudarem na cidade. Todos os dias se obrigam a fazer 20, 30 até 100 quilômetros de distância. Uma tragédia. Os movimentos insistem. É preciso retomar a necessidade de que as escolas estejam nas comunidades rurais, próximo das moradias dos trabalhadores. E inclusive organizar escolas de ensino médio, onde o transporte dos alunos seja entre as comunidades rurais, sem levar para a cidade. E ampliar as vagas e cotas para filhos de camponeses acessarem o ensino superior, pelo Programa Nacional de Ensino da Reforma Agrária (Pronera), que adota o sistema de cursos especiais, em alternância para filhos de camponeses, e assim evita a migração para a cidade, mesmo durante o curso superior. A situação é grave. E o governo se faz de desentendido, se iludindo com a falsa propaganda do sucesso do agronegócio. O agronegócio é o modelo do capital, dá lucro para alguns fazendeiros e para as empresas transnacionais, mas não resolve os problemas dos pobres do campo; ao contrário, os amplia. opinião Frei Betto crônica Luiz Ricardo Leitão De volta ao século 19 Produção de sentido As fontes estão aí, a olhos vistos: a espiritualidade, os movimentos sociais, a luta pela preservação ambiental, a defesa dos direitos humanos, a busca de outros mundos possíveis MUITOS PAIS se queixam do desinteresse dos filhos por causas altruístas, solidárias, sustentáveis. Guardam a impressão de que parcela considerável da juventude busca apenas riqueza, beleza e poder. Já não se espelha em líderes voltados às causas sociais, ao ideal de um mundo melhor, como Gandhi, Luther King, Che Guevara e Mandela. O que falta à nova geração? Faltam instituições produtoras de sentido. Há que imprimir sentido à vida. Minha geração, a que fez 20 anos de idade na década de 1960, tinha como produtores de sentido Igrejas, movimentos sociais e organizações políticas. A Igreja Católica, renovada pelo Concílio Vaticano II, suscitava militantes, imbuídos de fé e idealismo, por meio da Ação Católica e da Pastoral de Juventude. Queríamos ser homens e mulheres novos. E criar uma nova sociedade, fundada na ética pessoal e na justiça social. Os movimentos sociais, como a alfabetização pelo método Paulo Freire, nos desacomodavam, impeliam-nos ao encontro das camadas mais pobres da população, educavam a nossa sensibilidade para a dor alheia causada por estruturas injustas. As organizações políticas, quase todas clandestinas sob a ditadura, incutiam-nos consciência crítica, e certo espírito heróico que nos destemia frente aos riscos de combater o regime militar e a ingerência do imperialismo usamericano na América Latina. Quais são, hoje, as instituições produtoras de sentido? Onde adquirir uma visão de mundo que destoe dessa mundividência neoliberal centrada no monoteísmo do mercado? Por que a arte é encarada como mera mercadoria, seja na produção ou no consumo, e não como criação capaz de suscitar em nossa subjetividade valores éticos, perspectiva crítica e apetite estético? As novas tecnologias de comunicação provocam a explosão de redes sociais que, de fato, são virtuais. E esgarçam as redes verdadeiramente sociais, como sindicatos, grêmios, associações, grupos políticos, que aproximavam as pessoas fisicamente, incutiam cumplicidade e as congregavam em diferentes modalidades de militância. Agora, a troca de informações e opiniões supera o intercâmbio de formação e as propostas de mobilização. Os megarrelatos estão em crise, e há pouco interesse pelas fontes de pensamento crítico, como o marxismo e a teologia da libertação. No entanto, como se dizia outrora, nunca as condições objetivas foram tão favoráveis para operar mudanças estruturais. O capitalismo está em crise, a desigualdade Freizet/CC social no mundo é alarmante, os povos árabes se rebelam, a Europa se defronta com 25 milhões de desempregados, enquanto na América Latina cresce o número de governos progressistas, emancipados das garras do Tio Sam e suficientemente independentes, a ponto de eleger Cuba para presidir a Comunidade do Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Vigora atualmente um descompasso entre o que se vê e o que se quer. Há uma multidão de jovens que deseja apenas um lugar ao sol sem, contudo, se dar conta das espessas sombras que lhes fecham o horizonte. Quando não se quer mudar o mundo, privatiza-se o sonho modificando o cabelo, a roupa, a aparência. Quando não se ousa pichar muros, faz-se tatuagem para marcar no corpo sua escala de valores. Quando não se injeta utopia na veia, corre-se o risco de injetar drogas. Não fomos criados para ser carneiros em um imenso rebanho retido no curral do mercado. Fomos criados para ser protagonistas, inventores, criadores e revolucionários. Quando Hércules haverá de arrebentar as correntes de Prometeu e evitar que o consumismo prossiga lhe comendo o fígado? Prometeu fez com que esperanças cegas vivam nos corações dos homens, escreveu Ésquilo. De onde beber esperanças lúcidas se as fontes de sentido parecem ressecadas? Parecem, mas não desaparecem. As fontes estão aí, a olhos vistos: a espiritualidade, os movimentos sociais, a luta pela preservação ambiental, a defesa dos direitos humanos, a busca de outros mundos possíveis. Frei Betto é escritor, autor do romance Minas do Ouro (Rocco), entre outros livros. AS MANIFESTAÇÕES DA CHAMADA imprensa livre latino-americana sobre a recente eleição presidencial na Venezuela atestam, para o mais incrédulo dos analistas sociais, a triste longevidade, já em pleno século 21, dos estereótipos e ideologemas cunhados pelo pensamento liberal neocolonial lá nos distantes anos De fato, não há como dissimular entre nós os ecos de Domingo Faustino Sarmiento, o escritor romântico que se tornaria presidente da Argentina ( ), cuja obra Facundo: civilização e barbárie veio a tornar-se a bíblia de boa parte da burguesia ao sul do Rio Bravo até os dias de hoje. Lendo os editoriais que os nossos valorosos guardiões da democracia, tais como O Globo e Veja, escreveram sobre a vitória de Nicolás Maduro, senti-me viajar no tempo e reencontrei-me com Sarmiento em Buenos Aires, quase um século e meio atrás, quando o portenho, já eleito presidente de seu país, executava a ferro e fogo sua política anti-indigenista na terra do Rio da Prata. Deslumbrado com a civilização europeia, o dublê de estadista e escritor (um protótipo do que Vargas Llosa jamais logrou no Peru) predicava em sua obra que, em vez do poncho, os portenhos deveriam usar a casaca e o paletó francês; em lugar do chiripá colorado (pano atado à cintura, que pende entre as pernas), a sela inglesa. Em outra passagem, ele lamenta, entre retórico e frustrado, que o comandante Lavalle não tivesse realizado sua campanha de 1840 vestido como um inglês: se assim o fizesse, escrevia Domingo Faustino em 1845, hoje estaríamos às margens do Prata incrementando a navegação a vapor pelos rios e distribuindo terrenos à imigração europeia. Essa opção liberal pela ordem urbana ditada pelo Velho Mundo não era casual: ela denunciava a herança da Coroa espanhola nos trópicos, onde a rede de cidades deveria criar uma América europeia e católica e, sobretudo, um império colonial no sentido estrito do termo, um mundo dependente e sem expressão própria, periferia do mundo metropolitano cujas ações e ações deveria refletir e seguir, como tão bem definiu o ensaísta José Luis Romero. Não estranhemos o ódio golpista de Capriles ou da família Marinho contra Chávez e a Revolução Bolivariana O que os espanhóis buscavam evitar, traumatizados com vários séculos de dominação moura na Península Ibérica, era a possibilidade do contágio o risco da mestiçagem, visível na metrópole pelo contato com a cultura muçulmana. Por isso, na luta acirrada que se travava entre as duas frações das elites argentinas no século 19, os federalistas (ou seja, a expressão política dos grandes pecuaristas do interior) seriam estigmatizados como gaúchos sanguinários e selvagens, ao passo que os unitários (porta-vozes da eclética burguesia de B. Aires) se autoproclamam os modernos e civilizados, aptos a recriar ao sul do Equador os projetos coloniais dos europeus. Ainda hoje, em pleno século 21, a imagem do mestiço incomoda profundamente essa elite criolla, que renega sua história híbrida e miscigenada, sonhando com as glórias do I Mundo. Não apenas lhes causa náuseas o cheiro de povo, especialmente o dessa gente miscigenada e laboriosa que prepara as suas refeições e limpa suas latrinas, como também a angústia não haver nascido em Paris, New York, ou até mesmo Miami, destino predileto dos magnatas venezuelanos e, também, do juiz Nicolau, de Collor, Ricardo Teixeira e tantos outros próceres de Bruzundanga. Por isso, não estranhemos o ódio golpista de Capriles ou da família Marinho contra Chávez e a Revolução Bolivariana. Sua fracassada intentona contra a posse de Maduro em 16 de abril, um dia após o midiático atentado em Boston que monopolizou as atenções da mídia mundial, tem o DNA do século 19. Os ataques às instituições oficiais nos principais estados da Venezuela e, em particular, aos centros de saúde onde atuam os médicos cubanos, deixam muito claro que a elite ariana do continente, sempre tutelada pelos EUA e a União Europeia, continua à caça dos mestiços e dos caudilhos, ansiosa por governar em paz, sem nenhuma interferência dessa gente bronzeada que, não obstante seus equívocos e hesitações, ainda insiste em mostrar seu valor nas barbas de Tio Sam. Luiz Ricardo Leitão é escritor e professor associado da UERJ. Doutor em Estudos Literários pela Universidade de La Habana, é autor de Noel Rosa Poeta da Vila, Cronista do Brasil e de Lima Barreto o rebelde imprescindível. Editor-chefe: Nilton Viana Editores: Aldo Gama, Renato Godoy de Toledo Subeditor: Eduardo Sales de Lima Repórteres: Marcio Zonta, Michelle Amaral, Patricia Benvenuti Correspondentes nacionais: Maíra Gomes (Belo Horizonte MG), Pedro Carrano (Curitiba PR), Pedro Rafael Ferreira (Brasília DF) Correspondentes internacionais: Achille Lollo (Roma Itália), Baby Siqueira Abrão (Oriente Médio), Claudia Jardim (Caracas Venezuela) Fotógrafos: Carlos Ruggi (Curitiba PR), Douglas Mansur (São Paulo SP), Flávio Cannalonga (in memoriam), João R. Ripper (Rio de Janeiro RJ), João Zinclar (in memoriam), Joka Madruga (Curitiba PR), Leonardo Melgarejo (Porto Alegre RS), Maurício Scerni (Rio de Janeiro RJ) Ilustradores: Latuff, Márcio Baraldi, Maringoni Editora de Arte Pré-Impressão: Helena Sant Ana Revisão: Jade Percassi Jornalista responsável: Nilton Viana Mtb Administração: Valdinei Arthur Siqueira Programação: Equipe de sistemas Assinaturas: Francisco Szermeta Endereço: Al. Eduardo Prado, 676 Campos Elíseos CEP Tel. (11) / Fax: (11) São Paulo/SP Gráfica: S.A. O Estado de S. Paulo Conselho Editorial: Alipio Freire, Altamiro Borges, Aurelio Fernandes, Bernadete Monteiro, Beto Almeida, Dora Martins, Frederico Santana Rick, Igor Fuser, José Antônio Moroni, Luiz Dallacosta, Marcelo Goulart, Maria Luísa Mendonça, Mario Augusto Jakobskind, Milton Pinheiro, Neuri Rosseto, Paulo Roberto Fier, René Vicente dos Santos, Ricardo Gebrim, Rosane Bertotti, Sergio Luiz Monteiro, Ulisses Kaniak, Vito Giannotti Assinaturas: (11) ou Para anunciar: (11)

3 3 A CRISE DA MÍDIA IMPRESSA, decorrente da explosão da internet e da queda de credibilidade dos jornalões e revistonas, agrava-se em todos os cantos. No Brasil, vários jornais já sucumbiram como o JB, o JT e outros e muitos trilham o caminho do falência, como o velho Estadão, que demitiu mais de 20% da sua equipe no início de abril. No mundo, o declínio também se acelera. O jornalista Fernando Rodrigues, da Folha, revelou nesta semana que a receita dos jornais nos EUA foi a pior dos últimos 50 anos em 2012, ela foi 15% menor do que era em 1956, conforme informações compiladas pelo sítio Statista. Segundo o site, o boom da internet fez a receita dos veículos impressos com anúncios cair mais de 70% desde o ano 2000 quando a indústria de mídia impressa havia atingido o pico de receita nos EUA. O faturamento com a circulação (venda de jornais e revistas) caiu cerca de 25% nesse período. O mais alarmante é que a internet, uma possível válvula de escape para as empresas de jornalismo impresso, não está rendendo o suficiente para cobrir as perdas, afirma o repórter, que conclui: A veninstantâneo Paulo Kliass Acidentes no trabalho A pior crise dos jornais nos EUA Altamiro Borges da de publicidade nos sites dos jornais já representa mais de 10% das receitas do setor nos EUA. O problema é que as receitas totais anuais encolheram 45 bilhões de dólares desde o ano No ano passado (2012), o valor total de faturamento foi de R$ 33 bilhões. Ou seja, afirma Statista, os 3,4 bilhões em venda de anúncios online parecem apenas uma gota d água no balde. Os jornais e revistas perdem leitores e, como consequência, os anúncios publicitários diminuem drasticamente. O mesmo fenômeno também já atinge as emissoras de rádio e televisão, que sofrem com a migração, principalmente dos jovens, para a internet. A Secretaria de Comunicação da Presidência da República, responsável pela distribuição das verbas de publicidade do governo federal e das empresas estatais, deveria ler como atenção os dados compilados pelo sítio Statista. O que ocorre em ritmo mais acelerado nos EUA também já se manifesta no Brasil. Mas a Secom, que insiste na questionável tese da mídia técnica, parece que ainda não entendeu o fenômeno e continua privilegiando a velha mídia com os recursos dos cofres públicos. Comunicação, a bola da vez O SÉCULO 20 FOI O PERÍODO das comunicações. O século 21 é mais do que isso: é o século da mídia. Já se foi o tempo em que se dizia que a imprensa é o quarto poder. Hoje é muito mais. Não há poder sem mídia. É ela que organiza os planos do capital, ela que os divulga e ela que os vende e defende. Podemos dizer que é ela o verdadeiro partido do capital. Em torno dela se juntam os donos do capital que hoje são os donos do poder. É só pensar na Fox, dos EUA; no Clarin, da Argentina; na Globo, do Brasil; ou nos conhecidos magnatas da mídia mundial, Murdoch, Carlos Slim, Cisneiros ou Berlusconi. O ano passado foi o ano do Instituto Millenium, comitê central da mídia da direita brasileira. Eles se organizaram no combate a qualquer experiência de política popular ou minimamente de esquerda da América Latina. Reunidos na Sociedade Interamericana de Prensa (SIP) atacaram de Chávez a Evo Morales, de Rafael Correa a Cristina Kirchner, de Lula e Dilma a Mujica, e nem se fale de Cuba. Festejaram o golpe contra o paraguaio Lugo e hoje, guiados pelo EUA, tentam organizar um golpe contra a continuidade da revolução bolivariana da Venezuela. Vito Giannotti Este ano, no Brasil, para muitos, as ilusões numa direita civilizada caíram. A necessidade de uma longa e dura batalha político-ideológica está mais do que viva. Assim, muitas iniciativas estão sendo tomadas, todas com objetivo de se chegar a ter uma mídia de esquerda eficiente, afiada contra o partido do capital. Participei, este ano, de mais de dez palestras, debates, seminários de comunicação sindical e popular. Nos últimos dias fui convidado para o Encontro de Blogueiros do Paraná, e para um seminário de formação em comunicação do Barão de Itararé, sem contar com as atividades da FNDC, da qual participamos aqui no Rio no Fale Rio. Os debates são vários, vão da concretização do Canal da Cidadania ao Marco Civil da Internet, até à criação do Marco Regulatório geral. Para nós, no Brasil, os passos a serem dados para a democratização da mídia são muitos. Mas há exemplos muito bons que podem ser seguidos: o do Uruguai e o da Argentina. Começar pela redistribuição dos canais de rádio e TV. E mais, trata-se de incentivar e apoiar o nascimento de rádios e TVs populares, nas mãos dos trabalhadores organizados na sociedade civil. Mas para isso, sempre repito, só com muita gente nas ruas, gritando e exigindo esse novo direito. O BRASIL CONTINUA batendo recordes no quesito acidentes de trabalho. Apesar de todas as tentativas de transformar a imagem do país em potência regional, nação do chamado primeiro mundo, o fato é que nas questões ligadas aos temas da esfera social, continuamos ainda muito atrasados do mínimo de padrões que podem ser considerados civilizatórios. Os últimos dados oficiais existentes remontam ainda a Naquele ano foram registrados mais de 723 mil acidentes em situações de trabalho. Não bastasse essas tristes cifras, trata-se de número que todos os especialistas reconhecem estar bem abaixo da realidade. A subnotificação dos acidentes é fenômeno recorrente no setor. De toda maneira, trata-se de uma quantidade absurda de eventos ocorrendo em um contexto de venda da força de trabalho, que levam à morte, à lesão traumática grave ou que podem provocar sequelas menos graves. O que chama atenção é que os setores campeões nos levantamentos estatísticos são justamente os considerados como prioritários pelas políticas governamentais. Ali estão ocupando os primeiros postos, entre outras, as empresas de construção civil de todos os tipos, as atividades ligadas à cana de açúcar e a indústria dos frigoríficos. Vejam que são ramos da atividade econômica que recebem recursos vultosos do BNDES e demais agências de financiamento do governo federal. As enormes empresas da construção são beneficiadas com isenções tributárias e recebem outros incentivos para operar com verbas públicas nas construções do PAC, da rede da infraestrutura e mesmo para abrirem novos mercados no exterior. Os frigoríficos contaram com todo apoio do governo no processo de centralização e oligopolização do setor, em especial no caso da JBS, que tornou-se a maior empresa processadora de carnes do mundo. E o nosso país depende fortemente de suas atividades de exportação para manter o superávit da balança comercial. O BNDES entrou com recursos financeiros expressivos para viabilizar as aquisições do grupo ao longo da última década. A permanência de elevados índices de acidentes e adoecimentos relacionados ao ambiente de trabalho são exemplos claros de tal contradição Já no ramo da cana de açúcar, a estrutura econômica, social, política e cultural reflete padrões que remontam ainda à época da escravidão, no século 19. O setor apresenta condições de trabalho e salários degradantes, com elevada incidência de acidentes, sazonalidade na contratação da mão-de-obra em condições aviltantes, práticas análogas ao trabalho escravo, entre outros fatores quase medievais. Para se ter ideia, por exemplo, apenas em Alagoas, o setor apresenta mais de 5 mil acidentes anuais, o que equivale a mais da metade do total de acidentes registrados em todo o país. Considerado um dos mais bem queridinhos do agronegócio, o ramo do açúcar também recebe verbas do Orçamento da União e do BNDES para sustentar suas atividades. No quesito das doenças causadas por condições adversas no local de trabalho, as empresas brasileiras tampouco deixam de contribuir para as péssimas estatísticas dos Ministérios da Saúde e do Trabalho. As Lesões por Esforço Repetido (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort) são uma presença constante em ambientes de trabalho ligados aos conglomerados da área financeira, assim como um conjunto de distúrbios de natureza psicológica começam a se manifestar em empresas que operam com telemarketing. Vale a pena registrar, também, que as pressões cada vez mais intensas associadas ao cumprimento de metas a todo custo terminam por provocar consequências graves também na esfera do psiquiátrico e neurológico. Isso significa que o Estado brasileiro oferece duas faces bem distintas quando se trata de políticas públicas para as empresas. O capital privado recebe todas as benesses para reduzir seus custos e aumentar seus lucros, sem que isso seja acompanhado de exigências para que seja obrigado a promover a melhoria das condições salariais e de trabalho para seus assalariados. A permanência de elevados índices de acidentes e adoecimentos relacionados ao ambiente de trabalho são exemplos claros de tal contradição. Paulo Kliass é doutor em economia pela Universidade de Paris 10 (Nanterre) e integrante da carreira de Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental, do governo federal. fatos em foco da Redação Parceria para abastecimento da merenda em São Paulo Uma comissão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fez uma audiência com o prefeito de São Paulo Fernando Haddad, no dia 19 de abril, na sede da prefeitura. O MST apresentou a Haddad produtos produzidos por cooperativas organizadas em áreas da reforma agrária, que são a base da alimentação de alunos matriculados nas escolas em diversas prefeituras, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). A prefeitura de São Paulo tem colocado dificuldades para a compra alimentos da reforma agrária para a merenda escolar e para os programas sociais. A gestão anterior não tinha essa preocupação. No entanto, o prefeito Haddad acenou positivamente e ficou muito impressionado com a nossa capacidade de produção, disse o dirigente do MST Delwek Matheus. Compra de produtos da agricultura familiar A Lei nº /2009 determina a utilização de, no mínimo, 30% dos recursos repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para alimentação escolar, na compra de produtos da agricultura familiar, priorizando os assentamentos de reforma agrária. Apenas no estado de São Paulo, as cooperativas do MST já fornecem alimentos para a alimentação escolar para as prefeituras de São Bernardo, Guarulhos, Campinas, São Caetano do Sul, Suzano, Ribeirão Pires, Mairiporã, Praia Grande, São Vicente, Guarujá, Registro, Bauru, Ourinhos, Sertãozinho, Araras, Ibiúna, Pederneiras, Itapeva e Porto Feliz. Os alimentos fornecidos são arroz orgânico e convencional, feijão, macarrão, leite de caixinha e em pó, achocolatado, suco de uva, iogurtes e queijo mussarela, entre outros. Pastoral pede responsabilização de mentores da ação no Carandiru A Pastoral Carcerária considerou positiva a condenação de 23 policiais envolvidos no massacre do Carandiru, em 1992, mas fez ressalvas. A entidade pede a responsabilização não somente dos policias, mas dos mentores da ação que ocupavam funções no governo do estado de São Paulo. Em nota divulgada dia 22 de abril, a Pastoral afirma que ainda hoje, com pleno conhecimento do Estado, massacres continuam acontecendo nas ruas, nos presídios, no sistema de saúde e em outros equipamentos que deveriam estar a serviço do bem estar da população. Entre outras considerações, foi solicitado que todos os réus do caso Carandiru sejam exonerados dos cargos que ainda ocupam na administração pública ou na Polícia Militar.

