Famílias de Sistemas Operativos. Capítulo 2: Introdução ao UNIX. Sistema Linux. Breve História do UNIX

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1 Famílias de Sistemas Operativos Para computadores normais, actualmente, existem duas grandes famílias de Sistemas Operativos: MS Windows (Windows XP, Windows Server 2003) Sistemas Unix (Linux, Solaris, FreeBSD, MacOS X) Capítulo 2: Introdução ao UNIX Linux Prof. Paulo Marques Universidade Nacional de Timor Lorosa e Universidade de Coimbra, Portugal Windows XP 2 Sistema Linux Criado por Linus Torvalds Filosofia Open-Source Todo o código fonte está disponível É completamente gratuito Todas as pessoas podem contribuir Extremamente poderoso, rápido e escalável Tipicamente utilizado em máquinas servidor Por exemplo, o google corre Linux Principais desvantagens... Não é tão amigável como o sistema operativo Windows Linux é um tipo de UNIX Actualmente, o mais popular. No entanto, existem muitos outros. Breve História do UNIX Nos anos 70, Dennis Ritchie e Ken Thompson criam o sistema operativo UNIX Escrito na Linguagem C, criada de propósito para tal. Capacidade de multitarefa Capacidade de múltiplos utilizadores Facilmente portável para outras máquinas O UNIX for criado nos Bell-Labs, nos Estados Unidos Inicialmente distribuído como código fonte Tornou-se um sucesso enorme! 3 4

2 Breve História do UNIX (2) Devido ao sucesso do UNIX, a Bell-Labs resolve torná-lo num produto comercial (início dos anos 80) Licença restritiva e bastante cara Não acessível à maior parte das empresas nem universidades Deixa de estar disponível o código fonte Na Universidade de Berkley, Bill Joy trabalha numa versão do UNIX chamada BSD (1977) Em 1980, a DARPA assina um contracto com Berkley para melhorar o sistema e adicionar suporte para rede Problema do BSD (1980): os utilizadores têm de comprar a licença do UNIX da AT&T Bell-labs! O sistema BSD (Berkley Software Distribution) ainda é muito utilizado actualmente. Versão gratuita: FreeBSD Mais tarde, Bill Joy cria a Sun Microsystems e os sistemas SunOS e Solaris Breve História do UNIX (3) Em 1985, Richard Stallman cria o Projecto GNU (GNU is Not Unix) Objectivo: um sistema UNIX livre para todos Princípios do Open Source Actualmente, os utilitários dos sistemas UNIX correspondem aos que foram desenvolvidos no projecto GNU Em 1987, Andrew Tanenbaum cria o sistema MINIX O código fonte do UNIX não estava disponível e as licenças eram extremamente caras Sistema operativo para ensinar na Universidade, gratuito Sistema operativo para PCs 5 6 Breve História do UNIX (4) Em 1991, Linus Torvalds, um estudante universitário, está muito descontente com os sistemas operativos disponíveis para o seu PC O sistema MS-DOS é seriamente limitado (apenas permite executar uma aplicação de cada vez). O sistema Windows é bastante primitivo e caro. Os sistemas Unix para PC são caros Tanenbaum não quer alterar o MINIX para ser um sistema operativo genérico, com muitos utilitários e aplicações. A filosofia do MINUX é ser um SO de ensino. Linux Actualmente Dos sistemas operativos mais utilizados no mundo inteiro Tipicamente em Sistemas SERVIDOR Completamente gratuito! Como o sistema é baseado no kernel Linux e nos utilitários GNU, é possível criar sistemas com diferentes utilitários e programas. Cada empacotamento diferente corresponde a uma distribuição linux. Existem MUITAS DISTRIBUIÇÕES por onde escolher! Resolve escrever o seu próprio sistema operativo! Assim nasce o LINUX Utilitários do projecto GNU 7 8

