INCLUSÃO SOCIAL DO DEFICIENTE POR MEIO DO AMPARO JURÍDICO

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1 INCLUSÃO SOCIAL DO DEFICIENTE POR MEIO DO AMPARO JURÍDICO Vanessa Cristina Lourenço Casotti Ferreira da Palma Doutoranda em Educação pelo Programa de Pós Graduação em Educação - PPGEdu da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), professora UFMS, campus de Três Lagoas-MS curso de Direito, membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Inclusiva e do Grupo de Estudos e Pesquisas em Tecnologia da informação e Comunicação (GEPETIC). Grazielly Vilhalva Silva do Nascimento Doutoranda e mestre em Educação pelo Programa de Pós Graduação em Educação - PPGEdu da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), professora assistente de educação especial: deficiência auditiva e Libras da Faculdade de Educação FAED/UFGD, membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Inclusiva e do Grupo de Estudos e Pesquisas em Tecnologia da informação e Comunicação (GEPETIC). Marielle Duarte Carvalho Mestranda em Educação pelo Programa de Pós Graduação em Educação PPGEdu da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), bolsista FUNDECT/CAPES, membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Inclusiva e do Grupo de Estudos e Pesquisas em Tecnologia da informação e Comunicação (GEPETIC). Palavras-chave: Inclusão social, deficiência, amparo jurídico. EIXO TÉMATICO: 11 ASPECTOS SOCIAIS DAS DEFICIÊNCIAS 1.Introdução O presente texto apresenta um recorte de um projeto de extensão desenvolvido no município de Três Lagoas MS com a intenção de informar a comunidade sobre os direitos da pessoa com deficiência no âmbito escolar e social, tendo como público alvo principal as pessoas com deficiência, os familiares e as pessoas não deficientes. A população com algum tipo de deficiência constitui parte relevante de nossa sociedade. Sendo que em âmbito mundial são cerca de 10% da população (ONU, 2010) e no Brasil 23,9% da população total que têm algum tipo de deficiência, seja ela visual, auditiva, motora e mental ou intelectual (IBGE, 2010). Além disso, a população com deficiência no Brasil vem crescendo a cada ano, seja por consequência do aumento da expectativa de vida, quer pelo aumento da violência, ou acidentes de trânsito etc. O fato é que atualmente a deficiência não é mais gerada

2 predominantemente por doenças ou fatores genéticos como o fora outrora. O relatório mundial sobre deficiência publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS, 2011.p.27) afirma que todos os períodos históricos enfrentaram a questão moral e política de como melhor incluir e apoiar as pessoas com deficiência e que essa questão se tornará mais premente conforme a demografia das sociedades muda, e cada vez mais pessoas alcançam a idade avançada. Partindo dessa premissa, o presente estudo tem por objetivo principal contribuir para efetivação dos direitos e inclusão social das pessoas com deficiência por meio de cartilhas informativas dos direitos das pessoas com deficiência, ministrando palestras para as pessoas com deficiência e seus familiares. 2.Objetivo geral Contribuir para o processo de empoderamento da pessoa com deficiência e de seus familiares por meio de ações formativas e informativas sobre os direitos da pessoa com deficiência oferecendo conhecimento e amparo jurídico Objetivos específicos Apresentar, por meio de cartilhas informativas e ciclos de palestras tendo como público alvo as pessoas com deficiência e seus familiares, os direitos fundamentais, as medidas de proteção, as políticas de atendimento, os benefícios, o acesso à justiça e dicas importantes para garantia de seus direitos visando contribuir para empoderamento social desse segmento; Participar junto com o Poder Municipal e demais entidades do município, de práticas que visem à inclusão social, o exercício da cidadania e maior qualidade de vida às pessoas com deficiência. 3.Método A proposta metodológica do presente estudo está ligada a uma ação de extensão desenvolvida no campus de Três Lagoas da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul concatenando a área do Direito com a Educação. Para tanto foram utilizados os seguintes procedimentos metodológicos: pesquisas bibliográficas, pesquisa de campo, questionários, levantamentos de dados (estatísticos) e elaboração de manual (cartilha informativa). E um primeiro momento do estudo foi desenvolvido uma pesquisa teórica que se concentrou em levantamentos documentais em legislações sobre direitos e deveres das pessoas com deficiências, tratados internacionais, artigos científicos e bibliográficos. Esse

