PLANO ESTRATÉGICO PARA O FOMENTO DO EMPREENDEDORISMO NA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES

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1 PR-01195

2 PLANO ESTRATÉGICO PARA O PR i i

3 Sumário executivo Reconhecendo a importância do empreendedorismo na promoção da inovação e da competitividade, o Governo Regional dos Açores tem vindo a implementar nos últimos anos um conjunto de iniciativas orientadas para o fomento da actividade empreendedora. Com o intuito de estabelecer uma base de informação rigorosa e abrangente sobre a situação actual da actividade empreendedora na Região, a Secretaria Regional da Economia do Governo Regional dos Açores apoiou, em 2010, a realização do estudo GEM Açores Resultante de uma parceria entre o Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores e a SPI Ventures, o GEM Açores 2010 permitiu a aplicação na Região da metodologia padronizada definida pelo GEM. É de destacar a realização de uma sondagem à população adulta abrangendo um universo de indivíduos e a realização de entrevistas a 37 especialistas ligados ao empreendedorismo nos Açores. Deste modo, foi possível identificar de forma precisa os principais factores que fomentam ou travam as dinâmicas empreendedoras nos Açores 2. Com um conjunto de acções diversificadas no terreno, o Governo Regional dos Açores, através das Secretarias Regionais da Ciência, Tecnologia e Equipamentos (SRCTE) e da Economia (SRE), por proposta da Direcção Regional da Ciência, Tecnologia e Comunicações (DRCTC) e da Direcção Regional de Apoio ao Investimento e à Competitividade (DRAIC) decidiu, em 2009, avançar para o desenvolvimento de uma Estratégia para o Empreendedorismo e a Inovação nos Açores e para a criação de um Business Innovation Centre. Para tal, em Julho de 2010, foi formalmente constituído um Grupo de Trabalho, coordenado pelo Director Regional da Ciência, Tecnologia e Comunicações (Eng. Paulo Menezes) e pelo Director Regional de Apoio ao Investimento e à Competitividade (Dr. Arnaldo Machado), sendo chefe do projecto o Prof. José Azevedo (SRCTE). O Grupo de Trabalho integra ainda representantes da DRCTC (Dr.ª Teresa Ferreira e Dr. Jorge Pereira, inicialmente na DRAIC), da DRAIC (Dr. Paulo Carreiro) e das Direcções Regionais da Educação e Formação (Dr.ª Margarida Quinteiro), do Trabalho, Qualificação Profissional e Defesa do Consumidor (Dr. Filipe Brum) e da Juventude (Dr.ª Margarida Alves e Dr.ª Débora Pavão). 1 O Global Entrepreneurship Monitor (GEM) é o maior estudo sobre empreendedorismo realizado a nível mundial. Foi realizado pela primeira vez em 1999, fruto de uma iniciativa conjunta do Babson College (Estados Unidos da América) e da London Business School (Reino Unido). 2 Mais informação sobre o GEM Açores 2010 encontra-se disponível em: ii ii

4 De forma a apoiar a elaboração do Plano Estratégico para o Fomento do Empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores, foram contratados os serviços da SPI Açores, empresa de consultadoria com sede em Ponta Delgada. Através das suas ligações à Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI), a SPI Açores combina uma clara percepção das realidades locais com as competências e experiência adquiridas pela SPI a nível nacional e internacional, permitindo à empresa apresentar soluções inovadoras, com um elevado grau de exequibilidade. Com a elaboração do Plano Estratégico pretende-se dotar a Região de um instrumento que permita, de uma forma informada e organizada, agir sobre os principais factores estruturantes para o estímulo da actividade empreendedora. A metodologia associada à elaboração do Plano Estratégico para o Fomento do Empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores contemplou a concretização de cinco Fases: - Fase 1: Realização do diagnóstico regional no âmbito do empreendedorismo; - Fase 2: Realização de estudos de caso; - Fase 3: Definição de linhas de orientação estratégica; - Fase 4: Elaboração do Plano de Acção; - Fase 5: Elaboração do Plano Estratégico para o Fomento do Empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores. A metodologia adoptada pretendeu assegurar que o desenvolvimento dos trabalhos se constituísse como um processo mobilizador, dinâmico e de proximidade. Neste sentido, foram realizados mergulhos no território para conhecimento in loco das iniciativas no terreno e foram promovidas entrevistas e reuniões com diferentes tipos de interlocutores que, actuando em diferentes quadrantes, contribuíram activamente para o enriquecimento do trabalho, potenciando a inclusão de uma visão multifacetada das realidades. Procurou-se também, sempre que possível, ilustrar a estratégia proposta e os consequentes projectos estruturantes com exemplos de casos diversificados, que pudessem constituir-se como fontes inspiradoras para as actividades que se pretendem desenvolver. Neste âmbito foram analisadas as iniciativas: Programa EXIST - Start-Ups de Base Universitária (Alemanha), Programa Start-Up Chile (Chile), Programa UniEmprende da Universidade de Santiago de Compostela (Espanha), Programa RuralEES da Federação Canária de Desenvolvimento Rural (Espanha), Babson College (EUA) e ParcBIT - Parque Balear de Inovação Tecnológica (Espanha). iii iii

5 Tendo em conta que a análise das realidades relacionadas com o empreendedorismo contempla inúmeros aspectos específicos, pareceu oportuno definir um conjunto limitado de vectores de análise que os permitissem clusterizar. Tendo como base o conceito de Ecossistema do Empreendedorismo desenvolvido pelo Babson College (Babson Entrepreneurship Ecosystem Project-BEEP, 2010), a aproximação metodológica adoptada considerou seis grandes domínios estruturantes: - Capital humano: em que são analisados aspectos como a taxa de crescimento populacional, a estrutura etária da população e as suas qualificações; - Empresas e mercados: em que é analisado o dinamismo empresarial local, os principais sectores, os canais de distribuição preferenciais, a abertura do mercado a novas empresas, entre outros; - Apoio financeiro: onde é feita uma análise da facilidade de acesso dos empreendedores a capital financeiro e se identificam os principais recursos disponíveis, incluindo aspectos como o microcrédito ou o capital de risco; - Cultura empreendedora: onde se analisam as normas sociais vigentes, no que se relaciona com a atitude perante o empreendedor ou a tolerância ao risco; - Infra-estruturas e serviços de apoio: em que são identificados e analisados os apoios ao empreendedorismo existentes na Região, onde se incluem, entre outros, espaços de incubação de empresas, gabinetes de apoio, serviços de consultadoria, etc.; - Políticas e programas: em que se considera o envolvimento político na temática do empreendedorismo e a forma como esse envolvimento se traduz em programas de apoio concretos. Note-se que as análises efectuadas têm por base um conjunto de conceitos fundamentais associados à temática do empreendedorismo, que se apresentam, de forma sistematizada, no início deste documento. Deste modo, e com base numa análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats), que pretendeu sistematizar os resultados das restantes análises realizadas, foi possível destacar, no ecossistema do empreendedorismo da Região Autónoma dos Açores, os seguintes aspectos: - Pontos fortes: População jovem; Vantagens competitivas em sectores específicos; Disponibilidade de apoios governamentais orientados para o empreendedorismo; Diversidade de iniciativas de promoção da cultura empreendedora; e Dinamização de diferentes iniciativas visando a criação de Parques de Ciência e Tecnologia; - Áreas de Melhoria: Baixo nível de formação da população; Reduzida dimensão (e fragmentação) do mercado local; Reduzido dinamismo do tecido socioeconómico; Baixa cultura de empreendedorismo; e Reduzido valor acrescentado dos serviços de apoio ao empreendedorismo; iv iv

6 - Oportunidades: Relação histórica com EUA e Canadá; e Características geográficas, biológicas e mesmo socioeconómicas específicas; - Ameaças: Debilidades económicas do País; e Concorrência de outras regiões. Assim, com base na análise do panorama actual, das diferentes realidades existentes e das diferentes iniciativas já a decorrer no terreno, foi possível avançar com a definição da estratégia para o fomento do empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores. A definição desta estratégia pressupôs a explicitação de uma Visão, correspondente ao cenário prospectivo que se pretende alcançar. Em 2020, a Região Autónoma dos Açores será reconhecida, a nível nacional e internacional, por um ecossistema particularmente favorável ao empreendedorismo numa região insular e ultraperiférica. Assumindo esta Visão como o quadro de referência estratégico, que permite orientar a elaboração dos níveis de definição estratégica subsequentes, foi possível avançar com a definição de uma Missão. Os actores do ecossistema do empreendedorismo dos Açores, onde se incluem o Governo Regional, as Autarquias Locais, a Universidade, as Escolas, as Empresas e a sociedade civil, deverão intervir de forma concertada nos seus diferentes domínios de actuação para fomentar a actividade empreendedora na Região e maximizar os resultados socioeconómicos daí decorrentes. Enquadradas pela Visão e pela Missão, foram detalhadas Linhas de Orientação Estratégica, alinhadas com os diferentes domínios estruturantes dos ecossistemas de empreendedorismo. Estas Linhas pretendem fornecer pistas sobre o caminho a percorrer e provocar reflexões sobre a estratégia: - Capital humano: O ecossistema do empreendedorismo dos Açores deverá contribuir activamente para o aumento das qualificações dos recursos humanos da Região e para a atracção e fixação de empreendedores qualificados; - Empresas e mercados: O ecossistema do empreendedorismo dos Açores deverá contribuir activamente para o aproveitamento de oportunidades económicas existentes na Região e para facilitar o acesso das empresas aos mercados externos; - Apoio financeiro: O ecossistema do empreendedorismo dos Açores deverá apresentar um conjunto alargado e coerente de instrumentos de financiamento, que se adeqúem às diferentes necessidades dos empreendedores e sejam facilmente acessíveis. v v

7 - Cultura empreendedora: O ecossistema do empreendedorismo dos Açores deverá fomentar e valorizar a iniciativa, o risco, a criatividade e a inovação e promover a tolerância ao insucesso entre a população da Região; - Infra-estruturas e serviços de apoio: O ecossistema do empreendedorismo dos Açores deverá estar dotado de um conjunto limitado de infra-estruturas e serviços de apoio de referência, acessíveis aos empreendedores, que facilite a instalação das empresas e cubra, de uma forma integrada, as suas necessidades tangíveis e intangíveis; - Políticas e Programas: O ecossistema do empreendedorismo dos Açores deverá ser considerado uma prioridade política regional, reflectida num enquadramento regulatório e institucional favorável ao fomento da actividade empreendedora. - Deverá também estar dotado de um conjunto coerente de programas de apoio, que se adaptem às diferentes necessidades dos projectos inovadores e sejam facilmente acessíveis. No sentido de materializar a estratégia definida, importará não só identificar novas propostas de actuação, mas também considerar as iniciativas já no terreno, que serão merecedoras de continuidade. A este respeito, no âmbito deste Plano Estratégico, considera-se relevante reunir condições para assegurar a continuação e o amadurecimento das iniciativas: Programa Educação Empreendedora, Centro de Empreendedorismo da UAc, Concurso Regional de Empreendedorismo, Parque Tecnológico Nonagon, Rede de Gabinetes do Empreendedor, Rede Prestige Azores, Empreende Jovem, Regime de Apoio ao Microcrédito Bancário e Fundo de Investimento de Apoio ao Empreendedorismo dos Açores. No que concerne à definição de novas iniciativas a desenvolver no âmbito deste Plano, importa que estas permitam a concretização da estratégia de um modo transversal aos diferentes domínios definidos. A carteira de projectos proposta tenta dar resposta às diferentes necessidades identificadas em fase de diagnóstico, assim como aproveitar os pontos fortes e oportunidades aí apontados. - START-UP AZORES: Implementação de programa internacional de atracção de empreendedores qualificados; - EMPREENDE AÇORES: Implementação de programa de formação-acção para fomento do empreendedorismo relacionado com os produtos endógenos dos Açores; - INCUBA AÇORES: Estabelecimento da incubadora de empresas de referência nos Açores; - BIC AZORES: Estabelecimento de um Business Innovation Centre nos Açores; vi vi

8 - OBSERVATÓRIO DO EMPREENDEDORISMO: Implementação de estrutura de monitorização da evolução do ecossistema do empreendedorismo dos Açores; - AZORES ANGELS: Criação de uma rede de Business Angels nos Açores; - ENTERPRISE AZORES: Implementação de programa de promoção da visibilidade externa do ecossistema do empreendedorismo dos Açores. Para a materialização deste Plano, propõe-se a definição de um enquadramento normativo adequado, estabelecido através de diploma legal, que permita considerar as diferentes iniciativas de promoção do empreendedorismo, em curso e previstas, promovidas por diferentes tipos de entidades. Este enquadramento poderá, com vantagem, consubstanciarse na definição de um Sistema de Incentivos ao Empreendedorismo, cujas condições de acesso e respectivas regras gerais de atribuição sejam objecto de decreto regulamentar regional próprio. No âmbito da elaboração deste Plano, é proposta uma estruturação para o Sistema de Incentivos em Eixos, Medidas e Tipologias de apoio alinhados com a Estratégia de intervenção definida. Deste modo, os Eixos estarão alinhados com as Linhas de Orientação estratégica preconizadas, da mesma forma em que as Medidas deverão cobrir de uma forma abrangente os objectivos estratégicos estabelecidos e as Tipologias de apoio deverão procurar abranger as diferentes iniciativas, propostas ou existentes, a levar a cabo para implementação deste Plano. Assim, o Sistema de Incentivos proposto prevê a existência de quatro eixos (três considerados estruturantes e um de assistência técnica), oito medidas e quinze tipologias de apoio. O Sistema de Incentivos foi desenhado por forma a prever a sua abertura à participação dos diferentes actores do ecossistema do empreendedorismo da Região, permitindo o seu envolvimento de forma activa na materialização deste Plano. Procura-se assim optimizar a utilização dos recursos públicos na consecução dos objectivos definidos. Independentemente da definição, ou não, do quadro normativo e do Sistema de Incentivos, a implementação do Plano Estratégico para o Fomento do Empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores deve ser monitorizada em permanência. No sentido de operacionalizar a estratégia, implementar os mecanismos de monitorização e fazer o necessário acompanhamento, é proposta a criação de uma estrutura de gestão que permita uma forte articulação entre os vários órgãos de Governo e o envolvimento da sociedade nas diferentes vertentes da implementação do Plano. Sugere-se assim que esta estrutura venha a apresentar a seguinte configuração: - Coordenação Executiva: Órgão responsável pela coordenação do Plano. Composição a indicar pelo Governo Regional. Deverá ser suportado pelo Grupo de Trabalho; vii vii

9 - Grupo de Trabalho: Órgão executivo responsável pela implementação do Plano Estratégico, em particular pela dinamização dos projectos definidos. Poderá ter como base o Grupo de Trabalho responsável pelo acompanhamento do presente trabalho; - Conselho Regional para o Empreendedorismo: Órgão com carácter consultivo. Deverá envolver membros do Governo Regional e personalidades reconhecidas do mundo empresarial e académico. Sugere-se que possa ser presidido pelo Presidente do Governo Regional. Este Conselho será particularmente importante no acompanhamento estratégico do Plano e na avaliação da evolução do ecossistema empreendedor da Região. Por fim, no âmbito deste Plano é proposto um conjunto de indicadores que irá permitir, por um lado, monitorizar a respectiva implementação e, paralelamente, avaliar o seu impacto no ecossistema do empreendedorismo da Região Autónoma dos Açores. A SPI Açores viii viii

10 Agradecimentos Gostaríamos de agradecer a todas as pessoas e entidades que, generosamente, se disponibilizaram para a discussão de temas relevantes para a elaboração deste trabalho, contribuindo com a sua visão para uma análise multifacetada da realidade. Não queremos deixar de destacar, entre outros, os contributos de: Duarte Vieira (Morfose), Eduardo Braga (Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada), Emanuel Silva (SeaExpert), Fátima Amorim (PRORURAL), Flávio Tiago (Knowledge2Business), Gui Menezes (Fishmetrics), Hélder Fialho (Azores Parque), Helvídio Barcelos (AçorCarnes), Henrique Ramos (SeaExpert), João Crispim (Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores), João Santos (NextEnergy), João Soares Albergaria (Go4theGlobe), João Sousa (Operative Mind Technologies), José Sousa (Operative Mind Technologies), Luís Rocha (Observatório do Emprego e Formação Profissional), Nuno Martins (Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores), Octávio Melo (PROPESCAS), Paulo Carreiro (Rede de Gabinetes do Empreendedor), Pedro Freire (GeoFun), Rui Amann (PROCONVERGENCIA), Sandro Paim (Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo). A SPI Açores ix ix

11 Índice Sumário executivo... ii Principais conceitos utilizados... xiv 1. REALIDADES ACTUAIS Capital humano Empresas e mercados Apoio financeiro Cultura empreendedora Infra-estruturas e serviços de apoio Políticas e programas ANÁLISE SWOT Pontos Fortes Áreas de Melhoria Oportunidades Ameaças ORIENTAÇÕES ESTRATÉGICAS Visão e Missão Linhas de Orientação Estratégica e Objectivos Capital humano Empresas e mercados Apoio financeiro Cultura empreendedora Infra-estruturas e serviços de apoio Políticas e programas PLANO DE ACÇÃO Principais iniciativas a manter Propostas de acção x x

12 Projecto 1. Start-Up Azores Projecto 2. Empreende Açores Projecto 3. Incuba Açores Projecto 4. BIC Azores Projecto 5. Observatório do Empreendedorismo Projecto 6. Azores Angels Projecto 7. Enterprise Azores Síntese MECANISMOS DE IMPLEMENTAÇÃO, ACOMPANHAMENTO E GESTÃO BIBLIOGRAFIA ANEXO ESTUDOS DE CASO Estudo de caso 1 EXIST Estudo de caso 2 Start-up Chile Estudo de caso 3 UNIEMPRENDE Estudo de caso 4 FEDERCAN Estudo de caso 5 Babson College Estudo de caso 6 ParcBIT xi xi

13 Índice de Figuras Figura 1. Domínios de análise de um ecossistema do empreendedorismo....2 Figura 2. Estrutura etária da população residente, Açores e Portugal, Figura 3. Proporção da população com nível de ensino completado, por região portuguesa, Figura 4. Taxas de retenção nos 1º, 2º e 3º ciclos ensino básico, Açores e Portugal, Figura 5. PIB per capita, Açores e Portugal, Figura 6. VAB por sector de actividade, Açores e Portugal, Figura 7. Evolução da balança comercial nos Açores, Figura 8. Taxa de desemprego trimestral, Açores e Portugal, Figura 9. Expectativas de emprego dos alunos da UAc / Sector onde gostariam de trabalhar, Figura 10. Análise SWOT Figura 11. Níveis de definição da estratégia Figura 12. Quadrantes orientadores da estratégia Figura 13. Posicionamento dos diferentes domínios do ecossistema do empreendedorismo nos quadrantes orientadores da estratégia Figura 14. Relação entre as fases de crescimento das novas empresas e as necessidades de capital Figura 15. Principais iniciativas incluídas no Plano ao nível das infra-estruturas e serviços de apoio Figura 16. Principais iniciativas incluídas no Plano ao nível do financiamento da actividade empreendedora Figura 17. Principais iniciativas incluídas no Plano ao nível do fomento da Cultura empreendedora Figura 18. Principais relações a estabelecer entre o Start-up Chile e outras iniciativas Figura 19. Representação esquemática das principais iniciativas consideradas no Plano Estratégico para o Fomento do Empreendedorismo xii xii

14 Índice de Tabelas Tabela 1. Indicadores demográficos das empresas, Açores e Portugal, Tabela 2. Indicadores das empresas, Açores e Portugal, Tabela 3. Síntese da proposta de Sistema de Incentivos ao Empreendedorismo Tabela 4. Relação entre as iniciativas propostas e existentes e as tipologias de apoio previstas no Sistema de Incentivos proposto Tabela 5. Principais indicadores de acompanhamento do Plano Tabela 6. Principais indicadores de evolução do ecossistema do empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores xiii xiii

15 Principais conceitos utilizados Business angel: investidor que realiza investimentos em oportunidades nascentes (tipo start-up ou early stage). Para além de aportar capacidade financeira, também contribui com a sua experiência e network de negócios. (Associação Portuguesa de Business Angels, 2011). Capital de risco: também conhecido pela designação em inglês venture capital. É um investimento associado a elevados níveis de risco, realizado por investidores individuais ou institucionais, por um prazo limitado. O Capital de risco participa directamente no capital social das empresas, apoiando a sua gestão e tentando optimizar ao máximo o seu sucesso, uma vez que o seu investimento está dependente dos resultados obtidos. (Guia Prático do Capital de Risco, IAPMEI / APCRI, 2006). Capital semente: também conhecido pela designação em inglês seed capital. Corresponde geralmente a um pequeno montante, dirigido a projectos empresariais em fase de projecto e desenvolvimento, antes mesmo da instalação do negócio, envolvendo muitas vezes o apoio a estudos de mercado para determinar a viabilidade de um produto ou serviço, mas também ao desenvolvimento de produto a partir de projectos ou estudos. (Guia Prático do Capital de Risco, IAPMEI / APCRI, 2006). Condições estruturais do empreendedorismo: condições que agrupam vários aspectos que afectam o processo empreendedor e que são avaliadas no âmbito dos estudos GEM. No ano 2010 foram consideradas: Apoio Financeiro, Políticas Governamentais, Programas Governamentais, Educação e Formação, Transferência de Resultados de Investigação & Desenvolvimento, Infra-estrutura Comercial e Profissional, Abertura do Mercado Interno, Acesso a Infra-estruturas Físicas e Normas Sociais e Culturais. (Global Entrepreneurship Monitor 2010) Desenvolvimento: actividades realizadas com vista à descoberta ou melhoria substancial de matérias-primas, produtos, serviços ou processos de fabrico envolvendo a exploração de resultados de trabalhos de investigação ou de outros conhecimentos científicos ou técnicos. (Lei 40/2005, de 3 de Agosto) Ecossistema do empreendedorismo: conjunto dos factores e actores relevantes para o empreendedorismo e as relações entre estes. Pode ser estruturado nos 6 domínios: Capital humano, Empresas e mercados, Políticas e programas, Apoio financeiro, Cultura empreendedora e Infra-estruturas e serviços de apoio. (Babson College 2010) Empreendedorismo: qualquer tentativa de criação de um novo negócio ou nova iniciativa, tal como emprego próprio, uma nova organização empresarial ou a expansão de um negócio existente, por parte de um indivíduo, de uma equipa de indivíduos, ou de negócios estabelecidos. (Global Entrepreneurship Monitor 2010) xiv xiv

16 FFF: representa Friends, Family and Fools, ou seja, familiares e amigos. Apesar da informalidade, representam a fonte de financiamento associada ao arranque da maioria dos projectos, de forma exclusiva ou complementada com outras formas de financiamento (Saraiva, 2011) GEM: sigla referente ao Global Entrepreneurship Monitor, o maior estudo sobre empreendedorismo realizado a nível mundial. Fruto de uma iniciativa conjunta do Babson College (Estados Unidos da América) e da London Business School (Reino Unido) foi iniciado em Foi realizado nos Açores pela primeira vez em Incubadora de empresas: estrutura que apoia as empresas nas suas fases iniciais de desenvolvimento, ajudando-as a sobreviver e a crescer nas fases em que são mais vulneráveis. A incubação de empresas é um processo dinâmico de desenvolvimento de negócios. As incubadoras apoiam a gestão das empresas, disponibilizam acesso a financiamento e a serviços de apoio técnico especializado, oferecem serviços partilhados, acessos a equipamentos e espaços de trabalho flexíveis tudo num só local. (National Business Incubation Association) Indústrias criativas: actividades que têm a sua origem na criatividade individual, habilidade e talento e com potencial de criação de emprego e riqueza, através da geração e exploração da propriedade intelectual. O conceito de indústrias criativas integra um alargado leque de actividades onde se encontram: Publicidade, Arquitectura, Artes Visuais e Antiguidades, Artesanato e Joalharia, Design, Design de Moda, Cinema, Vídeo e Audiovisual, Software Educacional e de Entretenimento, Música, Artes Performativas, Edição, Software e Serviços de Informática e Televisão e Rádio. (Tom Fleming Creative Consultancy et al., 2008) Inovação: implementação de uma nova, ou significativamente melhorada solução para a empresa, novo produto, processo, método organizacional ou de marketing, com o objectivo de reforçar a sua vantagem competitiva, aumentar o desempenho, ou o conhecimento. (NP 4456:2007, adaptado do Manual de Oslo) Investigação: actividade realizada com vista à aquisição de novos conhecimentos científicos ou técnicos. (Lei 40/2005, de 3 de Agosto) Microcrédito: pequeno empréstimo bancário destinado a apoiar quem não têm acesso ao crédito bancário, mas quer desenvolver uma actividade económica por conta própria e, para isso, reúne condições e capacidades pessoais, que antecipam o êxito da iniciativa. (Associação Nacional de Direito ao Crédito) Negócios estabelecidos: empresas que proporcionam remuneração salarial há mais de 42 meses. (Global Entrepreneurship Monitor 2010) Negócios nascentes: iniciativas iniciais de constituição de um negócio, em que há afectação de recursos (tempo e/ou dinheiro) pelo empreendedor, e que ainda não pagaram salários por um período superior a 3 meses. (Global Entrepreneurship Monitor 2010) xv xv

