A necessidade de uma bandeira política de massas

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2 2 sas o recurso à violência por parte das forças populares deve ocorrer em última instância e como uma reação às agressões dos inimigos do povo. Cair em provocações das forças de repressão e cultivar a banalização da violência nas manifestações afasta a classe trabalhadora dos atos de rua. A direita se aproveita das ações violentas e desastradas de pequenos grupos para pedir mais repressão. Aliás, a ação dos Black Bloc s no Brasil é um fenômeno típico de uma sociedade que está em transição para a retomada das lutas de massas. Há uma crise na esquerda brasileira. E o sintoma disso é que grande parte da juventude ainda não tem referência organizativa. No momento em que ocorrer a convergência da jovem classe trabalhadora e da juventude com o prograde 13 a 19 de fevereiro de 2014 editorial A necessidade de uma bandeira política de massas A TRÁGICA MORTE do cinegrafista da Band, Santiago Andrade, atingido por um rojão na cabeça enquanto registrava uma manifestação no Rio de Janeiro, suscita uma justa onda de solidariedade em todo o Brasil. Ao mesmo tempo, a tragédia nos possibilita qualificar o debate sobre as tarefas políticas e as formas de luta adequadas para as forças populares nesse momento histórico. As manifestações de junho, além de possibilitar a elevação da disposição para a luta na sociedade, também abriram espaço para a legitimação da luta popular. Esse patrimônio está em risco. Isto porque ações desastradas e sem o mínimo de preparo têm marcado as manifestações pós-junho de A banalização da ação direta e o recurso à violência muito mais como um fetiche radicaloide do que como O desafio fundamental reside na necessidade de um programa e de uma bandeira política de massas que seja polo aglutinador na sociedade necessidade real da luta política está abrindo espaço para estreitar as margens para o livre exercício do direito de manifestação. A imprensa conservadora aproveita para explorar erros primários como a queima do fusquinha de um trabalhador durante uma manifestação ou a trágica morte do cinegrafista da Band para desconstruir no imaginário popular esta importante herança das manifestações de junho, ou seja, a legitimidade das lutas sociais. Pequenos grupos sem programa e bandeira política, com suas ações supostamente radicais, têm atraído a simpatia de jovens que participaram das manifestações de junho. Todo povo tem o direito de usar o recurso da violência para a defesa de sua soberania nacional. Nas sociedades democráticas de mas- ma histórico das forças populares, tendo como síntese uma bandeira política de massas, certamente o fenômeno Black Bloc perderá espaço na sociedade. O desafio fundamental reside na necessidade de um programa e de uma bandeira política de massas que seja polo aglutinador na sociedade. As forças populares precisam urgentemente atravessar esse rubicão. Caso contrário, perderemos o tempo político e uma onda conservadora poderá varrer nosso país. O momento é propício para avançarmos no desafio da bandeira política. O MST passa pelo seu VI Congresso Nacional e se revigora para seguir em luta. A bandeira política da constituinte para reformar o sistema político tem um enorme potencial diante da crise por que passa sociedade brasileira. opinião Guilherme C. Delgado crônica Luiz Ricardo Leitão Tributo a Eduardo Coutinho Cesse tudo o que a Musa antiga canta, / Que outro valor mais alto se alevanta. (Luís de Camões, Os Lusíadas, canto I) Os 30 anos do MST e a luta pela reforma agrária hoje ENTRE OS DIAS 10 a 14 de fevereiro o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) celebra seus 30 anos de fundação, por ocasião do VI Congresso, que realiza em Brasília. O momento é propício para uma reflexão em perspectiva sobre dois temas conexos questão agrária e reforma agrária, ambos relacionados à estrutura de propriedade, posse e uso da terra. O próprio surgimento do MST no final do regime militar (1984) e primórdios da construção do Estado democrático (1988) é sinal do retorno da questão agrária, declarada ainda no início do ano de 1960, sistematicamente negada pela ditadura militar mediante apelo explícito às armas, por um lado, e ao projeto econômico de modernização conservadora da agricultura, por outro. A questão agrária, politicamente concebida, contém uma proposta de mudança da estrutura agrária, construindo um novo regime de direitos agrários que a Constituição de 1988 adota: 1) princípio da função social e ambiental legitimando o direito de propriedade e toda a política agrária (Art l84-186); 2) designação do estatuto das terras indígenas (Art. 231); 3) normas de preservação ambiental e de designação das terras de reserva florestal (art. 225). Além dessas designações, remanesce um imenso patrimônio de terras públicas devolutas, relativamente descontroladas, correspondente a mais de um terço do território nacional (Cf. IBGE Censo Agropecuário de 2006). Decorridos 25 anos da promulgação da Constituição de 1988 e 30 anos da fundação do MST, o cerne do regime fundiário da Constituição de l988, qual seja a mudança da estrutura agrária, que é também o principal fundamento da reforma agrária, continua sistematicamente negado, agora não mais pelo regime militar, mas pelas forças políticas hegemônicas que construíram nos anos 2000 a Atualmente, são armas ideológicas das mídias e da cultura do agronegócio, apoiadas por forte aparato econômico das cadeias agroindustriais voltadas à reprimarização do comércio exterior, as grandes inimigas da reforma agrária nova modernização conservadora, autodenominada de economia do agronegócio. É bem verdade que sob a égide da Constituição de 1988, e ainda sob pressão constante do movimento social, particularmente do MST, houve uma ação importante de distribuição de terras no nível do governo federal o Programa de Assentamento de Trabalhadores Rurais, formalmente responsável pelo assentamento de cerca de um milhão de famílias em áreas para este fim destinadas, oriundas em sua grande maioria de terras devolutas públicas. Isto evidentemente é uma realidade importante, a ser aprofundada, mas que não toca ainda ao cerne da reforma agrária uma mudança de toda a estrutura agrária nacional (direitos de propriedade, posse e uso da terra), coadjuvada pela ação de redistribuição fundiária, incidente sobre a propriedade fundiária que descumpre a função social e ambiental. A questão agrária em aberto no século 21 é bem mais complexa que aquela que o MST enfrentou nos seus primórdios. Àquela época, o sistema agrário dominante em crise econômica e política (fim do regime militar) resistia às mudanças ao velho estilo (do apelo às armas privadas ou estatais). Hoje, sob a égide do pacto de poder dominante, o processo sistemático de negação à mudança da estrutura agrária, segundo o princípio do próprio regime fundiário constitucional, conta com estratégia concertada, por dentro e por fora do Estado, com vistas a completa mercadorização das terras. Atualmente, são armas ideológicas das mídias e da cultura do agronegócio, apoiadas por forte aparato econômico das cadeias agroindustriais voltadas à reprimarização do comércio exterior, as grandes inimigas da reforma agrária. Ademais, com controle sistemático do Congresso (bancada ruralista), do executivo federal há quatro governos sucessivos e sob o silêncio obsequioso do Judiciário, ou da sua extremamente lenta manifestação, persegue-se um processo gradual de desmonte do regime fundiário constitucional, retroagindo-se à lei de terras de l850. Diante deste quadro complexo, os desafios à reforma agrária são evidentemente outros, que não há espaço aqui para comentar. Mas obviamente não eliminam, ao contrário, exacerbam a necessidade de mudança da estrutura agrária, ora submetida à invulgar cobiça do capital e do dinheiro mundiais, à revelia da função social e ambiental da propriedade da terra. Guilherme Costa Delgado é doutor em economia pela Unicamp e consultor da Comissão Brasileira de Justiça e Paz. DEIXEMOS DE LADO, por ora, os eventos insólitos de nossa tragicômica Bruzundanga. Eu sei que não faltam motes para o cronista, quer sejam as últimas revelações do caso Alstom em São Paulo ou do mensalão tucano em Minas, quer sejam os novos escândalos do playboy Cabral no Rio, que logrou dar um calote duplo no seu amigo de fé Eike Batista e no supertenista Novak Djokovic. Haveria, também, muito a refletir após o lamentável incidente com o cinegrafista da Band na Central do Brasil, durante o ato contra o reajuste das tarifas de ônibus no Rio, um prato feito para que os guardiões da ordem saíssem das tumbas e adejassem o seu udenismo pós-moderno aos microfones. Aliás, por falar em passado, o que dizer do requentado discurso ufanista sobre a Copa? Contudo, hoje é dia de render nossa homenagem ao notável e já saudoso cineasta Eduardo Coutinho, cuja morte trágica e inesperada nos privou da festiva despedida a que ele fazia jus. Seu papel no cinema nacional era ímpar e os pares souberam reconhecê-lo com rara lucidez. Não há ninguém no Brasil que possa ocupar o lugar de Coutinho, declarou, pesaroso, Fernando Meirelles; Foi o maior documentarista brasileiro, subscreveu Cacá Diegues; e mestre Nelson Pereira dos Santos sacramentou: Coutinho era uma unanimidade no Brasil. Talvez seja o nosso maior cineasta. Coutinho era filho de Bruzundanga e, por isso, só a nossa gente bronzeada poderá apreciar o seu valor. Axé, Eduardo! Que todas as entidades de Santo Forte (1999) estejam contigo! Minha geração conheceu-o por meio da obra-prima Cabra Marcado para Morrer (1985). O tom metalinguístico do documentário é uma alegoria única dos anos de chumbo e da resistência popular à ditadura. Iniciado antes do golpe de 1964, o filme pretendia ser uma narrativa da vida de João Pedro Teixeira, líder rural paraibano assassinado em 1962, e um registro sobre a luta das Ligas Camponesas nordestinas. A repressão, porém, interrompeu as filmagens e prendeu boa parte da equipe, de sorte que só duas décadas depois, graças à persistência de Coutinho, foi possível retomar o projeto. A reviravolta histórica inspira, então, um novo roteiro para o diretor, que já não se detém apenas sobre a morte de Teixeira ele sai à procura dos antigos camaradas e, em especial, de Elisabeth, a viúva, que, para preservar a si e aos seus, afastara-se dos dois filhos e vivia clandestina desde a eclosão do golpe. O cineasta a reencontra sob uma nova identidade e promove sua reinserção na cena pública, anistiando-a literalmente do exílio penoso a que fora submetida e rematando com o cinzel da ficção o silêncio que a ditadura impusera nos 18 anos que separam as duas pontas do real. A maturidade chegara e, a partir daí, com a simplicidade dos grandes mestres, ele nos brinda com novos e criativos filmes. Maiakovski dizia que sem forma revolucionária não há arte revolucionária e Coutinho aprimora a cada ano sua técnica para tornar cada vez mais natural a arte de entrevistar para desvelar mundos ignotos, como se vê em Edifício Master (2002) e Jogo de Cena (2007). Se fosse natural da Califórnia, e não de São Paulo, a Academia já lhe teria dedicado um Oscar especial. Mas Coutinho era filho de Bruzundanga e, por isso, só a nossa gente bronzeada poderá apreciar o seu valor. Axé, Eduardo! Que todas as entidades de Santo Forte (1999) estejam contigo! Luiz Ricardo Leitão é escritor e professor associado da UERJ. Doutor em Estudos Literários pela Universidade de La Habana, é autor de Noel Rosa Poeta da Vila, Cronista do Brasil e de Lima Barreto o rebelde imprescindível. Editor-chefe: Nilton Viana Editores: Aldo Gama, Eduardo Sales de Lima, Marcelo Netto Repórter: Marcio Zonta Correspondentes nacionais: Maíra Gomes (Belo Horizonte MG), Pedro Carrano (Curitiba PR), Pedro Rafael Ferreira (Brasília DF), Vivian Virissimo (Rio de Janeiro RJ) Correspondentes internacionais: Achille Lollo (Roma Itália), Baby Siqueira Abrão (Oriente Médio), Claudia Jardim (Caracas Venezuela) Fotógrafos: Carlos Ruggi (Curitiba PR), Douglas Mansur (São Paulo SP),Flávio Cannalonga (in memoriam), João R. Ripper (Rio de Janeiro RJ), João Zinclar (in memoriam), Joka Madruga (Curitiba PR), Leonardo Melgarejo (Porto Alegre RS), Maurício Scerni (Rio de Janeiro RJ) Ilustradores: Latuff, Márcio Baraldi, Maringoni Editora de Arte Pré-Impressão: Helena Sant Ana Revisão: Viviane Araujo Jornalista responsável: Nilton Viana Mtb Administração: Valdinei Arthur Siqueira Programação: Equipe de sistemas Assinaturas: Francisco Szermeta Endereço: Al. Eduardo Prado, 676 Campos Elíseos CEP Tel. (11) / Fax: (11) São Paulo/SP Gráfica: S.A. O Estado de S. Paulo Conselho Editorial: Alipio Freire, Altamiro Borges, Aurelio Fernandes, Bernadete Monteiro, Beto Almeida, Dora Martins, Frederico Santana Rick, Igor Fuser, José Antônio Moroni, Luiz Dallacosta, Marcelo Goulart, Maria Luísa Mendonça, Mario Augusto Jakobskind, Neuri Rosseto, Paulo Roberto Fier, René Vicente dos Santos, Ricardo Gebrim, Rosane Bertotti, Sergio Luiz Monteiro, Ulisses Kaniak, Vito Giannotti Assinaturas: (11) ou Para anunciar: (11)

3 de 13 a 19 de fevereiro de instantâneo Frei Betto Shakespeare e a corrupção UM AMIGO COM QUEM costumo conversar via internet, enviou-me trechos de mensagens que escreveu à sua esposa, que se encontra viajando. Num dos trechos, ele afirma: Quando você voltar desses 40 dias fora do Brasil, encontrará uma situação bem pior do que a que deixou. Houve uma degradação acelerada da política, das posturas, dos ânimos. A grande mídia perdeu qualquer limite dos que ainda lhes restavam. Por parte da esquerda... bem, com a destruição por decisão de alguns dos principais responsáveis pelo PT, fundamentalmente nossos companheiros (...), na primeira metade dos anos 1980, dos meios de comunicação que haviam feito a resistência contra a ditadura, e a política deliberadamente levada a cabo por esses mesmos dirigentes de não construir uma imprensa popular de massa, a defesa contra os atuais ataques da mídia é quase zero. Em minha resposta, comentando esse trecho do seu mail, escrevi: Quanto à degradação acelerada a que você se refere, concordo plenamente, e a tendência é que se aprofunde. (...) Já no que diz respeito à política de comunicação do PT, a questão é mais grave: nosso camarada (...), além do que você cita, argumentava que não havia necessidade do partido gastar dinheiro com Comunicação. Bastava que tivéssemos (entenda: que ele e sua curriola tivessem) alguns contatos de confiança nas Alipio Freire Miserere nobis redações. Doce ilusão de classe! Doce voracidade de poder! Taí no que deu. Mas o que você sequer suspeita é que esse mesmo companheiro (...), traído e abandonado por seus poderosos hoje ex-aliados, há poucos meses reuniu um grupo de tontos, e os convenceu de que o grande problema é o fato da esquerda (leia: ele e os ali reunidos) não ter um jornal, uma imprensa (!!!).Voltaram então suas baterias contra um dos poucos semanários em funcionamento (e que originalmente se propunha construir uma unidade mínima da esquerda), no sentido de destruí-lo, e reabri-lo em seguida, sob nova direção. Certamente, a questão das finanças para tocar o projeto não será problema deve ter dito o novo mecenas com palavras tipo Eu banco, Eu compro. O mais grave é que acabaram por ter o apoio de um bando de oportunistas e, pelo que soube, já providenciaram o desmanche. Ou seja, meu Amigo, (...) fará do tal jornal, o mesmo que fez do PT o que dispensa qualquer comentário. (...) Mas, paro por aqui. Acabo de ouvir na TV o nosso ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar que quem quiser fazer política, que entre num partido e saia candidato. E, como estamos em ano eleitoral (e está em disputa nada menos que a Presidência), vou arregaçar as mangas para eleger os candidatos do partido, para que eles possam continuar a fazer política por nós. Médicos e a Revolução Cubana A OPERAÇÃO ORGANIZADA pela oligarquia do DEM corrompendo a doutora cubana Ramona Rodriguez, que desertou do Mais Médicos para servir a corporação médica empresarial e a direita brasileira, é um fato completamente previsível dentro da luta de classes. Apenas comprova o acerto do governo Dilma em promover o Mais Médicos. Também permite que