Avaliação de Propriedades Mecânicas de Materiais Alternativos para Aplicação em Camadas de Cobertura de Aterro Sanitário

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1 Avaliação de Propriedades Mecânicas de Materiais Alternativos para Aplicação em Camadas de Cobertura de Aterro Sanitário Nome do Autor 1 (Os nomes dos autores devem constar apenas na versão final) Instituição, Cidade, País, Nome do Autor 2 (Os nomes dos autores devem constar apenas na versão final) Instituição, Cidade, País, RESUMO: Com o aumento dos resíduos sólidos urbanos devido ao crescimento da população e da industrialização, a disposição final desses resíduos deve ser gerenciada de uma forma ambientalmente adequada para previnir doenças e manter a saúde e bem estar da população. O aterro sanitário é uma solução viável para a disposição desses resíduos, pois permite o confinamento seguro em termos de controle de poluição ambiental e proteção à saúde pública, minimizando os impactos ambientais. No presente estudo, é analisada a viabilidade de reforço de um solo tropical adicionando fibras de Politereftalato de Etileno PET, avaliando as propriedades mecânicas deste composto. O solo utilizado foi coletado na Região Administrativa de Samambaia, entre a DF-180, km 52 e o córrego Belchior, local próximo à Estação de Tratamento de Esgoto da CAESB. As fibras PET são provenientes de garrafas cortadas em filetes de diferentes comprimentos. Uma parte das amostras foi submetida a um processo de frisamento para avaliar a influência do perfil longitudinal da fibra no comportamento do composto. Baseado em estudos anteriores, a quantidade de fibras adicionada nas misturas foi de 0,4%, em relação à massa de solo seco, e os comprimentos da fibra foram de 1 cm e 3 cm. O objetivo deste trabalho é avaliar a influência do comprimento e da forma da fibra, lisa ou sanfonada, no comportamento do compósito solo+pet e comparar o comportamento mecânico entre as misturas solo+pet e solo puro. Foram realizados ensaios de resistência à compressão simples e tração por compressão diametral. Concluiu-se que a adição de fibras modificou no comportamento mecânico do solo, apresentando assim, melhor desempenho geral em termos de deformação e de resistência secundária. PALAVRAS-CHAVE: Resíduos Sólidos Urbanos, Aterro Sanitário, Materiais Alternativos, Fibras PET, Comportamento Mecânico. 1 INTRODUÇÃO A geração de resíduos faz parte do ciclo diário das pessoas, porque todo produto que se adquire ou consome será um resíduo no futuro, além dos resíduos produzidos para gerar o próprio produto. Portanto, os resíduos estão sempre presentes nas comunidades e com o crescimento populacional e a industrialização essa quantidade aumentou substancialmente e tende a continuar crescendo. Um grande motivo de preocupação para a população é o local para disposição adequada e segura desses resíduos. A disposição final dos resíduos sólidos no Brasil ainda é uma questão problemática, de acordo com a Pesquisa Nacional do Saneamento Básico realizada em 2008 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os lixões ainda são muito utlilizados como disposição final de residuos, principalmente no Norte e Nordeste. Os lixões são uma forma inadequada de disposição final de resíduos sólidos, que se caracteriza pela simples descarga do lixo sobre o solo. Os resíduos ficam expostos sem nenhum tratamento que evite as conseqüências ambientais e sociais negativas. O aterro controlado é uma solução intermediária entre o lixão e o aterro sanitário. Geralmente é uma célula adjacente ao lixão que foi remediado, ou seja, que recebeu cobertura de solo argiloso, e grama (idealmente selado com manta impermeável para proteger a pilha da água de chuva) e captação de chorume e gás.

