Os sufixos nominalizadores ção e mento*

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Os sufixos nominalizadores ção e mento*"

Transcrição

1 Os sufixos nominalizadores ção e mento* Solange Mendes Oliveira 1 1 Centro de Comunicação e Expressão Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Campus Universitário Trindade - CEP Florianópolis SC Brasil Abstract. The purpose of the present study is to discuss, according to the theory on Distributed Morphology (Halle and Marantz, 1993; Marantz, 1996, 1997; Halle, 2000; Embick, 2000; Embick and Noyer, 2004), the peculiarities of the nominal suffixes ção and mento in the derivations formed from the adjunctions of these morphemes to a verbal base. We explore the hypothesis that there are semantic restrictions in the derivative forms on the part of the stems, which will permit sometimes the verbal base adjunction to the nominal suffix ção, and sometimes to the nominal suffix mento. Keywords. suffixes ção and mento; Distributed Morphology. Resumo. Este artigo discute, à luz do arcabouço teórico da Morfologia Distribuída (Halle e Marantz, 1993; Marantz, 1996, 1997; Halle, 2000; Embick, 2000; Embick e Noyer, 2004), as peculiaridades dos sufixos nominalizadores - ção e - mento nas derivações formadas a partir da adjunção destes morfemas a uma base verbal. Explora-se a hipótese de que nas formações derivadas há restrições de cunho aspectual impostas pela raiz, que vão permitir ora a adjunção da base verbal ao sufixo nominalizador ção, ora ao sufixo nominalizador mento. Palavras-chaves. sufixos ção e mento; Morfologia Distribuída. 1. Introdução A adjunção dos sufixos nominalizadores ção e -mento às raízes verbais forma substantivos abstratos, como perseguição, obrigação, posicionamento, questionamento etc.; entretanto, isto não ocorre de forma aleatória, pois temos, por exemplo, distribuição, e não *distribuimento, assim como endividamento, e não *endividação. Sendo assim, explora-se a hipótese de que as raízes verbais impõem restrições de cunho aspectual às formações derivadas, que vão permitir ora a adjunção da base verbal ao sufixo nominalizador ção, ora ao sufixo nominalizador mento. O trabalho divide-se em três seções. Primeiramente, delineam-se os aspectos mais importantes da Morfologia Distribuída, que são relevantes para explicar a adjunção dos sufixos em questão a uma raiz verbal; em seguida, apresenta-se uma proposta de análise para explicar a adjunção de ção e mento às diferentes bases verbais; a última seção apresenta as conclusões do trabalho. 2. A Morfologia Distribuída A teoria da Morfologia Distribuída (doravante, MD) propõe uma arquitetura de gramática na qual um único sistema gerativo, a sintaxe, congrega palavras e sintagmas que são submetidos a dois outros módulos independentes, a morfologia e a fonologia. Em sua essência, portanto, a abordagem da MD para a morfologia é sintática. Alguns aspectos da formação de palavras surgem de operações sintáticas (Merge, Move), enquanto outros aspectos são realizados por operações que ocorrem em Estudos Lingüísticos XXXVI(1), janeiro-abril, p. 87 / 96

2 PF. É este fato que justifica o termo Morfologia Distribuída (Embick e Noyer, 2004). As unidades que estão sujeitas às operações sintáticas Merge e Move os morfemas - são os nós terminais dos diagramas em árvore. Estes morfemas são compostos de um complexo de traços gramaticais/sintático-semânticos e, dependendo da variedade de traços que eles contêm, são definidos ou como morfemas abstratos ou como Raízes. Morfemas não têm conteúdo fonológico, que é atribuído via Inserção de Vocabulário ou Spell-out. A Inserção Vocabular é governada pelo Princípio de Subconjunto, que diz que é o item do vocabulário que se combinar com o maior número de traços especificados no morfema terminal que será inserido naquela posição; se o item do vocabulário contiver traços não presentes no morfema, a inserção não ocorrerá (Halle, 2000, p.131). Os itens do vocabulário são, então, uma relação entre um fragmento fonológico e uma informação sobre onde este fragmento pode ser inserido. Todos os itens do vocabulário competem pela inserção. A Inserção Vocabular é responsável também pelo fornecimento de traços fonológicos às raízes. A estrutura interna das palavras é, portanto, um produto da sintaxe e de operações (morfológicas e morfonológicas) no componente PF (Marantz, 1996). Enquanto os traços que compõem os morfemas são universais, as Raízes são combinações (específicas) de sons e significados específicos das línguas. Segundo Marantz (1996), nossas categorias sintáticas usuais nomes, verbos e adjetivos são, na verdade, categorias morfológicas que emergem durante a derivação somente no contexto de certas projeções funcionais, isto é, um nome é uma Raiz em um local relacionado com um núcleo funcional particular D(eterminante). As Raízes são então categorizadas quando estiverem em um local que se relacione com um dos núcleos funcionais doadores de categoria: nome (n), adjetivo (a) ou verbo (v), ou seja, os núcleos funcionais determinam no ambiente da Raiz a categoria a que ela pertence. As palavras pertencem às categorias morfológicas, mas são sempre derivadas sintaticamente (Marantz, 1996, 1997; Embick, 2000). Assim, no quadro da MD, a formação de palavras é possível quando a uma raiz ( ) adjungir-se um afixo derivacional portador de categoria morfossintática. Somente assim forma-se um nome (n), ou um adjetivo (a), ou um verbo (v). Segundo Marantz (1997), há um continuum entre os significados de morfemas atômicos e palavras derivadas. As palavras então podem ter significados especiais do tipo que as raízes devem ter, mas sintaticamente as estruturas derivadas devem ter significados predizíveis a partir dos significados de suas partes e de suas estruturas internas. Assim, formações como transmissão, administração, por exemplo, carregam a implicação semântica de sua estrutura interna, que inclui um verbo aspectual (v), um verbo raiz ( ), e um sufixo nominalizante. Para o autor, as categorias semânticas devem ser predizíveis com base na estrutura sintática, e, portanto, as categorias semânticas são decorrentes dos ambientes verbais e nominais. Entre as categorias funcionais em cujos ambientes as raízes se tornam verbos, estão ν-1 e v-2. A categoria funcional ν-1 projeta um agente (como, por exemplo, o verbo destruir), enquanto que ν-2 (como os verbos crescer e quebrar) não o faz. Verbos como destruir têm a propriedade aspectual [evento não causado internamente], o que implica causa externa ou agente, enquanto que verbos como crescer e quebrar têm a propriedade aspectual [mudança de estado causada internamente], o que implica Estudos Lingüísticos XXXVI(1), janeiro-abril, p. 88 / 96

3 resultado de mudança de estado. Portanto, há uma aparente incompatibilidade entre ν-2 e verbos que impliquem causas externas ou agentes, como o verbo destruir (cf. João destruiu a cidade e *A cidade destruiu ). O exemplo em (1), abaixo, ilustra o uso nominal da raiz de verbos como destruir, em que a concatenação de uma raiz com D a coloca em um contexto nominal e, como conseqüência, não há nenhum elemento agentivo para o sintagma nominal (Marantz 1997, p. 218): (1) a destruição da cidade. D nominalizador D DESTRUIR DESTRUIR a cidade Já o agente da projeção ν-1, que serve para verbalizar as raízes, ocorre na sentença em (2): (2) João destruiu a cidade. ν -1 ν-1 DESTRUIR DESTRUIR verbalizador a cidade O ambiente verbal em (2) revela, semanticamente, um evento não causado internamente, e, conseqüentemente, um agente externo. O ambiente nominal em (1) igualmente denota um evento não causado internamente. Já em (3) abaixo, temos um exemplo de ν-2, em que a raiz do verbo crescer faz referência a uma mudança de estado causada internamente: (3) O mato cresceu. ν-2 verbalizador ν-2 CRESCER CRESCER A raiz CRESCER, ao contrário de DESTRUIR, é não-agentiva. Conseqüentemente, quando crescer é colocado em um ambiente nominal, não há nenhum agente para o sintagma nominal, e temos somente o crescimento do mato. Assim, destruir / destruição parecem reter seu agente, enquanto que crescer/crescimento perdem a possibilidade de expressar o causador agentivo. A solução para esta configuração é puramente sintática. A raiz lexical por trás tanto do verbo destruir como do nome destruição inclui significado causativo, então, implica um agente. Por outro lado, na raiz por trás de crescer e crescimento falta o significado causativo. Há diversas diferenças entre ambientes sentenciais e nominais; entre elas está a possível presença de um agente sintaticamente projetado: ambientes sentenciais Estudos Lingüísticos XXXVI(1), janeiro-abril, p. 89 / 96

