O VOO MAIS ALTO DO SANTA JOANA E MEMORIAL SÃO JOSÉ

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1 Gestão&Saúde Impresso Especial /2009-DR/BA V. MIDIA DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA ANO III Nº6 JAN/FEV/MAR 2010 Eustácio Vieira, presidente do Grupo Fernandes Vieira O VOO MAIS ALTO DO SANTA JOANA E MEMORIAL SÃO JOSÉ Dono dos primeiros hospitais do Nordeste a buscar JCI, Grupo Fernandes Vieira quer entrar para o seleto time das instituições de saúde com padrão internacional Diagnóstico jan/fev/mar Os bastidores do leilão da primeira PPP da Saúde no Brasil

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3 ÍNDICE geral O staff dos hospitais Memorial São José e Santa Joana, de Pernambuco: primeiros a ter JCI no Nordeste 27 O secretário de Saúde da Bahia, Jorge Solla: parceria público privada vai render R$ 1 bi ao consórcio vencedor As empresárias Janete e Sandra, do Sabin: carro zero para funcionário mais antigo e bolsa de MBA Heudes Régis Iracema Chequer Divulgação 06 ENTREVISTA Henrique Salvador Presidente da Anahp defende uma ANS menos intervencionista e garante: Não fazemos lobby 09 ARTIGO Maisa Domenech Regras, procedimentos de atendimento e controle impostos pelas operadoras têm onerado o sistema 14 CAPA JCI no Nordeste Grupo pernambucano Fernandes Vieira vai ser o primeiro da região a ter certificação internacional 19 DIRETO AO PONTO Franco Pallamolla Para o presidente da Abimo, a indústria nacional precisa de proteção contra a concorrência predatória dos chineses 20 PRESTADOR REFERÊNCIA Grupo Delfin Projeto social do Delfin, com o apoio do Hospital São Rafael, está levando saúde a regiões carentes da Bahia 22 ARTIGO Aliomar Galvão Os rumos da saúde suplementar em um mercado cada vez mais concentrado e com regras pouco flexíveis 24 PRESTADOR REFERÊNCIA Hospital Jaar Andrade Unidade passa a operar com tomógrafo MultiSlice da GE. Equipamento vai otimizar custos e aumentar produtividade 27 GESTÃO PPP da Saúde Os bastidores da PPP do Hospital do Subúrbio, em Salvador: um modelo que pode ser replicado 31 ARTIGO Reynaldo Rocha O uso racional da tecnologia médica vai ser sempre bem-vindo por parte das operadoras O presidente da Abimo, Franco Pallamolla, quer mais ação do governo para apoiar a indústria médico-hospitalar nacional 32 PRESTADOR REFERÊNCIA Biocheckup O case de sucesso da Biocheckup na área de medicina preventiva e os ganhos para pacientes e operadoras Diagnóstico jan/fev/mar

4 CARTA AO LEITOR Madri, Salvador e Londres Além da paixão pelo futebol, o que mais poderia unir Salvador, Londres e Madri? Metrópoles com história, tradição e problemas em comum, ambas decidiram tratar a saúde pública com modelos, digamos, menos ortodoxos de gestão. Berço da parceria público privada (PPP), a ilha da Rainha Elisabeth é hoje exemplo para o mundo no trato da coisa pública com o knowhow do setor privado. Um modelo bem-sucedido, que ajudou a amplificar escores de qualidade de hospitais públicos a níveis de excelência internacional. Experiência que aportou na Península Ibérica como alternativa para a Espanha ao grande fluxo migratório dos últimos anos, e à consequente necessidade de se criar uma rede hospitalar eficiente em espaço curto de tempo. Em Salvador, a PPP do Hospital do Subúrbio pode também entrar para a história. Prevista para ser inaugurada em julho próximo, a unidade é a maior aposta brasileira para mudar um cenário desolador de uma assistência médica gratuita semifalida. Um assunto que a Diagnóstico decidiu contar em detalhes, incluindo os bastidores do leilão, vencido pelo consórcio franco-baiano Promédica/Dalkia. Outro destaque de pioneirismo vem de Pernambuco, primeiro estado do Nordeste a se candidatar a uma vaga na lista internacional de destinos médicos com certificação internacional. Um desafio para o Grupo Fernandes Vieira, dono dos hospitais Santa Joana e Memorial São José os postulantes. Ainda na carona do futebol, entrevistamos o presidente da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Henrique Salvador, que, para muitos, é o maior cartola do setor médico-hospitalar brasileiro. Um poder que acabou fazendo da instituição portavoz de uma cadeia produtiva formada por mais de hospitais. Prestígio para deixar a monarquia inglesa boquiaberta. Boa