Adubação orgânica do pepineiro e produção de feijão-vagem em resposta ao efeito residual em cultivo subsequente

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1 Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica, 9., 2, Belo Horizonte 1 Adubação orgânica do pepineiro e produção de feijão-vagem em resposta ao efeito residual em cultivo subsequente Carlos Henrique da Silva Almeida (1), Maria Aparecida Nogueira Sediyama (2), Sanzio Mollica Vidigal (3), João Paulo Mendes de Almeida (4) (1) Bolsista PIBIC FAPEMIG/EPAMIG, (2) Pesquisadora/Bolsista CNPq/EPAMIG - Viçosa, MG, (3) Pesquisador/Bolsista BIP FAPEMIG/EPAMIG - Viçosa, MG, (4) Bolsista PIBIC FAPEMIG/UFV- Viçosa, MG, INTRODUÇÃO O feijão-vagem (Phaseolus vulgaris L.) é uma cultura que tem mercado consumidor com tendência de crescimento, sendo também de interesse para pequenos agricultores, por vários fatores como, adaptabilidade a consórcio e rotação, principalmente, com o pepino, aproveitando a estrutura de condução das plantas e resíduos de adubação, o que torna satisfatório o seu estabelecimento nas propriedades produtoras de hortaliças. Por adaptar-se a clima seco e quente e temperaturas entre ºC e 3 ºC, os preços mais elevados do produto ocorrem, normalmente, de junho a setembro. A rotação de culturas é uma prática essencial para hortaliças, especialmente em cultivo orgânico, sendo usada tanto para controle de pragas e doenças quanto para o aproveitamento dos resíduos de adubação. É muito comum para hortaliças como o pepino e a vagem, que empregam altos níveis de adubação, além do aproveitamento da estrutura para tutoramento das plantas. Existem poucas informações sobre uso de fertilizantes orgânicos no cultivo do feijão-vagem (SANTOS et al., 21; OLIVEIRA et al., 26). Entretanto, sabe-se que a adubação orgânica pode contribuir de forma decisiva para melhoria das características do solo e redução dos custos de produção, pois o insumo que mais onera a produção do pepino e do feijão-vagem é o adubo mineral, usado no plantio e na cobertura. A produção de hortaliças absorve o trabalho familiar e contribui para geração de emprego em pequenas

2 EPAMIG. Resumos expandidos 2 e médias propriedades, principalmente para tutoramento da planta e colheitas, que são realizadas de forma escalonada e manual. Pesquisas têm sido desenvolvidas, visando ao aproveitamento da adubação residual do plantio de hortaliças (SANTOS et al., 2). Neste trabalho, objetivou-se avaliar o efeito residual da adubação com esterco bovino e húmus de minhoca, aplicados no pepineiro, sobre a nutrição da planta e a produção de feijão-vagem cultivado em sucessão. MATERIAL E MÉTODO O experimento foi conduzido em casa de vegetação, tipo túnel alto, pertencente à EPAMIG Zona da Mata, em Viçosa, MG, no período de /8/2 a 1//2. O solo utilizado no experimento, Argissolo Vermelho- Amarelo câmbico, fase terraço, coletado na camada de a 2 cm, antes do plantio do pepineiro apresentou as seguintes características em mg/dm 3 : P = 38,7 e K = ; em cmol c /dm 3 : Ca 2+ = 2,4; Mg 2+ =,9; Al 3+ =,; H + Al = 2,97; SB = 3,66; capacidade de troca catiônica (CTC) (t) = 3,66 e CTC (T) = 3,63; ph (H 2 O) = 5,8; V = 55% e MO = 26, g/kg. As características dos fertilizantes aplicados no plantio do pepineiro e na cobertura do feijão-vagem se encontram na Tabela 1. No experimento com pepino, o delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados, com quatro repetições, no esquema fatorial (2 x 7), sendo dois tipos de fertilizante orgânico (esterco bovino e húmus de minhoca vermelha da califórnia) e sete doses de cada fertilizante. As doses dos fertilizantes aplicadas nos vasos para o cultivo do pepineiro, com uma planta por vaso, foram: ; 6; ; 24; 48; 72 e 96 g por vaso, equivalentes a: ; 1; 2; 4; 8; e t/ha, sendo 1% aplicados no plantio. Após a colheita do pepineiro, os vasos permaneceram com o substrato por seis meses em pousio, em seguida o substrato de cada tratamento foi removido, triturado e retornado aos vasos. Estes foram irrigados por capilaridade e, em cada vaso, foram semeadas cinco sementes de feijão-vagem, cv. Macarrão Trepador, de vagens cilíndricas e crescimento indeterminado. Os vasos foram alocados em casa de vegetação tipo túnel alto, no espaçamento de,5 m entre plantas e 1, m entre fileiras. O delineamento experimental e os tratamentos foram os mesmos usados no ensaio anterior,