4 verbais permitem estes agentes, enquanto ambientes nominais não o permitem. Assim, para Marantz (1996, p.19), o nó aspecto sintaticamente pode projetar um agente. Embick (2000, p.217) igualmente aponta para uma conexão direta entre as propriedades aspectuais que estão implicadas nas nominalizações e as propriedades da estrutura funcional. Esta configuração sintática está ilustrada em (4): (4) Estrutura sintática das formações deverbais: AspP Asp vp v P Raiz Para Embick, os traços de v (o núcleo v é um verbo leve, funcional) dizem respeito à agentividade/causatividade e eventividade ou estatividade. Asp contém traços que se referem às propriedades dos núcleos funcionais. As Raízes, como já vimos, não carregam noções morfológicas de categoria; os núcleos funcionais são identificáveis em termos de seu contexto de traços sintático-semânticos e então desempenham um papel definido na realização morfológica da Raiz. Tomados juntos, os 2 núcleos funcionais (Asp e v) contêm informações aspectuais básicas acerca da eventividade ou estatividade. Em suma, no quadro teórico da MD, as raízes são a-categoriais; na sintaxe, são concatenadas (merged) com núcleos funcionais abstratos doadores de categoria. No domínio verbal, este núcleo é v (Chomsky, 1995). No ambiente não-verbal, este núcleo é n para os nomes e a para os adjetivos. A realização fonológica destes núcleos doadores de categoria é tipicamente um sufixo derivacional. Se os afixos contiverem traços fonológicos, o radical será derivado. Uma palavra só é concebida como morfologicamente bem formada após o cumprimento da condição de adjunção de um sufixo temático ao radical. No componente morfológico ocorre a operação de Inserção Vocabular, tendo como resultado a inserção da raiz ( ) e a inserção do afixo derivacional, que é sintaticamente motivado, embora não seja pronunciado. Um afixo tem, então, um traço de seleção categorial que determina sua inserção em uma estrutura morfológica. A informação que permite diferenciar as formas derivadas de formas simples, segundo este modelo teórico, é o conteúdo fonológico do afixo doador de categoria morfossintática à raiz. 3. Os sufixos nominalizadores -ção e mento Nesta seção, analisam-se as formações derivadas com ção e mento com o intuito de sustentar a hipótese de que nessas derivações há restrições semânticas por parte da raiz, que vão permitir ora a adjunção da base verbal ao sufixo nominalizador ção, ora ao sufixo nominalizador mento. Para isso, duas proposições teóricas norteiam este estudo: (i) Raízes ( ) são categorias neutras e somente adquirem categoria morfossintática quando a elas for adicionado um morfema definidor de categoria, isto é, um afixo derivacional que contenha traços fonológicos (Marantz, 1996, 1997; Embick, 2000); neste caso, -ção e mento. Estudos Lingüísticos XXXVI(1), janeiro-abril, p. 90 / 96

5 (ii) As nominalizações são sensíveis ao aspecto verbal quando este é sintaticamente expresso; logo, em uma formação derivada interagem as propriedades aspectuais da forma verbal e do morfema. Os sufixos nominais -ção e -mento acrescentam-se somente a temas verbais (tema = raiz + vogal temática) e têm como resultado nomes abstratos: armação, laminação, fundição, punição, rendição, reparação, agradecimento, andamento, atrevimento, sentimento, sofrimento etc. Certos substantivos com sentido concreto, como documento, monumento etc., vieram com sentido especializado do latim para o português (Said Ali, 2001, p.180). Em se tratando de verbos regulares que pertençam à primeira conjugação (-ar) ou à terceira conjugação (-ir), há a anexação de mento e ção diretamente aos temas verbais: arma(r)ção, fundi(r)ção, puni(r)ção; casa(r)mento, orna(r)mento, feri(r)mento etc. Se os verbos pertencem à segunda conjugação (-er), quem ganha a disputa pela inserção vocabular é o alomorfe (-i-) da vogal temática (-e-) - confiram-se, por exemplo, rendi/rendeste; sofri/sofreste; agradeci/agradeceste etc.: sofrimento, agradecimento, rendição, perdição etc. Passemos então à análise das formações derivadas com o sufixo nominalizador ção, seguindo o modelo proposto por Marantz (1996, 1997) e Embick (2000): 3.1 Sufixo -ção Observem-se primeiramente alguns exemplos de formações relevantes para a discussão: (5) Formações derivadas a partir de uma forma verbal + -ção: nomeação mastigação aceleração aparição declaração rendição dedetização destruição criação perdição obrigação localização gesticulação administração averiguação realização sinalização transmissão comparação oração punição digitação penalização operacionalização reparação povoação viabilização regionalização fundição perseguição capacitação robotização divulgação laminação armação coroação valorização fundição renovação elaboração renovação acomodação animação estruturação aprovação traição utilização formulação afirmação dinamização instalação invenção consecução afinação composição esfregação retificação islamização exteriorização centralização focalização legalização organização caracterização pulverização polemização estilização generalização popularização canonização alimentação comparação suavização invocação solução posição instrução configuração redução sinalização Olhando as formações exemplificadas acima, o que se observa é que em todas elas o evento não é causado internamente; portanto, estes dados indicam que as formas Estudos Lingüísticos XXXVI(1), janeiro-abril, p. 91 / 96

6 verbais que compõem essas formações têm agentes implicados por um evento com causa externa pertencem, portanto, à classe ν-1. A noção [causação não-interna] é uma propriedade inerente a essas raízes e é decorrência semântica do molde morfossintático [tema verbal + sufixo -ção nominalizador]. O sufixo ção é, pois, um morfema agentivo/causativo, já que se adjunge a verbos agentivos/causativos, que exigem um agente: nomear/nomeação, declarar/declaração, punir/punição, reparar/reparação, fundir/ fundição etc. O morfema causativo, segundo Chafe (1979, p.131), converte uma raiz verbal que é processo em uma que, por derivação, denota tanto processo como o resultado da ação. O sufixo ção adjunge-se tanto a bases verbais primitivas render, inventar, criar, trair, obrigar, perder etc., como a bases verbais derivadas com o sufixo izar, que encerra idéia causativa (cf. Coutinho, 1976, p. 173): sinalizar, valorizar, focalizar, localizar, popularizar, penalizar, dinamizar, organizar, realizar, generalizar etc. As nominalizações são produzidas quando se coloca uma raiz em um contexto verbal e, este, em um contexto nominal. A interação que se estabelece entre as implicações semânticas da raiz verbal e do sufixo nominalizador ção está representada no diagrama em (6): (6) np n AspP Asp vp -ÇÃO [morfema +agentivo/] +causativo v DECLARAR [causação externa ou agente] DECLARAR A derivação ocorre como exposto abaixo, na qual, com base em Lemle (2002), coloca-se em prática, na análise, a interação entre a semântica do componente lexical e do afixo derivacional: 1º) a raiz DECLARAR entra na derivação e é concatenada ao núcleo funcional verbalizador v, que tem o traço aspectual [causação externa]; 2º) o morfema ção, inserido no núcleo funcional Asp, carrega o traço [+agentivo] e é semanticamente compatível com o traço [causação externa] da raiz; 3º) a raiz declarar se concatena ao morfema -ção, que preenche a exigência semântica de agentividade; 4º) na parte fonológica da derivação, o núcleo funcional nominalizador n atrai a forma [declarar + ção], que se move para incorporar-se a n, formando declaração. Neste ponto, a derivação se encontra como em (7): Estudos Lingüísticos XXXVI(1), janeiro-abril, p. 92 / 96

7 (7) Spell-Out np n AspP declaração [resultado da ação/agenti- Asp vp vidade] -ÇÃO [morfema +agentivo/ +causativo] v DECLARAR [causação externa ou agente] DECLARAR Passemos agora à análise de derivações formadas a partir de uma base verbal + o sufixo nominalizador mento. 3.2 Sufixo mento Observem-se primeiramente as formações derivadas exemplificadas em (8): (8) Formações derivadas a partir de uma forma verbal + -mento: enriquecimento melhoramento encadeamento apagamento rejuvenescimento atrevimento alongamento falecimento vivenciamento agradecimento desenvolvimento juramento aprofundamento posicionamento empobrecimento sofrimento atrelamento aprimoramento cometimento alagamento alargamento amadurecimento ajustamento levantamento sentimento prevalecimento andamento envelhecimento florescimento aguçamento ferimento carregamento esfriamento abastecimento movimento alinhamento engrandecimento aparelhamento estabelecimento amolecimento rebaixamento aperfeiçoamento pronunciamento embelezamento encarceramento encantamento enfraquecimento endurecimento emagrecimento conhecimento escurecimento favorecimento esclarecimento sombreamento questionamento encurtamento apodrecimento enrubescimento encaminhamento barateamento embranquecimento parecimento fingimento empilhamento engavetamento enquadramento asfaltamento enraizamento bombardeamento arredondamento constrangimento esvaziamento amaciamento mascaramento cerceamento fechamento enrijecimento alçamento agrupamento alvejamento Analisando as formações derivadas exemplificadas acima, o que se observa é que todas as formas verbais que permitem a adjunção de -mento têm agentes implicados por situações com causação interna pertencem, portanto, à classe ν-2. A noção [causação interna] é então decorrência semântica do molde morfossintático [raiz + -mento]. Desta forma, -mento é um morfema não-agentivo, dado que se adjunge a Estudos Lingüísticos XXXVI(1), janeiro-abril, p. 93 / 96

