Roteiro de cartão-postal: revelação e ocultação da metrópole de São Paulo

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1 Roteiro de cartão-postal: revelação e ocultação da metrópole de São Paulo Viviane Veiga Shibaki 1 Resumo: Desde sua criação, ocorrida no final do século XIX até a contemporaneidade, o cartão-postal sofreu mudanças em seus usos, porém, em sua essência, sempre se configurou como uma forma de divulgação dos lugares muito bem apropriada pelo turismo. Assim, este artigo tem como objetivo identificar os pontos turísticos da metrópole de São Paulo constantes dos cartões-postais, produzindo um roteiro hipotético a fim de descortinar o que é revelado e ocultado para o turista e, em um movimento dialético, construir uma reflexão acerca desse movimento, ou seja, sobre a hipótese da formação de discrepâncias espaciais e sociais da metrópole. Para isso, fez-se levantamento histórico-conceitual referente ao cartão-postal e seus usos, bem como pesquisa de campo na metrópole de São Paulo, a fim de identificar as imagens mais utilizadas para o estabelecimento desse roteiro, as quais se resumiram a seis espaços específicos, que proporcionaram a configuração do roteiro hipotético proposto e análises diante da hipótese levantada. Palavras-chave: Cartão-postal. Turismo. Roteiro. São Paulo. Introdução Com o surgimento do cartão-postal no final do século XIX, dentre outros tipos de veículos propagadores de imagens, a divulgação de espaços naturais, sobretudo por meio de paisagens e espaços urbanos por meio de ícones tornou-se usual, sendo o turismo elemento apropriador diante de um mundo que se descortinou por meio de imagens, introduzindo os indivíduos ao universo de uma cultura visual que se conformava. Essa conformação e consequente fixação da cultura visual em grande parte do mundo proporcionaram ao turismo ferramentas facilitadoras para seu desenvolvimento, pois o cartão-postal tem como atributo a possibilidade de estar presente nos três tempos da organização de uma viagem que, segundo Boyer (2002), é formada pelo antes (viagem sonhada ou imaginada), que no caso do cartão-postal, poderia ter sido recebido de outra pessoa que viajou; o durante (a viagem em si), por meio da aquisição e envio do cartão-postal; e depois, por meio da aquisição do cartão-postal como souvenir da viagem. Para Franco (2006), o cartão-postal é um elemento de referência em todas as etapas descritas por Boyer (2002) em relação a uma viagem, em que o antes é um fator de estímulo, o durante como elemento de registro e o depois, como afirmação de memória. O cartão-postal tem como característica a fragmentação de um todo complexo associado ao registro da história que abarca hábitos culturais, desenvolvimentos tecnológicos e urbanos e modismos, entre outros. Possui íntima relação com o turismo, pois tem função de apropriação simbólica do lugar visitado. (Franco, 2006) Assim, este artigo tem como objetivo identificar os pontos turísticos da metrópole de São Paulo constantes dos cartões-postais, produzindo um roteiro hipotético a fim de descortinar o que é 1 Bacharel em Turismo. Mestre e Doutora em Geografia Humana pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). 1

2 revelado e ocultado para o turista e, em um movimento dialético, construir uma reflexão acerca desse movimento, ou seja, sobre as discrepâncias espaciais e sociais da metrópole. Para isso, além da construção de uma contextualização histórica acerca do surgimento, desenvolvimento e usos do cartão-postal, sobretudo relacionados com o turismo, fez-se levantamento dos cartões-postais comercializados de São Paulo na atualidade, a fim de identificar as imagens mais utilizadas para o estabelecimento do roteiro proposto. O diálogo com trabalhos específicos sobre cartões-postais, como o de Vinha (2001), Venturini (2001), Vasquez (2002), Boyer (2002), Franco (2006), Daltozo (2006) e Hunt (s/d), foram essenciais para a conformação de reflexões teórico-metodológicas acerca da representatividade de um elemento constante da cultura visual que foi apropriado pelo turismo. Como cultura visual, Barnard (2001) esclarece que sua abrangência segue duas vertentes fundamentais, sendo que uma enfatiza a cultura e a mediação visual dos valores e identidades construídas e comunicadas pela cultura e a outra o visual e todos os elementos que o cercam. De acordo com Meneses (2003), com a difusão da comunicação eletrônica, o domínio da dimensão visual na contemporaneidade tornou a imagem constante nos parâmetros e instrumentos de análise da grande maioria das áreas das ciências sociais, em que os estudos sobre cultura visual focam uma percepção mais ampliada dessa dimensão. Vale salientar que a pesquisa de campo realizada contribuiu significantemente para a especificidade do estudo de caso, proporcionando um panorama contemporâneo, dando sequência ao diálogo estabelecido por meio do levantamento histórico, bem como elementos para a formatação do roteiro hipotético proposto e indícios conclusivos da hipótese referente às discrepâncias sociais e espaciais da metrópole. Desta forma, a partir de um destino turístico consolidado como é o caso de São Paulo, compreender nuances diferentes que abarcam a relação do turismo com questões socioespaciais, como no caso dos cartões-postais, se fazem necessárias para compor linhas de pesquisa que se complementem nos estudos referentes ao turismo. O cartão-postal e seus usos Dentre as diferentes versões sobre a invenção do cartão-postal estão: a atribuída aos norteamericanos H. L. Lipman e J. P. Charlton, que patentearam no final de 1861 o intitulado Lipman s postal Card ; a Heinrich von Stepan, diretor dos Correios da Confederação da Alemanha do Norte, por ter colocado a ideia na Conferência Postal Germano-Austríaca, em 1865; e a mais aceita, que, para Venturini (2001), é a do economista austro-húngaro Emmanuel Hermman, que produziu uma 2

