QUEM AMA FALA BEM. Valter Luiz Orsi. Presidente da ACIL EDITORIAL DIRETORIA DA ACIL GESTÃO 2014/2016. Adelino Favoretto Junior Diretor Institucional

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5 EDITORIAL QUEM AMA FALA BEM O maior desafio de Londrina hoje é reconquistar a autoestima. Moramos numa cidade linda, admirada por todos que a visitam. Recentemente conversamos com um empresário argentino que adotou Londrina como cidade do coração. Esse pé-vermelho adotivo diz que é capaz de brigar com quem fala mal de Londrina. Infelizmente, os próprios londrinenses muitas vezes se esquecem de que moram numa cidade tão boa, tão acolhedora, tão rica em experiências e realizações. Nos 80 anos de Londrina, que tal parar de falar mal da cidade e exaltar a nossa incomparável história de trabalho e desenvolvimento? Numa reunião do movimento Pé Vermelho Mãos Unidas, um amigo fez uma observação muito interessante: Na administração pública, é mais difícil combater a ineficiência do que a corrupção. E é verdade! Em Londrina, as instituições são fortes e vigilantes; aprendemos a combater a corrupção. Mas a ineficiência, a lentidão, a burocracia continuam presentes na gestão pública como se vê em reportagem publicada nesta edição da revista Mercado em Foco. A ineficiência do setor público não é algo que surge do dia para a noite. Pela primeira vez, em muitos anos, sob a liderança do atual prefeito, vemos uma administração municipal disposta a implantar técnicas de gestão para melhorar a qualidade dos serviços à população. Mas é preciso que nós também façamos a nossa parte. Antes de esperar o que a Prefeitura deve fazer por você, pense no que presente que você pode dar à cidade. Com base na união entre as entidades e o poder público, vamos vencer esse desafio e os beneficiados serão todos os londrinenses. Desde os tempos da colonização, o setor empresarial tem dado exemplos de eficiência que poderiam servir de modelo para a administração pública. Tudo começou com uma empresa: a Companhia de Terras Norte do Paraná. Pouco tempo depois, foi criada a ACIL. Ao longo das últimas oito décadas, a cidade foi sendo construída com o espírito empreendedor que hoje se mostra no destaque de nossos empresários em concursos nacionais e internacionais. É motivo de orgulho ver seis empresas de Londrina incluídas entre as maiores do Brasil no ranking Valor É motivo de alegria saber que nossos talentos da TI estão sendo reconhecidos com prêmios na área de inovação. Isso faz a gente amar Londrina ainda mais. E quem ama fala bem. Valter Luiz Orsi Presidente da ACIL DIRETORIA DA ACIL GESTÃO 2014/2016 Fundada em 5 de junho de 1937 Rua Minas Gerais 297 1º andar Ed. Palácio do Comércio Londrina (PR) CEP Telefone (43) Fax (43) Valter Luiz Orsi Presidente Rogerio Pena Chineze Vice-Presidente Fabricio Massi Salla Diretor Secretário Alexandra de Paula Yusiasu dos Santos 2º Diretor Secretário Rodolfo Tramontini Zanluchi Diretor Financeiro Angelo Pamplona da Costa 2º Diretor Financeiro Fernando Mauricio de Moraes Diretor Comercial Marcus Vinicius Gimenes Diretor Industrial Marcia Regina Vieira Mocelin Manfrin Diretor de Serviços Claudio Sergio Tedeschi Diretor de Comércio Internacional Luigi Carrer Filho Diretor de Produtos Adelino Favoretto Junior Diretor Institucional CONSELHO DELIBERATIVO Ary Sudan Carlos Alberto Dorotheu Mascarenhas Eduardo Yoshimura Ajita Flávio Montenegro Balan George Hiraiwa Herson Rodrigues Figueiredo Jr. José Augusto Rapcham Katsumi Sergio Otaguiri Luiz Carlos I. Adati Nivaldo Benvenho Oswaldo Pitol Paulo Fernando Ozelame Wilson Geraldo Cavina CONSELHO FISCAL Titulares Adoniro Prieto Mathias Marcus Vinicius Bossa Grassano Rafael de Giovanni Netto Suplentes Carlos Alberto de Souza Faria Rafael Lopes Rogério Silvano da Silva Mercado em Foco é uma publicação da Associação Comercial e Industrial de Londrina. Distribuição gratuita. Correspondências, inclusive reclamações e sugestões de reportagens, devem ser enviadas à sede da Associação ou pelo Paulo Briguet Coordenação Vinicius Bersi Edição Josoé de Carvalho Fotografia Thiago Mazzei Projeto gráfico Diego Rigon Menão Superintendente Claudia Motta Pechin Gerente Comercial Barbara Della Libera Analista de Marketing Colaboradores Fernanda Bressan Giovana Chiquim Gisele Rech Guto Rocha Luis Fernando Wiltemburg Michelle Aligleri Renato Oliveira Susan Cruz Impressão Midiograf Tiragem 8 mil exemplares

