A febre, a fibra e o espasmo

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1 Manuel Silvério Marques Aos colegas dos Estudos Gerais, aos obreiros da Universidade angolana; aos companheiros dos GEDOC A febre, a fibra e o espasmo As operações secretas da natureza revelam-se melhor sob as torturas das artes mecânicas do que no seu curso vulgar. (Bacon, 1620, #1, 98) Pois a natureza humana foi, e será sempre a mesma em todas as idades, e em todas as naçoens. (Azeredo, J.P., 1799:14) Sem recalcamento não há pensamento científico. ( ) Existe um prazer de rigidez no fundo do prazer da cultura. É por ser alegre que o recalcamento se torna dinâmico e útil. (Bachelard, G., 1938, p. 172) Resumo Dou notícia de uma obra, o Ensaio sobre Algumas Enfermidades de Angola de 1799, do médico e académico carioca da Ilustração, José Pinto Azeredo. Ocupo-me apenas do primeiro ensaio Sobre as Febres, glosando largamente os textos. Tematizo a teoria da fibra e do espasmo e comento uns restos de pensamento galénico que resistiu à crítica do physico-mor do Reyno de Angola; contextualizo e discuto alguns dos seus argumentos sobre a Arte Médica revelando aspectos da ciência Além-mar. Concentro-me na representação do corpo, revisito o corpo poroso dos metodistas e avanço uma conjectura sobre o corpo fibroso e a teoria da fibra. Mostro que esta figuração setecentista está associada à nosografia das espécies, se prolonga no corpo crispado e couraçado novecentista e já permite ver, no horizonte, o retorno ao corpo-poro sem órgãos. Sugiro que a teoria da fibra constituiu, internamente à biologia, um obstáculo epistemológico à teoria celular e, que, externamente, estabilizou e intensificou a passagem ciceroniana do espasmo ao juízo. Explico, assim, o enigmático prazer da rigidez no fundo do prazer da ciência de que falaram Gaston Bachelard e Fernando Gil. Introdução Trabalho um acontecimento pouco estudado da história da Medicina portuguesa em África. No final de setecentos houve em Angola um clínico ilustre que revolucionou a prática e o ensino médico nesse país: José Pinto Azeredo, natural do Rio de Janeiro ( ), doutorado em Leiden, physico-mor em Loanda. Aí viveu desde 1791, ano da sua oração de sapiência e, por incumbência da rainha D. Maria I, dirigiu o Hospital da Misericórdia e aí leccionou e ensinou durante seis anos. Foi um iluminista, exerceu a sua clínica no Brasil e na Europa, onde frequentou as melhores escolas médicas e sociedades científicas. Gloso generosamente o seu notável e breve Ensaio sobre Algumas Enfermidades de Angola, editado em Lisboa em Esta obra é provavelmente um dos primeiros tratados africanistas sobre o tema e, pode afirmar-se que o ensino moderno da Medicina em Angola, com exames necrópticos regulares e observações ao microscópio, foi também um acontecimento científico inaugural. Dada a escassa disponibilidade de espaço, apenas trato e contextualizo aspectos da Arte Médica, isto é, das práticas clínicas e teóricas do capítulo principal, o Ensaio sobre as Febres e aspectos conexos das representações doutrinais, das práticas e das técnicas do corpo. Excluo as partes sobre as disenterias e os tétanos, e, sobretudo, não trato as suas Lições de Anatomia 2. Reduzo ao mínimo as alusões à etiologia e à terapêutica. Não 1 Utilizo a reimpressão publicada em Luanda, em 1967, pelo Instituto de Investigação Científica de Angola, editada e excelentemente prefaciada pelo meu colega dos Estudos Gerais Universitários de Angola, nos idos de 1962, Dr. Mário Milheiros, cujo prefácio faz jus à importância da intervenção clínica e docente de José Pinto Azeredo no Hospital e na Escola Médica da Misericórdia de Luanda. 2 Jaime Walter, Um Português Carioca Professor da Primeira Escola Médica de Angola, 1791 (as suas Lições de Anatomia), Junta de Investigações do Ultramar, Lisboa, Uma primeira leitura desta obra 1

2 é um trabalho de micro-história nem cabe aqui o tema dos encontros e desencontros na África Negra, do corpo étnico, da tropicalidade, de que o autor também se ocupa com muito interesse histórico; apenas afloro a primeira globalização das ciências médicas in statu nascendi, atirando um olhar de soslaio sobre o recalcamento no pensamento científico, neste caso o recalcamento da reificação, da fibra, do corpo fibroso. O autor refere com candura que apenas o facto de ser o physico-mor, de exercer num hospital onde podia dar visibilidade à sua clínica e ensinar uma nova geração de médicos lhe permitiu transformar a cura daquelas enfermidades e, gradualmente, suprimir hábitos terapêuticos obsoletos e empíricos daqueles que designa de Professores (como se diz de quem professou como Médico, do profissional). É um discurso crítico, reflexivo, por vezes duro, em carne viva: ( ) Os Médicos antigos, e ainda muitos modernos, teem introduzido tantas qualidades de febres contínuas, que se faz enfadonho, e quase incompreensível o estudo delas. Basta um único sintoma demais, ou ele seja mais grave, para se fazer uma nova espécie de febre, quando ela nas suas causas, e no seu curativo nada difere. Assim pelos sintomas mais agravantes se distinguiram febres Amatoria, Anfermerina, Elodes, Lyngotes, Ieteroides, Efémera, Penfigos, Podre, Siriafe, Maligna, Ardente, Judicatoria, Penfingodes, Lenta, Contínua simples, Cefalites, Leipyria, Fricotes, Peerniciosa, Nervosa, Biliosa, etc. Esta multiplicação é totalmente inútil na prática, e só serve para suscitar dúvidas, e formar hipóteses sobre a natureza, e causas da mesma febre. Em todas o curativo é quase o mesmo: em todas se procura modificar aquele sintoma mais grave, e que por si só é suficiente para aumentar a queixa primária, e impedir o remover-se a sua causa próxima. Este é o problema, que o Médico deve ter sempre diante dos olhos para o resolver. A observação laboriosa, e constante é a única que nos ensina a buscar os meios mais adequados, e promptos para atacar as enfermidades; e dos factos particulares tiraremos, com Bacon, as consequências gerais sobre a causa próxima, e método de cura, que devemos seguir para removê-las. ( ) 3. Pelas suas referências, deliberadamente parcas e criteriosas, conclui-se inequivocamente que Pinto de Azeredo estava muito actualizado. Lê-se com gosto: ( ) Contudo as qualidades que Galeno supunha serem a causa das enfermidades, ficaram desacreditadas com as provas, com que Paracelso se opôs a toda a sua escola. Mas a patologia química que então florescia, principiou a ser desprezada à proporção que os Anatómicos foram descobrindo novas funções no corpo humano, pelas dissecções das suas partes. O calor primigénio, e o húmido radical se reputa causa imaginária, quando Harveo descobrindo a circulação do sangue, considera por causa da febre o desordenado movimento sanguíneo, pela mínima exaltação dos espíritos./ Mas Sydenhão, o mais perspicaz observador da natureza, sabendo desprezar conjecturas vans, e recolhendo factos, como Bacon, ensina a descrever moléstias aos mostra que inclui uma abordagem da medicina interna e confirma o seu interesse para compreender a justificação teórica de algumas práticas inovadoras defendidas nos Ensaios. 3 Azeredo, op cit, pp. 3,4. Eis as definições pertinentes do autor: ( ) A febre por acaso consta de um único paroxismo. Se entre o fim de um paroxismo, e o princípio de outro há algum tempo livre, e sem sinais de febre, chama-se a esse tempo intermissão, e a febre Intermitente. Mas se febre em lugar da intermissão só fizer um abatimento da sua exacerbação, chama-se o abatimento Remissão, e a febre Remitente. Se esta remissão é insensível ao enfermo, e ao Professor, e o paroxismo parece laborar em uma contínua, e inalterável reacção, chama-se a esta febre Contínua. / Toda a febre faz abatimento da sua exacerbação, ainda que este seja pouco, ou nada conhecido. Por isso se pode afirmar, que não há febre, que rigorosamente se possa chamar contínua, excepto as pyrexias sintomáticas. Logo toda a febre ou é intermitente, ou remitente.( ) (ibidem, p. 2). 2

