Fasci-Tech. Tecnologia da Informação aplicada a Logística na Estratégia Empresarial

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1 Resumo: Abstract: Tecnologia da Informação aplicada a Logística na Estratégia Empresarial Rogério Fernandes da Costa 1 A globalização impõe uma maior competitividade; as empresas vivem um momento extremamente desafiador em que é incessante a busca por estratégias que possibilitem diferenciais. O desenvolvimento de novas metodologias associadas ao uso intensivo da Tecnologia da Informação é imprescindível para o adequado gerenciamento da cadeia de suprimentos. Dentro da estratégia empresarial, o Supply Chain pode proporcionar redução de custos, agregar valor ao consumidor e elevar os níveis de serviços. Palavras-Chave: Logística; Estratégia; Diferencial; Competitividade. Globalization requires greater competitiveness, and the companies are experiencing a moment in which it is extremely challenging the incessant search for strategies that allow advantages. The development of new methodologies associated with intensive use of information technology is essential for proper management of the supply chain. Within the business strategy, the Supply Chain can provide cost reduction, customer value and raise service levels. Keywords: Logistics; Strategy; Differential; Competitiveness. 1. Introdução Apesar de a logística estar presente na história da humanidade desde tempos bíblicos, período que foi marcado por longas guerras, geralmente distantes e que exigiam dos exércitos um constante deslocamento de recursos, seu processo de integração com múltiplas atividades é um fato relativamente recente. Atualmente, boa parte das empresas ainda tem uma visão limitada da logística, elas a encaram a somente como o meio de transporte físico e não dispõem de uma estrutura adequada de gerenciamento dos seus processos. Esse fato, muitas vezes, gera excessos de estoques, mau processamento dos pedidos, atrasos nas entregas, dentre outros problemas que afetam a competitividade e confiabilidade da empresa. O cenário atual exige para a atividade logística um maior controle dos processos, identificação de oportunidades que possibilitem a redução de custos e prazos, aumento da qualidade, disponibilidade 1 MBA em Gestão de Projetos; Tutor Presencial no pólo UAB Diadema no Curso de Especialização de Mídias na Educação pela Universidade Federal de São João Del-Rei.

2 constante dos produtos, entregas programadas e facilidade na gestão dos pedidos, além de flexibilização da fabricação, análises de longo prazo com incrementos em inovação tecnológica, novas metodologias de custeio, novas ferramentas para redefinição de processos e adequação dos negócios para obter um nível de excelência no atendimento ao cliente. O objetivo deste artigo é demonstrar que a logística integrada não deve ser relegada a segundo plano e sim adotada como parte integrante da estratégia empresarial. 2. Desenvolvimento da logística Uma das primeiras definições sobre Logística é creditada ao autor E. Grosvenor Plowman (apud BOWERSOX, 1989, p.9). Ele baseou-se na escola grega e no primeiro uso moderno da logística a área militar. Segundo ele, Logística é a coordenação do movimento de entrada de materiais, controle de estoques, manipulação de componentes em processo, embalagem, armazenagem e expedição de produtos acabados. Ainda de acordo com o mesmo autor, a logística é determinada pelos cinco certos: suprir o produto certo, no lugar certo, na hora certa, na condição certa, ao custo certo para os consumidores do produto. De acordo com o National Council of Physical Distribution Management antecessor do Council Logistics Management - CLM (apud REAES, 2003), a Logística diz respeito ao processo de planejamento, implementação e controle da eficiência, do custo efetivo do fluxo e estocagem dos materiais, do inventário de materiais em processo de fabricação, das mercadorias acabadas e correspondentes informações, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com a finalidade de se ajustar às necessidades do cliente. A definição de Logística do CLM desde 1991 (apud REAES, 2003, p. 20) passou a ser: o processo de planejamento, implementação e controle eficiente e eficaz do fluxo e armazenagem de mercadorias, serviços e informações relacionadas desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender às necessidades do cliente. A evolução da logística empresarial tem início a partir de 1980, com as demandas decorrentes da globalização e o desenvolvimento tecnológico; a partir daí, a logística empresarial passa a ser segmentada em três grandes áreas:

3 1. Administração de materiais: responsável pelo conjunto de operações associadas ao fluxo de materiais e informações, desde a fonte de matéria-prima até a entrada na fábrica; sua função é disponibilizar para produção ; sendo que participam desta área os setores de: Suprimentos, Transportes, Armazenagem e Planejamento e Controle de Estoques. 2. Movimentação de materiais: sua atribuição é oferecer o transporte eficiente de produtos acabados do final de linha de produção até o consumidor; composta pelos setores: PCP (Planejamento e Controle da Produção), Estocagem em processo e Embalagem. 3. Distribuição física: Conjunto de operações associadas à transferência dos bens desde o local de sua produção até o cliente final, devendo garantir que os bens cheguem ao destino em boas condições comerciais, oportunamente e a preços competitivos; em resumo é tirar da produção e fazer chegar ao cliente. Participam os setores de Planejamento dos Recursos da Distribuição, Armazenagem, Transportes e Processamento de Pedido. Figura 01. Logística Integrada Fonte: Bowersox & Closs (2001, p.44) O avanço da Tecnologia da Informação proporcionou como em demais áreas, benefícios à Logística, permitindo que convergisse de um modelo no qual buscava o

4 aumento do desempenho individual de cada tarefa, para um gerenciamento orientado englobando diversas áreas; em síntese, o enfoque passa a ser direcionado para a integração externa. Neste contexto, o fluxo de informação é constante, há uma valorização nas alianças e parcerias que possibilitem criação de valor para toda a cadeia de suprimentos, a somatória destes fatores foi decisiva para o início de uma nova etapa, o Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos (Supply Chain Management) Vantagens Competitivas Proporcionadas Na década de 1980, surgem novas exigências para as atividades logísticas, dentre elas: a mudanças frequente em previsões de vendas, o aperfeiçoamento contínuo nos requerimentos da produção e a verificação da insuficiência dos parâmetros fixados pelo sistema. Foi o período de desenvolvimento MRP (Material Requeriments Planning), ou simplesmente, Planejamento da Necessidade de Materiais, seguido pelo seu sucessor, MRP II (Manufacturing Resources Planning) ou Planejamento dos Recursos de Manufatura. Para Lambert (1998), a transição do MRP para o MRP II possibilitaria mais tarde o surgimento de filosofias de estoques enxutos Kanban e Just in Time. Os desafios logísticos associados à gestão de fluxo e às crescentes demandas nas diversas cadeias de suprimentos estão cada vez mais presentes e uma das dificuldades atualmente encontradas na logística estruturada é a falta de propostas alternativas às eficiências de infra-estrutura que mantenham o negócio em níveis competitivos de remuneração. Segundo Christopher (1997), é fundamental que se tenha um planejamento coordenado do fluxo das mercadorias, desde a unidade produtora até o consumidor final. Porém, no Brasil, segundo Rodrigues (2003), a utilização da logística como uma estratégia para aumentar a competitividade ainda é muito restrita às empresas de grande visão e de grande porte. Segundo esse autor, muito pouco se tem feito para a melhor utilização desta poderosa ferramenta, pois há ainda uma visão limitada sobre logística, restringindo-a apenas aos sistemas de armazenagem e transporte. A falta de eficiência no gerenciamento estratégico dos fluxos de materiais e das informações eleva os custos, acarretando possibilidade de perdas aos diferentes elos da cadeia; o planejamento estratégico da cadeia de suprimento deve atender as demandas do novo milênio.