as forças populares difundam junto à sociedade brasileira uma maior informação sobre o significado da Revolução Cubana e de sua imensa solidariedade internacionalista. As primeiras brigadas médicas cubanas foram enviadas à África e lá estiveram sob comando de Che Guevara. Lutavam contra o colonialismo europeu. Há episódios em que africanos eram operados numa maca de bambu, ao ar livre, com o Che segurando uma lanterna para que cirurgiões cubanos pudessem salvar vidas. Muitos ficavam meses, anos, sem uma notícia de casa. A comida era escassa, chupavam ossos de animais, compartilhando-os com os africanos. O Apartheid e o colonialismo sofreram grande derrota onde estiveram os médicos e as tropas cuba- Beto Almeida nas. Aqui, os defensores do Estado mínimo estão sofrendo importante derrota com a parceria Brasil e Cuba. É urgente que esta cooperação bilateral se estenda aos campos da educação É indispensável divulgar o heroísmo destes médicos. Recentemente, estiveram junto aos afetados pelas enchentes no Espírito Santo e Minas Gerais, ombro a ombro. É essencial, politicamente, que as forças populares divulguem as conquistas da Revolução Cubana e também defendam as parcerias entre Brasil e Cuba, como na construção do Porto de Mariel. Esse porto dinamiza as forças produtivas da Revolução Cubana, e, junto com o Mais Médicos, injeta recursos na agredida economia ilhéu, permitindo que as ações de cooperação de Cuba com outros povos, nas áreas de saúde, educação ou esportes, sejam ampliadas, consolidando uma integração que está em construção. Esse é o desespero do DEM, que defende a bandeira de Menos Médicos para o povo! E vê que o Che já não mais precisa segurar uma lanterna para iluminar uma cirurgia. NÃO SE SABE AO CERTO se Shakespeare é autor de Eduardo III, peça que figura entre seus textos apócrifos. Os críticos, ao menos, estão de acordo que teria ele contribuído para os dois primeiros atos. A peça aborda um tema perene: governantes governam governos e, no entanto, quase nunca sabem se governar. O que fazem os políticos corruptos, todos sabemos. Apenas mudam os tempos e diferem os costumes. Eles abusam da imunidade e da impunidade, praticam o mais descarado nepotismo, usam os serviços públicos como se fossem direitos privados. Compram uma novilha para entrar na maracutaia e vendem a boiada para não sair dela. O rei Eduardo III ( ) criou a Ordem da Jarreteira, a mais antiga e importante comenda britânica, concedida aos que se destacam pela lealdade à coroa. Jarreteira é uma liga azul de prender meias de mulher. O criador da Ordem de tão curioso nome casou-se aos 14 anos com a belga Phillippa, que lhe deu 13 filhos. Mais tarde, apaixonou-se por Joan, condessa de Salisbury, que lhe deu as costas e insistiu em manter-se fiel a seu segundo marido, malgrado o assédio real. Durante um banquete em Calais, em comemoração à posse inglesa da cidade francesa, o rei tirou a condessa para dançar, sob os olhares perplexos da rainha Phillippa e da corte. Súbito, uma das meias de Joan se desatou e desceu ao pé. O rei, sem o menor constrangimento, apanhou a liga azul e a amarrou debaixo de seu joelho esquerdo. Frente ao murmúrio provocado por tão ousado gesto, Eduardo III pronunciou a frase que se tornaria o lema da Ordem da Jarreteira: Honi soit quit mal y pense (Maldito seja quem pensar mal). Vivesse em nossa época, Shakespeare teria à sua disposição vasto material, menos nobre, é verdade, descoroado, pois não convém comparar Eduardo III com senadores que viajam às nossas custas para cuidar da vaidade capilar e nomeiam corruptos notórios como assessores. Feita de barro e sopro, a natureza humana é sempre a mesma. Sendo o sopro de natureza divina, invisível e volátil, como todos os dons que dependem de nossa liberdade de acolhê-los e cultivá-los, fica o barro como o atoleiro no qual metemos as mãos, os pés e a alma. Amolecido pelo dinheiro da corrupção, torna-se ainda mais maleável. O corrompido não passa de argila fresca em mãos do corruptor. A vida extrapola a ficção. Mas quando a repulsa paralisa a plateia, a impunidade campeia Na peça, ao advertir a filha acerca da corrupção no poder, um nobre se expressa em estilo que traz a marca registrada de Shakespeare: (...) o veneno mostrase pior numa taça de ouro; a noite escura parece mais escura ao clarão do relâmpago; os lírios que apodrecem fedem muito mais que ervas daninhas. Nós, brasileiros, já não vivemos numa monarquia, malgrado a pose majestática de alguns de nossos políticos. E nossa República cheira a republiqueta. Em matéria de corrupção distamos, e muito, da taça de ouro, do clarão do relâmpago e dos lírios. Restamnos as ervas daninhas: compra de parlamentares, uso privado do que é público, cartões corporativos jamais transparentes ao contribuinte. Darcy Ribeiro gabava-se, em suas palestras, do direito de plagiar a si mesmo. Todos que falam em público sabem como é impossível ser original a cada vez que se abre a boca. A prova mais contundente de que Shakespeare enfiou sua colher de pau na cozinha de Eduardo III reside no fato de ele repetir literalmente, em seu Soneto 94, a frase os lírios que apodrecem fedem muito mais que ervas daninhas (Lilies that fester smell far worse than weeds). Aliás, em matéria de plágio nossa senatorial maracutaia não fica atrás, noves fora o talento. De voo em voo, a viagem soa a vadiagem. E dinheiro vivo na boca do caixa, mais ignóbil que uma taça de ouro, ou entregue pelo lobista na porta de casa, sem um ramo de lírio. A vida extrapola a ficção. Mas quando a repulsa paralisa a plateia, a impunidade campeia. De cima do palco eles se abrigam na escuridão, protegidos pelo manto da imunidade, posando de vítimas ao relampejar dos holofotes da mídia. Enquanto aqui no andar de baixo somos envenenados pelo cheiro da podridão. Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais, autor de Calendário do Poder (Rocco), entre outros livros. fatos em foco da Redação Escravidão urbana passa a rural pela primeira vez no Brasil O número de trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão em atividades urbanas superou a quantidade de casos ocorridos no campo pela primeira vez desde que dados sobre libertações começaram a ser compilados. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), que sistematizou informações que vão de 2003 a 2013, 53% das pessoas libertadas no ano passado trabalhavam nas cidades. Em 2012, esse percentual foi de 29%. A construção civil foi a maior responsável por isso, sendo o setor da economia brasileira com mais casos de resgates em 2013: foram 866 libertados, ou 40% do total. Em segundo lugar, ficou a pecuária, com 264 (12%). A construção civil já havia liderado em 2012, mas com uma porcentagem bem menor: 23%. A pecuária, no entanto, encabeça o ranking se contabilizados os casos desde 2003, com 27% das ocorrências, seguida pela cana, com 25%. Chama a atenção o fato de que 24% do total das libertações tenham ocorrido no estado de São Paulo. Movimentos sociais fazem plenária de campanha por democratização No dia 7 de fevereiro, organizações de nove Estados participaram da sua primeira Plenária Nacional de 2014 da Campanha para Expressar a Liberdade Uma Nova Lei para um Novo Tempo. O evento ocorreu na sede do Sindicato dos Jornalistas, na capital paulista. O objetivo é avaliar o andamento das ações da campanha em 2013 e definir os rumos da luta este ano. A secretária nacional de Comunicação da CUT e coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Rosane Bertotti, afirma: Durante todo o ano de 2013, a sociedade se organizou para divulgar e coletar assinaturas do projeto da Lei da Mídia Democrática e levar o debate às ruas. Agora, vamos reivindicar que a democratização da comunicação faça parte das plataformas das campanhas eleitorais. Terceirizados protestam contra morte na Usiminas Os trabalhadores de empreiteiras da Usiminas, em Cubatão (Baixada Santista), protestaram, no dia 7 de fevereiro, contra a morte do soldador Paulo Dias de Moura, de 58 anos. Ele morreu dia 29 de janeiro, após cair de uma plataforma de 30 metros de altura. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, Montagem de Manutenção Industrial (Sintracomos), Macaé Marcos Braz de Oliveira, já denunciou a insegurança ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e pretende levar o caso à Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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6 6 de 13 a 19 de fevereiro de 2014 brasil Hora de pisar no acelerador da política externa ativa e altiva OPINIÃO O investimento prioritário do Brasil deve ser na região e no sistema multilateral Ricardo Stuckert/PR Fátima Mello A ERA LULA-AMORIM deixou um rico legado para o Brasil. Em menos de uma década, o país se distanciou de sua posição subalterna e passou a jogar na primeira divisão do sistema internacional. O cenário era favorável: a valorização das commodities impulsionava o crescimento e permitia alguma distribuição da renda; os EUA direcionavam suas prioridades para a agenda da guerra, enquanto na América Latina um novo ciclo político se abria, com a eleição de governos que recusavam os mandamentos do chamado Consenso de Washington, reinantes nos anos de Os emergentes apresentavam taxas surpreendentes de crescimento e passavam a atuar de forma coordenada em fóruns econômicos, despontando também como potenciais atores políticos. Lula e Amorim souberam surfar nessa onda. Apostaram no fortalecimento da articulação regional, nas coalizões Sul-Sul, disputaram protagonismo com as potências tradicionais em instâncias multilaterais, na cooperação internacional e até mesmo em agendas de gente grande, como no Oriente Médio. Já o governo Dilma enfrenta um cenário espinhoso. A crise iniciada em 2008 ditou o novo rumo da inserção externa do país. A retração nos países centrais reduziu a demanda e encerrou o tempo das vacas gordas. Os emergentes desaceleraram seu ritmo de crescimento. Na Europa, a voracidade do sistema financeiro debilitou conquistas democráticas e do Estado de bem-estar. O multilateralismo passou a ser ainda mais desprezado e os acordos bilaterais e birregionais voltaram com força ao centro da agenda de comércio e investimentos. Teses do receituário privatizante dos anos de 1990 que levaram países a bancarrota voltaram ao debate com ares de salvadores. A esperança é que os trabalhadores dos países envolvidos sejam capazes de resistir a mais este rebaixamento de seus direitos e ao ataque aos direitos dos que serão impactados pelas transnacionais norteamericanas e europeias Hoje, Europa e EUA negociam um mega acordo de livre comércio que inclui as áreas de bens, serviços, investimentos e harmonização de regras. Se aprovado, redefinirá um novo protagonismo das potências tradicionais na ordem global. A esperança é que os trabalhadores dos países envolvidos sejam capazes de resistir a mais este rebaixamento de seus direitos e ao ataque aos direitos dos que serão impactados pelas transnacionais norte-americanas e europeias. Ao mesmo tempo, os EUA também desenham um novo e importante componente da geopolítica por meio da Parceria Trans- Pacífica. Frente a esta onda, Dilma optou pelo recuo da bem sucedida política ativa e altiva construída por Lula e Amorim. Tem dado sinais de que para ela não No plano regional, é preciso apoiar o fortalecimento dos vizinhos e investir nisso. Nosso destino está inexoravelmente ligado ao deles é hora de fazer política nem de seguir disputando a vaga de titular na primeira divisão. Seria hora de se defender, acenando ao rentismo e às grandes potências que o Brasil não quer voar alto nem fazer nada que os ameace. À Carta aos Brasileiros II, anunciada em Davos, se seguiu uma participação de baixo perfil na CELAC, onde reafirmou o compromisso com a integração regional, porém sem expressar uma vontade política comprometida com uma agenda mais estratégica e à altura da importância da Cúpula em Havana. Nada que cutuque os EUA, nada que coloque força política pra valer na articulação com os vizinhos. O Brasil voltou a apostar nas negociações entre Mercosul e União Europeia, que desde 2004 estavam paralisadas pela avaliação de que o livre acesso de grandes corporações europeias ao espaço do Mercosul seria devastador para o projeto de desenvolvimento do bloco. Dilma delegou ao setor empresarial um amplo poder nas decisões sobre importantes áreas da política externa, como é o caso da crescente cooperação brasileira. Uma exceção a esta postura defensiva e favorável às teses privatizantes foi seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2013, onde reagiu à altura da agressão ao escândalo da espionagem da NSA, ao que se seguiu importante iniciativa de apresentação, junto com a Alemanha, de proposta de governança democrática da internet e de direito a privacidade. Recuou, porém, frente ao pedido de asilo a Snowden. Esta postura coloca em risco o legado da era Lula-Amorim. Frente ao cenário adverso há que se investir em caminhos. A saída é pela política, e não pela administração da crise em patamar defensivo. No plano das relações Sul-Sul, ainda há um longo percurso até que coalizões como os BRICS possam se consolidar - seus membros guardam ampla heterogeneidade de sistemas políticos, volume e perfil de suas economias, relação com seus entornos regionais, o que torna complexa e demorada a construção de um nível suficiente de coesão que permita ao bloco tornar-se uma força contra-hegemônica de fato. Sem a China e a Rússia, coalizões como o IBAS (Índia, Brasil, África do Sul) são mais homogêneas, porém sem a força econômica suficiente para terem peso na ordem global. Por isso o investimento prioritário do Brasil deve ser na região e no sistema multilateral. No plano regional, é preciso apoiar o fortalecimento dos vizinhos e investir nisso. Nosso destino está inexoravelmente ligado ao deles. Há que se jogar Assessoria CNTSS/CUT Conferência Nacional sobre Política Externa realizada em julho de 2013 na Universidade Federal do Grande ABC Lula e Celso Amorim em viagem à África, em 2007 força na ação coletiva regional, na coordenação e harmonização de políticas, na integração entre cadeias produtivas e na integração social, política, cultural e comercial. Mercosul, Unasul, CELAC e demais arranjos institucionais precisam ser turbinados e valorizados. No plano global, o caminho deve ser o do reforço ao multilateralismo. Se o Brasil aposta nas regras da OMC apesar de serem injustas e pró-transnacionais, não deveria investir no avanço das negociações para um acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que mina ainda mais a relevância da OMC. No tema crucial da espionagem e do direito à privacidade, conceder asilo a Snowden será um passo decisivo para consolidar a liderança global do país numa agenda que se tornou prioritária para a comunidade internacional. O ideal é que o Brasil esteja ancorado no apoio do sistema multilateral, de países chave, e em especial da América do Sul o que poderia inclusive tomar a forma da concessão de asilo coletivo. Uma excelente notícia esta sim, um avanço louvável da era Dilma é a atual disposição do Ministério das Relações Exteriores de acolher as pressões da sociedade pela criação de mecanismos institucionais de transparência e diálogo com a sociedade. Desde 2003 existia a demanda pela criação de um Conselho Nacional de Política Externa, que agora começa a ser efetivado graças ao trabalho do Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais (GR-RI) - integrado por pesquisadores, militantes sociais e partidários - que organizaram uma importante conferência em julho de 2013 e fez convergir esforços para tornar a criação do Conselho uma realidade e uma conquista histórica. A política externa é o espelho das opções, conflitos e projetos nacionais de desenvolvimento. Oxalá a opção brasileira aquela que saiu vitoriosa das urnas que elegeram Dilma há quatro anos seja a de promover desenvolvimento com justiça social e ambiental, democracia substantiva e direitos humanos. No mundo de hoje, esta opção requer ir à luta na política internacional. Fátima Mello é da FASE Solidariedade e Educação. Integra a Rede Brasileira Pela Integração dos Povos (Rebrip) e o Grupo de Refl exão sobre Relações Internacionais (GR-RI).