4 4 brasil A Casa Grande e as finanças DÍVIDA PÚBLICA Mesmo com a queda dos juros, o problema da dívida segue engessando o país e subordinando a economia ao capital financeiro BCB Pedro Carrano de Curitiba (PR) A MÍDIA CORPORATIVA pressiona pela retomada do aumento da taxa Selic, sob o risco do fantasma da inflação. O controle de metas de inflação se baseia, contudo, pelo reajuste excessivo de tarifas, aumento e controle dos preços dos alimentos. Sendo, dessa forma, mais um mecanismo de geração de dívida pública, como informa o documento A Dívida Pública em Debate, da Auditoria Cidadã da Dívida. Por outro lado, o movimento da política econômica do governo de baixa na taxa de juros nos últimos tempos gerou mais emissão de títulos da dívida. Justamente quando a Selic passou a cair, o Tesouro passou a emitir títulos pré-fixados; ficou em quase 12%, por exigência dos bancos, os dealers que compram títulos da dívida, afirma coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lúcia Fatorelli. Justamente quando a Selic passou a cair, o Tesouro passou a emitir títulos pré-fixados Dessa forma, como afirma o ex-bancário e advogado Cláudio Ribeiro, integrante da direção municipal do PT de Curitiba, os setores rentistas são os que definem os próprios juros sobre os títulos emitidos da dívida pública. Quem vai arrematar em leilão estabelece o percentual, não há concorrência. Essa é a questão central, informa Ribeiro. De uma maneira ou de outra, o Brasil se mantém refém do sistema financeiro. A avaliação de documentos da Auditoria Cidadã da Dívida pontua que, ao invés de cumprir o papel de instrumento de investimento estatal, a dívida pública tem a função de retirada de recursos da União, produzindo um mecanismo de juros sobre juros, o que não é permitido na lei brasileira. O BNDES faz empréstimos ao setor primário-exportador, e para esses empréstimos o governo tem se endividado para o BNDES po- R$ 2,9 trilhões É o atual valor da dívida pública, o que corresponde a 78% do PIB; Deste total, 2 R$,5 trilhões pertencem à dívida pública interna e R$ 4 00 bilhões à dívida pública externa Fonte: Dívida pública em debate/auditoria Cidadã da Dívida/2012 der emprestar. O Tesouro paga juros altos, o BNDES repassa a juros baixos, o que aumenta a dívida também, comenta o economista Rodrigo Ávila, da Auditoria Cidadã da Dívida. Esses números representam enorme transferência de recursos do setor público para o setor financeiro privado Livre fluxo Ávila critica a falta de regulação da entrada e saída de capitais especulativos no Brasil e a política de acúmulo de reservas internacionais. O Brasil tem reservas de mais de R$ 400 bilhões, aplicados em títulos dos Estados Unidos, de baixa rentabilidade, o que aumenta a dívida. O governo alega que seria necessária uma grande reserva, só que outro mecanismo, que já foi defendido, inclusive no interior Sede do Banco Central em Brasília (DF) do governo, é o controle sobre o fluxo de capitais, comenta. Assim, o Banco Central mantém reservas em dólares em seus ativos, desde 2005, e títulos da dívida interna em seus passivos. A instituição alcançou um prejuízo de R$147 bilhões em 2009, R$ 50 bi em 2010, e R$ 44,5 bi no primeiro semestre de Esses números representam enorme transferência de recursos do setor público para o setor financeiro privado, tendo em vista a forte desvalorização do dólar. O diferencial neste momento do problema da dívida nos países centrais, em relação ao Brasil, é a incidência dos juros sobre a rolagem dessa dívida. Os títulos da dívida estadunidense têm juros muito próximos de zero. Ao passo que aqui no Brasil se deduz até mesmo um saldo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), algo que nunca poderia ser usado para pagar a dívida. A dívida bruta está em quase 80% do Produto Interno Bruto (PIB). Não se pode comparar com a europeia. Lá o juros estão próximos de zero. Até mesmo a Itália deve rolar dívida a 6%, critica o economista. Um problema político Governo Dilma resiste em seguir uma política monetarista de Curitiba (PR) A redução da Selic tem importância, mas não tanto. É necessária a atitude política de fazer um levantamento da história do que foi pago, do que se deve, caso contrário vamos ficar discutindo sobra de mesa. Ao passo que não temos recursos para a Educação, Saúde, etc, analisa o ex-bancário e advogado, integrante da direção municipal do PT de Curitiba, Cláudio Ribeiro. Ele menciona o fato de haver uma maior predisposição do governo Dilma para abordar o problema do rentismo, mas as medidas ainda são insuficientes. Pablo Diaz, economista e integrante da direção do Sindicato dos Bancários, avalia que a posição da mídia, em consonância com os setores rentistas, é de pressão para o aumento da taxa de juros. Eles começam a minar com mensagens subliminares, e a solução sempre vai ser aumentar o juros. Como se aumentar os juros da Selic (como quando era 40% de juros na década de 1990) a inflação se debelaria, o que é uma falácia, defende o economista. Em que pese a disposição de aumento do investimento na receita da Educação, e mesmo a recomposição salarial que os servidores públicos federais terão até 2015, entre outros fatos importantes na atual conjuntura, o orçamento e as possibilidades de investimento estatal brasileiro seguem sufocadas. Em 2011, de cada R$ 1 que o brasileiro pagou de imposto, ou do orçamento da União, cerca de R$ 0,45 foram para rolar a dívi- da e mantê-la. Claro que compromete os demais orçamentos, afirma Pablo Diaz. Ele agrega: Investidores é um termo bonito que esconde uma relação perversa. A luta política e de classes é a disputa do orçamento público, reafirma Diaz. Sobre o problema da relação entre o montante do orçamento e o pagamento obrigatório da dívida, na avaliação de Cláudio Ribeiro, uma das questões está na falta de transparência e informação sobre a aplicação dos recursos. O importante seria se soubéssemos para quem está sendo pago, como se originou, para acompanhar o histórico todo. As informações são mantidas trancadas e o povo brasileiro é levado a pensar que o grande problema do país é a corrupção, critica. A corrupção, de acordo com Ribeiro, não representa 5% da totalidade do que o país paga de juros. Nem o Congresso Nacional obtém as informações necessárias, pontua. De acordo com o documento A Dívida Pública em Debate, da Auditoria Cidadã da Dívida, também não é divulgada a parcela do serviço da dívida (juros e amortizações) paga com recursos obtidos pela emissão e leilão de novos títulos, sob a justificativa de que se trata de mera rolagem ou refinanciamento. A principal arma de dominação dos países hoje é o controle de suas dívidas e, em nome de um capital que é produto de agiotagem, os investimentos que poderiam ser feitos são sufocados pela ganância dos agiotas, critica Ribeiro. Hegemonia Hoje, 90% dos ativos da dívida pública estão nas mãos de cinco bancos no Brasil. Há vários mecanismos de transferência de recursos do Tesouro Nacional para o pagamento da dívida, são eles: a reserva de superávit primário, a transferência de lucratividade do Banco Central, acobertada pelo Tesouro Nacional, a dívida contraída nos estados da federação, etc. Cláudio Ribeiro aponta que o Banco Central (BC) tem ampla liberdade para cobrir a dívida a partir de resgate da fonte que for necessária, inclusive da população. O Banco Central pode entrar a hora que quiser nessas contas. A dívida é mascarada na formulação do orçamento. O superávit primário é a parte da dívida orçamentada, o restante está fora de controle, afirma. Investidores é um termo bonito que esconde uma relação perversa. A luta política e de classes é a disputa do orçamento público Cabresto Em 1979, taxas como Primor e Libor, relativas à dívida pública dos países, tinham valor baixo até que sofreram um reajuste de 20,5%, o que fez saltar a dívida dos países do chamado Terceiro Mundo. Diaz contextualiza que a década de 1980 foi marcada pelo problema do endividamento transferido a esses países. A década de 1990 foi marcada pela integração dos sistemas financeiros e pela financeirização da dívida dos países, de acordo com o economista. Criou-se um ambiente político para você trocar a inflação mundial, que é a emissão imediata de moedas, por uma inflação de títulos. Então você deixa de emitir moeda de curto prazo e passa a emitir de longo prazo, uma hora alguém vai pagar a conta. O governo Fernando Henrique Cardoso unificou todas as dívidas, e chegamos a ter Selic de 40%, critica Diaz. Dívidas do setor privado desde aquela ocasião foram transferidas para o setor público. O governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC) é divisor de águas, uma vez que adaptou a estrutura financeira nacional à mundial, com a unificação dos sistemas bancários, além de reorganizar a dívida federal, municipal, estadual de maneira submissa a 150 empresas financeiras, afirma Diaz. Resistência pontual A avaliação tanto de Ribeiro como de Diaz é de que há uma resistência conjuntural nesse aspecto, devido à política econômica do governo Dilma. Entretanto, as atuais medidas para incentivar o setor produtivo esbarram na herança de uma política econômica baseada na independência do Banco Central. O governo Dilma resistiu um pouco mais. O Banco Central é independente de quem? Só mesmo da população. Há resistência por parte do atual governo, mas não chega a ser um conflito, explicita Diaz. Cláudio Ribeiro também enxerga a medida como pontual mas que também encoberta a falta de um levantamento completo sobre o tema da dívida. A problemática se reflete em problemas concretos, como o endividamento dos estados da federação, obrigados a pagar à União, que deve remeter ao pagamento da dívida federal, hoje está nas mãos dos bancos nacionais e estrangeiros. Isso revela como a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) constituiu-se como uma imposição do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao governo brasileiro. Há o caso de estados que tiveram de tomar empréstimos do Banco Mundial (BM) para quitar a sua dívida com a União. Para tomar um exemplo, Ribeiro cita a dívida do estado de Minas Gerais, que hoje se encontra no patamar de R$ 70 bilhões; no entanto seu valor real é calculado em R$ 10 bilhões. (PC)

