REVISTA DO CURSO DE DIREITO DO CENTRO UNIVERSITÁRIO CÂNDIDO RONDON - UNIRONDON

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1 REVISTA DO CURSO DE DIREITO DO CENTRO UNIVERSITÁRIO CÂNDIDO RONDON - UNIRONDON

2 CENTRO UNIVERSITÁRIO CÂNDIDO RONDON UNIRONDON Rogério Boscoli da Silva Diretor de Unidade Alceu Vidotti Diretor acadêmico REVISTA JURÍDICA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO - UNIRONDON Manoel Messias Dias Pereira Roberta Favalessa Donini Débora Carlotto Botan de Souza Coordenadores da edição CURSO DE DIREITO Manoel Messias Dias Pereira Coordenador do Curso de Direito Roberta Favalessa Donini Coordenadora Adjunta CONSELHO EDITORIAL Ariagda Moreira (UNIRONDON) Débora Carlotto Botan de Souza (UNIRONDON) Manoel Messias Dias Pereira (UNIRONDON) Roberta Favalessa Donini (UNIRONDON) Rosemar Coenga (UNIRONDON) Saul Tibaldi (UFMT)

3 CENTRO UNIVERSITÁRIO CÂNDIDO RONDON UNIRONDON REVISTA JURIS RONDON DO CURSO DE DIREITO DO UNIRONDON Revista do Curso de Direito do Centro Universitário Cândido Rondon UNIRONDON, v. 1, Cuiabá

4 Sumário Mandado de Segurança Individual e Efeito Erga Omnes...05 Manoel Messias Dias Pereira Aplicação do Principio da Insignificância nos Crimes Ambientais...15 Débora Carlotto Botan de Souza Atuação Direta do Estado na Economia no Caso dos Correios (ECT)...36 Roberta Favalessa Donini Direito e Literatura em Diálogo...46 Rosemar Coenga Insegurança e Insustentabilidade no Meio Ambiente do Trabalho...56 Evandro Trindade do Amaral Denunciação da Lide em Juizados Especiais Fui Acionado em Juízo e Possuo Seguro, Posso Denunciar Minha Seguradora?...68 Gélison Nunes de Souza Judicialização da Política: Mecanismo de Fortalecimento da Democracia...77 Marcus Vinicius Taques de Arruda Alguns Apontamentos Sobre a Função Extra-Fiscal do Imposto Predial e Territorial Urbano...86 Dimas Simões Franco Neto Tutela Jurídica do Patrimônio Cultural: Integração do Patrimônio Cultural e Natural e Patrimônio Cultural Imaterial Solange de Holanda Rocha Da Responsabilidade Civil pelo Dano Ambiental João Alves Resende Júnior A Proteção da Posse no Direito Brasileiro: Aspectos Processuais Vinicius Ramos Barbosa Habeas Corpus: Instrumento de Liberdade Ricardo Saldanha Spinelli

5 MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL E EFEITO ERGA OMNES Manoel Messias Dias Pereira 1 1 Graduado em Direito. Graduado em Filosofia. Graduado em Economia. Pós-graduado em Fisolofia. Mestre em Direito Processual Penal. Doutorando em Ciências Jurídico-Criminais. Professor da Graduação e Pós-Graduação. Resumo A decisão do mandado de segurança individual e extensão de seus efeitos a todos os demais servidores públicos que se encontram na mesma situação fático-jurídica. Os atos administrativos gerais abstratos ou concretos e os individuais plúrimos envolvem direitos e interesses de grupo determinado ou indeterminado de servidores públicos, ou, pelo menos, de mais de um servidor. A extensão de decisão judicial em mandamus individual com fundamento nos Princípios Constitucionais da Legalidade e da Isonomia formal. PALAVRAS-CHAVE: Mandado de Segurança Individual; Princípio da Legalidade; Princípio da Isonomia formal; Lógica; Ato Administrativo Geral Abstrato ou Concreto; Ato Administrativo Individual plúrimo. O presente trabalho tem por objeto a extensão dos efeitos da decisão do mandado de segurança individual a outros que não figuram como impetrantes. Especificamente, e como delimitação exclusiva da presente análise, a extensão da decisão do mandamus a outros servidores públicos que não figuraram no polo ativo contra ato administrativo. Pois, como os atos administrativos gerais abstratos ou concretos ou os individuais plúrimos, 2 acabam por envolver o interesses de mais de um servidor público, a repercussão de qualquer decisão judicial que afaste o ato por ilegalidade inevitavelmente atingirá todos os servidores que se encontrem na mesma situação fático-jurídica. Assim, além do aspecto lógico, os efeitos da decisão judicial serão 2 Todas as vezes que o presente trabalho se referir a ato administrativo este será entendido nas seguintes espécies: geral abstrato ou concreto e individual plúrimo. 5

