A impiedade dedutiva do Sr. Thiry

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1 A impiedade dedutiva do Sr. Thiry S ThIRy A Impiedade dedutiva DO Redesenho a partir de imagem da web. R. p aul-henry Dietrich nasceu em Edeshein, no Palatinato. Tinha 12 anos quando, em 1723, o seu pai deduziu que seria bom que ele fosse para a França viver com o tio Franciscus Adam Holbach, um cervejeiro naturali- zado francês, enriquecido sob a Regência e feito barão pela corte de Viena. de Rousseau. Graças à herança do tio, no devido tempo, tornou-se Barão d Holbach, e passou a assinar como Paul-Henry Thiry. A dedução do Sr. Dietrich tinha uma premissa: a de que o menino Paul-Henry poderia se beneficiar da proximidade com o tio rico. Mas teria fundamento? Algumas deduções que fazemos são óbvias, como a de que pessoas com o mesmo sobrenome são aparentadas. Outras são obscuras, como a de que se cruzarmos os dedos em uma decolagem anulamos a possibilidade de que o avião venha a cair. O problema é: como ter certeza de que as nossas deduções são razoáveis? Poderíamos deduzir que o raciocínio do pai foi sensato ou que ele teve sorte. Mas a lógica, como a vida, é mais complicada. O pobre menino plebeu Dietrich, feito o rico homem Thiry, Barão d Holbach, teve uma vida enredada. Não só mudou de nome e de status como, clandestinamente, fez uso de pseudônimos, dedicou-se à subversão política, à disputa intelectual e ao ateísmo panfletário. O raciocínio do Sr. Dietrich deu certo. O menino Paul-Henry teve uma educação esmerada. Estudou na Universidade de Leiden. Retornou a Paris, já adulto. Ali professou um anticlericalismo feroz e um cientificismo fatalista. Chegou a ser um intelectual respeitado, amigo de muitos dos enciclopedistas, embora desafeto 102 R e v i s t a d a ES P M janeiro / fevereiro de 2009

2 Hermano Roberto Thiry-Cherques Uma vida e tanto. Teria o pai do Sr. Thiry deduzido que seria assim? Tecnicamente falando, ele não tinha elementos para isto. É possível que, conhecedor das particularidades do seu filho e da situação da época, tenha simplesmente arriscado, a sentimento, o melhor para o menino. No cotidiano, utilizamos o termo deduzido como se fosse equivalente a analítico, inequívoco, necessário ou lógico. Empregamos frequentemente o verbo deduzir como sinônimo de inferir. Dizemos que um detetive como Sherlock ou como Poirot tem um grande poder dedutivo. Que deduziu que um suspeito esteve em uma casa pelos tênues vestígios deixados em um canto obscuro. Mas deveríamos dizer que o detetive inferiu a passagem do suspeito. Isto porque a dedução tem uma conotação específica: é um caso especial da inferência. s Uma inferência ocorre toda vez que temos garantias estabelecidas ou realizamos procedimentos determinados de cálculo. O termo inferência é reservado aos argumentos nos quais as premissas impliquem positivamente a conclusão. Quer dizer, argumentos em que negar a conclusão levaria à contradição ou à inconsistência (Toumin; 2001; 175). A inferência é a operação pela qual se admite a verdade de uma proposição graças à sua ligação com outras proposições tidas como verdadeiras. Compreende, além da dedução, a indução e a abdução. Embora na vida diária não prestemos atenção a eles, as distinções entre estes conceitos são importantes para compreendermos o que se passa, efetivamente, no nosso entendimento e no mundo a nossa volta. A indução é o raciocínio que parte de dados particulares (fatos, expe riências, enunciados empíricos) e, por Dietrich, feito o rico homem Thiry, Barão d Holbach, teve uma vida enredada. Dedicou-se à subversão política, à disputa intelectual e ao ateísmo panfletário. A Iconograma do ateísmo Bettmann/CORBIS Inferência, indução, abdução e dedução s Paul-Henry Dietrich tornou-se Barão d Holbach, e passou a assinar como Paul-Henry Thiry. meio de uma sequência de operações cognitivas, chega a leis ou conceitos mais gerais, indo dos efeitos à causa, das consequências ao princípio, da experiência à teoria. A dedução é um raciocínio que deriva uma conclusão de premissas (praemissa, uma proposição posta antes). O procedimento dedutivo consiste em estabelecer uma proposição a premissa ou premissas tidas como verdadeiras para, seguindo uma regra lógica, chegar à outra proposição, esta conclusiva, tida como necessária e evidente. A premissa maior de um raciocínio dedutivo é aquela de duas premissas que contém o termo mais geral. A menor é a que contém o caso particular, ou, para os raciocínios disjuntivos, a que contém a hipótese (uma conjectura duvidosa) ou a alternativa (o sistema de proposições em que pelo menos uma é verdadeira, do tipo, ou bem isto, ou aquilo). O raciocínio é dito dedutivo-categórico î janeiro / fevereiro de 2009 R e v i s t a d a ES P M 103