6 Agenda novembro 2014 ATENDIMENTO E VENDAS FINANÇAS MARKETING GESTÃO DE RH WEB DIVERSOS Administração do tempo Niceia Henrichsen 03 e 04 de novembro 19h às 22h O significado do tempo e sua importância Comportamento Pessoal em relação ao Tempo Conhecendo e controlando os desperdiçadores do tempo Você pode ser muito ocupado ou muito produtivo. Esta escolha será sempre sua Como você desperdiça (ou usa) seu tempo Não associados R$ 130,00 Associados R$ 65,00 Negociação e vendas Sidney Kayamori 04 e 05 de novembro 19h às 23h A venda competitiva no mercado globalizado As qualidades do profissional de vendas Estratégia de vendas e negociação O reforço positivo do pós-venda Não associados R$ 152,00 Associados R$ 76,00 Análise de crédito visando à prevenção da inadimplência Braz Vendramini 10 e 11 de novembro 19h às 23h Dicas práticas para uma cobrança eficiente visando recuperação de crédito Como negociar com inadimplentes Código de defesa do consumidor Não associados R$ 152,00 Associados R$ 76,00 Como gerenciar compras e controlar estoque Charles Vezozzo 17, 18 e 19 de novembro 19h às 23h Custo liquido do produto Estoque mínimo e máximo Rotação geral de mercadorias Custo financeiro do estoque parado Não associados R$ 152,00 Associados R$ 76,00 Como treinar sua Equipe de Vendas Palestra Natasha Bacci 19 de novembro 19h às 21h Os passos da venda Investigar a necessidade do cliente Vendedor consultor Não associados R$ 65,00 Associados R$ 32,00 Prepare- se para vender mais Sheila Dal Ry 25 e 26 de novembro 19h às 23h Passo a passo da venda Estratégias de um vendedor consultor Pré-venda, venda, pós venda Técnica de Fechamento de Venda Não associados R$ 152,00 Associados R$ 76,00 Intensivo em faturamento e emissão de notas fiscais Rosangela da Silveira 26 e 27 de novembro 19h às 23h Transmitir noções gerais de legislação do ICMS e IPI Apresentar os respectivos tratamentos fiscais conferidos pela legislação Demonstrar a emissão de notas e documentos fiscais CFOP e CST: cancelamentos, possibilidades e conseqüências SPED Fiscal: analise das principais operações Venda a ordem, a entrega futura, demonstrações, industrialização, exposição em feiras e retorno de mercadorias não entregues Não associados R$ 250,00 Associados R$ 195,00 Oratória: a comunicação na profissão Maria Cristina Consalter 26 e 27 de novembro 19h às 23h Comunicação para pequenos e grandes públicos Oratória aplicada na relação com o cliente e em reuniões Técnicas para falar em público Não associados R$ 152,00 Associados R$ 76,00 Chefia e Liderança Filomena Regina Storti Minetto 28 e 29 de novembro Dia 28 das 19h às 22h Dia 29 das 8h às 17h O processo de tomar decisões Delegação de atribuições e autoridade Liderança gerencial (característica e estilos da boa liderança) Incentivo através do feedback Não associados R$ 173,00 Associados R$ 86,00 Opinião do associado Carla Polonio, da Importex Brasil: Adorei o curso Qualidade de Serviço de Recepção e Secretaria ; ótima instrutora, muito dinâmica e possui muito conhecimento ABRASEL NORTE DO PARANÁ CURSO DE BOAS PRÁTICAS E HIGIENIZAÇÃO NAS MANIPULAÇÕES DE ALIMENTOS 25, 26 e 27 de novembro 13h30 às 17h30 Local: Blue Tree Premium Av. Juscelino Kubtischek, 1356 Informações: Não associados: R$100,00 Associados ACIL: R$70,00 Saiba mais: ou com Tatiana Gaffo: Associação Comercial e Industrial de Londrina Rua Minas Gerais, 297, 1º andar, Londrina, PR Av. Saul Elkind, 1820 Regional Norte Curta

7 ÍNDICE SEGURANÇA DO NEGÓCIO SPC protege da inadimplência... 8 QUALIDADE DE VIDA Avalie a qualidade da sua 16 INSEGURANÇA DO NEGÓCIO Comércio é alvo de furtos e assaltos RESÍDUOS SÓLIDOS O destino correto do lixo PLANO DIRETOR A bússola do desenvolvimento E-SOCIAL Impactos do sistema que unifica informações trabalhistas, previdenciárias e sociais CLASSE C Um mercado a ser conquistado no mundo digital 20 ARTIGO Os desafios da economia brasileira PERFIL Os livros e ideias de Rubens Augusto TALENTO LONDRINENSE Prêmios conquistados por empresas locais consolidam a cidade com um polo da TI ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA A ineficiência que trava o desenvolvimento 26 COLUNA DA ACIL A festa do comércio de rua no Dia da Sergipe CONSUMO INFANTIL A força do segmento voltado às crianças Associação Comercial e Industrial de Londrina 7

