O mineiro de R$ 10 bi

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1 Eleições 2012 Gilmar Machado (PT) é eleito prefeito de Uberlândia com quase 70% de votos Saúde Pesquisa mostra que 25% de executivos homens e mulheres convivem com a insônia ano 6 número 54 R$ 8,50 O mineiro de R$ 10 bi O jeito de ser e de administrar de Sérgio Cavalieri, presidente do Grupo Asamar que incorpora nove empresas, incluindo a Rede ALE de Combustíveis, que juntas faturam R$ 10 bilhões por ano e geram 24 mil empregos diretos e indiretos

2 expediente editorial Diretor Geral Eduardo J. L. Nascimento Diretor Comercial Fernando Martini Conselho Gestor Eduardo J. L. Nascimento Evaldo Pighini Fernando Martini Conselho Editorial Paulo Sérgio Ferreira Janaina Depiné Analu Guimarães Dr. Joemilson D. Lopes Marconi Silva Santos Pedro Lacerda Marcelo Prado Dalira L. C. M. Carneiro Editor Chefe Evaldo Pighini e Jornalista Responsável MG JP Reportagens Evaldo Pighini Margareth Castro Michele Borges Fabiana Barcelos Laura Pimenta Rosiane Magalhães Talita Nakamuta Alitéia Milagre Renata Tavares Lia Barbosa Revisão Lúcia Amaral Fotografia Mauro Marques (exceto as creditadas) Colaboradora Márcia Amaral Vendas Maurício Ribeiro Secretaria Edileusa Ribeiro Jurídico Thiago Alves OAB Capa RedHouse Pré-impressão Registro Buraeu Impressão Tiragem exemplares Anúncio Assinatura Canal Livre Cartas Rua Roosevelt de Oliveira, 345 Sl 14 Bairro Aparecida CEP Uberlândia - MG - Brasil Edições extras e reprints Artigos assinados não refletem necessariamente a opinião desta revista, assim como declarações emitidas por entrevistados. É autorizada a reprodução total ou parcial das matérias, desde que citada a fonte. A Revista MERCADO é uma publicação mensal do Grupo de Mídia Brasil Central (GMBC). Revista MERCADO Rua Roosevelt de Oliveira, 345 Sl 14 Bairro Aparecida CEP Uberlândia - MG - Brasil Copyright Grupo GMBC Todos os direitos reservados. Curta nossa Página. Procure Revista Mercado Pessoas em primeiro lugar Existem duas frases do grande e célebre fundador da Ford Motor Company, o empresário Henry Ford, que expõem muito bem a importância do capital humano na existência e no consequente crescimento de uma empresa. Dizia Ford: Estar juntos é o começo, permanecer juntos é o progresso e trabalhar juntos é o êxito e Você poderia tirar de mim as minhas fábricas, queimar os meus prédios, mas se me der o meu pessoal, eu construirei outra vez todos os meus negócios. São frases ditas entre o final do século XIX e início do XX. E como contestar tais afirmações do empresário que entrou para história por causa de suas ideias inovadoras e que modificaram o pensamento de sua época? Do homem que iniciou os processos de mecanização, produção em massa, padronização do maquinário e do equipamento, e por consequência dos produtos? Do homem que implementou a política de metas e revolucionou o tratamento aos seus funcionários, permitindo um salário quase duas vezes maior que o de outras indústrias? Para Ford, dessa forma, seria criado um movimento econômico cíclico com a maior distribuição de renda, aumentando o poder de compra da classe operária. A esse movimento ele chamou de salário de motivação ( wage motive ). E assim, devido a atitudes como essa, Ford cresceu e entrou para a história. Mas esse resgate histórico é apenas para destacar que, embora os tempos sejam outros - cerca de 100 anos se passaram -, o legado de Henry Ford, da relação patrão/empregado, da valorização do capital humano, precisa permear ainda e cada vez mais a administração de uma empresa que queira sobreviver e crescer no mercado atual. Se, na época de Ford, ele já tinha essa visão, imagine nos dias atuais, em que o mercado anda cada vez mais competitivo, há abundância da oferta de produtos e serviços e profissionais extremamente qualificados, resultando em situações comuns que tendem a se acentuar cada vez mais. Por isso, a necessidade de que profissionais e empresas se aliem em busca de melhor sintonia. Que a classe patronal passe a tratar de fato os seus empregados como colaboradores verdadeiramente que são. Nesse sentido, até já há certa evolução. Prova disso é que, o que antes era denominado de Departamento de Pessoal, famoso DP, teve o conceito mudado para Área de Recursos Humanos. Antes, as atribuições básicas de um DP eram contratar, pagar e demitir, e qualquer ideia ou criação que fugisse desse escopo, por mais necessária que fosse, era considerada custo pelos patrões. Agora, não é mais possível uma empresa ser competitiva e ter lucratividade se ela não tiver as melhores pessoas em seu time. E, para se ter bons colaboradores, é preciso investir na contratação, no desenvolvimento permanente em suas avaliações e fundamentalmente na implantação e gestão de uma boa política de benefícios. Está cada vez mais evidente que o capital humano é o maior bem, sem o qual uma empresa não sobrevive. E se sobrevive, não cresce perante a concorrência. E quem entende muito bem desse assunto, quem valoriza o seu pessoal à frente de quaisquer outros tipos de interesses de suas empresas, é o empresário mineiro Sérgio Cavalieri, presidente do Grupo Asamar, holding que fatura por ano cerca de R$ 10 bilhões, por meio do trabalho de 24 mil colaboradores diretos e indiretos. Cavalieri costuma afirmar que o sucesso de uma empresa depende da adoção de uma gestão que valoriza acima de tudo o homem e, nesse contexto, ele inclui tanto colaboradores quanto clientes. Foi a história desse empresário que nos motivou a dedicar-lhe a principal reportagem desta edição da MERCADO, e que, inclusive, virou a nossa matéria de capa. Cavalieri é exemplo de gestão participativa e de valorização de pessoas, o que, em princípio, nos levou a ir atrás dele para contar o seu case à frente do Grupo Asamar. Mas, na medida em que a entrevista foi evoluindo, fomos descobrindo mais. Cavalieri não só coloca as pessoas em primeiro lugar na sua administração, como também preside a Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas (ACDE) em Minas Gerais - entidade que tem como fim levar a doutrina social cristã para o dia a dia das empresas -, e ainda encontra tempo para sair por aí voluntariamente fazendo palestras sobre a sustentabilidade interligada ao mundo dos negócios. Nesta edição, Sérgio Cavalieri é o nosso principal foco. Uma boa leitura a todos! Evaldo Pighini Editor Revista MERCADO Edição 54

3 54 índice Janeiro 2012 Capa 12 Saúde 32 Sérgio Cavalieri é presidente do Grupo Asamar, holding que controla nove empresas, fatura R$ 10 bilhões por ano e emprega 24 mil trabalhadores. É também presidente da Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE) de Minas Gerais e um fervoroso defensor da sustentabilidade dentro das empresas. Conheça um pouco de jeito mineiro de ser e de administrar de Cavalieri Pesquisa feita em cima de 60 mil check-ups realizados entre executivos, homens e mulheres, constatou que 25% convivem com a insônia que, por consequência, pode provocar quadros de estresse, ansiedade e o desenvolvimento de problemas cardiovasculares Construção Comércio A ascensão da classe C no mercado de consumo no Brasil não é novidade, algo parecido ocorreu na década de 1970, e as marcas não devem encarar esses consumidores como uma massa uniforme. Agora eles estão mais conscientes e influentes Eleições 2012 Gilmar Machado foi eleito prefeito de Uberlândia com votação recorde. O petista venceu o pleito em primeiro turno na segunda maior cidade de Minas Gerais, com votos, 68,72% dos votos válidos. Foram quase 140 mil votos à frente do 2º colocado Artigo...6 Conversa...8 Franchising Política Educação Estética Moda Veículos Literatura Profissões em Filme Sustentabilidade Evento Ponto de vista In foco Causos empresariais Dica de Leitura Bazar Humor Geral Provenientes na maioria dos casos de assoalhos, portas e janelas, as madeiras de demolição são famosas por serem peças únicas e marcadas pelo tempo. Conheça dez tipos diferentes de uso desse material na construção Comportamento O uso de piercings no corpo fez parte da cultura de antigas civilizações e, hoje em dia, está cada vez mais usual entre os adolescentes. Especificamente, é na região da boca o uso mais comum. Especialista alerta para os riscos e cuidados de tal uso Turismo Que tal um passeio por San Francisco, cidade que foi quintal dos hippies e do movimento de contracultura nos anos 1960 e que é hoje considerada a capital da diversidade, da liberdade de expressão e da tolerância, estando entre as mais visitadas do mundo? Revista MERCADO Edição 53 Revista MERCADO Edição 53

