O CÁLCULO DOS SALDOS AJUSTADOS DO CICLO NO BANCO DE PORTUGAL: UMA ACTUALIZAÇÃO*

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1 Arigos Inverno 2006 O CÁLCULO DOS SALDOS AJUSTADOS DO CICLO NO BANCO DE PORTUGAL: UMA ACTUALIZAÇÃO* Cláudia Rodrigues Braz** 1. INTRODUÇÃO 1 Nos úlimos anos, o saldo orçamenal ajusado do ciclo em ganho relevância enquano indicador uilizado na avaliação da posição subjacene das finanças públicas nos Esados-membros da União Europeia. Com efeio, a reforma do Paco de Esabilidade e Crescimeno aribuiu uma imporância acrescida ao saldo ajusado do ciclo e de medidas emporárias, ao definir, ao nível do seu braço prevenivo, o objecivo orçamenal de médio prazo com base nesa variável, bem como a convergência mínima anual para os Esados-membros que ainda não o aingiram. No que respeia ao braço correcivo, em-se observado no período mais recene que o ajusameno orçamenal exigido aos Esados-membros que incorreram em siuações de défice excessivo é ambém medido em ermos da variação do saldo corrigido dos efeios do ciclo económico e de medidas emporárias. A dificuldade de comunicação dese indicador ao público em geral, a diversidade de meodologias disponíveis, bem como a revisão ex-pos dos saldos ajusados do ciclo, mesmo que apenas por acualização das perspecivas macroeconómicas fuuras, são facores que êm dificulado o seu uso mais generalizado. Ainda assim, apesar de no quadro da União Europeia as esimaivas relevanes serem as da Comissão Europeia, ouras insiuições inernacionais, ais como a OCDE e o FMI, publicam regularmene valores para os saldos orçamenais ajusados do ciclo. No que respeia ao Sisema Europeu de Banco Cenrais (SEBC), foi adopada em 2001 uma meodologia de ajusameno cíclico dos saldos das adminisrações públicas que, desde enão, é seguida pelo Banco de Porugal. Os valores obidos são ornados públicos regularmene nas publicações do Banco de Porugal, em paricular no Relaório Anual enoboleim Económico. O objecivo dese arigo é acualizar parâmeros e melhorar algumas hipóeses assumidas pelo Banco de Porugal na implemenação inicial da meodologia de ajusameno cíclico do SEBC. Adicionalmene, procura aplicar os resulados à análise das finanças públicas baseada na abordagem desagregada, desenvolvida no âmbio de um projeco que envolveu diversos bancos cenrais, incluindo o Banco de Porugal. Assim, o arigo enconra-se esruurado como segue. A secção 2 apresena, a íulo de enquadrameno, uma breve descrição das principais caracerísicas da meodologia do SEBC e da sua aplicação ao caso poruguês. A secção 3 inclui as acualizações e melhoramenos dessa meodologia no que respeia quer à re-esimação de algumas das elasicidades das variáveis orçamenais face às respecivas bases macroeconómicas, quer à adopção de novas bases macroeconómicas. Na sequência desas alerações, a secção 4 mosra o seu impaco nas esimaivas dos saldos ajusados do ciclo face aos úlimos valores divulgados pelo Banco de Porugal. A secção 5 adapa a análise das * As opiniões expressas no arigo são da ineira responsabilidadeda auora e não coincidem necessariamenecom a posição do Banco de Porugal. Aauora agradece comenários e sugesões de Mara Abreu, Nuno Alves, Mário Ceneno, Jorge Cunha, Ana Crisina Leal, Sara Moreira e Maximiano Pinheiro. Qualquer erro ou omissão é da exclusiva responsabilidade da auora. ** Deparameno de Esudos Económicos. (1) As conas das adminisrações públicas para o período de 1999 a 2005 subjacenes à elaboração dese arigo foram compiladas pelo Insiuo Nacional de Esaísica, de acordo com a base 2000 de Conas Nacionais, no âmbio da noificação do procedimeno dos défices excessivos de Seembro de Os dados de 1995 a 1998 são esimaivas do Banco de Porugal. No que respeia ao cenário macroeconómico, as Conas Nacionais compleas na nova base abrangem apenas os anos de 1999 a 2002, pelo que os dados de 1995 a 1998 e 2003 a 2005 são ambém esimaivas do Banco de Porugal. Boleim Económico Banco de Porugal 83

2 Inverno 2006 Arigos finanças públicas baseada na abordagem desagregada aos novos procedimenos e incorpora os novos resulados obidos. Por fim, a secção 6 conclui. 2. A METODOLOGIA DO SISTEMA EUROPEU DE BANCOS CENTRAIS Acualmene, o cálculo pelo Banco de Porugal do saldo das adminisrações públicas ajusado de efeios cíclicos, publicado regularmene no Boleim Económico enorelaório Anual, baseia-se na meodologia acordada no âmbio do SEBC em 2001 (ver Bouhevillain e al. (2001) e Neves e Sarmeno (2001)). Esa meodologia assume que as variáveis orçamenais influenciadas pelo ciclo económico êm bases macroeconómicas diferenes do PIB, que explicam melhor a sua evolução. No enano, para que seja possível deerminar a semi-elasicidade do saldo orçamenal face ao PIB, é necessário que esas bases macroeconómicas sejam agregados de Conas Nacionais. São de desacar rês ponos relacionados com a escolha das variáveis orçamenais e as respecivas bases macroeconómicas. Em primeiro lugar, assume-se que a receia não fiscal e as várias componenes da despesa, com excepção dos subsídios de desemprego, não são influenciadas pela acividade económica. Esa caracerísica é comum às meodologias de ajusameno cíclico implemenadas por grandes insiuições inernacionais, como a Comissão Europeia, a OCDE e o FMI, e resula da dificuldade em medir de uma forma esandardizada nos vários países, e mesmo no caso de um país em anos diferenes, o impaco do ciclo económico na maior pare da despesa pública e na receia não fiscal. De faco, a esruura insiucional relevane para as decisões orçamenais, o ipo de governo, o pono de parida da siuação orçamenal, enre ouros, são facores que condicionam a reacção da despesa pública ao enquadrameno macroeconómico. Em segundo lugar, as bases macroeconómicas são definidas em ermos reais, o que significa que o efeio da inflação observada sobre as conas públicas não é ido em cona. As principais dificuldades na quanificação do impaco de alerações dos preços no saldo orçamenal surgem do lado da despesa, uma vez que esa esá muio dependene do comporameno das auoridades orçamenais em resposa a desvios da inflação face ao inicialmene previso. Assim, apesar de relaivamene à receia de imposos e conribuições sociais fazer mais senido considerarem-se no ajusameno cíclico bases macroeconómicas definidas em ermos nominais, al não aconece nas meodologias acualmene implemenadas. De noar, no enano, que a abordagem desagregada apresenada na secção 5 considera em cera medida esa quesão, ao assumir que a variação esruural de cada uma das rubricas da receia fiscal evolui em função da respeciva base macroeconómica endencial definida em ermos nominais. Por úlimo, são deduzidas algumas parcelas às variáveis orçamenais de forma a ornar compaível o raameno da receia e da despesa pública em ermos de ajusameno cíclico. Acualmene, no caso poruguês, a receia do Imposo sobre o Rendimeno das Pessoas Singulares (IRS) proveniene de axas liberaórias, decorrene no essencial de juros de aplicações, e de rendimenos do rabalho do secor público é excluída dos imposos sobre o rendimeno das famílias. O mesmo aconece com as conribuições efecivas do regime dos funcionários públicos e as conribuições impuadas, que são subraídas ao oal de conribuições sociais. O Quadro 1 apresena as variáveis orçamenais com impaco cíclico, bem como as respecivas bases macroeconómicas. Tendo em cona esas considerações, a componene cíclica de cada uma das variáveis orçamenais é calculada de acordo com a seguine fórmula: R C i Xi X i R X R i, * i i X * i (1) 84 Banco de Porugal Boleim Económico