3 Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica, 9., 2, Belo Horizonte 3 com pepino. Aos 22 dias após a semeadura, fez-se uma adubação de cobertura, aplicando 5% das doses dos fertilizantes que foram aplicados no ensaio anterior, nos respectivos tratamentos. No florescimento das plantas, aos 4 dias após o plantio, fez-se uma aplicação de molibdênio, na dose correspondente a 8 g/ha, e uma semana após fez-se a amostragem de folhas para análise do teor de nutrientes, coletando uma folha completamente desenvolvida (folha + pecíolo) a partir do ápice e avaliou-se também a altura de inserção das vagens nas plantas. Foram realizadas sete colheitas para avaliar número, comprimento e massa de matéria fresca e seca das vagens. Ao final das colheitas, fez-se o corte das plantas rente ao solo e avaliou-se a massa fresca e seca das plantas. Amostras de folhas e da planta inteira foram lavadas com água destilada e colocadas para secar em estufa com circulação de ar a 7 o C por 72 h. As amostras foram moídas e analisadas quanto aos teores de nutrientes. Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e a comparação entre médias de cultivares foi feita com base no teste F e análise de regressão. A temperatura máxima média no período de condução do ensaio foi de 35,7 o C e a mínima média de,1 o C, e não houve ocorrência de pragas e doenças. RESULTADOS E DISCUSSÃO Não houve diferença significativa quanto aos teores foliares de N, K, Ca e B, mas observaram-se efeitos significativos das doses de fertilizantes para os teores de P, Mg, S, Zn, Mn e Cu. De modo geral, os teores foliares de nutrientes, em dag/kg, variaram de 3,2 a 4,2 (N),,33 a,51 (P), 2,84 a 3,84 (K), 1,8 a 1,51 (Ca),,3 a,38 (Mg) e, a,22 (S). A exceção do Ca (2,5 dag/kg), os demais macronutrientes representam as concentrações críticas de macronutrientes em folhas de feijão (FONTES, 21). Para micronutrientes, os teores mg/kg variam de 28,5 a 41 (Zn), 55 a 91 (Mn), 6, a 8,5 (Cu), 55,3 a 8, (B) e 1 a 6 (Fe). A exceção do Cu e B, as demais concentrações estão abaixo do nível crítico (TRANI; RAIJ, 1996; FONTES, 21). Baixos níveis de alguns nutrientes como S, Fe e Zn, provavelmente, estejam relacionados com a baixa liberação de nutrientes no cultivo orgânico, pois os fertilizantes usados apresentavam concentrações razoáveis, especialmente de

4 EPAMIG. Resumos expandidos 4 Fe (Tabela 1). No entanto, não ocorreu maior absorção de nutrientes pelas plantas, quando comparado a cultivos convencionais. Contudo, esses teores estão de acordo com aqueles obtidos por Oliveira et al. (26). A altura de inserção da primeira vagem, comprimento, massa fresca e seca das vagens não apresentaram diferenças significativas entre os tratamentos, sendo os valores médios de 39 cm,,1 cm, 4,86 g e 8,69%, respectivamente. O comprimento médio das vagens foi baixo, e o teor de matéria seca nas vagens foi considerado alto em relação ao obtido por Oliveira et al. (26). Esse fato provavelmente esteja ligado à diferença entre os cultivos no vaso e no campo. As produtividades de massa fresca e seca de vagens e de massa fresca e seca da planta inteira tiveram resposta quadrática, em função das doses de ambos os fertilizantes aplicados. A produção máxima de vagem foi alcançada com t/ha de esterco bovino (49,2 g) e 2 t/ha de húmus (429,5 g) (Gráfico 1A e 1B). A máxima produção de massa fresca da planta inteira foi 52,2 g para esterco bovino e 533,3 g para húmus, ambas obtidas com t/ha de fertilizante orgânico (Gráfico 1C). A produção máxima de massa seca da planta (96,8 g) foi obtida com 4 t/ha de esterco bovino e t/ha de húmus (,2 g) (Gráfico 1D). O resíduo da adubação orgânica do pepineiro com uma adubação de cobertura foi suficiente para nutrir as plantas de feijão-vagem; entretanto, a produtividade de vagens foi baixa, considerando duas plantas por vaso e o espaçamento usado. A produtividade máxima no período foi superior a 8, t/ha. Entretanto, pesquisas devem ser realizadas para avaliar o comportamento da adubação orgânica do feijão-vagem em condições de campo. CONCLUSÃO A produção máxima de vagem foi de 49,2 e 429,5 g por vaso alcançada com as doses de t/ha de esterco bovino e 2 t/ha de húmus de minhoca. O plantio do feijão-vagem em sucessão ao pepineiro, visando à rotação de culturas e ao aproveitamento de resíduos orgânicos, é promissor, sendo necessária uma adubação de cobertura, para suprimento de nutrientes.