8 INADIMPLÊNCIA 8 outubro de 2014

9 Por Guto Rocha Inflação e taxas de juros crescendo mais do que os rendimentos dos trabalhadores criam um cenário propício para a elevação da inadimplência. Foi o que se confirmou no último mês de julho, quando o SPC Brasil (Serviço de Proteção de Crédito) e a Confederação Nacional de Dirigentes Logistas (CNDL) registraram um aumento de 4,43% de consumidores inadimplentes, em comparação com o mesmo mês do ano passado. Por isso, vender às cegas pode colocar em risco a saúde financeira das empresas. O alerta é da gerente comercial da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), Cláudia Motta Pechin. Cláudia afirma que a ACIL está preparada para fornecer ferramentas que garantem segurança contra mal pagadores. A gerente afirma que a entidade tem uma preocupação constante de conscientizar e preparar empresários a não vender sem fazer uma consulta prévia. O SPC é uma importante ferramenta de análise de crédito, comenta. A gerente observa que o sistema de análise de crédito evoluiu muito e, atualmente, conta com uma base de dados mais completa, que permite uma análise de crédito mais segura. Antes, só era possível consultar se o comprador tinha ou não alguma restrição de crédito. Hoje, o sistema analisa outros tipos de informações, como histórico de passagens, relacionamento com fornecedores, possibilitando avaliar como a pessoa se comporta no mercado, explica. Segundo Cláudia, o SPC, operacionalizado pela ACIL, faz parte da BCF (Base Centralizadora FACIAP de Proteção ao Crédito), que reúne a maior parte das associações comerciais do Paraná. Esta base paranaense, observa a gerente, está enriquecida, por meio de uma parceria com o SPC Brasil e a Serasa Experian. Com isso, contamos com uma base de dados com credibilidade e cobertura nacional, afirma. A ferramenta de proteção de crédito permite que o empresário faça consultas de diferentes níveis, desde as mais simples às mais elaboradas. Ele pode utilizar o SPC para consultar um cheque, que é o processo mais simples, até situações mais complexas que envolvem, participação em falência e concordata, ações judiciais, protestos e até participação em outras empresas, salienta. O serviço pode ser utilizado para checar a situação de pessoas físicas e jurídicas. Claudia afirma que o SPC oferece um amplo portfólio de consultas para que o empresário possa escolher o que lhe for mais adequado para o valor da venda. Uma venda com valor menor pode ser feita com uma consulta mais simples. Já uma negociação que envolve um valor mais alto, deve ser feita após uma consulta mais completa, pois o risco também é mais alto, explica. A gerente alerta que Tão importante quanto consultar o cadastro dos inadimplentes é negativar quem não pagou as dívidas Claudia Motta Pechin, gerente Comercial da ACIL da mesma maneira que o empresário deve se preocupar em averiguar a situação do comprador no sistema de crédito, ele também precisa fazer a negativação do devedor. É preciso melhorar esta cultura da negativação em todo o Paraná. Se o comerciante não negativa, o inadimplente continua comprando e o sistema é comprometido, orienta. Para Cláudia, a negativação acaba funcionando também como um processo de cobrança. Pois, quando o mau pagador é negativado, ele recebe uma correspondência e tem 10 dias para efetuar o pagamento. Ela explica que somente após esse prazo, caso o inadimplente não saldar sua dívida é que o sistema passará a informar que ele está negativado. A orientação da ACIL é que as inclusões no SPC só sejam feitas depois o processo de cobrança e negociação, valorizando assim o relacionamento da empresa e seu cliente. Vale ressaltar que depois que o negativado quita a dívida, a empresa tem até cinco dias úteis para retirar o nome do cliente do cadastro do SPC, conforme entedimento do Superior Tribunal de Justiça, porém no Paraná existe uma Lei Estadual n 15967/2008, em vigor, que obriga a empresa que promoveu o registro a baixar a informação em até 48 horas após a quitação, devendo a empresa observar tais prazos para evitar o ajuizamento de ação de indenização por parte do consumidor. Tanto o processo de inclusão como o de baixa é ágil e simples e pode ser feito um a um ou em lotes, de acordo com a demanda de cada empresa, garante a gerente comercial. Sistema adaptado a cada empresa Márcio Ferreira da Silva, da Leo Madeiras: Temos que nos proteger sempre A Leo Madeiras, loja que comercializa produtos voltados para marceneiros fabricantes de móveis, contratou há cerca de dois meses os serviços do SPC da ACIL. Na avaliação do analista contábil da empresa, Márcio Ferreira da Silva, a ferramenta é fundamental para garantir a segurança nas vendas. Este tipo de proteção é importantíssima, ainda mais para nossa empresa que atua num mercado em que a informalidade é muito grande, afirma. Ele explica que a Leo Madeira atende um grande número de pequenos marceneiros, que trabalham com cheques de clientes para pagar suas compras. Temos que nos proteger sempre, comenta. Silva observa que, apesar do pouco tempo de utilização do SPC, a empresa está satisfeita com os resultados. A empresa utiliza bastante o serviço SPC Relatório, que é acionado sempre que um novo cliente faz compras no estabelecimento. Mas também o utilizamos para clientes antigos quando é necessário impor limites de crédito. E ainda temos a vantagem de analisar o sócio do cliente, ampliando a proteção, comenta. O analista contábil observa que a empresa resolveu migrar para o SPC por causa dos custos mais acessíveis do que o sistema de proteção utilizado anteriormente. Outro fator que fez com que a Leo Madeiras optasse pelo SPC da ACIL é o fato de a ferramenta poder ser operacionalizada por um programa de computador criado Associação Comercial e Industrial de Londrina 9

10 especificamente para a empresa. Temos um software que nos permite fazer a consulta a partir no nosso próprio sistema interno. Quando cadastramos um cliente, podemos, na mesma operação checar a situação dele no SPC. Isso agiliza os processos, comenta. Serviço local O fato de o SPC da ACIL estar na mesma cidade em que opera, levou a empresa Telhaço Londrina a trocar de serviço há três anos. Antes trabalhávamos com um serviço que não tinha representantes na cidade e isso dificultava. Agora podemos consultar o SPC sempre que precisamos, destaca o gerente Anderson Luis Bassetto. Segundo ele, o serviço é acionado toda vez que um novo cliente faz cadastro no estabelecimento. No caso dos clientes antigos, observa Bassetto, a consulta é refeita depois de cerca de quatro meses da última compra. No caso de vendas pagas com cheque, procuramos sempre fazer a consulta no SPC, aponta. O gerente observa que a empresa também adota a negativação sempre que necessário. Tentamos negociar o máximo possível para receber a Anderson Luis Bassetto, da Telhaço: Proximidade facilita utilização do serviço dívida. Mas quando percebemos que não tem outra saída, fazemos a negativação. Além de proteger o sistema, também é uma maneira eficiente de receber os atrasados, diz. Associada da ACIL desde 2010, a empresa GolSat, passou a utilizar o SPC no ano passado. Segundo o responsável pelo departamento financeiro da empresa, Antonio de Souza, da Golsat: Negativação é arma poderosa para receber títulos atrasados Antonio de Souza, a ferramenta de consulta dos registros de clientes junto ao serviço é utilizada no ato da análise de crédito ao cliente. Analisamos todos os clientes que estão em negociação, afirma. Souza afirma que o serviço de proteção de crédito é uma ferramenta importante para a segurança da empresa, e observa que as informações fornecidas pelo sistema protegem e norteiam a análise de crédito da GolSat. A consulta ajuda a prevenir a inadimplência, comenta. Ele observa que a empresa utiliza outro serviço de proteção de crédito para negativar os clientes que se tornam inadimplentes, e acabam aparecendo nas consultas fornecidas pelo SPC. Mas 98% das consultas são feitas no serviço da ACIL, observa. Na GolSat, o processo de negativação é analisado caso a caso. Ele afirma que o procedimento é registrado após 30 dias do vencimento, e a negativação é efetivada depois de 60 dias. A negativação do nome do devedor, para o setor de contas a receber de qualquer empresa é uma das armas mais poderosas para receber títulos vencidos, analisa.

