RELATÓRIO E CONTAS 2010

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6 ÍNDICE 1. MENSAGEM DO PRESIDENTE DA COMISSÃO EXECUTIVA ÓRGÃOS SOCIAIS QUADROS DIRECTIVOS 2. PRINCIPAIS INDICADORES DE ACTIVIDADE E RESULTADOS 3. AMBIENTE MACROECONÓMICO 3.1 ECONOMIA MUNDIAL 3.2 ECONOMIA NACIONAL 3.3 PERSPECTIVA PARA MODELO DE GOVERNAÇÃO E FISCALIZAÇÃO SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL, AMBIENTAL E CULTURAL RECONHECIMENTO INTERNACIONAL 6. LINHAS ESTRATÉGICAS DE ACTUAÇÃO DO BESA 6.1 EVOLUÇÃO DA ACTIVIDADE 6.2 BASE DE ACTUAÇÃO COMERCIAL 6.3 ACTIVIDADES DE CONTROLO INTERNO DA GESTÃO E MITIGAÇÃO DE RISCO 6.4 OUTRAS ACTIVIDADES DE GESTÃO 6.5 ACTIVIDADE E RESULTADOS DO BESA 6.6 NÍVEIS DE FUNCIONAMENTO 6.7 PROPOSTA DE APLICAÇÃO DE RESULTADOS 7. APROVAÇÃO DA COMISSÃO EXECUTIVA DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO 8. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS BALANÇO PATRIMONIAL À DATA DE 31 DE DEZEMBRO DE 21 DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DO EXERCÍCIO FINDO EM 31 DE DEZEMBRO DE 21 DEMONSTRAÇÃO DE MUTAÇÃO DE FUNDOS PRÓPRIOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 21 DEMONSTRAÇÃO DE FLUXOS DE CAIXA DO EXERCÍCIO FINDO EM 31 DE DEZEMBRO DE 21 ANEXO ÀS CONTAS NOTAS EXPLICATIVAS ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS RELATÓRIO DOS AUDITORES INDEPENDENTES RELATÓRIO E PARECER DO CONSELHO FISCAL RELATIVO AO ANO DE

7 21RELATÓRIO E CONTAS

8 1 MENSAGEM DO PRESIDENTE DA COMISSÃO EXECUTIVA

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10 ÁLVARO SOBRINHO 1 MENSAGEM DO PRESIDENTE DA COMISSÃO EXECUTIVA robustez da procura interna, por contrapartida da degradação dos principais mercados de exportação, e (ii) as potências ocidentais, encabeçadas pelos Estados Unidos da América (USA) e União Europeia (EU), cujas economias são essencialmente de mercado, com forte exposição aos mercados internacionais e com um elevado grau de dependência destes, que viveram impactos económicos e sociais adversos e devastadores resultantes da crise mundial, colocando em causa o próprio modelo económico em que estas economias assentavam. A intervenção do Estado foi, nestes casos, crítica para evitar descalabros ainda maiores, tendose assistido a medidas inéditas como resgates e nacionalizações de grandes instituições financeiras. Senhores Accionistas, O ano de 21 foi de recuperação da economia mundial, depois dos dois últimos anos terem sido marcados por uma depressão económica sem precedentes. Assistiuse a um empenhamento à escala mundial na busca de soluções para a crise, que nalguns casos, desencadearam uma intervenção massiva de carácter fiscal e monetário nas respectivas economias, com o objectivo de alavancar o crescimento e restaurar a confiança dos mercados. A forma como as economias estavam estruturadas, e o seu grau de exposição aos mercados internacionais, foram determinantes no combate à crise financeira, económica, de confiança, de liquidez e orçamental (crise mundial), cujos impactos se fizeram sentir diferenciadamente de país para país. Podese assim dizer que o crescimento da economia global em 21 foi feito a dois ritmos, (i) para as potências emergentes, tais como China, Índia e Brasil, os efeitos da crise mundial foram limitados, com a actividade económica a ser suportada por uma Nos países periféricos da Zona Euro, Grécia, Irlanda, Espanha e Portugal, assistiuse a uma grande instabilidade financeira derivada da subida generalizada dos défices orçamentais em 21. O risco de incumprimento da dívida soberana destes países agravouse consideravelmente, o que levou a sucessivas reduções dos ratings dos respectivos países e sistemas financeiros. Neste ambiente extremamente adverso, a cedência de liquidez por parte do Banco Central Europeu foi fundamental para colmatar a inacessibilidade dos bancos dos países periféricos da Zona Euro aos mercados de dívida. Em Angola, o ano de 21 iniciouse sob um clima de grande incerteza quanto à capacidade de retoma dos níveis de crescimento sustentado, após o ano de forte desaceleração de crescimento do PIB que se viveu em 29, devido à ainda grande dependência do país, como economia importadora e monoexportadora que Angola é, dos mercados internacionais das commodities, nomeadamente do preço do petróleo, uma vez que as contas públicas estão ainda muito condicionadas pelo nível de receitas fiscais oriundas do mesmo. Adicionalmente, o Estado angolano, principal gerador de liquidez na economia, firmou um Stand BANCO ESPÍRITO SANTO ANGOLA I RELATÓRIO E CONTAS 21 I 9