2 Já um aterro sanitário é uma solução de engenharia para receber e tratar o lixo produzido pelos habitantes de uma cidade, para reduzir ao máximo os impactos causados ao meio ambiente. Atualmente é uma das técnicas mais seguras e de mais baixo custo. 2 ATERRO SANITÁRIO Segundo NBR 8419 (ABNT, 1992-a), aterros sanitários constituem uma forma de disposição de resíduos no solo que, fundamentada em critérios de engenharia e normas operacionais específicas, permite o confinamento seguro em termos de controle de poluição ambiental e proteção à saúde pública, minimizando os impactos ambientais. Na Figura 1 são indicados os principais elementos de um aterro sanitário. Figura 1. Figura Esquemática de um Aterro Sanitário. As vantagens de um aterro sanitário são: grande recepção de resíduos; permite a disposição correta desses resíduos; redução de riscos de poluição ambiental; evitam a transmissão de doenças, não contaminando as águas e protegendo também o solo e o ar; diminuição dos riscos de incêndios; fomenta o emprego e protege a qualidade de vida das gerações futuras. As desvantagens são: construção que exige grandes extensões de terras; uma constante necessidade de acompanhamento dos processos construtivos e uma verificação dos parâmetros ambientais e geotécnicos durante toda a vida do aterro. 2.1 Camada de Cobertura A camada de cobertura final é feita quando a capacidade do aterro está esgotada, com uma espessura média de 60 cm ela recobre todo o aterro. Após o recobrimento deve-se plantar gramas dos taludes definitivos visando proteger contra a erosão. Essa camada tem como função controlar a entrada de ar e água para dentro do aterro, minimizar a saída de gás para fora do aterro, redução de odor, vetores de doenças, além de facilitar a recomposição da paisagem. Os fatores que influenciam na confecção da camada de cobertura são: o tipo e a classe dos resíduos, o balanço hídrico e o clima do local, a estabilidade de taludes do sistema de cobertura e a recuperação da área do aterro. 3 COMPORTAMENTO MECÂNICO DOS MATERIAIS 3.1 Resistência à Compressão Simples (RCS) Este ensaio é preconizado pela NBR (ABNT, 1992-b) no qual determina a resistência à compressão simples sem confinamento lateral, que é o valor da pressão correspondente à carga que rompe um cilindro de solo submetido à um carregamento axial. A resistência a compressão é o valor da carga máxima de ruptura do material ou o valor da pressão correspondente à carga na qual ocorre deformação específica do corpo de prova de 20%, naqueles casos em que a curva tensão x deformação axial não apresenta pico. 3.2 Resistência à Tração por Compressão Diametral (TCD) A resistência à tração é um importante parâmetro para a caracterização de materiais, porém se tem uma dificuldade em se obter a resistência à tração diretamente. Neste sentido, foram desenvolvidos vários métodos indiretos para a sua determinação, um método interessante foi o ensaio brasileiro de compressão diametral para determinação indireta da resistência à tração desenvolvido pelo Professor Lobo Carneiro para concretocimento (Carneiro, 1943). A aplicação de duas forças concentradas e diametralmente opostas de compressão em um cilindro gera, ao longo do seu diâmetro, tensões de tração uniformes

3 perpendiculares a este diâmetro. A NBR 7222 (ABNT, 2011) apresenta o procedimento descrevendo o ensaio de resistência à tração por compressão diametral. O corpo de prova cilíndrico é deixado em repouso ao longo de uma geratriz sobre o prato da máquina de compressão. Logo após, deve-se centralizar e alinhar o corpo de prova no dispositivo de compressão diametral. A carga é aplicada continuamente, sem choque, até a ruptura do corpo-de-prova. 3.3 Interação Solo-Fibra O solo como material construtivo é usado a tempos imemoriais pela humanidade. No entanto, o mesmo apresenta um espectro e amplitude de resistências a esforços externos bastante pobre. Para superar a limitações do solo e melhorar suas propriedades começou-se a reforçar o mesmo com uma gama de diferentes tipos de fibras. A categoria de fibra utilizada neste estudo foi de natureza polimérica, que é composta de cadeias carbônicas longas, ocasionalmente tratadas com outros elementos químicos. Uma fibra é definida pelo seu monômero, ou a menor unidade de sua cadeia, que é então disposta espacialmente em longas fibras e pode ser moldado de