3 Médicos, que só cuidavam na explicação do éter. E deste modo se destroem as teorias daquele tempo, e se descobrem fecundos seios de mil enfermidades, que se atribuíam a muito diversas causas. Bastou Baglivio provar as acções das fibras motrizes no corpo animado, para os Médicos voltarem toda a sua atenção para o movimento dos sólidos, e não acreditarem mais na existência de um lentor, que se retinha nas extremidades dos pequenos vasos, de que se originava a febre. Persuadidos desta verdade, não buscam mais expelir o lentor, porque sabe-se que os medicamentos obram como estímulos, que tocam o sensório comum pelo movimento dos nervos.( ) 4. E cita ainda descobertas muito recentes em diversas áreas, desde as de Priestley, sobre ar fixo e desflogisticado e o nitro (o azoto), às de William Hewson sobre as propriedades do sangue: destas, por exemplo, conclui quer pela inexistência de fermento geral vindo da massa geral do sangue quer de sinais de podridão 5. Este ensaio procura, finalmente, estudar a teoria da representação e da expressão (vão juntas) de Fernando Gil (teoria que integra uma rica epistemologia histórica que, como se compreenderá, aqui não cabe). Os argumentos de Fernando Gil são robustos e claros: ( ) Uma coisa exprime uma outra ( ) quando há uma relação constante e regulada entre o que se pode dizer de uma e de outra ( ). É neste sentido que uma projecção de perspectiva exprime o seu geometral. A expressão é comum a todas as formas, é um género do qual a percepção natural, o sentimento animal e o conhecimento intelectual são espécies ( ) 6 ; ( ) Como a representação também a eficácia da estrutura é semiótica ( ) É pela representação que a estrutura se dá, mais precisamente pela entre-expressão. O todo não significa o conjunto mas a afinidade velada das coisas ( ) 7. Creio poder contribuir com alguma evidência substantiva para a compreensão do que está em jogo nesta entre-expressão. Ver-se-á que a mónada foi, por um instante, fibra, antes de se transformar em célula. 1. A invenção do corpo poroso Natureza, physis, é a resposta à pergunta por aquilo que é. A alteração da physis, incluindo a do corpo, definia, segundo os médicos hipocráticos, a doença. Aceitava-se um princípio de simpatia que unia o macrocosmo ao microcrosmo e influenciava o equilíbrio dos humores e, por isso, a saúde ou a doença. Para os hipocráticos, uma preocupação constante na ponderação das causas da doença (como uma pirexia ou 4 Ibidem, p. 30. A teoria da estrutura fibrilar dos sólidos do corpo deve-se a Francis Glisson ( ), formado em Cambridge, anatomista, filósofo e considerado o primeiro iatroquímico inglês, que, motivado pelos estudos do trânsito e movimento intestinal e da contracção cardíaca, tematiza o tono muscular, a passio fibrilar, o corpo fibroso e avança a existência de uma propriedade vital - a irritabilidade. A ideia de fibra, também adoptada por Descartes no póstumo Traité de l Homme, adquire rapidamente um sentido macroscópico que inclui, nervos e músculos, e um sentido microscópico, como constituinte basilar da parte sólida, não humoral, da economia ou organização do corpo (ou do organismo, para utilizar o conceito criado por Leibniz e Stahl). A centralidade da fibra, qual talização ou vegetalização do corpo, foi fixada por Diderot e pela Enciclopédia e resumida pela máxima halleriana a fibra está para a fisiologia assim como a linha está para a geometria (É a Adelino Cardoso que devo o reconhecimento da importância da obra de Glisson, p. ex.: Cardoso, 2008a, pp. 78ff; Vigarello, 1999, p. 150; Canguilhem, 1992, pp. 43ff, 185ff). 5 Azeredo, ibidem, pp. 13, 69, 105. Independentemente de posteriormente falsificadas substantivamente, algumas das ideias e doutrinas possuíam um inegável valor facial (refutando fantasias humoralistas sobre o sangue), e um grande valor heurístico, clínico e científico. Hewson ( ), considerado o pai da Hematologia por ter descrito os glóbulos brancos e, sobretudo, pelos seus estudos da coagulação que percebeu ser um processo essencialmente plasmático, foi colaborador de John e de William Hunter. 6 F. Gil, 1984, p Ibidem, p

4 febre) era o exame de Ares, Águas e Lugares, desde a estação do ano aos ventos dominantes e à epidemiologia local. As centenas de obras (rolos de pergaminho) produzidas durante os séculos V a III-II AC, designadas por corpus hipocrático, nem sempre são concordantes, nomeadamente no que se refere à importância da própria teoria dos humores ou do diagnóstico (em contraste com o prognóstico!). Em geral, prevalece uma noção funcional ( fisiológica ) das situações mórbidas, não havendo razão para um interesse particular na identidade e classificação (a nosologia) de cada doença visando a terapêutica causal adequada ; compreende-se, pois os meios terapêuticos eram escassos. Mesmo assim, muitas situações foram descritas, mobilizando critérios hoje ainda relevantes: febres (terçã e quartã, remitente, etc.), disenterias, tétanos, gota, hidropsias (edema, ascite, anasarca), pleurisias, tísica, hidrofobia ou raiva, delírios, histeria, manias, doença sagrada (epilepsia). O émulo e maior continuador de Hipócrates foi Galeno de Pérgamo (129-c.200 DC). Filósofo, médico dos gladiadores e do Imperador Marco Aurélio, é considerado o verdadeiro codificador da Medicina Ocidental nas três principais culturas religiosas monoteístas do Oriente Próximo e Mediterrâneo. Foi sobretudo ele que, do alto da sua posição em Roma, consagrou a conhecida doutrina dos humores como a chave-mestra da vida, da saúde e da doença. Fig.1 - O Sistema Humoralista Trata-se de oposições binárias e analogias: os quatro elementos (água, ar, terra e fogo), os quatro humores (sangue, fleuma ou pituita, bílis amarela e bílis negra ou atrabílis) e as quatro qualidades (quente, frio, húmido, seco) e o sistema explicativo resultante compunham, do ponto de vista clínico, um dispositivo sensível, robusto, pregnante, quase intuitivo, definindo um episteme auto-evidente, um cenário de inquirição próximo, uma ideologia científica sensualista, um quase paradigma irrefutável que pontificou, no Ocidente, por cerca de 2000 anos. A Medicina Galénica (tal como a Farmácia) abordava as doenças e os doentes a partir dos humores e dos espíritos naturais (fígado), vitais (coração), animais (cérebro e genitais), considerando os sinais de equilíbrio dos humores e das qualidades e distinguindo doenças locais e gerais e, dentro destas, principalmente as endémicas e epidémicas, as pirexias, as alterações da compleição (ou mistura) humoral, os acidentes e feridas traumáticas e os prodígios e fenómenos monstruosos. Temia-se, sobretudo, a plétora, a repleção excessiva, as retenções indevidas, a não excreção dos humores. Daqui a crença persistente e multissecular, imersa em rituais mágicos, em manobras de purificação do corpo através da expulsão regular dos (maus) humores com sangrias, purgas, vomitivos. Desde Asclepíades de Bitínia (séc. V AC), Praxágoras, Temison, Tessálio, Célio Aureliano, Sorano (contemporâneo de Galeno), entre outros, que o modelo atomista da matéria e a teoria dos canais ou da porosidade do corpo regiam a práxis de uma seita médica menos popular, a escola Metodista (de método, caminho), defensora de um sistema deflaccionista em princípios e em estruturas conceptuais. Singularmente, os metodistas rejeitavam e combatiam a teoria dos humores e praticavam uma medicina que hoje consideraríamos holista. Como a seita empirista, não desmereciam a autopsia, isto é, as observações anatómicas. Para eles as polaridades que pareciam regular a saúde e a doença, determinando os estados somáticos ou corporais - strictus (constricto) e laxus -, operavam a uma outra escala, organísmica (perdoe-se o anacronismo). Também original era o preceito de que não era a doença, nem o diagnóstico, nem o prognóstico que, de facto e de jure, decidiam a terapêutica, mas sim a indicação (epideixis) obtida 4

