UNIVERSIDADE POSITIVO TURISMO E CARTOGRAFIA: A FUNCIONALIDADE DOS MAPAS TURISTICOS DE CURITIBA-PR.

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1 UNIVERSIDADE POSITIVO TURISMO E CARTOGRAFIA: A FUNCIONALIDADE DOS MAPAS TURISTICOS DE CURITIBA-PR. CURITIBA-PR 2010

2 ADRIELLE LONGO MARAN TURISMO E CARTOGRAFIA: A FUNCIONALIDADE DOS MAPAS TURISTICOS DE CURITIBA-PR Projeto de conclusão de curso apresentado ao curso de Turismo da Escola de Negócios da Universidade Positivo como requisito parcial para a obtenção do título de bacharel em turismo Profª. Orientadora: Valéria de Meira Albach CURITIBA 2010

3 RESUMO O presente trabalho pretende abordar a funcionalidade dos mapas turísticos que são entregues gratuitamente na cidade de Curitiba, além de analisar suas possíveis falhas, propondo melhorias e destacando suas principais qualidades. Baseado por pesquisas bibliográficas de autores que abordam o turismo e a cartográfica, pesquisas de campo com turistas em alguns atrativos turísitcos da cidade e questionário aplicado há um técnico na aérea de cartografia, foi possível alcançar os obejtivos proposto de estudar a teoria, avalaiar através da cartografia a adequação de um mapa turístico e por fim propor alguns itens de melhoria para a construção de futuros exemplares. Foi destacado o que é necessário para fazer de um mapa turístico modelo que atenda as necessidades do turista de forma clara e precisa que supra o grande potencial turístico de Curitiba e esteja preparado para atender essa demanda. Mapas, cartas, croquis, escala, são itens abordados no trabalho, mostrando a importância desses e outros itens para o bom deslocamento do turista pela cidade e seus principais pontos turísticos. PALAVRAS-CHAVE: Turismo,cartografia,mapas turísticos,curitiba.

4 LISTA DE FIGURAS Figura 2 - Evolução dos Mapas Mapa Mundi Atual Figura 3 - América do Sul em 1558 de Diogo Homem Figura 4 - América do Sul Atual Figura 5 - Escala Gráfica Figura 6 - Imagem Google Earth Figura 7 - Croqui de Geep e Maia da cidade de São Paulo Figura 8 - Símbolos cartográficos Figura 9 - Mapa turístico do Rio de Janeiro LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Motivação turística de Curitiba Gráfico 2 - A utilização de mapas durantes viagens Gráfico 3 - Função do mapa turístico Gráfico 4 - Utilização de outros mapas Gráfico 5 - Facilidade de leitura dos mapas Gráfico 6 - Ajuda encontrada no mapa Gráfico 7 - Tempo de deslocamento Gráfico 8 - Noções de cartografia Gráfico 9 - Facilidade para visualizar as imagens e letras Gráfico 10 - Avaliação da importância do mapa impresso Gráfico 11 - Ajuda de outros meios de informação Gráfico 12 - Avaliação do mapa LISTA DE TABELAS TABELA 1 PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE AS ESCALAS TABELA 2 - COMPARAÇÃO ENTRE AS ESCALAS TABELA 3 - COMPARAÇÃO ENTRE OS MAPAS TABELA 4 - PICTOGRAMAS TURÍSTICOS I TABELA 5 - PICTOGRAMAS TURÍSTICOS II... 45

5 SUMÁRIO RESUMO... II LISTA DE FIGURAS... III LISTA DE GRÁFICOS... III LISTA DE TABELAS... III SUMÁRIO... IV 1. INTRODUÇÃO Metodologia TURISMO CARTOGRAFIA Mapas Escalas Croqui Cores, Legendas e Imagens RELAÇÕES ENTRE CARTOGRAFIA E TURISMO TURISMO EM CURITIBA ANÁLISES DO USO DOS MAPAS TURISTICOS DE CURITIBA Análise Técnica EXEMPLO DE UM BOM MAPA CONCLUSÃO REFERÊNCIAS APÊNDICE A APÊNDICE B APÊNDICE C... 57