leitura! Publisher Reinaldo Braga (MTBa 1798) Diretor Executivo Helbert Luciano Diretoria Jurídica Giovana Rocha Repórteres Mariana Paiva Reinaldo Braga Comercial Bahia Suelen Brito Comercial Pernambuco Daniel Costa Gabriela Feitosa Relações públicas Hione Seixas Revisão Marcos Navarro (MTBa 1710) Fotos Iracema Chequer Roberto Abreu Heudes Régis Foto Capa Heudes Régis Tratamento de Imagens Adenor Primo Designer Antônio Eduardo Estagiário Iuri Nogueira Reinaldo Braga Publisher Atendimento ao leitor (71) Para Anunciar Bahia - (71) / Pernambuco - (81) (81) Impressão Pool Gráfica S.A. Distribuição Dirigida Correios Realização Criar Marketing em Saúde Rua Professor Sabino Silva , Ed. Victória Center, 11º andar CEP: Salvador-BA Tel: A Revista Diagnóstico não se responsabiliza pelo conteúdo editorial do espaço Prestador Referência, cujo texto é de responsaiblidade de seus autores. Artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do veículo. 04 Diagnóstico jan/fev/mar 2010

5 CARTA DO LEITOR O setor de saúde do Nordeste precisava de um veículo como este, capaz de discutir, em alto nível, assuntos que dignificam e valorizam um dos segmentos mais importantes da nossa região. A Diagnóstico está de parabéns! Natanael Dantas, João Pessoa PB Camed Interessante a reportagem Ele quer conquistar o Nordeste, sobre a saga da Camed, um negócio que nasceu público, se expandiu na área privada e hoje é comandado por executivos do governo, com competência, comprometimento e estratégias de mercado. Um alento para uma máquina pública criticada, às vezes injustamente, por aqueles que defendem o capitalismo puro, sem nenhuma intervenção pública. Os americanos já descobriram que não é bem assim. Adilson Cerqueira, Fortaleza-CE Fernando Júnior Iracema Chequer Esclarecedora a entrevista com o investidor Fernando Júnior (O mercado mudou). Surpreendeu-me a franqueza e até mesmo a humildade do principal executivo do Grupo Alfa em admitir erros de sua operação. Acho que pode servir de exemplo para o mercado. Quanto ao futuro do negócio, só o tempo dirá. Gustavo Seixas, Recife-PE Fernando Júnior mostrou claramente como o mercado de saúde não permite aventuras. Pouco tempo depois da entrevista concedida a esse prestigioso veículo, o mercado foi surpreendido pela notícia do leilão do Hospital da Bahia, que possuiria uma dívida de mais de R$ 60 milhões com o Petros fundo de pensão da Petrobras. Será que tudo o que foi dito não passou de retórica? Wilson Lacerda, Salvador-BA Valorizando Talentos Impressionante a lucidez do headhunter Paulo Lopes (Valorizando Talentos). Quem vive as agruras do mercado de saúde, que ainda engatinha quando o assunto é gestão de talentos, deve ter ficado recompensado em saber que há uma luz no fim do túnel. Afinal, apesar de serem tocadas por gente, e não por máquinas, muitas instituições de saúde acham que vão se tornar referência no mercado porque acabaram de adquirir um tomógrafo MultiSlice ou uma ressonância de última geração. Tecnologia é importante, mas o investimento em pessoas sempre vai fazer a diferença. Só discordo quando ele diz que a empresa não deve cobrir a proposta de um concorrente quando seu funcionário é assediado. E se ele vale mais? Paulo Leandro Bastos, São Paulo-SP Diagnóstico jan/fev/mar

6 ENTREVISTA henrique salvador Divulgação Henrique Salvador, da Anahp: influência nos rumos da saúde suplementar A Anahp não faz lobby Se o mercado de saúde brasileiro fosse comparado com o futebol, certamente o presidente da Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp), Henrique Salvador, seria o mandatário do Clube dos 13, ou dos 23 para ser mais fiel à analogia. Criada em setembro de 2001, a entidade se consolidou como a principal instituição representativa do empresariado brasileiro do setor médico-hospitalar, composto por mais de hospitais. Não por acaso, é rotina comum para seus dirigentes serem chamados a opinar sobre questões importantes do setor, seja por parte das operadoras ou do governo. Somos uma entidade representativa do segmento de hospitais privados e nossa função é, antes de mais nada, contribuir para a melhoria do sistema como um todo, declina Salvador. Eleito em 2008, com mandato de três anos, vem cabendo a esse mineiro de Belo Horizonte tocar o mais profundo processo