Aspectos clínicos da genética canina

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1 VETERINARY A revista internacional para o Médic o Veterinário de animais de c ompanhia Aspectos clínicos da genética canina Como abordar... A síndrome gastrintestinal e das vias respiratórias superiores em cães braquicefálicos Predisposição genética para reações adversas a medicamentos no cão Rastreamento genético em cães Interações entre nutrientes e genes: aplicação à nutrição e saúde dos animais de companhia Aspectos genéticos da doença renal canina Do lobo ao cão: diversidade fenotípica observável nas raças caninas

2 A maior biblioteca «on-line» ao serviço do Médico Veterinário, com uma ampla oferta de livros científicos, resumos, manuais, calendário, anúncios classificados, entre outros. Acesso grátis e ilimitado a veterinários, estudantes e técnicos de Medicina Veterinária. Livros de Medicina de Animais de Companhia: Resumos de Medicina de Animais de Companhia: Temos o prazer de anunciar que a Veterinary Focus, revista publicada por Royal Canin, que reúne informação «State-of-the-Art» sobre medicina canina e felina, está disponível em formato eletrônico no website IVIS. C O N H E C I M E N T O E R E S P E I T O

3 SUMÁRIO VETERINARY # $ / 1 0 Eric Isselée Ilustração da capa: Bulldog Inglês A revista internacional para o Médic o Veterinário de animais de c ompanhia A Veterinary Focus é publicada em inglês, francês, alemão, chinês, holandês, italiano, polonês, português, espanhol, japonês, grego e russo. Conhecimento e Respeito... As raças caninas no mundo p. 02 Frank Haymann Como abordar... A síndromegastrintestinale das vias respiratóriassuperiores em cães braquicefálicos p. 04 Valérie Freiche e Cyrill Poncet Predisposição genética para reações adversas a medicamentos no cão p. 11 Margo Karriker Rastreamento genético em cães p. 18 Matthew Binns Interações entre nutrientes e genes: aplicação à nutrição e saúde dos animais de companhia p. 25 Brittany Vester e Kelly Swanson Aspectos genéticos da doença renal canina p. 33 Catherine Layssol, Yann Queau e Hervé Lefebvre Ponto de vista Royal Canin... Raça: um parâmetro fundamental em nutrição canina p. 40 Pascale Pibot Do lobo ao cão: diversidade fenotípica observável nas raças caninas p. 45 Bernard Denis ALEMANHA ARGENTINA AUSTRÁLIA ÁUSTRIA BAHREIN BÉLGICA BRASIL CANADÁ CHINA CHIPRE COREIA CROÁCIA DINAMARCA EMIRADOS ÁRABES UNIDOS ESLOVÉNIA ESPANHA ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA ESTÓNIA FILIPINAS FINLÂNDIA FRANÇA GRÉCIA HOLANDA HONG-KONG HUNGRIA IRLANDA ISLÂNDIA ISRAEL ITÁLIA JAPÃO LETÓNIA LITUÂNIA MALTA MÉXICO NORUEGA NOVA ZELÂNDIA POLÓNIA PORTO RICO PORTUGAL REINO UNIDO REPÚBLICA CHECA REPÚBLICA DA ÁFRICA DO SUL REPÚBLICA ESLOVACA ROMÉNIA RÚSSIA SINGAPURA SUÉCIA SUIÇA TAILÂNDIA TAIWAN TURQUIA CONHECIMENTO E RESPEITO Visite a biblioteca científica para uma selecção de artigos da Veterinary Focus AGRADECIMENTOS: A ROYAL CANIN DO BRASIL AGRADECE O PROF. DR. FERNANDO BRETAS VIANA PELA PRECIOSA CONTRIBUIÇÃO NA REVISÃO DESTA EDIÇÃO DA REVISTA VETERINARY FOCUS. Veterinary Focus, Vol 17 n Consultores Editoriais Drª Denise A. Elliott, BVSc(Hons), PhD, Dipl. ACVIM, Dipl. ACVN Comunicações Científicas, Royal Canin, EUA Drª Pascale Pibot, DVM, Diretora de Publicações Científicas, Royal Canin, França Drª Pauline Devlin, BSc, PhD, Diretora- Assistente Veterinária, Royal Canin, RU Drª Karyl Hurley, BSc, DVM, Dipl. ACVIM, Dipl. ECVIM-CA Assuntos Acadêmicos Globais, WALTHAM Editor Dr. Richard Harvey, PhD, BVSc, DVD, FIBiol, MRCVS Secretário Editorial Laurent Cathalan Ellinor Gunnarsson Ilustração Youri Xerri Tradução (Português) Paula Cortes Revisão editorial para outras línguas : Drª Imke Engelke, DVM (Alemão) Drª María Elena Fernández, DVM (Espanhol) Drª Eva Ramalho, DVM (Português) Drª Paola Oppia, DVM (Italiano) Drª Margriet Bos, DVM (Holandês) Prof. Dr. R. Moraillon, DVM (Francês) Drª Wandréa de S. Mendes, DVM, MSc, DSc (Brasil) Drª Luciana D. de Oliveira, DVM, MSc, DSc (Brasil) Drª Ana Gabriela Valério, DVM (Brasil) Publicado por: Buena Media Plus PCA: Bernardo Gallitelli Endereço: 85, avenue Pierre Grenier Boulogne França Telefone: +33 (0) Impresso na União Europeia ISSN Circulação: 100,000 cópias Depósito legal: Junho 2007 Publicado por Aniwa S. A. S. Impresso no Brasil por: Intergraf As autorizações de comercialização dos agentes terapêuticos para uso em animais de companhia variam muito mundialmente. Na ausência de uma licença específica, deve ser considerada a publicação de um aviso de prevenção adequado, antes da administração de tais fármacos.

4 CONHECIMENTO E RESPEITO As raças caninas no mundo por Frank Haymann istockphoto Australian Stumpy Tail Cattle Dog Aseleção genealógica canina remonta ao final do século XIX e representa, na atualidade, mais de 30 gerações de reprodução seletiva. Em cada ano nascem e são registados mais de 3.5 milhões de cães de raça. Os cães de raça no universo da população canina global Hoje em dia, os cães de raça registrados representam apenas 5 a 6% da população canina mundial (Tabela 1). Atualmente cerca de 100 países se dedicam à criação de cães de raça, mas só 90% dos animais nascidos são registrados, em apenas 25 países. A Federação Cinológica International (FCI) coordena 83 associações nacionais que representam mais de cães registrados anualmente. O Japanese Kennel Club constitui a organização nacional mais significativa, com mais de cães registrados. O American Kennel Club (AKC) é a federação canina mais prolífica no mundo, com um registro anual superior a cães. Diversidade O número de raças reconhecidas não é idêntico entre Federações. O Kennel Club do Reino Unido reconhece 200 raças caninas, mas o pr imeiro lugar em termos de diversidade é ocupado pela FCI, que reconhece 354 raças distintas, a última proveniente da Polônia, denominada Gonzcy Polski. O Pastor Branco Suíço, o Australian Stumpy Tail Cattle Dog e Pastor Romeno Mioritic também pertencem às novas raças reconhecidas. Apesar desta diversidade mais de 50% dos nascimentos resultam de uma única classificação de raças. A Tabela 2 apresenta um destaque dos países mais ativos em reprodução canina. istockphoto Pastor Romeno Mioritic NB O número de cães de raça tem crescido na população canina, que é relativamente estável. As raças pequenas tem evidenciado um aumento significativo de popularidade ao longo da última década. O fenômeno começou na Ásia e difundiu-se 2 / / Veterinary Focus / / Vol 17 No 2 / / 2007

