RAIMUNDO NONATO MEDEIROS DE ARAÚJO

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1 CENTRO TECNOLÓGICO DA ZONA LESTE FACULDADE DE TECNOLOGIA DA ZONA LESTE RAIMUNDO NONATO MEDEIROS DE ARAÚJO UMA PROPOSTA DE IMPLANTAÇÃO DE UM TRANSELEVADOR NA OTIMIZAÇÃO DOS PROCESSOS DE DESEMBARAÇO DE CARGAS IMPORTADAS NO TERMINAL DE CARGA AÉREA DA INFRAERO VIRACOPOS/CAMPINAS São Paulo 2005

2 CENTRO TECNOLÓGICO DA ZONA LESTE FACULDADE DE TECNOLOGIA DA ZONA LESTE RAIMUNDO NONATO MEDEIROS DE ARAÚJO UMA PROPOSTA DE IMPLANTAÇÃO DE UM TRANSELEVADOR NA OTIMIZAÇÃO DOS PROCESSOS DE DESEMBARAÇO DE CARGAS IMPORTADAS NO TERMINAL DE CARGA AÉREA DA INFRAERO VIRACOPOS/CAMPINAS Monografia apresentada no curso de Tecnologia em Logística com ênfase em transporte na FATEC ZL como requerido parcial para obter o Título de Tecnólogo em Logística com ênfase em Transporte Orientador: Prof. Célio Daroncho São Paulo 2005

3 S121d Araujo, Raimundo Nonato Medeiros Uma proposta de implantação de um transelevador na otimização dos processos de desembaraço de cargas importadas no terminal de carga aérea da INFRAERO Viracopos/Campinas / Raimundo Nonato Medeiros de Araujo. São Paulo, SP: [s.n], f. Orientador: Célio Daroncho. Faculdade de Tecnologia da Zona Leste. Bibliografia: f. 1. Transelevador. 2. Desembaraço. 3. Armazenagem. I. Daroncho, Célio. II. Faculdade de Tecnologia da Zona Leste.

4 CENTRO TECNOLÓGICO DA ZONA LESTE FACULDADE DE TECNOLOGIA DA ZONA LESTE RAIMUNDO NONATO MEDEIROS DE ARAÚJO UMA PROPOSTA DE IMPLANTAÇÃO DE UM TRANSELEVADOR NA OTIMIZAÇÃO DOS PROCESSOS DE DESEMBARAÇO DE CARGAS IMPORTADAS NO TERMINAL DE CARGA AÉREA DA INFRAERO VIRACOPOS/CAMPINAS Monografia apresentada no curso de Tecnologia em Logística com ênfase em transporte na FATEC ZL como requerido parcial para obter o Título de Tecnólogo em Logística com ênfase em Transporte. COMISSÃO EXAMINADORA Prof. Célio Daroncho Faculdade de Tecnologia da Zona Leste Prof. Cláudio Antônio Gomes Faculdade de Tecnologia da Zona Leste Prof. Érico Francisco Innocente Faculdade de Tecnologia da Zona Leste São Paulo, 21 de novembro de 2005.

5 A Deus, aos meus pais e aos meus amigos... Companheiros de todas as horas...

6 AGRADECIMENTOS À Empresa de Infra-estrutura Aeroportuária INFRAERO, empresa onde trabalho há três anos, pela oportunidade concedida para a realização deste curso, concluído com este trabalho. À Faculdade de Tecnologia da Zona Leste FATEC-ZL, a qual me proporcionou o conhecimento para a realização deste trabalho. Ao Prof. Célio Daroncho, Orientador, braço amigo de todas as etapas deste trabalho. A minha família, pela confiança e motivação. Aos amigos e colegas, pela força e pela vibração em relação a esta jornada. Aos professores e colegas de Curso, pois juntos trilhamos uma etapa importante de nossas vidas. Aos colegas de trabalho, que me auxiliaram fornecendo informações que se fizeram necessárias à elaboração deste trabalho. A todos que, com boa intenção, colaboraram para a realização e finalização deste trabalho. Aos que não impediram a finalização deste estudo.