3 suporte didático se fez necessário para apresentação das palestras que foram realizadas pelos acadêmicos e profissionais da área jurídica, educacional, motivacional e da saúde. Foi por meio das pesquisas documentais e palestras que pudemos contribuir na formulação, implementação e acompanhamento das políticas públicas prioritárias ao desenvolvimento local. O segundo momento foi de realização das palestras com abertura para perguntas ao final, momento em que muitas dúvidas eram apresentadas e esclarecidas pela equipe técnica presente, dessa realidade a partir das dúvidas apresentadas surgiu a ideia da organização e posterior distribuição de uma cartilha cujo conteúdo tratava dos direitos da pessoa com deficiência e com as indicações de quais locais procurar dentro do município de Três Lagoas para a efetivação destes direitos. As palestras foram realizadas na APAE, no anfiteatro da UFMS e no diversos CRAS do município de Três Lagoas, o projeto teve a duração de 04 anos envolvendo diversos estudantes do curso de Direito da UFMS Campus de Três Lagoas. As divulgações ao longo desse período foram feitas de diversas maneiras: envio de convites aos órgãos públicos e de ensino, divulgação e compartilhamento nas redes sociais, notícias no site da instituição e também pelas emissoras de rádio local. Foram realizadas 16 palestras, e por volta de 50 famílias de pessoas com deficiência foram atendidas, mais 500 pessoas da sociedade civil que participaram afim de obterem conhecimentos para a prestação de serviços e atendimento público adequado para as pessoas com deficiência. Atualmente o projeto está em fase de organização para implementação no município de Dourados por meio de parceria com docentes e estudantes da Pós Graduação da Faculdade de Educação e da Faculdade de Educação a Distância da UFGD. 4.Resultados Com a realização deste estudo observou-se que houve uma integração de diversas áreas do conhecimento (direito, saúde, educação) além do envolvimento de professores, acadêmicos, instituições públicas e filantrópicas (APAE). Estas parceiras trouxeram resultados positivos para a concretização do projeto. Com a realização das palestras e com a catalogação das dúvidas mais frequentes dos familiares e das pessoas com deficiência foi elaborada a cartilha informativa direcionadas para cidade de Três Lagoas, o que veio contribuir para o empoderamento das pessoas com deficiência e com inclusão social por meio de informações jurídicas. Ressalta-se também a importância do projeto na formação

4 acadêmica dos estudantes que nele atuaram, uma vez que precisaram estudar acerca dos direitos da pessoa com deficiência e toda a problemática que perpassa este universo, o que contribuiu para a formação de profissionais do Direito alinhado com as propostas de inclusão vigentes em nosso país. 5.Discussão É inegável que houve muitos avanços no que diz respeito à legislação pertinente às pessoas com deficiência, o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Viver sem Limite promulgado pelo decreto nº 7.612/2011 constituiu mais um marco destes avanços contemplando 04 eixos de ações e garantias legais sendo estes: acesso à Educação;Inclusão Social;Acessibilidade;Atenção à Saúde.. O Brasil é considerado um dos países que mais buscam igualdade de direitos às pessoas com deficiência com um amplo aparato jurídico que vai desde a constituição federal de 1988 até os acordos internacionais firmados e materializados na forma de leis e decretos, como a Lei nº (lei de acessibilidade), a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva (PNEE-EI 2008), a lei de inclusão entre tantos outros documentos, pareceres e normas técnicas que visam a inclusão e ao atendimento das necessidades específicas da pessoa com deficiência. Entretanto, há muito a ser feito no aspecto prático para que todos os brasileiros que tem algum tipo de deficiência tenham acesso a estes direitos. Ademais, o embate ainda se trava no cotidiano, na falta de uma cultura inclusiva, porque a letra da lei pode obrigar, assegurar, garantir, mas não tem poder de mudar a atitude das pessoas não deficientes frente a pessoa com deficiência, o que muitas vezes ainda é o grande obstáculo para a inclusão social da pessoa com deficiência.conforme aponta Barroso, O desafio que se coloca hoje no combate à segregação e à exclusão é a criação de espaços de recuperação de sociabilidade perdida. Espaços nos quais se refaçam as redes de solidariedade que permitem a vida em comum. Espaços que recuperem o sentido da vida cotidiana e permitam a integração por meio das redes de relações sociais entre os habitantes de uma mesma localidade ou território. (Barroso, 2006, p.288). Logo, a acessibilidade das pessoas com deficiência, para que sejam integrantes do cotidiano social de forma mais efetiva tornou-se um assunto constantemente em pauta, tanto no âmbito das políticas públicas, quanto em diversos grupos pertencentesao setor privado, no

5 intuito de garantir um estado democrático que vise à inserção dos indivíduos e sua real participação como atores sociais empoderados. 6.Conclusão Embora todo o aparato jurídico de proteção e com vistas a inclusão escolar e social da pessoa com deficiência, o projeto evidenciou que muitas vezes a pessoa com deficiência e seus familiares desconhecem os direitos que lhe são garantidos, o que muitas vezes leva estas pessoas a viverem à margem da sociedade sofrendo preconceitos e discriminação diversas especialmente aquelas oriundas de famílias com baixo poder econômico.a falta de informações dos direitos acarreta grandes problemáticas para as pessoas que necessitam de um amparo especial. Desta forma, ações e projetos que visam informar as pessoas com deficiência e seus familiares sobre os seus direitos, é uma das vias de desobstrução do acesso aos serviços e recursos e da participação social que muitas vezes é limitada pela simples falta de informações do campo do Direito. 7. Referências BARROSO. João. Incluir, sim, mas onde? Para uma reconceituação sociocomunitária da escola pública. In: RODRIGUES. Davi. Inclusão e Educação: Doze olhares sobre a educação inclusiva. São Paulo: 2006, Summus. p BRASIL. Constituição ed. Brasília: Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações, Lei nº , de 19 de dezembro de Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 20 dez p. 2. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l10098.htm>. Acesso em: 17 nov Ministério da Educação. Política nacional da educação especial na perspectiva da educação inclusiva. Brasília: MEC, Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf>. Acesso em: 19 jul Lei de Inclusão.Secretaria de Direitos Humanos. Plano nacional dos direitos da pessoa com deficiência: viver sem limites Disponível em: <http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/arquivos/%5bfield_generico _imagens-filefield-description%5d_0.pdf>. Acesso em: 15 fev

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