5 por outros continentes, e de forma menos acentuada na Europa. Provavelmente esta tendência relaciona-se com a crescente urbanização da sociedade e irá manter-se. Pastor Branco Suíço istockphoto Tabela 1. População canina e cães de raça no mundo País População canina (milhões) Cães de raça pura (% população total) Em todo o mundo 600 5,8 Alemanha 5,5 18,2 Austrália 4 20 Espanha 5,5 15,5 Finlândia 0,5 80 França 8,5 17,6 Grã Bretanha 6,9 36,2 Índia 50 0,3 Tailândia 10 2 EUA 58 22,4 O prêmio maturidade cinotécnica, os países em que os cães de raça se encontram em maioria em termos da população canina, vai para os países Escandinavos. Tabela 2. As três raças mais populares em cada país País Austrália Áustria Bélgica Brasil Dinamarca Finlândia França Alemanha Grã Bretanha Hungria Itália Japão Noruega Nova Zelândia Holanda Portugal Espanha Suécia Tailândia EUA Raça n 1 Pastor Alemão Pastor Alemão Pastor Alemão Yorkshire Terrier Retriever do Labrador Pastor Finlandês Pastor Alemão Pastor Alemão Retriever do Labrador Retriever do Labrador Pastor Alemão Teckel Pastor Alemão Retriever do Labrador Retriever do Labrador Retriever do Labrador Yorkshire Terrier Pastor Alemão Golden Retriever Retriever do Labrador Raça n 2 Retriever do Labrador Golden Retriever Pastor Belga Retriever do Labrador Pastor Alemão Elkhound Golden Retriever Teckel Pastor Alemão West Highland Terrier Setter Inglês Chihuahua Elkhound Pastor Alemão Pastor Alemão Rottweiler Pastor Alemão Golden Retriever Shih Tzu Golden Retriever Raça n 3 Staffordshire Bull Terrier Retriever do Labrador Golden Retriever Rottweiler Golden Retriever Pastor Alemão Retriever do Labrador Braco Alemão de Pelo Duro Cocker Spaniel Inglês Pastor Alemão Spaniel Bretão Shih Tzu Setter Inglês Golden Retriever Golden Retriever Pastor Alemão Golden Retriever Retriever do Labrador Rottweiler Pastor Alemão Vol 17 No 2 / / 2007 / / Veterinary Focus / / 3

6 COMO ABORDAR... A síndrome gastrintestinal e das vias respiratórias superiores em cães braquicefálicos Surgeons). Atualmente, o Dr. Poncet é um dos sócios da clínica Frégis e especialista em cirurgia de tecidos moles. Valérie Freiche, DVM Clínica Alliance, Bordéus, França Valérie Freiche graduou-se na Escola Nacional de Medicina Veterinária de Alfort - França, em 1988, onde foi interna e assistente no Departamento de Medicina até A Drª Freiche empreendeu a sua própria clínica na região de Paris, e optou por se dedicar à gastrenterologia. Desde 1992, é responsável pelas consultas de gastrenterologia e fibroscopia digestiva na Escola Nacional de Medicina Veterinária de Alfort. Desempenha a mesma função clínica referência, a clínica Frégis, em Arcueil. Em 2006, mudou-se para o sudoeste de França para trabalhar nessa mesma área na clínica Alliance, outra referência. A Drª Valérie Freiche participa regularmente de conferências e cursos de pósgraduação em gastrenterologia. Cyrill Poncet, DVM, Dipl. ECVS Clínica Frégis, Arcueil, França O Dr. Poncet graduou-se na Escola Nacional de Medicina Veterinária de Toulouse, em 1998, onde também especializou-se em cirurgia (2001). Posteriormente, realizou internato em cirurgia, na clínica Frégis, e obteve o diploma europeu de cirurgia (ECVS - European College of Veterinary Introdução Em resultado da seleção genética realizada ao longo dos últimos 15 anos, a morfologia dos cães braquicefálicos (principalmente o Buldogue Francês, o Buldogue Inglês, o Pug ou o Boston Terrier) evoluiu para faces achatadas, amplas e curtas (1) (Figura 1). Além das má-formações vertebrais e da dermatite das pregas cutâneas, esta evolução acentuou um determinado número de desordens funcionais que, muitas vezes, os proprietários desses animais encaram como normais. Podem ser de dois tipos: De tipo respiratório Sons respiratórios acentuados Tolerância reduzida ao esforço ou ao calor Cianose Síncope ou De tipo gastrintestinal Regurgitação de saliva em situações de stress Vômito frequente 4 / / Veterinary Focus / / Vol 17 No 2 / / 2007

7 a. b. Figura 1. a. Buldogue Inglês macho com 18 meses de idade, com problemas respiratórios e regurgitação. b. Buldogue Francês macho com 14 meses de idade, com problemas digestivos crônicos. Note a estenose nasal bilateral. Embora os distúrbios respiratórios tenham sido objeto de inúmeros estudos (2-5), a descrição e a análise dos distúrbios gastrintestinais (GI) crônicos associadas a anomalias respiratórias é mais recente (6,7). Em estudo prospectivo, os autores destacaram a elevada incidência de distúrbios GI em animais apresentados em consulta com obstrução do trato respiratório superior, 97,2% nos 73 animais (na sequência de exame clínico e endoscópico). Foram frequentemente observadas lesões inflamatórias no esôfago distal, no estômago ou no duodeno, podendo estar associadas a anomalias anatômicas ou funcionais (ex.: atonia do cárdia, refluxo gastroesofágico, retenção gástrica, hiperplasia da mucosa pilórica ou estenose pilórica) (8). O exame histológico conduzido em 51 destes animais revelou 98% de casos de gastrite crônica. Foi estabelecida correlação estatística entre a gravidade dos sintomas clínicos gastrintestinais e respiratórios, evidenciando abordagem patofisiológica comum validada do ponto de vista estatístico. Realizou-se, posteriormente, estudo retrospectivo destes animais (7): através de exame e tratamento médico sistemático das lesões esofágicas, gástricas e duodenais, paralelamente a cirurgia corretiva do trato respiratório superior. Objetivos do estudo: Avaliar, a médio prazo, as melhorias respiratórias nos cães. Avaliar a evolução dos distúrbios gastrintestinais após intervenção cirúrgica para os problemas respiratórios. Avaliar a utilidade de monitorização precoce dos distúrbios GI e se o tratamento dos sintomas clínicos proporcionava melhores prognósticos em cães braquicefálicos. Este artigo apresenta uma síntese de recentes estudos sobre o diagnóstico e o tratamento médico dos distúrbios do trato digestivo superior em cães braquicefálicos. Avaliação clínica Quando o motivo da consulta for dificuldade respiratória, intolerância ao esforço (ou calor) ou síncope, o histórico pode revelar a existência de distúrbios GI digestivos associados. Geralmente a consulta inicial é realizada ao primeiro episódio de dispnéia, desencadeado por uma situação de estresse ou calor. Normalmente, os relatos dos proprietários descrevem intolerância ao esforço por várias semanas ou meses anteriores à consulta. Estes distúrbios respiratórios são de natureza inspiratória ou mista. Além disso, os sintomas GI estão frequentemente associados e incluem refluxo, ingestão frequente de grama, emese em caso de excitação ou brincadeiras, regurgitação de saliva ou vômito de alimento parcialmente digerido após prolongado intervalo de tempo seguinte às refeições. Silmultaneamente, quando distúrbios GI são o Vol 17 No 2 / / 2007 / / Veterinary Focus / / 5

