EQUILÍBRIO, ESTATISMO E POLÍTICA ECONÔMICA BURGUESA FRENTE A CRISE 1

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1 EQUILÍBRIO, ESTATISMO E POLÍTICA ECONÔMICA BURGUESA FRENTE A CRISE 1 Isabela Arana- Joaquín Morelli Na reunião do G-20 em Seul, o documento assinado pelos representante dos países membros continuou com a linha de compromissos para alcançar o equilíbrio, sem definir todavia uma linha clara no que diz respeito ao funcionamento da economia mundial, em particular, em relação ao sistema financeiro, os fluxos de capitais e as taxas de cambio das moedas. A declaração surgida da reunião se debate sem um fim claro entre a regulação dos mecanismos financeiros, que levaram ao estalo da crise, junto com a pretensão de assegurar o livre mercado e a livre circulação de capitais. Estas contradições nos termos para a economia burguesa se conseguiram devido a que o objetivo fundamental que tem é o de alcançar o equilíbrio econômico em nível mundial supostamente atacando as causas dos desequilíbrios gerados a partir da crise. Justamente, esta declaração tenta resolver sem êxito profundas diferenças que não são só teóricas mas na realidade, político-econômica, já que existem interesses muito diferentes (encontrados) entre, por exemplo, os países com superávit de sua balança de pagamentos e os países com déficits. Como disse o economista burguês Nouriel Roubini, as reuniões do G-20 parecem ser mais as do G-0, porque a combinação das forças dos interesses doa principais participantes da reunião dão como resultante uma força igual a zero. Formalmente, as declarações destas instancias se centralizam ao refor de determinados desequilíbrios tais como a divida pública e os déficits fiscais; a relação entre a poupança privada e a divida privada, e por outro lado, os desequilíbrios no comercio exterior, seja na balança comercial e nos fluxos de inversão e transferências. Para a análise que interessa aos quadros burgueses nos Estados, como opinólogos, é fundamental levar em conta além das taxas de cambio as políticas fiscais e monetárias. Agora, é importante remarcar aqui que esta divisão dos desequilíbrios em partes, para além da pertinência de analisar os prazos e os casos especialmente graves de crise, tenta ocultar o caráter estrutural da crise capitalista. Analisamos em outra notas deste número o argumento de determinados setores burgueses na discussão entre os países com superávit da balança comercial e os países com déficit, como o é a discussão de Pettis com relação à China. Entretanto, esta não é a única expressão do problema dos desequilíbrios. Também, tal como afirmam as diversas declarações emitidas pelas diferentes instituições supra-estatais, tem surgido na superfície os graves problemas das taxas de cambio, desenvolvido em uma guerra de moedas. Outro ponto de conflito é o dos fluxos de capital, que se destinam em massa aos países com maior taxa de juros (países exportadores, que tentam manter desvalorizada sua moeda, como China, Brasil e Índia). Assim mesmo tem que assinalar a questão dos déficits estatais. Estes problemas e debates ressurgiram na recente reunião que mantiveram os principais chefes de Finanças do G-20 onde ficaram manifestas as maiores rusgas (pujas) entre EUA e a UE e entre a Alemanha, Grã Bretanha e França em particular e entre estes com a China. As discussões com relação a como evitar o desequilíbrio e descalabro da economia mundial frente ao risco sistêmico que apresentam os bancos não poderão ser solucionadas com supostas políticas regulatórias nem com supostas linhas de recapitalização que já mostraram sua ineficácia ao exacerbar os problemas já existentes. A atual crise capitalista não pode ser resolvida, desde o ponto de vista burguês, com uma mescla eclética de linhas implantadas nos anos 30 ou 70, Uma vez que a economia política burguesa mostra a caduquice (caducidad) histórica de suas colocações. 1 Artículo elaborado em setembro-outubro de

2 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONCEITO DE EQUILÍBRIO NA TEORIA ECONÔMICA BURGUESA Como vemos, os debates burgueses com relação à crise se reduzem a uma questão de somatória destes desequilíbrios. É licito perguntar sobre o por que desta obsessão por alcançar esse equilíbrio perdido que, dito de passagem, nunca se realizou. É que a noção burguesa de equilíbrio, tanto no econômico, como no político, se refere mais a uma noção abstrata de estabilidade absoluta. Ou seja, é um conceito de equilíbrio mais ligado a um dever ser abstrato que à realidade concreta. Existem diversas definições, e leis associadas às mesmas, que na economia burguesa determinam estes supostos equilíbrios. Um dos pioneiros em incursionar no campo da teoria do equilíbrio geral foi F. Quesnay ( ). Este economista francês partia da descrição de uma economia agrária de subsistência. Quesnay colocava que uma nação se reduz a três classes de cidadãos: a produtiva, a classe dos proprietários e a classe estéril. Realizou esta classificação a partir do lugar que ocupam os indivíduos no processo de criação de riquezas. Neste esquemas os ingressos das três classes sociais estão vinculados com a geração de riquezas sob a forma de bens de consumo que se produz com o trabalho da sociedade. Daqui surgiu a noção de estado estacionário, em uma economia fechada, como um fluxo circular que se repete cada período e que possibilita um equilíbrio econômico e social a partir da igualdade entre os ingressos e os gastos de cada classe social. Posteriormente, desde o liberalismo, Adam Smith ( ) analisou o funcionamento do sistema manufatureiro, nascido com a Revolução Industrial, onde existiriam três classes sociais: os donos de terras (terratenientes), os trabalhadores e os empresários com seus respectivos ingressos monetários, ou seja, renda, salário e benefícios. Adam Smith sustentava que o mercado tende naturalmente a um equilíbrio econômico e social. Segundo o economista escocês, a busca para satisfazer o próprio interesse beneficiaria a toda a sociedade e estava limitado pelo próprio interesse do próximo. Os produtores tentariam obter o Maximo beneficio mas, para consegui-lo, deviam produzir os bens que desejava a comunidade. Além disso, deviam produzi-los nas quantidades adequadas, do contrário, um excesso daria lugar a um benéfico preço baixo, enquanto que uma oferta muito pequena originaria um aumento do preço e finalmente um aumento da oferta. O mecanismo de Smith da mão invisível entrava em jugo assim mesmo no mercado dos fatores de produção, assegurando a harmonia sempre que os fatores buscavam as rendas máximas possível. Se produziriam os bens adequados aos preços adequados e o conjunto da sociedade obteriam a máxima riqueza possível enquanto regesse a livre concorrência; entretanto, se fosse restringida a livre concorrência, a mão invisível deixaria de funcionar e a comunidade arcaria com as conseqüências. Desde essa concepção, o equilíbrio econômico seria algo natural em uma sociedade onde existiria uma mão invisível que faria que os interesses particulares se corresponda com o interesse geral. Sem duvida houve duas mudanças históricas transcendentais que questionaram o desenvolvimento destas teorias do equilíbrio geral. A Revolução Francesa de 1789 e a situação da sociedade inglesa após a sanção das Leis dos Pobres de Speenhamlnd (1795) questionaram de alguma maneira seus postulados harmônicos e instalaram o problema da evolução da população na ciência econômica. Thomas Malthus ( ) formulou naquele período sua colocação sobre a escassez dos recursos ao considerar que o ritmo de crescimento da população superaria o ritmo de crescimento da produção de alimentos. Um de seus discípulos mais reconhecidos David Ricardo ( ) cuja obra se centrou na disputa entre proprietários de terras e empresários na teoria da renda diferencial (1817) onde os empresários, frente a escassez de terras férteis na Inglaterra, deveriam pagar aos proprietários de terras, renda cada vez mais altas por terrenos cada vez menos férteis para satisfazer as necessidades de uma população que aumentava. Uma das principais tese de Ricardo consistia em considerar que o valor dos bens se divide em duas proporções: a que constitui o beneficio e a que constitui a mão de obra, definindo ao capital atual 2

3 como trabalho anterior. Ricardo, crítico da teoria do valor de Smith, sustentou entre suas teses principais que não se devia confundir p trabalho investido na produção da mercadoria com o trabalho que se comprava na mercadoria; que o valor só se achava determinado pelo trabalho investido e que a determinação do valor por tempo de trabalho conservava sua plena vigência sob o capitalismo. Considerou o salário e o lucro como duas partes do valor criado pelo trabalho, e chegou à conclusão de que a diminuição do salário eleva o lucro e sua elevação reduz este último, reconhecendo desta forma a divergência de interesses entre o proletariado e a classe dos capitalistas. Jean B. Say ( ) criticou duramente estas colocações de Ricardo pondo novamente o eixo do estudo econômico nas teses da harmonia ao subtrair da economia a análise das classes sociais. Seu 2 principal aporte foi a lei dos mercados onde sustentou que toda oferta cria sua própria demanda. Posteriormente Schumpeter ( ) retomou as colocações de Say ao sustentar que a produção aumentaria não só a oferta de bens no mercado, senão normalmente também sua demanda. Neste sentido considerava que a oferta cria o fundo do qual flui a demanda de seus produtos. Considerava que demanda, oferta e equilíbrio som conceitos para descrever ralações quantitativas dentro do universo das mercadorias e dos serviços, e em particular, que a demanda e a oferta agregam não só independência a uma da outra, pois as demandas que compõem a demanda total do produto de uma indústria, ou empresas, ou indivíduos, procedem das ofertas de todas as demais indústrias, ou empresas, u indivíduos, e, portanto, aquela aumenta na maioria dos casos se aumentam estas ofertas, e descende se elas diminuem. A partir destes argumentos conclui que as crises não achavam sua causa no fato de que a sociedade houvesse produzido demais. Walras, influenciado por Jevons, partia de consideras a economia como ciência matemática. Desde esta idéia se esforçou por demonstrar empiricamente que os diferentes mercados estão interconectados como se fossem um sistema de equações matemáticas compatíveis, de maneira que a igualdade entre o número de equações e incógnitas possibilitaria uma solução onde se verifique o equilíbrio simultâneo dos mercados. Walras situava a empresa no centro da economia e se interessava por sua ação no marco de uma competição entre agentes, assim como em uma independência de todos os mercados econômicos: os percados de produtos (bens e serviços) e os de fatores de produção (trabalho, terra e capital). Neste esquema Walras opinava que a solução ao problema do equilíbrio geral passava pela determinação simultânea do preço dos bens e dos fatores de produção, supondo um mercado de concorrência perfeita com pleno emprego. Estas idéias influenciariam posteriormente A. Marshall quem considerou que o equilíbrio de mercado era estável, ou seja, que se o preço se separasse dele, tenderia a voltar ao mesmo, como um pendulo oscila ao redor de seu ponto inferior. O interesse na estabilidade dos equilíbrios, especialmente dos mercados, caracterizou aos integrantes da Escola de Lausana, particularmente ao sucessor de Walras, Wilfredo Pareto. Uma versão mais desenvolvida da teoria do equilíbrio é expressa pelo Ótimo de Pareto que postula que nenhum individuo pode melhorar sua situação sem que piore a de algum outro. Para iesto é necessário que haja um sistema de competição pura e perfeita. Este tipo de competição supõe o cumprimento de cinco condições: atomicidade dos mercados (tantos compradores e vendedores onde nenhum deles possa influir individualmente no preço do produto); transparência e perfeita informação (todo individuo conhece perfeitamente quais são as condições do mercado); livre entrada e saída do mercado (não existem restrições para que qualquer empresa possa produzir o que deseje); livre mobilidade dos fatores produtivos (tanto o capital como o trabalho se dirigem aquela situação segundo o preço dos fatores), e homogeneidade do produto (aos consumidores lhes dá igual a quem compra se todo os produtos são iguais). Junto ao austríaco Carl Menger e ao britânico Stanley Jevons, Walras foi considerado um dos fundadores 2 A Treatise on Political Economy, or the production, distribution and consumption of wealth" (1803) 3

