GestãoPública NOVA ETAPA NO SISTEMA DE GESTÃO DE PESSOAS. & Desenvolvimento

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1 ENTREVISTA PAULO KRAMER Presidente do TCU diz que o órgão viabilizou economia de R$ 700 bilhões com os gastos da Copa do Mundo Uma revista a serviço do País GestãoPública governo sociedade & Desenvolvimento Ano XXI - T II - R$ 14,80 - Nº 77 - Maio de 2014 NOVA ETAPA NO SISTEMA DE GESTÃO DE PESSOAS Secretária Ana Lucia Amorim destaca os benefícios da recém-lançada política de administração da força de trabalho no Executivo federal Medida visa melhorar a produtividade e a transparência no serviço público ISSN POLÍTICAS DA UNIÃO Governo investe mais recursos em saneamento básico ESTADOS E MUNICÍPIOS A marcha dos prefeitos: um grito pela sobrevivência dos municípios INICIATIVA PRIVADA Fazenda Malunga valoriza a mão de obra e tem a felicidade como meta

2 Até mesmo um time que está ganhando precisa se mexer. mobilize A sua cidade para combater A dengue.

3 Gestor, a sua atitude é capaz de influenciar milhares de pessoas a combaterem a dengue. Faça a sua parte com ações simples. Organize mutirões, promova a capacitação de agentes de vigilância, engaje os líderes comunitários da sua cidade e oriente as organizações responsáveis pela coleta e tratamento de lixo. A dengue não marca horário para aparecer. É por isso que a sua cidade precisa estar atenta o tempo todo. Conheça a campanha em Melhorar sua vida, nosso compromisso.

4 GestãoPública governo sociedade & Desenvolvimento Fundadores Francisco Alves de Amorim João Batista Cascudo Rodrigues (In Memoriam) Conselho Editorial Francisco Alves de Amorim - Presidente Ricardo Wahrendor Caldas - Professor - UnB João Bezerra Magalhães Neto - Administrador Marcus Vinicius de Azevedo Braga - Servidor federal Diretor-Geral Moises Luiz Tavares de Amorim Diretor Administrativo Gerson Floriz Costa Departamento Jurídico Ramiro Laterça de Almeida Relações Institucionais Eraldo Pinheiro de Andrade Editora Maria Félix Fontele - RP 302/0352V/GO Jornalistas Ana Seidl, Altos João de Paiva, Carla Lisboa, Carolina Cascão, Julciara Abreu, Menezes y Morais, Washington Sidney e Zuleika Lopes Colaboradores nesta edição Cláudio Emerenciano, José Osmar Monte Rocha, Marcus Vinicius de Azevedo Braga e Michael Kain Editor de arte/finalização Elton Mark Revisão Washington Sidney Editor de Fotografia Luiz Antônio Atendimento e Redação Publicação: Mensal Circulação: Nacional Tiragem: Quarenta mil exemplares Brasília SCLN Bloco D - Sala Brasília-DF Telefax.: Site: Sucursal São Paulo Diretor: Cristovam Grazina Diretor Região Norte: Edson Oliveira Secretário-Executivo: Luiz Alberto Corrêa R. Álvaro Machado, 22 3º andar - Liberdade - SP Representantes Belo Horizonte/MG - Márcio Lima -Tel.: Rio de Janeiro/RJ - Rizio Barbosa - Tel.: Natal/RN - Tania Mendes -Tel.: Salvador/BA - Eliezer Varjão - Tel.: CARTA AO LEITOR Com cerca de 9 milhões de servidores públicos, da União, estados e municípios, e diante de uma sociedade cada vez mais exigente em fazer valer seus direitos, o governo tem buscado, nos últimos anos, melhorar a gestão e o atendimento aos cidadãos. Não é tarefa fácil. Milhares de pessoas têm saído às ruas para protestar contra a má prestação de serviços em áreas estratégicas como educação, saúde e segurança. Para atender bem, o funcionalismo público precisa estar capacitado, à altura das demandas da sociedade. Nesse sentido, o Ministério do Planejamento deu mais um passo favorável ao lançar, recentemente, o Sistema de Gestão de Pessoas, o qual inclui todo o ciclo funcional do servidor, programas de capacitação, avaliação de desempenho e outros dados importantes. A secretária de Gestão do Ministério do Planejamento, Ana Lucia Amorim, à frente de todo esse trabalho, afirma que é preciso haver uma revolução cultural no serviço público. Matéria importante desta edição. Leitura obrigatória. Na entrevista de abertura da revista, trazemos as opiniões do cientista político Paulo Kramer sobre as eleições majoritárias de outubro e de todo o processo que antecede o pleito. Professor da Universidade de Brasília e de cursos intensivos de aperfeiçoamento em marketing político-eleitoral e comunicação pública em várias instituições, Paulo Kramer acredita que haverá segundo turno entre Dilma Rousseff e Aécio Neves na disputa pela Presidência da República. Vale a pena conferir. Um dos assuntos do momento é a Copa do Mundo da Fifa Todos os olhares do mundo estão voltados para o Brasil. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, garante que tudo transcorrerá em clima de festa e confraternização. E que não vê nenhum risco em relação a possíveis manifestações de rua. Mesmo assim, o governo monta uma estrutura de segurança com altos investimentos. O presidente do Tribunal de Conta da União (TCU), Augusto Nardes, também dá sua opinião sobre a Copa do Mundo. Em entrevista, ele fala com exclusividade sobre o trabalho de fiscalização do TCU e informa que o órgão viabilizou economia de R$ 700 milhões com os gastos da Copa. Mas admite que a questão da segurança pública é preocupante.. Esta edição está recheada de bons assuntos. Temos matéria sobre a Marcha dos Prefeitos a Brasília, evento que movimenta a cidade devido a quantidade de participantes, em torno de cinco mil pessoas, e o barulho que fazem em torno de suas reivindicações. Em ano eleitoral, os prefeitos fizeram de tudo para garantir melhores recursos para suas cidades. E ainda contamos com as opiniões de nossos articulistas, sempre atuais e bem colocadas a respeito dos mais diversos temas da atualidade. Boa leitura, Maria Félix Fontele Editora-chefe ISSN Registrado no 1º. Ofício de Registro Cível das Pessoas Naturais e Jurídicas - Brasília- DF FILIADO IASIA International Association of Schools and Institutes of Administration PARCEIRO INSTITUCIONAL DPADM/ONU Divisão de Administração Pública e Gestão do Desenvolvimento das Nações Unidas As matérias assinadas são de responsabilidade dos autores. São reservados os direitos inclusive os de tradução. É permitida a citação das matérias, desde que identificada a fonte. Colaboração: Ministério do Planejamento