7 brasil de 13 a 19 de fevereiro de Legado pra quem? ATINGIDOS PELA COPA Cinco histórias de vitórias populares contra violações aos direitos à cidade, à moradia, ao trabalho, à cultura e ao esporte durante os preparativos da Copa Jessica Mota, Luiza Bodenmüller e Natalia Viana NÃO FAZ MUITO tempo que a palavra de ordem Não vai ter Copa surgiu nas manifestações que denunciam os impactos sobre a população e questionam o legado da Copa do Mundo de Com outras faixas, como Copa pra Quem?, há três anos as organizações populares das 12 cidades-sede vêm denunciando as remoções de comunidades, questionando a construção de obras contrárias ao interesse público e reivindicando o direito da população de trabalhar em áreas sujeitas às exigências da Fifa. Protestos, abaixo-assinados e ações judiciais foram instrumentos capazes de trazer a vitória da população organizada em alguns desses casos e essas conquistas talvez sejam o principal legado que a Copa deixará para o Brasil. Recuperamos cinco dessas histórias. Vladimir Platonow/ABr Natal: projeto de tráfego alternativo poupa a comunidade Em Natal, o projeto foi revisto após pressão popular e evitou despejos. O que eu aprendi? Aprendi que temos direitos, resume a professora de geografia Eloísa Varela, que morava e ainda mora ao longo da Avenida Capitão-Mor Gouveia, no bairro de São Domingo, zona oeste de Natal. Em agosto de 2011, ela recebeu uma notificação da prefeitura avisando que seria removida da casa onde vive há 21 anos. De início a pessoa se aperreia com a história que vai perder a casa, tem toda a questão do lugar, de se reconhecer nele e perder os laços estabelecidos ali, lembra. Cerca de 250 famílias residentes ao longo da avenida, que liga o aeroporto ao estádio Arena das Dunas, receberam o mesmo papel com a sentença que abateu Eloísa. Tinha gente que vivia lá há 40 anos, ela diz. Eloísa começou a participar dos encontros do Comitê Popular da Copa, que reuniam moradores, arquitetos, urbanistas, advogados. Juntos, viram a luz no fim do túnel: Estudando o projeto, começamos a ver que a obra em si estava irregular: não atendia aos parâmetros do plano diretor, não houve audiência pública, não havia a licença ambiental A gestão simplesmente decidiu que ia ser esse o projeto e avisou o povo Para entrar na Justiça contra o projeto, formalizaram a criação da Associação Potiguar dos Atingidos pela Copa (APAC). Mas o mandado de segurança impetrado para impedir o início das obras foi negado pelo juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública de Natal em março de Resolveram tentar outro caminho. No começo a gente só estava pensando em ações legais. Até que um morador propôs: por que não montamos um projeto alternativo?, lembra Eloísa. O projeto oficial previa, como principal mudança naquele trecho, o alargamento da avenida o que provocaria as remoções para acelerar a ligação entre o aeroporto e o estádio Arena das Dunas, já conectado ao parque hoteleiro na via costeira. Depois de estudar o tráfego da região, o grupo chegou a um modelo em que vias paralelas à avenida também seriam utilizadas para o deslocamento, sem necessidade de alargá-la. O projeto foi entregue para representantes da prefeitura em uma audiência pública em maio de 2012 e, em agosto, a Secretaria de Planejamento Municipal de Obras Públicas passou a discutir alternativas. Mas, com a prefeita Micarla Araújo de Sousa (PV) em fim de mandato, parecia difícil o projeto sair do papel. Os moradores passaram a pressionar os candidatos em campanha, ávidos por apoio e generosos nas promessas, e conseguiram arrancar de dois deles o compromisso de, se eleitos, rever o projeto. Ao tomar posse, o novo prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT) revogou os decretos de desapropriação e chamou o comitê para uma reunião. Pediu que a proposta fosse reapresentada formalmente. Fortaleza: 22 comunidades em luta Em Fortaleza, 22 comunidades se uniram contra o VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos) e ainda resistem. Em meados de 2010, os moradores da comunidade Caminho das Flores, no bairro de Parangaba, foram visitados pelos técnicos contratados pelo governo estadual para fazer o cadastro das 45 famílias residentes na única rua da comunidade. O motivo? A 18 metros dali, passaria o primeiro trecho do VLT, que ligaria o oeste de Fortaleza ao Porto de Mucuripe a um custo estimado de R$ 265,5 milhões, bancados pela Caixa Econômica Federal e o governo estadual. A notícia veio tão abrupta quanto desencontrada; os moradores não ouviram falar mais da obra até o final de 2012, lembra Thiago de Souza, morador e integrante do Comitê Popular da Copa de Fortaleza: Foi aí que o governo fez uma reunião com a gente para explicar o que seria feito. A faixa de 7 metros, que teria de ser cedida para o novo VLT, significava que boa parte das casas seria comida pelas desapropriações. No meu caso, por exemplo, meu terreno tem 135 metros. Eles queriam desapropriar 35. Foi aí que a comunidade resolveu se organizar e se juntar a outras 21 comunidades que passavam por uma situação semelhante. As 22 comunidades existem há mais de 50, 60 anos. E o governo num passe de mágica quer acabar com elas, resume Thiago. A gente foi atrás quando a coisa esquentou para a gente, lembra ele, apontando por exemplo que o projeto do VLT não havia sido apresentado aos moradores. Junto com as outras comunidades, eles entraram em contato com o Escritório de Direitos Humanos e Assessoria Jurídica Popular Frei Tito de Alencar, que contatou a Defensoria Pública. A gente só conseguiu ver o projeto mesmo depois que a Defensoria entrou com uma ação civil pública exigindo que fossem respeitados os nossos direitos. Houve três audiências na qual a Defensoria mediou as negociações com o governo estadual. O resultado, no caso da Caminho das Flores, é que o terreno a ser desapropriado foi bastante reduzido, e os moradores conseguiram reconstruir suas casas no próprio terreno, com maior recuo. Na comunidade Lauro Vieira Chaves iam ser 200 famílias removidas e conseguimos reduzir para 50. Na Alcir Barbosa também, iam ser mais de 200 e conseguimos abaixar para 50 famílias removidas, comemora Thiago. O Comitê segue em negociação, e pretende reverter mais remoções forçadas na área do VLT. Salvador: baianas usam internet no lobby contra a FIFA No dia 5 de abril de 2013, cerca de cem baianas paramentadas tomaram a entrada do Estádio Fonte Nova, em Salvador, durante a cerimônia de inauguração da arena, com a presença da presidenta Dilma Rousseff, do governador da Bahia, Jaques Wagner, e do prefeito da capital baiana, ACM Neto. Levamos tabuleiro, distribuímos acarajé de graça, 200 camisas do Vitória e do Bahia, e outras falando A Fifa não quer acarajé na Copa, conta Rita Santos, presidente da Associação das Baianas de Acarajé. O protesto bem humorado foi motivado pelas normas da FIFA para a venda de alimentos nos estádios durante os jogos da Copa do Mundo que, na prática, impediam que as baianas vendessem o quitute tradicional, considerado patrimônio imaterial do Brasil. Além dos tabuleiros, as baianas traziam um abaixo-assinado com mais de 17 mil nomes. Foi a cartada final Os feirantes da tradicional Feira de Artesanato do Mineirinho, o estádio Jornalista Felipe Drumond, em Belo Horizonte, também tiveram que lutar muito foram seis meses de protesto para obter um desfecho favorável de sua causa. Entre 2011 e abril de 2013, a feira que acontecia todas as quintasfeiras e domingos, dentro do estádio, foi fechada para dar lugar às estruturas temporárias da Copa das Confederações. Rumores de que esse fechamento seria permanente ameaçavam 400 expositores e cerca de 4 mil empregos indiretos gerados por esse comércio. A solução foi ir às ruas ou melhor, ao estádio. A AEFEM continuou indo ao Mineirinho todas as quintas e domingos, no horário da feira, pedindo a nossa volta, lem- No dia 29 de julho de 2013, o governador Sérgio Cabral anunciou pelo Twitter: Tenho ouvido muitas manifestações em defesa da permanência do Parque Aquático no complexo do Maracanã. Coaracy [Nunes, presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos] me disse que o governo com isso estaria atendendo à natação brasileira. Diante disso, o Júlio de Lamare [nome do parque] está mantido. Os tweets marcavam uma recuada e tanto do governo Cabral, amplamente comemorada pelos que protestavam contra a destruição do complexo: além do parque aquático, a sede do ex-museu do Índio, ocupada por representantes de várias nações indígenas, o estádio de atletismo Célio Barros e a Escola Municipal Friedenreich, estavam igualmente condenados à demolição. Policiais do Batalhão de Choque retiram manifestantes do prédio do antigo Museu do Índio, ao lado do Maracanã de uma campanha de advocacy, um lobby do movimento popular, que envolveu contatos com políticos e uma estratégia de apoio da população que atraiu a atenção e a simpatia da imprensa nacional e internacional. A carioca Rita Santos, mãe do goleiro Felipe, do Flamengo, gosta de contar a história que terminou com a vitória das baianas. Foi um jornalista que a preveniu de que as regras da FIFA para a venda de produtos nos estádios e em seu entorno exigiam uma licitação, de burocracia inalcançável para essas trabalhadoras autônomas. A resposta da FIFA: todas as lanchonetes poderiam vender acarajé desde que vencessem as licitações. A gente disse que não, que a gente não queria ser empregadas da empresa, queria trabalhar por conta própria, como sempre trabalhamos, diz Rita. A Dona Norma, a Solange, a Meireja- ne trabalham em todos os jogos. A Dona Norma trabalha lá há mais de 50 anos, explica Rita. Foi por causa dessas três que eu comecei a brigar. O abaixo-assinado foi entregue a um assessor do gabinete da presidência da República durante a inauguração, quando as baianas foram convidadas de última hora a entrar no estádio. Pouco depois, Rita foi chamada pelo secretário Especial para Assuntos da Copa: a FIFA tinha autorizado as baianas a trabalharem na Arena na Copa das Confederações. Apesar de a vitória ter alcançado notoriedade internacional afinal, foi uma das poucas vezes em que trabalhadores conseguiram mudar uma determinação direta da FIFA Graziela lamenta que a entidade jamais tenha declarado publicamente ter mudado sua posição. Eles não queriam dar a vitória como fruto de pressão popular, diz Graziela. Belo Horizonte: a persistência dos feirantes do Mineirinho bra. A gente tinha umas 100 pessoas a cada dia com faixas, cartazes, panfletos. A gente vendia bala no sinal, conversava com o pessoal, contava o que estava acontecendo. A convite do Comitê Popular dos Atingidos Pela Copa (COAPC), os feirantes ampliaram sua presença nas ruas, durante as primeiras manifestações massivas na cidade, que recebia a Copa das Confederações em junho. Foi quando o governo do Estado procurou o Comitê Popular dos Atingidos Pela Copa (COAPC) e a AEFEM para conversar. Fomos chamados para uma reunião com o governador sobre segurança nas manifestações. Foi aí que conseguimos marcar outra reunião para falar das demandas da população, entre elas a da feira do Mineirinho. Pouco depois, a sorte virou. Foi no dia 25 de Julho não esqueço que a gente recebeu a resposta do Ronaldo Pedron, assessor do Governador, de que poderia voltar a um espaço provisório, e depois da Copa ganhar um espaço efetivo [no Mineirinho], lembra Thereza. Os feirantes retornaram no fim de 2013, e hoje ocupam o primeiro andar do estádio. Estamos gostando bastante. A feira fica mais compacta, mais fluida, é mais fácil para as pessoas verem a feira toda. Agora, eles brigam para que esse acordo seja assinado com a nova empresa concessionária do estádio. Já avisamos que só vamos sair [para a Copa] quando tivermos em mãos o contrato assinado. Não há ainda data para a nova licitação. Rio de Janeiro: o Maraca é nosso, o Maraca é deles A suspensão das demolições vinha sendo reivindicada pelo Comitê Popular da Copa no Rio de Janeiro um dos mais ativos do Brasil desde 2012, mas os tweets do governo vieram em um momento em que o Rio estava sob a intensa agitação das manifestações que começaram em junho e se prolongaram por meses. A revolta contra a descaracterização do Maracanã pelas obras da Copa era uma das bandeiras que unia os cariocas bem antes dos protestos de junho, como explica Gustavo Mehl, membro do Comitê Popular e apaixonado pelo Maraca. O Maracanã resumia o que estava acontecendo na cidade: o processo de privatização, autoritarismo, falta de interlocução com a sociedade civil, remoções, expulsão dos pobres, elitização dos espaços. Mas a partir de 2012, o Maracanã vira um símbolo de luta. Embora Sérgio Cabral tivesse anunciado que não iria demolir o prédio do Museu do Índio já em janeiro, o governo insistiu em retirar os indígenas dali, para dar outra finalidade a ele. Por isso, em 22 de março de 2013, policiais militares invadiram a Aldeia Maracanã usando bombas de gás lacrimogêneo contra índios e ativistas para desocupar o espaço. A truculência dos policiais foi denunciada na Organização das Nações Unidas (ONU) pela ONG Justiça Global. Segundo Carlos Tukano, um dos representantes indígenas, o prédio está agora em reformas e será transformado em um Museu Vivo da Cultura Indígena, a ser concluído em agosto de Mas eles pretendem voltar a expor seu artesanato no local a partir de abril e ali permanecer durante a Copa do Mundo. (Agência Pública)