4 da corrente neoclássica e do marginalismo. Schmpeter considerava o equilíbrio de Walras como indispensável para chegar a conhecer as relações fundamentais que tem lugar em um sistema econômico, e sustentava que não é possível compreender o processo de desenvolvimento sem levar em conta as condições que supõem a ruptura do equilíbrio estacionário. As característica fundamentais do estado estacionário walrasiano segundo a visão schmpeteriana, é que se considera que a situação econômica se repete, seja na esfera da produção, seja na esfera do consumo. Uma vez que a competição haja conduzido ao sistem para a posição de equilíbrio, que coincide com a de Maximo rendimento, o processo se repete em um ciclo sempre idêntico a si mesmo. Toda empresa deve produzir sempre os mesmos tipos 3 e as mesmas quantidades de bens, combinando sempre na mesma forma os fatores de produção. Para Schmpeter a ruptura deste estado estacionário e, como conseqüência, o inicio de um processo de desenvolvimento, ocorre quando no âmbito da produção se introduz modificações que mudam profundamente os sistemas produtivos anteriores. As mudanças podem ser do seguinte teor: 1) a introdução de um novo bem, ou uma nova qualidade de um certo bem; 2) a introdução de um novo método de produção; 3) a abertura de um novo mercado para uma industria determinada na consideração de que os produtos esta industria não havia tido nunca acesso; 4) a conquista de uma nova fonte de matérias primas ou de produtos semi elaborados; 5) o estabelecimento de uma nova organização de uma determinada industria. Tais mudanças são denominadas inovações. As categorias fundamentais de seu discurso são o conceito de inovação e o conceito de empresário. O empresário capitalista é quem acaba continuamente com o estado estático e estacionário, modificando os processos produtivos mediante inovações. O fator que causa a mudança é a inovação, que se considera que é fazer as coisas de maneira diferente dentro do campo da vida econômica. 4 O período entre guerras e a crise de 1929 questionaram profundamente estes argumentos. Foi neste contexto que John M. Keynes ( ) desenvolveu os postulados principais de sua obra polemizando parcialmente com as idéias predominantes. Em sua critica da Lei de Say, Keynes sustentava que a mesma só funciona quando um ato de poupança individual conduz inevitavelmente a outro paralelo de inversão e que não é apropriado supor a existência de um elo que liga as decisões de abster-se do consumo presente com as que provêem do consumo futuro. Para Keynes há um motivo especulativo que favorece que uma massa de dinheiro que se gera na produção fuja para o setor financeiro a fim de obter rendas mais seguras. Esta tese questiona a idéia de equilíbrio geral dos mercados baseada no livre jogo da oferta e da demandam,presente nos esquemas anteriores. Keynes considerava que durante as crises, o mercado não pode garantir o equilíbrio econômico, razão pela qual se requer a intervenção do estado para favorecer as inversões, o produto e o emprego, a partir de estimular a demanda agregada via o consumo público e privado, ainda que isto implique um aumento do nível geral de preços. Mais adiante, voltaremos sobre esta colocação. Décadas mais tarde, os postulados de Keynes foram questionados pelos neoclássicos. Um de seus maiores expoentes é Milton Friedman que retomou os postulados da lei dos mercados de Say e a idéia de equilíbrio geral. Nos tópicos seguintes aprofundaremos e polemizaremos com tais postulados da economia política burguesa para apreender melhor os debates atuais entre os diferentes funcionários e representantes das correntes. ALGUNS ELEMENTOS DE CRÍTICA METODOLÓGICA À ECONOMIA BURGUESA A teoria marxista, diferente da economia política burguesa, toma a questão do equilíbrio como um conceito contraditório. Equilíbrio e desequilíbrio são, na teoria econômica marxista, justamente não excludente, senão que formam uma unidade diferenciada, como conceito dialético. 3 D. Guerrero, et al. Manual de economía, vol , pág Ibídem. 4

5 A razão principal que tem o marxismo para fazer uso deste tipo de conceitos é que justamente empreende o estudo do fenômeno vivo, e, portanto contraditório, do capitalismo. Nesta formulação metodológica consiste sua principal vantagem em relação às teorias econômicas burguesas, as quais se reduzem a uma serie de deduções que se fazem a partir de um equilíbrio abstrato e estacionário. Para desenvolver esta importante questão da noção de equilíbrio na economia burguesa tomaremos a critica que Henryk Grossmann realizou em Marx economia política clássica e o problema da dinâmica, onde tenta elaborar a noção de dinâmica da economia marxista a partir de explorar as contradições dos postulados dos economistas burgueses. O objetivo de elaborar uma teoria econômica que capte a dinâmica e contradição dos fenômenos concretos foi possível para Marx a partir de uma critica das teorias econômicas dos clássicos como Smith e Ricardo, a partir do método dialético, o qual busca capturar o concreto no pensamento. Nesse sentido, as categorias postuladas pela economia política clássica, em particular a de valor, foram tratadas pro Marx em suas contradições inerentes. Ou seja, para Marx os conceitos elaborados por estes economistas tinham, como toda idéia dentro de nossa sociedade, uma parte mistificada e uma parte real. O objetivo então, não era anular uma categoria mistificadora e trocá-la por outra, mas, explicar a conexão necessária entre ambas e a partir disso assinalar o caráter aparente das mesmas. Para Marx os fenômenos monetários não deviam ser tomados como os elementos principais dos fatos econômicos, mais sim como formas reflexivas dos mesmos, e que o processo real que afeta as mercadorias devia ser buscado na produção, atrás do véu monetário. Entretanto, Marx estava longe de postular uma oposição categórica entre o real e o aparente. Marx estabelecia a conexão entre mercadoria e dinheiro ao considerar que a contradição oculta entre valor de uso e valor de troca que existe no interior da mercadoria se faz palpável na oposição entre as mercadorias, na qual uma é considerada por seu valor de troca e a outra por seu valor de uso. UMA BREVE INTRODUÇÃO AO PROBLEMA: O DUPLO CARÁTER DO TRABALHO E O ERRO FUNDAMENTAL DA TEORIA ECONOMICA BURGUESA Ao desenvolver o caráter contraditório da categoria mais comum da sociedade capitalista, a mercadoria, Marx se introduz ainda mais na mesma analisando o caráter especial do trabalho como mercadoria. Desta maneira Marx pode determinar o duplo caráter do trabalho, assinalando o fato de que este cria o valor de um produto destinado ao mercado, e por sua vez cria um valor de uso necessário socialmente. A partir desta distinção fundamental, a critica marxista à economia burguesa se dirige justo ao centro dos objetivos ideológicos e políticos da mesma, como o é o da idéia de conseguir um equilíbrio abstrato, que não é mais que o reflexo ideológico dos interesses de classe da burguesia e seu Estado. O mesmo Marx dizia que o assinalamento do caráter contraditório do trabalho sob o capitalismo era um descobrimento fundamental para a ciência econômica. Este duplo caráter do trabalho assinala por sua vez o duplo caráter da mercadoria, o valor de troca e o valor de uso das mercadorias. Esta dualidade das categorias econômicas se dá em Marx em todos os níveis da exposição de sua teoria, desde os mais abstratos como a analise da mercadoria, como nos mais concretos, como a analise das contradições entre capital fixo e circulante, etc. Esta metodologia dialética é fundamental para empreender a analise da dinâmica do capitalismo, sem cair no estudo matematizado das mudanças quantitativas de variáveis da economia burguesa, que dessa maneira segue sendo uma teoria estática. O importante é reconhecer aqui o ponto de apoio que tem os conceitos estáticos da economia burguesa. Ou seja, encontrar onde se assenta sua concepção de equilíbrio. Em primeiro lugar mencionaremos o fato assinalado por Grossman de que a economia política clássica foi sempre uma teoria abstrata do valor de troca. Isto no sentido de que seu desenvolvimento se encaminhou sempre se enfocando nos aspectos da 5

