UERN UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE CAMPUS DE NATAL GOV. FERNANDO ANTONIO DA CÂMARA FREIRE CURSO DE TURISMO NÁDIA MINÉIA LAGO DE DEUS

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1 UERN UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE CAMPUS DE NATAL GOV. FERNANDO ANTONIO DA CÂMARA FREIRE CURSO DE TURISMO NÁDIA MINÉIA LAGO DE DEUS UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO CULTURAL ADORMECIDO: OS SOLARES, AS IGREJAS E OS CASARÕES DE MACAÍBA-RN. Natal 2008

2 NÁDIA MINÉIA LAGO DE DEUS UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO CULTURAL ADORMECIDO: OS SOLARES, AS IGREJAS E OS CASARÕES DE MACAÍBA/RN. Trabalho monográfico de conclusão de curso apresentado ao Curso de Turismo da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, como requisito parcial à obtenção do título de bacharelado em Turismo. Orientador: Prof. Esp. Alcêdo Pinheiro Galvão. Natal 2008

3 Catalogação da Publicação na Fonte. Deus, Nádia Minéia Lago de. Um patrimônio histórico cultural adormecido: os solares, as igrejas e os casarões de Macaíba-RN / Nádia Minéia Lago de Deus. Natal, RN, f. Orientador (a): Prof. Esp. Alcêdo Pinheiro Galvão. Monografia (Bacharel em Turismo). Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Faculdade de Turismo. 1. Cultura - Monografia. 2. Patrimônio Histórico - Monografia. 3. Patrimônio Cultural Macaíba - Monografia. Pontos Turísticos Monografia. I. Galvão, Alcêdo Pinheiro. II. Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. III. Título. UERN/ BC CDD 306 Bibliotecária: Valéria Maria Lima da Silva CRB 15 / 451

4 NÁDIA MINÉIA LAGO DE DEUS UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO CULTURAL ADORMECIDO: OS SOLARES, AS IGREJAS E OS CASARÕES DE MACAÍBA/RN. Esta monografia foi julgada adequada à obtenção do título de bacharel em Turismo e aprovada em sua forma final pelo curso de Turismo da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Natal, de de. Prof. e Orientador, Alcêdo Pinheiro Galvão, Esp., Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Prof., Marília Medeiros Soares, Esp., Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Prof., Alessandro Teixeira, Ms., Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.

5 Dedico este trabalho a minha avó Maria Rodrigues de Deus, que partiu antes de poder vê-lo concluído, mas sei que onde ela estiver, estará comemorando a minha vitória. Por toda sua dedicação, amor e carinho doados a mim durante os momentos em que estávamos juntas, e por sua eterna lembrança em meu viver.