6 analisados em relação aos Princípios Constitucionais da Legalidade e da Isonomia Formal. 1 EXTENSÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO DO MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL E O PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA LEGALIDADE O efeito da decisão judicial que concede a ordem em sede de mandado de segurança individual pode ser estendido a demais servidores público que se encontram na mesma condição fático-jurídica, pertencente à mesma categoria? O fundamento dessa resposta encontra-se tanto nos conceitos da lógica formal quanto nos princípios da Constituição Federal, especificamente o da Legalidade e o da Isonomia Formal, em estrita obediência ao sistema hierarquizado de normas adotado pelo nosso ordenamento jurídico. Pois, como norma normarum, aos moldes dos postulados kelsenianos, a Constituição estabelece uma estrutura normativa hierarquizada, com seu locus situado no ápice da pirâmide. No vértice oposto, por sua vez, como base nessa estrutura, encontram-se os atos administrativo, as decisões judiciais, igualmente integrantes do sistema. A harmonia, portanto, deve ser estabelecida do ápice à base e desta àquela, como concordância lógicojurídica inarredável e irrenunciável aos postulados assumidos pelo legislador constituinte através do poder originário. 3 O ato administrativo, inserido nesse desdobramento hierárquico kelseniano, caracteriza-se por ser uma declaração prescritiva, uma pronúncia relacionada a certa coisa ou situação, que afirma e/ou instrui como tal coisa ou situação deve ser. 4 Não obstante, não dispõe de poder bastante para inovar a ordem jurídica, e, como tal, vincula-se à lei ou 3 Ao poder comprovar normas jurídicas que permitem a elaboração de outras normas jurídicas (ou de partes destas: disposições jurídicas), pode-se estabelecer, antes de tudo, uma graduação, dentro da ordem jurídica: a graduação entre as normas jurídicas que regulam a elaboração e as disposições jurídicas e que obedecem a determinadas normas de produção jurídica (regra de elaboração de direito) deriva sua validade da norma produtora de direito pode ser considerada superior, e as disposições jurídicas elaboradas de acordo com ela, inferiores. A norma de elaboração jurídica superior condiciona a norma elaborada inferior (KELSEN, Hans. Teoria pura do direito. Trad. J. Cretella Jr. e Agnes Cretella. 5. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, pp. 38 e 39). 4 MELLO, Celso A. Bandeira de. Curso de direito administrativo. 11. ed. São Paulo: Malheiros Editores, p

7 à própria Constituição, no estrito espaço permitido. 5 Nisso, inexiste espaço jurídico para o ato administrativo que esteja fora da moldura permissiva da lei. Por dever ser, nesse caso, realidade endógena ao sistema normativo: a endogeneidade ou exogeneidade do ato administrativo refere-se tanto à forma quanto ao conteúdo. Pois, como ato infralegal, deve encontra-se inserido (endógeno) no harmônico desdobramento vertical descendente. A Constituição e as leis constituem condicionantes prévios, limitantes e inarredáveis de manifestação do ato administrativo. Caso contrário (como realidade exógena) deve ser expurgado do cenário jurídico por incongruência vertical, como consequência ao desrespeito da sistematização jurídico-hierárquica 5 Diz Kelsen que a Constituição regula, no essencial, a elaboração das leis, a legislação é, com respeito a ela, aplicação do direito. Com relação ao decreto e a outros atos subordinados à lei, ela é, ao contrário, criação do direito; o decreto é, também, aplicação do direito com respeito à lei e criação do direito com respeito à sentença e ao ato administrativo que o aplicam. Estes, por sua vez, são aplicação do direito, se olharmos para cima, e criação do direito, se olharmos para baixo, isto é, no que concerne aos atos pelos quais são executados ( KELSEN, Hans. Jurisdição constitucional. Trad. do alemão Alexandre Krug. São Paulo: Martins Fontes, p. 125) estabelecida na Constituição: A supremacia da lei expressa a vinculação da Administração ao Direito, o postulado de que o ato administrativo que contraria norma legal é inválido. 6 A concepção do Princípio da Legalidade, assim, não deve ser restringida à questão meramente formal contemplada na cláusula ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, 7 como ponto específico, isolado de um sistema jurídico de fluxo. Pois, a estrutura normativa caracteriza-se como verdadeira transferência de valores, forças, do topo à base. Dai inferir ser a lei um elemento normativo de conexão. Conforme Kelsen, o ordenamento jurídico apresenta-se escalonado, em diferentes níveis, com a Constituição posicionada no ápice da pirâmide normativa, e, as demais normas infraconstitucionais, situadas em escalão inferior, buscam validade jurídica na Carta Inaugural. 8 O 6 MENDES, Gilmar Ferreia; COELHO, M. C.; BRANCO, Paulo G. G. Curso de Direito Constitucional. 2. ed. São Paulo: Saraiva, p Constituição Federal/88, artigo 5º, II. 8 PEREIRA, Manoel Messias D. Direito processual penal e direito constitucional uma abordagem dialética. Cuiabá: Ligraf, p