4 artigo *José Pastore é professor de relações do trabalho da FEA-USP, membro da Academia Paulista de Letras e Presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomercio. E a eficiência do serviço público? Por José Pastore* No livro organizado por Edmar Bacha e Simon Schwartzman (Brasil: a nova agenda social, Rio de Janeiro, LTC, 2011), os autores indicam que os serviços públicos brasileiros, com poucas exceções, são extremamente precários para aquilo que custam: 12% do PIB! Uma avaliação realizada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelou igualmente que os conceitos de eficiência e produtividade são praticamente inexistentes no serviço público brasileiro (OCDE, Avaliação dos recursos humanos do Brasil, Rio de Janeiro, 2010). Apesar de tantas constatações desse tipo, pouco se discutiu o assunto durante a greve dos 300 mil servidores públicos federais. Não seria esta a hora de saber a quantas anda a qualidade dos serviços públicos nas escolas, nos hospitais, nos órgãos de segurança, nos tribunais de justiça e em tantos outros? Os aumentos concedidos pelo governo não tiveram nenhuma vinculação com a melhoria do atendimento à população. A administração dos recursos humanos do governo se resume à negociação de salários e benefícios, e não à qualidade dos serviços. Reconheço que a maioria dos servidores é recrutada por meio de provas difíceis em que demonstram conhecer a profissão. Os concursos públicos vêm despertando grande interesse, pois, além da estabilidade de emprego, oferecem salários iniciais bem acima dos do setor privado. Mas, passada a fase de recrutamento, os servidores públicos são pouco estimulados a trabalhar com eficiência. As promoções se baseiam muito mais no tempo do que na qualidade dos serviços. Para a conquista de melhores salários e benefícios, a força das corporações sindicais passa por cima da avaliação da produtividade. Nos poucos casos em que há bônus atrelado ao desempenho, o sistema é rudimentar e, com frequência, atropelado pelos sindicalistas, que forçam a administração a abandonar o expediente ou a generalizar o bônus. Não sei o que é pior. Estamos longe de quadros efetivamente comprometidos com a prestação de serviços de alta qualidade. Há poucos incentivos para estudar e crescer nas carreiras públicas. Inexiste, no Brasil, um sistema de prestação de contas do serviço oferecido, tanto para os servidores quanto para os órgãos públicos. Os valores de eficiência, atenção, apreço, cordialidade etc. são desconhecidos da maioria e não fazem parte de um sistema de cobrança efetivo. Nem temos mecanismos de pressão que possam ser utilizados pelo público para demandar melhoria de atendimento. No setor privado, em que os empregados podem perder o emprego e a empresa pode perder market share, ganhar muito ou pouco é função da qualidade do trabalho. No setor público, com honrosas exceções, a combinação do monopólio na prestação de serviços com a estabilidade de emprego faz perpetuar a baixa qualidade dos serviços prestados. Convenhamos, administrar recursos humanos não se resume a negociar salários. É preciso avaliar o que as pessoas entregam à empresa e, no caso do governo, aos cidadãos. Falta ao setor público uma gestão de pessoal que tenha como norte a busca permanente da competência e da qualidade. Nela, a remuneração é uma das ferramentas para chegar à eficiência. Os gestores precisam ter alçada para diferenciar as recompensas de acordo com o desempenho dos funcionários. Isso vai muito além de uma política de salários. Em suma, precisamos eliminar o abismo que existe entre a racionalidade dos concursos de ingresso e a precariedade do sistema de avaliação dos servidores ao longo dos 30 anos que sucedem ao ingresso. A situação exige uma reforma que valorize e cobre competência profissional e condutas adequadas dos servidores. Se isso é de extrema importância nos dias de hoje, será muito mais crítico nos próximos anos, quando, em decorrência do envelhecimento da população, os serviços públicos serão ainda mais demandados. B 6 Revista MERCADO Edição 54

5 conversa Mauro Calil é palestrante, educador financeiro, fundador da Academia do Dinheiro e autor dos livros Separe uma verba para ser feliz e A receita do bolo Caro leitor, Costumo dizer que a sociedade brasileira vive um grande mal atualmente, o famoso quanto cabe no bolso. Enquanto as parcelas do financiamento do carro, adquirido em 60 parcelas iguais, e da compra de roupas, dividida em três vezes no cartão de crédito, estiverem dentro da programação mensal de gastos, o indivíduo vai continuar comprando em suaves parcelas. Ele só para quando essas suaves parcelas, de tudo o que foi comprado, comprometem o pagamento das contas - e alguns, ainda assim, continuam comprando indiscriminadamente. Comprar à vista, além de ser mais vantajoso, significa não pagar juros mais altos embutidos nas parcelas dos produtos ou serviços. Quando compramos a prazo não percebemos que estamos adquirindo também os juros ruins. Pode parecer estranho esse termo, mas juros ruins são aqueles que não geram nenhum tipo de renda para nós e que estão presentes em dívidas. Assim como os juros ruins, existem também os juros bons, que recebemos (ao contrário dos ruins, que pagamos) como resultados de nossas aplicações financeiras e que nos geram receita. Quando compramos a prazo, se somarmos o total de juros embutidos nas parcelas, no final da dívida poderíamos ter comprado dois produtos, ao invés de somente um. Um dos grandes vilões do orçamento e grande gerador de parcelas é o cartão de crédito. Não estou afirmando que ele deve ser abolido das nossas inúmeras formas de pagamento existentes. Mas a ilusão de compra a longo prazo esconde juros altos, que comprometem seriamente o orçamento. Quando surgir a vontade de comprar algo a prazo, é sempre bom lembrar algumas perguntas. Primeiro: preciso realmente deste bem? Segundo: tenho necessidade desse produto nesse momento? E a mais importante de todas as perguntas: qual é minha capacidade de pagamento, ou seja, vou conseguir honrar o compromisso de pagamento sem comprometer minhas necessidades básicas? Como educador financeiro, gostaria de fazer uma proposta para os compradores de parcelas e juros : viver durante um ano à vista. Ou seja, não comprar nada a prazo, somente à vista. O meu raciocínio para essa proposta é o seguinte: se a pessoa consegue fazer um planejamento financeiro para se endividar, para saber quantas parcelas cabem no seu orçamento, ela também consegue fazer o mesmo para não se endividar, para saber o quanto pode gastar durante o mês sem fazer dívida. E, se isso é possível, passa a ser viável também incluir nesse planejamento um percentual mensal para investimentos, com objetivos definidos, como a formação de uma poupança para o pagamento à vista de uma viagem, de um curso ou até mesmo para a aposentadoria. Está lançado o desafio! B

6 franchising & negócios *Carlos Ruben Pinto Administrador de Empresas, Consultor de Franquias e Varejo. (31) Características essenciais de um bom franqueado... até que você não se tenha exposto ao conhecimento e à experiência não pode ser chamado de vendedor (Og Mandino - O Maior Vendedor do Mundo - Ed. Record) Por Carlos Ruben Pinto* O sonho de abrir o próprio negócio, de ser o próprio patrão, de conquistar a independência econômica e financeira, de se realizar pessoal e profissionalmente pertence a quantos milhões de pessoas? É impossível precisar esse número. Mas muitos que possuem esse sonho e querem realizá-lo encontram no segmento de franchising uma ótima oportunidade. Assim, o franchising tornou-se um segmento de negócios que vem atraindo cada vez mais empreendedores. Mas, para ser um franqueado de sucesso, algumas características se tornam essenciais, dentre elas, podemos citar: perfil, muita disposição para o trabalho, capacidade financeira, criatividade, persistência, planejamento e preparo. O perfil representa a identidade com o segmento e com a franquia escolhida ou, simplesmente: o negócio com o qual se terá a alegria de trabalhar todos os dias. Qualquer negócio, para ter sucesso, precisa do dono à frente em tempo integral. E na franquia não é diferente. O franqueado precisa ter preparo físico e mental para trabalhar muitas horas, sobretudo nos primeiros anos de operação da franquia, algo em torno de 12 a 14 horas por dia, e estar sempre em contato com outras pessoas do mesmo segmento, buscando informações atualizadas e novas tendências do mercado para que possa se aperfeiçoar sempre. O franqueado precisa ter preparo físico e mental para trabalhar muitas horas Na área financeira, além do valor necessário para o investimento na franquia escolhida, do pagamento de luvas e da reforma do ponto comercial, o franqueado precisa ter reserva financeira suficiente para sua sobrevivência nos primeiros meses de funcionamento do negócio. A criatividade deve estar presente, sobretudo nos momentos mais difíceis, para superar as dificuldades e manter a chama do entusiasmo acesa. É preciso buscar sempre o aperfeiçoamento, a inovação e novos desafios. Ter persistência para crescer. Essa é a chave do sucesso. O seu valor aparece, sobretudo, quando surgem problemas que são inerentes ao mundo dos negócios. As dificuldades fazem parte do processo de crescimento e são elas que valorizam as grandes conquistas. Existem no mercado muitas oportunidades em franquia, com investimentos variados. Para se fazer um bom planejamento no negócio em que se quer investir, é fundamental observar todos os pontos já citados, mas, antes de tudo, atentar para a necessidade de um bom preparo. Entender bem o funcionamento do Sistema de Franchising deve ser o primeiro passo. Para isso, além de literaturas específicas, temos no mercado treinamentos e palestras que têm como objetivo preparar os candidatos a franqueados e futuros franqueadores para conhecer bem o sistema e, nesse sentido, o Sebrae/ MG tem promovido em Uberlândia uma série de palestras sobre o franchising. Fiquem atentos e acompanhem a divulgação desses eventos, essa é uma ótima oportunidade para entender o franchising. B 10 Revista MERCADO Edição 54

