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1 Conselho da União Europeia Bruxelas, 27 de abril de 2015 (OR. en) 8096/15 SPORT 14 EDUC 108 JEUN 32 NOTA de: para: Secretariado-Geral do Conselho Comité de Representantes Permanentes/Conselho n.º doc. ant.: 8047/15 SPORT 13 EDUC 105 JEUN 29 Assunto: A atividade física como um elemento essencial do ensino de qualidade em todos os níveis modelos de cooperação com o setor do desporto Debate de orientação (Debate público nos termos do artigo 8.º, n.º 2, do Regulamento Interno do Conselho [proposto pela Presidência]) Na sequência da consulta ao Grupo do Desporto, a Presidência elaborou o documento de debate em anexo, que servirá de base para o debate de orientação na reunião do Conselho (EJCD) de de maio de /15 jnt/pbp/ms 1 DG E - 1 C PT

2 ANEXO A atividade física como um elemento essencial do ensino de qualidade em todos os níveis modelos de cooperação com o setor do desporto Introdução A promoção da atividade física (AF) é uma prioridade na elaboração das políticas da UE no domínio do desporto, como comprovam a recomendação do Conselho relativa à promoção transetorial da saúde através da atividade física, a futura primeira edição da Semana Europeia do Desporto e o financiamento ao abrigo do programa Erasmus+ no domínio do desporto. No contexto do Plano de Trabalho da UE para o Desporto , o grupo de peritos em atividade física benéfica para a saúde (HEPA) é responsável por compilar as recomendações para fomentar a educação física nas escolas, incluindo as competências motoras na primeira infância, e criar interações proveitosas com as autoridades locais do setor do desporto e o setor privado. Os ministros do Desporto realizaram um debate de orientação durante a Presidência italiana sobre o desporto e a AF em idade escolar. As ideias preliminares do grupo de peritos foram integradas neste documento de base e são referidas em seguida. Na maioria dos Estados-Membros, as instituições de ensino (isoladamente ou acompanhadas por outras partes interessadas) são responsáveis pela coordenação das atividades físicas e desportivas, incluindo as atividades e eventos extracurriculares que complementam a oferta curricular no domínio da Educação Física (EF). Tendo em conta que a EF não é obrigatória nos níveis de ensino mais avançados, as oportunidades para a prática desportiva oferecidas por outras instituições de ensino e universidades devem ser realçadas na perspetiva dos níveis recomendados de AF 1 nas sociedades europeias, seja no currículo formal (aulas de educação física) ou através de atividades físicas e desportivas extracurriculares. 1 Recomendações globais sobre a promoção da atividade física para a saúde, Organização Mundial da Saúde, /15 jnt/pbp/ms 2

3 Tal como as instituições de ensino, as organizações do setor do desporto (comités olímpicos, federações, associações e fundações desportivas, bem como clubes desportivos) estão na linha da frente destes desafios, reforçando a importância de uma cooperação eficaz e da complementaridade. Apesar de existirem muitos bons modelos e exemplos de cooperação, a relação entre as instituições de ensino e o setor do desporto deve ser debatida em mais profundidade, melhorada e promovida para garantir interações proveitosas e criar programas de colaboração sustentáveis, beneficiando mutuamente das sinergias que podem aumentar os níveis de participação desportiva e de AF na Europa. Sinergias e benefícios mútuos da cooperação Com base nos princípios da boa governação no desporto, os pilares para a cooperação e os benefícios mútuos entre as várias partes interessadas podem já ser definidos durante o planeamento político a todos os níveis. O enquadramento institucional pode apoiar e incentivar a cooperação com o setor do desporto através da disponibilização das condições fundamentais para o desenvolvimento de várias atividades de cooperação. A cooperação entre instituições de ensino e o setor do desporto, em particular nas comunidades locais, pode permitir vários resultados positivos oportunidades acrescidas para que as pessoas sejam fisicamente ativas com um conjunto de atividades mais alargado e atrativo, práticas pedagógicas mais abrangentes, melhoria dos padrões da EF, infraestruturas melhoradas e mais acessíveis (instalações e equipamento), bem como uma maior reserva de talentos para o futuro. Além disso, os estudos confirmam que a probabilidade de os alunos serem fisicamente ativos é maior em escolas com parcerias escola-comunidade bem estabelecidas. 2 2 Leatherdale, S.T., Manske, S., Faulkner, G., Arbour, K., e Bredin, C. (2010). A multi-level examination of school programs, policies and resources associated with physical activity among elementary school youth in the PLAY-ON study. The International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, 7 (1), p. 6. (Consultado em 20/11/2014). 8096/15 jnt/pbp/ms 3

