A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA PONTA DOS DEDOS: COMO ENSINAR DEFICIENTES VISUAIS?

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1 A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA PONTA DOS DEDOS: COMO ENSINAR DEFICIENTES VISUAIS? Weffenberg Silva Teixeira Mercia Helena Sacramento Morgana Maria Arcanjo Bruno Universidade Católica de Brasília Práticas pedagógicas inclusivas Palavras chave: ecologia, educação ambiental, educação inclusiva, deficiente visual, meio ambiente. Introdução Atualmente verifica-se uma escassez de metodologias pedagógicas focadas no ensino para deficientes visuais, especialmente, na abordagem de temas relacionados à degradação ambiental. Discute-se muito sobre educação inclusiva com foco em determinados assuntos sociais (trabalho, interação, entre outros), entretanto, poucas propostas educacionais são sugeridas para inserir conceitos como o conhecimento da natureza, ecologia, considerando as deficiências visuais e proporcionando uma participação ativa no ensino da educação ambiental. Segundo Ferreira (2010) a inclusão de estudantes com necessidades especiais na escola é uma das discussões mais importantes no cenário educacional brasileiro. Isso porque o panorama da educação brasileira na atualidade ainda retrata as dificuldades que os deficientes, em especial, os visuais, têm em estudar com todos os recursos que lhes são assegurados pelos dispositivos legais. No caso dos deficientes visuais, tanto os cegos como os que têm uma visão subnormal, percebe-se que há dificuldades em planejar e aplicar atividades adequadas para a aprendizagem deles porque não existe investimento suficiente para a aquisição de materiais adequados. Isso provoca uma limitação das ações das escolas para fornecer um ensino qualificado.

2 Para Carvalho (1998) e Oliveira e Poker (2002), a Educação Inclusiva é um novo paradigma que desafia o cotidiano escolar brasileiro. É uma prática inovadora que exige a modernização da escola e o aperfeiçoamento das práticas pedagógicas dos professores. Portanto, para que o deficiente visual compreenda os processos ambientais, a metodologia deve ser adaptada de forma que propicie a utilização dos sentidos remanescentes, necessária para a melhor compreensão, como bem afirma Freire (1998, apud DUARTE et al., p. 2, 2014 determinante para seu desenvolvimento. É necessário, isto sim, um meio propício para que ela A questão da Educação Ambiental é importante para o desenvolvimento da vida no Planeta e também os portadores de necessidades especiais devem fazer parte das d iscussões (DUARTE et al., 2014), para isso, o presente estudo tem como objetivo desenvolver propostas metodológicas para o ensino inclusivo de ecologia: ocupação do espaço versus variação ambiental para alunos com deficiência visual do ensino fundamental e médio. Material e Métodos Utilizou-se a abordagem qualitativa, proporcionando uma investigação de forma abrangente e uma melhor compreensão do objeto de estudo, permitindo que os sujeitos da pesquisa falem sobre suas experiências, atitudes, crenças e pensamentos. A pesquisa foi realizada no CESAS - Centro de Estudos Supletivos Asa Sul, na Sala de Apoio aos Deficientes Visuais em Brasília-DF, que orienta as pessoas com deficiência visual a se adaptarem ao meio: locomovendo-se; aprendendo o Braille; desenvolvendo atividades de vida diária, a fim de tornarem-se mais independentes, autônomas e com a autoestima mais elevada, proporcionando assim, a inclusão das mesmas na sociedade. Foram selecionados onze estudantes na faixa etária entre 18 e 65 anos ao quais apresentavam algum tipo de deficiência visual, como baixa visão ou cegos, que frequentavam regularmente o CESAS e que estavam no ensino regular. Esses estudantes tiveram contato com material pedagógico diferenciado, sendo vários mapas táteis em que cada um demonstra uma situação ambiental: perda de vegetação; avanço da pecuária na Amazônia; fragmentação do cerrado; desmatamento na mata atlântica; avanço da seca no Nordeste, sempre comparando como era antes e depois da ação humana. Em cada situação esses mapas têm texturas diferentes e, por meio desse material, os discentes especiais

