O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO DE JOSÉ SARAMAGO: UM CONVITE À RELEITURA DA IDENTIDADE CRISTÃ

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1 O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO DE JOSÉ SARAMAGO: UM CONVITE À RELEITURA DA IDENTIDADE CRISTÃ Johnny Artur dos Santos [1] Faculdade de Teologia e Ciências Religiosas Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas Prof. Dr. Walter Ferreira Salles [2] Grupo: Teologia Contemporânea Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas Resumo: Através deste último trabalho acadêmico para o Grupo de Pesquisa Teologia Contemporânea venho elucidar aquilo que fora construído ao longo de um ano de encontros, resenhas, leituras. Sem dúvida alguma, a literatura é um dos campos mais fecundos para narrar Deus. Isso se deve ao fato que na literatura as experiências humanas em torno do sagrado, devido à sua atividade criativa e criadora, de sentido, não se contenta simplesmente em traduzir a realidade em sua forma bruta, uma vez que busca novas formas de expressá-la e habitá-la. Neste trabalho, optamos por fazer uma leitura filosóficoteológica da obra de José Saramago, O evangelho segundo Jesus Cristo, um autor notadamente ateu e que nesta obra, ao tecer um Jesus simplesmente humano, realiza uma crítica ao Deus moldado na tradição e/ou na cultura ocidental. Palavras-chave: Hermenêutica, Identidade Cristã, Literatura, Teologia. Área do Conhecimento: Ciências Humanas Teologia Ciências da Religião. A RELAÇÃO ENTRE LITERATURA E TEOLOGIA: UM CONVITE À RELEITURA DA IDENTIDADE CRISTÃ. Paul Ricoeur ( ), filósofo francês, afirma resumidamente que o mundo do texto possibilita levar-nos mais longe do que as proposições da hermenêutica romântica. Para Ricoeur, a vinculação da tarefa da hermenêutica é com o mundo do texto. A noção de texto implica-se na própria definição de hermenêutica, recuperando assim o sentido primeiro da palavra, tornando-se paradigma do distanciamento na comunicação, o que revela um caráter fundamental da própria historicidade da experiência humana, a saber, que ela é uma comunicação na e pela distância. O texto, sua leitura e sua interpretação, testemunha a função positiva e produtora do distanciamento, no centro da historicidade da experiência humana. Neste sentido, a noção de mundo do texto, como a desenvolve Ricoeur, possibilita uma melhor compreensão do papel de uma obra literária na construção de uma identidade religiosa, neste caso, a cristã, ao abrir o texto a novas interpretações que estão para além da intenção primeira do autor. Para Ricoeur, a tarefa da hermenêutica diz respeito ao mundo que o texto desdobra diante de si e do leitor que dele se aproxima, o lê e interpreta. Não podemos esquecer as fontes com as quais Ricoeur desenvolve a sua hermenêutica. Apoiado em Martin Heiddeger ( ), a questão da compreensão passa a ser vista como o modo de serno-mundo. Fundamentando-se em Hans-Georg Gadamer ( ), utiliza a noção de fusão de horizontes, isto é, estando situados na história, com nossas convicções, crenças, ao entrarmos em contato com expressões significativas de outra situação histórica ocorre um encontro de sentidos, dois horizontes se fundem. Assim, a noção de ser-no-mundo de Heidegger e a noção gadameriana de pertença histórica estão na base da hermenêutica filosófica de Paul Ricoeur e essa influência pode ser sintetizada da seguinte maneira: a força da imaginação não existiria se o compreender não estivesse ele mesmo enraizado no mundo, sempre prévio a qualquer experiência e a