11 1MENSAGEM DO PRESIDENTE DA COMISSÃO EXECUTIVA BANCO ESPÍRITO SANTO ANGOLA I RELATÓRIO E CONTAS 21 I 1 By Agreement com o Fundo Monetário Internacional, cujas contrapartidas incluíram um conjunto de objectivos macroeconómicos e administrativos, que visam, entre outros, o decréscimo da taxa de inflação, a estabilização do kwanza face ao dólar norteamericano, o aumento das Reservas internacionais líquidas e a implementação de ferramentas e boas práticas na gestão de dívida pública. A retoma e aceleração do crescimento do PIB em cerca de 5%, que a economia doméstica registou durante 21, permitiu mitigar parcialmente o liquidity squeeze vivido em 29. Durante o mês de Maio de 21, a República de Angola submeteuse ao processo de rating por parte das três principais agências internacionais, tendo obtido uma notação de B+ com outlook positivo por parte da Standard & Poor s e da Fitch e uma notação de B1, também com outlook positivo, por parte da Moody s. Foi nesta conjuntura que o BESA completou os seus nove anos de actuação no sector financeiro angolano, onde sempre se posicionou e destacou como um Banco universal prestador de serviços de excelência a segmentos target específicos, sendo de destacar a actividade de trade finance na área corporate e a de private banking na área de afluentes/particulares. Este posicionamento faz parte de uma estratégia, previamente definida e que tem vindo a ser consistentemente seguida, com alguns ajustamentos derivados de factores exógenos, como sejam as diferentes conjunturas macroeconómicas, e que tem permitido ao Banco conseguir uma posição de relevo no sistema financeiro angolano apesar de ter uma das menores redes comerciais e uma relativa pequena base de clientes, quando comparado com os outros principais bancos a actuar em Angola. Assim, em 21, o BESA continuou a sua trajectória empreendedora e inovadora no sistema financeiro angolano, e deu importantes passos de consolidação da sua estratégia de expansão para outras áreas de negócio, o que lhe permitirá afirmarse como Grupo Financeiro multiespecialista, alargando a sua oferta de produtos. As BESAACTIF Sociedade Gestora de Fundos de Investimento e de Fundos de Pensões, participadas do BESA, têm já em comercialização dois fundos, o BESA Património Fundo de Investimento Imobiliário e o BESA Opções de Reforma Fundo de Pensões, respectivamente. Adicionalmente, para além de um segundo Fundo Imobiliário em constituição, estão em processo de licenciamento um banco de investimento, uma sociedade de leasing, uma sociedade de factoring e uma sociedade corretora. O ano de 21 ficará ainda marcado pela primeira publicação do Relatório de Sustentabilidade do Banco, relativo ao trabalho desenvolvido até 29 nessa área e que será continuado e expandido no futuro. O BESA registou em 21, a sua melhor performance de sempre desde o arranque da sua actividade, há quase uma década, num ambiente de retoma nacional e de condições muito adversas a nível internacional. Assim, entre todos os bancos a operar em Angola, o BESA atingiu agora o segundo lugar em termos de volume de activos sob gestão (USD milhões, representando um crescimento homólogo de 23%) e o primeiro lugar em termos de resultado líquido do exercício (USD 331 milhões, representando um crescimento homólogo de 57%). Ainda em 21, o BESA apoiou fortemente os agentes económicos, nomeadamente os que fazem parte da base de clientes e/ou estão abrangidos pelo seu target, tendo o crédito concedido ascendido a USD milhões, representando um acréscimo de 55% em termos homólogos. Num contexto de fraca liquidez no mercado nacional, a Gestão do Banco diversificou as fontes de funding, tendo alavancado o balanço em 131%, representando um acréscimo de 36% em termos homólogos. Adicionalmente, em 21 o Banco melhorou significativamente o seu rácio de eficiência que se situou em 21%, representando uma melhoria