3 puderam perceber o quanto a natureza está sendo degradada pelo homem, introduzindo também outros conceitos relacionados à ecologia. Logo após o contato dos estudantes com o material didático, foi feita uma coleta de dados por meio de entrevista semi-estruturada. As entrevistas foram realizadas individualmente e gravadas em áudio com o consentimento dos entrevistados. Para preservar a identidade dos sujeitos, optou-se em não identificá-los. O protocolo de entrevista utilizado versou sobre a concepção sobre meio ambiente e preservação, bem como os mapas táteis utilizados para ajudá-los a atender e refletir a referida temática. Resultados e Discussão a) Você gostou da atividade? Justifique. Inicialmente, perguntou-se aos alunos o que eles acharam da atividade, todos foram unânimes em afirmar que gostaram bastante. O aluno 2, por exemplo, disse que gostou da atividade pois através dela pude perceber o quanto a natureza vem sendo destruída pelo homem, a Mata Atlântica, por exemplo, era uma grande floresta cheia de animais e plantas de várias espécies, aí depois reparei que ela está bem acabada, estão desmatando tudo para fazer construções de grandes prédios e vender as madeiras, acabando com a água e outros recursos naturais. Outro discente disse que apreciou a atividade porque através dos mapas táteis pode-se aprender não só questões relacionadas à ecologia que é estudada na matéria de Ciências, mas também conceitos importantes da matéria de Geografia e História destacando a interdisciplinaridade e a variedade de conteúdo que pode ser exposto utilizando o mesmo recurso didático. Esses depoimentos reforçam o pensamento de Paulo Freire (1998, apud DUARTE et al., p. 2, 2014 ) quando afirma que para que os alunos com deficiência visual possam compreender e aprender é preciso que ocorra a transferência do conteúdo da dimensão do pensamento, para a dimensão tátil e, para isso, a metodologia deve ser adaptada, utilizando seus sentidos como o tato, por exemplo, inserindo-o nesse mundo de informação tornando a aprendizagem mais proveitosa e inovadora. b) Como a atividade facilitou o entendimento de degradação ambiental? Ao serem indagados sobre como a atividade os ajudou na compreensão de degradação ambiental, grande parte dos estudantes falou que as ações antrópicas diminuem a capacidade de um ecossistema sustentar a vida, ocasionando uma perda significativa da biodiversidade. O

4 aluno 5 ressalta que ouço muito falar sobre desmatamento e queimada na televi são, na escola e em casa, mas só ouvindo não dá pra saber como andam esses processos, com o auxílio dos mapas pude perceber que a degradação só aumenta ao longo do tempo. O aluno 11 completa dizendo que se essa exploração dos recursos naturai s continuar em breve terá a extinção de várias espécies de animais como o lobo-guará e o urso-panda, prejudicando a biodiversidade do planeta, todos nós temos que preservar o meio ambiente para que isso não aconteça. Os alunos destacaram também que através dos mapas táteis compreenderam que essa destruição da natureza interfere diretamente na saúde dos seres humanos. Outros conceitos como as mudanças climáticas, contaminação e poluição do ar, da água, do solo, chuva ácida, desertificação, entre outros, foram apontados como uma das consequências da degradação ambiental. Duarte (2014) destaca que a Educação Ambiental é fundamental para a manutenção da vida no planeta Terra e inserir o deficiente visual no centro dessas discussões é importantíssimo, pois todos têm o dever social de cuidar do meio ambiente. c) Você gostaria se outras aulas ou disciplinas utilizassem os mesmos recursos? Justifique. Por fim, buscou-se verificar o que os alunos com deficiência visual achariam se materiais pedagógicos como este apresentado fossem utilizados durante as aulas, todos eles afirmaram que seriam bem melhor, pois facilitaria a compreensão dos conteúdos ensinados dentro da sala de aula. O aluno 8 diz durante a aula o professor mostra o mapa normal e raramente tem material adaptado para nós estudarmos, esse tipo de material facilitou muito o meu entendimento sobre o assunto. O aluno 1 completa falando que se outras disciplinas tivessem um material parecido ia facilitar demais a percepção da gente, favorecendo a aprendizagem. Para Ferreira (2010) observa-se uma grande dificuldade da comunidade escolar em planejar e aplicar atividades adequadas para alunos com deficiência visual, uma vez que o investimento é praticamente inexistente para a aquisição destes tipos de materiais, acarretando uma limitação das escolas proporcionarem um ensino um ensino de qualidade.

5 Conclusão O estímulo à pesquisa de novas metodologias pedagógicas para alunos com deficiência visual prestigia, incentiva e promove a inclusão destes nos mais diferentes cenários. A educação ambiental, nesse caso, funciona como um veículo que ajuda na compreensão das problemáticas que envolvem o ambiente. Sendo assim, para que a inclusão de fato ocorra, faz-se necessário um investimento para a aquisição de materiais adaptados que facilitarão o aprendizado de determinados conceitos e a compreensão de sua relação com o cenário no em que vivem. Referências Bibliográficas CARVALHO, R. E. Temas em Educação Especial. Rio de Janeiro: WVA, DUARTE, Ana Cristina Santos et al. PERCEPÇÕES DE ALUNOS DEFICIENTES VISUAIS SOBRE EDUCAÇÃO AMBIENTAL. Disponível em: < Acesso em: 10 set FERREIRA, Leonardo Alves. AS CONTRIBUIÇÕES DOS JOGOS MATEMÁTICOS PARA A APRENDIZAGEM DAS OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA VISUAL Disponível em: < Acesso em: 24 set OLIVEIRA, A. A. S.; POKER, R. B. Educação inclusiva e municipalização: a experiência em educação especial de Paraguaçu Paulista. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 8, n. 2, p , 2002.

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