2 qualquer explicação(...) Aquilo que o primeiro Heidegger designa como pré compreensão e o segundo Gadamer por pertença, é o subsolo das reflexões ricoeurianas sobre a imaginação e o poder concomitante de inovar semanticamente a partir do texto e de reescrever o real, correspondendo assim ao apelo de uma veemência inesgotável [3] A influência desses dois filósofos traz à tona uma importante questão: como introduzir a ideia de pertencimento histórico sem abandonar a noção de distanciamento? Segundo Ricoeur, isto somente é possível na medida em que se considera tanto o pertencimento quanto o distanciamento como condições inerentes à história, consideração tornada plausível a partir da noção de texto desenvolvida em sua hermenêutica filosófica. Desta maneira, a interpretação de um texto exige a superação de uma distância, de um distanciamento cultural a partir da incorporação do sentido do texto na compreensão que alguém tem de si mesmo, algo distinto de uma arte ou técnica de especialista. A hermenêutica diz respeito a todo ser humano que busca a compreensão do mundo e de si mesmo, e que, para tal, lança mão dos modos de compreensão que lhe estão disponíveis: metáfora, alegoria, mito, analogia, literatura... Há, pois, uma profunda ligação entre interpretação e realidade, sendo a interpretação da realidade o dizer algo sobre alguma coisa. Na semântica grega já se sabia que dizer algo de alguma coisa já é dizer outra coisa, é interpretar. Por isso, na linguagem temos a indicação de que a compreensão é um modo de ser, sendo o texto expressão da vida fixada pela escrita: a textualidade da vida. O mundo do texto é, pois, o objeto propriamente dito da hermenêutica, sendo a sua tarefa primeira deixar aflorar este mundo que o texto desvela diante dele. E uma vez desdobrado diante do texto, ele apresenta-se como uma proposição de mundo a ser habitado, o qual ao entrar em contato com o mundo real o refaz, seja confirmando, seja reconfigurando-o. A proposição de mundo efetuada pelo texto nos coloca diante do problema da apropriação ou da aplicação do texto ao contexto do leitor. Não se trata de querer impor ao texto a nossa capacidade finita de compreender, mas expor-se ao ele, deixar-se formar pela proposição de mundo que nos é feita, o que é possível chamar de metamorfose do ego, afinal só encontro-me como leitor, perdendo-me. Neste sentido, compreensão significa desapropriação e apropriação de si, e isto supõe uma distância crítica de si mesmo. Isto faz com que a interpretação seja todo o contrário do desejo de contemporaneidade ao autor, conforme supunham Schleiermacher e Dilthey, ela é apropriação de uma proposição de modo de ser, entendida como objetivação típica das obras da cultura. Além disso, a apropriação pela interpretação significa a atualização do texto na vida do leitor, ou seja, a efetivação das possibilidades semânticas do texto. A operação objetiva da interpretação significa tomar o caminho aberto pelo texto, colocar-se em marcha em direção ao oriente do texto. Por isso, interpretar é um risco, uma vez que significa exporse para habitar o mundo que se desdobra diante deles, texto e leitor. Em outras palavras, interpretar é decifrar a vida no espelho do texto. No empreendimento hermenêutico, busca-se a confrontação, o diálogo, a conversação, entre o intérprete e a proposição de mundo feita pelo texto. Não se trata, pois, de encontrar subjacente ao texto uma intenção perdida, a do autor, e sim, como dissemos acima, de se expor ao mundo que o texto desvela. Neste sentido, a consciência expõe-se ao mundo que o texto cria e que nos possibilita uma nova compreensão de nós mesmos. A hermenêutica nos convida a fazer da subjetividade a última categoria de uma teoria de compreensão. E mais, a subjetividade deve ser perdida como autoposição absoluta a fim de ser encontrada em uma função mais modesta que a de origem radical, como o queria Descartes a partir da ideia do eu absoluto, ou seja, Penso, logo existo. A compreensão de um texto passa a ser também a compreensão da nossa situação de leitores. Por isso, aquilo que compreendemos em um discurso não é outra pessoa, mas um projeto de vida ou, numa linguagem heideggeriana, o esboço de um novo ser-no-mundo. É, pois, a escritura que revela o destino do discurso: projetar um mundo. O que é escrito se dirige ao auditório que o texto criou e não somente ao tu do diálogo, o interlocutor, caracterizando a dimensão de universalidade do discurso, na medida em que o discurso pela escrita escapa aos