8 COMO ABORDAR... motivo da consulta, é possível identificar desordens respiratórias associadas. Cinco sinais fundamentais para avaliar a gravidade dos distúrbios respiratórios são: Ronco Esforço inspiratório Dispnéia Intolerância ao esforço ou ao estresse Síncope Três sintomas clínicos GI: Ptialismo Regurgitação Vômito A intensidade dos sinais clínicos pode ser classificada como segue: 1. mínimos, 2. moderados e 3. acentuados. No estudo prospectivo realizado (6), apenas 6,6% dos 73 animais não evidenciaram sintomas de distúrbios GI independentemente da razão da consulta (desordens digestivas ou respiratórias constatadas pelos proprietários). 82% dos indivíduos foram classificados nos níveis 2 ou 3. Os primeiros sinais digestivos ou respiratórios manifestaram-se antes dos seis meses em 67,2% dos casos. Na prática, uma vez confirmada síndrome obstrutiva do trato respiratório no decurso do exame clínico é aconselhável efetuar exame endoscópico (sob anestesia geral) do trato respiratório superior e gastrintestinal, para avaliar as lesões em ambos os sistemas. A cirurgia corretiva do trato respiratório superior (se indicada), é realizada sob a mesma anestesia. A radiografia do tórax está preconizada sempre que o exame pulmonar revelar anomalia ou quando a anamnese descrever tosse intensa ou Freiche Figura 2. Endoscopia esofágica: o esôfago possui um comprimento excessivo e não linear. episódios de dispnéia severa. No Buldogue Inglês é frequentemente constatada a presença de hipoplasia traqueal, o que agrava os distúrbios respiratórios crônicos nestes cães (9,10). Achados endoscópicos A anestesia de cães braquicefálicos requer atenção minuciosa e elevado nível de cuidados durante o tratamento. Dieta líquida nas 24 horas anteriores à anestesia geral Pré-medicação com acepromazina (0,5mg/kg IM), dexametasona (0,2mg/kg IM) e metoclopramida (0,5mg/kg IM) Indução rápida da anestesia geral (tiopental 5-10 mg/kg) Entubação do animal e manutenção da anestesia com isoflurano misturado com 100% de oxigênio (11). A primeira fase do exame é realizada com o animal em posição ventral, para facilitar o diagnóstico das desordens respiratórias: Aspecto das narinas Alongamento e hiperplasia do palato mole Aspecto das amígdalas Eversão dos ventrículos da laringe Flacidez da cartilagem aritenóideia da laringe Macroglossia (obstrução parcial ou total da faringe nasal pela base da língua) Redução de movimentos temporomandibulares Na segunda fase, em decúbito lateral esquerdo, podem ser diagnosticadas as principais lesões GI, distinguindo-se três tipos de anomalias em cada segmento digestivo (esôfago, estômago, duodeno superior): Anomalias anatômicas: má-formações congênitas ou lesões adquiridas no trato GI superior (desvio esofágico, estenose pilórica, hérnia de hiato, etc.) (12) Anomalias funcionais decorrentes de alterações no trânsito GI (atonia do cárdia, refluxo duodenogástrico, etc.) Anomalias lesionais: lesões inflamatórias geralmente secundárias às duas anomalias acima descritas (esofagite, gastrite, etc.) (13) O exame deverá incidir particularmente sobre os seguintes segmentos do trato digestivo superior e 6 / / Veterinary Focus / / Vol 17 No 2 / / 2007

9 A SÍNDROME GASTRINTESTINAL E DAS VIAS RESPIRATÓRIAS SUPERIORES EM CÃES BRAQUICEFÁLICOS sob seguintes aspectos: Comprimento do esôfago (Figura 2) Aspecto do esôfago distal e avaliação do cárdia Aspecto da mucosa gástrica Aspecto do antro pilórico e das pregas peripilóricas Facilidade da passagem de endoscópio Aspecto da mucosa duodenal Biópsias do estômago e do duodeno devem ser realizadas para determinar a intensidade do infiltrado inflamatório, ao final do exame histológico. Intervenção cirúrgica e recuperação pós-operatória As anomalias respiratórias identificadas são corrigidas por cirurgia após endoscopia. Estas anomalias podem incluir: Palatoplastia (14) Ventriculectomia Rinoplastia por excisão em cunha de uma seção do epitélio e da prega medial da cartilagem nasal inferior (15) Em cães braquicefálicos, a recuperação pós operatória é bastante delicada e comporta riscos potenciais. Portanto, deverá decorrer com o mínimo de estímulos sonoros e luminosos. O tubo endotraqueal deve ser removido o mais tarde possível, preferencialmente quando o animal estiver prestes a conseguir erguer-se. A ocorrência de dificuldades respiratórias acentuadas durante a fase pós-operatória podem requerer uma traqueostomia temporária (4,9% dos casos no estudo prospectivo) (16). O animal deve ser mantido sob vigilância constante, no mínimo durante as 18 horas seguintes à intervenção cirúrgica. A monitorização durante a recuperação pode incluir: oxigenoterapia através de entubação nasotraqueal, fisioterapia adequada para favorecer a mobilização do muco respiratório espessado (massagens repetidas e movimentos de percussão na caixa torácica) e aspiração de algum flegmão. O tratamento médico inclui dexametasona (0,2mg/kg IM) e metoclopramida (0,3mg/kg IM) 4 horas após a pré medicação. Se a fase pós operatória for satisfatória, administra-se progressivamente ao paciente pequenas porções de alimento semi líquido. Não se verificando quaisquer complicações, o animal recebe alta 24 horas após a admissão. O tratamento cirúrgico, quando necessário, das anomalias digestivas detectadas durante a gastroscopia (hérnia do hiato ou estenose pilórica) nunca é efetuado simultaneamente a correção das anomalias respiratórias. Deverá ser adiado por várias semanas, estabelecendo-se entretanto uma terapia provisória com medicamentos. Patologia macroscópica do trato GI e resultados histopatológicos A endoscopia do trato GI pode revelar uma ou muitas das diversas anomalias identificadas durante o estudo prospectivo conduzido em 73 cães braquicefálicos (6): Esôfago 1. Desvio esofágico: anomalia relatada em estudo efetuado em Bulldogs Ingleses (17). Este desvio provoca a retenção de saliva e resíduos de alimentos, e pode explicar a salivação em animais em situações de excitação. 2. Lesões inflamatórias e erosão distal podem ser associadas a um comprimento excessivo do esôfago (esôfago redundante) e/ou à incontinência do cárdia (abertura do cárdia durante a inalação, fenômeno que nunca obser vado em outras raças durante a endoscopia) (Figura 3). Figura 3. Endoscopia esofágica: a atonia do cárdia é uma característica dos cães braquicefálicos. São observáveis sinais de esofagite distal secundária e presença de refluxo ácido crônico. Freiche Figura 4. Gastroscopia: espessamento das dobras gástricas e presença de pontos eritematosos indicando desenvolvimento de um tipo de gastrite folicular, comum em cães braquicefálicos. Vol 17 No 2 / / 2007 / / Veterinary Focus / / 7

10 COMO ABORDAR... Freiche Figura 5. Gastroscopia de um Bulldog Francês de 2 anos, apresentado à consulta devido a vômito frequente. A região em redor do piloro evidencia um espessamento anômalo e um diâmetro muito reduzido. Figura 6. Duodenoscopia que destaca a presença de uma duodenite não específica ativa. A mucosa apresenta aspecto espessado. Estômago 1. Presença de gastrite, frequentemente folicular: observa-se macroscopicamente pontilhado eritematoso múltiplo, visível no corpo gástrico mas também na zona antral de forma mais acentuada (Figura 4). 2. O piloro apresenta-se rodeado por pregas excessivas da mucosa, o que pode dificultar a passagem do endoscópio até o duodeno proximal. Em alguns casos, embora o animal tenha sido submetido a jejum pré operatório, o estômago encontra-se repleto de suco gástrico ou alimentos não digeridos, absorvidos até 18 horas. Previamente estas últimas observações indicam a presença de síndrome de retenção gástrica, provavelmente decorrente de razões funcionais ou anatômicas (Figura 5). 3. Em 7 animais do estudo anterior, não foi possível proceder à exploração do duodeno durante o procedimento endoscópico, devido a estenose pilórica ser tão grave que impediu a passagem do instrumento. A obstrução era provocada usualmente por pregas hiperplásicas da mucosa, em contraste com o que se verifica em situações de estenose pilórica real, em que a hipertrofia muscular constitui a principal causa da redução da abertura do piloro. Duodeno Foi observada a presença de duodenite em 44% dos animais examinados no estudo prospectivo (39,5% dos animais examinados no estudo retrospectivo). Macroscopicamente, observa-se uma coloração heterogênea, aumento da granulação da mucosa e aspecto eritematoso no duodeno proximal, com placas de Payer bastante visíveis e, por vezes, descoloridas (Figura 6). Em estudo prospectivo, realizado em 51 animais, o exame histopatológico do estômago revelou gastrites crônicas difusas em 50 amostras (98%), com lesões de baixa intensidade em 13 casos (25,5%), lesões moderadas em 25 casos (49%) e graves em 12 casos (23,5%). Realizaram-se biópsias duodenais em 43 animais. A principal lesão observada foi a linfoplasmocitose, que afetou 42 animais (97,7%). As lesões foram de baixa itensidade em 13 casos (30,9%), moderadas em 23 casos (54,8%) e graves em 6 casos (14,3%). Tratamento e acompanhamento clínico Adotou-se terapêutica padrão inicial diante da detecção de lesões inflamatórias gastrintestinais durante a endoscopia, basicamente: anti-ácido: normalmente inibidor da bomba de prótons, omeprazol (0,7mg/kg/dia, em dose única diária). agente procinético : cisaprida (0,2mg/kg, 3 vezes ao dia) ou metoclopramida (0,5mg/kg, 2 vezes ao dia, com monitorização da tolerância ao fármaco) Após obtenção dos resultados histológicos, o tratamento pode ser adaptado individualmente. O tratamento pode ser estendido por maior período, com redução gradual. Outra possibilidade é a substituição por outro tratamento mais específico, como nos casos: Gastrite severa e/ou duodenite com fibrose parietal: tratamento para 3 meses 8 / / Veterinary Focus / / Vol 17 No 2 / / 2007