3 Sistema Multi-utilizador O sistema UNIX é multi-utilizador Capítulo 2.1: Utilização de UNIX (Linux) Existem dois tipos de utilizadores: Normais, com poderes normais Super-Utilizador, que pode fazer tudo Aceder a todos os directórios, a todos os ficheiros, modificar configurações, etc. Prof. Paulo Marques O super-utilizador dos sistemas unix chama-se root. Universidade Nacional de Timor Lorosa e Universidade de Coimbra, Portugal 10 Entrar no sistema Os sistemas Unix podem funcionar em dois tipos de ecrã: Modo Gráfico Modo de Janelas O primeiro passo para utilizar estes sistemas é fazer o login. Isto é, introduzir o nome de utilizador e password. A Shell Os comandos são introduzidos numa janela, chamada shell Podem-se realizar todos os comandos normalmente disponíveis num sistema de janelas (copiar ficheiros, criá-los, apagá-los, etc.) Principal vantagem: FLEXIBILIDADE! 11 12

4 Para sair do sistema... Em modo gráfico utilizam-se os menus Como obter ajuda? Todos os comandos estão documentados nas páginas de manual (man pages) Para consultar fazer: man comando (tipicamente em inglês) Para avançar de página carregar em ESPAÇO. Para sair, carregar em q Em modo consola utiliza-se o comando logout man ls Comandos básicos ls O comando ls permite listar os ficheiros num directório -l : Listagem longa -a : Listagem completa, incluindo de ficheiros ocultos -R : Listagem recursiva (inclui os subdirectórios) -d : Listagem apenas do conteúdo do directório Comandos básicos ls (2) As opções também podem ser combinadas... ls -la 15 16

5 Como ler o resultado do comando ls Wildcards Grupo de trabalho Dono do ficheiro Tamanho do ficheiro (bytes) Número de ligações ao ficheiro Permissões do ficheiro Indica se é ficheiro ou directório ( - ou d ) Nome do ficheiro Data/hora de modificação 17 Quando se manipulam ficheiros, não é necessário fazer sempre exactamente o nome destes. Existem caracteres especiais que podem representar uma ou mais letras. * representa uma ou mais letras? representa exactamente uma letra [Aa] representa exactamente uma letra, das contidas entre [] Exemplos: ls *.txt lista todos os ficheiros terminados em.txt ls imagem* lista todos os ficheiros começados por imagem ls *paulo* lista todos os ficheiros que contém paulo no nome ls [Ii]* lista todos os ficheiros começados por I ou i 18 Exemplos de wildcards Árvore de directórios Unix Em UNIX, todo o sistema de ficheiros é uma árvore / bin etc home usr var (...) carlos miguel sandra (...) 19 20

6 Árvore de directórios Unix (2) Alguns directórios importantes Navegação na árvore de directórios A raíz da árvore representa-se por / Todos os directórios partem a partir da raíz, utilizando barras para a frente. Por exemplo, o directório do utilizador joao encontrase em /home/joao Alguns ficheiros especiais: O directório corrente é representado pelo ficheiro. O directório acima do corrente é representado pelo ficheiro.. Os ficheiros escondidos começam por ponto (ex:.profile ) Navegação em directórios Exemplo de navegação Para mudar de directório utiliza-se o comando cd cd docs Vai para o directório docs cd /home/joao Vai para o directório /home/joao cd.. Vai para o directório acima do corrente cd../.. Sobe dois directórios cd../casa Sobe um directório e desce para o casa cd ~ Vai para o directório do utilizador corrente cd Vai para o directório do utilizador corrente cd ~/docs Vai para o directório docs do utilizador corrente Para verificar qual o directório corrente, utiliza-se o comando pwd 23 24

