Gerenciamento de Riscos em Projetos de Inovação Tecnológica Financiados por Agências de Fomento

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1 Gerenciamento de Riscos em Projetos de Inovação Tecnológica Financiados por Agências de Fomento Stanley Primo Ferreira 1, 3 1, 2, 3 e Michelle Queiroz da Silva 1 Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) Departamento Regional do Ceará 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) 3 Universidade Estadual do Ceará (UECE) - Centro de Ciência e Tecnologia (CCT) Mestrado Profissional em Computação UECE/IFCE (MPCOMP) {stanleyprimo, Resumo A Inovação Tecnológica é uma realidade presente em empresas de todos os setores, inclusive em instituições de ensino. A inovação é um diferencial na subsistência e sucesso dessas empresas e instituições. Corroborando essa afirmativa, cada vez mais novos projetos de inovação tecnológica são desenvolvidos através do financiamento de agências de fomento como a FINEP 1, possibilitando o crescimento econômico e financeiro dessas empresas e instituições. Projetos de inovação tecnológica envolvem um grande grau de devido ao seu teor. Este artigo descreve algumas formas de se gerenciar os inerentes aos projetos de inovação tecnológica, facilitando o gerenciamento dos nestes tipos de projetos. A metodologia desenvolvida aborda as técnicas mais eficientes de gerenciamento de, baseadas em literaturas de referência no segmento de gerenciamento de projetos. Palavras-Chave: Projeto. Inovação. Riscos. Introdução Segundo o PMBOK (PMI, 2008), um projeto é um esforço temporário, destinado a criar um produto, serviço ou resultado único. Sendo assim, as atividades são elaboradas e controladas de modo a possibilitarem a maior eficiência e eficácia do projeto. Por outro lado, na visão das agências de fomento 2, projeto é o conjunto de informações que definem a alocação de recursos para uma atividade ou empreendimento que permitam a avaliação da conveniência da participação financeira nessas atividades (BNDES, 2011). Dentro dessa visão, os projetos são formulados por quem solicita recursos às agências de fomento, pleiteando o financiamento dos mesmos. Um bom projeto deve conter um texto plausível, sanando todos os tópicos requeridos pela agência de fomento no edital. Em aplicações práticas, um projeto de inovação trata da implantação e desenvolvimento de um produto ou 1 A FINEP - Financiadora de Estudos e Projetos é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Foi criada em 24 de julho de 1967, para institucionalizar o Fundo de Financiamento de Estudos de Projetos e Programas, criado em 1965 (FINEP, 2011). 2 As agências de fomento têm como objeto social a concessão de financiamento de capital fixo e de giro associado a projetos na Unidade da Federação onde tenham sede (BCB, 2011). processo com características de desempenho aprimoradas. Quando falamos em inovação tecnológica, temos foco nas atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Dentro deste contexto, espera-se que um projeto de inovação tecnológica apresente inúmeros fatores de risco, tanto quanto as incertezas envolvidas em produtos ou processos inovadores. Essas incertezas vão desde a concepção do produto ou processo até sua inserção no mercado. É importante garantir a utilização racional dos recursos financeiros dentro do planejado, bem como do tempo para desenvolvimento do projeto. Porém, o risco maior nesse tipo de projeto está na própria tecnologia desenvolvida onde, no decorrer do desenvolvimento do projeto, por se tratar de algo inovador, não apresente o desempenho planejado, dificultando ou impossibilitando a inserção do produto no mercado. A realização de uma eficiente análise de viabilidade técnica econômica e financeira reduz os de fracasso de um projeto de inovação tecnológica. Como as agências de fomento financiam investimentos em PD&I mediante a apresentação de propostas de projetos de inovação, esses projetos deverão ser elaborados com o planejamento, os investimentos e a análise de bastante detalhados, de forma a garantir a aceitação do investimento das agências nos projetos de inovação tecnológica. Grande parte do sucesso e do financiamento dos projetos de inovação tecnológica é determinada nas etapas de planejamento e formulação dos projetos. As empresas e organizações dependem cada vez mais de investimentos em inovação tecnológica. Como a tecnologia é fator determinante no que se refere à competitividade, onde nem sempre as empresas podem custear a aquisição de novas tecnologias e o custo com desenvolvimento tecnológico é cada vez maior, o financiamento com inovação tecnológica possibilita também o crescimento econômico e financeiro dessas organizações. Este trabalho se propõe a orientar a formulação de projetos de inovação, focando no ponto crítico desses projetos, a análise dos existentes no desenvolvimento de produtos e processos inovadores, baseando-se nas orientações de boas práticas disseminadas no PMBOK.