8 8 de 13 a 19 de fevereiro de 2014 brasil Mística de abertura resgata a história de 30 anos do MST ORGANIZAÇÃO Começou oficialmente, na manhã de segunda-feira, 10 de fevereiro, o VI Congresso Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O evento se encerra na sexta-feira, 14 de fevereiro Leonardo Melgarejo Pedro Rafael Ferreira de Brasília (DF) UMA HISTÓRIA que não cabe num livro. A não ser que esse livro seja tão grande quanto os sujeitos que sabem escrever sua própria história. E das páginas gigantes de um livro, abertas diante de 15 mil pessoas, saltaram lembranças de uma trajetória singular de luta política e social no Brasil. Assim, começou oficialmente, na manhã de segunda-feira, 10 de fevereiro, o VI Congresso Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O evento se encerra na sexta-feira, 14 de fevereiro. A mística de abertura, sempre um momento muito aguardado pela carga de energia que libera, emocionou as milhares de pessoas que lotaram o ginásio Nilson Nelson, em Brasília (DF). Homens, mulheres, jovens e crianças, oriundos de 23 estados e do Distrito Federal, e mais de 200 convidados internacionais assistiram ao povo virar as páginas de um processo de rara importância histórica. Organizada pela coordenação estadual do MST do Paraná, um berço histórico do movimento, a mística envolveu mais de 1,5 mil participantes e foi dividida em cinco atos. Cada ato era anunciado pela página de um enorme livro, de aproximadamente quatro metros de altura, cujas páginas só eram viradas por meio do esforço coletivo. Pablo Vergara A história é contada a partir da década de 1980, quando o governo militar, nos seus estertores, ainda tenta infligir o povo. Operários e trabalhadores urbanos, indígenas e camponeses sem-terra, no campo e na cidade eclodem em novas organizações Da repressão militar à organização no campo A história é contada a partir da década 1980, quando o governo militar, nos seus estertores, ainda tenta infligir o povo. Operários e trabalhadores urbanos, indígenas e camponeses sem-terra, no campo e na cidade eclodem em novas organizações. O Estado repressor, com seus militares, do outro lado, tenta se impor. O povo é mais forte, expulsa as forças armadas do poder. A população do campo volta a se organizar. Nasce o MST, em Corpos pintados, agora os sujeitos da história escrevem, eles próprios, o seu destino. Sob o lema: ocupar, resistir e produzir, os trabalhadores sem-terra passam a romper, literalmente, por meio das ocupações de terra, a cerca do latifúndio. A luta pela reforma agrária é retomada com muita força na agenda política do país. O MST inaugura uma forma de organização de caráter popular, baseada em quatro pilares fundamentais: direção coletiva, unidade, vínculo com a base e estudo e trabalho. Essa configuração torna o movimento uma referência de luta política. Destemidos, mas temidos pelas forças dominantes. Luta e resistência As ocupações de terra, gesto político e ação transformadora. O poder econômico não podia tolerar e a resistência física irrompe por todo o país. Rajadas de metralhadora atingem corações, mas o povo junto sempre de pé: nossos nervos são de gelo, mas nossos corações vomitam fogo. Os companheiros que morreram no sangue seguem eternos na lembrança. Como esquecer os massacres de Carajás, Corumbiara e Felisburgo, ou a luta de companheiros e companheiras como Roseli Nunes, Dorcelina Folador, Fusquinha, Keno, Cícero, Egídio Bruneto e muitos outros e outras... Pablo Vergara Pablo Vergara A população do campo volta a se organizar. Nasce o MST, em Corpos pintados, agora os sujeitos da história escrevem, eles próprios, o seu destino Solidariedade A presença de mais de 200 convidados internacionais é um indicativo do apoio, prestígio e, principalmente, solidariedade que o MST desperta em várias partes do mundo, mas também entre outras organizações populares do país. Bandeiras dos países latinoamericanos, africanos, europeus, os povos camponeses articulados em torno da Via Campesina. O MST reafirma sua luta e vocação internacionalistas como página fundamental de sua história. A solidariedade é o cimento da construção do nosso movimento, estabelecida com outros povos do Brasil e do mundo. Precisamos dela para enfrentar o capital transnacional do agronegócio e lutar por outro modelo de agricultura, afirmou na saudação do congresso Diego Moreira, membro da direção nacional do movimento. Na verdade, o encontro, que vai até sexta-feira (14/02), começou mesmo há pelo menos dois anos, com discussões e reflexões que conduziram o principal movimento de massas do país a orientar suas forças em favor da reforma agrária popular, tema do último ato da mística. Que esta reforma agrária popular devolva ao povo os bens mais preciosos do planeta, que não pertencem aos indivíduos: a água, o ar, a terra sadia, as sementes, as florestas. Democratizar o acesso à terra, mas transformar o modelo econômico que destrói a terra. É dessa forma que o MST se olha e renova e amplia os compromissos com a defesa da soberania alimentar, a produção de alimentos saudáveis, a agroecologia, a preservação da natureza, o direito dos povos indígenas e quilombolas. Igualdade entre homens e mulheres, liberdade para a juventude. Leonardo Melgarejo Pablo Vergara

9 cultura de 13 a 19 de fevereiro de Coletivos artísticos reeditam Feira Paulista de Opinião ARTES Vinte grupos teatrais, além de músicos, cartunistas e coletivos audiovisuais, se reúnem com veteranos da resistência à ditadura militar para pensar sobre o Brasil de hoje Divulgação Eduardo Campos Lima de São Paulo (SP) A COMPANHIA Antropofágica realiza, nos dias 15 e 16 de fevereiro, a II Feira Paulista de Opinião ou I Feira Antropofágica de Opinião, no Tendal da Lapa, em São Paulo. Vinte grupos premiados do teatro paulista se reunirão com músicos, coletivos audiovisuais e cartunistas para responderem todos, com suas obras, a mesma questão: o que pensa você do Brasil hoje? O evento será uma reedição, preparada mais de 40 anos depois, da Primeira Feira Paulista de Opinião, organizada em 1968 pelo Teatro de Arena de São Paulo e dirigida pelo teatrólogo Augusto Boal. A Primeira Feira foi um marco na resistência à ditadura militar, congregando alguns dos principais dramaturgos, compositores e artistas plásticos do período em uma mesma frente política. Veteranos do evento, como Cecília Thumim Boal, Sérgio Ricardo, Umberto Magnani e Mário Masetti, integrarão a nova edição. As intervenções artísticas partirão de questionamentos políticos e estéticos imbricados na I Feira, mas em diálogo com aspectos contemporâneos. A ideia é proporcionar uma tensão que pode revelar contradições e apontar os novos caminhos que devem ser enfrentados no campo da política e da estética, apresenta Thiago Vasconcelos, diretor da Antropofágica. Da mesma forma que a Primeira Feira propôs uma reflexão sobre a arte de esquerda, ocasionando a discussão dos diferentes projetos estéticos e políticos então existentes e a necessidade de unificação na luta contra a ditadura, a Feira Antropofágica busca compreender a quantas anda a arte engajada dos dias atuais. É necessário refletirmos sobre os caminhos e impasses da arte de esquerda que se produz hoje, no atual cenário brasileiro, aponta Vasconcelos. A experiência de artistas militantes dos anos 1960 como subsídio para pensar os caminhos para a transformação social Primeira Feira Em 1967, com a percepção de que o teatro ficava cada vez mais isolado após o golpe militar, o dramaturgo Lauro César Muniz teve a ideia de fazer uma encenação, com contribuições de diferentes dramaturgos, sobre a conjuntura política. Propus a José Celso Martinez Corrêa [diretor do Teatro Oficina] fazer uma montagem chamada Os sete pecados capitalistas. Ele topou e fizemos uma reunião com os dramaturgos que estavam em mais evidência na época, narra. Os dois reuniram-se, no fim do ano, com Plínio Marcos, Bráulio Pedroso, Jorge Andrade, Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal que imediatamente compreendeu o acerto político da proposta, comprometendo-se a assumir a tarefa com o Teatro de Arena de São Paulo. Era um desafio à censura reunir os principais autores paulistas e Boal captou a força da ideia, lembra Muniz. O projeto inicial foi superado, dando lugar a uma articulação de amplitude maior. Do encontro, saiu o plano de integrar também compositores Caetano Veloso, Gilberto Gil, Sérgio Ricardo, Ary Toledo e Edu Lobo e artistas plásticos, como Nelson Leirner. A coisa tomou volume em pouco tempo e aí Boal definiu: Isso é uma feira. Em dezembro de 1967, os dramaturgos começaram a entregar a Boal as pequenas peças rapidamente criadas, definindo-se a base da encenação. Lauro César Muniz escreveu uma peça chamada O Líder, sobre o caso verídico de um pescador de Ubatuba que, por ser a única pessoa alfabetizada de sua região, havia sido encarregado de liderar uma associação de trabalhadores, no período anterior ao golpe depois do qual acabou preso por subversão ; Bráulio Pedroso fez O Senhor Doutor, que exibia um burguês em degradação, produzindo pus a cena inteira; Plínio Marcos escreveu Verde que te Quero Verde, em que dois gorilas censuram uma peça; Jorge Andrade redigiu A Receita, sobre a falta de acesso à saúde no campo; Gianfrancesco Guarnieri produziu Animália, um panorama político do momento, com crítica ao poder dos meios de comunicação de massa; e Augusto Boal, que fechava a montagem, escreveu A Lua Muito Pequena e A Caminhada Perigosa, a partir de trechos do diário boliviano de Che Guevara. Os músicos enviaram suas canções e as peças foram ensaiadas durante algum tempo, sendo a estreia agendada para o fim do primeiro semestre de 1968, no teatro Ruth Escobar. No elenco, estavam os atores Antônio Fagundes, Aracy Balabanian, Martha Overbeck, Cecília Thumim Boal, Edson Soler, Ana Mauri, Luiz Carlos Arutin, Myriam Muniz, Paco Sanchez, Renato Consorte, Rolando Boldrin, Zanoni Ferrite, Luiz Serra e Umberto Magnani. Resistência Apesar de congregar alguns dos maiores artistas em atividade na década de 1960, a Primeira Feira Paulista de Opinião não conseguiu evitar a censura. Das 80 páginas do texto enviado aos censores, foram liberadas apenas 15. Não fazia sentido encená-lo com cortes. Decidimos fazer o texto na íntegra, apesar da censura, explica Muniz. Conforme lembra Augusto Boal em sua autobiografia, o veto ao texto provocou o movimento artístico de solidariedade mais belo que já existiu. Artistas de São Paulo decretaram greve geral nos teatros da cidade e foram se juntar a nós. ( ) Cacilda Becker, no palco, com a artística multidão atrás, em nome da dignidade dos artistas brasileiros, assumiu a responsabilidade pela Desobediência Civil que estávamos proclamando. A Feira seria representada sem alvará, desrespeitando a Censura, que não seria mais reconhecida por nenhum artista daquele dia em diante. A classe teatral aboliu a Censura!!!, conta o teatrólogo. A polícia, é claro, não permitiu a estreia e o elenco foi ao teatro Maria Della Costa, onde a atriz Fernanda Montenegro interrompeu sua peça para que fosse apresentado um trecho da Feira e lido um manifesto. O mesmo foi feito no Teatro de Alumínio, em Santo André, onde atuava o Grupo Teatro da Cidade, dirigido por Heleny Guariba. O cerco da repressão e de grupos de direita aumentava ao redor dos artistas que estavam praticando algo definido por Boal como guerrilha teatral. Arrumamos um advogado que conhecia um juiz simpático ao projeto. Conseguimos uma liminar que liberou totalmente o texto, conta Muniz. O juiz, algum tempo depois, teve de partir para o exílio, pois integrava uma organização de resistência. A Primeira Feira Paulista de Opinião enfim pôde estrear na sala Gil Vicente ao mesmo tempo em que, na sala de cima, no mesmo teatro Ruth Escobar, era apresentada Roda Viva, de Chico Buarque. As ameaças de grupos da direita, como o Comando de Caça aos Comunistas (CCC), começavam a se concretizar. O Zé Lica, que fazia a iluminação, foi pego na porta do teatro. Bateram nele e o devolveram somente depois de três dias, recorda Umberto Magnani. Com a ajuda de estudantes que na época lotavam o Teatro de Arena, acompanhando de perto a luta dos artistas engajados foi elaborado um esquema de segurança. Havia estudantes na plateia, que, a qualquer sinal dos dois que ficavam de pé, de costas para o palco, já sabiam como reagir, detalha Muniz. Ainda assim, não foi possível evitar ataques. Evento busca reeditar, mais de 40 anos depois, a Primeira Feira Paulista de Opinião, organizada em 1968 As intervenções artísticas partirão de questionamentos políticos e estéticos imbricados na I Feira, mas em diálogo com aspectos contemporâneos. A ideia é proporcionar uma tensão que pode revelar contradições e apontar os novos caminhos que devem ser enfrentados no campo da política e da estética Colocavam ampolas de gás lacrimogêneo nos corredores, para que os espectadores pisassem, ao sair do teatro, relata Magnani. Infiltrados no público regular, os milicianos de direita lograram um forte ataque ao elenco de Roda Viva. Eu coordenava a equipe de segurança. No dia em que eu folguei, eles invadiram, lembra o ator do Arena Sylvio Zilber. A Feira ficou em cartaz por alguns meses, passando por cidades do interior de São Paulo, como Piracicaba, e se encerrando com uma temporada no Rio de Janeiro onde uma granada desativada foi lançada no palco. Arte e política caminhavam lado a lado, poucos meses antes do AI-5. Depois dos espetáculos, havia debates inflamados até de madrugada, lembra Rolando Boldrin. Política Pouco após a Primeira Feira, houve a tentativa, capitaneada por Ruth Escobar, de organizar uma versão brasileira. Alguns autores da Feira Paulista escreveram textos novamente como Lauro César Muniz, que fez uma comédia sobre a figura do senador biônico, mas o evento não chegou a acontecer. Em Nova York, Boal conseguiu realizar uma Feira Latinoamericana de Opinião, que teve apenas algumas apresentações. Hélio Oiticica era um jovem artista e morava lá, na época, sendo o responsável pela cenografia da Feira, recorda Cecília Boal. Em texto intitulado O Que Pensa Você da Arte de Esquerda?, Augusto Boal mapeou as principais tendências dos diferentes setores da esquerda cultural no fim da década de Havia diferenças importantes entre as perspectivas do Arena e do Oficina, por exemplo. Mas as divergências, naquele momento, não podiam ser mais importantes que a articulação política contra a ditadura. Boal podia até não achar todas as peças boas sei que ele não gostava de algumas, mas era estrategicamente fundamental contar com todos os autores. Ele era um guerrilheiro naquele momento, analisa Lauro César Muniz. Essa é a história que pretendem contar a Cia. Antropofágica e os outros coletivos participantes, alguns deles veteranos do teatro militante em São Paulo, como o Teatro União e Olho Vivo e o Engenho Teatral. Ao mesmo tempo, partem do aprendizado sobre os artistas militantes dos anos 1960 para, uma vez mais, pensarem sobre o Brasil e os caminhos para a transformação social caminhos que a arte pode continuar ajudando a mostrar. A programação completa pode ser acessada no site (Instituto Augusto Boal). Serviço II Feira Paulista de Opinião ou I Feira Antropofágica de Opinião 15/02 Sábado 14h às 22h 16/02 Domingo 14h às 22h Gratuito Livre Espaço Cultural Tendal da Lapa Acesso pela Rua Constança, 72 Lapa (Travessa da Rua Guaicurus) Tel.:

10 10 de 13 a 19 de fevereiro de 2014 cultura Um mergulho no Brasil profundo REALIDADE BRASILEIRA Série voltada à juventude ganha dois novos títulos: Maria Aragão e a organização popular e Ruy Mauro Marini e a dialética da dependência Imagens: Reprodução Cecília Luedemann de São Paulo (SP) EM 13 DE FEVEREIRO, a Editora Expressão Popular e a Escola Nacional Florestan Fernandes lançam dois novos títulos da série Realidade Brasileira: Maria Aragão e a organização popular e Ruy Mauro Marini e a dialética da dependência, em Brasília, durante o VI Congresso do MST. Voltados para a juventude, os documentários e livros trazem contribuições de brasileiros e brasileiras que viveram e pensaram as contradições do Brasil profundo: como o Brasil pode resolver o problema das desigualdades sociais? De que forma as trabalhadoras e os trabalhadores brasileiros conquistarão os direitos fundamentais? Essas são algumas das questões que foram discutidas por Ruy Mauro Marini e Maria Aragão ao longo de suas vidas e são retomadas nessa coleção voltada para a juventude, que tem como objetivo principal contribuir para uma iniciação às principais teses de interpretação da realidade brasileira elaboradas por intelectuais e lutadores sociais do século 20. Reprodução da capa dos livros Maria Aragão e a organização popular e Ruy Mauro Marini e a dialética da dependência, novos títulos da série Realidade Brasileira Médica contra as mazelas Maria José de Camargo Aragão nasceu em Engenho Central, no Pindaré-Mirim, uma das principais áreas de conflitos de terras do Maranhão, em 10 de fevereiro de 1910, numa família de sete filhos. Faleceu no dia 21 de julho de 1991, em São Luís, lutando até o fim da vida para exercer a medicina junto ao povo e para superar as enormes desigualdades sociais do Brasil. Em sua trajetória de 81 anos, Maria Aragão se sobressai como mulher negra que ousou organizar os proletários em movimentos, sindicatos e partidos a fim de desafiar o poder da elite local, fortemente armada com pistoleiros de aluguel e beneficiada pelo sistema jurídico Maria Aragão, rebelde desde a juventude, procurou manter esse espírito por toda sua vida: Meu interesse pela militância surgiu um pouco pelo meu temperamento desde jovem eu sempre briguei contra as injustiças, não importava em que nível elas se davam, nunca me conformei com qualquer tipo de injustiça e um pouco pelas circunstâncias de vida, que me levaram por este caminho. Quando estudante, várias vezes me rebelei contra situações que considerava injustas. Maria Aragão é considerada, atualmente, a maior figura pública do Maranhão no século XX, tendo sido homenageada com a construção de um memorial com seu nome projetado por Oscar Niemayer, em São Luís, pelo então prefeito Jackson Lago. Por sua história de vida e de luta, destaca-se como uma referência para a compreensão das raízes dos problemas brasileiros. Além de médica, foi dirigente do PCB e diretora do jornal Tribuna do Povo. Com a vida marcada pela luta contra a fome, desde a infância, Maria nunca se entregou, lutou contra a exploração de trabalhadores na cidade e no campo e pelos direitos das mulheres, dos negros e dos oprimidos de forma geral. Em sua trajetória de 81 anos, ela se sobressai como mulher negra, brasileira, que ousou organizar os proletários em movimentos, sindicatos e partidos a fim de desafiar o poder da elite local, fortemente armada com pistoleiros de aluguel e beneficiada pelo sistema jurídico. Sua ousadia maior foi lutar contra o jogo político em que o trabalhador era carta fora do baralho. Pagou por isso um preço alto: cinco prisões, uma em plena democracia e quatro durante a ditadura. Corajosa, ainda hoje é lembrada como exemplo contra a tirania e a tortura no Maranhão. Como médica, Maria Aragão lutou pelo direito de todos à vida; como comunista, identificou o capitalismo como a causa de tantas doenças e mortes entre os trabalhadores e a necessidade de derrubá-lo para construir outro sistema, em favor da vida. Por isso, apresentava-se como comunista mesmo quando os padres reacionários e a elite maranhense, sem nenhum outro argumento racional, gritavam que era uma besta-fera. Maria faz parte da geração de líderes comunistas brasileiros que, como Gregório Bezerra, eram de famílias proletárias e se dedicaram a criar novas formas de organização nos países de capitalismo dependente, em regiões onde predominavam as relações de superexploração. Sua obra maior é a organização da classe trabalhadora brasileira, em especial no Maranhão, para a construção do socialismo. Como militante da frente prática, as reflexões de Maria Aragão podem ser encontradas em artigos de jornais, depoimentos gravados e pelo testemunho de seus filhos modo carinhoso a que se referia aos jovens da corrente prestista entre outros, com quem participava da luta política. Teoria marxista da dependência Nascido em 2 de maio 1932, na cidade de Barbacena, Minas Gerais, numa família de dez filhos, Ruy Mauro Marini foi um dos representantes da teoria marxista da dependência, ao lado de Vânia Bambirra e Theotonio dos Santos. Dirigente da Organização Revolucionária Marxista Política Operária (ORM- Polop) no Brasil e do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) no Chile, Marini pertenceu à nova esquerda que surgiu das lutas de libertação nacional e dos processos revolucionários na América Latina, que culminaram, em 1959, com a Revolução Cubana. Com o golpe civil-militar de 1964 no Brasil, Ruy Mauro foi preso e torturado, obrigado a se exilar durante quase 20 anos. Representante da sociologia crítica latino-americanista, marxista, Ruy Mauro faz parte da geração dedicada a explicar a causa da dependência e da desigualdade social em nosso país e na América Latina, e de propor os meios para a sua superação. Seus estudos sobre o capitalismo resultaram na reinterpretação de nossa história, profundamente atrelada à integração na dinâmica do capitalismo internacional. Representante da sociologia crítica latinoamericanista, marxista, Ruy Mauro faz parte da geração dedicada a explicar a causa da dependência e da desigualdade social em nosso país e na América Latina, e de propor os meios para a sua superação Ruy Mauro demonstra que a entrada forçada da América Latina ao capitalismo mundial é a origem da enorme desigualdade social: Desenvolvendo sua economia mercantil, em função do mercado mundial, a América Latina é levada a reproduzir em seu seio as relações de produção que se encontravam na origem da formação desse mercado e determinavam seu caráter e sua expansão. Mas esse processo estava marcado por uma profunda contradição: é chamada para contribuir com a acumulação baseada na super-exploração do trabalhador. É nessa contradição que se radica a essência da dependência latino-americana. Até o fim de sua vida, defendeu a revolução socialista como alternativa ao capitalismo, mesmo após a derrocada dos países socialistas do Leste europeu. Depois de enfrentar um câncer nos pulmões, Ruy Mauro faleceu no Rio de Janeiro, em 5 de julho de 1997, aos 65 anos. Sua principal obra, Dialética da dependência, que completou 40 anos em 2013, tem sido retomada por uma nova geração de pesquisadores e militantes brasileiros e latino-americanos. Certamente, seus estudos teóricos continuam atuais, pois auxiliam a recuperar a concepção de revolução como transformação social necessária e possível para a superação do capitalismo dependente e de todas as suas monstruosas consequências para a classe trabalhadora. As raízes da realidade brasileira A série Realidade Brasileira Grandes Pensadores é resultado de uma iniciativa da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF). A primeira fase da série, que contou com seis títulos Caio Prado Júnior, Celso Furtado, Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes, Madre Cristina e Paulo Freire foi fruto de uma parceria com a Fundação Darcy Ribeiro e a TVE PR e contou com o apoio do Ministério da Cultura. Nesta segunda fase, a parceria da EN- FF se dá com a Editora Expressão Popular e o patrocínio da Caixa Econômica Federal, já contando com brasileiros destacados não apenas no campo teórico, mas também nos campos social e político, como é o caso de Maria Aragão e Ruy Mauro Marini. Documentários estão disponíveis no site e no Facebook da Editora Expressão Popular: opular.com e expressaopopular. SERVIÇO: Lançamento de Maria Aragão e a organização popular e Ruy Mauro Marini e a dialética da dependência (documentário acompanhado de livro). Data: 13 de fevereiro Horário: 20h Local: Barraca do Cinema da Terra, área externa do Ginásio de Esportes Nilson Nelson, Setor SRPN, ASA NORTE- Brasília. Mais informações: popular.com

11 cultura de 13 a 19 de fevereiro de Os 70 anos de Henfil HOMENAGEM Mesmo após 26 anos de sua morte, as críticas de sua obra continuam contemporâneas. Henfil colaborou com a luta contra a ditadura militar. Teve suas tirinhas publicadas no Pasquim, histórico jornal de esquerda da época Daniele Silveira de São Paulo (SP) CONHECIDO COMO O CARTUNISTA mais combativo na época da ditadura militar, Henrique de Souza Filho, o Henfil, teria completado 70 anos no dia 5 de fevereiro. Pai de personagens emblemáticos como a Graúna, Cumprido e Baixim, Zeferino e Ubaldo, sua obra permanece contemporânea mesmo 26 anos após sua morte. Nascido em Minas Gerais, Henfil colaborou com a luta contra a ditadura brasileira. Teve suas tirinhas publicadas no Pasquim, histórico jornal de esquerda da época, e seus personagens sempre tiveram algum teor político. Graúna era uma nordestina que criticava os políticos e a seca do nordeste. Ubaldo, o Paranoico, representava o medo de viver num regime autoritário, que se potencializou depois da assinatura do AI5. Nascido em Minas Gerais, Henfil colaborou com a luta contra a ditadura brasileira. Teve suas tirinhas publicadas no Pasquim, histórico jornal de esquerda da época, e seus personagens sempre tiveram algum teor político Henfil morreu em 1988, após contrair o vírus da AIDS. Assim como seus outros dois irmãos, o sociólogo Herbert de Souza ( ) e o violonista Francisco Mário ( ), ele era hemofílico. Betinho, citado na música O bêbado e a equilibrista como irmão do Henfil, também lutou diretamente pela abertura política do país e virou símbolo dos direitos humanos. Como homenagem a sua obra, Ivan Consenza de Sousa, único filho do cartunista, fundou em 2009 o Instituto Henfil. Em 2013, o instituto publicou 12 números da revista Fradim, lançadas por ele entre as décadas de 1970 e 1980, e pretende publicar o restante até o fim deste mês. (Radioagência Brasil de Fato) Betinho, citado na música O bêbado e a equilibrista como irmão do Henfil, também lutou diretamente pela abertura política do país e virou símbolo dos direitos humanos br dahmer PALAVRAS CRUZADAS Horizontais: 1.Verbo utilizado para quando se escreve algo numa rede social na internet A senadora Kátia Abreu o representa no Congresso. 2.Apetite sexual dos animais, especialmente das fêmeas, em determinadas épocas do ano Forma mais comum de atender o telefone. 3.Interjeição de nojo As empresas Siemens a Alstom estão sendo acusadas desta prática. 4.Como ficou conhecida a gravação antecipada de um programa em vídeo para a televisão Comunidade, que à época da escravidão, servia de refúgio para negros que conseguiam escapar. 5.Raiva Forma popular de chamar cocaína Ministério Público Federal. 6.Rede de supermercados que oferece preços populares Diz o ditado que o ano só começa depois dele Movimento social que luta pela terra que completa 30 anos este ano. 7.Pena. 8.Estado brasileiro (sigla) que tem seu nome oriundo da língua tupi que significa bico de tucano Agência de espionagem dos EUA Nome da primeira criança nascida na ocupação da fazenda Annoni, que se transformou num marco do MST, e que hoje é médico formado em Cuba. 9.Árvore que também é sobrenome Saudação informal no Brasil. 10.Um Ministério também é chamado assim. 11.Unir Anel que simboliza comprometimento. Verticais: 1.Conjunto de instituições ou de medidas de proteção e assistência aos cidadãos em caso de doença, desemprego, aposentadoria. 2.No Sul do país, o advérbio muito é comumente trocado por ele. 3.Joaquim Barbosa é seu atual presidente Comunidade fundada em 1935 que busca auxiliar no controle da dependência ao álcool O goleiro fica nela durante o jogo. 5.Quem não crê na existência de um Deus Vaga reservada em um processo seletivo para tentar minimizar injustiças históricas. 6.Comissão Interna de Prevenção de Acidentes Companheira de Luís Carlos Prestes que foi mandada para a Alemanha de Hitler por Getúlio Vargas. 7.Sensação produzida por temperatura elevada. 8.Interjeição de dor Na única realizada no país, em 1950, o Brasil perdeu para o Uruguai. 9.O verbo ir em inglês (?) Couto, mais renomado escritor moçambicano. 10.Caminho. 11.Alimente-se! Como se diz garoto no Sul do país. 12.Liga de basquete dos Estados Unidos Projeto de lei. 13.Programa de Integração Social. 14.Em inglês, diz-se cat Ferramenta para cavar. 15.Grito que o torcedor dá quando uma goleada está sendo aplicada em um jogo de futebol Genebra 2 é o nome dado a uma conferência que a ONU patrocinou para tentar resolver a guerra civil que este país vive no momento. 16.Quando um aluno copia o que outro escreveu durante uma prova. 17.Décima letra do alfabeto. 18. Estado de uma nação em que a preponderância de alguma família dispõe do governo Horizontais: 1.Postar Agronegócio. 2.Cio Alô. 3.Eca Cartel. 4.VT Quilombo. 5.Ira Pó MPF. 6.Dia Carnaval MST. 7.Dó. 8.TO CIA Tiarajú. 9.Carvalho Oi. 10.Pasta. 11.Atar Aliança. Verticais: 1.Previdência. 2.Tri. 3.STF AA Área. 5.Ateu Cota. 6.CIPA Olga. 7.Calor. 8.Ai Copa. 9.Go Mia. 10.Via. 11.Coma Pia. 12.NBA PL. 13.PIS. 14.Gato Pá. 15.Olé Síria. 16.Cola. 17.Jota. 18.Oligarquia.