6 1. INTRODUÇÃO A partir de informações em artigos e revistas do gênero (cartografia e turismo) foi percebida a dificuldade de se apresentar um mapa 1 turístico que ofereça informações adequadas aos turistas. Com base nesses conceitos, de um mapa conter os itens obrigatórios para que o mesmo receba essa denomição, como legenda, escala rosa dos ventos indicando a direção norte e outros que serão abordados neste trabalho, focando essa problemática na cidade de Curitiba, com a intenção de verificar as dificuldades encontradas pelos turistas para se deslocarem utilizando os exemplares entregues gratuitamente na capital paranaense. Curitiba é um dos grandes destinos turísticos do país, atraindo todos os anos milhares de turistas que procuram a cidade em busca de seus famosos parques, sua cultura, sua culinária, etc. Devido ao aumento de turistas, registrado através da Secretária do Estado de Turismo (SETU-PR), que apontou a visita de 2,9 milhões de visitantes no ano de 2007, são importantes e necessárias para o adequado deslocamento dos visitantes, uma boa sinalização turística pela cidade através de placas, postos de informações e também pelos mapas turísticos de Curitiba distribuídos. Utilizando-se desta afirmação, o presente trabalho pretende analisar se os exemplares impressos, entregues gratuitamente por meio de órgãos públicos (como o Instituto Municipal de Turismo de Curitiba) e privados (hotéis, restaurantes, e outros empreendimentos), de forma que se possa verificar se há as informações básicas para que o turista consiga utilizar estes mapas de forma clara e objetiva. Ou seja, pretende-se descobrir, através da pergunta problema do trabalho, qual a funcionalidade dos mapas turísticos que são entregues gratuitamente em Curitiba para o adequado o deslocamento dos turistas. A necessidade de pesquisar este tema partiu de uma breve análise dos mapas turísticos de Curitiba, onde foi possível verificar a pouca funcionalidade que estes oferecem para o auxílio no deslocamento e como fonte de informação, com base a principio, na teoria de autores. 1 A palavra mapa será utilizada nas imagens inseridas no trabalho e depois será verificado se as mesmas podem ser classificadas dessa maneira.

7 6 Por causa da falta de itens básicos encontrados nos exemplares de Curitiba- PR, como direção, escala e distâncias e tentando se aproximar ao máximo da realidade, estes mapas podem se tornar mais funcionais para ajudar os turistas, com o simples fato de fornecerem através de informações básicas já citadas, as coordenadas adequadas para o auxilio no deslocamento. Para abordar o tema sobre os mapas aplicados à atividade turística, serão analisadas a visão de alguns autores e suas considerações, tanto no campo do turismo, como no da cartografia (em especial a cartografia temática). A maioria dos trabalhos encontrados nessa aérea relaciona a questão dos mapas turísticos, localização e informação cartográfica com base na Geografia, e muito pouco é abordado sobre esses itens no Turismo. O trabalho pretende verificar o que realmente se pode considerar e melhorar na disponibilização de mapas temáticos. A partir dos conceitos utilizados na cartografia e focando os vários temas que ela pode abordar, é que serão analisados os mapas turísticos da cidade de Curitiba- PR, com base nas informações necessárias que um mapa dessa temática dever apresentar. Considerando o turismo em Curitiba, que recebe milhões de turistas por ano (Secretária Municipal de Turismo de Curitiba, 2007) é de estrema importancia que os mapas sejam bem estruturados, claros e que auxiliem na localização dos principais pontos turísticos da cidade e seu deslocamento até eles. Pensando nisso, o trabalho pretende verificar até que ponto esses exemplos (mapas turísticos) estão sendo funcionais aos turistas que visitam a capital paranaense, se as informações desejadas estão sendo realmente passadas e compreendidas e considerando se estes exemplares podem ser realmente chamados de mapas ou classificados como outras formas de representação. Representações cartográficas podem ser consideradas como as informações de uma superfície ou aérea, sendo representada através de mapas ou cartas. De maneira simplificada, representação cartográfica são as informações contidas nos mapas, cartas, croqui, cartogramas, plantas, etc. As representações mais utilizadas e conhecidas são os mapas e as cartas. Mapas são definidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 1987) como:

8 7 A representação no plano, normalmente em escala pequena, dos aspectos geográficos, naturais, culturais e artificiais de uma área tomada na superfície de uma Figura planetária, delimitada por elementos físicos, político-administrativos, destinada aos mais variados usos, temáticos, culturais e ilustrativos. (IBGE, 1987) Já as cartas: São as representações no plano, em escala média ou grande, dos aspectos artificiais e naturais de uma área tomada de uma superfície planetária, subdividida em folhas delimitadas por linhas convencionais - paralelos e meridianos - com a finalidade de possibilitar a avaliação de pormenores, com grau de precisão compatível com a escala. (IBGE, 1987) O trabalho abordará os mapas, em especifico, os mapas temáticos da cidade de Curitiba, se os itens de classificação estão sendo seguidos de acordo com os conceitos delimitados para cada tipologia-mapa, carta ou croqui. O objetivo geral deste trabalho é identificar a funcionalidade dos mapas turísticos de Curitiba-PR como forma de deslocamento e base de informações para os turistas. Especificamente, objetiva-se: a. Reconhecer, por meio de autores de cartografia, as exigências necessárias para a construção de um mapa com temática turística; b. Avaliar a adequação na cartografia de um exemplar de mapa turístico de Curitiba. c. Propor itens importantes para a construção de futuros mapas turísticos que auxiliem de forma clara o deslocamento de turistas.

9 Metodologia Esta pesquisa tem característica exploratória, ou seja, envolve levantamentos bibliográficos, pesquisa de campo, análise de exemplos, e por fim, pretende propor novos itens importantes para a construção de futuros exemplares com base nas informações coletadas. Através de pesquisas bibliográficas de autores que abordam a temática de turismo e cartografia, serão comparadas as teorias e definições com os mapas encontrados na cidade de Curitiba-PR, oferecidos gratuitamente, em hotéis, postos de informações turísticas, restaurantes e agências de viagens. A pesquisa de campo também foi aplicada na cidade, com a finalidade de encontrar o maior número de informações possíveis, referente às dificuldades encontradas ou não pelos turistas para se deslocarem de um atrativo para o outro, tendo o mapa como única fonte de informação, e se a utilização do mesmo é freqüente durante viagens de turismo, e a mesma foi aplicada a um técnico na aérea de cartografia para que pudesse contribuir com informações mais técnicas se o exemplar atende as necessidades dos turistas. A pesquisa pretende seguir o formato qualitativo, ou seja, pretende medir os resultados, compreender e descrever a opinião dos turistas com relação aos mapas turísticos da cidade de Curitiba. Tendo como ferramenta o questionário que, segundo DENCKER (2008), têm por finalidade obter de maneira sistemática e ordenada, informações sobre as variáveis que intervêm em uma investigação em relação a uma população ou amostra determinada. Este foi aplicado em alguns atrativos turísticos da cidade de Curitiba como o Jardim Botânico, Mercado Municipal de Curitiba, e também em alguns pontos onde foi possível encontrar turistas como a Casa do Estudante Luterano de Curitiba, direcionando de 8 a 10 entrevistados por destino visitado entre os dias 21 de agosto de 2010 e 06 de setembro de 2010, totalizando 35 questionários aplicados.

10 9 2. TURISMO O turismo é uma atividade que está relacionada diretamente com a economia local assim como a sua comunidade, seus costumes e a cultura de uma determinada região, cidade ou país. Esta atividade acaba englobando várias outras que a complementam e a torna um fenômeno. Segundo Lickorish e Jenkins (2000), toda essa movimentação de pessoas e seus gastos com transporte, acomodações, serviços e outras atividades desenvolvidas para tornar uma viagem possível, formam juntos o negócio de turismo e representam o impacto econômico do turismo. O turismo pode ser caracterizado como atividade econômica, podendo ser de grande importância para o desenvolvimento de uma área, cidade ou região. Porém ele também atrai as atenções do meio acadêmico e governamental, exatamente por envolver tantas áreas e interesses. Porém não se pode pensar em turismo apenas como uma atividade econômica que beneficia as pessoas do local visitado. É preciso analisá-lo como uma forma de preservação e divulgação dos patrimônios naturais, culturais e imateriais, além de analisar o turista em si, que vê nessa ação de viajar, sair do ambiente de trabalho, descansar com a família ou amigos, como um ato merecedor de todo o seu esforço durante o ano, uma recompensa pela sua dedicação do dia a dia no trabalho, com a família, na escola, etc. Pode-se classificar como produto do turismo, a combinação de todos os serviços necessários que o viajante busca ou compra, para que a sua viagem se torne possível, porém é necessário buscar outras definições sobre o turismo. Para a Organização Mundial do Turismo (OMT) a atividade se define da seguinte forma: Turismo pode ser compreendido pelas atividades que as pessoas realizam durante viagens e estadas em lugares diferentes do seu entorno habitual, por um período inferior a um ano, com finalidade de lazer, negócios ou outras. (OMT, 2001) Barreto (2000) afirma que há vários elementos importantes para definir exatamente o que é turismo, um desses fatores, é a procura do prazer por parte dos turistas. A mesma define o turismo como um ato livre e espontâneo da pessoa que procura prazer, uma atividade realizada sem nenhum tipo de obrigação.