5 2.2. Estratégia Logística A logística possibilita o desenvolvimento de estratégias permitindo a redução de custos e o aumento do nível de serviço ofertado ao cliente. Como essas duas condições, isoladamente ou em conjunto, possibilitam o estabelecimento de diferenciais competitivos, a adoção de metodologias justifica e viabiliza sua aplicação por um número cada vez maior de empresas na busca por vantagens sobre a concorrência. Competir é preciso e, portanto, uma realidade que não pode mais ser ignorada. Assim, todas as organizações buscam através de diferenciais se destacar perante seus concorrentes para conquistar novos mercados, aumento do Market Share e manter os clientes atuais. Machado (2008) explica que não só empresas vêm investindo em logística, mas sim países inteiros. Nações como Estados Unidos e Japão utilizam há muitas décadas esses conceitos de logísticas e também vem pesquisando e desenvolvendo novos conceitos. Através do correto Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos são possíveis significativas reduções de estoque, otimização dos transportes e eliminação das perdas e de esforços duplicados. A constatação dessa ideia pode ser reforçada quando notamos que alguns dos segmentos mais competitivos do mercado, como o automobilístico e o grande varejo, adotam a estratégias focadas na logística e, ao expandirmos esse raciocínio, percebemos que as empresas e os países mais competitivos no cenário mundial, como os Estados Unidos e o Japão, não só se utilizam da logística, como também por meio de pesquisa e desenvolvimento buscam torná-la mais dinâmica. A metodologia Lean manufacturing ou Produção Enxuta criada pela Toyota é um exemplo disto. Segundo Turbino (1999) empresas, estão se adaptando ao modelo de produção enxuta, o qual requer a excelência em logística como forma de gestão da cadeia produtiva, para que se consiga a coordenação e o alinhamento estratégico dos componentes integrantes da cadeia. Tradicionalmente, os participantes da cadeia de suprimento adotam medidas que permitam atingir suas metas individualmente, melhorando o desempenho de suas operações estratégicas; contudo, não é um método eficiente e desequilíbrios são criados ao longo da cadeia. De acordo com Novaes (2001), ao incorporar e utilizar preceitos de

6 marketing, qualidade, finanças e planejamento, a logística torna-se multifuncional aumentando sua contribuição para uma gestão eficiente e eficaz, capaz de manter atenção as necessidades internas da empresa e ao mesmo tempo, voltar os seus olhos aos desejos dos clientes. No atual contexto, o acirramento competitivo representa tanto ameaça quanto oportunidades, pois força as empresas a serem criativas, ágeis e flexíveis em um mercado onde seus clientes são cada vez mais bem informados e exigentes em relação à qualidade dos produtos, ao ciclo de vida do produto, ao tempo de produção, ao prazo de entrega e mais recentemente, ao valor agregado aos produtos. Porter (apud REAES, 2003, p. 8) afirma que a implementação de novos conceitos logísticos, sobretudo o serviço ao cliente, e o uso mais intensivo de tecnologia da informação podem significar um importante diferencial. Devido ao grande número de agentes e informações, a utilização da Tecnologia da Informação para o gerenciamento eficiente de toda Cadeia de Suprimentos é indispensável. Zenone (2001) afirma que a única coisa que coloca uma organização em vantagem competitiva sustentável é o que ela sabe como utiliza esse conhecimento e principalmente com que velocidade transforma esse conhecimento em algo novo. O aumento da concorrência é uma das razões para aplicação das estratégias apoiadas em T.I que possibilitem respostas cada vez mais rápidas em um ambiente em constate transformação. 3. Desafios X Oportunidades O momento atual no Brasil é preocupante. Nossos custos logísticos são, no mínimo, o dobro da média dos países desenvolvidos, que gastam nesta área de 8% a 10% do seu PIB anual. A falta de investimentos significativos em transportes durante muitos anos levou o país ao quadro atual que só começou a ser revertido a partir da privatização das ferrovias (década de 80, com a desregulamentação da Rede Ferroviária Federal) e portos (Lei de Modernização dos portos nº 8.630/93). De acordo com Nazário (2008), normalmente os bens transportados no Brasil por mais de um modal são commodities, como minério de ferro, grãos e cimentos, todos caracterizados como produtos de baixo valor agregado. Nossa infra-estrutura não é favorável, a matriz logística no que diz respeito ao escoamento da produção é fortemente dominada pelo

