Resumos das Palestras

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1 Resumos das Palestras Realização Apoio

2 Seminário de planejamento estratégico empresarial ABIMAQ A abertura do evento foi em tom de cautela queda de 10% em relação ao ano de e de reconhecimento dos avanços do setor O cenário otimista para o setor seria até o momento. a manutenção do mesmo resultado de Ao longo da história, a indústria de 2013 e o pessimista é de queda de cerca máquinas e implementos agrícolas teve de 20%. Entretanto, não se pode avaliar de seu crescimento pautado na inovação, forma negativa essa previsão, uma vez que com produtos desenvolvidos a partir das o faturamento estará próximo do pico do demandas dos produtores rurais para setor. obtenção de maior eficiência nas atividades Esse cenário trás à tona a necessidade de de manejo: preparo do solo, plantio, melhoria na gestão, vinculada à capacidade pulverização, colheita, entre outros. O de governança e, nesse aspecto, o setor aspecto inovador da indústria reflete precisa modernizar seus modelos. diretamente na origem do faturamento: As palestras do dia, todas muito bem mais de 50% provém da comercialização avaliadas pelo público presente, pautaram de produtos com menos de cinco anos de os espectadores com conhecimento e idade. argumentos acerca dos temas inovação, Apesar do crescimento acima de dois tecnologia, mercado e gestão, para melhor dígitos nos últimos anos, a melhor fase fundamentar as discussões e decisões de passou, e a expectativa para 2014 é de planejamento estratégico das empresas. 2

3 ABERTURA Gilberto Zancopé Presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas CSMIA / ABIMAQ O seminário focou o olhar para dentro das empresas, demonstrando como elas podem se articular para fazer a gestão da inovação e se apropriar do crescimento apresentado no mercado agrícola brasileiro. Apresentou também as condições para o planejamento do ano de 2014, discutindo as condições macroeconômicas e a conjuntura dos preços agrícolas para o ano seguinte. Ressaltou que ao longo da história, a indústria de máquinas e implementos agrícolas sempre foi ligada à inovação tecnológica. Devido à proximidade com os agricultores, o setor sempre soube de suas necessidades e assim o crescimento foi pautado na inovação, com produtos desenvolvidos a partir das demandas dos produtores, citou como exemplos de inovações desenvolvidas visando maior eficiência no manejo: o plantio direto, a pulverização, a colheita de algodão adensado, entre outros. Acrescentou que o aspecto inovador da indústria reflete diretamente na origem do faturamento, sendo que mais de 50% provém da comercialização de produtos com menos de cinco anos de idade. Afirmou ainda que, apesar do crescimento de dois dígitos nos últimos anos, a melhor fase passou e a expectativa para 2014 é de queda de 10%. Segundo ele, o cenário otimista é de manutenção dos mesmos níveis de 2013 e o pessimista é de queda da ordem de 20%. Segundo o aconselhamento geral, o ano de 2014 será de pouso suave. Depois de um ótimo 2013, que foi influenciado pela grande seca nos Estados Unidos, o ano de 2014 será de uma volta à normalidade. Aconselhou os associados a planejarem o ano de 2014 com uma queda de 10% sobre o ano de Embora seja um número pessimista, lembrou que 2013 foi um ano de glória para o setor, sem dúvida o melhor ano da sua história. >> 3

4 ABERTURA >> Continuação: Gilberto Zancopé Presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas CSMIA / ABIMAQ Finalizou dizendo que o cenário traz à tona a necessidade de melhoria na gestão, vinculada à capacidade de governança, que o Brasil está devendo muito e que o setor precisa modernizar seus modelos. Eugênio Brunheroto Vice-Presidente da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação CSEI / ABIMAQ Esclareceu que o setor de irrigação atravessa um dos melhores anos no Brasil e tudo indica que será mantido este crescimento, pois existe financiamento adequado e programas de incentivo bem conduzidos como o Mais Água Mais Renda no Rio Grande do Sul, que deverá ser replicado em São Paulo. No entanto, ponderou que o gargalo para a expansão da irrigação é a falta de energia elétrica no campo e a dificuldade de obtenção de outorga d água e licenciamento ambiental. Apesar destes problemas que limitam novos projetos, destacou o trabalho da ABIMAQ na busca por financiamento adequado, redução de cara tributária no setor, entre outros benefícios ao agricultor, ao longo do tempo contribuíram para a pujante agricultura do país que bate recordes de produção com inovação e tecnologia. Carlos Pastoriza Diretor Secretário da ABIMAQ Lamentou que a situação favorável do setor não seja a mesma para todos os demais setores representados pela entidade, mas ressaltou que a ABIMAQ não tem medido esforços para minimizar os problemas com as demais câmaras setoriais. 4