3 coleção que foi recebida e divulgada em matéria de jornal sob o título de uma nova forma de correspondência pelo correio, em Independente das controvérsias criadas acerca da criação do cartão-postal, as condições que proporcionaram o avanço nas técnicas de fotografia e culminante processo de disseminação de imagens pelo mundo, internacionalizando fluxos socioculturais são mais relevantes, pois para Franco (2006, p.26), a veiculação e o consumo plural de imagens que se iniciaram neste momento histórico demonstram o universal interesse pelo visual em que o Homo Sapiens está se tornando, cada vez mais, um Homo Videns correndo o risco de se perder nesse mar de imagens que se torna cada vez mais presente em sua vida. Inicialmente, o formato do cartão-postal como uma correspondência aberta, sem invólucro protetor e, ainda, somente com uma mensagem, sem imagens, causou certo desconforto e resistência, sobretudo das classes dominantes por conta de não haver privacidade de conteúdo. Porém, teve rápida aceitação no mundo todo, principalmente no período dos grandes conflitos e guerras, pois passavam sem problemas nos censores de mensagens, sendo que, ironicamente, o cartão-postal que hoje associamos a ideias de lazer e felicidade, teve como função inicial comunicar a amigos e parentes uma única notícia: a sobrevivência.. (Franco, 2006, p.27) De acordo com Venturini (2001), por volta de 1875 surgiram as primeiras imagens nos anversos dos cartões-postais mostrando cenas da guerra franco-prussiana, sendo que para Franco (2006), a partir de 1891, imagens fotográficas, principalmente de paisagens, tomaram conta dos cartões-postais e se firmaram como veículo ideal para mensagens breves e objetivas em meio a uma sociedade envolta na aceleração do processo do trabalho e da vida cotidiana. O apogeu do cartão-postal se deu no final do século XIX e início do século XX, em que retratava a evolução dos novos meios de locomoção e, no bojo desse processo destacava-se o turismo das classes emergentes que, de acordo com Franco (2006), se utilizavam do cartão-postal como instrumento privilegiado e acessível de comunicação, como corrobora Vinha (2001, p.5): Na virada do século XIX para o século XX, foram realizadas Exposições Mundiais para divulgar novos produtos industriais e novas tecnologias. O cartão-postal passa a ser utilizado como suvenir. Divulga as feiras e serve de lembrança de outra cidade. Rapidamente são associados ao turismo, servindo como propaganda de um local, utilizando todo o poder de sedução da imagem para despertar o desejo. São os modelos tipo Gruss Aus (Lembrança de...) com a imagem de algum local característico da cidade. Com as duas grandes guerras mundiais, houve grande declínio no uso do cartão-postal, sendo recuperado seu prestígio somente a partir da década de Porém, em relação aos seus usos, perdeu sua função informativa para se tornar objeto de uso turístico e social. 3