17 Novos negócios: empresas que proporcionam remuneração salarial por um período superior a 3 meses e inferior a 42 meses. (Global Entrepreneurship Monitor 2010) Parque de Ciência e Tecnologia: organização gerida por profissionais especializados, cujo objectivo fundamental é aumentar a riqueza da comunidade em que se insere, através da promoção da cultura de inovação e competitividade das empresas e instituições de ciência e tecnologia instaladas no Parque ou a ele associadas. Nesse sentido, o Parque estimula e gere o fluxo de conhecimento e tecnologia entre universidades, centros de investigação, empresas e mercados; facilita a criação e crescimento de empresas inovadoras com recurso a mecanismos de incubação e de spin off; e proporciona outros serviços de valor acrescentado, bem como instalações de qualidade. (IASP International Board, 2002). Spin off: expressão em língua inglesa que designa uma empresa que nasceu a partir de um grupo de investigação de uma empresa, universidade ou centro de investigação, normalmente com o objectivo de explorar um novo produto ou serviço de alta tecnologia. É comum que estas se estabeleçam em incubadoras de empresas ou áreas de concentração de empresas de alta tecnologia. (Universidade do Porto, 2011) Start up: expressão em língua inglesa que designa uma empresa recém-criada, em fase de constituição, implementação e organização das suas operações. Por vezes este termo é utilizado para referenciar uma empresa solidificada no mercado, que beneficiou de um crescimento rápido. (Guia Prático do Capital de Risco, IAPMEI / APCRI, 2006). xvi xvi

18 1. REALIDADES ACTUAIS 1. Realidades actuais 1 1

19 1. Realidades actuais O desenvolvimento do Plano Estratégico para o Fomento do Empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores implicou um trabalho rigoroso de levantamento de todas as realidades relacionadas com o empreendedorismo na Região. Há um conjunto muito vasto de factores que interagem entre si, os quais afectam (e são afectados) pela actividade empreendedora. As aproximações metodológicas recentes estabelecem um paralelo com os sistemas vivos, designando por ecossistemas de empreendedorismo o conjunto dos factores e actores relevantes para o empreendedorismo e as relações entre estes. Tendo em conta que a análise das realidades relacionadas com o empreendedorismo deverá incluir inúmeros aspectos específicos, as análises dos Ecossistemas de Empreendedorismo contemplam a definição de um conjunto limitado de vectores que os permitem clusterizar. A aproximação metodológica adoptada neste documento tem como base o conceito de Ecossistema do Empreendedorismo desenvolvido pelo Babson College 3, que agrupa os diversos factores em seis grandes domínios estruturantes (Figura 1). Políticas e Programas Empresas e Mercados Apoio Financeiro Capital Humano Cultura empreend. Infraestruturas e serviços de apoio Figura 1. Domínios de análise de um ecossistema do empreendedorismo. Fonte: Babson College, Babson Entrepreneurship Ecosystem Project (BEEP), O Babson College desenvolveu em 2010 o Babson Entrepreneurial Ecosystem Project - BEEP orientado para a geração de ecossistemas que promovam políticas, estruturas, programas e climas favoráveis ao fomento do espírito empreendedor. 2 2

20 Estes seis domínios foram adoptados para a realização da análise das realidades actuais no âmbito do Plano Estratégico para o Fomento do Empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores: - Capital humano: em que são analisados aspectos como a taxa de crescimento populacional, a estrutura etária da população e as suas qualificações; - Empresas e mercados: em que é analisado o dinamismo empresarial local, os principais sectores, os canais de distribuição preferenciais, a abertura do mercado a novas empresas, entre outros; - Apoio financeiro: onde é feita uma análise da facilidade de acesso dos empreendedores a capital financeiro e se identificam os principais recursos disponíveis, incluindo aspectos como o microcrédito ou o capital de risco; - Cultura empreendedora: onde se analisam as normas sociais vigentes, no que se relaciona com a atitude perante o empreendedor ou a tolerância ao risco; - Infra-estruturas e serviços de apoio: em que são identificados e analisados os apoios ao empreendedorismo existentes na Região, onde se incluem, entre outros, espaços de incubação de empresas, gabinetes de apoio, serviços de consultadoria, etc.; - Políticas e programas: em que se considera o envolvimento político na temática do empreendedorismo e a forma como esse envolvimento se traduz em programas de apoio concretos 4. 4 Note-se que estes 6 domínios se relacionam directamente com os definidos no âmbito do estudo GEM. Nesse caso, foram consideradas 10 Condições Estruturais do Empreendedorismo: Políticas governamentais, Programas governamentais, Apoio financeiro, Educação e formação, Normas culturais e sociais, Abertura do mercado/barreiras à entrada, Infra-estrutura comercial e profissional, Acesso a infra-estruturas físicas, Transferência de ID e Protecção dos direitos de propriedade intelectual. Neste diagnóstico, as duas primeiras surgem agrupadas com a designação Políticas e Programas e as quatro últimas são referenciadas no âmbito das Infra-estruturas e serviços de apoio. Sempre que relevante, será feita referência aos resultados da avaliação destas Condições Estruturais, ao longo deste diagnóstico. 3 3

21 1.1. Capital humano Entre os vários factores envolventes capazes de influenciarem directamente o empreendedorismo, incluem-se os sociais e demográficos, incluindo questões como o envelhecimento da população, a taxa de crescimento ou o seu nível de formação. Por exemplo, a presença de uma população mais jovem indica tipicamente uma maior propensão ao risco e ao aceitar de novos desafios. Paralelamente, a existência de uma população com níveis de formação mais elevados tem consequências ao nível do potencial existente para um empreendedorismo de base tecnológica, mais sustentado e inovador. Segundo dados provisórios dos Censos 2011, neste ano a população dos Açores é de habitantes, dos quais cerca de 56% vive na ilha de S. Miguel. Em 2001, o arquipélago contava com habitantes, tendo-se registado, deste modo, um acréscimo populacional de cerca de 2% na última década. No que respeita à estrutura etária da população (Figura 2), verifica-se que a população do arquipélago é mais jovem do que o global da população nacional: nos Açores 32,0% dos residentes têm menos de 24 anos, valor superior à média nacional, que é apenas de 25,7%. 13,3% 19,1% 54,8% 55,1% 14,1% 10,8% 17,9% 14,9% >65 anos anos anos 0-14 anos Açores Portugal Figura 2. Estrutura etária da população residente, Açores e Portugal, Fonte: INE, Censos Resultados Provisórios, A existência de uma população relativamente jovem (quando comparada com o cenário verificado a nível nacional) pode ser um factor relevante na óptica da promoção da actividade empreendedora na Região Autónoma dos Açores. 4 4

22 No que diz respeito à educação, não deixa de ser sintomático que a Região Autónoma dos Açores seja aquela que, a nível nacional, apresenta resultados mais baixos, quer ao nível da taxa de população com Ensino Secundário completado, quer ao nível da taxa de população com Ensino Superior completado. Portugal Norte 12,0% 12,9% Centro Lisboa Alentejo Algarve Açores Madeira 8,4% 10,0% Superior Secundário 0,0% 5,0% 10,0% 15,0% 20,0% Figura 3. Proporção da população com nível de ensino completado, por região portuguesa, Fonte: INE, Censos Resultados Provisórios, De igual modo, a taxa de escolarização no Ensino Superior 5 na Região, no ano lectivo 2010/2011, era muito inferior à registada a nível nacional (9,3% contra 31,5%) (SREA, Anuário Estatístico da Região Autónoma dos Açores , 2011). Na Universidade dos Açores, matricularam-se, no ano lectivo 2010/2011, alunos em cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento, sendo que a área mais popular foi a de Ciências Empresariais. No mesmo ano lectivo diplomaram-se nestes mesmos graus de ensino 608 alunos. É de referir que o número de doutorados, em cada ano, tem sido modesto: 12 no ano lectivo 2010/2011 (Universidade dos Açores, Relatório e Contas, 2011). 5 A taxa de escolarização no Ensino Superior é calculada como a relação percentual entre o número de alunos matriculados em cursos de formação inicial, com idade entre 18 e 22 anos, e a população residente dos mesmos níveis etários. 5 5

23 Também no que concerne ao Ensino Básico, apesar da evolução favorável registada nos últimos anos, a Região apresenta taxas de retenção 6 nos 1º, 2º e 3º ciclos do Ensino Básico superiores às registadas a nível nacional (Figura 4). Na mesma linha, a taxa de transição/conclusão no Ensino Secundário 7 é também menor na Região (74,5%) do que a nível nacional (80,7%). 18,2 13,8 3,7 7,3 7,7 10,1 Portugal R. A. Açores 1º Ciclo 2º Ciclo 3º Ciclo Figura 4. Taxas de retenção nos 1º, 2º e 3º ciclos ensino básico, Açores e Portugal, Fonte: SREA, Anuário Estatístico da Região Autónoma dos Açores , De uma forma sumária, é possível concluir que, no que diz respeito ao Capital Humano, a Região Autónoma dos Açores se depara com duas realidades com efeitos contrários em termos de empreendedorismo: se, por um lado, a Região tem uma população crescente e relativamente jovem, por outro, o panorama relativo ao seu nível de formação apresenta fragilidades evidentes, que importa debelar. 6 A taxa de retenção é a relação entre o n.º de alunos do ensino básico regular que permanecem no mesmo ano de escolaridade e o n.º de alunos matriculados no ensino básico regular, nesse ano lectivo. 7 A taxa de transição/conclusão no ensino secundário é a percentagem de alunos que no final do ano lectivo obtêm aproveitamento, em relação ao total de alunos matriculados no ensino secundário regular, nesse ano lectivo. 6 6

24 1.2. Empresas e mercados Indicadores macro-económicos Em 2009, o PIB da região foi de milhões de euros, representando 2,2% do total nacional. No mesmo ano, o PIB per capita foi de euros, valor muito próximo do nacional, que se situou nos euros (Figura 5) Portugal Açores Figura 5. PIB per capita, Açores e Portugal, Fonte: Aicep Portugal Global, 2010; SREA, No que diz respeito ao Valor Acrescentado Bruto (VAB), a sua distribuição na Região é ligeiramente diferente do que se verifica a nível nacional (Figura 6), evidenciando um peso maior do sector primário nos Açores (9% contra 2%). Açores Primário 9% Secundário 17% Portugal Primário 2% Secundário 24% Terciário 74% Terciário 74% Figura 6. VAB por sector de actividade, Açores e Portugal, Fonte: SREA, Anuário Estatístico da Região Autónoma dos Açores , Contudo, tanto na Região como a nível nacional, o sector com maior representatividade é o terciário que, em ambos os casos, representa 74% do VAB. 7 7

25 Milhões de Euros PLANO ESTRATÉGICO PARA O Analisando as exportações e importações da Região (Figura 7), verifica-se que a balança comercial da Região dos Açores é deficitária Exportações Importações Saldo Figura 7. Evolução da balança comercial nos Açores, Fonte: INE, Estatísticas do Comércio Internacional, De registar, contudo, que a taxa média de crescimento anual das exportações é mais elevada que a das importações: 20,3% contra 12,4% (entre 2004 e 2009). No que respeita à tipologia de bens e serviços comercializados, mais de 70% das exportações são produtos alimentares e bebidas (sobretudo pescado e seus derivados e produtos lácteos), sendo as principais importações material de transporte e acessórios e produtos industriais. No que respeita ao emprego, merece referência o facto de a taxa de desemprego ter vindo a aumentar, aproximando-se do valor registado a nível nacional (Figura 8). 15,0% 12,5% 10,0% 7,5% 5,0% 1º T º T º T º T º T º T º T-2011 Portugal Açores Figura 8. Taxa de desemprego trimestral, Açores e Portugal, Fonte: INE,

26 Empresas A Região Autónoma dos Açores possuía, em 2009, um total de empresas, correspondentes a 1,8% do total de empresas em território nacional nesse ano, que se situou em (SREA, Anuário Estatístico da Região Autónoma dos Açores , 2011). Verifica-se, assim, que nos Açores existem 8 empresas para cada 100 habitantes, enquanto no País esse valor se eleva para 10. No global, as empresas localizadas nos Açores deram origem a um volume de negócios na ordem dos milhões de euros, montante que corresponde a 1,5% do total gerado pela globalidade das empresas portuguesas (SREA, Anuário Estatístico da Região Autónoma dos Açores , 2010). Muito importante para a análise do panorama relativo ao empreendedorismo será a identificação dos indicadores demográficos das empresas, nomeadamente das taxas de natalidade e de sobrevivência (Tabela 1). Tabela 1. Indicadores demográficos das empresas, Açores e Portugal, Portugal RA Açores Taxa de natalidade 8 15,09 19,04 Taxa de sobrevivência (a 2 anos) 9 49,36 46,06 Fonte: SREA, Anuário Estatístico da Região Autónoma dos Açores , Verifica-se assim que a taxa de natalidade de empresas é maior na Região Autónoma dos Açores do que a nível nacional, sendo a sua taxa de sobrevivência a dois anos ligeiramente inferior. No entanto, neste aspecto, merece um particular destaque o facto de o principal indicador do GEM, a Taxa de Actividade Empreendedora nos Açores (TAE) ser nos Açores de apenas 3,5% em 2010, revelando-se mais baixa do que a de Portugal Continental (4,4%) e abaixo da dos restantes países membros da União Europeia (5,2%) no mesmo ano. 8 Taxa de natalidade: quociente entre o número de nascimentos reais e o número de empresas activas no período de referência. 9 Taxa de sobrevivência: quociente entre o número de empresas activas no ano n que, tendo nascido no ano n-t, sobreviveram t anos, e o número de empresas nascidas no ano n-t. 9 9

27 Complementarmente, mostra-se ainda relevante analisar um conjunto seleccionado de indicadores das empresas, no que se relaciona com a sua presença em sectores de alta tecnologia (Tabela 2). Tabela 2. Indicadores das empresas, Açores e Portugal, Portugal RA Açores Proporção do VAB das empresas em sectores de alta e média-alta tecnologia Proporção dos nascimentos de empresas em sectores de alta e média-alta tecnologia Proporção de pessoal ao serviço em actividades de tecnologias da informação e da comunicação 10,62 1,36 1,96 1,83 2,02 0,62 Fonte: SREA, Anuário Estatístico da Região Autónoma dos Açores , Destaca-se aqui o indicador da proporção do VAB das empresas em sectores de alta e média-alta tecnologia que, nos Açores, apresenta um valor quase 8 vezes inferior à média nacional. No que respeita às despesas em ID da Região (em percentagem do PIB) é possível dizer que estas são bastante reduzidas, tendo sofrido poucas alterações nos últimos anos. Apesar do ligeiro aumento de 0,44% para 0,46% entre 2003 e 2008, este valor continua a ser bastante inferior à média nacional, que se situava nos 1,55% do PIB em 2008 (SREA, Anuários Estatísticos da Região Autónoma dos Açores, 2005 e 2008 e GPEARI, Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional, 2008). O peso das empresas nos gastos com ID é reduzido, quando comparado com a média nacional. Assim, nos Açores, o Ensino Superior lidera destacadamente as referidas despesas, representando 64,2% do total dos gastos em ID da Região. Segue-se o sector empresarial com 14,8%, o sector estatal com 11,6% e, por último, as Instituições Privadas sem Fins Lucrativos com 9,5%. A nível nacional, são já as empresas que assumem a maior parcela das despesas de ID, com 50,1% do total em (SREA, Anuário Estatístico da Região Autónoma dos Açores, 2008 e GPEARI, Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional, 2008). É de referir ainda que, de acordo com o GEM Açores 2010, a Condição Estrutural Abertura do Mercado/Barreiras à Entrada é avaliada como sendo parcialmente insuficiente. Na sua análise, destacam-se pela negativa sobretudo as dificuldades e os custos de penetração no mercado açoriano

28 1.3. Apoio financeiro Um dos aspectos fundamentais para o lançamento de uma actividade empreendedora é seguramente o acesso a fontes de financiamento para novas empresas. Nos Açores encontram-se disponíveis diferentes tipos de apoio financeiro ao empreendedorismo. Os quadros seguintes apresentam, de forma sumária, as principais iniciativas identificadas. Iniciativa Descrição sumária Regime de Apoio ao Microcrédito Bancário Gerido em parceria pelas Direcções Regionais de Apoio ao Investimento e à Competitividade, da Solidariedade e Segurança Social e do Trabalho, Qualificação Profissional e Defesa do Consumidor. Dirigido a empreendedores açorianos que se encontrem desempregados, à procura de primeiro ou novo emprego, com idade igual ou superior a 18 anos e sem recursos para aceder ao crédito bancário pelas vias normais. Financiamento até para constituir um negócio. Reembolso de acordo com as condições definidas nos protocolos estabelecidos entre o Governo Regional e as instituições bancárias. Iniciativa Descrição sumária Fundo de Investimento de Apoio ao Empreendedorismo dos Açores (FIAEA) Primeiro fundo de capital de risco do arquipélago, no valor de um milhão de euros, lançado em Julho de Fundo subscrito pelo Governo Regional, através da Agência para a Promoção do Investimento dos Açores (APIA), e pela InovCapital. Direccionado para projectos de micro, pequenas e médias empresas em todas as suas fases de desenvolvimento. Privilegia projectos de carácter inovador desenvolvidos por empresas com menos de 3 anos de existência e investimentos em empresas na sua fase inicial (start-up) que apresentem um claro potencial de valorização. Disponibiliza capital para investimentos num máximo de , por empresa, por ano

29 Iniciativa Descrição sumária FINICIA Açores Desenvolvido e gerido pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento (IAPMEI). Tem como objectivo facilitar o acesso a financiamento e assistência técnica na criação de empresas. Nos Açores, o Eixo II do Programa Negócios emergentes de pequena escala referente, especificamente, ao financiamento destinado à criação de empresas ou a empresas existentes há menos de 3 anos, é gerido pela Plataforma FINICIA Açores, da qual fazem parte: a Universidade dos Açores, através do Centro de Empreendedorismo; a DRAIC; a APIA e a Câmara de Comércio e Indústria dos Açores. Além dos referidos programas, existem também os apoios ao empreendedor disponibilizados por entidades da banca comercial. A título de exemplo, refere-se a "Linha de Crédito Açores Investe II", destinada a apoiar a realização de operações de financiamento de investimentos novos em activos fixos, corpóreos ou incorpóreos, o reforço do fundo de maneio ou dos capitais permanentes. Esta linha de crédito resulta de um Protocolo com a Região Autónoma dos Açores, e diferentes entidades do sistema financeiro: BPI, BCP, BES/Açores, Santander, BANIF, Barclays Bank, Caixa de Crédito Agrícola Mútuo dos Açores, Caixa Económica da Misericórdia de Angra do Heroísmo e Montepio Geral. No mesmo sentido, merece referência a "Linha de Crédito Açores Empresas III", resultante de um Protocolo entre a Região Autónoma dos Açores, dez Instituições de Crédito e as Sociedades de Garantia Mútua (SGM). Esta Linha de Crédito será garantida pelas SGM que assumirão até 75% do risco de financiamentos a conceder por parte das Instituições de Crédito. Bancos como o Montepio, o BCP, o BES ou o BPI disponibilizam também linhas de crédito orientadas especificamente para financiar a parte reembolsável dos incentivos aprovados no quadro dos diferentes sistemas de incentivos disponíveis na Região. Não sendo específicos para a Região Autónoma, podem-se identificar outros apoios, como a Linha de Apoio ao Empreendedorismo e à Criação do Próprio Emprego do BPI, destinada a financiar a criação de novos negócios, ou o Millennium BCP Microcrédito e o Microcrédito BES, orientados para potenciar a inclusão social e a criação de auto emprego. Deste modo, conjugando os programas de apoio de origem pública e os de matriz privada, verifica-se a existência de uma diversidade considerável de possibilidades de acesso a capital financeiro no caso da criação de novas empresas. Refira-se, no entanto, que nem sempre esta diversidade de oferta é equivalente a facilidade de acesso ao referido capital

30 Segundo os resultados do GEM Açores 2010 relativos à Condição Estrutural Apoio Financeiro, o acesso a fontes de financiamento é avaliado como sendo parcialmente insuficiente. Destacam-se pela negativa diferentes aspectos relacionados com o acesso a capital de risco e, pela positiva, os apoios governamentais às novas empresas Cultura empreendedora Nos Açores, é reconhecida a prevalência de uma elevada cultura de aversão ao risco, transversal a toda a sociedade, que se constitui como um dos principais inibidores da actividade empreendedora. É sintomático o facto de, na Universidade dos Açores, apenas uma pequena minoria dos alunos (10%) ter como objectivo criar o seu próprio emprego (Figura 9). Neste âmbito, não deixa de ser significativo que, a grande maioria dos alunos (62%) tenha como objectivo conseguir um emprego no sector público. Criar próprio emprego 10% Sector privado 28% Sector público 62% Figura 9. Expectativas de emprego dos alunos da UAc / Sector onde gostariam de trabalhar, Fonte: Inquérito aos estudantes da UAc, OEFP Consciente desta realidade, o Governo Regional, em particular através das Direcções Regionais da Juventude e da Educação e Formação, tem vindo a apoiar um leque alargado de iniciativas na área da educação para o empreendedorismo. Nos quadros seguintes, apresentam-se as principais acções de formação na área do empreendedorismo realizadas na Região Autónoma dos Açores no decorrer de

31 Acção Promotores Destinatários Descrição sumária Principais resultados EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA: O CAMINHO PARA O SUCESSO! Direcção Regional da Juventude Direcção Regional da Educação e Formação Alunos e professores do 2º e 3º ciclos do Ensino Básico, do Ensino Secundário e do Ensino Profissional O programa é implementado com o apoio do Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores e assenta em metodologias pedagógicas aplicadas em sala de aula. Inclui formação de professores (3 dias 25 horas 1 crédito) e 15 a 35 horas de formação para alunos na Área Projecto. Prevê também a criação de clubes de empreendedorismo nas escolas e a realização, no final do ano lectivo, do concurso IdeiAçores. A 1ª Edição foi realizada no ano lectivo 2010/2011, incluiu 13 escolas de 2º e 3º ciclos, 5 escolas secundárias e 8 profissionais, localizadas nas diferentes ilhas. Esta edição envolveu 52 professores e 1040 alunos, dando origem a 18 Clubes de Empreendedorismo e a 19 ideias de negócio (no âmbito do IdeiAçores). Acção Promotor Destinatários Descrição sumária Principais resultados CURSO DE EMPREENDEDORISMO Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores População sem formação superior (12º ano ou ensino técnico) e desempregados de longa duração Integra-se na Componente de Formação Tecnológica dos Cursos de Educação e Formação Curso de Formação Complementar, com uma carga horária de 120 horas. Com este Curso pretende-se que os formandos, que tenham aspirações a criar um negócio, apreendam e/ou desenvolvam um conjunto de conhecimentos e competências na área empresarial. Desde 2008 são realizados 10 a 12 cursos por ano, sobretudo em S. Miguel, abrangendo mais de 500 formandos. A equipa de gestão do Centro estima que tenham sido criadas, em resultado destas formações, 5 ou 6 empresas, embora tal número seja difícil de precisar, uma vez que não é feito qualquer acompanhamento aos formandos uma vez findo o curso

32 Acção Promotor Destinatários Descrição sumária Principais resultados CURSO DE EMPREENDEDORISMO DE BASE TECNOLÓGICA Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores Preferencialmente elementos do meio académico açoriano, nomeadamente investigadores Integra-se na Componente de Formação Tecnológica dos Cursos de Educação e Formação Curso de Formação Complementar, com uma carga horária de 120 horas. Pretende-se ajudar a criar negócios sustentáveis com base em ideias resultantes da formação académica ou profissional, nomeadamente relacionadas com novas tecnologias e investigação científica. Apenas um estudo para elaboração de Plano de Negócios Acção Promotor Destinatários Descrição sumária DISCIPLINA DE EMPREENDEDORISMO NA UAC Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores Alunos da Universidade dos Açores O Centro de Empreendedorismo é responsável pela disciplina de Empreendedorismo (destinada às Licenciaturas de Gestão de Empresas e Economia, onde é optativa) e de Administração e Empreendedorismo (para a Licenciatura em Serviço Social, onde é obrigatória). Prevê-se que a disciplina de Empreendedorismo venha a ser oferecida a outros cursos e departamentos da UAc. Foram ainda identificadas iniciativas de menor escala na área da formação para o empreendedorismo, ao nível das Câmaras de Comércio: - A Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada ofereceu, em 2011, um curso de 20 horas subordinado ao tema Novas Empresas e Novos Negócios destinado a Gestores de Topo; - A Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo realizou o workshop Emprego e Empreendedorismo, com a duração de 4 horas, aberto ao público em geral, e que foi realizado em 2011 nas ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa. A Câmara organizou também um curso especificamente dedicado à preparação de planos de negócios Business Plan: Como construir um Plano de Negócios, com a duração de 30 horas, aberto ao público em geral; - A Câmara de Comércio e Indústria da Horta realizou um seminário de curta duração denominado Seminário de Empreendedorismo, focado no desenvolvimento de metodologias criativas para a abertura de novos negócios