7 capa Jeito mineiro de administrar Calmo, fala mansa, crente em Deus e determinado são algumas das particularidades do empresário Sérgio Cavalieri que, com o seu jeito mineiro de ser, preside o Grupo Asamar, holding que controla nove empresas, fatura R$ 10 bilhões por ano e emprega 24 mil trabalhadores Por Evaldo Pighini Embora seja paulista de nascimento, foi em Minas Gerais que o empresário Sérgio Cavalieri se criou, formou e chegou à presidência do Grupo Asamar, holding sediada em Belo Horizonte, que atualmente incorpora nove empresas, fatura R$ 10 bilhões por ano e emprega 24 mil trabalhadores diretos e indiretos. O jeito calmo e manso ao falar, e ao mesmo tempo determinado, não deixa dúvida quanto à origem de Cavalieri, que é filho de pais mineiros e tira dos seus princípios cristãos as diretrizes para conduzir os negócios da família, que foram passados de geração em geração - ele faz parte da terceira. Além do peculiar jeito mineiro e da religiosidade presentes na administração de Sérgio Cavalieri à frente do Grupo Asamar, a inovação é outra característica presente no DNA desse empresário, uma herança que ele procura sempre destacar e que veio dos fundadores da holding (o avô e dois tios-avôs), pioneiros em várias áreas como mineração, siderurgia e construção. Temos um princípio que diz: preferimos os erros dos que procuram inovar do que a mesmice dos acomodados, costuma dizer Cavalieri. Em sua opinião, a empresa que para no tempo corre risco de morte, portanto, segundo ele, com esse espírito de estar sempre em frente, o erro pode vir a acontecer justamente por causa da busca por algo melhor, que nada mais é que o fruto da inovação ou da ousadia. Um exemplo da inovação defendida pelo empresário ficou evidenciado na Ativas Data Center S/A, uma das empresas do Grupo Asamar, fundada em 2009, em Belo Horizonte, e onde, em 2011, foi implantado o mais moderno sistema de data center da América do Sul, que passou a funcionar com avançadas tecnologias, até então inéditas no país - a Ativas foi a única do seu segmento com a certificação Tier III, do Up Time Institute, empresa certificada dos Estados Unidos. Além da Ativas, a Codeme Engenharia S/A, outra empresa da holding Asamar, que trabalha com projetos, fabricação e montagem de estruturas em aço, é considerada a empresa mais inovadora em sua área de atuação, em função de seus constantes investimentos e desenvolvimento de processos construtivos em convênio com instituições de pesquisa no Brasil e exterior. A Sede do Grupo Asamar, em Belo Horizonte 12 Revista MERCADO Edição 54 Revista MERCADO Edição 54 13

8 capa Segundo consta, a história do Grupo Asamar começou em 1932, ano em que foi fundado pelos engenheiros Alberto Woods Soares, Amynthas Jacques de Moraes e Antônio Faria Ribeiro. A denominação ASAMAR deriva das iniciais desses três empreendedores, e o Grupo tinha como objetivo inicial atuar no segmento de construção pesada de obras públicas. Além do tempo dedicado aos negócios da família, Sérgio Cavalieri ainda encontra disposição para envolvimento em causas sociais, como sair por aí participando de eventos e proferindo palestras sobre sustentabilidade ou ocupar a presidência da Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE), instituição cujo desafio é levar a doutrina social cristã para o dia a dia das empresas. A ACDE foi fundada em 1932, por iniciativa de empresários europeus, e chegou ao Brasil na década de Atualmente, reúne mais de empresários brasileiros, dos quais 130 mineiros. Valores como ética, transparência, sustentabilidade, responsabilidade social e valorização do capital humano norteiam a ideologia que essa entidade se propôs a disseminar no mundo empresarial. E por isso, por ter abraçado essa causa, Sérgio Cavalieri afirma que o sucesso das empresas depende da adoção de uma gestão que valoriza acima de tudo o homem. Para ele, o capitalismo é voraz, privilegia o lucro. Cavalieri também garante que, com quase 80 anos de atividades empresariais ininterruptas, a preocupação socioambiental sempre veio em primeiro lugar, antes mesmo do lucro, como característica principal do Grupo Asamar, o que, convenhamos, não é tarefa fácil para quem atua em áreas da mineração e exploração de petróleo, tidas como nocivas ao meio ambiente. Com relação à Sustentabilidade, foi esse o motivo que deslocou Sérgio Cavalieri da cidade onde trabalha e mora - Belo Horizonte - até Uberlândia, no Triângulo Mineiro, para proferir palestra a um grupo de empresários na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) - Regional Vale do Paranaíba. Aliás, foi nessa oportunidade que a Revista MERCADO iniciou os primeiros contatos com o empresário para esta reportagem. O tema abordado por Cavalieri em sua apresentação foi Futuro Sustentável e o Equilíbrio do Desenvolvimento. Durante a palestra, foi possível à reportagem da MERCADO perceber a ênfase em frases como Uma empresa só funciona hoje, porque a sociedade dá a ela uma autorização, uma Grupo Asamar: pioneirismo desde sempre Mais tarde, em meados da década de 1950, ainda sob o comando da primeira geração da família e reforçado com a juventude da segunda geração, o Grupo diversificou suas atividades expandindo seus negócios para a área de mineração, equipamentos para a construção, energia elétrica, telefonia, indústria têxtil, siderurgia e metalurgia. Anos depois, na década de 1960 e já sob a liderança da segunda geração, as principais atividades do grupo passaram a ser cimento, concreto pré- -misturado, transporte rodoviário de carga, produção de álcool (a definição etanol ainda não estava em voga), reflorestamento, produção de madeira e Da esquerda para a direita, os fundadores do Grupo Asamar: Antônio Faria Ribeiro, Alberto Woods Soares e Amynthas Jacques de Moraes; e abaixo, a matriarca da família, a Dona Miluca licença social para funcionar, ou: O dinheiro não é tudo, e o capitalismo do jeito que foi concebido está com os dias contados. Questionado se emprega as máximas que prega na administração de suas empresas, Sérgio Cavalieri respondeu que o Grupo Asamar é orientado para as pessoas, sejam elas funcionários, clientes, fornecedores, comunidade ou a sociedade como um todo. Isso, porém, não significa a exclusão da busca por resultados econômico- -financeiros. Entretanto, ele ressalta que o diferencial do grupo é colocar as pessoas em primeiro lugar. Trabalhamos de forma a criar riqueza social e ao mesmo tempo econômica. Buscamos o lucro, mas não é de qualquer forma. Deve ser um lucro qualificado, saudável, que resulta depois de se remunerar bem os funcionários, preservar o meio ambiente, cumprir as obrigações com fornecedores, governo, propiciar condições dignas de trabalho, possibilidade de desenvolvimento das pessoas, tudo com extremo cuidado e zelo pelo ser humano, explica. carvão vegetal, agricultura e pecuária. Atualmente, agora sob o comando e a responsabilidade da terceira geração da família, que tem à frente Sérgio Cavalieri, o Grupo Asamar atua nas áreas de distribuição de combustíveis líquidos, asfalto e lubrificantes, incorporação e construção imobiliária, operação de imóveis e hotelaria, construção em aço, exploração e produção de petróleo, reflorestamento e produtos de madeira e tecnologia da informação. Com atuação nacional, o Grupo Asamar gera empregos diretos e cerca de 20 mil indiretos, por atuação das nove empresas que integram a holding. São elas: AleSat Combustíveis, Alvorada Petróleo, Ativas Data Center, Codeme Engenharia, Metasa, MASB Desenvolvimento Imobiliário, Metform, Nova Esperança S/A e Touro Serviços Rurais Ltda. Juntas, essas empresas rendem ao grupo R$ 10 bilhões por ano. Alvorada Petróleo S/A - Essa empresa foi criada com o objetivo de investir no mercado de exploração e produção de petróleo e gás natural. Para tanto, adquiriu em 2005 três campos maduros na 7ª Rodada de Licitação, patrocinada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em 2007, a Alvorada adquiriu mais 11 blocos exploratórios na Bacia do Recôncavo Baiano, na 9ª Rodada da ANP. Codeme Engenharia S/A - Fundada em 1980, a Codeme conta hoje com mais de 2 mil obras edificadas em todo o Brasil e também no exterior. Esse extenso portfólio de negócios é resultado de contínuos investimentos na formação de pessoas e em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias. Isso - aliado a um amplo domínio das etapas construtivas e de suas interfaces, por meio da atuação direta no cálculo, detalhamento, fabricação e montagem das construções em aço - faz com que a Codeme seja reconhecida no mercado como uma empresa de vanguarda, capaz de oferecer as mais avançadas soluções de engenharia e Uma a uma, as empresas que integram o Grupo Asamar Um dos poços pertencentes à Alvorada, empresa do Grupo Asamar que explora petróleo no Recôncavo Baiano proporcionar inúmeros diferenciais competitivos a seus clientes. O know how de integração de processos, aliado a uma engenharia de ponta e à alta tecnologia de fabricação, resulta em soluções racionalizadas, que a Codeme disponibiliza ao mercado em quatro segmentos distintos: Prédios Industriais (Mineração, Siderurgia, Metalurgia, Cimentos e outros); Galpões Comerciais e Industriais; Sistemas de Cobertura (Centros de Distribuição, Hipermercados e outros); Edifícios de Andares Múltiplos (Shopping Centers, Escolas, Hospitais, Hotéis, Escritórios Comerciais e outros). Ativas Data Center S/A - A Ativas, o primeiro Data Center Tier 3 de Minas Gerais, tem como um de seus princípios a busca de agregação de valor e a construção de relacionamentos duradouros e sustentáveis com os clientes e parceiros, sendo um marco no desenvolvimento do mercado de TI do estado. É uma empresa de abrangência nacional e representa uma oportunidade, com diferenciais competitivos, para empresas mineiras terceirizarem a hospedagem da sua base de informações, bem como uma nova opção para aquelas que já utilizam os benefícios do outsourcing em outros locais do Brasil. A Ativas, que custou ao grupo o investimento de R$ 50 milhões, ocupa o espaço de m² de uma área total de 30 mil m², na região metropolitana de Belo Horizonte. A Sede da Ativas, empresa que custou ao Grupo Asamar o investimento de R$ 50 milhões. Foi o primeiro Data Center Tier 3 de Minas Gerais Revista MERCADO Edição 54 15

