Os Princípios do Equador e o Desempenho Socioambiental do Setor Financeiro

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1 Avaliação do desempenho socioambiental de projetos com foco nos Princípios do Equador e Parâmetros de Desempenho do IFC Os Princípios do Equador e o Desempenho Socioambiental do Setor Financeiro São Paulo, 12 de maio de 2014 Alejandro Dorado

2 Sustentabilidade? Sustentabilidade no âmbito de uma economia de mercado, hoje dominante e sem propostas alternativas viáveis, que deem respostas perante as características intrínsecas da nossa espécie, onde o consumo éa força motora do desenvolvimento é, no mínimo, contraditório.

3 Sustentabilidade? A busca pelos indicadores de sustentabilidade socioambiental transformou se, na última década, na ferramenta de decisão e de avaliação das relações econômicas entre os homens onde, o capital natural é mais um valor agregado.

4 Sustentabilidade? A sustentabilidade transformou se em um importante fator no traçado de estratégias de negócios. Envolve noções de crescimento e atividade humana em escalas temporais abrangentes. Inclui explicitamente o meio ambiente e a ideia de alocar e conservar recursos ao longo do tempo, em uma forma sustentada.

5 Sustentabilidade? A adoção de respostas aos temas sociais e ambientais e um sistema de gestão para a sustentabilidade corporativa se traduz em redução de custos, maior crescimento e aumento do valor da imagem, assim como o estreitamento das relações com todas as partes interessadas (stakeholders ou atores sociais) e diminuição de riscos.

6 Sustentabilidade? Impactos e riscos ambientais Dentro dos impactos ambientais das ações humanas, as mudanças produzidas pelas atividades urbano industriais hoje são as forças que mais transformam o ambiente. A partir de 2007 mais da metade da população mundial vive em cidades. No Brasil, esse processo aconteceu na década de 1960, transformando à população brasileira em urbana. Hoje existem no país mais de 30 regiões metropolitanas e mais de 80% da população mora nas mais de cidades brasileiras. Os problemas decorrentes desse processo (clima urbano, enchentes, uso e ocupação do solo, mobilidade urbana, saúde pública, saneamento básico, etc.) desafiam nossa capacidade de resposta e potencializam a degradação dos recursos naturais.

7 Sustentabilidade Mais do que um objetivo, a sustentabilidade para o homem urbano éum processo. Sendo assim, sua definição é mais próxima a um processo de melhoria continua (PDCA) do que a um conceito que possa ser aplicado.

8 Sustentabilidade? A Corporação Financeira Internacional, o IFC, apresentou em 2013 esse tema no binômio negócios x sustentabilidade e como os grandes problemas relacionados àcrescente e rápida urbanização, ao aumento da população mundial, à demanda de recursos naturais, aos desequilíbrios econômicos, às mudanças climáticas e àperda da biodiversidade são tratados pelas grandes corporações multinacionais.

9 Sustentabilidade? Simultaneamente, quase todos os setores empresariais adotaram o conceito de sustentabilidade na definição dos seus objetivos e metas, mesmo que em forma retórica ou como um diferencial de propaganda

10 Risco e Imagem O setor financeiro não éimune a essa tendência. O risco e a imagem são assuntos de importância estratégica para os grandes agentes econômicos. Como uma forma de adaptação ao cenário acima descrito, as instituições financeiras incorporaram o processo de avaliação dos riscos socioambientais nas políticas corporativas.

11 Os PE Criados em outubro de 2002 pela International Finance Corporation (IFC) e o ABN Amro no encontro de discussão de experiências em projetos de investimento em mercados emergentes, que envolviam questões sociais e ambientais, os Princípios do Equador são critérios de desempenho para a concessão de crédito. Esses critérios asseguram que os projetos financiados pelas instituições que aderiram aos PE sejam desenvolvidos de forma social e ambientalmente responsáveis.

12 Os PE O objetivo dessas regras era garantir a sustentabilidade socioambiental dos projetos de investimento e a gestão adequada dos riscos de inadimplência por parte dos tomadores de crédito.

13 Os PE Em termos práticos os PE determinaram que todas as empresas interessadas na obtenção de recursos no mercado financeiro, para financiar seus projetos, incorporassem: a gestão de risco socioambiental, proteção àbiodiversidade e hábitat naturais, adoção de mecanismos de prevenção e controle de poluição, proteção à saúde, proteção à diversidade cultural e étnica, adoção de sistemas de saúde e segurança ocupacional, avaliação de impactos socioeconômicos, inclusão de comunidades tradicionais, eficiência na produção, distribuição e consumo de recursos naturais (água e energia), combate àmão de obra infantil e escrava e respeito aos direitos humanos.

14 Os 10 Princípios do Equador Princípio 1 Análise e Categorização (Anexo 1) Princípio 2 Avaliação Socioambiental (Cat A e B Anexo 2) Princípio 3 Padrões sociais e ambientais (Anexos 3 e 4)

15 Parâmetros de Desempenho 1. Sistema de Gerenciamento e Avaliação Socioambiental; 2. Trabalho e Condições de Trabalho; 3. Prevenção e Redução da Poluição; 4. Segurança e Saúde da Comunidade; 5. Aquisição de Terras e Reassentamento Involuntário; 6. Preservação da Biodiversidade e Gerenciamento Sustentável dos Recursos Naturais; 7. Povos Indígenas e 8. Patrimônio Cultural.