2 1. Análise De Riscos Um ponto principal e fator decisivo para sucesso de um projeto é a análise e gerenciamento de. Esse gerenciamento envolve as etapas de planejamento, identificação, análise de respostas, monitoramento e controle de em um projeto (PMI, 2008). O gerenciamento de risco existe para aumentar a probabilidade e o impacto dos eventos positivos e diminuir a probabilidade e o impacto dos eventos adversos ao projeto, daí sua importância. Na tabela 1 são indicadas as etapas de um bom gerenciamento de e a descrição detalhada das atividades envolvidas. Tabela 1: Modelo de Gerenciamento de Risco ETAPA DESCRIÇÃO FERRAMENTAS Como abordar, planejar e executar as Análises e reuniões de atividades de planejamento. gerenciamento de de um projeto. 1. Planejamento do gerenciamento de 2. Identificação de 3. Análise qualitativa de 4. Análise quantitativa de 5. Planejamento das respostas a Determinação dos que podem afetar o projeto e documentação de suas características. Priorização dos para análise ou ação adicional subsequente através de avaliação e combinação de sua probabilidade de ocorrência e impacto. Análise numérica do efeito dos identificados nos objetivos gerais do projeto. Desenvolvimento de opções e ações para aumentar as oportunidades e reduzir as ameaças aos objetivos do projeto. Revisões da documentação; técnicas de coleta de informações: Brainstorming, técnica Delphi, entrevistas, identificação da causaraiz, análise dos pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças (SWOT); análise da lista de verificação, análise das premissas; técnicas com diagramas: causa e efeito; sistema ou fluxogramas; influência. Avaliação de probabilidade e impacto de ; matriz de probabilidade e impacto; avaliação da qualidade dos dados sobre ; categorização de ; avaliação da urgência do risco. Técnicas de representação e coleta de dados: entrevistas, distribuições de probabilidade, opinião especializada; análise quantitativa de e técnicas de modelagem: análise de sensibilidade, análise do valor monetário esperado, análise da árvore de decisão, modelagem e simulação. Estratégias para ameaças: prevenir, transferir, mitigar; estratégias para oportunidades: explorar, compartilhar, melhorar; estratégias para ameaças e oportunidades: aceitação, respostas contingenciadas. 6. Monitoração Acompanhamento Reavaliação de ; de controle de Fonte: PMBOK (PMI, 2008). dos identificados, monitoramento dos residuais, identificação dos novos, execução de planos de respostas a e avaliação da sua eficácia durante todo o ciclo de vida do projeto. auditorias de ; análise das tendências e da variação; medição do desempenho técnico; análise das reservas; reuniões de andamento. Segundo o PMBOK (PMI, 2008), risco é um evento ou uma condição incerta que, se ocorrer, irá afetar pelo menos uma das áreas do projeto. Como o gerenciamento de risco é o meio pelo qual as incertezas que poderão afetar o projeto são sistematicamente gerenciadas para garantir que todos objetivos do projeto sejam alcançados, quando tratamos de projetos de inovação tecnológica, esse gerenciamento deve ser bastante eficiente, dado o grau de incerteza existente nesses tipos de projeto. 1.1 Análise de Riscos em Projetos de Inovação Tecnológica Qualquer projeto está associado a diversos e incertezas que devem ser tratados. Esses e incertezas irão diferenciar os projetos quanto a sua atratividade, ou seja, poderão definir a lucratividade dos mesmos. Em projetos de desenvolvimento e inovação tecnológica esses e incertezas são ainda maiores e devem ser trabalhados de forma intensa e eficiente. Em projetos de inovação tecnológica, além da existência dos comuns a projetos de investimento industrial (risco de inviabilidade econômica, risco de mercado, risco político, entre outros), ainda estão sujeitos a e incertezas vinculados a própria tecnologia a ser desenvolvida. Abaixo seguem alguns exemplos de e incertezas inerentes à tecnologia desenvolvida (WEISZ, 2009, p. 80 e 81): A tecnologia desenvolvida pode se tornar inviável a sua execução; O trabalho de desenvolvimento da tecnologia pode seguir rumos diferentes do planejado, sendo necessária a adoção de soluções técnicas diferentes das idealizadas no projeto. O tempo de desenvolvimento da tecnologia pode ser muito extenso, inviabilizando a inserção da mesma no mercado. A possibilidade de não se encontrar investidores que se arrisquem com investimentos em tecnologias ainda não testadas e produzidas. A tecnologia pode se mostrar viável na teoria, mas inviável na prática. Os projetos de inovação tecnológica, devido a sua natureza de pesquisa e desenvolvimento, são projetos que demandam um intervalo maior de tempo para seu desenvolvimento, teste e validação. Devido a esse fato, Página 2 de 7