11 INSEGURANÇA NO COMÉRCIO ISTO É UM ASSALTO! Só no ano passado, 1813 furtos e 882 roubos foram registrados na região de Londrina Por Vinícius Bersi O telefone toca às três da madrugada. O coração se prepara para uma notícia ruim. Do outro lado da linha, um policial confirma a expectativa e avisa a empresária Cleusa Maria Oliveira que a loja de roupas dela foi roubada. Cleusa vai até o local que fica em uma área bem visível e de bastante movimento da avenida Madre Leônia Milito. A empresária encontra um cenário desolador. Bandidos levaram todas as peças da nova coleção primavera-verão. A loja ficou tão vazia que parecia mais um imóvel recém-construído à espera de uma finalidade. Eu não tinha palavras para dizer nada, olhando tudo aquilo que eu tinha construído em oito anos indo embora, a gente perde até a reação, desabafa. O estabelecimento estava sem alarmes. Cleusa havia decidido suspender o sistema por um tempo para pagar outras despesas do negócio. Como a loja tem uma visão boa para rua e está sempre iluminada, achei que ninguém fosse ter coragem de entrar, mas infelizmente isso aconteceu. Sem seguro e sem muita esperança de recuperar a mercadoria perdida, a empresária vai ter de arcar com um prejuízo estimado em R$ 45 mil. Os bandidos levaram seis sacos plásticos com 600 peças de roupa, com preços unitários que variam de R$ 33 a R$ 600. Chamou a atenção a sofisticação com que o crime foi executado. Encapuzados, dois ladrões, que aparecem no registro das câmeras de segurança das lojas vizinhas, arrombaram a porta, se afastaram e, por cerca de 5 minutos, ficaram observando para ver se alguém aparecia. Depois retornam, enchem os sacos com as roupas e deixam o local. Para não ter a placa identificada pelas imagens das câmeras, o carro está sempre com luz alta ou com os faróis apagados. O drama de Cleusa não é um caso isolado. Segundo os dados da Secretaria Estadual da Segurança Pública, em 2013 ocorreram furtos na Área Integrada de Segurança Pública de Londrina, que inclui os municípios de Tamarana, Ibiporã e Cambé. O número de assaltos registrados na mesma região chegou a 882. Quem também engrossa as estatísticas de furtos e assaltos é a padaria da família do empresário Carlos Alberto de Medeiros. Em 18 anos de funcionamento o local, que fica no Jardim Bancários, foi assaltado e furtado 27 vezes. No ano passado o estabelecimento chegou a ser furtado numa quarta-feira e assaltado no dia seguinte. Tanta insegurança fez o empresário repensar a continuidade do negócio. Já pensei várias vezes em desistir de tudo, mas é difícil, tenho uma família, temos 46 funcionários, é complicado, pondera Carlos. As câmeras de segurança e o sistema de alarme da padaria não foram suficientes para inibir a ação de bandidos. O último assalto ocorreu há dois meses. Você tem que ser uma pessoa centrada, tem muita gente que não aguenta, já me chamaram de vagabundo. Quando o cara está armado, ele tem razão, ironiza. A Polícia Militar reconhece que não consegue inibir todas as ações criminosas contra comerciantes. Temos intensificado o policiamento nos locais de maior concentração de estabelecimentos mas a polícia não tem em lugar nenhum do mundo essa força da onipresença, afirma o capitão Nelson Villa. Para evitar o arrombamento das lojas, a orientação é a manutenção de um sistema de alarmes monitorados. Os arrombamentos ocorrem principalmente durante a madrugada; ainda que a viatura esteja a um ou dois quilômetros, ela chega muito rápido no local, completa. CUIDADOS ESPECIAIS NAS DATAS COMEMORATIVAS A Polícia Militar também dá algumas orientações para evitar os furtos que ocorrem quando as lojas estão abertas, em especial nas datas comemorativas, períodos em que o movimento no comércio aumenta. Com a aproximação do Dia da Criança e do Natal vale observar as dicas: Invista na visibilidade! Quem trabalha sozinho deve colocar espelhos pela loja, de uma forma que o vendedor consiga atender o cliente e, ao mesmo tempo, enxergar tudo que ocorre dentro do estabelecimento sem esforço. As divisórias que bloqueiam a visão devem ser evitadas. Aumente a atenção! Evite atividades que possam distrair como o uso de celulares, computadores e tablets. É importante estar atento a tudo que ocorre no interior da loja. Se identificar um comportamento suspeito, avise a polícia. Ao perceber que um furto foi realizado, a orientação também é ligar para 190. Para a sua segurança, não faça a abordagem! Em caso de assalto, não reaja. Uma reação pode ter consequências mais graves que a perda de patrimônio, como uma lesão séria ou até a morte. Empresário teve a padaria da família furtada e assaltada 27 vezes: Já pensei em desistir de tudo Associação Comercial e Industrial de Londrina 11

12 RESÍDUOS SÓLIDOS O DESAFIO DA GESTÃO DOS RESÍDUOS Destinação correta do lixo passa por uma mudança de mentalidade das pessoas e das empresas Por Susan Cruz A lei que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) é um marco na gestão ambiental do Brasil. A partir dela os desafios para o poder público, empresas e os cidadãos estão lançados diante de um dos maiores problemas da atualidade, o lixo. Em Londrina, o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) já havia sido previsto pelo Decreto Municipal 769/2009 e foi reforçado e instituído pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei Federal /2010 norteada por princípios, instrumentos, e diretrizes para o gerenciamento dos resíduos sólidos. A Lei trata de conceitos de ecoeficiência e esclarece a responsabilidade compartilhada, ou seja, além do setor público é responsabilidade de todos os cidadãos, os fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes; todos têm o dever de contribuir com a política nacional de resíduos sólidos. Esse conjunto de instrumentos visa propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos (aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado) e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos (aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado). O PGRS tem também como objetivo orientar as ações das empresas para reduzir a geração de resíduos, tratar corretamente o manuseio, a separação, o acondicionamento, transporte e destinação correta daquilo que não for aproveitado dentro da própria empresa, que devem apresentar um documento relatando a quantidade de resíduo produzido desde a fonte geradora até o descarte final. Desde o dia 2 de agosto de 2014 os municípios são obrigados pela Lei a encerrar os seus lixões em cumprimento da PNRS e implantar sua política de gestão de resíduos. A Lei respalda a responsabilidade compartilhada entre governo, empresas e cidadãos em relação ao tratamento dos resíduos. Desde a aprovação da (PNRS), esse marco regulatório, atenta para que a gestão compartilhada promova o descarte correto dos resíduos para permitir o avanço necessário ao país no enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos. Para Eliene Moraes, analista em gestão ambiental da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina, os princípios mais importantes que remetem a essa lei são primeiramente a não geração de resíduos, a sua redução, o reaproveitamento, a reciclagem e o seu tratamento adequado. A lei passa a exigir a implementação de aterros com normas ambientais. Centros de tratamento de resíduos e sistemas de compostagens para resíduos orgânicos que favorecem ambiental e economicamente a cidade. 12 outubro de 2014