12 12 de 13 a 19 de fevereiro de 2014 internacional Experiências latino-americanas servem de modelo para Europa AUTOGESTÃO Encontro no sul da França reuniu operários, militantes e pesquisadores da autogestão e das fábricas recuperadas pelos trabalhadores oarmag.org Nicolas Tamasauskas de Paris (França) EM MEIO À CRISE na zona do euro e a questionamentos crescentes quanto à agenda de governos e do modelo econômico na Europa, experiências na América Latina têm sido referência na construção de alternativas ao desemprego em massa e à luta pela autodeterminação dos trabalhadores no velho continente. É o que se verificou em encontro próximo a Marselha, no sul da França, nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro. A cidade de Gémenos recebeu a primeira edição do Encontro Regional para Europa e Mediterrâneo A Economia dos Trabalhadores. Foi organizado nas instalações da Fralib, fábrica de produção de chás que teve as atividades interrompidas pela transnacional Unilever com a transferência da produção para a Polônia, visando menores custos trabalhistas. A fábrica está hoje sob o controle dos trabalhadores e a marca é objeto de disputa judicial. Exemplos de empresas autogeridas pelos operários na Argentina, no Brasil e no México, as pesquisas e a conquista de espaços nas universidades para o tema na América Latina, e as análises sobre os caminhos desse tipo de construção coletiva prenderam a atenção dos europeus. O encontro foi organizado pelos cooperados da Fralib, em conjunto com o Programa Facultad Abierta da Universidade de Buenos Aires, a Associação Autogestão, da França, a Rede Workers Control, o projeto Officine Zero (Itália), o Instituto de Ciências Econômicas e Autogestão Espanha (ICEA) e a Associação de Solidariedade com a América do Sul - França (Aspas). Reuniu mais de 200 pessoas, entre trabalhadores, militantes da autogestão e pesquisadores de universidades. Resultou na troca de experiências e formas de mobilização, e no consenso sobre a necessidade de aprofundamento de intercâmbio e da solidariedade entre os países. Também, forçosamente, motivou uma comparação entre os momentos distintos vividos pela Europa e pela América Latina. Seria importante criar uma rede internacional mais estável, permitindo um empreendimento apoiar ao outro politicamente A América Latina teve uma década progressista, com avanços em maior e menor intensidade nos países, mas deveremos verificar uma reação da direita, e as conquistas alcançadas nos últimos anos terão de ser defendidas, como as práticas e os debates de autogestão, afirmou Andrés Ruggeri, do programa Facultad Abierta (Argentina), um dos principais organizadores do evento. Na Europa temos um panorama muito difícil, uma crise que tende a se aprofundar, uma situação em que as forças conservadoras aproveitam para impor suas reformas neoliberais, completou, enfatizando a importância do fortalecimento dos movimentos de resistência e de autogestão. O capitalismo tem uma grande capacidade de se remodelar, e por isso os trabalhadores têm de se adaptar, buscar maneiras de enfrentar as situações que se colocam, disse Célia Pacheco Reyez, professora de sociologia da Universidade Autonôma Metropolitana da Cidade do México, que estuda o trabalho precário. Gerard Cazorla, operador de máquinas há 33 anos na Fralib, que conduziu parte dos estrangeiros em uma visita pela fábrica, ressaltou que o contato com os casos argentinos, por exemplo, reforça a crença no sucesso da recuperação francesa. Apesar da inversão histórica de posição entre América Latina e Europa, pelos importantes movimentos sociais e pelas experiências de resistência e construção de alternativas, seguem notórias as diferenças nos sistemas de proteção social e de acesso aos direitos dos trabalhadores nos países dos dois continentes. Mesmo sem conseguir produzir, em decorrência das disputas judiciais em torno da fábrica, os operários da Fralib foram remunerados, por determinação da Justiça, pela Unilever, durante parte da ocupação, iniciada em 2011, e por mais alguns meses receberão o segurodesemprego. Ao longo de décadas, o sistema de remuneração na França, no entanto, vem retrocedendo. Quando entrei na Fralib, um operador de máquinas recebia o equivalente a um salário mínimo acrescido em 40%, hoje a média é de 3% a mais sobre salário mínimo, informou o operário. Grécia Seria importante criar uma rede internacional mais estável, permitindo um empreendimento apoiar ao outro politicamente, criar uma voz comum internacional e até mesmo com apoio material ou econômico, afirmou o grego Theodoros Karyotis, representante da associação de iniciativas solidárias, um empreendimento de trabalhadores em Tessalônica, que participou do encontro na França ao lado de dois operários, atuando também como intérprete. Composta por 70 trabalhadores quando da sua falência, a Vio apresenta uma situação análoga à Fralib, mas em menor escala. Após um ano sem receber seus direitos trabalhistas e sem poder acessar o sistema de auxílio-desemprego no país, decidiram pela ocupação da fábrica. A empresa produzia materiais para construção civil. Hoje não possui capital para seguir essa linha produtiva e tampouco mercado. A crise na Grécia faz a construção civil estar completamente parada, disse Karyotis. Com isso, comercializa hoje produtos de limpeza com insumos naturais, que não oferecem danos ambientais. No dia 12 de fevereiro, a Vio completa um ano sob controle operário, e se ampara na venda informal dos seus produtos, uma cooperativa de vinte pessoas apoiada em associações de solidariedade de dezenas de cidades gregas. Além disso, a cooperativa tem a figura do membro solidário, integrante da comunidade que, ao adquirir produtos, tem o direito de participar da tomada de decisões do empreendimento. É uma forma a mais que o empreendimento tem de buscar o apoio da comunidade, acrescentou Karyotis. Um dos países mais afetados pela crise, a Grécia, vê o surgimento de diversas experiências desse tipo, segundo Karyotis. Têm surgido muitas cooperativas produtivas e de consumo. Também redes de intercâmbio e estruturas solidárias, como centros de atendimento médico gratuito, afirmou. Os gregos propuseram nos debates do encontro a criação de um fundo internacional de apoio aos empreendimentos, com recursos das próprias empresas recuperadas e cooperativas, iniciativa que recebeu o apoio de outros trabalhadores e militantes, como o francês Benoit Borrits, da Associação Autogestão da França. Conquista argentina A Argentina traz diversos exemplos de autogestão. Florescentes na profunda crise que o país viveu na virada dos anos 1990 para os 2000, fábricas recuperadas por trabalhadores se consolidaram, funcionam a pleno vapor e estão amparadas não só em uma histórica mobilização de operários, mas também no apoio e envolvimento das comunidades onde as fábricas estão inseridas e em mecanismos legais que permitem que as fábricas falidas passem ao controle dos antigos funcionários. Encontro aconteceu nas instalações da Fralib, fábrica de chá ocupada em Marselha, no sul da França É o caso da cooperativa Têxtil Pigue, localizada em uma cidade de 15 mil habitantes, a 600 quilômetros de Buenos Aires. Na semana passada, a cooperativa obteve a titulação, outorgando aos trabalhadores a propriedade dos meios de produção. A iniciativa argentina foi representada na França por Francisco Martinez. Esse encontro e esse cenário nos lembram muito momentos do início de nossa luta, disse. A cooperativa reúne hoje 140 trabalhadores cooperados. Brasil Os brasileiros Vanessa Moreira Sigolo, pesquisadora do tema vinculada ao Núcleo de Economia Solidária da Universidade de São Paulo (Nesol) e Flavio Chedid, do Núcleo de Solidariedade Técnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Soltec), mostraram os resultados de levantamento nacional concluído no ano passado. A proposta é ser um arquivo virtual para discussões de experiências do presente e também daquelas que já aconteceram O Brasil possui 67 empresas recuperadas por trabalhadores em funcionamento, atuantes em diferentes segmentos, como metalurgia, mineração, indústria têxtil e outros. O estudo Empresas recuperadas por trabalhadores no Brasil foi conduzido por pesquisadores de dez universidades públicas brasileiras, consolidado a partir de pesquisas de campo, entrevistas com trabalhadores e análise dos resultados. A pesquisa buscou trazer a público as experiências de milhares de trabalhadores, que a partir da luta contra o desemprego, criaram formas coletivas e autogeridas de produção e trabalho, disse Vanessa. As experiências de autogestão são parte da história de resistência contra a exploração do trabalho e hoje retomam sua atualidade em face das crises sociais, econômicas e ecológicas do capitalismo contemporâneo, sendo centrais para a renovação do socialismo e das lutas sociais, completou. Faculdade em risco Se a Argentina é vanguarda na autogestão e possui mais de 300 empreendimentos em funcionamento, a discussão e os projetos de atuação no meio acadêmico podem estar em risco. Programa de extensão surgido na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires em 2002 e grande articulador do evento, a exemplo também de encontro análogo que aconteceu no Brasil ano passado em João Pessoa (PB), o Facultad Abierta sofre a ameaça de fechamento pela instituição. Uma lista de apoio ao centro de pesquisa foi assinada pelos participantes do encontro na França. Nós enfrentamos questionamentos dentro da faculdade, uma ameaça de fechamento, mas independente do que aconteça, a luta vai continuar, disse Andrés Ruggeri. Dario Azzelini, sociólogo alemão de origem italiana, apresentou no seminário a página na internet sobre experiências e debates sobre controle operário. Segundo o militante, o site workerscontrol.net está aberto a contribuições de artigos e relatos em português, espanhol, inglês e alemão. A proposta é ser um arquivo virtual para discussões de experiências do presente e também daquelas que já aconteceram, disse. Ideia maluca O projeto Officine Zero, com sede em Milão, na Itália, é outra experiência a aproximar os trabalhadores e o lado de fora da fábrica. Ocupada desde o começo de 2012, a oficina de reforma de vagões ferroviários está sendo transformada em polo de apoio a trabalhadores em situação precária, manifestações culturais como teatro, artes plásticas e música. No evento, foi exibido o documentário Pazza Idea (ideia maluca, em italiano), relatando a ação de jovens integrantes de coletivo cultural situado próximo à fábrica. O encontro debateu ainda novos movimentos de resistência à crise do capitalismo, usando como mote os protestos em diferentes países. Carlos Schmidt, professor do Núcleo de Economia Alternativa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, destacou as manifestações surgidas no Brasil em decorrência da organização da Copa do Mundo, corrupção jamais vista no país, que provoca grande sensibilização popular. Fralib Marca centenária (criada em 1892), o chá Elephante foi comprado pela Unilever em 1972, sendo produzido em Marselha e em Le Havre, no norte da França. Em 1997, a transnacional fechou a unidade de Le Havre e, após a pressão dos trabalhadores, transferiu parte dos funcionários (54 famílias) para a planta situada no extremo sul do país, como a família de Olivier Leberquier, delegado da CGT (central sindical francesa). A decisão de fechar também a fábrica do sul em 2010 desencadeou duas ocupações, intercaladas por disputas judiciais, e a presença de seguranças privados contratados pela Unilever, instrumento previsto na legislação da França. A empresa pretende centralizar sua linha de chás na marca Lipton. A primeira ocupação aconteceu em agosto de 2011 e durou quatro meses. Em maio do ano seguinte fizeram mais uma ocupação até setembro. Finalmente, a fábrica foi vendida pela Unilever para o governo local de Marselha, que a repassou aos trabalhadores. Hoje, o chá tem uma pequena produção para distribuição militante e como forma de sensibilizar apoio para a luta dos trabalhadores da Fralib. Essa produção está sendo feita sem os aditivos químicos que eram utilizados pela Unilever para aromatizar anteriormente. O produto tem sido comercializado de maneira informal, com apoio de associações, partidos políticos e sindicatos. Trabalhadores da Fralib e sindicatos têm organizado regularmente campanhas de boicote aos produtos da Unilever, e em especial aos chás da marca Lipton.

13 américa latina de 13 a 19 de fevereiro de Novos ventos na América Central ANÁLISE Ao contrário do que ocorreu nas últimas décadas, vários países da América Central viram surgir experiências políticas progressistas Agustín Lewit HOJE JÁ NÃO é mais preciso argumentar exaustivamente sobre a ideia de que, nos últimos anos, o cenário político na América do Sul virou alguns graus em direção à esquerda. Ainda que esse deslocamento não compreenda todos os países, visto que também surgiram na região governos conservadores e, inclusive naqueles onde isso aconteceu, não faltem questionamentos sobre isso, o certo é que, a esta altura, soa como um dado real que um certo espírito progressista se espalhou pelo subcontinente. Mas o fenômeno parece ter transcendido as fronteiras do Cone Sul. De fato, algo similar também ocorreu na América Central onde, na contramão do cenário das últimas décadas, marcado por uma hegemonia neoliberal fechada e uma ingerência estadunidense asfixiante, vários países do istmo continental viram surgir experiências políticas progressistas. Sejam versões atualizadas de forças insurgentes do passado, ou surgindo enquanto projetos políticos novos, colocaram a América Central em sintonia com o ritmo político regional. Exemplo do primeiro caso é a Nicarágua, onde a Frente de Libertação Nacional conseguiu voltar ao poder em 2006, depois de quase duas décadas de governos conservadores. Algo similar também ocorreu na América Central, onde, na contramão do cenário das últimas décadas, vários países do istmo continental viram surgir experiências políticas progressistas No segundo caso aparece Honduras, onde o Libre (Livre, em português) partido de Manuel Zelaya e de sua mulher, Xiomara Castro não conseguiu derrotar o conservador PLN nas últimas eleições. Porém, com um programa de forte conteúdo social, chegou a se constituir como a segunda força nacional, rompendo mais de um século de bipartidarismo conservador. Estes exemplos se reforçam com o que aconteceu recentemente em El Salvador e na Costa Rica, dois países que realizaram eleições presidenciais no fechamento desta edição, os primeiros resultados oficiais já eram conhecidos e em que ambos os casos a esquerda mostrava um desempenho excelente. O fato de quase todas as pesquisas prévias mostrarem seu candidato, José María Villalta, muito perto do candidato governista, já significou alguma coisa No caso de El Salvador, a que parecia como provável vitória de Sánchez Cerén significaria, a priori, um aprofundamento do rumo iniciado cinco anos atrás, quando a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) levou Mauricio Funes à presidência. Diferentemente dele, Cerén é um quadro que vem das entranhas do FMLN e que representa algo como a esquerda da esquerda. Com promessas que vão desde uma virada em direção ao Sul, aproximando a nação salvadorenha da América do Sul, até avanços concretos na redistribuição da renda em um país com altíssimos índices de pobreza e de marginalização, Cerén escutou com atenção o cansaço de muitos seguidores farabundistas diante dos titubeios de Funes e os pedidos de aprofundar o caminho aberto há cinco anos. Pelo lado da Costa Rica, apesar de a vitória não ser tão clara para o partido de esquerda Frente Amplio (Frente Ampla), o fato de quase todas as pesquisas prévias mostrarem seu candidato, José María Villalta, muito perto do candidato governista, já significou alguma coisa principalmente se considerarmos que a Frente Ampla começou a campanha em quarto lugar e que a esquerda sempre ocupou um lugar bastante relegado. Por isso, as chances concretas de vitória de Villalta e Reprodução seu surpreendente desempenho nas últimas eleições já são uma verdadeira novidade para o cenário político do país. As eleições na Costa Rica e em El Salvador não fizeram outra coisa se não respaldar um cenário regional em plena mutação, onde todas as alternativas eleitorais de esquerda têm se materializado e ganhado, pouco a pouco, nas distintas conjunturas nacionais, nutridas tanto por movimentos sociais vigorosos, como pelo esgotamento da forma de gestão política da direita. Numerosos golpes de Estado, fraudes eleitorais consumadas e uma ingerência estadunidense preocupante significaram uma história complicada para as esquerdas centro-americanas O desafio seguinte é, sem dúvidas, encontrar a maneira como essas experiências alcancem uma integração virtuosa que as oxigene para avançar em suas duras realidades e proponham alternativas à subordinação econômica aos Estados Unidos. O Sistema de Integração Centroamericana (SICA) parece ser um bom espaço para tal fim, assim como o Mercado Comum Centro-americano. Com igual relevância aparecem os possíveis laços com novos blocos regionais, em especial o da ALBA, pela proximidade territorial com a Venezuela, motor do bloco. Numerosos golpes de Estado, fraudes eleitorais consumadas e uma ingerência estadunidense preocupante significaram uma história complicada para as esquerdas centro-americanas. E esses perigos estão longe de desaparecer. Mas também é certo que o ar de um novo tempo proveniente do Sul que alterou o cenário político