11 A SÍNDROME GASTRINTESTINAL E DAS VIAS RESPIRATÓRIAS SUPERIORES EM CÃES BRAQUICEFÁLICOS inibidor da bomba de prótons (omeprazol: 0,7mg/kg/dia, 1 vez por dia) procinético tratamento tópico local com solução à base de fosfato de aluminio prednisolona (0,5mg/kg/dia, 2 vezes por dia, com redução gradual das quantidades) Gastrite moderada a severa, sem fibrose e/ou duodenite acentuada: tratamento para 3 meses Idêntico ao tratamento para gastrite severa, mas sem corticosteróides Esofagite distal: terapia para 15 dias, seguida pelo tratamento da gastrite associada procinético inibidor da bomba de prótons sucralfato (1g por dia, por via oral 2 vezes por dia, em jejum) sais de magnésio (1mL/kg, 3 vezes por dia, após as refeições) fosfato de alumínio: 1mL/kg, 3 vezes por dia, por via oral, fora do período das refeições) É aconselhável realizar uma endoscopia de rotina após 6 meses ou menos, caso não se observe melhoria. Também se preconizam algumas medidas dietéticas: controle da quantidade, alimentos hiperdigeríveis ou hipoalergênicos para casos específicos. Acompanhamento clínico e avaliação a curto prazo Foi possível realizar o acompanhamento dos animais em 51 dos 61 casos (83,6%). Em relação aos distúrbios respiratórios: é esperada melhoria dos sinais clínicos em 90% dos animais nas semanas posteriores à cirurgia. Melhorias imediatas foram observadas em 60% dos cães. Em relação aos distúrbios digestivos: melhorias em cerca de 80% são esperadas como resultado à medicação, Foram observadas aproximadamente de 60% dos cães com melhorias no período de 15 dias. Acompanhamento clínico e avaliação a longo prazo Após um período mínimo de acompanhamento de 6 meses, as melhorias dos distúrbios respiratórios abordados no estudo foram consideradas excelentes em 34 casos (66,7%), boas em 11 (21,6%) e inexistentes em 2 (3,9%). Deteriorações foram evidenciadas em 4 casos (7,8%). Em relação aos sintomas GI, dos 47 casos com sinais clínicos de distúrbios digestivos na fase de admissão, as melhorias foram classificadas excelentes em 34 (72,3%), boas em 9 (19,1%) e inexistentes em 2 casos (4,3%). Deteriorações foram evidenciadas em 2 casos (4,3%). Os 4 casos sem sinais de distúrbios gástricos antes da intervenção, também não evidenciaram desordens durante o período de acompanhamento. Nos estudos retrospectivos realizados, foi observada melhoria significativa dos distúrbios digestivos com o protocolo terapêutico e cirúrgico estabelecido, graças ao qual mais de 80% dos animais apresentaram poucas ou nenhuma desordem GI após o período de acompanhamento. As melhorias foram rápidas e duradouras. Os resultados confirmam as hipóteses estabelecidas durante o estudo prospectivo (6), segundo as quais existem interações estreitas entre a sintomatologia dos distúrbios respiratórios e dos distúrbios digestivos; e que o tratamento cirúrgico do trato respiratório superior contribui de forma considerável para a melhoria digestiva em cães braquicefálicos. Esta hipótese é reforçada pelo fato de também se observarem melhorias digestivas em animais não submetidos a qualquer tratamento terapêutico durante o período pós operatório. Adicionalmente, em geral, não foram observadas recorrências dos distúrbios digestivos com a interrupção do tratamento. Melhoria macroscópica e microscópica das lesões digestivas Foi observada melhora das lesões inflamatórias do trato digestivo superior macroscópico, e microscopicomente. Dos 10 casos em que foi possível a realização de endoscopia GI, todos demonstraram melhorias ou desaparecimento macroscópico das lesões inflamatórias do trato digestivo, mesmo nos animais em que a princípio Vol 17 No 2 / / 2007 / / Veterinary Focus / / 9

12 A SÍNDROME GASTRINTESTINAL E DAS VIAS RESPIRATÓRIAS SUPERIORES EM CÃES BRAQUICEFÁLICOS observou-se recorrência ou persistência dos distúrbios digestivos. Apesar de serem ainda visíveis má formações, a correção cirúrgica do trato respiratório superior e a aplicação de tratamento durante as primeiras semanas do período pós operatório permitiram reduzir ou eliminar as desordens funcionais do trato digestivo. Complicações pós-operatórias As principais complicações descritas foram vômito e pneumonia por aspiração (4,5,15). Outro estudo (5) relatou 10/118 casos de pneumonia por aspiração (8,5%) diagnosticados no período pósoperatório, com 6 (5%) óbitos, no intervalo de 36 horas após a cirurgia. Um período mínimo de 24 horas de jejum antes da cirurgia, uma pré medicação adequada, bem como a vigilância de quaisquer desordens digestivas concorrentes, limitam as complicações pós operatórias. Tratam-se de recomendações citadas na literatura em diversas ocasiões. No presente estudo não foram observados casos de pneumonia por aspiração durante o período pósoperatório. Ao nosso ver, o tratamento sistemático das desordens digestivas pode ajudar a reduzir estas complicações, frequentemente fatais, durante o período pós operatório. Conclusão Estes dados demonstram que a anamnese clínica dos cães braquicefálicos deve incluir abordagem global dos distúrbios respiratórios, bem como dos distúrbios do trato digestivo superior (movimentos de mastigação, ptialismo, vômitos ou regurgitação), ainda que não se constituam reclamações do proprietário. Atualmente, já é um fato comprovado que a correção cirúrgica precoce dos distúrbios respiratórios produz melhorias rápidas nos distúrbios digestivos. O tratamento de suporte das anomalias digestivas também melhora a sintomatologia respiratória dos animais em fase pós operatória. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Chaudieu G, Denis B. Génétique des races brachycéphales. Prat Med Chir Comp 1999; 5: Amis TC, Kurpershoek C. Pattern of breathing in brachycephalic dogs. Am J Vet Res 1986; 47: Bjorling D, McAnulty J, Swainson S. Surgically treatable upper respiratory disorders. Vet Clin North Small Anim Pract 2000; 30: Ducarouge B. Le syndrome obstructif des voies respiratoires supérieures chez les chiens brachycéphales. Etude clinique à propos de 27 cas. Thèse de Doctorat Vétérinaire. Lyon. 142 pages Lorinson D, Bright RM, White RAS. Brachycephalic airway obstruction syndrome. A review of 118 case. Canine Practice 1997; 22: Poncet CM, Dupré GP, Freiche VG, et al. Prevalence of gastro-intestinal tract lesions in brachycephalic dogs with upper respiratory syndrome. J Small Anim Pract (6): Poncet CM, Dupré GP, Freiche VG, et al. Long-term results of upper respiratory syndrome surgery and gastrointestinal tract medical treatment in 51 brachycephalic dogs. J Small Anim Pract 2006; 47(3): Bellenger CR, Maddison JE, MacPherson GC, et al. Chronic hypertrophic pyloric gastropathy in 14 dogs. Aust Vet J 1990; 67: Bedford PG. Tracheal hypoplasia in the English Bulldog. Vet Rec 1982; 111: Coyne BE, Fingland RB. Hypoplasia of the trachea in dogs: 103 cases ( ). J Am Vet Med Assoc 1992; 201: Galatos AD, Ratpopoulos D. Gastro-oesophageal reflux during anesthesia in the dog: the effect of post-operative fasting and premedication. Vet Rec 1995; 137: Leib MS, Saunders GK, Moon ML, et al. Endoscopic diagnosis of chronic hypertrophic pyloric gastropathy in dogs. J Vet Intern Med 1993; 7: Guilford WG, Strombeck DR. Chronic gastric disease. In Strombeck s Small Animall Gastroenterology. Edition WB. Saunders. Philadelphia 1996; 3: Harvey CE. Upper airway obstruction surgery: soft palate resection in brachycephalic dogs. J Am Anim Assoc 1992; 18: Harvey CE. Upper airway obstruction surgery: stenotic nares surgery in brachycephalic dogs. J Am Anim Hosp Assoc 1982; 18: Hedlund CS. Tracheostomy. Probl. Vet Med 1991; 3: Woods CB, Rawlings C, Barber D. Esophageal deviation in four English Bulldogs. J Am Vet Med Assoc 1978; 172: / / Veterinary Focus / / Vol 17 No 2 / / 2007