4 No Brasil, a cronologia referente aos cartões-postais segue os parâmetros europeus, com certo atraso, excetuando o que Vasquez (2002) classifica como período precursor do cartão-postal paisagístico, que se caracterizava pelas fotografias de vistas urbanas, sobretudo do Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Belém, São Paulo, Porto Alegre e Ouro Preto, realizadas por fotógrafos renomados como Guilherme Gaensly e Militão Augusto de Azevedo. Assim, desde sua criação até a contemporaneidade, os usos dados ao cartão-postal sofreram alterações de acordo com o momento histórico, acompanhando a evolução tecnológica, principalmente relacionada à comunicação. Baseada em Hunt (s/d) e Daltozo (2006), Franco (2006, p.30) compõe uma cronologia em relação ao desenvolvimento do cartão-postal, em que destaca as épocas e suas características: pré-história (cartões chineses de felicitações e cartões de visitas); precursores (cartão-postal proposto por Emmanuel Hermann e edição dos postais da Exposição Universal de Paris, em 1889); antigos (período compreendido entre 1889 e 1900, em que processos foram aperfeiçoados, com a utilização de cores e seu uso como souvenir); idade de ouro (de 1901 a 1918 na Europa e até 1930 no Brasil, marcada pelo colecionismo, imagens de paisagens e locais de interesse turístico); hibernação (de 1919 a 1960 na Europa e de 1931 até 1960 no Brasil, em que se diminui o colecionismo e aumenta a qualidade artística); renascimento (a partir de 1961 na Europa e 1971 no Brasil, sendo valorizado o cartão-postal antigo como documento de época, produção feita por fotógrafos renomados, museus e instituições culturais e o surgimento do e-card). Para Franco (2006), o cartão-postal é tido como um importante elemento de documentação histórica da atividade turística, do destino turístico e dos hábitos e práticas a ele associados, pois fornecem documentação histórica e social do passado, além de se configurar como promotor de lugares, contribuindo para sua notoriedade e prestígio. Essa promoção de lugares pode ser exemplificada pelas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro que, por meio de seus administradores, divulgaram imagens majestosas da idade de ouro, como edifícios públicos, jardins, casarões, estações ferroviárias e viadutos, a fim de demonstrar requinte e progresso tecnológico e atrair fluxos socioeconômicos e turísticos. Assim, a fabricação do cartão-postal sempre foi pautada por usos específicos, individuais ou coletivos, que podem ser religiosos, de informação e ideológicos, entre outros, como afirma Kossoy: As diferentes ideologias, onde quer que atuem, sempre tiveram na imagem fotográfica um poderoso instrumento para a veiculação das ideias e da consequente formação e manipulação da opinião pública, particularmente, a partir do momento em que avanços tecnológicos da indústria gráfica possibilitaram a multiplicação massiva de imagens através dos meios de informação e divulgação. (Kossoy, 1999, p.20) 4

5 Mesmo com a exacerbação do fluxo de imagens no mundo todo pelos mais diversos meios de comunicação, o uso do cartão-postal associado ao turismo ainda permanece ativo, principalmente nos países desenvolvidos, como salienta Protet (2002), citado por Franco (2006), que relata que os ingleses consomem 50 cartões-postais por pessoa, anualmente, os americanos atingem 70 cartõespostais por pessoa/ano e franceses 57 cartões-postais por pessoa/ano. Referente à produção, o crescimento médio é de 2% ao ano, somente na França, sendo que representa 7,5% dos gastos totais do país com material de papelaria. No Brasil, esses dados se alteram um pouco. No caso de São Paulo, considerando o grande fluxo de turistas, porém concentrados no segmento de negócios e eventos e não no de lazer, o que poderia interferir diretamente nos dados, o consumo de cartões-postais pelos turistas diminuiu consideravelmente, como constata Taffarel (2012): Antes vendidos às dezenas, os cartões-postais estão se tornando peça rara nas bancas de São Paulo. Os pontos que ainda oferecem a lembrança costumam estar próximos a locais turísticos. É o caso da avenida Paulista, que, além de ser a mais retratada, abriga a maior oferta de postais, justamente por causa da grande concentração de turistas. (Taffarel, 2012, p.9) Desta forma, constata-se a existência de uma íntima relação dos cartões-postais com o turismo, mesmo diante de oscilações ligadas às inovações tecnológicas e economia até específicas a segmentos, sobretudo nos principais destinos turísticos mundiais. A metrópole de São Paulo por meio do cartão-postal De acordo com Vinha (2001), São Paulo foi registrada por meio de imagens de cartão-postal feitas por fotógrafos profissionais e amadores, demonstrando a metamorfose ocorrida em seu espaço. Sob a perspectiva da periodização estabelecida por momentos de transição, a história de São Paulo pode ser dividida em períodos: São Paulo Colonial ( ); São Paulo Europeia ( ); São Paulo Moderna ( ); São Paulo Metrópole ( ) e São Paulo Global ( ). (Shibaki, 2010) Apesar de se estabelecer a partir da São Paulo Europeia, o uso do cartão-postal na exposição de imagens acabou abarcando todos os períodos citados mesmo que à posteriori, pois dentre suas características está o da fragmentação que, no caso de São Paulo, ocorre em alguns elementos, como o Pátio do Colégio, por exemplo, que simboliza o período da São Paulo Colonial. Desta forma, o registro das metamorfoses que ocorreram em seu espaço seguiu uma tendência mundial, ou seja, O desenvolvimento urbano da área central foi a linha temática adotada 5