5 directamente das manifestações clínicas agregadas em koinotetes ou síndromes (grupos ligados de sintomas, ideia que ainda mantém o seu sentido e valor inalterados: recordese a síndrome gripal!): a economia metodista (e metódica) de pré-conceitos ou crenças pseudo-causais era um verdadeiro princípio de parcimónia e por boas razões: sabiam que nada sabiam. Algo que o physico-mor de Angola confessa amiudadas vezes. O que mais os interessava e preocupava era a permeabilidade e a mudança dos estados do corpo (recordo que eram três, constrito, laxo e misto) por acção combinada dos poroi ou canais, correspondente ao ciclo de metassincrisis. Este ciclo permitia ao médico julgar os fármacos pela sua capacidade de abrir ou fechar poros ou canais de comunicação (uma aproximação actual talvez fosse o que hoje designamos por falência, suficiência ou compensação de órgão ou sistema). Contra o galenismo - e Galeno votava-os ao maior desprezo -, que escolhia os fármacos e dietas pelas suas propriedades de afectar (contrariar) as qualidades quente e frio, húmido e seco, de acordo com o princípio alopático: o contrário combate-se com o contrário, contraria contrariis. Não obstante, aspectos essenciais da teoria e práxis metodista foram adoptados pelo próprio Galeno e traves mestras da sua arquitectónica permanecem válidas ou relevantes. O atomismo não é a menor; a representação canalicular ou porosa do corpo também não. O próprio sistema metodista foi recuperado e reavivado no século XVI por Prospero Alpino ( ), médico e botânico italiano que, enviado pela República de Veneza ao Egipto, aí se convence do carácter contagioso das doenças infecciosas. Alpino, num processo de intertextualidade comum em Medicina, foi traduzido por Boerhaave ( ), o melhor clínico do seu tempo, e transmitido por John Brown ( ), cognominado o Asclepíade do século XVIII : o brownismo teve uma enorme divulgação no Ocidente; centrava-se na noção glissoniana de irritabilidade e no estímulo, reflectidos no balanço entre factores ou efeitos esténicos e asténicos, que comandavam uma estratégia terapêutica contrária, e para muitos, como Azeredo, errada por demasiado simplista 8. Por seu lado, o ciclo de metassincrisis articula-se obviamente com a alternância rítmica sístole-diástole (que Goethe elevou a princípio de inteligibilidade e a poiesis universal) e com a dinâmica seminal acção-reacção: ( ) Aquele fogo do princípio de vida tão necessário se abafa, os nervos se enfraquecem, as entranhas perdem a sua actividade; a harmonia, que depende da acção, e reacção dos sólidos, e fluidos cessa pouco a pouco, o equilíbrio falta, e a relaxação dos órgãos não deixa mais sustentar o peso da máquina ( ) 9. O historiador e classicista S.Kuriyama, na sua luminosa obra A expressividade do Corpo e a Divergência entre a Medicina Grega e a Chinesa, ensina que Galeno, obcecado com a acção muscular (o termo Myes é mencionado cerca de setecentas vezes, em contraste com a meia dúzia de menções no corpus hipocrático), correlaciona as categorias articulação, força, masculininidade e vontade, definindo assim um traço característico do galenismo; noutro passo afirma que Galeno concluiu das suas minuciosas dissecções anatómicas (a maioria em símios), algo surpreendentemente e contra Hipócrates, que o coração não é um músculo, uma vez que os seus movimentos não estão submetidos à acção da vontade Conserva, ainda hoje, validade a polaridade do tono muscular (hipotonia/hipertonia) e do turgor da pele. 9 Azeredo, op. cit., p.59 (Vide mais adiante, finais do 3 para a correcta interpretação deste fragmento no seu devido contexto: ( ) Estou bem persuadido, que um só acto venéreo em África produz tanta debilidade, quanta pode induzir uma larga sangria. Aquele fogo (...) ; cp. Starobinsky, Kuriyama, 1999, p

6 Afinal, qual o motivo da eficácia real e/ou da eficácia simbólica destas figurações imaginárias do corpo? Como foi destronado o humoralismo, uma moldura explicativa natural e certeira? Porquê, a evicção (o termo é de Georges Canguilhem) de ideologia tão resiliente? Qual o seu o destino? Que sucedeu, em especial, ao corpo poroso e ao corpo musculado? Como se relacionam? Será a figuração visceral do corpo a passagem real, efectiva, para o corpo crispado e, no limite, para o carácter couraçado 11? Visando a arte médica, subsumida no Ensaio e a representação do corpo, esta nota de leitura foca exclusivamente as últimas interrogações no espírito da epistemologia histórica e atrevese, apesar disso, a levantar uma hipótese de trabalho: com o fim do humoralismo e o início da medicina solidista e mecanicista, ocorreu nos séculos XVII e XVIII, através da reconfiguração - matéria, sentido e forma visceral e depois fibrosa do corpo, a transição de um modelo poroso para um modelo do corpo novecentista: crispado, encarcerado. Adivinha-se que este modo de habitar, sentir e ver o corpo estará, por projecção ou/e por inscrição, relacionado com o vigar e o punir e a Grande Reclusão oitocentista de que falou Michel Foucault. Ver-se-á ainda que o preço que o sujeito paga para se alçar à racionalidade passa pelo recalcamento eufórico do prazer da rigidez As febres nos trópicos Na intenção de determinar o significado do corpo fibroso que culminou na aisthesis barroca, irei, como referi, contextualizar e analisar o Ensaio sobre as Febres. Revelarse-ão, sem caberem aqui quaisquer desenvolvimentos, a de-subjectivização do sofrimento e a coisificação da doença; noutra perspectiva, destacar-se-á o inevitável naturalismo da Medicina, a continuidade nos campos epistemológico, epistémico, conceptual e terminológico, a difusão relativamente fácil da Ciência literata e da Técnica, mas, em contrapartida, a sua enorme labilidade quando escasseiam instituições e servidores públicos da Arte 13. O nosso físico-mor oferece-nos na primeira pessoa o seu discurso de apresentação: ( ) Eu não pretendo atribuir esta vantagem à minha ciência, nem os meus talentos, mas sim dos progressos que a Medicina ultimamente tem feito nas mãos dos outros Médicos, de quem eu aprendi. Nem era de esperar, que na continuação de uma iluminada, e industriosa idade, em que todas as artes, e ciências se tem aperfeiçoado, só ficasse a Medicina no seu antigo efeito de atrasamento. Sendo ela uma ciência vasta, e profunda, tem ocupado os maiores engenhos na sua indagação; e a proporção dos seus mistérios se revelam, se vão também fazendo patentes novas maravilhas. ( ) / A obra que eu apresento, só consta de observações feitas por mim, tanto na natureza das enfermidades, como no seu método de cura; porque eu não pretendi engrossar volume ( ). / Na história das queixas fiz algum reparo naqueles sintomas, cujas prognoses achei que concordavam com o que Hipócrates diz em alguns dos seus Aforismos, e por isso os apontei em honra ao mesmo pai da Medicina. É verdade que quando tratei da causa próxima das queixas, de alguma sorte analisei as teorias, hipóteses, e sistemas, que mais prevalecem sobre a matéria; porque o espírito de filosofar é quem indaga a verdade, é quem dá valor á experiencia, é quem produz as descobertas, e é quem remove o empirismo. Bem longe de ser Silógrafo, eu contradisse, e me opus a muitas opiniões ( ) 14. E a sua missão africana foi um sucesso, segundo 11 À maneira de Wilhelm Reich, Klaus Theweleit e Jonathan Littel (2008), aqui não discutidos. 12 F. Gil, 1984, p. 385 e Bachelard, 1938 (1972), pp. 158, 172 (vd adiante 4). 13 Lemos, 1991; Cañizares-Esguerra, Azeredo, op. cit., pp. ix, x. 6