12 de 6 pontos percentuais na performance. 1 MENSAGEM DO PRESIDENTE DA COMISSÃO EXECUTIVA Em 211, independentemente da evolução da situação económica internacional e do respectivo impacto na economia Angolana, o BESA manterseá fiel à estratégia delineada e princípios fundamentais, continuando a promover o desenvolvimento de relações comerciais de mútuo valor acrescentado e contribuindo para a reconstrução nacional em curso. O BESA cria valor há quase uma década e o compromisso de toda a equipa é o de continuar a trabalhar com a mesma determinação, seriedade e empenhamento no futuro. Gostaríamos de deixar, em meu nome e em nome de toda a Comissão Executiva, uma palavra especial de agradecimento aos Colaboradores, pelo empenho, esforço e dedicação manifestados em mais um ano de actividade desenvolvida em condições especialmente adversas. Aos Accionistas e Clientes, agradecemos a confiança manifestada. Para terminar, agradecemos a confiança e manifestamos o nosso reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pelas Autoridades Monetárias, de Supervisão e pelo Conselho Fiscal. Álvaro Sobrinho BANCO ESPÍRITO SANTO ANGOLA I RELATÓRIO E CONTAS 21 I 11

13 SOCIAIS 1ÓRGÃOS Órgãos Sociais Os Órgãos Sociais do BESA, tendo em conta o seu estatuto de Sociedade Anónima, são eleitos em Assembleia Geral e desenvolvem a sua actividade na Sede Social do Banco. A sua composição é a seguinte: tendo posteriormente feito uma PósGraduação em Ciências Actuariais. A sua entrada no mercado de trabalho foi na Seguradora Mundial Confiança. Mais tarde integrou o Grupo Banco Espírito Santo onde está há já 2 anos. Exerce o cargo de CEO do BESA desde a data da sua constituição. Administradores Executivos BANCO ESPÍRITO SANTO ANGOLA I RELATÓRIO E CONTAS 21 I 12 ASSEMBLEIA GERAL Presidente Domingos António Monteiro VicePresidente Helder Nuno da Costa Fernandes Secretário Nuno Maria Spencer Araújo Moura Coutinho CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Presidente Ricardo Abecassis Espírito Santo Silva VicePresidente Álvaro de Oliveira Madaleno Sobrinho Vogais Hélder José Bataglia dos Santos Ilídio Domingos das Matas Santos José Octávio Serra VanDúnem Zandre Eudénio de Campos Finda Pedro Ferreira Neto Rui Manuel Fernandes Pires Guerra COMISSÃO EXECUTIVA Presidente Álvaro de Oliveira Madaleno Sobrinho Nascido em 19 de Junho de 1962, é natural de Luanda, tendo feito o seu percurso académico superior em Portugal, onde se licenciou em Matemática na Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa, Hélder José Bataglia dos Santos Nascido em 25 de Janeiro de 1947, iniciou a sua actividade profissional em Angola, onde viveu parte significativa da sua vida. Juntouse ao Grupo Espírito Santo em 1992 onde criou a ESCOM, empresa inicialmente vocacionada para os mercados emergentes em países africanos e do leste europeu, que se veio a tornar no maior investidor de Portugal em Angola. Sócio fundador da ONG Apoiar África, membro do American Club of Lisbon e da Direcção da ELO (Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Económico e Cooperação). É Comendador de Portugal e Oficial da República do Congo, tendo sido condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique e com a Ordem de Mérito da República do Congo, respectivamente. É Administrador Executivo do BESA desde a data de início da sua actividade. Ilídio Domingos das Matas Santos Nascido em 27 de Fevereiro de 1954, é natural dos Açores, tendo feito parte significativa da sua formação académica em Portugal, nomeadamente na Universidade dos Açores, onde concluiu a licenciatura em Organização e Gestão de Empresas. Efectuou ainda uma Pós Graduação em Gestão Bancária no ISEG, em Lisboa. A sua entrada no mercado de trabalho foi no Banco Comercial de Angola em 1975, tendo integrado mais tarde o Espírito Santo