5 brasil 5 Produção criminosa de roupas em SP EXPLORAÇÂO Grandes empresas da moda estariam fomentando o tráfico de pessoas para abastecer uma rede de exploração lucrativa que culmina no trabalho escravo de imigrantes Anali Dupré/Repórter Brasil Márcio Zonta da Redação HÁ DUAS SEMANAS, mais seis imigrantes bolivianos flagrados em condição análoga à escravidão foram resgatados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), de uma oficina clandestina de costura na cidade de São Paulo. Com mais essa abordagem do MTE, no ano de 2013, contabiliza-se quarenta imigrantes resgatados na capital paulista submetidos à mesma forma de exploração no trabalho. Procedentes geralmente do Peru, Bolívia e Paraguai, os imigrantes trabalham em locais insalubres, trancafiados e sem ventilação na região central da cidade, principalmente nos bairros do Pari, Brás e Bom Retiro. A jornada de trabalho diária alcança de 14 a 16 horas sem acesso aos direitos trabalhistas vigentes no Brasil. Segundo o MTE, a cidade de São Paulo possui entre 8 e 10 mil oficinas de costura clandestinas, ocupadas em média por entre quinze e vinte costureiros. Os casos que se tornaram recorrentes na mídia somente nos últimos anos fazem parte de uma contínua exploração, que existe há mais de vinte anos na capital paulista. Para especialistas ouvidos pela reportagem do Brasil de Fato, a prática exploratória ganhou outro artifício nos dias atuais, envolvendo o crime de tráfico de pessoas para abastecer uma rede de exploração, beneficiária a famosas grifes de moda e do varejo nacionais e internacionais instaladas no Brasil. Retornando de uma viagem recente à Bolívia, onde discutiu o assunto com parlamentares bolivianos, o deputado Claudio Puty (PT-PA), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito do Trabalho Escravo, revela que investigações apontam o envolvimento de grandes empresas da moda na exploração trabalhista ilegal de imigrantes no país. Apuramos em São Paulo que empresários brasileiros, bolivianos e coreanos estão à frente das oficinas que exploram esses trabalhadores, no entanto, seriam os intermediários de grandes empresas que pagam R$ 0,20 pela confecção de uma peça de roupa e vendem em grandes lojas de marcas por R$ 100 ou mais, destaca. O crime de traficar pessoas nesse caso se constitui como uma condição, um meio que serve ao contexto de exploração do trabalhador Esquema Na Bolívia, Peru e Paraguai, empresas de costura que atuam de fachada seriam as principais aliciadoras para fornecer mão de obra à rede de exploração nas oficinas clandestinas em São Paulo. Essas empresas ministram cursos de costureiro preparando as pessoas para serem trazidas ao Brasil, revela Roque Renato Pattussi, coordenador do Centro de Apoio ao Migrante (Cami). Um contrato verbal no país de origem, entre aprendizes e donos das firmas de costura, acordaria um salário de 150 dólares por mês em São Paulo, além da garantia de alimentação e moradia sem custo ao trabalhador. Assim, uma vez instalados nesses locais de trabalho na chegada em São Paulo, os imigrantes estariam contidos à cadeia de produção de grandes marcas da moda e do ramo do varejo. Na maior parte dos casos, os maiores beneficiários são os grandes magazines, acusa Elias Ferreira, advogado e secretário-geral do Sindicato das Costureiras de São Paulo. Elias relata que muitas dessas companhias de moda, que usufruem da indústria têxtil, sabem da existência do trabalho escravo na cadeia de produção de seus produtos. Fazendo o papel investigativo, localizamos as oficinas clandestinas, informamos ao Ministério Público, Ministério do Trabalho e Polícia Federal e muitas vezes averiguamos que as empresas sabem, porém há casos em que há o desconhecimento do fato, constata. Para Pattussi, não há duvida: a legião de imigrantes vindos dos países fronteiriços com o Brasil tem endereço certo. São trazidos às oficinas clandestinas de costura em São Paulo, que em sua grande maioria estão ligadas à cadeia de produção das grandes lojas, enfatiza. Tráfico de pessoas Além do trabalho análogo à escravidão nas oficinas de costura clandestinas, a rede de exploração forja ainda outro crime: o tráfico de pessoas. Aliciados com a promessa de moradia, alimentação e salário, os imigrantes contraem dívidas com passagens, visto e toda permanência em São Paulo, sendo muitas vezes mantidos nesses espaços em decorrência de servidão por dívida. Diante dessas circunstâncias, o tráfico de pessoas seria o alicerce para garantir um contingente de bolivianos, peruanos e paraguaios para mão de obra nas oficinas envolvidas no esquema de exploração. O crime de traficar pessoas nesse caso se constitui como uma condição, um meio que serve ao contexto de exploração do trabalhador no ramo têxtil de São Paulo, elucida Juliana Armede, advogada e coordenadora dos programas de enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e do Combate ao Trabalho Escravo da Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo. da Redação Os diversos casos acompanhados pela advogada na Secretaria de Justiça apontam que o esquema de exploração de imigrantes costureiros na cidade fomenta o delito. De maneira concreta, nós identificamos na cidade de São Paulo que o tráfico de pessoas, no âmbito latino-americano, sobretudo envolvendo os bolivianos, está destinado diretamente às oficinas clandestinas, assegura Juliana. Os responsáveis Daslu, Sete Sete Cinco, GEP, Zara, Marisa, C&A, Pernambucanas, Collins, são algumas das empresas famosas nacionais e internacionais do ramo da moda que já tiveram seus nomes atrelados ao trabalho escravo. O grupo espanhol Inditex, proprietário da marca Zara, registrou lucro recorde em Apesar da crise econômica na Europa, a empresa faturou 2,361 bilhões de euros. No ano passado, a companhia de moda espanhola abriu 482 novas lojas espalhadas em diversos países. Seu dono, Amancio Ortega, está entre os cinco homens mais ricos do mundo. Segundo Juliana, as empresas cuja cadeia de produção esteja envolvida 200 mil bolivianos vivem em São Paulo, dos quais cerca de 50 mil trabalham em oficinas clandestinas com trabalho escravo também teriam que ser responsabilizadas pelo tráfico de pessoas, como componente do processo de exploração trabalhista ilegal. É necessário que responsabilize a empresa que ratifica a exploração, sobretudo, de um tráfico de pessoas do ponto de vista trabalhista, menciona. Todavia, não se pode garantir que mesmo as empresas já flagradas com trabalhadores em condição análoga à escravidão, em sua cadeia de produção, não repita mais o crime. A fiscalização constante do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Polícia Federal e do Sindicato das Costureiras de São Paulo, tem feito as oficinas clandestinas mudarem para outras localidades, não garantindo sua eliminação. Devido à inspeção do poder público e de entidades de classe, muitas dessas oficinas migraram para Carapicuíba, Osasco, Itaquaquecetuba e Campinas. Ir para o interior de São Paulo é uma maneira de se esconder melhor e dificultar possíveis denúncias dos trabalhadores envolvidos, além de dificultar o contato dos imigrantes com outras pessoas, como acontece facilmente no centro de São Paulo, denuncia Pattussi. Bolivianos são principais alvos Pobreza e habilidade artística são características que fazem dos bolivianos maioria nas oficinas em São Paulo Este ano, o MTE já resgatou 40 imigrantes em condição análoga à escravidão na capital paulistana Anali Dupré/Repórter Brasil Cerca de 50 mil bolivianos que vivem em SP trabalham em oficinas clandestinas Conforme o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em São Paulo vivem 200 mil bolivianos, dos quais cerca de 50 mil trabalham em oficinas clandestinas. As fiscalizações realizadas na cidade têm constatado que a mão de obra flagrada em condição análoga à escravidão é predominantemente boliviana. No dia 19 de março, uma operação do MTE em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e Receita Federal libertou 31 imigrantes mantidos em condições precárias de trabalho e sobrevivência numa casa na zona leste de São Paulo. Entre os costureiros, 28 bolivianos produziam para o grupo GEP, dono das marcas Cori, Emme e Luigi Bertolli. O caso mais recente citado na matéria acima, cuja investigação ainda está em sigilo, dá conta de mais seis bolivianos resgatados, que estariam a serviço de uma empresa brasileira da moda. A Bolívia ainda é um dos países mais pobres da América do Sul e por isso eles deixam o país porque o sistema social não os contempla. Esses trabalhadores geralmente viviam no interior e são presas fáceis de aliciadores que prometem uma vida melhor no Brasil, comenta Roque Renato Pattussi, coordenador do Centro de Apoio ao Migrante (Cami). As abordagens do MTE e MPT relatam que a maioria dos bolivianos trazidos para o Brasil é composta por homens jovens. Existe uma proporção de mulheres, mas a maioria é homem mais jovem justamente para poder suportar o movimento repetitivo de uma máquina de costura durante 16 horas diárias, conta Pattussi. Por questões biológicas, as mulheres teriam menos preferência, principalmente pelo risco de gravidez. Quando se está submetido a esse sistema de exploração, as mulheres não fazem pré natal, vão ao hospital somente quando estão em trabalho de parto, revela o coordenador do Cami. Cultura Outra questão que faz elevar a incidência de bolivianos no esquema de exploração trabalhista no ramo têxtil em São Paulo é a habilidade artística. Os bolivianos têm muito mais capacidade artística do que os europeus. Vejam pelas artes produzidas na América Latina em geral, que têm muito mais conotação expressiva que as produzidas na Europa, por exemplo, opina Patussi. Submetidos a extensivas horas de costura, os bolivianos apresentariam um baixo índice de erros na confecção das peças. Para Pattussi, tudo que envolve a arte como a costura, faz com que os bolivianos consigam produzir muitas peças com qualidade e perfeição numa jornada ampla de trabalho, conclui. (MZ)

6 6 brasil Leonardo Wexell Severo espaço sindical da Redação Greve dos professores de São Paulo Começou no dia 22 de abril a greve dos professores da rede pública estadual de São Paulo, com a adesão de 25% da categoria, de acordo com o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). Os professores exigem 36,74% de reajuste salarial e denunciam que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), não cumpre o Piso Nacional, definido em R$ Sem o fim dos monopólios não haverá democratização MÍDIA Após plenária nacional da campanha Para Expressar a Liberdade, que definiu o Projeto de Lei de Iniciativa Popular, é hora de ganhar as ruas, afirma Rosane Bertotti, da CUT Leonardo Wexell Severo de São Paulo (SP) COM A PRESENÇA de lideranças de 26 entidades de todo o país, a plenária nacional da campanha Para Expressar a Liberdade: uma nova comunicação para um novo tempo, realizada dia 18 de abril, na sede do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, deu a largada rumo à coleta de 1,3 milhão assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular de um novo marco regulatório que oxigene o setor. Entre as prioridades do projeto, estão o combate aos monopólios e à propriedade cruzada (na qual um mesmo empresário é dono de vários veículos de comunicação, concentrando televisão, rádio e jornal), por meio de critérios claros nas outorgas e concessões, e a defesa do conteúdo nacional, da diversidade regional e da produção independente, destaca a coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Rosane Bertotti, secretária nacional de Comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Vamos fazer muitos debates e muitas audiências públicas, fazendo o enfrentamento com os monopólios midiáticos O projeto, esclareceu Rosane, defende a regulamentação dos artigos 5, 21, 220, 221, 222 e 223 da Constituição Federal sobre a comunicação, bem como reitera a defesa da promoção e a garantia dos direitos de liberdade de expressão e opinião, do direito à comunicação, da diversidade e pluralidade de ideias. A dedicação e o esforço que os Grupos de Trabalho tiveram para trazer um projeto pronto e o compromisso da plenária de fazer o debate, sistematizar e incorporar as demandas, apontam que estamos no caminho certo. Com muita representatividade, a plenária demonstrou a unidade e o amadurecimento do movimento social. Agora é colocar o bloco na rua, defendeu a coordenadora do FNDC. Mobilização e pressão Na avaliação de Rosane, ao municiar a todos e todas com um instrumento de mobilização, que é o projeto, chegou o momento de dialogar com a sociedade, nos locais de trabalho, nas ruas e praças, para que ele se transforme em realidade, forçando o Congresso Nacional e o governo a reconhecerem os movimentos sociais e o papel da democracia. Vamos fazer muitos debates e muitas audiências públicas, fazendo o enfrentamento com os monopólios midiáticos. Além disso, o movimento já tem as suas pautas, como o 1º de Maio, o que potencializa o diálogo e facilita o processo de arrecadação de centenas de milhares de assinaturas, avalia. Para João Brant, da coordenação do FNDC e integrante do Coletivo Intervozes, os dois principais objetivos do projeto que se ampara na legislação internacional são enfrentar o monopólio da comunicação e promover a universalização do acesso aos meios. Nosso esforço foi elaborar um texto que dê conta de diversos objetivos com uma linguagem simples, para apresentar os objetivos ao cidadão de forma resumida e acessível, acrescentou. A construção coletiva do projeto, apontou Orlando Guilhon, presidente da Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub), bem como as precisões debatidas numa plenária qualificada, o transformam numa ferramenta para a mobilização popular por um novo marco regulatório. No momento em que o movimento popular toma as rédeas do processo e dá um passo para arregimentação da sociedade brasileira em torno da democratização, estamos construindo não só um projeto de comunicação, como um projeto de nação, declarou o professor da UFRJ, Marcos Dantas Lideranças de 26 entidades de todo o país participaram do encontro em São Paulo Mídia reforça preconceitos Na avaliação de Sônia Coelho, da coordenação da Marcha Mundial das Mulheres, não há liberdade de expressão quando os conteúdos veiculados pelos meios de comunicação, principalmente os que são concessões públicas, têm corte de classe, gênero e raça, estimulando e reforçando preconceitos. Dialogando com a população, a mobilização irá crescer, se transformará em vontade popular e, dessa forma, chegará com força no Congresso Nacional e no governo, acrescentou. É preciso enfrentar, de forma inequívoca, a inércia que o governo demonstra e que não está reservada e restrita ao Ministério das Comunicações, frisou o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schroder. Esta plenária é fundamental para definir a ação do movimento social na luta pela democratização da comunicação, que é uma batalha difícil, mas estratégica, em que ganhamos musculatura, destacou Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé, lembrando que tanto as centrais sindicais quanto movimentos como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) têm tomado esta bandeira como prioritária. O deputado federal Ivan Valente (Psol) sublinhou que é preciso partir para a ofensiva na mobilização e na pressão sobre o Congresso Recém-chegada da Venezuela, onde contribuiu com a cobertura do ComunicaSul, a jornalista Renata Mielli, do Barão de Itararé e da coordenação do FNDC, lembrou dos inúmeros avanços obtidos pelos governos progressistas na América Latina e de que chegou a hora de, também no Brasil, virar a página do atraso representado pelos monopólios da desinformação. O deputado federal Ivan Valente (Psol), defendeu o Projeto de Lei de Iniciativa Popular e sublinhou que é preciso partir para a ofensiva na mobilização e na pressão sobre o Congresso: Quem está neste movimento rema contra a corrente, pois a mídia invisibiliza todas as lutas e disputas políticas em defesa de interesses conservadores privados. Plenária é fundamental para definir a ação pela democratização da comunicação Frente Paulista pela Liberdade de Expressão Luta pelo piso salarial nacional Entre os dias 23 e 25 de abril, a Confederação Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE) convocou todos os trabalhadores da educação e a sociedade para a 14ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública. Um dos focos da greve nacional é a valorização dos profissionais em educação, sendo que a bandeira unificadora do movimento é a luta pelo piso salarial nacional. Construção civil ameaça greve em São Paulo O Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP) definiu parar obras da capital paulista por meio de uma greve de advertência, no dia 26 de abril. A mobilização da categoria, além de buscar uma solução que destrave as negociações salariais, pretende denunciar o aumento nos acidentes de trabalho fatais no setor. Mais uma ferramenta na luta contra os frigoríficos O ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, assinou, no dia 18 de abril, a Norma Regulamentadora nº 36 (NR-36), que trata do ambiente de trabalho em áreas de abate e processamento de carnes e derivados. Conhecida como NR dos Frigoríficos, a nova norma é resultado da busca de prevenção e redução de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. Medidas e critérios na organização das atividades Com o objetivo de melhorar as condições de trabalho, a NR-36 estabelece critérios na organização das atividades como adoção de pausas, gerenciamento de riscos, disponibilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados e rodízios de atividades. JBS/Friboi condenada por demissões A Justiça do Trabalho condenou o frigorífico JBS/Friboi pela demissão em massa realizada em 2011, na unidade instalada em Presidente Epitácio (SP). A sentença determina compensações financeiras a cerca de 900 trabalhadores demitidos e uma indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 240 mil. No prazo de 60 dias, cada ex-funcionário dispensado deve receber três salários mínimos por ano trabalhado. O frigorífico ainda deve fornecer cestas básicas em número correspondente às parcelas do seguro-desemprego, além de curso de qualificação para os trabalhadores demitidos. Regulamentação dos direitos dos domésticos pode ser votada A proposta de regulamentação da Emenda Constitucional que amplia os direitos de empregados domésticos no país, que poderá ser votada no dia 25 de abril no Congresso Nacional, causa polêmica. O relator na Comissão Mista de Consolidação das Leis e Regulamentação da Constituição, senador Romero Jucá (PMDB-RR), defende a redução da multa recolhida sobre o montante do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), de 40% para 10%. A proposta foi rechaçada por representantes da categoria. Caravana a Brasília contra a política econômica do governo No dia 24 de abril, a CSP-Conlutas organizou uma caravana a Brasília, ao lado de sindicatos, da CUT Pode Mais, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Alimentação (CN- TA), Confederação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Copab), Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), movimentos sociais, de gênero, quilombolas, entre outros, para marchar contra a política econômica do governo. A travessia deixou o Estádio Mané Garrincha às 9h, rumo ao Palácio do Planalto e Congresso Nacional. Uma jornada de lutas por várias bandeiras Além de percorrer as ruas do centro de Brasília, foram feitas audiências com órgãos do governo e visita ao Congresso Nacional para levar as reivindicações dos trabalhadores. A estimativa da organização do ato foi de 20 mil pessoas.