6 AGRADECIMENTOS É TOMADA PELA EMOÇÃO, QUE VENHO AGRADECER A TANTAS PESSOAS, QUE TIVERAM UMA PARTICIPAÇÃO MUITO IMPORTANTE PARA A CONCRETIZAÇÃO DE UM SONHO, A CONQUISTA DESTE TÍTULO, ATRAVÉS DA CONSTRUÇÃO DESTE TRABALHO. AGRADEÇO PRIMEIRAMENTE A DEUS, O QUAL PERMITIU QUE ESTE TRABALHO CHEGASSE A CONCLUSÃO E ATINGISSE O SUCESSO. AGRADEÇO AOS MEUS PAIS, DALVACI E CLÁUDIO ÉLCIO. AO MEU ESPOSO MICHELL, MEU IRMÃO ALAN E A TODA MINHA FAMÍLIA. A UM CASAL POR DEMAIS ESPECIAL JACQUELINE E EUGÊNIO. AOS MEUS AMIGOS, EM ESPECIAL A FLÁVIA HELENA. E NÃO PODERIA DEIXAR DE AGRADECER A TODOS OS PROFESSORES QUE COM MUITA DEDICAÇÃO, CARINHO E AMIZADE, CONTRIBUÍRAM PARA O MEU CRESCIMENTO PESSOAL E PROFISSIONAL ATRAVÉS DE SEUS CONHECIMENTOS, OS QUAIS ME PROPORCIONARAM O RESULTADO FINAL DESTE TRABALHO. EM ESPECIAL, AGRADEÇO A ALGUNS QUE MARCARAM VERDADEIRAMENTE A MINHA FORMAÇÃO: MARCO ANTÔNIO DA ROCHA JR., AVANY PEIXOTO, JÂNIO FERNANDES, JOSÉLIA CARVALHO E ALCÊDO PINHEIRO GALVÃO, AQUELE QUE ACEITOU INVESTIR NESTA EMPREITADA AO MEU LADO, TENDO ACREDITADO NO MEU POTENCIAL E CONTRIBUÍDO DE FORMA DECISIVA NA FASE FINAL DESTA TRAJETÓRIA. TAMBÉM GOSTARIA DE AGRADECER A ESTA PESSOA MARAVILHOSA, QUE TEVE UMA GRANDE CONTRIBUIÇÃO, JÁ NA RETA FINAL DA ELABORAÇÃO DESTE TRABALHO: EDNARDO GONÇALVES. E QUERO ENCERRAR COM UM AGRADECIMENTO ESPECIAL A PESSOA QUE DE FORMA DIRETA MAIS CONTRIBUIU COM A REALIZAÇÃO DA PESQUISA PARA ESTE TRABALHO MONOGRÁFICO, O SENHOR MARCELO AUGUSTO MEDEIROS BEZERRA, SECRETÁRIO DE CULTURA E TURISMO DO MUNICÍPIO DE MACAÍBA, POR TODO MATERIAL DISPONIBILIZADO E PELO CONSTANTE APOIO DURANTE O DESENVOLVIMENTO DESTE TRABALHO, E AINDA, A TODOS QUE DE ALGUMA FORMA ME AJUDARAM, O MEU MUITO OBRIGADA.

7 SUMÁRIO I APRESENTAÇÃO II - CONCEITOS E FUNDAMENTAÇÃO DO TURISMO CONCEITO DE TURISMO CONCEITO DE CULTURA TURISMO CULTURAL PATRIMÔNIO CULTURAL E SUA RELAÇÃO COM A ATIVIDADE TURÍSTICA O PLANEJAMENTO TURISTICO III MACAÍBA UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO CULTURAL ADORMECIDO LOCALIZAÇÃO E CONTEXTO HISTÓRICO DO MUNICIPIO DE MACAIBA-RN O PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO DE MACAIBA-RN Os Solares As Igrejas Os Casarões IV ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS A PESQUISA O APROVEITAMENTO TURÍSTICO DO PATRIMÔNIO CULTURAL EM MACAÍBA V - CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS... 40

8 LISTAS DE ILUSTRAÇÕES Ilustração 01 Mapa da Divisão Política do Rio Grande do Norte Ilustração 02 Mapa Geográfico do Município de Macaíba-RN Ilustração 03 Solar do Ferreiro Torto Ilustração 04 Solar Caxangá Ilustração 05 Solar da Madalena Ilustração 06 Solar do Mourisco Ilustração 07 Solar do Jundiaí Ilustração 08 Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição Ilustração 09 Capela de São José Operário Ilustração 10 Capela de Nossa Senhora da Soledade Ilustração 11 Capela de Nossa Senhora da Soledade Ilustração 12 Ruínas do Casarão Guarapes Ilustração 13 Casa da Cultura (antigo Casarão dos Mesquita) Ilustração 14 Jardim Interno da Casa da Cultura... 32