7 escreveu, com mal contido narcisismo: ( ) O abuso das sangrias (que ainda é extraordinário nas Cidades da América, e com particularidade na Baía) cessou de todo em Angola com a morte dos velhos Professores que haviam; com a habilitação dos novos Estudantes, que eduquei por ordem de Sua Majestade; e principalmente com a grande diferença, que fazia o número de mortos do meu tempo, comparado com o dos tempos preteridos. ( ) 15. Quem eram os seus pacientes? Devemos presumir que eram principalmente habitantes livres e alforriados de Angola, servidores da Coroa e membros dos corpos expedicionários, marinheiros e sertanejos, gente de qualquer etnia, como acontecia na outra Costa do tráfico Atlântico e em Lisboa 16. E como se manifestavam as febres, as sezões, as malárias, as disenterias?: ( )Toda a pessoa de qualquer idade, e de qualquer sexo que seja, pode ser atacada de febres remitentes, bem que os homens o são com mais frequência, que as mulheres, e os mancebos que as crianças. Talvez que assim aconteça por serem os homens, e os mancebos mais vezes expostos às causas remotas. É certo que aqueles, que chegam de novo à Costa de África, e não se acautelam do Sol, e de outras causas, pelo costume que trazem de outros climas benignos, são atacados com maior força, e com maior perigo./ O modo ordinário com que atacam as febres remitentes, é principiando por um langor, e pouca actividade, dores de cabeça, inclinação para se deitar, dores pelos lombos, articulações, ossos; inapetência, amargores de boca, náusea, arrepiamentos de frio pelas costas, um pulso frequente, e irregular, e vómitos biliosos.( ) (p. 5) / ( ) Mas quando as forças do enfermo não estão totalmente abatidas, ele chega a levantar-se delirante, passeia pela casa, ou enfermaria, carrega o seu fato, ou o da cama, arroja-se a qualquer precipício, e não conhece a pessoa alguma; mas o pulso apenas se percebe, e ele acaba repentinamente, sem fazer mudança alguma de sintoma.( ) (p.11)/ ( ) Ainda que o delírio seja um dos sintomas que mostra a gravidade da febre, com tudo não é essencial; porque elas são muitas vezes violentíssimas e funestas sem delírio, e sem letargo algum. Assim terminam muitas febres com a morte, quando menos se espera. Porem sempre estas febres, quando querem terminar fatais, fazem uma remissão completa da sua exacerbação. Por isso o Professor necessita ter um exacto conhecimento do abatimento favorável, e do mortal, para lembrar ao enfermo as providências precisas. Este conhecimento se aprende mais pela prática, do que pelas descrições. Com tudo eu sempre farei uma breve narração do que a experiência me tem ensinado.( ) (p.13) 17. É relevante o termo descrições, a referência à descrição, a forma-mãe que assumiu nas Luzes o espírito científico e a inteligibilidade do indivíduo 18. Anote-se ainda: a medicina aprende-se à cabeceira dos doentes. Os grupos de quadros febris tropicais tratados por José Pinto de Azeredo são as febres remitentes, as contínuas, as 15 Ibidem, pp. vii,viii. 16 Com efeito, investigações recentes têm revelado que além das funções profissionais e solidárias das Irmandades e Confrarias, o programa maior subjacente à actividade das centenas de Misericórdias de aquém e além-mar era a instituição de um dos primeiros serviços de Assistência qualificada, reconhecida (e académica ) de Medicina e de Enfermagem às populações; todavia, e lê-se nos regulamentos, com as perseguições da Inquisição vieram as discriminações de sangue para cargos e funções nas Irmandades e Mesas (Abreu, 2007; cp., para o contexto histórico e social, Amaral, 1968, Tinhorão, 1988 e Alencastro, 2002). 17 Azeredo, op. cit. 18 Cassirer, 1966 (ed. 1932), pp. 89, 130 ; F. Gil, 1984, p. 102ff ; Duchesnau, 1998, pp. 241ff ; Marques, 2002, pp. 58,