7 brasil 7 Mineração ameaça povos indígenas DIREITOS HUMANOS De acordo com estudo da Comissão Pró-Índio de São Paulo, uma série de projetos e empreendimentos deve afetar Terras Indígenas Patrícia Benvenuti da Reportagem O AVANÇO DE PROJETOS e empreendimentos na região da Mata Atlântica em São Paulo vem colocando em risco a sobrevivência dos povos indígenas que habitam a área. É o que revela o estudo Terras Indígenas na Mata Atlântica pressões e ameaças, produzido pela Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP). O relatório apresenta um panorama sobre as principais pressões enfrentadas por nove Terras Indígenas (TIs) do estado, localizadas na Ecorregião da Serra do Mar. Juntas, essas áreas possuem 38,5 mil hectares e abrigam 2,2 mil índios Guarani. O consultor de programas da Comissão Pró-Índio, Otávio Penteado, explica que esses territórios estão próximos a cidades litorâneas que vêm sendo cenário de obras de infraestrutura voltadas à expansão do turismo e à extração de recursos naturais. Um exemplo é o projeto do pré-sal que, além da exploração do petróleo, prevê ampliação de portos, rodovias e aeroportos para apoio logístico. Tem que se prestar muita atenção ao que está acontecendo porque, claramente, isso vai influenciar na vida e na terra deles [indígenas], ressalta Penteado. Se os índios não têm o seu substrato material garantido, como eles podem usufruir dos demais direitos de cidadania? Outras obras mencionadas no relatório são a duplicação da Ferroban (ferrovia que transporta soja e açúcar desde Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo para exportação pelo Porto de Santos), implantação do Ferroanel Metropolitano de São Paulo, e a construção do Projeto Porto Brasil/Complexo Industrial Taniguá, da empresa LLX Açu Operações Portuárias S.A, de Eike Batista. Mineração O que mais preocupa, porém, é a mineração. Segundo a Constituição, a exploração de recursos em Terras Indígenas só pode ocorrer com autorização do Congresso Nacional. A lei determina ainda que as comunidades não apenas sejam consultadas, mas que também tenham assegurada participação nos resultados da lavra. A realidade está bem longe disso. De acordo com o relatório da Comissão Pró- Índio, sete das nove terras analisadas são alvo de processos minerários em diferentes estágios, a maioria visando a exploração de recursos para construção civil. Um caso grave é o da Terra Indígena Piaçaguera, localizada em Peruíbe, litoral sul, onde foi concedida uma licença de lavra que abrange 66% da dimensão total do território. Entre 2007 e 2008, antes de ser declarada uma TI, a área já havia sido explorada pela empresa Vale do Ribeira Indústria e Comércio S.A., que realizava extração de areia. Os danos causados motivaram uma ação do Ministério Público Federal e, atualmente, a atividade minerária está suspensa. O território sente até hoje os efeitos da exploração, como explica o cacique da Aldeia Piaçaguera, Awa Tenondegua. Ele Carlos Penteado/Documentária Fotographia Criança indígenas moradoras da Terra Indígena Piaçaguera, localizada em Peruíbe, litoral sul de SP conta que o desmatamento destruiu todos os materiais que poderiam ser utilizados para confecção de artesanatos. Além disso, a subsistência dos indígenas ficou comprometida. Há muitas áreas que não têm mais árvores, é só terra e areia. Com o estrago que fizeram já não dá para plantar uma mandioca ou um milho, relata. Os impactos da mineração foram ainda constatados em locais vizinhos a empreendimentos, como foi o caso da TI Rio Branco, em Itanhaém, na Baixada Santista. No início dos anos 2000, a extração de cascalho pela empresa Rio Branco Mineradora e Construtora Ltda. em um rio próximo à área indígena causou prejuízos ambientais e sociais à comunidade. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), houve alteração da vida aquática, o que prejudicou a pesca dos moradores. Falta de regularização Outro problema grave é a falta de regularização fundiária dos Territórios Indígenas, o que aumenta a insegurança das comunidades. Das nove TIs pesquisadas, apenas quatro estão homologadas e com o processo de demarcação concluído. Com 227 habitantes, a TI de Piaçaguera foi retomada em 1999 e declarada em O próximo passo é a demarcação física. Enquanto isso não acontece, os indígenas são obrigados a conviver com posseiros, que impedem seu acesso pelo território. Não nos deixam passar pela terra que é da gente, dizem que é proibido, reclama o cacique Awa Tenondegua. Ainda mais atrasado é o processo da Terra Indígena Tenondé Porã, em Parelheiros (zona sul de São Paulo), que só foi identificada em O andamento lento do processo não é o único problema. Segundo o cacique da Aldeia Tenondé Porã, Timóteo Verá, a comunidade conta com apenas 26 hectares para 189 famílias. Dentro desse espaço pequeno temos muita dificuldade para o fortalecimento da nossa cultura, explica. O estado de São Paulo tem hoje 29 Terras Indígenas das quais apenas 12 estão demarcadas e homologadas. Há informações, ainda, de outras 16 que aguardam o início dos trabalhos de regularização. Se os índios não têm o seu substrato material garantido, como eles podem usufruir dos demais direitos de cidadania? questiona Maria Luiza Grabner, procuradora regional da República em São Paulo. Há muitas áreas que não têm mais árvores, é só terra e areia. Com o estrago que fizeram já não dá para plantar uma mandioca ou um milho Alerta Além de chamar a atenção para o caso das Terras Indígenas, o estudo pretende também servir como ferramenta de conhecimento para as próprias comunidades. Segundo Otávio Penteado, a falta de informação sobre os projetos é uma realidade comum entre os indígenas. As informações não são claras e não estão disponíveis facilmente. Você tem que fuçar muito para achar, comenta. O desconhecimento, na avaliação do pesquisador, está relacionado à forma como o poder público vem tratando as questões. Para ele, é necessário que se adote outra postura. Se vai se construir uma ferrovia ou duplicar uma rodovia, o governo estadual e os municipais devem levar em consideração a presença dos indígenas nessas regiões, defende Penteado, que vai além: Não é achar que os índios não são mais índios ou que são aculturados. Tem que tentar dialogar com essas comunidades, completa. Proposta quer retirar direitos PL prevê fim da obrigatoriedade de consulta aos índios sobre mineração da Reportagem A mineração em Terras Indígenas (TIs) é um tema que traz preocupação para os povos tradicionais. De acordo com um levantamento do Instituto Socioambiental (ISA), 152 TIs na Amazônia Legal estão sob a incidência de processos minerários. Algumas chegam a ter 100% do seu território coberto por pedidos para pesquisa ou exploração. O quadro não é muito diferente em outros locais. Em São Paulo, sete dos nove territórios analisados no estudo Terras Indígenas na Mata Atlântica pressões e ameaças, da Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP), são alvo de interesse da indústria da mineração. Se a realidade assusta, o futuro causa mais temor. Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 1610/1996, proposto pelo senador Romero Jucá (PMDB/RR), que dispõe sobre a regulamentação da mineração em Terras Indígenas. Depois de idas e vindas, a matéria voltou à tona no ano passado, sob relatoria do deputado federal Édio Lopes (PMDB/RR). O ponto mais polêmico é o que estabelece consulta pública sobre o assunto, e não mais consulta livre, prévia e informada aos indígenas, como determinam a Constituição Federal e a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Além disso, em caso de não concordância das comunidades com a exploração de recursos, o caso seria decidido por uma comissão deliberativa sem participação dos índios. Para a procuradora regional da República em São Paulo Maria Luiza Grabner, a proposta é inconstitucional. Há uma inconstitucionalidade flagrante nesse ponto. A oitiva é um direito fundamental e necessário e não se pode abrir mão disso, afirma. Outro problema do PL, na avaliação do consultor de programas da CPI-SP Otávio Penteado, foi a falta de participação das comunidades em sua elaboração. Houve pouca consulta às populações sobre o conteúdo desse projeto. Pela maneira como foi feito pode ser muito ruim para as populações, adianta. Segundo o cacique Timóteo Terá, da Aldeia Tenondé Porã, em Parelheiros, na zona sul de São Paulo, os indígenas são contrários ao projeto, pois preveem uma série de prejuízos para seus territórios. Se [o projeto] for regulamentado vai trazer grandes impactos para nossas comunidades, afirma. ABr O senador Romero Jucá, que propôs a PL 1610/1996 Diversas entidades também já se manifestaram contra a proposta. Elas defendem que a regulamentação ocorra no âmbito do projeto do Estatuto dos Povos Indígenas, parado há mais de 20 anos na Câmara. Além disso, reivindicam que a aprovação de uma regulamentação específica para as Terras Indígenas ocorra somente depois da aprovação do novo marco regulatório da mineração. Na avaliação de Maria Luiza Grabner, o PL 1610 segue a lógica de outras iniciativas, como a Proposta de Emenda Constitucional 215, que transfere do Poder Executivo para o Congresso Nacional a demarcação e homologação de territórios tradicionais. Temos visto no nosso país ultimamente uma tentativa de retroceder as conquistas e garantias alcançadas a duras penas. Podemos ver como um quadro nada promissor para os povos indígenas, afirma. (PB) Mata preservada A presença dos povos indígenas na região da Mata Atlântica tem contribuído também para a preservação do bioma, atualmente reduzido a 22% de sua cobertura original. Imagens de satélite das Terras Indígenas e seu entorno mostram um alto grau de conservação nesses espaços, mesmo quando estão cercadas por aglomerados urbanos, empreendimentos imobiliários e estradas. Entre 2000 e 2011, houve diminuição da área desmatada em seis dos nove territórios analisados pelo estudo Terras Indígenas na Mata Atlântica pressões e ameaças, da Comissão Pró-Índio de São Paulo. A maioria das terras são muito bem preservadas, mesmo as que tiveram problemas com mineração, afirma Otávio Penteado, consultor de programas da entidade. A preocupação com o meio ambiente é reforçada pelo cacique Awa Tenondegua, da Aldeia Piaçaguera. Ele conta que, em sua comunidade, os indígenas criaram um viveiro de mudas de palmito-juçara, espécie que foi extinta por causa do desmatamento, para plantar novamente a árvore. Isso vai ser importante para nossos filhos e netos, assegura. (PB)

8 8 brasil O partido deve ter uma postura dirigente ENTREVISTA Para Ivan Alex, o programa estratégico do PT não se confunde com os limites dos governos Roberto Stuckert Filho/PR Nilton Viana da Redação IVAN ALEX, da direção nacional da tendência petista Esquerda Popular Socialista (EPS), acredita que o governo e o próprio PT precisam saber que há uma diferença entre o partido e o governo. Segundo ele, o partido deve ter uma postura dirigente, sempre estar à frente. Nosso programa estratégico não se confunde com os limites dos governos, afirma. O integrante da EPS também acredita que o PT é o principal legado da luta de classes e da mobilização política da classe trabalhadora. Nesta entrevista, Ivan Alex fala sobre a crise mundial e seus impactos para a América Latina, avalia os dez anos de governos Lula/Dilma e aponta os principais desafios de seu partido. Brasil de Fato O atual processo de crise mundial tem abalado várias economias. Como você avalia esse cenário? Ivan Alex O cenário mundial revela mais uma ponta da crise do capitalismo. É uma crise crônica que a cada alternativa produzida pela a burguesia gera mais desigualdade, mais miséria, causa fome e guerra. A característica desta é que atingiu economias consolidadas e demonstra que mesmo os modelos que prosperaram por um grande período agora desmoronam. O que tem de mais comum entre elas, é que fica claro que não há saída para a humanidade dentro do capitalismo. Por outro lado, as organizações e movimentos socialistas ainda se encontram na defensiva e não conseguem se colocar como alternativa de projeto e não estão sendo capazes de mobilizar as massas populares o suficiente para alterar a correlação de forças e mudar os rumos do processo em curso. A esquerda tem a responsabilidade de mostrar que esse outro mundo é possível e ter a capacidade de se colocar como essa alternativa de poder. Para isso, em primeiro lugar, é superar a inércia das massas populares, elevar o nível de consciência das classes trabalhadoras, potencializar as diversas manifestações que eclodem por questões concretas imediatas interagindo com elas e articulando-as com o projeto político socialista e, principalmente, obter as conquistas táticas capazes de reaproximar a teoria socialista com uma nova realidade que tenha como foco os melhores valores da humanidade. A esquerda tem a responsabilidade de mostrar que esse outro mundo é possível A América Latina poderá enfrentar turbulências em decorrência desse cenário mundial? No caso da América Latina vai prevalecer o impacto das opções que os seus países fizerem. Se a meta for continuar sendo a periferia do capitalismo central, as consequências dessa crise para a América Latina terão proporções desastrosas. A história recente tem indicado outros caminhos. Governos progressistas e populares têm se consolidado em diversos países. Não é fácil superar séculos de subserviência e dependência, mas se esses governos forem capazes de se unir e construirem uma relação mais sólida, a unidade latino-americana com fortes alianças políticas e econômicas, no mínimo estaremos blindados contra a possibilidade dos países centrais desaguarem essa crise sobre a América Latina. Mas não nos iludamos. A crise, essa crise aí posta não é isolada, nem pontual. O seu fundamento está no sistema capitalista e não há saídas pontuais nem específicas para ela. Daí a necessidade permanente e estratégica de enfrentar os impactos atuais da crise e articular esta luta com aquela outra de superação global do sistema. A Venezuela acaba de eleger Nicolás Maduro como presidente. Como você vê o atual cenário da Venezuela? Vejo com uma expectativa positiva que o presidente Maduro consiga fazer avançar a revolução bolivariana e superar as dificuldades existentes. Hugo Chávez exerceu um papel importante para, com a revolução bolivariana, contribuir no deslocamento profundo de forças em curso em todo o continente. Agora a nossa expectativa é que o modelo bolivariano possa se aprofundar, se aperfeiçoar e contribuir na duríssima batalha que temos para o próximo período em todo o continente. Este processo é fundamental para acumular forças para libertar a América Latina da influência do neoliberalismo e do governo estadunidense. O PT deve dar apoio integral ao novo presidente venezuelano. No Brasil, o PT completou 10 anos governando o país. Que balanço você faz destes dez anos de governo? A nossa avaliação do governo é bastante positiva. Tiramos mais de 23 milhões de brasileiros da miséria extrema, propiciamos um fenomenal deslocamento de ascensão social em curto período histórico que promoveu mais de 43 milhões de brasileiros à inclusão econômica, mesmo que em padrões ainda moderados, mas, bastante significativos. Fizemos justiça no acesso à educação superior com as cotas e o ProUni, reconhecemos a juventude como protagonista, geramos milhões de empregos, ampliamos os investimentos em educação e saúde, fizemos muito e ainda faremos muito mais, porque muito ainda há para ser realizado. Os governos Lula e Dilma significaram um ponto fora da curva no histórico de exclusão política, social e econômica da classe trabalhadora. E o governo Dilma segue este modelo, aprofundando as conquistas sociais e caminhamos, celeremente, para eliminar da pobreza extrema no Brasil. Mas a avaliação do governo não pode ser uma lista de feitos, também há várias questões a solucionar, ainda pendentes. E a principal delas é a necessidade do governo reconstituir a capacidade de se abrir para ouvir, com sinceridade, as críticas e demandas que são feitas pelos partidos e pelos movimentos sociais. Infelizmente, alguns integrantes do governo estão com os ouvidos bloqueados para os reclamos dos movimentos socais e perderam a capacidade de ouvir. Ao seu ver, quais são as questões fundamentais em que este governo precisa agir? A primeira é a questão da terra. É preciso a destinação de recursos suficientes para fazer desapropriações para a reforma agrária, para a gestão ambientalmente adequada dos territórios indígenas e dos quilombos. O governo tem sido bom para o agronegócio, razoável para os já pequenos proprietários ou possuidores do campo, mas, simplesmente tem ignorado a necessidade fazer um programa massivo de desapropriação de terras. O segundo é a incorporação de uma agenda ofensiva e ostensiva de direitos humanos e liberdades civis. Isso é, para além de retirar da miséria é reconhecer direitos e elevar o nível de cidadania das pessoas. É preciso que o governo assuma uma pauta libertária quanto aos direitos reprodutivos das mulheres, no tocante à diversidade sexual, dos direitos das crianças e adolescentes e todo um conjunto de demandas que se fundamentam em uma agenda pública de humanidades. A terceira é a questão ambiental. Não só pelo revés que os setores populares sofreram na aprovação do Código Florestal, mas, porque a pauta ambiental está sufocada por uma ofensiva do grande capital sem precedentes no Brasil. A quarta é a batalha pela democratização sobre a qual falo especificamente mais abaixo e em conjunto com ela a defesa da reforma política. E a quinta é a questão dos direitos trabalhistas. A liberdade sindical, o fim do fator previdenciário, a incorporação das Convenções das OIT, o reconhecimento da baixa remuneração dos servidores públicos em especial das áreas que promovem a inclusão social, ambiental e cultural. Dilma recebe a faixa presidencial de Lula: governo deve voltar a ouvir críticas e demandas de partidos e movimentos sociais Qual a sua avaliação sobre a mídia brasileira? A grande mídia é concentrada em poder de poucas famílias e totalmente desvinculada dos interesses do povo brasileiro. Ela sempre teve força e poder de definir os rumos econômicos e políticos do país, sempre em contradição com os reais interesses da população. A eleição dos governos petistas e a adoção de políticas públicas que confrontam com os interesses das elites, sempre refletidos no posicionamento da grande mídia, provoca uma tensão que se agrava a cada momento. Neste particular, a mídia brasileira é a mais antidemocrática do mundo. Nos últimos anos, a grande mídia assumiu claramente um papel de partido político, utilizando-se da concessão pública para tentar fazer prevalecer seus interesses e posições, em larga media opondo-se publicamente aos interesses populares. Não nos iludamos. A crise, essa crise aí posta não é isolada, nem pontual. O seu fundamento está no sistema capitalista O PT divulgou nota pública intitulada Democratização da mídia é urgente e inadiável. O presidente da legenda Rui Falcão disse que o governo está em dívida com a sociedade. Como você essa questão e por que o governo não paga essa dívida? Neste ponto está mesmo. Qualquer proposta que se faz nesse sentido, os donos do oligopólio da comunicação no Brasil dizem que é censura. Mas o que queremos é exatamente democratizar. Não cabe se perguntar por que o governo não paga esta dívida. O importante é reconhecer que o governo, neste ponto, está em débito e deve pagar. E o pagamento é feito com iniciativa política, propostas claras. Já passou da hora da apresentação de uma proposta concreta de regulamentação da mídia, da adoção de uma política clara com incentivo e apoio inclusive financeiro, de modo ostensivo, à mídia alternativa e aos blogs progressistas e com uma profunda revisão dos critérios de distribuição dos recursos da publicidade institucional do governo. Mas isso também é uma questão de pressão da sociedade. Como é possível avançar nas mudanças estruturais? O PT ainda tem potencial e vontade política para enfrentar essa luta? O PT é o principal legado da luta de classes e da mobilização política da classe trabalhadora dos últimos 33 anos no Brasil. É necessário fazer a defesa do legado partidário e dos dez anos de governo Lula/Dilma. Ao mesmo tempo, os erros e limites do partido e dos próprios governos precisam ser identificados para poder avançar. O governo e próprio PT precisam saber que há uma diferença entre o partido e o governo. O partido deve ter uma postura dirigente, sempre estar à frente, pois nosso programa estratégico não se confunde com os limites dos governos. Cabe ao PT, em um governo que é de coalizão e que tem setores das classes dominantes em seu interior, trabalhar para reverter a correlação de forças desfavorável. Exatamente por isso que o Partido pode e deve apresentar posições avançadas, estimulando a luta social pelas reformas estruturais, incidindo sobre a correlação de forças. Essa é uma forma de contribuir para os avanços dos governos e acumular no sentido das transformações profundas, da realização do projeto democrático-popular tendo como objetivo estratégico o socialismo. E isso deve ser feito adotando uma postura autônoma frente aos governos que dirige. Que perspectivas estão colocadas no próximo Processo de Eleições Diretas (PED) do PT? O partido precisa voltar a priorizar a luta social. O nosso debate é a centralidade das reformas estruturais (reforma agrária, reforma urbana, reforma política, democratização dos meios de comunicação), o enfrentamento do conservadorismo, a defesa da laicidade do Estado e a afirmação dos direitos humanos, das mulheres, dos negros/as e da população LGBT. Defender o PT é defender os seus melhores valores, que deram sentido a sua origem. O quadro político indica que sofremos por nossos inimigos sejam pelos partidários, sejam pelos agentes públicos e privados empenhados em nossa difamação. Estamos submetidos a um grau de tensão pelos próprios aliados congressuais e de governo. Por isso esse PED precisa demonstrar a unidade partidária dentro da nossa diversidade Acho que a candidatura de Rui Falcão à presidência do partido, apoiado pela Esquerda Popular Socialista (EPS), por correntes regionais e lideranças que não integram o campo majoritário, é representativa de uma frente política mais ampla, capaz de consolidar a unidade petista em um momento em que sofremos fortes ataques. Rui conduziu, corretamente, o DN nos momentos mais agudos da conjuntura recente e conseguiu de maneira mediada demarcar posições partidárias importantes, ressaltando a autonomia do PT perante o governo federal. Ele ajudou a por, na pauta do PT, a luta pela democratização das comunicações e pela reforma política, temas que consideramos inegociáveis na atual conjuntura. Ele firmou o compromisso conosco de fortalecer os vínculos do PT com movimentos sociais representativos, como o MST, o movimento LGBT, a Consulta Popular e outros com os quais mantemos relações de forte parceria, inclusive para debater as eleições de Ao mesmo tempo, estamos construindo uma chapa própria que traduza essa reaproximação do PT com os movimentos. Vários companheiros de todos os estados que, de alguma maneira, querem participar do esforço coletivo da defesa dos melhores valores partidários e serem representados na direção com este sentimento. QUEM É PT Ivan Alex Lima foi duas vezes Secretário de Comunicação da Executiva Estadual do PT da Bahia. Atualmente é Secretário de Finanças. Foi do Diretório Nacional do PT e participou da coordenação baiana da Campanha Nacional pela Auditoria da Dívida Externa. Atualmente é um dos integrantes da Direção Nacional da Esquerda Popular Socialista (EPS) e Chefe de Gabinete do Deputado Federal Valmir Assunção(PT/BA).