13 Predisposição genética para reações adversas a medicamentos no cão PONTOS-CHAVE Crescem as evidências de existência de uma ligação genética entre as características fenotípicas dos cães e as reações adversas a medicamentos. Margo Karriker, PharmD Programa de Nutrição Clínica WALTHAM UCVMC-SD, Centro de Medicina Veterinária da Universidade da Califórnia, San Diego, USA A Dr a Karriker doutorou-se na Faculdade de Farmácia da Universidade da Carolina do Norte, Chapel Hill, em Em 2005 concluiu residência em Farmácia Clínica Veterinária, no Hospital Universitário da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade da Califórnia, Davis, ano em que também passou a exercer o cargo de Especialista WALTHAM, em Farmácia Clínica, no Programa de Nutrição Clínica WALTHAM UCVMC-SD, em San Diego. A Dr a Karriker faz parte do corpo clínico da Faculdade de Farmácia da UC Skaggs San Diego e é farmacêutica de uma equipe federal de Assistência Médica Veterinária. Introdução A farmacoterapia tem como objetivo a maximização do efeito terapêutico e, por outro lado, minimizar as reações adversas e interações medicamentosas, o que não é simples. Pacientes complexos, processos patológicos variáveis e medicações elaboradas complicam a maioria dos cenários clínicos. Muitas vezes, nem todo o cuidado do mundo é suficiente para conseguir prever, evitar e gerir reações adversas aos medicamentos. Há muito tempo se observam relações de reações medicamentosas, com a raça, a idade, a influência As áreas da farmacogenética e da farmacogenômica expandem rapidamente a perspectiva de aplicação clínica dos dados genéticos para favorecer a prevenção de reações adversas, prever o comportamento dos fármacos e identificar novos objetivos farmacológicos para a investigação. A mutação de deleção de genes multirresistentes a fármacos (MDR), que induz a alteração da expressão da glicoproteína-p e do comportamento dos medicamentos em Collies e raças aparentadas, constitui uma das variações genéticas mais amplamente estudadas, observadas em cães. Os avanços da farmacogenética e sua aplicabilidade clínica terão um impacto considerável nas decisões clínicas do futuro. ambiental e outros fatores. Entretamto nunca foi possível mapear geneticamente esses eventos ou associá-las, de forma inequívoca, a ponto do genoma. Nos últimos anos, os estudos têm-se focado sobretudo na base genética das interações farmacocinéticas (absorção, distribuição, metabolismo, excreção) e farmacodinâmicas (interações medicamentosas com alvos, tais como os receptores e os transmissores) dos fármacos no organismo. Esta área de investigação foi denominada farmaco- Vol 17 No 2 / / 2007 / / Veterinary Focus / / 11

14 genética, elaborada para facilitar a compreensão da variação genética nas populações, para assim prever a reação de um indivíduo à farmacoterapia. Também pressupõe a capacidade de prever, efetiva e eficientemente, resultados seguros em quase todos os pacientes, pois aborda alvos específicos da terapia medicamentosa. Considerando que o projeto do genoma humano já está concluído e o interesse constante no mapeamento do perfil genético de outras espécies, os dados farmacogenéticos e, por consequência, os indicadores clínicos da resposta medicamentosa, passarão provavelmente a desempenhar um papel mais habitual na prática veterinária. À medida em que o cenário clínico evolui para um tratamento contínuo de doenças complexas, manejo de doenças crônicas e diagnóstico menos comuns, a capacidade de prever a interação do paciente com a medicação prescrita (e talvez a probabilidade de sucesso clínico) poderá revelar-se componente valioso da abordagem terapêutica. Atualmente, os dados clínicos e circunstanciais, que permitam relacionar as características das raças ou populações passíveis de predispor os animais para reações adversas aos fármacos, são ainda bastante escassos. Há relativamente pouco tempo, os conhecimentos baseavam-se em elementos fenotípicos, ou seja, na sua expressão visível, como a pelagem e a cor dos olhos. A abordagem farmacogenética às reações medicamentosas adversas proporcionará uma farmacoterapia única para cada paciente e a elaboração de terapêutica individualizada (1). Sabe-se atualmente que uma população de animais aparentemente similares pode evidenciar diversidade de reações clínicas a uma terapia idêntica. Esta resposta clínica variável, pode ser devido a componentes genéticos, mas graças aos conhecimentos farmacogenéticos teremos a oportunidade de alterar a abordagem em tempo real. Através de (screening tests) especificamente Tabela 1. Exemplos de variações hereditárias ou adquiridas em enzimas, receptores e transportadores de fármacos considerados clinicamente relevantes em Medicina Humana (2) Enzima Variações fenotípicas Fármaco afetado Alteração de resposta Pseudocolinesterase plasmática Hidrólise éster, lenta Succinilcolina Apnéia prolongada Tiopurina metiltransferase Fracos metiladores de TPMT 6-Mercaptopurina Toxicidade da medula óssea (TPMT) 6-Tioguanina Lesões hepáticas Azatioprina Aldeído desidrogenase Metabolizadores rápidos, Etanol Lenta: ruborização facial lentos Rápida: proteção contra a cirrose hepática Catecol-O-metiltransferase Metiladores elevados, Levodopa Resposta aumentada reduzidos Metildopa ou reduzida CYP 2D6 Ultra rápida Debrisoquina Ultra rápida: resistência ao Extensiva Nortriptilina fármaco Metabolizadores fracos Dextrometorfano Extensiva: câncer de pulmão Fraca: toxicidade aumentada CYP 2C9 Metabolizadores fracos Tolbutamida, S-varfarina, Resposta aumentada fenitoína, agentes anti- ou toxicidade inflamatórios não esteróides CYP 2C19 Hidroxiladores fracos, Omeprazol Fraca: toxicidade aumentada, extensivos eficácia reduzida Transportadores Transportador multirresistente Sobreexpressão Muitos - Ver Tabela 2 Resistência ao fármaco a fármacos (MDR-1) Receptores B2 Adrenoreceptor Regulação descendente Albuterol Baixo controle da asma do receptor 5-HT2A receptor serotonérgico Polimorfismos múltiplos Clozapina Eficácia variável do fármaco HER2 Sobre expressão (câncer de mama) Trastuzumabe Eficácia variável do fármaco 12 / / Veterinary Focus / / Vol 17 No 2 / / 2007