13 Dentro do que é função do município trabalhamos para promover a coleta seletiva, por exemplo, que reduz os materiais que vão para o aterro e também promove a geração de renda para quem trabalha com os recicláveis. O lixão foi desativado e temos uma central de tratamento de resíduos (CTR) com uma central de compostagem, aponta. Hoje são cinco cooperativas que realizam esse serviço de coleta de recicláveis, ainda dentro da política de gestão compartilhada existe a chamada Logística Reversa que estabelece que o fabricante, representante e comerciante que coloca um produto no mercado repense a vida útil do produto, qual o caminho que o produto vai percorrer até o seu destino final. A partir desse questionamento é necessário se posicionar diante das escolhas feitas sobre os materiais utilizados, como podem ser recolhidos, se podem ser reutilizados e se não, quais são as melhores opções para o seu descarte. A logística reversa define as empresas como responsáveis por recolher seus produtos após o descarte feito pelo consumidor. É importante que as empresas elaborem um plano de gerenciamento de resíduos sólidos que vai identificar e quantificar o que é produzido pela empresa, com isso é possível traçar um plano eficiente com um técnico e também com as nossas orientações, ajustar a empresa se for necessário dentro de uma logística reversa eficiente que pode reduzir custos e o impacto ambiental, completa Eliene. Já existe uma regulamentação que estabelece a forma adequada de recolhimento de pneus, pilhas, baterias e embalagens agrotóxicas, mas Eliene explica que para os demais itens ainda estão sendo estudadas formas de regulamentação e que os fabricantes podem se antecipar a isso e investir nessa logística. FISCALIZAÇÃO O trabalho do município é feito de forma integrada, além da CMTU atuam a Secretária do Meio Ambiente (Sema) e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) que através de Eliene Moraes, analista em gestão ambiental da CMTU: É preciso que fique claro que a empresa que faz o descarte irregular, em algum momento vai pagar por isso, ele é um poluidor pagador e quando identificado pode sofrer sanções graves, levar uma multa por crime ambiental Associação Comercial e Industrial de Londrina 13

14 um trabalho em conjunto de regulamentação e fiscalização podem, se necessário, notificar e autuar os envolvidos no descumprimento da lei. A irresponsabilidade é um dos principais fatores do descarte inadequado, é preciso que fique claro que a empresa que faz o descarte irregular, em algum momento vai pagar por isso, ele é um poluidor pagador e quando identificado pode sofrer sanções graves, levar uma multa por crime ambiental, enfatiza Eliene Moraes. A analista também revela que este é um tema que ainda enfrenta muitos desafios, como os ecopontos que foram criados para a destinação correta de entulho da construção civil e de jardinagem, mas que por falta de uma fiscalização maior e irresponsabilidade dos grandes geradores e até mesmo da população, tornaram-se um problema para o município. Por falta de um sistema aprimorado na fiscalização desses ecopontos e juntamente com a irresponsabilidade no descarte, esses lugares se tornaram lixões, o que inicialmente começou com sete pontos na cidade passou para 300, ou seja, qualquer terreno vazio ou fundo de vale foi visto como uma oportunidade para realizar um descarte inapropriado, gerando um grande problema para a população, revela. Segundo Eliene, esse problema deve ser resolvido quando forem viabilizados os Pontos de Entrega Voluntária (PEV s). Seria um ecoponto com fiscalização para controlar a entrada e a quantidade do descarte, esse formato ainda depende de orçamento, mas seria uma forma de controlar. O que acontece agora é que qualquer um pode á noite ou nos finais de semana despejar material de forma irregular, salienta. No setor da Construção Civil é exigido um plano de gerenciamento e recibos de destinação correta dos resíduos para que seja obtido o Habite-se, é uma maneira de cobrarmos uma postura, mesmo assim, ainda acontece do serviço contratado, como o aluguel de uma caçamba recolher o entulho, receber para dar uma destinação correta, mas fazer o descarte em algum ponto irregular da cidade. Ela acredita que um fator importante seria uma mudança de mentalidade sobre o tema. Enquanto os grandes geradores tentarem burlar a lei, enquanto não houver uma preocupação em separar corretamente os resíduos, todo esse trabalho fica comprometido. Por isso é importante a denúncia por parte da população quando observa algo errado, mas também fazer a sua parte, se cada um fizer a sua parte, avançamos, comenta. O fim dos lixões chegou, mas muitos municípios ainda não conseguiram se adequar a essa realidade, Eliene explica que é possível que estes municípios venham a sofrer sanções, inviabilidade na busca de recursos da União e talvez até reprovações de contas públicas, é um jeito de forçar a adequação e atuar para buscar soluções econômicas e ambientalmente viáveis. Em Londrina, segundo a analista, o aterro segue as exigências técnicas, existe uma preocupação com a questão da educação ambiental para a população e a implementação gradativa do projeto Lixo Zero. É nossa responsabilidade oferecer uma infraestrutura adequada, mas precisamos que haja uma participação comprometida da população na separação do lixo e destinação correta. Para o empresariado já temos a legislação que estabelece que é necessário fazer a segregação correta para evitar prejuízos ambientais e financeiros. É um trabalho contínuo, comenta. DESAFIOS Apesar de ser um princípio básico que todo cidadão tem de colaborar reciclando e que as empresas têm sua participação buscando soluções para destinação correta do resíduo produzido, para o assessor da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) em Londrina, Gerson Galdi, ainda há um longo caminho a ser trilhado. Existe uma grande dificuldade das empresas iniciarem voluntariamente esse trabalho. É maravilhoso quando as empresas têm essa visão, mas é raro. Muitos empresários ainda acham que isso é frescura e esperam ser notificados para tomarem uma posição, afirma. O trabalho de fiscalização segue um cronograma de vistoria e a empresa precisa apresentar seu projeto elaborado pelos consultores ambientais, mas também pode contar com o apoio da Sema, se precisar de orientações para que tudo seja feito da melhor forma. Ainda assim, nesse ponto surgem dois problemas. Segundo Galdi, um deles está na segregação dos Empresas com um sistema adequado de destinação e descarte dos resíduos sólidos contribuem para o nascimento da consciência ambiental nos funcionários 14 outubro de 2014