3 A impiedade dedutiva do Sr. Thiry quando parte de proposições dadas como verdadeiras, e dedutivo-hipotético ou disjuntivo se as proposições iniciais são apenas supostas a título provisório. A dedução é perfeita se e quando as premissas contêm tudo o que é necessário para se chegar a uma conclusão, (como em: se A é igual a B e B é igual a C, então A é igual a C), ou imperfeita, quando a premissa menor é incerta. Neste último caso trata-se de uma abdução. A abdução é a busca de uma conclusão pela interpretação racional de sinais, de indícios, de signos, como no caso dos contos policiais. É uma dedução probabilística. Foi descrita por Aristóteles (1952; Top. VIII, 5, 159b 8) como o silogismo em que a premissa maior é evidente, a menor é provável e a conclusão é verossímil. Aristóteles identificou a dedução ao silogismo, com o raciocínio que procede do universal ao particular, oposto à indução, que parte de fatos particulares para chegar a princípios (1952; Prim. Anal. I, 24 b e II, 68b). Mas não é exato definir a dedução como o raciocínio que vai do geral ou do universal ao particular. A dedução pode ser formada só de universais e pode concluir da falsidade de um particular à falsidade de um universal. O fato de o pai de Paul-Henry ter chegado a uma conclusão acertada não significa que ele procedeu a uma dedução. O pai de Paul-Henry procedeu, no máximo, a uma abdução. Para que pudesse ter deduzido com certeza o que seria melhor para o filho, ele teria que ter partido de uma verdade já conhecida para demonstrar que ela se aplicava àquele caso particular. O ponto de partida de uma dedução é, ou uma idéia verdadeira (uma definição), ou uma teoria verdadeira (um todo sistemático de definições e demonstrações baseadas em princípios verdadeiros e s Divulgação No cotidiano, utilizamos o termo deduzido como se fosse equivalente a analítico, inequívoco, necessário ou lógico. Dizemos que um detetive como Sherlock ou como Poirot tem um grande poder dedutivo. 104 R e v i s t a d a ES P M janeiro / fevereiro de 2009 procedimentos corretos). Partindo de uma teoria, a dedução permite que cada novo caso particular encontrado seja conhecido por inclusão na teoria geral (Chauí; 2006; 67). O Sr. Dietrich tinha um anseio, uma suposição, não uma teoria. As deduções ímpias Paul-Henry, Dietrich, depois Thiry, Barão d Holbach, naturalizou-se francês em Nessa época já professava o fatalismo materialista que seria sua marca. Rico e desprendido, reuniu ao redor de mesa farta e grátis, na sua mansão da rua Royale-Saint-Roch, o cenáculo dos enciclopedistas e de visitantes de Paris, como Adam Smith, David Hume, Lawrence Sterne, Edward Gibbon e muitos outros. De formação científica, redigiu 366 artigos para a Encyclopédie nos verbetes referentes à química, à metalurgia e à mineralogia. Traduziu textos alemães e escreveu obras sobre I A

4 Hermano Roberto Thiry-Cherques A inferência é a operação pela qual se admite a verdade de uma proposição graças à sua ligação com outras proposições tidas como verdadeiras. A indução é o raciocínio que parte Indução de dados particulares, e, por meio de uma sequência de operações cognitivas, chega a leis ou conceitos gerais, indo dos efeitos à causa, das consequências ao princípio, da experiência à teoria. Abdução A dedução é um raciocínio que deriva uma conclusão de premissas. A abdução é a busca de uma conclusão pela interpretação racional de sinais, de indícios, de signos, como no caso dos contos policiais. Inferência dedução estes temas. A principal delas, Système de la nature, (2008) de 1770, traz