CLAUDECIR BANAZESKI O ENSINO DE GEOGRAFIA A PARTIR DE PONTOS TURÍSTICOS NO MUNICÍPIO DE ERECHIM/RS

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1 CLAUDECIR BANAZESKI O ENSINO DE GEOGRAFIA A PARTIR DE PONTOS TURÍSTICOS NO MUNICÍPIO DE ERECHIM/RS Trabalho de Conclusão de Curso de Geografia, Departamento de Ciências Humanas da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - Campus de Erechim. Prof. Orientador: Msc. Vanderlei Decian ERECHIM-RS 2009

2 CLAUDECIR BANAZESKI O ENSINO DE GEOGRAFIA A PARTIR DE PONTOS TURÍSTICOS NO MUNICÍPIO DE ERECHIM/RS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Geografia Departamento de Ciências Humanas da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - Campus de Erechim, como requisito para obtenção do título de Licenciado em Geografia. Banca Examinadora Orientador: Prof. Msc. Vanderlei Decian Profª. Msc. Cleide Elisa Zanella Schuchmann Profº.Msc. Mário Zasso Marin

3 Fazer Turismo é como explorar um oceano e enxergar oportunidades no horizonte, em busca de descanso e felicidade. Rinaldo Pedro

4 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus pela vida e aos meus pais, que apesar da distância, sempre me apoiaram nos momentos mais difíceis, sempre com muito amor e carinho. Ao meu orientador Prof. Vanderlei Decian, pela dedicação e incentivo. Aos meus professores do curso de Geografia, pelo aprendizado. Aos meus amigos e colegas, que contribuíram de alguma maneira, com materiais, livros e, principalmente, incentivando para que nunca desistisse da realização deste trabalho.

5 RESUMO Este trabalho tem como enfoque principal apresentar três pontos turísticos, sob a visão do ensino da Geografia, sendo estes o Vale do Dourado, a Cascata Nazari e o Seminário Nossa Senhora de Fátima. Objetivou-se, explorar práticas e métodos de ensino de Geografia a partir de visitação e observação destes três pontos turísticos no município de Erechim, analisando a procura desses meios de turismos, agregando os conhecimentos sobre tal forma de turismo, quando começou a ser explorado, o que atrai o turista a estes os pontos, observando e analisando o perfil dos turistas que freqüentam estes locais, bem como propor técnicas de trabalho de ensino de Geografia a partir dos pontos turísticos elencados, de forma multidisciplinar enfocando a importância do trabalho de campo em Geografia.No ensino da Geografia, o turismo é um tema ainda pouco discutido nas aulas de Geografia tanto do Ensino Fundamental, com no Ensino Médio. No entanto, essa temática, reivindica uma atenção especial para Geografia escolar, como um ensino crítico e sócio-construtivista, não somente num novo conteúdo, mas também numa mudança de técnicas e/ou estratégias pedagógicas. Palavras-Chave: Ensino; Pontos Turísticos; Erechim-RS.

6 LISTA DE FIGURAS E FOTOS Figura 01- Mapa de Localização geográfica do Município de Erechim/RS... Figura 02- Mapa Político-Administrativo de Erechim/RS e localização geográfica dos pontos turisticos... Figura 03- Mapa do Vale do Dourado Ponto Turístico / Geográfico com o Rio Dourado ao fundo do Vale... Figura 04- Mapa do Seminário Nossa Senhora de Fátima Ponto Turístico Religioso... Figura 05- Mapa da Localização geográfica e Entorno da Cascata Nazari Erechim/RS... Foto 01 - Vista do Vale do Dourado 1 Erechim... Foto 02 - Vista do Vale do Dourado 2 Erechim... Foto 03 - Vista do Vale do Dourado 3 Erechim... Foto 04 - Celebração de missa a Romaria de Nossa Senhora de Fátima... Foto 05 - Vista do Seminário Nossa Senhora de Fátima Erechim... Foto 06 - Vista do Seminário Nossa Senhora de Fátima Erechim... Foto 07 - Vista da Cascata Nazari 1 Erechim... Foto 08 - Vista da Cascata Nazari 2 Erechim