14 Financial Group, onde a sua ligação conta já com 2 anos. Actualmente exerce o cargo de Administrador Executivo do BESA, posição que ocupa desde ÓRGÃOS SOCIAIS José Octávio Serra VanDúnem Nascido em 3 de Agosto de 1962 em Luanda, é licenciado em Filosofia (1988), com uma PósGraduação em Ciências da Educação pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa (UCP) (1989) e outra em Alta Direcção de Empresas (PADE) pela Escola de Direcção e Negócios (AESE). Mestre (1998) e Doutor em Ciências Humanas: Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) (23). Professor e Pesquisador Sénior da Universidade Agostinho Neto e da Universidade Católica de Angola, Professor e Pesquisador convidado de várias Universidades estrangeiras nomeadamente em Portugal, Brasil e França. Consultor de Empresas para as áreas de Recursos Humanos e Responsabilidade Social. CONSELHO FISCAL Presidente Carlos dos Santos Moita Vogal Francisco Machado da Cruz Suplente KPMG Angola Audit, Tax, Advisory, SA BANCO ESPÍRITO SANTO ANGOLA I RELATÓRIO E CONTAS 21 I 13

15 DIRECTIVOS 1QUADROS BANCO ESPÍRITO SANTO ANGOLA I RELATÓRIO E CONTAS 21 I 14 Quadros Directivos DIRECÇÃO DE APROVISIONAMENTOS E INSTALAÇÕES DIRECTOR COORDENADOR Paulo Silveira SUBDIRECTORES Ânia Rosa Artur Figueiredo DIRECÇÃO DE AUDITORIA INTERNA DIRECTOR Luís Farófia SUBDIRECTOR Manuel Patrício Silvestre DIRECÇÃO DE CONTABILIDADE E CONTROLO ORÇAMENTAL DIRECTOR COORDENADOR Luís Silva DIRECTORA ADJUNTA Denise Henriques DIRECÇÃO COMERCIAL REDES DIRECTORA COORDENADORA Lígia Madaleno DIRECTORA ADJUNTA Anabela Teixeira SUBDIRECTORES Anselmo Lisboa Elisa Baptista DIRECÇÃO COMERCIAL EMPRESAS DIRECTOR Manuel Matias SUBDIRECTOR João Pedro de Sousa DIRECÇÃO COMERCIAL GRUPO BES DIRECTOR ADJUNTO Carlos Colaço DIRECÇÃO DE CONTROLO INTERNO ASSESSOR DA ADMINISTRAÇÃO Henrique Resina GABINETE DE COMPLIANCE CHIEF COMPLIANCE OFFICER Henrique Resina DIRECÇÃO FINANCEIRA E DE MERCADOS DIRECTOR ADJUNTO Daniel Katata DIRECÇÃO DE INFORMÁTICA DIRECTOR COORDENADOR Aires Trindade SUBDIRECTORES Luis Bragança Paulo Daniel DIRECÇÃO JURÍDICA DIRECTOR COORDENADOR António Monteiro SUBDIRECTOR Helder Fernandes DIRECÇÃO DE MARKETING E COMUNICAÇÃO DIRECTORA COORDENADORA Leonor de Sá Machado DIRECTOR ADJUNTO Tiago Pereira DIRECÇÃO DE CARTÕES E CANAIS DIRECTOS DIRECTORA COORDENADORA Leonor de Sá Machado SUBDIRECTORA Silvia Fraga