9 RESUMO Patrimônio histórico definido como um bem material, natural ou imóvel que possui significado e importância artística, cultural, religiosa, documental ou estética para a sociedade. As igrejas, os solares e os casarões do município de Macaíba-RN, ícones arquitetônicos que remetem ao período colonial da capitania do Rio Grande do Norte estão adormecidos. Tendo por objetivo torná-los um equipamento turístico, cultural e de lazer visando sua sustentabilidade através da interação da população local com este patrimônio, a qual despertaria o sentido de identidade neste povo e consequentemente a defesa desses bens. De forma mais específica, põe em evidência a necessidade de conhecimento e preservação da história da comunidade primeiramente por si própria, para uma futura inserção no trade da atividade turística potiguar, onde se tornaria um produto diferencial do massificado sol e mar atraindo turistas que buscam além do lazer o conhecimento de novas culturas. A metodologia aplicada baseou-se na documentação indireta, pesquisa documental e bibliográfica. Sendo satisfatória para o reconhecimento dos principais patrimônios histórico-culturais e arquitetônicos do município de Macaíba-RN, bem como suas histórias e atuais utilizações. Foi então constatado que um potencial não se torna produto turístico se não houver interesse dos setores privado e público, onde é de suma importância a participação da população autóctone para a efetiva inclusão de um produto histórico-cultural no mercado turístico em que estiver inserido. Palavras-chave: Patrimônio, Cultura, Macaíba e Turismo.

10 ABSTRACT Defined historical patrimony as a very material, natural or immobile one that possesses meaning and importance artistic, cultural, religious person, documental or aesthetics for the society. The churches, the solar ones and the big houses of the municipal district of Macaíba- RN, architectural icons that send to the colonial period of the captaincy of Rio Grande do Norte are fallen asleep. Tends for objective to turn them an equipment tourist, cultural and of leisure seeking it s sustainability through the interaction of the local population with this patrimony, which would wake up the identity sense in this people and consequently the defense of those goods. In a more specific way, it puts firstly in evidence the knowledge need and preservation of the community's history for itself own, for a future insert in the trade of the activity tourist potiguar, where if it would turn a differential product of the influenced sun and sea attracting tourists that look for besides the leisure the knowledge of new cultures. The applied methodology based on the indirect documentation researches documental and bibliographical. Being satisfactory for the recognition of the main historical-cultural and architectural patrimonies of the municipal district of Macaíba-RN, as well as their histories and current uses. It was verified then that a potential doesn't become tourist product if there is not interest of the sections deprived and public, where it is of addition importance the participation of the autochthonous population for the effective inclusion of a historicalcultural product in the tourist market in that it be inserted. Word-key: Patrimony, Culture, Macaiba and Tourism.

11 I. INTRODUÇÃO A atividade turística no contexto sociológico é um fenômeno social que atualmente abrange o mundo inteiro do ponto de vista geográfico, e praticamente todas as camadas e grupos sociais. Sendo assim, economicamente, o turismo tem se tornado uma opção para o incremento da economia das localidades onde é desenvolvido, devido ao fato de exercer ampla influência em diferentes setores econômicos, como o setor de infra-estrutura, comércio, restauração, entre outros. A academia de um modo geral vem discutindo a importância que o turismo representa para o país. Atualmente o setor do turismo tende a fugir dos lugares comuns, da massificação, dos conceitos repetitivos, procurando como alternativas cada vez mais a diferenciação e a qualidade dos novos produtos ofertados, baseados na sustentabilidade. O objeto de estudo desta pesquisa é a apresentação de um patrimônio históricocultural adormecido: os solares, as igrejas e os casarões do município de Macaíba/RN e sua potencial inserção no mercado turístico potiguar. Patrimônios estes de importância secular, que para este trabalho vêem sendo estudados desde Ao longo deste período foram pesquisadas muitas fontes, mas todas na forma de documentação indireta através da pesquisa bibliográfica e documental embora esta segunda técnica se assemelhe à pesquisa bibliográfica, permite que se tenha acesso a diversos documentos tais como: reportagens de jornal, relatórios de pesquisa, documentos oficiais, entre outros, o que favorece uma visão mais aprofundada da questão em aberto. Tendo por base que a cultura é o que nos torna singular através dos elementos de identidade de cada povo, e que a cada momento vão-se refletindo o pensamento, os saberes, os traços culturais, os símbolos, as criações e as recriações da comunidade, habitante de um local. Temos então, tais fatores formando o patrimônio cultural dessa comunidade, que deve ser preservado porque é instrumento de ideologia e legitimação dos grupos sociais. Neste sentido, o patrimônio cultural é necessário também para o turismo, pois este é um dos eixos da promoção da cultura, já que através dele as pessoas visitam lugares e trocam conhecimento cultural, na medida em que as localidades turísticas se apresentam vinculadas aos fatores culturais através dos identificadores de um povo: seu artesanato, gastronomia, arquitetura, história e arte. O município em questão dispõe de um patrimônio arquitetônico composto, entre outros elementos, de cinco solares, três igrejas e dois casarões formando o universo