3 Arigos Inverno 2006 onde: R i - variável orçamenal i; R C i - componene cíclica da variável orçamenal i; X i - base macroeconómica para a variável orçamenal i; X i R i X i - valor endencial da base macroeconómica para a variável orçamenal i;, - elasicidade da variável orçamenal i relaivamene à sua base macroeconómica. Os valores endenciais das bases macroeconómicas são obidos aravés da aplicação do filro de Hodrick-Presco às séries prolongadas com previsões elaboradas por cada um dos bancos cenrais nacionais, de forma a eviar o problema de enviesameno do final da amosra, uilizando-se o valor 30 para o parâmero de alisameno do filro (). A esimação das elasicidades no caso poruguês baseou-se, no essencial, em regras fiscais e enconra-se descria com dealhe em Neves e Sarmeno (2001). Uma das principais vanagens da abordagem desagregada proposa pelo SEBC face às resanes meodologias de cálculo de saldos ajusados do ciclo consise na possibilidade de serem idos em cona os efeios sobre as conas públicas de diferenes composições de crescimeno económico. No enano, face à abordagem radicional, em que a componene cíclica depende apenas do hiao do produo, em a desvanagem de não permiir calcular direcamene a semi-elasicidade do saldo orçamenal em percenagem do PIB relaivamene ao PIB real, definida como: SO% PIB SO % PIB, PIB r PIBr PIB r (2) Conudo, na meodologia adopada pelo SEBC, esa semi-elasicidade pode ser obida indirecamene aravés da seguine fórmula: Ri SO PIB PIB * * i PIB %, r Ri, Xi Xi, PIBr (3) Quadro 1 AS VARIÁVEIS ORÇAMENTAIS E RESPECTIVAS BASES MACROECONÓMICAS NA METODOLOGIA DO SEBC Imposos sobre o rendimeno das famílias (excluindo a receia do IRS proveniene de axas liberaórias e de rendimenos do rabalho do secor público) Massa salarial do secor privado Imposos sobre o rendimeno das empresas Excedene bruo de exploração Imposos sobre a produção e a imporação (incluindo a receia enregue à União Europeia) Consumo privado Conribuições sociais (excluindo as conribuições efecivas do regime dos funcionários públicos e as conribuições impuadas) Massa salarial do secor privado Subsídios de desemprego Número de desempregados Boleim Económico Banco de Porugal 85

4 Inverno 2006 Arigos Quadro 2 A SEMI-ELASTICIDADE DO SALDO ORÇAMENTAL EM RELAÇÃO AO PIB NA METODOLOGIA DO SEBC Elasicidade da variável orçamenal face à base macroeconómica (a) Elasicidade da base macroeconómica face ao PIB (a) Elasicidade da variável orçamenal face ao PIB Peso da variável orçamenal no PIB (b) Conribuo para a semielasicidade do saldo orçamenal face ao PIB (1) (2) (3)=(1)*(2) (4) (5)=(3)*(4) Imposos sobre o rendimeno das famílias Base macroeconómica: salários do secor privado Base macroeconómica: emprego privado Imposos sobre o rendimeno das empresas Imposos sobre a produção e a imporação Conribuições sociais Base macroeconómica: salários do secor privado Base macroeconómica: emprego privado Subsídios de desemprego Toal: 0.43 Noas: (a) De acordo com Neves e Sarmeno (2001) e a secção sobre Porugal em Bouhevillain e al. (2001).(b)Os pesos das variáveis orçamenais no PIB são baseados nas Conas Nacionais e correspondem às médias no período de 1995 a Para ornar os pesos mais compaíveis com a meodologia de cálculo de saldos ajusados do ciclo adopada pelo SEBC excluiu-se a receia de IRS proveniene de axas liberaórias e de rendimenos do rabalho do secor público no caso dos imposos sobre o rendimeno das famílias, subrairam-se as conribuições efecivas do regime dos funcionários públicos e as impuadas ao oal de conribuições sociais e adicionou-se aos imposos sobre a produção e a imporação a receia própria da União Europeia. As elasicidades das bases macroeconómicas relaivamene ao PIB real x i, PIB foram deerminadas com base num cenário de choque específico, descrio em dealhe em Bouhevillain e al. (2001). r Ese baseia-se nas idenidades de Conabilidade Nacional e assume seis hipóeses fundamenais: (i) a conribuição das exporações líquidas para a variação do PIB real é nula; (ii) o consumo público (incluindo salários e emprego públicos), o invesimeno público e os subsídios não reagem no cenário de choque; (iii) a conribuição do consumo de capial fixo para a variação do PIB real é negligenciável; (iv) o excedene bruo de exploração e a massa salarial do secor privado crescem à mesma axa; (v) o invesimeno privado evolui de forma idênica ao consumo privado; (vi) a elasicidade da população aciva em relação ao PIB real é aproximadamene nula. Tal como se pode observar no Quadro 2, com base nos resulados enão assumidos para o caso poruguês (colunas 1 e 2), mas com as conas das adminisrações públicas acualmene disponíveis (coluna 4), o valor obido para a semi-elasicidade do saldo em relação ao PIB é de ACTUALIZAÇÕES E MELHORAMENTOS NO ÂMBITO DA METODOLOGIA DO SEBC Nesa secção procura analisar-se a relação enre as variáveis orçamenais que se admie serem influenciadas pelo ciclo económico e as respecivas bases macroeconómicas no período de 1995 a Nalguns casos é proposa a aleração e acualização dos procedimenos adopados por Neves e Sarmeno (2001). No que respeia à esimação das elasicidades, são de referir rês ponos essenciais. Em primeiro lugar, o período considerado na análise, ao abranger essencialmene um ciclo económico, é curo em ermos do número de observações uilizadas. Noe-se, no enano, que a possibilidade de iniciar a análise num ano mais recuado esá muio limiada pelo faco da inrodução dos grandes imposos do acual sisema fiscal poruguês er ocorrido essencialmene aé ao final da década de 80/início da década de 90, bem como pela inexisência de uma reropolação das Conas Nacionais na base 2000 para o período anerior a Em segundo lugar, uma vez que o objecivo é deerminar as elasicidades cíclicas das variáveis orçamenais, as regressões são baseadas em séries dos diferen- 86 Banco de Porugal Boleim Económico