16 DIRECÇÃO DE ORGANIZAÇÃO DIRECTOR COORDENADOR Luís Victor SUBDIRECTOR Nuno Santos 1 QUADROS DIRECTIVOS DIRECÇÃO DE OPERAÇÕES DIRECTORA COORDENADORA Katila Santos DIRECTORAS ADJUNTAS Deolinda Morais Júlia Couchinho SUBDIRECTORA Diana Cunha DIRECÇÃO DE RECURSOS HUMANOS DIRECTORA COORDENADORA Senda Ramos SUBDIRECTORES Ana Paula Bessa Artur Santos DIRECÇÃO DE SEGURANÇA DIRECTOR António Pereira DIRECÇÃO DE RISCO E CONTROLO DE CRÉDITO GROUP CHIEF RISK OFFICER João Moita SUBDIRECTOR Cláudio Madaleno GABINETE DE BANCA DE INVESTIMENTO DIRECTOR Manuel da Silva Reis SUBDIRECTORA Alice Martins de Figueiredo Isaura Pinto BANCO ESPÍRITO SANTO ANGOLA I RELATÓRIO E CONTAS 21 I 15

17 21RELATÓRIO E CONTAS

18 2 PRINCIPAIS INDICADORES DE ACTIVIDADE E RESULTADOS

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20 Actividade 2 PRINCIPAIS INDICADORES DE ACTIVIDADE E RESULTADOS em milhares de USD, excepto quando indicado Variação Activo líquido Activo líquido médio (i) Activos financeiros Crédito a clientes Bruto Provisões Títulos e valores mobiliários Passivos financeiros Depósitos de clientes Fundos próprios % 25% 6% 54% 55% 95% 6% 19% 14% 79% Produto bancário Custos operativos Resultado líquido Fluxos de caixa % 14% 57% 215% Rácio de transformação 131,2% 96,6% 36% Funcionamento Activo por colaborador Produto bancário por colaborador Número de agências/postos Número de colaboradores Número de colaboradores por agência/postos Produtividade Costtoincome Rendibilidade Resultado líquido/capitais próprios (ROE) (sobre valores médios) (i) Resultado líquido/activo líquido (ROA) (sobre valores médios) (i) Solvabilidade Rácio de solvabilidade (TIER I) (ii) Rácio de solvabilidade (TIER I + II) (ii) ,2% 88,1% 4,9% 15,4% 16,8% ,9% 86,9% 3,9% 12,% 13,2% (i) devido à alteração do referencial de preparação de contas, não há séries históricas que permitam calcular estes indicadores. Assim, os valores apresentados foram calculados com os dados das contas preparadas para efeitos de consolidação no Grupo BES (IAS), que não diferem significativamente das contas preparadas em conformidade com o CONTIF. Os Fundos próprios e o resultado líquido do exercício são iguais em ambos os frameworks de preparação de contas. (ii) à data do Balanço ainda não estão publicadas as alterações das normas de apuramento do rácio de solvabilidade decorrentes da entrada em vigor do CONTIF. Assim, os valores da exposição utilizados para o cálculo foram apurados segundo as regras Basileia II e os Fundos próprios elegíveis estão reconciliados entre as regras IAS e as regras Basileia II. 9% 29% 16% 13% 3% 21% 1% 25% 28% 28% BANCO ESPÍRITO SANTO ANGOLA I RELATÓRIO E CONTAS 21 I 19