15 resíduos na fonte. É necessário separar, condicionar e destinar corretamente. Outro fator, seria a não execução do plano de gerenciamento apresentado pelas empresas, ou seja, muitas empresas não cumprem o próprio plano elaborado entregue para Sema, mas esquecem que no prazo de um ano, a empresa vai renovar a documentação e apresentar os relatórios, se for constatado que ela não executa PGRS, será notificada com o prazo de 30 dias para se adequar ou pode levar multa. Marisa Pissinati, geógrafa da Sema, aponta que o empresariado também enfrenta dificuldades, quando não tem funcionários capacitados, mas que a falta de consciência ainda é o pior. A falta de funcionários capacitados acaba gerando uma certa tolerância, tem também a questão da alta rotatividade de funcionários em alguns segmentos, mas a falta de consciência ainda é o grande problema, eles entendem que se tem o aterro por que precisam se preocupar? Não entendem que o aterro deveria receber só os rejeitos, por exemplo. A questão é permeada culturalmente, meu avó fez assim, meu pai, por que eu preciso fazer diferente?, explica. Esse ciclo cultural seria um dos maiores desafios, segundo Marisa, porque quem não faz em casa, não faz na empresa e viceversa, e isso passa de geração em geração. Quando a gente percebe que no caso do lixo reciclável, por exemplo, temos os catadores, as cooperativas, e que se geramos maior volume, estes também têm mais trabalho, mais renda e menos danos ao meio ambiente, avançamos. Se conseguíssemos separar corretamente pelo menos os recicláveis já teríamos um grande avanço com isso, ressalta. No caso dos ecopontos que favorecem a oportunidade do descarte irregular, isso gera um custo financeiro e ambiental muito alto, a CMTU não vence, e o desperdício de material reciclável é muito grande, pondera Marisa. Galdi comenta que existe um avanço na logística reversa e que esse plano recebe certificação quando executado. No setor de tintas essa logística é bem eficiente, a lata é devolvida para a loja ou fabricante e são reaproveitadas, também existem exemplos na rede de óleo de cozinha, isso muda a forma de trabalho, analisa. Exemplos como esses geram oportunidades. O entulho gerado pela construção civil era um problema, mas hoje existe uma tecnologia que tritura e produz um tijolo, resistente e térmico. O isopor é muito utilizado na produção de mudas, substituindo o plástico, além de evitar pragas ele é 100% reciclável. A cada dia surgem novas oportunidades que aliam sustentabilidade e eficiência, são soluções ecológicas que geram economia e ajudam o meio ambiente. O MATERIAL VAI E VOLTA Ary Sudan, proprietário da Rondopar: Nós nos adaptamos até chegar a um ciclo fechado de reaproveitamento, percebemos que o nosso resíduo tem valor Exemplo de solução integrada na gestão de resíduos sólidos a indústria Rondopar, fabricante de baterias automotivas, encontrou formas inteligentes de cumprir com a destinação e o descarte correto. O empresário Ary Sudan, explica que todo o alinhamento necessário foi feito gradualmente. Nós nos adaptamos até chegar a um ciclo fechado de reaproveitamento, percebemos que o nosso resíduo tem valor, afirma. Sudan explica que parte desse processo é a destinação correta do que não pode ser aproveitado, por exemplo, os resíduos contaminados, provenientes do manuseio, como as luvas e roupas especiais, são ensacados e enviados para a Central de Tratamento de Resíduos (Cetric) de Santa Catarina. Já os materiais plásticos e papelão são vendidos para recicladores o que gera retorno financeiro que é revertido para a associação dos funcionários e os paletes de madeira são vendidos para o mesmo fornecedor que os reutiliza. O lixo comum é coletado pela prefeitura. A bateria é reciclada em 100%, e ainda de acordo com Sudan, o resíduo de chumbo, material perigoso, vai para uma empresa de tecnologia em Tamarana (PR) e retorna para a produção como matéria-prima. O refugo das caixas plásticas onde as baterias são acondicionadas é separado e vai para o próprio fornecedor que efetua o processo de reciclagem e as devolve com a mesma qualidade, uma caixa nova. A água utilizada no processo de produção é tratada em uma estação de tratamento de fluentes dentro da própria empresa, e volta para o processo de produção, porém quando é descartada a água está limpa, revela. Para ele o maior desafio do empresariado é a própria mente do empresário. O desafio é o que está na cabeça dele, ele precisa se convencer que isso é para o bem. Os obstáculos existem, mas é possível começar primeiro pelo que é mais importante e depois vai aos poucos se adaptando, ensina. Para Sudan, o esforço vale a pena e todos os funcionários acabam assumindo a preocupação com a destinação correta dos resíduos em todos os setores da vida, a empresa ensina e o funcionário leva para casa. Além disso, ele considera que esse é um investimento que se reverte mais tarde para a própria empresa. O material vai e volta e assim a empresa fica bem com o meio ambiente e com o caixa. Associação Comercial e Industrial de Londrina 15

