O PROCESSO DE VERTICALIZAÇÃO DE COPACABANA, RIO DE JANEIRO

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1 O PROCESSO DE VERTICALIZAÇÃO DE COPACABANA, RIO DE JANEIRO Luiz Ricardo Schiavinato Valente UERJ João Pedro de Andrade Eduardo UERJ INTRODUÇÃO Verticalização, no contexto urbanístico, consiste num processo que ocorre em grandes cidades e metrópoles com a construção de inúmeros e grandes edifícios. Tal processo acontece por conta da necessidade de espaço físico para habitação e instalações de serviços e comércio em uma cidade, que por sua vez, já está densamente ocupada. Além de provocar uma alteração na paisagem da localidade, a verticalização do espaço pode ser percursora do processo ocupacional, mudando o perfil populacional de certa porção do espaço urbano. A verticalização já ocorreu e ainda ocorre em diversas cidades do Brasil e do mundo. Nos Estados Unidos, as cidades de Chicago e Nova York tiveram contato com esse fenômeno desde muito cedo e, no Brasil, as cidades de São Paulo, Recife e Rio de Janeiro são alguns dos melhores exemplos. No caso das cidades brasileiras, tal processo ocorreu em áreas pontuais levando em consideração suas características atrativas diferenciadas. Em São Paulo, ocorreu próximo ao centro financeiro e grandes avenidas. No Recife próximo à famosas praias, como a de Boa Viagem, por exemplo. E no Rio de Janeiro no centro financeiro da cidade, principalmente na Avenida Rio Branco, nas bordas de vias de grande circulação (como a margem do Aterro do Flamengo), na região da Grande Tijuca, na Zona Norte e praticamente em toda a Zona Sul da cidade: Botafogo, Copacabana, Leme, Ipanema, Leblon, etc. Tais áreas sofreram o processo de verticalização por motivos diferentes e em períodos históricos diferentes. O recorte deste artigo é o bairro de Copacabana, que teve seu processo de verticalização ocorrendo entre os anos 1930 (com o Plano Agache) e 1950, com a pressão imobiliária e com a expansão da Zona Sul litorânea carioca (Chagastelles, 2012). Para entender esse fenômeno é preciso, primeiramente, conhecer a história de

2 ocupação do bairro específico e suas características espaciais, bem como o processo de ocupação e urbanização singular que esta porção do espaço urbano teve. OBJETIVOS Esta pesquisa, que está em estágio inicial de produção, visa entender como se deu a ocupação do bairro de Copacabana a fim de compreender o processo de verticalização que se apresentou fortemente no mesmo entre as décadas de 1930 e Além disso, busca-se o conhecimento do histórico de construção e do uso do espaço nas edificações residenciais construídas para ter como resultado o maior conhecimento do perfil das pessoas que habitam o bairro. METODOLOGIA O desenvolvimento da pesquisa levou em consideração as práticas de campo no bairro de Copacabana, com observação empírica e entrevistas com moradores da localidade, além da revisão bibliográfica, com busca de um aporte teórico-conceitual, bem como a coleta de dados primários referentes à própria evolução urbana do recorte em tela. HISTÓRIA E OCUPAÇÃO DE COPACABANA Onde hoje se encontra o famoso bairro de Copacabana, antes da ocupação portuguesa era apenas uma grande praia isolada delimitada por uma cadeia de morros e habitada por índios tamoios, que a chamavam de Sacopenapã. Como referência, em Cardoso (1986, p. 19) é visto que o nome atual, de origem quíchua (família de línguas indígenas da América Andina), surgiu apenas no século XVII, após pescadores da região encontrarem na praia uma imagem da Virgem de Copacabana, santa muito popular na região do lago Titicaca, entre o Peru e Bolívia. A primeira construção mais formal que o local teve foi uma pequena igreja em devoção à Virgem de Copacabana, construída em 1746, que ficava localizada onde hoje está o Forte de Copacabana, no Posto Seis. O local era considerado isolado, cercado de lendas, e evitado por conta do seu difícil acesso e pela grande distância em relação à