diversas formas. Dentre as fibras poliméricas de uso corrente na geotecnia podese citar: polipropileno, aramida, poliéster e polietileno O polietileno tereftalato (PET) é o poliéster com o maior volume produzido atualmente e foi usado como material para reforçar solos no projeto. Há diferentes formas com as quais as fibras de PET interagem com o solo, e alguns dos principais parâmetros usados para verificar a influência do mesmo é a resistência e deformabilidade. De acordo com Curcio (2008), o solo representa uma matriz que dispõe espacialmente o material no compósito e dessa forma distribui os esforços entre as fibras em si e a matriz de solo. E dentro dessa composição as fibras aumentam a rigidez e a resistência do material unido, dessa forma reduzindo a abertura e o aumento na distância entre as fissuras. Ao contrário de Curcio (2008), Taylor (1994) considerava que a presença das fibras na matriz de solo não impedia a geração de fissuras, mas sim atuava de forma a impedir a propagação das mesmas. Dessa forma, as fibras atuariam como controladores ou moderadores de fissura, distribuindo as tensões de forma mais homogênea dentro da matriz. Associado a essa hipótese de fibras distribuindo tensões, o autor propôs que as fibras em um estado pósfissuração, ou após alguns ciclos atmosféricos, trabalhariam de forma efetiva. O comprimento da fibra tem uma influência principalmente na propriedade que se deseja melhorar, para uma mesma taxa de material, comprimentos menores melhoravam a resistência e comprimentos maiores aumentava a ductilidade. Em relação à orientação, existem duas principais distribuições entre as fibras: paralelo ao eixo longitudinal, no qual as fibras estão paralelas entre si, alinhadas em um único sentido, ao longo do comprimento da matriz e um alinhamento randômico ou aleatório, em que não há uma única distribuição de alinhamento, mas sim variados ao longo de toda a matriz. Uma disposição aleatória apresenta dessa forma duas vantagens sobre uma disposição alinhada a um eixo pré-determinado: Inexistem planos de ruptura preferenciais devido à dificuldade de deslizamento entre as fibras ou envoltórias de menor resistência e minimiza o surgimento de anisotropia. 4 METODOLOGIA 4.1 Caracterização dos Materiais O solo utilizado na pesquisa foi coletado na região que será implantado o novo aterro sanitário de Brasília, localizado em Samambaia (entre o córrego Melchior e a Rodovia DF -180 km 52), ao lado da CAESB. Foi realizada caracterização do solo local por meio dos seguintes ensaios, seguindo as normas da ABNT: Análise granulométrica (NBR 7181/ ABNT, 1984-a); Massa específica dos grãos (NBR 6508 / ABNT, 1984-b ); Determinação do Limite de Liquidez de Solos ( NBR 6459/ ABNT, 1984-c);

4 Ensaio de Compactação (NBR 7181/ ABNT, 1986-b). 4.2 Caracterização das fibras PET Na pesquisa foram utilizadas fibras PET, provenientes de garrafas de refrigernate usadas, com comprimento de 1 e 3 cm. A largura das fibras foi de 2mm e a espessura com ordem de grandeza de décimos de milímetros e dependente da fonte do PET. Para avaliar a influência da geometria lateral da fibra, foram utilizadas fibras lisas e sanfonadas. Os filetes de PET foram produzidos por um equipamento manual desenvolvido para a pesquisa e posteriormente cortados em uma guilhotina para papel, nos comprimentos prédeterminados de 1 e 3 cm. Metade das amostras foi então perfilada, produzindo as fibras sanfonadas, importantes em etapas futuras para comparar e avaliar o efeito da geometria espacial da fibra sobre a eficiência do reforço. A Figura 2 apresenta as combinações de fibras utilizadas nas misturas. Baseado em pesquisas anteriores o percentual de adição de fibras foi mantido em 0,4% de adição em relação à massa de solo seco. Figura 2. Tipos de fibra utilizadas, variando comprimento e geometria lateral. 