16 Parâmetro de Desempenho 1 Performance Standard 1 (PS 1) Avaliação e Manejo dos Riscos e Impactos Socioambientais Identificar riscos socioambientais do projeto Adotar mitigação hierarquizada Aumentar o desempenho através de um Sistema de Manejo Socioambiental Acoplamento com as partes interessadas (incluindo mecanismos de comunicação e reclamação)

17 PS 2 Trabalho e Condições de Trabalho Não discriminação. Igualdade de oportunidades. Tratamento justo Proteção de trabalhadores Promoção da saúde e segurança Trabalho escravo e infantil Adequação às leis trabalhistas Relações de trabalho

18 OS 3 Eficiência no Uso de Recursos e Prevenção da Poluição Evitar ou minimizar poluição relacionada com o projeto e proteger a saúde humana e o meio ambiente Promover o uso sustentável dos recursos incluindo água e energia Reduzir as emissões do projeto relacionadas aos GEE

19 PS 4 Saúde e Segurança das Comunidades Antecipar e evitar impactos adversos sobre a saúde e segurança das comunidades afetadas Proteção das pessoas e infraestrutura conforme com princípios humanos relevantes

20 PS 5 Aquisição de Terras e Reassentamento Involuntário Evitar e minimizar impactos socioeconômicos adversos pela aquisição de terras e reassentamentos involuntários ou restrições de uso Aumentar ou restaurar a qualidade de vida Aumentar as condições de vida das pessoas reassentadas

21 PS 6 Conservação da Biodiversidade e Manejo Sustentável dos Recursos Naturais Vivos Proteção e conservação da biodiversidade Manutenção dos serviços ambientais Promoção do uso sustentável dos recursos naturais vivos Integração e conservação e o desenvolvimento

22 PS 7 Comunidades Indígenas Assegurar o total respeito pelas CI Evitar e minimizar impactos adversos Oferecer oportunidades e desenvolvimento apropriado (cultural e sustentável) Informação e liberdade de escolha

23 PS 8 Patrimônio Cultural Proteção e preservação do patrimônio cultural Promoção e divisão igualitária dos benefícios do patrimônio cultural

24 Os 10 Princípios do Equador Princípio 4 Plano de Ação e Sistema de Gestão Princípio 5 Consulta e Divulgação Princípio 6 Mecanismo de Reclamação Princípio 7 Análise Independente Princípio 8 Compromissos Contratuais Princípio 9 Monitoramento Independente Princípio 10 Divulgação de Informações

25 Na revisão de 2012 foi introduzido o conceito de mitigação ambiental (environmental offsets) para proporcionar que os impactos socioambientais inevitáveis sejam contrabalanceados por ganhos ambientais com a visão geral de alcançar um balanço neutro o positivo.

26 Due diligence As auditorias ambientais aumentaram a partir da década de 1990, com o crescimento das operações de fusões e aquisições no Brasil transformando se em um nicho de mercado importante para consultoria ambiental no mercado imobiliário. Já com a adoção dos PE por parte das instituições financeiras, o mercado se ampliou e hoje está em expansão.

27 Due diligence As instituições financeiras brasileiras estão se adaptando a esse novo processo de avaliação de riscos socioambientais. Assim, todos os grandes bancos estão qualificando seu pessoal ou contratando especialistas nas diversas áreas envolvidas nas avaliações dos pedidos de financiamento e acompanhamento das due diligences, da mesma forma que o fizeram o Banco Mundial e o IFC

28 Desempenho Financeiro de Corporações com Forte e Fraca Atuação Socioambiental e Governança vermelho empresas com forte atuação e com fraca atuação Fonte: Eccles et al., 2011

29 Os PE são sobre financiamento de projetos. Não se pode esperar que façam coisas diferentes. Outros setores devem desenvolver parâmetros de desempenho equivalentes aos dos setor financeiro.

30 O Futuro Em 2012, o Banco Central publicou o Edital de Audiência Pública 41/2012 para implementar uma política de responsabilidade socioambiental por todas as instituições financeiras que atuam no Brasil e que inclua dentre outros, os impactos socioambientais de seus produtos e serviços e os riscos e oportunidades em mudanças climáticas e biodiversidade e a divulgação de informações sobre esses assuntos e seu desempenho.

31 Em 25/04/14 foi publicada a Resolução que dispõe sobre as diretrizes que devem ser observadas no estabelecimento e na implementação da Política de Responsabilidade Socioambiental pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil.

32 A PRSA deve conter princípios e diretrizes que norteiem as ações de natureza socioambiental nos negócios e na relação com as partes interessadas. Deve estabelecer diretrizes sobre as ações estratégicas relacionadas àsua governança, inclusive para fins do gerenciamento do risco socioambiental

33 As instituições mencionadas devem manter estrutura de governança compatível com o seu porte, a natureza do seu negócio, a complexidade de serviços e produtos oferecidos, bem como com as atividades, processos e sistemas adotados, para assegurar o cumprimento das diretrizes e dos objetivos da PRSA. As instituições mencionadas devem estabelecer critérios e mecanismos específicos de avaliação de risco quando da realização de operações relacionadas a atividades econômicas com maior potencial de causar danos socioambientais

34 O setor financeiro está ciente dos desafios e das oportunidades que se encontram nesse caminho sem esquecer sua missão e objetivo, inseridos na lógica do mercado de uma sociedade de risco e consumo. A sustentabilidade como processo deve dar lugar à sustentabilidade como uma estratégia de longo prazo, não de crescimento e sim de equilíbrio.

35 Considerações Finais Base de recursos naturais x desenvolvimento Mercado de consumo x sustentabilidade Sustentabilidade como processo Trade offs Sustentabilidade? Avaliação do desempenho socioambiental de projetos com foco nos Princípios do Equador e Parâmetros de Desempenho do IFC

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