7 Ver o conteúdo de ficheiros Para ver o conteúdo de um ficheiro, utiliza-se o comando cat. Ver o conteúdo de ficheiros (2) Existem ainda dois comandos bastante úteis: head -n permite listar as n primeiras linhas de um ficheiro tail -n permite listar as n últimas linhas de um ficheiro tail +n permite listar o ficheiro a partir da linha n O comando less também permite listar um ficheiro, mas fazendo uma pausa em cada ecrã. Para controlar a utilização do less utilizam-se os seguintes comandos: q Termina a visualização u Anda para o ecrã anterior ESPAÇO Avança um ecrã :123 Vai para a linha 123 /casa Procura a palavra casa O comando more permite visualizar um ficheiro página a página, não permitindo no entanto navegar no mesmo Permissões dos Ficheiros e Directórios Visualização das permissões de ficheiros Em UNIX, todos os ficheiros e directórios têm um conjunto de permissões: Permissões para o dono do ficheiro (user) Permissões para o grupo de trabalho (group) Permissões para os restantes utilizadores (others) tipo de ficheiro r w x r x x r w x user group others Para cada conjunto de utilizadores, as permissões podem ser de: Leitura (read) Escrita (write) Execução (execute) No caso dos directórios, leitura significa listar os ficheiros desta; escrita significa criar ficheiros; executar significa entrar nela. 27 As permissões são... O ficheiro exame.doc apenas pode ser lido e escrito por pmarques O ficheiro pauta.txt pode ser lido e escrito por pmarques e pelos utilizadores do grupo profs O ficheiro poema.txt pode ser lido e escrito por pmarques, e apenas lido pelo grupo profs e pelos outros 28

8 Alteração das permissões de um ficheiro Para alterar as permissões de um ficheiro utiliza-se o comando chmod. Dois modos de utilização: amigável e máscara binária No modo amigável: chmod u+rw t.txt dá permissões r/w ao dono do ficheiro chmod o-rwx t.txt retira todas as permissões aos outros chmod a+rw t.txt dá permissões r/w a todos (ugo) chmod go-r t.txt retira a permissão r ao grupo e outros No modo amigável, as permissões dos grupos não especificados são mantidas. Alteração das permissões de um ficheiro (2) No modo máscara binária, as permissões de um ficheiro são especificadas directamente utilizando um número de três algarimos. Este número está na base octal (8) O primeiro dígito representa o dono do ficheiro (u) O segundo dígito representa o grupo (g) O terceiro dígito representa os outros (o) As permissões são especificadas para cada grupo, somando as permissões necessárias: 4 = Leitura (r) 2 = Escrita (w) 1 = Execução (x) Exemplos: chmod 600 t.txt permissões rw chmod 744 t.txt permissões rwxr--r Manipulação de ficheiros e directórios Para criar um directório: mkdir nome mkdir docs cria um directório chamado docs Para remover um directório: rmdir nome rmdir docs remove um directório chamado docs Para copiar ficheiros : cp origem destino cp * ~/tmp copia todos os ficheiros do directório actual para a directório tmp do utilizador cp /tmp/*. copia todos os ficheiros em /tmp para o directório actual Mover ficheiros de um directório para outro: mv origem dest mv * /home/pmarques move os ficheiros para /home/pmarques mv xpto docs move xpto para docs xpto pode ser um ficheiro ou directório docs pode ser um ficheiro ou directório Manipulação de ficheiros e directórios (2) Para apagar ficheiro: rm fich rm xpto apaga o ficheiro xpto rm * apaga todos os ficheiros do directório actual rm *.tmp apaga todos os ficheiros terminados em.tmp Para remover um directório e todo o seu conteúdo: rm -rf docs Apaga directório docs e seu conteúdo Para editar um ficheiros... Os utilitários tradicionais são o vi e o emacs Em Linux: gedit e pico 31 32

9 Redireccionamento de Entrada/Saída Muitas vezes é útil guardar o resultado da execução de um comando num ficheiro Para isso utiliza-se redireccionamento de entrada/saída > redirecciona a saída de um comando para um ficheiro. Caso este já exista é apagado antes do resultado lá ser colocado. >> redirecciona a saída de um comando para um ficheiro. Caso este já exista, o resultado é-lhe acrescentado. Redireccionamento de Entrada/Saída Também é possível redireccionar a entrada: < cat <teste.txt Imprime o conteúdo de teste.txt cat <<. >texto.txt Lê do teclado até encontrar uma linha com um ponto e escreve o resultado em texto.txt Em determinadas ocasiões é útil redireccionar a saída de erro para um ficheiro: 2> find / -name passwd 2> erros.txt Este comando encontra o ficheiro passwd. Todos os directórios que o utilizador não tenha permissão para ver são escritos em erros.txt Para redireccionar a saída normal e a saída de erro utiliza-se &> Exemplo de redireccionamento Contar palavras num ficheiro Para contar o número de linhas, palavras e bytes de um ficheiro utiliza-se o comando wc A opção -l permite contar apenas o número de linhas (útil!) 35 36