3 limites do face-a-face eu-tu, aquele que fala e a- quele que escuta. O face-a-face da escritura (do escrito) é (ou equivale) àquilo que alguém é capaz de ler. Assim sendo, interpretar significa apropriarse do que acontece no ato da leitura. E aqui vale a pena destacar uma ideia importante da reflexão Ricoeur: ler um livro é considerar o seu autor como já morto e o livro como póstumo, o texto cria autonomia substancial. Diferentemente do discurso oral em que se estabelece uma relação direta entre locutor e ouvinte, no discurso escrito o autor já não tem poder sobre ele, pois a obra existe por si mesma, tem vida própria, compõe um mundo próprio. O texto pode, portanto, ser apropriado em outras situações por leitores que se encontram distantes, ou seja, não compartilham de modo imediato da mesma situação do autor. O texto destaca-se de seu contexto original, ganhando a possibilidade de se recontextualizado em situações muito diferentes daquela da qual e- mergiu. Não cessamos de recontextualizar o texto, pois o interpretamos mediante outros textos, de nossa tradição, tornando-se assim um processo interminável de reapropriação do texto. Assim, se o texto veicula um mundo, não podemos dizer que também o mundo se dá, ele mesmo, sob a forma textual?. O mundo do texto, aquilo que deve ser apropriado pelo ato da leitura, é um mundo no qual me projeto e, portanto, posso melhor me compreender ou começar a compreender quem sou, posso interpretar a minha própria identidade. Neste sentido, o processo hermenêutico na leitura de um texto desapropria o leitor-intérprete de sua identidade primeira a fim de abri-lo a novas possibilidades de ser, a novas maneiras de agir no mundo e habitá-lo. Ao discorrermos sobre este tema, se faz necessário conceituarmos primeiramente o que é Literatura e o que é Teologia. A literatura, em primeiro lugar, é uma arte, e como todas as artes é um meio de expressão que visa a comunicação; ela gera, no seu leitor, aquilo que os sentidos o orientam para realizar uma interpretação. Nesse sentido, o leitor, ao se debruçar sobre uma obra literária, pode, pela leitura, vivenciar aquilo que lê e gerar em si as imagens propostas pelo texto. A obra tanto pode ser verídica como pode ser ficção. Não importa se os personagens do texto sejam reais, ou fruto da imaginação do autor, pois a literatura possui toda a liberdade de criação, muito embora, o autor, ao criar a ficção no seu texto, insere de alguma forma um fundamento real. Ressalte-se que a literatura não é o reflexo do real, mas é elaborada na mente do autor a partir da sua história, cultura, da sociedade em que vive, de seu conhecimento. A Teologia, por outro lado, é a ciência da fé, isto é, uma reflexão sobre a fé de maneira rigorosa, científica, inteligível, racional, que tem seus métodos específicos e suas próprias leis. Enquanto ciência, ela também possui suas fontes, tais como a Revelação, a Tradição eclesial e o Magistério eclesiástico; de lá advém os conteúdos da fé, as definições do que o cristão crê e que supõem o humilde auditus fidei. Nesta compreensão, o teólogo pode utilizar se valer de mediações humanas. A primeira, tida como partner para Karl Rahner, é a Filosofia, mas além dessa, a teologia pode servir-se das ciências sociais, da psicologia, e entre elas a literatura. Neste sentido, podemos nos perguntar: o que a literatura pode oferecer à teologia? O seu caráter antropológico, ou seja, sua capacidade de refletir qualitativamente e em profundidade sobre o humano, através da palavra escrita. Isso se dá porque a literatura atinge