7 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO REFERENCIAL TEÓRICO ATIVIDADES DE TURISMO E CONCEITUAÇÃO Turismo TIPOS DE TURISMO ABORDADO PELO ESTUDO Turismo Religioso Turismo de Massa (de Balneário) Turismo Ecológico O TURISMO SOB A PERSPECTIVA DA GEOGRAFIA ESCOLAR PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS PROCEDIMENTOS DE CAMPO AQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES DE CAMPO EQUIPAMENTOS UTILIZADOS RESGATE HISTÓRICO, ECONÔMICO, CULTURAL E SOCIAL DOS 21 PONTOS TURÍSTICOS... 4 RESULTADOS DO TRABALHO LOCALIZAÇÃO DA ÁREA EM ESTUDO PRIMEIRO PONTO TURÍSTICO: PONTO TURÍSTICO ECOLÓGICO VALE DO RIO DOURADO Caracterização Geográfica do vale do Rio Dourado Proposta de estudo no Ensino da Geografia Vale do Dourado SEGUNDO PONTO TURÍSTICO: PONTO TURÍSTICO RELIGIOSO SEMINÁRIO NOSSA SENHORA DE FÁTIMA Histórico Caracterização do Seminário Nossa Senhora de Fátima Proposta de estudo no Ensino da Geografia no Seminário Nossa Senhora de Fátima TERCEIRO PONTO TURÍSTICO: PONTO TURÍSTICO DE LAZER PARQUE CASCATA NAZARI Histórico de Ocupação Proposta de estudo no Ensino da Geografia Cascata Nazari CONSIDERAÇÕES E RECOMENDAÇÕES REFERÊNCIAS... 42

8 1 INTRODUÇÃO O presente estudo fundamenta-se na verificação das potencialidades ecológicas, religiosas, economicas e de lazer em três pontos turísticos no Município de Erechim/RS: sendo estes o Vale do Dourado que é um turismo paisagístico, a Cascata Nazari ponto de turismo ecológico/natural/lazer e no Seminário Nossa Senhora de Fátima sendo este turismo religioso, e como pode ser utilizado para o ensino de Geografia a campo. A escolha do tema O Ensino de Geografia a Partir de Pontos Turísticos no Município de Erechim/RS surgiu em vista de nossa proposta de ensinoaprendizagem, a partir de locais como o Vale do Dourado e da Cascata Nazari um local onde se podem explorar as questões ambientais e socioeconômicos. Bem como, o Seminário Nossa Senhora de Fátima que atrai pessoas, especificamente em uma determinada época do ano. A inserção do turismo no ensino da Geografia, pode ajudar a quebrar a autocracia do aprendizado que perdura, nas escolas brasileiras, em detrimento de uma formação para a cidadania. O importante é que os professores organizem situações de aprendizagem que contextualizem o turismo e pontos turísticos com a realidade vivida e concebida dos estudantes, levando-os a refletir, criticamente, sobre os impactos, positivos e negativos e as contradições espaciais dessa atividade, bem como a importância de interdisciplinaridade desta atividade frente ao ensino. O objetivo do estudo é explorar práticas e métodos possíveis de ensino de Geografia a partir de visitação e observação de três pontos turísticos no município de Erechim/RS. Tendo como objetivos específicos: analisar a procura desses meios de turismos, agregar conhecimentos sobre tal forma de turismo, quando começou a ser explorado, o que atrai o turista aos pontos turísticos, observando e analisando o perfil dos turistas que freqüentam estes locais, bem como propondo formas de trabalho de ensino de geografia a partir dos pontos turísticos elencados, de forma multidisciplinar enfocando a importância do trabalho de campo em Geografia. Ao analisar a posição da sociedade em relação ao ensino da Geografia com elementos alternativos, o turismo é um tema ainda pouco discutido nas aulas de