7 Não basta ter força de vontade. Sua vontade tem que ter força. Autor desconhecido

8 RESUMO Este trabalho procura analisar as vantagens e desvantagens da implantação de um transelevador no Terminal de Carga Aérea da INFRAERO. Para isso, realizou-se uma pesquisa detalhada de todos os processos realizados no desembaraço da carga importada. O foco principal foi dado ao setor de armazenagem, por ser esse, o objeto de automação. O tempo de puxe da carga foi o parâmetro utilizado nas duas situações apresentadas no estudo de caso, para se analisar o processo de armazenagem antes e depois da implantação do transelevador. Na avaliação final verifica-se o potencial da automação nos processos logísticos tanto na redução dos custos quanto na satisfação de clientes. Palavras-chaves: Transelevador, desembaraço, armazenagem.

9 ABSTRACT This paper aims to analyze the advantages and disadvantages of an implantation of a transelevator at INFRAERO s Air Freight Terminal. So, a detailed research of all processes made during the clearance of cargoes was made. The main focus was on the storage department which is the object of automation. The pull cargo time was used as a reference in both situations presented on the case, as a way of analyzing the storage process before and after the implantation of the transelevator. On a final evaluation, the automation potential of logistics processes in reducing costs and providing satisfaction to customers is recognized. Key-words: Transelevator, clearance, storage.

10 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Impactos Econômicos do Transporte Aéreo...25 Figura 2 - Receita Logística...27 Figura 3 - Etiqueta com Código de Barras Emitida pelo TECAPLUS...43 Figura 4 - TECAPLUS Módulo Importação...44 Figura 5 - Módulo Importação / Visualizar Carga...44 Figura 6 - Container Aéreo...45 Figura 7 - Pallet Aeronáutico...45 Figura 8 - Tecaplus Módulo Relatório Importação...46 Figura 9 - Módulo Relatório Importação / Cargas Puxadas no Dia...46 Figura 10 - Evolução de Cargas Movimentadas nos Armazéns de Importação da INFRAERO...48 Figura 11 - Movimento de Carga Aérea no Brasil / Importação...48 Figura 12 - Transelevador do Terminal de Carga Aérea da INFRAERO Viracopos/Campinas...50 Figura 13 - Esteiras Transportadoras...51 Figura 14 - SISCOMEX...53 Figura 15 - SISCOMEX / MANTRA / Importação...53 Figura 16 - Transferência de Dados do TECAPLUS para o MANTRA...54 Figura 17 - Descarregamento da Aeronave...54 Figura 18 - Movimentação do Pallet Aeronáutico para o Terminal de Carga Aérea.55 Figura 19 - Linhas Roletadas de Espera...56

11 Figura 20 - Despaletização de Cargas...57 Figura 21 - Cargas Embaladas com Filme Strech...57 Figura 22 - Pesagem de Cargas...57 Figura 23 - Carga Identificada para Armazenagem...58 Figura 24 - Entrada de Cargas no Transelevador com o Uso de Paleteira...59 Figura 25 - Entrada de Cargas no Transelevador Após o Uso de Paleteira...59 Figura 26 - Entrada de Cargas no Transelevador com o Uso de Empilhadeira...60 Figura 27 - Transportadores Automáticos...60 Figura 28 - Scanner...61 Figura 29 - Pesagem e Conferência das Dimensões da Carga...61 Figura 30 - Display Eletrônico...62 Figura 31 - Envio da carga para correção...62 Figura 32 - Sistema de endereçamento do transelevador automático...63 Figura 33 - Sistema de endereçamento do transelevador automático...63 Figura 34 - Movimentação da carga para armazenagem pelo transelevador...64 Figura 35 - Berço de Entrada das Cargas no Transelevador...64 Figura 36 - Retirada da Carga do Berço do Transelevador...65 Figura 37 - Retirada da Carga do Berço do Transelevador...65 Figura 38 - Armazenamento da Carga na Estrutura Porta-Pallets...65 Figura 39 - Armazenamento da Carga na Estrutura Porta-pallets...66 Figura 40 - Retirada da Carga da Estrutura Porta-pallets...68 Figura 41 - Retirada da Carga da Estrutura Porta-pallets...69 Figura 42 - Movimentação da Carga para a Saída do Transelevador...69