16 SAÚDE QUAL A QUALIDADE DA SUA VIDA? No corre-corre diário nos esquecemos de pensar em como está o nosso viver. Buscar o equilíbrio é o atalho para encontrar a qualidade de vida Por Fernanda Bressan Qualidade de vida é ter saúde, certo? Bom, também. Na prática, viver com qualidade vai muito além de estar em dia com os exames médicos. Envolve bons relacionamentos, família e trabalho equilibrados, tempo para si e muitas outras coisas. A partir desse mês, a revista Mercado em Foco terá um espaço dedicado a esse ponto tão essencial na vida. Afinal de contas, todos, sem exceção, gostam de incluir a palavra qualidade no dia a dia. De acordo com o cardiologista Ricardo Rodrigues, o importante é buscar o equilíbrio na rotina. Para mim, qualidade de vida é estar adaptado e se sentir confortável nas várias esferas da vida: profissional, espiritual, familiar e em sociedade, aponta. Segundo ele, de nada adianta estar super satisfeito com o trabalho se a saúde vai mal, ou ter uma família estruturada e estar desempregado. A meta de quem quer viver com qualidade é buscar a satisfação em tudo o que faz, sente e sonha. Ilusão? Nem sempre. O desafio é driblar a correria do dia a dia. Ela nos faz esquecer de olhar com cuidado para nossa vida e gera o famoso estresse. Está tudo muito rápido. Atualmente, o trabalho é o maior causador do estresse. Com as novas tecnologias achávamos que íamos trabalhar menos, mas o que aconteceu é que estamos levando trabalho para casa, acessando s profissionais no fim de semana, isso prejudica a qualidade de vida, alerta o cardiologista Dr. Ricardo. Para quem pensa que são os executivos os mais estressados, o médico traz uma informação nova. Estudos baseados em questionários de estresse aplicados em empresas mostram que o estresse no trabalho está associado mais à resolutividade que à carga de serviço. Cargos que não têm liberdade e participação nas decisões geram mais estresse. O fato de ter pouca participação gera pouca satisfação, define. Uma maneira de reverter esse quadro é incluir os funcionários em situações de escolha. Tem que ter a participação das pessoas, isso gera satisfação. Outra atitude que ajuda a reduzir o estresse é a ginástica laboral, orienta. Essas atitudes são extremamente importantes para promover a saúde pois prevenem doenças. O estresse eleva a mortalidade em 30% nas doenças cardiovasculares e também aumenta a incidência de câncer, frisa o especialista. Segundo ele, estudos já atestaram que o estresse causa uma inflamação no cérebro. Essas substâncias aumentam ainda a chance desenvolver quadros depressivos e causam alterações imunológicas, pontua. Além disso, o estresse elevado reduz a produtividade. Mas não se assuste, todos precisamos de um pouquinho de estresse, ele faz parte da vida. O que importa, conforme Dr. Ricardo Rodrigues, é aprender a lidar com ele. Precisamos usar o estresse em nosso favor. O melhor conceito de estresse negativo é a falta de adaptação à demanda que a vida te coloca. E isso é muito individual. Há quem trabalhe 14 horas e está sempre de bem com a vida e quem trabalhe 6 horas e vive estressado. Para reduzir essa sensação, há as boas e velhas recomendações. Exercício físico desinflama o cérebro, comer bem desinflama o cérebro, dormir bem também! E isso não é novidade, afirma o cardiologista. Para quem não encontra tempo para a atividade física na agenda, ele avisa: quem pratica exercícios, rende mais. A endorfina liberada durante a prática deixa a pessoa mais animada. Um estudo da USP focado na capacidade de decisão e velocidade de raciocínio mostrou que quem pratica atividade física trabalha de 1 a 2 horas a menos por dia mas tem mais capacidade de memória e velocidade de decisão. Você não está perdendo tempo, mas está fazendo um investimento, garante. Para finalizar, ele reforça que quem é ativo reduz em 20 a 30% as chances de ter doenças cardiovasculares e de 10 a 20% o risco de ter câncer. É importante sempre buscar coisas novas, ler sobre assuntos diferentes, criar um circuito cerebral novo, acrescenta. Nosso dia tem 24 horas, cabe a nós dividir esse tempo da melhor forma possível! 16 outubro de 2014

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18 PLANO DIRETOR A CIDADE EM BUSCA DE UMA DIREÇÃO Grupo revisor do Plano Diretor de Londrina conclui trabalho e cidade espera que as leis de Ocupação do Solo e Sistema Viário estejam prontas até o final deste ano. Seria um ótimo presente de aniversário para os londrinenses! Por Paulo Briguet O Plano Diretor é uma bússola do desenvolvimento. Está para os empreendedores como o instrumento de orientação estava para os primeiros navegadores. Não por acaso, a primeira pergunta de um investidor sério, quando pretende estabelecer seu negócio numa cidade, geralmente é: O que diz o Plano Diretor? Sem esse marco legal, os empresários ficam desamparados em um mar de insegurança jurídica, ao sabor dos ventos políticos. Há seis anos, Londrina espera a aprovação de um novo Plano Diretor. O que temos hoje está completamente anacrônico e desfigurado; virou uma imensa colcha de retalhos costurada sem critério. A sociedade londrinense, especialmente as entidades do setor empresarial, esperam com grande ansiedade a aprovação do novo Plano Diretor ainda neste ano, no mais tardar em novembro. Se os vereadores conseguissem aprovar a matéria em 2014, seria um belo presente nos 80 anos da cidade. Cidade que, por sinal, nasceu de um plano, realizado por uma empresa de capital privado: a Companhia de Terras Norte do Paraná. Na verdade, o que nós chamamos de Plano Diretor é um conjunto de oito leis, das quais duas ainda não estão aprovadas. São elas a Lei de Zoneamento de Uso e Ocupação do Solo Urbano (228) e a Lei do Sistema Viário (229). São justamente as duas leis cuja falta emperra o desenvolvimento da cidade. Por meio dessas legislações, define-se o que pode ou não ser instalado em cada área urbana. Sem elas, cria-se um enorme vácuo de incerteza para os investidores. E sem investimento, como se sabe, não há progresso social nem serviços públicos de qualidade. Em fevereiro, a pedido da Câmara de Vereadores, o Conselho Municipal da Cidade (CMC) organizou uma forçatarefa para revisar os projetos das leis de Zoneamento e Sistema Viário. Formamos um grupo de trabalho, formado por técnicos e representantes da comunidade, para analisar os projetos item por item, diz o presidente do CMC, engenheiro Osmar Ceolin Alves. É um trabalho complexo e hercúleo: o projeto da Lei de Zoneamento tem 267 artigos e quatro anexos. O grupo de trabalho do CMC fez 146 alterações e sugestões à Câmara. Na Lei de Sistema Viário, foram sugeridas 18 outubro de 2014