6 pela produção de cartões-postais ao longo do século (Vinha, 2001, p.78), considerando sempre parâmetros de beleza e novidade, inclusive a subjetividade intrínseca ao fotógrafo, havendo reciprocidade entre a produção do cartão-postal e o registro documental do crescimento urbano. Em contraposição às imagens exploradas em cartões-postais de outras cidades brasileiras, em que a paisagem natural é comumente encontrada, esta característica é quase inexistente em São Paulo, pois como relata Vinha: Com São Paulo é diferente. As vistas panorâmicas de montanhas, vales, florestas e horizontes foram um pouco exploradas somente no primeiro momento da produção de postais, logo sendo substituídas pelo glamour dos edifícios de Ramos de Azevedo, pelas estruturas metálicas importadas da Europa, pelas novidades urbanas encontradas nessa cidade. Era necessário mostrar nossa civilidade, nossa capacidade em receber imigrantes e investimentos estrangeiros. Era preciso mostrar que aqui não havia apenas índios e florestas. (Vinha, 2001, p.168) A primeira série de cartões-postais ilustrada foi editada em agosto de 1897 pelo Estabelecimento Gráfico V. Steidel & Cia, do fotógrafo amador e empresário Victor Vergueiro Steidel, contendo vistas de São Paulo que provavelmente foram feitas com base nas fotos de Guilherme Gaensly, fotógrafo Suíço que trabalhou em São Paulo de 1890 a 1915, constituindo importante registro fotográfico da época. (Gerodetti & Cornejo, 1999) Para Vinha (2001), o cartão-postal se caracterizou como um produto que acabou se popularizando e por ter um valor acessível, possibilitou, por demonstrar prestígio social, que fosse colecionado de diversas formas, pendurados em quadros na parede ou arquivados em álbuns, porém sua inserção na atividade turística era evidenciada nos pontos de venda: hotéis e livrarias. Já no período da São Paulo Europeia, em consonância com os movimentos de reformulação urbanística iniciados na Europa nas primeiras décadas do século XX, uma nova mentalidade mundial influenciou as maiores cidades brasileiras, trazendo para elas modelos urbanísticos e arquitetônicos europeus. No caso de São Paulo, em que as elites oligárquicas desejavam impor sua pujança econômica, essa reformulação urbanística veio ao encontro das ações para apagar os traços coloniais que representavam o atraso e a pobreza e afirmar a posição de cidade moderna, sintonizada com o mundo. Assim: Transformaram-se em cartão-postal o surgimento de monumentos arquitetônicos, como a Catedral da Sé, o Teatro Municipal, o Teatro São José, as novas avenidas, os edifícios arquitetônicos da elite paulistana, como o palacete Prates, além de transformações culturais, esportivas e sociais como a evolução dos meios de transporte etc. (Vinha, 2001, p.26) Nos períodos referentes a São Paulo Moderna e São Paulo Metrópole, a imagem contida nos cartões-postais alterou-se significantemente, limitando-se a pequenos espaços, recortes fotográficos 6

7 e enquadramentos fechados, destacando os arranha-céus, as grandes avenidas, os monumentos e as fotografias aéreas, inclusive os registros das transformações socioculturais que estavam presentes no bojo dos movimentos da Semana de Arte Moderna, como a popularização do futebol e as corridas de cavalo, traduzidas sempre com ênfase na materialidade presente no arquitetônico, como os estádios de futebol e o Jóquei Clube. (Vinha, 2001) Na década de 1950 surgem as fotopostais aéreas que, para Vinha (2001), enalteciam sua característica principal na difusão de imagens panorâmicas, reforçando a importância do cartãopostal que ainda mantinha sua condição de souvenir de turistas. Já nas comemorações do IV Centenário de São Paulo, em 1954, houve expressiva produção de imagens por meio dos cartõespostais que, logo em seguida, começou a perder seu prestígio em função dos avanços tecnológicos nos meios de comunicação, como a televisão. A novidade urbana sempre foi um critério adotado na seleção de imagens para ilustrar os cartões-postais. Assim, da mesma forma que a expansão urbana começa a avançar do Centro para a Avenida Paulista há uma acompanhamento na confecção deste material, inclusive nas reformulações urbanas, ocorridas no Centro e em seus principais símbolos, como a Catedral da Sé e o Vale do Anhangabaú, por exemplo. Na última década do século XX, diante de uma realidade em que os meios de comunicação em geral tem poder absoluto sobre as imagens, inclusive com a existência do cartão-postal virtual 2, os temas retratados por meio do cartão-postal tradicional que, mesmo perdendo o glamour de outras épocas, não deixou de existir e ainda cumpre seu papel de divulgar, sendo que, nesta década, a ênfase é dada aos lugares clássicos, como o vale do Anhangabaú, a Praça da Sé, A Avenida Paulista, o Pátio do Colégio, o Largo Paissandu, a Praça da República (Vinha, 2001, p.43). Assim, no período compreendido entre 1897 a 1997, a produção de cartões-postais de São Paulo se classifica conforme a configuração do quadro 1: Quadro 1 Classificação dos cartões-postais produzidos de 1897 a 1997 Classificação Marcos / Imagens Fragmentos da Cidade Jardim da Luz; Edifício Itália; Masp em obras; Edifício CBI Viaduto do Chá; Parque Ibirapuera; Fachada da Secretaria da Justiça. Panorâmicas / Aéreas Bairro da Luz; Praça Clóvis e Praça da Sé; Avenida Paulista x Avenida Consolação; Campos Elísios; Avenida São João e Anhangabaú; Masp e Parque Siqueira Campos. Ruas / Avenidas Rua XV de Novembro; Rua São Bento; Rua Direita; Avenida Ipiranga; Avenida Nova Anhangabaú; Avenida 9 de Julho; Elevado Costa e Silva; Avenida 23 de Maio; Avenida Paulista. Transporte O trem; Charretes e carroças; Fiscal de veículo o bonde; O bonde os automóveis; Rodovia Anchieta; Aeroporto de 2 Cartão-postal acessado pela Internet que pode ser enviado a qualquer endereço eletrônico. (Vinha, 2001) 7