de reestruturação da entidade, que busca mais eficiência para continuar dando as cartas no jogo político do mercado de saúde. A ANS precisa ter uma função mais reguladora e menos regulamentadora, polemiza o executivo, que fez parte do grupo fundador da instituição, representando o também mineiro Hospital Mater Day, onde é diretor clínico. É justamente no campo do Poder Central que a entidade costuma ter mais influência. Em Brasília, seja no Congresso ou no Senado, há sempre parlamentares dispostos a ouvir o que tem a dizer a entidade, representada no Nordeste pelos hospitais Aliança e Português (Bahia); 06 Diagnóstico jan/fev/mar 2010

7 Santa Joana, Memorial São José, Esperança e Português (Pernambuco). Não fazemos lobby, mas não nos furtamos em acompanhar o trâmite de matérias importantes para o setor,, ameniza Salvador, no melhor estilo mineiro. Revista Diagnóstico Quase dez anos após a assinatura da Carta de Brasília, documento que deu origem à Anahp, que balanço o senhor faz das ações previstas no texto? Henrique Salvador Não há dúvida de que, ao longo de uma década, muitas transformações ocorreram no sistema de saúde brasileiro, com diretrizes e políticas que acabaram se aproximando, em maior ou menor medida, dos pressupostos da Carta de Brasília. Apesar de o documento possuir um caráter mais conceitual que de gestão, seu conteúdo norteou, ao longo desse período, todas as ações da Anahp, com repercussão, inclusive, nos indicadores de saúde. Diagnóstico Poderia citar algum? Salvador No que se refere à universalização do acesso a saúde de qualidade, mercado aquecido, o setor tende a se expandir juntamente com as empresas que bancam os planos, o que é positivo. Mas em caso de crises, como a que ocorreu no início da década e, mais recentemente, no final do ano passado, toda a cadeia produtiva do setor de saúde sente os efeitos instantaneamente. Algo que tem repercussão direta na saúde financeira dos prestadores. Esse, contudo, é apenas um ponto destoante, mas que tem feito a ANS perceber a existência de outros olhos na cadeia e que também precisam ser cuidados. Algo salutar. Diagnóstico De que forma a resolução da Anvisa que proibiu o preço máximo ao consumidor em medicamentos de uso restrito em hospitais repercutiu no setor? Henrique Salvador Infelizmente, questões como essa, de âmbito privado, mas tratadas pela esfera pública, acabam tornando ainda mais tensa a relação entre hospitais e operadoras, justamente no momento em que começa a haver uma maior convergência de interesses entre fontes pagadoras e prestadores de serviço. ar pelo SUS e não pertencer a operadoras de planos de saúde. Diagnóstico Isto ratifica o perfil elitista de como parte do setor enxerga a instituição? Salvador Não nos vemos assim, principalmente se o critério for o da exclusão. O que preservamos é um padrão de qualidade que sirva como balizador de nossas ações. Algo muito claro e absolutamente exequível para um número considerável de hospitais brasileiros. o grande desafio do próximo presidente é estimular a contribuição dos empresários para um modelo de saúde mais eficiente um dos itens da carta, o País deu um salto significativo. Em São Paulo, mais de 60% da população possui hoje plano de saúde, uma realidade bem diferente de dez anos atrás. Nos estados onde a Anahp está representada, houve um ganho ainda maior nesse processo, ainda que em menor medida em regiões mais carentes do País, a exemplo do Nordeste. A própria criação da ANS, quase que simultaneamente à fundação da Anahp, ajudou a sistematizar as ações na área de saúde suplementar no Brasil. Um fato que, é preciso ser dito, também trouxe prejuízos ao setor. Diagnóstico A excessiva regulamentação continua prejudicando o setor? Salvador Acredito que sim. Pelas atuais regras de mercado, a operação dos planos de saúde se tornou um negócio eminentemente corporativo, fruto de um marco regulatório que objetivou proteger o usuário final, mas que acabou desestimulando a atuação das operadoras no segmento de planos individuais. Uma mudança que colocou os rumos do sistema atrelados diretamente ao humor da economia. Com o Como inexistem parâmetros para compor a margem vinda dos medicamentos, hospitais e operadoras terão que definir qual será essa margem. Os hospitais têm custos