12 Figura 43 - Movimentação da Carga para a Saída do Transelevador...69 Figura 44 - Transportadores Horizontais de Saída de Carga...70 Figura 45 - Transportadores Horizontais de Saída de Carga...70 Figura 46 - Elevadores de Carga...71 Figura 47 - Elevadores de Carga...71 Figura 48 - Envio da Carga para o Setor de Liberação...71 Figura 49 - Estação de Entrega de Carga da INFRAERO...72 Figura 50 - Estação de Entrega de Carga da INFRAERO...72 Figura 51 - Doca de Entrega de Carga...73 Figura 52 - Carregamento da Carga no Veículo do Transportador/importador...73 Figura 53 - Armazém sem o Transelevador...78 Figura 54 - Armazém sem o Transelevador...78 Figura 55 - Tarifa de Armazenagem após e antes do período de 24 horas de armazenagem para cargas com tratamento TC4...83

13 LISTA DE ABREVIATURAS ALC AWB BNDES CIP CLM DAI DARF DI FIFO GATT HAWB ICMS IN - Área de Livre Comércio - Airway Bill - O Banco do Desenvolvimento de Todos os Brasileiros - Cost, Insurance and Freight Paid - Council of Logistics Management - Documento de Arrecadação de Importação - Documento de Arrecadação da Receita Federal - Declaração de Importação - First In / First Out - Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio - House Airway Bill - Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias - Instrução Normativa INFRAERO - Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária IPI MANTRA NCM PIB - Imposto sobre Produtos Industrializados - Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento. - Nomenclatura Comum do Mercosul - Produto Interno Bruto RECOF - Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado

14 RIPI SGA - Regulamento do Imposto sobre Produtos Importados - Administration Guide System SISCOMEX - Sistema Integrado de Comércio Exterior SITCA SLIP SNEA SRFB TC4 TEC TECA - Sistema de Terminal de Carga - Etiqueta de Movimentação de Carga - Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias - Secretaria da Receita Federal do Brasil - Trânsito Aduaneiro Imediato - Tarifa Externa Comum - Terminal de Carga Aérea TECAPLUS - Sistema Informatizado de Controle de Carga TIPI ULD ZFM - Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - Unit Load Device - Zona Franca de Manaus

15 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO Objetivo Método Justificativa LOGÍSTICA Evolução e Conceito de Logística Custos Logísticos Logística no Setor Aéreo Aeroporto Carga aérea IMPORTAÇÃO Conceito de Importação Importações definitivas Importações não-definitivas Nacionalização Sistema Fiscal Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) Imposto de Importação Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS) ESTUDO DE CASO...37

16 4.1. Histórico da Empresa Sistema TECAPLUS Automação Transelevador Terminal de Importação Recebimento Ponto zero Armazenagem Liberação Análise de Custos O processo de armazenagem sem o transelevador O processo de armazenagem com o transelevador Método para a análise Características da Carga Caso 1: O puxe da carga no Armazém sem o Transelevador Caso 2: O puxe da carga no Armazém com o Transelevador Resultados...81 CONSIDERAÇÕES FINAIS...84 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...86

17 17 1. INTRODUÇÃO Atualmente, com o acelerado crescimento observado no comércio internacional, nota-se um considerável aumento da movimentação de cargas através do modal aéreo. A escolha de importadores por esse tipo de modal pode estar relacionada à agilidade e segurança oferecidas pelo mesmo. Segundo Rodrigues (2004, p.97), cargas perecíveis como ativos para a fabricação de remédios, vacinas, entre outras e que necessitam de um transporte rápido, são comumente importadas utilizando-se o modal aéreo. Outro tipo de carga que normalmente é transportada por este modal são aquelas consideradas de alto valor agregado tais como: equipamentos eletrônicos, celulares, processadores para computador, etc. Como administradora dos aeroportos brasileiros a INFRAERO Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária, oferece suporte a uma pequena parte de todo processo logístico que muitas empresas, que necessitam do transporte aéreo, dependem para exercer suas atividades. A INFRAERO é uma empresa pública de grande credibilidade no mercado. Vinculada ao Ministério da Defesa, administra 66 aeroportos brasileiros, 81 unidades de apoio à navegação aérea e 32 terminais de logística de carga. A cada ano, cerca de 330 milhões de pessoas passam por estes aeroportos. Em 2004, os aeroportos registraram cerca de dois milhões de pousos e decolagens. (INFRAERO, 2005) A INFRAERO armazena e paletiza 1,3 milhão de toneladas de cargas aéreas por ano. Os negócios na área de logística de carga são responsáveis por 26% do total de receitas da INFRAERO, fazendo deste o mais rentável e promissor dos serviços prestados pela empresa. (INFRAERO, 2005) Os terminais de carga, instalados em 32 aeroportos, possuem espaço total de 260 mil m². Com equipamentos de última geração, possuem infraestrutura moderna e completa para receber as mais diversas mercadorias. Os terminais contam com câmaras frigoríficas, áreas especiais para material