8 ordenamento jurídico, assim, é apresentado como uma estrutura de normas superiores-fundantes e inferiores-fundadas. 9 Não deve, por isso, nenhuma norma de hierarquia inferior colocar-se em confronto com outra norma de posição hierárquica superior, bem como nenhuma norma inferior pode estar em desconformidade com as próprias normas e princípios, explícitos e implícitos, da Constituição, sob pena de nulidade, anulabilidade ou ineficácia. 10 A norma só tem o condão de inovar a ordem jurídica, ao conceder direito e/ou impor obrigações, caso esteja conectada em outra norma. E é isso que faz dela endógena ou exógena à estrutura normativa. Norma que não mantém pelo menos uma conexão ascendente mantém-se exógena à realidade articulada de normas. Mesmo a atual Constituição deve estar em conexão com a Constituição anterior, e, assim, sucessivamente, até a 9 SGARBI, Adrian. HANS KELSEN: Ensaios Introdutórios ( ). vol. 1. Rio de Janeiro: Lumen Juris, p CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito constitucional. 6. ed. Coimbra: Almedina, p Constituição Primeira. Apenas esta última (Constituição Primeira) se volta para a descendência, como fonte de per si. As leis complementares e ordinárias são verdadeiramente normas de fruição. Elas buscam força vital em norma hierarquicamente superior e realiza a transferência dos valores dessa para outra hierarquicamente inferior, ainda, que, também, criam realidades jurídicas: concedem direitos e impõem obrigações. No outro extremo, o ato administrativo ou a sentença, volta-se apenas para sua ascendência, a lei imediatamente superior, como fonte normativa indispensável. Ao apartar dessa fonte ascendente imediata, rompe com o desdobramento normativo de conexão em cadeia. 11 E, afastadas do 11 Hans Kelsen já dizia que a validade de uma norma fundamenta a validade de uma outra norma, de um modo ou de outro, constitui a revelação entre uma norma superior e uma inferior. Uma norma está em relação com uma outra norma; a superior em relação com uma inferior, se a validade desta é fundamentada pela validade daquela. A validade da norma inferior é fundamentada pela validade da norma superior pela circunstância de que a norma inferior foi produzida como prescreve a norma superior, pois a norma superior, em relação com a inferior, tem o caráter de Constituição, pois que a natureza da Constituição existe na regulação da produção de normas (KELSEN, Hans. Teoria geral das normas. Trad. José Florentino Duarte. Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris, pp. 329 e 330). 8

9 desdobramento hierárquico, tornam-se exógenas ao sistema normativo. A decisão judicial tem o poder jurídico de dizer se o ato administrativo insere-se ou não nesse desdobramento hierárquico, ao proclamar se ele é legal ou ilegal. 2 EXTENSÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO DO MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL E O PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA ISONOMIA FORMAL Mas a análise não se restringe ao Princípio da Legalidade, vai além, uma vez que o tema precisa ser analisado sob o prisma do Princípio da Isonomia formal. Assim, poderia não haver extensão dos efeitos da decisão de mandado de segurança individual aos demais servidores públicos que se encontrassem na mesma situação fáticojurídica do impetrante? Para tal resposta torna-se impreterível, primeiramente, a conceituação de alguns atos administrativos. Especificamente os atos gerais, abstratos e concretos e os atos individuais plúrimos, por terem, tais atos, como característica própria, a repercussão dos efeitos para um grupo de pessoas (mesmo interesse), determinada ou indeterminada. Após, retornaremos a análise do tema sob o prisma do Princípio da Isonomia formal. Conforme Bandeira de Mello, os individuais plúrimos são atos administrativos cujos destinatários são múltiplos sujeitos especificados. 12 Os gerais são atos administrativos que têm por destinatários uma categoria de sujeitos inespecificados, porque colhidos em razão de se incluírem em uma situação determinada ou em uma classe de pessoas. 13 Os atos abstratos são os que preveem reiteradas e infindas aplicações, as quais se repetem cada vez que ocorra a reprodução da hipótese neles prevista, alcançando um número indeterminado e indeterminável de destinatários. 14 Os atos concretos são os que dispõem para um único e 12 MELLO, Celso A. Bandeira de. Curso de direito administrativo. 11. ed. São Paulo: Malheiros Editores, p Idem. Ibidem. Hely Lopes Meirelles apresenta definição semelhante, ensinando que atos administrativos gerais são aqueles expedidos sem destinatários determinados, com finalidade normativa, alcançando todos os sujeitos que se encontrem na mesma situação de fato abrangida por seus preceitos. São atos de comando abstrato e impessoal, semelhantes aos da lei (Direito administrativo brasileiro. 29. ed. São Paulo: Malheiros, p. 161). 14 Idem. p