para estocar esses medicamentos, o que parece não ter sido levado em conta. Para resolver esse impasse, contudo, cada hospital terá que negociar individualmente, de acordo com sua demanda. Diagnóstico A Anahp possui atualmente 40 hospitais filiados (começou com 23). É um número que garante a representatividade da instituição? Salvador Há regiões no País onde ainda não estamos presente, como o Norte, o que não é o ideal. Mesmo assim, sempre estamos abertos à possibilidade de novas filiações a todos os que nos procuram. Há, claro, regras que buscam preservar o perfil dos hospitais que compõem a Anahp, com critérios objetivos para a entrada de novos associados. Um deles, por exemplo, é que o hospital seja creditado em nível de excelência pela ONA ou ter JCI, o que impõe ao candidato um nível de gestão evoluído. É preciso ainda não atu- Diagnóstico A crescente onda de fusões e de incorporações no mercado de plano de saúde vai exigir mais musculatura também de instituições como a Anahp? Salvador Estamos atentos a esse processo, com investimentos específicos em planejamento estratégico da instituição. Recentemente, aprovamos um novo modelo de governança para a Anahp, com melhor compartimentalização e definições mais precisas das funções do conselho, assembleia de acionistas, diretoria executiva e administração geral, além de 13 projetos específicos para auxiliar a gestão dos hospitais. Iniciativa que contempla áreas como corpo clínico, relação com operadoras de saúde, inovação e incorporação tecnológica. Nosso objetivo é envolver todos os níveis de gestão, de aspectos técnicos de investimento ao RH. Um esforço feito em parceria com instituições como a Fundação Dom Cabral e a Delloitte, e que deve trazer um impacto positivo para os hospitais. Diagnóstico A última edição do Observatório (relatório financeiro da Anahp) põe em evidência a histórica defasagem entre a recomposição de preço de taxas de diárias e de serviços hospitalares, comparado aos insumos. Algo visto por muitos especialistas como um gargalo para o setor. Há solução a curto prazo para essa questão? Salvador De imediato, certamente não. Por isso, é urgente a necessidade de mudanças nos modelos de remuneração. Somente dessa forma poderá haver uma recomposição desses valores. Pagamentos por procedimentos (fee for service) vão Diagnóstico jan/fev/mar

8 ENTREVISTA henrique salvador estar reservados para situações específicas de alta complexidade e para atendimentos clínicos onde a previsão de custo não for possível. A lógica das operadoras é a busca pela previsibilidade, por isso a importância de migrar modelos de remuneração por desempenho, por pacotes, para que se possa atender às demandas de ambas as partes. Diagnóstico Como o senhor avalia a atual relação dos hospitais com a rede de operadoras? Salvador Como um movimento cada vez mais aberto ao diálogo, com a busca de discussões conjuntas de temas relevantes para os atores do processo. Recentemente, a convite da Saúde Bradesco, maior operadora do País, nos reunimos com seus executivos com a intenção de criar uma agenda composta de pautas com interesses comuns, tanto para prestadores quanto para operadoras. Tratam-se de relações interdependentes. E basta haver o entendimento de pelo menos alguns aspectos dessa relação para que todos ganhem. Diagnóstico Até quando os hospitais acreditados vão continuar operando sem remuneração diferenciada? Salvador O processo de acreditação tem um custo e precisa ser melhor remunerado. É exatamente um modelo de remuneração por resultados, que precisa ter tratamento diferenciado. Apesar de as operadoras ainda não praticarem tabelas diferenciadas para hospitais certificados, acredito que a mudança dessa estratégia é uma questão de tempo. Diagnóstico A Anahp faz lobby? Salvador Não temos uma atuação sistematizada, com uma estrutura de lobby propriamente dita, seja no Executivo ou no Legislativo. Mas não nos furtamos em acompanhar o trâmite de matérias importantes para o setor, inclusive com a preocupação de sermos ouvidos e podermos interferir, dentro da lei, em questões de relevância para o setor. Diagnóstico Na opinião da Anahp, qual é o perfil mais adequado para o futuro governante do País? Salvador Alguém que respeite, antes de mais nada, a Constituição. É preciso