o coração humano, assim sendo, o seu poder de apelo e de indignação é muito maior que o das ciências. No nosso caso, por exemplo, quando lemos um livro sobre teologia, cristologia, revelação, vemos a necessidade de se reinterpretar as imagens de Deus que se obteve através dos séculos, e temos certa reação. Outra coisa é lermos a obra de José Saramago, na qual se ilustra um Jesus puramente humano e um Deus notadamente sangrento, sacrificador, ou seja, nossa reação será mais forte, exatamente pelos recursos literários. A pergunta inversa também tem sentido: o que a teologia pode oferecer para a literatura? Em suma, o que a teologia mais oferece para a literatura são os temas teológicos, tais como Deus, fé, Igreja, relações entre Deus e o homem, que são também as questões fundamentais da teologia. O escritor, neste sentido, pode tratar esses temas positivamente ou negativamente, ou ainda como um absurdo, mas eles estarão presentes em sua obra. E neste caso, a literatura ocidental, marcado pelo cristianismo, tem

4 em suas obras culturais de maneira explícita ou implícita os temas teológicos. Assim sendo, nestas poucas linhas, procuramos saber se existe um possível diálogo entre a literatura e a teologia. Parece-nos que há uma espécie de conaturalidade entre ambas, pois antes de ser um discurso sistematizado da fé, a teologia era feita em forma de narração; e mais, a Bíblia trabalha com imagens simbólicas, mais do que com conceitos. Portanto, a literatura estava mais próxima da teologia do que está hoje. José Saramago, ateu convicto, sabe que nasceu num ocidente marcado pelo cristianismo, por isso, em suas obras o tema da religiosidade, da divindade ocupa um lugar privilegiado. Como afirmou Salma Ferraz: se Deus não existe na vida do Saramago homem, pelo menos está bem presente na obra do escritor José de Saramago [4]. Pois bem, nesse sentido, O Evangelho segundo Jesus Cristo, teve grande repercussão no mundo da literatura, da crítica e da religião. Ao assumir a tarefa de escrever sobre uma história contada há dois mil anos, Saramago conseguiu não ser óbvio e repetitivo sobre as narrativas religiosas fundantes, apontando para dimensões profundas da própria religião. Ele pretende questionar o dogma e a tradição dogmática ao transformar personagens centrais dos textos fundantes em periféricos e marginais em centrais. O romance no seu propósito de resignificação parte de um radicalismo antropológico no qual, em um primeiro momento, despoja o texto sagrado de sua interpretação dogmática para num segundo momento reescrevê-lo por um viés literário próprio, relendo o sagrado numa nova perspectiva. Tudo leva a acreditar, que a preocupação central do romance de Saramago é antes de tudo a sangrenta história do cristianismo ao longo dos séculos que o aprofundamento do drama pessoal em chave existencial ou religiosa do homem Jesus de Nazaré. O horizonte permanente ao qual a narrativa remente o leitor é o da infinda sucessão de torturas, martírios e massacres que foi supostamente a vida de Jesus. Além disso, a culpa é o elemento central de todo o projeto de universalização de Deus, consoante o diálogo que este tem com Jesus na cena que é verdadeiramente, o clímax do romance: o diálogo da barca. Queremos nos ater a esta cena que desvela toda a crítica de Saramago à imagem de Deus. Invertendo as polaridades entre Deus e o Diabo-Pastor ao longo do romance, isto é, no desenrolar do romance o Diabo vai se tornando bom, ao passo que Deus assume uma característica sangrenta. Deus, ao ser aproximado do Diabo, revela suas múltiplas faces, em sua maioria horrenda, inescrupulosa, que ao longo da história os homens (a teologia) construíram. Diferentemente daquilo que se lê nos evangelhos canônicos, Jesus morre não para redimir os homens, mas para satisfazer um deus sádico que para executar seu projeto ambicioso de dominação e poder necessita