33 Nesta área, é ainda de referir que, no sentido de promover uma cultura empreendedora na Região, o Centro de Empreendedorismo promove seminários e conferências sobre a temática, contando muitas vezes com a participação de empresários provenientes de fora da Região Autónoma. No intuito de contribuir para o aumento da cultura empreendedora nos Açores, são ainda dinamizados na Região diferentes concursos na área do empreendedorismo, também eles orientados para diferentes tipos de público-alvo. Nos quadros seguintes são descritas de forma sumária as principais iniciativas deste tipo. Acção Promotor Descrição sumária CONCURSO REGIONAL DE EMPREENDEDORISMO Direcção Regional de Apoio ao Investimento e à Competitividade O Concurso Regional de Empreendedorismo foi criado, em 2006, para premiar os melhores projectos de potenciais empreendedores açorianos. O formulário de candidatura consiste num Plano de Negócios simplificado, procurando posicionar este exercício mais perto do mercado. Desde a sua origem, o Concurso Regional de Empreendedorismo já premiou 15 projectos, em áreas diversificadas, que incluem a produção e comercialização de alfaces em ambiente hidropónico, a produção e comercialização de pellets e a construção de raiz de um campo de mini-golfe. Acção Promotor Descrição sumária PRÉMIO MELHOR IDEIA DE NEGÓCIO Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores O Prémio Melhor Ideia de Negócio é promovido pelo Centro de Empreendedorismo, numa parceria com o Millennium BCP, patrocinador da iniciativa, e com a cooperação da Direcção Regional de Apoio ao Investimento e à Competitividade. O Prémio funciona de forma articulada com o Concurso Regional de Empreendedorismo, sendo cumulativo com este. Trata-se de um prémio anual no valor de Euros destinado a galardoar a melhor ideia de negócio apresentada por alunos da Universidade dos Açores no âmbito do Concurso Regional de Empreendedorismo. Os alunos da Universidade dos Açores interessados em participar no concurso deverão formalizar a sua candidatura nos termos do Concurso Regional de Empreendedorismo, respeitando os prazos e exigências aí definidos

34 Acção Promotores Descrição sumária CONCURSO IDEIAÇORES Direcção Regional da Juventude Direcção Regional da Educação e Formação O Concurso IdeiAçores é uma acção integrante do Projecto Educação Empreendedora: O Caminho do Sucesso. É uma iniciativa do Governo Regional dos Açores, através da Direcção Regional da Juventude e da Direcção Regional da Educação, em colaboração com o Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores É objectivo central do concurso angariar ideias de negócio, que façam sentido para a Região Autónoma dos Açores, em diferentes sectores de actividade, com a finalidade de sensibilizar e motivar os jovens açorianos para as práticas empreendedoras, promovendo o espírito de iniciativa. O Concurso IdeiAçores é destinado a jovens com menos de 23 anos, matriculados em estabelecimentos de ensino da Região Autónoma dos Açores. Acção Promotor Descrição sumária LABJOVEM Direcção Regional da Juventude Não sendo directamente relacionado com a criação de empresas, o Labjovem é um concurso que visa incentivar a promoção de jovens criadores das diferentes áreas artísticas, servindo de plataforma a uma nova geração de artistas açorianos. Destina-se a jovens com idade inferior a 35 anos, naturais dos Açores, residentes na região há pelo menos 2 anos e/ou descendentes de açorianos até à terceira geração, residentes nos EUA e Canadá. As áreas contempladas pelo concurso incluem: Arquitectura, Artes Plásticas, Artes Cénicas, Design de Moda, Design Gráfico, Fotografia, Ilustração e Banda Desenhada, Literatura, Música, e Vídeo. Além da selecção dos vencedores e da atribuição de prémios, o Labjovem procura encaminhar os projectos vencedores na obtenção de apoios, que permitam a sua concretização. Constata-se que as diferentes acções orientadas para a promoção de uma cultura empreendedora na Região Autónoma dos Açores têm subjacente a preocupação de poderem atingir diferentes segmentos de público, de forma transversal à sociedade. Foram identificadas iniciativas que envolvem desde os mais jovens alunos das escolas de 2º ciclo, até aos alunos, docentes e investigadores universitários. Segundo os resultados do GEM Açores 2010 relativos à Condição Estrutural Educação e Formação, o grau de incorporação de conteúdos de empreendedorismo no ensino é 17 17

35 considerado parcialmente insuficiente. O estudo destaca pela negativa o grau em que o ensino primário e secundário considera estas matérias e, pela positiva, a sua incorporação nos níveis de formação superiores. Já no que respeita à Condição Estrutural Normas Culturais e Sociais esta é classificada no Açores como sendo parcialmente insuficiente, destacando-se claramente pela negativa a falta de estímulo ao empreendedorismo que implique risco e a falta de estímulo à criatividade e à inovação Infra-estruturas e serviços de apoio Na Região Autónoma dos Açores existe um conjunto limitado de estruturas e serviços de apoio orientados especificamente para acolherem novas empresas e auxiliar o seu desenvolvimento nos primeiros tempos de actividade. No entanto, encontram-se em fase de projecto ou implementação diferentes iniciativas, que irão contribuir para alterar significativamente este panorama. Nos quadros seguintes, são apresentadas as principais iniciativas identificadas, implementadas ou em fase de projecto. Foram consideradas iniciativas de carácter tangível (ex: instalações físicas e condições logísticas) e intangível (ex: serviços profissionais e de aconselhamento). Estrutura Promotor Descrição sumária Principais resultados Espaço de Desenvolvimento Empresarial e Tecnológico (EDET) Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada Criado em 2006 o, EDET procurou constituir-se como o primeiro ninho de empresas da Região. O EDET disponibiliza infra-estruturas físicas, tendo capacidade para albergar 10 a 12 empresas. O EDET disponibiliza também alguns serviços de apoio empresarial, estendendo às empresas alojadas os serviços de apoio tipicamente oferecidos pela Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada: formação, assessoria jurídica e económica, apoio à preparação de candidaturas a incentivos e aconselhamento sobre oportunidades de investimento. A candidatura ao EDET é efectuada através de um formulário online, em que é pedido ao promotor que explicite vários aspectos característicos do seu negócio. O principal critério de selecção é o carácter inovador da ideia. O sucesso do EDET tem sido limitado, sendo escassos os casos de sucesso identificados como resultado da sua actividade

36 Estrutura Promotor Descrição sumária Principais resultados Ninho de Empresas do Azores Parque Câmara Municipal de Ponta Delgada (accionista maioritária do Azores Parque) O Azores Parque está em funcionamento desde 2008, acomodando neste momento um conjunto de empresas, maioritariamente deslocalizadas de Ponta Delgada. O Azores Parque tem uma estrutura denominada Ninho de Empresas, que disponibiliza espaços de instalação física para novas empresas a preços reduzidos. Não são prestados pelo Parque serviços técnicos de apoio às actividades das empresas. O Azores Parque está a desenvolver o projecto Incubadora de Ideias, com apoio do Taguspark, que pretende funcionar como uma verdadeira incubadora de empresas, prestando ao empreendedor serviços de aconselhamento, consultoria e formação. Desde o início da actividade do Parque já foram alojadas no Ninho de Empresas 14 entidades. Uma dessas empresas cresceu para lá da dimensão que o Ninho de Empresas pode suportar e saiu para novas instalações. As principais áreas de actividade das empresas alojadas são as tecnologias de informação, tecnologias ambientais e audiovisual. Até à data, nenhum serviço de incubação de ideias foi ainda prestado. Estrutura Promotor Descrição sumária Principais resultados Rede de Gabinetes do Empreendedor Direcção Regional de Apoio ao Investimento e à Competitividade Esta rede é constituída por oito gabinetes distribuídos por todas as ilhas, excepto o Corvo que proporcionam um atendimento personalizado e especializado a empresas e futuros empresários. Os Gabinetes do Empreendedor fornecem aconselhamento relativo a aspectos da gestão corrente das empresas como, por exemplo, financiamentos disponíveis impostos, licenciamentos e certificações. A rede é suportada por uma plataforma de comunicações dedicada, que permite a troca de informação em tempo real e o arquivo desmaterializado de conteúdos relevantes para a sua acção. De acordo com a equipa de gestão da Rede, cerca de 23% das solicitações recebidas estão relacionadas com obtenção de financiamento, tanto público como privado. Nota-se uma grande predominância de solicitações oriundas da ilha de São Miguel

37 Estrutura Promotor Descrição sumária Principais resultados Rede Prestige Azores Direcção Regional de Ciência, Tecnologia e Comunicações O Projecto Rede Prestige Azores visa criar uma rede de Conselheiros a quem são colocadas questões de âmbito geral ou específico, onde se pode enquadrar o aconselhamento no âmbito da promoção de novas empresas. Os Conselheiros são açorianos, descendentes de açorianos ou pessoas que estejam directamente envolvidas com os Açores, residentes fora da Região e cujo trabalho tenha relevância em áreas científicas e/ou tecnológicas; faz parte da Rede o Prémio Nobel da Medicina Craig Melo. No âmbito da Rede Prestige serão criados núcleos em áreas específicas, capazes de fornecerem informação estratégica direccionada, que pode ser usada não só como recurso de consulta mas como fonte para análises complexas e previsões. Projecto ainda recente. Em fase de arranque. Estrutura Promotor Descrição sumária Principais resultados Academia da Juventude e das Artes da Ilha Terceira Direcção Regional da Juventude Câmara Municipal da Praia da Vitória As Academias da Juventude estão previstas no Programa do X Governo Regional e visam o desenvolvimento de projectos tecnológicos, culturais e sociais por parte da juventude açoriana, funcionando também como centros de incubação de ideias. A Academia da Juventude e das Artes da Ilha Terceira, sedeada no concelho da Praia da Vitória, foi a primeira a ser instituída. Trata-se de um espaço multidisciplinar e polivalente, orientado para a promoção do empreendedorismo e da criatividade, com recurso às Novas Tecnologias e equipamentos de ponta. Está dotada de equipamentos nas áreas cénica, tecnológica e audiovisual. Projecto ainda recente. Em fase de maturação

38 Estrutura Promotor Descrição sumária Principais resultados InCUBE Direcção Regional da Juventude A Direcção Regional da Juventude está a desenvolver o projecto InCUBE, o qual conta com a colaboração da Associação Académica e do Governo dos Açores, através do Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores. O projecto tem como principal âncora a implementação de uma incubadora de empresas, que se prevê que venha a funcionar no edifício onde está sediado o Centro de Empreendedorismo; aí serão disponibilizados oito espaços para incubação. O Centro de Empreendedorismo acredita que a sua ligação e proximidade à Universidade venha a facilitar a existência de, por um lado, uma maior procura potencial por parte de docentes e alunos e, por outro lado, uma maior capacidade de prestação de serviços de elevado valor acrescentado para as empresas incubadas. O projecto abrange também a criação de uma Júnior-Empresa, uma associação sem fins lucrativos cuja gestão será da responsabilidade dos alunos da UAc. Sob orientação de professores da UAc, serão os alunos os responsáveis pela definição do portfólio de serviços, pela angariação de clientes e pela gestão financeira e operacional das suas actividades. Pretende-se que a Júnior-Empresa seja antecâmara para possíveis iniciativas empresariais de base científica e tecnológica. O projecto encontra-se ainda em fase de implementação Estrutura Promotor Descrição sumária Nonagon / BIC Açores Direcção Regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos O Nonagon será o Parque Tecnológico de S. Miguel, localizado em Lagoa. Este parque, ainda em fase de construção, pretende ser o primeiro Parque Tecnológico da Região Autónoma dos Açores a funcionar em moldes conformes às normas internacionais para a operação de Parques Tecnológicos, estabelecidas pela International Association of Science Parks (IASP). Assim, o Nonagon prevê a existência de estruturas destinadas a facilitar a criação e o crescimento de empresas baseadas na inovação, através da incubação e processos de spin-off, oferecendo ainda outros serviços de valor acrescentado, bem como espaços e apoios de elevada qualidade. Está prevista a instalação no Parque de um Centro de Inteligência Competitiva, orientado para o estímulo e geração de novas ideias relevantes para a economia 21 21

39 Açoriana. No mesmo sentido, é também de referir que está em estudo a criação de um BIC 10 em articulação com o Nonagon, existindo já contactos com a rede europeia EBN (www.ebn.org). O BIC teria um papel particularmente activo no processo de incubação de empresas, permitindo um acesso facilitado a serviços de aconselhamento e orientação estratégica de elevada qualidade. Principais resultados O projecto encontra-se ainda em fase de implementação Estrutura Promotor Descrição sumária Principais resultados Parque Tecnológico da Terceira Direcção Regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos O Parque Tecnológico da Terceira encontra-se ainda em fase de projecto. Está previsto que esta infra-estrutura tecnológica seja desenvolvida em parceria com a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, a Câmara do Comércio e Indústria dos Açores e a Universidade dos Açores. O Parque deverá reunir unidades científicas de I&D, empresas, associações e serviços públicos, sendo particularmente dirigido para as áreas da Biotecnologia, Biomedicina e Tecnologias ambientais. Assim como no Nonagon, também no Parque Tecnológico da Terceira está prevista a instalação de um Centro de Inteligência Competitiva. Actualmente, pouco mais existe que um projecto de infra-estruturas, que prevê a construção das instalações na freguesia da Terra Chã, em Angra do Heroísmo, havendo já uma parcela de terreno reservada para esse fim. O projecto encontra-se ainda em fase de definição Considerando as iniciativas já implementadas no terreno é possível constatar que o principal apoio oferecido às novas empresas tem por base a disponibilização de espaços físicos em condições vantajosas. São poucas as estruturas que disponibilizam serviços de apoio e, mesmo estes, são serviços de baixa complexidade, assentes sobretudo na disponibilização de informação. 10 Os Business and Innovation Centres (BIC) são organizações de apoio a empreendedores e pequenas e médias empresas altamente inovadoras. São reconhecidos através de um esquema de certificação, a nível da União Europeia, que lhes permite operar como BIC

40 Constata-se também que a maioria das iniciativas existentes ou previstas são de origem pública, seja através do Governo Regional, seja de Câmaras Municipais. Ainda de acordo com o GEM Açores 2010, a Condição Estrutural Acesso a Infra-estruturas físicas, é avaliada como sendo parcialmente suficiente, destacando-se pela positiva o acesso às utilidades básicas e, pela negativa, o acesso a infra-estruturas de comunicação. Note-se que, na questão específica Em que medida os parques de ciência e incubadoras prestam apoio efectivo a empresas em crescimento?, os resultados do GEM Açores 2010 são negativos, e significativamente inferiores aos do País Políticas e programas A importância política atribuída ao empreendedorismo e a todo o seu ecossistema encontrase evidenciada no Programa do X Governo Regional, onde se refere que o novo paradigma de desenvolvimento regional deverá assentar no fomento da actividade empresarial, no reforço da rede regional de infra-estruturas e serviços directamente destinados às empresas, no incremento dos factores imateriais de competitividade, na inovação, no empreendedorismo, no desenvolvimento da sociedade de informação e do conhecimento, particularmente na promoção da investigação no contexto empresarial e na acessibilidade às novas tecnologias, bem como na promoção da sustentabilidade ambiental.. A relevância política da temática faz-se sentir, não só ao nível das directrizes económicas, mas também nas orientações sociais. Ao longo do referido Programa de Governo, o empreendedorismo é defendido como instrumento de fixação de população (nomeadamente nas ilhas mais frágeis), como elemento fundamental na emancipação da juventude e como mecanismo de integração de grupos mais vulneráveis na sociedade. Com base nestas orientações, tem vindo a ser disponibilizado aos empreendedores açorianos um conjunto de programas de incentivo de matriz essencialmente pública e de iniciativa governamental. Os quadros seguintes apresentam, de forma sumária, os principais mecanismos identificados. Note-se que nem todos estes mecanismos, iniciativas e programas foram exclusivamente desenhados para apoiar a actividade empreendedora. No entanto, foram seleccionados e analisados quando se identificou que contêm, dentro dos seus recursos, meios de apoio directo ou indirecto ao novo empresário e ao seu negócio

41 Programa Descrição sumária Principais resultados SIDER - Sistema de Incentivos para o Desenvolvimento Regional dos Açores O SIDER tem como objectivo financiar projectos de vários ramos e sectores, com uma forte componente em inovação e qualidade. Inclui incentivos não reembolsáveis e reembolsáveis sem juros. As taxas de comparticipação são diferenciadas para cada ilha. Financiamentos entre Euros e Euros. Até Junho de 2011, foram recebidas 652 candidaturas, que representavam um investimento de aproximadamente 423 milhões de euros. Os sectores com maior número de candidaturas foram os do comércio (229) e turismo (157) que, em conjunto, representaram quase 60% do total de candidaturas. Em termos de volume de investimento candidatado, os sectores mais representativos foram a indústria (23%) e o turismo (23%). Programa Descrição sumária Principais resultados Empreende Jovem O programa Empreende Jovem é destinado a jovens empreendedores (18-35 anos). Considera projectos de investimento entre e Euros, que promovam a criação de empresas. Subsídio não reembolsável com uma taxa base de 50% para as ilhas de São Miguel e Terceira, 55% para as ilhas do Faial e Pico e de 60% para as restantes ilhas. Poderá considerar majorações de acordo com o sector, a origem do capital, a obtenção de prémios em concursos de empreendedorismo, ou a frequência de cursos de empreendedorismo. Até Junho de 2011, foram recebidas 44 candidaturas, que, no total, representavam um investimento de aproximadamente 7 milhões de euros. Em termos de distribuição do investimento por ilhas, destacaram-se a Ilha do Pico, com o maior investimento (32%), São Miguel (18%) e Faial (17%). No que se refere à distribuição por sector, o alojamento e restauração foi o sector mais representativo, com cerca de 2 milhões (28%) de investimento

42 Programa Descrição sumária Principais resultados PRORURAL Programa de Desenvolvimento Rural da Região Autónoma dos Açores O PRORURAL é dirigido a empresários agrícolas em nome individual e empresas (incluindo cooperativas). Considera apoios a actividades de: formação; melhoria das infra-estruturas; manutenção da actividade agrícola em zonas desfavorecidas; desenvolvimento de práticas agrícolas sustentáveis; criação de actividades turísticas em meio rural. No âmbito da Acção Criação e Desenvolvimento de Microempresas, considera apoios entre os 30% e os 60% das despesas elegíveis. Foram apresentadas até ao final de 2010, candidaturas que, no total, representavam um investimento de aproximadamente 174 milhões de euros. No âmbito da referida Acção foram aprovados, até ao fim de 2010, 53 projectos, correspondentes a um investimento total de cerca de 5,3 milhões de Euros. No âmbito da Medida 1.1, que financia a instalação de jovens agricultores, foram aprovados até ao fim de 2010, 50 projectos, totalizando cerca de 1,8 milhões de Euros. Programa Descrição sumária Principais resultados PROPESCAS Programa Operacional das Pescas para a Região Autónoma dos Açores O PROPESCAS destina-se a apoiar actividades de: modernização da frota pesqueira (incluindo financiamento para pescadores com menos de 40 anos adquirirem a sua primeira embarcação); formação; aumento da qualidade das actividades do sector; exploração comercial de espécies ainda não exploradas; implementação de novas unidades produtivas e aumento das exportações. Até ao momento, o programa tem sido relativamente incipiente no apoio à actividade empreendedora. A maior fatia do financiamento (72 projectos em 76) foi atribuída na linha Portos de Pesca, Locais de Desembarque e Abrigo. Os restantes quatro projectos incluem um no eixo da Adaptação da Frota de pesca regional e três no eixo Aquicultura, transformação e comercialização dos produtos da pesca

43 Programa Descrição sumária Principais resultados PRO-EMPREGO- Programa Operacional do Fundo Social Europeu para a Região Autónoma dos Açores O PRO-EMPREGO tem como objectivos gerais: apoiar processos de modernização do tecido produtivo através do fomento do emprego qualificado, da aprendizagem ao longo da vida e do empreendedorismo; apoiar a estruturação do sistema de ciência e tecnologia e criar condições para a sua crescente aproximação ao tecido empresarial; fomentar a empregabilidade de públicos vulneráveis a partir da promoção das suas condições da inclusão social. Até Dezembro de 2010 tinham sido submetidos 903 pedidos de financiamento, representando um investimento total de cerca de 280 milhões de euros (valor superior à dotação orçamental do Programa). Destes, cerca de 60% foram aprovados. Para os projectos formativos aprovados, ou com proposta de aprovação, estavam previstos participantes, cursos e acções, sendo a duração média das acções previstas de 300 horas. Relativamente aos projectos não formativos, como planos de estágio, programas ocupacionais ou de emprego, etc., o número de participantes previsto foi de De salientar a aprovação de cerca de 2,8 milhões de euros para projectos de formação avançada de suporte a projectos de empreendedorismo de base tecnológica. Iniciativa Descrição sumária Principais resultados Sistema de Incentivos Fiscais à Investigação e Desenvolvimento Empresarial (SIFIDE) O SIFIDE é um sistema de incentivos que abrange todas as empresas de Portugal Continental e das Regiões Autónomas. Permite a dedução à colecta do IRC para empresas que apostam em ID. Programa com grande impacto na capacidade de realização de ID, a nível nacional. A utilização deste sistema de incentivos nos Açores é ainda incipiente. Merece ainda referência o facto de a Região Autónoma dos Açores beneficiar de um conjunto de condições fiscais mais vantajosas do que Portugal Continental: taxas de IRC, IRS e IVA inferiores às de Portugal Continental e isenção de IMT até valores mais elevados que os de Portugal Continental. De referir ainda que, de acordo com os resultados do GEM Açores 2010 relativos à Condição Estrutural Programas Governamentais, o nível de apoio governamental à actividade 26 26

44 empreendedora é avaliado como sendo nem suficiente nem insuficiente. Destacam-se pela positiva, a diversidade e a adequabilidade dos programas de apoio às novas empresas e, pela negativa, a dificuldade de acesso aos mesmos. No que se relaciona com a Condição Estrutural Políticas Governamentais, estas são também avaliadas como sendo nem suficientes nem insuficientes, destacando-se pela positiva a prioridade política atribuída ao empreendedorismo e, pela negativa, a burocracia e a dificuldade em obter autorizações e licenças num tempo reduzido

45 2. ANÁLISE SWOT 2. Análise SWOT 28 28

46 2. Análise SWOT A análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats) permite sistematizar os resultados das restantes análises realizadas, identificando os pontos fortes actuais do ecossistema do empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores, que poderão ser os seus motores de evolução, as áreas de melhoria, para as quais devem ser desenhadas estratégias específicas, as oportunidades, que reflectem as influências positivas externas e que importa aproveitar, e as ameaças, que importa conhecer em profundidade e se pretendem prevenir (Figura 10). Pontos fortes Áreas de melhoria Oportunidades Ameaças Figura 10. Análise SWOT. A análise cruzada das quatro áreas acima apresentadas permite ainda obter algumas orientações complementares como as potencialidades, os constrangimentos, as vulnerabilidades e os principais problemas relacionados com o empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores

47 2.1. Pontos Fortes População jovem Analisando a estrutura etária da Região Autónoma dos Açores, constata-se que a população é mais jovem que em Portugal, como um todo. Nos Açores, cerca de 1/3 da população tem menos de 24 anos, enquanto a nível nacional apenas cerca de 1/4 da população responde a esse critério. Tipicamente, a população jovem é mais propensa à assumpção de riscos e ao assumir de novos desafios, factores fundamentais no que concerne à promoção do empreendedorismo. Vantagens competitivas em sectores específicos Na Região Autónoma dos Açores existe um conjunto de sectores que apresenta condições particularmente favoráveis à ocorrência de iniciativas empreendedoras. Se à partida, pelo seu dinamismo e potencial exportador, se destacam os sectores das pescas e seus derivados e da agro-indústria relacionada com os produtos lácteos, podem também apontar-se sectores emergentes como o mar, o turismo (em particular o turismo de natureza), ou as energias renováveis (designadamente as relacionadas com a geotermia, o vento, ou as ondas). Disponibilidade de apoios governamentais orientados para o empreendedorismo Na Região Autónoma dos Açores, as estruturas de governo encontram-se consciencializadas para a importância da actividade empreendedora. Deste modo, sob a alçada de diferentes Direcções Regionais, encontram-se a ser implementados diferentes programas que disponibilizam apoio financeiro a projectos de empreendedores. Se à partida é de destacar o Empreende Jovem, especificamente delineado para esse objectivo, merece ser mencionado que, no âmbito do PROPESCAS e do PRORURAL, existem linhas que contemplam apoios significativos à criação de novas empresas nos respectivos sectores (pescas e agricultura, respectivamente). Não sendo exclusivamente relacionado com o empreendedorismo, é de referir que a Região Autónoma tem um enquadramento fiscal mais favorável do que Portugal Continental, contando com taxas mais reduzidas de IRC, IRS e IVA

48 Diversidade de iniciativas de promoção da cultura empreendedora Apesar de muitas delas estarem ainda a dar os primeiros passos, na Região Autónoma dos Açores encontra-se no terreno um conjunto alargado de iniciativas, que têm como objectivo promover uma cultura de empreendedorismo na Região. Estas iniciativas consistem maioritariamente na dinamização de acções formativas e na promoção de concursos, e estão desenhadas de forma a terem como destinatários vários segmentos da sociedade, desde os jovens alunos de 2º e 3º ciclo, aos profissionais instalados e aos docentes e investigadores da Universidade dos Açores. Dinamização de diferentes iniciativas visando a criação de Parques de Ciência e Tecnologia Neste momento estão a ser dinamizadas nos Açores diferentes iniciativas de Parques de Ciência e Tecnologia / Parques Tecnológicos, encontrando-se as mesmas em diferentes estados de maturação. Em todo o mundo, estas infra-estruturas são instrumentos dinamizadores da actividade empreendedora, em particular do empreendedorismo tecnológico e de maior valor acrescentado, contando para tal com espaços e serviços associados a incubação de empresas Áreas de Melhoria Baixo nível de formação da população Globalmente, a Região Autónoma dos Açores apresenta uma população menos qualificada do que qualquer das restantes regiões portuguesas. De acordo com os dados provisórios dos Censos 2011 (INE, 2011) apenas 8,4% da população concluiu um nível de formação superior e 10% concluiu um nível secundário. Este baixo nível de formação tem seguramente consequências ao nível da capacidade empreendedora da população, em particular no que concerne à criação de negócios mais inovadores, com maior valor acrescentado