9 capa Metform S/A - A Metform é uma empresa voltada ao mercado de produtos de aço para construção, apresentando uma linha completa de produtos, tais como, telhas, steel deck e perfis formados a frio de alta performance. Na produção dos perfis de aço, a Metform faz uso exclusivo de sua própria tecnologia, que permite redução do peso da obra, vãos de até 15 metros entre tesouras e redução no prazo de construção. A Metform oferece ainda assistência técnica integral na aplicação de seus produtos, softwares para cálculo e dimensionamento de perfis atestados pela UFMG e USP - São Carlos. Para assegurar qualidade e custos reduzidos, a Metform investe permanentemente no desenvolvimento de produtos, processos e nos sistemas mais avançados de construção em aço. Masb Desenvolvimento Imobiliário S/A - Fundada em 2007, a Masb Desenvolvimento Imobiliário foi criada para suceder e ampliar as atividades até então empreendidas pela Metro, empresa pertencente ao Grupo Asamar desde Com atuação no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil, a Masb é uma das maiores empresas do setor, atuando nos segmentos residencial multifamiliar, comercial, condomínios, loteamentos, hotéis e resorts. Nova Esperança S/A e Touro Serviços Rurais Ltda - A produção e a comercialização de produtos de madeira a partir do eucalipto é uma atividade exercida por essas duas empresas do Grupo Asamar - Nova Esperança e Touro Serviços Rurais. Para isso, o grupo possui uma propriedade com ha de terras no norte de Minas Gerais e Vale do Jequitinhonha, plantados com Eucalyptus cloeziana. A finalidade é a produção de madeira tratada para atender a construção civil urbana e rural, a construção de cercas, galpões e postes para eletrificação. No caso da Touro, o processo usado no tratamento de madeira garante, por 15 anos, durabilidade e proteção contra fungos, furadores marinhos, brocas e cupins. Já a Nova esperança, a partir de 2010, iniciou também a produção de chips (cavaco) de madeira de eucalipto, para abastecimento de empresas que utilizam esse produto para geração de energia em substituição ao óleo combustível. Metasa S/A - O Grupo Asamar é sócio no capital dessa indústria de metalurgia gaúcha, que é considerada uma das maiores companhias do segmento de estruturas metálicas do país. A Metasa possui fábricas em Marau (RS) e Santo André (SP), fábricas essas que, juntas, produzem cerca de 4,5 mil toneladas por mês, atuando nas áreas de óleo e gás. E é uma das indústrias do Rio Grande do Sul mais beneficiadas pelo polo naval de Rio Grande, já que fornece produtos para as plataformas da Petrobras. Em faturamento, a maior empresa do Grupo Asamar Base da ALE, em Betim, maior empresa do Grupo Asamar. Em números: R$ 8 bilhões por ano de faturamento, postos em 22 estados brasileiros, 18 mil empregos diretos e indiretos, 5 bilhões de litros de combustíveis comercializados Cultivo de eucaliptos no norte de Minas para atender a demanda das empresas Nova Esperança e Touro Serviços Rurais Umas das nove empresas que integram o Grupo Asamar, a AleSat S/A, foi fundada em 1996 e em pouco tempo conquistou uma importante fatia no mercado distribuidor de combustíveis brasileiro. Hoje, a ALE, como é mais conhecida, já é a quarta maior distribuidora de combustíveis do Brasil. Regularmente filiada ao Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), essa empresa possui uma rede de cerca de postos em 22 estados brasileiros. Em 2011, a companhia faturou R$ 8 bilhões e prevê para este ano atingir a cifra de R$ 9 bilhões em faturamento, para isso, acrescentando à sua rede distribuidora 200 novos postos revendedores. Conforme o último balanço, A ALE gera 18 mil empregos diretos e indiretos, comercializa e distribui quase 5 bilhões de litros de combustíveis para 5 mil clientes. Em 2012, pelo 10º ano consecutivo, a ALE recebeu o Prêmio Consumidor Moderno de Excelência em Serviços ao Cliente na categoria Petróleo. Essa premiação, organizada pelo Grupo Padrão, identifica e difunde as melhores práticas em serviços ao cliente no Brasil e reconhece as empresas que privilegiam a excelência no atendimento, não só conquistando novos consumidores, mas, principalmente, mantendo alto índice de satisfação e fidelidade. Isso implica dizer que a conquista do prêmio está relacionada ao fato de a companhia entender como estratégicas as ações de relacionamento com o cliente. Intrinsecamente, essa conquista tem a ver com a valorização das pessoas, aquilo que disse anteriormente o presidente do Grupo Asamar, que a holding que administra trabalha orientada para as pessoas, entre as quais, além de funcionários, fornecedores e comunidade, também os clientes. A Revista MERCADO conversou com Sérgio Cavalieri para saber um pouco mais sobre o Grupo Asamar, como começou e como é a sua história dentro da holding e o seu jeito de administrar. Confira! A 16 Revista MERCADO Edição 54 Revista MERCADO Edição 54 17