10 específico caso, esgotando-se nesta única aplicação. 15 Assim, qual a relação que se estabelece entre os efeitos da decisão do mandado de segurança individual e esses citados atos administrativos, sob a ótica do Princípio Constitucional da Isonomia Formal? Ou, em outras palavras, caso determinado ato administrativo individual plúrimo ou geral, abstrato ou concreto, fosse declarado ilegal, por sentença transitada em julgado, os efeitos dessa decisão só poderia beneficiar o impetrante? A doutrina e jurisprudência diriam que sim. O efeito do mandado de segurança individual beneficiaria apenas ao impetrante, uma vez que somente este figurou no polo ativo do processo, afirma a doutrina dominante. O que levaria a mais um grande equívoco, mas, que, infelizmente, vem a perpetuar em nossa realidade jurídica MELLO, Celso A. Bandeira de. Curso de direito administrativo. 11. ed. São Paulo: Malheiros Editores, p Em Hely Lopes Meirelles 16 Trata-se de verdadeira falácia, entendida esta como todo raciocínio (inferência imediata ou mediata) incorreto em sua forma ou em seu conteúdo. À inferência não-válida em sua expressão verbal cabe o nome de falácia (ALVES, Alaôr Caffé. Lógica pensamento formal e argumentação. 4. ed. São Paulo: Quartier Latin, p. 292). Pois, tal posição trata-se de verdadeiro sofisma formal, marcada pela identidade aparente de certas palavras ou sobre a relação inadequada do todo para a parte, de princípio para consequência. 17 A análise do objeto do trabalho extensão dos efeitos jurídicos da decisão do mandado de segurança individual - deve ser hermeneuticamente objetiva, a partir do conteúdo do ato em si, e, não, por critérios subjetivos, relacionados aos benefícios que o impetrante, e apenas este, poderia auferir da supressão do ato administrativo ilegal, em sede de mandado de segurança individual. O que caracterizaria aplicação de conceitos de direito estritamente privatista em caso eminentemente publicista, o que seria de todo absurdo. Pois, no âmbito privatista el proceso implica un auténtico contrato entre las partes, 18 ao fazer com que as consequência da decisão restrinja às partes processuais. O que seria 17 ALVES, Alaôr Caffé. Lógica pensamento formal e argumentação. 4. ed. São Paulo: Quartier Latin, p ARAGONESES, Pedro. Proceso y derecho procesal concepto, naturaleza, tipos, método, fuentes y aplicación del derecho procesal. Madri: Aguilar, p

11 inadmissível na esfera pública, ao tratar de atos administrativos das espécies gerais abstratos ou concretos e individuais plúrimos. As consequências da decisão em mandamus individual pode transbordar para outros servidores que não foram impetrantes, desde que o ato administrativo atacado seja um das espécies citadas. A interpretação, como foi dito, deve pautar por critérios objetivos num ambiente do direito público. É a legalidade ou a ilegalidade do ato que deve ser considerada. O efeito do que é legal ou ilegal, reconhecida em decisão judicial transitada em julgado, deve ser extensiva ao se tratar da mesma situação fático-jurídica, como realidade pública. O ato administrativo, nessa situação, atua em um espaço delimitado, em cujo ambiente se acham os direitos ou interesses de mais de uma ou de um grupo de pessoas, de acordo com a natureza do referido ato administrativo. É sua realidade jurídica, levado pela crença de sua veracidade. E, de fato, tal característica do ato existe, como conceito a priori. Que permanecerá até que a própria Administração pública em ato posterior o expulse ou que o judiciário a exclua do cenário jurídico. Sendo o ato geral, abstrato ou concreto, ou mesmo individual, desde que seja plúrimo, atua numa espaço para todos aqueles que se encontram na mesma realidade fático-jurídica. Por isso, em certa realidade delimitada pelo ato administrativo não pode haver situação legal e ilegal simultaneamente ( A e não-a ), como consequência derivada do mesmo ato, o que levaria a uma contradição lógica inaceitável. Repugnável na lógica formal, repugnável na esfera jurídica. Pois, do ponto de vista ontológico: nenhuma coisa é e não é, simultaneamente e sob o mesmo aspecto ou relação. 19 Os atos administrativos individuais plúrimos ou gerais abstratos/concretos ou mentem-se legais para todas as pessoas que se enquadram na situação regulamentada, ou, por outro lado, mentem-se ilegais para todas elas, tendo em vista que seu conteúdo irradia força jurídica para todos esse servidores isonomicamente. Com a declaração judicial de sua ilegalidade, lógica e juridicamente que 19 ALVES, Alaôr Caffé. Lógica pensamento formal e argumentação. 4. ed. São Paulo: Quartier Latin, p