6 dinâmica da oferta e da demanda (circulação) em detrimento dos processos relacionados com a produção de valor. E aqui podemos retomar o dito anteriormente sobre a parte de verdade das categorias econômicas que a critica deve levar em conta. Marx assinalou que a expressão mais pura da dinâmica capitalista era a da relação entre valor de troca e aumento no valor de troca. Esta lógica nascida da visão que possui o agiota ou o comerciante se abstrai completamente da origem, não só do valor de troca, senão, sobretudo da razão do aumento do valor. Como marxistas reconhecemos o valor central do trabalho na produção e reprodução do valor, aspecto que, se bem os clássicos como Ricardo ou Smith reconheciam, não desenvolviam em suas conseqüências para a análise do capitalismo. Mas, voltando ao que nos ocupa, necessitamos determinar quais são as conseqüências deste pensamento abstraído da centralidade do trabalho na noção de equilíbrio. Tanto para Smith como para Ricardo o equilíbrio abstrato era um conceito fundamental em sua teoria. Justamente, a teoria dos preços naturais, parte de um equilíbrio entre demanda e oferta que é só um equilíbrio entre valores de troca, e que só reflete em todo caso, as flutuações dos preços ao redor dos valores (fato existente e que a economia marxista desenvolve). Como dizíamos mais acima, o que a analise clássica deixa de lado é o aspecto contraditório do valor, neste caso, a outra cara da dinâmica dos preços, que não ocorre na superfície dos intercâmbios comerciais, senão na profundidade da produção. O que nos interessa assinalar aqui é o fato de que uma teoria econômica que absolutiza o valor de troca termina por deixar completamente de lado a fundamental dinâmica do valor de uso das mercadorias, não pode compreender os fenômenos subjacentes ao mesmo desenvolvimento capitalista ao longo de sua historia. A dinâmica dos valores de troca abstraída de sua contraparte em relação ao valor de uso das mercadorias se converte então em um elemento estático que pode descrever os movimentos dentro das margens estabelecidas para condições de reprodução dadas. Desta maneira ficam de lado os aspectos relacionados com a reprodução ampliada e os fenômenos da acumulação capitalista, os quais são centrais para compreender a dinâmica do capitalismo mais além da conjuntura. Descartando o estudo da dinâmica dos valores de uso, ou seja, anulando a contradição que está no centro da problemática do valor, o único que se elimina é a possibilidade de compreender um fenômeno que se faz cada vez mais habitual e violento à medida que se desenvolve o capitalismo, como são as crises. É assim como pela omissão que se faz da contradição inerente da categoria do valor no capitalismo se termina operando uma oposição categórica entre equilíbrio e crise, que logo seria deduzida como um postulado fundamental pelos economistas posteriores aos clássicos. Justamente esta absolutização do valor é o que para Marx está na base do erro da teoria de Adam Smith, que postula um equilíbrio entre oferta e demanda que determinaria os preços naturais das mercadorias, como um equilíbrio de valores. Em relação a Ricardo, esta absolutização da dinâmica do valor em detrimento daquela do valor de uso, se expressava também no interesse de Ricardo em estudar a renda liquida (neta) lucro entendido como mais valor obtido da relação dos preços sobre os custos e em menosprezar o estudo da renda bruta, no sentido dos valores de uso necessários para sustentar a reprodução do trabalho. Para Ricardo o fundamental era o estudo da uma teoria da distribuição dos valores. Inclusive postulava que a determinação de uma relação matemática parte de uma totalidade dada que era o único objeto real da ciência. Este tipo de fundamentos levara a teoria ricardiana a sua característica apriorista e dedutiva própria da economia política clássica e de seus sucessores. Estes postulados denotam como foi mencionado anteriormente, as profundas contradições da teoria ricardiana mesma, onde convivia uma teoria do valor trabalho, com uma absolutização da dinâmica do valor acima do verdadeiro comportamento complexo Fo valor. A partir disto se pode compreender a existência posterior das opostas escolas reicardianas de esquerda (os igualitaristas), e de direita, que tentaram descartar (desechar) as conseqüências da teoria do valor trabalho (no concreto, de que os trabalhadores não recebem o produto total de seu trabalho) ressaltando o estudo dos fenômenos do mercado como o intercambio. Como dizia depois o fundador da escola de Lausana, Leon Walras, a economia política é a 6

7 teoria do valor e do intercambio do valor, renegando assim a possibilidade ou o interesse de estudar a produção e a distribuição do valor na economia. Justamente, a teoria econômica burguesa começou a desenvolver, a partir das incongruências da teoria clássica, um método que tinha por objetivo fazer da economia uma serie de postulados o mais abstrato e formal que fosse possível, com o fim de ocultar toda relação com o processo concreto da produção e da exploração do trabalho. Concretamente, e seguindo o objetivo de Ricardo, se tentou criar uma teoria da distribuição baseada na dinâmica do mercado, para fundamentar a teoria dos fatores, segundo a qual todos os fatores da produção (terra, capital e trabalho) são recompensados proporcionalmente a sua intervenção na produção das mercadorias, sendo então o salário o pagamento total do trabalho realizado e não uma parte do mesmo como postulava inclusive Ricardo. Uma vez tirada (borrada) da teoria a questão do intercambio desigual entre capital e trabalho, era necessário enunciar uma teoria do valor de acordo com a teoria dos fatores. Neste sentido se desenvolveu, tal como mencionamos anteriormente, as teorias psicologistas do valor postuladas primeiro pó J. B. Say e logo continuada pela escola marginalista. Estas teorias subjetivas do valor postulavam a necessidade de medir a utilidade subjetiva dos produtos e serviços. Desta maneira a teoria da utilidade marginal tentava converter a questão do valor em uma questão psicológica. A respeito da cientificidade desta metodologia, quanto a medição certeira do valor concreto produzido pelo trabalho, não havia mais preocupações. O importante é que esta escola já havia construído uma teoria do valor na medida da teoria dos fatores de produção, e a partir dela, da necessidade de um equilíbrio entre os mesmos (distribuição de acordo a sua participação na produção ). Justamente, a lei de Say e seu postulado de que a toda produção corresponde sua própria demanda, como lei do equilíbrio fundamental da economia, também é subsidiária destas concepções. Assim mesmo, em sua critica à teoria econômica burguesa, Grossmann sustentou que, a razão pela qual todas as tendências dentro da teoria dominante fincaram o pé no caráter estático da economia, foi a necessidade de justificar a ordem social atual como razoável, como um sistema que tende a se auto regulamenta. Mas como vimos mais acima, os economistas burgueses clássicos desde Ricardo até Say, começaram a fundamentar paulatinamente suas teorias em uma idéia de equilíbrio que se abstrai particularmente do problema da exploração do trabalho e do intercambio desigual que a mesma encarnava. Grossmann assinalava a respeito que: De qualquer maneira, se alguém busca estabelecer a direção especifica do conjunto da economia, deve investigar não só as relações de intercambio a partir de variáveis dadas, senão também seu desenvolvimento, crescimento e fenecimento ou (como disse Mayer) o processo de formação do preço. Não basta olhar para as relações de intercambio, deve também estudar tanto o processo de produção como o processo de circulação, ou seja, o processo como um todo. Desta maneira se clarifica o fato de que as trocas positivas e negativas não se estabilizam até alcançar um grau zero, senão que assumem valores definidos (por exemplo, a queda da taxa de lucro). Isto é, revelam a direção do movimento do 5 sistema como um todo, as tendências de seu desenvolvimento. Grossmann pensa que a ênfase da economia política burguesa no conceito de auto-regulação tem a intenção de desviar a atenção da realidade prevalecente no sistema capitalista, caracterizada pela destruição caótica e frenética de capital; a quebra das empresas e fábricas; o desemprego massivo; as crises monetárias e, a distribuição arbitraria da riqueza. Partindo destas considerações, Grossmann considerava que se pode entender perfeitamente porque os conceitos de estática e dinâmica, que se originaram na física teórica, foram introduzidos na teoria econômica burguesa sem nenhum tipo de discussão sobre se tal divisão antagônica e mecânica da teoria estava justificada. Neste sentido, Grossman conclui que: O insustentável de tal separação fica claro quando se considera que não existem processos sem movimento na economia: que a chamada economia estacionaria se move, e que é um processo 5 Grossmann, A economía política clásica e o problema da dinâmica. 7

8 circular. Daí que a caracterização distintiva das estáticas e das dinâmicas não podem descansar no fato de que uma delas investigue o não movimento, e a outra os fenômenos moveis ou variável. Mais ainda, caracterizamos como estático a um processo econômico cinético que alcançou um completo equilíbrio de seus movimentos, como resultado da persistência de todas as condições objetivas e subjetivas se repetem interminavelmente, sem mudanças, de um período ao seguinte (um circulo). Conseqüentemente, uma economia dinâmica se deve compreender, não como uma economia em movimento (já que a economia estática também se move), mas sim como um processo econômico que não alcançou o equilíbrio, ou seja, um processo que se move para o desequilíbrio enquanto passa o tempo, o que simplesmente significa que as condições do processo econômico mudam de um período para o outro, resultando na situação final do processo econômico a estrutura econômica também em mudança permanente. 6 AS TENTATIVAS DE ATUALIZAÇÃO DA ECONOMIA BURGUESA AO PROBLEMA DA DINÂMICA Apesar das teorias do equilíbrio, foi o desenvolvimento do capitalismo o que pressionou mais aos economistas burgueses para introduzir o problema da dinâmica em suas teorias econômicas. A maior complexidade e os novos problemas que apareciam sob a forma da crise cada vez mais violentam induziram aos economistas a considerar aspectos de movimento em suas teorias fundamentalmente estáticas. O primeiro deles foi J. S. Mill que quis introduzir correções ao esquema estático. Também desenvolveram teorias como as de A. Marshall, que tentou levar adiante, como já mencionamos, uma teoria de equilíbrios parciais, dependentes de um equilíbrio fundamental, o qual não era explicado. Estas formas nas teorias acusavam a pressão das contradições do capitalismo que se expressavam de forma cada vez mais violenta. No entanto, deixavam em pé seus postulados fundamentais em relação ao problema do equilíbrio. Já vimos como a concepção se sustenta em determinada concepção de valor, pelo que o abandono da idéia estática era praticamente impossível. É por isso que frente ao problema das crises, as teorias burguesas começam a desenvolver uma serie de aditamentos teóricos que partiam de um novo colorário da teoria do equilíbrio e que pode se resumir no seguinte: os fenômenos que alteram o equilíbrio são de caráter externo ao sistema. Desta maneira, se mantinha em pé o edifício dedutivo da teoria do equilíbrio e se podia, ao menos, tentar explicar o fenômenos recorrente das crises capitalistas. Como disse Grossmann: Como teorias de equilíbrio, as teorias dominantes não podem, desde seus próprios princípios, derivarem as crises generalizadas a partir do sistema, já que desde seu ponto de vista os preços representavam um mecanismo automático de restauração do equilíbrio e para a superação das alterações. Qualquer tentativa destas teorias para incluir algum dos momentos de alteração empiricamente provados acabaria chocando com a seguinte contradição: uma aplicação consistente dos argumentos da teoria do equilíbrio (que eles utilizam) pode somente explicar tais rupturas do equilíbrio como produzidas externamente, ou seja, como mudanças nas variáveis econômicas dadas. 7 Se bem que os economistas acima mencionados tentaram levar adiante estas modificações, outros como os da escola da utilidade marginal levaram a um extremo as conclusões abstratas da teoria do equilíbrio. O passo seguinte dado por estas correntes foi o de levar ao extremo seu método de deduzir relações entre variáveis dadas. Para estes economistas a evolução das formas de organização era inerente ao capitalismo, mas consideravam que o estudo de tais mudanças ficava por fora do objeto de estudo da ciência econômica, já que justamente a noção de equilíbrio não podia ser aplicada a tais mudanças. Para autores como W. Jevons, as leis de intercambio são análogas às leis que governam o equilíbrio de uma 6 Ibídem. 7 Ibídem, pág 68. 8