5 Desde 1991 governo sociedade GestãoPública & Desenvolvimento 12 CAPA O esforço do governo para elevar o Estado ao padrão do Século XXI: novo Sistema de Gestão de Pessoas vem garantir mais produtividade e transparência no Executivo federal Seções 6 ENTREVISTA PAULO KRAMER 10 ESPLANADA EM FOCO 33 POLÍTICA E PODER 45 governança e gestão MARCUS VINICIUS DE AZEVEDO BRAGA Tomada de contas especial o longo caminho da volta 71 artigo JOSÉ OSMAR MONTE ROCHA O preço do ócio 85 DICAS DE MERCADO 86 internacional MICHAEL KAIN A economia mundial continuará crescendo em PRÊMIOS E PUBLICAÇÕES 93 opinião Cláudio Emerenciano Uma visão da vida GESTOR E CARREIRAS 89 Auditores-fiscais reivindicam mais garantia de vida aos trabalhadores NESTA EDIÇÃO legislativo 22 ENTREVISTA // AUGUSTO NARDES Presidente do TCU diz que o órgão viabilizou economia de R$ 700 bilhões com os gastos da Copa do Mundo 26 PARLAMENTAR EM AÇÃO // IZALCI LUCAS FERREIRA Pesquisa aponta o deputado como um dos mais produtivos do país 28 SOCIEDADE AGORA É LEI políticas da união 34 DESENVOLVIMENTO Governo investe mais recursos em saneamento básico 38 ESPORTES Aldo Rebelo adianta que Copa do Mundo deverá gerar mais de três milhões de empregos 41 ASSISTÊNCIA SOCIAL Uma ferramenta para a superação do abuso sexual estados e municípios 48 POLÍTICAS PÚBLICAS A marcha dos prefeitos a Brasília AGENDA BRASÍLIA 54 ENTREVISTA // FRANCISCO MACHADO A democracia como prioridade na gestão dos recursos públicos 59 COPA 2014 Agnelo Queiroz diz que o DF está preparado para receber turistas 60 EDUCAÇÃO Distrito Federal é considerado território livre de analfabetismo 62 MEIO AMBIENTE GDF cumpre lei de reutilização de resíduos sólidos JUDICIÁRIO 66 INVESTIGAÇÃO Envolvimento de parlamentares leva Operação Lava Jato ao STF sistemas e inovação 72 PLANEJAMENTO Agenda transversal dissemina a melhoria da gestão pública 76 CT&I Congresso busca estimular a criatividade na área científica iniciativa privada 80 AGROECOLOGIA Fazer gestão por excelência é cuidar das pessoas Maio de Gestão Pública & Desenvolvimento 5

6 ENTREVISTA PAULO KRAMER Agência Berasil 6 Gestão Pública & Desenvolvimento - Maio de 2014

7 Vai ter segundo turno na eleição presidencial Cientista político afirma que Dilma Rousseff irá disputar o pleito com Aécio Neves Zuleika Lopes Paulo Kramer é cientista político com mestrado e doutorado pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). É professor da Universidade de Brasília (UnB) desde 1987 e tem trabalhos sobre educação profissional publicados em coautoria com o antropólogo Roberto DaMatta. Também assina artigos de análise política no Brasil e exterior e já foi colunista em vários site e blogs sobre o tema como o Congresso em Foco. Ministra aulas em faculdades particulares, como Iesb, para o curso de pós-graduação em Comunicação Social Pública. Também ministra cursos intensivos de aperfeiçoamento em marketing político-eleitoral e comunicação pública na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM/DF). Com frequência, é convidado a dar entrevistas sobre a conjuntura política nacional e internacional a canais como a TV Globo, Globonews e emissoras de rádio como a CBN e a BandNews-FM. Nesta entrevista ela faz algumas previsões sobre o futuro político do Brasil. O Acredita que a presidente Dilma Rousseff (PT) irá para o segundo turno com o senador Aécio Neves (PSDB), que terá o apoio do governador Eduardo Campos (PSB) para garantir a virada das oposições. Segundo ele, o PSB, tornou a reeleição da presidente bastante incerta. Também lembra que existe um grande número de pessoas indecisas e que estas, sem dúvida, vão decidir qual será o próximo presidente da República. O eleitor é sempre bastante ingrato e ele não está pensando em votar olhando para o retrovisor e, sim, por algo novo que ele possa vislumbrar à sua frente Qual sua avaliação do posicionamento do eleitor em 2014? PAULO KRAMER Estamos com os institutos de pesquisas eleitorais cravando 60% de eleitores indecisos, os quais poderão votar nulo e em branco. Com este número, não dá para prever o comportamento dessa grande massa. A certeza é que os indecisos decidirão as eleições. Antes, com a votação em cédulas, onde já apareciam os rostos e os números dos candidatos, era como uma pesquisa estimulada à votação. Com a chegada da tecnologia digital nas eleições, há 18 anos, o eleitor tem que teclar o número na telinha para aparecer o rosto do seu candidato, como na pesquisa espontânea. Então com a presidente Dilma com votação média e Aécio Neves de baixo a crescendo para alto com Eduardo Campos seguindo a curva da ascensão, o Partido dos Trabalhadores terá muito, mas muito trabalho para se manter no poder. Então está complicada a reeleição da presidenta Dilma? PAULO KRAMER O Instituto de Pesquisa Data Popular, de São Paulo, saiu às ruas para pesquisar a opinião da população. Quando perguntada à classe média atual sobre sua ascensão, a grande maioria respondeu que é devido a três fatores: esforço pessoal, Deus e a minha fé e a minha família. Não cita de nenhuma forma o governo Maio de Gestão Pública & Desenvolvimento 7