21 21RELATÓRIO E CONTAS

22 3 AMBIENTE MACROECONÓMICO

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24 Economia Mundial O ano de 21 foi de recuperação da economia mundial, depois dos dois últimos anos terem sido marcados por uma depressão económica sem precedentes. Assistiuse a um engajamento das nações à escala mundial na busca de soluções para a crise, desencadeando uma intervenção massiva dos governos e de entidades supranacionais, adoptando medidas de carácter fiscal e monetário, que visavam alavancar o crescimento e restaurar a confiança dos mercados. As principais potências económicas mundiais viramse obrigadas a injectar um considerável volume de liquidez no mercado e assumir uma política fiscal expansionista para atingir tal propósito. A forma como as economias estavam estruturadas e o seu grau de exposição aos mercados internacionais, têm sido determinantes no combate à crise financeira, económica, de confiança, de liquidez e orçamental (crise mundial), cujos impactos se fizeram sentir diferenciadamente de país para país. A capacidade de adaptação de cada uma das economias a uma nova realidade financeira internacional tem sido um factor crítico para a recuperação económica, assegurando a capacidade de geração de riqueza de forma sustentada. As potências ocidentais, encabeçadas pelos Estados Unidos da América (USA) e União Europeia (EU), cujas economias são essencialmente de mercado, com forte exposição aos mercados internacionais e com um elevado grau de dependência destes, tiveram efeitos económicos e sociais devastadores resultantes da crise mundial, colocando em causa o próprio modelo económico em que estas economias assentavam. A intervenção do Estado foi, nestes casos, crítica para evitar descalabros ainda maiores, tendose assistido a medidas inéditas como resgates e nacionalizações de grandes instituições financeiras. 3 AMBIENTE MACROECONÓMICO De uma maneira geral, o combate à crise mundial iniciada em 27/8 teve por base a intervenção e concertação dos Estados nas respectivas economias à dimensão global, o que culminou num esforço financeiro excepcional que em muitos casos condicionou a própria capacidade de endividamento. Este esforço financeiro foi repartido por despesas de consumo corrente e para propósitos de responsabilidade social, de forma a estimular consumo público e privado, e para investimento púbico, numa lógica keynesiana de fomento da economia através da dinamização da procura, facto que agravou o défice público e o nível de endividamento. Por outro lado, no que respeita às potências emergentes, tais como China, Índia e Brasil, os efeitos da crise mundial foram limitados, com a actividade económica a ser suportada por uma robustez da procura interna, por contrapartida da degradação dos principais mercados de exportação. As elevadas taxas de poupança contribuíram também para combater os desequilíbrios nas suas economias com menos sobrecarga para a máquina fiscal. Dado este enquadramento, 21 revelouse um ano em que o crescimento da economia global foi feito a dois ritmos: as economias desenvolvidas apresentaram um crescimento marcadamente mais lento, resultado dos desequilíbrios estruturais que têm condicionado a sua performance. Os USA têm privilegiado medidas que possibilitem um crescimento robusto que possa atenuar o crescimento do desemprego e revitalize o sector imobiliário que tarda a recuperar. Apesar do elevado nível de endividamento público, aquele país tem tido uma maior folga para manter programas de estímulo ao crescimento adoptados no auge da crise. Já os países da UE optaram por uma alteração do sentido da sua política económica para combater os excessivos défices públicos. Apesar da Alemanha, enquanto motor da economia europeia, estar já a apre BANCO ESPÍRITO SANTO ANGOLA I RELATÓRIO E CONTAS 21 I 23

25 MACROECONÓMICO 3AMBIENTE BANCO ESPÍRITO SANTO ANGOLA I RELATÓRIO E CONTAS 21 I 24 sentar uma trajectória positiva de crescimento em 21, o grande esforço financeiro despendido no combate à crise mundial, em especial pelos países da chamada Zona Euro, tem revelado fragilidades como consequência do agravamento da crise orçamental e de endividamento. A dificuldade na captação de financiamento externo por parte destas economias levou em 21 à adopção de rigorosos planos de austeridade e, nos casos mais extremos, ao recurso a ajuda externa através do Fundo Europeu de Estabilização Financeira e do Fundo Monetário Europeu casos da Grécia e da Irlanda. A denominada crise dos soberanos, que se faz sentir com forte impacto nas economias periféricas da EU, poderão conduzir a ajustamentos que se traduzirão em fortes condicionalismos no crescimento da actividade económica desses países nos próximos anos. no que respeita às economias emergentes, estas apresentaram em 21 um nível de crescimento robusto, atraindo consideráveis fluxos de capital que resultaram do clima de crescente confiança no desempenho destas economias, assumindose como alternativa às debilidades e fraco crescimento das economias mais desenvolvidas. No entanto, em países como a China e Brasil, poderá aumentar o risco de sobreaquecimento e inflação, o que justifica a adopção da opção de políticas monetárias restritivas. A actividade económica global cresceu a uma taxa de 5% em 21, consolidando a performance económica trazida da segunda metade de 29, período a partir do qual os sinais de recuperação, essencialmente resultantes das medidas excepcionais fiscais e monetárias se reflectiram na melhoria do nível de confiança dos agentes económicos, num cenário de crescimento em que as economias emergentes mantiveram a sua performance, tendo contribuído com 7,1% do crescimento da economia global, contra os 3% de crescimento alcançados pelas economias desenvolvidas. GLOBAL Crescimento Real do PIB (economia global) (%) P Econ. Avançadas Econ. Emergentes 5,2 3, 8,2 5,3 2,7 8,7 Neste conjunto dos emergentes continua a destacar se a China e a Índia com um crescimento do PIB de 1,3% e 9,7% em 21, respectivamente, dissipando todas as dúvidas quanto à sua liderança no processo de recuperação global. Os USA, depois de um período de recessão que atingiu um decréscimo do PIB de 2,6% em 29, têm revelado um progresso notável ao nível da sua economia, evidenciado pelos indicadores de actividade económica trimestrais ao longo de 21, e culminou num crescimento anual do produto que atingiu os 2,8%. Já os países da Zona Euro tiveram um desempenho menos vigoroso quando comparado com outros poderosos blocos económicos, mas que mesmo assim não deixa de ser positivo face ao moderado desempenho esperado, condicionado por um nível elevado de desemprego e a crise de endividamento que gera constantemente um stress financeiro nos países chamados periféricos da Zona Euro, e que por isso geram inquietação no seio dos mercados quanto a sustentabilidade da dívida pública e a solvabilidade do sistema bancário. Mesmo assim, o maior bloco de integração económica registou em 21 um crescimento do PIB de 1,8%, contra os 4,1% registados em 29, tendo a Alemanha e a França contribuído com crescimentos de 3,6% e 1,6%, respectivamente. 2,8,2 6,,6 3,4 2,6 5, 3, 7,1 4,4 2,5 6,5 Fonte: FMI