5 Arigos Inverno 2006 es imposos e conribuições sociais corrigidas dos efeios de medidas discricionárias de carácer permanene ou emporário. Ainda assim, não é possível excluir o efeio de possíveis alerações esruurais que enham ocorrido mas, dado o curo período abrangido pela análise, espera-se que ese não enha sido muio significaivo. Por úlimo, é de salienar que a especificação das regressões esá adequada ao propósio de esimação de elasicidades a uilizar no ajusameno cíclico do saldo orçamenal no âmbio da meodologia do SEBC e, como al, não se baseia necessariamene nas melhores variáveis explicaivas, em ermos da maior aderência possível aos dados observados Imposos sobre o rendimeno das famílias A esimação da elasicidade dos imposos sobre o rendimeno das famílias em relação à massa salarial do secor privado enconra-se descria com dealhe em Neves e Sarmeno (2001) e baseou-se em dados fornecidos pela adminisração fiscal referenes a uma amosra de conribuines de Os valores obidos (1.69 em relação aos salários do secor privado e 1.0 relaivamene ao emprego privado) não serão objeco de acualização no presene arigo. No enano, apesar de nos úlimos anos erem sido omadas medidas discricionárias com impaco na esruura e progressividade do imposo, a elasicidade esimada aproxima razoavelmene bem o comporameno da receia dese imposo no período de 1995 a 2005, em paricular nos anos mais recenes. O Gráfico 1 apresena as axas de crescimeno da receia dos imposos sobre o rendimeno das famílias, essencialmene resulane do IRS, excluindo a receia proveniene de rendimenos do rabalho do secor público e de axas liberaórias. Esa série foi corrigida endo em cona os impacos esimados das principais medidas discricionárias no IRS, de carácer emporário ou permanene, implemenadas enre 2000 e Enre elas são de desacar: o efeio da redução das axas e da inrodução de um novo escalão em 2001 no âmbio da reforma da ribuação do rendimeno de 2000; a acualização acima da inflação das abelas de reenção na fone em 2002, com efeios de sinal conrário na receia fiscal de 2002 e 2003; a diminuição das axas do imposo no Orçameno de 2005, reflecida apenas parcialmene na acualização das abelas de reenção na fone desse ano; a regularização exraordi- Gráfico 1 TAXAS DE CRESCIMENTO DOS IMPOSTOS SOBRE O RENDIMENTO DAS FAMÍLIAS 2 Série observada 'corrigida' (96-99 não 'corrigida') Série'consruída'combasenaelasicidade 15.0 Em percenagem (2) As alerações no IRS inroduzidasenre 1995 e 1999 não foram expliciameneconsideradasna análise, por dificuldadena quanificaçãodos seus efeios. Boleim Económico Banco de Porugal 87

6 Inverno 2006 Arigos nária de dívidas fiscais no final de 2002 e início de 2003; e a iularização de crédios fiscais em O Gráfico 1 inclui ainda uma série consruída a parir da elasicidade esimada e a evolução da respeciva base macroeconómica, de acordo com a seguine fórmula: onde: e RIm p. rend. fam.. * Mpriv AIRS Epriv A 169 IRS E priv (4) R e Im p. rend. fam - Taxa de crescimeno esimada dos imposos sobre o rendimeno das famílias (excluindo a receia de IRS proveniene de axas liberaórias e de rendimenos do rabalho do secor público); M priv - Taxa de crescimeno da massa salarial do secor privado, líquida de conribuições sociais paronais; AIRS - Taxa de variação anual dos escalões e de ouros parâmeros do IRS, habiualmene coincidene com a axa de acualização das abelas de reenção na fone; E priv - Taxa de crescimeno do emprego privado. Noe-se que a equação (4) indica que o efeio da progressividade, por via da esruura do IRS, só erá reflexos na coleca deses imposos quando a evolução dos salários diferir da acualização dos escalões e de ouros parâmeros do IRS. Com efeio, ese facor deverá jusificar uma pare significaiva da diferença muio acenuada enre as duas séries apresenadas no Gráfico 1 em 1997 e 1998, por erem sido anos em que os escalões e ouros parâmeros do IRS foram acualizados em linha com a inflação esperada, endo os salários do secor privado crescido significaivamene acima deses valores. Em 1996, o efeio inverso poderá ser explicado pela regularização de dívidas em araso no âmbio do Plano Maeus. Por úlimo, o afasameno das duas séries no ano de 2005, com um melhor comporameno das receias dos imposos sobre o rendimeno das famílias do que o esimado a parir da elasicidade, poderá ilusrar em pare o impaco dos ganhos de eficácia da adminisração fiscal na coleca deses imposos Imposos sobre o rendimeno das empresas Os imposos sobre o rendimeno das empresas, que incluem essencialmene o Imposo sobre o Rendimenos das Pessoas Colecivas (IRC), apresenam um comporameno muio voláil ao longo do empo, o que orna exremamene difícil a escolha de uma base macroeconómica adequada que permia modelar a sua evolução. Com efeio, em Porugal, a receia do IRC esá muio dependene da evolução dos lucros de algumas grandes empresas, que são nauralmene os principais conribuines dese imposo. Adicionalmene, o faco da variável lucro não ser um dos agregados compilados na elaboração das Conas Nacionais, bem como o próprio modo de apurameno dese imposo, em paricular a possibilidade de dedução de prejuízos de anos aneriores, dificulam ainda mais o esabelecimeno de uma relação com o cenário macroeconómico. Em Neves e Sarmeno (2001) foi uilizado o excedene bruo de exploração como aproximação aos lucros das empresas e, dada a proporcionalidade do imposo, assumida uma elasicidade da receia em relação à sua base macroeconómica igual a um. O Gráfico 2 mosra as axas de crescimeno da receia dos imposos sobre o rendimeno das empresas no período corrigida dos efeios das principais medidas de políica fiscal de carácer 88 Banco de Porugal Boleim Económico

7 Arigos Inverno 2006 Gráfico 2 TAXAS DE CRESCIMENTO DOS IMPOSTOS SOBRE O RENDIMENTO DAS EMPRESAS Em percenagem Série observada 'corrigida'* Série 'consruída' com base na elasicidade Anerior série 'consruída' Noa: A anerior série consruída uiliza as axas de crescimeno nominais do excedene bruo de exploração (de 1995 a 2000 na anerior base de Conas Nacionais e de 2001 a 2002 na base 2000 de Conas Nacionais) e uma elasicidade uniária. emporário e permanene. Refira-se, a íulo de exemplo, a redução das axas do IRC de 36 para 34 por ceno (1997), de 34 para 32 por ceno (2000), de 32 para 30 (2002) e de 30 para 25 por ceno (2004), a aleração da percenagem uilizada no cálculo dos pagamenos por cona (2000) e diversas modificações em sede do pagameno especial por cona. Para os anos em que as axas de variação do excedene bruo de exploração esão disponíveis, a evolução resulane parece sugerir que o PIB privado é uma variável mais adequada para capar a dinâmica da receia dos imposos sobre o rendimeno das empresas no período considerado. Uma vez escolhida a nova base macroeconómica, definida em ermos reais, a elasicidade da receia foi obida aravés da esimação da equação (5) por mínimos quadrados ordinários, uilizando dados de 1995 a 2005, e o seu valor corresponde a Im prend emp corr lnrim p. rend. emp. lnpib deflaor priv. Im pr. real end. emp. ln PIBpriv. onde: corr RIm p. rend. emp. - Receia dos imposos sobre o rendimeno das empresas corrigida dos efeios das medidas de políica fiscal; deflaor PIB priv. - Deflaor do PIB privado; real PIB priv. - PIB privado real. Relaivamene a esa esimação são de desacar rês ponos. Em primeiro lugar, a especificação da equação (5) assume que exise uma elasicidade uniária face ao deflaor do PIB privado, que ena capar o faco da receia deses imposos depender efecivamene de uma base nominal. Em segundo lugar, o período uilizado inclui o ano de 2005 apesar dese se enconrar muio afecado pelos ganhos de eficácia da adminisração fiscal, de carácer não cíclico e cuja quanificação é difícil. No enano, verifica-se que a inclusão desa observação não alera significaivamene o valor obido para a elasicidade. Por úlimo, o resulado para a elasicidade superior a um não reflece qualquer progressividade nese imposo, mas apenas a uilização de uma variável macroeconómica para capar o efeio cíclico com um crescimeno médio claramene inferior ao do imposo. Noe-se, ainda, que a série dos (5) Boleim Económico Banco de Porugal 89