8 verbos não-agentivos e não-causativos: amadurecer, florescer, esfriar, falecer, envelhecer, embelezar, enfraquecer, fingir etc. As raízes verbais que compõem as derivações em (9) denotam mudança de estado e as formações derivadas exprimem o resultado da mudança de estado. A noção [causação interna] é uma propriedade inerente a essas raízes, e verbos com estas propriedades temáticas são tanto inceptivos, isto é, implicam situações cuja realização denota o começo de uma outra situação, como incoativos, ou seja, implicam mudança de estado (cf. Travaglia, 1994; Castilho, 2002) ou conversão de uma configuração em outra (Chafe, 1970, p.124), como se pode observar em: amadurecer/amadurecimento; sofrer/sofrimento; sentir/sentimento; mover/movimento; falecer/falecimento; atrever/atrevimento; fingir/fingimento etc. O sufixo mento adjunge-se a várias bases verbais formadas por derivação parassintética. Estas bases são formadas: a) da adjunção do prefixo a-, que indica mudança de estado (cf. Coutinho, 1976, p.177), a um substantivo ou adjetivo + o sufixo verbal -ar: alagar, alinhar, agrupar, alargar, amaciar, arredondar etc.; b) da adjunção do prefixo a- a um adjetivo + o sufixo ecer, que exprime idéia incoativa (cf. Coutinho, 1976, 177): agradecer, apodrecer, amolecer, amadurecer etc.; c) da adjunção do prefixo e-/en-/in-, que exprime idéia de movimento para dentro (cf. Coutinho, 1976, p.177), a um adjetivo + o sufixo ecer: enriquecer, envelhecer, engrandecer, emagrecer, empobrecer, embranquecer, enfraquecer etc.; d) da adjunção do prefixo re-, que indica outra vez (cf. Said Ali, 2001, p.187), ou do prefixo es- que denota intensidade (cf. Coutinho, 1976, p.177), a um adjetivo + o sufixo ecer/-scer: rejuvenescer, esclarecer, escurecer etc. As formações derivadas a partir de mento podem ainda indicar o meio ou o instrumento, como em ferramenta, vestimenta etc., das quais não nos ocuparemos aqui. A interação entre a semântica da raiz verbal e o sufixo nominalizador -mento está representada no diagrama em (9): (9) np n AspP Asp vp -MENTO [morfema nãoagentivo] v SENTIR [causação interna] SENTIR Assim ocorre a derivação, na qual, se coloca na descrição, a interação entre a semântica do componente lexical e do afixo derivacional (Lemle 2002): 1º) a raiz SENTIR entra na derivação e é concatenada ao núcleo funcional verbalizador v, que tem o traço aspectual [causação interna]; 2º) o morfema mento, inserido no núcleo funcional Asp, carrega o traço [-agentivo] e é semanticamente compatível com o traço [causação interna] da raiz; 3º) a raiz sentir se concatena ao morfema -mento, que preenche a exigência semântica de não-agentividade; Estudos Lingüísticos XXXVI(1), janeiro-abril, p. 94 / 96

9 4º) na derivação fonológica, o núcleo funcional nominalizador n atrai a forma [sentir + mento], que se move para incorporar-se a n, formando sentimento. A derivação, neste ponto, encontra-se como representada em (10): (10) Spell-Out np n AspP sentimento [resultado da mudança de estado] Asp -MENTO [morfema não-agentivo] vp v [causação interna] SENTIR SENTIR Observou-se que há algumas formações duplas na língua, como ligação e ligamento; internação e internamento; salvação e salvamento. Os vocábulos ligação ( ato ou efeito de ligar ) e ligamento ( tecido fibroso que constitui meio de união de articulações ou de partes ósseas ) não são palavras derivadas, mas são formas primitivas, provenientes do latim ligatione e ligamentu, respectivamente (Dicionário Aurélio, 1999, p. 1212). O mesmo acontece com os vocábulos salvação ( ato ou efeito de salvar ) e salvamento ( operação ou efeito de salvar ), que provêm, respectivamente, do latim salvatione e salvamentu (Dicionário Aurélio, 1999, p.1805). Supõe-se que, provavelmente, deveria haver, em latim, uma diferença de sentido entre essas formas. Já internação e internamento são realmente formas derivadas formadas a partir da adjunção de ção e mento ao verbo internar, constituindo, assim, uma rara exceção. Ambas as formas são sinônimas e exprimem ato ou efeito de internar(se) (Dicionário Aurélio, 1999, p.1126). Será que há algum tipo de diferença semântica na interpretação dessas palavras por parte dos falantes? Aqui está um dado para ser investigado em pesquisas futuras. 4. Considerações finais A análise das formações derivadas com ção e mento leva-nos a concluir que: a) Os verbos que se adjungem ao sufixo nominalizador ção denotam um evento não causado internamente, o que implica em causa externa ou agente, e têm como resultado uma forma derivada que denota o resultado da ação ou da agentividade; b) Já os verbos que se adjungem ao sufixo mento denotam mudança de estado causada internamente, o que implica em causa interna, e têm como resultado uma forma derivada que denota mudança de estado; c) As nominalizações são sensíveis ao aspecto, que, por sua vez, decorre da estrutura [raiz + sufixo nominalizador]; portanto, nas formações derivadas há restrições semânticas por parte da raiz, já que nessas formações interagem as propriedades aspectuais da forma verbal e do morfema; Estudos Lingüísticos XXXVI(1), janeiro-abril, p. 95 / 96

10 d) Verbos causativos não podem passar a verbos de mudança de estado com causadores internos: *administramento, *nomeamento; e nem verbos não-causativos podem passar a verbos de mudança de estado com causadores externos: *enriquecição, *envelhecição etc.; e) A morfologia derivacional deve ser sintática e não lexical, mas sem desobedecer às restrições semânticas impostas pelas raízes e pelos morfemas. * Agradeço a Maria Cristina Figueiredo Silva a leitura cuidadosa deste texto. Se alguns problemas ainda persistem, são de minha inteira responsabilidade 5. Referências bibliográficas CHAFE, Wallace L. Meaning and the structure of language. Chicago: The University of Chicago Press, Trad. NEVES, Maria Helena Moura et al. Significado e estrutura lingüística. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, CHOMSKY, N. The minimalist program. Cambridge, Massachusets: MIT Press, COUTINHO, Ismael de Lima. Pontos de gramática histórica. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, EMBICK, David. Features, syntax and categories in the latin perfect. In: Linguistic inquiry. Cambridge, Massachusets: MIT Press, v.31, n.2, p , ; NOYER, Rolf. Distributed morphology and the syntax/morphology interface. In: RAMCHAND,G.; REISS, C. (ed.). The Oxford handbook of linguistic interfaces. Oxford: University Press, p FERREIRA, A.B. de H. Novo Aurélio século XXI: o dicionário da língua portuguesa. 3 ed., Rio de Janeiro: Nova Fronteira, HALLE, Morris. Distributed morphology: impoverishment and fission. In: Current issues in linguistic theory. Philadelphia, v.202, p , ; MARANTZ, Alec. Distributed morphology and the pieces of inflection. In: HALE, Kenneth.; KEYSER, Samuel J. (eds.). The view from building 20: essays in linguistics in honor of Sylvain Bromberger. Cambridge, Massachusets: MIT Press, cap. 3, p , LEMLE, Miriam. Sufixos em verbos: onde estão e o que fazem. In: Revista Letras, Curitiba, n.58, p , jul/dez Ed. da UFPR. MARANTZ, Alec. Cat as a phrasal idiom: consequences of late insertion in distributed morphology. Cambridge, Massachusets: MIT Press, Manuscrito.. No escape from syntax: don t try morphological analysis in the privacy of your own lexicon. In: DIMITRIADIS, A.; SIEGEL, L. et al. (eds.). University of Pennsylvania working papers in linguistics. Proceedings of the 21 st Annual Penn Linguistics Colloquium, v.4, n.2, p , SAID ALI, M. Gramática histórica da língua portuguesa. 8 ed. rev. e atual. São Paulo: Companhia Melhoramentos, TRAVAGLIA, Luiz Carlos. O aspecto verbal no português: a categoria e sua expressão. Uberlândia: EDUFU, Estudos Lingüísticos XXXVI(1), janeiro-abril, p. 96 / 96

REVEL NA ESCOLA: MORFOLOGIA DISTRIBUÍDA

REVEL NA ESCOLA: MORFOLOGIA DISTRIBUÍDA SCHER, Ana Paula. ReVEL na escola: Morfologia Distribuída. ReVEL, v. 13, n. 24, 2015. [www.revel.inf.br]. REVEL NA ESCOLA: MORFOLOGIA DISTRIBUÍDA Ana Paula Scher 1 Universidade de São Paulo Os processos

Leia mais

Pronomes resumptivos e identidade temática em sentenças possessivas

Pronomes resumptivos e identidade temática em sentenças possessivas Pronomes resumptivos e identidade temática em sentenças possessivas Juanito Avelar Instituto de Estudos da Linguagem Universidade Estadual de Campinas juanitoavelar@uol.com.br Resumo. À luz da Morfologia

Leia mais

A MORFOLOGIA EM LIBRAS Flancieni Aline R. Ferreira (UERJ) flan.uerj@hotmail.com

A MORFOLOGIA EM LIBRAS Flancieni Aline R. Ferreira (UERJ) flan.uerj@hotmail.com XVIII CONGRESSO NACIONAL DE LINGUÍSTICA E FILOLOGIA A MORFOLOGIA EM LIBRAS Flancieni Aline R. Ferreira (UERJ) flan.uerj@hotmail.com RESUMO Neste trabalho, discutiremos sobre o estudo morfossintático da

Leia mais

3. PRESSUPOSTOS TEÓRICOS

3. PRESSUPOSTOS TEÓRICOS 3. PRESSUPOSTOS TEÓRICOS Este capítulo é consagrado à exposição do modelo teórico adotado, a teoria da Morfologia Distribuída, a qual vai sendo passo a passo descrita, na seção 3.1 e subseções seguintes.