49 Reduzida dimensão (e fragmentação) do mercado local Ao nível da dimensão do mercado, os Açores ressentem-se do facto de serem uma região insular e ultraperiférica. Com cerca de habitantes distribuídos de forma assimétrica pelas diferentes ilhas (56% em S. Miguel, 23% na Terceira e 21% nas restantes ilhas), o mercado local é de reduzida dimensão. No mesmo sentido, a distância a que se encontram os restantes mercados (não só os mercados internacionais mas mesmo as restantes regiões portuguesas) dificultam a dinamização de redes empresariais e o estabelecimento de canais de comercialização dos produtos. Reduzido dinamismo do tecido socioeconómico O tecido económico dos Açores é de reduzida dimensão, concentrando-se num conjunto limitado de sectores e sobretudo nas ilhas de maior dimensão populacional. A falta de um ambiente de inovação e de desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços, é seguramente um entrave à existência de actividades empreendedoras na Região. Nesta âmbito, merece referência o facto das despesas de ID da Região em percentagem do PIB serem de apenas 0,46% em 2008 (a média nacional nesse ano foi de 1,55%), sendo significativo que apenas 14,8% deste valor tenha origem no sector privado. Baixa cultura de empreendedorismo A Taxa de Actividade Empreendedora nos Açores era de apenas 3,5% em 2010, revelando-se mais baixa do que a de Portugal Continental (4,4%) e abaixo da dos restantes países membros da União Europeia (5,2%) no mesmo ano. Na Região Autónoma dos Açores é reconhecida uma cultura avessa ao risco, que é transversal a toda a sociedade açoriana

50 Reduzido valor acrescentado dos serviços de apoio ao empreendedorismo Hoje em dia, apesar de existirem várias iniciativas no terreno, existem poucas estruturas de apoio ao empreendedorismo. Mesmo nas estruturas já existentes, os serviços oferecidos são de reduzida complexidade, tendo como base, sobretudo, a disponibilização de espaços a preços inferiores aos do mercado. Os serviços adicionais disponibilizados estão muito ligados a assessorias jurídicas ou divulgação de informação, não cobrindo aspectos como a transferência de tecnologia ou conhecimento, promoção da inovação, networking, apoio à internacionalização, etc Oportunidades Relação histórica com EUA e Canadá A Região Autónoma dos Açores é o território europeu mais próximo dos Estados Unidos e do Canadá. Esta proximidade faz com que historicamente exista uma relação próxima entre estes países e os Açores, que se materializou em sucessivas vagas de emigração, que estão na origem da existência de comunidades açorianas significativas nestes países. Hoje em dia as comunidades açorianas nos EUA e no Canadá representam cerca de um milhão de pessoas, cerca de quatro vezes mais do que a população do arquipélago. Esta relação constitui-se como uma oportunidade, quer no sentido de atracção de potenciais empreendedores, quer no estabelecimento de redes de apoio ou canais de distribuição para novas empresas a serem criadas nos Açores. Características geográficas específicas As características geográficas, biológicas e mesmo socioeconómicas muito específicas, fazem dos Açores um verdadeiro laboratório natural para a investigação e para a aplicação de métodos inovadores e originais, que podem ter consequências positivas na área do empreendedorismo

51 2.4. Ameaças Debilidades económicas do País Portugal vive, desde há algum tempo, algumas debilidades económicas, que têm condicionado o desenvolvimento regional e a capacidade de investimento. Estas debilidades fazem-se sentir também nos Açores e podem ter um particular relevo na área do empreendedorismo, sendo um factor inibidor da tomada de riscos e do lançamento de novos negócios. Concorrência de outras regiões Hoje em dia, a temática do empreendedorismo é assumida como uma prioridade um pouco por todo o mundo. Vários países, regiões e até municípios, têm vindo a adoptar e desenvolver estratégias tendentes à criação de novas empresas e negócios de maior valor acrescentado. A existência destas dinâmicas tornará seguramente o processo de atracção de novas empresas e empreendedores para os Açores um desafio mais exigente

52 3. ORIENTAÇÕES ESTRATÉGICAS 3. Orientações estratégicas 35 35

53 3. Orientações estratégicas A estratégia delineada para o fomento do empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores pressupõe a concretização de diferentes níveis de definição estratégica: Visão, Missão, Linhas de Orientação Estratégica e Objectivos (Figura 11). Visão Missão Linhas de Orientação Estratégica Objectivos Figura 11. Níveis de definição da estratégia. No âmbito do planeamento estratégico, a Visão é o fio condutor de toda a estratégia de desenvolvimento proposta; corresponde, na prática, ao cenário que se pretende alcançar a médio-longo prazo. Directamente relacionada com a Visão, encontra-se a Missão, que pretende, com base na Visão estabelecida, orientar a acção dos agentes envolvidos. Ambas, Visão e Missão, deverão ser expressas de forma simples e clara, para que possam ser facilmente interiorizadas pelos actores envolvidos, facilitando a sua mobilização em torno da estratégia definida. Enquadradas pela Visão e pela Missão, são elaboradas as Linhas de Orientação Estratégica, que se estruturam neste caso nos seis grandes domínios de análise dos ecossistemas do empreendedorismo considerados: Capital humano, Empresas e mercados, Políticas e programas, Apoio financeiro, Cultura empreendedora e Infra-estruturas e serviços de apoio. Por último, para cada uma das Linhas de Orientação definidas são apresentados diferentes Objectivos, que se pretendem alcançar com a implementação da estratégia

54 3.1. Visão e Missão Conforme foi referido, a Visão corresponde na prática ao cenário prospectivo que se pretende alcançar. Constitui o quadro de referência estratégico que permite orientar a elaboração dos níveis de definição estratégica subsequentes e onde se devem integrar as iniciativas definidas no âmbito do Plano. O próprio processo de definição da Visão permite recolher pistas sobre o caminho a percorrer e motivar reflexões em torno da estratégia a adoptar. Deste modo, a Visão proposta no âmbito do Plano Estratégico para o Fomento do Empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores é: Visão Em 2020, a Região Autónoma dos Açores será reconhecida, a nível nacional e internacional, por um ecossistema particularmente favorável ao empreendedorismo numa região insular e ultraperiférica. Com base nesta Visão, é proposta a seguinte Missão: Missão Os actores do ecossistema do empreendedorismo dos Açores, onde se incluem o Governo Regional, as Autarquias Locais, a Universidade, as Escolas, as Empresas e a sociedade civil, deverão intervir de forma concertada nos seus diferentes domínios de actuação para fomentar a actividade empreendedora na Região e maximizar os resultados socioeconómicos daí decorrentes. Note-se que na Missão elaborada é possível destacar, de uma forma sintética, as respostas às questões Quem? : os actores do ecossistema do empreendedorismo dos Açores, Onde intervir? : nos seis domínios do ecossistema do empreendedorismo, nomeadamente capital humano, empresas e mercados, políticas e programas, apoio financeiro, cultura empreendedora e infra-estruturas e serviços de apoio; e Com que objectivos intervir? : fomentar a actividade empreendedora e maximizar os resultados socioeconómicos daí decorrentes

55 3.2. Linhas de Orientação Estratégica e Objectivos As Linhas de Orientação Estratégica encontram-se forçosamente enquadradas pela Visão e pela Missão procurando detalhá-las considerando elementos específicos. No caso deste Plano elas abordam os seis grandes domínios de análise dos ecossistemas do empreendedorismo considerados: Capital humano, Empresas e mercados, Apoio financeiro, Cultura empreendedora, Infra-estruturas e serviços de apoio e Políticas e programas. Na prática, podem ser encaradas como Visões parciais em cada um dos seis domínios, pretendendo fornecer pistas sobre o caminho a percorrer e provocar reflexões sobre a estratégia. Da definição destas Linhas de Orientação Estratégica decorre a explicitação de vários corolários, correspondentes à especificação dos Objectivos que se pretendem alcançar através da materialização da estratégia. Estas Linhas de Orientação e Objectivos estão na base da definição dos diferentes projectos mobilizadores a implementar Capital humano O desenvolvimento de uma região está intrinsecamente relacionado com o nível de qualificação dos seus recursos humanos. Dispor de recursos humanos tecnicamente habilitados, empreendedores e inovadores é condição essencial para promover a criação de novas empresas, fazer evoluir as empresas existentes e atrair novos investimentos empresariais. No que diz respeito ao Capital humano, a Região Autónoma dos Açores depara-se com duas realidades com efeitos contrários em termos de empreendedorismo: se, por um lado, a Região tem uma população relativamente jovem, por outro, o panorama relativo ao seu nível de formação apresenta fragilidades. De facto, a população residente apresenta níveis de educação inferiores às médias nacional e comunitária em todos os níveis de ensino (básico, secundário e universitário). De modo a debelar esta fragilidade, a Região deve promover activamente a qualificação dos seus cidadãos, em todos os níveis de ensino, incluindo o ensino profissional e tecnológico. Contudo, a melhoria das taxas de escolarização da população é um processo cujos resultados apenas se fazem sentir no médio-longo prazo. Assim sendo, importa desenvolver esforços no sentido de atrair para a Região capital humano qualificado, que possa contribuir para alavancar a actividade empreendedora e, consequentemente, fomentar o desenvolvimento sócio-económico da Região. Deste modo, relativamente ao Capital humano, é possível enunciar a seguinte Linha de Orientação Estratégica: 38 38

56 O ecossistema do empreendedorismo dos Açores deverá contribuir activamente para o aumento das qualificações dos recursos humanos da Região e para a atracção e fixação de empreendedores qualificados. Tendo em conta esta Linha de Orientação Estratégica e os elementos recolhidos sobre este domínio no âmbito dos trabalhos de diagnóstico, é possível apresentar os seguintes Objectivos: - Aumentar os níveis de qualificação da população; - Reforçar a oferta formativa em áreas estratégicas para a Região; - Atrair empreendedores qualificados a nível nacional e internacional Empresas e mercados Hoje em dia, o desenvolvimento económico e social de uma região deve passar pelo aproveitamento dos seus factores distintivos, i.e., os factores que dificilmente possam ser replicados por outras regiões. Estes factores distintivos, que representam o potencial de uma região e que podem, entre outros, estar relacionados com a existência de matériasprimas locais, de recursos humanos qualificados ou de um mercado local ou regional exigente, devem ser valorizados, através da criação de condições para o desenvolvimento de um tecido empresarial que deles retire vantagens económicas. A Região Autónoma dos Açores possui inúmeros recursos endógenos, que podem promover a criação de novas empresas e o desenvolvimento de um tecido empresarial com fortes ligações ao território. No entanto, o reduzido dinamismo do tecido económico e a falta de um ambiente de inovação e de desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços colocam entraves à existência de actividades empreendedoras na Região. Para além disso, a insularidade, a reduzida escala do Arquipélago, a fragmentação em nove ilhas e os elevados custos de transporte e comunicação dificultam o estabelecimento de canais de comercialização dos produtos e o acesso aos mercados externos. Urge, deste modo, explorar o potencial dos recursos endógenos da Região e facilitar o acesso das empresas aos mercados externos, explorando novos canais de distribuição e promovendo o aumento, por exemplo, das relações com a diáspora açoriana (especialmente nos EUA e Canadá). Assim sendo, no que se relaciona com as Empresas e mercados, foi definida a seguinte Linha de Orientação Estratégica: 39 39

57 O ecossistema do empreendedorismo dos Açores deverá contribuir activamente para o aproveitamento de oportunidades económicas existentes na Região e para facilitar o acesso das empresas aos mercados externos. Tendo em conta esta Linha de Orientação Estratégica e os elementos recolhidos sobre este domínio no âmbito dos trabalhos de diagnóstico, é possível apresentar os seguintes Objectivos: - Explorar e divulgar o potencial económico dos recursos endógenos da região; - Explorar e dinamizar novos canais de distribuição para produtos e serviços de empresas açorianas; - Facilitar o acesso a mercados externos (a nível nacional e internacional); - Aumentar as relações com a diáspora açoriana, especialmente nos EUA e Canadá Apoio financeiro A disponibilidade de recursos financeiros é um dos factores considerados mais críticos para o sucesso de uma actividade empreendedora. Para a maioria dos casos, em que a disponibilidade de recursos próprios não é suficiente, importa que o ecossistema do empreendedorismo possa disponibilizar instrumentos de financiamento, que facilitem a criação das novas empresas e a sua sobrevivência no mercado. Atendendo à diversidade de perfis das novas iniciativas empresariais (necessidades de capital, sector, risco associado, etc.) e dos próprios empreendedores (idade, formação, etc.), importa que a oferta de mecanismos financeiros disponibilizada no ecossistema seja diferenciada, permitindo a sua adequação aos diferentes tipos de necessidade. Importa por isso que o ecossistema do empreendedorismo possa disponibilizar diferentes tipos de instrumentos, que vão do tradicional acesso ao crédito, ao microcrédito, passando por fundos de investimento, business angels, capital de risco, capital semente, bolsas ou mesmo subsídios. Nos Açores, estão disponíveis diferentes tipos de apoio financeiro ao empreendedorismo, como o Regime de Apoio ao Microcrédito Bancário, o Fundo de Investimento de Apoio ao Empreendedorismo dos Açores, o FINICIA Açores e diferentes tipos de crédito disponibilizados pela banca comercial. Apesar disso, estamos perante tipologias de apoio financeiro tradicionais, sendo identificadas carências no que se relaciona com o capital de risco e relacionados. São de destacar no capítulo da disponibilidade de instrumentos de financiamento a diversidade de apoios governamentais, materializados em programas como o Empreende 40 40

58 Jovem, o PROPESCAS, o PRORURAL, ou o SIDER, que permitiram nos últimos tempos a materialização de um número considerável de iniciativas empreendedoras. Refira-se, no entanto, que nem sempre esta diversidade de oferta é equivalente a facilidade de acesso ao referido capital. Importa por isso que essa oferta seja divulgada e o seu acesso facilitado aos empreendedores interessados. Desta forma, no que concerne ao Apoio financeiro, é possível definir a seguinte Linha de Orientação Estratégica: O ecossistema do empreendedorismo dos Açores deverá apresentar um conjunto alargado e coerente de instrumentos de financiamento que se adeqúem às diferentes necessidades dos empreendedores e sejam facilmente acessíveis. Tendo em conta esta Linha de Orientação Estratégica e os elementos recolhidos sobre este domínio no âmbito dos trabalhos de diagnóstico, é possível apresentar os seguintes Objectivos: - Atrair para a realidade Açoriana novas formas de financiamento associadas à actividade empreendedora; - Divulgar e facilitar o acesso aos mecanismos de financiamento existentes; - Fomentar a criação de linhas de crédito e outros mecanismos financeiros específicos para a realidade açoriana Cultura empreendedora Em qualquer região ou país, as normas sociais e culturais vigentes têm um impacto significativo no encorajar ou desencorajar do empreendedorismo. Aspectos como o reconhecimento da iniciativa individual, o encarar de novos riscos e desafios, o estímulo à criatividade e à inovação, ou a aceitação do insucesso são encarados de diferentes formas em diferentes culturas. Nos Açores, é reconhecida a existência de uma cultura de aversão ao risco, transversal a toda a sociedade, que se constitui como um dos principais inibidores da actividade empreendedora. Conforme foi referido, é sintomático o facto de, na Universidade dos Açores, apenas uma pequena minoria dos alunos (10%) ter como objectivo criar o seu próprio emprego, enquanto a grande maioria dos mesmos (62%) tem como objectivo conseguir um emprego no sector público. Consciente desta realidade, o Governo Regional, em particular através das Direcções Regionais da Juventude e da Educação e Formação, tem vindo a apoiar um leque alargado de 41 41

59 iniciativas na área da educação para o empreendedorismo. Estas iniciativas têm subjacente a preocupação de poderem atingir diferentes segmentos de público, de forma transversal à sociedade. Foram identificadas iniciativas que envolvem desde os mais jovens alunos das escolas de 2º e 3º ciclos do Ensino Básico (Programa Educação Empreendedora: o Caminho para o Sucesso), até aos alunos, docentes e investigadores universitários (Curso de Empreendedorismo de Base Tecnológica). Apesar de serem iniciativas relativamente recentes, cujo impacto na mudança de mentalidades só será perceptível a longo-prazo, são iniciativas relevantes, a que importa dar continuidade. Paralelamente, será relevante complementar as iniciativas referidas com outras que contribuam para valorizar a imagem social do empreendedor e aumentem o reconhecimento público dos casos de sucesso empresarial. Desta forma, no que se relaciona com a Cultura empreendedora, foi definida a seguinte Linha de Orientação Estratégica: O ecossistema do empreendedorismo dos Açores deverá fomentar e valorizar a iniciativa, o risco, a criatividade e a inovação e promover a tolerância ao insucesso entre a população da Região. Tendo em conta esta Linha de Orientação Estratégica e os elementos recolhidos sobre este domínio no âmbito dos trabalhos de diagnóstico, é possível apresentar os seguintes Objectivos: - Incluir no processo educativo componentes conducentes à familiarização com a actividade empreendedora; - Valorizar a imagem social do empreendedor; - Contrariar os códigos sociais vigentes de aversão ao risco e à iniciativa privada; - Fomentar uma cultura de criatividade e inovação; - Divulgar casos de sucesso empresarial do Arquipélago Infra-estruturas e serviços de apoio A existência de um ambiente estruturado de apoio à actividade económica é essencial para promover a actividade empreendedora. Como ambiente estruturado e atractivo entende-se não apenas as infra-estruturas físicas mas também os serviços profissionais e de aconselhamento a empresas em fase nascente. Em termos de infra-estruturas, a Região Autónoma dos Açores apresenta, actualmente, um conjunto limitado de espaços para acolher novas empresas. Entre as infra-estruturas existentes, destacam-se o Ninho de Empresas do Azores Parque e o Espaço de Desenvolvimento Empresarial e Tecnológico (EDET), que disponibilizam espaços para 42 42

60 instalação de empresas na sua fase inicial. No que se relaciona com o apoio prestado, estas duas infra-estruturas ficam aquém do esperado para uma incubadora de empresas: os serviços oferecidos são de reduzida complexidade, tendo como base, sobretudo, a disponibilização de espaços a preços inferiores aos do mercado. Os serviços adicionais disponibilizados estão muito ligados a assessorias jurídicas ou divulgação de informação, não cobrindo aspectos como a transferência de tecnologia ou conhecimento, promoção da inovação, networking, apoio à internacionalização, etc. Refira-se que se encontram em fase de projecto ou implementação diferentes iniciativas que irão previsivelmente contribuir para a mudança do cenário actual. Destacam-se a nova incubadora de empresas da Universidade dos Açores, desenvolvida no âmbito do projecto InCUBE e o Nonagon, Parque Tecnológico de S. Miguel. Importa assegurar que estas iniciativas sejam complementadas com a melhoria da qualidade dos serviços prestados aos empreendedores na Região, de forma a facilitar a criação de novas empresas e a aumentar o seu potencial de sobrevivência. Com base no enunciado, no que se relaciona com as Infra-estruturas e serviços de apoio, foi proposta a seguinte Linha de Orientação Estratégica: O ecossistema do empreendedorismo dos Açores deverá estar dotado de um conjunto de infra-estruturas e serviços de apoio acessíveis aos empreendedores, que facilitem a instalação das empresas e cubram, de uma forma integrada, as suas necessidades tangíveis e intangíveis. Tendo em conta esta Linha de Orientação Estratégica e os elementos recolhidos sobre este domínio no âmbito dos trabalhos de diagnóstico, é possível apresentar os seguintes Objectivos: - Consolidar a rede de infra-estruturas de apoio aos empreendedores; - Fomentar a qualidade e a variedade dos serviços de aconselhamento e de consultoria aos empreendedores; - Assegurar o acesso a infra-estruturas básicas (comunicação, energia, ) Políticas e programas Nos últimos anos e devido sobretudo à crise económica, os governos a nível europeu e mundial têm atribuído uma maior importância ao empreendedorismo, enquanto meio de criação de emprego, de promoção da competitividade e de fomento da criatividade e da inovação. Na Região Autónoma dos Açores, o Governo Regional, através de várias das suas Secretarias, tem demonstrado igualmente uma preocupação crescente com as condições facilitadoras do 43 43

61 empreendedorismo e tem actuado no sentido de implementar medidas concretas. Entre as medidas de apoio ao empreendedorismo implementadas pelo Governo Regional, destacamse o SIDER - Sistema de Incentivos para o Desenvolvimento Regional dos Açores e o Programa Empreende Jovem. Há ainda a apontar o regime fiscal em vigor nos Açores que oferece condições favoráveis às empresas locais em relação às de outras regiões do País, em especial no que se refere ao IRC e ao IVA. No entanto, existem ainda algumas lacunas que deverão ser colmatadas a curto prazo no sentido de optimizar a intervenção do Governo Regional dos Açores no ecossistema do empreendedorismo. Assim, é importante rever os programas de incentivo existentes e, em particular, as suas condições de acesso, de forma a garantir que se adequam às necessidades e contingências da actividade empreendedora nos Açores. É também necessário posicionar o empreendedorismo como prioridade política transversal às diferentes instâncias do Governo, de modo a criar condições facilitadoras da actividade empreendedora. Desta forma, no que se relaciona com as Políticas e programas, foi possível definir a seguinte Linha de Orientação Estratégica: O ecossistema do empreendedorismo dos Açores deverá ser considerado uma prioridade política regional, reflectida num enquadramento regulatório e institucional favorável ao fomento da actividade empreendedora. Deverá também estar dotado de um conjunto coerente de programas de apoio, que se adaptem às diferentes necessidades dos projectos inovadores e sejam facilmente acessíveis. Tendo em conta esta Linha de Orientação Estratégica e os elementos recolhidos sobre este domínio no âmbito dos trabalhos de diagnóstico, é possível apresentar os seguintes Objectivos: - Posicionar o empreendedorismo como prioridade política transversal às diferentes instâncias governamentais; - Simplificar os procedimentos associados à actividade empresarial, em particular os relacionados com a criação e licenciamento de empresas; - Rever os programas de incentivo, de forma a favorecer aspectos como o fomento da relação universidade-empresa e a promoção do acesso a novos mercados; - Facilitar o acesso aos programas de incentivo à actividade empreendedora

62 4. PLANO DE ACÇÃO 4. Plano de Acção 45 45

63 Iniciativas para melhoria PLANO ESTRATÉGICO PARA O 4. Plano de Acção No sentido de materializar a estratégia definida, importará que o Plano Estratégico para o Fomento do Empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores, não só identifique novas propostas de actuação, mas também considere as iniciativas já no terreno, que serão merecedoras de continuidade. O processo de reflexão adoptado encontra-se apoiado na realização de uma análise cruzada que permite, para os diferentes domínios considerados, analisar em conjunto o Panorama actual, medido a partir de diferentes indicadores, e as Iniciativas para melhoria identificadas desse domínio do ecossistema (Figura 12). Panorama actual considerado insuficiente Iniciativas para melhoria consideradas suficientes Panorama actual considerado suficiente Iniciativas para melhoria consideradas suficientes Panorama actual Panorama actual considerado insuficiente Panorama actual considerado suficiente Iniciativas para melhoria consideradas insuficientes Iniciativas para melhoria consideradas insuficientes Figura 12. Quadrantes orientadores da estratégia. Considerando a representação gráfica da Figura, os domínios que se encontrem no quadrante inferior esquerdo serão aqueles merecedores de uma intervenção mais profunda, pois terão sido encontrados resultados insuficientes e, paralelamente, também serão consideradas insuficientes as iniciativas tendentes a inverter este panorama. Já os domínios do quadrante superior esquerdo serão aqueles com resultados ainda insuficientes, mas já com iniciativas implementadas no sentido de mudar o panorama actual. Por fim, nos quadrantes do lado direito da figura encontrar-se-ão os domínios em que o panorama actual é mais favorável ao empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores: na parte superior, posicionam-se aqueles com mais iniciativas no terreno, e no inferior os com menor número e dimensão de iniciativas identificadas

64 4.1. Principais iniciativas a manter De uma forma empírica, é possível representar graficamente o posicionamento dos seis domínios do ecossistema do empreendedorismo dos Açores de acordo com a seguinte figura (Figura 13): Cultura empreend. Panorama actual Infraestruturas e serviços de apoio Apoio financeiro Políticas e programas Capital humano Empresas e mercados Iniciativas para melhoria Figura 13. Posicionamento dos diferentes domínios do ecossistema do empreendedorismo nos quadrantes orientadores da estratégia. Denota-se assim que os domínios Capital humano e Empresas e mercados serão aqueles nos quais a intervenção será prioritária. A estratégia para o fomento do empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores deverá encontrar formas para alterar o panorama vigente. Este panorama é particularmente marcado, no primeiro caso, pelos baixos níveis de formação da população e, no segundo caso, pela reduzida dimensão do mercado local e pela dificuldade de acesso aos mercados externos à Região. Numa situação diferente encontra-se o domínio Cultura empreendedora. Enquanto o panorama actual é considerado manifestamente insuficiente, subsistindo na sociedade açoriana uma mentalidade pouco propensa ao empreendedorismo, foram identificadas iniciativas tendentes a inverter esta situação, a que importa dar continuidade. De entre estas acções destacam-se as relacionadas com a promoção do empreendedorismo nos diferentes níveis de ensino e a promoção dos concursos de empreendedorismo, designadamente: 47 47