7 transporte rodoviário, sendo necessários pesados investimentos nesse setor. Indicadores de desempenho setoriais são praticamente inexistentes, há falta de mão-de-obra qualificada e existe pouco incentivo para a pesquisa nessa área. Para a Associação Nordestina de Logística (Anelog), a desinformação e falta de capacitação dos profissionais que operam na logística de portos, aeroportos e postos rodoviários, além da falta de infra-estrutura são apenas alguns dos gargalos enfrentados pelo setor. Os desafios encontrados no cenário atual necessitam de rápida solução, pois impedem um maior desenvolvimento pela falta de eficiência da logística. As oportunidades, neste cenário adverso, mostram um enorme espaço para melhorias. Dados fornecidos pela ANELOG mostram que empresas brasileiras chegam a estancar a produtividade em torno de 60%, somente no modal rodoviário. O setor de transportes e logística do País ainda precisa quebrar as barreiras políticas e da desinformação para acelerar a economia do País. Em virtude deste cenário é possível afirmar: aqueles que implantarem essas melhorias primeiro estarão se distanciando fortemente de seus concorrentes e se habilitando para a conquista de novos mercados. 4. Considerações finais A logística tem grande influência em nossas vidas, principalmente nos dias de hoje. Todos os bens de consumo utilizam-se de processos logísticos até que estejam disponíveis para consumo no seu cliente final. A gestão do processo logístico permite uma visão global da empresa e da cadeia produtiva como um todo, proporcionando que todos os interesses e pontos relevantes sejam analisados na tomada de decisão. Com o passar dos tempos, os consumidores passaram a ser mais exigentes em relação à qualidade dos produtos, o ciclo de vida do produto, tempo de produção, prazo de entrega e, mais recentemente, com o valor agregado aos produtos. Com a estabilização da economia a partir de 1994 com o plano Real e foco na administração dos custos, a evolução da microinformática e da TI (Tecnologia de Informação) desenvolvendo softwares cada vez mais eficazes para o gerenciamento de armazéns, transporte, código de barras, a logística passou a ter lugar de destaque para várias empresas e deixou de ser encarada apenas como área de apoio e sim como uma

8 área funcional, que vem sendo estruturada estrategicamente e poderá trazer os resultados esperados para as organizações. Referências BOWERSOX, D.J. Leading Edge Logistics: Competitive Position for the 1990 s. Council of Logistics Management. Oak Brook, BOWERSOX, D.J.; CLOSS, D. J. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, CHRISTOPHER, M. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: Estratégias para Redução de Custos e Melhoria dos Serviços. São Paulo: Pioneira, LAMBERT, D.M; STOCK, J.R. Administração Estratégica da Logística. São Paulo: Vantine Consultoria, MACHADO, R. A Logística como estratégia para a obtenção de vantagem Competitiva. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/comunidades/logistica/143/forum/logistica_uma_v antagem_competitiva/1567/> Acessado em: 20 de abril de NAZÁRIO, N. Intermodalidade. Importância para a Logística e Estágio Atual no Brasil. Disponível em: <http://www.ilos.com.br/site/index.php?option=com_docman&task=cat_view&gid=10 &Itemid=44> Acessado em 20 de abril de NOVAES, A.G. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Distribuição: estratégia, operação e avaliação. Rio de Janeiro: Campus, REAES, P.A. Estágio da Organização Logística das Indústrias da Região Metropolitana de Curitiba. Curitiba: CEFET: 2003, p. 88. Dissertação de Mestrado em Tecnologia, Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná. Disponível em: <http://www.ppgte.cefetpr.br/dissertacoes/2003/reaes.pdf> Acessado em: 20 de abril de

9 2010. RODRIGUES, S. O Marketing da Logística Diferenciação pelos Serviços. Disponível em: <http://www.guiadelogistica.com.br> Acesso em: 10 de março de TURBINO, D.F. Sistemas de Produção: a produtividade no chão de fábrica. Porto Alegre: Bookman, ZENONE, L.C. Customer Relationship Management (CRM) Conceitos e Estratégias: Mudando a Estratégia Sem Comprometer o Negócio. São Paulo: Atlas, 2001.

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