Leia mais

A gente em relações de concordância com a estrutura pronome reflexivo + verbo na variedade alagoana do PB 1

A gente em relações de concordância com a estrutura pronome reflexivo + verbo na variedade alagoana do PB 1 A gente em relações de concordância com a estrutura pronome reflexivo + verbo na variedade alagoana do PB 1 Ahiranie Sales Santos Manzoni 2 Renata Lívia de Araújo Santos 3 RESUMO: Este artigo analisa a

Leia mais

MORFOLOGIA DISTRIBUÍDA: REVENDO OS CONCEITOS DE FISSÃO

MORFOLOGIA DISTRIBUÍDA: REVENDO OS CONCEITOS DE FISSÃO CYRINO, J. P. L; ARMELIN, P. R. G.; SCHER, A. P. Morfologia Distribuída: revendo os conceitos de Fissão. Revista Virtual de Estudos da Linguagem ReVEL. Vol. 6, n. 10, março de 2008. ISSN 1678-8931 [www.revel.inf.br].

Leia mais

4. A nominalização em Inglês e Português. Derivados nominais e nominalizações gerundivas.

4. A nominalização em Inglês e Português. Derivados nominais e nominalizações gerundivas. 36 4. A nominalização em Inglês e Português. Derivados nominais e nominalizações gerundivas. Em inglês, diversos nominais são formados a partir do processo de adição de sufixos, como er, e ing às suas

Leia mais

Marília Facó Soares I

Marília Facó Soares I Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 3, n. 1, p. 51-63, jan.-abr. 2008 Língua/linguagem e tradução cultural: algumas considerações a partir do universo Ticuna Language and cultural

Leia mais

RESENHA DE MANUAL DE MORFOLOGIA DO PORTUGUÊS, DE MARIA NAZARÉ DE CARVALHO LAROCA

RESENHA DE MANUAL DE MORFOLOGIA DO PORTUGUÊS, DE MARIA NAZARÉ DE CARVALHO LAROCA QUADROS, Emanuel Souza. Resenha de Manual de morfologia do português, de Maria Nazaré de Carvalho Laroca. ReVEL, vol. 7, n. 12, 2009. [www.revel.inf.br]. RESENHA DE MANUAL DE MORFOLOGIA DO PORTUGUÊS, DE

Leia mais

MORFOLOGIA DISTRIBUÍDA UMA ENTREVISTA COM ANA PAULA SCHER 1

MORFOLOGIA DISTRIBUÍDA UMA ENTREVISTA COM ANA PAULA SCHER 1 SCHER, Ana Paula. Morfologia Distribuída: uma entrevista com Ana Paula Scher. ReVEL, v. 13, n. 24, 2015. [www.revel.inf.br]. MORFOLOGIA DISTRIBUÍDA UMA ENTREVISTA COM ANA PAULA SCHER 1 Ana Paula Scher

Leia mais

Traços da distinção contável-massivo no Chinês e no Português Brasileiro

Traços da distinção contável-massivo no Chinês e no Português Brasileiro Traços da distinção contável-massivo no Chinês e no Português Brasileiro Nize Paraguassu Endereço Acadêmico: Departamento de Lingüística - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas Universidade

Leia mais

1 Introdução. 1.1 Apresentação do tema

1 Introdução. 1.1 Apresentação do tema 1 Introdução 1.1 Apresentação do tema Segundo Basílio (1987), as principais funções do léxico são a representação conceitual e o fornecimento de unidades básicas para a construção dos enunciados. Para

Leia mais

Lingüística Código HL808 (turma A) Nome da disciplina Leitura Orientada em Sintaxe terça: 10h30h 12h10h

Lingüística Código HL808 (turma A) Nome da disciplina Leitura Orientada em Sintaxe terça: 10h30h 12h10h Lingüística Código HL808 (turma A) Nome da disciplina Leitura Orientada em Sintaxe terça: 10h30h 12h10h Luiz Arthur Pagani Programa resumido Analisadores gramaticais são procedimentos para se executar

Leia mais

EVIDÊNCIAS DA ESTRUTURA BIPARTIDA DO VP NA LÍNGUA TENETEHÁRA

EVIDÊNCIAS DA ESTRUTURA BIPARTIDA DO VP NA LÍNGUA TENETEHÁRA EIDÊNCIAS DA ESTRUTURA BIPARTIDA DO P NA LÍNGUA TENETEHÁRA Introdução Quesler Fagundes Camargos / FALE - UFMG Fábio Bonfim Duarte / FALE - UFMG Neste trabalho, temos por objetivo investigar o estatuto

Leia mais

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO DESCRIÇÃO E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO SINTÁTICO E SEMÂNTICO DOS ADVÉRBIOS EM - MENTE Coordenador/E-mail: Gessilene Silveira Kanthack/

Leia mais

COMPOSTOS E EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS NO PORTUGUÊS BRASILEIRO

COMPOSTOS E EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS NO PORTUGUÊS BRASILEIRO COMPOSTOS E EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS NO PORTUGUÊS BRASILEIRO Maria Cristina FIGUEIREDO SILVA Universidade Federal do Paraná (UFPR)/CNPq 1 RESUMO Este trabalho investiga semelhanças e diferenças entre o que

Leia mais

O sufixo nominal agentivo -ante/-ente/-inte

O sufixo nominal agentivo -ante/-ente/-inte O sufixo nominal agentivo -ante/-ente/-inte Solange Mendes Oliveira - E-mailsmoliveira18@hotmail.com Doutoranda em Lingüística, na área de Teoria e Análise Lingüística, pela UFSC. Resumo: Este artigo analisa,

Leia mais

Em busca de um método de investigação para os fenômenos diacrônicos

Em busca de um método de investigação para os fenômenos diacrônicos 11 1 Em busca de um método de investigação para os fenômenos diacrônicos Grupo de Morfologia Histórica do Português (GMHP) Sobre a língua portuguesa não se desenvolveu, para além das listagens existentes

Leia mais

Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos 335

Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos 335 Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos 335 PROPRIEDADES SINTÁTICO-SEMÂNTICAS DE VERBOS ADJ-ECER Aucione Smarsaro (UFES) aucione@uol.com.br Larissa Picoli (UFES) larissa_picoli@hotmail.com

Leia mais

Os sufixos verbalizadores ear e ejar

Os sufixos verbalizadores ear e ejar Os sufixos erbalizadores ear e ejar Solange Mendes Olieira 1 1 Pós-graduação em Lingüística Uniersidade Federal de Santa Catarina (UFSC) smolieira18@hotmail.com Resumo. Neste estudo, descreem-se e analisam-se

Leia mais

Transparência semântica e mudança linguística: Renegociando a arbitrariedade

Transparência semântica e mudança linguística: Renegociando a arbitrariedade Transparência semântica e mudança linguística: Renegociando a arbitrariedade Thiago Oliveira da Motta Sampaio 1 Marília Uchoa Cavalcanti Lott de Moraes Costa 1 Daniela Cid de Garcia 1 RESUMO: Este artigo

Leia mais

Plano da Gestão 2012-2014 Grupo de Trabalho de Línguas Indígenas (GTLI)

Plano da Gestão 2012-2014 Grupo de Trabalho de Línguas Indígenas (GTLI) Plano da Gestão 2012-2014 Grupo de Trabalho de Línguas Indígenas (GTLI) Professora Doutora Dulce do Carmo Franceschini - Coordenadora Universidade Federal de Uberlândia - UFU Instituto de Letras e Linguística

Leia mais

INTERFACE ASPECTUAL EM VERBOS DE MOVIMENTO DO

INTERFACE ASPECTUAL EM VERBOS DE MOVIMENTO DO SAMPAIO, Thiago O. M.; FRANÇA, Aniela Improta. Interface aspectual em verbos de movimento do Português Brasileiro. Revista Virtual de Estudos da Linguagem ReVEL. Vol. 6, n. 10, março de 2008. ISSN 1678-8931

Leia mais

As palavras possuem, via de regra, elementos significativos chamados MORFEMAS.