11 10 O que se pode perceber, é que na maioria das definições de vários autores, o que sempre é citado é a questão do prazer que o turista tem ao viajar, ter o seu momento de lazer. Para Trigo (1998, p.11), turismo se define como: O turismo faz parte de um universo maior denominado lazer. Entende-se por lazer todas as atividades desenvolvidas fora do sistema produtivo (trabalho), das obrigações sócias, regionais e familiares. O mesmo autor, também acredita na viagem motivada pelo prazer, porém enumera outras fontes de motivação, e as citas, sendo elas: a) Congressos, feiras e convenções; b) Negócios ou reuniões técnicas e profissionais; c) Eventos esportivos, políticos ou sociais; d) Religião; e) Saúde; f) Finalidade artística ou cultural. Outra visão, destacada por Lickorish e Jenkins (2000), enumera cinco importantes motivos para viajar. Variando de acordo com cada país, são elas: 1 - Educação (os autores acreditam em uma conexão entre o nível de educação e a curiosidade cultural da pessoa no qual a motiva a viajar); 2 - Urbanização (nota-se que a maioria dos turistas internacionais mora em aéreas urbanas); 3 - Marketing (a promoção como estimulante para conhecer determinado destino); 4 - Indústria de viagens (operadoras e agências de viagens exercem uma influência considerável na tomada de decisão de férias); 5 - Atrações do destino (o turista em potencial opta por um destino em detrimento do outro, motivacionado pelos atrativos que são oferecidos). Assim como se podem enumerar os motivos pelo quais os turistas fazem suas viagens, é possível também enumerar as formas de turismo. Os mesmos autores citados as distinguem em três formas:

12 11 I - Turismo doméstico, envolvendo residentes de um dado país que viajam apenas dentro desse país; II - Turismo receptivo, envolvendo não-residentes que chegam para visitar um dado país. III - Turismo exportativo, envolvendo residentes que viajam para visitar outro país. Em Curitiba não é diferente. Há vários motivos pelo qual a cidade recebe milhares de turistas ao longo do ano, incluindo os citados acima. A cidade vem aumentando ano a ano o seu número de visitantes, provenientes de vários lugares do país e até mesmo do mundo. Curitiba atrai atenção dos turistas com seus parques, sua cultura, sua organização nos transportes e outros vários itens que a colocam como uma das cidades brasileiras mais visitadas. Em qualquer destino do mundo, e até mesmo em Curitiba, notamos que quando o turista escolhe um destino para visitar, ele se dispõe a deixar seu ambiente habitual e deslocar-se para outro. Independente da motivação que o leva a fazer turismo, entende-se que é necessário e fundamental esse deslocamento. Porém Barreto (2000, p.44) afirma que: Também é preciso diferenciar viagem de outro tipo de deslocamento. O homem primitivo migrava, procurando melhores condições para seu sustento, caça e árvores frutíferas. Isso não é o mesmo que viajar. Viajar implica voltar, e o homem primitivo ficava no novo lugar desde que este lhe garantisse o sustento. Ele não tentava retornar. Muitos povos viveram, durante séculos, de forma nômade, o que tampouco tem a ver com viagens ou turismo. O deslocamento que se quer focar neste trabalho é o realizado na atividade turística, ou seja, temporário, que como já mencionado implica em voltar, diferente do deslocamento conhecido pelo homem desde o começo dos tempos, quando se viu a necessidade de se deslocar para buscar mercadorias (comércio). É a partir desse principio de deslocamento que se começa a relacionar a cartografia com o turismo. No Egito Antigo, já havia pessoas que se deslocavam motivadas pelas belezas das pirâmides e passeios pelo rio Nilo, ou seja, já se usava dessa união para chegar ao lugar desejado, através de mapas da época que os auxiliavam no deslocamento.