9 9 Geografia tanto do Ensino Fundamental, como no Ensino Médio. Essa temática hoje reivindica uma atenção especial para Geografia escolar. Com um ensino de crítico, sócio-construtivista, não somente num novo conteúdo, mas também numa mudança de técnicas e/ou estratégias pedagógicas. Também desenvolver as potencialidades do aluno, seu raciocínio lógico, sua inteligência emocional, sua capacidade de aprender a aprender, de construir, de pesquisar e de buscar autonomia para o enfrentamento de problemas reais do dia a dia, principalmente analisar o local em que vivemos: ao sair da sala de aula, e percorrer espaço e pontos turísticos estamos potencializando e conhecendo o cotidiano do aluno e associando aos conteúdos da Geografia, explorando questões ambientais, religiosas e mesmo socioeconômico e de lazer, proporcionada pela prática turística.

10 2 REFERENCIAL TEÓRICO O turismo certamente surgiu com o aparecimento do homem, quando este se tornou nômade, motivados por questões de sobrevivência. Após a exploração de determinada localidade, havia a necessidade da busca de novos locais e alimentos. Dentre outras a motivação econômica acontecia em grandes viagens exploratórias dos povos antigos, que buscavam novas terras para sua ocupação e posterior exploração (BARRETO, 2000). Na Idade Média a motivação religiosa foi responsável por viagens, através das cruzadas, portanto, o turismo religioso foi datado de muitos séculos atrás, bem como o turismo de saúde que originou no império romano onde eram comuns viagens para visitas às termas. Segundo Barreto (2000, p. 32), há pouco mais de um século, viajar a terras longínquas por puro prazer ou para fins educativos era prerrogativa de poucos, grupos seletos de aventureiros ou de endinheirados. A maioria das pessoas passava grande parte da vida em um raio de algumas centenas de quilômetros do lugar onde nasceu. Em compensação, hoje centenas de milhares têm possibilidades de viajar para todo lado, tanto no país de origem como pelo mundo afora. Isso foi motivado pela Revolução Industrial, as pessoas se puseram a fabricar mercadorias e a prestar serviços. E assim, passaram a ganhar mais e a dispor de mais para gastar. Com o avanço da tecnologia foram projetadas máquinas que assumiram grande parte dos serviços que exigiam muita mão-de-obra. Sob essas circunstâncias, e com o surgimento, em meados do século XX, do transporte em massa a preços mais acessíveis, nada mais conteve as grandes enxurradas de turistas. Depois veio a indústria da comunicação de massa, possibilitando que em muitos países se recebesse dentro de casa transmissões por imagem de lugares distantes. Isso criou nas pessoas o desejo de viajar. (BARRETO, 2000). Segundo o mesmo autor, o resultado foi a explosão do turismo global. Já para a Organização Mundial do Turismo (OMT), o número de turistas internacionais aumentaria de 613 milhões em 1997 para 1,6 bilhões até o ano 2020, sem previsão de queda, na época. Essa movimentação acima do esperado veio acompanhada de