avançar na ampliação do acesso da população à saúde de qualidade, com a participação tanto do poder público quanto da O investimento em qualidade da assistência vai ser a grande discussão do setor médicohospitalar para a próxima década Não nos vemos como uma entidade elitista. o que preservamos é um padrão de qualidade que sirva como balizador de nossas ações iniciativa privada, que já opera mais de 50% do sistema. Acho que o grande desafio do próximo presidente é justamente estimular a contribuição dos empresários, com políticas públicas específicas, para a construção de um sistema mais eficiente. Algo como o que o governo baiano fez ao apostar nas PPP s, uma iniciativa que tem o apoio da Anahp. Diagnóstico Do ponto de vista político, a Anahp é considerada uma instituição com peso maior, às vezes, do que muitos sindicatos importantes juntos. Como lidar com tanto poder? Salvador Com naturalidade. Ao longo de sua existência, a Anahp ganhou um reconhecimento importante no mercado de saúde, fruto, em boa parte, dos princípios éticos e do comprometimento com o setor, que sempre nortearam a existência da entidade. Em todos esses anos, participamos das principais discussões, em todas as esferas de poder, sobre o destino da saúde suplementar no Brasil, seja através de câmaras técnicas ou de audiências públicas. Somos uma entidade representativa do segmento de hospitais privados e nossa função é, antes de mais nada, contribuir para a melhoria do sistema como um todo. Diagnóstico O que falta aos hospitais para aproveitar o atual momento econômico do País? Salvador Continuar investindo em profissionalização da gestão. Nos últimos cinco anos, houve uma evolução muito grande no aparato de governança dos hospitais. Uma mudança que os credencia para avançar em um mercado cada vez mais competitivo, porém em expansão. Há limitações, contudo, que dificultam o crescimento do setor, como a barreira constitucional que proíbe o acesso dos hospitais ao capital estrangeiro, por exemplo. Algo que é permitido às operadoras, por meio de IPO s, o que as torna mais competitivas em relação aos prestadores. Diagnóstico Qual vai ser a grande discussão do setor médico-hospitalar para a próxima década? Salvador O investimento em qualidade da assistência. O hospital vai precisar ser cada vez melhor e mais eficiente. E, para provar seu desempenho, deverá usar parâmetros comparativos com padrões internacionais, preferencialmente. 08 Diagnóstico jan/fev/mar 2010

9 ARTIGO Maisa Domenech Maisa Domenech é engenheira civil, pós-graduada em Administração Hospitalar e consultora Regras e instruções das operadoras: impacto para o prestador Sabemos que muitos são os motivos dos custos crescentes nas estruturas médico-hospitalares, contrariando a palavra de ordem em grande parte das empresas diante do atual cenário de incertezas. Porém, nos salta aos olhos o quantitativo de recursos humanos, formando verdadeiros exércitos que atualmente integram as áreas de atendimento presencial (recepções), a área de faturamento e a de auditoria interna de contas, contribuindo para inviabilizar os resultados financeiros destas instituições. Na área de atendimento presencial, o volume de recursos humanos empregado não se traduz em eficácia no atendimento ao cliente, pois, cada vez mais, aumentam as regras e instruções, indispensáveis para que o atendimento (produção) se transforme em dados financeiros (faturamento) com consequente sucesso quando da remuneração pelas operadoras de planos de saúde (OPS s), integrantes do mercado de saúde suplementar. A questão se agrava, já que tais regras nem sempre estão disponibilizadas de maneira tão sistematizada e informatizada nas clínicas e hospitais. Em outros casos, a viabilização destas regras depende da capacidade da estrutura administrativa das operadoras de planos de saúde em responder às instituições prestadoras de serviços médico-hospitalares em tempo hábil, normas (elegibilidade, autorização, dentre outros) definidas pelas primeiras. Além disso, as regras diferem em muito a depender da OPS da qual o cliente faz parte, dificultando ainda mais a gestão destas informações por parte das clínicas e hospitais. Muitas destas regras geram prejuízos no atendimento ao cliente, dentre outros motivos, por conta da morosidade do