15 PREDISPOSIÇÃO GENÉTICA PARA REAÇÕES ADVERSAS A MEDICAMENTOS NO CÃO direcionados, será possível pré-identificar animais com expressão alterada da proteína ou a sequência genética responsável por reações adversas, associadas a um medicamento específico ou a uma categoria de fármacos. Munidos das ferramentas proporcionadas pela farmacogenética, torna-se possível evitar ou alterar essas reações modificando nossas escolhas de fármacos. Evolução atual da farmacogenética No passado, julgava-se que o fato de os organismos possuírem a capacidade de se adaptarem às influências exercidas por fatores ambientais ou terapêuticos baseava-se na hereditariedade. No início do século XX, os estudos conduzidos por diversos investigadores provaram a existência da ligação entre os processos bioquímicos que controlam o metabolismo dos fármacos e a genética (2). Snyder publicou, em 1932, um dos primeiros trabalhos sobre uma resposta a um produto químico estranho. Com base em trabalhos anteriores de Fox, Blakeslee e Salmon, a insensibilidade gustativa à feniltiocarbamida (PTC) foi descrita e associada a características autossômicas no ser humano (3). Posteriormente, durante a Segunda Guerra Mundial, Archibald Garrod detectou uma relação entre o desenvolvimento de uma reação de hemólise à primiquina e os soldados afro-americanos. A investigação demonstrou que a hemólise resultava de uma deficiência genética em glicose-6-fosfato-desidrogenase (G-6-PD) (4). Com o passar do tempo, as observações de succinilcolina, isonizida e debrisoquina ajudaram a associar as reações individuais dos pacientes a um padrão genético. Os primeiros trabalhos e estudos de casos lançaram as bases para a farmacogenética moderna. Desde esses avanços iniciais, a tecnologia contemporânea favoreceu uma progressão acentuada do estudo da farmacogenética. Atualmente, a atenção centra-se tanto na farmacogenética (a colaboração entre a bioquímica e a farmacologia, para correlacionar marcadores fenotípicos a ligações genéticas específicas) como na farmacogenômica. A farmaco-genômica difere da farmacogenética quanto à abran-gência do seu âmbito. Recorrendo à tecnologia avançada, como a sequenciação do DNA em larga escala, o mapeamento dos genes e a bioinformática, as pesquisas podem centrar-se em variáveis interpaciente, de modo a prever diferenças no comportamento e resposta as drogas. A abordagem genômica permitirá estudar a base da resposta aos medicamentosa, prever respostas, identificar novos objetivos farmacológicos e individualizar a terapia, de forma a reduzir o custo dos fármacos e, evitar efeitos indesejáveis. Várias descobertas farmacogenéticas recentes tiveram sua relevância clínica comprovada em pacientes veterinários. A população canina, caracterizada por uma variabilidade racial rastreável, intensivos programas de reprodução consanguíneas e intervalos entre gerações reduzidos constitui modelo ideal para exploração da genética populacional e bastante realista para investigações sobre a ligação genética a repostas farmacológicas específicas. Diversos trabalhos em farmacogenética têm sido realizados na medicina humana e veterinária (2,5). Este artigo resume os mais relevantes indicadores genéticos das reações adversas aos medicamentos já descritos no cão. Mutação multirresistente a fármacos (MDR-1) e glicoproteína-p Vários trabalhos e relatórios de casos clínicos descrevem relação entre algumas raças de cães pastores e ocorrência de reações adversas a anti-parasitários e outros fármacos. As avermectinas constituem uma classe de medicamentos amplamente utilizada em Medicina Veterinária para o tratamento de parasitas internos e externos. Um composto específico dessa classe, a ivermectina, paralisa os organismos invertebrados através da ativação do GABA (ácido gama-aminobutírico) ou do bloqueio dos canais de cloro controlados por glutamato, existentes no sistema nervoso periférico. Geralmente, os mamíferos evidenciam uma expressão GABA no sistema nervoso central, protegida pela barreira hematoencefálica, que pode ser afetada pelo uso de ivermectina. Do ponto de vista clínico, observa-se maior sensibilidade em Collies (Figura 1) e raças próximas aos efeitos das ivermectinas no sistema nervoso central (SNC), que apresentam como sinais clínicos de intoxicação tremores, hipersalivação, coma, depressão e ataxia. Descreveu-se primeiramente nos anos 80, que doses bastante reduzidas (1/100-1/200 da dosagem padrão) provocavam esse tipo de reações adversas graves e profundas em alguns, mas não todos, Collies e raças próximas. Explorando diversas possibilidades, como alterações nas ligações com proteínas, Vol 17 No 2 / / 2007 / / Veterinary Focus / / 13

16 verificou-se que Collies com reações adversas apresentavam concentrações de ivermectina no cérebro mais elevadas que Collies não sensíveis. Foi demonstrado que a base desta observação está associada a uma mutação de deleção na sequência genética MDR-1 (Multi Drug Resistance 1), que dá origem a uma série de codóns de terminação prematuras, cuja expressão impede a formação de cerca de 90% da sequência de aminoácidos da glicoproteína-p resultante (6). Originalmente identificada em meados dos anos 70, a glicoproteína-p é uma proteína de membrana glicosilada, com 170 kda, que confere uma resistência intrínseca a uma ampla variedade de fármacos, exportando estas substância para fora do organismo. A expressão da glicoproteínap é observável em diversos tecidos, incluindo no cérebro, onde ajuda a preservar a integridade da barreira hematoencefálica. No intestino, esta proteína localiza-se na zona apical das microvilosidades dos enterócitos, onde limita a absorção e biodisponibilidade de substratos. Na superfície das células tumorais, induz multirresis-tência a fármacos; e a sua presença nos túbulos renais proximais acelera a secreção de substratos na urina (7). O papel da glicoproteína-p na barreira hematoencefálica foi originalmente demonstrado no gene MDR-1 de ratos knockout. Estudos efetuados com ivermectina revelaram que, comparativamente às estirpes selvagens, a população knockout era 50 a 100 vezes mais sensível a efeitos neurológicos. O fato de se demonstrar que a ivermectina constitui um substrato para a glicoproteína-p tornou evidente a relação entre a ausência desta proteína e as reações adversas documentadas (8). A consequência das Figura 1. Collie Americano Padrão alterações na expressão desta proteína tem grande relevância clínica, uma vez que se caracteriza por ampla expressão tecidular e relativa falta de especificidade do substrato. A distribuição da mutação MDR-1 já foi descrita na população canina. Relatou-se que cerca de 75% dos Collie existentes nos EUA, França e Austrália possuem um alelo mutante para a expressão da glicoproteína-p alterada. Suspeita-se que as raças afetadas possuam linhagens semelhantes que incluam outras raças de cães pastores, como o Old English Sheepdog, o Pastor Australiano, o Pastor de Sheltland, o Pastor Inglês, o Border Collie, o Pastor Alemão, o Whippet de pêlo comprido e o Silken Windhound. Até o presente momento, relatos de casos em outras raças não relacionadas são menos comuns. Diversos fármacos relevantes em medicina veterinária demonstraram ser substratos da glicoproteína-p (Tabela 2). Durante a absorção do fármaco, a glicoproteína-p pode reduzir significativamente a biodisponibilidade oral dos seus substratos. Tal como observado no MDR-1 de ratos knockout, a biodisponibilidade do substrato da glicoproteína-p é consideravelmente superior que nas estirpes selvagens. As investigações realizadas com base neste processo demonstraram que a biodisponibilidade oral do docetaxel, um substrato, aumentava quase 20 vezes quando associado a um inibidor de glicoproteína-p. Durante a distribuição dos fármacos pelo organismo, o papel da glicoproteína-p volta a ter influência. No caso de substratos passíveis de desencadear reações adversas mediante o acesso ao sistema nervoso central, aos testículos ou à placenta, as raças que apresentem uma mutação de deleção MDR-1 terão maior probabilidade de se intoxicar, mesmo em baixas doses. Geralmente, os animais heterozigóticos para a deleção não evidenciam reações com uma única dose. No entanto, com doses elevadas ou crônicas poderá produzir-se toxicidade. Durante a excreção do fármaco, a expressão da glicoproteína-p nos túbulos renais altera a depuração de alguns substratos, particularmente de drogas quimioterapêuticas. Em ratos, a administração simultânea de um inibidor da glicoproteína-p 14 / / Veterinary Focus / / Vol 17 No 2 / / 2007