3 são projetos que apresentam grandes, principalmente no que se refere a investimento e retorno financeiro. À medida que as atividades de pesquisa e desenvolvimento são realizadas, os vão diminuindo e com isso podem ser avaliados de forma mais crítica, impactando na realização da etapa seguinte. Segundo Weisz (2009, p. 82), existem diversas técnicas para ajuste de em projetos de inovação tecnológica, dentre elas destacamos: Abordagem subjetiva: nessa abordagem, são calculados os indicadores de desempenho definidos para medição da viabilidade do projeto. Dependendo da resposta dos indicadores, o projeto poderá ter continuidade ou não. Um desses indicadores pode ser o VAL (Razão do valor atual líquido), que é medido dividindo-se o investimento inicial do projeto pelo investimento ajustado no tempo. Equivalente à certeza: os parâmetros de cálculo do projeto são ajustados pelas probabilidades a eles atribuídas; Aplicação de taxas de descontos ajustadas aos : diferente do item acima, os ajustes são feitos ao final, ou seja, na taxa de desconto. Árvore de Decisões: normalmente é utilizada quando a escolha entre diferentes alternativas está em jogo. Simulação: nesse caso, os valores de entrada e saída de caixa são tratados como distribuições probabilísticas, resultando em indicadores de desempenho financeiros. As duas primeiras técnicas, por serem mais simples, normalmente são utilizadas em projetos de menor complexidade. Já as duas últimas técnicas, por serem mais complexas, são utilizadas em projetos maiores. Todas essas abordagens são mais técnicas e se aplicam a projetos de maior vulto. A partir dessas abordagens técnicas complexas, podemos conseguir abordagens mais simplificadas de análise de risco. Nesse caso, a análise de e incertezas poderá ser feita em três etapas (WEISZ, 2009, p. 84 e 85): Análise de Sensibilidade: Permite o estudo do impacto das variações específicas nos parâmetros do projeto sobre o seu potencial econômico ou sobre os resultados econômicos e financeiros, apontando as variáveis que mais afetam os resultados do projeto. Análise de Limites Críticos: Permite determinar o valor que deve ser assumido por uma dada variável independente, de tal forma a assegurar o retorno mínimo aceitável para o investimento. Análise de Risco: Avalia de modo mais completo, o efeito das incertezas do projeto sobre os indicadores de fluxo de caixa e fluxo de caixa descontado. Conforme já comentado, os projetos de inovação tecnológica, pelo seu teor, são elaborados e desenvolvidos em diversas condições de e incertezas. Nos itens acima citados, as análises de sensibilidade e de limites críticos possibilitam ao gerente do projeto determinar os impactos na possibilidade do projeto seguir um caminho diferente do planejado. A análise de risco deve ser feita de modo a identificar e tratar as incertezas em relação aos parâmetros do projeto. Weisz (2009, p. 97) afirma que a combinação dos associados aos parâmetros do projeto determinará os dos indicadores de decisão a serem calculados. 1.2 Diagrama de SWOT 3 Os projetos de inovação tecnológica normalmente surgem devido à influência do meio externo. Segundo Abraham (2010, p. 41), só é possível desenvolver uma ideia de inovação à medida que ela é gerada e só é possível conceber a ideia criativa se existe um problema, ou seja, a influência do ambiente. Segundo o Manual de Oslo (FINEP, 1997, p. 26), competição, demanda e mercado são os principais itens que determinarão o sucesso de um projeto de PD&I voltado para inovação tecnológica. Além disso, a qualidade da inovação também é um fator determinante para o sucesso dos projetos de inovação tecnológica. No que se refere aos e incertezas em um projeto de inovação