12 desta pesquisa. Como amostra, teremos o Solar Ferreiro Torto e o Caxangá os quais traduzem através de suas arquiteturas, a história do município no período colonial. Estes solares possuem muitas histórias e lendas, característica de produtos que atraem turistas ávidos por cultura, aspecto que poderá a vir identificar e destacar esta localidade, como é o caso da Itália, no contexto do turismo mundial, sendo país com o maior número de patrimônios tombados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO. Tendo em vista esse quadro de referência, o objetivo do presente trabalho é informar a potencialidade desse patrimônio torná-lo um equipamento turístico, cultural e de lazer visando sua sustentabilidade através da interação da população local com este patrimônio, a qual despertaria o sentido de identidade neste povo e consequentemente a defesa desses bens. Para uma possível inclusão de Macaíba nos roteiros turísticos do estado, ofertando ao público um produto diferenciado; de riqueza histórico cultural baseado nos princípios da sustentabilidade, e alternativo ao difundido turismo de sol e mar, tipo de turismo massificado e explorador. Neste período onde as políticas de incentivo a atividade turística advindas do Ministério do Turismo estão investindo na sua interiorização, através dos projetos de roteirização, este trabalho pode ser o alerta desta oportunidade do município se desenvolver e se qualificar para um turismo expressivo. No entanto é necessário que primeiramente seja feito esse resgate do seu patrimônio histórico-cultural, que se encontra desconhecido por grande parte da população local e dos planejadores da atividade turística. Com este intuito, de incremento da economia local, é que o levantamento do potencial turístico do município a partir do seu patrimônio histórico-cultural será apresentado aos órgãos públicos responsáveis pela fomentação do turismo em Macaíba-RN, onde se estará dando visibilidade principalmente ao patrimônio arquitetônico, para que ainda possa se resgatar o restante deste patrimônio adormecido, apesar do que já foi destruído. A partir do resgate deste, se espera despertar a conscientização da importância que a cultura exerce sobre uma localidade e o sentimento de defesa da população autóctone para alcançar o apoio e o incentivo necessários para efetiva inserção do município de Macaíba nos roteiros turísticos do Rio Grande do Norte. A resposta a este investimento se apresenta em forma de benefícios no âmbito sócio-econômico e cultural, na medida em que o patrimônio do município se apresente estruturado como um atrativo turístico. Desta forma, a possível criação de um roteiro turístico histórico-cultural para esta localidade, viria a ser mais uma opção para o desvio da exploração do turismo de massa;