10 Encontrar palavras num ficheiro Para mostrar as linhas de um ficheiro que contêm determinada palavra utiliza-se o comando grep grep palavra ficheiro Encontra palavra em ficheiro grep palavra * Encontra palavra nos ficheiros do directório Sempre que é necessário passar uma frase como parâmetro utilizam-se aspas. Expressões Regulares O programa egrep supporta EXPRESSÕES REGULARES Uma expressão regular é algo semelhante a uma wildcard, mas mais poderosa. Numa expressão regular, cada carácter, em geral, vale por si próprio. No entanto, podem-se marcar os carácter com os seguintes classificadores: * Carácter/expressão anterior 0 ou mais vezes + Carácter/expressão anterior 1 ou mais vezes? Carácter/expressão anterior 0 ou uma vezes {N} Carácter/expressão N vezes {N,} Carácter/expressão anterior N ou mais vezes {N,M} Carácter/expressão anterior entre N e M vezes O carácter. significa qualquer carácter Os caracteres colocados entre [] funcionam como opção. Por exemplo [Aa] quer dizer o carácter A ou o a. Podem-se utilizar intervalos, por exemplo: [a-za-z]. Colocando um ^ dentro de parênteses rectos, tal representa uma negação. Por exemplo: [^0-9] quer dizer nenhum carácter que seja um algarismo Expressões Regulares (2) Uma expressão regular é algo semelhante a uma wildcard, mas mais poderosa... As expressões mais complexas podem ser agrupadas dentro de (), valendo como conjunto O carácter significa alternativa Exemplos: egrep Paulo Marques doc.txt Encontra todas as linhas com o nome Paulo Marques egrep [Pp]aulo [Mm]arques doc.txt Encontra todas as linhas com o nome Paulo Marques, estando Paulo e Marques capitalizado ou não egrep 72[0-9]{5} doc.txt Encontra todos os números de telefone de Timor no ficheiro (começam por 72 e têm cinco dígitos) egrep Carlos.* Miguel doc.txt Encontra todos os nomes começados em Carlos e terminados em Miguel egrep (Carlos) (Miguel) doc.txt Encontra todas as linhas que contém ou Carlos ou Miguel Encontrar um ficheiro Para procurar um ficheiro utiliza-se o comando find find DIR -name FIC Encontra todos os ficheiros chamados FIC começando a procurar em DIR find DIR -name FIC -exec COMANDO \; Encontra todos os ficheiros chamados FIC começando a procurar em DIR. Por cada ficheiro encontrado executa o comando COMANDO. No comando, o nome do ficheiro é representar por {}. Exemplo: find. -name *.txt -exec cat {} \; Encontra todos os ficheiros com a extensão.txt do directório corrente e subdirectórios imprimindo o seu conteúdo para o ecrã

11 Encontrar um ficheiro (2) Existe um ficheiro especial chamado /dev/null para onde se pode enviar todo o output que não se necessita Ordenar as linhas de um ficheiro O comando sort permite ordenar as linhas de um ficheiro Por omissão, faz uma comparação letra a letra Para especificar uma comparação numérica usa-se -n Exemplo: Encontrar todos os ficheiros chamados passwd, ignorando todos os ficheiros/directórios cujo utilizador não tenha permissões para ler. find / -name passwd 2>/dev/null 41 Nota: os resultado da ordenação não é guardado! Como o faria? 42 Outras formas de ordenação O comando sort é capaz de processar várias colunas, separadas por um carácter delimitador. Para indicar a coluna utiliza-se a opção -k Para indicar o delimitador utiliza-se a opção -t O delimitador, por omissão, são um ou mais espaços em branco Extrair colunas de ficheiros É muito comum os ficheiros conterem pequenas bases-de-dados separadas por caracteres especiais. O comando cut permite extrair determinadas colunas de um ficheiro. -d indica que o carácter delimitador é o -fn indica que se quer extrair a coluna N Ordena por nomes (texto) Nomes (coluna 1) Ordena por número de aluno (numérico) Número de aluno (coluna 2) 43 44