uma concepção naturalista do homem e da sociedade. Consiste no censo dos três reinos: mineral, vegetal e animal. Estabelece um sistema de classificação ao qual Lineu recorreu para definir o homem como animal racional. Teve onze edições em vida do Sr. Thiry, mas causou transtornos. Na época da publicação do Système, ele já era conhecido pelo seu anticlericalismo e pelo seu ateísmo. Havia atacado a Igreja e ao clero, mostrando como os que servem à religião, na verdade dela se servem. Contra o teísmo, a doutrina filosófica que afirma a existência de um deus vivo e pessoal, causa do mundo, e contra o deísmo, que se atém a afirmar a determinação pela razão de um ser transcendental, o Sr. Thiry abraçava francamente o ateísmo, a doutrina que nega a existência de um deus. Ele foi um dos primeiros a fundar uma filosofia materialista sobre a base das ciências da natureza. Acreditava que toda explicação de um fenômeno deve se basear somente na consulta à matéria, a seus movimentos e às leis desses movimentos (Araújo; 2006; 62). O problema que ele se criou deriva da forma absolutamente lógica, mas atrevida como expôs o seu materialismo. O Barão passou dos limites não por ter defendido o ateísmo, mas por tê-lo deduzido logicamente. Explica-se: quando inferimos que pessoas com o mesmo sobrenome são parentes, estabelecemos uma premissa com base no conhecimento que temos da nossa cultura. Quando cruzamos os dedos para evitar que o avião caia, induzimos a partir de um fato particular: o de que até aquele momento nenhum avião caiu conosco dentro dele cruzando os dedos. Mas quando afirmamos que nada vem do nada e, portanto, o mundo é eterno, criamos uma premissa válida e incondicional que anula a divindade. O Sr. Thiry poderia ter-se contentado com o agnosticismo, a posição daqueles que sustentam que não é possível saber se existe um deus ou não. Mas ele procedeu a uma dedução, tecnicamente perfeita, do materialismo ateu. Ao derivar da premissa da existência eterna do mundo a conformação da natureza, o Barão não perpetrou nada de novo. O ateísmo materialista foi descrito por Platão (1981; Leis, X, 891c; 892b). Reza que a natureza precede a alma e a matéria precede o entendimento. Convicção que elimina a divindade como princípio metafísico, uma vez que admite a matéria como tal. Além disto, o Sr. Thiry não estava só. São pelo menos quatro as deduções ímpias sobre a origem do mundo (Rossi; 1992; 47-52): î janeiro/fevereiro de 2009 R e v i s t a d a E S P M 105

5 A impiedade dedutiva do Sr. Thiry ( a) A de Aristóteles, que conclui que o mundo é eterno partindo da premissa de tudo que se move é movido, sendo necessário um Motor Primevo. Afirmação que, ao basearse na necessidade do movimento, nega a possibilidade de um deus que, em seu poder infinito, tenha dado movimento ao que antes estava privado dele; b) A dos estóicos, que conclui que a matéria teria que existir simultaneamente à divindade coeterna, a partir da premissa de que um princípio ativo, como o de Deus, tem, necessariamente, que agir sobre alguma coisa e não sobre o nada; c) ( A de Epicuro, que, procedendo da premissa de que o que existe é natural, atribui a origem de tudo, tanto na natureza como fora dela, ao entrechoque fortuito dos átomos. Para os epicureus, mesmo os corpos dotados de sentimento são formados por átomos insensíveis. Os objetos não imediatamente percebidos podem sê-lo mediante a inferência, a partir de percepções, como ocorre com a percepção do átomo e do vazio, ou pelos signos que manifestam, como a cicatriz manifesta a ferida (Epicure; 2000; 32); d) A de Descartes, que a partir da premissa de que a matéria é dotada de movimento, conclui que o mundo tem origem nas leis mecânicas deste mesmo movimento. ) A dedução do Sr. Thiry Politicamente o Sr. Thiry foi um abusado; socialmente um herege, mas intelectualmente ele foi um cientista. O que é discutível no seu raciocínio é a premissa. Uma premissa é como uma afirmação (por exemplo, pessoas com o mesmo sobrenome são parentes), que aplicada a um caso, a uma situação (eu tenho o mesmo sobrenome de outra pessoa), dá lugar a um resultado necessário (somos parentes). O sistema dedutivo