4.3 Preparação das amostras As amostras foram preparadas previamente, com os percentuais correspondentes de solo, água e fibra PET. O solo, mantido em um estado natural de umidade foi corrigido para atingir a umidade ótima por meio da adição da quantidade de água necessária. As fibras PET foram pesadas e adicionadas à mistura, no percentual de 0,4% em relação à massa de solo seco. A mistura foi realizada manualmente, garantindo uma distribuição espacial das fibras dentro do material. Essas misturas foram guardadas em embalagens individuais em câmara úmida, por um período de 24 horas. Para os ensaios de RCS e TCD os corpos de prova cilíndricos foram compactados em uma prensa hidráulica, nas dimensões de 5 cm de diâmetro e 10 cm de altura para os ensaios de RCS e de 5 cm de diâmetro por 2 cm de altura para os ensaios de TCD. Durante a moldagem foi realizado o controle das dimensões e da massa de cada um dos corpos de prova produzidos. Os corpos de prova que foram ensaios de à compressão simples (ABNT, 1992) seguiram as seguintes proporções: Solo + 0,4% de fibras lisas de 1cm de PET (FL1) 3 amostras; Solo + 0,4% de fibras de sanfonadas 1cm de PET (FS1) 3 amostras; Solo Puro (SP), usado como controle 3 amostras. Foram moldados 3 corpos de prova para cada combinação de solo e fibra. O rompimento desses corpos de prova ocorreu no mesmo dia que foram moldados. Para o ensaio de tração por compressão diametral o solo foi misturado com fibras de comprimento igual a 1 cm e 3 cm, com suas respectivas geometrias, lisa e sanfonada. O mesmo ensaio também foi realizado para o solo puro, sem a presença de fibras, principalmente como valor de controle. O procedimento descrevendo o ensaio de compressão diametral pode ser encontrado na NBR 7222 (ABNT, 2011), e por meio de correlações pode-se então conseguir a resistência à tração do material compósito. Foram produzidos 4 corpos de prova por mistura, sendoutilizadas as seguintes composições: Solo Puro (SP); Solo + 0,4% de fibras lisas de 1cm de PET (FL1); Solo + 0,4% de fibras de sanfonadas 1cm de PET (FS1); Solo + 0,4% de fibras lisas de 3cm de PET (FL3);

5 Solo + 0,4% de fibras de sanfonadas 3cm de PET (FS3); 5 ANÁLISES 5.1 Ensaio de Resistência à Compressão Simples (RSC) Os primeiros resultados, referentes aos ensaios de compressão estão apresentados na Figura 3. Figura 4. Determinação dos módulos de elasticidade para o intervalo elástico. Figura 3. Diagrama de tensãoxdeformação para a média das 3 misturas avaliadas no ensaio de RCS. A máxima resistência do solo puro foi de 164kPa, e a mesma é atingida quando a deformação é de 0,91%. O máximo de resistência do solo compósito, dosado com as fibras lisas é atingido quando há uma deformação de 1,3%, com um valor equivalente a 175,42 kpa. O solo dosado com as fibras sanfonadas atingiu uma máxima de 175,71 KPa, em uma deformação de 1,11%. O pico de resistência entre os dois solos compósitos é bastante próximo, variando menos de 0,17% entre um e outro, com uma margem de 0,2% de deformação entre os mesmos. Em relação ao solo puro, ambas as misturas apresentaram um acréscimo de 7,3% a 7,5% de resistência máxima. Uma segunda propriedade que pode ser determinada pelo diagrama de tensãodeformação é o modulo de elasticidade do material. O mesmo é calculado pela declividade da curva no intervalo inicial, ou majoritariamente elástico do diagrama, representado na Figura 4. O primeiro módulo de elasticidade definido é o do solo puro, com um valor de 247 kpa. As misturas apresentaram resultados diferentes com as fibras lisas reduzindo o módulo de elasticidade par 180 kpa, e 272 kpa para o solo com as fibras sanfonadas. De forma interessante, os resultados indicaram que a adição da fibra lisa reduziu o módulo de elasticidade da mistura, em torno de 27,34%. E que a adição da fibra sanfonada aumentou o módulo de elasticidade em média 10,7%. Pode-se então afirmar que a adição de fibras lisas reduz a rigidez enquanto as fibras sanfonadas aumentam a rigidez, pois a mesma é diretamente proporcional ao módulo de elasticidade, mantida a geometria. Portanto, conclui-se que a adição das fibras aumenta a resistência à compressão da mistura de forma recorrente, mas não impactante. Os valores não aumentam sensivelmente, em torno de 7%. Assumia-se anteriormente aos ensaios que a adição de fibras não influenciaria muito no acréscimo de resistência pela própria natureza das fibras e como a mesma atua resistindo primariamente a esforços de tração. Esperava-se algumas mudanças nas propriedades dos materiais e a mais notável mudança aconteceu no módulo de elasticidade dos compósitos. Uma possibilidade para o decréscimo da rigidez da mistura com a fibra lisa seria a maior facilidade de deslizamento entre as regiões circundantes à fibra, representado na Figura 5. De forma análoga, a fibra sanfonada criaria uma superfície com melhor contato, aumentando a rigidez.