10 capa MERCADO: Como foi o seu início no Grupo Asamar? Sérgio Cavalieri: Entrei para o Grupo Asamar logo após me formar em Engenharia Civil, em São Paulo, convidado por um tio. Comecei a trabalhar como engenheiro de obras, na expansão da Fábrica de Cimento Montes Claros, que na época pertencia à família. Isso foi no início de Fui o primeiro membro da terceira geração a ingressar no Grupo Asamar. MERCADO: Quem foram os seus antecessores na direção do grupo Asamar? Diretamente, herdou de quem a presidência do grupo? Cavalieri: O Grupo Asamar foi fundado pelo meu avô com dois cunhados em Eles permaneceram no comando até a década de 1960, quando então assumiram os seus filhos de maneira bastante natural. Na época, o principal negócio era a construção de obras públicas, e a segunda geração, constituída na sua maioria por engenheiros, foi ingressando para trabalhar nas frentes de serviço nos canteiros de obras espalhados pelo Brasil. A passagem para a terceira geração foi planejada por mais de dez anos, com o apoio de consultores e especialistas nesse assunto. Fato determinante nessa transição foi a venda de importantes negócios do Grupo em 1996 para a multinacional francesa Lafarge. A partir daí, os acionistas da segunda geração assumiram o papel de conselheiros da holding e nós, da terceira geração, a posição de diretores da holding e conselheiros das empresas nas quais investimos. MERCADO: O senhor prega a valorização das pessoas antes do lucro na sua administração, enfim, qual a sua visão de negócio? Cavalieri: Tenho uma formação católica muito forte e herdei da minha família os valores cristãos que dizem respeito em primeiro lugar a amar a Deus e ao próximo. Procuro seguir esse mandamento que, no dia a dia das empresas, significa respeito pelas pessoas. Minha visão é que, independente do negócio e das circunstâncias, o ser humano vem em primeiro lugar. Sou presidente em Minas e no Brasil da Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa, e a principal bandeira da entidade é empreender com ética baseada nos valores cristãos. Isso significa que o dirigente deve se relacionar com as pessoas com transparência, verdade, justiça, solidariedade, humildade, e aqui me refiro a todas as pessoas que interagem com a empresa, não só funcionários. Existem inúmeros casos que comprovam que as empresas administradas dessa forma têm mais sucesso, são mais perenes e sustentáveis. MERCADO: Existe segredo para o seu sucesso e, consequentemente, do grupo Asamar? Cavalieri: É meio arriscado passar uma receita de sucesso, pois cada caso é um caso. Alguns ingredientes são fundamentais, como planejamento, equipe, processos, bons produtos e serviços, controle, rigor com as finanças, tecnologia, inovação, mas eu diria que, acima de tudo, vem a ética e o compromisso com as pessoas, e muita disposição para o trabalho. MERCADO: O senhor valoriza tanto as pessoas, então como lida com os seus subordinados? Cavalieri: Essa é a parte que me dá mais prazer no trabalho, o relacionamento com as pessoas. Gosto de estar junto da equipe, saber diretamente das pessoas como as coisas estão progredindo, os problemas e as iniciativas que tiveram para superar os desafios, procuro saber como empresas e funcionários podem colaborar para sermos mais competitivos e alcançarmos resultados superiores. Além do mais, gosto de conversar com eles para sentir como está o ambiente de trabalho, se estão felizes, e como estão suas famílias. Diria que é uma relação muito fraterna, transparente, verdadeira, muito mais de amizade que de superior e subordinado. Logicamente que isso não quer dizer que não haja metas, muita cobrança, disciplina e até demissões, mas sempre com muito respeito. Minha visão é que, independente do negócio e das circunstâncias, o ser humano vem em primeiro lugar MERCADO: Como é administrar um grupo com o tamanho e a receita do Asamar, e ainda encontrar tempo para cumprir compromissos sociais, como o que o trouxe a Uberlândia, que foi proferir palestra em defesa da sustentabilidade nas empresas? Cavalieri: O Grupo Asamar é composto de um grande número de empresas como você mencionou, mas nos posicionamos como investidores na maior parte dessas empresas, ou seja, os donos dessas empresas são os acionistas da família Asamar, em conjunto com acionistas externos à família. Cada empresa tem estrutura societária diferente da outra, de maneira que cada uma tem sua própria gestão. Nós, da Asamar, participamos do conselho de administração dessas empresas, mas não estamos no dia a dia dos negócios, que são conduzidos por executivos de mercado. Além do mais, somos uma equipe de seis pessoas da terceira geração que acompanha os negócios. Esse arranjo acaba possibilitando que eu me envolva em um bom número de atividades paralelas, como Fiemg, CNI, ADCE, Uniapac, PUC Minas, entre outras. É verdade, essas atribuições consomem tempo e representam um sacrifício adicional, mas sempre arrumo um tempo para contribuir para um mundo melhor por amor ao próximo. Algo dentro de mim me impulsiona para esse trabalho voluntário, sem dúvida tem a ver com a minha formação católica, é uma forma de retribuir tudo o que recebi da sociedade gratuitamente. Eu me sinto muito bem fazendo isso, mesmo que represente mais cansaço, menos horas de sono e privação da própria família e de momentos de lazer. Confesso que minha esposa é uma santa, pois não paro de inventar atividades. Tenho muita dificuldade de negar ajuda para quem me procura e dizer não para esse tipo de trabalho. MERCADO: Como é defender a sustentabilidade, se tem negócios fundamentados em empresas consideradas nocivas ao meio ambiente, que exploram atividades como mineração (cimento, como foi no passado) e a produção de petróleo e a distribuição de combustíveis? Cavalieri: Para mim, é um grande desafio e ao mesmo tempo uma grande motivação, pois sou obrigado a fazer na prática o que defendo em teoria nas palestras, como esta que proferi aqui na Fiemg em Uberlândia. Não somente eu, mas todos nós, do Grupo Asamar, e as equipes das empresas que investimos somos obcecados pelo tema da responsabilidade social e da sustentabilidade. Quem quiser sobreviver empresarialmente no mundo atual, tem de entender e administrar as relações do seu negócio com os vários públicos com que interage. É preciso um monitoramento permanente e atitudes diárias para minimizar os impactos negativos na sociedade e ampliar os impactos positivos. Isso só é possível mediante um olhar para dentro e para fora da empresa, uma visão humanizada, com sensibilidade que vai além da análise fria dos números e resultados financeiros. Essa foi a mensagem que deixamos também nesta visita à Uberlândia, em um encontro que tivemos com cerca de 70 empresários convidados pelo Bispo Dom Paulo Francisco Machado, para apresentar a ADCE e fundarmos uma Quem quiser sobreviver empresarialmente no mundo atual, tem de entender e administrar as relações do seu negócio com os vários públicos com que interage regional da entidade aqui na cidade. Administrar hoje em dia é uma tarefa mais complexa e que requer mais dos gestores. É preciso criar de forma sustentada valor econômico e social, construir empresas que sejam administradas por pessoas e para as pessoas, que sejam admiradas e relevantes para a sociedade. Empresas que sejam altamente produtivas, plenamente humanas e socialmente responsáveis, comprometidas com o hoje e com o amanhã. MERCADO: O senhor defende a tese de que o dinheiro não é tudo e de que o capitalismo no molde que foi criado está com os dias contados, ou já era. Explique melhor isso. Cavalieri: Quando o pensamento social cristão nos ensina que o primeiro objetivo da economia e da empresa é servir ao ser humano, significa que todas as pessoas inseridas nos grupos de interesse que se relacionam com a empresa devem ser convenientemente atendidas. O nosso modelo mental não está preparado para esse novo enfoque. Por exemplo, por que se busca o lucro máximo, pagando o salário mínimo? Essa relação está invertida. O acionista tem o direito de receber uma remuneração de acordo com o capital investido e o risco corrido, mas também tem o dever de fazer com que o funcionário tenha a máxima remuneração possível e seja plenamente atendido não só no aspecto material, mas também mental e espiritual. Por outro lado, quando afirmo que o capitalismo à moda antiga está vencido, eu me refiro àquele modelo em que o mercado é rei e soberano, tudo quer, tudo pode e tudo deve ser feito em seu nome. Isso não é mais aceito nem é sustentável. O gestor precisa perceber que os desafios do mundo moderno se ampliaram. A empresa deve produzir com a máxima qualidade os produtos e serviços para os seus clientes e, ao mesmo tempo, preservar o meio ambiente, pagar a máxima remuneração para os colaboradores, tratar adequadamente seus fornecedores, pagar corretamente os tributos ao governo, tratar lealmente seus concorrentes, cuidar da comunidade que gravita em torno do negócio e gerar dividendos compensatórios para os investidores. Esse é o novo modelo que vai prevalecer no século XXI, um modelo mais inclusivo, mais solidário, um capitalismo menos exacerbado e mais compassivo, em que o social A 18 Revista MERCADO Edição 54 Revista MERCADO Edição 54 19

11 capa prevalece sobre o financeiro, e os executivos são movidos pelo desejo de construir empresas melhores para um mundo melhor. Só assim, o dirigente e a empresa cumprem seu papel social e garantem a perenidade da organização. MERCADO: Em sua palestra, o senhor apregoa o cristianismo inter- -relacionado com o mundo dos negócios. Explique melhor. Cavalieri: O Cristianismo prega o amor, e a melhor orientação que se pode dar para um executivo atualmente é gerir com amor. Como o primeiro objetivo de uma empresa deve ser atender ao ser humano, isso só é possível com a prática de uma gestão amorosa. A empresa é um ente sem vida, um CNPJ apenas. O que dá alma para a empresa são os vários CPFs que fazem parte desse ecossistema que interage e depende do mundo externo. Existe uma relação de interdependência entre a empresa e os grupos de pessoas que interagem com ela e, para que esse sistema mantenha um bom equilíbrio, é fundamental que todas essas pessoas estejam bem atendidas, valorizadas e tenham sua dignidade respeitada. Não se trata apenas de uma relação fria de negócios, de números. Antes de qualquer coisa, é uma relação entre pessoas e, para que essa relação seja harmônica e se perenize, é preciso amor. MERCADO: Quais conselhos daria a um empresário que queira progredir no contexto atual do mundo dos negócios? Cavalieri: Utilize todas as ferramentas tradicionais que aprendeu nas escolas de administração, nos cursos de formação e especialização de executivos, nos MBAs, e agregue a estas esse conceito novo, que é a revolução na gestão de negócios daqui para frente - coloque verdadeiramente a pessoa no centro do seu negócio e siga no dia a dia a ética baseada nos valores cristãos. Lembre que sua empresa foi feita para servir, servir aos outros, servir as pessoas. Preste muita atenção se está tratando de forma digna todas as pessoas que interagem com a sua empresa. Elas precisam estar felizes, com sorriso no rosto, brilho nos olhos, gostar de trabalhar para você. Respeite seus clientes para que eles desejem sua marca. Seja leal aos seus fornecedores, que eles vão gostar de se relacionar com sua empresa. Concorra lealmente e os concorrentes vão respeitar a forma como atua e compete. A empresa é um ente sem vida, um CNPJ apenas. O que dá alma para a empresa são os vários CPFs Cumpra suas obrigações com o governo e ele e a comunidade vão reconhecer sua empresa como uma empresa do bem. Afirmo que isso não custa mais caro, não tira a competitividade da empresa, ao contrário, agindo assim são alcançados resultados superiores e será criada uma empresa que cria valor e é perene. B