9 palanca. Para F. Knight, a economia era uma ciência de quantidades econômicas, pelo que a tarefa da mesma era a de estabelecer as relações entre as variáveis a partir de equações. Desta maneira se recorria à matematização como critério de rigor para a economia, enquanto se abandonava o desenvolvimento conceitual da seleção de alguns (não todos, por exemplo, a lei do valor trabalho) dos postulados da economia clássica. É claro que estas concepções tendem a agudiza a miopia própria da economia burguesa, ao estabelecer como única possibilidade de movimento o estudo das mudanças de estado de uma variável no tempo. Neste sentido a teoria do equilíbrio se vê fortalecida, já que todos os elementos da realidade que podem impor relações de não equivalentes, e movimentos interdependentes não ficariam dentro da analise da ciência econômica matematizada. Entre estes dois pólos começou a se desenvolver a idéia de uma auto-regulação, que sendo externa ao desenvolvimento das variáveis econômicas, se sustentava em um suposto mecanismo que, conduzido além das posições estacionarias, nunca podia ser alcançado, mas que era a única razão pela qual uma economia que carece de um centro de comando não fique um caos. Um elemento fundamental da critica marxista à concepção formal de equilibrio, é a que menciona Grossman: O método estático não pode explicar um sistema que se expande... o modo de pensar estático não pode explicar o desenvolvimento dos novos estados sucessivos precisamente pela razão de que o equilíbrio da analise estática não concebe o crescimento. 8 O conceito vulgar de equilíbrio próprio da teoria neoclássica, não pode então explorar o caráter dinâmico do capitalismo, já que não considera o fato da ampliação do processo produtivo (reprodução ampliada acumulação capitalista). O equilíbrio formal de acordo com a lei de Say só é possível em uma economia que não acumula, que não amplia a base de sua reprodução. Estas variáveis relacionadas com a acumulação capitalista são deixadas de lado pela matematização. Um exemplo claro disto é constituído pelo paradoxo de Jevons com relação ao uso da energia e das melhoras de eficiência tecnológica: dado empírico de ampliação da reprodução do valor que não é interpretado como tal, senão como um paradoxo, ou seja, uma contradição anunciada mas não resolvida. 9 Exemplo deste pensamento absoluto foram as colocações de Haberler, para quem só o equilíbrio podia ser interpretado como crescimento, enquanto que o equilíbrio era igual a crise. Esta oposição formal dos aspectos do movimento real da economia justamente não conceitualiza a sucessão de fatos em sua contradição. Pelo contrario, para Grossmann a questão da totalidade era de fundamental importância. Dizia a respeito da escola de Pareto que a mesma rompia com a idéia de totalidade, desmembrando-a em diferentes setores individuais. Disse Grossman: As questões de equilíbrio de Pareto se desenvolveram a partir da conexão entre variáveis dadas, excluindo o fator dinâmico do processo de produção ou em outras palavras, conseguindo a completa des-dinamização do sistema. 10 De fato se pode dizer que até fins do século XIX se assistia a uma bancarrota da escola matemática. Os equilíbrios matematizados de Walras e Pareto chegavam a postular como os que postulavam as equações de indiferença de Pareto. Vemos assim que estes métodos são basicamente dedutivos, já que partem de uma situação dada, e se abstrai a mudança que gera o mesmo desenvolvimento econômico a partir de sua lógica. Método estático que atribui a tarefa da mudança à historia entendida como relato e interpretação da sucessão de fatos que acontecem. 8 Ibidem, pág O Paradoxo de Jevons, denominado asím pelo descubridor, William Stanley Jevons (ou também Efeito Rebote), afirma que à medida que o aperfeiçoamento tecnológico aumenta a eficiência com a qual usa-se um recurso, o mais provábel é que aumente o consumo desse recurso, antes que diminua. Concretamente, o paradoxo de Jevons implica que a introdução de tecnologías com maior eficiència energética podêm, eventualmente, aumentar o consumo total de energía. 10 Grossmnann, op cit, pág 74. 9

10 A CRÍTICA PRAGMÁTICA DENTRO DA ECONOMIA BURGUESA Analisar a ruptura de um setor dos economistas burgueses com a corrente neoclássica, é um ponto importante, porque permite traçar o nexo entre as teorias do equilíbrio mais vulgares (por exemplo, dos marginalistas) com as que propôs esta corrente crítica-pragmática burguesa na qual podemos englobar a Hicks, Wicksell e Keynes, que foi determinante durante o século XX. É importante assinalar que o que subjas (subyace) a esta ruptura foi a erupção violenta do problema da crise na economia política burguesa. Tal ruptura com a noção de equilíbrio se expressa metodologicamente na comprovação empírica das observações clássicas sobre a tendência à crise de sobreacumulación (em Keynes eficiência marginal dependente do capital ). Daí que a busca de mecanismos contracíclicos é um objetivo melhor, próprio dos economistas do século XX, uma vez que se desenvolvia uma nova ideologia sobre os fenômenos econômicos, que incluía a possibilidade de crise, à qual só podia se enfrentá-la como ferramenta com a erupção do Estado nos mecanismos do mercado. Frente a estas aporias, alguns economistas burgueses começaram a estabelecer alinhamentos parciais críticos com o fim de adaptar o pensamento neoclássico à realidade do capitalismo desenvolvido que se fazia cada vez mais divergente a respeito de tais teorias do equilíbrio absoluto. Exemplo disto foi Hicks que junto com outros economistas de sua epopca se viu obrigado a criticar a noção de equilíbrio estático por ser irreal. Para Hicks, o conceito de estado estacionário da economia é uma das causas do estancamento no desenvolvimento das ciências econômicas porque nega o problema das dinâmicas. É que, como vimos, as equações de indiferença de Pareto só são validas em uma economia estacionaria onde não existe acumulação de capital, nem nenhuma outra mudança na situação dada. Mas foram economistas que desenvolveram seus trabalhos depois da revolução russa e a instauração do primeiro estado operário e das crises cada vez mais grave que começaram já ao final dos século XIX e que se aprofundaram durante o século XX, os que começaram a desenvolver teorias que buscavam assimilar a noção de crise sem alterar as bases monetaristas de sua teoria. Um expoente desta linha de pensamento foi Knut Wicksell, economista sueco que ao final do século XIX tentou incorporar o problema das crises à economia burguesa, tentando pensar novas ferramentas para mitigar seus efeitos. Para Wicksell era um fato que a conexão da economia com o credito havia transladado o centro de gravidade do sistema econômico para o monetário. É por isso que para ele a chave era atacar as conseqüências cada vez mais nefastas das crises capitalistas mediante a regulamentação das taxas de juros (estabelecendo assim uma teoria monetária das crises ). Ou seja, postulava a necessidade de conseguir um equilíbrio entre as balanças internacionais de pagamento junto com o nível geral dos preços, que permaneceria constante. Neste sentido afirmava, dentro da mais rançosa tradição quantitativa, que se o fluxo de dinheiro se estabilizava, as flutuações na atividade econômica desapareceriam e a prosperidade podia continuar indefinidamente. Knut Wicksell tentou, desde os mesmos fundamentos teóricos que seus predecessores, superar a impotência das concepções estáticas sobre o equilíbrio capitalista que haviam sido questionadas pelas recorrentes crises. Tentou faz-lo a partir de ensaiar uma síntese entre elementos da teoria marginalista de Walras com os da economia política clássica de Ricardo. Em 1889, em seu trabalho mais importante Juros e Preço, começou a traçar os fundamentos do que seria uma idéia de controle dos preços a partir das manipulações feitas sobre a taxa de juros. Desta maneira diferenciava entre uma taxa de juros natural, que correspondia ao suposto ponto de equilíbrio entre a oferta e a demanda (o que a fazia externa ao mercado de capitais) e uma taxa de juros bancaria, própria do mercado de capitais. Estas taxas determinavam, segundo Wicksell, todo o processo de acumulação, já que se ambas as taxas não se igualavam, então tampouco o faria a demanda de inversão e a poupança. Neste sentido se, por exemplo, a taxa de juros do mercado de capitais aumentava acima da taxa natural de juros, então diminuiria a 10