9 brasil 9 No Rio, manifestação lembra 10 anos da chacina do Borel MASSACRE Manifestantes subiram o Morro do Borel para denunciar a violência estatal e ausência de serviços públicos nas favelas Henrique Zizo Alan Tygel, Euro Mascarenhas, Marina Schneider e Sheila Jacob do Rio de Janeiro (RJ) NO DIA 20 DE ABRIL, pais e parentes de vítimas da violência estatal, moradores e apoiadores da luta contra a violação dos direitos dos moradores de favelas participaram de uma manifestação que lembrou os 10 anos da Chacina do Borel. Em 16 de abril de 2003, Carlos Alberto da Silva Ferreira, Carlos Magno de Oliveira Nascimento, Everson Gonçalves Silote e Thiago da Costa Correia da Silva foram assassinados por policiais militares na favela da zona norte do Rio de Janeiro. Os quatro jovens não tiveram tempo de se identificar e foram executados com tiros à queima-roupa disparados por policiais do 6º Batalhão da Polícia Militar (BPM), que realizavam uma operação na favela. Os assassinatos foram registrados como autos de resistência (termo técnico que indicaria um confronto armado entre polícia e criminosos ). Depois, perícias da Polícia Federal e do Instituto de Criminalística Carlos Éboli concluíram que os quatro jovens haviam sido executados em uma emboscada. Os manifestantes subiram a Estrada da Independência, uma das principais vias de acesso à comunidade, em direção à Vila da Preguiça, local onde três dos quatro rapazes foram assassinados. Lá foi afixada uma placa em homenagem à memória das vítimas. Maria Dalva Correa da Silva, mãe de Thiago, morto aos 19 anos, lembra que os policiais tentaram forjar até o local onde ocorreram os crimes. A polícia alegou que tinha sido lá em cima, no Verão Vermelho. Para a gente é importante que esta placa fique aqui, realmente no lugar onde aconteceu a chacina, ressaltou. Na placa, estão os nomes dos jovens e a frase Não nos deixaram falar, mas muitos falarão por nós. Segundo Maria Dalva, o intuito da caminhada foi mostrar que as violações contra jovens continuam acontecendo. Minha luta vai continuar até o fim, não pelo meu filho, que já se foi e não volta mais, mas pelos que estão aqui, principalmente os jovens, disse. O meu filho era mecânico e sonhava em ser engenheiro. Infelizmente o sonho dele foi interrompido, mas eu sonho que daqui do Borel ainda saiam muitos engenheiros, desabafou. Um ato para lembrar os 10 anos Em solidariedade, parentes de vítimas da violência policial em outras favelas do Rio também participaram do ato, que reuniu cerca de 100 pessoas. Nós somos solidários pelo que aconteceu e ainda acontece não apenas no Borel, mas em outras comunidades também, explicou Maria do Socorro, moradora da Indiana, favela vizinha do Borel. Na fala de muitos participantes surgiu a denúncia de que a violência policial continua existindo em várias comunidades do Rio de Janeiro, mesmo após a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). A moradora Mônica Santos Francisco recordou a caminhada de maio de 2003, que reuniu cerca de mil participantes que andaram em silêncio do Borel à Praça Saens Peña, um dos pontos centrais e de maior movimento da Tijuca, em protesto contra a chacina do mês anterior. Há 10 anos caminhamos com o coração sangrando. Descemos a favela com muito medo porque sempre tacharam que quando o morador da favela desce é para fazer baderna. E naquele dia a gente desceu em silêncio, mostrando nossa dor e indignação, lembra. Para Mônica, hoje os moradores estão atentos e pensando sobre a favela em que vivem. Um exemplo concreto foi o Ocupa Borel, mobilização articulada por jovens e que reuniu centenas de pessoas na comunidade no dia 5 de dezembro do ano passado, em protesto contra o toque de recolher imposto pela UPP do local. A gente quer que a juventude tenha direito de ir e de vir. O mote do Ocupa Borel foi que se disseram que o território foi devolvido para nós, então nós queremos ter de fato direito a usufruir deste território, ressaltou. O passado marcou a gente, nós não esquecemos e estamos aqui cobrando, disse Marlene Paula Afonso, moradora do Borel. A única coisa que nós não temos hoje é tiro, mas não temos infraestrutura, moradia e saúde. Nós queremos mudança de fato, destacou. Impunidade desde anos depois de Vigário Geral e Candelária, a vez do Borel do Rio de Janeiro (RJ) Delegado ressalta importância de manifestações No dia 16 de abril de policiais do 6º Batalhão de Polícia Militar assassinaram quatro rapazes. Carlos Alberto da Silva Ferreira tinha 21 anos e era pintor e pedreiro; Carlos Magno de Oliveira Nascimento tinha 18 anos e era estudante; Everson Gonçalves Silote tinha 26 anos e era taxista; e Thiago da Costa Correia da Silva, de 19 anos, era mecânico. Magno e Thiago tinham acabado de sair de uma barbearia quando escutaram tiros e correram. Carlos Alberto, que tinha acabado de chegar à barbearia, também ouviu os tiros e correu. Os três atravessaram uma das principais ruas da comunidade e entraram em uma ruela onde foram alvejados pelos policiais. Everson, que andava pela Estrada da Independência, trazia num envelope com todos os seus documentos, mas a tentativa de se identificar foi em vão: ele foi executado sem conseguir apresentar os documentos. A brutalidade da chacina gerou uma indignação muito grande e mobilizou a população da favela, que decidiu realizar uma marcha em silêncio pelas ruas da Tijuca. Enquanto a imprensa reproduzia a versão da polícia de que os jovens eram traficantes, o povo do Borel fez uma marcha com mil pessoas e faixas com os nomes das vítimas, que a polícia recolheu. Os moradores percorreram cerca de dois quilômetros, do morro até a praça Saens Peña, área de grande movimentação de pessoas na Tijuca. Conforme lembra Maurício Campos dos Santos, membro da Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, naquele maio de 2003, todo aquele público de classe média da Tijuca, acostumado por preconceito ou devido às campanhas mentirosas da mídia, a ver os moradores das favelas como gente perigosa, viu com admiração e até com simpatia todas aquelas mulheres, homens e jovens se manifestando com firmeza e veemência mas sem nenhuma agressão gratuita. do Rio de Janeiro (RJ) Orlando Zaccone, delegado da 15ª Delegacia da Gávea, era o delegado titular da 19ª DP, da Tijuca, onde fica o Borel, em Ele acredita que as manifestações dos moradores à época e também neste sábado foram importantes, mas avalia é preciso avançar para que se discuta a fundo a violência. Lutando para que a violência não atinja os grupos já definidos como inimigos é que nós vamos poder ter a segurança da sociedade toda De acordo com o delegado, é preciso ampliar o debate sobre a forma como se legitima a morte de traficantes no Rio de Janeiro. É justamente com base nisso, com o kit drogas e todos aqueles elementos apresentados na delegacia que se tenta legitimar a violência, ressalta. Para ele, um caminho para combater esta prática seria dar um tratamento equiparado a um homicídio comum sempre que um policial matar uma pessoa. Hoje nós ainda temos uma distinção. Na capital, a Delegacia de Homicídios cuida de todos os homicídios, mas não é responsável pelos autos de resistência, o que já significa um tratamento diferenciado, aponta. (AT, EM, MS e SJ) Caminhada no Morro do Borel lembra os quatro jovens assassinados por PMs em 2003 Reprodução de matéria publicada pelo Extra em 17 de abril de 2003 A luta por justiça Em junho daquele ano as investigações e a perícia levaram ao indiciamento por homicídio qualificado de apenas cinco dos 16 policiais envolvidos. Dois policiais foram absolvidos em júri popular em outubro de 2004 e fevereiro de 2005, respectivamente. Em outubro de 2006 um cabo foi condenado a 52 anos de prisão. Em março de 2009, no entanto, a 5ª Câmara Criminal do TJ do Rio, contrariando a decisão da outra instância o colocou em liberdade. Os outros policiais envolvidos também estão livres, um deles ainda recorrendo às instâncias judiciais. (AT, EM, MS e SJ) Rede de Comunidades contra a Violência A Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência é um movimento social independente que reúne moradores de favelas e comunidades pobres em geral, sobreviventes e familiares de vítimas da violência policial ou militar, e militantes populares e de direitos humanos. Sua origem remete intimamente à mobilização que aconteceu após a Chacina do Borel. Maurício Campos dos Santos, da Comissão de Comunicação da Rede lembra que a comunidade ficou em choque com o fato de um dos jovens, que estava com todos os documentos em mãos, implorou, mas não conseguiu se identificar. Aí surgiu o lema Posso me identificar?, usado na manifestação que a comunidade organizou em maio de Foi a partir da articulação dos diversos movimentos nesse período de 2003 e 2004 que se constituiu na Rede, que atua em três áreas principais: jurídica, comunicação e denúncia, e articulação entre familiares. (AT, EM, MS e SJ) Contatos: Telefone: (21) Site: Reprodução

10 10 brasil Lógica da governabilidade é entrave para memória e verdade DIREITOS HUMANOS Pesquisador debate o andamento da Comissão da Verdade, os seus limites e a importância do processo Marcelo Camargo/ABr Thiago Barison de São Paulo (SP) O PESQUISADOR Renan Quinalha, autor do livro Justiça de Transição: contornos do conceito, publicado neste ano em parceria das editoras Dobra Editorial e Expressão Popular, acredita que o Brasil paga o preço por ser o último país da América do Sul a instaurar uma Comissão Nacional da Verdade. Os vizinhos, como Chile, Uruguai e Argentina, que também passaram pelo processo de ditadura militar já estão julgando e condenando os autores de crimes. O atraso de 30 anos, segundo Quinalha, traz peculiaridades ao processo brasileiro, como a dificuldade de acessar fontes documentais e acervos de informações novos sobre as violações de direitos humanos, dado o largo período de tempo já transcorrido. Confira abaixo entrevista com Quinalha. Brasil de Fato Como você avalia o trabalho da Comissão Nacional da Verdade (CNV) até aqui? Renan Quinalha Apesar de já transcorrido metade do prazo de seu funcionamento, é bastante difícil fazer um balanço mais detido das atividades da Comissão Nacional da Verdade. A maior parte das investigações da CNV está sendo realizada sob sigilo e sem maior diálogo com a sociedade, então faltam elementos para informar uma análise dessa natureza. De vez em quando, na mídia, aparecem notícias sobre alguma descoberta, normalmente envolvendo os casos mais notórios e conhecidos. Pode-se dizer que a Comissão Nacional da Verdade chega atrasada, em torno de 30 anos após o final da ditadura. Isso acarreta algumas peculiaridades devido a esse contexto histórico e institucional diferenciado. A principal delas é a dificuldade de acessar fontes documentais e acervos de informações novos sobre as violações de direitos humanos, dado o largo período de tempo já transcorrido. Assim, ao contrário de suas congêneres em outros locais do mundo que priorizaram violações a direitos humanos (geralmente direitos civis e políticos), a Comissão da Verdade brasileira promete menos novidades e impactos de ineditismo, sobretudo porque os familiares e algumas iniciativas oficiais de busca da verdade já conseguiram produzir uma quantidade razoável de informações sobre o passado. Mas algumas questões fundamentais, como o paradeiro dos desaparecidos políticos e os nomes dos autores desses graves crimes, ainda precisam ser respondidas. Pode-se dizer que a Comissão Nacional da Verdade chega atrasada, em torno de 30 anos após o final da ditadura Assim, sem deixar de fazer o embate político com as pastas militares para ter acesso pleno aos arquivos da ditadura e avançar na apuração das violências, uma das maiores tarefas da Comissão Nacional da Verdade será romper com a tentação da teoria dos dois demônios e suas variações, assumindo claramente seu papel de dar voz às vítimas, registrar o trabalho já feito pelos familiares e, sobretudo, oficializar a versão desses setores diretamente atingidos. Para isso, deve também trabalhar do modo mais aberto, transparente, participativo e público possível, evitando cair na concepção equivocada, a meu ver, de que o grande trabalho da Comissão se resume a um relatório final, perdendo de vista que o processo da busca da verdade já é reparador por si mesmo se feito de modo inclusivo e cuidadoso com as vítimas. A CNV pode fazer um grande relatório final e com abertura pra sociedade durante o processo, esses objetivos não são excludentes entre si. Nessa linha, o sigilo deve ser exceção, nos casos em que a publicidade pode atrapalhar as investigações, mas não a regra. da Comissão Nacional da Verdade, pediu paciência e confiança na CNV, comparandoa aos outros processos de comissões da verdade ocorridos na América do Sul. Como você faria essa comparação? Quais as semelhanças e diferenças entre a CNV brasileira e as que existiram nos países vizinhos? É perigoso fazer comparações entre os países ignorando as determinações de correlações de força locais, as particularidades de cada experiência e, sobretudo, o período escolhido para a comparação, sobretudo em um tema tão crítico como o da justiça de transição. De forma geral, os países do Cone Sul fizeram comissões da verdade logo após os primeiros momentos da transição democrática. Os maiores bloqueios ao avanço do trabalho de verdade e justiça em nosso país ainda estão postos no campo da lógica da governabilidade A Argentina, por exemplo, instituiu uma Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (Conadep) ainda em 1983, tendo sido um dos primeiros atos do Presidente Raul Alfonsín depois de sua posse. O Chile criou a Comissão Nacional da Verdade e da Reconciliação em 1990, por ato do Presidente Patricio Aylwin Azócar, logo após o final da ditadura comandada pelo general Augusto Pinochet. Hoje, esses países estão julgando e condenando seus torturadores, enquanto nós, depois de 30 anos, ainda estamos tentando construir a verdade sobre o período, muitas vezes tendo de pedir licença para acessar a documentação dessa época. Esse tipo de comparação, que denuncia de forma gritante nosso atraso em relação aos nossos vizinhos e as tarefas que ainda temos de cumprir para melhorar nossa democracia, me parece mais interessante para o momento em que vivemos. A era da paciência já durou bastante, agora é preciso mobilização para cobrar do Estado brasileiro não só a verdade, mas o cumprimento da decisão da Corte Interamericana dos Direitos Humanos que condenou o Brasil a remover os obstáculos jurídicos para punir os torturadores, em especial a Lei de Anistia de Paulo Sérgio Pinheiro disse, ainda, que não vê necessidade na prorrogação do prazo da Comissão Nacional da Verdade. O que você pensa a respeito? Como você interpreta essa posição do atual coordenador da CNV? Por um lado, é fato que um dos requisitos para o bom funcionamento de uma Comissão da Verdade, conforme as experiências internacionais sugerem, é um prazo definido e não muito prolongado de tempo dos trabalhos. Essa definição do prazo ajuda a racionalizar as atividades, tornar as investigações mais objetivas e permite uma resposta rápida à sociedade, que já esperou muito tempo para conhecer o seu passado. Mas não se pode admitir que esse tipo de trabalho seja feito às pressas. A presidenta Dilma demorou para nomear os membros da CNV. Antes de iniciar efetivamente as investigações, os comissionados precisaram discutir o regimento interno e o plano de trabalho, além de dividir as tarefas, formar a equipe de assessoria e construir o entrosamento necessário para dar conta das tarefas estabelecidas na lei. Tudo isso atrasou o funcionamento efetivo da CNV. Considerando a amplitude territorial (todo o território brasileiro) e o largo período temporal (1946 a 1988, ainda que o foco principal seja de 1964 a 1985), é razoável prorrogar esse prazo por um pouco mais de tempo, para que o trabalho seja feito com a profundidade que esse tema merece. O Levante Popular da Juventude e outras organizações reunidas no Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça exigiram a realização de audiências públicas, a entrega de relatórios parciais e a prorrogação dos prazos, entre outras medidas. Como você avalia essas reivindicações à luz dos objetivos da CNV? Audiência da Comissão da Verdade de SP na Assembleia Legislativa Fora do Eixo São reivindicações importantíssimas, porque baseadas em constatações inegáveis sobre o funcionamento atual da CNV e em críticas construtivas, que expressam o acúmulo político de setores fundamentais do movimento por verdade, memória e justiça em nosso país. A CNV ainda tem muito trabalho pela frente e precisará de todo o apoio social possível. Então é recomendável que saiba apreciar e acolher demandas legitimamente formuladas pela sociedade civil organizada. Esses países [vizinhos] estão julgando e condenando seus torturadores, enquanto nós ainda estamos tentando construir a verdade sobre o período Que papel poderia e deveria, na sua visão, desempenhar a Comissão Nacional da Verdade? A proliferação de Comissões da Verdade estaduais, municipais, em universidades, sindicatos, associações de classe e em outros espaços guarda um potencial enorme de capilarização dos trabalhos da CNV, que pode contar com setores da sociedade civil organizada para repercutir essa pauta. Mas, para isso, a CNV precisa assumir um papel efetivo de coordenação, a fim de evitar desperdício de energias e duplicidades de trabalho. Além disso, a Comissão precisa fortalecer e legitimar o cada vez mais forte movimento por verdade, memória e justiça em todo o país, abrindo-se mais à participação efetiva deste e tomando partido nas disputas travadas com os setores mais conservadores ainda saudosos da ditadura. Essas mobilizações serão importantes não só para a construção de uma nova narrativa histórica para o país, mas também para acumular forças para rompermos a impunidade consagrada hoje na interpretação que o STF deu à Lei de Anistia de É verdade que a Comissão foi constituída e negociada em um processo marcado por uma série de tensões e ambiguidades, típicas da transição controlada brasileira, mas, sem dúvidas, ela foi produto de uma conjuntura internacional favorável e de uma intensa mobilização de setores cada vez mais amplos da sociedade interessados em passar a história desse período a limpo. E essa mobilização transcende o trabalho e os limites da própria Comissão. É fato que nem todas as limitações existentes podem ser consideradas como de responsabilidade exclusiva da própria Comissão, isso deve ser frisado. Os maiores bloqueios ao avanço do trabalho de verdade e justiça em nosso país ainda estão postos no campo da lógica da governabilidade e das regras institucionais ainda pouco democráticas da política brasileira. Mas a CNV precisa contribuir para romper com esses limites e não para reproduzi-los. Em palestra no seminário Memória Digital, por ocasião da digitalização dos arquivos do Deops de São Paulo, Paulo Sérgio Pinheiro, coordenador O pesquisador da USP Renan Quinalha Renan Quinalha é pesquisador da USP, autor do livro: Justiça de Transição: contornos do conceito, publicado neste ano em parceria das editoras Dobra Editorial e Expressão Popular.