As palavras possuem, via de regra, elementos significativos chamados MORFEMAS. ESTRUTURA DAS PALAVRAS As palavras possuem, via de regra, elementos significativos chamados MORFEMAS. Não se pode confundir MORFEMA e SÍLABA. Morfema é um fragmento significativo da palavra. Sílaba é um

Leia mais

O SISTEMA DE CASOS: INTERFACE ENTRE A MORFOLOGIA E A SINTAXE Dimar Silva de Deus (Unipaulistana)

O SISTEMA DE CASOS: INTERFACE ENTRE A MORFOLOGIA E A SINTAXE Dimar Silva de Deus (Unipaulistana) O SISTEMA DE CASOS: INTERFACE ENTRE A MORFOLOGIA E A SINTAXE Dimar Silva de Deus (Unipaulistana) dimmar@gmail.com O SISTEMA DE CASOS Quando se estudam línguas que comportam morfemas de caso, como o latim,

Leia mais

1 A Internet e sua relação com a linguagem na atualidade: algumas informações introdutórias

1 A Internet e sua relação com a linguagem na atualidade: algumas informações introdutórias 1 A Internet e sua relação com a linguagem na atualidade: algumas informações introdutórias Objetivamos, com esse trabalho, apresentar um estudo dos processos de importação lexical do português que ocorrem

Leia mais

A estrutura de evento de formações derivadas com -e(ar) e -ej(ar)

A estrutura de evento de formações derivadas com -e(ar) e -ej(ar) A estrutura de evento de formações derivadas com -e(ar) e -ej(ar) (The event structure of derivative formations with -e(ar) and -ej(ar)) Solange Mendes Oliveira 1 1 Universidade Tuiuti do Paraná (UTP)

Leia mais

Padrões de Competências para o Cargo de Professor Alfabetizador

Padrões de Competências para o Cargo de Professor Alfabetizador Padrões de Competências para o Cargo de Professor Alfabetizador Alfabetização de Crianças O Professor Alfabetizador é o profissional responsável por planejar e implementar ações pedagógicas que propiciem,

Leia mais

16 Pronúncia do Inglês

16 Pronúncia do Inglês Este livro tem por objetivo central apresentar os sons do inglês aos falantes do português brasileiro. Pretende-se, ainda, indicar algumas diferenças de pronúncia entre variedades do inglês falado em diferentes

Leia mais

ESCOLA BÁSICA FERNANDO CALDEIRA Currículo de Português. Departamento de Línguas. Currículo de Português - 7º ano

ESCOLA BÁSICA FERNANDO CALDEIRA Currículo de Português. Departamento de Línguas. Currículo de Português - 7º ano Departamento de Línguas Currículo de Português - Domínio: Oralidade Interpretar discursos orais com diferentes graus de formalidade e complexidade. Registar, tratar e reter a informação. Participar oportuna

Leia mais

PREDICADOS COMPLEXOS. Maria José Foltran* Preliminares

PREDICADOS COMPLEXOS. Maria José Foltran* Preliminares ESTUDOS LINGÜÍSTICOS PREDICADOS COMPLEXOS Maria José Foltran* Preliminares T? ste artigo tem um caráter eminentemente descritivo. Nosso proposito B J é mostrar que os chamados predicados complexos englobam

Leia mais

A relação forma significado em morfologia Maria do Céu Caetano

A relação forma significado em morfologia Maria do Céu Caetano A relação forma significado em morfologia Maria do Céu Caetano Abstract: With this short paper I intend to contrast two of the main morphological analysis models, i.e. the structuralist model (cf. Bloomfield

Leia mais

A HARMONIA VOCÁLICA EM VERBOS DE 2ª E 3ª CONJUGAÇÕES NO PORTUGUÊS BRASILEIRO

A HARMONIA VOCÁLICA EM VERBOS DE 2ª E 3ª CONJUGAÇÕES NO PORTUGUÊS BRASILEIRO A HARMONIA VOCÁLICA EM VERBOS DE 2ª E 3ª CONJUGAÇÕES NO PORTUGUÊS BRASILEIRO Guilherme Duarte GARCIA * (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) Emanuel Souza de QUADROS ** (Universidade Federal do Rio

Leia mais

Aula 1: Traços morfossintáticos

Aula 1: Traços morfossintáticos Aula 1: Traços morfossintáticos Quando pensamos nos elementos formativos da sintaxe, ou seja, com que tipos de elementos a sintaxe trabalha, pensamos automaticamente em palavras. Entretanto, essa não parece

Leia mais

(1) PALAVRA TEMA FLEXÃO MORFOLÓGICA RADICAL CONSTITUINTE TEMÁTICO

(1) PALAVRA TEMA FLEXÃO MORFOLÓGICA RADICAL CONSTITUINTE TEMÁTICO Alina Villalva 1 Radical, tema e palavra são termos familiares à análise morfológica, mas que, de um modo geral, têm sido mal aproveitados pelos diversos modelos que a praticam. Na verdade, estes conceitos

Leia mais

O estudo da linguagem, há pouco menos de dois séculos, ganhou um enfoque

O estudo da linguagem, há pouco menos de dois séculos, ganhou um enfoque EU GOSTO DE DOCE E EU VI A ELE NA PERSPECTIVA DA TEORIA DO CASO Daniel Mateus O Connell 1 INTRODUÇÃO O estudo da linguagem, há pouco menos de dois séculos, ganhou um enfoque diferente. Até então, as pesquisas

Leia mais

COMPLEMENTOS DATIVOS SEM PREPOSIÇÃO NO DIALETO MINEIRO

COMPLEMENTOS DATIVOS SEM PREPOSIÇÃO NO DIALETO MINEIRO CAVALCANTE, Rerisson. Complementos dativos sem preposição no dialeto mineiro. ReVEL, vol. 7, n. 12, 2009. [www.revel.inf.br]. COMPLEMENTOS DATIVOS SEM PREPOSIÇÃO NO DIALETO MINEIRO Rerisson Cavalcante

Leia mais

Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos

Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos O SUBJUNTIVO EM ORAÇÕES SUBORDINADAS: DESCRIÇÃO SINTÁTICA PELA TEORIA X-BARRA Mário Márcio Godoy Ribas (UEMS) marcioribas@gmail.com Nataniel dos Santos Gomes (UEMS) natanielgomes@hotmail.com 1. Considerações

Leia mais

SEM ESCAPATÓRIA DA SINTAXE: NÃO TENTE FAZER ANÁLISE MORFOLÓGICA NA PRIVACIDADE DO SEU PRÓPRIO LÉXICO 1

SEM ESCAPATÓRIA DA SINTAXE: NÃO TENTE FAZER ANÁLISE MORFOLÓGICA NA PRIVACIDADE DO SEU PRÓPRIO LÉXICO 1 MARANTZ, Alec. Sem escapatória da Sintaxe: não tente fazer análise morfológica na privacidade do seu próprio léxico. ReVEL, vol. 13, n. 24, 2015. Traduzido por Gabriel de Ávila Othero e Maria Cristina

Leia mais

SOBRE AUMENTATIVOS DE VERBOS

SOBRE AUMENTATIVOS DE VERBOS MEDEIROS, Alessandro Boechat. Sobre aumentativos de verbos. ReVEL, v. 13, n. 24, 2015. [www.revel.inf.br]. SOBRE AUMENTATIVOS DE VERBOS Alessandro Boechat de Medeiros 1 alboechat@gmail.com RESUMO: O presente

Leia mais

Linguística P R O F A. L I L L I A N A L V A R E S F A C U L D A D E D E C I Ê N C I A D A I N F O R M A Ç Ã O

Linguística P R O F A. L I L L I A N A L V A R E S F A C U L D A D E D E C I Ê N C I A D A I N F O R M A Ç Ã O Linguística P R O F A. L I L L I A N A L V A R E S F A C U L D A D E D E C I Ê N C I A D A I N F O R M A Ç Ã O U N I V E R S I D A D E D E B R A S Í L I A Conceito Ciência que visa descrever ou explicar

Leia mais

PARSER: UM ANALISADOR SINTÁTICO E SEMÂNTICO PARA SENTENÇAS DO PORTUGUÊS

PARSER: UM ANALISADOR SINTÁTICO E SEMÂNTICO PARA SENTENÇAS DO PORTUGUÊS Estudos Lingüísticos XXVI (Anais de Seminários do GEL) Trabalho apresentado no XLIV Seminário do GEL na UNITAU - Taubaté, em 1996 UNICAMP-IEL Campinas (1997), 352-357 PARSER: UM ANALISADOR SINTÁTICO E

Leia mais

REFERÊNCIAS DE TEMPO E ASPECTO DOS TEMPOS VERBAIS E DOS ADJUNTOS ADVERBIAIS DE TEMPO

REFERÊNCIAS DE TEMPO E ASPECTO DOS TEMPOS VERBAIS E DOS ADJUNTOS ADVERBIAIS DE TEMPO Anais do 5º Encontro do Celsul, Curitiba-PR, 2003 (1359-1367) REFERÊNCIAS DE TEMPO E ASPECTO DOS TEMPOS VERBAIS E DOS ADJUNTOS ADVERBIAIS DE TEMPO Solange Mendes OLIVEIRA (Universidade Federal de Santa

Leia mais

O VALOR ASPECTUAL NAS METÁFORAS VERBAIS: (RE)CONHECENDO UM MUNDO CONHECIDO 1

O VALOR ASPECTUAL NAS METÁFORAS VERBAIS: (RE)CONHECENDO UM MUNDO CONHECIDO 1 583 O VALOR ASPECTUAL NAS METÁFORAS VERBAIS: (RE)CONHECENDO UM MUNDO CONHECIDO 1 Thabyson Sousa Dias (UFT) thabyson.sd@uft.edu.br Este estudo tem por objetivo analisar e descrever metáforas com verbo de

Leia mais

Sintaxe e Semântica do Verbo em Línguas

Sintaxe e Semântica do Verbo em Línguas Sintaxe e Semântica do Verbo em Línguas Indígenas do Brasil Luciana Storto Bruna Franchetto Suzi Lima (Organizadoras) Sintaxe e Semântica do Verbo em Línguas Indígenas do Brasil Dados Internacionais de

Leia mais

Diagrama de Classes. Um diagrama de classes descreve a visão estática do sistema em termos de classes e relacionamentos entre as classes.