do derramamento de sangue humano. Na cena em questão, Jesus, ao adentrar no nevoeiro, vê Deus sentado num lado da barca e logo mais, chega o Diabo. Nesse diálogo, Deus fala de seu plano para aumentar sua influência sobre o mundo, contando com o sacrifício de Jesus, pois uma morte trágica atrai fiéis. Assim, Deus é tido como alguém que não mede esforços para chegar ao fim almejado. Além disso, Deus apresenta o futuro que espera a humanidade após a morte de Jesus e a difusão nessa crença. O que se vê aqui é uma lista infinda de mortes, assassinatos, guerras, para demonstrar o quanto se matou por acreditar ou não no Filho de Deus. A cena termina com Jesus aceitando esse fim trágico, pois está encurralado; o Diabo parece assentir com esta decisão e se dá a entender até mesmo uma parceria entre Deus e o Diabo. Numa primeira leitura, a obra ficcional de Saramago nos causa certo repúdio ao indagar as verdades fundamentais da fé cristã. Todavia, ao ler seu texto somos necessariamente levados a acreditar num Deus sádico, tirano, juiz, que trata os homens como joguetes, como marionetes? O que pretende Saramago com isso? Acreditamos que ele quer atingir, não a religião, por si só, mas as imagens que a Tradição cristã formou de Deus ao longo dos séculos. Um Deus sacrifical, dominador que castiga e sente prazer em condenar os homens ao inferno. Pois bem, a obra de Saramago quer nos advertir quanto a essa realidade, invertendo as polaridades entre Deus e o Diabo, sendo este bom e àquele mau. A teologia pós-moderna, tem muito

5 discutido sobre as imagens de Deus, especialmente o teólogo espanhol, Andrés Torres Queiruga. Em seu livro, Do terror de Isaac ao Abbá de Jesus, ele procura destruir aquela imagem sangrenta de Deus que exige de Abraão o sacrifício de seu único filho como prova de sua fidelidade, para se chegar a uma relação filial, como foi proposto por Jesus. Um Deus, que é amor e nos fez para o amor, para a felicidade. Neste sentido, como falamos acima, a literatura pela sua forte carga simbólica provoca, no leitor, uma reação diferente da leitura de um texto teológico. Enquanto este nos leva a pensar, a conjecturar, uma nova imagem de Deus, aquele nos mostra a imagem de Deus terrível, sádico, cruento. Claro que, simbolicamente, o texto literário adquire maior força, ainda mais por apresentar um Jesus puramente humano que morre como revolucionário político e não como Filho de Deus. Concluindo este trabalho acadêmico, podemos observar que a obra de Saramago pode ajudar a reinterpretar a identidade cristã ao abandonar a imagem de um deus sacrificador em prol de um Deus amoroso, o que nas palavras do teólogo espanhol Torres Queiruga significa passar do Deus de Isaac ao Abbá de Jesus. teologia, é extremamente gratificante. Agradeço a Deus pela oportunidade recebida. Agradeço ao professor Walter Salles, pela compreensão e ajuda na elaboração e na orientação deste trabalho. Ao Grupo de Pesquisa Teologia Contemporânea da PUC- Campinas a oportunidade de ingressar na pesquisa. Ao Seminário Diocesano de Limeira, onde morei durante 07 anos, o apoio na pesquisa e nos estudos. Enfim, agradeço a todas as pessoas que ao longo destes anos de formação me auxiliaram na execução destes trabalhos acadêmicos. REFERÊNCIAS [1] Bacharel em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e graduando em Teologia pela mesma Universidade. [2] Doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp). [3] HELENO, José Manuel Morgado. Hermenêutica e ontologia em Paul Ricoeur. Lisboa: Instituto Piage, p [4] FERRAZ, Salma. As faces de Deus na obra de um ateu José Saramago. Juiz de Fora/Blumenau: UFJF/Ediburf, 2003, p. 16. AGRADECIMENTOS Após três anos de iniciação científica, coroar este tempo dedicado à pesquisa, com um tema tão interessante, como o é a literatura e sua relação com a

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