11 cultura 11 Fotos: Pedro Jackson As obras produzidas por presos políticos de cinco presídios de SP entre 1960 e 1970 seguem em exposição até o dia 14 de julho Insurreições RESISTÊNCIA Em São Paulo, exposição no Memorial da Resistência reúne desenhos, pinturas, xilogravuras, objetos artesanais, cartas e manuscritos de livros produzidos pelos presos políticos Mayra Castro de São Paulo (SP) O MEMORIAL da Resistência em São Paulo inaugurou, no dia 30 de março, a exposição Insurreições: expressões plásticas nos presídios políticos de São Paulo. O espaço reúne desenhos, pinturas, xilogravuras, objetos artesanais, cartas e manuscritos de livros produzidos pelos presos políticos de cinco presídios de São Paulo entre os anos de 1960 e Museu dedicado à preservação da memória dos atos repressão e de resistência ocorridos durante a ditadura militar no Brasil, o Memorial está sediado no prédio do antigo Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops). Com uma proposta museológica diferente, ele ocupa parte do espaço onde aconteceram as prisões e é gerido pela Pinacoteca do Estado, que também administra a Estação Pinacoteca. Além do acervo fixo, o memorial abriga um espaço dedicado às exposições temporárias, onde até o dia 14 julho as 76 obras expostas, que fazem parte do acervo do jornalista e escritor Alípio Freire e da advogada Rita Sipahi ambos ex-presos políticos estarão à disposição do público. Obras conservadas há quase 50 anos pelo casal que, ao longo dos anos, ajudaram a fortalecer a luta pela conservação da memória e pela busca da verdade dos anos de chumbo. Obras conservadas há quase 50 anos pelo casal que, ao longo dos anos, ajudaram a fortalecer a luta pela conservação da memória e pela busca da verdade dos anos de chumbo Segundo Alipio Freire, curador da exposição, a primeira vez que o acervo foi exposto em 1984, na Associação Brasileira de Imprensa em São Paulo, chamou atenção pela qualidade dos artistas e das obras. Ele também explica que nos presídios masculinos de São Paulo houve uma confluência muito grande de pessoas que já trabalhavam com artes plásticas, de uma maneira até profissional, daí o motivo da grande produção artística. Os materiais eram levados O jornalista e artista plástico Alipio Freire, curador da exposição pelos familiares e amigos. A solidariedade aqui fora sempre foi muito grande com a gente, afirma o escritor enquanto conta histórias das obras, algumas das quais, de sua própria autoria. A solidariedade também foi de grande inspiração, já que alguns presos precisavam arcar com as despesas de advogado, família e alimentação, por isso parte dos quadros e objetos foram vendidos, o que dificultou o trabalho de agrupamento desse material posteriormente. As obras não falam apenas de repressão e prisão, mas de amor, amizade, solidariedade, desejo de justiça e de liberdade O pintor e desenhista Yoshiya Takaoka foi um dos responsáveis por levar as artes plásticas para os presídios. Enquanto participava da resistência ao golpe em Paraty, no Rio de Janeiro, ele e outros artistas foram presos. Famoso pelos desenhos de cavalo, começou a desenhar nas paredes da cela. Depois de solto, durante as visitas aos filhos Carlos e Luis, presos logo depois, fazia comentários sobre os trabalhos feitos pelos outros presos políticos incentivando o debate sobre as artes. Além dele, Radha Abramo contribuiu para esse processo quando organizou um curso de desenho por meio de cartas para os presos políticos do Presídio do Hipódromo. Dessa forma a preocupação com o fazer das obras sempre esteve colocada, como explica Alipio Freire ao falar do quadro Retrato de Rita Sipahi: O retrato da mulher que eu conheci na cadeia e com a qual eu sou casado até hoje. Quando ela saiu da cadeia me mandou essa foto. Quis fazer um retrato para ela, um retrato poema para ela. É um cruzamento do discurso objetivo das coisas, do que eu gostaria de dizer objetivamente envolvendo toda uma preocupação com a discussão da linguagem das artes plásticas. Depois de um passeio pela exposição é possível perceber que as obras não falam apenas de repressão e prisão, mas de amor, amizade, solidariedade, desejo de justiça e de liberdade. Algo que conserva a memória política, mas também a memória da humanidade dos presos políticos muitas vezes representados como vilões pela história oficial. A exposição também ganha, nesse sentido, um outro aspecto como explica Alipio: A partir dela a Rita e eu vamos tentar doar esse acervo para alguma instituição pública. Nós entendemos que não nos pertence. Entendemos que ele é um patrimônio da história do povo brasileiro e o lugar dele é um espaço público onde todos possam ter acesso. Serviço Memorial da Resistência de São Paulo Largo General Osório, 66 Luz Exposição de 30 de março a 14 de julho de 2013 Entrada gratuita de terça a domingo, das 10h às 18h Visitas Educativas por meio dos telefones: (11) e 0944

12 12 cultura 75 anos OPINIÃO Hoje, graças ao trabalho de um grande contingente de trabalhadores da cultura durante estes 2/3 de século, o teatro cresceu muito, apesar de ter tido pouco apoio governamental Márcio Boaro NÃO É EXAGERO dizer que faz 75 anos que esperamos por uma política de Estado para o Teatro Brasileiro. Não se tomarmos como referência para esta afirmação a fala do então ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema, em 1937: A obra de desenvolvimento e aprimoramento do teatro nacional exige esforço continuado; incentivos intermitentes e auxílios temporários, não resolverão o assunto. A fala foi proferida quando Capanema defendia junto ao presidente Getúlio Vargas a criação de um órgão governamental para auxiliar o desenvolvimento do teatro no Brasil. Em 1936 havia sido criada uma comissão que viria a avaliar as necessidades do teatro nacional. Esta comissão da qual participaram, entre outros, Sérgio Buarque de Hollanda e Oduvaldo Vianna funcionou por mais de um ano e constatou que eram necessárias medidas de longo alcance. Segundo o livreto O Governo e o Teatro (publicação do próprio ministério em 1937), o ministro apresentou ao presidente da República o projeto de Decreto-lei para a criação de um órgão com esta função, o Serviço Nacional de Teatro (SNT), acompanhado do relatório daquela comissão. O mineiro Capanema foi um ministro de grande relevância nos primeiros anos do governo Vargas e, entre as muitas prioridades de sua pasta, deu grande importância ao teatro. Segundo o mesmo documento, ele presidiu por várias vezes a comissão de estudos teatrais. A bola da vez é o Procultura, projeto de Lei que foi criado a partir de uma vasta consulta popular, mas que foi em muito alterado no seu trâmite no Congresso. Faz parte dele o chamado Prêmio Teatro Brasileiro, que prevê (talvez fosse melhor dizer previa, devido às muitas alterações que sofreu) atender às necessidades enunciadas na criação do SNT em É difícil conceber que hoje que temos produções teatrais em todo país e não tenhamos apoio sólido do governo para a circulação das peças. O prêmio Myriam Muniz tem esta função, mas é muito tímido, o número de contemplados é diminuto e antes serve para demonstrar a carência do que de fato para atender à necessidade. Em sua última edição tivemos alguns estados que não tiveram nenhum projeto contemplado e isto é inconcebível. Já participei da comissão e é impossível contemplar a todos com um número de aprovados tão pequeno. Existem milhares de grupos de teatro no Brasil. Estes grupos precisam apresentar seu trabalho no seu estado e em outros estados. A produção destes milhares de grupos é de grande relevância: por ser uma forma de produção coletivizada e sem maior sintonia com o mercado, reflete melhor a cultura de cada região que representa. Nos últimos 25 anos surgiram, tanto no âmbito federal quanto em alguns estados, leis baseadas na renúncia fiscal, fazendo com que as produções fiquem à mercê do gosto dos gerentes de marketing de grandes empresas que decidem o destino de uma parcela do imposto devido. Uma empresa definir, a partir das suas necessidades, qual é o melhor fim de uma parcela do seu imposto é uma distorção do estado liberal, mas esta distorção foi naturalizada e já migrou para outras atividades carentes de patrocínio, como o esporte amador. Mesmo a joia da coroa da política cultural brasileira, o modelo para o Prêmio Teatro Brasileiro, a Lei de Fomento ao Teatro da cidade de São Paulo, a mais significativa conquista da categoria no que tange a política pública, já demonstra não dar conta da demanda dos grupos da capital paulista. São apenas 30 grupos contemplados por ano, número considerado baixo pelas comissões que avaliam os projetos. Em todas as suas edições, muitos projetos que mereceriam ser contemplados pela qualidade apresentada ficam excluídos por limitação das verbas. Passados 75 anos, a frase de Capanema tem total sincronia com os anseios da categoria teatral, pois ainda não temos uma política de Estado que contemple as necessidades relatadas pela comissão e pelo ministro. Hoje, graças ao trabalho de um grande contingente de trabalhadores da cultura durante estes 2/3 de século, o teatro cresceu muito, apesar de ter tido pouco apoio governamental. O SNT existiu de 1937 até 1981, sua atuação foi mais modesta do que se previu na sua criação e as atribuições do SNT passaram em 1981 para a Funarte, que até o momento não teve mais sorte que o SNT. APM Gustavo Capanema, ministro da Educação entre 1934 e 1945 Márcio Boaro é diretor da Cia. Ocamorana. br dahmer PALAVRAS CRUZADAS Horizontais: 1.Estado natal de Chico Mendes (sigla) Forma de chamar a Deus Computador pessoal Obedeço Sigla usada para o horário após o meio-dia. 2. País sul-americano em que o Partido Colorado acaba de voltar ao poder Frequência do rádio Ong fundada em 1967 voltada à causa da reforma agrária no país. 3.Registro de uma reunião Registro do médico Estado (sigla) com a maior porcentagem de evangélicos do Brasil Segunda letra do alfabeto. 4.Coloca-se para imobilizar uma perna ou um braço quebrado, por exemplo Forma coloquial de dizer face. 5.O que os sem-terra acampados tornam-se quando conquistam seu pedaço de terra Sua capital é Palmas. 6. Chá, em espanhol É posta quando há a dificuldade de urinar Adorei. 7.Atual presidente da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias que há um mês sofre protestos pela sua saída A favor de alguma coisa. 8.Agência de notícias italiana. 9.O corredor de uma igreja Em inglês, diz-se boat - Sigla dos Estados Unidos, em inglês. 10. Os que nascem neste estado (sigla) são chamados de fluminenses - Naquele lugar Mais famoso jogador do Santos. 11. Manchete da edição passada do Brasil de Fato sobre as eleições na Venezuela. Verticais: 1.Suprime Brecha. 2.Prova. 3.Movimento que luta para que o transporte público seja gratuito. 4.Estado onde 17 anos atrás ocorreu o Massacre de Eldorado dos Carajás (sigla) Catedral Educação de Jovens e Adultos. 5. Aviso de recebimento dos Correios - Ligado, em inglês. 6.Partícula típica do Futuro do Pretérito O oposto de má. 7.Diz-se de um desfile militar. 8.Universidade Católica (sigla) que possui campi em vários estados do país Cidade em que houve o despejo violento da Aldeia Maracanã. 9.Como FHC é comumente chamado pela mídia estrangeira. 10. Eu sou/estou, em inglês Solitário Movimento que teve Arafat como um dos seus principais líderes. 11.Interjeição de dor. 12.Prisão em que houve um massacre 20 anos atrás e que só agora se inicia o julgamento dos seus responsáveis. 13.Sentimento que move o revolucionário, segundo Che O verbo estabelecer, em inglês. 15.Sem a carteira emitida por essa ordem o advogado não pode advogar Tesão. 16.Usina hidrelétrica que o governo quer pôr goela abaixo dos indígenas e ribeirinhos que vivem à beira do rio Xingu. 17.Maior estado (sigla) produtor de milho do Brasil e de soja e o segundo de cana-de-açúcar Interpreta o que está escrito. 18.Tema que voltou à discussão no país após o assassinato de um adolescente de classe média por um adolescente pobre na cidade de São Paulo Horizontais: 1.AC Pai PC Acato PM. 2.Paraguai AM Abra. 3.Ata CRM RO Bê. 4.Gesso Cara. 5.Assentados TO. 6.Té Sonda Amei. 7.Feliciano Pró. 8.Ansa. 9.Nave Barco USA. 10.RJ Lá Pelé. 11.Ameaça golpista. Verticais: 1.Apaga Fenda. 2.Teste. 3.Passe Livre. 4.PA Sé EJA. 5.AR On. 6.Ia Boa. 7.Parada. 8.PUC Rio. 9.Cardoso. 10.I m Só OLP. 11.Ai. 12.Carandiru. 13.Amor Set. 15.OAB Tara. 16.Belo Monte. 17.PR Lê. 18.Maioridade.