11 demanda de dinheiro para inverter e aumentariam as poupanças, diminuindo o consumo e toda a atividade econômica. Evidentemente par Wicksell o necessário era conseguir uma expansão econômica, já que alguns traços de estancamento se vislumbravam no horizonte dos primeiros anos do século XX. Esta álgebra das taxas de juros (e da fantasmagórica taxa natural ) tinha sua base na velha teoria quantitativa do dinheiro. De fato, o conceito de taxa natural de juros parte da idéia de que existiria uma certa quantidade de circulante que manteria os preços estáveis. Mas o importante nesta teoria é o lugar que se atribui a ação dos bancos, ou mais ainda, dos governos no comando da economia. Para Wicksell era fundamental que se incidisse através dos mecanismos monetários para solucionar ou minimizar os problemas gerados pelo desenvolvimento do sistema capitalista. Nesse sentido, a política de emissão dos bancos centrais era a ferramenta fundamental, ou seja, devia existir a quantidade de circulante exata (justa) para o desenvolvimento equilibrado entre a oferta e a demanda. Agora, para Wicksell este ponto exato (justo) se determinava pela taxa de juros com a qual os bancos emprestavam dinheiros: se esta taxa era inferior à natural, se geraria um impulso à inversão (já que seria mais conveniente investir na produção do que emprestar a juros), e no caso contrario se ela seria restringida. Se o que se requeria era gerar um equilíbrio, a taxa de juros dos bancos devia ser igual à taxa natural, assim, os preços se manteriam equilibrados (equilíbrio entre oferta e demanda). Como se pode ver a aporía do ponto ideal de equilíbrio segue em pé, sobretudo porque seguem em pé as teorias das que se deriva. Mas, já para tentar dar uma solução pratica a problemas que já não eram apenas de índole teórica, senão de acuciante necessidade imediata, Wicksell dizia que a taxa natural de juros não devia se fixar quantitativa mente senão que os bancos deveriam tatear o terreno pragmaticamente, seguindo a regra de que se os preços permaneciam iguais, também a taxa de juros devia manter-se assim, e se os preços aumentavam, também devia fazê-lo a taxa de juros bancaria e vice-versa, mantendo-se idêntica até que se produza uma nova variação. Esta álgebra derivada da teoria quantitativa do dinheiro seria de grande influencia sobre Keynes e também sobre a escola austríaca rival deste. Desta maneira os governos capitalistas teriam uma ferramenta para o controle dos ciclos econômicos, que começavam a ser uma forte preocupação para os capitalistas de sua época, que já não acreditavam na mágica da mão do mercado. A TEORIA GERAL DE KEYNES A partir destes desenvolvimentos, e frente ao aprofundamento catastrófico da crise capitalista e da luta de classes ocorrida no primeiro pós-guerra, surge a figura de J. M. Keynes. Este buscava incorporar o problema da crise a analise da economia burguesa tentando superar as limitações que induzia a concepção formal de equilíbrio e introduzindo, na linha de Wicksell, a necessidade da intervenção estatal no mercado com o fim de contrabalançar as tendências à crise. Keynes se opunha a alguns postulados da teoria clássica (à que igualava com o marxismo, ao qual odiava visceralmente) deixando o fundamental em pé, a saber, a teoria quantitativa do dinheiro e as idéias subjetivistas do valor. Poderia se dizer que criticou de forma pragmática algumas das teorias neoclássicas mais desacreditadas, impondo a idéia da necessidade da intervenção estatal sob o conceito de política fiscal. Afirmava que as políticas estatais nos campos fiscais e monetário podiam atenuar as severas e destrutivas tendências à crise cuidando por sua vez de não alterar seus fundamentos, como a propriedade privada. Particularmente Keynes devia reconhecer o fato de que a crise era um fenômeno que se havia tornado (vuelto) a regra e não a exceção. Nesse sentido propôs conceitos como a diminuição da eficiência marginal do capital que buscava descrever o fenômeno da queda tendencial da taxa de lucro, a qual nos anos 20 já se manifestava na superfície do sistema capitalista. As políticas fiscais eram importantes para Keynes justamente como atenuante, através do gasto fiscal, desta queda geral na rentabilidade. O gasto do Estado que geraria um efeito multiplicador a partir do incremento na demanda agregada, gerado pela abundancia de circulante tal como reza a teoria quantitativa. Este conceito de 11

12 multiplicador da demanda agregada foi quiçá o rasgo característico de sua teoria. Esta adaptação dos fundamentos neoclássicos se vê em sua obra mais importante, Teoria geral da ocupação, dos juros e do dinheiro, claramente baseada nos mesmos fundamentos da economia burguesa, mas incorporando, através das idéias subjetivistas do valor, o elemento da crise, ausente nos neoclássicos. Como dizíamos mais acima, Keynes buscava refutar a idéia da tendência natural ao equilíbrio. Postulava que em todo caso, tal equilíbrio do livre mercado dependia de muitos fatores não reconhecidos pelo que chamava a teoria clássica, pelo que concepções como a lei de Say não eram de todo corretas, já que o equilíbrio entre oferta e demanda era só um caso excepcional e não a regra. No entanto, a critica de Keynes estava presa das mesmas concepções que buscava superar, pelo que sua ruptura com Say era mais uma inversão nos termos da famosa lei do equilíbrio. Se para Say a produção determinava a demanda, para Keynes era a demanda a que determinava a produção. Como se pode ver neste paradoxo do ovo e da galinha, o que segue fora é o problema da produção do valor, pelo que a lei de Say segue intacta. Para Keynes tal inversão nos termos se produzia devido ao fato de que a propensão a investir por parte dos capitalistas dependia da relação existente entre a taxa de juros e a taxa de lucro para um determinado momento. Como podemos ver este conceito é claramente um calco do postulado por Wicksell, pelo qual aquela álgebra da taxa de juros se mantinha inalterada na teoria geral de Keynes: se a diferença entre as duas taxas é em favor da taxa de lucro, então haverá maior propensão ao investimento. Mas, como o lucro depende da demanda (e aqui vemos outro postulado intacto da teoria clássica na teoria geral ), se os consumidores e os investidores se comportam sob as pautas racionais estipuladas pela teoria clássica, e poupam devido a taxa de juros muito altas (ou a uma percepção negativa por parte destes a respeito de seus ingressos, como também a uma possível baixa futura nos preços) então se afetaria negativamente o lucro, pelo qual o problema inicial de taxas de juros maiores que as taxas de lucro se retro alimentaria, gerando um circulo vicioso que Keynes chamaria do paradoxo da poupança (ahorro). Desta maneira uma taxa de juros muito alta reduziria a demanda agregada, já que reduziria a demanda de capital para o investimento produtivo (demanda de investimento) e portanto reduziria o emprego e a massa dos salários, pelo que se reduziria ainda mais o consumo (demanda de consumo) gerando assim uma crise. Desta maneira, como a necessária propensão ao consumo (que Keynes igualava ao investimento e ao gasto estatal) não se estabeleceria através da mera ação do mercado, era fundamental para esta que interviesse uma força que harmonizaria tais necessidades do sistema para evitar a crise. É assim então como aparece a necessidade da intervenção estatal, já que só o Estado podia ter a força necessária para modificar a situação dos mercados, afetando a pensada relação entre a taxa de juros e a taxa de lucro. Rapidamente vejamos agora alguns conceitos importantes que ilustram esta questão. Em Keynes é fundamental o conceito de demanda agregada, sobre tudo se colocamos no centro da analise as perspectivas estatizantes (estatistas) que contem esta teoria. 11 Para Keynes, a demanda de consumo, somada ao que chamava a demanda inversão (a intenção dos capitalistas de investir) e o gasto estatal configuram a demanda agregada. Este conceito é utilizado para definir uma curva que busca estabelecer o ponto de equilíbrio entre oferta e demanda, em um gráfico que representa a quantidade de bens e serviços que os habitantes, as empresas e as entidades públicas de um país compram para diferentes níveis da taxa de juros (ou dos preços). O ponto onde a bissetriz do gráfico corta a curva de demanda agregada seria, segundo este esquema, o ponto de equilíbrio entre a oferta e a demanda. Assim mesmo, a pendiente desta curva, representa outro conceito fundamental do keynesianismo que é a propensão marginal ao consumo (pmc). A propensão marginal ao consumo é 11 Na teoria keynesiana, a demanda efetiva é a variável essencial que determina o nível de emprego. Um conceito que Keynes adiciona aqui é o de preço de oferta global, o qual se define para um nível dado de emprego, e é o produto esperado que, aos olhos dos empresários, é justo o suficiente para que valha a pena oferecer esse volume de emprego. No é um preço no sentido corrente do termo, mas o produto mínimo exigido pelos empresários para que aceitem contratar os trabalhadores que permitam obtê-lo. Como pode se ver, nesta economia ao contrario, o trabalho necessita do capital, e não o capital do trabalho. A demanda efetiva é a demanda antecipada que é igual a oferta global. Ao nível da demanda efetiva assim obtida lhe corresponde um nível de emprego determinado. 12