próprio processo absorvido ao longo do tempo pelas instituições prestadoras de serviços médico-hospitalares. Dentre as inúmeras regras idealizadas pelas operadoras de planos de saúde e absorvidas por diversas instituições prestadoras de serviços médicos, destacamos a necessidade de autorização de hospitais muitas dessas regras geram prejuízos no atendimento ao cliente, por causa da morosidade do processo atendimento em situações de urgência/emergência, incompatível com o tipo de atendimento. Ora, o termo autorização significa permissão; consentimento expresso, conforme Prof. Francisco da Silveira Bueno, e mais, dar autoridade para fazer alguma coisa, aprovar, conforme Ruth Rocha. Por outro lado, o Conselho Federal de Medicina define urgência como a ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata e emergência como constatação médica de condições de agravo à saúde que impliquem risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, tratamento médico imediato. Assim, o imediatismo citado em ambos os conceitos acima fica comprometido quando da operacionalização do processo de autorização pelas operadoras de planos de saúde no momento do atendimento, somando-se a isto os crescentes custos que envolvem estes controles não necessários ao atendimento pela instituição médico-hospitalar, mas exigidos pela OPS para efeito de comprovação e pagamento a estas instituições. Tal situação nos obriga a refletir sobre a real função dos prestadores de serviços médico-hospitalares, o comprometimento do atendimento ao cliente, da sua imagem e da sua capacidade financeira a partir dos altos custos que envolvem estes processos. Dentro deste aspecto, nos chama a atenção, também, o fato de que as OPS s idealizadoras da maioria das regras possuem muitas vezes estruturas administrativas relativamente enxutas e até precárias se comparadas às estruturas médico-hospitalares, mesmo quando se trata de seguradoras de grande porte ou de planos de saúde de grandes empresas, a exemplo de autogestões. Com isto, constatamos que os custos destas necessidades de controle pelas OPS s são transferidos e absorvidos pelos hospitais e clínicas sem a devida reposição. Assim, os hospitais e clínicas necessitam cada vez mais aperfeiçoar a sua gestão com um olhar cada vez mais crítico, buscando a renovação de processos, serviços, pensamentos e ideias. Neste aspecto, a área comercial dos prestadores de serviços médico-hospitalares tem papel preponderante, na qual, aliada à função de relacionamento com o mercado de saúde suplementar e negociação de valores e tabelas, e a partir do conhecimento dos processos internos destas instituições, perspectiva sistêmica e trabalho em equipe, possa perceber quais regras devem ou não ser absorvidas, devolvendo a aquele que as idealizou o papel de operacionalizá- -las. Poderá, desta forma, contribuir de forma importante para o aprimoramento e otimização de processos de trabalho, reduzindo a movimentação desnecessária de pessoas (clientes internos e externos), oferecendo qualidade de serviço superior, mais segurança, menor prazo de atendimento, minimizando a possibilidade de erros, reduzindo custos e corrigindo gargalos que impactam no objetivo principal das instituições de saúde: o atendimento ao cliente. os custos das necessidades de controle pelas operadoras são transferidos e absorvidos pelos e clínicas sem a devida reposição Diagnóstico jan/fev/mar

10 Seu negócio é saúde? O nosso também. Com mais de dez anos de mercado, a Protécnica se tornou referência em arquitetura médico-hospitalar graças a um trabalho minucioso, feito por quem entende as peculiaridades de um setor marcado pela dedicação, profissionalismo e atendimento personalizado. Com escritórios em Maceió, Salvador, Fortaleza e Rio Grande do Sul, nossos profissionais trabalham em cada projeto, seja qual for a dimensão, com apuro técnico e expertise só conseguidos por quem respira saúde. Um sucesso replicado, quase sempre, através indicação de quem se surpreendeu com os resultados, especializada do atendimento ao cumprimento dos prazos, e passou a recomendar a Protécnica. Algo bem comum no setor médico-hospitalar. Conheça também a Protécnica e surpreenda-se. Projeto: Complexo Médico Hospitalar (Maceió-AL) Salvador