65 Programa Educação Empreendedora Centro de Empreendedorismo na UAc Concurso Regional de Empreendedorismo Programa de formação orientado para alunos e professores do Ensino Básico, do Ensino Secundário e do Ensino Profissional. Inclui a realização do Concurso IdeiAçores e a criação de Clubes de Empreendedorismo nas Escolas. Estrutura da Universidade dos Açores aberta à sociedade orientada para o fomento do empreendedorismo entre alunos e docentes. Concurso para premiar os melhores projectos de potenciais empreendedores açorianos. No domínio Infra-estruturas e serviços de apoio foi considerado que o panorama actual da Região se encontrava numa posição intermédia, sendo que apesar de existirem já algumas infra-estruturas e serviços disponíveis nos Açores, estas focam-se sobretudo num apoio considerado mais básico. Não estando ainda num estado de desenvolvimento amadurecido, são de destacar as seguintes iniciativas, pela sua relevância para a região e pelo seu potencial de integração com outras iniciativas propostas no âmbito deste Plano: Nonagon Rede de Gabinetes do Empreendedor Rede Prestige Azores Parque Tecnológico da Região Autónoma dos Açores, ainda em fase de construção. Rede de oito gabinetes (em todas as ilhas excepto o Corvo) para atendimento personalizado a empresas e futuros empresários. Rede internacional de Conselheiros, em fase de amadurecimento, onde se pode enquadrar o aconselhamento no âmbito da promoção de novas empresas. Aproveitando estas iniciativas já lançadas, a estratégia para o fomento do empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores deverá encontrar mecanismos que permitam por um lado aumentar abrangência da infra-estrutura de apoio existente e, por outro lado, aumentar também a complexidade e o valor acrescentado significativo dos serviços prestados. Por fim, num quadrante mais favorável encontram-se os domínios Políticas e programas e Apoio financeiro. No que concerne às Políticas e programas, denota-se nos Açores um forte envolvimento político na temática do empreendedorismo, traduzido na existência de diferentes programas de apoio à actividade empreendedora. Para além dos programas PRORURAL, PROPESCAS e PRO-EMPREGO, todos eles com linhas específicas orientadas para 48 48

66 o apoio à criação de novas empresas, destaca-se pela sua relação específica com a actividade empreendedora: Empreende Jovem Programa de apoio financeiro (não reembolsável) destinado a jovens empreendedores (18-35 anos). No que se relaciona com o Apoio financeiro, existem também nos Açores condições favoráveis ao acesso a capitais pela parte de empreendedores com diferentes tipos de necessidades. Destacam-se neste caso: Regime de Apoio ao Microcrédito Bancário Fundo de Investimento de Apoio ao Empreendedorismo dos Açores (FIAEA) Regime que facilita o acesso a pequenos financiamentos, dirigido a empreendedores açorianos que se encontrem desempregados, à procura de primeiro ou novo emprego Fundo de capital de risco direccionado para projectos de micro, pequenas e médias empresas Propostas de acção Uma vez identificadas as principais iniciativas existentes na Região Autónoma dos Açores a que importa dar continuidade no âmbito deste Plano Estratégico para o Fomento do Empreendedorismo, importa avançar no sentido da definição das novas propostas de actuação. A proposta das novas iniciativas tem em consideração que a abordagem ao empreendedorismo, como a qualquer ecossistema, deve ser holística: não bastará actuar sobre um ou dois dos domínios do sistema, sendo necessário actuar em paralelo sobre os diferentes domínios, não esquecendo as inter-relações entre estes. A concretização da estratégia de desenvolvimento deverá ser efectuada de modo transversal, tendo em consideração as diferentes linhas de orientação estratégica apresentadas. Assim, no processo de definição dos projectos a desenvolver, foi dada prioridade a iniciativas estruturantes que permitam obter inputs positivos nas diferentes linhas. Deste modo, foi definida a seguinte carteira de Projectos estruturantes: 49 49

67 START-UP AZORES EMPREENDE AÇORES INCUBA AÇORES BIC AZORES OBSERVATÓRIO DO EMPREENDEDORISMO AZORES ANGELS ENTERPRISE AZORES Implementação de programa internacional de atracção de empreendedores qualificados Implementação de programa de formação-acção para fomento do empreendedorismo relacionado com os produtos endógenos dos Açores Estabelecimento da incubadora de empresas de referência nos Açores Estabelecimento de um Business Innovation Centre nos Açores Implementação de estrutura de monitorização da evolução do ecossistema do empreendedorismo dos Açores Criação de uma rede de Business Angels nos Açores Implementação de programa de promoção da visibilidade externa do ecossistema do empreendedorismo dos Açores Em seguida apresentam-se, em detalhe, os diversos projectos estruturantes propostos. Para cada um deles foi desenvolvida uma ficha de projecto onde se destacam os respectivos objectivos, a descrição (incluindo a apresentação de casos de estudo nacionais e internacionais relacionados), as principais actividades a desenvolver, a sua calendarização e uma estimativa orçamental. A estimativa orçamental é indicativa e encontra-se apresentada em intervalos de valores que permitem classificar os projectos: - Tipo A: inferior Euros; - Tipo B: de a de Euros; - Tipo C: superior a de Euros. Para os diferentes projectos, esta estimativa considera as actividades previstas ao longo dos cinco anos de implementação do Plano. Foram assumidos os custos globais dos projectos, independentemente de estes poderem vir a recorrer a recursos humanos ou financeiros disponíveis no âmbito de programas ou iniciativas já existentes

68 Projecto 1. Start-Up Azores Nome: Start-Up Azores Implementação de programa internacional de atracção de empreendedores qualificados Objectivos: Atrair e fixar na região empreendedores qualificados; Dar visibilidade internacional aos Açores como Região com ambiente particularmente favorável ao empreendedorismo; Facilitar o acesso a redes e serviços de apoio internacionais; Facilitar o acesso das novas empresas a mercados externos (a nível nacional e internacional); Aumentar as relações com a diáspora açoriana, especialmente nos EUA e Canadá. Descrição: Conforme tem vindo a ser referenciado, a Região Autónoma dos Açores depara-se hoje em dia com uma população pouco qualificada, apresentando níveis de formação abaixo dos das restantes regiões portuguesas, quer no Ensino Secundário, quer no Ensino Superior. Estes baixos níveis de formação têm consequências negativas na capacidade empreendedora da Região, em particular no que concerne à criação de negócios mais inovadores e com maior valor acrescentado. Importa por isso, para além de continuar a desenvolver esforços no sentido de qualificar a população e de estimular entre ela uma cultura de empreendedorismo, desenvolver uma estratégia integrada que permita aos Açores captarem empreendedores qualificados, oriundos de outras regiões do globo. Deste modo, o projecto Start-Up Azores foi definido considerando uma intervenção nos diferentes domínios do ecossistema do empreendedorismo dos Açores, tendo em vista o reforço da sua componente internacional. O Start-Up Azores é um programa de atracção de empreendedores qualificados, que tem como exemplo inspirador o Programa Start-Up Chile, criado pelo Governo Chileno para atingir os mesmos fins

69 Programa Start-Up Chile, Chile O Start-Up Chile foi criado pelo Governo do Chile, com o objectivo de transformar o Chile no centro da inovação e do empreendedorismo da América Latina. O Programa está orientado para a atracção de talento através da captação de empreendedores de alto potencial, que possam usar o Chile como plataforma para todo o mundo. Contribuindo activamente para a imagem externa do Chile como país empreendedor, o Start-Up Chile tem merecido reconhecimento em vários media internacionais, com destaque para a publicação de artigos em revistas e jornais como Forbes, The Economist, BusinessWeek e Financial Times. O Programa tem inspirado a criação de outras iniciativas como o Startup America, o Startup Greece, ou o Startup Italy. Em 2010, na fase piloto do Programa, foram atraídas 22 start-ups de 14 países (incluindo Portugal). A meta é atrair 300 empresas em 2011 e em Em 2011, foram recebidas mais de candidaturas no total dos 3 concursos abertos durante o ano. Um dos primeiros passos na elaboração do Start-Up Azores será a definição de um conjunto de apoios especificamente orientados para facilitar a instalação de empreendedores estrangeiros nos Açores. Apoios concedidos pelo Programa Start-Up Chile, Chile Um dos principais atractivos do Start-Up Chile é a disponibilização de USD por projecto para a sua instalação no Chile e para o seu primeiro ano de vida. O Programa disponibiliza espaços físicos para instalação das empresas e permite a atribuição de um visto de residência aos membros da equipa de projecto e seus familiares, promovendo desta forma um ambiente mais favorável à instalação num país estrangeiro. Além disso, o Start-Up Chile destaca-se pela sua abrangência internacional, permitindo o acesso a uma rede de mentores de vários países, pela realização de actividades de networking com especialistas à escala global e pelo apoio especializado para a obtenção de financiamentos a nível internacional

70 Note-se que, nos Açores, a insularidade e a ultraperificidade reduzem o potencial do mercado local, com possíveis consequências negativas ao nível da capacidade de atracção de empresas. Importa por isso, no âmbito do Programa Start-Up Azores, promover por um lado a selecção de empresas com uma visão internacional e global do seu negócio e, por outro, criar redes de ligação ao exterior que permitam apoiar a internacionalização dos projectos empresariais seleccionados. Rede de Apoiantes (Advocates) do Start-Up Chile, Chile O Programa Start-Up Chile criou uma rede global de apoiantes, constituída por diferentes personalidades, chilenos ou não, que um pouco por todo o mundo auxiliam o Start-Up Chile a atingir a sua missão. Entre os diferentes contributos prestados podem-se encontrar: - Identificação de potenciais candidatos e encaminhamento para o Programa; - Fornecimento de apoio especializado aos empreendedores aceites no Start-Up Chile; - Disseminação do Start-Up Chile na sua região, incluindo a apresentação do Programa junto de universidades, incubadoras, centros de empreendedorismo, entre outros; - Apoio na expansão da rede de universidades, empresas de capital de risco, business angels, governos e empreendedores associados ao Programa. A este respeito são de referenciar as sinergias que poderão ser procuradas com a Rede Prestige Azores, recentemente promovida pela DRCTC. Trata-se, como já referido, de uma rede internacional de Conselheiros, descendentes de açorianos ou pessoas que estejam directamente envolvidas com os Açores, residentes fora da Região e cujo trabalho tenha relevância em áreas científicas e/ou tecnológicas. Os Conselheiros disponibilizam-se para responder a questões e a disponibilizar informações, onde se pode enquadrar o aconselhamento no âmbito da promoção de novas empresas. No mesmo sentido, existirão sinergias com outras iniciativas e com outros actores da realidade açoriana que importa aproveitar. O Programa deverá ter uma atitude pró-activa na sua articulação, no sentido destas iniciativas e actores poderem ser envolvidos, contribuindo para maximizar o seu potencial

71 Red de Mentores, Chile A Red de Mentores tem como objectivo acelerar a trajectória de crescimento dos empreendedores de elevado potencial no Chile, através de uma tutoria personalizada, centrada em questões-chave do negócio. A Rede procura combinar profissionais experientes e empreendedores, de acordo com as áreas de especialização dos mentores e as necessidades dos empreendedores que estão sob a tutoria. De momento, a Rede abrange mais de 150 mentores, incluindo empresários e gestores qualificados, oriundos de áreas diversificadas. Este grupo de mentores tem um conhecimento profundo dos mercados chileno e global e está disposto a partilhá-lo com outras empresas. A sua actuação no programa é voluntária e não implica remuneração, sendo que o envolvimento mínimo será de 10 horas repartidas por um semestre. Para beneficiar do apoio da Red de Mentores, é necessário passar por um processo constituído por várias etapas, que inclui o desenvolvimento de um plano de trabalhos a 6 meses. Considerando as suas diferentes componentes, a estruturação do Start-Up Azores deverá assentar na consolidação de três eixos: - Eixo 1: Disponibilização de apoios à instalação A incluir nomeadamente: o Espaço físico (potencialmente em articulação com o Nonagon); o Procedimentos administrativos de abertura da empresa; o Envelope financeiro para instalação da empresa; o Procedimentos administrativos associados à obtenção de visto de trabalho (onde aplicável); - Eixo 2: Disponibilização de conjunto abrangente de serviços de apoio A incluir nomeadamente: o Equipa técnica do Programa; o Rede de conselheiros (potencialmente com o apoio da Rede Prestige, definindo papéis a desempenhar); o Rede de mentores em articulação com diferentes actores regionais, nacionais e internacionais; o Repositório de apoios financeiros disponíveis, a nível nacional e internacional; - Eixo 3: Estratégia de comunicação a nível internacional Em articulação com o Projecto Enterprise Azores, apresentado neste documento

72 Naturalmente, um dos factores críticos associados à implementação do Start-Up Azores relaciona-se com a necessidade de um rigoroso e criterioso processo de selecção, dando prioridade a empresas com uma visão internacional da sua actividade, que possam ter nos Açores a sua base de actuação. Pretende-se que a consolidação dos três eixos do Start-Up Azores permita atrair para os Açores um conjunto alargado de empreendedores e de novas empresas com elevado valor acrescentado, que permitam dinamizar a economia da Região e que contribuam activamente para o reconhecimento internacional pelo seu ecossistema particularmente favorável ao empreendedorismo. Impacto esperado por domínio do ecossistema: Capital humano Empresas e mercados Apoio financeiro Cultura empreend. Infra-estr. e serv. apoio Políticas e programas START-UP AZORES impacto forte; ++ - impacto médio; + - impacto reduzido Actividades: ACTIVIDADE 1. Elaboração do plano estratégico do Start-Up Azores: - Definição da estrutura organizacional; - Definição do perfil da equipa técnica; - Estruturação dos apoios a disponibilizar; - Definição do regulamento e condições de acesso; - Elaboração da estratégia comunicacional; - Definição do modelo de financiamento. ACTIVIDADE 2. Desenvolvimento das actividades preparatórias do Programa: - Contratação da equipe técnica e operacionalização da estrutura; - Criação de rede de mentores na área do apoio ao empreendedorismo; - Criação de rede internacional de conselheiros; - Atracção de fundos de financiamento; - Adesão a redes internacionais de apoio ao empreendedorismo. ACTIVIDADE 3. Implementação do Programa: - Implementação e avaliação da primeira edição piloto do Start-Up Azores; - Implementação cruzeiro do Start-Up Azores

73 Cronograma: S 2S 1S 2S 1S 2S 1S 2S Activ. 1 Activ. 2 Activ. 3 Estimativa orçamental: Tipo B 56 56

74 Projecto 2. Empreende Açores Nome: Empreende Açores Implementação de programa de formação-acção para fomento do empreendedorismo relacionado com os produtos endógenos dos Açores Objectivos: Explorar e divulgar o potencial económico dos recursos endógenos da Região através da actividade empreendedora; Explorar e dinamizar novos canais de distribuição para produtos e serviços de empresas açorianas; Facilitar o acesso das novas empresas a mercados externos (a nível nacional e internacional); Fomentar a cultura de empreendedorismo na Região. Descrição: Conforme tem vindo a ser referenciado, na Região Autónoma dos Açores existe um conjunto de sectores e de produtos que apresentam condições particularmente favoráveis à ocorrência de iniciativas empreendedoras. Se à partida, pelo seu dinamismo e potencial exportador, se destacam os sectores das pescas e seus derivados e da agro-indústria relacionada com os produtos lácteos, podem também apontar-se sectores emergentes como o turismo (em particular o turismo de natureza), outras actividades relacionadas com o mar (por exemplo, biotecnologia marinha) ou as energias renováveis (designadamente as relacionadas com a geotermia, o vento, ou as ondas). Importa por isso divulgar o potencial económico dos recursos endógenos da Região, contribuindo activamente para o aproveitamento das oportunidades existentes e para a promoção do acesso das empresas aos mercados externos. Tendo em consideração que, em alguns dos sectores indicados, em particular nos relacionados com a actividade agrícola e com as pescas, o universo dos stakeholders é constituído por uma população pouco qualificada e com baixa taxa de actividade empreendedora, importa incentivar a criação de capacidades e competências no sentido de contribuir para a alteração do panorama vigente

75 Projecto Emprendedores Rurales de Canarias - Programa RuralEES, Ilhas Canárias, Espanha O RuralEES é um programa de fomento e promoção da economia social nas zonas rurais das ilhas Canárias, com origem no Programa Leader II. Desenvolvido pela Federação Canária de Desenvolvimento Rural (FEDERCAN) em parceria com diferentes associações de desenvolvimento local, é orientado para a geração do auto-emprego. No âmbito do RuralEES, a FEDERCAN desenvolveu o projecto Emprendedores Rurales de Canarias, que procurou dinamizar o empreendedorismo junto da população rural das ilhas. O projecto incluiu diferentes tipos de acções, onde se destacam: - o aconselhamento os procedimentos e requisitos para iniciar um novo negócio e concretizar uma ideia; - o apoio especializado no desenvolvimento de um plano de negócios; - o apoio à elaboração de candidaturas a programas de financiamento; - a disponibilização de formação e acompanhamento especializado. Destaca-se como actividade específica a elaboração de um manual de apoio ao empreendedor ( Manual práctico de emprendeduria ) e a disponibilização de vários estudos de viabilidade de negócios-tipo (restaurante, apoio domiciliário, casa de turismo rural, empresa de artesanato, exploração caprina, ). Importa referir que, no caso dos Açores, no âmbito do PRORURAL, existem experiências com alguns paralelismos com o exemplo descrito. O PRORURAL adoptou também uma abordagem LEADER, estando esta na origem da criação de diferentes Grupos de Acção Local com vista a conseguir resultados mais adaptados às diversas realidades locais. O PRORURAL considera uma acção específica para a Criação e Desenvolvimento de Microempresas. Esta acção tem como objectivo proporcionar condições para a criação e desenvolvimento de iniciativas empresariais nas zonas rurais, tendo em vista a consolidação e diversificação do tecido económico. Deste modo pretende-se contribuir para a criação de emprego, sobretudo junto da população mais jovem, para a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres e para o estabelecimento de um modelo de cariz mais empresarial ao nível destes territórios. No âmbito desta acção foram aprovados, até ao fim de 2010, 53 projectos, correspondentes a um investimento total de cerca de 5,3 milhões de Euros

76 Com base nestes resultados, importa encontrar mecanismos que permitam alargar este tipo de iniciativas a outras áreas da sociedade açoriana, permitindo a criação de negócios noutros sectores. Neste sentido é proposto, com este projecto, o desenvolvimento de um programa de formação-acção para o fomento do empreendedorismo relacionado com os produtos endógenos dos Açores. Atendendo ao expectável reduzido nível de qualificação dos potenciais empreendedores nestes sectores, a componente de acção deverá ser detalhadamente programada, de forma a assegurar um acompanhamento muito próximo do empreendedor e a aumentar o seu potencial de sucesso na criação de um novo negócio. Projecto Dona Empresa A Associação Portuguesa de Mulheres Empresárias desenvolveu o Projecto Dona Empresa, orientado para o Apoio ao Empreendedorismo de Mulheres. O projecto envolveu várias dezenas de mulheres desempregadas e visou a criação e desenvolvimento de competências empreendedoras, com vista à sua integração no mercado de trabalho através da criação do próprio emprego. Paralelamente pretendeu estimular a criação de novas empresas e oportunidades de emprego e fornecer ferramentas adequadas às potenciais empreendedoras. Metodologicamente, o projecto foi constituído por duas fases: um programa de formação desenhado para dotar as formandas das competências necessárias para a criação e gestão de micro-empresas, e a prestação de serviços de consultadoria de apoio ao desenvolvimento do Plano de Negócios e à fase de constituição e arranque das empresas. Por fim, no caso dos Açores merece referência a importância de trabalhar no sentido de obtenção de escala, identificando novos canais de distribuição e novas formas de promoção, que permitam facilitar o acesso dos produtos endógenos açorianos a novos mercados. Este trabalho não pode ser feito, em muitos casos, exclusivamente dentro da Região, sendo necessárias acções no exterior, capazes de induzirem a procura nos mercados potenciais

77 Rede de Lojas Aldeias do Xisto A Rede das Aldeias do Xisto é um projecto de desenvolvimento sustentável, de âmbito regional, liderado pela ADXTUR - Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto, em parceria com 16 Municípios da Região Centro e com mais de 70 parceiros que actuam no território. A criação da marca "Aldeias do Xisto" enquanto destino turístico de qualidade efectivou no terreno uma rede público-privada potenciadora de uma identidade de base regional na Região Centro de Portugal. O projecto de dinamização da Rede das Aldeias do Xisto já alargou a sua marca a sub-marcas e projectos complementares: a Rede de Lojas das Aldeias do Xisto, que comercializa produtos locais; o Calendário de Animação das Aldeias do Xisto, um programa permanente de eventos idealizados em conjunto com os parceiros locais do território; Rede de Património do Xisto, um projecto internacional de parceria com Røros, um local UNESCO na Noruega; a Rede de Praias Fluviais, que junta um conjunto significativo de praias fluviais da Região. Com o intuito de criar novos canais de distribuição para os produtos no exterior e, simultaneamente, aumentar a visibilidade externa da Região, foram criadas lojas fora da Região, nomeadamente em Lisboa (loja própria) e Barcelona (integrada na loja A Casa Portuguesa). Impacto esperado por domínio do ecossistema: Capital humano Empresas e mercados Apoio financeiro Cultura empreend. Infra-estr. e serv. apoio Políticas e programas EMPREENDE AÇORES impacto forte; ++ - impacto médio; + - impacto reduzido 60 60

78 Actividades: ACTIVIDADE 1. Levantamento dos produtos e produtores prioritários: - Identificação dos produtos endógenos com potencial de comercialização; - Identificação dos produtores e suas associações; - Identificação dos mercados prioritários. ACTIVIDADE 2. Preparação do Programa de formação-acção: - Definição do público-alvo; - Desenvolvimento dos conteúdos; - Preparação de equipas de aconselhamento personalizado; - Preparação de manual para elaboração de plano de negócios. ACTIVIDADE 3. Implementação do Programa: - Implementação e avaliação da primeira edição piloto do Empreende Açores; - Implementação cruzeiro do Empreende Açores. Cronograma: S 2S 1S 2S 1S 2S 1S 2S Activ. 1 Activ. 2 Activ. 3 Estimativa orçamental: Tipo B 61 61

79 Projecto 3. Incuba Açores Nome: Incuba Açores - Estabelecimento da incubadora de empresas de referência nos Açores Objectivos: Proporcionar aos empreendedores serviços de apoio de elevada qualidade; Proporcionar aos empreendedores infra-estruturas de elevada qualidade, que ofereçam condições qualificadas para a instalação de empresas, nomeadamente em sectores considerados estratégicos; Captar projectos de investimento com actividades de valor acrescentado e que requeiram mão-de-obra qualificada. Descrição: Na Região Autónoma dos Açores existe um conjunto limitado de estruturas e serviços de apoio orientados especificamente para acolherem novas empresas e auxiliarem o seu desenvolvimento nos primeiros tempos de actividade. Conforme já foi referido, mesmo nas estruturas já existentes, os serviços oferecidos são de reduzida complexidade Neste cenário, assume grande relevância a criação de uma incubadora de empresas de referência, que preste serviços adequados aos empreendedores e empresas, onde se possam incluir: Apoio à implementação e gestão de negócios e de projectos: apoio na elaboração de planos de negócio, apoio nas áreas económico-financeiras, apoio ao estabelecimento de acordos de parceria, apoio à internacionalização, etc.; Apoio científico e tecnológico: procurement tecnológico, apoio ao registo de patentes e aquisição de licenças, apoio à certificação, organização de conferências, seminários e workshops; Apoio à obtenção de financiamento: recolha, sistematização e divulgação de informação relativa a programas de apoio a actividades de I&D e inovação, apoio à preparação de candidaturas a programas de financiamento, apoio à preparação de pedidos de concessão de empréstimos, garantias e subsídios, apoio à identificação de investidores e capital de risco, etc.; Promoção de acções de formação: presencial, à distância (e-learning), formaçãoacção

80 Tendo em vista a especificação dos serviços a desenvolver, na concepção desta incubadora de empresas será necessário definir a sua missão, o público-alvo que se pretende abranger com a iniciativa e as áreas prioritárias em que se pretende actuar. IPN-Incubadora, Coimbra A IPN-Incubadora promove a criação de empresas spin-offs, apoiando ideias inovadoras e de base tecnológica oriundas dos laboratórios do Instituto Pedro Nunes (IPN), de instituições do ensino superior, em particular da Universidade de Coimbra, do sector privado e de projectos de I&DT em consórcio com a indústria. A IPN-Incubadora dispõe de uma equipa de gestores e consultores qualificados e especializados que garante apoio ao empreendedor em diferentes aspectos, sendo de destacar: Acompanhamento tutorial na elaboração do Plano de Negócios da empresa; Ligações e contactos com diversos centros de investigação nacionais e internacionais e outras fontes de conhecimento, fontes de financiamento, etc. Possibilidade de recorrer a uma bolsa de consultores especializados em distintas áreas em condições vantajosas; Candidaturas a Sistemas de Incentivos ao Investimento, I&D, emprego, etc. Em 2010, a IPN-Incubadora foi considerada a melhor Incubadora de Base Tecnológica do mundo pelo Centre for Strategy and Evaluation Services (CSES). É de referir que a incubadora não deverá limitar a sua acção ao apoio as empresas de base tecnológica. Esta estrutura poderá, por exemplo, disponibilizar espaços destinados para empresas na área das indústrias criativas. A este respeito, merece referência a articulação que se deve estabelecer com as Academias de Juventude, projecto do Governo Regional, que visam o desenvolvimento de projectos tecnológicos, culturais e sociais por parte da juventude açoriana, funcionando também como centros de incubação de ideias. Os serviços a disponibilizar deverão estar também associados às diferentes modalidades de incubação que se pretendem disponibilizar: Incubação de ideias, também designada por pré-incubação - em que tipicamente são disponibilizados serviços de informação e apoio à elaboração do Plano de Negócios, ao desenvolvimento do projecto e à constituição da empresa, com um período relativamente reduzido de incubação (entre 6 meses a 1 ano); Incubação física de empresas - em que tipicamente são disponibilizados serviços de apoio à estruturação da empresa e ao desenvolvimento do negócio, por um período máximo de incubação que geralmente ronda os 3 anos; 63 63