13 também resgatando um aspecto louvável da atividade turística: seu papel como instância educativa, como foi nos séculos XVII e XVIII, no auge do Grand Tour, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos. Pois o turista como ser humano, também carrega em si o interesse por novas experiências, novos aprendizados. II. CONCEITOS E FUNDAMENTAÇÃO DO TURISMO 2.1 CONCEITO DE TURISMO O turismo ainda não encontrou sua definição única, mas a definição aceita do ponto de vista formal é a dada pela Organização Mundial do Turismo (OMT), que o considera como a soma de relações e de serviços resultantes de um câmbio de residência temporário voluntário motivado por razões alheias a negócios ou profissionais (De la Torre, 1992, p.19 apud BARETO, 2003, p. 12). Entre as várias definições do turismo há elementos importantes que permeiam quase todas elas, são eles: o tempo de permanência no mínimo de 24 horas e inferior a três meses, o caráter não lucrativo da visita e a busca do prazer por parte dos turistas, e como pode se observar na definição de Oscar de La Torre (México) destaca-se um dos mais importantes elementos da atividade turística: as inter-relações estabelecidas entre os turistas e a população autóctone: O turismo é um fenômeno social que consiste no deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que, fundamentalmente por motivos de recreação, descanso, cultura ou saúde, saem do seu local de residência habitual para outro, no qual não exercem nenhuma atividade lucrativa nem remunerada, gerando múltiplas inter-relações de importância social, econômica e cultural (De la Torre 1992, p.19 apud BARRETO, 2003, P.13). Para este trabalho esta é a definição que melhor relaciona a atividade turística com o patrimônio cultural, pois apresenta a relação turista x população local, ou seja, a interrelação que faz com que uma cultura seja (venha a ser) conhecida e reconhecida.

14 A atividade turística, portanto, além de contribuir para o desenvolvimento de uma localidade, proporciona desenvolvimento social e cultural, baseado na intensa troca de informações entre turistas e comunidade receptora CONCEITO DE CULTURA A origem etimológica da palavra cultura remonta ao final so século XVIII do termo germânico Kultur, utilizado para simbolizar todos os aspectos espirituais de uma comunidade, enquanto a palavra francesa Civilization referia-se principalmente às realizações materiais de um povo. Ambos os termos foram sintetizados por Edward Tylor no vocábulo inglês Culture que segundo Laraia (2001), no sentido etnográfico, é o todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade. Com o passar do tempo, o termo tem adquirido diversos significados e tem sido aplicado a diferentes áreas, no entanto, o esforço para sintetizar o mesmo ainda terá um bom caminho a percorrer. Na concepção de Geertz e Solineider (dois renomados antropólogos) cultura Não é um complexo de comportamentos concretos, mas um conjunto de mecanismos de controle, planos, receitas, regras instruções para governar o comportamento. Assim sendo uma compreensão exata do conceito de cultura significa a compreensão da própria natureza humana (LARAIA, 2003, P.63). A cultura de uma determinada localidade é resultado da comunidade inteira e a ela tende a retornar. É por meio da prática e da familiarização com as regras de conduta religiosa ou social, os preceitos e valores, os costumes e tradições que um povo recebeu sua cultura, e é desta mesma forma que ela se propaga. Passando de geração para geração aquele mesmo modo de vida, as mesmas concepções que fazem com que os próximos continuem a viver sob os mesmos moldes.

15 Sendo assim, Os bens culturais que herdados do passado e vivenciados no presente contribuem para a formação da identidade, na formação de grupos, nas categorias sociais e no resgate à memória, permitindo estabelecer elos entre o pertencimento, a história e as raízes (COSTA, 2006). 2.3 TURISMO CULTURAL É certo que o conceito de cultura é extremamente amplo, entretanto quando falamos de Turismo Cultural este obtém uma conotação restritiva. O termo Turismo Cultural designa uma modalidade de turismo cuja motivação do deslocamento se dá, segundo Andrade (2002) com o objetivo de encontros artísticos, científicos, de formação e de informação. O autor ainda completa, dizendo que os alicerces do turismo cultural situam-se no esforço de conhecer, pesquisar e analisar dados, obras ou fatos, em suas variadas manifestações (ANDRADE, 2002, p.32). Segundo Barreto (2000, p.20) de acordo com a Organização Mundial do Turismo, o turismo cultural seria caracterizado pela procura por estudos, cultura, artes cênicas, festivais, monumentos, sítios históricos ou arqueológicos, manifestações folclóricas ou peregrinações. Assim compreende-se que turismo cultural é todo aquele em que o atrativo principal não seja a natureza, mas algum aspecto da cultuta humana, e seguindo esta visão torna-se interessante observar que este segmento turístico se constitui fundamentalmente pelo comportamento, preparação e foco do turista e não do patrimônio da localidade. 2.4 PATRIMÔNIO CULTURAL E SUA RELAÇÃO COM A ATIVIDADE TURÍSTICA No que se refere à definição oficial do termo patrimônio cultural, a Constituição Brasileira de 1988, ao dispor sobre a cultura, define, em seu artigo 216,ementa nº. 42/2003 o patrimônio cultural brasileiro composto por bens de natureza material e imaterial:

16 Art Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: I - as formas de expressão; II - os modos de criar, fazer e viver; III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico. (BRASIL, 1988) Pode-se dizer então, que patrimônio é a memória de um povo ou de um lugar. Esta memória a qual nos referimos é tudo aquilo que um povo ou uma comunidade guarda como valor, e sendo assim adquire valor cultural. E é através da cultura que se conhece um povo, um país, um lugar. A relação entre turismo e patrimônio cultural não é tão recente quanto se imagina. A primeira viagem nacional na qual o patrimônio figura como atrativo para o turismo ocorreu em 1924 e teve como destino a cidade mineira de Ouro Preto (CAMARGO, 2002, P.82). Ícones do Modernismo Brasileiro participaram dessa viagem, são alguns deles: Mário de Andrade 1 escritor, Tarsila do Amaral 2 artista plástica e Oswald de Andrade 3, jornalista e escritor. Ainda segundo CAMARGO (2002) esses artistas despertaram o Poder Executivo para a necessidade de se preservar nossas raízes históricas e culturais brasileiras. Essa ação acarretou os primeiros resultados importantes quando na década de 1930 o Governo de Getúlio Vargas criou o Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN Lei 378/1937, atualmente sendo o órgão denominado Instituto do Patrimônio Histórico a Artístico Nacional IPHAN) e, por meio do Decreto-lei n. 25, organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional por meio do tombamento dos bens. Seguindo o pensamento de MARTINS e VIEIRA diante das atuais discussões suscitadas entre turismo e patrimônio cultural é possível apontar que as relações estabelecidas entre ambos serão duradouras, pois cada vez mais as pessoas têm buscado, através da realização de viagens turísticas, um crescimento cultural advindo da observação dos diversos tipos de culturas característicos de cada local visitado. 1 Autor de Prefácio Interessantíssimo, 1922 e A Escrava que não é Isaura, 1925.* 2 Sua obra mais conhecida o Abaporu que significa antropófago em tupi.* 3 Autor da Trilogia do Exílio: Os Condenados 1922, Estrela do Absinto 1927 e Escada Vermelha 1934.* *Fonte:CEREJA, W.R. MAGALHÃES, T. C. Literatura Brasileira. 2 ed. São Paulo: Atual, p

17 É necessária a ampla participação do indivíduo e da sociedade no processo de criação dos bens culturais, na manutenção dos lugares de memória, na tomada de decisões que se referem à vida cultural e na sua difusão e vivência. Com base nas potencialidades que o patrimônio cultural representa, tem-se procurado ofertar atividades turísticas nas quais o patrimônio se converte em recurso de desenvolvimento e de lazer para a sociedade. Esta utilização exige cautela, pois, quando se intervém de alguma forma no patrimônio cultural de uma localidade, interfere-se nos vínculos histórico-culturais que dão coerência aquela sociedade. É importante considerar que o patrimônio cultural pertence à sociedade que o criou. As relações da comunidade com seu patrimônio cultural não se circunscrevem somente na esfera econômica, mas principalmente nas diferentes e complexas esferas da vida social, nas inter-relações da vida cotidiana onde as pessoas compartilham dos mesmos costumes e valores, a qual possibilita que cada um possa reconhecer a si mesmo na sua experiência de vida coletiva escolar, familiar, de vizinhança e religiosa. Se essa comunidade pára por qualquer motivo de estabelecer os laços históricos necessários e passa a não se identificar com os seus lugares de memória, os significados são perdidos e o seu patrimônio deixa de cumprir uma função social essencial que é a manutenção da identidade do local. Pois é neste reconhecimento que está a identidade, e a partir do momento em que não há patrimônio com o que se identificar? A identidade cultural é a riqueza que dinamiza as possibilidades de realização da sociedade, ao mobilizar cada grupo social, a nutrir-se de seu passado e a colher as contribuições assim continuando o processo de criação e recriação social. Nesse sentindo, o desenvolvimento do Turismo Cultural está diretamente relacionado ao esforço e trabalho de se preservar os valores culturais. É fundamental assumir e construir uma nova dimensão que permita vincular os conceitos de desenvolvimento social do turismo e de preservação do patrimônio, já que o patrimônio cultural representa a espinha dorsal dos projetos de planejamento do Turismo Cultural. E para que este patrimônio não chegue a sucumbir, se fazem necessárias estratégias de uso consciente de preservação, onde a atividade turística não vise somente interesses econômicos, e que estes não se sobreponham aos valores éticos. Tais estratégias integram o chamado desenvolvimento sustentável do turismo, que:

18 Atende às necessidades dos turistas de hoje e das regiões receptoras, ao mesmo tempo em que protege e amplia as oportunidades para o futuro. É visto como um condutor ao gerenciamento de todos os recursos, de tal forma que as necessidades econômicas, sociais e estéticas possam ser satisfeitas sem desprezar a manutenção da integridade cultural, dos processos ecológicos essenciais, da diversidade biológica e dos sistemas que garantem a vida. OMT (Organização mundial do Turismo, 2003). A preocupação do mundo moderno em manter suas raízes vivas, sua história, seu patrimônio faz com que se olhe para o futuro e passe a trabalhar em processo de sustentabilidade não só econômica, mas na capacidade de absorção e no deslocamento do público visitante, que traz um conjunto de novos fatores que necessitam de um gerenciamento partindo do macro ambiente sócio-econômico e político-legal até atingir o micro ambiente da cultura local. 2.5 O PLANEJAMENTO TURÍSTICO Segundo RUSCHMANN (1997) o planejamento é uma atividade que envolve a intenção de estabelecer condições favoráveis para alcançar objetivos e metas propostas. O ato de planejar objetiva a previsão de facilidades e serviços para que uma comunidade atenda seus desejos e necessidades ou, então, o desenvolvimento de estratégias que permitam a uma organização comercial visualizar oportunidades de lucro em determinado segmento de mercado. Para que o turismo se desenvolva de forma sustentável é indispensável o planejamento. Por planejamento turístico entende-se: O planejamento como um processo que consiste em determinar os objetivos de trabalho, ordenar os recursos materiais e humanos disponíveis determinar os métodos e as técnicas aplicáveis, estabelecer as formas de organização e expor com precisão todas as especificações necessárias para que a conduta da pessoa ou do grupo de pessoas que atuarão na execução dos trabalhos seja racionalmente diretamente para alcançar os resultados pretendidos (ESTOL E ALBUQUERQUE, apud OMT, 2003, p.8).