6 Figura 5. Representação do travamento da fibra sanfonada e a região de deslizamento da fibra lisa. 5.2 Ensaio de Tração por Compressão Diametral (TCD) Os resultados, referentes aos ensaios de tração por compressão diametral estão representados na Figura 6. Figura 6. Diagrama tensãoxdeformação para a média das misturas avaliadas durante no ensaio de TCD. Como representado no diagrama de tensãodeformação da Figura 6, o solo puro apresentou um comportamento frágil, sem um intervalo de plastificação sensível, rompendo assim que a resistência última foi atingida. Todos os corpos de prova moldados com o solo com adição de fibra apresentaram um comportamento diferente, gerando uma região secundária de deformação pela influência da fibra e suas interações com o solo. A região do diagrama que cobre a parcela do comportamento frágil foi denominada região primária. A região secundária foi assim denominada por ser aquela na qual as fibras estão trabalhando, gerando por assim dizer, uma resistência secundária. Todos os corpos de prova moldados com solo puro apresentaram apenas a região primária, de comportamento frágil. E todos os corpos de prova feitos com o solo compósito apresentaram ambas as regiões, tanto de comportamento frágil do solo, quanto os patamares secundários de plastificação dados pela presença da fibra PET, em variados graus de eficiência. Todos os materiais dosados com as fibras PET apresentaram na sua região secundária um comportamento quase oscilatório onde se notam picos de resistência seguidos, alternados por vales representando quedas na tensão. O solo compósito com fibras de menor comprimento (1cm) tiveram menores resistências na região secundária, mas a oscilação era mais recorrente, com menor deformação para que um ciclo se completasse. As fibras mais longas apresentaram resistências maiores e os picos e vales se estendiam por intervalos maiores de deformação. Uma explicação proposta para esse comportamento pode estar relacionado ao fato de que o conjunto de todas as fibras dispostas espacialmente não trabalham de forma homogênea. Dessa forma, uma tensão inicial seria distribuída primariamente a uma fibra ou a um grupo menor de fibras em uma região mais crítica. Assim que atingido um certo valor, as mesmas iriam escoar e a tensão seria redistribuída a outras fibras. Essa suposição é baseada no comportamento de polímeros e o alongamento. O surgimento de uma crista na região de plastificação é um evento comum a materiais poliméricos como o polietileno e está associado com o efeito do alongamento, que modifica a seção (DIAS, 2011). Esse fenômeno está representado na Figura 7. Figura 7. Diagrama de tensãoxdeformação de um polímero.

7 Essa hipótese de fibras em estados de tensão diferentes também explicaria a maior frequência de vales e cristas na mistura de fibras de 1cm. Como as fibras de 1 cm são mais curtas a deformação absoluta de cada uma é menor e a redistribuição é mais frequente. Como a ancoragem das fibras é menor, e seu arrancamento é mais fácil, também explicando dessa forma a menor amplitude das cristas em comparação com as fibras de 3cm. O desempenho de uma mistura foi diretamente dependente da geometria lateral e do comprimento da fibra usada na dosagem. Os resultados das diferentes fibras foram comparados considerando um único fator, comprimento ou geometria lateral, reduzindo a análise a uma única variável em cada cenário. Para avaliar a influência do comprimento da fibra foi mantida a geometria lateral para que essa característica não fosse determinante nessa etapa da análise, como mostra na Figura 8. Na maioria dos casos, o solo com fibras mais longas, de 3cm, apresentou uma resistência secundária à tração igual ou superior à do solo puro, enquanto as fibras de 1cm em poucas situações atingiu metade do valor da resistência do solo em si. As fibras mais longas também geraram patamares de plastificação mais longos, indicando que as amostras dosadas com as fibras mais longas deformaram mais antes da sua ruptura acontecer. Figura 8. Diagrama de tensão-deformação, mantida a geometria lateral Analisando de forma análoga à anterior, e comparando fibras de mesmo comprimento, como representado na Figura 9, observa-se que as fibras sanfonadas, por terem uma melhor ancoragem, começaram a redistribuir tensões em um estado anterior ao das fibras lisas. E em comparação com as fibras lisas, o solo dosado com fibras sanfonadas apresentou maior resistência na região secundária e patamares ou regiões de plastificação mais largas que as geradas pelas fibras lisas. Figura 9. Diagrama de tensão-deformação, mantido o comprimento. Após o solo fissurar, sua resistência cai até um certo ponto onde a fibra começa a atuar. Para as fibras sanfonadas, o solo fissurado teve que perder menos resistência até que a fibra começasse a trabalhar. Isso, supõe-se que seja devido à melhor ancoragem e superfície mais aderente desse tipo de fibra. No primeiro pico de resistência secundária, o solo dosado com a fibra de 3cm sanfonada teve um resultado 86,88% superior ao da fibra lisa, e a fibra sanfonada de 1cm foi 13,14% melhor que o da fibra lisa. Em termos de resistência secundária, a fibra sanfonada demonstrou resultados superiores em termos de resistência em ambos os casos. Assumindo que a resistência última de um material, nesse caso, o compósito, seja o máximo valor antes do mesmo romper-se por completo, pode-se reparar que nas fibras de 1cm de comprimento não houve uma melhora sensível na resistência última. Isso deve-se primariamente porque em quase todas as misturas com fibras de 1cm, as cristas na região de pós-ruptura não atingiram valores maiores ou iguais ao valor de pico de ruptura do solo. E nessa situação, a adição de fibras gerou uma região plástica após a ruptura do solo, permitindo maiores deformações, mas não aumentando necessariamente a resistência última.