8 Inverno 2006 Arigos imposos sobre o rendimeno das empresas consruída com base na elasicidade esimada apresena uma menor volailidade que a observada, al como se pode verificar no Gráfico Imposos sobre a produção e a imporação Em Neves e Sarmeno (2001) foi adopado um procedimeno baseado em dados exraídos do Inquério aos Orçamenos Familiares para 25 caegorias de bens de consumo e respecivas axas de imposo, que permiiu ober um valor de 1.1 para a elasicidade dos imposos sobre a produção e a imporação, no seu conjuno, em relação ao consumo privado. Nese arigo, procuram-se esimar elasicidades separadas para os principais imposos sobre a produção e a imporação, iso é, para o Imposo sobre o Valor Acrescenado (IVA), o Imposo sobre os Produos Perolíferos (ISP) e o Imposo Auomóvel (IA), sendo que o remanescene é raado de forma agregada. No que respeia ao IVA, a elasicidade face ao consumo privado real foi esimada com base na equação (6), uilizando os dados para a receia dese imposo de 1995 a 2005, corrigida dos impacos das principais alerações discricionárias implemenadas nese período. Enre esas são de salienar a inrodução da axa inermédia de 12 por ceno em 1996 e as subidas da axa normal de 17 para 19 por ceno em 2002 e para 21 por ceno em As axas de crescimeno corrigidas deses efeios são apresenadas no Gráfico 3. Noe-se que o IVA, sendo um imposo que incide sobre os valores da venda de bens e serviços, esá dependene não apenas da quanidade de bens e serviços ransaccionados, mas ambém do seu preço. Como al, a equação (6) assume que um aumeno de 1 por ceno no deflaor do consumo privado se reflece de forma idênica na receia do IVA. O valor obido para a elasicidade, IVA 169. indica um efeio mais do que proporcional na receia, o que poderá significar que em períodos de expansão (recessão) económica, os agenes económicos endem a alerar o seu padrão de consumo no senido de mais (menos) bens ribuados à axa normal e menos (mais) sujeios à axa reduzida. Adicionalmene, no período em análise, ocorreram uma série de ouros desenvolvimenos de carácer esruural, como a modernização dos circuios de disribuição, cujo efeio não pode ser quanificado e que, como al, poderão levar a alguma sobreesimação da elasicidade face ao ciclo económico. Ainda assim, as axas de crescimeno observadas e calculadas com base na elasicidade são relaivamene próximas, mesmo nos anos mais recenes, al como se pode observar no Gráfico 3. onde: corr deflaor real RIVA C IVA C ln ln ln R corr IVA - Receia do IVA, incluindo a pare enregue à União Europeia, corrigida dos efeios das medidas de políica fiscal; C deflaor - Deflaor do consumo privado; C real - Consumo privado real. (6) No que respeia à receia do ISP, as alerações das axas do imposo foram frequenes enre 1995 e 2005, mas, endo em cona as quanidades consumidas de combusíveis, a eliminação dos seus efeios na série uilizada na esimação da elasicidade é relaivamene fácil (Gráfico 4). São, no enano, de desacar dois ponos. Por um lado, o consumo privado de serviços e bens não duradouros medido em ermos reais revela-se uma base macroeconómica adequada, mas não perfeia, para as quanidades de combusíveis consumidas. Por ouro lado, a receia do imposo não depende dos preços verificados, uma vez que esa ribuação assume a forma de um deerminado valor em unidades 90 Banco de Porugal Boleim Económico

9 Arigos Inverno 2006 Gráfico 3 Gráfico 4 TAXAS DE CRESCIMENTO DO IMPOSTO SOBRE O VALOR ACRESCENTADO TAXAS DE CRESCIMENTO DO IMPOSTO SOBRE OS PRODUTOS PETROLÍFEROS 2 Série observada 'corrigida' Série 'consruída' com base na elasicidade 1 Série observada 'corrigida' Série 'consruída' com base na elasicidade 15.0 Em percenagem Em percenagem moneárias por liro de combusível consumido. A elasicidade da receia do ISP face ao consumo privado de serviços e bens não duradouros real ISP, esimada para o período de 1995 a 2005, assume o valor de De sublinhar que, nos anos mais recenes, em paricular de 2003 a 2005, a série consruída com base na elasicidade esimada parece sobreesimar o crescimeno observado na receia do imposo. Ese resulado deverá ser essencialmene explicado pelo faco do volume do consumo privado de serviços e bens não duradouros não reflecir correcamene as quanidades de combusíveis vendidas. Numa menor medida, poderá esar ambém influenciado pela aleração da composição dos veículos em circulação, no senido de mais veículos a gasóleo, combusível que em associada uma menor axa de imposo. onde: ln corr real RISP ISP lncnão duradouros corr R ISP - Receia do ISP corrigida dos efeios das medidas de políica fiscal; real C não duradouros - Consumo privado de serviços e bens não duradouros medido em ermos reais. (7) O IA, por seu urno, depende de deerminadas caracerísicas dos veículos auomóveis, al como a cilindrada em cenímeros cúbicos, que se enconram expliciadas em abelas acualizadas anualmene na Lei do Orçameno do Esado, em geral em linha com a inflação esperada. Dese modo, a receia dese imposo é explicada essencialmene pelo número de veículos vendidos e pela sua qualidade, medidos para efeios de cálculo da elasicidade pelo consumo privado de bens duradouros em ermos reais, e pela expecaiva de inflação incluída nos diversos Orçamenos do Esado, o que jusifica a especificação da equação (8). Adicionalmene, alerações na esruura do imposo poderiam, à semelhança do realizado nos resanes imposos, jusificar a correcção da série observada pelos impacos dessas medidas. No enano, no período analisado, esas não foram muio significaivas, sendo a mais relevane a que ocorreu em 2001 com o agravameno da ribuação dos veículos odo-o-erreno. Da esimação da equação (8) para o período , por mínimos quadrados ordinários, resulou uma elasicidade IA 133., que aproxima razoavelmene bem o crescimeno da série esimada com base na elasicidade ao da receia observada, al como se pode observar no Gráfico 5. Boleim Económico Banco de Porugal 91