3 área urbana da então cidade do Rio de Janeiro. Por isso, Copacabana não se desenvolveu em conjunto com o resto da cidade e servia apenas como vila de pescadores e local veranista para famílias ricas de outros bairros que mantinham chácaras e sítios para aproveitar os períodos de verão. A área passou a ser sistematicamente ocupada a partir de 1892, após a abertura do túnel Real Grandeza, de cinco metros e meio de largura atual túnel Velho na Rua Siqueira Campos, pela Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico, possibilitando a ligação de Copacabana a Botafogo por linhas de bonde, que chegaram ao Leme em Com o acesso e circulação facilitados, o bairro surgiu com a abertura de ruas e a proliferação de loteamentos. No início do século XX, a gestão do prefeito Pereira Passos trouxe ao Rio de Janeiro grandes transformações urbanísticas visando melhorar a dinâmica e modernizar a cidade aos moldes europeus. Os banhos de mar e a praia finalmente começaram a ser valorizados, em acordo com os novos costumes europeus, e em 1906 foi inaugurada a simbólica Avenida Atlântica avenida que beira toda a linha costeira do Leme ao final de Copacabana e o túnel do Leme, o atual túnel Novo. Por muitos anos o bairro se desenvolveu em ritmo desacelerado e com aspecto residencial definido. Porém, o grande impulso de crescimento de Copacabana veio nos anos 30, coincidindo com a Revolução de Trinta, na área política, e com o movimento Modernista, no campo das artes, colocando em evidência o Brasil urbano. Nessa época, o Rio de Janeiro que era capital federal passou por uma expansão industrial importante e se tornou o principal centro urbano do país. Com a construção do Copacabana Palace, em 1923, o bairro entrou para o mapa do turismo internacional e acabou se tornando palco de uma urbanização singular, conforme destacado em sua tese de doutorado, FERNANDES, Ulisses da Silva (2006, p ) cita que: (...) o Copacabana Palace emerge na teia urbana do bairro como um ícone das transformações que a ele se sucederiam e, mesmo que não intencionalmente, lá está até hoje como a marcar tamanha monta de transformação. A partir do seu empreendimento, Copacabana acabaria por encetar a visão monumental que fez antever um novo estilo de vida, uma nova forma de gestão do urbano e eclodir o mito que a fez ser representativa do moderno.

4 Diferente do Centro da cidade e de bairros mais antigos, Copacabana se formou em um cenário sofisticado, apresentando grandes edifícios de apartamentos residenciais com um novo e moderno conceito de moradia. Tais edifícios, de diversos estilos arquitetônicos, começaram a multiplicar nos 7,84 km² do bairro nos anos de 1930 com imensos e charmosos apartamentos. O processo de verticalização começa aqui. Nessa época, em Copacabana, se instalou a elite urbana, com estrangeiros, intelectuais, artistas e milionários. A região cresceu moderna, movimentada e cosmopolita, lançando modas e hábitos próprios. Se diferenciando dos bairros do subúrbio, a principal forma de moradia em Copacabana era em prédios de apartamentos residenciais e morar em prédios de Copacabana era motivo de status. Copacabana ficou famosa e cresceu. Cresceu tanto que nos anos de 1950 era tão movimentada quanto o Centro da cidade, com arranha-céus com coberturas e ruas e calçadas lotadas de lojas, pessoas, carros de passeio e ônibus. Em sua obra, o autor Gilberto Velho (1989, p. 18) explicita que em: qualquer hora do dia e grande parte da noite há um enorme movimento de pessoas, especialmente na Avenida Copacabana, que apresenta intensa concentração de comércio, vários cinemas, restaurantes, bares, edifícios de escritórios ao lado dos residenciais etc. É uma multidão extremamente variada e colorida, composta por moradores, pessoas que trabalham ali, visitantes, turistas etc. O crescimento e fama também atraíram moradores de classe média de outras áreas e migrantes de outros estados, todos em busca do glamour de morar no bairro mais famoso do Brasil. Esse processo desencadeou uma ocupação desordenada e uma grande demanda para a indústria imobiliária, que por sua vez, aproveitou para construir freneticamente novos edifícios que se diferenciavam dos luxuosos prédios construídos na década de 1930 com centenas de unidades de apartamentos conjugados que passaram a ser ocupados por famílias menos favorecidas economicamente. Um exemplo desse tipo de moradia é o famoso Edifício Richard, na rua Barata Ribeiro, que é um prédio de 12 andares, com 540 apartamentos de um cômodo, com cerca de moradores e uma média de 4 pessoas por unidade. O boom imobiliário fez desaparecer