8 Já nos corpos de prova onde havia a fibra de 3cm, houve uma melhora razoável da resistência última, pois a fibra mais longa e melhor ancorada pode resistir de forma mais eficiente às tensões impostas. O solo compósito dosado com a fibra sanfonada de 3cm de comprimento apresentou o melhor desempenho geral, simultaneamente em termos de deformação e de resistência secundária. 6 CONCLUSÃO Após a realização dos ensaios pode-se concluir que não houve ganho significativo de resistência à compressão nas mistura de solo com fibras PET. Porém, o gráfico mostra que na mistura do solo com fibras após o pico de resistência, o composto se comporta de maneira diferente do solo puro. Enquanto que neste há uma queda brusca de resistência, na misturas com PET a queda se dá suavemente. Com relação ao módulo de elasticidade das misturas com fibras de PET, pode-se dizer que as fibras lisas reduziram a rigidez enquanto as fibras sanfonadas aumentaram a rigidez, pois a mesma é diretamente proporcional ao módulo de elasticidade, mantida a geometria. Já no ensaio de tração, notou-se que a adição de fibras permitiu uma nova região de plastificação do material compósito, prolongando sensivelmente a faixa de deformação do mesmo. As fibras de maior comprimento tiveram um maior impacto sobre a resistência última do material, e criaram cristas mais largas, ou patamares de plastificação mais longos. As fibras sanfonadas obtiveram uma melhor ancoragem, patamares mais largos, quando comparados com as fibras lisas de comprimento equivalente e melhores resultados em termos do controle da perda de resistência do material. 6459: Solo Determinação do limite de liquidez. Rio de Janeiro, 1984-c, 6p. 7180: Solo Determinação do limite de plasticidade. Rio de Janeiro, 1986-a, 6p. 7182: Solos Ensaio de Compactação. Rio de Janeiro, 1986-b, 6 p. 8419: Apresentação de Projetos de Aterros Sanitários de Resíduos Sólidos Urbanos. Rio de Janeiro, 1992-a, 15 p : Solos Coesivos Determinação da Resistência à Compressão não Confinada. Rio de Janeiro, 1992-b, 6 p. 7222: Determinação da resistência à Tração por Compressão Diametral de Corpos de Provas Cilíndricos. Rio de Janeiro, 2011, 6 p. Curcio, D.S. (2008). Comportamento Hidromecânico de Compósito Solo-Fibra, Tese (Doutorado em Engenharia), Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, Universidade Federal do Rio de Janeiro. 149p. Dias, F.W.R. (2011). Comportamento Mecânico do Polímero PTFE Sujeito a Diferentes Taxas de Deformação, Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica, Universidade Federal Fluminense. IBGE, (2010). Pesquisa Nacional de Saneamento Básico Rio de Janeiro. Taylor, G.D. (1994). Materials in Construction, 2 ed, Longman Scientific & Technical, London, UK, 284p. REFERÊNCIAS 7181: Solo Análise Granulométrica. Rio de Janeiro, 1984-a, 12p. 6508: Solo Determinação da Massa Específica dos Grãos, Rio de Janeiro, 1984-b, 8p.

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