compreende uma lista de premissas tal que cada uma é um axioma, um teorema ou uma proposição inferida das que a precederam na sequência, pela qual se infere uma proposição conclusiva pela aplicação de uma regra de demonstração. A premissa da existência eterna do mundo não passa de uma suposição. Mas a sistemática dedutiva do Barão, além de não ser nova, é perfeita. Baseado em Epicuro, que sustentou que tudo é mundo, que Nada de insólito pode se produzir no Universo além do já acontecido na duração infinita (Us. 266) (Brun; 1997; 96), ele constrói a premissa maior seguindo a regra de Newton (1974; 270), que disse que a natureza não contém nada que não seja necessário. A esta regra, o Sr. Thiry aduziu que o homem é obra da natureza e existe na natureza. Portanto é submetido às leis naturais de que não pode escapar: transforma-se e, como outros elementos da natureza, pode desaparecer da face da terra (Cushing; 1914; 43). Daí ele deriva a sequência lógica: 106 R e v i s t a d a E S P M janeiro/fevereiro de 2009

6 Hermano Roberto Thiry-Cherques 1) A matéria é ativa, como demonstram fenômenos naturais como o da autocombustão e o da erupção de vulcões; (Daniel; 2008; 56) 2) Todo ente natural está dotado de um movimento próprio, que encontra obstáculos; 3) O homem é um ser natural; 4) A natureza individual, o temperamento, é resultante de causas físicas e químicas, e dos obstáculos que o movimento de cada um de nós encontra; 5) O ser humano é impulsionado à ação pelo amor a si mesmo (isto é o equivalente à força natural dos outros seres da natureza); 6) Esse impulso é corrigido, modificado, distorcido pelos obstáculos da razão e da vida social; 7) Para que tenha uma vida plena, é necessário ao ser humano eliminar os obstáculos que não sejam os da razão, os falsos obstáculos, como os mitos supersticiosos da crença em um deus; 8) Não há fundamento na suposição de que o mundo é inteligente, que tenha sido produzido ou que seja governado por um ser inteligente. Pensar que o mundo tenha sido criado é, à luz da ciência, insensatez. A idéia de Deus nasce da necessidade insatisfeita e do medo. As consequências As verdades das premissas do Sr. Thiry são discutíveis. Não a validade do processo. Ele procede do princípio da determinação causal dos acontecimentos inteligível ao cálculo, que tem como cerne a impotência ante o que as instituições, a educação e as práticas sociais nos impigem. Desse materialismo erigido como princípio, deduz, corretamente, o empirismo, o utilitarismo, o hedonismo, o reformismo político, o anticlericalismo e, é claro, o ateísmo (Paillard; sd. 22). Corretamente quer significar que ele não comete erros no encadeamento de raciocínios. Isto é, que observa estritamente as três regras que caracterizam o sistema dedutivo: 1) certas proposições têm de ser tomadas como verdadeiras sem demonstração; 2) todas as outras proposições têm de ser derivadas desta; 3) a derivação tem que de ser feita sem recorrer a conceitos que não figurem nas proposições primitivas (Kneale; 1980; 5-6). O processo dedutivo tem por objetivo evitar que as idéias se sucedam ao simples sabor da associação. Constitui correntes de noções coordenadas logicamente, obrigando a formulação completa do raciocínio, até a proposição conclusiva (Folscheid e Wunenburger; 1997; 361). O Sr. Thiry obedeceu sem desvios a esses preceitos. Os teístas e deístas sustentam que existe um equívoco na premissa do Sr. Thiry. Pode ser. Mas a sua dedução e o seu ponto de vista são tão adequados como o deles. O que não significa que seja verdadeiro. A dedução tem caráter formal, isto é, prescinde do conteúdo das proposições. Refere-se somente à sintaxe da inferência e à sua consequência lógica. A conclusão é válida em qualquer âmbito do discurso em que valham as premissas. Não existe diferença formal entre as deduções ímpias e a dedução mosaica. O argumento de Moisés, de um mundo criado do nada pela vontade onipotente e pela palavra de Deus, é igualmente bom e pode ser deduzido logicamente. O Sr. Thiry pretendia fazer ciência, não provocar a ira dos seus contemporâneos. A lógica é uma disciplina normativa, que distingue os argumentos válidos dos não válidos. Um argumento é um conjunto de proposições que s A dedução, a indução e a abdução são diferentes formas de argumentação lógica. Acredito em Deus ou cruzei os dedos é uma constatação, mas não um argumento. î janeiro/fevereiro de 2009 R e v i s t a d a E S P M Dafe Ba 107