81 Incubação colaborativa - baseada em espaços de trabalho partilhados para empresas e empreendedores, permitindo tanto a redução de custos como a criação de dinâmicas conjuntas; Incubação virtual de empresas - destinada a empresas que pretendem usufruir dos serviços disponibilizados pela incubadora, mas que não tenham necessidade ou possibilidade de instalação física. Unidade de Inovação do ParcBIT, Ilhas Baleares, Espanha No ano de 2008, foi criada a Unidade de Inovação do ParcBIT, responsável por gerir a incubadora tecnológica do Parque. A Unidade de Inovação procura garantir que todas as empresas incubadas, independentemente do seu grau de maturidade, têm acesso a serviços específicos de acordo com as suas necessidades. A Unidade de Inovação foca-se em start-ups, empresas estabelecidas e empresas intensivas em I&D. As empresas incubadas têm acesso a: Espaços de incubação a preços inferiores aos preços de mercado; Aconselhamento e apoio em áreas de criação de novos negócios, consolidação empresarial e gestão estratégica e financeira; Acompanhamento e controlo dos projectos empresariais; Aconselhamento e apoio na procura de financiamento para projectos inovadores, especialmente a nível de concursos públicos de financiamento de I&D; Disseminação das actividades nos meios de comunicação social e eventos relevantes. Adicionalmente, a Unidade de Inovação do ParcBIT oferece um serviço de incubação virtual e, desde Janeiro de 2011, um serviço de incubação colaborativa. O modelo de incubação virtual poderá assumir um papel muito relevante na actuação da incubadora, atendendo à dispersão dos empreendedores pelas várias ilhas do arquipélago. Com base neste modelo, empreendedores localizados nas diversas ilhas, sem possibilidade de instalação física na incubadora, poderão usufruir dos serviços disponibilizados. De forma a prestar apoio ao maior número de empreendedores possível, independentemente do local em que se encontrem, poderá ser criado uma linha telefónica ( número verde ) de atendimento ao empreendedor, para aconselhamento relativo a aspectos diversos relacionados com a criação de empresas. De referir neste caso a necessidade de articular a actuação da incubadora com a Rede de Gabinetes do Empreendedor, que tem presença física em todas as ilhas do arquipélago (com 64 64

82 excepção do Corvo). A título de exemplo, esta rede, mais próxima dos empreendedores, poderá divulgar os serviços disponibilizados pela incubadora, em especial a incubação virtual, colaborar com a incubadora na implementação de cursos de formação, prestar aconselhamento e apoio na criação de novos negócios, etc. As diferentes orientações estratégicas adoptadas (tipo de empresas a incubar, serviços a disponibilizar, equipa de recursos humanos, ) irão contribuir para a definição das infraestruturas necessárias para o funcionamento da incubadora, nomeadamente: Espaço para acolhimento de empresas; Espaços para serviços partilhados salas de reuniões, salas adequadas a sessões de formação, espaços comerciais, etc. Espaços para instalação da equipa responsável pela gestão da incubadora e pelo apoio aos empreendedores e empresas; Infra-estruturas de comunicações; Espaços comuns, como estacionamento, áreas verdes, etc. Por último, é de referir que a incubadora de empresas pode ter interacções muito fortes com outras iniciativas previstas para a Região, com vantagens significativas. No que se refere à sua localização, poderá vir a ser integrada num parque tecnológico, nomeadamente no Nonagon. A gestão da incubadora poderá ser assegurada pela entidade acreditada como Business Innovation Centre, proposta em projecto autónomo, neste documento (projecto BIC Azores). A incubadora poderá ainda ser o local de acolhimento das empresas participantes no projecto Start Up Azores, previsto em projecto autónomo, neste documento. Impacto esperado por domínio do ecossistema: Capital humano Empresas e mercados Apoio financeiro Cultura empreend. Infra-estr. e serv. apoio Políticas e programas INCUBA AÇORES impacto forte; ++ - impacto médio; + - impacto reduzido Actividades: ACTIVIDADE 1. Elaboração do Plano Estratégico da Incubadora de Empresas de referência dos Açores: 65 65

83 - Definição da Visão, Missão e Objectivos Estratégicos; - Definição das áreas de actuação; - Definição do público-alvo; - Definição das estruturas físicas necessárias ao funcionamento da incubadora; - Definição dos serviços a prestar; - Definição das modalidades de incubação; - Definição dos critérios de admissão de empresas; - Identificação das parcerias estratégicas a estabelecer; - Definição da estrutura organizacional e dos perfis da equipa de recursos humanos a recrutar; - Elaboração da estratégia comunicacional; - Definição do modelo de financiamento. ACTIVIDADE 2. Desenvolvimento das actividades preparatórias: - Identificação de fontes de financiamento; - Selecção/ construção de infra-estruturas físicas; - Formalização da estrutura organizacional; - Contratação da equipa técnica; - Estabelecimento de parcerias estratégicas; - Implementação das acções de comunicação definidas. ACTIVIDADE 3. Entrada em funcionamento da incubadora: - Preparação do Plano Anual de actividades; - Selecção de ideias de negócio a apoiar; - Instalação e apoio aos empreendedores; - Realização das restantes actividades previstas no Plano Anual de Actividades. Cronograma: S 2S 1S 2S 1S 2S 1S 2S Activ. 1 Activ. 2 Activ. 3 Estimativa orçamental: Tipo C 66 66

84 Projecto 4. BIC Azores Nome: BIC Azores - Estabelecimento de um Business Innovation Centre nos Açores Objectivos: Proporcionar aos empreendedores e PME açorianos um conjunto vasto e integrado de serviços de apoio de elevada qualidade; Fortalecer o sistema regional de inovação com a introdução de uma entidade certificada e apoiada por uma rede internacional de excelência; Promover o acesso dos empreendedores e PME a redes internacionais. Descrição: Os Business Innovation Centres (BICs) são organizações de apoio a pequenas e médias empresas e a empreendedores. São reconhecidos através de um sistema de certificação de qualidade, único a nível europeu e mundial, que lhes permite operar sob a designação BIC. O reconhecimento como BIC é realizado pela European Business and Innovation Centre Network (EBN), a maior rede europeia na área do empreendedorismo, juntando actualmente em rede mais de 150 BIC. Os BIC têm como missão contribuir para o desenvolvimento sócio-económico regional, apoiando os empreendedores na implementação das suas ideias de negócio inovadoras e fornecendo às empresas já estabelecidas serviços individualizados que possibilitem a sua modernização. Os BIC actuam como interface entre os empreendedores e as instituições públicas e privadas, oferecendo um conjunto integrado de serviços, garantindo que o processo global de incubação de novos negócios decorre da melhor maneira, coordenando os seus serviços com os de outros actores-chave do sistema regional de inovação. Os serviços disponibilizados por uma entidade acreditada como BIC são avaliados regularmente pela entidade acreditadora (EBN), o que permite que os empreendedores e empresas tenham uma garantia de qualidade e adequação dos serviços às suas necessidades. Tendo em consideração a escala internacional dos serviços disponibilizados, a sua complexidade e a validação externa da sua qualidade, a existência de uma entidade reconhecida como BIC nos Açores mostra-se extremamente pertinente

85 De facto, hoje em dia, os serviços oferecidos aos empreendedores nos Açores são de reduzida complexidade, tendo como base, sobretudo, a disponibilização de espaços a preços inferiores aos do mercado, sendo os serviços adicionais muito ligados a assessorias jurídicas ou divulgação de informação. O estabelecimento do BIC Azores irá permitir o aumento do valor acrescentado dos serviços prestados, permitindo um acesso facilitado a redes internacionais, desde logo a já referida rede europeia de BIC, e a serviços relacionados com a transferência de tecnologia ou conhecimento, promoção da inovação, networking, apoio à internacionalização, etc. Dublin Business Innovation Centre (Dublin BIC), Irlanda O Dublin BIC tem como objectivo apoiar o desenvolvimento do empreendedorismo e da inovação na região de Dublin. Foi fundado em 1988, constituindose como uma das primeiras parcerias público-privadas da Irlanda. Este BIC realiza a avaliação de projectos, fornece assistência no planeamento estratégico dos projectos, facilita o acesso a financiamento através do AIB Seed Capital Fund e da Halo Business Angel Partnership, disponibiliza espaços de qualidade para instalação de empresas, facilita parcerias internacionais, promove a transferência de tecnologia para negócios nascentes, dá apoio à expansão de empresas e facilita o acesso a redes internacionais. O Dublin BIC é um exemplo de uma aposta bem sucedida nas parcerias estratégicas e redes, a nível regional, nacional e internacional. A nível internacional, são de destacar as parcerias com a EBN, parceiro de referência a nível europeu, com a EVCA - European Venture Capital Association, com a EBAN European Business Angel Network, e ainda com a ETC Baltimore, parceiro na área de incubação nos Estados Unidos. Desde a sua fundação, o BIC Dublin ajudou à criação de mais de 350 empresas, responsáveis por cerca de 5500 postos de trabalho directos e 2000 indirectos. Das empresas criadas com o apoio deste BIC, cerca de 80% sobreviveram ao período crítico dos primeiros cinco anos de actividade

86 Note-se que o BIC Azores pode assumir diversas formas e a sua organização pode apresentar-se sob diversas configurações. Deste modo, serão de equacionar as sinergias que poderão ser conseguidas com o projecto do Parque Tecnológico Nonagon. O Nonagon prevê a existência de estruturas destinadas a facilitar a criação e o crescimento de empresas baseadas na inovação, através da incubação e processos de spin-off, pretendendo oferecer serviços de valor acrescentado, bem como espaços e apoios de elevada qualidade. ParcBit, Ilhas Baleares, Espanha O ParcBit é um Parque de Ciência e Tecnologia, localizado nas Ilhas Baleares, em Espanha. A gestão do ParcBIT está inteiramente a cabo da ParcBIT Desenvolupament, S.A., uma empresa criada propositadamente para este fim e que é participada a 100% pelo Governo das Ilhas Baleares. O leque de serviços oferecidos pelo ParcBIT aos seus utentes é variado. Desde logo, sendo uma estrutura física de alojamento de empresas, coloca ao dispor dessas empresas, além do próprio alojamento, acesso a centros de conferências, serviços de videoconferência, vigilância contínua, serviços de manutenção, WiFi, incluindo nas áreas exteriores e nas salas de reuniões, serviços de recolha de resíduos sólidos urbanos e áreas colectivas de refeição à disposição de todos os utentes do Parque. O ParcBIT destaca-se, sobretudo, pelos serviços de apoio empresarial que oferece às empresas em si alojadas, em especial pelos serviços em matéria de incubação de empresas. Oferecendo inicialmente as modalidades de incubação tradicional e virtual, este parque disponibiliza actualmente uma modalidade de incubação colaborativa, inspirada nos modelos de co-working. A ParcBIT Desenvolupament, S.A integra a rede BIC. No sentido de conseguir a sua acreditação, o BIC Azores deverá ser capaz de demonstrar que: - A sua actuação está focada numa região específica; - O seu papel é reconhecido pelas autoridades públicas relevantes da região e que está alinhado com as prioridades regionais de desenvolvimento económico e com as estratégias de inovação; - Envolve o sector público, no caso de ser maioritariamente de capitais privados; 69 69

87 - Coordena a suas actividades com outras organizações de apoio às empresas, de modo a assegurar a prestação de serviços complementares na região de abrangência; - É financeiramente sustentável, tendo orçamento próprio; - Tem um posicionamento claro, apoiado num plano estratégico e plano de acção, orientado para a criação de novos postos de trabalho e para a dinamização económica, através da criação de novas empresas inovadoras ou desenvolvimento de empresas existentes; - Tem uma identidade própria, que o diferencia de outras organizações de apoio a empresas e empreendedores existentes na mesma região; - É gerido de forma profissional e autónoma, contando com uma equipa de, no mínimo, três recursos humanos a tempo inteiro (qualificados, com experiência e envolvidos nas actividades principais de apoio a empreendedores e empresas), dos quais um deve ser o gestor responsável pelo BIC. Para ser reconhecido, o BIC Azores deve desencadear um processo de acreditação, que assegura a conformidade com os critérios de qualidade BIC e que segue os seguintes passos: - Submissão de um questionário de auto-avaliação para verificação do cumprimento dos critérios de qualidade BIC; - Avaliação pela Equipa de Qualidade; - Visita ao local por um perito externo; - Decisão final do Comité de Gestão da Qualidade dos BIC, que pode atribuir, renovar ou retirar a licença para utilização da marca BIC. A acreditação de uma entidade açoriana como BIC irá potenciar o reconhecimento internacional da própria entidade e dos Açores como região empreendedora. Impacto esperado por domínio do ecossistema: Capital humano Empresas e mercados Apoio financeiro Cultura empreend. Infra-estr. e serv. apoio Políticas e programas BIC AZORES impacto forte; ++ - impacto médio; + - impacto reduzido 70 70

88 Actividades: ACTIVIDADE 1. Elaboração do Plano Estratégico do BIC Azores: - Definição da Visão, Missão e Objectivos Estratégicos; - Definição da tipologia e âmbito de actuação do BIC e dos seus estatutos; - Definição das estruturas físicas necessárias ao funcionamento do BIC; - Definição dos serviços a prestar (ao nível de incubação e/ou serviços para PME); - Identificação das parcerias estratégicas a estabelecer; - Elaboração da estratégia comunicacional; - Definição do modelo de financiamento; - Definição dos perfis da equipa de recursos humanos a recrutar. ACTIVIDADE 2. Desenvolvimento das actividades preparatórias: - Formalização da estrutura organizacional do BIC; - Contratação da equipa técnica; - Estabelecimento das parcerias estratégicas definidas e adesão às redes identificadas. ACTIVIDADE 3. Entrada em funcionamento do BIC: - Preparação do Plano Anual de actividades; - Apoio aos empreendedores e/ou PME identificados; - Realização das restantes actividades previstas no Plano Anual de Actividades. ACTIVIDADE 4. Desenvolvimento do processo de reconhecimento como BIC: - Submissão de candidatura à EBN; - Submissão do questionário de auto-avaliação; - Realização de visita por peritos, organizada pela EBN; - Avaliação do relatório elaborado pelos peritos; - Se aprovado, reconhecimento como BIC. Cronograma: S 2S 1S 2S 1S 2S 1S 2S Activ. 1 Activ. 2 Activ. 3 Activ. 4 Estimativa orçamental: Tipo A 71 71

89 Projecto 5. Observatório do Empreendedorismo Nome: Observatório do Empreendedorismo - Implementação de estrutura de monitorização da evolução do ecossistema do empreendedorismo dos Açores Objectivos: Monitorizar regularmente a evolução do ecossistema do empreendedorismo dos Açores e dos correspondentes indicadores; Realizar análises comparativas com outros territórios e regiões; Estudar os factores condicionantes da actividade empreendedora na Região; Estudar o impacto do empreendedorismo no dinamismo económico regional; Disseminar informação relevante sobre o empreendedorismo nos Açores; Fornecer aconselhamento e recomendações aos decisores políticos regionais no âmbito do empreendedorismo. Descrição: A recolha e sistematização de informação relevante e fiável relativa a qualquer fenómeno socioeconómico mostra-se extremamente relevante, não só para retratar as realidades actuais que se pretendem analisar, mas também, quando realizadas periodicamente, para analisar os impactos de diferentes programas e iniciativas implementados no sentido de alterar o panorama vigente. No caso do ecossistema do empreendedorismo dos Açores, será particularmente interessante a instituição de um Observatório do Empreendedorismo, responsável por recolher e sistematizar toda a informação relacionada com o ecossistema do empreendedorismo dos Açores e com a sua evolução. O Observatório deverá também agir como repositório e disseminador de informação relevante relativa ao ecossistema do empreendedorismo dos Açores, independentemente de esta ter sido recolhida por si, ou por entidades externas. Complementarmente, importará que o Observatório possa processar a informação recolhida, acrescentando-lhe valor e produzindo conhecimento utilizável pelos decisores políticos e outros actores-chave do ecossistema do empreendedorismo da Região

90 Entre as diferentes temáticas a que o Observatório se poderá dedicar, destacam-se a identificação dos factores condicionantes da actividade empreendedora na Região e a análise do impacto do empreendedorismo no dinamismo económico regional. Assim, ao assumir estas responsabilidades, o Observatório irá colocar-se numa posição privilegiada para se constituir como a entidade responsável pela monitorização da implementação deste Plano Estratégico. Observatório do Empreendedorismo Jovem, Instituto de Tecnologia de Kavala, Grécia O Observatório do Empreendedorismo Jovem (OEJ) é uma entidade tutelada pelo Instituto de Tecnologia de Kavala, da Grécia, criada em Julho de 2008 e dedicada à recolha, investigação e análise macro e microeconómica de dados relativos à promoção do empreendedorismo. O OEJ acumula várias funções relacionadas com o empreendedorismo, sendo destacar: i) o levantamento estatístico da actividade empreendedora jovem a nível regional; ii) a criação e actualização permanente de uma base de dados de novas empresas; iii) o apoio na criação de políticas e estratégias de suporte ao empreendedorismo jovem; iv) a colaboração com instituições activas na criação de emprego; e v) o desenvolvimento de políticas fomentadoras do crescimento empresarial. Os serviços oferecidos pelo OEJ relacionam-se, essencialmente, com o fornecimento de informação aos seus interlocutores, nomeadamente ao nível de dados financeiros, mercado de trabalho, oferta de serviços a nível regional, networking e formação. Note-se que o Observatório não será obrigatoriamente uma estrutura com recursos físicos e humanos permanentes. A sua actividade pode ser orientada por actividades e projectos específicos e coordenada com diferentes parceiros da realidade Açoriana. A este respeito é de destacar a necessária articulação com o Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores, que tem vindo a desempenhar algumas das funções previstas para o Observatório

91 Observatório do Empreendedorismo, Eslovénia O Observatório do Empreendedorismo da Eslovénia foi estabelecido em 1998, no seguimento da criação do Observatório Europeu de PME. O Observatório integra a estrutura da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade de Maribor, entidade responsável pela gestão operacional do Observatório e pela realização do estudo GEM na Eslovénia. Anualmente, o Observatório apresenta uma radiografia da realidade eslovena em termos da demografia de PME e vários estudos de investigação aprofundada no âmbito do empreendedorismo no País. O Observatório desenvolve vários projectos e programas de investigação fundamental e orientada, sendo gerido e financiado segundo uma lógica de tripla hélice (governo, sector privado e meio académico). As entidades financiadoras das actividades do Observatório incluem o Ministério da Economia, a Agência Pública para as Actividades de Investigação, empresas privadas, a Câmara de Artesanato da Eslovénia e a Faculdade de Economia e Gestão da Universidade de Maribor. Os resultados obtidos pelo Observatório do Empreendedorismo têm servido como base para propostas apresentadas às entidades governamentais sobre políticas em diferentes áreas transversais ao empreendedorismo. No âmbito das actividades do Observatório, e tendo em consideração a sua missão de recolha e análise de informação relativa à evolução do ecossistema do empreendedorismo dos Açores, mostra-se particularmente relevante assegurar as condições necessárias para que o projecto GEM possa ser realizado com regularidade. O projecto GEM, sendo o maior estudo sobre empreendedorismo realizado a nível mundial, assegura que são aplicadas metodologias independentes e rigorosas e permite a comparação com as realidades de outros países e regiões à escala global, permitindo a realização de análises relevantes para a definição de iniciativas estruturantes na área do empreendedorismo

92 Impacto do estudo GEM no processo de policy-making, Brasil O Brasil é identificado pelo consórcio GEM como sendo um dos países onde os resultados dos estudos GEM têm apresentado um impacto notório ao nível da definição de políticas, incluindo a definição e desenho de programas de apoio à actividade empreendedora. Neste aspecto é de destacar o Plano Estratégico do SEBRAE (agência pública de apoio ao pequeno empresário e ao empreendedor), onde os resultados do GEM, em particular os relativos às áreas educação e formação e financiamento, foram considerados e incorporados, de modo a melhorar as condições gerais de apoio ao empreendedorismo. Adicionalmente, estados como o Paraná requereram o desenvolvimento de relatórios GEM específicos, focados exclusivamente no ecossistema empreendedor do estado, de modo a melhor definir políticas e estratégias de fomento da actividade empresarial. Impacto esperado por domínio do ecossistema: Capital humano Empresas e merc. Apoio financeiro Cultura empreend. Infra-estr. e serv. apoio Políticas e programas OBSERVATÓRIO DO EMPREENDEDORISMO impacto forte; ++ - impacto médio; + - impacto reduzido 75 75

93 Actividades: ACTIVIDADE 1. Definição de aspectos estratégicos: - Visão; - Missão; - Objectivos estratégicos. ACTIVIDADE 2. Definição do modelo operacional: - Envolvimento de actores-chave regionais (nomeadamente representantes do Governo Regional, Universidade dos Açores e sector privado); - Determinação da estrutura organizacional; - Definição do modelo operacional do Observatório (incluindo financiamento e sustentabilidade financeira); - Definição de modelos de parceria; - Elaboração de plano de actividades (incluindo estudos a realizar e indicadores a aferir). ACTIVIDADE 3. Implementação do Observatório do Empreendedorismo: - Disseminação das actividades do Observatório; - Implementação do plano de actividades. Cronograma: S 2S 1S 2S 1S 2S 1S 2S Activ. 1 Activ. 2 Activ. 3 Estimativa orçamental: Tipo A 76 76

94 Projecto 6. Azores Angels Nome: Azores Angels - Criação de uma rede de Business Angels nos Açores Objectivos: Identificar investidores, na Região e fora dela, interessados em apoiar empresas em fase nascente; Coordenar em rede a actividade desses investidores, de forma a conferir escala aos recursos disponíveis para apoiar empreendedores; Proporcionar aos empreendedores e PME açorianos acesso a novos instrumentos de financiamento. Descrição: Ao longo do processo empreendedor, as empresas passam por diferentes etapas, a que correspondem diferentes necessidades de capital. De um modo geral, numa fase inicial, as necessidades de capital são menores, e são supridas pelos denominados FFF (Family, Friends and Fools). Numa fase mais adiantada, envolvendo montantes mais elevados, o instrumento de financiamento normalmente utilizado é o capital de risco. Entre estas duas fases do financiamento das novas empresas encontram-se os Business Angels. Figura 14. Relação entre as fases de crescimento das novas empresas e as necessidades de capital. Fonte: APBA,

95 Os Business Angels são por norma investidores que realizam investimentos em oportunidades nascentes, ao mesmo tempo que contribuem com a sua experiência, conhecimento e redes de contactos para o sucesso dessas oportunidades. Conforme referido anteriormente, existem na Região Autónoma dos Açores diversos instrumentos financeiros de apoio à criação de novas empresas como, por exemplo, o Regime de Apoio ao Microcrédito Bancário, o Fundo de Investimento de Apoio ao Empreendedorismo dos Açores (FIAEA) ou o FINICIA Açores. No entanto, não foram identificadas iniciativas que se possam associar às actividades de Business Angel. Com este projecto pretendem-se identificar novas formas de financiamento à actividade empreendedora nos Açores, em particular ao nível da dinamização da actividade de Business Angel na Região. Deste modo, pretende-se disponibilizar aos empreendedores e às empresas locais um conjunto mais diversificado de soluções adaptadas às suas necessidades. Constituição de Entidades Veículo, Programa Compete No âmbito do programa Compete, foi lançada em 2009 uma iniciativa no sentido de fomentar a actividade de Business Angel através da constituição de entidades veículo. Estas entidades veículo são empresas detidas por Business Angels, que têm por política de investimento a participação em empresas em fase de constituição ou arranque, normalmente para o desenvolvimento de projectos de cariz inovador. O montante de financiamento atribuído a cada empresa veículo está limitado a euros, correspondendo este valor a um máximo de 65% dos valores de investimento a aplicar em novas empresas. As entidades veículo têm assim uma estrutura "óptima" de 770 mil euros, dos quais 500 mil são provenientes do Programa Compete e 270 mil euros dos próprios Business Angels. O modelo implementado assume-se como uma experiência piloto no mercado português, tendo por base modelos já validados internacionalmente, nomeadamente na Holanda. Graças a este programa, a comunidade de Business Angels portuguesa coloca ao dispor dos empreendedores portugueses um montante superior a 40 milhões de euros, disponível através de mais de 50 entidades veículo criadas para o efeito. A nível nacional, com o intuito de contribuir para o fortalecimento e incentivo da actividade de Business Angel, têm vindo a ser criadas diversas associações de Business Angels com diferentes âmbitos territoriais