18 18 radioativo e produtos químicos, instalações para carga viva, cargas restritas e câmaras mortuárias além de transelevadores automáticos para a movimentação e armazenagem das cargas. (INFRAERO, 2005) O maior terminal em concentração de volume de carga do Brasil é o do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas. Com área de 77 mil m² destinados somente à armazenagem de cargas, o aeroporto tem vocação para se transformar em um dos maiores centros de distribuição de carga do mundo. (INFRAERO, 2005) Os processos realizados no desembaraço de cargas importadas dentro do Terminal de Carga Aérea (TECA) requerem agilidade e exatidão das informações prestadas, uma vez que estão subordinados às exigências legais tais como o pagamento de taxas, apresentação de documentação pertinente, autorização da Secretaria da Receita Federal, entre outras. Segundo a Portaria nº 219/GC-5 (2001, art. 14), para o cliente/importador o tempo de permanência da carga dentro do TECA é o fator crítico, pois todos os custos de armazenagem e movimentação de carga estão baseados nele. Já para a INFRAERO, segundo observado na IN SRFB nº 79 (2001, art.46), o fator crítico neste processo é a rastreabilidade e a segurança da carga. A quantidade de volumes dentro do armazém é muito alta e faz-se necessário a utilização de mecanismos que possam localiza-las com rapidez e exatidão em qualquer etapa do processo. Um volume não localizado gera custos tanto para o cliente/importador quanto para a INFRAERO Objetivo O objetivo deste trabalho é o de analisar os processos no desembaraço de cargas importadas dentro do TECA Importação da INFRAERO, afim de propor a otimização dos mesmos através da implantação de um transelevador, bem como

19 19 analisar os custos desta implantação e quais os benefícios que este pode trazer para a empresa e clientes, na movimentação e armazenagem de cargas Método Para a realização deste trabalho adotar-se-á o método de pesquisa operacional no qual procura-se identificar todos os processos utilizados para o desembaraço de cargas importadas no TECA da INFRAERO Viracopos/Campinas e ainda referências bibliográficas em livros, artigos científicos, entre outros suportes Justificativa Redução dos custos, melhoria do nível de serviço e rapidez na realização dos processos de desembaraço de cargas no TECA Importação da INFRAERO, são aspectos relevantes para a realização desta pesquisa, pois aumentam a competitividade da empresa e a colocam como uma das melhores em seu ramo de atividade no mercado nacional e internacional.

20 20 2. LOGÍSTICA A Logística foi aplicada como atividade de apoio às operações militares, durante a Segunda Guerra Mundial ( ), auxiliando nas decisões estratégicas e de tática. [...] a necessidade de abastecimento das tropas em diversos lugares do mundo, durante a Segunda Guerra Mundial, promoveu o desenvolvimento da visão da Logística Militar, surgindo como um pontapé inicial para a utilização dos Conceitos de Logística nas empresas. (ROCHA, 2001, p.29) Desde então, a Logística vem se tornando ao longo do tempo, cada vez mais, uma peça fundamental na administração empresarial, pois promove o crescimento e aumenta a competitividade da empresa. Os ganhos potenciais resultantes de se rever a administração das atividades logísticas está transformando a disciplina numa área de importância vital para uma grande variedade de empresas. (BALLOU, 2001, p.18) 2.1. Evolução e Conceito de Logística Segundo Ballou (2001, p.29), nos anos 50, após a 2º Grande Guerra Mundial, o governo americano estimulou a reestruturação dos procedimentos industriais por todo o planeta, antes totalmente direcionados aos esforços de guerra.