11 11 um aumento correspondente do comércio, de novos resorts e de países que se abriram, para o turismo. 2.1 ATIVIDADES DE TURISMO E CONCEITUAÇÃO Turismo O turismo está em constante evolução e o seu crescimento é um fator importante para expandir atividades diferenciadas e potenciais a serem explorados. A segmentação do turismo resulta no esforço em investimentos na infra-estrutura, planejamento e capacitação de mão-de-obra qualificada. Deve ser praticado de modo que o local visitado tenha benefícios econômicos e sociais. Gera renda em toda localidade com a condição de ser consumido no próprio local, criação de empregos e renda como partes essenciais dentro do ramo turístico que mobiliza diversos setores de bens e serviços. Além dos mais, o turismo assume um importante papel na sociedade atual. É uma atividade que se estruturou como setor da economia a partir da Revolução Industrial, e consequentemente nas décadas recentes, está assumindo posição de destaque no mercado em nível mundial. O conceito de turismo é uma matéria bastante discutível segundo Beni, (1990, p. 21): Há tantas definições de turismo quanto autores que tratam do assunto. Mas quanto maior o número de pesquisadores que se preocupam em estudá-lo, tanto mais evidente se apresentará a amplitude e a extensão do fenômeno do turismo e tanto mais insuficientes e imprecisas serão as definições. Do ponto de vista econômico o turismo é um serviço. Para a Geografia, o turismo constitui-se no deslocamento de pessoas de um ponto a outro da superfície terrestre e analisando sob uma perspectiva legal, o turismo é considerado como o

12 12 exercício do direito à liberdade individual. Focalizando sob o âmbito sociológico o turismo é uma oportunidade de se alcançar às necessidades que normalmente são deixadas de lado, quando o indivíduo se encontra entregue a sua vida de trabalho. (ACERENZA, 2003). Para Andrade (2001, p. 38), turismo pode ser entendido como: Complexos de atividades e serviços relacionados aos deslocamentos, transportes, alojamentos, alimentação, circulação de produtos típicos, atividades relacionadas aos movimentos culturais, visitas, lazer e entretenimento. Conforme Pinheiro et. al (2004, p. 9), são características e fatores interno positivos, força ou energia representado pela junção de todos os meios disponíveis que podem representar o seu diferencial competitivo e, portanto, a base para o seu desenvolvimento futuro. A existência de importantes e diversificados recursos naturais, paisagísticos, patrimoniais, culturais, gastronômicos e religiosos, constituem o elemento chave para o processo de desenvolvimento, de onde se destaca, pela sua abrangência, o desenvolvimento do turismo. A valorização dos produtos locais de qualidade, diversificados, em face de uma procura específica crescente e exigente em matéria de qualidade e segurança, constitui uma das potencialidades de desenvolvimento para todos os tipos de turismo. (CAVACO, apud RODRIGUES, 2001). Em 1991, realizou-se no Canadá, especificamente em Otawa, organizada pela Organização das Nações Unidas ONU, a Conferência sobre Viagens e Estatísticas de Turismo, cujo principal objetivo foi o debate acerca dos sistemas de estatística, visando à adoção de uma série de recomendações internacionais sobre a análise e a apresentação de estatísticas de turismo. O resultado desse encontro, criou-se uma Comissão de Estatísticas das Nações Unidas a qual, em 1993, aprovou algumas orientações e recomendações sobre o tema. Posteriormente, em 1994, a Organização Mundial do Turismo - OMT definiu o turismo como atividades que realizam as pessoas durante sua viagens e estadas em lugares diferentes ao seu entorno habitual, por um período consecutivo inferior a um ano, com finalidade de lazer, negócios e outros (OMT, 2001, p. 38). Segundo a OMT (2001, p. 36), publicou em 1995 oficialmente as definições adotadas pela ONU:

13 13 a) Promover a elaboração de estatísticas turísticas mais representativas, promovendo uma maior compatibilidade entre os dados nacionais e os internacionais; b) Proporcionar dados turísticos mais confiáveis e diretos aos profissionais do setor, governos, etc, para melhorar seu conhecimento sobre os produtos ou serviços turísticos e condições de mercado e para que possam, conseqüentemente, atuar; c) Oferecer uma conexão entre oferta e demanda turística; d) Permitir uma valorização mais justa da contribuição do turismo aos fluxos comerciais e internacionais. Conforme OMT (2001), as definições apresentam, de uma forma flexível, as principais características da atividade, dentre as quais a premissa segundo a qual o deslocamento é algo imprescindível para que o turismo ocorra; que seja um local fora de seu entorno habitual; que contenha elementos motivadores; e que possua um período determinado inferior a um ano. O turismo não vive só de belas praias, da arte popular e de monumentos históricos, o turista quer o conforto de um atendimento eficiente e acolhedor, serviços ágeis, informações claras e tratamento qualificado, com a simpatia de quem trabalha para proporcionar uma boa estada. No entanto, o turismo é uma das alternativas para minimizar a exclusão social, seja através da abertura de novos postos de emprego ou oferecendo oportunidades de ocupação, principalmente no setor informal, para uma massa crescente de desempregados que o mercado formal se mostra capaz de absorver. Ficou evidente que, se o fenômeno do turismo representa apenas uma parte de um imenso jogo de relações a idéia de totalidade tem que estar sempre presente e, para se analisar o turismo na sua totalidade, é preciso ter em mente pelo menos duas dimensões básicas: a de uma atividade produtiva e a de uma prática social. Não há como analisar um fenômeno fora do contexto de suas relações, uma vez que sem relações não há fatos. Assim, o turismo pode ser definido com o conjunto de todos esses conceitos, mas, não se pode deixar de pensar em turismo ser como um lazer indispensável para aquele que trabalha e quer ter horas maravilhosas, conhecendo lugares novos.

14 TIPOS DE TURISMO ABORDADOS PELO ESTUDO 2.2.1Turismo Religioso Em todo os lugares do mundo, onde há cidades religiosas, estas atraem visitantes em busca de experiências e que despertem sentimentos de fé e esperança. No Brasil, o maior país católico do planeta, temos inúmeras manifestações da religião que, misturadas à nossa cultura se transformam em verdadeiros espetáculos de devoção, conseguindo mobilizar milhares de peregrinos. O significado de turismo religioso é bem preciso: pode se falar o quando o sagrado migra como estrutura de percepção para o cotidiano, para as atividades festivas, o consumo, o lazer, quando enfim, os turistas passam a viver eventos, como os Natais, não mais vinculados à tradição cristã e ao que ela prescreve, mas como uma experiência inusitada, espiritual e consumista ao mesmo tempo. (STEIL, apud SILVEIRA, 2004) A categoria turismo religioso começa assim a uma espécie de transversalização, ou seja, perpassa, atravessa, viaja desde as esferas dos agentes econômicos do turismo (agências de viagem, especialistas em turismo, etc.) a nomenclatura de determinados agentes eclesiásticos. (ASSUNÇÃO, apud SILVEIRA, 2004) Por conseguinte, a se naturalizar o turismo religioso operou-se um deslocamento etimológico, ou seja, no significado das palavras/termos, permitindo inferir as transformações operadas no eixo religião/política/turismo/cultura popular. Parece que uma categoria mercadológica, da segmentação de mercado gerou novas estruturas, a ponto da Igreja criar uma pastoral, existente na Europa desde 1960, específica para isso: a pastoral do turismo que apenas agora está sendo estruturada no Brasil.(PONTIFICIO CONSEJO, apud SILVEIRA, 2004) Na definição oficial, segundo a Conferência Mundial de Roma, realizada no ano de 1960, o turismo religioso é compreendido como uma atividade que movimenta peregrinos em viagens pelos mistérios da fé ou da devoção a algum