17 PREDISPOSIÇÃO GENÉTICA PARA REAÇÕES ADVERSAS A MEDICAMENTOS NO CÃO diminui a depuração biliar e renal da doxorubicina. À medida que aumentarem o número de pesquisas e as informações sobre a alteração da expressão em animais, é indiscutível que as implicações da mutação de deleção MDR-1, bem como a subsequente expressão da glicoproteína-p, adquirirão maior relevância clínica. Atualmente, pelo menos um laboratório comercial realiza análises em amostras caninas para fornecer informações sobre o genótipo (Universidade Estatal de Washington: Enzimas do citocromo P450 O metabolismo dos fármacos é mediado por diversos sistemas complexos. Uma vez elucidado no ser humano, o sistema enzimático CYP450 (citocromo P450) será melhor compreendido na espécie canina. Esta classe de enzimas é responsável pelo metabolismo de uma ampla variedade de fármacos, com expressão em diversos pontos do organismo. Já demonstrou-se que é possível induzir ou inibir estas enzimas através de medicamentos específicos, que estas enzimas, podem evidenciar sub ou super expressão em algumas populações, e variar sua expressão em determinados indivíduos da mesma população. Demonstrou-se uma deficiência em CYP1A2 em 10% de uma pequena população de Beagles (9). Apesar de poucos fármacos utilizados na Medicina Veterinária terem sido identificados como substratos desta enzima, investigações futuras poderão apontar maior revelância clínica. O CYP2B11 revela cerca de 14 tipos de variações em sua atividade em cães mestiços. Nos Galgos, foi demonstrada uma atividade particularmente baixa, em relação à população canina geral. Diversos fármacos, incluindo o propofol, são substratos da enzima CYP2B11, que pode se expressar de forma distinta em machos e fêmeas (10). Existem também evidências que a CYP2D15 pode revelar polimorfismo no cão. Em Beagles, por exemplo, aproximadamente metade da população evidencia uma boa metabolização do celecoxibe (um substrato da CYP2D15), enquanto que nos outros 50% a metabolização é baixa. Foi demonstrado que este efeito pode aumentar até 5 vezes a Tabela 2. Substratos da p-glicoproteína (7) Fármacos citotóxicos Doxorubicina Vincristina Vimblastina Fármacos cardíacos Digoxina Imunossupressores Ciclosporina Fármacos antieméticos Ondansetrona Agentes antidiarréicos Loperamida Antibióticos Eritromicina Esteróides Dexametasona Hidrocortisona Bloqueadores dos receptores H2 Cimetidina Ranitidina Outros lvermectina Selamectina Moxidectina Milbemicina Morfina Fenitoína Rifampina Amitriptilina meia-vida de eliminação deste fármaco (11). Apesar da extrapolação deste achado não ter sido ainda aplicada a outros fármacos não-esteróides com estrutura semelhante, como o deracoxibe, a realização de estudos aprofundados e a análise de evidências clínicas poderão aportar mais informação. Existem outros medicamentos cujo papel como substrato da CYP2D15 foi já determinado no homem, mas são substâncias utilizadas com menor frequência em Medicina Veterinária. À medida que a investigação do processo metabólico do metabolismo dos fármacos no cão aumentar, poderemos obter dados que demons- Vol 17 No 2 / / 2007 / / Veterinary Focus / / 15

18 trem a existência de outras variações das enzimas metabólicas. Graças a um maior conhecimento sobre a origem destas mutações, provavelmente descobriremos outras raças afetadas, e outras classes de fármacos envolvidas. A disponibilização de novas evidências poderá ajudar-nos a evitar interações perigosas do tipo fármaco/fármaco, fármaco/alimento ou fármaco/raça. Tiopurina metiltransferase (TPMT) A tiopurina S metiltransferase foi estudada em humanos, tendo sido demonstrado que esta enzima cataliza a metilação de fármacos como a 6- mercaptopurina e a azatioprina. Investigações recentes identificaram polimorfismo genético em cães que provoca acentuada variação na expressão desta enzima. Salavaggione et al. (12) detectaram níveis de TPMT, na contagem média de eritrócitos caninos (CHM), similares aos observados nos estudos conduzidos em seres humanos. Além disso, foram igualmente observados níveis muito variáveis desta enzima metabolizadora de fármacos, mesmo em populações de raças semelhantes, situação que também se verifica no ser humano. O estudo incluiu 56 raças de cães distintas e alguns indivíduos de raças cruzadas. Primeiramente, o estudo analisou os níveis de TPMT em 145 amostras, determinando que o nível de atividade apresentava variações de 9 escalas. Utilizando a informação sobre a sequência e estrutura do gene TPMT, os investigadores resequenciaram todos os éxons desse gene canino, utilizando o DNA de 39 cães selecionados com base nos diferentes níveis de atividade do TPMT no CHM. Subsequentemente foram observados nove polimorfismos, dos quais seis associados a 67% da variação dos níveis de atividade do TPMT nos eritrócitos em 39 amostras. Quando se procedeu à análise dos 6 polimorfismos de nucleotídeo único, utilizando o DNA dos 145 cães, verificou-se que os mesmos explicavam 40% da variação fenotípica. Ainda não é possível elucidar totalmente a aplicação clínica das variações observadas. Sabe-se que em pacientes com baixa atividade TPMT existe um risco mais elevado de toxicidade potencialmente letal, com a administração de fármacos de tiopurina em doses padrão. Do mesmo modo, em pacientes com atividade enzimática elevada poderá produzir-se um insucesso clínico, devido a subdosagens. Foi constatada uma baixa actividade TMPT em Schnauzers Gigantes, enquanto os Malamutes do Alasca revelam níveis elevados (13). Apesar da aplicação clínica deste conhecimento não poder ser disponibilizada até terem sido estabelecidos métodos de análise padronizados, é importante considerar que as variações que ocorrem podem predispor certas raças a risco elevado a reações adversas a medicamentos, como a supressão da medula óssea, que deverão ser contempladas em estudos clínicos. Os Galgos e a anestesia Os Galgos constituem, desde tempos remotos, uma categoria de cães altamente domesticada e rigorosamente reproduzida. No entanto, a seleção física destes cães os predispôs a muitas anomalias anatômicas e fisiológicas, como reações idiossincráticas a determinadas classes de farmácos. Tal como descrito, sensibilidades a agentes anestésicos, como o propofol, poderão estar relacionadas com uma variação do citocromo P450 relativa a outras raças não próximas. Também são observáveis outras reações, provavelmente em consequência dos padrões de criação, reprodução, da pressão do exercício e das exigências de desempenho que o homem estabelece para estes animais. Tipicamente, a categoria dos Galgos inclui o Greyhound, Whippet, Borzoi, Irish Wolfhound, Basenji, Saluki, além do Basenji e do Rhodesian Ridgeback, que são animais criados para caçar com base na visão ao invés do olfato. Estes cães foram selecionados para características similares em termos de massa corporal, musculatura proeminente, membros compridos e tórax profundo. Em geral, possuem comportamento bastante nervoso e, em ambiente clínico, apresentam maior probabilidade de desenvolver complicações relacionadas ao estresse. Os galgos têm muito menos massa gorda do que as outras raças, o que os predispõe a um risco mais elevado de reações adversas a fármacos com ação lipofílica, como os barbitúricos, que são depurados do cérebro para os músculos e reservas adiposas, e subsequentemente eliminados pelo fígado. Embora as evidências indiquem que nem todos os Galgos reagem da mesma forma aos barbitúricos e ao propofol, essas reações resultam de um conjunto de fatores que inclui a expressão genética polimórfica, a expressão genética variável e as influências ambientais. 16 / / Veterinary Focus / / Vol 17 No 2 / / 2007