tecnológica, além dos referentes aos itens financeiros e econômicos, é de extrema importância que seja realizado uma análise do cenário (ou ambiente), levando em consideração os fatores internos e externos que possam interferir no andamento, conclusão e sucesso de um processo de inovação. Essa avaliação é feita através da análise de SWOT. Nos projetos de inovação tecnológica desenvolvida por empresas ou instituições de ensino, onde os mesmos irão dar origem a produtos ou processos inovadores, é necessário que exista um mercado para absorver esses produtos ou processos. Esse mercado está composto pelo ambiente onde a empresa e produtos se localizam, pelos concorrentes, fornecedores e pelo perfil do consumidor. Segundo Clemente (2004, p. 15) a primeira avaliação a ser feita é do ambiente externo, conhecida como análise PEST 4, que pode ser dividida em: a) Ambiente político/legal: a política governamental e a legislação vigente são parte do conjunto de influencias a que a empresa está sujeita e cabe ao empreendedor ficar atento quanto às mudanças no cenário e nas regulamentações que variam de acordo com a localidade. b) Ambiente econômico: os diversos fatores macroeconômicos certamente influenciarão na atuação dos agentes econômicos ligados à 3 A Análise SWOT é uma ferramenta administrativa utilizada para fazer análise de cenário (interno e externo), sendo usado como base para gestão e planejamento estratégico de uma instituição. A sigla SWOT é oriunda do idioma inglês, representando Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats). 4 A análise PEST é uma ferramenta administrativa que permite o estudo qualitativo de um determinado cenário com base em fatores políticos (P), econômicos (E), sociais (S) e tecnológicos (T) relevantes no mesmo. Página 3 de 7

4 empresa, devendo-se então atentar para os ciclos de recessão e crescimento e para as políticas monetária e fiscal. c) Ambiente sociocultural: o sucesso do produto ou serviço que será comercializado depende em grande parte do ambiente sociocultural em que o mesmo está inserido, portanto deve-se conhecer esse ambiente para compreender os interesses, necessidades e tendências desse público. d) Ambiente tecnológico: um negócio possui o crescimento ou declínio muitas vezes afetado pelo surgimento de novas soluções e/ou inovações tecnológicas por parte dele ou de seus concorrentes, logo deve-se refletir essa realidade investindo-se constantemente em pesquisas e desenvolvimento. O posicionamento da empresa junto ao mercado deve ser analisado na próxima etapa, mapeando o grau de rivalidade e barreiras de entrada do investimento. Deve-se verificar ainda as oportunidades e ameaças geradas respectivamente por produtos complementares e concorrentes e o poder de barganha da empresa junto a seus fornecedores e ao seu mercado consumidor. Na próxima análise busca-se a adequação entre as capacidades da empresa e as possibilidades do mercado antes avaliadas. Uma ferramenta bastante difundida por Porter (1986) é a análise de SWOT, que é tradicionalmente representada em forma de matriz. Depois de corretamente preenchido, este diagrama permite identificar modificações a serem implementadas, diminuindo os pontos fracos e realçando os pontos fortes da empresa. Também permite aproveitar da melhor forma possível as oportunidades que o mercado oferece e preparar para as ameaças provenientes do mesmo. Tabela 2: Diagrama SWOT Fatores Externos Fatores Internos Oportunidades Ameaças Pontos Fortes usem os pontos fortes para tomar vantagens nas oportunidades. usem os pontos fortes para evitar as ameaças. Fonte: Yonezawa (2003). Fraquezas tomam vantagens das oportunidades para vencer as fraquezas. minimizem as fraquezas e evitem as ameaças. 