21 21 Assim, alavancou-se a massificação da produção, reconstruindo as nações esfaceladas na Europa Continental e Japão, gerando ocupação para os imensos contingentes de mão-de-obra disponível. Conforme observa Ballou (apud CONVERSE, 1954, p.22), nos anos 60, enquanto as indústrias do mundo capitalista renasciam das cinzas e se consolidavam, os empreendedores voltaram suas atenções para o marketing e para a distribuição, como determinantes do poder efetivo de barganha frente ao mercado e as fontes de suprimentos. Contudo, a importância da distribuição física só foi percebida, um pouco mais tarde. Segundo Ballou (2001, p.30), foi durante os anos 70, que os custos de distribuição aumentaram enormemente. A pressão cada vez maior dos mercados consumidores por variedade de produtos, melhoria nos níveis dos serviços e elevada produtividade, impunha um melhor gerenciamento da produção, com ênfase na racionalização dos custos, de forma a obter preços capazes de gerar vendas crescentes e melhorar a lucratividade. Migrações populacionais e o aumento da variedade de mercadorias ofertadas nesta época, impactaram substancialmente nos custos logísticos. Segundo Ballou (apud MAGEE, 1960, p.91) Variedade geralmente significa maiores custos de manutenção de estoque. Se um produto é substituído por três para atender a mesma demanda, o nível de estoque para todos os produtos pode aumentar de até 60%.

22 22 Assim, o conjunto de atividades direcionadas ao processo industrial, denominadas como Logística, assumia crescente importância no desenvolvimento de parcerias, agregando tecnologia e tornando-se estratégica. A qualidade dos relacionamentos entre diferentes funções e partes [...] determina o desempenho geral da função de Logística. [...] quando a diferenciação do produto por meio de preço, tecnologia ou inovação é difícil [...] a gestão de Logística e operações pode ser meio de diferenciação para uma empresa [...] (DORNIER, 2000, p.42-43) Segundo Dornier (2000, p.44), nos anos 80, a revolução tecnológica e o barateamento dos sistemas informatizados, viabilizaram a disponibilização de informações precisas e em tempo hábil, estimulando o acelerado uso do computador como ferramenta básica para uma rápida e realista avaliação das situações que se apresentavam, minimizando o tempo de resposta e aumentando as possibilidades do sucesso empresarial. Conforme Ballou (2001, p.35), a adoção de sofisticadas abordagens de gerenciamento logístico passou a representar o ponto-chave na sustentação das estratégias mercadológicas inovadoras que invadiam o mercado. O processo decisório tornava-se mais ágil, os ciclos operacionais mais curtos e as adaptações ao sistema menos traumáticas. O monitoramento permanente do processo logístico e a análise sistemática dos indicadores de custos e serviços a clientes possibilitavam maior flexibilidade às operações, capitalizando todos os esforços em oportunidades mais lucrativas. Para Dornier (2000, p.27), nos anos 90, em decorrência do processo de globalização da economia mundial e o conseqüente acirramento do ambiente competitivo, combinado com os rápidos avanços nas telecomunicações, a indústria e o comércio passam a considerar todo o mercado mundial como fornecedores e clientes, os

23 23 atacadistas diminuem os seus estoques, giram mais mercadorias. Os ciclos de vida dos produtos são cada vez mais reduzidos. O conceito de Logística, consolidado na década de 90 pelo Council of Logistics Management (CLM), passa a ser: O processo de planejamento, implementação e controle eficiente e eficaz do fluxo e armazenagem de mercadorias, serviços e informações relacionadas desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender as necessidades do cliente. (BOWERSOX, CLOSS, 2001, p.20) Segundo Ballou (2001, p.73), por estar intrinsecamente relacionada com qualidade, constantou-se que, na definição das estratégias logísticas bem-sucedidas, era imprescindível planejar o atendimento contínuo das necessidades dos clientes, tanto na produção de bens quanto na prestação de serviços, eliminando burocracia, demoras, insegurança, falhas, erros, defeitos, retrabalho e todas as demais tarefas desnecessárias Custos Logísticos Segundo Ballou (2001, p.78), um dos principais desafios da Logística é conseguir gerenciar a relação entre custo e nível de serviço. O maior obstáculo é que cada vez mais os clientes estão exigindo melhores níveis de serviço, mas ao mesmo tempo, não estão dispostos a pagar mais por isso. O preço está passando a ser um qualificador, e o nível de serviço um diferenciador perante o mercado.