15 15 santo. Na prática, são viagens organizadas para locais sagrados, congressos e seminários ligados à evangelização, festas religiosas que são celebradas periodicamente, espetáculos e representações teatrais de cunho religioso. Reuniões para definições oficiais são como assembléias de bispo definindo dogmas, o que crer e como crer. Uma definição oficial não significa que não possa ser questionada e apontada em suas incoerências. (SILVEIRA, 2004). No entanto, sob esse termo turismo religioso popular, agentes religiosos, empresariais, públicos e acadêmicos constituem uma ação articulada no sentido de extrair de práticas seculares de fé, que são as peregrinações, caminhos santos, promessas, etc, uma oportunidade de negócio e, nos discursos mais otimistas, desenvolvimento sócio-econômico de uma determinada região. Segundo, Gonçalves (2003), o texto e o discurso afirmam que os órgãos públicos investem no tal de turismo religioso, novo nome de uma prática de séculos que remonta a Idade Média: a procissão de Corpus Christi. (Apud, SILVEIRA, 2004). Há vários tipos diferentes de viagens com finalidade religiosa. A Romaria, por exemplo, é a atividade turística feita por livre disposição do viajante aos destinos sagrados, onde não há nenhum tipo de compromisso a ser cumprido, a não ser conhecer a região. Já a Peregrinação é quando o turista viaja para cumprir promessas ou votos feitos a divindades. Neste caso, datas e prazos devem ser seguidos em função dos votos feitos. Existem também as viagens feitas com intuito de se redimir de alguma culpa ou pecado, de forma espontânea ou aconselhada por algum líder religioso. Estas são chamadas de viagens de Penitência ou de Reparação Turismo de Massa (de Balneário 1 ) Chamado também turismo de sol e praia. É caracterizado como tipo de turismo convencional, passivo e sazonal sendo a sua criação vinculada à 1 Balneário é um conjunto de praias de um determinado município litorâneo. Recinto público para banhos, muito comum em estâncias hidrominerais também conhecido como termas. Disponível em: Acessado em: 15 mar

16 16 consolidação do capitalismo, com a inclusão da grande maioria da sociedade, especialmente de baixa e média renda. É normalmente menos exigente e desprovido de um maior conforto, pois é um segmento turístico voltado para a classe intermediária da sociedade. Para Cruz (2001, p. 6), a expressão turismo de massa trata-se de uma modalidade de turismo que mobiliza grandes contingentes de viajantes. É uma forma de organização de turismo que envolve o agenciamento da atividade bem como a interligação entre agenciamento, transporte e hospedagem, de modo a proporcionar o barateamento dos custos de viagem e permitir consequentemente, que um grande número de pessoas viaje Turismo Ecológico O setor de turismo ecológico é um dos que mais tem crescido nos últimos anos. Está ligado diretamente ao meio ambiente, sendo capaz de expor o patrimônio natural e cultural, onde a natureza é o produto a ser vendido. (KRAEMER, 2006). O ecoturismo é o segmento do turismo que possibilita valorizar e preservar o patrimônio, viabilizando retornos econômicos, proporcionando uma educação ambiental, através da conscientização da importância da preservação do meio ambiente, gerando benefícios para a comunidade. Possibilita a eficácia e eficiência na atividade econômica, mantendo a diversidade e estabilidade do meio ambiente, atuando como instrumento de orientação, sensibilização e equilíbrio entre os desgastes causados pelo desenvolvimento econômico e a necessidade de preservar o meio ambiente. (KRAEMER, 2006). Essas modalidades de turismo diretamente relacionadas à natureza, mais comumente chamadas de ecoturismo, crescem conforme propalam organismos oficiais a um ritmo acelerado, e isso merece algumas ponderações.o turismo ecológico torna-se uma nova opção para quem gosta de curtir regiões exóticas, conhecer aquilo que não é visto todos os dias, essa nova atividade que se traduz em divisas externas, viabilizando projetos para o ecoturismo de diversas regiões (CRUZ, 2001).