12 Comunicação Entre Processos Pipes Uma das razões pela qual o UNIX é tão poderoso é devido a ter muitos pequenos utilitários que podem ser combinados. Para encadear dois comandos em que o resultado da execução do primeiro é passado para a entrada do segundo utiliza-se um pipe (barra vertical ). Pipes Alguns Exemplos cat notas_es.txt grep 17 sort Encontra todos os alunos que tiveram 17 e ordena-os por nome. grep Carlos Manuel alunos.txt cut -d -f2 Imprime o número de aluno de Carlos Manuel Sequência de comandos Também é possível mandar executar uma sequência de comandos, sem que a saída de um comando entre no seguinte. Para isso, utiliza-se ; Exemplo: $ ls -l >listagem.txt $ sort -k5 -n listagem.txt >ordenada.txt $ head -5 ordenada.txt >maiores.txt $ tail -5 ordenada.txt >menores.txt Éo mesmo que... $ ls -l sort -k5 -n >ordenada.txt $ head -5 ordenada.txt >maiores.txt ; tail -5 ordenada.txt >menores.txt Ligações simbólicos (links simbólicos) É possível criar ficheiros especiais que representam atalhos para o ficheiro original. Todas as modificações feitas sobre o atalho afecta directamente o ficheiro original. Comando ln -s ficheiro_original nome_link Existem também ligações físicas ou hard links, que são criados sem a opção -s. No entanto, hoje em dia, não são muito utilizados

13 Exemplo de ligações simbólicas Verificar o espaço ocupado Para ver o espaço que um conjunto de ficheiros está a ocupar utiliza-se o comando du (disk usage). -h Formato humano (KB, MB, GB) As alterações feitas sobre o link simbólico são visíveis no ficheiro original e vice-versa Verificar sistemas de ficheiros montados e espaço livre Exemplo de utilização do df e mount Para verificar que sistemas de ficheiros se encontram montados e em que locais da árvore de directórios utiliza-se o comando mount Este comando também permite adicionar novos sistemas de ficheiros à árvore de directórios disponíveis. No entanto, normalmente só o administrador o faz. Os ficheiros especiais /dev/hda, /dev/hdb, etc., representam os discos IDE do computador. Caso tenham um dígito à frente (exemplo: /dev/hda1) então representam uma partição. /dev/sda, /dev/sdb, etc., representam discos/dispositivos SCSI Para verificar o espaço livre nos vários discos/sistemas de ficheiros utiliza-se o comando df -h 51 52

14 Backup e Compressão Backup e Compressão (2) Muitas vezes é útil poder guardar todo o conteúdo de um directório num único ficheiro Por exemplo, para realizar cópias de salvaguarda Para colocar o conteúdo de um directório num ficheiro utiliza-se o comando tar. Por exemplo: tar -cvf documentos.tar docs/* Para restaurar o conteúdo de um desses ficheiros utilizam-se opções diferentes: tar -xvf documentos.tar Normalmente estes ficheiros são comprimidos para guardar espaço: gzip documentos.tar comprime documentos.tar gzip -d documentos.tar.gz descomprime documentos.tar.gz Backup e Compressão Descomprimir e Restaurar Visualizar quais os processos em execução Para ver quais os processos em execução utiliza-se o comando ps. ps mostra apenas os processos do utilizador corrente ps aux mostra uma listagem completa Comandos em Background Quando existem tarefas que demoram muito tempo, é possível colocá-las a executar, ficando o sistemas imediatamente disponível para realizar outras tarefas. Essas tarefas dizem-se em background Para colocar uma tarefa em background basta colocar um & após o comando. Exemplos: cat *.txt >textos.doc & Cria um ficheiro textos.doc com todos os ficheiros.txt do directório corrente find / name *.mp3 -exec mv {} /tmp/mp3 \; & Encontra todos os ficheiros.mp3 no disco e coloca-os em /tmp/mp