8 intermitentes, as nervosas (acompanhadas de tifo ou tuphos, prostração acentuada e/ou perda de consciência), as febres intestinais, diarreicas e/ou disentéricas e as complicadas ou associadas ao tétano ou ao tetanismo (espasmódicas e convulsivantes). O seu senso clínico - a recusa de polifarmacoterapia, a prescrição bem calibrada de alguns medicamentos muito activos - é notabilíssimo: tártaro emético, ópio e quina (nas febres remitentes) ou quina, noz-vómica e arsénio branco (nas febres intermitentes); sublinhe-se que, embora não mencione explicitamente o rationale, insiste na ingestão de líquidos, misturas salinas e alimentos leves, dando prioridade ao controlo da hipertermia, da desidratação, das dores e das alterações digestivas. Não cabe aqui um exercício de escrita histórica local e situada, nem cabe falar dos choques culturais na África tropical, encontros que, no plano da higiene e epidemiologia, Azeredo discute com proficiência, como não poderia deixar de ser em região de endemias. Apenas um registo a propósito da análise das causas remotas das febres ( ) Para eu entrar num particular exame das causas remotas das febres, e mais enfermidades de Angola, não posso deixar de ocupar a atenção dos Leitores com uma pequena descrição do mesmo país. O seu terreno, as suas águas, as suas plantas, a sua atmosfera, os seus ventos, os seus costumes, os seus alimentos oferecerão talvez a um espírito indagador interessantes notícias, pelas quais ele descubra os meios mais eficazes de prevenir, e de remediar tantos males. Eu estou bem persuadido, que as enfermidades endémicas dependem de uma só causa comum, que existe na atmosfera, e nos é sempre oculta. ( ) 19. E, socorrendo-se das categorias hipocráticas, o autor, esclarecido e moderno, convoca ainda os eflúvios, os miasmas: sinal dos tempos; a variolização espreitava no virar do século e a bacteriologia viria com Pasteur meio século depois! O principal obstáculo à refutação da teoria dos humores, era, evidentemente, o desconhecimento das estruturas e funções do corpo humano. Uma instituição universitária europeia foi crucial nesse cisão epistemológica: a Escola Médica de Pádua. Primeiro com Vesálio e a sua monumental anatomia De Fabrica de Humani Corporis (1543); depois com Harvey, que, em De Motu Cordis (1628), demonstra ser a actividade cardíaca como a de uma bomba pulsátil e o movimento do sangue circular. A outra escala, microscópica, destacam-se Hooke com a Micrographia (1662), Leeuwenhoeck com o seu microscópio (1683) e Malpighi ao descrever os capilares, (confirmando as hipóteses de Harvey sobre a microcirculação) e ao descobrir os glóbulos vermelhos (1685); mas o impacte mais revolucionário foi a investigação post-mortem anatomopatológica de Morgagni, publicada em De Sedibus et causis Morborum (1761), relacionando as lesões do cadáver com as manifestações da doença. Lição que José Pinto de Azeredo transmite aos discípulos; no seu escrito refere casos complicados que podem ocorrer: ( ) Se o doente resiste felizmente ao terceiro, e ao quarto parocismo, e fica livre de febre, (e) lhe sobrevem outros males, que não são de menos consequência, que a mesma febre; porque achando o enfermo abatido, os remédios se fazem impraticáveis, e a nova queixa mortal. A disenteria é uma delas, que vindo no fim das febres, raras vezes é vencida ( ) 20 e menciona os exames post-mortem que a olho nu (e, provavelmente, ao microscópio) executou e a interpretação pessoal e correcta de lesões viscerais, por exemplo, em casos de complicações disentéricas com pus e sangue. Assim o saber (a teoria) cresce em objectividade e a experiência (a prática) em acribia: como sempre na clínica, disciplina prudencial de quem - sem temor da incerteza - se 19 Azeredo, op. cit., p Azeredo, op. cit, pp.16s. 8

9 abeira do doente para o tratar, da doença para a julgar 21 e/ou do cadáver para o examinar. Repetindo o discurso do mestre da verdade, do indivíduo e da morte, o físicomor de Angola invectiva os seus oponentes e adversários: Eu me atrevo a dizer, que mais febres se curão sendo totalmente desprezadas, do que sendo sangradas Fibras, nervos e espasmos Segundo Glisson a fibra, robur insitum, objecto híbrido (à maneira de Bruno Latour, entre natureza e cultura ou, de F. Gil, entre dispendium e compendium) e operador baconiano, é, não só, o factor determinante da contracção e da relaxação dos músculos, mas as estruturas fibrilares inorgânicas e orgânicas são, também, mediadoras das alterações da composição e do movimento de fluidos e sólidos. Glisson defendeu uma original teoria não dualista da Vida, a vida como percepção natural ou percepção sensitiva, geradora dos apetites e das acções. Através da doutrina de Friedrich Hoffman, mecanicista e organicista e contra a de Georg Stahl, químico e vitalista e criador da teoria do flogisto, o ilustre médico carioca perfilha, explícita mas criticamente, o sistema teórico-prático de William Cullen ( ), professor em Edimburgo, que atribui às actividades do sistema nervoso e das fibras nervosas o papel hegemónico na economia 23. Veja-se a formulação de Azeredo: ( ) Hum espasmo formado nas fibras moventes de extremos vasos, particularmente daqueles da superfície da cutis, vem a ser a causa próxima das febres em geral. ( ) (p.33) ; ( ) Eu estou bem persuadido, que em todas as febres, ou sejam inflamatórias, ou nervosas, existe espasmo na superfície do corpo. As fibras moventes um vez que se perturbam, e perdem o seu estado natural, propendem imediatamente para o espasmo, por uma lei geral de economia animal. ( ) (p.34) / ( ) sendo a debilidade e o espasmo anexo a ela a causa próxima das febres nervosas. (p.34) / ( ) A intermissão não é efeito da debilidade que causou a febre, mas é efeito do paroxismo, que conseguiu remover o espasmo. (pp. 34,35) / ( ) Em algumas (febres) tenho visto abrirem-se chagas no fim logo de cinco, ou seis dias por todas aquelas partes do corpo, que se comprimem com o seu mesmo peso, e contínua postura ( ) Estas chagas bem provam, que o princípio de vida é já muito fraco, e que as partes do corpo se destroem por terem perdido o seu tono. / O tremor das mãos é outro sintoma muito comum, e muito funesto. Este se aumenta à proporção, que o pulso se some, e que o delírio cresce, e continua ainda pelo tempo do abatimento. O tremor prognostica uma suma debilidade induzida nas fibras moventes pelo excitamento da febre, e juntamente perigo para o crescimento seguinte./ Em outras febres aparecem pintas lívidas, e de uma cor pálida, que nunca se levantam acima da cútis. Esta erupção é confluente, e ataca braços, pernas, costas, peito, e raras vezes a face. Não posso considerar estas petéquias como críticas ( )./ É muito necessário haver cautela de não confundir estas petéquias com aquelas, que nascem do escorbuto, que muitas vezes se complicam com a febre, e principalmente na Costa de África. Não é 21 Para esta expressão canónica vd Marques, 2002, p. 153 e Pigeaud, Azeredo, ibidem, p. 79; sobre os mestres da verdade vd Marques, 2008 (apud G. Lloyd e M. Detienne). 23 Cullen, Elementos de Fysiologia (Lisboa, 1790, pp. 3, 4): As partes solidas do corpo parecem ser de duas especies: as propriedades de huma são as mesmas no cadáver, que no corpo vivo ( ); Julga-se que há na segunda espécie huma organização, ou huma addição particular, ( ) que se podem chamar sólidos vitais, constituem a parte fundamental do systema nervoso ( ) ; e nos seus Elementos de Medicina Practica (Lisboa, 1792, VII, pp. 98,99), acerca da Febre, escreve: A atonia dos vasos menores he huma das principais circunstancias de sua causa próxima ; O espasmo forma a principal parte da sua causa próxima ; sua causa próxima reside no systema nervoso ; suas causas remotas são de natureza sedativa. (Com os meus agradecimentos a Maria da Conceição Maia). 9