10 Inverno 2006 Arigos orç. real RIA Inf IA Cduradouros ln ln ln (8) onde: R IA - Receia do IA observada; Inf orç. - Índice de preços consruído com base na inflação previsa no Orçameno do Esado; real C duradouros - Consumo privado de bens duradouros medido em ermos reais. Finalmene, no que respeia aos ouros imposos sobre a produção e a imporação, assumiu-se uma elasicidade uniária relaivamene ao consumo privado real. Com efeio, ese agregado inclui diversos imposos, com incidência e forma de cálculo muio disinas. De desacar, pela sua imporância, o Imposo sobre o Tabaco, o Imposo de Selo, o Imposo Municipal sobre Imóveis e o Imposo Municipal sobre as Transmissões de Imóveis 3. Adicionalmene, no período em análise, foram sujeios a várias alerações de esruura e axas, cujos efeios individuais são difíceis de esimar. Ese facor, em conjuno com o impaco do nível de preços na receia de alguns deses imposos, deverá jusificar que o crescimeno dese agregado seja, regra geral, superior ao esimado com base na elasicidade uniária, al como ilusrado pelo Gráfico 6. Nos anos mais recenes, a diferença enre as duas séries deverá ser parcialmene explicada pelo aumeno do Imposo sobre o Tabaco, incluído nos vários Orçamenos do Esado, bem como pela reforma da ribuação sobre o parimónio que, por via da acualização dos valores mariciais das propriedades considerados para efeios fiscais, em permiido um fore crescimeno da receia do Imposo Municipal sobre Imóveis. O Quadro 3 sineiza os resulados esimados e assumidos para as elasicidades das diferenes caegorias de imposos sobre a produção e a imporação, em relação à base escolhida e ao consumo privado real, bem como a deerminação de uma elasicidade agregada para o conjuno deses imposos. Esa elasicidade agregada siua-se em 1.3, acima do valor de 1.1 considerado por Neves e Sarmeno (2001). Gráfico 5 Gráfico 6 TAXAS DE CRESCIMENTO DO IMPOSTO AUTOMÓVEL TAXAS DE CRESCIMENTO DOS OUTROS IMPOSTOS SOBRE A PRODUÇÃO E A IMPORTAÇÃO Série observada Série 'consruída' com base na elasicidade Em percenagem Em percenagem Série observada Série 'consruída' com base na elasicidade (3) De noar que, em Conas Nacionais, a pare do Imposo de Selo relaiva a operações bancárias é reclassificada como imposo sobre o rendimeno e o parimónio. Refira-se, ainda, que a receia dos imposos sobre a posse e ransmissão de propriedade é regisada como imposo sobre a produção e a imporação em Conabilidade Nacional, apesar de em Conabilidade Pública ser classificada como imposo direco. 92 Banco de Porugal Boleim Económico

11 Arigos Inverno 2006 Quadro 3 A ELASTICIDADE DOS IMPOSTOS SOBRE A PRODUÇÃO E A IMPORTAÇÃO Imposos sobre a Elasicidade face à base produção e a imporação Elasicidade face ao consumo privado (a) Peso médio no oal dos Elasicidade oal dos imposos sobre a prod. e imposos sobre a a impor. (a) produção e a imporação face ao consumo privado IVA ISP IA Ouros Noa: (a) Com base nos pesos médios de 1995 a Conribuições sociais Tal como apresenado na secção 2, na aplicação da meodologia de ajusameno cíclico do SEBC assumiu-se que apenas as conribuições sociais do regime geral são afecadas pela acividade económica, de forma a compaibilizar o raameno dado à receia e despesa públicas. No que respeia à elasicidade, dada a exisência de axas únicas para as componenes paronal (23.75 por ceno) e dos empregados (11 por ceno), em Neves e Sarmeno (2001) assumiu-se proporcionalidade da receia desas conribuições em relação à massa salarial do secor privado, definida em ermos reais. Esa hipóese, al como ilusrado pelo Gráfico 7, parece reproduzir de forma basane aproximada o crescimeno efecivo da receia de conribuições sociais do regime geral no período analisado, pelo que será manida. Noe-se que, no que respeia a medidas de políica fiscal ou facores que possam disorcer a relação com a base macroeconómica, apenas se corrigiu na série represenada graficamene o efeio do pagameno feio pelo Esado à Segurança Social em 2004, relaivo a conribuições sociais em que o Esado se subsiuiu parcialmene aos pequenos agriculores enre 2001 e Gráfico 7 TAXAS DE CRESCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DO REGIME GERAL 15.0 Série observada 'corrigida' Série 'consruída' com base na elasicidade Em percenagem Boleim Económico Banco de Porugal 93

12 Inverno 2006 Arigos 3.5. Subsídios de desemprego Na maioria dos Esados-membros da União Europeia, a componene cíclica do desemprego, no âmbio da meodologia do SEBC, é obida com o filro de Hodrick-Presco. No enano, no caso poruguês, o hiao do desemprego foi esimado com base na diferença enre o desemprego observado e o desemprego naural, uma vez que as conclusões de vários esudos empíricos para Porugal aponam para valores razoavelmene esáveis da axa naural de desemprego desde o início da década de 80 (ver equação (9)). Nese conexo, Neves e Sarmeno (2001) assumiram uma axa naural de desemprego igual a 5.0 por ceno, bem como a proporcionalidade enre a despesa com subsídios de desemprego e o número de desempregados. nº desemp. axa naural desemp.* Pop. aciva Hiao nº desempregados axa naural desemp.* Pop. aciva (9) Em Porugal esá disponível, numa base regular, informação relaiva ao número de desempregados regisados no Insiuo de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Esa série, que no passado apresenava uma diferença face ao número de desempregados da economia apurado pelo Inquério ao Emprego muio voláil, acualmene aproxima-se mais da evolução da despesa com subsídios de desemprego. Com efeio, nos úlimos anos, alerações nas regras de aribuição deses subsídios e na forma de acompanhameno pelos Cenros de Emprego dos esforços de procura de emprego por pare dos desempregados, fizeram com que esa variável se ornasse um bom indicador para a evolução da despesa com subsídios de desemprego. O Gráfico 8 mosra que, al como seria de esperar, na maioria dos anos em análise as axas de variação dos subsídios de desemprego se siuam acima das do número de desempregados regisados, o que ilusra um crescimeno posiivo do subsídio de desemprego médio, em linha com a evolução salarial. Noe-se, no enano, que para além do efeio de aleração da esruura de desempregados ao longo do período e dos respecivos subsídios, a diferença enre as duas séries é ambém afecada por modificações que enreano ocorreram nas regras de aribuição dos subsídios de desemprego. A uilização do número de desempregados regisados obriga a modificar o número de desempregados endencial considerado no ajusameno cíclico. De faco, al como represenado no Gráfico 9, o rácio enre o número de desempregados regisados (calculado com base nos dados do IEFP) e a população aciva é claramene superior ao baseado no número de desempregados da economia (calculado com base no Inquério ao Emprego), e apona para um valor médio de 7.2 por ceno enre 1995 e 2005, que compara com 5.6 por ceno no caso dos desempregados da economia. Noe-se que ese úlimo valor se siua acima do considerado por Neves e Sarmeno (2001) para a axa naural de desemprego, mas esá muio em linha com a reavaliação feia por Dias e al. (2004) que, uilizando dados rimesrais de 1983 a 2003 e abordagens alernaivas, obiveram esimaivas médias para a NAIRU 4 em orno de 5.5 por ceno. Assim, na implemenação práica da meodologia de cálculo dos saldos ajusados do ciclo, o hiao do número de desempregados será calculado com base na diferença enre o número de desempregados regisados e o número de desempregados médio igual a 7.2 por ceno da população aciva. (4) Non acceleraing inflaion rae of unemploymen, iso é, axa de desemprego compaível com uma axa de inflação consane Banco de Porugal Boleim Económico