15 Comandos em Background (2) Exemplo de utilização É possível interromper a execução de uma aplicação que se encontra a executar. Para isso carrega-se em Ctrl-Z Para continuar a sua execução utiliza-se o comando fg Para continuar a sua execução em background utiliza-se o comando bg Para listar quais os comandos em background utiliza-se o comando jobs Para colocar um comando em background como sendo o comando de topo utiliza-se fg NUMERO_JOB Calendário e Cálculos Outros comandos úteis Calendário: cal [ano] Calculadora: bc -l 59 clear limpar o ecrã whoami saber qual é o utilizador actual ssh máquina abrir uma ligação para outra máquina w ver quais os utilizadores que estão na máquina last ver os últimos utilizadores que se ligaram top ver quais os processos a executar (gráfico) ps [aux] ver quais os processos a executar su - ganhar permissões de super-utilizador wall enviar uma mensagem para todos os utilizadores uname -a ver informações sobre a máquina free ver qual a memória disponível da máquina uptime ver qual a carga da máquina date ver a hora actual sleep N interrompe o processamento durante N segundos touch ficheiro actualiza a data de um ficheiro (criando-o se nec.) diff fich1 fich2 ver as diferenças entre dois ficheiros passwd alterar a password chfn alterar a informação do utilizador kill -9 pid matar o programa c/ o identificador pid 60

16 Algumas teclas úteis CTRL-Z Coloca um processo em background CTRL-C Termina a execução CTRL-D Fim de ficheiro (ou logout) CTRL-A Vai para o início da linha CTRL-E Vai para o final da linha CTRL-S Bloqueia a apresentação de resultados CTRL-Q Continua a apresentação de resultados SHIFT-PGUP Anda um ecrã para cima SHIFT-PGDN Anda um ecrã para baixo TAB Completa um comando/nome ficheiro TAB TAB Vê quais as opções possíveis para completar Último comando introduzido Próximo comando (dos introduzidos) Ficheiro /etc/passwd O ficheiro /etc/passwd contém os utilizadores do sistema O seu formato é separado por :, contendo os seguintes campos: Login Password Encriptada (caso não esteja em /etc/shadow) UID (User ID) GID (Group ID) Nome do utilizador Directório de trabalho Shell a utilizar Ficheiro /etc/passwd (2) Ficheiro /etc/shadow Hoje em dia as passwords são guardadas encriptadas no ficheiro /etc/shadow Apenas o utilizador root o pode ler e manipular Contém a seguinte informação: Login Password Encriptada Dias desde 01/01/1970 desde que a password foi alterada Número de dias até que a password possa ser alterada Número de dias após os quais a password tem de ser alterada Dias de aviso até que a password expire Dias após a password expirar até que a conta seja desabilitada Dias desde 01/01/1970 desde que a conta foi desabilitada Campo reservado 63 64

17 Ficheiro /etc/shadow (2) Grupos Os ficheiros /etc/group e /etc/group- funcionam de forma semelhante ao /etc/passwd e /etc/shadow, mas para grupos de trabalho Processo de autenticação Quando é adicionado um novo utilizador ao sistema, ou quando a sua password é alterada: A password é encriptada de forma irreversível. Tal garante que um agente malicioso que consiga ter acesso ao ficheiro não consegue recuperar a password para aceder a outros sistemas em nome do utilizador. Sempre que o utilizador entra no sistema e introduz a sua password: A password introduzida é encriptada usando o mesmo algoritmo A password encriptada é comparada com a que se encontra em /etc/shadow Caso ambas as passwords sejam idênticas, o utilizador está autenticado e pode ter acesso ao sistema. 67 Prof. Paulo Marques Universidade Nacional de Timor Lorosa e Universidade de Coimbra, Portugal Capítulo 2.2: Introdução à Programação em Shell