5 Palestra: O acesso a novas tecnologias de produção e o impacto da mecanização na agricultura familiar do Brasil: A experiência do Programa Mais Alimentos. Palestrante: Laudemir Müller, Secretário Executivo do Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA O Brasil apresenta 80 milhões de hectares em agricultura familiar e 88 milhões de hectares em assentamentos. É preciso mapear a diversidade do rural brasileiro e traçar estratégias focadas para o desenvolvimento. Para tanto, é necessário atrair para a agricultura familiar mais tecnologia e investimentos. Destacou que o foco do Plano de Safra da Agricultura Familiar é baseado no tripé: tecnologia e inovação, financiamento e segurança (clima e preço), para que o produtor rural possa produzir mais alimentos e com melhor qualidade. Para isso, é preciso manter o valor da cesta básica estável, pois não adianta crescer o ganho de renda das famílias se a elevação de preços força a gastar mais com alimentos. Quanto à exportação de tecnologia em máquinas e implementos, comentou sobre o potencial de exploração dos mercados da América do Sul, América Central e, principalmente, África, onde a tecnologia brasileira é a mais adequada por também se tratar de agricultura tropical. Comentou sobre o Programa Integrado de Logística - modelo de concessão - que contempla a expansão das ferrovias, mas que será necessário planejamento para utilizá-la de forma inteligente visando redução de custo e elevação na eficiência. Durante o debate, foram apontadas as políticas do MDA que iimpactam positivamente e agregam às políticas do setor de máquinas e implementos agrícolas. Entende que o Programa Mais Alimentos Internacional também contribuíra nesse sentido, salienta do que o programa tem repercutido positivamente em fóruns internacionais, como a ONU (Organização das Nações Unidas). Mediador do Debate: Gilberto Zancopé Presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas CSMIA/ABIMAQ 5

6 Palestra: Pesquisa, desenvolvimento e inovação na agricultura. Palestrante: Ladislau Martin Neto, diretor executivo de Pesquisa & Desenvolvimento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Embrapa Durante a palestra, ressaltou que o Brasil tem atingido suas metas de redução de emissão de CO2, às quais aderiu voluntariamente em Copenhague na Dinamarca. O Brasil - potência agrícola, energética e ambiental apresenta exemplos concretos dos retornos financeiros obtidos com o investimento em pesquisa e tecnologia, como a fixação biológica do nitrogênio que reduz o uso do adubo nitrogenado. É preciso ter clareza das oportunidades ao redor, proporcionadas pelo caráter de multifuncionalidade da agricultura: biomassa, biomateriais, química verde, alimento, nutrição, saúde, entre outros. A introdução de máquinas e implementos nos processos produtivos deve contribuir para agregar valor e reduzir a penosidade no ambiente de trabalho. Por fim, realçou alguns fatores de impulsão à agricultura brasileira: Avançado sistema de inovação em agricultura; Automação em irrigação; Agricultura de precisão; Automação em estudos sobre o meio ambiente tecnologias para antecipar o futuro; Corredor de Nacala no continente africano semelhanças com o Cerrado brasileiro; Cluster de negócios no agronegócio para agregação de valor e inserção nas cadeias globais. Mediador do Debate: Celso Casale Vice - Presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas CSMIA/ABIMAQ 6