8 Congonhas; Estação Ferroviária Sorocabana; Antiga Rodoviária; Metrô; Rodoviária Tietê; Ponte aérea; Aeroporto Internacional de Guarulhos. Equipamento Urbano Viaduto do Chá; Túnel 9 de Julho e Trianon; Antena de Transmissão de Sinais Televisivos; Viaduto Santa Ifigênia; Passagem Subterrânea sob Avenida São João; Complexo Viário Cebolão. Avenida Paulista Fotografia da fase dos casarões (convite de exposição); Fundo dos casarões e Parque Trianon; Esquina com Doutor Arnaldo; Fotografia com o bonde ao fundo; Fotografia com destaque do Masp; Esquina com Rua da Consolação. Praça / Largo Largo da Sé; Praça do Correio; Largo da Misericórdia; Praça do Patriarca; Praça da Sé; Praça da Bandeira; Pátio do Colégio; Praça dos Arcos (Avenida Paulista). Escola / Faculdade / Instituto Faculdade de Direito; Escola Politécnica; Escola de Comércio; Faculdade de Medicina; Escola Normal; Instituto Butantã; Universidade de São Paulo. Edifícios Secretaria da Agricultura e Secretaria da Fazenda; Edifício Sampaio Moreira; Edifício Copan e Hotel Hilton; Palacete Dona Veridiana; Edifícios Banespa, Banco do Brasil e Martinelli; Edifícios Praça da República. Martinelli Cartões-postais do Edifício Martinelli em diferentes ângulos, vistas e momentos históricos. Teatro Municipal Cartões-postais do Teatro Municipal em diferentes ângulos, vistas e momentos históricos. Trianon / Masp Cartões-postais do Trianon e Masp em diferentes ângulos, vistas e momentos históricos. Museu Paulista (Ipiranga) Cartões-postais do Museu Paulista em diferentes ângulos, vistas e momentos históricos. Monumento às Bandeiras Cartões-postais do Monumento às Bandeiras em diferentes ângulos, vistas e momentos históricos. Parque Jardim da Luz; Parque D. Pedro II; Parque Ibirapuera; Marquise do Ibirapuera. Esporte Regatas no Tietê; Estádio do Pacaembu; Estádio do Morumbi; Ypódromo da Mooca; Hipódromo; Jóquei Clube. Igrejas Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos; Igreja de São Bento; Igreja da Achiropita; Igreja de São Pedro e Igreja da Sé; Catedral da Sé construção das torres; Catedral da Sé. Poesia Visual Lago Ibirapuera; Edifício Copan; Entardecer em São Paulo. Fonte: Adaptado de Vinha (2001). In: Shibaki (2010). De acordo com o quadro 1, a concentração espacial dos cartões-postais demonstra que foram priorizadas as imagens referentes ao Centro, com pouca ocorrência em outras regiões de São Paulo, que apontam características específicas, como as ligadas aos órgãos públicos, igreja e expansão urbana, entre outras. Dentre as várias editoras que produziam cartões-postais de São Paulo, como a Litoarte e Post Card, somente a Brascard (que atua há mais de 25 anos) e Studio Stajano (que atua há 18 anos) ainda se mantém no mercado, restringindo sua comercialização a bancas de jornal e livrarias que, por sua vez, limitam-se a espaços específicos, como as bancas de jornal e livrarias da Avenida Paulista. 8