12 o efeito dessa decisão deva ser erga omnes, tendo em vista que o conteúdo do ato fora atingido. O que é restabelecido, de pronto, o status quo ante: que corresponderia ao da ausência do ato administrativo. Sendo assim, a decisão do Poder Judiciário, que determinou sua retirada do cenário jurídico, faz efeito, também, erga omnes, ainda que em sede de writ individual. Com isso eliminaria a contradição que possa existir, caso o administrador insista em querer exigir a execução de seu ato administrativo aos demais servidores que não participaram do mandado de segurança individual impetrado. O mesmo ato administrativo de amplitude geral não pode ser ilegal para os impetrantes do mandamus e legal para outros (não impetrantes), por estarem, todos, na mesma situação jurídica. Aplica-se aqui, também, o brocardo latim: Ubi eadem ratio, ibi eadem jus. Caso contrário, flagrantemente violaria o Princípio Constitucional da Isonomia Formal. E, com isso, a injustiça 20 estaria 20 Sobre a justiça John Rawls, querendo substituir a idéia utilitarista por uma teoria da justiça superior, tentou recentemente restaurar a tradicional do contrato social. Ele institucionalizada pelo poder público. Quando, não menos gravoso, a imoralidade administrativa. A identificação do raciocínio jurídico com uma lógica formal lhe conferiria o rigor e a certeza que em geral lhe faltam e pode ser percebida como um bem. 21 CONCLUSÃO De tudo exposto, percebe-se que o ato administrativo, na concepção kelseniana, deve ser entendido como ponto final do desdobramento hierarquizado de normas. Em consequência, o ato administrativo porta valores do ato legal superior e imediato do qual emana, como verdadeira relação de obediência, haja vista que não tem poder jurídico suficiente para inovar a ordem jurídica. se fundamenta no princípio da igualdade na atribuição dos direitos e dos deveres básicos e na idéia de que desigualdades socioeconômicas são justas apenas se produzirem, em compensação, vantagens para todos e, em particular, para os membros mais desfavoráveis da sociedade. A justiça é assim concebida principalmente como eqüidade, e a injustiça, como as desigualdades que não beneficiam a todos (BORGEL, Jean-Louis. Teoria geral do direito. Trad. Maria Ermantina de A. P. Galvão. São Paulo: Martins Fontes, p. 25). 21 BORGEL, Jean-Louis. Teoria geral do direito. Trad. Maria Ermantina de A. P. Galvão. São Paulo: Martins Fontes, p

13 Caso seu conteúdo ou forma esteja discrepante com a determinação legal, deverá ser expurgado do cenário jurídico. Será ato estranho ao sistema hierarquizado de normas. Tanto a Constituição quanto a lei não o reconhecerá. Especificamente se a ilegalidade de tal ato administrativo já tiver sido reconhecida pelo judiciário por decisão transitada em julgado. Com o reconhecimento da incompatibilidade vertical do ato administrativo, pelo judiciário, seus efeitos devem ser imediatamente obstados. Infere-se daí que a declaração de ilegalidade de qualquer ato administrativo que seja conceituado de geral, abstrato ou concreto, ou mesmo individual plúrimo, tem efeito erga omnes em relação aos outros servidores públicos que se encontram na mesma situação fático-jurídica. de estrita e eminente esfera publicista. A confusão é grande e recorrente na doutrina e na jurisprudência, quase unânime. Pois, entender que um ato administrativo possa ser legal para um servidor público, impetrante de mandado de segurança individual, e, ilegal para outros servidores públicos, ao estarem estes na mesma situação jurídica do impetrante, levaria à irremediável violação do Princípio da Isonomia formal. A doutrina e a jurisprudência mantém esse grande e nefasto equívoco, ao considerar, na mesma realidade ou situação variáveis dos tipos A e não-a. A contradição é evidente. A interpretação deve ser objetiva, ao partir da legalidade ou da ilegalidade do ato administrativo. O que fará refletir, objetivamente, na situação dos demais servidores públicos que não figuraram no polo ativo do writ individual. O que afastaria toda utilização de critérios privatista em caso 13