13 definida por Keynes como a variação do consumo quando o ingresso possível varia em uma unidade, ou seja, a relação entre uma variação no ingresso e a modificação correspondente no gasto em consumo". O conceito oposto é a propensão marginal à poupança (al ahorro) (pms). É claro aqui a persistência de um rasgo próprio da economia neoclássica, a ideia de utilidade marginal, da que provem a matematização e o caráter formal e fechado (dedutivo) que traz consigo o conceito. É importante assinalar aqui a propensão marginal ao consumo, porque sontitui ao mesmo tempo o famoso multiplicador. Então, fica assim matematizada a idéia de Keynes a respeito da relação (inversamente proporcional) estabelecida entre poupança e investimento (ahorro e inversión). Resumindo: a pmc é a pendiente da curva de demanda de consumo, que é por sua vez a mesma pendiente da curva de demanda agregada. A demanda de inversão e o gasto estatal simplesmente se somam à demanda de consumo, elevando a curva e dando a curva de demanda agregada. Esta pendiente (pmc) é o que busca se aumentar, já que segundo a teoria burguesa, em situações de crise e estancamento (de diminuição generalizada da eficiência marginal do capital, segundo Keynes), é necessário recuperar o equilíbrio entre oferta e demanda mediante um incremento da pmc para melhorar o fluxo de inversões, e do gasto estatal para comprar a oferta que não encontra demanda e conseguir alcançar a produção potencial, ou seja, o pleno emprego dos recursos (capital, terra e trabalho). Para que a política estatal possa conseguir isso, a teoria keynesiana estabelece duas classes de mecanismos: o primeiro deles é o que chama a política monetária, que se baseia na alteração da relação 12 postulada pela economia burguesa entre as taxas de juros e a taxa de lucro em favor desta última. Se a eficiência marginal do capital é maior que a taxa de juros, então aumentará a inversão e vice-versa. Manipulando as taxas de juros pode se beneficiar a demanda de inversão. O outro mecanismo empregado é o de política fiscal, ou seja, aumentar simplesmente o gasto público para solucionar a oferta que não encontra compradores e o uso dos fatores de produção que permanecem ociosos. Em ambos os casos o objetivo buscado pela política econômica keynesiana é chegar ao velho equilíbrio, representado pelo ponto onde a curva de demanda agregada corta a bissetriz (ponto de equilíbrio entre oferta e demanda). Segundo esta teoria, se em meio a uma crise, se aumenta o gasto estatal e a demanda de inversão, mais pode aproximar-se o ponto de equilíbrio entre oferta e demanda (o ponto onde se interceptam a curva demanda agregada com a bissetriz) ao pleno uso dos recursos ou produção potencial (a qual não tem relação necessária com as variáveis econômicas, de fato para Keynes pode haver equilíbrio sem pleno emprego ). Desta maneira a teoria keynesiana continua sustentando uma concepção baseada na analise do consumo e não da produção. A centralidade da pmc o demonstra claramente. Para Keynes, se a propensão para consumir é débil e as oportunidades de inversão não são o suficientemente atraentes para os capitalistas, então uma parte do ingresso que não se consome tampouco inverterá e a demanda efetiva se reduzirá pelo que a economia se contrairá e o nível de emprego descenderá. Mas, para além das vicissitudes desta álgebra dedutiva que propõe Keynes, o importante é remarcar o fato de que como a poupança (el ahorro) e a inversão nem sempre estão em equilíbrio (equilíbrio de Say), considera imprescindível a intervenção do Estado com o fim de assegurar o nível de inversão necessário para aumentar a atividade econômica (melhorar o multiplicador ) e garantir o pleno emprego. Se bem que a política monetária já pensada por Wicksell ao final do século XIX continuava sendo uma ferramenta valida para Keynes, considerava que na situação de estancamento generalizado da eficiência do capital, era necessário priorizar as políticas de aumento do gasto público, isto é, a política fiscal. Nesse sentido postulava ao menos três maneiras de financiar os novos gastos: aumentando os impostos, emitindo mais papel moeda, ou recorrer ao endividamento fiscal. O endividamento fiscal demonstrou ser o preferido pelos keynesianos que preferiram não alterar o valor da moeda, nem tampouco aumentar os 12 É importante notar a diferença que existe entre relação externa e indiferente que coloca tanto Wicksell como Keynes, e a relação marxista entre taxa de juros e taxa de lucro, que se bem não é necessária é interna, já que em Marx o interesse é una dedução de do lucro. 13

14 impostos, optando pelo recurso de pagar com os ingressos futuros (por impostos em uma economia que devia crescer obviamente) as dividas do presente. A CRISE CAPITALISTA: ESTATISMO E DECADÊNCIA IMPERIALISTA Depois de repassar os mecanismos postulados pelo keynesianismo recorreremos a sua analise através de algumas das ferramentas do marxismo. Mencionávamos mais acima que Keynes operava em sua teoria com a igualdade entre gasto e inversão. Esta questão é muito importante já que determina todo o sentido da teoria keynesiana como ideologia que regem as políticas econômicas estatistas que a burguesia aplicou durante quase todo o século XX. A ideologia estatista se baseou nos conceitos teóricos onde é possível confundir trabalho produtivo com improdutivo, dividas com ativos, etc. Tal confusão é possível desde uma concepção subjetiva do valor e da aplicação de velha formula trinitária (a chamada igualdade dos fatores de produção: terra, capital, e trabalho). Frente a isto diremos rapidamente que a lei do valor estabelece um critério que diferencia entre gasto improdutivo, como o é o consumo das classes improdutivas ou o gasto estatal, e inversão de capital. Isto é assim devido a que uma massa de dinheiro não atua como capital se não é usada para valorizar e ampliar o valor do mesmo. Mesmo assim, podemos agregar que a partir dessa idéia errônea da determinação do valor, também ocorre a confusão entre taxa de lucro e taxa de juros (Wicksell falava só de diferentes taxas de juros, ainda que com gênese muito diferentes ). Como dizíamos, a teoria keynesiana busca um ponto de equilíbrio na curva de demanda agregada na qual se alcance um equilíbrio (entre vários) entre oferta e demanda que por sua vez alcance o nível da produção potencial (a máxima utilização dos recursos ) e por fim o pleno emprego. Basicamente este é o que sustenta o objetivo político do keynesianismo: ser a teoria que justifique ideologicamente e estabeleça as políticas da burguesia como classe atrás de seu Estado para superar as ameaças da luta de classes desatada com a decomposição do capitalismo e frente a ameaça que representava a URSS. Agora, desde o ponto de vista da critica à economia burguesa, sabemos que o problema da teoria keynesiana radica em sua deficiente concepção do valor, ou seja, que não concebe o valor em sua contradição; como valor de troca e como valor de uso.. Mesmo assim, vimos como os mecanismos keynesianos possuem uma rigidez derivada da absolutização dos fenômenos monetários (ao qual justapõe certos princípios psicologistas, na tradição de Böhm-Bawerk e demais economistas vulgares) acima de suas relações internas como produção do valor. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A QUESTÃO DO EQUILÍBRIO EM MARX As políticas econômicas propostas por Keynes são colocadas essencialmente ao redor dos fenômenos monetários. Isto se deve naturalmente à visão que os economistas burgueses têm a respeito do problema do valor. Para Marx a analise dos processos monetários que ocorrem na superfície do sistema só pode se compreender adequadamente a partir das dificuldades que ocorrem na reprodução dos valores e da acumulação. Atrás das aparências, os problemas monetários na realidade são a expressão dos problemas inerentes à economia de mercado e sua relação contraditória com as necessidades da produção e do consumo. Só a partir de constatar as relações conflitavas entre compradores e vendedores como relações sociais dentro das normas capitalistas de produção, é que se pode superar a busca infrutífera pelo equilíbrio entre oferta e demanda. As contradições inerentes da produção e circulação, derivadas do duplo caráter do valor das mercadorias (valor de uso/valor de troca), não podem ser analisadas desde um corpo conceitual que esconde (elude) a questão das relações de produção. Por outro lado, também as faltas ou as abundancias relativas de capital podem chegar a problemas econômicos, que também aparecerão para a teoria burguesa como crise própria do sistema monetário, sobretudo se considera-se que através do desenvolvimento do sistema financeiro e seu caráter especulativo que levou as expressões mais irracionais 14

15 da competição (competencia) capitalista a afetar fortemente as inversões.os aspectos de verdade do qual partiam as concepções de equilíbrio entre oferta e demanda da economia política clássica se fundamentava no fato da flutuação dos preços ao redor dos valores que se da na dinâmica do mercado. Se bem que é um fato que a soma dos valores deve ser igual à soma dos preços, as teorias do valor da economia burguesa, que não reconhece o problema da realização do valor, absolutiza esta dinâmica ao conjunto do sistema, deixando obvia a contradição entre valor de troca e valor de uso que está na base das crises capitalistas. Daí que, a partir de tal absolutização surge a confusão de que intervindo externamente (mediante medidas monetárias e ficais) e alterando assim o volume de oferta ou demanda se acreditava que se pode regenerar o equilíbrio perdido pela economia em crise. Esta visão parcial e reduzida aos atos de compra e venda, se relaciona com a visão estreita do processo social de produção através dos olhos do interesse individual cuja maximização magicamente significaria a asignación a cada individuo do equivalente de seu aporte ao processo de produção, gerando assim o bem estar social. Longe disso, o processo social de produção é muito mais complexo e sob o capitalismo muito mais contraditório já que, como disse Marx: o próprio interesse privado é já um interesse socialmente determinado e pode ser alcançado somente no âmbito das condições que fixa a sociedade e com os meios que ela oferece; está ligado, por conseguinte à reprodução destas condições e destes meios. 13 A luta de todos contra todos que se gera sob a competição (competencia) capitalista não produz a ordem necessária para o equilíbrio que busca a economia burguesa. O fato de que a lei do valor imponha pela força um ponto ao redor do qual flutuem os preços e um nível de competitividade mínimo para os capitalistas, não significa que as mesmas condições individuais desde as que os capitalistas realizam sua atividade não caiam sob as condições gerais da produção social, as quais caem fora do controle deles, e terminam sendo para os capitalistas uma dinâmica objetiva sobre a qual não têm uma incidência suficiente. Esta perda de controle, esta alienação, anula toda pretensão de vontade subjetiva que realmente seja significativa para a dinâmica da acumulação capitalista, a qual prossegue seu caminho em base a uma lógica cega que, como descobriu Marx, leva a semente da crise estrutural do capitalismo. Tudo o que ocorre na dinâmica dos mercados depende essencialmente da dinâmica da produção do valor e da distribuição. É importante destacar que isto não significa que não exista nenhuma incidência dos preços sobre o comportamento dos mercados, mas esta incidência terá que ver essencialmente com as mudanças estruturais ocorridas na esfera da produção. Para Marx, longe de constituir o sistema de preços um regulador da economia, são os preços os que refletem as forças que geram as necessidades de produção determinadas pela sede de lucros da acumulação capitalista. Inclusive, a mesma lei do valor que expressa estas forças internas da produção capitalista também pode ser vista como regulada pelas necessidades sociais concretas (valor de uso) da população que supostamente escapam à lógica da acumulação capitalista. Este último se expressa no fato de que a sociedade não pode deixar de produzir nem de consumir, pelo que se garante a continuidade do processo de produção social, o qual é na realidade um processo de reprodução ampliada da vida social. Finalmente diremos que o aparente equilíbrio buscado pela economia burguesa só ocorre como uma força imposta pela lei do valor (para além de suas flutuações eventuais), mas não de forma gradual e ordenada, como uma tendência à reprodução sem interrupções, senão pelo contrario, expressando-se como mais ou menos violentas interrupções da reprodução, que se eventualmente alcança o equilíbrio o faz a mercê da destruição de capitais acumulados, com a carga de miséria e conflitos sociais inerente uma crise de importância. Desta forma, o equilíbrio nunca pode ser estacionário, mas na realidade é um momento no qual as contradições inerentes ainda não se desenvolveram o suficiente para fazer saltar pelos ares as condições da acumulação capitalista. A forma adequada de ver ao equilíbrio buscado pela economia burguesa desde os clássicos até Keynes e seus seguidores é a de uma erupção da lei do valor que não equilibra de nenhuma maneira a contradição entre produção e consumo (baseada na dualidade do valor entre valor de uso e valor de troca), senão que só restabelece uma dinamica relativamente previsível entre 13 K. Marx, Grundrisse t.i cap 2 p.84 15