12 comércio Mais por menos Classe C: o que esse consumidor quer agora? Década de 1970: mercado com crescimento semelhante ao atual, quando boa parte da população migrou do campo para a cidade e começou a adquirir bens de consumo duráveis, como, por exemplo, automóveis De acordo com a pesquisa, a nova forma de comprar do brasileiro emergente pode ser chamada de mais por menos. São pessoas cada vez mais exigentes com o que escolhem, mas que são conscientes na hora de gastar. Apesar de ainda haver uma demanda reprimida, entre produtos e serviços que estão sendo incorporados pela nova classe média estão computadores e notebooks, TVs a cabo, viagens de férias e, aos poucos, a priorização da educação. Os atributos mais valorizados, segundo a pesquisa, são preço, variedade, qualidade e marca. O preço porque ainda continua sendo relevante, a variedade porque o consumidor emergente busca mais alternativas para fazer suas escolhas, o que nos leva ao terceiro e quarto atributos: ele tem preocupação com durabilidade e segurança e, surpreendentemente, passa a referenciar marcas de predileção entre as suas escolhas, muito mais que puramente produto versus preço, explica Horta. Ainda assim, as marcas pecam por não segmentarem e a relação com os novos consumidores acaba sendo um calcanhar de Aquiles. O estudo indica que é preciso criar uma experiência memorável no ato da compra, focando principalmente em um atendimento mais eficiente, que cumpra o que promete. É preciso prestar atenção aos desejos efetivos desse consumidor em vez de tentar empurrar uma alternativa qualquer para ele. Curiosamente, existe no Brasil uma percepção equivocada de que o nível de atendimento existente por aqui é muito bom, particularmente por confundir afetividade e sorriso fácil com eficácia, completa o executivo. Pesquisa mostra que momento econômico da nova classe média não é único: ele já existiu em Diferencial de agora é a consciência e influência do brasileiro Do Mundo Marketing A incorporação da classe C no mercado de consumo no Brasil não é novidade e as marcas não devem encarar esses consumidores como uma massa uniforme. A economia estável dos últimos dez anos do país possibilitou também a estabilidade e o amadurecimento da nova classe média. Antes apenas colocada como potencial compradora, a baixa renda é influenciadora e o mercado deve abrir os olhos para segmentar suas ações. Apesar de ser considerada uma revolução do ponto de vista econômico, a guinada de 40 milhões de pessoas que saíram da linha de pobreza e se fixaram no mercado de consumo entre 2003 e 2011 não é um momento único no país. De acordo com a pesquisa O que mudou, para quem mudou? Entender, prever e atender o consumo emergente, da GS&MD - Gouvêa de Souza, apresentada no 15º Fórum de Varejo da América Latina, o Brasil passou por crescimento semelhante ou até mais significativo na década de 1970, quando boa parte da população migrou do campo para a cidade e começou a adquirir bens de consumo duráveis, como automóveis. Quarenta anos depois, a grande diferença está na forma com a qual o consumidor se relaciona com as marcas e na ampliação dos canais que esses grupos podem usar para conversar com seu público. Antes focadas no rádio e na televisão, a comunicação das empresas se estendeu para o campo digital, onde é necessária uma adaptação e adequação da linguagem. Outra diferença entre o Brasil de 1970 e o atual é o desejo da nova classe média. Se antes havia a busca pela elitização, atualmente os consumidores emergentes sabem o que querem. No passado, o aumento da renda fazia com que essas pessoas assumissem padrões que não eram de sua classe. Um exemplo claro é daqueles que enricavam e, para mostrar status, saíam de seus bairros. Hoje, além de o consumidor ficar na periferia, ele faz questão de lembrar suas raízes e de usar suas referências, afirma Alexandre Horta, sócio-sênior da GS&MD - Gouvêa de Souza em entrevista ao Mundo do Marketing. O consumidor emergente atual surgiu com um nível de consciência sobre seus desejos, com conhecimento dos canais onde ele pode expressá-los e crítica muito maior Sortimento e comunicação A entrada definitiva dos consumidores mais por menos acaba definindo dois movimentos paralelos no Brasil, segundo a pesquisa. De um lado, a imagem de estabilização financeira pela qual o país passou agregou um grupo imenso de novos consumidores ao mercado, o que atraiu a ambição de novas marcas, produtos e operadores de varejo internacionais. Para se estabelecerem, esses grupos tendem a atacar inicialmente alguma posição de nicho, mais fácil de oferecer uma vantagem superior por meio de estratégia segmentada. Do outro lado, esse consumidor emergente surgiu com um nível de consciência sobre seus desejos, com conhecimento dos canais onde ele pode expressá-los e crítica muito maior, exercendo uma pressão sobre o mercado para que ele busque alternativas para satisfazê-lo. Ou seja, essa evolução será fruto tanto da resposta daqueles já estabelecidos no Brasil com a intensificação da concorrência dos de fora, como de uma maior exigência dos consumidores em relação à existência de soluções mais identificadas com os seus interesses e desejos, avalia Horta. A alternativa para as marcas se exporem, dialogarem e segmentarem seus produtos está na conveniência para o consumidor. O sortimento tem que estar alinhado à proposta de valor e ao foco de quem vai comprar. Não adianta oferecer algo que não faça parte dos hábitos daquela classe social, com preços que não sejam atraentes. Do ponto de vista da comunicação, a linguagem tem que ser direta e objetiva, enfatizando os benefícios e vantagens do produto. Não pode haver proselitismo. Um erro fatal em tempos de maior consciência do consumidor e de maiores alternativas para ele exercer a sua crítica é tentar dourar a pílula em relação a um determinado produto, criando falsas expectativas e posteriores decepções. Menos nessa situação sempre será mais, afirma Alexandre Horta. B 22 Revista MERCADO Edição 54 Revista MERCADO Edição 54 23

13 política O diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão, durante a apresentação do estudo sobre desembolsos governamentais entre 1995 e 2010: o valor saltou de R$ 234 bilhões para R$ 638,5 bilhões no período Gastos sociais do governo subiram mais de R$ 400 bi em 16 anos Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), valor representa um aumento de 11,24%, em 1995, para 15,54%, em 2010 Da Agência Brasil Foto: Elza Fiúza/Abr Os gastos do governo federal na área social cresceram de R$ 234 bilhões para R$ 638,5 bilhões em 16 anos, um aumento de 172%, descontada a inflação do período, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A informação foi divulgada no início de setembro pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que apresentou estudo sobre os desembolsos governamentais entre 1995 e Em termos de Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país), o valor passou de 11,24% do PIB, em 1995, para 15,54%, em Os gastos sociais incluem despesas com Previdência Social, saúde, educação, assistência social, trabalho e renda, desenvolvimento agrário, habitação e urbanismo, alimentação e nutrição (incluindo merenda escolar), saneamento básico e cultura, além de benefícios a servidores públicos. Os principais responsáveis pelo aumento dos gastos de 1995 a 2010 foram Previdência, assistência social, educação e ha- bitação e o urbanismo, sendo que, nesse último, o crescimento dos investimentos se concentra a partir de 2008, como reflexo de iniciativas como o Programa Minha Casa, Minha Vida e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os gastos com a Previdência, tradicionalmente a maior consumidora de recursos, saltaram de 4,98% para 7,38% do PIB em 16 anos. Em valores correntes, subiram de R$ 103,7 bilhões para R$ 303,5 bilhões. Segundo o Ipea, os recursos destinados à assistência social demonstraram uma trajetória de elevação contínua, passando de 0,08% do PIB para 1,07% de 1995 a O ano de 2010 foi o primeiro em que os gastos federais nessa área ultrapassaram a barreira de 1% do Produto Interno Bruto. Na avaliação do Ipea, programas de transferência de renda - como o Bolsa Família - contribuíram para a alta expressiva. Programas de transferência de renda - como o Bolsa Família - contribuíram para a alta expressiva nos gastos do governo federal, segundo o IPEA No caso da educação, em 1995 os investimentos correspondiam a 0,95% do PIB e, há dois anos, chegaram a 1,11%. Já as despesas com habitação e urbanismo no período passaram de 0,11% do Produto Interno Bruto para 0,81%. O diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão, disse que os destaques do resultado são o aumento dos investimentos em infraestrutura - representados pela área de habitação e urbanismo - e a recuperação do poder de gasto com a educação. Ele destacou ainda que o gasto social é fundamental para se combater a pobreza e para a queda da desigualdade. Entre as áreas que não foram prioritárias no investimento do governo federal, destacam-se os benefícios a servidores públicos - em valores monetários, os gastos cresceram de R$ 51,5 bilhões para R$ 93,1 bilhões, mas a participação no PIB ficou praticamente estável, passando de 2,46% a 2,26%. O governo realmente não deu prioridade aos gastos com o servidor. Benefícios como auxílio ao plano de saúde, creche e transporte foram mantidos, mas de forma cristalizada, sem aumento real, a inflação foi comendo, avaliou Jorge Abrahão. O governo realmente não deu prioridade aos gastos com o servidor Os gastos com saúde também permaneceram estáveis em relação ao Produto Interno Bruto. Embora tenham subido de R$ 37,3 bilhões para R$ 68,6 bilhões de 1995 a 2010, abocanharam praticamente a mesma parcela do PIB: o percentual passou de 1,79% a 1,68% no período. Infelizmente, não houve aumento nos gastos com saúde, disse Jorge Abrahão. A divulgação do Ipea inclui apenas gastos federais, não levando em conta verbas despendidas por estados e municípios.b 24 Revista MERCADO Edição 54 Revista MERCADO Edição 54 25