17 17 O turismo ecológico, ou ecoturismo é a pratica de utilizar o patrimônio de forma sustentável. Cruz (2001) exemplifica que: A paisagem: É uma vista de um lugar ou lugares que atraem o turista através da representação. Ex: uma praia, um vale, uma cachoeira, um rio ou lagoa etc. Elementos naturais: A geologia, a fauna a flora e os fenômenos naturais. Cruz (2001), também comenta que o turismo ecológico é uma forma de interagir com a natureza, absorvendo o conhecimento sem prejudicar o meio ambiente, minimizando os impactos e tornando o meio-ambiente um turismo sustentável. A função é conhecer, preservar sem destruir nossa fauna e flora. O turismo de natureza ou ecoturismo deve atuar com qualidade de vida para o turista também com dignidade, educação, solidariedade, participação e felicidade, são sinônimas de desenvolvimento turístico. 2.3 O TURISMO SOB A PERSPECTIVA DA GEOGRAFIA ESCOLAR O setor terciário, na qual esta inserido o turismo era considerado um segmento improdutivo da economia que não merecia atenção científica. Seguindo, então, a praxe acadêmica, a Geografia negligenciou o estudo do turismo até este apresentar expressivo crescimento na década de (SOUZA e ASSIS, 2007) Dado as mudanças em curso na Geografia, o turismo vem ganhando destaque nesta disciplina, fomentando um amplo campo de investigação que já conta com uma significativa produção de livros, trabalhos e eventos científicos. O centro de interesses da Geografia pelo Turismo, de uma forma geral, está nas formas, nas dinâmicas e nas representações das paisagens derivadas do exercício das atividades turísticas e nas diferenciações areais ou regionais, que estimulam a atividade turística, ou que se criam, por conta da função turística (BARROS, 1998, p. 8). Entretanto, não se deve confundir a Geografia do turismo com a Geografia turística. Para Rejowski (1998), a primeira busca realizar uma reflexão geográfica do

18 18 Turismo nas suas múltiplas dimensões; enquanto a última está preocupada em simplesmente repassar informações descritivas dos lugares. O turismo surge em razão da existência prévia do fenômeno turístico, que é um processo cuja ocorrência exige a interação simultânea de vários sistemas com atuações que se somam para levar ao efeito final. A educação é um fator determinante para o turismo, não podemos mais desassociar, ou não deveríamos, a questão educacional do turismo, para o bom andamento do mesmo. A questão educacional, no país, esta muito inferior do que é preciso. Como não há muito interesse do governo em que a situação melhore, haja vista, que o velho chavão de povo desinformado é mais facilmente comandado continua, bastante presente na atualidade. Dificilmente podemos cobrar que tenhamos o mínimo de educação, pois não há base para isto. Outra questão preocupante é a falta de educação e, consequentemente, a falta de preparo para se alcançar o futuro planejado, gerando a desigualdade social que reflete em larga escala no setor turístico. Temos que despertar para este detalhe, pois todos sofrem, seja na destruição de pontos turísticos, porque a questão monetária e a maneira de ganhar o sustento vão além da razão, seja pela desigualdade num todo que acarreta assaltos, tráficos, prostituição etc. Rodrigues (1997, p. 76) afirma que: O turismo, da maneira como vem sendo abordado na Geografia, é um fenômeno que, pela sua abrangência e numerosas modalidades de expressão, constitui um tema de estudo, sob o qual se pode ascender a um discurso geográfico unitário, superando-se a propalada dicotomia sociedade x natureza. O turismo juntamente com a educação é à saída para muitos problemas ocorridos hoje em nossa sociedade, já que há uma grande expectativa sobre o setor e se trata direta e indiretamente do sustentável, inserindo a disciplina no ensino fundamental para toda a rede escolar. Analisando o turismo tem várias