continental colaborou com a revigorização dessas forças, que, por sua vez, souberam interpretar o descontentamento popular, o esgotamento de modelos econômicos centrados no livre comércio e na crise de representatividade que afeta muitos partidos tradicionais. Nesse ressurgimento de alternativas concretas diante do liberalismo econômico e do conservadorismo político, vão atadas as esperanças de uma vida melhor de milhões de centro-americanos. Oxalá essas esperanças comecem a se concretizar. (Página 12) Venezuela vai punir empresários que descumprirem lei de preços Desde o ano passado, o governo venezuelano tem lançado medidas para combater a crise econômica, a escassez de alimentos e a especulação monetária Leandra Felipe de Brasília (DF) Os empresários e comerciantes venezuelanos devem cumprir, a partir do dia 10 de fevereiro, a Lei Orgânica de Preços Justos, que estabelece lucro máximo de até 30%. Termina neste dia o prazo dado pelo governo para adaptação à medida. Criada para combater a especulação financeira, a lei prevê multa, expropriação de empresas e até prisão para os comerciantes que desobedecerem a norma. Decretada pelo presidente Nicolás Maduro, a lei entrou em vigor no dia 23 de janeiro. Segundo Maduro, com a norma o governo terá mais uma ferramenta para combater a especulação e o que chama de guerra econômica. O governo alega que a medida é necessária porque há produtos vendidos no país com preço até 2.000% acima do valor real. Depois que a medida foi decretada, o governo fez uma série de palestras em todo o país para explicar os seus objetivos. A partir de segunda-feira [10], a lei será aplicada a quem encontrarmos especulando. Ninguém terá desculpas porque já faz três semanas que estamos explicando, desde a publicação, disse Maduro em discurso no último dia 7. A pena de prisão varia de dois a quatro anos, de acordo com a gravidade do crime cometido. Também está prevista a ocupação, pelo governo, por um período de 180 dias, dos estabelecimentos que violarem a lei. Desde o ano passado, o governo venezuelano tem lançado medidas para combater a crise econômica, a escassez de alimentos e a especulação monetária. A inflação acumulada do ano passado ultrapassou o patamar dos 50% e o dólar no mercado paralelo chega a ser comercializado a mais de 50 bolívares. (Agência Brasil) AVN Fiscalização em açougue de Caracas: lucro máximo de até 30% UE aprova retomada de diálogo com Cuba Apesar de acordos bilaterais com países europeus, bloco tinha as relações oficiais com a ilha congeladas desde 1996 Rafael Duque de Madrid (Espanha) Os ministros de assuntos exteriores dos 28 Estados-membros da União Europeia anunciaram, no dia 10 de fevereiro, que pretendem dar início a negociações para um tratado político, social e econômico com Cuba. A decisão oficial foi adotada durante a reunião dos chefes da diplomacia europeia em Bruxelas, mas, segundo diversos jornais europeus, já estava acertada desde a semana passada. Na prática, o acordo termina com a Política Comum Europeia em relação à ilha caribenha, aprovada em 1996 e que restringia qualquer negociação com o governo cubano a avanços no campo dos direitos humanos dentro da ilha. Esta política foi promovida pelo então presidente da Espanha, José María Aznar, e duramente criticada por diversos setores da sociedade espanhola. Cuba é o único país da América Latina que não possui nenhum tipo de acordo oficial com o bloco europeu. Entretanto, apesar da existência da política comum, muitos países têm tratados econômicos com a ilha caribenha. A própria UE mantém desde 2010 uma linha de ajuda humanitária que já disponibilizou mais de 20 milhões de euros para o auxílio de programas de segurança alimentar no país latino-americano. Com a decisão desta segunda, os funcionários da Comissão Europeia, órgão executivo da UE, irão iniciar o diálogo com o governo cubano. Porém, países como Alemanha e República Tcheca exigem que as conversas também sejam vinculadas ao avanço no processo de abertura econômica pelo qual passa o país latino. Em nota divulgada ao fim da reunião, a Alta Representante para Assuntos Exteriores da UE, Catherine Ashton, afirmou que espera que Cuba aceite esta oferta e que possamos trabalhar em breve rumo a uma relação mais forte. Esta não é uma mudança política em relação ao passado. Assim como nós queremos apoiar a reforma e modernização em Cuba, temos consistentemente levantado preocupações de direitos humanos que continuam a ser o cerne desta relação. A decisão oficial foi adotada durante a reunião dos chefes da diplomacia europeia em Bruxelas, mas, segundo diversos jornais europeus, já estava acertada desde a semana passada Apoio regional O apoio do restante dos países da América Latina foi um dos fatores que levaram a UE a modificar oficialmente a política em relação a Cuba. Além das diversas manifestações pedindo o fim da política comum em cúpulas internacionais, a criação e a institucionalização da CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) como principal órgão interlocutor da região com o bloco europeu deixou em evidência a falta de coerência da posição comum, uma vez que a ilha caribenha não só pertence à comunidade como atualmente ocupa a presidência de turno da mesma, o que obriga a UE a dialogar diretamente com representantes cubanos. (Opera Mundi)

14 14 de 13 a 19 de fevereiro de 2014 internacional 86 milhões de mulheres devem sofrer mutilação genital até 2030 LIBERDADE SEXUAL Ao todo, segundo as Nações Unidas, 129 milhões sofrem com as consequências da retirada do clitóris e lábios vaginais Marina Terra de São Paulo (SP) NO MUNDO, 129 milhões de mulheres não sentem prazer durante a relação sexual, sofrem com intensas dores e têm dificuldades para manterem os órgãos genitais limpos. Um número que impressiona e que, caso as tendências atuais persistam, pode aumentar em 86 milhões até 2030, segundo alerta da Organização das Nações Unidas (ONU) no dia 6 de fevereiro, Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina. A circuncisão feminina, que consiste na amputação do clitóris em alguns casos, dos lábios vaginais também é uma prática secular que continua acontecendo em muitas comunidades, principalmente no Norte da África e no Oriente Médio, e tem como objetivo condicionar a liberdade sexual das mulheres até ao casamento. Não há nenhuma razão religiosa, de saúde ou de desenvolvimento para mutilar ou cortar qualquer menina ou mulher, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em comunicado. Embora alguns argumentem que é uma tradição, devemos lembrar que a escravidão, as mortes por honra e outras práticas desumanas foram defendidas com o mesmo argumento, lembrou. Na maioria dos lugares onde é praticada, a mutilação genital feminina é considerada fundamental na preparação da mulher para a vida adulta e o casamento. Em países como a Somália, Guiné- Bissau, Djibuti e Egito, mais de 90% das meninas são circuncisadas. Nessas culturas, altamente machistas e patriarcais e onde a virgindade e a fidelidade matrimonial são valorizadas, a pressão é intensa para controlar o comportamento sexual feminino. Muitas meninas escutam que a retirada do clitóris e dos lábios vaginais é para deixá-las mais limpas e bonitas. A circuncisão feminina, que consiste na amputação do clitóris em alguns casos, dos lábios vaginais também é uma prática secular Em algumas localidades os traumas começam na preparação do procedimento, quando muitas meninas e até bebês com menos de 12 meses, como sublinha a ONU, têm as pernas e os braços amarrados. Depois, o uso de giletes e outros objetos cortantes sem a correta higienização ou anestesia, quando não levam à morte, provocam infecções que podem perdurar por toda a vida. Reprodução Reprodução de cartaz de campanha contra a mutilação genital feminina Os casos de infibulação também trazem riscos durante o parto: segundo um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), a mortalidade de bebês é 55% maior em mulheres que sofreram procedimentos para redução do orifício vaginal. Em alguns casos, o que resta dos lábios vaginais é costurado, provocando dores e infeccções urinárias. Somente o marido pode desamarrar a costura, quando deseje ter relações sexuais. Felizmente, de acordo com as Nações Unidas, há sinais positivos de progresso para acabar com a prática. As meninas entendem instintivamente os perigos de serem mutiladas, e muitas mães, que viram ou experimentaram o trauma, querem proteger suas filhas de passar pelo mesmo, disse o secretário-geral da ONU, que citou o caso de um pai no Sudão que se recusou a deixar as filhas serem mutiladas e, com isso, acabou criando uma campanha de conscientização mundial Saleema. Além disso, recentemente, Uganda, Quênia e Guiné-Bissau adotaram leis para terminar com a prática. Na Etiópia, os responsáveis foram presos, julgados e penalizados com ampla cobertura da imprensa. Nosso desafio atual é dar verdadeiro significado a este dia, usando-o para ganhar apoio público, criar mecanismos práticos e legais e ajudar todas as mulheres e meninas afetadas ou em risco de mutilação genital, disse Ban ki-moon. O mundo sabe que essas mutilações são erradas, mas até agora não se fez muita coisa. Não entendo por que o mundo fica só olhando Filme Flor do deserto, uma produção estadunidense, narra a história verídica de Waris Dirie, garota somali que, aos 13 anos, foge de sua tribo rumo à Londres para escapar de um casamento arranjado com um homem de 60 anos. Na Inglaterra, ela descobre que é diferente quando revela à amiga Marylin que foi circuncisada aos três anos de idade, seguindo costume de seu povo. Embora sofra dores e tenha dificuldades até mesmo para urinar, ela acha tudo muito normal. Porém, a amiga lhe diz que as mulheres inglesas e em muitas outras partes do mundo não sofrem o que ela sofreu. Enquanto trabalhava em uma lanchonete, ela é descoberta por um fotógrafo e vira uma modelo de sucesso. Dirie depois se transformou em uma defensora da luta pela erradicação da prática da mutilação genital feminina e atualmente é embaixadora da ONU, além de dirigir uma ONG com seu nome. O mundo sabe que essas mutilações são erradas, mas até agora não se fez muita coisa. Não entendo por que o mundo fica só olhando, disse Dirie quando o filme foi lançado no Festival de Veneza. E advertiu: Em algum lugar do mundo uma menina está sendo mutilada agora. Amanhã, o mesmo destino espera outra menina. Eu teria feito o mesmo Campanha pede libertação de mexicana presa por matar seu estuprador. Yakiri Rubí, de 20 anos, matou o agressor a facadas na Cidade do México Federico Mastrogiovanni da Cidade do México (México) Manifestação na Cidade do México pela libertação de Yakiri Rubí Em um vídeo que está circulando pela web, ativistas, intelectuais e mexicanos comuns pedem a libertação de Yakiri Rubí Rubio Aupart, uma jovem de 20 anos, presa desde dezembro acusada pelo assassinato de seu estuprador. No vídeo, todos os participantes, durante três minutos e meio, declaram o lema da campanha: eu teria feito o mesmo. O que eles dizem é que também teriam matado Miguel Ángel Ramírez Anaya, homem que teria estuprado Yakiri em 9 de dezembro de 2013, em um hotel na Cidade do México. De acordo com a família da jovem, às 8 da noite daquele dia, dois homens em uma moto se aproximaram dela, a ameaçaram com uma faca e a levaram para o Hotel Alcazar, no Distrito Federal. Lá, o agressor ficou sozinho com a jovem, enquanto o irmão foi para casa. Durante o estupro, Yakiri se defendeu e pegou a faca com a qual Miguel Ángel a tinha ameaçado antes, a enfiou em seu pescoço e fugiu. O homem conseguiu sair do hotel e falar com o irmão, antes de morrer após perder muito sangue. Yakiri foi denunciar o estupro na delegacia, porém, foi imediatamente detida por homicídio qualificado. Ela continua presa, apesar de a advogada ter apresentado provas que justificariam a legítima defesa. Sua detenção é ilegal, uma vez que o código penal do Distrito Federal estabelece legítima defesa quando a vítima repele um agressão real, atual ou iminente e sem razão. Isso quer dizer que, pela lei, essa pessoa não pode ser condenada e sua conduta não é reprovável. Ao se comprovar a legítima defesa, ao não ser considerado um delito o crime contra seu agressor, Yakiri teria de ser imediatamente libertada, mas a Procuradoria Geral de Justiça do Distrito Federal (PGJDF) ainda não acredita no estupro, declarando, por meio do procurador, que ainda estão coletando provas e fazendo diligências. O mais impressionante é que a própria Procuradoria entrou com uma ação penal contra ele por não ser a autoridade que deve ser convencida disso, e sim o juiz responsável pelo processo. Enquanto isso, na Cidade do Méxido e nas redes sociais, artistas, cidadãos e grupos de defesa de direitos humanos se mobilizaram a favor da libertação da jovem, entre os quais Nuestras Hijas de Regreso a Casa (Nossas Filhas de Volta pra Casa, ONG de mães cujas filhas desapareceram ou foram mortas), Pan y Rosas, organização que luta contra o feminicídio, e a jornalista Lydia Cacho. As principais acusações feitas contra o sistema judiciário são as de que Yakiri foi detida ilegalmente e ficou incomunicável na agência 50 do Ministério Público. Pretendia denunciar o estupro, quando uma autoridade lhe imputou a responsabilidade de ter cometido homicídio sem levar em conta o direito que ela tinha de se defender legitimamente para garantir sua integridade física e sua vida, qualificando a versão dos fatos de falsa, a priori. A sensibilização foi grande também depois das declarações públicas do procurador, que a chamou de mentirosa quando disse que não existiu o estupro e a culpou por ter entrado voluntariamente no hotel. A raiva da família de Yakiri e dos grupos de cidadãos explodiu quando ficou evidente que o aparato de investigação, inclusive publicamente, se ativou não para esclarecer o delito do estupro, mas para colocar, a qualquer custo, a responsabilidade penal sobre a vítima, pelo crime de homicídio. Machismo Não é a primeira vez que o México está no centro de polêmicas e reinvindicações de gênero, uma vez que o machismo prevalece em todos os âmbitos da sociedade, na forma de perseguição sexual, violência de gênero, discriminação e até nos casos de feminicídio. De acordo com a advogada Araceli Olivos, da área de defesa do Centro de Direitos Humanos Miguel Agustín Pro Juárez, nesse país, as mulheres enfrentam obstáculos constantes para denunciar a violência de gênero, tanto no âmbito privado como no público. Segundo ela, em um primeiro momento, frente à autoridade de investigação o Ministério Público, o primeiro obstáculo a ser derrubado é conseguir abrir uma investigação, pois muitas vezes culpam as próprias sobreviventes agredidas, minimizam a violência (por exemplo, catalogando-a como um problema familiar), ou se esforçam para encontrar explicações que terminem revertendo a responsabilidade sobre a própria mulher, afirmou. Ainda segundo ela, isso, no melhor dos casos, desanima a vítima, que desiste de sua tentativa de encontrar justiça, verdade e reparação. Entretanto, como no caso de Yakiri, ela lembra, no pior dos casos a autoridade acusadora encontra motivos suficientes para reverter formalmente a responsabilidade, presumindo que a vítima é culpada por uma conduta que não é delitiva. Um segundo obstáculo são os juízes, também incapazes de julgar com perspectiva de gênero, que dão pleno valor à versão do Ministério Público. Para Araceli, se, por um lado, como no caso de Yakiri, a mulher é acusada de ter se defendido, presumem a culpabilidade e não a inocência dela, do outro, se trata-se do julgamento de um crime cometido contra uma mulher, o qualificam como delito de menor impacto, por exemplo, em vez de tentativa de homicídio, lesões corporais. (Opera Mundi)