2. Estudo de Caso Projeto de Inovação Tecnológica Plataforma de Testes Automatizada do Equipamento TSW900ETH. O projeto de inovação tecnológica aqui analisado tem como objetivo principal o desenvolvimento de uma plataforma de testes automatizada acoplada ao equipamento TSW900ETH. A Plataforma possibilitará a interligação do instrumento de teste para redes Metro Ethernet ao PC (através de um sistema de comunicação) ou a qualquer ponto de uma rede Metro Ethernet, possibilitando a realização de testes e certificação em redes de forma remota e o armazenamento dos dados resultantes desses testes em um servidor para posterior análise e geração de relatórios. Esse projeto participou do Edital SESI SENAI 5 de Inovação Tecnológica 2010 (SENAI, 2010), onde recebeu R$ ,00 de fomento para desenvolvimento da nova tecnologia. A ideia de desenvolvimento desta nova tecnologia surgiu devido à necessidade de diminuição do tempo de reparo dos circuitos de comunicação de dados das operadoras de telecomunicações. A plataforma de testes automatizada, acoplada ao instrumento de teste de redes já utilizado pelos técnicos de campo responsáveis pelas manutenções (TSW900ETH), possibilita o acesso remoto a todos os pontos da rede, realizando testes e diagnósticos de forma remota, diminuindo recursos e tempo de deslocamento dos técnicos nas manutenções. Por se tratar de uma inovação tecnológica, que irá gerar um novo produto, este é um projeto com muitos envolvidos. Esses foram tratados desde o momento da concepção da ideia e deverão ser gerenciados de forma contínua em seu desenvolvimento e inserção do produto no mercado. Para a obtenção dos recursos de fomento foi feita uma análise prévia dos possíveis que afetariam o bom andamento do projeto. Para isso, foi utilizada como ferramenta a Análise de SWOT. Através do uso dessa ferramenta foi feita uma análise do ambiente interno, onde foram levantadas as forças e as fraquezas inerentes ao desenvolvimento do projeto, bem como uma análise do ambiente externo com o mapeamento das oportunidades e ameaças inerentes ao desenvolvimento do projeto de inovação. Para essa análise foram considerados dois ambientes, o SENAI e a empresa parceira. Com isso foi possível a formulação de estratégias, diagnósticos e redução de e incertezas. 2.1 Análise de SWOT do Projeto de Inovação Tecnológica Referente à análise de viabilidade técnica e financeira do desenvolvimento da Plataforma de Testes Automatizada, realizamos a análise de SWOT abaixo descrita, comprovando a necessidade de desenvolvimento da mesma, bem como o sucesso em sua futura comercialização. Essa análise foi desenvolvida como forma de análise de do projeto de inovação tecnológica Forças São itens referentes à agregação de valor por parte da empresa parceira e do SENAI no desenvolvimento da plataforma. Seguem abaixo as forças diagnosticadas: 5 O Serviço Social da Indústria (SESI) e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) são instituições privadas brasileiras, vinculadas a Confederação Nacional das Indústrias, sem fins lucrativos e de atuação em âmbito nacional, criadas com a finalidade de promover a formação profisional (SENAI), o bem-estar social, o desenvolvimento cultural e a melhoria da qualidade de vida do trabalhador (SESI) que atua nas indústrias, de sua família e da comunidade na qual as indústrias estão inseridas. Página 4 de 7

5 A empresa parceira é uma das maiores empresas brasileiras especialistas em tecnologias de Redes e de Telecomunicações; A empresa também é especialista no desenvolvimento, produção e venda de equipamentos e instrumentos de testes (englobando telecomunicações e TI), agregando experiência e conhecimento; A empresa é fornecedora de equipamentos e instrumentos de testes para as maiores operadoras de telecomunicações do Brasil; O produto apresentará vantagem competitiva em preço; A empresa disponibilizará uma equipe de especialistas em Telecomunicações e TI que atuará no projeto; Disponibilização por parte do SENAI de profissionais com grande experiência nas áreas de telecomunicações e TI para atuação no projeto; Existência de plano de marketing e divulgação, disponibilizando aos clientes uma equipe de suporte técnico especializado que atenderá em horário comercial; Programa de fidelização de clientes já existente na empresa; A empresa que irá produzir o instrumento de teste com o sistema de acesso remoto desenvolvido no projeto possui certificação ISO 9001:2000, o que garante a qualidade na produção; Redução de de falha do projeto, pois já existe um mercado atendido com redes Metro Ethernet e que absorverá o produto Fraquezas As fraquezas são basicamente itens referentes à empresa parceira. Segue abaixo o mapeamento desses pontos. A empresa parceira atua a