7 A impiedade dedutiva do Sr. Thiry sustentam uma conclusão. É apresentado sob a forma de inferências. A dedução, a indução e a abdução são diferentes formas de argumentação lógica. Acredito em Deus ou cruzei os dedos é uma constatação, mas não um argumento. Ao passo que as proposições acredito em Deus porque a harmonia do mundo indica a existência de uma divindade e todas as vezes que cruzei os dedos o avião não caiu, são argumentos dedutivos porque pretendem persuadir alguém, até quem os profere, de alguma coisa (Dharamsi; 2005; 625). O Barão sofreu mais pelo seu anticlericalismo do que pelo seu ateísmo. O seu anticlericalismo também nada tinha de novo: é o mesmo de Monta i gne, que acreditava que a religião, com suas regras, seu céu e seu inferno, provém da tradição: que nós somos cristãos como somos alemães ou franceses (Montaigne; 1952; II, XII; 123). O Sr. Thiry era um desastrado social, não um agitador religioso. Tanto que ofereceu refúgio aos jesuítas exilados em Ele queria emancipar a humanidade das manifestações irracionais e fazê-la dona do seu destino. Queria livrar as instituições políticas e religiosas dominadas pelo terror da inexperiência e dos preconceitos pueris que fazem com que o homem esteja ainda em estado similar à infância, pouco propenso a consultar sua razão e a ouvir a verdade (Holbach; 2008; 12). s M. Dueñas O Barão sofreu mais pelo seu anticlericalismo do que pelo seu ateísmo. O seu anticlericalismo também nada tinha de novo: é o mesmo de Montaigne. 108 Durante muito tempo atribuiu-se o desentendimento do Barão com Rousseau a ciúmes e maledicências em torno da ópera cômica Devin du village, deste último (Cushing; 1914; 14). Consta dos Livros VIII e IX das Confissões que o Sr. Thiry era um parvenu. Rousseau cometeu inclusive o equívoco de dá-lo como filho de um cervejeiro, mas concedeu que fosse amável e que abrigou os enciclopedistas (Paillard; sd; 04). Uma picuinha pode parecer. Mas o verdadeiro motivo da desavença, acredita-se hoje, foi que o Barão deduziu, com base em premissas verdadeiras, que Rousseau havia desertado o campo do anticlericalismo (Solomon-Bayet; 1982; 171). A maioria dos enciclopedistas era deísta e Rousseau, gênio político, com certeza inferiu a impopularidade que as posições do Barão trariam para o movimento iluminista. O Sr. Thiry não era um fanático. Mas se apegava estritamente ao método, à ciência, ao reto saber. Reeditados constantemente, os seus textos são para especialistas. A sua prosa, no francês germânico do século XVIII, ainda que corrigida por Diderot, é hoje aborrecida e quase ilegível. Mas a firmeza das suas posições, bem como a forma científica em que as apresentou, ajudou a iluminar o pensamento contemporâneo. Ele dedicou a vida ao estudo, à redação e à conversação com seus amigos. Consagrou sua fortuna e sua pessoa a prover a felicidade e o bem-estar social. A sua filosofia política era simples: pretendia construir uma sociedade de homens instruídos e felizes combatendo as facções e defendendo os proprietários. O Barão morreu sem se tornar um citoyen, um mês antes que a queda R e v i s t a d a ES P M janeiro / fevereiro de 2009

8 Hermano Roberto Thiry-Cherques da Bastilha reinaugurasse a história social. Desde então a epistemologia evoluiu. Tem-se hoje que a indução e a abdução são empregadas para a aquisição de conhecimento, enquanto a dedução serve para comprovar ou verificar a verdade de um conhecimento já adquirido (Chauí; 2006; 68). Em lógica tradicional a dedução é considerada uma inferência que conduz necessariamente do verdadeiro ao verdadeiro, enquanto a indução conduz do verdadeiro ao meramente provável (Nadeau; 1999; 140). Mas é raro vermos hoje um emprego tão puro da dedução quanto o do Sr. Thiry. O método dedutivo continua sendo utilizado, mas consiste em buscar a confirmação de uma hipótese pela comprovação das consequências