13 Arigos Inverno 2006 Gráfico 8 TAXAS DE CRESCIMENTO DOS SUBSÍDIOS DE DESEMPREGO E DO NÚMERO DE DESEMPREGADOS RÁCIOS ENTRE NÚMERO DE DESEMPREGADOS E POPULAÇÃO ACTIVA Subsídios de desemprego Número de desempregados (regisados) 9.0 Rácio enre o número de desempregados regisados e a população aciva Rácio enre o número de desempregados e a população aciva 3 Em percenagem Em percenagem A semi-elasicidade do saldo orçamenal A aleração de algumas das elasicidades das variáveis orçamenais face às suas bases macroeconómicas ao longo desa secção permie acualizar a esimaiva da semi-elasicidade do saldo orçamenal em relação ao PIB. Para al, é ambém conveniene proceder à revisão das elasicidades das bases macroeconómicas em relação ao PIB, com base na acual informação de Conas Nacionais e nos moldes do cenário de choque especificado por Bouhevillain e al. (2001). Noe-se que, al como referido na secção 2, ese exercício baseia-se na relação enre as diferenes bases macroeconómicas por via das idenidades de Conas Nacionais e, como al, o seu cálculo não exige uma simulação no conexo de um modelo macroeconómico. O Quadro 4 apresena os resulados obidos, que aponam para uma semi-elasicidade de Ese acréscimo face à anerior esimaiva (0.43) reflece o aumeno das elasicidades das variáveis orçamenais face às respecivas bases macroeconómicas, uma vez que a acualização das sensibilidades das diferenes bases macroeconómicas em relação ao PIB levaria, por si só, a uma diminuição da semi-elasicidade. Noe-se, ainda, que a esimaiva agora obida para a semi-elasicidade apresena um valor muio próximo do considerado acualmene pela Comissão Europeia (0.45) e pela OCDE (0.46). Boleim Económico Banco de Porugal 95

14 Inverno 2006 Arigos Quadro 4 A SEMI-ELASTICIDADE DO SALDO ORÇAMENTAL EM RELAÇÃO AO PIB NA METODOLOGIA DO SEBC ACTUALIZADA Elasicidade da variável orçamenal face à base macroeconómica Elasicidade da base macroeconómica face ao PIB Elasicidade da variável orçamenal face ao PIB Peso da variável orçamenal no PIB (a) Conribuo para a semielasicidade do saldo orçamenal face ao PIB (1) (2) (3)=(1)*(2) (4) (5)=(3)*(4) Imposos sobre o rendimeno das famílias Base macroeconómica: salários do secor privado Base macroeconómica: emprego privado Imposos sobre o rendimeno das empresas Imposos sobre a produção e a imporação Conribuições sociais Base macroeconómica: salários do secor privado Base macroeconómica: emprego privado Subsídios de desemprego Toal: 0.50 Noa: (a) Os pesos das variáveis orçamenais no PIB são baseados nas Conas Nacionais e correspondem às médias no período de 1995 a Para ornar os pesos mais compaíveis com a meodologia de cálculo de saldos ajusados do ciclo adopada pelo SEBC excluiu-se a receia do IRS proveniene de axas liberaórias e de rendimenos do rabalho do secor público no caso dos imposos sobre o rendimeno das famílias, subrairam-se as conribuições efecivas do regime dos funcionários públicos e as impuadas ao oal de conribuições sociais e adicionou-se aos imposos sobre a produção e a imporação a receia própria da União Europeia. 4. OS SALDOS AJUSTADOS DO CICLO A parir da meodologia desenvolvida em Neves e Sarmeno (2001), o Banco de Porugal já inha recenemene alerado as bases macroeconómicas para os imposos sobre o rendimeno das empresas e os subsídios de desemprego para o PIB privado e o número de desempregados regisados, respecivamene. Conudo, relaivamene aos valores agora apresenados, admiia-se uma elasicidade mais elevada no caso dos imposos sobre o rendimeno das empresas e uma percenagem média de desempregados regisados em relação à população aciva mais baixa. Assim, as diferenças enre a úlima versão dos saldos ajusado do ciclo ornada pública pelo Banco de Porugal (no Boleim Económico do Ouono de 2006) e a que resularia da acualização dos parâmeros realizada nese arigo não é muio significaiva, al como se pode observar no Quadro 5. A revisão no saldo oal ajusado do ciclo e dos efeios de medidas emporárias ainge no máximo um valor absoluo igual a 0.3 ponos percenuais do PIB em 2005, sendo inferior em odos os resanes anos considerados na análise. As diferenças observadas na variação do saldo primário ajusado do ciclo e de medidas emporárias, indicador habiualmene uilizado para avaliar a orienação da políica orçamenal, são de magniude negligenciável. No seu conjuno, as alerações inroduzidas nese arigo levam essencialmene a que a componene cíclica enha uma menor magniude, iso é, que seja menos posiiva (negaiva) em períodos de fore (fraco) crescimeno económico (Gráfico 10). Tal resulado decorre da diminuição da elasicidade dos imposos sobre o rendimeno das empresas, efeio que mais do que compensa a subida de elasicidade do conjuno dos imposos sobre a produção e a imporação em relação ao consumo privado e do aumeno da percenagem média do número de desempregados regisados em relação à população aciva (Gráfico 11). O Gráfico 12 ilusra o efeio de composição do crescimeno económico sobre a componene cíclica do saldo orçamenal, definido como a diferença enre a componene cíclica calculada com a meodologia do SEBC, acualizada da forma arás descria, e a obida aravés da aplicação da semi-elasicidade do saldo orçamenal face ao PIB de 0.5 ao hiao do produo. Noe-se que um valor posiivo para ese efei- 96 Banco de Porugal Boleim Económico

15 Arigos Inverno 2006 Quadro 5 OS SALDOS AJUSTADOS DO CICLO: COMPARAÇÃO COM OS ÚLTIMOS VALORES PUBLICADOS Em percenagem do PIB Saldo oal ajusado do ciclo, excluindo medidas emporárias Anerior Reviso Dif: Reviso-Anerior Variação do saldo primário ajusado do ciclo, excluindo medidas emporárias Anerior Reviso Dif: Reviso-Anerior o significa que o comporameno das diferenes bases macroeconómicas no seu conjuno, dadas as respecivas elasicidades orçamenais, foi mais favorável para o saldo do que o que decorreria de um cenário macroeconómico com um crescimeno equilibrado das diversas componene do PIB. No período analisado, ese efeio ainge um valor absoluo máximo de cerca de 0.3 por ceno do PIB, não sendo, por isso, de magniude muio elevada. Adicionalmene, esá ambém represenada no Gráfico 12 a semi-elasicidade do saldo orçamenal em relação ao PIB implícia na componene cíclica do saldo obida aravés da aplicação da meodologia do SEBC. É de salienar que, uma vez que o efeio de composição é obido da forma arás descria, o faco dese ser posiivo (negaivo) só se raduz numa semi-elasicidade superior (inferior) a 0.5 se o hiao do produo for posiivo, de acordo com o expliciado nas equações (10) e (11). Em média, no período considerado, a semi-elasicidade implícia esá de faco muio próxima do valor de 0.5 esimado na subsecção 3.6, apesar do valor acumulado dos efeios de composição ser não nulo. Gráfico 10 Gráfico 11 HIATO DO PRODUTO E A REVISÃO DA COMPONENTE CÍCLICA DO SALDO ORÇAMENTAL COMPONENTES CÍCLICAS REVISTAS 4.0 Hiao do produo Revisão na componene cíclica do saldo orçamenal (escala da direia) 0.4 Imp. s/ empresas: reviso Imp. s/ prod. e impor.: reviso Subsídios de desemp.: reviso 0.8 Imp. s/ empresas: anerior Imp. s/ prod. e impor.: anerior Subsídios de desemp.: anerior Em percenagem Ponos percenuais do PIB Em percenagem do PIB Boleim Económico Banco de Porugal 97