19 No turismo, o plano de desenvolvimento constitui o instrumento fundamental na determinação e seleção das prioridades para a evolução harmoniosa da atividade, determinando suas dimensões ideais, para que, a partir daí, se possa estimular, regular ou restringir sua evolução. Conforme Bound e Bovy, o Plano Turístico é elaborado com a finalidade de atingir os mais diversos propósitos, a saber, (BOUND e BOVY, p. 13, apud Ruschmnn, 1997, p.85): Definir políticas e processos de implementação de equipamentos e atividades, e seus respectivos prazos; Controlar o desenvolvimento espontâneo do turismo; Maximizar os benefícios, visando ao bem estar da comunidade receptora e à rentabilidade dos empreendimentos do setor; Evitar deficiências ou congestionamentos; Minimizar a degradação dos locais e recursos sobre os quais o turismo se estrutura; Capacitar os vários serviços públicos para a atividade turística; Garantir que a imagem da destinação se relacione com a proteção ambiental e cultural, além da qualidade dos serviços prestados; Atrair financiamentos nacionais ou internacionais e assistência técnica para o desenvolvimento do turismo; Coordenar o turismo com outras atividades econômicas integrando seu desenvolvimento aos planos econômicos e físicos do país. De acordo com Ruschmann (1997, p. 86) sempre haverá a necessidade da intervenção dos planejadores em turismo nas seguintes circunstâncias, Nos locais em que as empresas turísticas estão se estabelecendo com sucesso, a fim de assegurar um controle eficaz do desenvolvimento, no qual se incluem as medidas de proteção do meio ambiente e dos recursos culturais; Nos locais em que o crescimento acelerado da demanda, originado pelo turismo de massa gerou modificações rápidas nas circunstâncias econômicas e sociais, visando ao monitoramento contínuo do acesso de pessoas; Nos locais onde o turismo não se desenvolveu satisfatoriamente, apesar de apresentarem recursos consideráveis, como é o caso da cidade de Macaíba; Nos locais onde o desenvolvimento do turismo concorre para a degradação ou a erosão de sítios históricos e/ou recursos únicos, apesar dos consideráveis benefícios socioeconômicos. Uma vez que o planejamento trabalhará com prioridades, poderá ter suas metas e o cumprimento de seus objetivos divididos em longo, médio e curto prazos. Segundo a mesma autora (1997, p. 91), o planejamento em longo prazo trabalha a concepção do produto ou a sua identidade mercadológica. Determina os produtos

20 que serão oferecidos no mercado, quem participará da sua composição, em que períodos e para que segmentos. Geralmente a duração de um planejamento em longo prazo dura quinze anos, mas esse prazo pode estender-se como ser abreviado, de acordo com os objetivos propostos. O planejamento turístico em médio prazo tem por objetivo implantar as ações propostas em longo prazo, relacionadas aos equipamentos destinados ao atendimento dos desejos e das necessidades da demanda. Ele está subordinado ao de longo prazo e essa hierarquia deve ser observada pelos empresários, a fim de evitar que como conseqüência de ações intuitivas e imediatistas, as destinações turísticas ultrapassem sua capacidade de carga e acabem se degradando diante de um mercado cada vez mais exigente. O tempo fixado é de cinco anos tanto para empreendimentos que querem se reposicionar no mercado, como para os novos (RUSCHMANN, 1997). O planejamento turístico a curto prazo constitui a fase inicial da hierarquia na implantação de equipamentos e no desenvolvimento de atividades em núcleos receptores. Geralmente, são ajustes e soluções que podem ser implantados no curto espaço de tempo de um ano que correspondam a soluções para necessidades imediatas e visam viabilizar o funcionamento adequado de serviços e equipamentos turísticos. As soluções a curto prazo podem relacionar-se às ações de treinamento de recursos humanos de nível básico, limpeza de fachadas, ajardinamento de ruas que, apesar do seu pequeno impacto imediato, se forem contínuas, terão efeito positivo no conjunto da oferta turística de uma localidade. São necessárias, porém, formas metodológicas de sensibilização da comunidade, de diagnóstico de viabilidade, de implantação, de monitoramento dos impactos, de divulgação e de venda para que tais objetivos sejam atingidos e gerem oportunidades de lazer e de aprendizado aos turistas, ao mesmo tempo em que proporcione à comunidade local melhoria da qualidade de vida (RUSCHMANN, 1997). Assim, caberá ao planejador e sua equipe identificar certos elementos, como: Existência de atrativos naturais e culturais capazes de atrair demanda; Existência de acomodações, alimentação e entretenimento; Existência de facilidades e acessos. A disponibilidade de transporte turístico e o bom posicionamento geográfico; Existência de uma demanda potencial capaz de viabilizar os investimentos feitos ou por fazer; Avaliar preços de transporte, alojamento, alimentação, entretenimento, além de preços cobrados por taxistas, souvenirs e outros.

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