18 Programação em Shell Até agora, apenas aprendemos comandos isolados. Muitas vezes é útil poder ter um ficheiro contendo diversos comandos que realizam funções mais complexas A estes ficheiros chamam-se shell scripts Na verdade, existe toda uma linguagem de programação que se pode utilizar nestes ficheiros. Suporte para: Variáveis Testes (if-else) Ciclos (for, while, until, etc.) etc. Existem MUITAS shells. Nós iremos utilizar a bash! Aspecto de um programa em shell script Para executar um shell script, este tem de ser: legível executável hello.sh $ chmod u+rx hello.sh Primeira linha: indica a shell a utilizar Comentários começam com # Atribuição a uma variável Ciclo for com um comando Para executar o script, basta fazer./nome_do_script : $./hello.sh Execução do script Variáveis As variáveis não têm de ser declaradas, basta fazer uma atribuição directa. Atenção: Entre o nome da variável, o sinal de igual, e o valor, não podem existir espaços. nome="paulo Marques" Para se utilizar a variável, basta colocar $nome_da_variável echo $nome É possível colocar numa variável o resultado da execução de um comando ficheiros=$(ls) É possível realizar cálculos quando se faz atribuição de variável e/ou sempre que se utiliza uma referência com $. segundos_num_ano=$((365 * 24 * 60 * 60)) pessoas=10 total=$((pessoas * 4)) 71 72

19 Tipos de Aspas: Plicas ' ' Até agora, temos sempre utilizado plicas (' ') quando é necessário imprimir ou encontrar algo. $ echo 'Olá Mundo!' $ find / -name '*.txt' Tipos de Aspas: Aspas Reais " " Quando se utilizam aspas reais (" "): As variáveis são expandidas (calculadas) $ valor=10 $ echo "$valor sera???" As plicas significam que caso existam variáveis ou strings contendo wildcards, estas não são expandidas $ valor=10 $ echo '$valor sera???' $ echo "Existem $(ls -l wc -l) ficheiros neste directório." Tipos de Aspas: Plicas para atrás ` ` O último exemplo num shell script As plicas para trás são semelhantes a $() Permitem executar comandos Exemplos: lista.sh 75 76

20 Dois pormenores importantes Nota: sempre que é necessário identificar um carácter especial tem de se utilizar \ Por exemplo, para escrever um cifrão tem de se colocar \$. preco=10 echo "Os cartões de telefone custam \$$preco" Em determinadas situações é necessário marcar o nome das variáveis utilizando ${variavel} em vez de $variavel. Exemplo: suponhamos que queremos alterar o nome de um ficheiro acrescentando-lhe _proibido : ficheiro="video.avi" mv $ficheiro $ficheiro_proibido ficheiro="video.avi" mv ${ficheiro} ${ficheiro}_proibido Incorrecto! Correcto! Variáveis Especiais Num shell script, as seguintes variáveis estão prédefinidas: $# Número de parâmetros que foram passados $* Todos os parâmetros $1 Primeiro parâmetro $2 Segundo parâmetro $3 Terceiro parâmetro... $9 Nono parâmetro ${n} A partir do décimo parâmetro Exemplo Condições Mas, como garantir que o programa foi executado com três parâmetros??? 79 Utiliza-se as construções: if comando then comando1 comando2... fi if comando then comando1 comando2... else comandoa comandob... if comando pode ser qualquer comando habitual. Os comandos retornam sempre um valor (código de retorno). O código de retorno é armazenado na variável especial #? É esse valor que é verificado na condição, em que 0 significa bem sucedido. Normalmente, o comando utilizado chama-se test. Esse comando pode ser abreviado utilizando [] No caso de operações com números é habitual utilizar-se (()) 80