14 REFERÊNCIAS ALVES, Alaôr Caffé. Lógica pensamento formal e argumentação. 4. ed. São Paulo: Quartier Latin, ARAGONESES, Pedro. Proceso y derecho procesal concepto, naturaleza, tipos, método, fuentes y aplicación del derecho procesal. Madri: Aguilar, BORGEL, Jean-Louis. Teoria geral do direito. Trad. Maria Ermantina de A. P. Galvão. São Paulo: Martins Fontes, CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito constitucional. 6. ed. Coimbra: Almedina, KELSEN, Hans. Teoria geral das normas. Trad. José Florentino Duarte. Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris, Teoria pura do direito. Trad. J. Cretella Jr. e Agnes Cretella. 5. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, Jurisdição constitucional. Trad. do alemão Alexandre Krug. São Paulo: Martins Fontes, MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 29. ed. São Paulo: Malheiros, MELLO, Celso A. Bandeira de. Curso de direito administrativo. 11. ed. São Paulo: Malheiros Editores, MENDES, Gilmar Ferreia; COELHO, M. C.; BRANCO, Paulo G. G. Curso de direito constitucional. 2. ed. São Paulo: Saraiva, PEREIRA, Manoel Messias D. Direito processual penal e direito constitucional uma abordagem dialética. Cuiabá: Ligraf, SGARBI, Adrian. HANS KELSEN: Ensaios introdutórios ( ). vol. 1. Rio de Janeiro: Lumen Juris,

15 PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA NOS CRIMES AMBIENTAIS Débora Carlotto Botan de Souza 1 1 Advogada. Pós-graduada em Direito Público. Pós-grauada em Direito Ambiental e Urbanistico. Mestre em Direito Constitucional Econômico. Professora da Graduação do Centro Universitário Cândido Rondon - UNIRONDON. Resumo O presente artigo científico tem por objetivo abordar o princípio da insignificância dos crimes ambientais. Na seara ambiental, inobstante a preocupação com sua preservação, o confere ao nosso sistema de proteção ao meio ambiente todo um aparato legislativo, de ordem constitucional e infraconstitucional, bem como toda uma estrutura organizada, composta de órgãos consultivo e deliberativo, como o CONAMA, e executivo, como o IBAMA, além das secretarias estaduais e municipais responsáveis por esse setor, não se infere dizer que seus atos possuem eficácia plena e aplicabilidade imediata, pelo que estão passíveis de passarem pelo crivo do judiciário. Nesse contexto, os crimes ambientais também estão sujeitos à principiologia do direito penal, particularmente quanto ao da insignificância, razão pela qual as acusações, em que pese crime e dano em matéria penal-ambiental devem passar por um procedimento judicial a fim de conferir legalidade e proporção de pena ao ato danoso em cada caso concreto. Com base nessas considerações, este artigo estuda o tema ora proposto, o que se dá com a metodologia de pesquisa bibliográfica quantitativa e a utilização do método de pesquisa dialético e dedutivo. Palavras chave: Meio Ambiente. Direito. Princípios. Insignificância. Crimes ambientais. 15

16 O meio ambiente precisa ser protegido. Da simplicidade dessa frase ecoam-se diversas discussões e debates acerca da proteção ao meio ambiente bem ainda da legalidade e proporcionalidade com que esse objetivo é realizado. De um lado, é de conhecimento comum nos cursos de formação jurídica, que o patrimônio ambiental brasileiro conta com ampla proteção legislativa e administrativa, isto porque é preciso também conviver em um meio ambiente naturalmente sustentável. O entendimento se completa pelo teor do artigo 225 do Texto Constitucional. Fato que, além da estrutura normativa e administrativa, regula e organiza as disposições gerais e específicas em torno da proteção aos recursos naturais, conta também com aparato repressor ambiental, disciplinado pela Lei 9.605/98. Contudo, não é a relevância da preservação ambiental que confere todo o ferramental legal e organizacional dispostos em sua proteção ao meio ambiente, que afastará os atos dos órgãos e agentes governamentais a observância na legalidade estrita, constitucionalmente prevista na CF/88, bem ainda a observação dos princípios constitucionais e penais sobre cada ato fiscalizatório e de persecução penal decorrente da atuação desses órgãos administrativos, ou ainda, pelo Ministério Público. Nesse passo, por vezes, as multas, os autos de infração e as acusações penais acerca dos crimes contra o meio ambiente fogem à regra legal, por não preencher corretamente o devido processo legal, bem como requisitos dos atos administrativos, quando são abusivas ou desproporcionais à pessoa fiscalizada. Está nesse contexto, o princípio da insignificância dos crimes ambientais. Assim, este artigo científico o princípio em destaque, que, para tanto, se divide em quatro partes, sendo este intróito, duas seções e uma conclusão. A primeira seção estuda a questão da proteção ambiental e o sistema principiológico do direito, bem como acerca dos princípios voltados à administração pública e dos aspectos da legalidade relacionados penalidades administrativas. 16