16 Inverno 2006 Arigos Gráfico 12 EFEITO DE COMPOSIÇÃO E A SEMI-ELASTICIDADE IMPLÍCITA Efeio de composição (% do PIB) Semi-elasicidade implícia Efeio de composição Componene cíclica 05. * hiao produo (10) ESCB Componene cíclicaescb Semi elasicidade implícia hiao produo (11) 5. A APLICAÇÃO DA ABORDAGEM DESAGREGADA A acualização de alguns dos parâmeros considerados na meodologia de ajusameno cíclico uilizada pelo SEBC permie melhorar a abordagem desagregada para a análise das finanças públicas inroduzida por Kremer e al. (2006), aplicada à análise dos desenvolvimenos orçamenais no Relaório Anual do Banco de Porugal de Relembre-se que, em ermos analíicos, esa abordagem baseia-se na análise da variação do rácio de cada uma das principais rubricas da receia e da despesa relaivamene ao PIB nominal endencial, excluindo os efeios do ciclo económico e de medidas emporárias. No que respeia aos imposos e conribuições sociais, a variação dos respecivos rácios esruurais é reparida, rubrica a rubrica, em quaro facores explicaivos: (i) o impaco da elasicidade orçamenal, que corresponde, dado o crescimeno nominal da base macroeconómica definida em ermos endenciais, ao efeio auomáico sobre a receia fiscal, resulane da elasicidade da rubrica orçamenal face à respeciva base ser diferene de um; (ii) a divergência enre a base macroeconómica e o PIB, que represena o efeio do diferencial de crescimeno enre a base macroeconómica endencial e o PIB nominal endencial sobre a receia fiscal; (iii) as alerações na legislação, cujos impacos orçamenais correspondem a esimaivas oficiais ou, na sua ausência, são baseados em cálculos de acordo com a informação disponível; e (iv) o resíduo, que permie quanificar a pare da evolução dos rácios esruurais dos imposos e conribuições sociais que não é explicada pelos rês facores aneriores. De referir que a componene residual é um elemeno imporane nesa abordagem, podendo ajudar a compreender os desenvolvimenos passados aravés de uma indicação quaniaiva da imporância de deerminados aconecimenos não sisemáicos ou da exisência de endências favoráveis ou desfavoráveis em deerminadas rubricas (5) Ver Caixa 6.1 Uma abordagem desagregada para a análise das finanças públicas, Relaório Anual de 2005, Banco de Porugal Banco de Porugal Boleim Económico

17 Arigos Inverno 2006 orçamenais. Adicionalmene, pode revelar a necessidade de reavaliar o impaco das alerações na legislação ou as elasicidades orçamenais uilizadas. Para além dos ajusamenos decorrenes dos novos valores ajusados do ciclo para as várias rubricas orçamenais, pode ser agora ambém incluída a desagregação dos imposos sobre a produção e a imporação nas caegorias definidas nese arigo. O Quadro 6 apresena a esruura uilizada na abordagem desagregada, incorporando odas as acualizações e melhoramenos 6. Relaivamene ao seu preenchimeno são de desacar rês ponos. Em primeiro lugar, os efeios de alerações de legislação considerados correspondem aos assumidos na secção 3 para esimação das elasicidades e apresenação gráfica dos resulados. Em segundo lugar, considerou-se que o impaco da elasicidade orçamenal nos casos do IVA, ISP e IA é nulo, apesar das elasicidades uilizadas no cálculo da componene cíclica do saldo orçamenal serem superiores a um. Com efeio, o diminuo número de observações consideradas, bem como um nível de desagregação insuficiene relaivamene aos diversos facores cíclicos e não cíclicos que influenciam a receia deses imposos, não permiem jusificar que, numa perspeciva esruural, se assuma que a receia reage mais do que proporcionalmene aos valores endenciais das respecivas bases macroeconómicas. Ese procedimeno corresponde ao adopado inicialmene na implemenação da abordagem desagregada para o conjuno dos imposos sobre a produção e a imporação, que ambém apresenavam uma elasicidade no ajusameno cíclico superior a um. Por úlimo, desaque-se que, no caso do ISP, é de anecipar que o efeio da discrepância enre a base macroeconómica e o PIB seja sisemaicamene negaivo, uma vez que se assumiu que, para além do impaco da aleração das axas médias do imposo, considerado na ínegra como aleração legislaiva, a receia do imposo depende das quanidades de combusíveis vendidas, cuja evolução é aproximada pelo volume do consumo privado de serviços e bens não duradouros. O mesmo não sucede, por exemplo, no IA, onde se assume que a acualização anual das abelas do imposo, aproximada pelo deflaor do consumo privado de bens duradouros, faz pare da base do imposo e, como al, o seu efeio na variação do rácio esruural da receia é capado na componene de discrepância enre a base macroeconómica e o PIB. Relaivamene aos resulados obidos, e cenrando a análise, a íulo de exemplo, nos resíduos da decomposição dos imposos sobre a produção e a imporação, refira-se: (i) o comporameno muio favorável da receia do IVA, em paricular nos anos de 1996 a 2000, que poderá ser parcialmene jusificado pelos facores mencionados na subsecção 3.3; (ii) os resíduos da receia do ISP e do IA praicamene nulos em odos os anos, o que indica que as alerações legislaivas com impacos idenificados, as bases macroeconómicas escolhidas e as elasicidades esimadas reproduzem de forma muio saisfaória a evolução observada nese período; (iii) o resíduo posiivo em quase odos os anos nos ouros imposos sobre a produção e a imporação, al como seria de esperar, uma vez que as alerações legislaivas neses imposos, endencialmene no senido do agravameno da ribuação, não foram expliciamene consideradas na análise. (6) Noe-se que, face aos valores apresenados na Caixa 6.1 do Relaório Anual de 2005 do Banco de Porugal, o Quadro 6 considera já as conas das adminisrações públicas revisas, elaboradas no conexo da noificação do procedimeno dos défices excessivos de Seembro de Boleim Económico Banco de Porugal 99