8 ENTREVISTA PAULO KRAMER ou as políticas públicas. O eleitor é sempre bastante ingrato e ele não está pensando em votar olhando para ao retrovisor e, sim, por algo novo que ele possa vislumbrar à sua frente. O PT hoje é um partido dividido? PAULO KRAMER Sempre foi muito dividido. Com a pretensa invencibilidade da presidenta Dilma no primeiro turno de 2014 indo por água abaixo, o PT entrará em campo com sua militância tradicional e radical nas ruas e a classe média sempre se assusta com aquelas bandeiras vermelhas e rostos congestionados pela raiva e ira. Então, os eleitores colocam o PT no banquinho da reflexão, como nas escolas modernas e farão ter um segundo turno entre a presidente Dilma e Aécio Neves. Quem é Aécio Neves hoje? PAULO KRAMER Um senador da República preparado e um ex-governador de Minas Gerais com excelente opinião popular em seu estado. Casou-se e se prepara para ser pai de gêmeos bem na época da eleição presidencial. O cara é de família de linhagem de primeira linha de políticos brasileiros. Ou seja, poderá falar para a nação que lutará por um país melhor para seus filhos e de toda a população. A terceira via, de Eduardo Campos e Marina, decidirá a eleição? PAULO KRAMER Muito importante ter uma terceira via. O povo já cansou da eterna luta do PT com o PSDB. Servirá para tirar muitos votos de Dilma no Nordeste. Em 2010 ela teve 90% dos votos de Pernambuco, onde Eduardo Campos fez um governo bem avaliado pela população. Na demografia eleitoral, ela perderá em Minas Gerais. A inflação é o grande pano de fundo destas eleições. A nossa capacidade de indignação ética depende de quanto de dinheiro temos no bolso Quem Eduardo Campos apoiará? PAULO KRAMER Acredito que Eduardo Campos apoiará, no segundo turno, o candidato Aécio Neves. Um acordo entre o PT e PSB não tem mais volta. Ele já queimou todas as pontes que o levariam a um retorno à base da presidenta Dilma. Ele, o Eduardo, vai ganhar uma fatia do poder com alguns ministérios. Vai dar adeus à Marina Silva e sua Rede. Aliás, aliança que, na perspectiva do tempo, não foi tão estratégica assim. Por exemplo, o impede de conquistar aliados no agronegócio, setor que Aécio Neves está reinando sozinho. O que se pode esperar das ruas, depois dos protestos de 2013? PAULO KRAMER A inflação é o grande pano de fundo destas eleições. A nossa capacidade de indignação ética depende de quanto de dinheiro temos no bolso. Estamos assistindo a um lento despertar da sociedade, acostumada a pensar que os políticos estão roubando, mas eu tenho dinheiro no bolso, o que é que tem? Mas hoje vemos que quem tem emprego formal sabe que no final do mês os impostos corroem seu ganho real que não é devolvido em forma de serviços públicos decentes e de qualidade. Este, na minha opinião, é o principal fermento das manifestações: a indignação. Qual a sua avaliação sobre essa questão: manifestações e Copa do Mundo? PAULO KRAMER Será um grande ponto de interrogação. Com a mídia mundial no Brasil, os manifestantes não vão perder a oportunidade de protestar e mostrar toda a sua revolta. Creio que elas não serão tão difusas e desorganizadas como foram as de 2013 que deram a oportunidade para vândalos e oportunistas. Sindicatos, Partidos dos Trabalhadores e centrais sindicais foram pegos de surpresa. Com a ascensão de Lula e o PT na Presidência da República, há 12 anos, as bases foram deixadas de lado o que deu oportunidade para o surgimento de novas lideranças. Enquanto eles, os sindicalistas, dividiam as fatias do bolo da Esplanada dos Ministérios, com assento em altos cargos nas estatais brasileiras e torravam cartões corporativos, a nova classe média via seu poder de compra diminuir a cada dia. 8 Gestão Pública & Desenvolvimento - Maio de 2014