princípio apenas no mercado brasileiro; A empresa parceira foi fundada em 1998, tendo pouco tempo de atuação no mercado em relação aos seus concorrentes; A matriz da empresa parceira é localizada em Porto Alegre, distante do SENAI - Departamento Regional do Ceará Oportunidades Trata-se das oportunidades de mercado e comercialização. Crescimento contínuo e comprovado de redes Metro Ethernet não só no Brasil, mas no mundo; Necessidade das operadoras de telecomunicações de automatizar o processo de testes em redes Metro Ethernet; Mercado motivado para aquisição de produtos que somem preço e qualidade, foco da empresa parceira; Necessidade do mercado de Tecnologia da Informação e Telecomunicações em automatizar o processo de testes em redes ethernet; Necessidade do mercado de Tecnologia da Informação e Telecomunicações em reduzir tempo e recursos nos processos de testes em redes ethernet Ameaças Trata-se das ameaças do ambiente externo: Falta de matéria prima local; Não aceitação do produto pelo mercado; Atuação agressiva da concorrência no mercado brasileiro e internacional. Essa análise prévia de foi item de pontuação no edital de inovação e fator determinante para aprovação do mesmo e liberação dos recursos. Os projetos avaliados teriam no máximo 1000 pontos, onde a análise de risco valeria, no máximo, 250 pontos. O projeto apresentado neste trabalho recebeu a pontuação de 250 pontos em sua análise prévia de utilizando a Matriz de SWOT. 2.2 Gerenciamento de do projeto de inovação tecnológica As análises apresentadas anteriormente foram levantadas no momento da concepção do projeto como forma de obtenção dos recursos do edital de inovação financiador do projeto. Após a aprovação no edital e durante todo o seu desenvolvimento foi necessário um intenso gerenciamento de, garantindo a conclusão do projeto dentro do planejado (escopo, financeiro, prazo de conclusão, etc.). Um dos fatores de risco que impossibilitaria o desenvolvimento da nova tecnologia foi referente ao desenvolvimento do software para comunicação do equipamento de teste com o PC. O equipamento de teste possui uma arquitetura fechada e embora seja produzido e comercializado pela empresa parceira, o mesmo foi desenvolvido por uma terceira empresa. Como não tínhamos acesso à arquitetura do equipamento, não seria possível termos acesso às informações necessárias para o desenvolvimento do software, impossibilitando o desenvolvimento do projeto. Para solução do problema, terceirizamos o desenvolvimento do software contratando a empresa WISE Teleinformática, detentora da patente do Equipamento TSW900ETH e conhecedora de sua arquitetura, para essa atividade. Outro fator de risco que não afetaria o desenvolvimento do projeto, mas a sua comercialização é a questão do custo final para desenvolvimento da tecnologia. Como forma de redução do valor final do produto foram firmados diversos convênios de parceria com empresas e instituições que colaboraram nas etapas de desenvolvimento do projeto de inovação, contribuindo com recursos humanos e equipamentos. Conforme o Manual de Oslo (FINEP, 1997, p. 57), para ser considerada inovação tecnológica referente a produto, o mesmo deverá ser inserido no mercado e comercializado. Essa comercialização pode ser considerada um fator de risco por se tratar de um novo produto, onde o mercado para absorção do mesmo Página 5 de 7

6 ainda precisa ser conquistado. Referente a este projeto, em paralelo ao desenvolvimento da plataforma de testes automatizada, foi elaborado um eficiente plano de marketing em cima da análise de viabilidade do produto, reduzindo os da comercialização do mesmo e garantindo a sua aceitação pelo mercado local e internacional. Além disso, um dos convênios de parcerias firmados, contava com a participação da Operadora de Telecomunicações, no caso a OI, que ao final do projeto irá adquirir o novo produto para utilização em seus processos de manutenções de redes, garantindo dessa forma a inserção do produto no mercado. Esses fatores de foram os mais impactantes e poderiam afetar de forma direta a conclusão do projeto. Porém alguns secundários também foram tratados para conseguir êxito na conclusão do projeto de inovação. Dentre eles podemos citar: o orçamento