Promoção e proteção dos direitos das crianças. A utilidade de critérios, ou pilares concetuais, é

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2 A utilidade de critérios, ou pilares concetuais, é inquestionável para enquadrar as ações de proteção e cuidados à infância. Os profissionais devem partilhar conceitos básicos, que os ajudem a identificar situações de perigo que possam comprometer o desenvolvimento integral e harmonioso das crianças.

3 - Todas as crianças têm direitos - 1. Ver considerado em todas as decisões o Superior Interesse da criança. 2. Devem ser protegidas de violência doméstica. 3. São iguais e têm os mesmos direitos, não importa a cor, raça, sexo, religião, origem social ou nacionalidade. 4. Devem ser protegidas pela família e sociedade. 5. Têm direito a uma nacionalidade.

4 Todas as crianças: 6. Têm direito a alimentação e ao atendimento médico, antes e depois do seu nascimento. 7. As crianças portadoras de dificuldades especiais, físicas ou mentais, têm o direito a educação e cuidados especiais. 8. Têm o direito ao amor e à compreensão dos pais e da sociedade. 9. Têm o direito à educação e ao lazer.

5 Na nossa sociedade, a maior parte das crianças encontram nos seus contextos relacionais a proteção e os cuidados de que necessitam para se desenvolverem adequadamente. Os estabelecimentos de educação e ensino ocupam uma posição privilegiada na proteção à criança na medida em que a totalidade das crianças os frequentam, durante muitas horas por dia e ao longo de muitos anos.

6 Para se intervir no âmbito da proteção às crianças, é necessário saber: quais as suas necessidades e as consequências da sua não satisfação; o que se entende por maus tratos, as diferentes formas em que podem ocorrer e os fatores associados; É também necessário desconstruírem-se alguns mitos acerca dos maus tratos na infância, bem como distinguir e operacionalizar os conceitos de risco e perigo.

7 As necessidades das crianças, subdividem-se (segundo López, 1995) em: Necessidades Físico - Biológicas Alimentação Vestuário Higiene Sono Atividade Física Proteção de riscos reais Saúde

8 As necessidades das crianças, subdividem-se (segundo López, 1995) em: Necessidades cognitivas Estimulação Física e socialização Compreensão da realidade Física e Social Estimulação Sensorial

9 As necessidades das crianças, subdividem-se (segundo López, 1995) em: Necessidades socio emocionais Segurança emocional Expressão emocional Rede de relações sociais Participação e autonomia progressiva Sexualidade Interação

10 Maus tratos na infância Como referido pelo Ministério da Saúde os maus tratos constituem um fenómeno complexo e multifacetado que se desenrola de forma dramática ou insidiosa, em particular nas crianças e nos jovens, mas sempre com repercussões negativas no crescimento, desenvolvimento, saúde, bemestar, segurança, autonomia e dignidade dos indivíduos. Pode causar sequelas físicas (neurológicas e outras), cognitivas, afetivas e sociais, irreversíveis, a médio e longo prazo ou, mesmo, provocar a morte.

11 Tipologia de maus tratos na infância Tipos de maus tratos Físico Ativo Maus tratos físicos: ação intencional por parte dos pais, ou outro, que provoque dano físico ou doença à criança. Indicadores: feridas, hematomas, estrangulamentos, queimaduras Abuso sexual: contato sexual com uma criança, por parte de um adulto ou outra criança. Indicadores: exposição dos órgãos Passivo Negligência: não satisfação temporal, ou permanente, das necessidades básicas por parte dos membros do grupo familiar com quem vive a criança. Indicadores: malnutrida; vestuário desajustado e/ou sujo; falta às consultas médicas, às vacinas; apresenta absentismo ou abandono escolar

12 Tipologia de maus tratos na infância Tipos de maus tratos Emocional Ativo Maus tratos emocionais: ação intencional que provoque dano ou sofrimento psicológico ou doença mental à criança. Indicadores: hostilidade verbal crónica, desapreço ou ameaça de abandono por parte de um adulto do grupo familiar Passivo Negligência emocional: falta persistente de resposta dos pais aos sinais e expressões emocionais da criança; falta de iniciativa e de interação por parte da figura adulta de referência e de procura de contacto e interação com a criança. Indicadores: inexistência de carícias afetivas dos pais, indiferença dos pais perante o sofrimento da criança, pouca ou nenhuma disponibilidade para interagir com a criança

13 Outros tipo de maus tratos: Maus tratos pré-natais; Trabalho infantil; Maus tratos institucionais, nomeadamente no domínio da educação: A arquitectura das escolas, quando as crianças não dispõem de locais de recreio para brincar, de espaços para receber a família Descoordenação entre diferente serviços; Falta de decisão relativamente à proteção; Inexistência de informação ou comunicação desadequada

14 Repercussões físicas e emocionais sobre a criança: TODOS OS MAUS TRATOS produzem efeitos negativos no desenvolvimento emocional da criança, salientando-se que alguns têm ainda consequências físicas, podendo ter efeitos negativos no desenvolvimento físico e emocional e no seu estado geral de saúde e bem-estar. Frequentemente, os efeitos negativos dos maus tratos físicos não se ultrapassam quando se cura a lesão ou quando se proporciona à criança os cuidados adequados.