4 As instituições de ensino em estreita cooperação com as organizações desportivas devem, por conseguinte, procurar promover tanto as atividades curriculares como as extracurriculares, criando programas de colaboração sustentáveis fora do ambiente académico. Isso permitiria que a EF e as atividades desportivas nas instituições de ensino incluíssem uma maior variedade de modalidades desportivas, aumentando as oportunidades de se experimentarem diferentes atividades. Além disso, os treinadores certificados e outros profissionais do setor do desporto podem contribuir para a educação física e as atividades extracurriculares proporcionando experiências novas e oportunidades de aprendizagem que nem sempre podem ser asseguradas pelos professores de educação física. As escolas e a educação física com os conhecimentos especializados do setor do desporto podem não só facilitar a procura de talentos, mas também criar e fortalecer as condições para apoiar a evolução dos jovens atletas que aspiram a uma carreira no desporto de elite, promovendo a adoção de currículos e horários semanais flexíveis, e permitindo que tenham tempo suficiente para treinar e competir. Simultaneamente, essa cooperação deve procurar desenvolver programas que assegurem uma abordagem inclusiva, adaptando as atividades a crianças com deficiências ou necessidades educativas especiais, e evitando experiências negativas em resultado de instalações inadequadas para a prática. Deve ser dada especial atenção à adaptação da oferta de atividades desportivas também ao ensino superior e de adultos. As parcerias com as organizações desportivas da comunidade devem estender-se à utilização das suas instalações para reduzir os custos e incentivar os jovens a participarem no desporto e nas AF extracurriculares, para além do dia letivo. Estas parcerias podem funcionar nos dois sentidos, garantindo que as instalações escolares também são disponibilizadas à comunidade ao final da tarde e aos fins-de-semana. 3 A cooperação entre escolas, organizações desportivas e autoridades locais deve garantir que as instalações desportivas estão disponíveis, cumprem os requisitos necessários em termos técnicos e de segurança, e são geridas de forma eficaz para que as crianças possam manter-se ativas o mais frequentemente possível. Esta cooperação deve evitar a duplicação de infraestruturas ou a sua subutilização. 3 UNESCO (2015), Quality Physical Education Guidelines for Policy-Makers, p. 44, disponível em: p /15 jnt/pbp/ms 4

5 Exemplos de cooperação A FIBA (Federação Internacional de Basquetebol) Europa tem vindo a implementar um programa de desenvolvimento há muitos anos, segundo o qual todas as federações nacionais europeias são incentivadas a candidatar-se a apoio financeiro. O programa de desenvolvimento centra-se em projetos que visam desenvolver a modalidade nos seus respetivos países. Muitos projetos geridos pelas federações nacionais são implementados em estreita cooperação com escolas, aumentando dessa forma a frequência da AF e o interesse pelo basquetebol. Há um tipo semelhante de apoio às federações nacionais dado pela CEV (Confederação Europeia de Voleibol) que dá particular ênfase às crianças e jovens no sistema de ensino. Considerando a importância dupla das competências de natação (segurança na água e desenvolvimento da aptidão física), é importante realçar a iniciativa da FINA (Federação Internacional de Natação) na gestão do programa Swimming For All, Swimming For Life. As federações nacionais desempenham um papel importante na implementação do programa. As aulas de natação são obrigatórias e fazem parte do currículo escolar em muitos Estados-Membros da UE, em especial nos níveis de ensino iniciais. Por conseguinte, a cooperação entre o setor do desporto e as instituições de ensino nesta área proporciona benefícios mútuos. O floorball é uma modalidade que começou por ser jogada por diversão como passatempo em algumas escolas. Atualmente, a IFF (Federação Internacional de Floorball) está a implementar programas em cooperação com as instituições de ensino. A cooperação é incentivada, por exemplo, através de orientações sobre como criar um clube vespertino de floorball numa escola. As atividades vespertinas baseiam-se no facto de o clube prestar orientações às escolas e recorrer às suas instalações. 8096/15 jnt/pbp/ms 5

6 Debate ministerial A Presidência gostaria de realizar progressos na identificação de possíveis soluções e boas práticas sobre como aumentar a cooperação entre as instituições de todos os níveis de ensino e o setor do desporto. Neste contexto, e na preparação para o debate de orientação no Conselho, os ministros são convidados a refletir sobre as seguintes questões: 1. Como avalia a cooperação no seu país entre as instituições de todos os níveis de ensino e o setor do desporto? Quais são as boas práticas em matéria de modelos de cooperação ou os exemplos que gostaria de promover? 2. Quais são os principais obstáculos e desafios para essa cooperação? Como podem ser criadas mais sinergias e benefícios mútuos? 8096/15 jnt/pbp/ms 6

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