disponibilizado pela agência de fomento ser insuficiente para o desenvolvimento da nova tecnologia, o tempo para desenvolvimento do projeto ser extenso e a possibilidade da tecnologia desenvolvida já estar obsoleta após a conclusão do projeto. Esses secundários foram tratados no decorrer do desenvolvimento do projeto através de reuniões periódicas, sempre buscando maximizar os pontos positivos e minimizar as consequências dos eventos negativos. Para gerenciamento dos acima citados foi elaborado um Plano de Gerenciamento de Risco, incluindo ações especificas de respostas aos, conforme orientações do PMBOK (PMI, 2008). Esses foram identificados através de um processo investigativo que utilizou como ferramenta a Análise de SWOT (acima apresentada), tendo sempre como foco os objetivos do projeto, ou seja, o desenvolvimento da Plataforma de Testes Automatizada do Equipamento TSW900ETH. Segundo Dinsmore (2005, p. 205), a efetividade do gerenciamento de depende da escolha de uma estratégia adequada e do subsequente desenvolvimento das ações especificas para lidar com os fatores de maior impacto sobre o projeto. Referente aos negativos (ou ameaças) foram tomadas as seguintes estratégias de resposta a esses : Equipamento com arquitetura fechada impossibilitando o desenvolvimento do software por empresas terceirizadas: A estratégia aqui utilizada foi Prevenir, pois firmamos parceria com a empresa WISE Teleinformática, detentora da patente do equipamento, para desenvolvimento do software e de todo o hardware necessário. Segundo Dinsmore (2005, p. 205), alguns eventos de podem ser evitados mudando-se os planos para eliminar a condição que origina a sua possível ocorrência, ou protegendo do seu impacto os objetivos do projeto, por ele ameaçados. A estratégia aqui definida é prevenir e foi adotada para esse caso. Custo final do produto inviável: A Estratégia utilizada para trabalhar esse risco foi mitigar. Todas as formas que buscam reduzir a probabilidade de e/ou as consequências do risco, caso ele ocorra, são consideradas estratégia para mitigar os (DINSMORE, 2005, p. 205). Como foram firmados diversos convênios de parceria com empresas e instituições que colaboraram nas etapas de desenvolvimento do projeto de inovação, contribuindo com recursos humanos e equipamentos, na tentativa de se reduzir o custo final do produto, essa foi a estratégia utilizada para o risco acima citado. Orçamento disponibilizado insuficiente: A estratégia utilizada nesse risco foi Transferir. Disnmore (2005, p. 205) afirma que transferir um risco significa transferir a responsabilidade gerencial sobre o risco para outra parte. Neste caso, o SENAI Departamento Regional do Ceará ficou responsável pela complementação do orçamento, caso necessário. Tecnologia desenvolvida obsoleta devido ao tempo para desenvolvimento: A estratégia utilizada foi Mitigar, pois foram feitos diversos estudos e análises objetivando a comprovação da viabilidade técnica, econômica e financeira do novo produto. Não aceitação do novo produto pelo mercado: A estratégia utilizada foi Prevenir, onde foi elaborado um eficiente plano de marketing e comercialização, visando à divulgação do produto no mercado. Além disso, foram firmados contratos de parcerias com grandes operadoras de telecomunicações, onde as mesmas irão utilizar o novo equipamento em seus processos de testes de redes Metro Ethernet. Falta de matéria prima no comércio local para desenvolvimento do produto: A estratégia utilizada foi Prevenir, onde foram firmados contratos de parcerias com fornecedores locais. Atuação da concorrência no mercado brasileiro e internacional: A estratégia utilizada foi Prevenir, pois com as parcerias firmadas e participação da empresa Teracom Telemática (Datacom), será possível garantir uma política atrativa de preços. Além disso, serão utilizadas ferramentas como o e-commerce para comercialização do produto inovador. Enfim, a utilização dessas estratégias de respostas aos, garantiu o desenvolvimento e conclusão do projeto inovador dentro do planejado, alcançando todos os seus objetivos e metas. 2.3 Resultados Alcançados Como resultados alcançados ao final do desenvolvimento do projeto de inovação apresentado neste trabalho tivemos: Produção de um software mais inteligente para testes. Implementação da facilidade de testes de forma remota, bem como o acesso remoto ao teste set TSW900ETH. Página 6 de 7

