Representação de organizações não governamentais e suas relações com o Poder Legislativo um estudo de caso da APAE

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1 CÂMARA DOS DEPUTADOS Centro De Formação, Treinamento E Aperfeiçoamento CEFOR Representação de organizações não governamentais e suas relações com o Poder Legislativo um estudo de caso da APAE MARIA ROSA SILVEIRA AGUIAR AZEVEDO Projeto de pesquisa apresentado ao Programa de Pós- Graduação do Cefor como parte das exigências do curso de Especialização em Instituições e Processos Políticos do Legislativo. Brasília 2006

2 2 I. IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO Título: Representação de organizações não governamentais e suas relações com o Poder Legislativo um estudo de caso da APAE Autor: Maria Rosa Silveira Aguiar Azevedo Finalidade/Natureza do projeto: cumprir exigência do Programa de Pós Graduação do Cefor Instituição: Câmara dos Deputados Data: 18 de agosto de 2006 Orientador: Prof. Ricardo José Pereira Rodrigues, Dr. 2. APRESENTAÇÃO A pesquisa que pretendo realizar teve como motivação, no campo profissional, a experiência acumulada com o exercício profissional em uma organização não governamental de âmbito nacional e com observações feitas em relação à atuação de instituições da mesma natureza junto ao Congresso Nacional. No campo acadêmico, o interesse pelo tema cresceu com a conclusão do curso de Especialização Estado e Sociedade Civil: Política e Gestão de ONGs, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília UnB, oportunidade em que realizei trabalho de monografia sobre o papel da liderança nas Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais APAE, com estudo focalizado na Federação Nacional das APAES que congrega cerca de duas mil entidades APAEs localizadas em todo território nacional. Com a pesquisa, algumas características chamaram-me a atenção. Por exemplo, a alternância na presidência leva a entidade a situações de avanço ou retrocesso, dependendo do grau de institucionalização decorrente de cada estilo de liderança e a forma como essa institucionalização se processa, dependendo do entendimento de cada presidente eleito sobre o que se quer alcançar em relação à pessoa com deficiência, o que muitas vezes leva a uma liderança personalista e instrumental. Nessa instituição cabe ao presidente o papel mais estratégico sendo ele o responsável pelas propostas para a captação de recursos, pela representação da entidade junto ao meio político e ao poder público. Observei, também, que há um restrito grupo que é levado a ocupar o posto maior da entidade e, ao concluir este estudo, pude comparar esta situação com algumas outras entidades não governamentais e movimentos sociais que apresentam a mesma condição quanto às suas lideranças.

3 3 Com a pesquisa que ora pretendo desenvolver, a qual atenderá a exigência do Cefor para a conclusão do curso de Especialização em Instituições e Processos Políticos do Legislativo buscarei avançar um pouco mais, ao tentar identificar as possíveis dificuldades enfrentadas no processo sucessório das organizações e como isso interfere nas suas relações com os poderes públicos, especialmente com o Poder Legislativo. 3. PROBLEMA A pesquisa tentará esclarecer as seguintes questões: 1. por que os processos sucessórios em organizações não governamentais e movimentos sociais levam à freqüente recondução de pessoas que se mantêm ou se repetem na direção das entidades? 2. e, se esses processos são democráticos, como isto se reflete nas relações das instituições com os poderes públicos, especialmente com o Poder Legislativo? 4. OBJETIVO Para possibilitar a abordagem do problema, o estudo será focalizado em uma única organização a Federação Nacional das APAEs da qual deverão ser levantados dados relevantes que colaborem para a obtenção de respostas aos questionamentos que motivam a pesquisa e que permitam: a. verificar quantas entidades APAE estão registradas na Federação Nacional das APAEs b. conhecer as disposições estatuárias sobre o processo eleitoral c. levantar o número de filiadas que participaram das últimas assembléias convocadas para eleição d. quantificar quantas participam das reuniões ordinárias da Instituição e. identificar quantas participam nas atividades de lobby no Parlamento f. verificar quanto pagam em anuidade 5. JUSTIFICATIVA À vista da importância da participação da sociedade civil organizada nos processos de consolidação da democracia brasileira, é fundamental entendermos as relações que permeiam os processos sucessórios nas instituições e como a representação interfere na sua atuação junto aos poderes públicos. Ouve-se muito que os processos sucessórios, seja nas organizações sem fins

4 4 lucrativos, ou nos partidos políticos e, até, em empresas privadas costumam ser bastante conflitantes. Em que pese o número elevado de instituições chamadas do terceiro setor que surgiram no país a partir dos anos 80 do século passado, ainda não se oferecem estudos disponíveis que abordem, especificamente, as questões relacionadas aos processos sucessórios e, até mesmo quanto ao tema liderança das organizações não governamentais a abordagem é ainda sob uma lógica empresarial e de mercado, em que não se trata de lideranças que atuam em condição de igualdade com os liderados. Daí, o interesse em fazer uma reflexão sobre este tema. 6. REVISÃO DA LITERATURA Para dar sustentação conceitual e teórica ao trabalho ainda será definida a teoria a ser aplicada. Poderá ser utilizada uma das seguintes teorias: a teoria dos subprodutos, de Mancur Olson; ou a teoria do capital social, de Robert Putnam, ou, ainda, a teoria da lei de bronze da oligarquia, de Robert Michels. Através da primeira teoria dos subprodutos, publicada no livro A lógica da ação coletiva, Mancur Olson afirma que grandes grupos econômicos organizados que trabalham por seus interesses econômicos também se organizam para um outro propósito. Este outro propósito pode ser entendido como os subprodutos que tais grupos oferecem com o objetivo de mobilizar grupos não organizados, ou grupos latentes, através de incentivos seletivos. A segunda teoria, de Robert Putnam, descrita no livro Comunidade e Democracia: a experiência da Itália moderna, mostra como o comportamento político pode ser influenciado pelas instituições. Por fim, a teoria de Robert Michels, encontrada na obra Sociologia dos partidos políticos. Para MICHELS (1982:238) a constituição de oligarquia no seio das múltiplas formas de democracia é um fenômeno orgânico e por conseqüência uma tendência à qual sucumbe fatalmente toda organização, METODOLOGIA O trabalho será realizado por meio de estudo de caso sobre a Federação Nacional das APAEs, instituição não governamental, sem fins lucrativos.

5 5 De acordo com GIL (2002:54) o estudo de caso... consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento.... YIN (2005:20) afirma que o estudo de caso permite uma investigação para se preservar as características holísticas e significativas dos conhecimentos da vida real tais como ciclos de vida individuais, processos organizacionais e administrativos,.... Serão coletados dados através de consulta a documentos e entrevistas, com a finalidade de se obter uma visão geral do problema relacionado ao processo sucessório e identificar as suas possíveis causas. 8. CRONOGRAMA Agosto/2006 identificação da instituição Setembro/2006 levantamento de dados Outubro/2006 definição da teoria a ser aplicada ao estudo Novembro/2006 Elaboração do trabalho de monografia 9. BIBLIOGRAFIA GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Editora Atlas, Yin, Robert K. Estudo de Caso: Planejamento e Métodos. Editora Bookman, MICHELS, Robert. Sociologia dos partidos políticos. Brasília: Editora Universidade de Brasília, OLSON, Mancur. A lógica da ação coletiva: bens públicos e a teoria dos grupos. São Paulo: Edusp, PUTNAM, Robert D. Comunidade e democracia: a experiência da Itália moderna. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006.

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