19 PREDISPOSIÇÃO GENÉTICA PARA REAÇÕES ADVERSAS A MEDICAMENTOS NO CÃO Toxicidade idiossincrática às sulfonamidas Um número crescente de dados sustentam as teorias que defendem que as diferenças farmacogenéticas também podem potencializar reações adversas aos medicamentos, não relacionadas com a concentração do fármaco e não previsíveis. Estas reações idiossincráticas foram caracterizadas no ser humano já há algum tempo. Foi demonstrado no cão que as sulfonamidas (sulfametoxazol, sulfadiazina, sulfadimetoxina) provocam inúmeras reações dose-dependentes, como hematúria, anemia arregenerativa, interferência na síntese da hormônios tireoideanos. Observaram-se outras reações adversas em doses terapêuticas, que tendem a ser mais generalizadas e mais típicas de reações imunológicas tardias, podendo ocorrer após tratamento de curta duração (10 dias ou menos). Normalmente, essas reações incluem sinais de hepatotoxicidade, erupções cutâneas, febre, anemia hemolítica, uveíte, poliartrite, proteinúria e inchaço facial. Atualmente está em desenvolvimento nos nos Estados Unidos, uma investigação com o intuito de caracterizar cães com estas reações, através da técnica ELISA para anticorpos antifármacos, por meio de ensaios de citotoxicidade in vitro e outras metodologias (14). Conclusões Possuímos dados concretos que nos permitem verificar no âmbito genético, algumas reações adversas a medicamentos, observadas em certas raças caninas. As abordagens prévias à identificação da predisposição genética para este tipo de ocorrências baseadas no fenótipo e na pesquisa da ligação genética em breve darão lugar à identificação dos fatores genéticos predisponentes e à alteração das terapias, com o objetivo de agir antecipadamente. Já foram descritos diversos fatores genéticos com implicações clínicas na farmacoterapia. Graças à farmacogenética, disporemos de mecanismos que nos permitam aplicar uma farmacoterapia mais eficiente. Será possível realizar triagem de animais potencialmente em risco, efetuar testes para verificar as suas características genotípicas e adequar a terapêutica ao indivíduo e não à população. Baseados nos avanços proporcionados por respostas genéticas claras, poderemos identificar novos objetivos farmacológicos específicos, que se traduzam em terapia com capacidade de minimizar as reações adversas aos medicamentos e maximizar os benefícios terapêuticos. O suporte das investigações acadêmicas e clínicas nas áreas da farmacogenética e da farmacogenômica, aportará benefícios a todos os setores da Medicina Veterinária no futuro. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Roses AD. Pharmacogenetics. Human molecular genetics 2001; 10(20), Mancinelli L, Cronin M, Sadée W. Pharmacogenomics: the promise of personalized medicine. AAPS PharmSci 2000; 2(1). 3. Snyder LH. Studies in human inheritance. Ohio J Sci 1932; 32: Carsen PE, Flanagan CL, Iokes CE, et al. Enzymatic deficiency in primaquinesensitive erythrocytes. Science 1956; 124: Mealey KL. Pharmacogenetics. The Veterinary clinics of North America. Small animal practice 2006; 36(5): Neff MW, Robertson KR, Wong AK, et al. Breed distribution and history of canine mdr1-1delta, a pharmacogenetic mutation that marks the emergence of breeds from the collie lineage. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America 2004; 101(32): Sakaeda T, Nakamura T, Okumura K. MDR1 genotype-related pharmacokinetics and pharmacodynamics. Biological & pharmaceutical bulletin 2002; 25(11): Plumb, D. Veterinary Drug Handbook. 5th Edition. Iowa State Press Lankas GR, Cartwright ME, Umbenhaur D. P-glycoprotein deficiency in a subpopulation of CF-1 mice enhances avermectin-induced neurotoxicity. Toxicol Appl Pharm 1997; 143: Tenmizu D, Endo Y, Naguchi K, et al. Identification of the novel canine CYP1A SNP causing protein deletion. Xenobiotica 2004; 34: Hay Krauss BL, Greenblatt DJ, Venkatakrishnan K, et al. Evidence for propofol hydroxylation by cytochrome P4502B11 in canine liver microsomes: breed and gender differences. Xenobiotica 2000; 30(6): Paulson SK, Reitz B, Engel L, et al. Evidence for polymorphism in the canine metabolism of the cyclooxygenase 2 inhibitor celecoxib. Drug Metab Dispos 1999; 27(10): Salavaggione OE, Kidd L, Prondzinski JL, et al. Canine red blood cell thiopurine S-methyltransferase: companion animal pharmacogenetics. Pharmacogenetics 2002; 12(9): Kidd LB, Salavaggione OE, Szumlanski, et al. Thiopurine methyltransferase activity in the red blood cells of dogs. J Vet Int Med 2004; 18(2): Trepanier LA. Idiosyncratic toxicity associated with potentiated sulfonamides in the dog. J Vet Pharmacol Therap 2004; (27): Vol 17 No 2 / / 2007 / / Veterinary Focus / / 17

20 Triagem genética em cães PONTOS-CHAVE O recente sequenciamento do genoma canino acelerou o ritmo de identificação das mutações causadores de doenças genéticas caninas. Matthew Binns, BSc (Hons), PhD Colégio Real de Medicina Veterinária, Londres, Reino Unido O Dr. Matthew Binns é Professor de Genética no Colégio Real de Medicina Veterinária de Londres em 2004, após quatorze anos a serviço do Animal Health Trust (AHT). Sua área de investigação centra-se nas doenças genéticas equinas e caninas, com o objetivo de melhorar a saúde e bem-estar destas espécies, através de testes de triagem desenvolvidos com base no DNA. O Dr. Binns presidiu os comitês de mapeamento genético equino e canino da International Society for Animal Genetics (Sociedade Internacional de Genética Animal) e já publicou mais de 150 trabalhos científicos. O número crescente, testes de triagem genética disponíveis comercialmente que permitem seleção das raças caninas, reduzindo e eliminando as mutações prejudiciais, de forma a obter animais mais saudáveis. Atualmente encontram-se já disponíveis ferramentas genéticas, que podem ser utilizadas para identificar as impressões digitais específicas de cada raça, para a maioria das raças puras. Graças a essas ferramentas, também é possível determinar a composição racial de indivíduos cruzados, o que se traduz na oportunidade de definir, em termos genéticos, uma grande diversidade de características patológicas, morfológicas e comportamentais. Os avanços científicos alcançados na caracterização molecular das doenças caninas despertou o interesse pela sua potencial utilização como modelo biomédico, em condições equivalentes no ser humano. Portanto os futuros resultados do mapeamento de doenças genéticas caninas apresentarão relevância clínica tanto no âmbito da Medicina Veterinária como humana. Introdução Provavelmente, o cão foi a primeira espécie domesticada pelo homem e, desde essa época, ocupa um lugar especial em seu coração. A grande diversidade fenotípica evidenciada pelas diferentes raças caninas levou Darwin a concluir que não poderiam ter todos origem em um único antepassado recente. De fato, dados moleculares recentes demonstram que todas as espécies caninas derivam do lobo cinza (1). Muito embora a seleção inicial realizada pelo homem se concentrasse no desenvolvimento das características funcionais para o seu próprio benefício, como a caça, pastoreio e guarda de rebanhos, o desenvolvimento de exposições caninas, clubes de raças e livros de origens, durante a era vitoriana, foi responsável pela emergência de novas raças baseadas sobretudo, na aparência. Essas novas raças eram resultantes, geralmente, de cruzamentos consanguíneos e da 18 / / Veterinary Focus / / Vol 17 No 2 / / 2007

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