15 internacional de 13 a 19 de fevereiro de EUA usam vigilância digital da NSA para ordenar ataques com drones Governo EUA IMPERIALISMO Pela primeira vez é provada ligação entre esquema de ciberespionagem e assassinatos extrajudiciais Felipe Amorim, de São Paulo (SP) OS ESTADOS UNIDOS passaram a adotar o sistema de vigilância eletrônica da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA), exposto pelo informante Edward Snowden, como o principal método de espionagem para a identificação dos alvos dos ataques letais com drones. A revelação foi feita pelos jornalistas Glenn Greenwald e Jeremy Scahill, no lançamento da plataforma de jornalismo investigativo chamada The Intercept, na segunda-feira, 10 de fevereiro. É a primeira vez em que há uma ligação clara entre o abrangente sistema de espionagem digital vazado por Snowden que inclui, entre outros pontos, a coleta de metadados de chamadas telefônicas, controle do tráfego e do conteúdo de grande parte da internet e o acesso a informações armazenadas pelos gigantes da web e o método de assassinatos extrajudiciais praticado pelos EUA por meio de bombardeios com drones ou operações militares da elite dos marines estadunidenses, a exemplo da que matou Osama bin Laden em maio de Sabia-se que a NSA cooperava com outras agências de inteligência dos EUA, mas não de qual jeito. Sabia-se que a NSA cooperava com outras agências de inteligência dos EUA, mas não de qual jeito ber que estão sendo vigiados, emprestam o aparelho para parentes ou amigos, resultando em mortes inocentes. Alguns líderes talibãs, por exemplo, frequentemente distribuíam chips telefônicos aleatoriamente para desviar o foco da inteligência norte-americana: Eles iam a reuniões, pegavam todos os cartões SIM, colocavam numa sacola e misturavam. A cada vez, cada um dos integrantes saía do local com um chip diferente, relata a fonte. Glenn Greenwald é o jornalista que noticiou pela primeira vez, por meio do jornal inglês The Guardian, o esquema de vigilância eletrônica praticado pela NSA Quartel General da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA), em Fort Meade, Maryland na localização do telefone que o alvo supostamente está usando. Como dispensa a confirmação física de um espião local, o sistema não é confiável e pode causar a morte de civis inocentes que acabam não sendo identificados. A fonte da reportagem é, além de documentos do próprio Snowden, um exmilitar e operador de drones da Joint Special Operations Command (JSOC, Comando de Articulação para Operações Especiais, tradução livre), grupo de elite das forças armadas dos EUA, que também já trabalhou com a NSA. Ele diz que a mudança do método para a identificação dos alvos dos ataques com certeza resultou em mais mortes de pessoas inocentes. Segundo a reportagem, o Departamento de Defesa dos EUA está dando menos importância à coleta de informações por meio dos agentes secretos estadunidenses espalhados pelo mundo. Agora, o banco de informações digitais da NSA que contém metadados obtidos a partir do sistema de vigilância dos telefones celulares é vasculhado por uma complexa ferramenta que fornece as coordenadas para o ataque. Os jornalistas argumentam que o método é controverso: ele se baseia apenas Eles iam a reuniões, pegavam todos os cartões SIM, colocavam numa sacola e misturavam. A cada vez, cada um dos integrantes saía do local com um chip diferente Muitas vezes, ataques com drones e operações especiais são autorizadas sem que se saiba quem está por trás do telefone localizado. É como se estivéssemos mirando em um celular. Nós não vamos atrás de pessoas. Vamos atrás dos seus aparelhos na esperança de que a pessoa na outra ponta do míssil seja o bad guy, comenta. The Intercept Glenn Greenwald é o jornalista que noticiou pela primeira vez, por meio do jornal inglês The Guardian, o esquema de vigilância eletrônica praticado pela NSA. Todos os documentos sobre os quais reportou foram vazados pelo ex-analista da agência Edward Snowden. O jornalista independente Jeremy Scahill ficou conhecido por reportar sobre política externa estadunidense no jornal The Nation e no programa Democracy Now!. Tem dois livros publicados. O primeiro, Blackwater: a ascensão do exército mercenário mais poderoso do mundo, lançado em 2008, obteve grande repercussão após denunciar aspectos do fenômeno de privatização das forças armadas norte-americanas, no qual soldados profissionais, mercenários, são terceirizados pelos EUA para desempenhar diversas funções. Seu mais recente lançamento, Dirty Wars: the World Is a Battlefield, transformado em um premiado documentário de mesmo nome, continua a análise da política de defesa da administração Obama, centrando foco no uso dos bombardeios em terras estrangeiras por meio de drones, aviões não-tripulados. (Opera Mundi) Para ele, o problema é que muitos dos alvos dos ataques já entenderam como a NSA trabalha e que depende da geolocalização para identificar as coordenadas. Cientes da tática, muitos usam dezenas de chips nos celulares para confundir o sistema de espionagem. Outros, sem sareprodução Os jornalistas Glenn Greenwald e Jeremy Scahill Snowden utilizou ferramentas de baixo custo para acessar redes de agência Governo EUA Segundo NYT, ex-analista da agência de inteligência atuou de forma pouco sofisticada e facilmente detectável de São Paulo (SP) Para investigações de oficiais da inteligência norte-americana, o ex-analista da Agência de Segurança Nacional (NSA), Edward Snowden, utilizou ferramentas de baixo custo e amplamente disponíveis para acessar um acervo de cerca de dois milhões de documentos confidenciais do país, de acordo com o New York Times. Segundo o jornal, a investigação apresentou resultados impressionantes, tendo em vista que a atuação de Snowden foi pouco sofisticada e deveria de ter sido fácil detectá-la. Além disso, a missão da NSA incluía a proteção dos sistemas informáticos militares e de inteligência mais importantes dos EUA contra possíveis ataques cibernéticos, principalmente contra as elaboradas operações oriundas da China e da Rússia. Snowden teria utilizado web crawler, um programa de rastreamento online que busca, indexa e duplica o conteúdo da web. Não achamos que isto tenha sido trabalho de um indivíduo sentado em uma máquina e baixando este material em sequência, afirmou um oficial da inteligência ao NYT, acrescentando que o processo estava bastante automatizado. Agência não consegue explicar fragilidade do sistema O que as autoridades não conseguem explicar é como a presença de tal software em um sistema de alto nível de segurança não era um óbvio sinal de atividade não autorizada Em entrevistas, os funcionários da NSA se recusaram a revelar que tipo de web crawler Snowden teria usado ou se ele mesmo teria desenvolvido alguns dos softwares. O que as autoridades não conseguem explicar é como a presença de tal software em um sistema de alto nível de segurança não era um óbvio sinal de atividade não autorizada. O ex-analista que atualmente está exilado em Moscou tinha amplo acesso aos documentos da NSA, pois trabalhava como contratista tecnológico da agência no Havaí, ajudando a organizar seus sistemas informáticos em um centro focado na China e na Coreia do Norte. Durante os três anos em que Snowden acumulou documentos confidenciais, ele teria estabelecido diferentes parâmetros para as buscas, incluindo quais temas procuraria e quão fundo ele pesquisaria os links para os documentos e outros dados nas redes internas da NSA. Snowden teria acessado por volta de 1,7 milhões de arquivos. Entre os materiais, estavam as wikis, bancos de dados em que analistas, operadores e outros compartilhavam informações. Contudo, as autoridades da agência insistem que se o ex-analista tivesse trabalhado na sede central da instituição próxima à capital norte-americana - teria sido mais fácil detectá-lo, pois está equipada com sistemas de monitoração que detectam quando alguém acessa ou baixa grandes volumes de documentos. Alguns lugares têm de ser os últimos a ser atualizados, lamentou uma autoridade da agência, justificando que, no caso de Snowden, seu posto no Havaí não era prioridade para ser renovado com medidas de segurança mais modernas. No entanto, os investigadores ainda não chegaram a um consenso se Snowden operava no arquipélago por casualidade ou se ele tinha uma estratégia. Apesar disso, autoridades da agência acreditam que o ex-analista já havia aprendido desde o início de seu trabalho que, embora a organização elaborasse uma enorme barreira eletrônica contra invasores externos, ela tinha uma proteção muito rudimentar para combater seus próprios empregados. (Opera Mundi)

16 16 de 13 a 19 de fevereiro de 2014 internacional Na Bósnia, povo se insurge contra pobreza, desemprego e corrupção PROTESTOS Desta vez, a grande mídia europeia não conseguiu censurar a revolta popular que assombrou as principais cidades da Federação Bósnia-Herzegovina; enfim, uma revolta que faz cair a máscara que a Otan, a União Europeia e, sobretudo, os Estados Unidos tinham colocado nesse protetorado Fotos: Reprodução Achille Lollo de Roma (Itália) A AGÊNCIA OFICIAL italiana (Ansa) resumiu em apenas 18 linhas uma revolta popular que mobilizou cerca de 300 mil manifestantes enfurecidos pela falta de trabalho e por não ter dinheiro para comprar alimentos essenciais, como pão e leite. Uma revolta que se iniciou, no último dia 5, no antigo centro industrial de Tuzla, no norte do país, onde os operários de cinco grandes indústrias (móveis, sabão, sabão em pó, estruturas para escritórios e metalurgia) foram demitidos sumariamente em virtude desses grupos industriais terem declarado bancarrota, depois de uma falaciosa privatização, cujos únicos beneficiários foram os novos oligarcas do protetorado bósnio. De fato, em 14 de dezembro de 1995, após a conclusão da guerra entre as três etnias (croatas, bósnios e sérvio-bósnios), as privatizações foram impostas pelos Estados Unidos e subscritas no Acordo de Dayton, com o objetivo de criar uma formidável economia de mercado na recém- criada Federação Bósnia-Erzegovina, para premiar os bósnios e croatas, respectivamente, 43,7% e 17,3% da população. É necessário lembrar que para obter uma paz duradoura o presidente Clinton determinou que os bósnios e os croatas ocupassem os territórios que haviam sido libertados durante a guerra, enquanto os sérvios-bósnios (31,8%) deviam permanecer apenas no território da República Srpska, que eles haviam proclamado em Por isso, todas as formas de governo deviam ser tripartite e cada etnia ter sua específica autonomia política e territorial. Todas as fases das privatizações são monitoradas por funcionários da UE e por inúmeras ONGs, cujos dirigentes são suntuosamente pagos com contratos assinados com os ministérios da Cooperação de França, Alemanha, Bélgica, Itália e Suécia O Parlamento da União Europeia legitimou o travesso Acordo de Dayton, cuja assinatura final foi dada em Paris. Por isso os banqueiros da Alemanha e da França receberam do Banco Central Europeu a autorização para financiar todos os programas de privatização propostos pela nova classe dirigente croata-bósnia e bósnia, mesmo sabendo que, assim, estavam entregando a Federacija Bosne i Hercegovine (FBiH) ao nepotismo dos novos oligarcas, cujo único objetivo era o rápido enriquecimento. Um processo que ficou sem controle, sobretudo quando o governo da Alemanha garantiu a cobertura financeira da emissão da nova moeda que, como aconteceu na Croácia, se chamou marco-bósnio com valor paritário ao marco da Alemanha e, portanto, da União Europeia. População local observa resultado dos enfrentamentos nas ruas da cidade Policiais protegem prédio de manifestantes em Tuzla, no norte da Bósnia-Herzegovina Revolta no protetorado A Otan mantém na Federacija (FBiH) 70 mil soldados para garantir a paz e controlar severamente os sérvios-bósnios, confinados nos territórios da Srpska e praticamente mantidos à beira do fluxo de capitais que a União Europeia depositou em Sarajevo, nos caixas do governo da Federação Bósnia-Herzegovina. Na Federacija (FBiH), todas as fases das privatizações, bem como as atividades econômicas e administrativas do governo central e das prefeituras, são monitoradas por funcionários da UE e por inúmeras ONGs, cujos dirigentes são suntuosamente pagos com contratos assinados com os ministérios da Cooperação de França, Alemanha, Bélgica, Itália e Suécia. Praticamente, à Federacija (FBiH) foram dadas as melhores oportunidades para se tornar um modelo de Estado com economia liberal, com o objetivo de se esquecer de todas as manipulações que a Otan, os EUA e os países da União Europeia fizeram para transformar a Bósnia no trampolim do projeto de fragmentação da Federação Socialista Iugoslava. Pois, é imperativo lembrar que sem a dramática guerra na Bósnia, o presidente Clinton e seus aliados europeus não podiam legitimar a guerra humanitária contra a Iugoslávia para salvar a minoria muçulmana no Kossovo. Na realidade, depois da guerra todas as promessas de progresso e os projetos de desenvolvimento foram sabiamente utilizados para criar na Bósnia-Herzegovina uma sociedade viciada e vítima do nepotismo bósnio-muçulmano e croata-bósnio que entregou o país aos oligarcas. Uma elite voraz e oportunista que ao longo dos últimos 20 anos provocou um desastre do ponto de vista político e, sobretudo, econômico e financeiro. De fato, os oligarcas e seus protetores europeus e estadunidenses conseguiram in extremis impedir que a Federacija (FBiH) declarasse bancarrota, em 2013, quando explodiu a bebolucija (protesto em favor dos direitos dos recém-nascidos), juntamente às reivindicações dos estudantes à causa do corte das bolsas de estudo. Um movimento de protesto de extrema importância que mostrou aos habitantes da Federacija (FBiH) que a classe política havia praticamente levado o protetorado europeu à beira da falência. Por isso, a única forma para acabar com o embasamento dos oligarcas passava pelo abandono dos condicionalismos do nacionalismo e do racismo étnico, para finalmente reencontrar a solidariedade dos trabalhadores, dos estudantes e do povo em geral. Foi então em Tuzla onde o desemprego havia atingido 44,5% que os protestos dos operários desempregados, no dia 6, se transformaram em revolta popular com os manifestantes que atacaram e incendiaram o prédio da prefeitura. Logo, em Banja Luka, capital da República sérvio-bósnia Srpska, jovens e trabalhadores organizaram manifestações pacíficas para se solidarizar com os trabalhadores de Tuzla e lançar a palavra de ordem: Revolução contra os oligarcas, revolução contra a corrupção, revolução para ter trabalho, pão e direitos. Palavras que inviabilizaram os apelos à calma proferidos pelas múmias do poder, Bakir Izetbegoviv, oligarca bósnio-muçulmano, dono da presidência tripartite, e Valentin Inkzo, Alto Representante da Comunidade Internacional para a transição. Assim e sem nenhuma organização, mas recorrendo apenas à rede, as palavras de ordem que haviam sido lançadas em Tuzla e Banja Luka se espalharam pelo pais acendendo a revolta em Mostar, Kakanj, Br cko, Sanski Most, Prijedor, Gra canica, Biha c, Zavidovi ci e em outras 33 pequenas cidades, para depois atingir em cheio a capital Sarajevo, onde os confrontos com a polícia foram extremamente duros, tanto que entre os 200 feridos hospitalizados, 144 são policiais. Na capital Sarajevo, onde os manifestantes exigiam a demissão do primeiro ministro Nermin Niksic, a revolta durou praticamente três dias e parou somente no domingo quando os manifestantes conseguiram romper o cerco da polícia e atear fogo no palácio do governo e no prédio residencial do presidente bósnio-muçulmano, Bakir Izetbegoviv, que, infelizmente se alastrou até o Arquivo Central, destruindo a ala reservada aos documentos e mapas históricos da época do Império Austro-húngaro. Yankee Go Home? Se em Tuzla, Banja Luka e Mostar a palavra de ordem era Revolução, em Sarajevo os manifestantes não se cansavam de gritar a histórica frase Yankees Go Home. O motivo disso tudo tem a ver com a política dos EUA de não querer deixar a Bósnia-Herzegovina inteiramente nas mãos da União Europeia. De fato, as excelências da Casa Branca encarregadas de salvaguardar o poder e a influência do Império nos Bálcãs, desde a assinatura dos Acordos de Dayton, denunciam a perigosa penetração da Alemanha nessa região, em função de suas ligações culturais, étnicas e sobretudo financeiras e econômicas. Por isso, os EUA exigiram que o Alto Comissário da Comunidade Internacional para a transição na Bósnia fosse Valentim Inkzo, um funcionário austríaco notoriamente ligado aos EUA e monitorado por um vice, Frederick Moore, estadunidense apoiado incondicionalmente pelo representante da Grã-Bretanha no comando local da Forças de Implementação da Paz da Otan. O ódio dos manifestantes para com os EUA, os soldados da Otan e, sobretudo, a repulsa ao Alto Representante Valentim Inkzo deve-se, antes de tudo, a gestão falimentar que os EUA planejaram nesse protetorado, conseguindo destruir a economia e alcançando o recorde europeu no desemprego com uma taxa que chega a 33,2%, dos quais 66% é formado por jovens. As falsas privatizações, as consequentes falências e a destruição da agricultura praticamente acabaram com a economia do país, privilegiando poucos setores da sociedade que vivem em função dos custos da ocupação militar ou administrando o fluxo das importações. Para a maioria dos trabalhadores há quase 12 meses sem salários e sem seguro desemprego, não há alternativas a não ser passar fome ou tentar a sorte com a emigração. A desarticulação da economia é tão elevada e tão absurda que, por exemplo, um abacaxi importado da Costa Rica mas pago com o financiamento dos fundos da União Europeia custa menos do que uma vulgar maçã produzida no interior da Bósnia. Manifestantes lançaram a palavra de ordem: Revolução contra os oligarcas, revolução contra a corrupção, revolução para ter trabalho, pão e direitos. Na capital Sarajevo, os confrontos com a polícia foram extremamente duros, tanto que entre os 200 feridos hospitalizados 144 são policiais Mas a revolta estava no ar. De fato, em dezembro os representantes dos cinco países da União Europeia que deveriam monitorar a transição da Bósnia, nomeadamente França, Alemanha, Bélgica, Suécia e Itália, assinaram um documento chamado No Paper criticando duramente o Alto representante, Valentim Inkzo, e seu vice, o estadunidense Frederick Moore, pelo fato de terem provocado a falência econômica do país e por impedir ou atrasar ainda mais a adesão da Bósnia-Herzegovina à União Europeia. Uma adesão que não pode acontecer com o país cheio de dívidas e uma economia praticamente inexistente e a um passo da bancarrota. Apesar disso tudo, na Casa Branca ninguém está preocupado com o futuro da Bósnia-Herzegovina, visto que até quando a crise econômica e social alimenta a instabilidade nesse protetorado, os soldados da Otan são obrigados a permanecer. Um pormenor que inviabiliza o processo de adesão à União Europeia e é isso que aos EUA interessa mais. Algo que faz lembrar o que disse a embaixadora dos EUA na Conferência de Genebra 2: Dane-se a União Europeia... Achille Lollo é jornalista italiano, correspondente do Brasil de Fato na Itália, editor do programa TV Quadrante Informativo.

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