7 Inserção do produto inovador no mercado. Redução de custos, implantação de melhorias e facilidades em serviços de manutenção e certificação de redes Metro Ethernet. Criação de um produto inovador, submetido ao processo de patente junto ao INPI. Esses resultados demonstram a importância de um eficiente gerenciamento de. No que se refere a projetos de inovação tecnológica, diversos são os que permeiam o seu desenvolvimento. Para garantir o sucesso desses tipos de projetos, o uso de ferramentas e técnicas para gestão de é fator impactante e essencial para sucesso de seu desenvolvimento, bem como para a viabilidade de sua comercialização. As técnicas de gerenciamento de apresentadas neste trabalho, permitiram que o projeto de inovação tecnológica fosse aprovado em um edital de fomento, conseguindo recursos para seu desenvolvimento. Além disso, possibilitaram o desenvolvimento da nova tecnologia, dentro do planejado (escopo, tempo, recursos, etc.), alcançando todos os seus objetivos e o principal, a inserção do produto no mercado gerando rentabilidade e crescimento para a Datacom e o SENAI. Conclusão Conforme abordado neste artigo, cada vez mais empresas e instituições estão investindo e trabalhando com inovação tecnológica. As agências de fomento por sua vez, reconhecem a inovação como um poderoso aliado para elevar a competividade das empresas brasileiras. As empresas e instituições buscam esses recursos de fomento a inovação tecnológica para o desenvolvimento de projetos de inovação que muitas vezes são fatores de destaque e sobrevivência dos mesmos. Os projetos de inovação tecnológica necessitam de elevado investimento em pesquisa e desenvolvimento para que se consiga alcançar os objetivos propostos. Normalmente esse tipo de projeto requer grandes recursos financeiros, um tempo maior de desenvolvimento e ao seu final deverá existir a incorporação do seu resultado (produto ou processo) no mercado, garantindo a viabilidade técnica, econômica e financeira do mesmo. O desenvolvimento de projetos baseados em práticas de trabalho reconhecidas pela comunidade acadêmica e econômica favorecem a aprovação de financiamentos e a aquisição de parcerias. As práticas abordadas pelo PMBOK (PMI, 2008) e pelo Manual de Oslo (FINEP, 1997), quando utilizadas no projeto, favoreceram sua aprovação dentro do edital de inovação e estão facilitando o desenvolvimento das atividades dentro de controlados. Bibliografia ABRAHAM, M. B. R. Explosão da inovação - aprenda e inove de forma explosiva. 1ª. ed. São Paulo: Epse, BCB, B. C. do B. Agências de fomento. Site do Banco Central, Disponivel em: <http://www.bcb.gov.br/pre/composicao/af.asp>. Acesso em: 2 agosto BNDES, B. N. de D. Site do BNDES. BNDES - Banco Nacional do Desenvolvimento, Disponivel em: <http://www.bndes.gov.br>. Acesso em: 12 Julho CLEMENTE, A. et al. Planejamento do negócio - como trasformar ideias em realizações. 2ª. ed. Brasília: Lucerna, DINSMORE, P. C. Como se tornar um profissional em gerenciamento de projetos - livro Base de preparação para a certificação PMP. Rio de Janeiro: Quallymark, FINEP. Manual de Oslo - proposta e diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação tecnológica. Brasília: [s.n.], FINEP. A Empresa. Página da FINEP, Disponivel em: <http://www.finep.gov.br/o_que_e_a_finep/a_empresa. asp>. Acesso em: 1 Agosto PMI. Guia PMBOK - um guia do conjunto de conhecimentos em gerenciamento de projetos. 4ª. ed. Coraopolis: PMI, PORTER, M. Estratégia competitiva - técnicas para análise de indústrias e da concorrência. 7ª. ed. Rio de Janeiro: Campus, SENAI. Technix - sistema de gerenciamento de projetos. Technix, Disponivel em: <www.senai.br/technix>. Acesso em: 7 Agosto WEISZ, J. Projetos de inovação tecnológica - planejamento, formulação, avaliação, tomada de decisões. 1ª. ed. Brasília: IEL, YONEZAWA, W. M. Comércio eletrônico: estratégias e implementação. Universidade Estadual Paulista, Disponivel em: <http://wwwp.fc.unesp.br/~yonezawa/ecestrategia.pdf>. Acesso em: 11 julho Página 7 de 7

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