9 Os manifestantes não estão na camada mais pobre da população? PAULO KRAMER Não. A estudante Mayara Vivian, líder do movimento passe livre, de São Paulo, faz parte da nova classe média que se divide em alta, média média e média baixa. A revolta acontece nos meio daqueles que viram uma virada na vida nos anos de governo do Fernando Henrique Cardoso e no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, no mandato da presidenta Dilma, a escada de ascensão ficou estreita. Não é no momento de privação absoluta que ocorre o despertar e sim quando as pessoas vão melhorando de vida e, logo após, percebem que a inflação parou o crescimento. Se a economia fica estancada as pessoas se revoltam. Miséria absoluta não provoca revolta. Quais são os principais gargalos do país? PAULO KRAMER O país de hoje não faz investimentos e quando o faz, faz menos do que deveria. As regras não são claras. Infraestrutura urbana deficitária, portos sem capacidade para receber e embarcar cargas; falta de mobilidade urbana nas grandes capitais e, pior, os impostos dos brasileiros servem para equipar portos como o de Cuba. Lá não existe Tribunal de Contas da União, Judiciário e Legislativo atuantes como no Brasil. Meio fácil de desvio de dinheiro. Os escândalos éticos, como o caso da Petrobras, atrapalham a economia. Não tenho dúvidas que parte do aluguel da mão Qualquer que seja o eleito ou a eleita acontecerá um tarifaço na energia elétrica e nos combustíveis, represados em 2013 e 2014 de obra semiescrava do programa Mais Médicos irá para a campanha da presidenta Dilma. E para um futuro breve? PAULO KRAMER Vai faltar energia elétrica no segundo semestre de Estamos caminhando em uma zona de perigo. Houve erros de estratégia do governo Dilma, que se intitulava a mãe do setor elétrico. Por conta de uma política eleitoreira, a Presidência da República obrigou as empresas de energia a diminuírem o preço das contas de luz. Com a pouca chuva e o consumo em alta vamos passar por um período de escassez de energia. E as contas públicas em 2015? PAULO KRAMER Qualquer que seja o eleito ou a eleita acontecerá um tarifaço na energia elétrica e nos combustíveis, represados em 2013 e Os meus prognósticos sobre a economia brasileira já estão acontecendo. O brasileiro já está sentindo no bolso que a inflação não é aquela que o ministro Guido Mantega apregoa, acompanhada pelo horror e a precariedade dos serviços públicos como no caso da saúde pública. Os comerciantes ainda estão na era da hiperinflação, que deixou o país há muito pouco tempo. l Divulgação Maio de Gestão Pública & Desenvolvimento 9

10 ESPLANADA EM ESPLANADA EM FOCO FOCO Divulgação Esperamos que essa campanha elimine de vez a violência contra as mulheres ao sensibilizar toda a sociedade para abraçar essa luta. A campanha é lançada agora, na época da Copa do Mundo, porque temos que nos preocupar com a preservação da garantia dos direitos das meninas e mulheres. As crianças e mulheres brasileiras não podem ser vítimas de turismo sexual. Receberemos com maior carinho a todos os turistas que vierem, mas não admitiremos da parte de brasileiros ou de estrangeiros qualquer violência contra as nossas mulheres. Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, ao lançar, em 22 de maio, a campanha: Violência contra as mulheres - Eu ligo. Vamos coordenar junto com o ministro do Trabalho um processo de discussão com o movimento sindical, com os setores patronais para ver a oportunidade de editarmos uma lei nesse sentido. Mas é preciso ainda passar pelo crivo tradicional nosso, que é o crivo da consulta. Ministro da Secretaria-Geral Presidência da República, Gilberto Carvalho, ao informar que o governo estuda mudanças nas regras trabalhistas, as quais poderão permitir contratações com carga horária flexível, o chamado trabalho part time. Marcelo Camargo/ABr José Cruz/ABr Acho muito difícil qualquer possibilidade de greve. Acho, inclusive, que haverá um entendimento entre o governo federal e o sindicato que cuida dos agentes. Mesmo que o entendimento não seja feito, há decisões claríssimas no STF dizendo que a greve é ilegal. Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em 23 de maio, ao garantir que caso os agentes da Polícia Federal entrem em greve durante a Copa do Mundo, o governo tem como suprir a ausência deles. 10 Gestão Pública & Desenvolvimento - Maio de 2014

11 Ana SEIDL Barbosa inclui mensaleiros em lista de inelegíveis O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, enviou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a lista de condenados no mensalão, cujos nomes deverão ser incluídos no cadastro de políticos inelegíveis. O documento determina a inclusão dos condenados no mensalão no CNCIAI (Cadastro Nacional de Condenados por Ato de Improbidade Administrativa e por Ato que Implique Inelegibilidade) do CNJ. O CNCIAI é uma ferramenta eletrônica que permite o controle jurídico dos atos da administração que causem danos patrimoniais ou morais ao Estado, concentrando as informações em um único banco de dados. Vinte e três mensaleiros cumprem pena no Brasil, um está preso na Itália e um foi absolvido. Constam da lista enviada ao CNJ: Henrique Pizzolato, José Borba, Pedro Henry, Roberto Jefferson, Pedro Corrêa, Valdemar Costa Neto, José Genoíno, Marcos Valério, José Dirceu e João Paulo Cunha. Antonio Cruz/ABr Nelson Jr/STF Dilma defende ações do governo em congresso da União da Juventude Socialista A presidenta Dilma Rousseff defendeu, durante discurso no 17º Congresso da União da Juventude Socialista (UJS) em Brasília, em 24 de maio, os preparativos realizados pelo governo. A Copa do Mundo se aproxima, tenho certeza que nosso país fará a Copa das Copas. Tenho certeza da nossa capacidade, do que fizemos. Tenho orgulho das nossas realizações, não temos do que nos envergonhar e não temos o complexo de vira-latas, tão bem caracterizado por Nelson Rodrigues se referindo aos eternos pessimistas de sempre. A declaração foi uma resposta indireta ao ex-atacante Ronaldo, membro do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo. Em entrevista em São Paulo à agência Reuters, no dia anterior, ele disse que se sentiu envergonhado pelo modo como o Brasil se preparou para receber o torneio. MEC anuncia que Enem bate recorde de inscrições O Exame Nacional do Ensino Médio registrou este ano inscrições, aumento de 21,8% na comparação com a edição de 2013, que teve As regiões Sudeste e Nordeste têm o maior número de inscritos, com mais de 3 milhões cada. As provas serão realizadas nos dias 8 e 9 de novembro. Estudantes da rede pública e pessoas com renda familiar até 1,5 salário mínimo ficam isentos do pagamento. O Enem 2014 será usado no acesso à educação superior, por meio do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), do Prouni (Programa Universidade para Todos), para obtenção do financiamento concedido pelo Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e a participação no programa Ciência sem Fronteiras. Maio de Gestão Pública & Desenvolvimento 11