19 CMC FEZ UM AMPLO TRABALHO DE REVISÃO DO ZONEAMENTO 22 alterações. Verificamos os textos aprovados em conferência, além dos textos das semanas técnicas realizadas pela Prefeitura, e checamos as compatibilidades e incompatibilidades, explica Osmar Alves. Várias incongruências foram identificadas durante esse trabalho da comissão. Um exemplo: pelo texto original, igrejas só poderiam ser instaladas em... zonas industriais, rodovias e grandes avenidas! Ou ainda: escolas só poderiam ser construídas em avenidas estruturais. Em um trabalho que consumiu noites em claro, fins de semana, feriados e horas de folga, os membros do CMC, sob a coordenação de Osmar Alves, entregaram à Câmara, no final de agosto, o trabalho de compatibilização do Plano Diretor. Participaram do trabalho os seguintes cidadãos: Gabriela Luizzi de Fontoura, Gerson Guariente Júnior, Getúlio Vanderlei Rodrigues, Humberto Marques, José Gonçalves Neto, João Ulisses Lopes, José Luiz Faraco, José Antônio Bahls Santos, Luiz Guilherme Alho, Maria Clarice Rabelo, Natal Oliveira, Nestor Dias Correia, Nilton Capucho e Sidney Miami Oliveira. Não custa lembrar: é um trabalho totalmente voluntário. O trabalho de revisão do Plano Diretor foi feito em duas etapas: de fevereiro a 15 de maio, foram feitas sugestões de alterações no texto das leis. De maio até agosto, foram apontadas propostas de mudança nos cálculos, fórmulas e conceitos utilizados para regulamentar os usos do solo urbano. O trabalho realizado pelo CMC, segundo Osmar Alves, organizou as informações de maneira bastante didática, facilitando a discussão das propostas pelos vereadores. No relatório final, constam o texto aprovado em conferência; o texto aprovado em audiência pública/semana técnica da Prefeitura; e o texto sugerido pela comissão do CMC. Todas as sugestões vêm acompanhadas de justificativas. Na opinião do presidente do CMC, a Câmara de Vereadores terá condições de aprovar o texto final das duas leis até novembro deste ano. Os vereadores têm mostrado boa vontade em finalizar o Plano Diretor, até porque nós elaboramos um manual com todas as explicações sobre as mudanças propostas, afirma Alves. Entre as sugestões elaboradas pelo Conselho da Cidade, está a criação de zonas mistas na área central da cidade, com permissão para prédios comerciais e residenciais. Assim, evitamos que o centro fique congestionado durante o dia e vazio durante a noite. As pessoas podem trabalhar e morar na área central, o que cria uma ocupação mais equilibrada na cidade e favorece o trânsito. Osmar Alves: Vereadores dispõem de um manual com todas as explicações sobre as mudanças propostas pelo CMC. Trabalho pode ser concluído, sem sobressaltos, até novembro Há também a proposta de potencializar as zonas periféricas da cidade, permitindo um uso melhor dessas áreas. Sugerimos uma forma de urbanizar os bairros do entorno da cidade, o que vai descongestionar o centro, observa o engenheiro. Se dermos mais condições para a instalação de comércio na periferia, diminuímos os problemas de tráfego. No tocante à industrialização, foi proposto um novo conceito para a classificação de empresas. Antes, as indústrias estavam classificadas apenas de acordo com o tamanho pequenas, médias ou grandes. O CMC sugeriu que se criasse uma classificação pelo risco ambiental. Isso porque pode existir uma indústria grande que não oferece risco ambiental nenhum, ou uma indústria pequena que polui bastante, portanto deve ficar em área restrita, explica. Osmar Alves elogia o trabalho das pessoas que doaram tempo e esforço para, finalmente, produzir um Plano Diretor para Londrina. Mas reconhece que podem existir erros. É um trabalho complexo e podem ter restado alguns equívocos e incompatibilidades. Mas nada que inviabilize o Plano Diretor como um todo. Temos certeza de que o Legislativo e o Executivo vão aprovar as duas leis restantes ainda em 2014, superando as previsões pessimistas de alguns cavaleiros do Apocalipse. É o que a cidade espera. Afinal de contas, navegar sem bússola é muito difícil. Associação Comercial e Industrial de Londrina 19

20 MARKETING DIGITAL O E-COMMERCE COMO ESTRATÉGIA Renato Meirelles, presidente do Instituto Data Popular, mostra como conquistar a classe média Por Vinícius Bersi Entre 14 e 16 de outubro a ACIL realiza a III Semana do Empreendedor Digital. O evento, maior da área em Londrina, tem o objetivo de conectar os empresários às oportunidades disponíveis no universo online. É chegada a hora de perceber o e-commerce como uma chance de sucesso de um negócio e não apenas como um concorrente, destaca Barbara Della-Libera, analista de Marketing da ACIL. Durante a Sed vão ser realizadas palestras com profissionais reconhecidos na área de Marketing Digital; Daniel Zanco, da Universo Varejo, Felipe Osório, da Google e João Kepler, da Anjos do Brasil estão entre os palestrantes. Além das palestras, os participantes realizam oficinas de estratégia de Marketing. O encerramento no dia 16 é com Renato Meirelles, presidente do Instituto Data Popular, que se dedica a pesquisas sobre o comportamento e desejos da classe C. Meirelles vai apontar os caminhos para os empresários se aproximarem do segmento de mercado que atualmente concentra 108 milhões de brasileiros. A classe média responde pelo consumo de R$ 1,17 trilhões por ano. A Mercado em Foco antecipa parte dessa conversa na entrevista abaixo. Boa leitura! Mercado em Foco: Como as vendas pela modalidade e-commerce se distribuem entre as classes sociais? Qual é o peso da classe C? Renato Meirelles: A maioria que compra pela internet é jovem, a geração mais conectada, tem entre 16 e 24 anos e pertence à classe C. Em 2013, 11,3 milhões de pessoas da classe média fizeram compras pela internet. Mercado em Foco: O que o consumidor da classe média espera da empresa que vende pelo e-commerce? Renato Meirelles:A classe média vive num momento de otimismo. E, para se comunicarem com o consumidor emergente, as empresas precisam buscar uma linguagem que valoriza suas conquistas, respeite sua visão de mundo e dialogue com seus anseios e valores. Mercado em Foco: Os empresários já perceberam a importância de se conectar com esse público também pela Web? Renato Meirelles: A democratização do consumo no Brasil, alcançada graças à expansão do crédito, é uma das maiores oportunidades para as marcas conquistarem novos públicos, principalmente, a classe média, que hoje em dia tem acesso a bens que antes eram considerados inalcançáveis. Mercado em Foco: As empresas conhecem o público? Há preconceitos em relação a este consumidor? Renato Meirelles: O produto ou serviço que mostrar relevância ao consumidor tende a sair à frente. Sendo assim, é indispensável entender os valores destas pessoas e dialogar sem preconceito com a classe média que compra, e compra bem. Mercado em Foco: Qual a importância de iniciativas que aproximam o empresário do mundo digital como a SED (Semana do Empreendedor Digital), promovida pela ACIL? 20 outubro de 2014

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