Diagrama de Classes. Um diagrama de classes descreve a visão estática do sistema em termos de classes e relacionamentos entre as classes. 1 Diagrama de Classes Um diagrama de classes descreve a visão estática do sistema em termos de classes e relacionamentos entre as classes. Um dos objetivos do diagrama de classes é definir a base para

Leia mais

ALFABETIZAÇÃO DE ESTUDANTES SURDOS: UMA ANÁLISE DE ATIVIDADES DO ENSINO REGULAR

ALFABETIZAÇÃO DE ESTUDANTES SURDOS: UMA ANÁLISE DE ATIVIDADES DO ENSINO REGULAR ALFABETIZAÇÃO DE ESTUDANTES SURDOS: UMA ANÁLISE DE ATIVIDADES DO ENSINO REGULAR INTRODUÇÃO Raquel de Oliveira Nascimento Susana Gakyia Caliatto Universidade do Vale do Sapucaí (UNIVÁS). E-mail: raquel.libras@hotmail.com

Leia mais

Agrupamento de Escolas de Terras de Bouro

Agrupamento de Escolas de Terras de Bouro Informação Prova de Equivalência à Frequência INGLÊS Abril 2015 2ºCiclo do Ensino Básico (Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho) Prova 06/2015 Tipo de Prova: Escrita e Oral Duração: 90 minutos + 15 minutos

Leia mais

RESENHA DE MORFOLOGIA DO PORTUGUÊS, DE ALINA VILLALVA

RESENHA DE MORFOLOGIA DO PORTUGUÊS, DE ALINA VILLALVA ROSA, Maria Carlota. Resenha de Morfologia do português, de Alina Villalva. ReVEL, vol. 7, n. 12, 2009. [www.revel.inf.br]. RESENHA DE MORFOLOGIA DO PORTUGUÊS, DE ALINA VILLALVA Maria Carlota Rosa 1 carlota@ufrj.br

Leia mais

SUGESTÕES PARA ARTICULAÇÃO ENTRE O MESTRADO EM DIREITO E A GRADUAÇÃO

SUGESTÕES PARA ARTICULAÇÃO ENTRE O MESTRADO EM DIREITO E A GRADUAÇÃO MESTRADO SUGESTÕES PARA ARTICULAÇÃO ENTRE O MESTRADO EM DIREITO E A GRADUAÇÃO Justificativa A equipe do mestrado em Direito do UniCEUB articula-se com a graduação, notadamente, no âmbito dos cursos de

Leia mais

Inglês 1ª / 2ª Fase 2014

Inglês 1ª / 2ª Fase 2014 INFORMAÇÃO PROVA DE EQUIVALÊNCIA À FREQUÊNCIA Inglês 1ª / 2ª Fase 2014 Prova 06 2014 6.º Ano de Escolaridade - 2.º Ciclo do Ensino Básico PROVA ESCRITA 50% 1. Objeto de avaliação, caraterísticas e estrutura

Leia mais

Reflexão: Abordagem ao domínio da matemática, comunicação oral e escrita na Educação de Infância

Reflexão: Abordagem ao domínio da matemática, comunicação oral e escrita na Educação de Infância 1 Reflexão: Abordagem ao domínio da matemática, comunicação oral e escrita na Educação de Infância Mariana Atanásio, Nº 2036909. Universidade da Madeira, Centro de Competência das Ciências Sociais, Departamento

Leia mais

CONTRA A SELEÇÃO DE ARGUMENTOS PELAS RAÍZES: NOMINALIZAÇÕES E VERBOS COMPLEXOS

CONTRA A SELEÇÃO DE ARGUMENTOS PELAS RAÍZES: NOMINALIZAÇÕES E VERBOS COMPLEXOS BASSANI, Indaiá de Santana; MINUSSI, Rafael Dias. Contra a seleção de argumentos pelas raízes: nominalizações e verbos complexos. ReVEL, v. 13, n. 24, 2015. [www.revel.inf.br]. CONTRA A SELEÇÃO DE ARGUMENTOS

Leia mais

Conteúdo Programático

Conteúdo Programático Conteúdo Programático Conhecimentos Básicos Português Básico Gramática Sobre o curso: Ele é direcionado a todo aluno que pretende construir uma base sólida de conhecimentos fundamentais para resolver as

Leia mais

PARTE 1 FONÉTICA CAPÍTULO 1 FONÉTICA...

PARTE 1 FONÉTICA CAPÍTULO 1 FONÉTICA... Sumário PARTE 1 FONÉTICA CAPÍTULO 1 FONÉTICA... 3 1.1. Fonema...3 1.2. Classificação dos fonemas...4 1.3. Encontros vocálicos...5 1.4. Encontros consonantais...5 1.5. Dígrafos...6 1.6. Dífono...7 1.7.

Leia mais

[FOCO] É QUE / [FOCO] QUE X WH É QUE / WH QUE

[FOCO] É QUE / [FOCO] QUE X WH É QUE / WH QUE [FOO] É QUE / [FOO] QUE X WH É QUE / WH QUE Mariana RESENES (UFS) ABSTRAT: Our aim in this paper is to show that sentences formed by [focus]that... are not derived from clefts [focus] is that, parallel

Leia mais

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DAS PROVAS / ATIVIDADES PEDAGÓGICAS Processo Seletivo 2016 para Ensino Fundamental e Ensino Médio

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DAS PROVAS / ATIVIDADES PEDAGÓGICAS Processo Seletivo 2016 para Ensino Fundamental e Ensino Médio / ATIVIDADES PEDAGÓGICAS 1º Ano do Ensino Fundamental (Alunos concluintes do 2º Período da Educação Infantil) Escrita do nome completo; Identificar e reconhecer as letras do alfabeto; Identificar e diferenciar

Leia mais

Informação-Prova de Equivalência à Frequência

Informação-Prova de Equivalência à Frequência Informação-Prova de Equivalência à Frequência 2º Ciclo do Ensino Básico Prova de Equivalência à Frequência de Língua Estrangeira I Inglês Escrita e Oral Prova 06/ 2013 Despacho normativo nº 5/ 2013, de

Leia mais

PLANIFICAÇÃO ANUAL 2015/2016 PORTUGUÊS - 3ºANO

PLANIFICAÇÃO ANUAL 2015/2016 PORTUGUÊS - 3ºANO DIREÇÃO DE SERVIÇOS DA REGIÃO ALGARVE Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas (Sede: Escola Secundária José Belchior Viegas) PLANIFICAÇÃO ANUAL 2015/2016 PORTUGUÊS - 3ºANO METAS Domínios/ Conteúdos

Leia mais

PLANEJAMENTO ANUAL / TRIMESTRAL 2013 Conteúdos Habilidades Avaliação

PLANEJAMENTO ANUAL / TRIMESTRAL 2013 Conteúdos Habilidades Avaliação Produção textual COLÉGIO LA SALLE BRASÍLIA Disciplina: Língua Portuguesa Trimestre: 1º Tipologia textual Narração Estruturação de um texto narrativo: margens e parágrafos; Estruturação de parágrafos: início,

Leia mais

ÁREA DO CONHECIMENTO: ( ) EXATAS (x)humanas ( )VIDA

ÁREA DO CONHECIMENTO: ( ) EXATAS (x)humanas ( )VIDA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA INSTITUCIONAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA ÁREA DO CONHECIMENTO: ( ) EATAS (x)humanas ( )VIDA PROGRAMA: ( x ) PIBIC PIBIC-Af (

Leia mais

Odilei França. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br

Odilei França. Este material é parte integrante do acervo do IESDE BRASIL S.A., mais informações www.iesde.com.br Odilei França Graduado em Letras pela Fafipar. Graduado em Teologia pela Faculdade Batista. Professor de Língua Portuguesa para concursos públicos há 22 anos. Sintaxe do período composto: parte II Período

Leia mais

Morfologia. Estrutura das Palavras. Formação de Palavras. Prof. Dr. Cristiano Xinelági Pereira

Morfologia. Estrutura das Palavras. Formação de Palavras. Prof. Dr. Cristiano Xinelági Pereira Morfologia Estrutura das Palavras Formação de Palavras Prof. Dr. Cristiano Xinelági Pereira Morfologia Estrutura das Palavras Morfemas Lexicais I. Radical É o elemento irredutível e comum a todas as palavras