24 24 Assim, a Logística ganha a responsabilidade de agregar valor ao produto através do serviço por ela oferecido. A importância crescente dos serviços como base para diferenciação do produto se deve à convergência tecnológica por parte das empresas. A tecnologia deixa de ser um fator competitivo porque todas as empresas têm acesso a mesma tecnologia. (ROCHA, 2001, p.58) Segundo Rodrigues (2004, p.135), os principais custos envolvidos na Logística, abrangem: os custos de aquisição de bens e respectivos impostos; custos de embalagem; custos de armazenagem; custos de transporte; custos administrativos e custos de não-qualidade. Este último envolvendo avarias, refugos ou retrabalhos, reclamações de clientes ou devoluções. Conforme observa ROCHA (2001, p.58), a adoção de sistemas logísticos eficientes se torna um elemento chave para as empresas, pois podem contribuir tanto para a redução dos custos logísticos, que compõem uma parte significativa dos demais custos de um produto, quanto na identificação de problemas que possam afetar a rentabilidade da empresa e/ou o nível de serviço prestado aos seus clientes Logística no Setor Aéreo O setor aéreo é considerado estratégico já que atua na promoção da integração regional do país, movimenta grande quantidade de recursos e gera impactos econômicos importantes como a expansão da indústria do turismo, a atração de

25 25 negócios e empreendimentos diversos e a arrecadação de impostos, contribuindo assim, para a elevação do nível de emprego no país. A Figura 1 ilustra claramente alguns desses impactos advindos do uso do transporte aéreo no Brasil. Figura 1 - Impactos Econômicos do Transporte Aéreo Fonte: SNEA (2001) Esses são apenas alguns dos impactos da aviação na economia, que no Brasil, representam cerca de US$ 18 bilhões por ano, aproximadamente 3% do PIB, sendo o impacto direto superior a US$ 6,3 bilhões Aeroporto Segundo Rodrigues (2004, p.98), um aeroporto exerce a função de atendimento à demanda por transporte aéreo, mas, em alguns casos, notadamente em países de grandes dimensões como o Brasil, também pode exercer a função de apoio a

26 26 operações aéreas em localidades onde o transporte aéreo assume características de serviço essencial, apresentando-se como a alternativa de modal mais eficiente e adequada ou única Carga Aérea Conforme Rodrigues (2004, p.97), o mercado de carga aérea, diferentemente do mercado de passageiros, caracteriza-se por se tratar de transporte de uma só direção, pela concentração em grandes usuários, pela decisão de compra em bases racional e técnica e pelas perspectivas de crescimento do segmento de telecomunicações. Além disso, verifica-se, no caso brasileiro, um desbalanceamento entre importações e exportações, justificada pela adequabilidade do modal aéreo a cargas de alto valor agregado e pela importância da regularidade e rapidez do fluxo dos insumos na produção das empresas transnacionais. Segundo BNDES (2001), os clientes cada vez mais desejam solução logística completa e a visão da carga aérea para as companhias operadoras passa de uma atividade marginal para uma atividade estratégica de crescimento. O cuidado das empresas aéreas vem sendo não ter seu frete tratado como uma commodity dentro de um processo definido por operadores logísticos e agências mundiais de carga com alto poder de barganha. Assim, as empresas buscam desempenhar um papel na logística porta-a-porta, saindo da função transporte aeroporto-aeroporto, utilizando-se de conexões flexíveis

27 27 em aeroportos que funcionam como centros de distribuição, participando de um mercado estimado quatro vezes maior, conforme mostra a Figura 2. RECEITA LOGÍSTICA Carga Aérea (Frete) 20% Distribuição Logística* 80% Figura 2 Receita Logística Fonte: BNDES (2001) * Preparação, manuseio, embalagem, processamento, liberação, coleta e entrega terrestre. Segundo BNDES (2001), todo tipo de carga pode ser transportado pelo modal aéreo: perecíveis físicos - frutas, flores e carnes; perecíveis econômicos jornais e revistas; cargas perigosas restritas à autorização explosivos, gases, inflamáveis, aerossóis, barômetros, baterias; animais vivos; etc. O modal aéreo é extremamente adequado a cargas de alto valor agregado (equipamentos eletrônicos, maquinas, etc.), baixo peso (volume) e mercadorias com data de entrega rígida e prioridade de urgência (documentos, produtos perecíveis, amostras, etc.). Baixo nível de perdas, rapidez, e menor seguro podem compensar, em certos casos, custos relativos maiores.