12 CAPA RECURSOS HUMANOS O esforço do governo para elevar o Estado ao padrão do século XXI Novo Sistema de Gestão de Pessoas garantirá mais produtividade e transparência no Executivo federal Ana Seidl O Brasil tem hoje cerca de 9 milhões de servidores públicos, incluindo os da União, estados e municípios. O governo federal conta com mais de 600 mil servidores civis ativos, distribuídos em 197 órgãos, considerando a administração direta, as autarquias e as fundações. Desde 2003, o Executivo federal adota política de gestão da força de trabalho que busca adequar a quantidade e a qualificação dos servidores públicos às prioridades e às áreas estratégicas de governo. Com a percepção de que é preciso colocar definitivamente o Estado no padrão do Século XXI, a Secretaria de Gestão Pública do Ministério do Planejamento acaba de lançar uma nova ferramenta. Trata- -se do Sistema de Gestão de Pessoas (Sigepe), disponibilizado para toda a 12 Gestão Pública & Desenvolvimento - Maio de 2014

13 Embratur Divulgação/MP Esplanada dos Ministérios: servidores públicos federais serão integrados ao novo Sistema de Gestão de Pessoas O atual Siape é utilizado por mais de 200 órgãos para produção das folhas de pagamento, mas o Sigepe será um sistema completo de gestão de pessoas que abarcará todas as disciplinas da área Esplanada dos Ministérios. Até 2017 estará totalmente implantado, substituindo, definitivamente, o atual Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (Siape). O Sigepe vai contemplar todo o serviço público federal: administração direta, autárquica e fundacional, menos os militares. Tudo para melhorar a gestão da força de trabalho da administração pública federal. O atual Siape é utilizado por mais de 200 órgãos para produção das folhas de pagamento, mas o Sigepe será um sistema completo de gestão de pessoas que abarcará todas as disciplinas da área, cobrindo o ciclo de vida funcional do servidor. O sistema foi estruturado em módulos considerando os principais processos de gestão de pessoas: provisão da força de trabalho; seleção e recrutamento; ingresso; sistema de recompensas e benefícios; saúde O Sigepe é um sistema que abarcará todo o ciclo de vida funcional do servidor público do servidor; gerenciamento funcional; processos especiais; gestão do desenvolvimento de pessoas; gestão do desempenho; relações de trabalho; qualidade de vida; segurança no trabalho do servidor; gestão de documentos; monitoramento; gestão da informação; gestão de processos e sistemas; legislação; gestão de dados; aposentadoria e desligamento; além dos processos de suporte necessários. Para o desenvolvimento do Sigepe foi efetuado extenso trabalho de mapeamento dos processos de gestão de pessoas, com tecnologia workflow, bases de dados integradas e plataforma web. Assim, mais do que um sistema que registrará a vida funcional do servidor, o Sigepe será a ferramenta de trabalho da área de Maio de Gestão Pública & Desenvolvimento 13

14 CAPA RECURSOS HUMANOS Francisca Maranhão/MP Recursos Humanos e o canal de relacionamento com os servidores para as ocorrências e serviços relacionados à sua vida funcional, onde os processos eletrônicos substituirão o meio papel, o que proporcionará ganhos de produtividade, segurança e transparência aos processos de gestão de pessoas, em todos os órgãos do Executivo federal. O projeto foi estruturado em cinco etapas, de forma a proporcionar entregas modulares e constantes até sua conclusão, prevista para Hoje, quando uma pessoa entra no Ana Lúcia Amorim: nova ferramenta vai melhorar a operacionalização dos concursos públicos serviço público é montada sua pasta funcional. Mas se ele muda de órgão, outra é montada, o que fragmenta o processo. Com o Sigepe, ele vai entrar no serviço público, será feito seu registro no módulo de ingresso, sua pasta funcional será digitalizada, toda eletrônica, e o documento o acompanhará ao longo de sua vida funcional. Não precisa mais apresentar documentos. Concurso público O Sigepe contará com módulo de seleção, ferramenta que vai melhorar a operacionalização dos concursos públicos. Isso facilitará muito o trabalho dos órgãos e dará elementos de gestão muito eficientes. Haverá uma produtividade muito melhor nessa área. O módulo pretende informatizar os processos relacionados ao recrutamento e seleção por meio de concurso público. Constará no sistema desde a solicitação de autorização dos concursos públicos até a autorização para o preenchimento dos cargos. Desta forma, a expectativa é que os processos, antes tramitados e arquivados apenas em processos físicos em papel, passarão a ser tramitados eletronicamente, via sistema. Atualmente, milhares de jovens participam de concursos públicos, atraídos tão somente por remuneração e estabilidade. O modelo de concurso público, apesar de meritocrático, não consegue filtrar os perfis necessários. Para a secretária de Gestão Pública do Ministério do Planejamento, Ana Lucia Amorim, é necessário aperfeiçoar o processo de verificação de conhecimento. Segundo ela, no México, se faz uma criteriosa avaliação de currículo, para verificar a experiência pessoal da pessoa. No Brasil, a prática tem sido priorizar a prova objetiva, privilegiando pessoas que podem abdicar de todas as atividades, se dedicar aos estudos e obter as melhores classificações 14 Gestão Pública & Desenvolvimento - Maio de 2014