14 eleições 2012 Foto: Beto Oliveira/ Portraits Na que foi a maior votação conquistada por um candidato político em toda a história das eleições até então realizadas em Uberlândia, o petista Gilmar Machado foi eleito em primeiro turno prefeito do município, conquistando expressivos votos, o que representou 68,72 % dos votos válidos apurados. Os outros dois concorrentes, o deputado Luiz Humberto Carneiro (PSDB) e o professor Gilberto Cunha (PSTU), obtiveram votos (28,08% dos votos válidos) e votos (3,20%), respectivamente. Uberlândia possui atualmente eleitores, dos quais foram às urnas na eleição de outubro para eleger prefeito e vereadores. No total, foram registrados votos válidos, brancos e nulos. Deixaram de votar pessoas. Algumas particularidades marcam a eleição de Gilmar Machado, que é deputado federal por Uberlândia. Essa é a primeira vez que um candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) e também que um homem negro e, além disso, evangélico, assume o cargo mais alto no município. Gilmar Machado assume a prefeitura no dia 1o de janeiro de 2013, em lugar de Odelmo Leão (PP). Uberlândia - Emancipada de Uberaba em 1888, Uberlândia é o maior e mais populoso município da região do Triângulo e o segundo de Minas Gerais, atrás apenas da capital, Belo Horizonte. Com população atual de aproximadamente 620 mil habitantes, Uberlândia tem cerca de 445 mil eleitores, segundo dados atualizados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nas eleições deste ano, três candidatos concorreram ao cargo de prefeito: Gilberto Cunha (PSTU), Gilmar Machado (PT) e Luiz Humberto Carneiro (PSDB). O atual prefeito, Odelmo Leão (PP), não pôde concorrer por já estar cumprindo o segundo mandato consecutivo. Para vereador, disputaram as eleições de candidatos para 27 vagas. Para 2013, conforme o projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) aprovado pelos atuais vereadores, o prefeito eleito de Uberlândia terá um orçamento superior a R$ 1,7 bilhão para administrar. A aplicação dos recursos também foi apresentada por áreas de atuação do governo. Assim sendo, em áreas de maior visibilidade e normalmente alvo das maiores cobranças por parte da população, como Saúde, Educação e Segurança, as verbas foram destinadas da seguinte forma: R$ 404,8 milhões para a Saúde, R$ 329,5 milhões para a Educação e R$ 29 milhões para Segurança, Trânsito e Defesa Social. Diante disso, a Revista MERCADO apresenta o perfil do prefeito eleito, Gilmar Machado (PT), e um resumo de suas propostas para as áreas da Saúde, Educação e Segurança, que nos últimos anos têm sido o calcanhar de Aquiles dos governos federal, estadual e municipal. Confira: Gilmar Machado, o prefeito eleito de Uberlândia Gilmar Machado é o eleito de Uberlândia Candidato petista vence as eleições na segunda maior cidade de Minas Gerais, com votos, 68,72% dos votos válidos Por Evaldo Pighini Eleito deputado estadual por duas vezes, Gilmar Alves Machado, 50 anos, é deputado federal desde 1999, tendo sido reeleito com mais de 192 mil votos para o quarto mandato. Líder e vice-líder dos governos Lula e Dilma no Congresso Nacional por seis vezes consecutivas, Gilmar figura há sete anos na lista dos 100 parlamentares mais influentes do país, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). A 26 Revista MERCADO Edição 54 Revista MERCADO Edição 54 27

15 eleições 2012 Cidade que Gilmar Machado vai administrar tem cerca de 620 mil habitantes e um orçamento anual superior a R$ 1,7 bilhão para 2013 Casado com a cirurgiã-dentista Rosângela Borges Paniago Machado, pai de dois filhos, o deputado é membro da Igreja Batista Central de Uberlândia. Formado em História pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), foi relator da LDO e do Estatuto do Torcedor, é autor da lei que cria a APP da bacia do Rio Uberabinha, da Emenda Constitucional que deu origem ao Plano Nacional de Cultura e da medida que reduziu a taxa de juros e ampliou o prazo de pagamento do FIES. Gilmar Machado, agora, a partir de 1º de janeiro de 2013, assume o cargo de prefeito de Uberlândia, para onde foi conduzido pela vontade de mais de 236 mil eleitores uberlandenses. Proposta para a Saúde A saúde em Uberlândia avançou nos últimos anos, mas ainda há muito o que fazer. Tenho andado muito pela cidade e percebido que nas UAIs a população tem sofrido bastante com a demora por atendimento e marcação de consultas e exames. Por isso, um dos nossos compromissos nessa área é a adoção de um sistema de marcação de consultas e exames via telefone e internet. Outra ação importante é a ampliação do Programa Saúde da Família. Além de dobrar o número de equipes, queremos acrescentar assistente social, psicólogo e dentista. Em minha gestão, Uberlândia vai ter o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o SAMU. Hoje, a cobertura do serviço corresponde a 65% da população brasileira, e o Ministério da Saúde pretende ter 100% de cobertura do SAMU até o final de Vamos implantar também três UPAs, Unidades de Pronto Atendimento, que contam com laboratórios, leitos para observação e realizam exames e pequenas cirurgias. SAMU e UPAs trabalharão integrados no atendimento às urgências e emergências. Outra prioridade é trazer o programa Brasil Sorridente para atender a nossa população adulta e idosa, que hoje não conta com Centro de Especialidade Odontológica nem oferta de próteses. E o Hospital Municipal continua voltado apenas para o atendimento da população de Uberlândia. Proposta para a Segurança Tenho dito sempre que segurança é responsabilidade também do Município. E para cobrar qualquer investimento dos governos estadual e federal, é preciso antes fazer o dever de casa. E eu, como prefeito, vou cumprir o que determina a Lei Orgânica do Município. Desde 1989, a lei diz que Uberlândia terá a Guarda Municipal, mas até hoje ela não saiu do papel. Vou implantar a Guarda Municipal, que tem uma função bem distinta da dos agentes patrimoniais e dos agentes de trânsito. A Guarda atua na proteção dos bens, serviços e instalações do município. Outra ação é intensificar a segurança nos centros comerciais de bairros, levando o sistema de videomonitoramento para as regiões mais distantes do centro. Vamos começar pelas regiões do São Jorge e do Luizote de Freitas. Ao dar mais segurança, você fortalece o comércio nessas regiões e abre novas oportunidades. Também é preciso dar mais tranquilidade aos nossos jovens e professores, com a elaboração de um programa de segurança nas escolas. Junto a isso, teremos ainda um Plano Municipal de Segurança Pública com foco na prevenção da violência e da criminalidade. Segurança é um direito do cidadão. E não é só na cidade, o homem do campo, o produtor rural, também precisa de mais segurança. Queremos ampliar o trabalho da patrulha rural em Uberlândia. Proposta para a Educação Quero que Uberlândia seja reconhecida como a Cidade da Educação. Como prioridade, vou implantar a Escola de Tempo Integral, que abrange os jovens até 14 anos. Pela manhã, os alunos ficam em sala de aula aprendendo o conteúdo essencial à sua formação. À tarde, haverá atividades complementares, como informática, esporte, lazer, artesanato. E à noite, a escola será aproveitada para a comunidade adulta, para a realização de eventos, reuniões, apresentações. Vou dar também atenção especial à educação infantil, para que nenhuma criança de 0 a 6 anos fique fora da creche ou Emei. Nas regiões onde ainda não há uma escola infantil, nós vamos construir uma unidade. Em outros bairros, vamos ampliar as unidades existentes. Também vamos estabelecer uma política de valorização dos profissionais da educação infantil, bem como respeitar o piso nacional para os profissionais da educação. É de minha autoria a emenda que destina recursos federais para o projeto da Cidade Universitária, que abrigará o Campus Glória da UFU. Trata-se de um complexo educacional inovador e sustentável, que será referência para todo o país. Junto com a UFU, vamos implantar nesse campus o Parque das Ciências, que vai ajudar os estudantes na hora de fazer a escolha por uma profissão. B 28 Revista MERCADO Edição 54 Revista MERCADO Edição 54 29

16 educação O kit é elaborado com foco nos alunos do 1º ano do ensino fundamental Em setembro, o 2º Encontro Nacional do Projeto Trilhas reuniu 200 profissionais de Educação em Salvador, na Bahia Exemplo a ser seguido Projeto Trilhas, do Instituto Natura, chega a mais de duas mil escolas da rede pública de Minas Gerais; material didático vai apoiar professores na alfabetização de crianças do ensino fundamental em mais de 200 municípios do estado Foto: Divulgação Foto: Divulgação O kit foi distribuído a 296 municípios do estado, entre eles, os considerados prioritários pelo MEC por terem recebido nota abaixo da média no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2009, como, por exemplo, o município de Conceição das Alagoas, que obteve 4.7 no Ideb daquele ano e a meta era atingir 4.8. Fonte: dados retirados do endereço eletrônico ideb.inep.gov.br Para a realização do projeto no estado de Minas Gerais, 169 formadores locais (representantes técnicos das Secretarias de Educação Municipais e Estaduais) foram envolvidos. Eles fazem parte da Rede de Ancoragem do Projeto Trilhas, formada por representantes do Consed (Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação), da Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação) e professores universitários, além de representantes dos estados e municípios contemplados, diretores pedagógicos e professores. Essa grande rede é responsável por auxiliar a implementação do projeto, incentivar o uso dos materiais em sala de aula e apoiar a formação dos professores nas escolas. O Projeto Trilhas está presente em todos os estados brasileiros, beneficiando, aproximadamente, 72 mil escolas da rede pública de municípios do país, 140 mil professores e mais de 3 milhões de crianças. Dos quase 300 municípios do estado de Minas Gerais beneficiados pelo Projeto TRILHAS, na região mais próxima à Uberlândia foram contemplados: Araguari, Ibiá, Ituiutaba, Paracatu, Patos de Minas, Patrocínio, Prata, Tupaciguara, Uberaba, Unaí e Uberlândia. B Da Redação com Instituto Natura As escolas da rede pública de Minas Gerais já comemoram mais uma conquista para a Educação da região. O material didático do Projeto Trilhas começou a ser utilizado em setembro em escolas. Idealizado pelo Instituto Natura em parceria com a Comunidade Educativa - CEDAC e o Ministério da Educação (MEC), o material distribuído é um importante complemento ao ensino no campo da leitura, escrita e oralidade, criando oportunidades que favorecem o acesso à literatura infantil e, consequentemente, à cultura escrita. O material educacional, elaborado com foco nos alunos do 1º ano do ensino fundamental (crianças entre 6 e 7 anos), é composto por cadernos de orientação do professor, jogos educativos, cartelas para atividades, além de 20 títulos literários, subdivididos em três temas: Trilhas para ler e escrever textos, Trilhas para abrir o apetite poético e Trilhas de jogos. IDEB do estado de Minas Gerais Meta ,6 5,5 5,8 6,6 30 Revista MERCADO Edição 54