5 as áreas verdes para dar lugar a uma selva de concreto. O bairro cresceu verticalmente e com isso viu sua população dobrar entre 1945 e Para conter o crescimento populacional do bairro e evitar ao máximo a perda do prestígio da região, em 1963 foi proibida a construção de novos edifícios com apartamentos conjugados, o que em parte explica o crescimento das favelas localizadas nas encostas dos morros que circundam o bairro. VERTICALIZAÇÃO: O CONCEITO A verticalização caracteriza-se como uma nova forma de ocupação do espaço. Essa temática está ligada, intimamente, com o processo de urbanização das grandes cidades, aliada, aos agentes sociais e interesses econômicos que, de certa forma, estruturam as cidades de forma vertical. Nesse contexto, o referido processo acaba reproduzindo uma revolução na forma de construir e reproduzir, além disso, os agentes transformadores adquirem responsabilidade na dinâmica modeladora e comportamental da vida urbana, especialmente no Brasil. Nesse sentido, Mendes (1992, p.30) lembra que: a verticalização é um processo intensivo de reprodução do solo urbano, oriundo de sua produção e apropriação de diferentes formas de capital, principalmente consubstanciado na forma de habitação, como é o caso do Brasil. Além da associação junto às inovações tecnológicas, que interferem no processo, alterando a paisagem urbana. Pode-se inferir que o capital financeiro, capital imobiliário, capital produtivo e outros agentes do espaço urbano visam a apropriação do espaço como se este fosse apenas uma mercadoria. Com isso, há a possibilidade de obtenção do lucro, mas também ofertar produtos imobiliários para determinados tipos de consumidores. Assim, Souza (1994, p. 135) julga que a verticalização é o resultado da multiplicação do solo urbano [...] provavelmente a resultante no espaço produzido de uma estratégia entre múltiplas formas de capital fundiário, imobiliário e financeiro, que cria o espaço urbano.

6 COPACABANA: UM BAIRRO EM EXPANSÃO VERTICAL O bairro de Copacabana passou por inúmeras transformações espaciais, que vão desde alterações/construções das vias públicas, praias e questões de ocupação humana. Nesse sentido, em meados do século XX, Copacabana foi um reflexo das reformas administrativas e urbanísticas promovidas pelo, então prefeito, Pereira Passos. Nitidamente, ao longo do seu mandato, são verificadas inúmeras mudanças na cidade, como a construção de vias de acesso, pavimentações e eletrificação da região; tais mudanças, contribuíram para a integração do bairro da zona sul ao restante da cidade. A localidade, como já explicitado, possuía difícil acesso no século XVIII, concentrando apenas alguns sítios e chácaras. Entretanto, com a construção do Túnel do Leme, a Avenida Atlântica, o Hotel Copacabana Palace, o bairro passou a adquirir certa integração com o restante da cidade, atraindo cada vez mais novos moradores. Em assim sendo, Gilberto Velho afirmava: é interessante percorrer os jornais dos anos 40 até 60, examinando seus suplementos de imóveis, especificamente os dominicais. Coisas do gênero: Paraíso a beira-mar, Seja feliz em Copacabana, More como gente de bem em Copacabana, Não negue a sua família o direito de morar em Copacabana etc (VELHO, 1989 p.24). Depois da construção do Hotel Copacabana Palace, surge uma mudança na estruturação urbana do bairro e a sua configuração. Alguns anos após a construção do hotel, Copacabana passa a lidar com construções de grandes edifícios que, de certa forma, acabam por obedecer uma estética da época. Nas décadas de 40 e 50 o bairro sofreu um fluxo de ocupação urbana local visando um maior status oferecido a quem residia no bairro, assim, a especulação imobiliária passou a valorizar o solo, tendo uma substituição das residências por prédios de grande porte nas suas variadas funções e usos. Com a pressão imobiliária, a Prefeitura Municipal foi praticamente obrigada em

7 1946 a liberar o gabarito dos prédios de Copacabana para 8, 10 ou 13 andares, conforme a localização (Abreu, 1987). Nesse sentido, os preços dos terrenos cresceram astronomicamente devido à escassez e grande procura, expulsando a população carente para habitações menos valorizadas dentro do próprio bairro (como prédios mais humildes que remetem aos cortiços e ruas afastadas da orla) e para os morros, formando as favelas. Dada a integração ao bairro, julga-se importante destacar, que Copacabana atraiu um grande contingente populacional para aquele espaço a partir de O bairro somava características marcantes, como as belezas naturais onde cada traçado do relevo, o mar e a praia imprimiam uma leitura única daquele espaço simbólico que possuía visibilidade social e de lazer. Além disso, entrava em cena alguns agentes de configuração da nova paisagem do bairro, como o poder público, as imobiliárias e as construtoras que iniciavam uma nova área em expansão urbana, e como não havia mais espaço e o bairro era bem definido por limites físicos, a expansão se tornou vertical. O bairro da zona sul possuía boas condições de vida que contrapunham com a vida no subúrbio e da periferia carioca. Nessa perspectiva, os moradores alcançavam o seu status social abordada pelo antropólogo Gilberto Velho: verifica-se a existência de uma estratégia de mobilidade social baseada em estabelecimento de objetivos claros e de um esforço às vezes gigantesco. Sem dúvida, há uma sensação de triunfo com a chegada a Copacabana. As pessoas vêem confirmadas suas qualidades pessoais, sua capacidade de alcançar objetos difíceis, etc (VELHO, 1989, p. 8). Com a incorporação de Copacabana à malha urbana carioca pôde-se desenvolver melhor o bairro. Entretanto, devido ao crescimento da cidade do Rio de Janeiro, houve uma necessidade de ampliação do sistema de transportes, então notou-se um sufocamento da localidade pela proliferação dos carros e ônibus nas vias deste bairro carioca. As favelas começam a fazer parte, também, desse cenário. Desde de 1915, já