15 na prova. Isso não quer dizer que ele será o melhor servidor para a administração pública, uma coisa é passar numa prova, a outra é ter atitude, criatividade e empreendedorismo, afirma Ana Lucia Amorim. O concurso público de 2013 para Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG) foi estruturado para ampliar a concorrência e possibilitar que os melhores candidatos cheguem até a última etapa do certame, que é a prova de títulos e experiência. Na nova sistemática, que reserva peso de 77,5% para conhecimento teórico e 22,5% para conhecimento prático, elevou-se em importância a prova discursiva e ampliou-se o grau de pontuação para a fase complementar de avaliação de títulos acadêmicos e experiência profissional. Com essa mudança, espera-se poder selecionar, dentre os 750 melhores candidatos, aqueles que além do conhecimento intelectual necessário, têm experiência profissional, especialmente gerencial. Esta atividade, em qualquer segmento, requer habilidade para lidar com situações que envolvem tomadas de decisão em graus diversos de complexidade, responsabilidade, autonomia e liderança; competências muito desejadas em todos os órgãos da administração neste momento. Por isso as regras estabelecidas para esse edital seguiram a premissa de valorizar a experiência somada à alta qualificação acadêmica. O concurso EPPGG 2013, na verdade, é um mix de aferição de conhecimento e experiência. Na fase acessória, de avaliação de títulos e experiência profissional, serão chamados somente os candidatos que obtiveram as maiores notas nas provas teóricas. Maio de Gestão Pública & Desenvolvimento 15

16 CAPA RECURSOS HUMANOS ENTREVISTA // ANA LUCIA AMORIM O servidor público tem que estar voltado para o cidadão Secretária de Gestão defende avaliação mais criteriosa do desempenho do funcionalismo Os governos, diante de demandas cada vez mais complexas e numerosas, desenvolvem esforços para manter e melhorar a capacidade dos serviços públicos e, ao mesmo tempo, reduzir despesas. Por isso, buscam um novo perfil de servidor público, para enfrentar os desafios do século XXI. Esse é o pensamento da secretária de Gestão do Ministério do Planejamento, Ana Lucia Amorim. Para ela, é preciso haver uma mudança cultural no serviço público. Temos que estar voltados para o que a sociedade precisa e quer que realizemos, observa. Segundo a secretária, é preciso saber o que o cidadão espera do servidor. O serviço público que buscamos não está voltado para o órgão, para a organização ou para a própria máquina do Estado; tem que estar voltado para o cidadão. Essa é a razão de existir do Estado e dos governos: atender às necessidades da sociedade. É isso que precisamos do servidor público do século XXI, avalia. O Sigepe é mais amplo, é um sistema de gestão de pessoas que vai tratar desde o ingresso no serviço público até a preparação para a aposentadoria A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), no atual contexto de inovações tecnológicas, avalia que o servidor ideal para a administração pública precisa ser criativo, ter flexibilidade, espírito de cooperação e pensamento estratégico. Assim, não só deve ser mais qualificado, mas precisa ter habilidades e atitudes necessárias à negociação e à articulação de interesses, em novo ambiente de governança pública. Ana Lúcia concorda e afirma: O perfil ideal de servidor alia conhecimento, experiência e vocação para o desempenho das funções do cargo/ carreira escolhidos. Nesta entrevista exclusiva, ela destaca os pontos básicos do novo Sistema de Gestão de Pessoas e fala do trabalho da Segep no sentido de qualificar melhor o funcionalismo público federal. Qual o objetivo dessa mudança de sistema de gestão de pessoas? ANA LUCIA AMORIM No âmbito da administração pública do Executivo federal buscamos modernizar a gestão de pessoas. O Siape, que será substituído, é um sistema muito antigo, defasado em termos de tecnologia e de processo. Ele tem várias deficiências, o que dificulta o trabalho do dia a dia dos órgãos de recursos humanos. O novo Sigepe foi construído baseado totalmente em outro modelo, com tecnologia moderna. Além disso, engloba todas as disciplinas de gestão de pessoas enquanto o Siape é um sistema de folha de pagamentos. O Sigepe é mais amplo, é um sistema de gestão de pessoas que vai tratar desde o ingresso da pessoa no serviço 16 Gestão Pública & Desenvolvimento - Maio de 2014