7 Palestra: O impacto da inovação na gestão das empresas. Palestrante: Carlos Arruda Diretor Executivo Adjunto, Dom Cabral A visão é pouco otimista quando se trata da capacidade de inovação na gestão das empresas brasileiras. No geral, as empresas se enquadram em dois cenários: A)Céu de brigadeiro com perspectiva de inovar e crescer; B) Inferno de Dante - sem perspectiva de crescimento, em retração. Quase a totalidade das empresas tem a proposta de inovação como opção de estratégia, mas poucas a implantam. Há o predomínio da orientação para o passado. Apresentação dos 3 graus da inovação: Inovação limitada ao conhecimento que a própria empresa pode aportar; Inovação extrapola a capacidade de conhecimento interna da empresa. Tem que buscar através de parcerias e cooperação; Hoje, o gestor de inovação é um gestor do conhecimento do que tem disponível no mundo - para avaliar e trazer para a empresa. Inovação envolve o stakeholder(*). Vai além das parcerias para o desenvolvimento do produto, tem que envolver os agentes de gestão dos recursos naturais e a sociedade. O Brasil é um país que adota a sustentabilidade, mas não gera a tecnologia para implantar o conceito. Nesse sentido, corre o risco de ser sustentável, mas pobre, porque terá de importar a tecnologia. Onde está o conhecimento (capacidade) e quais os resultados das inovações para o mundo? O Brasil tem um posicionamento estratégico para a inovação, mas o caminho para ser inovador é longo. O fato é que o país tem piorado nesse aspecto devido alguns limitadores: Processos burocráticos lentos e disfunção nas regulações; Baixa qualidade da educação; >> 7

8 >> Continuação: Palestra (Carlos Arruda Diretor Executivo Adjunto, Dom Cabral) Falta da capacitação da mão de obra - a baixa qualidade da educação afeta a capacidade do país em desenvolver técnicos e pesquisadores qualificados para gerar a inovação. No geral, o setor privado contorna o problema ao investir em capacitação da sua mão de obra. As empresas que objetivam implantar a proposta de inovação tem que se posicionar para tal. A cultura tem que ser abraçada pelos empresários e diretoria, não pode ser delegada. Os gestores devem estar motivados e a empresa integrada. É preciso abertura e agilidade para escutar as demandas dos clientes e transmiti-las para as áreas competentes. A liderança tem que desafiar e acompanhar a equipe. Até 2030, o Brasil passará a ser um país de velhos, o que muda o comportamento e hábitos da população, para os quais as empresas devem estar preparadas com as tecnologias. Salientou que a longevidade das empresas está relacionada a capacidade de crescer continuamente e de antecipar as mudanças do futuro. É preciso buscar mecanismos de antecipação e formas de pensar diferente, não aceitar o óbvio. (*) Termo usado em diversas áreas como gestão de projetos, administração e arquitetura de software referente às partes interessadas que devem estar de acordo com as práticas de governança corporativa executadas pela empresa. Mediador do Debate: João Marchesan Vice - Presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas CSMIA/ABIMAQ 8

9 Palestra: Expansão da área para aumento da oferta. Palestrante: Evaristo Eduardo de Miranda, Coordenador na Secretaria de Acompanhamento e Estudos Institucionais da Presidência da República. A problemática apresentada durante a palestra pode se traduzir em como o setor deve inovar para produzir cada vez mais em menos área, dado duas constatações: Os ganhos de produtividade na agricultura brasileira são decrescentes: a produtividade da agricultura cresce, mas cada vez menos. Fica apenas a ressalva da expansão no uso da irrigação representar um salto quântico no potencial produtivo; Questão de governança no uso do território brasileiro: segundo estudo de Gestão Territorial da Embrapa, a área disponível para a agricultura tem caído nos últimos anos. Mediador do Debate: João Tadeu Franco Vino Presidente do Grupo de Armazenagem da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas CSMIA/ABIMAQ 9

10 Apresentação: Nova Estrutura Funcional da ABIMAQ José Velloso Dias Cardoso, Presidente Executivo da ABIMAQ Iniciando sua apresentação, abordou as mudanças que ocorreram há 3 meses na entidade e o que está sendo feito para melhorar a competitividade da indústria de máquinas nacional. Informou que a ABIMAQ representa empresas do setor de bens de capital e possui delas em seu quadro associativo, divididos em 30 câmaras setoriais que compõem a estrutura da ABIMAQ. Destacou que um dos objetivos da gestão do Presidente Luiz Aubert Neto é de profissionalizar a entidade, com isso, em abril de 2013 promoveu mudança no estatuto incluindo a figura do Presidente Executivo. Dando seguimento a apresentação, foi exibido o organograma da entidade destacando todas as áreas envolvidas, como: Tecnologia Diretor Executivo João Alfredo S. Delgado: Análises técnicas, modernização industrial, cadastro industrial e inovação tecnológica. Mercado Externo Diretor Executivo Klaus Curt Muller: Defesa comercial, COMEX, negociação e promoção, incluindo o convênio com a APEX que promove as feiras no exterior. Jurídico e Coorporativo Diretor Executivo Hiroyuki Sato: Relacionamento com a área financeira, defesa jurídica, negociação trabalhista e jurídico interno da entidade. Competitividade Diretor Executivo Mário Bernardini: Reúne todos os trabalhos apresentando as propostas a todos os níveis governamentais e a área estatística. Relações Institucionais Diretor Executivo Márcio Ribaldo: Responsável pelos assuntos políticos e assuntos institucionais da entidade. >> 10