11 Projeto: Complexo Médico Hospitalar Trindade (Maceió-AL) Projeto: HGO Ponta Verde (Maceió-AL) Projeto: Centro Médico Saúde Excelsior Projeto: Complexo Médico Hospitalar (Lauro de Freitas-BA) Projeto: Hospital Instituto da Visão (Maceió-AL) Projeto: Clínica Delfin (Salvador-BA) Maceió Fortaleza (82) (85) Diagnóstico Salvador jan/fev/mar (71)

12 Tecnologia & Investimento Divulgação Divulgação Grupo baiano Santa Helena investe em nova UTI Automação Português do Recife vai fazer cirurgia com robô O Real Hospital Português do Recife acaba de adquirir o equipamento Artis Zeego, da Siemens, considerado um dos mais modernos do mundo para a realização de angiografia robotizada. A nova máquina única do Nordeste trará mais segurança e precisão nas intervenções vasculares, neurológicas e cardíacas via cateterismo. O Artis tem como diferencial um braço articulado que permite movimentos variados, impossíveis nas máquinas convencionais. Isto aproxima o médico do paciente, conseguindo ângulos de filmagem mais privilegiados, explica o hemodinamicista Carlos Abath. Outra vantagem é que o equipamento possui um tomógrafo acoplado ao detector da angiografia, possibilitando que o especialista detecte, precocemente, qualquer intercorrência ou complicação. O Artis Zeego ainda permite a fusão de imagens de tomografia e ressonância, propiciando ao cirurgião uma visão mais precisa e real. O investimento do Português foi de aproximadamente R$ 2,5 milhões. O Grupo Santa Helena, que atua nas áreas hospitalar, saúde ocupacional e laboratório, na região do Polo Petroquímico de Camaçari, inaugurou em março deste ano a UTI do hospital que leva o nome do grupo. Inicialmente com dez leitos, em um investimento de cerca de R$ 2 milhões, a nova unidade vai ampliar o ganho em resolutividade nas demandas de acidentes de trabalho de alta complexidade do maior polo petroquímico do Hemisfério Sul, com aproximadamente 10 mil funcionários, além de atender a toda a população de Camaçari e região. A gestão da UTI é compartilhada com a Intensiva Gestão e Medicina Crítica. O Grupo Santa Helena opera também em Pernambuco, na área de medicina do trabalho, com a bandeira SH Brasil. Ampliação Rede D or investe R$ 13 milhões em PE Acompanhando as tendências de investimento do mercado, os hospitais Esperança, São Marcos e Prontolinda, todos da Rede D or, passarão por grandes mudanças em A começar pelo Hospital Esperança, que terá sua estrutura física ampliada em mais de 6 mil metros quadrados, até o final do ano, além da inauguração de novos leitos de UTI e apartamentos que, juntos, somam 70 novas unidades. Outra novidade é o investimento no Centro de Diagnóstico do hospital, que vai passar a atender pacientes de fora da unidade, inclusive com entrada independente do Esperança. Os novos equipamentos de tomografia computadorizada, ressonância magnética e ultrassom, além das reformas físicas, custaram ao grupo cerca de R$ 10 milhões. Já o Hospital São Marcos ganhará cerca de 40 novos leitos de apartamentos, além de uma UTI coronária para oferecer serviços de alta complexidade, que será inaugurada até setembro de Outra grande novidade da Rede D or no mercado de Pernambuco é a inauguração de laboratórios próprios nos três hospitais do grupo, todos com coordenação do LabsD or, referência nacional em laboratórios de análises clínicas. Trata-se de um investimento que trará mais resolutividade e otimização dos serviços de laboratórios aos hospitais da rede, avalia Geraldo Matos, diretor comercial da Rede D or em Pernambuco. Credenciamento Planserv busca ampliar rede no interior baiano Os editais de credenciamento, permitindo que novos prestadores de serviços passem a integrar a rede de atendimento do Planserv, vêm sendo apresentados a prestadores de serviços de saúde do interior do estado em encontros promovidos pela Secretaria da Administração. Já foram visitadas cidades polos de algumas das regiões mais importantes do estado, a exemplo de Barreiras (região oeste) e Itabuna (sul). Representantes de clínicas, hospitais e laboratórios dessas regiões têm demonstrado interesse e aproveitado as reuniões para tirar dúvidas sobre o processo de credenciamento, avalia o coordenador adjunto do Planserv, João Aslan. 12 Diagnóstico jan/fev/mar 2010

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