26 Crescimento Real do PIB nas Principais Economias (%) P 3 AMBIENTE MACROECONÓMICO, EUA Zona Euro Reino Unido China India Brasil 9,6 1,3 9,2 9,6 9,7 8,4 7,3 7,5 5,7 5,2 2,8 3,1 1,7 1,6 1,7 2,,4,7,6 2,6 4,1 4,9 4,5 Fonte: Bloomberg (28); FMI (29 a 211) Os factores de pressão sobre os preços fizeram se sentir com maior intensidade em 21 quando comparados a 29, como resultado da evolução positiva do clima económico. A recuperação das principais potências económicas do mundo e a boa performance das economias emergentes aumentou Taxa Média Anual de Inflação nas Principais Economias 6, 4,5 3, 1,5 1,5 Fonte: Bloomberg (24 a 211) a pressão sobre os preços das commodities que por sua vez influenciaram o nível geral de preços nas economias, renovando as preocupações dos responsáveis de política monetária quanto aos efeitos adversos duma política monetária expansionista sobre a estabilidade dos preços. EUA Zona Euro China Reino Unido Pr BANCO ESPÍRITO SANTO ANGOLA I RELATÓRIO E CONTAS 21 I 25

27 MACROECONÓMICO 3AMBIENTE BANCO ESPÍRITO SANTO ANGOLA I RELATÓRIO E CONTAS 21 I 26 Os países responderam de forma diferente ao cenário de subida de inflação vivido em 21, não só em função da conjuntura de preços das respectivas economias mas essencialmente como resultado da performance do crescimento desses países. Nas economias ocidentais, foi preciso garantir o necessário equilíbrio entre o arrefecimento dos preços e a frágil recuperação dessas economias. O Banco Central Europeu (BCE) e a Reserva Federal NorteAmericana (Fed) mantiveram posturas diferentes na condução da sua política monetária e na abordagem dos seus problemas financeiros e monetários. O Fed, gozando de uma maior autonomia, direccionou os seus instrumentos monetários no sentido de garantir a continuidade dos programas de estímulo à economia, incluindo a assistência de liquidez ao mercado através do sistema bancário. O BCE, muito dependente da correlação de força dos Estados Membros da Zona Euro, concentrou grande parte dos seus esforços no sentido de garantir a sobrevivência e a solvabilidade do sistema financeiro europeu. O BCE intensificou os programas de facilidade de liquidez aos bancos europeus e tem contribuído, não só para o esforço Taxas de Juro dos Bancos Centrais (%) 8, 6, 4, 2, de recuperação do sistema monetário europeu, mas também para garantir a necessária liquidez aos países de periferia que têm encontrado fortes dificuldades em se financiar nos mercados internacionais. Tanto o Fed como o BCE apostaram na manutenção das taxas de juro de referência ao nível mais baixo de sempre, isto é 1% para o BCE e um intervalo entre e,25% para o Fed, tendência trazida de 29, dando primazia ao crescimento económico e à criação de emprego. No que toca às economias emergentes, foi mais visível a postura de maior contracção relativa em termos de política monetária, pelo que se assistiu já a uma tendência de subida das taxas centrais. Por exemplo, o Banco Central da China (PBC), ao longo de 21, aumentou o rácio das reservas obrigatórias em 5pb, fixandoo em 19% para os maiores bancos comerciais, o nível mais alto de sempre, além de adoptar várias medidas discricionárias contra práticas especulativas no mercado imobiliário. E, o mais importante, pelo menos em duas ocasiões, subiu as principais taxas de juro em 25 pontos base, isto é, a taxa de remuneração dos depósitos e dos empréstimos praticada pelo PBC, fechando o ano com 2,75% e 5,81% respectivamente. EUA Zona Euro China Reino Unido Fonte: Bloomberg (24 a 211)