11 >> Continuação: Apresentação (José Velloso Dias Cardoso, Presidente Executivo da ABIMAQ) Divisão Administrativa e Financeira Gerente Divisional Fernando D Angelo Responsável pelas atividades internas: Recursos humanos, tecnologia da informação, financeiro e compras. Divisão Expansão Associativa - Gerente Divisional Eucélio Estevam Silva: Responsável pelo relacionamento com o associado e pelas sedes regionais da ABIMAQ. Divisão de Marketing Gerente Divisional Lariza Pio: Responsável pela área de marketing do setor de máquinas e pelo marketing interno, além dos eventos, sendo internos e externos como as feiras nacionais. Gerência de Mercando Interno José Velloso e Sandra Stelutti Responsável pelos conselhos de óleo e gás, conselho automotivo, conselho de saneamento ambiental, conselho de energia eólica, conselho de bioenergia e conselho de metalurgia e mineração Gerência de Responsabilidade Sócio Ambiental Alessandra Bernuzzi Dando continuidade o Sr. Velloso expos as ações praticadas por cada área da ABIMAQ e comentou sobre a apresentação da Agenda Estratégica Setorial ao Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sr. Fernando Pimentel, no início de Outubro, disponibilizando um resumo para cada participante do Seminário, destacando os principais objetivos: Aumentar o consumo aparente de bens de capital com redução simultânea do coeficiente de importação; Aumentar as exportações de bens de capital; e Aumentar a competitividade da indústria de bens de capital. Aproveitou para mencionar que todas as áreas possuem conselhos que estão abertos para os associados que tenham interesse em participar. 11

12 Palestra: Analise da conjuntura macroeconômica no Brasil e no Mundo. Octávio de Barros, Economista Chefe do Bradesco Ao longo da sua palestra destacou a necessidade de superar a crise de confiança do país e a necessidade de ganho em eficiência. Apresentou fatos relevantes para delinear a conjuntura macroeconômica que envolve a oferta e o custo da mão de obra, crescimento do Brasil, a origem dos problemas dos gargalos e a infraestrutura, eficiência e produtividade, abaixo delineados: A oferta de mão de obra cai mais do que a sua demanda. O Brasil foi o país que mais aumentou o salário industrial de 1995 a Assim, a depreciação do câmbio pode trazer um novo fôlego à competitividade, mas apenas se acompanhado de aumento de produtividade. Uma pesquisa exclusiva desenvolvida pelo Bradesco apontou uma melhora de percepção em relação à redução do incomodo da concorrência externa. O Brasil apresenta um problema de custos estrutural em todos os setores. Assim, apesar de, depois da China, ser o país emergente com a maior diversidade industrial, não tem competitividade. O Brasil tem a indústria mais internacionalizada do mundo emergente, mas está desintegrada das cadeias globais. Por apresentar uma escala superior aos demais países da América Latina, apesar dos problemas, o Brasil é capaz de atrair investidores globais. Ainda é um país com muitas oportunidades. A incompetência na governança rouba 0,8 % do PIB (Produto Interno Bruto). O consumo tende a crescer alinhado com o PIB. O ciclo de crescimento do Brasil nos próximos 10 anos será devido aos investimentos em infraestrutura, óleo e gás. Em especial nas estradas e aeroportos, porém não haverá investimentos em ferrovias. O Brasil é vítima de seu próprio sucesso. Os principais gargalos do país são reflexos do que deu certo nos últimos 10 anos. Atualmente 70% da população é formada pela classe ABC; melhora no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano); aumento de 10 anos na expectativa de vida dos brasileiros; mais de 90 milhões de contas bancárias abertas. Nesse mesmo período, houve um aumento de 23 milhões de veículos e 2 milhões de caminhões, porém estão circulando nas mesmas estradas de 10 anos atrás. >> 12