21 Agenda revisitada Operadores Quando se utiliza (()) numa condição, os operadores normais, com sintaxe do C, são suportados. Exemplos: if ((x>=10 && x<=20))... if ((x<10 x>20))... if ((x!= 15))... etc. Atenção, como vamos ver a seguir, o comando test não suporta estes operadores! É importante não confundir ((expresão)) com [ expressão ] Testes utilizando Strings Verificar se o utilizador já está introduzido... Quando é necessário testar igualdade ou diferença de strings, utilizam-se [ ] directamente. [ expressão ] corresponde ao comando test expressão Atenção aos espaços Colocar espaços depois de [ e de ] Ver a página do manual de test Exemplo: # lê do teclado para a variável utilizador read utilizador # Vê se é o "grande chefe" ou não if [ "$utilizador" == "root" ] then echo "Bem-vindo grande chefe!" else echo "Bem-vindo mero mortal..." fi 83 84

22 Ou de uma forma mais eficiente... O resultado... Operações com strings: [ string1 == string2 ] Se string1 e string2 são idênticas [ string1!= string2 ] Se string1 e string2 são diferentes [ string1 ] Se string1 não é NULL ("") [ -n string1 ] Se string1 não é NULL ("") [ -z string1 ] Se string1 é NULL Se o grep encontrar uma linha, retorna 0, o que quer dizer que foi bem sucedido. Como não queremos que a linha apareça no ecrã, tanto o output como o erro é enviado para /dev/null. Atenção: valor de retorno é diferente do que os programas escrevem no ecrã!!! Testes com ficheiros [ -f file ] Testa se file é um ficheiro normal [ -d file ] Testa se file éum directório [ -L file ] Testa se file éum link simbólico [ -e file ] Testa se file existe [ -s file ] Testa se file não está vazio [ -r file ] Testa se pode ler de file [ -w file ] Testa se pode escrever em file [ -x file ] Testa se pode executar file Exemplo: find / -name '*.txt' 2>erros.log if [ -s "erros.log" ] then echo "Ocorreram erros ao procurar os ficheiros:" cat erros.log fi Múltiplas condições Infelizmente, o comando test não utiliza a notação normal para os operadores E e OU. E -a (de AND) OU -o (de OR) A negação de uma condição é feita com! Exemplos: if [ "$utilizador" == "root" -o "$utilizador" == "admin" ] Se o utilizador for root OU o utilizador for o admin... if [ -e "$filename" -a -r "$filename" ] Se o ficheiro em $filename existe E é legível... if [! -e "$filename" ] Se o ficheiro em $filename não existe... É no entanto possível utilizar os operadores e && em vários comandos test: if [ "$utilizador" == "root" ] [ "$utilizador" == "admin" ] if [ -e "$filename" ] && [ -r "$filename" ] 87 88

23 Agenda revisitada... A execução Várias condições if/elif/else/fi Por vezes é necessário testar diversas condições. Embora se possa colocar diversos if s encadeados, tal é pouco prático. Para testar múltiplas condições mutuamente exclusivas utiliza-se if/elif/elif/elif/.../else/fi. Exemplo: Várias condições case Para testar se uma variável corresponde a um valor, utiliza-se um case O case é terminado com esac Sempre que uma correspondência é encontrada, são executados todos os comandos até se encontrar ;; * no final serve de condição não cumprida. Exemplo: 91 92

24 Ciclos Existem 3 tipos de ciclos em shell programming: Ciclos FOR: Executam um conjunto de comandos um determinado número de vezes. Ciclos WHILE Executam um conjunto de comandos enquanto uma condição é verdadeira. Ciclos UNTIL Executam um conjunto de comandos até que uma condição se torne verdadeira (i.e. enquanto a condição é falsa). Ciclos for for var in lista do comando1 comando2 comando3... done lista corresponde a um conjunto de palavras separadas por espaços var toma sucessivamente os valores presentes em lista Dentro do corpo dos ciclos pode-se utilizar: break para abortar a execução do ciclo continue para continuar para a próxima iteração do ciclo Ciclos for (Exemplo 1) Ciclos for (Exemplo 2) Como se pode ver, é possível utilizar wildcards num ciclo for! *.sh retorna uma lista com todos os ficheiros que têm a terminação.sh 95 96

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