9 Assim, abarcando o período da São Paulo Global, dentre os 45 cartões-postais mais comercializados pela Brascard e 58 do Studio Stajano, sua concentração espacial se resume a poucas imagens da metrópole, que foram classificadas no quadro 2: Quadro 2 Classificação das imagens dos cartões-postais produzidos pela Brascard e Studio Stajano nº de cartões-postais Classificação 41 Centro (Vale do Anhangabaú, Praça da Sé, Praça da República, Estação Júlio Prestes, Praça Ramos de Azevedo, Teatro Municipal, Viaduto do Chá, Parque D. Pedro II, Edifício Itália, Edifício Copan, Pátio do Colégio, Largo São Francisco, Complexo Cultural Júlio Prestes, Mosteiro de São Bento, Correio Central, Praça João Mendes, Mercado Municipal, Edifício Altino Arantes, Palácio das Indústrias, Catedral da Sé, Viaduto Santa Ifigênia, Estação da Luz) 22 Avenida Paulista (Fiesp, Masp, Parque Trianon, Conjunto Nacional, Parada do Orgulho Gay) 14 Bairros (Pacaembu, Morumbi, Jardins, Moema, Itaim, Liberdade) 10 Parque do Ibirapuera (Obelisco, Mam, Monumento às Bandeiras) 10 Região da Marginal Pinheiros e Ponte Estaiada 06 Estádios de Futebol (Estádio Cícero Pompeu de Toledo Morumbi, Estádio Paulo Machado de Carvalho Pacaembu, Estádio Parque Antártica) Fonte: Adaptado de Shibaki, Um dos poucos cartões-postais que não foram elencados no quadro 2, por não pertencer à condensação espacial identificada é referente ao Museu Paulista, que é comercializado tanto pela Brascard, quanto pelo Studio Stajano. A relação comparativa entre o quadro 1 e o quadro 2 revela que a importância dada à região central encontrada no primeiro permanece no segundo, ou seja, independente do tempo histórico, as regiões centrais das cidades sempre tem forte apelo junto ao turismo, o que é evidenciado na quantidade e frequência dos cartões-postais. Já nos cartões-postais referentes à Avenida Paulista (no total de 22, segundo o quadro 2) são exacerbadas as imagens panorâmicas, panorâmicas aéreas e vistas noturnas, além de imagens específicas do Museu de Arte de São Paulo (Masp), Parada do Orgulho Gay, Conjunto Nacional, Parque Trianon e Edifício da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). De acordo com o quadro 2, os bairros identificados (no total de 14 imagens) foram: Pacaembu, Morumbi, Jardins, Moema, Itaim e Liberdade, todos pertencentes ao chamado centroexpandido de São Paulo. O Parque do Ibirapuera foi identificado em 10 cartões-postais, sendo que semelhante às características exemplificadas na Avenida Paulista há o predomínio de panorâmicas e panorâmicas aéreas, que em algumas imagens constam a presença de ícones específicos, como o Museu de Arte Moderna (Mam), o Obelisco e o Monumento às Bandeiras. Do total das 10 imagens referentes à região da Marginal Pinheiros e Ponte Estaiada (Octavio Frias de Oliveira), o predomínio 9

10 das panorâmicas e panorâmicas aéreas também é notado, inclusive com vistas noturnas. Já os estádios de futebol classificados (no total de 6 imagens) foram os estádios Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi), Paulo Machado de Carvalho (Pacaembu) e Palestra Itália. Segundo Shibaki (2010), a produção dos cartões-postais segue a dinâmica do mercado consumidor, ou seja, os turistas nacionais e internacionais que compram cartões-postais de São Paulo tem o intuito de possuir um souvenir como forma de identificação do local visitado e quanto mais familiar for a imagem, mais atrativo se torna o cartão-postal, conforme destaca Girault (1983), acerca da repetição excessiva das imagens, sobretudo como função de consolidação dos destinos nos imaginários turísticos: Sucede que o cartão-postal é adquirido, sobretudo, durante o período de férias. Ou seja: num momento no qual o comprador apresenta certa demissão do esforço intelectual, deixando que aflorem seus gostos primários. Diante de um display de cartões-postais, todos os indivíduos possuem o mesmo gosto e compram sempre os mesmos cartões. É bastante provável que um número significativo desses indivíduos, caso fosse forçado a escolher um cartão-postal durante o período de vida profissional ativa, faria um esforço e escolheria outro tipo de fotografia (Girault, 1983, citado por Vasquez, 2002) Corroborando com Girault (1983) citado por Vasquez (2002) e do que foi constatado em relação às imagens dos cartões-postais referentes ao quadro 2, Franco (2006, p.49) salienta que a repetição sucessiva das imagens tem uma importante função na consolidação da imagem do lugar nos imaginários turísticos coletivo e individual, pois é essa repetição que provoca a sensação de reconhecimento e o desejo de visitação e experimentação. Além disso, e no caso específico de São Paulo, essa condensação de imagens em apenas 6 espaços específicos pode ser analisada sob a perspectiva de um espraiamento urbano voltado para o mercado, sobretudo o imobiliário, que se concentra em um perímetro chamado de centro expandido 3, o qual acaba por excluir outras imagens de São Paulo, que poderiam ser melhor apropriadas pelo turismo. A identificação de uma transformação urbana evidenciada por meio dos cartões-postais tanto do passado quanto do presente revela que a seleção de imagens é realizada com direcionamentos específicos, enaltecendo as grandes obras de arquitetura e engenharia, remodelações urbanas e monumentos, ocultando outras parcelas do espaço urbano que, por não pertencerem a essa tendência que possui como característica um viés elitista e mercadológico, são excluídos da seleção de imagens dos cartões-postais. Exemplo disso pode ser constatado nos 3 O centro expandido de São Paulo é um espaço localizado ao redor do Centro Histórico, delimitado pelo chamado minianel viário, composto pelas marginais dos rios Tietê e Pinheiros, as avenidas Salim Farah Maluf, Afonso d Escragnolle Taunay, Bandeirantes, Juntas Provisórias, Presidente Tancredo Neves, Luís Inácio de Anhaia Melo e o complexo viário Maria Maluf. 10