19 19 possibilidades de alcançar o sucesso esperado, para tanto passa necessariamente pela questão educacional dos bancos escolares e, além disto, a educação de uma população independe da classe social. Como o Turismo não é uma temática freqüente nos livros didáticos e nas provas de Geografia, é provável que a sua discussão provoque algumas resistências por parte dos alunos e dos próprios professores. É fato que muitos docentes de Geografia não analisaram as relações entre turismo e espaço durante as suas formações. No entanto, o bom professor deve estar atento às novas tendências de sua área de ensino, atualizando as suas metodologias, conteúdos e recursos de aprendizagem. (SOUZA e ASSIS, 2007) O importante é esclarecer que a relação entre a Geografia escolar e o turismo, não é formar de pequenos turismólogos ou de pequenos geógrafos (FILIZOLA, 2004). O intuito é de contribuir para uma prática de ensino de Geografia pautada nas realidades dos lugares e do mundo dos alunos, que ajude a formar cidadãos influentes, críticos e participativos, identificando o potencial do local em que vive. Atualmente o turismo não é mais uma opção para qualquer país escolher, mas sim uma imposição necessária para a sobrevivência de uma nação. O papel das escolas torna-se importantíssimo, afinal as pessoas são o maior patrimônio de qualquer nação, estado, município e empresa. E o Turismo tem esse poder de valorizar, resgatar e preservar o meio ambiente e as pessoas que nele vivem.

20 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Neste capítulo apresentar-se-á o procedimento executado para a realização e andamento do trabalho de pesquisa. Para tanto a primeira providencia foi a busca de conhecimento já escrito sobre o assunto, pesquisando em vários livros, documentos, monografias, teses que versassem sobre o assunto. Utilizou-se de revisão bibliográfica, resgate histórico e procedimentos de campo. Em uma primeira etapa efetuou-se a revisão bibliográfica e de dados textuais, utilizando-se de fontes onde se buscou junto aos órgãos públicos e turísticos as principais informações sobre os pontos turísticos, suas características, principais aspectos históricos e sua relevância social. Os principais métodos utilizados nesta etapa foram: a. Pesquisa do referencial teórico em livros, publicações e Internet; b. Pesquisa na Prefeitura Municipal, junto a Secretaria de Turismo; c. Análise de informações históricas dos pontos turísticos selecionados para o trabalho de campo; d. Escolha dos pontos turísticos por temática, elencando-se um ponto turístico de lazer (Cascata Nazzari), turismo ecológico (Mirante do vale do Dourado), Turismo Religioso (Seminário Nossa Senhora de Fátima). 3.1 PROCEDIMENTOS DE CAMPO AQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES DE CAMPO Após a tomada de informações referente a revisão de literatura, procedeu-se as conferências e trabalhos a campo, principalmente para a tomada de informações como coordenadas dos pontos trabalhados, fotografias georreferenciadas que servem para a realização de atividades com os alunos. A partir do mapeamento de campo efetuou-se a etapa posterior que foi a criação de propostas e alternativas de ensino para os pontos turísticos analisados. 3.2 EQUIPAMENTOS UTILIZADOS

21 21 Visando a elaboração do trabalho utilizou-se de alguns procedimentos técnicos e equipamentos que auxiliaram na obtenção de informações como localização geográfica, distância da sede e/ou localização na sede. Para tanto se utilizou equipamento como: GPS marcação de pontos, com aquisição de informações de localização e coordenadas geográficas. Câmera fotográfica digital tomada de fotos panorâmicas expressivas e que representem a função dos pontos turísticos trabalhado. 3.3 RESGATE HISTÓRICO, ECONÔMICO, CULTURAL E SOCIAL DOS PONTOS TURÍSTICOS. Nesta etapa elaborou-se informações referentes às características e dados de cada um dos pontos turísticos considerados para o trabalho, seguindo-se as seguintes atividades: Pesquisa dos pontos turísticos, através de pesquisa bibliográficas, jornais e folder s informativos, livros, teses, dissertações, cartilhas que já possuíam informações dos locais selecionados. Seleção de informações relevantes ao trabalho e para cada um dos pontos selecionados, visando sua caracterização e descrição; Geração de mapas de localização, com informações municipais e em escala maior dos pontos pesquisados; Elaboração de propostas metodológicas de ensino de Geografia a partir de pontos turísticos e sua visitação por parte de professores da rede escolar, gerando subsídio a estes para ensinar Geografia a partir de saídas a campo, para as turmas escolares de 4ª, 5ª e 6ª séries, preferencialmente, o Ensino Médio também pode ser incluído.

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