10 difícil distinguir se elas são sintomas da febre, ou de uma diátese escorbútica, que prevalece no sistema. ( ) (pp. 23,24) 24. O que é assim inscrito na economia animal do febricitante? O que fica assim selado na natureza do corpo fibroso? De onde provém essa pulsão cordonal, esse constrangimento lenhoso, essa amarração visceral - ia a dizer, esse estilo cognitivo vegetal? Uma ordem de razões submersa, inconsciente, poderá derivar dos padrões mentais e morais do Império e do imperialismo talássico: terá o sentido messiânico germinado no Ocidente com o carácter agonista da Grécia (Geoffrey Lloyd insistiu neste último traço distintivo da civilização helénica) e o expansionismo de Roma, marcando o espírito individualista, competitivo e marcial da nossa cultura? Estará Kuriyama a diagnosticar correctamente a doença ocidental quando invoca as fúrias, o esforço, o stress, o poder musculado e carismático, em contraste com o (clássico e passado) pathos oriental fusional, sereno, contemplativo, terapêutico? 25 Não me parece que seja só por aqui pois a natureza humana foi, e será sempre a mesma em todas as idades, e em todas as naçoens, como insistia, singular e significativamente, José Pinto Azeredo no Ensaio sobre Algumas Enfermidades de Angola 26. É um dado assente que, para além da observação e testemunho ocular do anatomista que agora disseca e observa em pessoa, não se limitando a ler os escritos anatómicos de Galeno enquanto um ajudante ou um barbeiro-cirurgião disseca e da corroboração dos espectadores (e as dissecções eram espectáculos públicos no Jardin du Roi em Paris no tempo de Luís XIV), outras transformações sócio-culturais se associaram para o derrube do Galenismo, nomeadamente a proliferação de Universidades e a fundação e Academias. A nova abordagem da clínica, caracterizada pela atribuição de um estatuto ontológico realista à doença e pela acribia na descrição, levada a cabo por Thomas Sydenham, dá igualmente um contributo decisivo para a constituição da biomedicina moderna. Mas serão o atomismo (a química), a mecanização do mundo e a teoria materialista os determinantes substantivos da revolução moderna das ciências. Em medicina, este movimento das ideias ficou conhecido por iatrofísica e deveu-se a Giovanni Borelli autor de De Motu Animalium e a Giorgio Baglivi, eminente clínico, solidista e autor de De Fibra Motrice et Morbosa. Porém, foi Hermann Boerhaave - cartesiano e polimata já mencionado, professor na Universidade de Leiden, o mais prestigiado dos médicos do seu tempo -, o reformador do ensino médico na Europa Moderna. Ribeiro Sanches foi um dos seus discípulos (repetiu em Leiden a licenciatura) e um dos mais notáveis dos seus pares. Virá de outro aluno, La Mettrie, a dedução das últimas consequências ideológicas da teoria da fibra de Glisson e do mecanicismo de Descartes. Num opúsculo famoso, L Homme Machine, saído sob pseudónimo em 1748, estabelece os fundamentos de um materialismo que, hoje, nos surpreendem pelo carácter brando, flácido e pelicular: ( ) Voilà beaucoup plus de faits qu il n en faut, pour prouver d une manière incontestable que chaque petite fibre ou partie des corps organizés se meut par un principe qui lui est propre, et dont l action ne dépend point des nerfs ( ) 27. Azeredo, cuja dissertação de doutoramento foi defendida pouco depois em Leiden (sobre o escorbuto ou mal-de-loanda) toma uma posição pragmática e principial: ( ) A física nos fornece princípios sólidos, de que tiramos consequências abstractas; estas consequências ficam servindo de regras genéricas, e são ao mesmo 24 Azeredo, op. cit. 25 Kuriyama, Azeredo, op.cit.,p. 14 (e exórdio) 27 La Mettrie, 1981, pp. 133, 207. Registe-se que o acto espasmódico que La Mettrie cita, neste pequeno mas decisivo texto, é a erecção genital. 10

11 tempo novos princípios, por onde se descobrem outras verdades físicas, que os nossos sentidos as não conheciam. Assim se dão mutuamente as mãos, e assim devem sempre ser inseparáveis: uma sem a outra nunca fará progressos. ( ) 28. Este o devir e o destino da teoria da irritabilidade, do tono muscular, da passio fibrilar, do corpo fibroso de Glisson 29 : culmina na ideologia anti-galénica e no solidismo barroco. Crispa um corpo couraçado, potenciando - sem o perceber - a centralidade da doença e do olhar necróptico; a evidência clínica submete-se doravante à prova crucial do exame do cadáver na mesa de Morgagni, e, pouco depois, a(pro)-fundar-se-á na busca da explicação no reducionismo micro-estrutural. O solidismo microscópico estabelece a fibra como elemento essencial dos órgãos; requer a resolução a minimis para o conhecimento da função e irá evoluir no sentido de considerar facultativa a própria doutrina mecanicista 30. Na perspectiva da história biologia, a teoria das fibras, por um lado, e o sucesso (clínico) da teoria das membranas e dos tecidos de Bichat, por outro, constituíram, independentemente, os maiores obstáculos epistemológicos ao reconhecimento da existência e universalidade da célula e da estrutura celular dos tecidos e fibras 31. No campo da medicina, o império da escuta e do olhar clínicos (o faro clínico, como soía dizer-se) será suplantado pelo poder instrumental de uma óptica cada vez mais objectiva, depurada e resolutiva. Rigor. Evidentemente que o exemplum do espasmo é o orgasmo. E é muito sintomático que o nosso Physico-mor Dr. José Pinto de Azeredo se não exima de oferecer o incrível testemunho (que aqui não poderemos analisar cabalmente): ( ) A crápula abate o vigor de todo o sistema, perturba a energia do cérebro, diminui a sensação dos nervos, faz as fibras moventes perder a força do seu movimento, e inabilita os sólidos a exercitar as suas funções. Semelhante transformação dos corpos não pode deixar de motivar enfermidades gravíssimas./ Os excessos venéreos são outra causa produtora de febres. Eles tiram todo o vigor, enfraquecem a estrutura, empobrecem o sangue do seu bálsamo, abatem todas as forças, fazem emagrecer, e viver pouco tempo homens de uma configuração robusta, e formados para viverem um século. Estou bem persuadido, que um só acto venéreo em África produz tanta debilidade, quanta pode induzir uma larga sangria. ( ) Este abatimento traz consigo desordens mortais, das quais a mais frequente em todo o país de África é a febre. ( ) 32. Que dizer, quando pela Europa se acreditava no kaulus, na geração espontânea, no ovismo, no animalculismo, na criação adâmica e no pré-formismo, na fixidez das espécies, etc.? Julgo que devemos levar à letra o Dr. José Pinto Azeredo e perguntar-lhe a que corpos se referia e que devassa o impelia. E interpretar à luz da História da Sexualidade de Foucault o que fica por explicar: temeria ele a violência do acto venéreo, a despesa, a morte? Revela o eurocentrismo bem-pensante e eufórico da Ciência Europeia (mas Azeredo era do Brasil, já então uma cultura crioula, porém fora formado na Europa do Norte ). Ou trai o seu, putativo, etnocentrismo burguês e/ou 28 Azeredo, op. cit., pp. 29, Duchesneau, 1998, pp. 189 ; Starobinsky, 1997, p. 105ff. 30 Duchesneau, 1998, pp. 183, 195. Cp. Cassirer, 1966, p. 65; Cardoso, 2008a,b, Giglioni, Note-se que a descoberta princeps da célula data de 1665 (Micrographia de Hooke) e os trabalhos microscópicos decisivos de Malpighi e de Grew datam de Passaram oitenta longos anos até Buffon e Maupertius revisitarem e defenderem a monadologia celular e a prova decisiva esperou ainda meio século pelas investigações em células vegetais de Schleiden e Schwann em 1838/1839. Qv Teulón, 1983, Duchesnau, 1991; cp. Canguilhem, 1965 (1992), pp. 43ff, Azeredo, op. cit., pp. 57,59 (recorde-se o dito para o final do 1). 11