11 atrativos turísticos localizados fora do centro expandido, bem como em bairros periféricos. (Shibaki, 2010) Autores como Fix (2007), Ferreira (2007), Cruz (2007), Pereira & Spolon (2007) e Cruz (2007), entre outros, que trataram da temática da expansão urbana de São Paulo sob enfoques diferentes, também evidenciaram a questão das discrepâncias socioespaciais, em que são beneficiadas as áreas inseridas no centro expandido, com ênfase no vetor sudoeste. Assim, o paradoxo intrínseco no cartão-postal pode ser compreendido pelo jogo da revelação e ocultação, em que a aparente totalidade é, na realidade, apenas um fragmento de um todo muito maior e complexo, em que estão presentes aspectos sociais, econômicos e políticos. Roteiro de cartão-postal Considerando a supressão das imagens obtidas por meio dos cartões-postais na classificação realizada, poder-se-á configurar um roteiro hipotético, o qual o turista terá como pontos turísticos a serem visitados: o Centro Histórico, a Avenida Paulista, os bairros do Pacaembu, Morumbi, Jardins, Moema, Itaim e Liberdade, o Parque do Ibirapuera, a região da Marginal Pinheiros e Ponte Estaiada e os estádios de futebol (Pacaembu, Morumbi e Parque Antártica). Para um turista que tem como motivação de viagem o lazer, os pontos turísticos citados podem parecer escassos, pois estão limitados a poucos espaços específicos, sobretudo em relação aos bairros e a região da Marginal Pinheiros e Ponte Estaiada, que foram retratados nos cartõespostais de forma subjetiva, sem nenhum atrativo específico, o que poderia ser realizado no formato de tour em ônibus panorâmico, sem paradas. Desta forma, restariam somente os atrativos do Centro, da Avenida Paulista e os estádios de futebol. Já para um turista que tem como principal motivação o turismo de negócios e eventos, um roteiro restrito a apenas três espaços específicos (considerando a seleção de apenas um estádio de futebol), poderia até ser satisfatória, considerando que o tempo de permanecia de um turista de negócios e eventos em um destino é menor do que um turista de lazer. Segundo dados do Observatório de Turismo da Cidade de São Paulo, do total de turistas (nacionais e internacionais) que visitam São Paulo, 52,04% tem como motivação principal negócios, trabalho e eventos e 25,56% tem como principal motivação o lazer, sendo que a permanência média desses turistas na cidade é de 5,8 dias. (SPTuris, 2012). Assim, ambos os turistas (negócios/trabalho/eventos e lazer) costumam ficar menos de uma semana em São Paulo, reduzindo consideravelmente o número de atrativos que poderiam ser visitados. Considerando toda a oferta de turismo da metrópole, que pode ser encontrada em diferentes meios como, por exemplo, o site da SPTuris (órgão oficial de turismo da cidade de São 11

12 Paulo), tem-se diante do roteiro de cartão-postal proposto uma oferta pífia. Entretanto, a partir dos dados do quadro 3, que mostram os principais atrativos de São Paulo visitados por turistas nacionais e internacionais, tem-se como resultado uma convergência de atrativos com relação aos apresentados nos cartões-postais relacionados no quadro 2. Quadro 3 Principais atrativos turísticos visitados em São Paulo por turistas nacionais e internacionais Atrativo turístico visitado Total (%) Avenida Paulista (incluindo o Masp) 32,18 Centro (Mercado Municipal, Estação da Luz, Museu da Língua Portuguesa e Pinacoteca) 16,91 Parque do Ibirapuera 13,82 Estádio do Pacaembu (Museu do Futebol) 02,14 Outros 34,95 Fonte: Adaptado de SPTuris (2012). Portanto, apesar de uma imensa gama de atrativos turísticos ofertados em São Paulo, os mais visitados são os mesmos apresentados pelos cartões-postais, ou seja, vem ao encontro do que preconiza Franco (2006) em relação à fixação das imagens em relação aos lugares visitados pelos turistas acrescidos pela pouca disponibilidade de tempo estabelecida no destino. Distante da intenção de denegrir ou reduzir a importância do Centro, da Avenida Paulista, do Parque do Ibirapuera, da região da Marginal Pinheiros e Ponte Estaiada, bem como dos estádios de futebol identificados, a instituição de reflexões que permitam questionar as motivações que envolvem o processo de exposição e ocultação que se prestam os cartões-postais se fazem necessárias para que haja uma ampliação do horizonte do turismo em São Paulo, que permita ao turista conhecer com mais profundidade a metrópole, saindo do roteiro de cartão-postal e sendo introduzido a atrativos que o permitam usufruir outros elementos inerentes ao cotidiano da metrópole. Diante do exposto, o processo de exposição e ocultação pode ser compreendido no bojo da atividade turística não somente pelo viés excludente das manifestações socioespaciais, mas também pelo viés da oferta dos atrativos turísticos que, apesar de ser numerosa e diversificada, acaba por ser focalizada nos cartões-postais. Conclusões A partir de uma contextualização histórica das atribuições e dos usos do cartão-postal e consequente periodização referente à metrópole de São Paulo, em que houve formas de registro da expansão urbana ocorrida, os objetivos colocados acerca da identificação dos pontos turísticos constantes neste material na contemporaneidade resultaram em uma convergência de dados em 12