17 A segunda seção, abarca o principio da insignificância dos crimes ambientais propriamente dito. A conclusão resgata a veia de entendimento central e esboça reflexões a respeito do conteúdo aqui estudado. A QUESTÃO DA PROTEÇÃO AMBIENTAL E O SISTEMA PRINCIPIOLÓGICO DO DIREITO Conforme assinalado no intróito, a questão ambiental no Brasil conta vários instrumentos em prol da Política Nacional do Meio Ambiente. Trata-se de um vasto programa de ações do Governo, embasados por um conjunto sistêmico de princípios, que definem objetivos e dá lugar à sua compatibilização e integração por meio de um conjunto de ações, programas, leis, regulamentos e atos administrativos. Por certo que os princípios que embasam os instrumentos da Política Nacional do Meio ambiente formam a base de todo esse gerenciamento de proteção ao meio em que vivemos. Em sentido metafórico, vale apontar que um dos primeiros princípios de proteção ao meio ambiente está destacado, seqüencialmente, no artigo 1º, inciso III da Constituição Federal, em que a dignidade da pessoa humana é um dos fundamentos da República, fato que, para ter uma vida, diga-se também uma vida digna, é preciso conviver em meio ecológico equilibrado. Na sequência, o artigo 225 da CF/88 traça as diretrizes gerias acerca do dever da proteção ambiental. Ato reflexo, sobre o patrimônio ambiental brasileiro recai todo um arcabouço jurídico, que regula, disciplina e dispõe sobre a proteção ao meio ambiente. Como exemplo, pode-se citar a Lei 8.746, de , que cria o Ministério do Meio Ambiente; a Lei 7.735/1989 cria o IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais; a Lei De , dispõe sobre a Política Nacional de Recursos Hídricos; a Lei 9.795, de , regula a Política Nacional de Educação Ambiental; além da Lei 6938/8, trata acerca da Política Nacional do Meio Ambiente e a Lei 9.985/2000, regulamenta o art. 225, 1 o, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de 17

18 Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências 23. Pela via organizacional, a gestão de nosso patrimônio ecológico conta com a proteção do SISNAMA - Sistema nacional do meio ambiente, responsável por efetivar a política de meio ambiente do Brasil; do CONAMA Conselho Nacional de Meio Ambiente, que, como órgão consultivo que tem a função de estudar auxiliar e propor ao conselho de governo, diretrizes governamentais para o meio ambiente e os recursos naturais. Já como órgão deliberativo, tem por finalidade deliberar em seu âmbito de competência normas padrões para o meio ambiente ecologicamente equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida VADE MECUM. Constituição Federal, Código Civil, Código de Processo Civil, Código Penal, Código de Processo Penal, Código Comercial, Código Tributário Nacional, Código Eleitoral, Consolidação das Leis do Trabalho, Código de Defesa do Consumidor, Código de Transito Brasileiro. Estatutos. Legislação Complementar. Obra coletiva de autoria da Editora Saraiva, com a colaboração de Antônio Luiz de Toledo Pinto, Márcia Cristina Vaz dos Santos Windt e Livia Cespedes. 9 ed. São Paulo: Saraiva, MAZZILLI, Hugo Nigro. A defesa dos interesses difusos em juízo: meio Bem ainda, conta com o IBMA - Órgão competente para efetuar o licenciamento ambiental de obras de caráter nacional, estadual e regional, quem tem a competência legal para exercitar o poder de polícia; além dos órgãos seccionais estaduais e locais, responsáveis pela preservação ambiental. Além do Ministério Público, que cuida da persecução penal dos crimes ambientais 25. Ante todo esse aparato legislativo e administrativo organizacional, pode-se perceber que o meio ambiente brasileiro meio diversificados de tutela jurídica e administrativa. Tal fato está relacionado com a principiologia de proteção ambiental em que está envolvido. Acerca disso, segundo Edis Milaré, princípio é o que vem por primeiro, designando um começo, um início, um ponto de partida 26. ambiente, consumidor, patrimônio cultural, patrimônio público e outros interesses. 20 ed. rev. atual. e ampl. São Paulo: Saraiva, Id. Ibidem. 26 MILARÉ, Édis. Direito do Ambiente. A gestão Ambiental em foco. Doutrina. Jurisprudência. Glossário. 5. ed. ref, atual. e ampl., São Paulo: Editora RT, 2007, Capítulo III O Direito do Ambiente; itens: 3. Conceito de Direito do Ambiente e 4. Princípios Fundamentais do Direito ao 18