28 Em termos globais, o desempenho dos mercados accionistas foi condicionado, não só pela performance dos resultados das empresas, mas essencialmente pela conjuntura económica das principais economias. Neste contexto, o clima de tensão financeira que acompanhou a UE em 21, associado à crise de endividamento, condicionou significativamente a maioria dos investidores, colocandose inclusivamente o cenário de dissolução do Euro. A grave situação financeira atravessada pela Grécia e Irlanda agravaram ainda mais a volatilidade deste mercado. Todo o destaque vai para as bolsas americanas que, face ao clima de optimismo progressivo que se assistia na economia, lideraram os ganhos em 21, quando comparadas com as restantes praças. O NASDAQ registou os maiores ganhos, tendo valorizado aproximadamente 16,9% contra os 12,8% do S&P 5 e 11% do Dow Jones. Na Europa, o DAX de Frankfurt liderou os ganhos com 16%, seguido pelo FTSE 1 com ganhos de 9%. Na restante Europa, os mercados reflectiram o clima de tensão vivido ao longo do ano, com Lisboa (PSI2) e Madrid (IBEX 35) a somarem os maiores prejuízos do ano com 1,3% e 17,4%, respectivamente. Evolução dos Principais Mercados Accionistas Fonte: Reuters PSI 2 FTSE 1 NASDAQ DAX Jan29 Abr29 Jul29 Out29 Jan21 Abr21 Jul21 Out21 Jan211 3 AMBIENTE MACROECONÓMICO BANCO ESPÍRITO SANTO ANGOLA I RELATÓRIO E CONTAS 21 I 27

29 MACROECONÓMICO 3AMBIENTE Na Ásia, apesar do bom desempenho das economias da região, a mudança de rumo no plano monetário, para uma política monetária restritiva teve reflexos no desempenho medíocre dos mercados bolsistas, com destaque para o Shangai Composite, que acumulou perdas de 14,3%, e Tóquio (Nikkei 225) com perdas de 3%. No mercado cambial, a tendência de valorização do euro foi invertida no último trimestre de 29, levando a sua congénere americana a encetar uma recuperação, não só face ao Euro, mas também face às restantes moedas. O dólar americano (USD) tem beneficiado sobretudo das incertezas que pairam sobre a economia da Zona Euro, no que diz respeito à sustentabilidade das finanças públicas de alguns EstadosMembros, tendo registado uma valorização acumulada de quase 7% ao longo de 21. Por outro lado, os sinais consistentes de recuperação registados na maior economia do mundo, devolveram confiança ao USD, aumentando a apetência dos investidores por esta moeda. No entanto, algumas incertezas sobre o crescimento da dívida norteamericana poderão ter impactos de sinal contrário, sendo este um factor a seguir com atenção pelos investidores ao longo de 211. Evolução da Taxa de Câmbio EUR/USD 1,6 1,45 BANCO ESPÍRITO SANTO ANGOLA I RELATÓRIO E CONTAS 21 I 28 1,3 1,15 1, Jan29 Abr29 Jul29 Out29 Jan21 Abr21 Jul21 Out21 Dez21 Fonte: Reuters

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