13 >> Continuação: Palestra (Octávio de Barros, Economista Chefe do Bradesco) O planejamento da infraestrutura requer demanda e previsibilidade regulatória, além de investimentos. O Brasil precisa de uma revolução na agenda da eficiência e produtividade. Os custos salariais são irreprimíveis, mas o país tem uma jazida de produtividade que ainda pode ser explorada. Algumas alternativas são: mais automação e importação de mão de obra qualificada. O Brasil viverá um ciclo na redução da oferta de mão de obra. Talvez os próximos 2 a 3 anos seja um momento de reajuste do quadro, com maior automação. O Brasil passa de uma transição da quantidade para a qualidade. Expectativas: Taxa de câmbio final de 2013: R$2,25/usd e final de 2014: R$2,35/usd. Juros: aumento e também na taxa aplicada no PSI(Processo de Substituição de Importações). O Brasil tem resistência em reduzir inflação que deverá ser trazida para a meta em 5 anos. A inflação de serviços desacelera muito mais devagar do que a da indústria, por conta da indexação. É preciso consciência coletiva e imperativa em investimento. O Brasil precisa aumentar estoque de capital para aumentar a produtividade. Ações concretas com o setor privado como protagonista para ter confiança do mercado. Mediador do Debate: Pedro Estevão Vice - Presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas CSMIA/ABIMAQ 13

14 Palestra: Gerenciamento de riscos e novos instrumentos para financiamentos do agronegócio. Palestrante: Ivan Wedekin, Diretor Geral da Bolsa Brasileira O risco está no DNA da agricultura e podem ser traduzidos em: Produção: gerenciado com tecnologia, zoneamento agrícola e seguro rural. Contrato: organizado através do marco legal, arbitragem e fator vontade. Crédito: gerenciado com cadastro, garantias, seguro, novos títulos, cadastro positivo e negócios à vista. Em 97% de 193 bilhões em crédito rural apresentam classificação de risco normal. Não há um sistema de informação de crédito comercial. Preço: apoio de política agrícola (garantia de preço mínimo) 5% da renda agrícola provém de subsídios do governo. A volatilidade do preço decorre do descasamento entre oferta e demanda, impacto do clima e sazonalidade na produção, taxa de câmbio (e outras variáveis macro), movimento de capitais (ação de hedge funds (*)). Atentou que a combinação do preço de commodity elevado e disponibilidade de crédito podem levar a decisões macroeconômicas equivocadas das empresas. (*) é uma forma de investimento alternativa, de altíssimo risco, com poucas restrições e altamente especulativo. Mediador do Debate: José Ronaldo Vilela Rezende Sócio e Líder de Agronegócio da PwC 14

15 Palestra: Tendências dos Mercados de Commodities Agrícolas Palestrante: André Pessoa, Sócio-Diretor do Grupo Agroconsult Conforme dados apresentados, a preocupação com a renda dos produtores de soja e milho será maior na safra 2014/15. Soja A colheita norte americana avança e o resultado não está excelente, mas melhor do que no ano passado e suficiente para o restabelecimento dos estoques. A China na safra 2012/13 importou um pouco menos e usou mais seus estoques - parte por preços elevados e parte pela deficiência logística no Brasil. No próximo ano os preços devem cair um pouco devido à recuperação da safra americana e recorde na safra sul-americana, e os chineses devem recompor os estoques. O Ano de 2014 será um bom ano de compras chinesas, passando de 61 milhões de toneladas para 69 milhões de toneladas, sendo 2 milhões para recomposição de estoques. A perspectiva de área plantada no Brasil está ao redor de 29,3 milhões de hectares, com o crescimento em pastagens degradadas, concentrado principalmente no Mato Grosso. A safra potencial será de 88 milhões de toneladas. A Argentina caminha para área recorde de 20 milhões de hectares, o que leva a segunda safra argentina acima de 50 milhões de toneladas. Em 2014 os preços da soja devem ficar ao redor de 12 usd/bu, com leve queda no segundo semestre. Nos EUA há tendência de crescimento da área de soja para 32 milhões de hectares sobre a área de milho, que terá queda de 4%, eleva o potencial de produção para 95 milhões de toneladas. As perspectivas de níveis de preços preocupantes para a safra 2014/15, justificado pela elevação nos estoques mundiais, será a oportunidade para a China recompor os estoques em situação confortável. Mesmo com perspectiva de desvalorização cambial em 2014, o preço fica muito próximo do custo >> 15