16 a produção e a acumulação capitalista. AS POLÍTICAS KEYNESIANAS E A CRISE CAPITALISTA O problema da tendência inerente à crise que esconde a dinâmica da acumulação capitalista é justamente um aspecto central da economia, que inclusive na economia burguesa foi incorporado quase por contrabando pelas teorias burguesas mais pragmáticas que buscavam dar ferramentas para a resposta burguesa à crise capitalista. De fato, se bem toda a tradição burguesa a partir de Malthus até Keynes não reconhece a centralidade do trabalho como fonte do valor, é certo que teve que se adaptar ao fato de que ao menos deviam contabilizar a ingerência dos salários para poder quantificar as magnitudes que manejava sua macroeconomia. O outro fato que a economia burguesa teve que reconhecer foi o da queda tendencial da taxa de lucro, vista como um descenso paulatino da rentabilidade media dos capitais. Sem duvida, este reconhecimento do problema básico da acumulação capitalista não se reconhecia como tal, e o atribuíam a problemas como a baixa na fertilidade da terra (Malthus), ou das contradições nas relações entre produção agrícola e industrial, etc. Para Marx a lei da tendência decrescente da taxa de lucro era uma lei fundamental da dinâmica capitalista. Agora, isto era assim porque em um modo de produção como este, baseado no antagonismo entre os proprietários e os produtores, toda a produção está encaminhada a gerar um aumento quantitativo da magnitude do valor em dinheiro contido no capital dos proprietários. Assim todo o sistema, toda a produção, é só um meio para incrementar os lucros, o qual só poderia ser conseguido se fossem reproduzidas as condições que permitem a sobrevivência da classe que produz e amplia o valor dos capitais. Esta ampliação constante requer que para que a propriedade dos capitalistas siga sendo capital, e não uma mera quantidade de dinheiro se aplique uma quantidade maior de força de trabalho, o que implica por sua vez uma maior ampliação da produção e, portanto uma maior acumulação de capitais; e de novo uma maior necessidade de extração de mais trabalho para valorizar as massa cada vez maior de capitais, o que define um circulo vicioso que resulta na cada vez mais difícil utilização dos valores como capitais e, em particular, a realização dos valores produzidos no consumo. É assim como o próprio êxito do sistema capitalista em sua acumulação é o que define sua própria crise. Este é o fenômeno que buscou ser explicado pro Keynes sem modificar suas concepções subjetivas sobre o valor como eficiência marginal decrescente dos capitais. A esta tendência à crise que se havia feito evidente em sua época, foi formada por Keynes como um problema a resolver através das alterações externas da dinâmica da oferta e da demanda através da ação das políticas fiscais e monetárias que só os Estados podia levar a cabo. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE O VERDADEIRO CARÁTER DAS POLÍTICAS ESTATISTAS DA BURGUESIA Marx desenvolveu sua descoberta sobre a tendência decrescente da taxa de lucro em suas contradições internas. Desta maneira desenvolveu a questão das contra tendências existentes no processo de acumulação capitalista que evitavam que o sistema colapsara sob seu próprio peso no imediato. Henryk Grossmann que estudou profundamente as implicações das contra tendências no desenvolvimento do capitalismo, afirmava que:... a acumulação prossegue a um ritmo cada vez mais acelerado, devido a que o volume da acumulação não se desenvolve em proporção ao nível da taxa de lucro senão em relação ao potencial possuído pelo 14 capital já acumulado. Grossmann se baseia para isto no que assinalava Marx, quando dizia que para além de determinados limites, um grande capital com uma taxa pequena de lucro acumula com maior 14 Grossmann, Lei da acumulação capitalista. 16

17 15 rapidez que um capital pequeno com uma grande taxa de lucro. Um elemento central no que coloca Marx sobre a crise de sobre acumulação inerente ao desenvolvimento capitalista, é o fato de que para que o sistema não colapse de forma acelerada, a acumulação de capitais deve crescer em uma progressão mais acelerada que a diminuição da taxa de lucro. Isto deve ser assim porque quanto menor seja o consumo social em relação à produção social, mais mais-valia se acumulará, simultaneamente, uma parte maior de mais valor deve ser convertida em capital variável (isto é, a evolução (adelanto) de capital sob a forma de salários) para o que se necessita uma taxa de ampliação do capital muito maior. Mas justamente e aqui está a encerrona da lógica da acumulação do capital tal aceleração produziria finalmente uma queda quase absoluta da taxa de lucro devido ao aumento acelerado da composição orgânica do capital. Ou seja, se faria realidade o colapso do capitalismo sob o próprio peso de sua acumulação, de sua completa maturidade histórica. Sabemos muito bem, entretanto, pelo mesmo estudo das contra tendências de Marx, e pela experiência histórica concreta, que não existe um mecanismo cego que conduza diretamente para o colapso do capitalismo (ainda que não está descartado um caminho mais ou menos indireto para a destruição da economia e o retrocesso para a barbárie ). De fato o processo de acumulação capitalista é retardado pelas contra tendências estudadas por Marx, que determinaram o desenvolvimento do capitalismo até sua fase imperialista. No entanto, já dentro desta fase madura do capitalismo, onde já não pode superar suas próprias barreiras (como o atesta a competição de vida ou morte das economias capitalistas nacionais pelo mercado mundial), quem sabe se poderia dizer que os gastos de capital não produtivo, ou seja, do consumo dos valores ao não ser reproduzidos pelo trabalho, não são mais que diversas formas de destruição de capital. As políticas destrutivas são levadas a cabo durante as guerras me forma direta, mas também através das intervenções estatais na economia. KEYNESIANISMO E DECOMPOSIÇÃO IMPERIALISTA É significativo agregar que a critica marxista às políticas estatistas burguesas se fundamentou sempre na lei do valor, o que lhe permitiu assinalar a confusão keynesiana entre gasto e inversão. Paul Mattick, em seu livro Marx e Keynes, realiza uma critica às idéias estatistas keynesianas. Para este autor, Keynes gera uma confusão ao enunciar a idéia de que o gasto deficitário pode ser financiado com os ganhos (ahorros) que ele mesmo engendrou. Realiza neste sentido uma critica ao conceito de multiplicador que afirma, cria a idéia de que... qualquer quantidade dada de ingresso adicional pode se multiplicar simplesmente ao se transladar de um grupo de ingresso a outro..., quando na realidade não multiplicação do ingresso mediante o gasto inicial em si mesmo, ainda que pode haver produção de novo ingresso; e é somente uma vez que (en tanto) 16 que o gasto original leva a um aumento da produção que aquele pode aumentar o ingresso. Igualmente, também critica a idéia do crescimento baseado no endividamento fiscal através do credito, já que como passa com a especulação e o capital fictício, se cria representações de valores a partir da idéia de que se materializaram como tais, quando isso depende do próprio desenvolvimento sem interrupções do processo de acumulação de capitais. É importante frisar, no entanto, que a analise de Mattick tende a absolutizar as questões do gasto estatal 17 devido à pressão do gasto armamentista durante a guerra fria. Cremos que para além de haver refletido em sua analise um fato de sua época, o problema do gasto improdutivo e o estatismo excedem em muito a essa situação especifica. Prova disto é a incapacidade das políticas neo-ortodoxas (neoliberais) para 15 Marx, O capital, t.iii, cap Mattick, Grossmann, Keynes. Citado por D. Guerrero. 17 Por issta raçã Mattick lhe otorga um caráter de contratendência. 17

18 superar a questão do gasto estatal que além de dever-se a políticas estatais tem sua razão na pressão que exercem os interesses monopolistas que são a base mesma do estatismo. Para Mattick, nas políticas keynesianas existe uma obsessão pela incorporação de certos elementos de redistribuição do ingresso, a partir do desvio de valores para a produção em setores não rentáveis. Justamente, o que Mattick assinala é a igualdade que faz o keynesianismo entre inversão e consumo, através dos conceitos derivados do multiplicador e a curva de demanda agregada. Para Mattick, nas políticas keynesianas existe um elemento de redistribuição do ingresso porque canaliza fundos para 18 esferas da produção não lucrativas. Este desvio gera um efeito de crescimento na produção absoluta de bens que são consumidos de forma não lucrativa, isto é, de capitais que não se reproduzem. É por isto que assinala que tal destruição de capitais sob a forma de consumo, seria a razão pela qual pode se desacelerar a acumulação, o que redunda finalmente em que a intervenção estatal signifique no curto prazo um atenuante à crise de sobre acumulação já que em vez de ser capitalizada, uma parte crescente do lucro social se dissipa em gasto 19 adicional do governo. O problema com esta linha, levada adiante pelas políticas estatistas, é que no largo prazo se gera um aumento inusitado da divida pública que, alterando todo o equilíbrio fiscal, produz um novo golpe sobre os lucros, seja diretamente através dos impostos (que como se sabe são uma dedução das mesmas), ou indiretamente, através da especulação financeira ao redor dos bônus da divida soberana, que impondo-se como valores fictícios, significa de fato um desconto sobre o lucro sob a forma de juros. 20 Durante os últimos 40 anos este último mecanismo foi o que mais se desenvolveu devido ao imenso auge da especulação financeira ao redor não só do mercado de bônus soberano senãop também ao redor do mercado de derivados financeiros. A analise desta importante questão, da ingerência do grande peso que cobrou o capital fictício sobre o processo de acumulação na economia mundial, é parcialmente abordado em outro artigo deste número. Finalmente podemos agregar uma observação provisória acerca do problema das relocalizações. É um fato que estas últimas se desenvolveram como uma forma de destruição de capitais. As deslocalizaciones são uma política de curto prazo que só expressa a anarquia do capital, suas tendências destrutivas. A crise atual mostra que a lógica do capital é seu próprio limite e que o capitalismo não pode levar suas tendências até o final. As discussões abertas na intelligentzia burguesa em torno dos custos econômicos que lhes trousse a política de deslocalizaciones e terceirizações em matéria de dinheiro, qualidade, etc., em empresas como Toyota, Boeing, entre outras, ilustra esta tendência de curto prazo e demolidoras do capital. O ponto fundamental, no entanto, é o mecanismo de financiamento daquelas. O alto custo de inversões em capital fixo e a simultânea destruição de capitais já investidos em equipamentos, instalações, etc., só pode ser rentável dentro da dinâmica do grande desenvolvimento do capital fictício acontecido nas últimas décadas. Estas imensas inversões dificilmente foram amortizadas devido a que se apóiam na expectativa sobre os lucros futuros que hoje podemos dizer, frente a esta crise, que nunca se realizarão. A partir disto podemos dizer que o fenômeno das relocalizações possivelmente constitua, em certo grau, um gasto improdutivo. UM EXEMPLO DAS POLÍTICAS BURGUESAS FRENTE A CRISE ATUAL O desenvolvimento cada vez mais ameaçador da crise capitalista começou a levantar as vozes dos publicitários de diversos setores burgueses que, frente a incerteza e o pessimismo, buscam resgatar linhas de ação e de pensamento econômico que expressem os interesses dos países ou facções da classe 18 Ibídem 19 Ibídem. 20 Ver en este número: Crisis del sistema monetario mundial y desarrollo de las fuerzas productivas bajo la descomposición imperialista 18