19 Nesse passo, pode-se argumentar que um princípio para o direito é um valor, é um esteio, é mais do que uma regra, quando não, antecede a ela, porque esta nasce/surge de um princípio 27. Assim, os princípios, quanto ao conteúdo, são normas que traduzem valores a ser preservados ou alcançados, deixando espaço para o intérprete identificar, dentro de referida norma, os delineamentos desses valores para concretização no momento de sua aplicação, enquanto as regras se limitam a traçar uma conduta 28. Podemos entender então que os princípios constitucionais possuem um Ambiente, pág 758 a 780. Material da 3ª aula da Disciplina Direito Ambiental Constitucional, ministrada no Curso de Pós-Graduação Lato Sensu TeleVirtual em Direito Ambiental e Urbanistico UNIDERP/REDE LFG. 27 CALVET, Otavio Amaral. Princípios e Regras: A Eficácia Jurídica dos Princípios Constitucionais: Direito ao Lazer nas Relações de Trabalho. 1ª ed. Rio de Janeiro: LTr, 2006, p.28/ Para falar dos princípios constitucionais, sua interpretação e aplicação, Calvet cita a obra de BARROSO, Luís Roberto (org). A Nova Interpretação Constitucional. Ponderação, Direitos Fundamentais e Relações Privadas. Rio de Janeiro São Paulo: Renovar, 2003ª, p valor simbólico que precisa ser respeitado. Vejamos: Consequentemente, o conteúdo semântico do signo princípio é o de um critério elaborado pela pragmática (comportamental) da comunicação jurídica e utilizado como base para o discurso deôntico. Por isso, o princípio tanto pode apresentar-se como norma jurídica em um determinado sistema, como pode constituir pautas de valores adotados pelo sistema para inspirar normas jurídicas. São exemplos de tais pautas, a que nega proteção jurisdicional a quem invoca sua própria torpeza: a que proscreve a interpretação analógica das leis penais; a que estabelece e presunção de legitimidade dos atos do poder público, etc. 29. Assim, no Direito Ambiental como também em outras disciplinas, os princípios auxiliam a compensação e consolidação de seus institutos SABBAG, EDUCARDO. Princípios constitucionais. Disponível em: <http://www.professorsabbag.com.br/arquiv os/downloads/ _artigo%20- %20Principios%20Constitucionais%20Tribu tarios.pdf. Acesso em 05/12/ MAGALHAES, H. o que é direito ambiental. Disponível em: 19

20 Igualmente, em nossa Carta Maior há diversos princípios. Eles é que formam o núcleo base de nosso texto constitucional, também chamados de cláusulas pétreas ou mesmo cerne fixo dos núcleos constitucionais 31. a CF/88 Em se tratando de meio ambiente, comporta uma série de princípios ambientais, expressos ou implícitos, gerais ou especiais, substantivos ou procedimentais 32. Dentre esses, pode-se apontar o princípio da primariedade do meio ambiente, o princípio da exploração limitada da propriedade, o principio da prevenção, o princípio do poluidor pagador, o princípio do usuário pagador, o da função ecológica da propriedade, bem ainda, o princípio da precaução e o princípio da prevenção 33. ref/paia-6s9tonq> Acesso em: 11/12/ Nesse sentido, Alexandre de Morais, in: Direito Constitucional. 25 ed. São Paulo: Atlas, 2010, p. 32/34, 712/ HOSI, Thais Baia Herani. Mudanças climáticas e as medidas do protocolo de quioto. Monografia apresentada à Faculdade de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso. Dissertação (Especialista em Direito Agroambiental). 2008, 65 f. Cuiabá/MT, Na lição de Celso Antônio Pacheco Fiorillo, o princípio da prevenção é um dos mais importante que norteiam o direito ambiental, sendo para esse ramo do direito um preceito fundamental, isto porque os Tais princípios são voltados exclusivamente para proteção ao meio ambiente, cuja observância se destina, principalmente, para a pessoa usuária do meio ambiente, em suas ações de intervenção e manipulação dos recursos naturais. Mas há outros, voltados exclusivamente para a administração pública, no que tange à consideração das ações públicas para com o cidadão. Nesse rol, está também inserido, de forma implícita o princípio da insignificância dos crimes ambientais, o que será mais detalhadamente estudado na seção seguinte. Por enquanto, insta esclarecer que um princípio para do direito representa um esforço de superação do legalismo estrito, o que se dá com atribuição de normatividade aos princípios e a definição de suas relações e valores, o que aproxima o direito e a ética 34. danos ambientais são em sua maior parte irreversíveis e irreparáveis. FIORILLO, Celso Antônio Pacheco; Curso de Direito ambiental brasileiro. 5 ed. São Paulo: Saraiva 2004, p. 36 e SARMENTO, Daniel. (org.). Interesses Públicos versus Interesses Privados: desconstruindo o princípio da supremacia do interesse público. 2 tiragem. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2007, p. x/xi 20

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