96 A nível regional são exemplos a Associação de Business Angels de Santarém, a Associação de Business Angels do Alentejo, a Associação de Business Angels do Algarve, a Vima Angels, a Invicta Angels, entre outras. De âmbito nacional, destacam-se a Associação Portuguesa de Business Angels (APBA) e a Federação Nacional de Associações de Business Angels (FNABA), que procura representar as várias Associações de Business Angels existentes em Portugal. Associação Portuguesa de Business Angels (APBA) A APBA é uma associação criada em 2006, que tem como missão fomentar o desenvolvimento dos Business Angels em Portugal, de modo a desenvolver o espírito de empreendedorismo e a contribuir para o crescimento de uma economia vibrante e inovadora. Para o efeito, a APBA realiza regularmente diversas actividades, de entre as quais se destaca a organização da Semana Global do Empreendedorismo, iniciativa inserida num conjunto de 120 eventos que decorrem durante uma semana em mais de 120 países. Actualmente, a APBA possui mais de 150 associados a título individual, bem como um associado institucional (CEC Conselho Empresarial do Centro) e dois associados beneméritos (BES e EDP Inovação), que representam 10 milhões de euros de capital disponível para investimento em capital de risco informal. A APBA avaliou já mais de 200 projectos. De sinalizar ainda que a APBA é associada da EBAN European Business Angels Network. Federação Nacional de Associações de Business Angels (FNABA) A FNABA é uma entidade que tem como Missão representar os interesses de várias associações de Business Angels em Portugal, contribuindo para o fortalecimento e incentivo da sua actividade. Entre os objectivos principais da FNABA encontram-se a contribuição para o desenvolvimento de Redes de Business Angels em todo o território nacional; o incentivo à criação e dinamização de Associações de Business Angels e suas estruturas; ou a promoção das relações entre Business Angels, para manter uma aproximação e colaboração efectiva entre si. A FNABA é, presentemente, membro da European Business Angels Network e da World Business Angel Association

97 A expansão das redes de Business Angels à Região Autónoma dos Açores mostra-se um passo importante no sentido de dinamizar a actividade empreendedora no Arquipélago. Para esta expansão, será necessário identificar indivíduos dispostos a apoiar, financeiramente e com a sua experiência, empresas em fase nascente. Estes investidores poderão ser empresários da Região ou com ligações à mesma (por exemplo, descendentes de açorianos residentes fora mas com interesse em investir na Região). Adicionalmente, será importante, de modo a garantir o reforço do capital a disponibilizar aos projectos empreendedores, estabelecer parcerias com entidades bancárias, sociedades de capital de risco, entre outras. Impacto esperado por domínio do ecossistema: Capital humano Empresas e mercados Apoio financeiro Cultura empreend. Infra-estr. e serv. Apoio Políticas e programas AZORES ANGELS impacto forte; ++ - impacto médio; + - impacto reduzido Actividades: ACTIVIDADE 1. Envolvimento dos membros da rede; - Identificação de potenciais interessados nos Açores (empresários de sucesso, filantropos, mecenas, indivíduos influentes,...); - Identificação de potenciais interessados nas comunidades da diáspora Açoriana; ACTIVIDADE 2. Estruturação da rede de Business Angels nos Açores; - Definição de modelo organizativo; - Envolvimento de entidades parceiras (nomeadamente do sistema financeiro); - Definição dos modelos de investimento e respectiva avaliação; - Definição das formas de articulação e ligação às redes existentes a nível nacional e internacional; - Elaboração de estimativas orçamentais; - Elaboração de um plano de actividades. ACTIVIDADE 3. Implementação de uma rede de Business Angels nos Açores: - Disseminação da rede de Business Angels; - Implementação do plano de actividades e realização de investimentos

98 Cronograma: S 2S 1S 2S 1S 2S 1S 2S Activ. 1 Activ. 2 Activ. 3 Estimativa orçamental: Tipo A 81 81

99 Projecto 7. Enterprise Azores Nome: Enterprise Azores: Implementação de programa de promoção da visibilidade externa do ecossistema do empreendedorismo dos Açores Objectivos: Criar e consolidar a imagem externa do ecossistema do empreendedorismo dos Açores; Divulgar externamente e promover a visibilidade dos Açores como destino de excelência para os empreendedores; Publicitar os instrumentos e mecanismos de apoio à actividade empreendedora existentes na Região; Contribuir para uma melhoria da imagem dos empreendedores junto da população da Região. Descrição: Com a implementação do conjunto de iniciativas abrangidas pelo Plano Estratégico para Fomento do Empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores, o ecossistema do empreendedorismo da Região irá apresentar condições particularmente favoráveis ao empreendedorismo. Importa por isso comunicar para o exterior essas condições, dando visibilidade externa ao ecossistema do empreendedorismo dos Açores. Hoje em dia, a disseminação dessas vantagens é ainda tímida, sendo de destacar a acção da Agência para a Promoção do Investimento dos Açores (APIA), apesar de esta entidade não concentrar esforços específicos na área do empreendedorismo. No novo contexto gerado pelo Plano Estratégico para o Fomento do Empreendedorismo, é necessário que esta actividade da APIA seja complementada por uma acção promocional forte, capaz de colocar em evidência todos os novos mecanismos de apoio que irão ser instituídos na Região

100 Start-Ups from outside Ireland, Enterprise Ireland, Irlanda A Enterprise Ireland é uma organização governamental irlandesa orientada para a promoção da competitividade do país. A Entreprise Ireland trabalha em parceria com as empresas irlandesas, ajudando-as a crescer, inovar e ganhar mercados de exportação, apoiando o crescimento económico sustentável do país, o desenvolvimento regional e o emprego seguro e qualificado. Uma das áreas de actuação da Enterprise Ireland é a promoção da atracção de empreendedores a nível global, acomodando diferentes iniciativas dentro de uma área específica denominada Start-Ups from outside Ireland. No âmbito da Start-Ups from outside Ireland, a Enterprise Ireland realiza acções de promoção externa orientadas para informar os empreendedores das vantagens que existem para quem investe no país, sejam elas vantagens associadas a toda a envolvente, sejam associadas a apoios específicos à actividade empreendedora. Entre estes apoios destaca-se um fundo de 10 milhões de Euros destinados a atrair empreendedores estrangeiros para o território irlandês. No âmbito das acções comunicacionais do Start-Ups from outside Ireland foram desenvolvidos e disponibilizados online vídeos de curta duração focados nas vantagens competitivas do país, nos mecanismos de apoio ao empreendedorismo e em testemunhos pessoais de empreendedores internacionais que se estabeleceram no país. Para atingir os objectivos enunciados para o projecto, propõe-se o desenvolvimento de uma estratégia de comunicação alargada, com capacidade de abranger potenciais empreendedores exteriores à Região Autónoma dos Açores. Para tal, para além da definição de uma imagem e das mensagens prioritárias a associar ao ecossistema ( branding ), será fundamental analisar qual o melhor mix comunicacional a ser aplicado no sentido de utilizar de forma optimizada os recursos existentes. Será por isso necessário considerar uma vasta gama de instrumentos, que abrangem os mais variados meios de comunicação, capazes de transmitir a mensagem (promessa/proposta de valor) das mais variadas formas e para distintos públicos-alvo

101 Entre os meios a utilizar destaca-se à partida a internet, sobretudo pelo seu alcance global e pela facilidade de desenvolvimento e inserção de conteúdos. Note-se a necessidade de desenvolvimento de conteúdos multilingues, em particular em língua inglesa, que facilitem a divulgação do ecossistema do empreendedorismo a nível internacional. Um outro instrumento a considerar será seguramente a realização de eventos de networking, quer no exterior, quer na própria Região, procurando contribuir simultaneamente para a atracção de empreendedores e para a dinamização do espírito empreendedor da população. Programa de Fomento Cultura Emprendedora, Astúrias, Espanha O Programa de Fomento Cultura Emprendedora é uma iniciativa do Governo do Principado das Astúrias (Espanha) para impulsionar a cultura empreendedora na região. O Programa tem como objectivo geral melhorar os níveis de empreendedorismo nas Astúrias, alicerçando-se nos eixos: Fomento da cultura empreendedora; Fomento e consolidação do autoemprego; e Difusão e comunicação da cultura empreendedora. No que diz respeito à difusão da cultura empreendedora, o Programa contempla diversas actividades específicas, dentro e fora da região, que incluem: seminários e jornadas de disseminação, campanha nos meios de comunicação social, iniciativa web Emprendeastur (www.emprendeastur.es), publicação de livros e folhetos, e criação do Dia do Empreendedor Os eventos a promover deverão pautar-se por um forte carácter internacional, procurando contar com a colaboração/participação/apoio de figuras reputadas dos meios empresariais e académicos nacionais e estrangeiros, procurando rentabilizar ao máximo a forte presença da diáspora açoriana nos EUA e Canadá

102 Semana Global do Empreendedorismo A Semana Global do Empreendedorismo é um evento de carácter internacional que se realiza hoje em dia em mais de 100 países. A Semana Global do Empreendedorismo pretende sensibilizar a sociedade para a necessidade de uma cultura/atitude empreendedora e da capacidade de assumir riscos, assumindo os fracassos como forma de aprendizagem, por vezes necessária, para atingir grandes sucessos empresariais. A nível global, anualmente, durante o mês de Novembro, as entidades associadas ao projecto coordenam, em cada local, a organização de eventos orientados para inspirar uma cultura de empreendedorismo. Entre as actividades promovidas durante esta semana encontram-se: competições de start-ups; prémios para jovens empreendedores; competição de ideias de negócio em tecnologias limpas; fóruns em empreendedorismo social; jogos de inovação; sessões de pitching com júris especializados e com os vencedores a assegurarem financiamento. Em Portugal, a Semana Global do Empreendedorismo de 2011 foi coordenada pela APBA (Associação Portuguesa de Business Angels) e pela SEDES (Associação para o Desenvolvimento Económico e Social). Impacto esperado por domínio do ecossistema: Capital humano Empresas e mercados Apoio financeiro Cultura empreend. Infra-estr. e serv. Apoio Políticas e programas ENTERPRISE AZORES impacto forte; ++ - impacto médio; + - impacto reduzido 85 85

103 Actividades: ACTIVIDADE 1. Preparação de um Plano de Comunicação: - Identificação do posicionamento pretendido; - Segmentação e identificação dos públicos-alvo; - Elaboração da estratégia de copy (mensagem) e de branding; - Identificação do mix comunicacional pretendido; ACTIVIDADE 2. Definição de Agenda de eventos e actividades: - Definição do calendário de eventos a organizar, a incluir actividades existentes e novas actividades, a identificar; - Definição de uma agenda de participação em eventos externos relevantes, a nível nacional e internacional. ACTIVIDADE 3. Implementação do Plano de Comunicação e da Agenda de eventos e actividades: - Desenvolvimento e aplicação dos materiais comunicacionais de qualidade, com informação relevante, que deverão, sempre que adequado, ser bilingues, de acordo como o definido no Plano de Comunicação; - Reforço da presença do ecossistema do empreendedorismo dos Açores na internet, através do desenvolvimento de uma página Web de grande qualidade, no mínimo, bilingue; - Implementação da Agenda de eventos e actividades. Cronograma: S 2S 1S 2S 1S 2S 1S 2S Activ. 1 Activ. 2 Activ. 3 Estimativa orçamental: Tipo B 86 86

104 4.3. Síntese Considerando os projectos propostos e as iniciativas já no terreno (implementadas ou ainda em fase de maturação), é possível identificar as ligações e relações existentes entre eles. Ao nível das infra-estruturas e serviços de apoio, a iniciativa do Parque Tecnológico Nonagon poderá constituir-se como a base natural para a instalação da incubadora de referência do arquipélago (projecto Incuba Açores). Por sua vez, será esta incubadora que se poderá vir a constituir como plataforma central do Business & Innovation Center dos Açores (projecto BIC Azores). Note-se que, apesar de estar localizada em São Miguel, os serviços a prestar pela incubadora / BIC poderão ter uma componente de incubação sem paredes que poderá ter como agente facilitador, nas diferentes ilhas, a rede de Gabinetes do Empreendedor já existente (Figura 15). Parque tecnológico Incubadora Nonagon Incuba Azores BIC Azores Gabinetes do empreendedor Figura 15. Principais iniciativas incluídas no Plano ao nível das infra-estruturas e serviços de apoio. Legenda: A cor mais escura representa as novas iniciativas propostas. A cor mais clara as iniciativas já lançadas. Por seu turno, ao nível do financiamento, a dinamização nos Açores de uma rede de Business Angels (projecto Azores Angels) vem permitir completar o leque de tipologias de apoio financeiro inerentes às diferentes fases do processo empreendedor. Para além dos apoios não reembolsáveis (sobretudo com base no Empreende Jovem, mas onde se podem incluir outros apoios, como os existentes no âmbito do PRORURAL), existem já na Região iniciativas promotoras do microcrédito (Regime de Apoio ao Microcrédito Bancário) e do Capital de Risco (Fundo de Investimento de Apoio ao Empreendedorismo dos Açores - FIAEA) (Figura 16)

105 Não reembolsável Microcrédito Capital de Risco Business Angels Banca comercial Empreende jovem Outros (Prorural, ) Regime de apoio ao microcréd. bancário FIAEA Azores angels Ofertas comerciais para empreend. Figura 16. Principais iniciativas incluídas no Plano ao nível do financiamento da actividade empreendedora. Legenda: A cor mais escura representa as novas iniciativas propostas. A cor mais clara as iniciativas já lançadas. No que se relaciona com a cultura empreendedora, foi tida em consideração a necessidade de existirem tipologias de acção orientadas para diferentes tipos de públicos, com necessidades específicas. Deste modo, estão previstas iniciativas orientadas para a familiarização com a temática do empreendedorismo junto do público mais jovem (Educação Empreendedora), junto de um público com formação elevada (actividades promovidas pelo Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores) e junto da população, com menos qualificações, relacionada com a promoção dos produtos endógenos na área rural ou das pescas (projecto Empreende Açores). Com carácter transversal, abertas à população destacam-se as iniciativas previstas no âmbito do Enterprise Azores. Este projecto poderá integrar de forma coordenada iniciativas já existentes, como o Concurso Regional de Empreendedorismo ou outros eventos no âmbito do fomento da cultura empreendedora na Região. Note-se que estas iniciativas terão naturalmente relações fortes com aquelas mencionadas ao nível do financiamento e das infra-estruturas e serviços de apoio (nomeadamente a incubadora), que terão seguramente um papel relevante na materialização de novos projectos empresariais (Figura 17). Escolas Universidade População com menor qualificação Educação empreendedora Acções do Centro de Empr. da UAc Concurso Empreende Regional de Açores empreend. População em geral Enterprise Azores (componente regional) Figura 17. Principais iniciativas incluídas no Plano ao nível do fomento da Cultura empreendedora. Legenda: A cor mais escura representa as novas iniciativas propostas. A cor mais clara as iniciativas já lançadas. Com um carácter internacional, e tendo como missão o estabelecimento de ligações entre o ecossistema do empreendedorismo dos Açores e o exterior, destaca-se claramente o projecto Start-up Azores, que poderá partir das bases já lançadas pela Rede Prestige Azores 88 88

106 para materializar uma rede internacional de mentores e de embaixadores do programa e, consequentemente, do referido ecossistema. O Start-up Azores deverá também articular-se com o Parque Tecnológico e com a sua incubadora, no sentido de poder oferecer condições particularmente favoráveis à instalação de empreendedores. Paralelamente, deverá assumir um papel pró-activo na ligação com as diferentes fontes de financiamento previstas. Note-se que, para uma maior visibilidade internacional do programa e do ecossistema do empreendedorismo da Região, será importante que a sua estratégia comunicacional se articule com aquela que é proposta no âmbito do projecto Enterprise Azores (Figura 18). Parque tecnológico Incubadora Nonagon Incuba Azores BIC Azores Universidade Acções do Centro de Empr. da UAc Não reembolsável Start-up Azores Rede Prestige Azores Enterprise Azores Empreende jovem Outros (Prorural, ) Capital de Risco FIAEA Business Angels Azores angels Banca comercial Ofertas comerciais para empreend. Figura 18. Principais relações a estabelecer entre o Start-up Chile e outras iniciativas. Legenda: A cor mais escura representa as novas iniciativas propostas. A cor mais clara as iniciativas já lançadas. Por fim, merece ainda referência o Observatório do Empreendedorismo que, não se relacionando directamente com outros projectos e iniciativas específicas, permitirá acompanhar a implementação de todos eles e avaliar os seus principais resultados e impactos, acompanhando a evolução de todo o ecossistema do empreendedorismo da Região. Assim sendo, e considerando a globalidade das iniciativas incluídas neste Plano estratégico, é possível obter a seguinte representação esquemática (Figura 19)

107 Parque tecnológico Incubadora Nonagon Incuba Azores BIC Azores Gabinetes do empreendedor Escolas Universidade População com menor qualificação Educação empreendedora Não reembolsável Acções do Centro de Empr. da UAc Start-up Azores Concurso Empreende Regional de Açores empreend. Microcrédito Capital de Risco Business Angels Rede Prestige Azores População em geral Enterprise Azores (componente regional) Banca comercial Enterprise Azores (componente externa) Empreende jovem Outros (Prorural, ) Regime de apoio ao microcréd. bancário FIAEA Azores angels Ofertas comerciais para empreend. Observatório do Empreendedorismo Figura 19. Representação esquemática das principais iniciativas consideradas no Plano Estratégico para o Fomento do Empreendedorismo. Legenda: A cor mais escura representa as novas iniciativas propostas. A cor mais clara as iniciativas já lançadas

108 5. MECANISMOS DE IMPLEMENTAÇÃO, ACOMPANHAMENTO E GESTÃO 5. Mecanismos de implementação, acompanhamento e gestão 91 91

109 5. Mecanismos de implementação, acompanhamento e gestão Para a materialização deste Plano, importa definir o enquadramento normativo adequado, que resulte transparente e de fácil compreensão para os diferentes actores do ecossistema do empreendedorismo da Região. Atendendo à relevância transversal do empreendedorismo como impulsionador da competitividade, do crescimento económico e do emprego de uma Região, propõe-se que este enquadramento possa ser definido num diploma legal, que permita considerar as diferentes iniciativas de promoção do empreendedorismo, em curso e previstas, promovidas por diferentes tipos de entidades. Note-se que este enquadramento poderá com vantagem consubstanciar-se na definição de um Sistema de Incentivos ao Empreendedorismo, cujas condições de acesso e respectivas regras gerais de atribuição sejam objecto de decreto regulamentar regional próprio. Assim, é proposto desde já que este Sistema de Incentivos se organize em Eixos, Medidas e Tipologias de apoio alinhados com a Estratégia de intervenção definida neste documento. Deste modo, os Eixos estarão alinhados com as Linhas de Orientação estratégica preconizadas, da mesma forma em que as Medidas deverão cobrir de uma forma abrangente os objectivos estratégicos estabelecidos e as Tipologias de apoio deverão procurar abranger as diferentes iniciativas, propostas ou existentes, a levar a cabo para implementação deste Plano. Assim, tendo em consideração a tipologia de iniciativas consideradas no âmbito deste Plano, e de uma forma sintética, é possível adiantar a seguinte proposta de estruturação deste Sistema de Incentivos (Tabela 3)

110 Tabela 3. Síntese da proposta de Sistema de Incentivos ao Empreendedorismo. Eixos Medidas Tipologias de apoio I Cultura empreendedora I.1 Promover a familiarização com a actividade empreendedora A B Apoio à realização de acções de promoção do empreendedorismo nas escolas Apoio à realização de acções de formação especializada em temáticas relacionadas com o empreendedorismo I.2 Aumentar o reconhecimento da actividade empreendedora A B Apoio à realização de eventos de divulgação da cultura empreendedora Apoio à realização de concursos de empreendedorismo II Infra-estruturas e serviços de apoio II.1 Fomentar a qualidade e a variedade dos serviços de aconselhamento e de consultoria aos empreendedores A B C Apoio ao reforço das competências das estruturas de apoio ao empreendedorismo Apoio à participação em redes internacionais de apoio ao empreendedorismo Apoio técnico à criação de novos projectos empresariais II.2 Consolidar a rede de infraestruturas de apoio aos empreendedores A Apoio à criação de estruturas de apoio ao empreendedorismo III Financiamento III.1 Assegurar a existência de formas de financiamento associadas à actividade empreendedora A B C Apoio à criação de entidadesveículo na área dos Business Angel Apoio à disponibilização de fundos de capital de risco Apoio à disponibilização de microcrédito bancário III.2 Promover a existência de apoios financeiros públicos à actividade empreendedora A B Apoio financeiro à criação de novos projectos empresariais Apoio à aquisição de serviços de apoio à actividade empreendedora IV Assistência técnica IV.1 Acompanhamento e controlo IV.2 Outras actividades A A Realização de estudos sobre a temática Apoio à realização de acções de comunicação externa 93 93

111 Deste modo, o Sistema de Incentivos proposto prevê a existência de quatro eixos (três considerados estruturantes 11 e um de assistência técnica), oito medidas e quinze tipologias de apoio. É possível relacionar estas tipologias de apoio com as iniciativas (propostas e em curso) de acordo com a seguinte Tabela (Tabela 4). Tabela 4. Relação entre as iniciativas propostas e existentes e as tipologias de apoio previstas no Sistema de Incentivos proposto. Projectos Medida I.1.A I.1.B I.2.A I.2.B II.1.A II.1.B II.1.C II.2.A III.1.A III.1.B III.1.C III.2.A III.2.B IV.1.A IV.2.A Iniciativas propostas Principais iniciativas em curso Start-up Azores Empreende Açores Incuba Açores BIC Azores Observatório do Empreendedorismo Azores Angels Enterprise Azores Programa Educação Empreendedora Centro de Empreendedorismo na Universidade dos Açores Concurso Regional de Empreendedorismo Nonagon Rede de Gabinetes do Empreendedor Rede Prestige Azores Empreende Jovem Regime de Apoio ao Microcrédito Bancário FIAEA 11 De forma a simplificar a Estrutura do Sistema de Incentivos e a facilitar a sua aplicação e a sua compreensão pelos potenciais beneficiários foram apenas considerados três eixos, correspondentes aos domínios do Ecossistema com maior potencial de definição de intervenções autónomas de incentivo ao empreendedorismo: Cultura empreendedora, Infra-estruturas e serviços de apoio e Financiamento

112 Note-se que o Sistema de Incentivos foi desenhado por forma a prever a sua abertura à participação dos diferentes actores do ecossistema do empreendedorismo da Região, permitindo o seu envolvimento de forma activa na materialização deste Plano. Procura-se assim optimizar a utilização dos recursos públicos na consecução dos objectivos deste Plano Estratégico. Estrutura de acompanhamento e gestão Independentemente da definição, ou não, do quadro normativo e do Sistema de Incentivos proposto, a implementação do Plano Estratégico para o Fomento do Empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores deve ser avaliada permanentemente. Só desta forma é possível aferir os resultados e impactos das iniciativas colocadas em prática e identificar aspectos que possam contribuir para eventuais melhorias da estratégia proposta. No sentido de operacionalizar a estratégia, implementar os mecanismos de monitorização e fazer o necessário acompanhamento, será aconselhável criar uma estrutura de acompanhamento e gestão adequada. Pela natureza transversal das estratégias para o fomento do empreendedorismo, o seu acompanhamento requer uma forte articulação entre os vários órgãos de Governo e uma coordenação ao mais alto nível. Será também necessário promover o envolvimento da sociedade nas diferentes vertentes da implementação do Plano. Sugere-se assim que a estrutura a criar possa vir a apresentar a seguinte configuração: - Coordenação Executiva: Órgão responsável pela coordenação do Plano. Composição a indicar pelo Governo Regional. Deverá ser suportado pelo Grupo de Trabalho; - Grupo de Trabalho: Órgão executivo responsável pela implementação do Plano Estratégico, em particular pela dinamização dos projectos definidos. Poderá ter como base o Grupo de Trabalho responsável pelo acompanhamento do presente trabalho; - Conselho Regional para o Empreendedorismo: Órgão com carácter consultivo. Deverá envolver membros do Governo Regional e personalidades reconhecidas do mundo empresarial e académico. Sugere-se que possa ser presidido pelo Presidente do Governo Regional. Este Conselho será particularmente importante no acompanhamento estratégico do Plano e na avaliação da evolução do ecossistema empreendedor da Região

113 Indicadores de acompanhamento do Plano No sentido de monitorizar a implementação do Plano, é sugerido um conjunto de indicadores que deverá ser acompanhado de forma continuada. Pretendeu-se que este conjunto de indicadores fosse limitado e abrangesse de forma integrada os domínios estruturantes do ecossistema do empreendedorismo (Tabela 5). Tabela 5. Principais indicadores de acompanhamento do Plano. Domínio Capital humano Empresas e mercados Apoio financeiro Cultura empreendedora Infra-estruturas e serviços de apoio Indicador Número de empreendedores oriundos do exterior da Região apoiados pelo programa Start-Up Azores Número de empreendedores apoiados pelo BIC Azores Número de empreendedores que recebem apoio (formação ou consultoria) no âmbito do projecto Empreende Açores Número de PME apoiadas pelo BIC Azores Número de especialistas integrados na Rede de Mentores Número de empresas criadas no âmbito do projecto Empreende Açores Número de redes internacionais integradas pela incubadora Número de redes internacionais integradas pelo BIC Azores Número de candidaturas ao programa Start-up Azores Número de solicitações de apoio recebidas pela Associação de Business Angels Número de projectos apoiados pela Associação de Business Angels Número de investidores atraídos para a Associação de Business Angels Afluência a eventos de promoção do empreendedorismo Número de eventos organizados pela Associação de Business Angels Número de participantes nos concursos regionais de empreendedorismo e ideias Número de referências a actividade empreendedora na comunicação social local Número de candidaturas à incubadora recebidas Número de empresas incubadas Nível de satisfação dos utilizadores dos serviços do BIC Nível de satisfação dos utilizadores da incubadora Número de solicitações recebidas pelo Observatório do Empreendedorismo para prestação de serviços Número de relatórios/publicações editados anualmente pelo Observatório do Empreendedorismo 96 96