Leia mais

GUARDANAPO: UMA PROPOSTA DE SUPORTE PUBLICITÁRIO (Área temática: L4 Teoria e Análise Linguística)

GUARDANAPO: UMA PROPOSTA DE SUPORTE PUBLICITÁRIO (Área temática: L4 Teoria e Análise Linguística) GUARDANAPO: UMA PROPOSTA DE SUPORTE PUBLICITÁRIO (Área temática: L4 Teoria e Análise Linguística) Luana Gerçossimo Oliveira 1 Universidade Federal de Viçosa (UFV) Este artigo traz uma breve discussão teórica

Leia mais

RELAÇÃO ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA. Miguél Eugenio Almeida UEMS Unidade Universitária de Jardim. 0. Considerações iniciais

RELAÇÃO ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA. Miguél Eugenio Almeida UEMS Unidade Universitária de Jardim. 0. Considerações iniciais RELAÇÃO ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA Miguél Eugenio Almeida UEMS Unidade Universitária de Jardim 0. Considerações iniciais A Relação entre fonética e fonologia compreende uma relação de interdependência,

Leia mais

CAUSATIVAS SINTÉTICAS NO DIALETO MINEIRO: NOVAS EVIDÊNCIAS A FAVOR DA ESTRUTURA BIPARTIDA DO VP?

CAUSATIVAS SINTÉTICAS NO DIALETO MINEIRO: NOVAS EVIDÊNCIAS A FAVOR DA ESTRUTURA BIPARTIDA DO VP? CAUSATIVAS SINTÉTICAS NO DIALETO MINEIRO: NOVAS EVIDÊNCIAS A FAVOR DA ESTRUTURA BIPARTIDA DO VP? Yara Rosa Bruno da SILVA Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC - MG) RESUMO Este artigo

Leia mais

Professora Verônica Ferreira PROVA CESGRANRIO 2012 CAIXA ECONÔMICA FEDERAL TÉCNICO BANCÁRIO

Professora Verônica Ferreira PROVA CESGRANRIO 2012 CAIXA ECONÔMICA FEDERAL TÉCNICO BANCÁRIO Professora Verônica Ferreira PROVA CESGRANRIO 2012 CAIXA ECONÔMICA FEDERAL TÉCNICO BANCÁRIO 1 Q236899 Prova: CESGRANRIO - 2012 - Caixa - Técnico Bancário Disciplina: Português Assuntos: 6. Interpretação

Leia mais

LETRAS 1º PERÍODO. Código Disciplina C/H Curso Disciplina C/H Código Curso Ano do Conclusão

LETRAS 1º PERÍODO. Código Disciplina C/H Curso Disciplina C/H Código Curso Ano do Conclusão LETRAS 1º PERÍODO Disciplina A Disciplina B 62961 Língua Portuguesa A 68 Língua Portuguesa A 68 Ementa: Estuda os fundamentos Ementa: Estudo da base fonéticofonológica teóricos da análise lingüística,

Leia mais

Língua(gem), Tecnologia e Informação

Língua(gem), Tecnologia e Informação Língua(gem), Tecnologia e Informação Língua, Tecnologia e Informação A Ciência da Informação estuda vários aspectos sobre o acesso ao registro, acesso ideal de maneira eficiente e eficaz O registro de

Leia mais

Administração Central Unidade de Ensino Médio e Técnico - CETEC. Ensino Técnico

Administração Central Unidade de Ensino Médio e Técnico - CETEC. Ensino Técnico Plano de Trabalho Docente 2013 Ensino Técnico ETEC Paulino Botelho Extensão Esterina Placco Código: 091.1 Município: São Carlos-SP Eixo Tecnológico: Gestão e Negócios Habilitação Profissional: Técnico

Leia mais

O USO DE FORMAS DO INDICATIVO POR FORMAS DO SUBJUNTIVO NO PORTUGUÊS BRASILEIRO.

O USO DE FORMAS DO INDICATIVO POR FORMAS DO SUBJUNTIVO NO PORTUGUÊS BRASILEIRO. O USO DE FORMAS DO INDICATIVO POR FORMAS DO SUBJUNTIVO NO PORTUGUÊS BRASILEIRO. ANA ALVES NETA Rua Treze de Maio, 1000 Vila Jadete - Januária-MG - CEP 39480-000 aalvesneta@yahoo.com.br Abstract: Under

Leia mais

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA POLO: UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO CCE LETRAS-LIBRAS BACHARELADO

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA POLO: UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO CCE LETRAS-LIBRAS BACHARELADO UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA POLO: UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO CCE LETRAS-LIBRAS BACHARELADO Joaquim Cesar Cunha dos Santos ATIVIDADE 07 DISCIPLINA:

Leia mais

SINTAXE E PROSÓDIA NA ORGANIZAÇÃO DA ESTRUTURA FRASAL DO PORTUGUÊS: UM ESTUDO DA DISTRIBUIÇÃO SINTÁTICA ENTRE ADVÉRBIOS E COMPLEMENTOS 1

SINTAXE E PROSÓDIA NA ORGANIZAÇÃO DA ESTRUTURA FRASAL DO PORTUGUÊS: UM ESTUDO DA DISTRIBUIÇÃO SINTÁTICA ENTRE ADVÉRBIOS E COMPLEMENTOS 1 SINTAXE E PROSÓDIA NA ORGANIZAÇÃO DA ESTRUTURA FRASAL DO PORTUGUÊS: UM ESTUDO DA DISTRIBUIÇÃO SINTÁTICA ENTRE ADVÉRBIOS E COMPLEMENTOS 1 335 Gabriel de Ávila Othero * Introdução Neste artigo, veremos alguns

Leia mais

O DISCURSO EXPOSITIVO ESCRITO NO ENSINO FUNDAMENTAL. UM ENFOQUE COGNITIVISTA E SEUS DESDOBRAMENTOS DIDÁTICOS

O DISCURSO EXPOSITIVO ESCRITO NO ENSINO FUNDAMENTAL. UM ENFOQUE COGNITIVISTA E SEUS DESDOBRAMENTOS DIDÁTICOS O DISCURSO EXPOSITIVO ESCRITO NO ENSINO FUNDAMENTAL. UM ENFOQUE COGNITIVISTA E SEUS DESDOBRAMENTOS DIDÁTICOS Luís Passeggi Universidade Federal do Rio Grande do Norte RESUMO: Propomos uma análise do discurso

Leia mais

PED LÍNGUA PORTUGUESA ORIENTAÇÕES ACADÊMICAS

PED LÍNGUA PORTUGUESA ORIENTAÇÕES ACADÊMICAS PED LÍNGUA PORTUGUESA ORIENTAÇÕES ACADÊMICAS Prezado aluno, O maior diferencial deste projeto pedagógico é o desenvolvimento da autonomia do estudante durante sua formação. O currículo acadêmico do seu

Leia mais

INFLUÊNCIAS DE BLOOMFIELD SOBRE A LINGUÍSTICA MODERNA Hely D. Cabral da Fonseca*

INFLUÊNCIAS DE BLOOMFIELD SOBRE A LINGUÍSTICA MODERNA Hely D. Cabral da Fonseca* 131 INFLUÊNCIAS DE BLOOMFIELD SOBRE A LINGUÍSTICA MODERNA Hely D. Cabral da Fonseca* RESUMO Este artigo tem como objetivo principal mostrar a influência de Bloomfield sobre a Lingüística Moderna. Procedemos

Leia mais

GRAMÁTICA E MODALIDADE UMA ANÁLISE DE VERBOS MODAIS EM DUAS GRAMÁTICAS DE LÍNGUA INGLESA

GRAMÁTICA E MODALIDADE UMA ANÁLISE DE VERBOS MODAIS EM DUAS GRAMÁTICAS DE LÍNGUA INGLESA GRAMÁTICA E MODALIDADE UMA ANÁLISE DE VERBOS MODAIS EM DUAS GRAMÁTICAS DE LÍNGUA INGLESA Camila Nunes de Souza 1 Grande parte das gramáticas apresenta os verbos modais como unidades, fragmentando, definindo

Leia mais

Informação-Prova de Equivalência à Frequência

Informação-Prova de Equivalência à Frequência Informação-Prova de Equivalência à Frequência ENSINO SECUNDÁRIO PROVA ESCRITA E ORAL Prova de Equivalência à Frequência de Espanhol, 11º ano (Iniciação) Prova 375 (ter como referência quadro III do Desp.Norm.5/2013)

Leia mais

UFRGS INSTITUTO DE LETRAS Curso de Especialização em Gramática e Ensino da Língua Portuguesa 8ª Edição Trabalho de Conclusão de Curso

UFRGS INSTITUTO DE LETRAS Curso de Especialização em Gramática e Ensino da Língua Portuguesa 8ª Edição Trabalho de Conclusão de Curso UFRGS INSTITUTO DE LETRAS Curso de Especialização em Gramática e Ensino da Língua Portuguesa 8ª Edição Trabalho de Conclusão de Curso REFLEXÕES SOBRE A DESCRIÇÃO DE SUBSTANTIVOS E ADJETIVOS EM LIVROS DIDÁTICOS

Leia mais

(Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho)

(Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho) Escola Básica 2.º e 3.º Ciclos Roque Gameiro INFORMAÇÃO PROVA DE EQUIVALÊNCIA À FREQUÊNCIA Prova Escrita + oral 2014/201 2º Ciclo do Ensino Básico INGLÊS CÓD. 06 (Decreto-Lei n.º 139/2012, de de julho)

Leia mais

Linguagem: produtividade e sistematicidade

Linguagem: produtividade e sistematicidade Linguagem: produtividade e sistematicidade Referências: Chomsky, Noam, Syntactic Structures, The Hague, Mouton, 1957. Chomsky, Noam, Aspects of the Theory of Syntax, Cambridge (Mas.), The MIT Press, 1965.