13 12 Um exemplo mais atual dessa união, citada por Oliveira (2005), é encontrado no planejamento turístico. A cartografia auxilia nas formas de comunicação com os turistas, como em folhetos de divulgação, placas informativas e os mapas, que devem orientar as pessoas na localização de objetos e lugares de interesse. O autor ainda aponta como sendo extremamente útil esse auxílio nas etapas de diagnósticos, implementação e de avaliação de uma atividade turistica, ou seja, durante todo o processo de planejamento turístico. No próximo capitulo serão abordados informações e conceitos com relação à cartografia.

14 13 3. CARTOGRAFIA A cartografia veio agrupando, ao longo dos tempos, mudanças que auxiliaram o desenvolvimento de novas técnicas, (o avanço da tecnologia trouxe a possibilidade do uso de computadores, satélites e fotos aérias) colocando-a como um importante instrumento de pesquisa para várias atividades. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a palavra cartografia foi registrada pela primeira vez no Brasil em 1839, mas somente em 1964, no XX Congresso Internacional de Geografia, é que foi elaborada uma das definições mais completas, a da Associação Cartográfica Internacional (ACI), onde cartografia se define da seguinte forma: Conjunto de estudos e operações cientificas, artísticas e técnicas, baseado nos resultados de observações diretas ou indiretas de documentação, com vistas e elaboração e preparação de cartas, projetos e outras formas de expressão assim como sua utilização. Ainda na compreensão sobre cartografia, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) define como sendo também a arte de levantamento, construção e edição de mapas e cartas de qualquer natureza. Segundo Ladeira (2004, p.8): A cartografia é, portanto, ao mesmo tempo, uma ciência, uma técnica e uma arte que engendram as atividades de levantamento de campo, de pesquisa bibliográfica, impressão e publicação final do mapa concebido. Durante o presente trabalho, serão abordados vários autores do campo da cartografia, o primeiro, Joly (2003) a define como a arte de conceber, levantar, redigir e de divulgar os mapas Mapas A cartografia apóia-se basicamente no instrumento central desse trabalho, o mapa. Nogueira (2000, p.32) afirma que: O mapa é uma forma de comunicar um conhecimento que se efetiva somente se o usuário, o leitor do mapa, conseguir obter tal conhecimento ao lê-lo.

15 14 Os primeiros mapas surgiram antes mesmo da escrita, como forma de mostrar áreas onde era possível caçar, pescar ou somente marcar o caminho de volta para casa. Os mapas foram evoluindo de acordo com os tempos. Observando as imagens exemplificadas nas figuras abaixo, pode-se perceber de forma bem clara essa evolução. Figura 1 - Mapa Mundi de 1500 de Juan de La Cosa Figura 2 - Evolução dos Mapas Mapa Mundi Atual Fonte: Só História 2010 Fonte: Portal do Professor 2010 Figura 3 - América do Sul em 1558 de Diogo Homem Figura 4 - América do Sul Atual Fonte: Só História 2010 Fonte: Argentour 2010

16 15 Desde os primeiros mapas exemplificados de maneira simples, onde se pode perceber como as noções de espaço e o passar dos anos contribuíram para a evolução dos mapas até os mapas atuais, surgem várias discussões com relação às representações cartográficas e suas funcionalidades. Para Joly (2003) a qualidade de um mapa se dá através de sua precisão. Ele considera um mapa preciso, quando as representações seguem rigorosamente a realidade, alegando ainda que um mapa deve ser exato e fiel. Exato é quando um mapa está isento de qualquer erro de documentação, de localização ou interpretação. E fiel é quando contem de uma maneira correta e de acordo com a realidade, todos os levantamentos compatíveis com sua escala e seu objetivo. Esse mesmo autor ainda traduz os mapas como uma representação geométrica, simplificada e convencional de uma parte da superfície ou toda ela, numa relação de similitude conveniente chamada escala Escalas Existem vários componentes dentro da cartografia que são de extrema importância para garantir a qualidade e a eficiência de um mapa. Dentre eles o que ganha maior importância, na opinião de vários autores, é a escala. Para Fitz (2000, p.17) Pode-se definir escala como sendo a relação ou proporção existente entre as distâncias lineares existentes em um mapa, e aquelas representadas no terreno, ou seja, na superfície real, respectivamente. Existem basicamente dois tipos de escalas que podem ser usadas na confecção de mapas. A escala gráfica que de acordo com Fitz (2000) é representada por uma linha ou barra (régua) subdividida. Cada divisão pode ser denominada talões e cada talão representa uma medida ou comprimento correspondente a um terreno. É muito utilizada em mapas digitais. Na Figura 5, por exemplo, cada intervalo corresponde a 1 cm no mapa. Na escala numérica, o mesmo autor a define como uma fração, onde o numerador representa a unidade correspondente a distancia medida no mapa e o denominador a distância correspondente no terreno. Quanto maior o denominador, mais reduzida é a escala.