12 colonial? Mas aparentemente Azeredo, tal como as Misericórdias, não excluiria ninguém segundo critérios religiosos, sociais ou étnicos e menciona explicitamente a gente preta e muitos brancos filhos do paiz, os europeus e os inúmeros escravos 33. Será delirante adivinhar aqui o prenúncio tropicalista do corpo assexuado e encarcerado, ou, em alternativa, o vulgar e banal narcisismo de morte? Ou, mais modestamente, um resto do galenismo, resquício dos não-naturais no raciocínio etiológico? É que, logo a seguir ao excerto acima transcrito, se mostra: ( ) Alem destas há outras, que igualmente excitam, ou ao menos concorrem para a origem das febres. E assim o abuso das graves, e pesadas ceias, que trazem indigestões, quando o estômago debilitado não pode suportar a imprudente gula; as contínuas vigílias de noites inteiras, que por mais inocentes que sejam, perturbam a boa ordem das funções, e tiram um dos sustentos do corpo, que é o sono, e pouco asseio nos vestidos influem muito no acesso das moléstias. ( ) 34. Discutindo as causas próximas das febres o physico-mor informa-nos no começo do argumento que ( ) querendo indagar a causa próxima das febres para entrar num método de cura cientifica, e não empírico, me vejo obrigado a discorrer metafisicamente, e tirar consequências, que sirvam de noções genéricas para este mesmo fim. Ainda que muitos sustentam, que as teorias são de nenhuma utilidade, contudo eu não as posso separar da prática. ( ) 35. Idêntico discurso se aplica às causas remotas. Como diria um opositor realista: aqui está um conglomerado residual de elementos de explicação teológica (os não-naturais), metafísica (os humores) e positiva (a observação e a descrição objectiva). Esta última camada manifesta-se melhor na sua contestação de uma das mais indiscutíveis fundações da práxis médica, a doutrina da crise, de que uma expressão importante era a regra dos dias críticos; também aqui o médico carioca é sensato e adiantado 36. Diz judiciosamente: ( ) Os Médicos, que observam cuidadosamente, e às cegas as doutrinas de Hipócrates, ainda hoje esperam nas febres pelos dias críticos. Alguns Autores do presente século fazendo-se uns meros copiadores das doutrinas antigas, deixaram de reflectir sobre elas, e fizeram passar para os nossos dias o inviolável respeito das suas opiniões. O mesmo Cullen, meu sábio Mestre, sendo um homem livre, e eclético, caiu no mesmo dos dias críticos. Cullen sustenta a doutrina de Hipócrates de semelhantes dias, trazendo por prova os movimentos periódicos, que se observam continuamente na economia animal, tanto no estado de saúde, como no de moléstia./ Porém os exactos movimentos observados por Cullen no estado de saúde, provem visivelmente de causas físicas, que também obram por períodos. Os exactos movimentos observados nas moléstias, não provêm da força medicatriz da natureza, descoberta por Stahl, e sustentada pelo mesmo Cullen, mas sim de outras causas, que em seu lugar serão descritas. Eu observo febres terminarem tanto nos dias chamados críticos, como nos dias não críticos. A opinião de Cullen é pouco provável. A invenção dos dias críticos faz com que o Professor, esperando pela crise, deixe de continuar com os remédios necessários naquela mesma ocasião, em que eles mais sejam precisos, e em que talvez decidam da vida do enfermo. Queiram muito 33 Ibidem, p. 53f. Hipótese que requer verificação textual. Claro que, conforme o seu ethos racionalista e pré-positivista, oficiante hipocrático e mestre da verdade, despreza liminarmente a medicina tradicional que é duvidoso tivesse estudado ou investigado (Azeredo, op. cit., pp. 52,53); cp., para a medicina banto, Eric Brossard, Ibidem, p. 59. A doutrina do grande sacrifício do macho, a perda do fogo seminal no acto venéreo, como evidenciado pela depressão pós-coital (Bachelard, 1938 (1972), p. 87) pode estar subjacente ao temor do médico carioca porventura acentuado pelas labaredas do amor no Trópico. 35 Ibidem, p Cp Pigeaud,

13 embora admitir os críticos, com tanto que eles não sirvam de embaraço para a continuação dos remédios necessários ( ) Conclusão: a alegria na rigidez Este trabalho não constitui um exercício de investigação da arqueologia do olhar clínico a propósito de uma obra de um médico ilustrado que exerceu o ensino e a clínica em Loanda na época da Revolução Francesa, para quem ( ) Hum espasmo formado nas fibras moventes de extremos vasos, particularmente daqueles da superfície da cútis, vem a ser a causa próxima das febres em geral ( ); ( ) sendo a debilidade e o espasmo anexo a ela a causa próxima das febres nervosas ( ) 38. Tentei perceber o que estava subjacente a esta convicção em termos de representação do corpo, de Ars Medica e, mais superficialmente, o seu significado para a história das ciências biomédicas. Era o tempo da descoberta da química da respiração e da digestão, da física do vácuo e das trocas térmicas que deitaram para o balde as velhas teorias do calor vital e do calórico, da cocção e do flogisto como órgãos autopsiados sem valor - gesto e ideologia científica que Azeredo partilhava. A geração seguinte de clínicos, mormente da Escola de Paris, com Pinel e Bichat, através do desenvolvimento da anatomia patológica e sua articulação com os quadros clínicos rigorosamente desenhados (a medicina expectante, menos intrusiva, favorecia a descrição precisa da história natural da doença), compreendeu que as lesões morfológicas não eram as causas das doenças mas os seus efeitos mais ou menos específicos. Porém, em contrapartida, a linguagem da medicina fazia-se contaminar pela linguagem do mórbido, do cadáver: cada vez mais se impunham as observações post-mortem e in vitro para a fixação da boa prática à cabeceira do doente, uma mortalha, uma contradição, simultaneamente antagónica e definitiva. Para além do bem e do mal, durante o século seguinte, a fibra transforma-se na célula, a unidade explicativa universal da matéria viva. Pigeaud, uma autoridade da história da Medicina e um estudioso da philosophia togata, diz algures, sibilinamente, que Cícero teria promovido a conversão do espasmo em juízo. Estranha afirmação. Ora, este curto ensaio parece esclarecer e suportar uma tese de epistemologia, avançada há anos por Fernando Gil 39 : Depois de Descartes, ninguém melhor que Bachelard terá avaliado o preço que o sujeito paga para se alçar à racionalidade ( ). ( ) Não há pensamento científico sem recalcamento. ( ) Todo o pensamento coerente é construído sobre um sistema de inibições sólidas e claras. Há uma alegria da rigidez na base da alegria da cultura ( ) 40. E aqui está a passagem do argumento do espasmo ao espasmo do argumento: a teoria moderna do corpo fibroso e a mecanização do mundo parecem conspirar, em segredo, nas fundações recalcadas da era da Razão. E da vontade geral e da soberania popular. Na historiografia da Medicina, obtive ainda, creio, indicações que apoiam as propostas fascinantes e polémicas de Michel Foucault: a transfiguração de uma causalidade inter-nosológica cujo papel é o inverso da simpatia e de uma espacialização primária da doença: a medicina das espécies situa a doença num campo de homologias onde o indivíduo não pode ter um estatuto positivo. 41. De Sydenham a Pinel a doença teve origem e rosto numa estrutura geral de inteligibilidade que implica a Natureza e a ordem das coisas - o quadro - e apenas depois de Bichat terá como fundo, temporariamente, a vida; a 37 Azeredo, op. cit., p Ibidem,p F. Gil, F. Gil, 1984, p. 385s (remetendo para A Psicanálise do Fogo de G. Bachelard) 41 Foucault, 1990 (1963), pp. 10 e 14 respectivamente. 13