13 américa latina 13 Funcionalismo e fracasso de aliança dão vitória folgada a Cartes PARAGUAI Para Francisco Capli, da First Análises, militância da Unace e funcionários públicos aderiram de última hora à candidatura do empresário Reprodução Vitor Sion de Assunção (Paraguai) O PRESIDENTE eleito do Paraguai, Horacio Cartes, liderou a maior parte das pesquisas de intenção de voto durante a campanha para o pleito do dia 21 de abril. Na reta final, no entanto, o liberal Efraín Alegre se aproximou de Cartes e ameaçou a sua vitória depois de anunciar um acordo com a União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), fundada pelo exgeneral Lino Oviedo, morto em fevereiro deste ano. Até a formalização da aliança, a Unace estava em quarto lugar na corrida à Presidência e, caso seus eleitores aderissem em massa a Alegre, Cartes seria derrotado. Na prática, porém, o pacto foi um fracasso. Muitos diziam para os pesquisadores que estavam indecisos ou votariam no liberal, mas, na urna, apoiaram Cartes Mais ligados historicamente ao Partido Colorado, o mesmo do novo presidente paraguaio, a militância oviedista refutou a aproximação com os liberais do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA). Prova disso é que mais da metade dos fiscais de mesa da Unace não compareceram aos seus colégios eleitorais. Outro exemplo é que, no discurso em que Alegre assumiu a derrota, não havia nenhum líder ligado ao ex-general. Boa parte dos membros da Unace já foram colorados e voltaram a apoiar seu antigo partido nesta eleição, afirma Francisco Capli, da empresa First Análises, que realiza pesquisas de intenção de voto e de boca de urna. Funcionalismo público O comportamento dos funcionários públicos também ajuda a entender a inesperada vantagem de nove pontos percentuais de Cartes na eleição de ontem. No governo com o presidente Federico Franco, o PLRA pressionou essa classe a aderir à candidatura de Alegre, sem sucesso. Por isso, muitos diziam para os pesquisadores que estavam indecisos ou votariam no liberal, mas, na urna, apoiaram Cartes. Mais de 80% dos funcionários públicos são ou já foram colorados, porque essa era uma exigência para se conseguir um emprego antes do governo de Fernando Lugo, explica Capli. Cartes ficou com 45,8% dos votos contra 36,9% de Alegre Até Lugo chegar ao poder, em 2008, os colorados comandavam a Presidência do Paraguai há mais de seis décadas. Além da vitória de Cartes, que ficou com 45,8% dos votos, ante 36,9% de Alegre, o Partido Colorado também ganhou os governos de 15 dos 17 departamentos paraguaios e obteve maioria própria no Senado e na Câmara dos Deputados. A legislação paraguaia não prevê segundo turno e é eleito presidente o candidato com mais votos, independentemente do percentual.(opera Mundi) Reprodução OPINIÃO Retrocesso no Paraguai Investigado por lavagem de dinheiro e contrabando Documentos do Wikileaks também relacionam riqueza de Horacio Cartes com venda de entorpecentes de Assunção (Paraguai) Eleito presidente do Paraguai neste domingo (21/04), Horacio Cartes tem um histórico de problemas na Justiça não só de seu país, mas também do Brasil. O empresário, no entanto, diz que não sofreu nenhuma condenação em última instância. No início da década de 1980, Cartes foi preso no Paraguai por evasão de divisas. Além disso, tem sido investigado nos últimos anos por lavagem de dinheiro e vínculos com o narcotráfico. No Brasil, o novo mandatário paraguaio é acusado pela empresa Souza Cruz de contrabando de cigarros. No processo, a empresa brasileira diz que parte da produção de Cartes entra no país de forma legal, mas outra parce- O presidente eleito Horacio Cartes: histórico de problemas na Justiça la não paga impostos. Tal iniciativa, de acordo com a Souza Cruz, configura-se concorrência desleal. No Brasil, o novo mandatário paraguaio é acusado pela empresa Souza Cruz de contrabando de cigarros Wikileaks Além dos problemas na Justiça, Cartes também foi investigado pelos Estados Unidos, segundo telegramas vazados pelo Wikileaks. Em documento de janeiro de 201o, o empresário é classificado como o mandante de um esquema de lavagem de dinheiro. É uma organização que acreditamos lavar grandes quantidades de moeda norte-americana, gerada por meios ilegais, principalmente a venda de entorpecentes. Três anos antes, em 2007, Cartes é citado de passagem em outro documento, no qual é relacionado com 80% do dinheiro lavado no Paraguai. (VS) ANÁLISE Depois de ter seu domínio quebrado com a vitória de Lugo, Colorado volta ao poder Elaine Tavares O PARTIDO Colorado volta ao poder no Paraguai. Esse é um partido de triste memória para a população, uma vez que esteve no comando do país por mais de 60 anos, incluindo aí os 30 anos da ditadura de Alfredo Stroessner. Essa dominação só foi rompida em 2008 quando o Fernando Lugo venceu as eleições com uma proposta mais progressista e mais próxima dos anseios da maioria da população. E justamente por avançar em ações como a reforma agrária, por exemplo, Lugo acabou vítima de um golpe parlamentar, que o destituiu da presidência num processo sumário. O golpe foi repudiado por todos os países da América Latina e inclusive o Paraguai ficou suspenso do Mercosul. Mas agora, o Partido Colorado está novamente no comando, e já legitimado por vários chefes de Estado, embora as eleições tenham acontecido num franco cenário de compra de votos. Apesar da presença de muitos observadores internacionais, a imprensa estrangeira bem como a nacional denunciou uma série de fatos envolvendo esse tipo de irregularidade. Segundo o jornal La Nación, os votos estavam sendo comprados por um preço mínimo de 50 mil guaranis, equivalente a 12 dólares. Também houve denúncia de que as pessoas estavam sendo pagas para não irem votar. A abstenção na eleição ficou um pouco acima dos 30%. O jornal também lembra da ação do senador do Partido Colorado, Silvio Beto Ovelar, que foi flagrado por uma câmera propondo a compra de votos de dirigentes camponeses do Partido Liberal. Tudo indica que isso foi moeda corrente no processo. Sua punição foi ser suspenso do Senado por dois meses. Horacio Cartes, que venceu as eleições com 45,8% dos votos, é um dos homens mais ricos do Paraguai. Suas empresas abarcam várias fatias do mercado, produzindo bebidas, cigarros, charutos, roupas, carnes e o gerenciamento de vários Centros Médicos privados. Sua formação foi feita nos Estados Unidos de onde retornou para criar seu império empresarial. Cartes também está metido no negócio do futebol, é dono do Club Libertad e dirige a Associação Paraguai de Futebol. Segundo o sítio da BBC Brasil, Horacio Cartes já foi denunciado por possíveis vínculos com grupos do narcotráfico, uma vez que em 2000, autoridades policiais encontraram um avião de pequeno porte na sua fazenda, carregado de cocaína e maconha. Ele negou qualquer relação com o avião e não foi formalmente acusado. Outra denúncia que está sobre sua cabeça é a de lavagem de dinheiro com operações ilegais com o narcotráfico mantidas pelo Banco Amambay, do qual ele é dono. Os partidos de esquerda, incluindo aí o do expresidente Fernando Lugo, só conseguiram arrebanhar pouco mais de 4% dos votos E essa é a realidade com a qual a população do Paraguai terá de lidar a partir de agora. Os partidos de esquerda, incluindo aí o do ex-presidente Fernando Lugo, só conseguiram arrebanhar pouco mais de 4% dos votos. No legislativo os dois partidos tradicionais do Paraguai, Colorado e Liberal que em muito pouco se diferem na política garantiram a maioria absoluta das cadeiras. Ainda assim, Fernando Lugo conseguiu uma vaga como senador, junto com mais um companheiro da Frente Guazu, o que possibilitará, pelo menos, que haja alguma voz dissonante no Senado. De qualquer sorte, a volta legitimada dos conservadores ao poder já deixa antever que o Paraguai passará por uma nova onda de expropriação da maioria da população, como bem analisa o professor Eduardo Guerini. Elaine Tavares é jornalista do Instituto de Estudos Latino-Americanos Iela, da Universidade Federal de Santa Catarina

14 14 américa latina Um povo unido é um povo invencível ENTREVISTA Parlamentar venezuelana do Psuv debate a importância de Chávez e aponta os caminhos do processo bolivariano no país Leonardo Wexell Severo Jonatas Campos, Leonardo Severo, Renata Mielli, Vanessa Silva e Vinicius Mansur de Caracas (Venezuela) EM ENTREVISTA ao Coletivo ComunicaSul, do qual participa o Brasil de Fato, concedida na antevéspera das eleições venezuelanas (12 de abril), a deputada Blanca Eeckhout faz questão de reforçar que entre as várias particularidades que caracterizam o processo político em curso na Venezuela está a consciência de um povo que sabe o que conquistou e o que não pode perder. Somos um povo em batalha, em luta, que decidiu não apenas seguir Chávez, mas ser Chávez. Nestes 14 anos houve uma elevação muito grande da consciência política na Venezuela, mas a liderança de Chávez era muito importante. Agora, qual o principal desafio para continuar com essa construção? Blanca Eeckhout Temos uma consciência muito clara que não podemos perder. E, nesse momento não buscamos um novo Chávez. Chávez somos todos. Nicolás Maduro não pretende converter-se em um novo Chávez. É um filho de Chávez, como se sentem a maioria dos venezuelanos e, sobretudo, quem trabalhou com o comandante. E aí existe uma coisa que tem que ser vivida, porque é algo distinto da política tradicional. Nosso vínculo é amoroso e não podemos desligar esse vínculo afetivo tão forte que, no momento da doença do comandante, se converteu em um vínculo espiritual do povo. E o legado de Chávez está absolutamente presente porque foi construído com o povo, neste caso, um novo modelo do que significa o poder, do que significa o governo. Para Chávez, a batalha de outubro era estratégica e nós saímos vitoriosos. O elemento crucial do discurso do presidente foi eu não sou eu, eu sou um povo. Isso tem uma mensagem muito clara e mostra como foi heróica a resistência do comandante diante de sua enfermidade. No dia em que morreu o comandante, começou uma mobilização do nosso povo sem convocatória, porque todos nós estávamos devastados, ninguém havia calculado isso. O povo decidiu o caminho. Muitas vezes ele nos deu uma lição. Por isso vamos ao seu lado, marcados pelo seu ritmo. Nicolás Maduro não pretende converter-se em um novo Chávez. É um filho de Chávez, como se sentem a maioria dos venezuelanos Qual é o caminho para o empoderamento do povo? Qual é o estágio desse projeto, do Estado comunal? Um elemento fundamental e estratégico para construir o poder popular é o Estado comunal. No Programa da Pátria houve esta grande convocatória. Chegaram projetos das distintas comunidades para serem incluídas no plano socialista para o desenvolvimento da nação É um processo em construção. Tem a ver com o tema ideológico, com a posição de seguir avançando. Não é um decreto. Não pode depender de um ministério. Assim, todos e todas contribuímos de todos os lugares. Claro, nossa batalha para ter uma vitória estratégica é aprofundar a revolução. A grande tarefa é a unidade em torno deste grande legado que nos deixou o comandante, o Programa da Pátria, aprovado majoritariamente pelo povo e que é uma convocatória para todos construirmos o segundo plano socialista da nação com cinco objetivos históricos: consolidar a independência; aprofundar o nosso socialismo bolivariano do século 21; desenvolver a nação como potência econômica, social e política dentro dessa grande potência que é a América Latina; buscar um mundo multipolar, pluricêntrico; e salvar este planeta numa missão ecológica, socialista, que implica em mudar todo o padrão capitalista de consumo. Vai ser uma batalha difícil, sobretudo porque o inimigo acreditava que sem Chávez seria o fim da revolução, desunião do governo, do partido e dos movimentos por uma briga pelo poder. A burguesia apostou na morte e fizeram toda a utilização política da saúde do comandante. Nós apostamos na vida. Equivocaram-se. Eles nunca calcularam que Chávez estava semeado além de sua presença física entre nós, que ele semeou uma história e o pensamento bolivariano. Até Bolívar está conosco agora. O recuperamos depois de 200 anos. O presidente entendia sua responsabilidade com esse povo e com a história, disse por todo o ano de 2012: todos vocês são Chávez, Chávez não sou eu, vocês são o governo, vocês são o povo empoderado. O que vai acontecer em 14 de abril é que vai triunfar a vida sobre a morte, a verdade sobre a mentira, vai triunfar o povo sobre a oligarquia. E vamos dar o exemplo de que um povo unido é um povo invencível. O Psuv precisa mudar? Escutamos de militantes que ele precisa ter um trabalho mais ideológico do que ser apenas uma máquina eleitoral. Nós não porque queremos, são as circunstâncias que nos coube viver passamos por 17 processos eleitorais, somando o deste domingo. Ao Psuv coube uma tarefa dura: ser uma máquina eleitoral, porque o que a burguesia fez em todas essas décadas foi converter-se em uma máquina para destruir a vontade do povo a partir do jogo burguês do que é a democracia. Tivemos que lutar com suas regras. Ao invés de avançarmos com a revolução, temos que medir forças a todo o momento. Creio que não há revolução no mundo que tenha passado por tantas provas: golpes de Estado, a greve petroleira, fechamento de vias públicas, boicotes, além das eleições, referendo revogatório, que se tornou probatório, Constituinte e, agora, esse voo do nosso comandante é uma nova prova. A cada instante estamos jogando a vida, mesmo que tenhamos feito tudo o que fizemos as missões, rompido com o analfabetismo, recuperado as terras, de sermos o país em nossa América com a maior quantidade de estudantes universitários, de termos conseguido recuperar nossa empresa petroleira. Mas de alguma forma isso nos favoreceu, porque a cada ano temos que nos reencontrar, conversar e nos apaixonarmos de novo com o povo. Ou seja, nós nunca podemos romper esse vínculo, porque ele está permanentemente à prova, todos os dias. Quem foi às ruas? Quem foram os primeiros que saíram? Não foram os quadros de vanguarda, foi o povo que saiu às ruas Eu sou militante da direção nacional do partido e também coordenadora do Grande Polo Patriótico e digo que o comandante tinha claro que não era só o partido o responsável pela unidade, mas todos os setores sociais. O Grande Polo Patriótico está conformado por quatro blocos: o movimento de trabalhadores, como bloco histórico da revolução; os 12 partidos políticos que assumiram a construção da revolução bolivariana; o bloco dos movimentos sociais, com indígenas, camponeses, afrodescendentes, sexo-diversos, esportistas, estudantes, jovens, mulheres, todas as formas organizativas do povo, economia comunal, economia produtiva, empresários que estão com a revolução, aqui cabem todos. O chamado que fez o presidente foi: os que querem Pátria, venham com Chávez. 34 mil movimentos se inscreveram nessa convocatória para construção do Polo. Ou seja, o Psuv não está só nessa tarefa de avançar na construção do socialismo. O comandante, em 2008, nos deu um documento com as linhas estratégicas para a transformação do próprio partido. Foi um debate que teve a participação de toda a militância e seu objetivo era justamente converter o partido num instrumento de lutas do povo. Isso implica em fazer um trabalho gigante na formação dos quadros, dentro da particularidade do que seja um partido de massa e de quadros. Um partido conformado por distintos setores da sociedade. Temos companheiros que estão ligados ao ecumênico, religioso, companheiros com formação mais marxista, ateia, camaradas no seio das Forças Armadas, outros companheiros da esquerda mais radical. Essa revolução não tem sido uma revolução de vanguarda. É a revolução de um povo completo. Em 11 de abril de 2002 não tínhamos o partido. Quem foi às ruas? Quem foram os primeiros que saíram? Não foram os quadros de vanguarda, foi o povo que saiu às ruas, com a cara e a coragem, sem um plano, sem uma estratégia e sem armas e disse que queria Chávez. O partido tem uma responsabilidade, mas aqui, a vanguarda é um povo que se chama Chávez, completinho, juntos, unidos. Qual é o interesse do império aqui na Venezuela e o que pode fazer a direita com esses planos? O que a revolução pode fazer para evitar golpes? Em primeiro lugar essas denúncias [da presença de mercenários no país] que estamos fazendo são um elemento dissuasivo. Estamos dizendo para eles que sabemos quem são, o que estão fazendo, quem está a frente. Já vivemos um golpe de Estado e eles estavam tão infiltrados que a própria inteligência nos dizia que não haveria golpe. Mas era evidente, a mídia estava telegrafando o golpe. Passamos pela greve petroleira, por tentativas de assassinato do presidente. Havia 120 paramilitares colombianos no Estado Miranda, governado pelo candidato da direita, recebendo treinamento paramilitar vestidos com o uniforme do exército venezuelano e no momento que iam para Miraflores foram capturados. Não estamos falando do suposto, confessaram sua tarefa de gerar caos, matar o presidente e promover uma guerra. Isso é uma operação psicológica, desestabilização a partir de uma situação de violência em conjunto com o crime organizado. Eles não ativaram muitos desses planos em outubro porque apostavam na morte do presidente. Acreditaram que ia ser candidato e não ia chegar ao processo, logo apostaram que ia existir o melhor momento para atuar e dividir o país. Tem sido uma surpresa para todos os cálculos do império gringo e da direita oligárquica nesse país o fortalecimento da solidariedade desse povo e a solidez desse governo. Por isso, a agenda da violência segue sendo sua principal agenda. Tem sido detectada a presença de paramilitares colombianos, de sicários salvadorenhos. Tivemos êxito em capturá-los, tinham armamentos, dinamite. Esse é o plano da direita ante sua incapacidade de se converter em uma alternativa de poder eleitoral nesse país. Nós temos que trabalhar em todos os terrenos, mas nosso terreno fundamental é a paz. A única forma de seguir saldando a dívida social com nosso povo é na paz. Não só temos as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, e mais perto dos gringos, como somos uma referência de outro mundo possível. Construímos uma nova visão do que é a diplomacia entre os povos. Temos dado exemplo que os povos podem ser governo. Que os governos não podem seguir de joelhos aos interesses imperiais. Que os povos podem ganhar eleições. Que as Forças Armadas A deputada chavista Blanca Eeckhout podem servir a seu povo e não só aos interesses empresariais. Isso faz com que haja um interesse gigantesco para eliminar este exemplo luminoso de que é possível haver revolução em paz. Creio que tentamos ultrapassar os veículos midiáticos e fazer contato direto com o povo. E aí tínhamos um comunicador excepcional, que era o comandante Os olhos do mundo estão sobre a Venezuela. Com a crise do capitalismo, as declarações políticas dos EUA contra Coreia do Norte, Líbia, Iraque, como vê a importância da Venezuela para o conjunto da América Latina? Como formar um núcleo de contrainformação para fazer a verdadeira disputa político-ideológica? Como vê a importância da integração dos nossos meios? A Venezuela buscou assumir esta responsabilidade com a criação da TeleSur e o lançamento de um satélite que sirvam à integração, à unidade de nossa América. É um esforço difícil. Romper o cerco é difícil porque realmente é o espaço onde eles têm muito mais força. Estamos diante de ditaduras midiáticas que têm a possibilidade de justificar uma guerra. No Iraque disseram: há armas de destruição de massa. Encheram os meios com isso. Invadiram, assassinaram, e depois disseram: perdão, não havia nada. Eles não vão presos por assassinatos, pelos crimes de guerra, pela destruição cultural de um país, não se responsabilizam por nada. Lavam as mãos. Na Líbia armam uma praça verde falsa. Mentem e assassinam um presidente, um povo. Começam um regime racista e homofóbico, misóginos, voltam a colocar o véu nas mulheres. Destroem tudo o que era o avanço da Líbia e não acontece nada. Chávez teve a coragem de denunciar o massacre contra o povo palestino, de romper relações com o Estado israelense e de dizer Fora, fora daqui ianques de merda, gringos de merda quando fizeram todas estas ações contra a Faixa de Gaza. A postura da Venezuela é digna e nos solidarizamos com o povo líbio sempre. A construção tem que ser de todos os lados. Podemos fazer nosso aporte. Creio que tentamos ultrapassar os veículos midiáticos e fazer contato direto com o povo. E aí tínhamos um comunicador excepcional, que era o comandante. Agora temos que ter outro mecanismo para informar e estabelecer um novo modelo de comunicação. Porque a questão não é competir com os grandes meios, mas criar uma comunicação distinta, humana, baseada na verdade. O modelo de comunicação dominante está baseado no incerto. Tudo depende de qual é o interesse de quem emite. Então nós temos esta enorme responsabilidade de recuperar a comunicação humana, de adotar outro modelo midiático com a comunicação nas mãos de quem se comunica. E esta é uma batalha da humanidade completa. A Venezuela vai avançar, mas será uma batalha de todos. Só poderemos ter avanço se seguirmos todo o continente em luta.