16 >> Continuação: Palestra (Palestrante: André Pessoa, Sócio-Diretor do Grupo Agroconsult) de produção. Para a safra 2014/15, a perspectiva é de níveis recordes de custo de produção, com destaque para a mão de obra, mas desacompanhado de um aumento de produtividade. Isso leva a duas alternativas: treinamento e mecanização. Quanto à tomada de decisão do produtor rural para a aquisição de máquinas e implementos agrícolas, ainda há foco muito grande na questão do crédito, mas a mão de obra vem ganhando relevância em função dos custos diretos e das exigências da legislação trabalhista. Cada vez mais considera-se alternativas para economizar com o custo mão de obra nas propriedades rurais. Quanto ao retorno, no Mato Grosso a safra 2013/14 não é tão preocupante em função das vendas antecipadas com preços melhores. Já na safra 2014/15 os produtores atingem o breakeven (ponto de equilíbrio), o que leva a análises mais criteriosas para investimentos. A situação deve se manter por mais um ano em função de pressão para redução dos preços. A falta de crescimento em dois anos no Mato Grosso pode elevar novamente os preços. No Paraná, não é o caso, pois o preço mais baixo não inviabiliza a lucratividade da atividade devido ao diferencial logístico. Não se fala em crise, fala-se em redução de ritmo de lucro que afeta as decisões de investimento. Milho Nesse ano nos Estados Unidos a safra de milho terá forte recuperação, de 70 a 80 milhões de toneladas a mais em relação à safra passada. No Brasil tivemos uma leve redução de área (4%) e estamos com 50% da área plantada no Centro-Sul, ainda sem perspectiva de retração. No Mato Grosso, aqueles que possuem infraestrutura, poderão migrar para o algodão com expectativa de 150 mil hectares. Na próxima safra, mantida as perspectivas de preços mais baixos, haverá redução de tecnologia ou área. >> 16

17 >> Continuação: Palestra (Palestrante: André Pessoa, Sócio-Diretor do Grupo Agroconsult) A grande novidade é a entrada da China como importante player global, aproveitando o vale dos preços. A China passará a grande importador no futuro e começa a formar seu estoque de segurança. Por enquanto, não há mudança expressiva no cenário internacional de estoques. Mudança logística, o porto de São Luís começa a operar melhorando a competitividade do escoamento. No milho, os investimentos na hidrovia do rio Tapajós podem levar a economia de até R$4/saco. Algodão O consumo no mercado internacional recupera lentamente e a oferta reduz rapidamente. O estoque gerado nos últimos anos foi esterilizado pelo governo chinês, o que ajudou os preços internacionais a se manterem em níveis mais elevados. Sem considerar a China, os níveis dos estoques internacionais estão baixos. A partir do próximo ano o governo chinês sinalizou que irá começar a vender seu excedente de algodão. O cenário incerto irá inibir os produtores a investirem nas próximas 2 safras. Não haverá aumento na área de verão, aumenta basicamente a safrinha. >> 17

18 >> Continuação: Palestra (Palestrante: André Pessoa, Sócio-Diretor do Grupo Agroconsult) Açúcar Com os investimentos nos últimos 3 anos, o canavial voltou a idade média ideal. As usinas devem atingir 90% do uso da capacidade instalada. O problema continua no subsídio no preço da gasolina. O setor continua trabalhando no break even (ponto de equilíbrio), com perspectivas de leve melhora na próxima safra. A rentabilidade dos fornecedores de cana melhorou um pouco para o próximo ano. Debate Ainda demandará muito tempo na realização do diagnóstico da atual situação da infraestrutura até efetivamente a implantação das ações práticas para superar os gargalos logísticos. Serão necessários bons projetos acompanhados de boas regras para solucionar o problema. Um estudo preliminar apontou que o PSI (Processo de Substituição de Importações) é responsável por uma venda adicional de 10 mil tratores no mercado. O que, em cenário de queda na rentabilidade, poderá ser interpretado como uma gordura acumulada, proporcionando um fôlego aos produtores rurais na tomada de decisão em investimentos em novas máquinas e implementos. A dose do remédio não pode virar veneno, é preciso administrar de forma bastante responsável no médio e longo prazo. Mediador do Debate: Rui Pereira Rosa Superintendente Executivo do Bradesco 18

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