19 dominante que representam. O periodismo econômico, que levam adiante conhecidas figuras como Joseph Stiglitz ou Paul Krugman, se converteu nos últimos anos na ponta de lança de toda uma linha política dirigida aos setores que, frente aos golpes que sofrem frente a crise, devem ser convencidos a todo custo sobre as supostas possibilidades de se reinventar o capitalismo. Como exemplo do raciocínio estatista podemos citar as opiniões de economistas como J. Stiglitz que realiza a anos uma publicidade sistemática das idéias estatistas neo-keynesianas. Frente a crise que desabou a partir de 2008, muitos keynesianos como ele tiveram um tom mais profético e de advertência que é tomado de forma completamente acrítica, não só pelos setores ligados à burocracia sindical, senão também por parte de grupos que afirmam ser parte da esquerda. Em um artigo publicado intitulado pomposamente Para curar a economia (To cure the economy), Stiglitz da uma imagem breve mais fidedigna sobre a essência das políticas estatistas frente à crise. Evidentemente, o tom pessimista que reflete a incerteza é claro quando afirma que A crise econômica iniciada em 2007 continua, entretanto, uma pergunta obvia ronda as cabeças de todos: por quê? Se não conseguimos uma melhor compreensão das causas da crise não poderemos implementar uma estratégia eficaz de recuperação. E pelo momento não temos nem um nem outro. 21 Ao começar sua analise caracteriza que se a crise estalou no setor financeiro por sua imprudência imperdoável, as razões da mesma são de maior profundidade. Mas os elementos reais, que para este economista definem a crise, não propõem um maior alcance, senão a recuperação e a imposição das velhas políticas estatistas. Em primeiro lugar afirma que a atual é uma crise de superprodução, no sentido sub consumista do termo, ao afirmar que... EUA e o mundo foram vitimas de seu próprio êxito. O acelerado aumento da produtividade no setor industrial superou o crescimento da demanda, o que supuso uma redução do nível de emprego no setor. Isto implicava um deslocamento de mão de obra ao 22 setor de serviços. Agrega a esta consideração uma questão adicional com o desemprego afirmando que este se deve também a uma suposta diminuição do emprego industrial em países desenvolvidos, pela pressão das vantagens comparativas dos países subdesenvolvidos. Além desta última explicação superficial sobre o problema do desemprego no capitalismo, Stiglitz se centra no sub consumo para se dirigir logo ao problema tão caro ao keynesianismo como é o da demanda. Para Stiglitz há diversas razões pelas quais existe uma baixa na demanda agregada. Em primeiro lugar devido à concentração do ingresso que produziria um deslocamento destes das pessoas que os gastam para pessoas que não os gastam. Aqui diremos que, partindo se sua bagagem keynesiana, iguala gasto com inversão, ao afirmar que existe dinheiro, mas não se gasta, quando na realidade falamos de capitais imobilizados. Isto é claro quando, assombrado, afirma frente a falta de inversões das empresas que As grandes empresas guardam (atesoran) uns quantos bilhões de dólares em reservas de efetivo, u seja, que não é a falta de dinheiro o que as impedem de investir e contratar trabalhadores. Mas para algumas empresas pequenas, quem sabe para muitas, a situação é muito diferente: estão tão necessitadas de fundos 23 que não podem crescer, e muitas se vêem obrigadas a minguar. Esta concentração de capitais, que Stiglitz confunde com concentração de simples dinheiro, como o que brinda o salário ao trabalhador, é na realidade a acumulação ou sobre acumulação de capitais que não podem se reinvestir sem desaparecer (consumidos como gastos improdutivos em investimentos não rentáveis) nas atuais condições do mercado. Evidentemente que esta afirmação se baseia em determinada concepção rudimentar acerca do dinheiro (teoria quantitativa), mas é importante para assinalarmos a rapidez com que saem à luz as limitações conceituais frente a um fato tão manifesto como a crise. 21 To cure the economy, outubro Ibídem 23 Ibídem 19

20 Mas justamente, a partir desta confusão, o problema que se coloca deixa de ser o da operação adequada e eficiente dos recursos da sociedade (os capitais reais e suas representações em dinheiro (dinerarias)) senão o da distribuição de tais recursos, que seja dito de passagem, são despojados de todo seu caráter concreto e especifico que lhes dá seu valor de uso. A destruição de capitais mediante a repartição do dinheiro, sob a forma de renda, subsídios, gastos estatal, e demais, é o primeiro grande mal entendido que busca impor a política de endividamento keynesiano. Como vimos, a igualdade entre investimento e gasto improdutivo é a operação fundamental para a justificação das políticas de gasto estatal propostas pelo keynesianismo. Mas como vemos, a idéia de fomentar a demanda mediante o gasto (o famoso multiplicador ) parte basicamente desta idéia de que a crise tem um elemento de sub consumo por concentração de dinheiro em poucas mãos e que seu remédio natural é a redistribuição do dinheiro, confundindo-o com a riqueza real, material, da sociedade, acumulada sob a forma de capitais. A mesma operação ocorre com as afirmações sobre o dinheiro existente nas reservas dos países subdesenvolvidos que não se gasta, e nos cortes de gasto estatal em saúde e educação que os governos capitalistas combinaram com as muito keynesianas políticas de subsídios ou injeções de capital no sistema financeiro. É importante assinalar aqui também sobre a questão dos serviços sociais básicos de saúde e educação como, a partir da lógica keynesiana, o gasto que se realiza nos mesmos estão dirigidos para fomentar a demanda e não para cumprir com as necessidades de tais serviços. De fato, o destino concreto desses gastos temina sendo uma consideração de índole extra econômica ( ética, ou política ) já que desde a lógica do multiplicador da demanda agregada, não importa se o estado gasta os capitais acumulados pela sociedade para armar um grande exercito invasor, ou para enterrar garrafas para logo 24 pagar para desenterrá-las (na imagem que usava Keynes para explicar sua política). Isto é importante, porque na publicidade destes autores existe um grande componente demagógico que logo é posto de contrabando como o centro das políticas keynesianas, quando na realidade, tudo se trata de manter a dinâmica de concentração dos capitais iniciada pela crise, somada a uma nova relação de forças entre capital e trabalho que beneficie ao primeiro com taxas superiores de exploração. A partir de tais argumentos Stiglitz afirma finalmente que A receita para o mal que aqueja à economia global se deduz imediatamente a partir do diagnostico: faz falta sólidos programas de gasto público que apontem para facilitar a reestruturação, promover o ahorro energético e reduzir a desigualdade; e junto com isto, uma reforma do sistema financeiro internacional que crie alternativas para a acumulação de reservas. Para além da essência burguesa das colocações que analisamos mais acima, que permanentemente buscam ocultar o problema da origem do valor sobretudo frente a um momento como o da crise onde se manifesta na superfície, surgem duas questões adicionais muito importantes. Como disse Stiglitz, existe um problema com relação aos custos energéticos. Frente estes a única proposta é a do ahorro energético, que se não redunda na mesma diminuição do consumo deve colocar ao menos um salto tecnológico que permita resolver um problema estrutural do capitalismo e que não casualmente está intimamente relacionado com a sobre acumulação (os gastos em matéria prima, fundamentais na industria da energia, se tornam cada vez mais importantes na medida que progride a tendência à sobre acumulação pelo aumento da composição orgânica do capital). No entanto, como o capitalismo em crise não está em condições de realizar tal revolução tecnológica (as mesmas não podem ter causas endógenas referidas a um suposto avanço da tecnologia por si mesma, senão que se deve a um determinado salto na produtividade das 24 Quando existe desemprego involuntário ( ) inclusive a construção de pirâmides, os terremotos e até as guerras podem servir para aumentar a riqueza. ( ) Se a Tesouraria (o Estado) se pusesse a encher garrafas velhas com bilhetes de banco, as enterrasse a profundidade conveniente em minas de carvão abandonadas, que logo se cobrissem com escombros da cidade, e deixasse para a iniciativa privada, de conformidade com os bens experimentados princípios do laissez-faire, o cuidado de desenterrar novamente os bilhetes no teria por que haver mais desemprego e, com ajuda das repercussões, o ingresso real da comunidade e também sua riqueza de capital provavelmente rebaixaria em boa medida seu nível atual. Claro está que seria mais sensato construir casas ou algo semelhante; mas se existem dificuldades políticas e práticas para realizá-lo, o procedimento anterior seria melhor que não fazer nada. Keynes, Teoria Geral da ocupação, do juro e do dinheiro (1935). 20

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