8 havia relatos sobre terrenos sendo invadidos e a construção irregular e desordenada de barracos que cresciam sobre as encostas dos morros. A partir dos anos 1930, quando surgem as construções de modo verticalizado, Copacabana já apresentava favelas razoáveis pelos morros da Babilônia, Leme e Cantagalo. Com esse crescimento desordenado e o caos urbano, Copacabana começa a perder o seu status de bairro atraente para outros locais da Zona Sul carioca. Desse jeito, não há mais aquele alvoroço pela sua procura e nem o seu prestígio, como anteriormente em meados dos anos 1960, contudo, Copacabana levanta o seu título de bairro com as maiores concentrações urbanas do Brasil. CONSIDERAÇÕES FINAIS Copacabana claramente expõe a sua complexidade, contando com uma mistura de classes sociais, etnias e variadas culturas. Apartamentos conjugados dividem espaço com luxuosos hotéis, turistas se misturam com trabalhadores nas calçadas, a praia democrática e a história de um passado luxuoso faz de Copacabana uma das paisagens mais famosas do Brasil e conhecida no mundo inteiro. No que se refere à moradia e habitantes, o bairro apresenta grandes contrastes. Trechos próximos às favelas possuem um aluguel mais barato, contrapondo os altos preços da orla, na qual a população mais rica reside e as ruas mais próximas ao Posto Seis, que são consideradas quase Ipanema e por essa razão são mais valorizadas. Tendo como base um imóvel de 90m² com dois dormitórios, apartamentos afastados da praia possuem um preço médio de 3 mil reais mensais, enquanto um do mesmo tamanho próximo à orla pode chegar a 14 mil reais por mês. Considera-se, por hora, que o processo de verticalização experimentado por esta porção do espaço urbano carioca influenciou claramente a formação do bairro e as pessoas que nele habitam à medida em que se criou áreas elitizadas em determinados locais do bairro, contrapondo com as desigualdades sociais e a favelização do mesmo. A verticalização permite a grande concentração de pessoas em um pequeno espaço físico,

9 desencadeando e criando relações sociais muito peculiares e restritas, como a perda da privacidade pela proximidade dos apartamentos, estresses causados pelos barulhos do cotidiano e a diminuição dos espaços de moradia. AGRADECIMENTOS Reservarmos este espaço para registrar nossos agradecimentos aos professores da Universidade do Estado do Rio de janeiro UERJ ligados ao Instituto de Geografia (IGEOG) que proporcionaram a elaboração e o melhor desenvolvimento deste trabalho através da contribuição de seus conhecimentos sobre área. Ao Prof. Dr. Ulisses da Silva Fernandes pelo comprometimento e disponibilidade em ajudar e à Prof.ª. Dr ª. Susana Mara Miranda Pacheco pelo interesse e paciência. REFERÊNCIAS ABREU, Maurício de Almeida. Evolução Urbana do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: IPLANRIO/ZAHAR, CARDEMAN, David. O Rio de Janeiro nas Alturas. Rio de Janeiro: Mauad, CARDOSO, Elizabeth et al. História dos Bairros Memória Urbana: Copacabana. Rio de Janeiro: João Fortes Engenharia / Editora Index, CHAGASTELLES, Gianne Maria Montedônio. Copacabana Arranha os Céus: A Sua Verticalização e a Sua Abertura Para o Mundo ( ). Disponível em: _verticalizacaocopacabanacasanova.pdf. Acesso em 20 de mar. de CHIARADIA, Clóvis. Dicionário de palavras brasileiras de origem indígena. São Paulo: Limiar, FERNANDES, Ulisses da Silva. A Natureza Monumental do Copacabana Palace. 194 f. Tese (Mestrado em Geografia) Instituto de Geociências, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, MENDES, C. M. O Edifício no Jardim: um Plano Destruído a Verticalização em Maringá. Tese (Doutorado em Organização do Espaço) Faculdade de Filosofia Letras e

10 Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, REIS, José de Oliveira. O Rio de Janeiro e seus Prefeitos: Evolução Urbanística da Cidade. Rio de Janeiro: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, SOUZA, Maria A. A. A Identidade da Metrópole. São Paulo: EDUSP, VELHO, Gilberto. A Utopia Urbana: Um Estudo de Antropologia. Rio de Janeiro: Zahar, Ed. 5ª, URLs consultadas:

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