5 Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica, 9., 2, Belo Horizonte 5 AGRADECIMENTO À Fundação de Amparo à Pequisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo auxílio financeiro ao Projeto e bolsas PIBIC, BIP e PQ. REFERÊNCIAS FONTES, P.C.R. Diagnóstico do estado nutricional das plantas. Viçosa, MG: UFV, 21. 2p. OLIVEIRA, N.G. de et al. Feijão-vagem semeado sobre cobertura viva perene de gramínea e leguminosa e em solo mobilizado, com adubação orgânica. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.41, n.9, p.61-67, set. 26. SANTOS, G.M. et al. Características e rendimento de vagem do feijão-vagem em função de fontes e doses de matéria orgânica. Horticultura Brasileira, Brasília, v.19, n.1, p.3-35, mar./abr, 21. SANTOS, M.R. dos et al. Produção de milho-verde em resposta ao efeito residual da adubação orgânica do quiabeiro em cultivo subseqüente. Revista Ceres, Viçosa, MG, v.58, n.1, p.77-83, jan./fev. 2 TRANI, P.E.; RAIJ, B. van. Hortaliças. In: RAIJ, B. van et al. Recomendações de adubação e calagem para o estado de São Paulo. 2.ed. Campinas: IAC, p.7-5. (IAC. Boletim Técnico, 1).

6 EPAMIG. Resumos expandidos 6 Tabela 1 - Características do esterco bovino e do húmus de minhoca vermelha da Califórnia usados na adubação de plantio do pepineiro e na adubação de cobertura do feijão-vagem, EPAMIG Zona da Mata, Viçosa, MG - 2 Característica Unidade Plantio do pepineiro Cobertura do feijão-vagem Esterco Húmus Esterco Húmus N g/kg,7,8 9,9,1 P g/kg 5,8 4,1 3,2 6,5 K g/kg,8 8, 3,2,4 Ca g/kg, 9,5 1,2,1 Mg g/kg 5,4 4,7 2,6 4,9 S g/kg 4,7 4, 6,2 4,3 Zn mg/kg Fe mg/kg Mn mg/kg Cu mg/kg B mg/kg 25,2,3 9,3,8 Densidade kg/dm 3,31,99,95,89 Umidade (7 o C) % 39,7 47,4 25,42 23,4 C/N - 6,8 8,3 8,34 5,47 ph - 7,5 6,5 6,6 6,4

7 Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica, 9., 2, Belo Horizonte 7 Produção Produção (gramas) (g) EB P Y = 25,9 + 3,25x -,3899x² R² =,7196 HU P Y = 272, ,8244x -,527787x² R² =, Doses de de adubo orgânico (t/ha) -1 ) A Número Número de vagens de vagens EB MF Y = 46,3963 +,737634x -,3961x² R² =,8831 HU MF Y = 55,963 +,258342x R² =, Doses Doses de adubo de adubo orgânico orgânico (t/ha) ha -1 ) B M Massa fresca fresca (gra (g) mas) EB MF Y = 266,89 + 2,77834x -,759x² R² =,8983 HU MF Y = 263,6 + 1,747x -,8321x² R² =, Doses Doses de de adubo adubo orgânico orgânico (t/ha) ha -1 ) C Massa Massa seca seca (gramas) (g) EB MS Y = 55,368 +,537338x -,439x² R² =,969 HU MS Y = 56,87 +,2855x -,7541x² R² =, Doses Doses de adubo de adubo orgânico (t/ha) -1 ) Gráfico 1 - Produção de vagem e matéria da planta inteira de feijão-vagem cv. Macarrão Trepador, cultivada em vasos, em função de doses de esterco bovino e húmus de minhoca, EPAMIG Zona da Mata, Viçosa, MG - 2 NOTA: Gráfico 1A - Produção de vagem. Gráfico 1B - Número médio de vagens. Gráfico 1C - Produção de matéria fresca da planta inteira. Gráfico 1D - Produção de matéria seca da planta inteira. D

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