13 que a conformação de 6 imagens específicas (cartões-postais referentes ao Centro, Avenida Paulista, Parque do Ibirapuera, Bairros e Região da Marginal Pinheiros e Ponte Estaiada) acabaram por estar relacionadas também entre os atrativos mais visitados por turistas nacionais e internacionais. Essa convergência de imagens é explicada na necessidade de sua frequente repetição, a fim de fixá-las como atrativos e relacioná-las ao destino turístico, que passa a ser identificado com mais facilidade. Desta forma, a existência de intencionalidades implícitas no uso de imagens específicas nos cartões-postais foi identificada desde o surgimento deles, sobretudo em São Paulo, em que a evolução tecnológica e urbana necessitava ser exacerbada. As discrepâncias espaciais e sociais da metrópole, principalmente percebidas além do perímetro do centro expandido são sempre permeadas da tentativa de ocultação, sendo enaltecida somente a metrópole que demonstra pujança econômica, principalmente por meio de grandes obras urbanas e arquitetônicas. Assim, pesquisas que tratam de vieses específicos, como no caso do cartão-postal, se fazem necessárias para que haja compreensões que se conectem com outras, formando estudos relacionados a destinos turísticos mais densos e colaborativos. Referências Cruz, R. C. A. (2007). Geografias do turismo: de lugares a pseudo-lugares. São Paulo: Roca. Barnard, M. (2001). Approaches to understanding visual culture. New York: Palgrave. Boyer, M. (2002). La carte postale: um indicateur touristique. Espaces 199, Dec. Daltozo, J. C. (2006). Cartão-postal: arte e magia. Presidente Prudente: Gráfica Cipola. Ferreira, J. S. W. (2007). O mito da cidade-global: o papel da ideologia na produção do espaço urbano. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo, SP: Editora Unesp; Salvador, BA: Anpur. Fix, M. (2007). São Paulo cidade global: fundamentos financeiros de uma miragem. São Paulo, Boitempo. Franco, P. S. (2006). Cartões-Postais: fragmentos de lugares, pessoas e percepções. In: Métis: história & cultura. Revista de História da Universidade de Caxias do Sul. v. 5, n.9, p.25-62, jan./jun. Gerodetti, J. E.; Cornejo, C. (1999). Lembranças de São Paulo: a capital paulista nos cartões-postais e álbuns de lembranças. São Paulo: Studio Flash Produções Artísticas. Hunt, J. (s/d). Memories with a view: the history of postcards. Disponível em: <http://www.freearticlesandcontent.com/article/2221/memories_with_a_view:_the_history_ofpostcards.php>. Acesso em: 20 fev Kossoy, B. (1999). Realidades e ficções na trama fotográfica. São Paulo: Ateliê Editorial. Meneses, U. T. B. (2003). Fontes visuais, cultura visual, história visual. Balanço provisório, propostas cautelares. In: Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 23, nº 45, p Pereira, P. C. X.; Spolon, A. P. G. (2007). Turismo, hotelaria e imagem urbana: a construção e o consumo de espaços de simulação. Scripta Nova. Revista Electrónica de Geografia y Ciencias Sociales. Barcelona: Universidad de Barcelona, 1 de agosto de 2007, vol. XI, num. 245 (59). Disponível em: <http://www.ub.es/geocrit/sn/sn htm [ISSN: ]. Acesso em: 01 out Shibaki, V. V. (2010). Ícones urbanos na metrópole de São Paulo. Tese de Doutorado. Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, São Paulo. 13

14 Spturis. (2012). Demanda turística nacional e internacional para a cidade de São Paulo. Observatório de Turismo da Cidade de São Paulo. São Paulo: São Paulo Turismo. Taffarel, A. (2012). Paulista é o clichê dos clichês entre os postais. In: Folha de S. Paulo. Caderno Cotidiano, 23 mar. p.c8-c9. Vasquez, P. K. (2002). Postaes do Brazil. São Paulo, Metalivros. Venturini, C. M. M. (2001). Cartão-Postal: o tempo de uma cidade. Belém: Lato & Sensu, v.2, n.3-4, p.90-92, dez. Vinha, A. M. C. N. (2001). Cartão-postal: cem anos de retrato da cidade de São Paulo Dissertação de Mestrado. São Paulo: FAUUSP. 14

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