previsíveis desta hipótese. Não é redutível à dedução pura porque sua conclusão é sempre provável (Abbagnano; 286). A bem da verdade, a prática epistemológica contemporânea não se ajusta nem ao dedutivismo nem ao indutivismo. Assenta em um realismo científico, que entende a relação entre dados e teoria como múltiplas e recíprocas. Utiliza a indução para generalizações de baixo nível e para avaliar a correspondência entre hipóteses e fatos. Reserva a dedução para derivar particularidades de generalizações ou de outras particularidades (Bunge; 1999; 133). O dedutivismo de estrita observância persiste, é claro. Os dedutivistas contemporâneos ou refutacionistas, como Popper (1978), se interessam somente pelas provas negativas. Argumentam que, enquanto nenhuma quantidade de confirmações do consequente B de uma hipótese condicional da forma /Se A, então B/ é suficiente para confirmar o antecedente A, um só caso negativo é suficiente para refutá-lo (Regra de inferência modus tollens: /Se A, então B; se não-b, então não-a). De forma que para um dedutivista basta uma única pessoa com o mesmo sobrenome não ser parente de outra para invalidar a premissa da consanguinidade; basta um único avião cair com um só Abbagnano, Nicola; Dicionário de filosofia; México; Fondo de Cultura Econômica; Araújo; Robson Jorge de; O materialismo radical de Holbach e a química moderna; Dissertção de mestrado; Belo Horizonte; Universidade Federal de Minas Gerais; Departamento de História; 2006.a Aristotle; The works of Aristotle; London; Encyclopedia Britannica, Inc.; Brun, Jean (org.); Epicure et les épicuriens: textes choisis ; Paris; PUF; Bunge, Mario, Buscar la filosofía en las ciencias sociales; México; Siglo Veintiuno; Chauí, Marilena; Convite à filosofia; São Paulo; Ática; Bibliografia Cushing, Max Pearson. Baron d Holbach; a study of eighteenth century radicalism in France; Lancaster PA; Press of New Era Publishing Company; 1914 (recuperável em Daniel, Bryan Joseph; The Creation of a Radical System: Baron d Holbach s Système de la Nature and the Enlightenment in Tension; Thesis North Carolina State University; Raleigh; North Caroline; Dharamsi, Karim; Deduction and Induction; in Encyclopedia of Social Measurement, Volume 1; London; Elsevier Inc.; Epicure; Lettres, maximes, sentences; Paris; Le Livre de Poche; Folscheid, Dominique e Wunenburger, Jean-Jacques; Metodologia filosófica; Tradução de Paulo Neves; São Paulo; Martins Fontes; Holbach, Paul-Henry Thiry, Barão d ; a obra completa é recuperável em bnf.fr. Holbach, Paul-Henry Thiry, Baron d ; Système de la nature; Paris; Coda; passageiro tendo cruzados os dedos para invalidar a premissa da proteção. Quanto à origem do mundo, à luz do processo dedutivo a materialidade continua uma premissa verossímil, enquanto a divindade segue sendo ESPM uma premissa plausível. Kneale, Willian e Marta Kneale; O desenvolvimento da lógica; Tradução de M. S. Lourenço; Lisboa; Fundação Calouste Gulbenkian; Montaigne, Michel de; Essais; Paris; Èditions Garnier Frères; Nadeau, Robert; Vocabulaire technique et analytique de l epistemologie; Paris; Presses Universitaires de France; Newton, Isaac; Mathematical principles of natural philosophy; London; Encyclopedia Britannica, Inc; Paillard, Christophe; D Holbach et le fatalisme materialiste; sd; recuperável em Platon; Obras completas; Madrid; Aguilar; Popper, Karl; Lógica das ciências sociais; Tradução de Estevão de Resende Martins; Rio de Janeiro; Tempo Brasileiro; Ross, Paolo; Os sinais dos tempos: história da Terra e história das noções de Hooke a Vico; Tradução de Julia Mainardi; São Paulo; Cia. das Letras; Solomon-Bayet, Claire; Jean-Jacques Rousseau; in Châtelet, François (org.); História da filosofia : idéias, doutrinas; Tradução de Guido de Almeida; Rio de Janeiro; Zahar; Toulmin, Stephen; Os usos do argumento; Tradução de Reinaldo Guarany; São Paulo; Martins Fontes; Hermano roberto Thiry-Cherques Graduado em Administração, mestre em Filosofia e doutor em Ciências. Professor titular da FGV-EBAPE e pesquisador do CNPq. janeiro/fevereiro de 2009 R e v i s t a d a E S P M 109

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