18 Inverno 2006 Arigos Quadro 6 VARIAÇÃO NOS SALDOS, RECEITAS E DESPESAS DAS ADMINISTRAÇÕES PÚBLICAS, AJUSTADOS DOS EFEITOS DO CICLO ECONÓMICO E DE MEDIDAS TEMPORÁRIAS Em percenagem do PIB nominal endencial Saldo observado (melhoria +, deerioração -) (a) Componene cíclica Medidas emporárias Saldo esruural (melhoria +, deerioração -) Juros da dívida devido a variação da axa de juro média da dívida pública devido a variação do sock da dívida Saldo primário esruural (melhoria +, deerioração -) Receia oal Imposos sobre o rendimeno das famílias Impaco da elasicidade orçamenal Discrepância enre a base macroeconómica e o PIB Alerações na legislação Resíduo Imposos sobre o rendimeno das empresas Impaco da elasicidade orçamenal Discrepância enre a base macroeconómica e o PIB Alerações na legislação Resíduo IVA Impaco da elasicidade orçamenal Discrepância enre a base macroeconómica e o PIB Alerações na legislação Resíduo Imposo sobre os produos perolíferos Impaco da elasicidade orçamenal Discrepância enre a base macroeconómica e o PIB Alerações na legislação Resíduo Imposo auomóvel Impaco da elasicidade orçamenal Discrepância enre a base macroeconómica e o PIB Alerações na legislação Resíduo Ouros imposos sobre a produção e a imporação Impaco da elasicidade orçamenal Discrepância enre a base macroeconómica e o PIB Alerações na legislação Resíduo Conribuições sociais Impaco da elasicidade orçamenal Discrepância enre a base macroeconómica e o PIB Alerações na legislação Resíduo Memo iem: incluídas na despesa (b) Toal de imposos e conribuições sociais Impaco da elasicidade orçamenal Discrepância enre a base macroeconómica e o PIB Alerações na legislação Resíduo Memo iem: incluídas na despesa (b) Ouras receias (c) das quais relaivas à U.E Despesa primária Pagamenos sociais dos quais: Despesa com pensões Subsídios de desemprego Presações sociais em espécie Despesas com pessoal Consumo inermédio Subsídios Invesimeno Ouras despesas (d) Noas: (a) Variação do saldo oal observado, da componene cíclica e dos efeios das medidas emporárias em percenagem do PIB nominal. Devido a diferenças no denominador, a variação do saldo esruural em percenagem do PIB nominal endencial pode diferir ligeiramene da variação do saldo oal excluindo efeios cíclicos e medidas emporárias em rácio do PIB nominal. (b) Pare do resíduo das conribuições sociais relacionado com as conribuições sociais efecivas do regime dos funcionários públicos e com as conribuições impuadas, ambas regisadas nas despesas com pessoal do lado da despesa. (c) Inclui as ouras receias correnes, as vendas e as receias de capial. (d) Inclui as ouras despesas correnes primárias e de capial. 100 Banco de Porugal Boleim Económico

19 Arigos Inverno CONCLUSÕES A análise da informação de Conas Nacionais é muio imporane na compreensão da ligação enre as variáveis orçamenais que se admie serem afecadas pelo ciclo económico na meodologia do SEBC e as respecivas bases macroeconómicas. No caso dos imposos sobre o rendimeno das empresas permiiu concluir que o PIB privado, embora afasando-se da verdadeira base deses imposos, consegue capar de uma forma mais aproximada a evolução da receia. Dado que esa variável macroeconómica apresena um crescimeno médio inferior ao da receia dos imposos sobre o rendimeno das empresas, a nova esimaiva para a elasicidade da receia, baseada numa série de 1995 a 2005 corrigida dos efeios das medidas discricionárias, é superior a um. Quano aos imposos sobre a produção e a imporação, que aé agora inham sido raados em bloco nos esudos sobre o ajusameno cíclico das variáveis orçamenais, o presene arigo procurou explicar a evolução dos principais imposos IVA, ISP e IA - aravés de agregados de Conas Nacionais mais adequados. Assim, à semelhança do arás descrio para os imposos sobre o rendimeno das empresas, foram esimadas elasicidades para eses rês imposos em relação ao consumo privado, consumo privado de serviços e bens não duradouros e consumo privado de bens duradouros, respecivamene. As esimaivas obidas foram em odos os casos superiores a um. Para o remanescene, uma vez que inclui imposos muio disinos, admiiu-se uma elasicidade uniária face ao consumo privado. No seu conjuno, a nova elasicidade dos imposos sobre a produção e a imporação em relação ao consumo privado raduz-se numa reacção desas receias face ao ciclo económico maior que a assumida inicialmene na implemenação desa meodologia. Ao nível dos subsídios de desemprego, as alerações inroduzidas ao longo dos úlimos anos levaram a que, acualmene, a série do número de desempregados regisados no IEFP descreva de forma mais adequada a sua evolução, face ao número de desempregados obido a parir do Inquério ao Emprego. Para o cálculo da componene cíclica foi ainda necessário ajusar em conformidade o valor médio do rácio enre o número de desempregados e a população aciva. As elasicidades dos imposos sobre o rendimeno das famílias e das conribuições sociais do regime geral não foram aleradas nese arigo face às hipóeses inicialmene assumidas na implemenação da meodologia de ajusameno cíclico do SEBC, uma vez que se consaou que esas descrevem de forma ainda muio saisfaória a evolução desas receias, em paricular no período mais recene. No seu conjuno, as alerações inroduzidas aumenam de forma pouco significaiva a semi-elasicidade do saldo orçamenal em percenagem do PIB face ao PIB, em relação ao valor que se obém quando se reproduzem os procedimenos adopados em Com efeio, apesar da revisão das elasicidades aponar no senido de uma maior sensibilidade em relação às respecivas bases macroeconómicas, a acualização das elasicidades das bases macroeconómicas face ao PIB vai no senido conrário e compensa parcialmene o efeio inicial. Acualmene, o valor obido para a semi-elasicidade do saldo orçamenal é de 0.50, siuando-se relaivamene próximo do uilizado pela Comissão Europeia e a OCDE. O Banco de Porugal já havia inroduzido no cálculo dos saldos ajusados do ciclo algumas das alerações arás descrias. Assim, face aos úlimos valores divulgados, as revisões no saldo oal ajusado do ciclo e de medidas emporárias, indicador habiualmene uilizado na apreciação da posição orçamenal subjacene, são relaivamene pouco significaivas no período em análise. Na variação do saldo primário ajusado do ciclo e de medidas emporárias as alerações são negligenciáveis. Em relação às úlimas esimaivas publicadas, a componene cíclica do saldo em agora uma menor magniude, iso é, é menos posiiva (negaiva) em períodos de fore (fraco) crescimeno económico. Boleim Económico Banco de Porugal 101

20 Inverno 2006 Arigos As melhorias inroduzidas no cálculo dos saldos ajusados do ciclo permiem ambém aprofundar o ipo de análise desenvolvido com base na abordagem desagregada das finanças públicas. Nese arigo, ilusram-se, em paricular, as vanagens na desagregação dos imposos sobre a produção e a imporação para a compreensão dos desenvolvimenos orçamenais no período recene. A experiência dos úlimos anos revela que, no que respeia ao cálculo dos saldos ajusados do ciclo, a exisência de mais observações e o conhecimeno mais profundo da informação relaiva às finanças públicas e ao cenário macroeconómico permie acualizar os procedimenos adopados aneriormene, com ganhos claros em ermos analíicos. Nesa linha, serão de anecipar novas acualizações no fuuro. REFERÊNCIAS Bouhevillain e al. (2001), Cyclically adjused budge balances: an alernaive approach, European Cenral Bank working paper series no. 77, Seembro. Dias e al. (2004), Uma nova avaliação das esimaivas da NAIRU para a economia poruguesa, Boleim Económico, Junho, Banco de Porugal. Kremer e al. (2006), A disaggregaed framework for he analysis of srucural developmens in public finances, European Cenral Bank working paper series no. 579, Janeiro. Neves, Pedro e Sarmeno, Luís (2001), A uilização de saldos orçamenais ajusados do ciclo no Banco de Porugal, Boleim Económico, Seembro, Banco de Porugal. 102 Banco de Porugal Boleim Económico

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