15 américa latina 15 Maduro nomeia novos ministros AVN VENEZUELA Das 32 pastas, 17 terão novos ministros, enquanto outras 15 continuarão a gestão iniciada com Chávez Luciana Taddeo de Caracas (Venezuela) DOIS DIAS APÓS tomar posse como presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na noite do dia 21 de abril os integrantes de gabinete de seu governo. Das 32 pastas, 17 passam a ter novos ministros, enquanto outras 15 continuarão a gestão iniciada com o falecido presidente Hugo Chávez. Elías Jaua, ministro de Relações Exteriores, Ernesto Villegas, ministro de Comunicação e Diego Molero, da Defesa, foram mantidos em suas pastas. Também contiua como vice-presidente da República, Jorge Arreaza, ex-ministro de Ciências e Tecnologia e genro de Chávez, designado por Maduro para o posto logo após o falecimento do então presidente venezuelano. O ministério da Presidência e de Acompanhamento da gestão continua chefiado por Carmen Meléndez, que, segundo Maduro, tem como prioridade o desenvolvimento da missão Eficiência ou Nada - projeto anunciado durante sua campanha eleitoral para combater a burocracia e a corrupção. Entre os anúncios está a criação de uma vice-presidência de Economia, que incorpora agora a gestão Financeira e Governo Maduro tem como desafio a implementação de projeto de combate a burocracia e a corrupção Temos que controlar a inflação, Nelson Merentes dizia que podemos conseguir a inflação de um dígito em três anos, e vamos conseguir Produtiva, que será liderada por Nelson Merentes, então presidente do Banco Central da Venezuela. Precisamos de um governo econômico (...) para dirigir uma economia complexa, de transição ao socialismo, disse Maduro em rede nacional de televisão. Inflação Temos que controlar a inflação, Nelson Merentes dizia que podemos conseguir a inflação de um dígito em três anos, e vamos conseguir (...) Para isso precisamos produzir, controlar os fatores especulativos, que sabotam por sua via direta e indireta a formação dos preços na Venezuela, precisamos garantir cada vez mais produtos feitos no país, complementou, designando Merentes para a pasta de Finanças. Outros ministros que vão manter seus cargos são Jorge Giordani (Planejamento, que se separa do de Finanças), Ricardo Menéndez (Indústria), Maryann Hanson (Educação), María Cristina Iglesia (Trabalho), Juan García Toussaint (Transporte), Ricardo Molina (Moradia), Rafael Ramírez (Petróleo e Mineração), Aloa Nuñez (Povos Indígenas), Iris Varela (Assuntos Penitenciários), Rodolfo Torres (Banca Pública) e Francisco Sesto (Transformação). Para a pasta de Energia Elétrica foi designado Jesse Chacón e para a de Turismo Andrés Izarra, também ex-ministro de Comunicação de Chávez. Diversas pastas, no entanto, serão renovadas. Agricultura e Terras terá como ministro Iván Gil, enquanto os ministérios da Mulher e Juventude terão, respectivamente, Andreína Tarazón e Héctor Rodríguez. O ministério de Interior passa a ter uma nova agenda e nomenclatura - Interior, Justiça e Paz - e fica a cargo do general Miguel Rodríguez Torres. O então ministro da pasta, Néstor Reverol, voltará a assumir o Escritório Antidrogas do país. Já ministério de Educação Superior será liderado por Pedro Calzadilla, o de Comércio por Alejandro Fleming, o de Saúde por Isabel Iturria, o de Ciência e Tecnologia por Manuel Fernández, o de Ambiente por Dante Rivas, o de Transporte Aquático e Aéreo pelo general García Plaza, o de Comunas por Reinaldo Iturriza, o de Cultura por Fidel Barbarito, o de Alimentação por Félix Osorio e o de Esportes por Alejandra Benítez. Após o anúncio de Maduro, o ministro da Defesa Diego Molero agradeceu sua manutenção na pasta. Agradeço sua confiança e reitero meu compromisso com a Pátria e com o legado do comandante eterno, escreveu em sua conta de Twitter ao presidente do país. (Opera Mundi) Na posse, presidente acena à unidade nacional Novo presidente da Venezuela convocou a população a fazer nesses seis anos um milagre econômico e social Marina Terra de Caracas (Venezuela) Em uma cerimônia carregada de emoção, Nicolás Maduro foi juramentado como presidente constitucional da Venezuela nesta sexta-feira (19/04). Maduro se postulou ao cargo após a morte de Hugo Chávez em 5 de março e a convocação de eleições pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), realizadas no domingo (14/ 04). No dia, o presidente saiu vencedor com pouco mais de 50% dos votos sobre o candidato derrotado Henrique Capriles. Ele, por sua vez, questiona o resultado. O poder eleitoral venezuelano decidiu no dia 18 de abril auditar 46% dos votos restantes, processo que deve demorar um mês. Venezuelanos e venezuelanas, me dirijo sem exclusões. Falo a uma pátria inclusiva, de todos e todas, disse Maduro no início do discurso de posse, já com a faixa presidencial, entregue pela filha de Chávez, Maria Gabriela. Ele em seguida agradeceu a presença das mais de 60 delegações internacionais à cerimônia. Agradeço o esforço, dadas as circunstâncias especiais que estamos vivendo, afirmou, se referindo aos dias de tensão vividos na Venezuela desde a eleição. Pouco depois, um homem interrompeu o discurso. Ele logo foi retirado do local por seguranças. Maduro lembrou as oito pessoas que morreram durante onda de violência no dia 15 de abril, desatada após Capriles rechaçar a proclamação de Maduro como presidente no CNE, um procedimento obrigatório após o anúncio do resultado. Na ocasião ele pediu que seus simpatizantes descarregassem a arrechera (indignação) nas panelas, mas alguns setores promoveram incêndios e vandalismo. Não vai existir impunidade com os crimes contra os humildes, ressaltou. Maduro acenou para a oposição. Quero um diálogo direto com o camponês, o trabalhador, a classe média. Que demos um abraço. Se têm diferenças, mantenham. Mas aceitem meu convite, venham comigo. Nós garantimos a paz desse país, disse. Só estou aqui pelas circunstâncias históricas. Estou disposto a conversar até com o diabo. Até com o no- vo Carmona se for necessário, para que acabe o ódio contra o povo venezuelano, continuou, ao se referir a Capriles, fazendo alusão ao empresário Pedro Carmona, que deu o golpe em Chávez em O presidente eleito fez uma reflexão sobre a perda de votos do chavismo para a oposição. A diferença entre Maduro e Capriles foi de quase 2%, com o candidato opositor recebendo pelo menos 600 mil votos a mais do que na eleição passada, de outubro de É fundamental escutar e trabalhar pela parte do país que não votou em nós. Me assumi como filho de Chávez, assumi como aquele que vai garantir seus sonhos, mas somente juntos somos Chávez. Esse governo será de ressurreição nacional, pontuou Maduro. Ganhamos apesar da guerra econômica, elétrica e psicológica, sublinhou. (Opera Mundi)

16 16 internacional Golpe institucional na Itália OPINIÃO BCE impõe reeleição de Giorgio Napolitano e silencia voto de protesto Achille Lollo de Roma (Itália) APÓS DOIS MESES das eleições e em meio a uma dura recessão, os italianos descobriram que o futuro institucional do país havia sido definido em Bruxelas pelos técnicos da BCE e seus consultores das agências de rating e dos grandes bancos europeus. O objetivo deles era chegar à formação de um governo de entendimento nacional (formado pelo centro-esquerda e a direita) e a eleição de um presidente capaz de garantir a implementação da agenda financeira da Tríade (FMI, BCE, e BM). Durante 55 dias o secretário-geral do Partido Democrático (PD), Piergiorgio Bersani, conseguiu enrolar os italianos dando inúmeras entrevistas para explicar que estava negociando a formação de um governo responsável, apesar de não dizer que ele e o presidente Giorgio Napolitano haviam vetado a formação de um governo programático com o Movimento 5 Estrelas e assim realizar as principais reformas institucionais e econômicas desejadas pelos italianos. Propostas de lei que mereciam a simpatia de uma parte do PD, de alguns setores de liberais independentes e do principal partido da coalizão de centroesquerda (SEL Socialismo, Ecologia e Liberdade) tendo em vista o fracasso da economia que hoje sofre com uma dívida pública de 127% do PIB, um crescimento negativo de -0,5%, enquanto o desemprego atinge quase 27% da força de trabalho. Na realidade, a possibilidade de um governo progressista formado unicamente pelos partidos da coalizão de centro-esquerda liderada pelo PD e os parlamentares do Movimento 5 Estrelas enfureceu não só a direita e os falidos banqueiros italianos, mas, sobretudo, a classe política europeia que, após o susto sofrido com o possível rompimento do status quo em Portugal, Espanha e, sobretudo, na Grécia, não queria que a Itália oferecesse novas lições de rupturas institucionais. A solução desenhada pelos estrategistas do Banco Central Europeu (BCE) foi montar com a mídia um cenário político apto a silenciar o voto de protesto dessas eleições, enquanto as lideranças dos partidos ligados à lógica de mercado fomentavam em suas bases o restabelecimento da ordem europeia. Dívida pública de 127 % do PIB Crescimento negativo de - 0,5 %, Desemprego que atinge quase 27 % Primo Piano/CC O presidente italiano Giorgio Napolitano Suicídio político Antes de analisar a formação do governissimo com Bersani (PD), Berlusconi (PdL) e Mario Monti (CC), é preciso dizer que em função da burlesca atuação política do grupo dirigente do PD e, sobretudo, da triste atuação seu secretário-geral, Piergiorgio Bersani, o Partido Democrático praticamente implodiu. Tanto que a direção nacional se demitiu logo após a fração majoritária liderada por Massimo D Alema ter utilizado o voto secreto para impedir que Romano Prodi fosse eleito novo presidente da República. É imperativo dizer que Romano Prodi, além de ter sido duas vezes primeiro-ministro liderando a coalizão do PD com a Rifondazione Comunista, é, também, um dos fundadores do próprio Partido Democrático. Portanto, teria sido o candidato ideal para suceder a Giorgio Napolitano se não fosse inimigo jurado de Berlusconi e não tivesse a disposição de engolir as diretivas recessivas da BCE. Prodi era, de fato, um candidato que, potencialmente, poderia criar uma nova área de renovação institucional. Com sua experiência na política europeia e internacional, certamente, teria impedido que o dicktat dos banqueiros da Alemanha, França e Grã-Bretanha pesasse sempre em desfavor da Itália nas decisões da União Europeia. É evidente que um presidente da República desse tipo teria monitorado a formação do novo governo progressista com a participação do Movimento 5 Estrelas, de Beppe Grillo. Porém, essa provável solução era inaceitável para os estrategistas da BCE. A alemã Angela Merkel, o presidente francês Hollande e o primeiro-ministro britânico, Nick Cameron, se manifestaram contrários à possível participação do Movimento 5 Estrelas no novo governo italiano. Foi nessa onda que Silvio Berlusconi, em um comício realizado em Bari (sul da Itália), ameaçava que se Romano Prodi for eleito presidente da República, eu, Silvio Berlusconi, vou ser o primeiro a dever fugir da Itália porque o país será novamente governado pelos comunistas. Uma lavagem cerebral que teve seus efeitos sobretudo na classe política. De fato, e por mais absurdo que pareça, quando no Parlamento, no dia 18 de abril, o secretário do PD, Bersani, apresentou a candidatura de Romano Prodi à presidência da República, todos os parlamentares desse partido se levantaram e aplaudiram. Porém, quando foram votar, 101 deles rejeitaram seu nome revelando todas as contradições e os oportunismos traiçoeiros desse partido. Uma escandalosa situação que levou a deputada Rosy Bindi a anunciar logo sua demissão da direção nacional do PD, citando a traição dos princípios fundadores do partido. A seguir houve a calorosa reação das bases do PD, que em Roma foram em frente ao Parlamento gritar vergonha, vergonha, enquanto queimavam as cédulas do partido. Diante disso os restantes membros da direção nacional anunciavam sua demissão, porém declaravam que permaneciam até a formação do novo governo. Isto é, permaneciam para finalizar o suicídio político do PD. Inciucio e Porcellum Na linguagem política italiana foram introduzidos dois termos Inciucio (bagunça, tradução livre) e Porcellum (leitão, tradução livre) que representam, perfeitamente, o torpor institucional e a letargia política da classe dirigente dessa Segunda República. De fato, o termo Inciucio foi utilizado todas as vezes que as lideranças do centro-esquerda fizeram um acordo com a direita na calada da noite, contrariando as decisões de suas bases eleitorais. Por outro lado, Porcellum é o sistema eleitoral criado pelos homens de Berlusconi que recompensa o vencedor das eleições apenas na Câmara de Deputados com a duplicação de seus parlamentares, de forma a permitir ao vencedor que tenha uma maioria absoluta de 51%, mesmo se for eleito com 28%. Um estratagema institucional que permitiu as coalizões de centro-direita formadas ao PdL de Berlusconi de governar por quase 15 anos. Em março, contudo, foi a vez do Partido Democrático saborear com o Porcellum o prazer de ser majoritários na Câmara, com 521 deputados. Uma sensação que Bersani e D Alema tiveram por poucas horas, visto que no Senado o Porcellum premia apenas a coalizão que recebe mais votos nas oito grandes regiões, notadamente controladas pelas coalizões de centro-direta. Por isso, Massimo D Alema que na história do PD é o líder da facção que reúne os ex-comunistas que rejeitaram o leninismo para apoiar a tese do compromisso histórico de Berlinguer e a opção europeísta do social-liberalismo de Napolitano logo após o fechamento das urnas anunciava que para governar a Itália com responsabilidade era necessário realizar um governo de entendimento com o partido de Berlusconi. Quer dizer que a velha raposa do PCI violava novamente a decisão dos eleitores do PD justificando outro Inciucio ser a única solução política para formar um governo duradouro e responsável. Não dizia D Alema que esse Inciucio recolocava novamente Berlusconi, a coalizão de centro-direita do PdL, no centro da política italiana, dando-lhe, até, um reinício político. Pelos demais analistas o Inciucio de D Alema que, é bom lembrar, se realizou com o voto secreto dos 101 parlamentares da facção dalemiana na realidade foi sugerido pelo próprio presidente Giorgio Napolitano após a imprensa ter ventilado a candidatura de Romano Prodi. De fato, Napolitano foi logo na televisão para falar que a formação do novo governo deve considerar a positiva experiência do governo de entendimento nacional de Isto é, quando o PCI de Berlinguer sustentou silenciosamente e apoiou com todas suas forças o governo da Democracia Cristã, não obstante esse fosse um dos mais reacionários e anti-operário da época. Um Inciucio que Beppe Grillo denunciou após a primeira e única reunião com o secretário do PD, Bersani, em que foi evidente que a parte majoritária do PD não queria promover a implementação de reformas institucionais, políticas e socioeconômicas aptas a mudar o status quo da crise italiana. Nesse âmbito, a rejeição de Romano Prodi e, sobretudo, a reeleição do presidente Giorgio Napolitano (único caso em 60 anos de regime republicano) por um mandato de mais 7 anos, apesar dele ter já 84 anos, foi a chave política para abrir as portas do poder ao novo Inciucio de D Alema com Berlusconi. Achille Lollo é jornalista italiano, correspondente do Brasil de Fato na Itália e editor do programa TV Quadrante Informativo. Governíssimo, produto da mídia Chegaram a classificar Beppe Grillo e seus parlamentares de fascistas de Roma, Itália Reprodução Beppe Grillo, do Movimento 5 Estrelas A mídia, inclusive a progressista (La Repubblica, Fatto Quotidiano, Espresso, L Unitá e Il Manifesto) jogou um papel fundamental em demolir, com poucos resultados, a imagem de Beppe Grillo, e confundir o posicionamento dos deputados e amedrontar os eleitores do Movimento 5 Estrelas. Uma postura que se desenvolveu gradualmente ao mesmo tempo em que a classe política criava artificialmente o dramático cenário da ingovernabilidade por causa do Movimento 5 Estrelas. Assim, em todas as páginas de jornais e revistas e em todos os noticiários TV, Beppe Grillo e seus parlamentares - eleitos por 28% dos italianos - eram apresentados como alienados, meios doidos, incapazes, que representavam um perigoso partido do não e a opção pela destruição da democracia. Vários comentaristas ligados aos jornais de propriedade de Berlusconi chegaram a classificar Grillo e seus parlamentares de fascistas. Enfim, um pesado processo de manipulação midiática que irá pesar bastante nas próximas eleições quando, apesar da existência do governo de entendimento nacional, o peso da recessão será ainda maior, os contribuintes deverão pagar mais impostos, e os jovens italianos deverão sofrer com mais desemprego e flexibilização para satisfazer a agenda de reformas impostas pela Tríade (FMI, BCE e BM). Apesar da manipulação da mídia é na internet que aparecem as vozes dos analistas independentes, segundo os quais o Governissimo foi um produto criado pela grande mídia e apoiado pelo presidente da República, Giorgio Napolitano, explorando até o inverossímil e dramático cenário de ingovernabilidade e de um possível governo com os partidos progressistas. Algumas fontes admitem que nos próximos dias o presidente reeleito encarregará Bersani (PD) de formar o novo governo para entregá-lo ao moderado Giuliano Amato que, por sua vez, irá formar um Governíssimo com o apoio do PdL de Berlusconi; da Liga Norte dos separatistas, de Maroni; do Centro Cívico do ex-primeiro-ministro técnico Mario Monti; e dulcis in fundo do PD, que irá receber três ministérios, entre os quais somente um realmente importa. Antes disso, o PD deverá eleger uma nova direção que, evidentemente, será, ainda uma vez, manipulada Ad Hoc por Massimo D Alema, Enrico Letta e Franceschini, os líderes das principais frações do PD que querem ficar no governo ao lado de Berlusconi e Monti. De fato, há muitas dúvidas de que esse partido permaneça ainda unido, visto que todos os analistas políticos admitem a fuga dos eleitores da dita esquerda do PD e de outros setores progressistas contrários a alianças espúrias com Berlusconi. Esse é o dramático quadro político que se vive na Itália, ainda sem governo, com um presidente que foi eleito apenas para garantir a implementação das diretrizes recessivas da BCE, com um PD praticamente vítima de seu suicídio político após o último Inciucio planejado por Massimo D Alema e uma esquerda comunista (SEL, Rifondazione, Sinistra Critica, PCL, Federazione della Sinistra) praticamente fragmentada, sem voz e, sobretudo, sem capacidade política de organizar uma oposição de âmbito popular. Nesse pântano a única força que ainda afirma querer ser e é oposição é o Movimento 5 Estrelas de Beppe Grillo, que faz lembrar o Yá Basta dos argentinos. (AL)

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