17 saúde Pouco sono, saúde em baixa MS Comunicação Que dormir mal causa uma verdadeira pane no organismo, não se discute. Mas, a longo prazo, as consequências são graves: estresse, ansiedade e implicações gerais que podem levar a um quadro de problemas cardiovasculares. Após realizar mais de 60 mil check-ups médicos em executivos (homens e mulheres), a Med-Rio constatou que 25% das pessoas examinadas convivem com a insônia. Segundo o médico Dráuzio Varella, a insônia se caracteriza pela incapacidade da pessoa em conciliar o sono e pode se manifestar tanto em seu período inicial quanto intermediário ou final. Varella informa ainda que o tempo necessário para um sono reparador varia de acordo com cada pessoa, porém a maioria neces- A 32 Revista MERCADO Edição 54 Revista MERCADO Edição 54 33

18 saúde sita dormir de sete a oito horas para acordar bem disposta. Pesquisas recentes sugerem que aqueles que consideram suficientes quatro ou cinco horas de sono por noite, na realidade, necessitariam dormir mais. Aparentemente, pessoas mais velhas dormem menos. Entretanto, o tempo que passam dormindo pode ser exatamente o mesmo da mocidade, dividido em períodos mais curtos e de sono mais superficial, conta. De acordo com o médico Gilberto Ururahy, fundador da Med-Rio, empresa especializada em medicina preventiva, para melhorar a qualidade do sono,a primeira atitude a se tomar, e a mais difícil, é aceitar e reconhecer que não se dorme bem. Não adianta apresentar as tradicionais justificativas de ordem profissional, econômica e pessoal. É preciso assumir que o sono não está bom e enfrentar essa questão, diz o médico. Noites mal dormidas, ao longo do tempo, alteram o metabolismo. O cortisol, gerado pelo sono mal dormido, aumenta o ganho de peso corporal, desenvolve a hipertensão arterial e aumenta a glicose circulante. Como ocorre o sono Gilberto Ururahy informa que o sono é composto de ciclos, ao longo dos quais se sucedem o sono leve, o profundo e o paradoxal (período em que ocorre atividade cerebral intensa, em que os sonhos estão inseridos), em uma proporção que muda durante a noite. Do começo da noite até entre 3 e 4 horas da manhã, o sono profundo é mais intenso. Em contrapartida, da segunda parte da noite até o acordar, o sono é mais rico em sono leve e em sono paradoxal. Como o sono profundo é o mais reparador, é a primeira parte do sono que conta para essa finalidade, ou seja, as horas antes da meia-noite, se você dorme às 22h. É nesse período que é produzido o hormônio do crescimento, essencial à recuperação de todo o organismo. E ainda fabricamos a melatonina, que zela pelas células e dá corda no relógio biológico. Mas se você é mais notívago e costuma dormir tarde, o sono recuperador virá depois, ou seja, após a meia-noite, acrescenta Gilberto Ururahy. O que prejudica o sono O sono pode ser afetado por uma série de fatores ambientais, como barulho, luz, temperatura ambiente, colchão, o fato de dormir só ou não etc. Eis alguns exemplos: ruídos: algumas pessoas precisam do mais absoluto silêncio. No fim da noite, quando o sono é mais leve, um ruído pode acordar a pessoa, que depois tem dificuldade para voltar a dormir; beber café após às 18h e abusar de bebidas alcoólicas. O álcool pode provocar o sono rápido, mas prejudica o sono profundo; perturbadores do sono no quarto: telefone, televisão, aparelhos eletrônicos com barulho ou luz, porta barulhenta e janelas abertas; computadores, ipads, iphones e jogos eletrônicos pelo menos uma hora antes de dormir. Inimigo do bom desempenho Estabelecer um horário para deitar e acordar Dicas para melhorar a qualidade do sono Se for fumante, parar de fumar duas horas antes de se deitar Fazer a refeição pelo menos três horas antes de dormir Praticar uma atividade física regular, por 30 minutos, pela manhã ou final da tarde Evitar a automedicação Quem fica mais de 18 horas consecutivas sem dormir tem afetados os reflexos, a memória a curto e longo prazos, a capacidade de concentração, a habilidade de tomar decisões, o processamento matemático, a velocidade cognitiva e a orientação espacial. Tomar banho morno antes de dormir, pois diminui a temperatura do corpo e facilita o sono Se esse quadro se repetir por cinco ou seis noites seguidas, tais efeitos negativos se intensificam (a falta de sono está na raiz de várias doenças, da pressão alta à obesidade). B Sexo: o homem que dorme mal tem risco três vezes maior de apresentar disfunção erétil. Ele tem desejo, mas não tem a função erétil adequada. Uma das causas é que a privação de sono reduz a testosterona, o hormônio sexual masculino. Para ter uma vida sexual normal, é fundamental ter boa noite de sono e praticar atividade física Para o casal: tentar resolver os conflitos antes de deitar, porque eles podem perturbar o sono. Também o que se recomenda são dois colchões juntos, para um não atrapalhar o sono do outro (fonte: Dr. Gilberto Ururahy) O médico Gilberto Ururahy afirma que noites mal dormidas, com o tempo, alteram o metabolismo, o que pode ocasionar hipertensão arterial e aumento no ganho de peso ou da glicose circulante, entre outros problemas O sono profundo - a primeira parte do sono - é o mais reparador, pois é nesse período que o organismo fabrica a melatonina, que zela pelas células e dá corda no relógio biológico 34 Revista MERCADO Edição 54

19 construção Dez coisas para fazer com madeira de demolição Por Evaldo Pighini Por dois ângulos diferentes, residência construída e decorada com peças de madeiras de demolição, como, por exemplo, a peroba - dá para perceber as marcas do tempo nas peças, uma característica da madeira de demolição Provenientes, na maioria dos casos, de assoalhos, portas e janelas, as madeiras de demolição são famosas por serem peças únicas, que apresentam marcas do tempo. Além de serem sustentáveis, elas acabam criando um contraste entre o rústico e o moderno. Atualmente, esse tipo de material vem sendo muito utilizado por designers e virou uma tendência. As madeiras de demolição são produtos que se Painéis para televisão de LED ou LCD Aproveite para dar um upgrade em sua sala de TV! O painel em madeira de demolição vem sendo utilizado para decorar e estilizar ambientes de maneira sofisticada e original. Boas opções são painéis em peroba rosa de demolição, que combina bem com ambientes internos. Seus tons mesclados conferem um ar especial ao espaço. encaixam tanto em paredes externas quanto internas, tornando o ambiente muito mais agradável pela possibilidade de purificar o ar e manter o conforto térmico. O material é ainda uma resolução interessante para locais com espaços menores, sem contar que agrega um valor sustentável à construção, pois as madeiras são reutilizáveis, portanto, ecologicamente corretas. Numa outra opção de uso, os jardins verticais, quando revestidos em madeira de 1 demolição, ganham um ar bem mais natural e convidativo. Confira a seguir dez dicas da Madeira de Demolição.com (www.madeiradedemolicao.com), empresa fundada em 2009 e pertencente ao Grupo São Gabriel, sobre o emprego desse material que une, ao mesmo tempo, rusticidade, requinte, aconchego e versatilidade, e que é cada vez mais tendência na arquitetura e decoração. Mesa de jantar 2Quer unir estilo e tradição? Que tal ousar e colocar em sua sala de jantar uma mesa em peroba rosa de demolição? O ar rústico traz à lembrança a tradição das famílias grandes, unidas ao redor da mesa. É uma bela opção, que se encaixa em diversos projetos e dura para toda uma vida. A 36 Revista MERCADO Edição 54 Revista MERCADO Edição 54 37

20 construção Jardim vertical Cada vez mais, jardins verticais 3 e hortas orgânicas têm se tornado tendência em apartamentos bem projetados e modernos. Os projetos trazem um ar verde e saudável para ambientes requintados, que refletem o estilo de vida de pessoas antenadas com a sustentabilidade. Uma ótima sugestão é montar um em madeira de demolição, tem tudo a ver! Os resultados são verdadeiras obras-primas. 5 Pergolados Pergolados em madeira de demolição são uma excelente aposta para ambientes externos. Estes são peças formadas por pilares e vigas paralelas vazadas, utilizados como decoração em jardins. O efeito é bem agradável. 4Portas pivotantes Escolher uma porta pivotante em peroba rosa para seu projeto é sinônimo de bom gosto e status. A madeira de demolição possui ranhuras únicas, que faz do objeto uma atração singular. O visual é charmoso e surpreendente. 6 Uma opção inusitada e muito elegante é revestir aquela escada sem graça que poderia nem ter muito destaque no projeto com madeira de demolição, que pode ser peroba rosa ou cruzetas. As vigas de madeira podem torná-la a grande sensação do ambiente, conferindo um ar bem aconchegante. A Escada 38 Revista MERCADO Edição 54 Revista MERCADO Edição 54 39

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