17 Francisca Maranhão/MP público até a preparação para a aposentadoria. Apresenta disciplinas como gestão por competências, capacitação, desenvolvimento na carreira, atenção à saúde e segurança no trabalho. É um sistema bastante completo, com base por servidor, que vai trazer todo o ciclo de vida funcional dele. Hoje o setor de RH tem que fazer todos cálculos e depois lançar no sistema. No Sigepe já tem a ferramenta de trabalho. Então, vamos ter um ganho de produtividade imenso, redução de erros e segurança da informação. Em termos de estrutura o que vai mudar e qual o resultado esperado? ANA LUCIA AMORIM O resultado que a gente espera é criar uma nova condição na área de gestão de pessoas. Será um salto muito significativo, tanto para os órgãos setoriais quanto para a Secretaria de Gestão Pública. Porque vamos ter uma série de informações que hoje não temos, porque estão todas fragmentadas. Por exemplo, os investimentos do governo federal em capacitação, cada órgão tem o seu, a gente aqui não tem uma visão centralizada. A partir do Sigepe, por exemplo, no nosso módulo de capacitação, toda a execução dos processos será descentralizada, nos órgãos, mas tudo fica consolidado na base desse novo sistema. Podemos usar isso para retroalimentar ou para subsidiar as políticas públicas na área de gestão de pessoas. Maio de Gestão Pública & Desenvolvimento 17

18 CAPA RECURSOS HUMANOS Com as demandas cada vez mais complexas e numerosas, muitos governos demandam esforços para manter e melhorar a capacidade dos serviços públicos e ao mesmo tempo reduzir despesas. Quais as principais ações que a Secretaria de Gestão desenvolve nesse sentido? ANA LUCIA AMORIM É verdade. Esse é um esforço contínuo de gestão. Às vezes as pessoas falam muito sobre gestão, mas praticam pouco a gestão. E isso é a verdadeira prática dela. Primeiro, todas as demandas para contratação de pessoal são criteriosamente avaliadas. É feito um estudo da situação do órgão, da carreira, previsão de aposentadorias, os últimos ingressos e a capacidade do órgão de retenção de servidores. Tudo isso é conciliado com a disponibilidade orçamentária. Tentamos potencializar esses recursos, selecionando os melhores perfis para cada instituição. Tanto em termos de carreira, de nível de cargo, tudo isso. Temos feito outros esforços na linha de capacitação. Estamos revendo a nossa política nacional de desenvolvimento de pessoas, procurando potencializar parcerias para que os órgãos possam ter acesso a mecanismos que lhes facilitem a capacitação de servidores. Ao mesmo tempo buscamos parcerias. Exemplo: estamos disponibilizando a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) para todos os órgãos da Esplanada dos Ministérios porque é uma entidade que pode trazer elementos novos para área de gestão de pessoas. Trabalhamos fortemente na redução de custos com o saneamento da folha de pagamento. Fizemos uma revisão na folha e detectamos potenciais erros, corrigindo inconsistências, revisando normas. Publicamos mais de 40 orientações normativas para todos os setores de recursos humanos. Isso foi um trabalho dos últimos dois anos. Com a revisão da folha de pagamento, economizamos mais de um bilhão de reais por ano, com a correção de inconsistências e evitando pagamento de valores indevidos. Precisamos pensar qual país queremos, para onde ele está caminhando e quais são as prioridades do Estado brasileiro A Segep introduziu um novo modelo de gestão da folha de pagamento do governo federal que incorpora ações de prevenção e inteligência e oferece maior nível de assertividade e confiabilidade ao processo. A inovação permite análises críticas, por meio de cruzamento de dados e acompanhamento das atualizações realizadas mensalmente na folha, com notificação aos órgãos das inconsistências apuradas. Este trabalho, em apenas quatro meses, com correção de inconsistências e evitando pagamento de valores indevidos, já gerou uma economia potencial de R$ 559,4 milhões/ano. Quais os tipos de erros mais frequentes encontrados na folha de pagamentos? ANA LUCIA AMORIM Interpretações legais equivocadas causavam pagamento de gratificações acima do que poderiam ser pagas. Foram eliminados pagamentos para servidores que já tinham falecido. Foi feito o recadastramento dos aposentados. Cortamos mais de 7 mil benefícios, que não foram renovados. As pessoas não apareceram e o benefício foi suspenso, mesmo assim elas não apareceram mesmo, nem para reclamar. Estamos implantando o novo modelo de gestão da folha de pagamentos, em que fazemos o monitoramento da produção dessa folha. Durante as averiguações, apontamos para os setoriais de RH quais são os erros e avisamos para que sejam corrigidos. Se não corrigirem, nós corrigimos, derrubamos esse pagamento, evitando o erro. Por que antes a gente tinha um comportamento de auditoria, de detectar o erro depois de cometido e isso era muito difícil. Depois que você já pagou um valor errado para o servidor público, fica difícil reavê-lo. Em um mês de trabalho, detectamos R$ 2 milhões em erros, no período entre março e abril. Então, é dessa forma que a gente vem trabalhando. Primeiro potencializando o uso dos recursos existentes. Quer dizer, você tem que contratar da forma certa os perfis corretos, capacitá-los para 18 Gestão Pública & Desenvolvimento - Maio de 2014