17 16 Figura 5 - Escala Gráfica Fonte: Portal Geo 2008 Na TABELA 1, vemos as principais vantagens e desvantagens no uso de cada uma das escalas TABELA 1 PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE AS ESCALAS ESCALA GRÁFICA ESCALA NUMÉRICA Vantagens Desvantagens Vantagens Desvantagens Mantêm-se a proporcionalidade Menor precisão/rigorosa Maior precisão/rigorosa Imprópria para reduções, ampliações quando surgem reduções, ampliações Fonte: Com base em Professor Paulinho,2010 Na TABELA 2, são feitas algumas comparações entre a utilização de cada uma das escalas citadas acima, inclusive com exemplos de como é melhor utilizar cada uma delas em determinado tipo de aplicação, que depende do nível de precisão de cada projeto (mapas e plantas).

18 17 TABELA 2 - COMPARAÇÃO ENTRE AS ESCALAS Aplicação Área representada Tamanho da escala Planta da casa 1:100/1:200 Grande escala Planta de arruamentos Planta de bairros de cidades, aldeias. Mapas de grandes propriedades (rurais ou industriais), província, região. Mapas de estados, países, continentes, Mundo 1:500/ :1.000/1:2.000/1: /1:25.000/1:50.000/ 1:75.000/1: : / 1: / / 1: Fonte: Com base em Professor Paulinho,2010 (Escala igual ou superior a 1/ ) Pequena escala (Escala inferior a 1/ ) Nível de análise (nº e qualidade dos pormenores Nível de análise é maior (muitos pormenores) Nível de análise é menor (poucos pormenores) Quantidade de território representado Reduzido (menor área representada) escala descritiva Elevado (maior área representada) Escala explicativa Fitz (2000, p.17) ainda aborda a questão dos erros que ocorrem na construção dos mapas em relação a sua escala. Estes erros estão relacionados ás formas de confecção e a qualidade do material impresso. Além da incerteza da origem das informações, da qualidade da mão-de-obra e dos equipamentos que geraram o produto final, tem-se a possibilidade de deformação da folha impressa. Um exemplo desse fato foi mencionado em um portal de noticias em 14/04/2010. O programa Google Earth teve uma falha com a localidade de algumas cidades da América do Sul devido a uma falha da escala utilizada no mapeamento dessa região. A notícia ainda aponta um erro de mais de 2 km com relação às fronteiras do Chile e da Argentina. Na Figura 6, a cidade de Villa O higgins aparece com parte do seu território na Argentina (a Argentina fica à direita da linha amarela).

19 18 Figura 6 - Imagem Google Earth Fonte: Globo.com Além das escalas, outros itens também devem ser levados em consideração pelos cartógrafos na formação de um mapa: as imagens utilizadas, cores e legendas. Alguns desses símbolos e cores são convenções, ou seja, no mundo inteiro utiliza-se o mesmo símbolo e/ou cor para representar a mesma coisa. Exemplos: rios, aeroportos, estradas de ferro, rodovias, etc. Em outros casos, símbolos e cores são definidos pelo cartógrafo, sempre buscando facilitar a identificação dos elementos e fenômenos mapeados (ALMEIDA, FIORI E GUERRERO, 2007, p.34). Quanto maior a clareza destes itens, mais fácil à compreensão dos usuários de mapas para o seu deslocamento.

20 Croqui Em alguns casos a termologia mapa é usada em outros tipos de informações de forma errada. Um exemplo desse caso, observado por Fitz, é com relação aos croquis. Muitas vezes utiliza-se o termo croqui para uma representação superficial do terreno, ou seja, um desenho apresentando um esboço da topografia de uma determinada região. Esta forma de representação deve ser encarada e enquadrada como um levantamento expedito, com pouca precisão. (FITZ 2000, p.32) Essas representações nada mais são que ilustrações simbólicas de algumas localidades. Na maioria dos casos, essas imagens não apresentam nenhum elemento cartográfico que o possa qualificar como mapa. A Figura 7 é um croqui de alguns bairros da cidade de São Paulo, ilustrada pelos cartunistas Geep e Maia. Apesar da qualidade da ilustração, não pode ser considerado um mapa, já que não apresenta nenhum item cartográfico. Figura 7 - Croqui de Geep e Maia da cidade de São Paulo Fonte: Gep Pemania