14 biologia encarregar-se-á de a expulsar. A espacialização secundária da doença exige a percepção do singular, a espacialização terciária convoca o espaço nosográfico hospitalar que hoje conhecemos: no plano da ciência, os laboratórios e as técnicas de anatomopatologia, química, bacteriologia e imagem 42. A caminho de uma Medicina Molecular e de uma espacialização quaternária ou gestão pública da doença: ubíqua e, agora, também in silica, política fria, manipuladora e espectacular, salvífica e obscena, que faz, por fim, jus ao corpo-crispado e seco, ao corpo-poro sem órgãos? O tipo de questões que permanecem na agenda da História das Ideias, da Epistemologia Histórica e da Filosofia da Medicina já não é: como é a anatomia funcional do corpo? o que é esta doença? a medicina é ciência? Não obstante, subsistem aporias em regiões ontológicas básicas e, claro, nos fundamentos epistemológicos e nas fundações epistémicas 43. Por exemplo: qual o mecanismo, qual a explicação genética e epigenética de uma doença complexa como diabetes mellitus de tipo I?; como é possível o movimento ou outra actividade voluntária?; como descrever as polaridades da experiência subjectiva, um delírio de grandeza? Em Medicina Clínica, e são cada vez mais visíveis os prejuízos do seu actual divórcio das Ciências Humanas e das Humanidades (como as melhores Escolas já verificaram ao criarem disciplinas como Medicina Narrativa), destacam-se dois problemas aporéticos fundamentais: (i) o do sentido ou do valor (que impregna vivências, agentes, actos, inquirições e resultados) e (ii) o do indivíduo ou do singular (o doente, ou doença ao traço ou ao acontecimento histórico e sócio-cultural). Aqui tratei um objecto híbrido: a fibra, o corpo fibroso. Situa-se na terra de ninguém entre aquelas duas problemáticas e contribui para devolver pertinência e actualidade a uma esquecida lição de Aristóteles que condiciona a solução da segunda: que o indivíduo é indeterminado e não objecto de uma ciência, que a medicina não especifica o que é remédio para Sócrates mas para as pessoas da sua condição. Justifica-se, por conseguinte, voltar a estudar a epistemologia histórica de Fernando Gil. Invocando o tudo está já em nós de Anaxágoras, F. Gil opõe, com felicidade, o momento dialéctico da prodigalidade, do excesso, do dispendium da natureza e o da enciclopédia, do compendium da cultura: ( ) se o conhecimento científico se afigura artefactual, em que sentido permanece ele uma descrição? que indubitavelmente é, por muito que pese aos idealismos operacionalistas ou às veleidades de desconstrução, senão de autocrítica da ciência ( ). Ora tanto a construção como a neutralidade científica são ambas condições necessárias da objectividade assim se reencontrando a aporia da representação ( ). 44 ( ) Todavia, nos factos, só raramente os objectos são bem construídos e jamais o sujeito é inteiramente normalizado. Por isso, o regime de decibilidade das soluções só ocasionalmente será claro e as interrogações sobre o sentido em princípio mal colocadas nunca conseguem ser perfeitamente recalcadas. São essas as causas profundas das controvérsias ( ). 45 Mas perdida a pureza do conhecimento objectivo (como largamente deixei documentado), desaparecidos clínicos apaixonados (investigadores da fibra de Boerhaave, Cullen e Azeredo) e decifrado o mito do sujeito virginal (pela teoria da 42 Ibidem, p Estas tratadas em Marques, F Gil, 1984, p Ibidem, p

15 entre-expressão), quem é? E qual o saber e o trato da Natureza produzidos hoje pelas ciências biomédicas? Bibliografia Abreu, L. et al (Eds): Dynamics of Health and Wellfare. Lisboa, Colibri, 2007 De Alencastro, L. F.: O Trato dos Viventes. Formação do Brasil no Atlântico Sul. Séculos XVI e XVII. São Paulo, Companhia das Letras, 2000 Amaral, I.: Luanda. Estudo de Geografia Urbana. Coimbra, Atlântida, 1968 (Caps. I e II) Azeredo, J.P.: Ensaio sobre Algumas Enfermidades de Angola, 1799, ed. facsimilada, Luanda, 1967, Instituto de Investigação Científica de Angol. Edição e prefácio de Dr. Mário Milheiros Bachelard, G.: A Psicanálise do Fogo. Lisboa, Estúdios Cor (orig, 1938) (trad. Mª I. Braga). Bacon, R.:Novum Organon, 1620 in B. Vickers, Francis Bacon, A Critical Edition of Major Works. Oxford, Oxford University Press, 1996 Brossard, E.: La Médecine Traditionnel Au Centre et à L Ouest de l Angola. Instituto de Investigações Científicas e Tropical, Lisboa, 1996 Cañizares-Esguerra, J.: Nature, Empire and Nation. Explorations on the History of Science in the Iberian World. Standford, Standford University Press, 2006 Canguilhem, G.: La Connaissance de la Vie. Paris, Vrin (1965) ----.: Ideologia e Racionalidade Nas Ciências da Vida. Lisboa, Ediões 70, 1977 (trad. F. Camilo) Cardoso, A.: Vida e Percepção de Si. Figuras da Subjectividade no séc. XVII. Lisboa, Colibri, : A abertura de novos mundos: a via médica in C, Sekellarides, M.V.Alves (eds) Lisboa, Saúde e Inovação, Lisboa, Gradiva, 2008; pp Cassirer, E.: La Philosophie des Lumières. Paris, Fayard, 1966 (orig. 1932) (trad. P. Quillet) Cullen, Elementos de Fysiologia, trad. da ed. ingleza pelo Dr. Bosquillon, e do francez por Francisco José de Paula, Lisboa, Typographia Nunesiana, :Elementos de Medicina Practica, tomo 7, trad. da 4ª e última ed. ingleza pelo Dr. Bosquillon, e do francez por José Manoel Chaves, Lisboa, Regia Typographia Silviana, 1792 Duchesneau, F. : Comment est né la Théorie Céllulaire. La Recherche, 22, 237 : , 1991 Duchesneau, F. Les Modèles du Vivant de Descartes à Leibniz, Paris, Vrin, 1998 Foucault, M.: La Naissance de la Clinique. France, Quadrigue, 1990 (1961) Giglioni, G. : The Genesis of Francis Glisson s Philosophy of Life. PhD dissertation, Baltimore, Maryland, 2002 Gil, F. Mimésis e Negação. Lisboa, Imprensa nacional/casa da Moeda, 1984 Godinho, A.: Linhas de Estilo. Estética e Ontologia em Gilles Deleuze. Lisboa, Relógio de Água, 2007 Kuriyama, S.: The Expressiveness of the Body. The Divergence of Chinese and Greek Medicine. New York, 1999 La Mettrie, J.O.: L Homme Machine (orig. 1748), Paris, Dénoel-Gonthier, (Ed, apres. e notas Paul-Laurent Assoun) Lemos, M.: História da Medicina Portuguesa (vols. 1 e 2) Lisboa, Dom Quixote, 1991 (2 a ed.) (orig. 1899) Littell, J.: Le Sec et l Humide. Une brève incursion en térritoire fasciste. France, Gallimard Marques, M.S.: A Medicina Enquanto Ciência do Indivíduo. Dissertação de Doutoramento, : Minando as Fundações, In AAVV A Razão Apaixonada, Homenagem a Fernando Gil. Lisboa, IN/CM, 2008, pp Marques, M.S., Ferreira, C.M.: Contágio: contribuição para a Epistemologia e a Ética da Saúde Pública, Acta Med Port (ed. on line), 2009, aceite para publicação Pigeaud, J.: Aux Portes de la Psychiatrie. Pinel, l Ancient et le Moderne. France, Aubier, : La Crise. Nantes, Cécile Défaut, 2006 Stafford, B.M. : Body Criticism. Imaging the Unseen in the Enlightenment Art and Medicine. Massachussets, MIT Press, 1993 (1991) 15

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