Leia mais

Conheça também! As demais disciplinas desta coleção nas páginas 4, 8, 32, 36, 72 e 90.

Conheça também! As demais disciplinas desta coleção nas páginas 4, 8, 32, 36, 72 e 90. porta aberta Nova edição Geografia 2º ao 5º ano O estudo das categorias lugar, paisagem e espaço tem prioridade nesta obra. 25383COL05 Conheça também! As demais disciplinas desta coleção nas páginas 4,

Leia mais

Guia para elaboração do Modelo de Domínio Metodologia Celepar

Guia para elaboração do Modelo de Domínio Metodologia Celepar Guia para elaboração do Modelo de Domínio Metodologia Celepar Agosto 2009 Sumário de Informações do Documento Documento: guiamodelagemclassesdominio.odt Número de páginas: 20 Versão Data Mudanças Autor

Leia mais

ESTRUTURA E APRESENTAÇÃO DO PROJETO/ARTIGO 1. O PROJETO DE PESQUISA

ESTRUTURA E APRESENTAÇÃO DO PROJETO/ARTIGO 1. O PROJETO DE PESQUISA ESTRUTURA E APRESENTAÇÃO DO PROJETO/ARTIGO 1. O PROJETO DE PESQUISA A primeira etapa para a organização do TCC nos cursos de pós-graduação lato sensu a distância consiste na elaboração do projeto de pesquisa,

Leia mais

CONSTRUÇÃO TIPO ASSIM MESCLA REGISTROS

CONSTRUÇÃO TIPO ASSIM MESCLA REGISTROS CONSTRUÇÃO TIPO ASSIM MESCLA REGISTROS Fátima Christina Calicchio (PG-UEM) calicchiofc@hotmail.com Rosângela Nunes Pereira (PG UEM) rosenpereira@yahoo.com.br Introdução Este estudo está organizado em três

Leia mais

TALKING ABOUT PLACES IN TOWN

TALKING ABOUT PLACES IN TOWN Aula2 TALKING ABOUT PLACES IN TOWN META Apresentar a estrutura gramatical there be a qual representa o verbo haver em português - bem como trabalhar os adjetivos possessivos e vocabulário de suporte aos

Leia mais

Literatura Portuguesa Idade Média e Classicismo Renascentista. 6 ECTS BA Semestre de inverno / 2º.ano

Literatura Portuguesa Idade Média e Classicismo Renascentista. 6 ECTS BA Semestre de inverno / 2º.ano Literatura Idade Média e Classicismo Renascentista 6 ECTS BA Semestre de inverno / 2º.ano história e da cultura de Portugal no período estudado, domínio da língua portuguesa A unidade curricular Literatura

Leia mais

ATIVIDADES DISCURSIVAS 2 E POSSIBILIDADES DE RESPOSTAS

ATIVIDADES DISCURSIVAS 2 E POSSIBILIDADES DE RESPOSTAS ATIVIDADES DISCURSIVAS 2 E NED Núcleo de Estudos Dirigidos ED 2/ED Comunicação e Expressão /2012/2 Prof. Cleuber Cristiano de Sousa ATIVIDADE DISCURSIVA 2 Habilidade: ED 2: Compreender e expressar Temáticas

Leia mais

Agrupamento de Escolas de Porto de Mós Informação-Prova de Equivalência à Frequência

Agrupamento de Escolas de Porto de Mós Informação-Prova de Equivalência à Frequência Prova de Equivalência à Frequência de Inglês (Escrita + Oral) Prova Código 06-2015 2º Ciclo do Ensino Básico - 6ºano de escolaridade 1. Introdução O presente documento visa divulgar as características

Leia mais

português língua não materna (a2) Dezembro de 2013

português língua não materna (a2) Dezembro de 2013 Informação prova final / Exame Final Nacional português língua não materna (a2) Dezembro de 2013 Prova 63/93/739 2014 6.º Ano, 9.º Ano ou 12.º Ano de Escolaridade O presente documento divulga as características

Leia mais

Plano de Trabalho Docente 2014. Ensino Médio

Plano de Trabalho Docente 2014. Ensino Médio Plano de Trabalho Docente 2014 Ensino Médio Etec PROFESSOR MASSUYUKI KAWANO Código: 136 Município: TUPÃ Área de conhecimento: LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS Componente Curricular: LÍNGUA ESTRANGEIRA

Leia mais

CAPÍTULO 3 - TIPOS DE DADOS E IDENTIFICADORES

CAPÍTULO 3 - TIPOS DE DADOS E IDENTIFICADORES CAPÍTULO 3 - TIPOS DE DADOS E IDENTIFICADORES 3.1 - IDENTIFICADORES Os objetos que usamos no nosso algoritmo são uma representação simbólica de um valor de dado. Assim, quando executamos a seguinte instrução:

Leia mais

RESENHA/REVIEW. BYBEE, Joan. 2010. Language, usage and cognition. Cambridge: Cambridge University Press. 252 págs.

RESENHA/REVIEW. BYBEE, Joan. 2010. Language, usage and cognition. Cambridge: Cambridge University Press. 252 págs. RESENHA/REVIEW BYBEE, Joan. 2010. Language, usage and cognition. Cambridge: Cambridge University Press. 252 págs. Resenhado por/by: Maria Angélica FURTADO DA CUNHA (Universidade Federal do Rio Grande do

Leia mais

Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho, na redação atual. Regulamento de Exames.

Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho, na redação atual. Regulamento de Exames. Disciplina Francês II Código: 16 Informação - Prova de Equivalência à Frequência 2014/2015 Francês II Código da prova: 16 9º Ano de Escolaridade / 3º ciclo do Ensino Básico Decreto-Lei n.º 139/2012, de

Leia mais

Causação direta e indireta na língua Citshwa (Grupo Bantu) 1

Causação direta e indireta na língua Citshwa (Grupo Bantu) 1 Causação direta e indireta na língua Citshwa (Grupo Bantu) 1 Quesler Fagundes Camargos 2 (UFMG) Indra Marrime Manuel 3 (UEM) Domingas Machavele 4 (UEM) 1. Introdução A língua Citshwa pertence ao Grupo

Leia mais

CURSO DE ODONTOLOGIA DA FACIPLAC PROJETO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA

CURSO DE ODONTOLOGIA DA FACIPLAC PROJETO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA CURSO DE ODONTOLOGIA DA FACIPLAC PROJETO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA A FACIPLAC compreende a importância do desenvolvimento da Iniciação Científica em uma faculdade de ensino superior como alicerce na construção

Leia mais

MAPEAMENTO DA ESTRUTURA MORFOFONÉTICA DE UNIDADES TERMINOLÓGICAS EM LIBRAS

MAPEAMENTO DA ESTRUTURA MORFOFONÉTICA DE UNIDADES TERMINOLÓGICAS EM LIBRAS MAPEAMENTO DA ESTRUTURA MORFOFONÉTICA DE UNIDADES TERMINOLÓGICAS EM LIBRAS Janine Soares de Oliveira Universidade Federal de Santa Catarina Markus Johannes Weininger Universidade Federal de Santa Catarina

Leia mais

PORTUGUÊS PARA CONCURSOS

PORTUGUÊS PARA CONCURSOS PORTUGUÊS PARA CONCURSOS Sumário Capítulo 1 - Noções de fonética Fonema Letra Sílaba Número de sílabas Tonicidade Posição da sílaba tônica Dígrafos Encontros consonantais Encontros vocálicos Capítulo 2

Leia mais

Este documento vai ser divulgado na escola-sede do Agrupamento e na página eletrónica: www.aepjm.pt/joomla

Este documento vai ser divulgado na escola-sede do Agrupamento e na página eletrónica: www.aepjm.pt/joomla Agrupamento de Escolas Pedro Jacques de Magalhães INFORMAÇÃO PROVA DE EQUIVALÊNCIA À FREQUÊNCIA FRANCÊS 2014 3.º Ciclo do Ensino Básico O presente documento divulga a informação relativa à prova de Equivalência

Leia mais

Guia do professor. Introdução

Guia do professor. Introdução Guia do professor Introdução Essa atividade oferece aos professores do Ensino Fundamental II, de Língua Espanhola e de Língua Portuguesa, novos recursos didáticos em forma de módulos, pois eles podem vir

Leia mais