21 Cores, Legendas e Imagens Assim como a escala em um mapa tem uma grande responsabilidade e significado, as imagens, cores e legendas também. Esses itens que auxiliam a leitura do mapa precisam ser claros e de entendimento universal. Conforme Joly (2003) cita em seu livro, um mau uso dessa simbologia cartográfica (legendas, imagens e cores) pode levar a um grave erro de interpretação. O autor ainda compara que a importância da simbologia está para os mapas assim como a gramática está para a língua escrita, estabelecendo-se as regras e os princípios. Porém é preciso tomar um cuidado com relação a essa simbologia, levando em consideração a cultura de determinada região ou país em que se pretende utilizar o mapa. Com relação às imagens, também pode ser estabelecido um padrão, que será entendido por qualquer leitor. O autor Joly (2003) classifica os símbolos de várias formas: 1 - Sinais convencionais são esquemas gráficos localizados com base na posição real do objeto ou elemento representado, que permitem que este seja identificado mesmo que sua superfície, na escala, seja muito pequena; 2 - Sinais simbólicos são signos que trazem a lembrança do objeto real, localizados ou cuja posição é facilmente determinável; 3 - Pictogramas são símbolos figurativos facilmente reconhecíveis; 4 - Ideogramas constituem um pictograma representativo de um conceito ou uma idéia; 5 - Símbolo regular vem a ser um conjunto constituído pela repetição regular de um elemento gráfico sobre uma superfície delimitada; 6 - Símbolo proporcional é um símbolo que representa a quantidade cujo tamanho varia de acordo com o valor do que está sendo representado.

22 21 A Figura 8 está exemplificando os tipos de sinais e símbolos utilizados na confecção de mapas turísticos, descrito nos itens acima. Figura 8 - Símbolos cartográficos Fonte: Geografia e cartografia para o Turismo, Com relação às legendas, o IBGE (2006) as define como uma lista explicativa das convenções gráficas adotadas nas representações dos fenômenos representados nos mapas, ou seja, ela permite a interpretação de cada informação ou imagem contida nos mapas. Sendo assim, a legenda se torna item fundamental na construção de um mapa, já que é através dela que é realizada parte da interpretação e leitura do mesmo. A seguir serão apontadas as relações e entre a cartografia e o turismo.

23 22 4. RELAÇÕES ENTRE CARTOGRAFIA E TURISMO É de longa data a relação entre turismo e cartografia. Hoje se pode encontrar essa união no planejamento turístico, tendo como exemplo o mapeamento de antigas e futuras áreas turísticas, sinalização turística e confecção de mapas turísticos. No turismo, os mapas se definem como turísticos, classificação abordada no campo da cartografia temática. De uma maneira geral, diz-se que a cartografia temática preocupa-se com o planejamento, execução e impressão final, ou plotagem de mapas temáticos. Para se obter um bom resultado em um mapa temático, alguns preceitos devem ser respeitados e, como estes mapas baseiam-se em mapas pré-existentes, deve-se ter um conhecimento preciso das características da base de origem. (FITZ 2000, p.51). Os mapas temáticos ganham uma atenção especial nos detalhes já que estes são os mais utilizados e devem apresentar características que possam ser claramente entendidas por qualquer pessoa, inclusive os turistas. Joly define o objetivo da cartografia temática como: O objetivo dos mapas temáticos é o de fornecer, com o auxílio de símbolos qualitativos e/ou quantitativos dispostos sobre uma base de referencias extraída dos mapas topográficos ou dos mapas de conjunto, uma representação convencional dos fenômenos localizáveis de qualquer natureza e de suas correlações. (JOLY, 2003, p.75) No caso dos mapas temáticos alguns itens acabam ganhando um cuidado especial com relação aos demais mapas. De acordo com Fitz, não somente o mapa temático, mas como outro qualquer deve dar importância a tais elementos para que se torne fácil o entendimento para o usuário. O autor ainda destaca em seu livro alguns elementos que merecem destaque na construção de um mapa temático. 1) O titulo do mapa: realçado, preciso e conciso; 2) As convenções utilizadas;

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