28 28 3. IMPORTAÇÃO Para Bilezzi, Barbosa (2001, p.18), a Importação se constitui num dos fluxos de maior relevância no Comércio Internacional devido a sua constante atualidade. O desenvolvimento econômico favorável, o avanço da tecnologia, a adoção de políticas governamentais em consonância com regras, normas e demais disposições acordadas pela comunidade universal, em virtude de Acordos, Convênios e Tratados, dando origem à criação de organismos internacionais específicos para estudo e, principalmente, para a uniformização das questões relativas ao comércio internacional contribuíram consideravelmente para o incremento comercial ocorrido após a Segunda Guerra Mundial Conceito de Importação Segundo Bilezzi, Barbosa (2001, p.42), a importação consiste no ato de trazer, portar ou introduzir em um país mercadorias ou produtos estrangeiros adquiridos em outro país, ocorrendo saída de divisas. Toda mercadoria que ingresse no país, importada à título definitivo ou não, sujeitase a despacho aduaneiro de importação [...] (BRASIL. IN SRFB Nº 206, 2002, art. 1) Sujeitam-se, ainda, ao despacho aduaneiro de importação [...] as mercadorias de origem estrangeira que venham a ser transferidas para outro regime aduaneiro, bem assim aquelas introduzidas no restante do território nacional, procedentes da Zona Franca de Manaus (ZFM), Amazônia Ocidental ou Área de Livre Comércio (ALC). (BRASIL. IN SRFB Nº 206, 2002, art. 2)

29 29 A importação divide-se em duas situações: Importações definitivas e não-definitivas Importações Definitivas A importação definitiva ocorre quando a mercadoria estrangeira importada é nacionalizada, independentemente da existência de cobertura cambial, o que significa integrá-la à massa de riquezas do país com a transferência de propriedade do bem para qualquer pessoa aqui estabelecida. (BILEZZI, BARBOSA, 2001, p.42) Importações Não-Definitivas As importações não definitivas, por seu turno, são aquelas em que, contrariamente às importações definitivas, não ocorre nacionalização. São os casos, por exemplo, de mercadorias importadas sob o regime aduaneiro especial de Admissão Temporária que, após a sua permanência no país, são reexportadas. (BILEZZI, BARBOSA, 2001, p.42) Admissão Temporária é o regime que permite a permanência no país de bens precedentes do exterior, por prazo e finalidades determinadas, com suspensão do pagamento de impostos incidentes na Importação. (BRASIL. Portaria Nº 219, 2001, art. 2) Convém notar que essas importações poderão, à opção do importador, tornar-se definitivas, oportunidade na qual deverá ser providenciada toda a documentação pertinente e pagos os impostos devidos, se for o caso.

30 Nacionalização A nacionalização é a seqüência de atos que transfere a mercadoria estrangeira para a economia nacional. Nas importações definitivas o documento que comprova a transferência de propriedade do bem importado é, normalmente, o conhecimento de carga, enquanto que nas hipóteses de nacionalização de importações inicialmente ingressadas no país em caráter não-definitivo, outros documentos, tais como a fatura comercial, podem servir para comprovar a referida transferência. (BILEZZI, BARBOSA, 2001, p.43) A declaração de Importação será instruída com [...]: I. a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II. III. IV. a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível; e outros documentos exigidos em decorrência de acordos internacionais ou por força de lei, regulamento ou de ato normativo. (BRASIL. Decreto Lei nº 4.543, 2002, art. 493) 3.2. Sistema Fiscal O Regime Tributário das Importações no Brasil não compreende somente o Imposto de Importação, tributo este seletivo que incide na entrada de mercadorias estrangeiras no território aduaneiro. Compreende, outrossim, a imposição de outros tributos que, apesar de não terem como fato gerador a entrada de mercadorias no País, assim entendido o registro da DI, acabam por onerar a operação de importação. (BILEZZI, BARBOSA, 2001, p.42) No que importa principalmente ao tributo aduaneiro, é de ressaltar o advento, no ano de 1966, do Decreto Lei nº 37, ainda em vigor, que dispõe sobre o Imposto de Importação e reorganiza os serviços aduaneiros. (BILEZZI, BARBOSA, 2001, p.42) O referido dispositivo legal encontrava-se regulamentado, em seus diversos aspectos, por aproximadamente 40 (quarenta) Decretos e um sem número de normas esparsas. Em meados do mês de março de 1985, foi editado o Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº , antiga reivindicação do setor importador ao governo, que consolidou toda a regulamentação anterior, adaptando os serviços aduaneiros a uma estrutura atualizada, constituindo-se em sistematização lógica de toda a matéria aduaneira. (BILEZZI, BARBOSA, 2001, p.42)

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