19 desenvolverem e produzirem ao máximo. É assim que os governos sempre tentam potencializar o trabalho dos seus servidores públicos e ao mesmo tempo trabalhar na redução de custo, saneando aquilo que precisa ser saneado. O que ainda precisa melhorar no perfil do servidor público federal? ANA LUCIA AMORIM Temos muitos desafios na área de gestão de pessoas, desde o processo de recrutamento, a seleção de pessoas, para que consigamos alcançar um perfil mais adequado. Depois que a pessoa entra na administração pública, temos que ter melhorias no processo de desenvolvimento dela, tanto na questão de capacitação, desenvolvimento na carreira; como manter esse servidor público estimulado por todo período de sua vida funcional. O servidor público pode ficar durante 35 anos no serviço público. Como mantê-lo estimulado e produtivo até o final da carreira? Isso é um grande desafio. Outro desafio é a avaliação de desempenho desse servidor. Nós temos que melhorar o modelo que dispomos hoje e fazer um processo que de fato esteja mais alinhado com os resultados a serem alcançados. E temos que evoluir nas políticas de reconhecimento, valorização dos servidores excelentes, altamente qualificados e muito dedicados. Em contraposição, há quadros que não produzem. Estão ali, arranjaram um emprego, ganharam um salário, estabilidade, mas não querem muito dar o sangue. Numa empresa privada, se o funcionário não produz é demitido. No serviço público não tem essa prerrogativa. O servidor público entra pelo concurso público e ganha estabilidade. Então isso é bom em certo aspecto, mas tem efeitos nocivos. Por que as pessoas se acomodam e o dirigente não pode dizer: tenho uma força de trabalho aqui que não está produzindo, preciso repor. A Constituição tem a previsão de regulação da dispensa do servidor público por insuficiência por desempenho. Mas não está regulamentada. É um assunto a ser enfrentado no futuro. Outra dificuldade é que somente os servidores dos mais baixos escalões são avaliados. Quando um servidor ocupa um DAS 4 ou acima disso, não é avaliado. O que nós consideramos um erro. Porque todos têm que ser avaliados. Mas a política hoje estabelecida é essa. Estamos estudando para ver o que podemos melhorar. Qual é o perfil ideal de servidor público, compatível com o enfrentamento dos desafios do século XXI? ANA LUCIA AMORIM Nos debates em eventos internacionais, o OCDE traz uma reflexão importante sobre isso. O mundo vive uma inovação tecnológica intensa, na era da comunicação e, assim, precisa de servidores que tenham capacidade de criação. O mundo está se inovando. O serviço público tem que acompanhar essa inovação. Então, o servidor tem que ter criatividade e flexibilidade para a mudança. Não dá mais para usar aquele discurso isso sempre foi feito assim, a lei diz que tenho que fazer assim. Somos nós que fazemos as leis. Então temos que estar antenados com o mundo para irmos adaptando e modernizando o nosso arcabouço legal, de forma que o serviço público possa acompanhar a modernidade mundial. Precisamos de servidores proativos, que tenham visão estratégica, espírito de cooperação, porque ninguém faz nada sozinho, tem que trabalhar bem em equipe. Atitude é uma coisa importante. Então, o servidor do futuro não precisa somente de um conhecimento robusto de direito administrativo e administração. Ele tem que ter experiência, vocação, habilidades e atitudes. Atitude para tomar iniciativa e fazer a administração pública funcionar de acordo com o que a sociedade espera. Temos que estar voltados para o que a sociedade precisa que realizemos. Essa visão do cliente, que na iniciativa privada foi tão incutida na época que se discutiu a qualidade nas organizações privadas, tem que vir para o serviço público, com o desenvolvimento da visão do cidadão. O que o cidadão espera de mim. O serviço público que desenho, não está voltado para o meu órgão, para minha organização ou para a própria máquina do Estado. Ele tem que estar voltado para o cidadão. Essa é a razão de existir do Estado e dos governos, atender às necessidades da Maio de Gestão Pública & Desenvolvimento 19

20 CAPA RECURSOS HUMANOS Francisca Maranhão/MP Temos um projeto chamado Planejamento Estratégico da Força de Trabalho. Conseguimos avançar em alguns diagnósticos. Agora estamos nos preparando para buscar uma consultoria que nos ajude a desenvolver uma metodologia de planejamento com essa finalidade. Essa abordagem integrada considera a visão de Estado, as prioridades de governo e as necessidades de estruturas organizacionais e de pessoas. O Sigepe é uma grande ferramenta que vai nos ajudar muito nisso. Ele vai trazer uma visão integrada das várias disciplinas de gestão de pessoas e ajudar a identificar onde estão as deficiências, as lacunas que nós temos que preencher que nós temos que suprir para uma boa gestão. sociedade. É isso que esperamos do serviço público do Século XVI. Como conseguir uma abordagem integrada da gestão de pessoas com visão estratégica de longo prazo? ANA LUCIA AMORIM Esse é um desafio imenso por que a visão da gestão de pessoas com estratégia de longo prazo pressupõe que nós estejamos alinhados com esta visão de Estado. Então, as pessoas estão aqui a serviço do Estado e da sociedade para produzirem os resultados que essa sociedade espera. O que precisamos é pensar qual país queremos, para onde ele está caminhando e quais são as prioridades do Estado brasileiro. Aí a gente olha para dentro da máquina, determinamos quais as competências que precisamos ter para que o governo consiga entregar esses resultados. O Brasil tem hoje com cerca de 9 milhões de servidores públicos, incluindo os da União, dos estados e dos municípios. O governo federal conta com mais de 600 mil servidores civis ativos, distribuídos em 197 órgãos. Qual a sua análise sobre esses números? São necessários às demanda? ANA LUCIA AMORIM Primeiro, a gente tem que fazer comparações com países que têm o mesmo modelo organizacional. Depois, o segundo parâmetro é o tamanho. Não podemos comparar o Brasil com a Suécia. Isso não tem o menor sentido. Nós vivemos em um país continental com 27 estados, municípios. Quando falamos em 9 milhões de servidores temos que ver essa abrangência. Então, analisamos o número 20 Gestão Pública & Desenvolvimento - Maio de 2014

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