15 Mitos em relação aos maus tratos a crianças: Os maus tratos às crianças só acontecem em classes sociais baixas ou economicamente desfavorecidas. Os maus tratos às crianças são pouco frequentes. Só as pessoas alcoólicas, toxicodependentes ou mentalmente perturbadas é que maltratam as crianças. Os maus tratos às crianças só acontecem em classes sociais baixas ou economicamente desfavorecidas.

16 Mitos em relação aos maus tratos a crianças: Os pais podem fazer o que querem com os filhos e ninguém se pode intrometer. Os filhos precisam de mão pesada; de outro modo não aprendem. Maltratar é danificar fisicamente uma criança deixando-lhe graves sequelas físicas. A natureza humana impulsiona os progenitores para o cuidado e atenção aos filhos. Os abusos sexuais não existem ou são muito pouco frequentes.

17 Mitos em relação aos maus tratos a crianças: As crianças inventam as histórias sobre abusos sexuais. As vítimas dos abusos sexuais costumem ser adolescentes. O abuso sexual é fácil de reconhecer. Só as raparigas podem ser vítimas de abusos sexual. Algumas crianças são sedutoras e provocantes.

18 Indicadores de situações de maus tratos (distribuir pelos presentes uma lista anexo A do Guia):

19 Risco e perigo no âmbito do sistema de proteção: RISCO situação de vulnerabilidade tal que, se não for superada, pode vir a determinar futuro perigo ou dano para a segurança, saúde, formação, educação ou desenvolvimento integral da criança.

20 Risco e perigo no âmbito do sistema de proteção: PERIGO probabilidade séria de dano da segurança, saúde, formação, educação e desenvolvimento integral da criança, ou já a ocorrência desse dano, quando a situação é determinada por ação ou omissão dos pais, representante legal ou quem tenha a guarda de facto, ou resulte da ação ou omissão de terceiros, ou da própria criança, a que aqueles não se oponham de modo adequado a removê-la.

21 Modelo de avaliação e intervenção em situações de risco e de perigo

22 Prevenção dos maus tratos Mais vale prevenir que remediar A melhor forma de remediar é prevenir Prevenir o quê? Todo o tipo de violência contra as crianças. Porquê? Porque são os direitos da criança que estão a ser violados. Porque é uma responsabilidade e um dever da Sociedade no seu conjunto. Porque é uma responsabilidade de todos nós, adultos.

23 Prevenção dos maus tratos Para quê? Para se criarem condições para a realização plena de cada projeto de vida. Para se promover e contribuir para uma saúde comunitária, familiar e individual. Para se promover uma política integrada de apoios à família. Para se promover uma sociedade mais justa e inclusiva para os mais vulneráveis. Onde? Indivíduo Família Comunidade

24 Prevenção dos maus tratos Quando se fala em prevenção, inevitavelmente, pensa-se em antecipar algo, tratar e atuar antes que algo aconteça, o que implica agir. Prevenir não é só evitar algo, é intervir atempadamente, é apostar num futuro melhor, individual e coletivo, de forma a melhorar o bem estar e a qualidade de vida de muitas pessoas. (D.J.F. Alonso, comunicação pessoal 27 de outubro, 2001)

25 Para prevenir os maus tratos, ou outras situações de perigo (Goleman, 1995) : É preciso formar e informar os mais jovens sobre os problemas quando estão a enfrentá-los. Contudo, na origem de situações de maus tratos está sempre presente, entre outros fatores, um problema de relação entre o adulto e a criança, tornando-se necessária a prossecução de estratégias preventivas que contribuam para a proteção e desenvolvimento harmonioso da criança e que possam reduzir o efeito danoso dessas situações.

26 Prevenção dos maus tratos Segundo Caplan (1964, citado por Ornelas, 2008) existem 3 níveis de prevenção: Prevenção primária ou Universal Prevenção secundária ou Seletiva Prevenção terciária ou Indicada

27 Tipos de prevenção e entidades que a exercem (ECMIJ entidades com competência em matéria de infância e juventude).

28 Princípios orientadores da intervenção no sistema de promoção e proteção de crianças e jovens em Portugal Interesse superior da criança e jovem Privacidade Intervenção precoce Intervenção mínima Proporcionalidade e atualidade Responsabilidade parental Prevalência da família Obrigatoriedade da família Audição obrigatória e participação Subsidariedade

29 Intervenção dos estabelecimentos de educação e ensino Os estabelecimentos de ensino são os locais onde a criança cria relações significativas, não só com os colegas, mas também com outros adultos. Muitas crianças sobrevivem a situações familiares verdadeiramente traumáticas, graças ao apoio emocional recebido de um colega, professor ou outros profissional de educação.

30 Intervenção das escolas Estas crianças apresentam geralmente dificuldades no relacionamento e integração e no seu rendimento escolar, dificultando por vezes a criação de um clima adequado para a aprendizagem quer a nível pessoal quer ao nível do grupo turma. Com efeito, as dificuldades sentidas pelas crianças vítimas de algum tipo de mau tratos, manifestam-se por exemplo, em atrasos no desenvolvimento físico e cognitivo, problemas de relação, por isolamento ou agressividade, e de atenção e concentração, têm consequências que se repercutem no seu rendimento académico e no seu desenvolvimento global.

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34 Prevenção primária articulação entre as escolas, as outras ECMIJ e a CPCJ

35 Prevenção secundária e terciária articulação das escolas com outras ECMIJ ao nível da intervenção de 1ª linha

36 Prevenção terciária articulação entre as escolas e a CPCJ

37 Prevenção terciária articulação entre os tribunais e as escolas

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