114 Indicadores de evolução do ecossistema do empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores No sentido de avaliar o impacto do Programa no ecossistema do empreendedorismo, é sugerido o seguimento de um conjunto de indicadores de evolução (Tabela 6). De referir que o ecossistema do empreendedorismo se constitui como um sistema dinâmico, afectado não só pelas medidas directas de promoção do empreendedorismo mas também por um vasto conjunto de políticas governamentais (entre as quais políticas na área da educação e formação, ciência e tecnologia, cultura, juventude, trabalho, etc.) e de factores (entre os quais merece destaque o panorama económico internacional). Tabela 6. Principais indicadores de evolução do ecossistema do empreendedorismo na Região Autónoma dos Açores Domínio/ Indicador Fonte Valor de base Período de referência Indicadores globais Taxa de Actividade Empreendedora GEM Açores 3,5% 2010 Taxa de Actividade Empreendedora feminina Taxa de Actividade Empreendedora anos Taxa de Actividade Empreendedora anos GEM Açores 1,0% 2010 GEM Açores 4,9% 2010 GEM Açores 4,8% 2010 Capital humano Proporção da população com ensino secundário completo Proporção da população com ensino superior completo INE 10,% 2011 INE 8,4% 2011 Nível de educação e formação GEM Açores -0, Empresas e mercados Taxa de desemprego INE 11,6 % 3.º Trim N.º total de empresas SREA Valor determinado através de avaliação efectuada por especialistas regionais, no âmbito do GEM Açores 2010, mediante uma escala de Likert com uma gama de valores entre -2 (insuficiente) e 2 (suficiente)

115 Domínio/ Indicador Fonte Valor de base Período de referência Taxa de natalidade das empresas SREA 19,04 % 2009 Taxa de sobrevivência das empresas (a 2 anos) Proporção do VAB das empresas em sectores de alta e média-alta tecnologia Proporção dos nascimentos de empresas em sectores de alta e média-alta tecnologia Peso das empresas nas despesas em ID da Região N.º de postos de trabalho criados nas novas empresas % de empreendedores early-stage que têm clientes internacionais Nível de abertura do mercado/barreiras à entrada SREA 46,06 % 2009 SREA 1,36 % 2009 SREA 1,83 % 2009 SREA 14,8% N.D. GEM Açores 65,8 % 2010 GEM Açores -0, Políticas e programas N.º de empresas criadas, apoiadas por sistemas de incentivos (SIDER, PRORURAL, PROPESCAS, ) N.º candidaturas SIFIDE Investimento elegível candidaturas SIFIDE N.D. N.D. N.D. Nível das políticas governamentais GEM Açores -0, Nível dos programas governamentais GEM Açores -0, Apoio financeiro Montante concedido ao abrigo do sistema de microcrédito N.º de projectos apoiados por fundos de capital de risco Venture capital (% PIB) N.D. N.D. N.D

116 Domínio/ Indicador Fonte Valor de base Período de referência Crédito privado concedido a empresas (% PIB) N.D. Nível de apoio financeiro GEM Açores -0, Cultura empreendedora N.º de participantes em iniciativas dirigidas ao ensino básico N.º de participantes em iniciativas dirigidas ao ensino secundário N.º de alunos inscritos em cadeiras de empreendedorismo no ensino superior N.D. N.D. N.D. Nível de normas sociais e culturais GEM Açores -0, Infra-estruturas e serviços de apoio Número de empresas instaladas em Parques de Ciência e Tecnologia Número de empresas incubadas em incubadoras de empresas % de empresas com acesso a banda larga Nível de acesso a infra-estruturas físicas Nível de infra-estrutura comercial e profissional N.D. N.D. N.D. GEM Açores 0, GEM Açores -0, N.D. Não disponível

117 BIBLIOGRAFIA Bibliografia

118 Bibliografia Documentos, livros e artigos Centro de Empreendedorismo, SPI Ventures e Governo dos Açores (2011). GEM Açores 2010 Estudo sobre o Empreendedorismo. Decreto Legislativo Regional n.º 25/2010/A, de 2 de Julho - Regulamento do Empreende Jovem Direcção Regional de Apoio ao Investimento e à Competitividade. Revista Empreender. Números de 1 a 11. Direcção Regional de Apoio ao Investimento e à Competitividade (2007). Manual do Empreendedor. Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação e Associação Portuguesa de Capital de Risco e de Desenvolvimento (2006). Guia Prático do Capital de Risco. Instituto Nacional de Estatística (2011). Censos Resultados Provisórios. Instituto Nacional de Estatística (2011). Estatísticas do Comércio Internacional Instituto Português da Qualidade (2007). NP 4456: Gestão da Investigação Desenvolvimento e Inovação (IDI). Terminologia e definições das actividades de IDI International Association of Science Parks (2002). IASP International Board, 6 February Isenberg, Daniel (2010). How to Start an Entrepreneurial Revolution. Harvard Business Review Article. Kelley, Donna, Bosma Niels e Amorós, José Ernesto (2011). Global Entrepreneurship Monitor 2010 Global Report. Lei 40/2005, de 3 de Agosto. Cria o SIFIDE, sistema de incentivos fiscais em investigação e desenvolvimento empresarial. Observatório do Emprego e Formação Profissional (2011). Inquérito aos estudantes da Universidade dos Açores, Ano lectivo 2010/2011. Programa Estratégico para o Empreendedorismo e a Inovação +E +I. Resolução de Conselho de Ministros n.º 54/2011, de 16 de Dezembro, e Declaração de Rectificação n.º 35/2011, de 21 de Dezembro. Saraiva, Pedro (2011). Empreendedorismo: do Conceito à Aplicação, da Ideia ao Negócio, da Tecnologia ao Valor. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra. Serviço Regional de Estatística dos Açores (2011). Anuário Estatístico da Região Autónoma dos Açores

119 Tom Fleming Creative Consultancy, Horwath Parsus, Opium Lda, Gestluz e Comedia (2008). Estudo Macroeconómico - Desenvolvimento de um Cluster das Indústrias Criativas na Região Norte. Promotores: Fundação de Serralves, em parceria com a Junta Metropolitana do Porto, a Casa da Música e a Sociedade de Reabilitação Urbana da Baixa Portuense. Universidade dos Açores (2011). Relatório e Contas, Sites Consultados Agência para a Promoção do Investimento dos Açores: Aicep Portugal Global: Associação Nacional de Direito ao Crédito: Associação Portuguesa de Business Angels: Babson College - Babson College, Babson Entrepreneurship Ecosystem Project (BEEP): Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo: Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada: Câmara Municipal da Praia da Vitória: Câmara Municipal de Ponta Delgada: Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores: Direcção Regional da Educação e Formação: Direcção Regional da Juventude: Direcção Regional de Apoio ao Investimento e à Competitividade: Direcção Regional de Ciência, Tecnologia e Comunicações: Dublin Business Innovation Centre: Enterprise Ireland: European Business & Innovation Centre Network: Federação Nacional de Associações de Business Angels: FINICIA Açores:

120 Fundo de Investimento de Apoio ao Empreendedorismo dos Açores: Global Entrepreneurship Monitor: Instituto Nacional de Estatística: IPN-Incubadora: National Business Incubation Association: Observatório do Empreendedorismo Jovem, Instituto de Tecnologia de Kavala: Observatório do Empreendedorismo, Eslovénia: ParcBIT: PRO-EMPREGO- Programa Operacional do Fundo Social Europeu para a Região Autónoma dos Açores : Programa Compete, Constituição de Entidades Veículo: Programa de Fomento Cultura Emprendedora: Programa EXIST Start-ups de Base Universitária: Programa Start-Up Chile: PROPESCAS Programa Operacional das Pescas para a Região Autónoma dos Açores : PRORURAL Programa de Desenvolvimento Rural da Região Autónoma dos Açores : Rede Canária Rural: Rede de Lojas Aldeias do Xisto: SIDER - Sistema de Incentivos para o Desenvolvimento Regional dos Açores: UNIEMPRENDE: Universidade do Porto:

121 ANEXO ESTUDOS DE CASO Anexo Estudos de Caso

122 Estudo de caso 1 EXIST Iniciado em 1997, o Programa EXIST Start-ups de Base Universitária é uma iniciativa do Ministério Federal de Economia e Tecnologia da Alemanha, destinada à melhoria do ambiente empreendedor em universidades e instituições de investigação e ao aumento do número de start-ups de base tecnológica e intensivas em conhecimento. O Programa enquadra-se na Estratégia Hightech para a Alemanha do Governo e é cofinanciado pelo Fundo Social Europeu. O EXIST assenta, fundamentalmente, em três eixos: a promoção de uma cultura empreendedora, o financiamento de start-ups e a facilitação da transferência de tecnologia. Tendo em conta estes aspectos-chave do Programa, conclui-se que se enquadra num dos critérios apresentados no capítulo anterior, nomeadamente o facto de abordar políticas/programas/acções/medidas de apoio à actividade empreendedora, com sucesso comprovado. Objectivos O Programa EXIST tem quatro objectivos principais: Criar uma cultura empreendedora permanente no ensino, investigação e administração, nas instituições do ensino superior; Externalizar o conhecimento para a economia de acordo com a responsabilidade em temos de transferência de tecnologia por parte das instituições do ensino superior; Promover o enorme potencial existente em instituições do ensino superior e centros de investigação para criar negócios ou empreendedores; Aumentar significativamente o número de start-ups inovadoras, o que resultará na criação de novos e mais seguros empregos. Enquadramento regional/nacional/internacional Se de início o Programa se focava apenas em redes universitárias em cinco regiões alemãs, a sua extensão foi crescendo, abrangendo agora todo o País e a maioria das universidades e centros de investigação. Assim, o Programa EXIST adopta uma postura nacional, potenciando empreendedores e start-ups alemãs que actuem ao nível do País

123 Por outro lado, o enfoque do Programa continua a ser um modelo de cooperação regional, onde universidades, centros de investigação e empresas colaboram para levar a bom porto a iniciativa, o que garante a visibilidade de projectos de menor dimensão, que poderiam passar despercebidos caso o enfoque do Programa fosse exclusivamente nacional. Recursos físicos e humanos Em termos de recursos humanos, além de uma equipa de apoio altamente experiente e da colaboração com diversas entidades externas (empresas, ministérios, câmaras de comércio, autarquias, entre outras), o Programa inclui um conselho de consultores com onze membros, provenientes do mundo empresarial e financeiro, universitário e científico. Este conselho apoia não só as redes regionais no desenvolvimento e implementação dos seus planos, mas também o Ministério da Economia e Tecnologia em tarefas transversais, como a identificação de fontes de financiamento para as actividades do Programa. Quanto aos recursos físicos, estes dizem respeito, como é natural, às infra-estruturas de todas as entidades envolvidas no Programa que, como referido, são numerosas a nível nacional e internacional. Adicionalmente, existem ainda os recursos materiais disponíveis para os vários empreendedores e start-ups. Áreas de actividade e serviços O Programa EXIST assenta em três eixos complementares: a promoção de uma cultura empreendedora, o financiamento de start-ups e a facilitação da transferência de tecnologia. Promoção de uma cultura empreendedora Financiamento de startups Facilitação da transferência de tecnologia Os três eixos do Programa EXIST

124 Primeiro eixo: promoção de uma cultura empreendedora Este eixo subsidia projectos nas universidades que permitam desenvolver uma infraestrutura de apoio a empreendimentos inovadores de base tecnológica e intensivos em conhecimento. Os projectos podem receber um apoio financeiro do Ministério da Economia e Tecnologia durante três anos e devem ter como principais objectivos: Estabelecer uma cultura empreendedora duradoura nas universidades e centros de investigação; Apoiar a transferência e comercialização de conhecimento científico; Promover, de forma organizada, o enorme potencial de negócio e de ideias empreendedoras em universidades e centros de investigação; Aumentar o número e as hipóteses de sucesso de start-ups inovadoras. Segundo eixo: financiamento de start-ups Este eixo procura apoiar a criação de start-ups inovadoras, desenvolvidas através de projectos nas universidades e centros de investigação, mediante a concessão de bolsas aos empreendedores. Estas bolsas destinam-se assim a cientistas, licenciados e estudantes universitários e têm como objectivo a transformação de ideias de negócio em produtos e serviços comercializáveis. Para cobrir as suas despesas, os empreendedores recebem bolsas entre os 800 e os EUR por mês, dependendo do seu grau de formação, por um período máximo de 12 meses. Além disso, recebem ainda materiais e equipamentos (no valor de EUR para projectos individuais e EUR para projectos em equipa), financiamento para formação (5.000 EUR) e, caso necessário, 100 EUR por mês por cada criança à responsabilidade dos empreendedores. As universidades e os centros de investigação oferecem as infra-estruturas durante a fase pré-start-up e apoio técnico e administrativo. Terceiro eixo: facilitação da transferência de tecnologia Este eixo promove negócios de base tecnológica, nas fases pré-start-up ou start-up, complementando o eixo anterior, mais amplo e não centrado apenas nas empresas de alta tecnologia. Está dividido em duas fases de financiamento: Na primeira fase, o Programa apoia as equipas de investigação das universidades e centros de investigação na demonstração da viabilidade dos seus produtos ou ideias e na preparação da start-up. Para o efeito, o Programa subsidia as despesas de pessoal de três membros e disponibiliza ainda EUR para materiais e

125 equipamentos. Após um ano, o financiamento pode ser alocado a mais um colaborador especialista em gestão; Na segunda fase, uma vez estabelecidas, as novas empresas de base tecnológica podem ser financiadas até EUR para continuar o desenvolvimento dos produtos. Todas as candidaturas devem ser apresentadas às respectivas universidades e/ou centros de investigação. Perfil das empresas apoiadas Sendo um programa que actua junto de universidades e centros de investigação, as empresas apoiadas são maioritariamente de base tecnológica ou de conhecimento especializado, relacionadas com ciências da saúde, tecnologias de informação e consultoria, por exemplo. Entre os exemplos de empresas apoiadas, destacam-se: Kreuzverweis Solutions Gmbh: uma spin-off da Universidade de Koblenz-Landau, que pretende revolucionar o conceito de pesquisa num computador, associando tags automáticas a vídeos e imagens, que, caso contrário, teriam de ser identificadas pelos utilizadores; Orcan Energy Gmbh: uma spin-off da Universidade de Munique que comercializa um equipamento que gera electricidade através do calor libertado por outras máquinas, por exemplo da indústria ou dos automóveis. Destaca-se de outras soluções semelhantes no mercado por ser mais pequeno, leve e barato; Opto-medical Technologies Gmbh: criada por membros do Instituto de Óptica Biomédica da Universidade de Luebeck, esta start-up oferece uma nova técnica de tomografia não invasiva, semelhante aos ultra-sons, mas com uma maior resolução, o que facilitará o diagnóstico de várias doenças. Parcerias e colaborações Sendo um programa directamente coordenado pelo Governo Alemão, o EXIST procura fomentar a colaboração entre as várias universidades e centros de investigação e apoiar, ao nível técnico e financeiro, os projectos dos seus membros. As parcerias e colaborações dos organismos de gestão do Programa com entidades externas prendem-se com consultores técnicos, câmaras do comércio e associações empresariais. Por outro lado, o Programa incentiva também a internacionalização das start-ups criadas o melhor exemplo desta atitude é a iniciativa Aceleradora Alemã de Silicon Valley, que procura

126 oferecer uma experiência num dos maiores e mais importantes centros tecnológicos mundiais, onde os empreendedores poderão, não só melhorar as suas competências, mas também estabelecer contactos no concorrido mercado americano que permitam dar início à internacionalização dos seus negócios. Estratégia de curto/médio prazo Em vigor desde 1997, o Programa conheceu já várias fases diferentes, procurando envolver, cada vez mais, um número maior de universidades e centros de investigação alemães. A sua estratégia de curto/médio prazo passa por continuar o trabalho bem sucedido que tem sido desenvolvido e maximizar as potencialidades da Alemanha nas áreas tecnológicas e científicas. Mais informação

127 Estudo de caso 2 Start-up Chile O segundo estudo de caso analisado refere-se ao Programa Start-Up Chile, uma iniciativa inovadora criada pelo Ministério Chileno de Economia e gerida pela Corporación de Fomento de la Producción (CORFO), através do seu Programa InnovaChile, que promove acções de apoio à inovação e à transferência de tecnologia. O objectivo do Programa Start-Up Chile é a atracção de empreendedores estrangeiros de alto potencial para o País, de forma a converter o Chile no ecossistema mais inovador e empreendedor da América Latina. Este estudo de caso aborda uma iniciativa pública de apoio à actividade empreendedora de desenho muito inovador, com sucesso comprovado, como demonstram os números de captação de investimento para os projectos apoiados pelo Start-Up Chile, num país com um PIB per capita ligeiramente inferior ao dos Açores (aproximadamente EUR, em 2010, face aos EUR dos Açores). Para além disso, este estudo apresenta uma iniciativa que proporciona um apoio transversal à actividade empreendedora de alto conteúdo inovador e tecnológico. Desta forma, a relevância deste estudo de caso é muito significativa no âmbito do presente projecto, tendo em conta os critérios de selecção apresentados no Capítulo 1. Objectivos O Start-Up Chile é um programa de incubação de negócios de alto potencial que visa criar um ecossistema empreendedor local como plataforma global de criação de empresas, estabelecendo assim o Chile como o país mais inovador e empreendedor da América Latina, pela conexão de empreendedores locais e estrangeiros em redes dinâmicas e diversas. Enquadramento regional/nacional/internacional Até ao momento, todas as empresas seleccionadas para o Start-Up Chile têm os seus escritórios na capital, Santiago, uma cidade com cerca de 5 milhões de habitantes e o centro económico e financeiro do Chile, que gera anualmente cerca de 45% do seu PIB. No entanto, o Programa tem como objectivo o desenvolvimento do Chile como um todo, pelo que o âmbito do projecto é nacional, com perspectivas de ligação internacional, procurando atrair capital estrangeiro e fomentar a criação de emprego de carácter transnacional. Assim, durante a 1ª ronda de candidaturas de 2011, foram aprovadas

128 iniciativas empresariais de empreendedores provenientes de países tão diferentes como Índia, Zimbabué, Portugal, Canadá e Estados Unidos da América. O Programa está também interessado em expandir constantemente a sua rede de parceiros e ligar o Chile aos principais centros de inovação e empreendedorismo a nível mundial, estabelecendo ligações entre os empreendedores locais e internacionais, de forma a aproveitar o know-how de cada um e as sinergias destas colaborações. Está também previsto o apoio à internacionalização dos negócios estabelecidos ao abrigo do Start-Up Chile, por exemplo, através do financiamento de viagens e missões ao estrangeiro. Recursos físicos e humanos A gestão e coordenação do Start-Up Chile são realizadas por uma equipa jovem, enérgica e dinâmica, proveniente das mais variadas áreas e empenhada em mudar a situação do empreendedorismo no País. Com uma grande variedade de competências e experiências no mercado de trabalho, a equipa de recursos humanos do Start-Up Chile é composta por 11 especialistas, que tratam da gestão de todo o processo, incluindo aspectos financeiros e técnicos. Adicionalmente, o Programa inclui também um conselho consultivo, constituído por oito membros, provenientes de vários países, todos eles figuras de renome na área do empreendedorismo e que apoiam a equipa do Start-Up Chile na tomada das decisões estratégicas mais importantes. Neste conselho encontram-se figuras provenientes de universidades de prestígio, como a Universidade de Stanford e a Universidade de Duke, e personalidades do mundo empresarial, de empresas tão relevantes como a Hewlett Packard e a Concha y Toro. Quanto a recursos físicos, o Programa disponibiliza espaço físico temporário às empresas que se instalarem no Chile para o desenvolvimento da sua actividade. Áreas de actividade e serviços Como referido, o Start-Up Chile ambiciona tornar o Chile no centro de inovação e empreendedorismo da América Latina, procurando, por isso, atrair os melhores empreendedores a nível mundial e fornecer-lhes todas as condições necessárias para levar a sua empresa a bom porto. Assim, o Programa fornece, entre outras coisas, o acesso a uma rede de mentores, a possibilidade de assistir a eventos semanais para estabelecimento de contactos e apoio especializado para a obtenção de financiamento. O Programa disponibiliza ainda um fundo de USD por projecto e um visto de residência de um ano a todos os membros da equipa de projecto. O visto inclui também os familiares dos empreendedores, promovendo desta forma um ambiente favorável para a criação de negócios num país estrangeiro

129 O processo de admissão é realizado em duas etapas: num primeiro momento, um júri de três elementos, seleccionado pela YouNoodle (uma rede social destinada a empreendedores, localizada na Califórnia, EUA, que apoia actualmente mais de start-ups), avalia cada projecto e atribui-lhe uma pontuação. De seguida, os projectos passam por um júri da Subcomissão de Empreendedorismo do Programa InnovaChile a entidade através da qual o Start-Up Chile recebe financiamento e que é composta por uma equipa de especialistas em inovação, tecnologia e empreendedorismo que dá o parecer final. Perfil das empresas apoiadas Até ao momento, a maioria dos projectos apoiados são de base tecnológica e de alto potencial, embora apresentem grande variedade, com empresas especializadas em energia, comércio electrónico, empreendimentos sociais, ensino de línguas, viagens e design. Contudo, mais do que a área de actuação, o critério mais importante para um projecto ser seleccionado é a sua orientação global, uma vez que o caminho para o sucesso passa pela expansão e não pelo isolamento. Depois de um primeiro ano piloto, 2010, em que foram atraídos 22 projectos de 14 países, o Programa espera trazer 300 novos projectos para o Chile durante o ano de 2011, tendo como objectivo fazer crescer este número para 1000, em De entre os empreendedores já instalados no Chile, é interessante destacar os fundadores da Junar, uma plataforma que permite aos utilizadores encontrar e aceder facilmente a dados, que angariaram um financiamento de 1,2 milhões de USD, em Dezembro de 2010, de empresas de capital de risco da América Latina para a criação e desenvolvimento do negócio. De entre os projectos seleccionados em 2011, sete são iniciativas portuguesas, provenientes do UPTEC - Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, que possui, desde finais de 2010, um protocolo de parceria com a organização do Programa. De notar que Portugal é, a par da Índia, o terceiro país com mais projectos seleccionados, sendo apenas ultrapassado pela Argentina e pelos EUA. Entre os projectos portugueses seleccionados, destacam-se a Vendder, que comercializa uma plataforma de criação de lojas online e que foi seleccionada logo na fase piloto do Programa; a EZ4U, vocacionada para soluções real-time de localização de pessoas e objectos em ambiente indoor; e a Tecla Colorida, que comercializa a aplicação escolinhas.pt (schools.com na versão internacional), um software colaborativo, no qual se transpõe o ambiente escolar para o meio digital, permitindo interacção e partilha entre alunos, professores e pais

130 Parcerias e colaborações As parcerias e colaborações envolvidas no Programa prendem-se, essencialmente, com entidades que apoiam os projectos seleccionados para instalação no Chile, e podem ser enquadradas em três grupos: mentores, capital de risco e apoiantes. Mentores Baseado no projecto Mentores de Negócios da Nova Zelândia (uma abordagem inovadora utilizada nesse país), o ForoInnovación (organização de iniciativa privada e sem fins lucrativos do Chile, lançou a Rede de Mentores (RdM), em Novembro de De momento, existem 160 mentores empresários e gestores altamente qualificados, vindos de áreas tão diversificadas como marketing, gestão, finanças, contabilidade, administração, produção e distribuição, recursos humanos, internacionalização de negócios e exportações, tecnologias de informação e organizações não lucrativas. Este grupo de mentores tem um conhecimento profundo dos mercados chileno e global e está disposto a partilhá-lo com outras empresas. A RdM tem como objectivo ser líder na Rede de Mentores na América Latina, de forma a conseguir promover e desenvolver conceitos como inovação, empreendedorismo e liderança. Para beneficiar do apoio da RdM, é necessário passar por um processo constituído por várias etapas, que inclui um estudo da compatibilidade entre as necessidades do mercado e a experiência dos empreendedores e o desenvolvimento de um plano de trabalhos de 6 meses. Capital de risco O Governo Chileno, através da CORFO, tem apoiado vários fundos de capital de risco, disponibilizando quase 350 milhões de USD. Alguns destes fundos são o Aurus Bios (direccionado para empresas de base científica, principalmente dedicadas à biotecnologia ou ciências farmacêuticas), o Aurus Tecnologia (para empresas no mercado das tecnologias), o Austral Capital (que oferece também uma interessante rede de contactos em toda a América Latina), o Equitas Capital (focado em negócios relacionados com o ambiente e recursos naturais), o Fondo de Inversión Copec Universidad Católica (desenvolvido em parceria com esta universidade) e o Yarden Venture Capital (que aposta em start-ups de alta tecnologia)

131 Apoiantes Por apoiantes entendem-se todos aqueles que, um pouco por todo o mundo, chilenos ou não, auxiliam o Start-Up Chile a atingir a sua missão, contribuindo de diversas maneiras: Disseminando informações sobre o Programa, bem como a newsletter bissemanal junto dos seus contactos; Identificando potenciais candidatos e encaminhando-os para o Programa; Fornecendo apoio especializado aos empreendedores aceites no Start-Up Chile; Procurando oportunidades para disseminar o Start-Up Chile na sua região, incluindo apresentar o Programa junto de universidades, incubadoras, centros de empreendedorismo, entre outros; Ajudando a expandir a rede de universidades, empresas de capital de risco, business angels, governos e empreendedores associados ao Programa; Promovendo eventos locais, encontros e seminários para explicar o Programa e identificar potenciais interessados; e Unindo forças com outros apoiantes na sua região, para maximizar a disseminação do Programa. Estratégia de curto/médio prazo Após um início promissor, os fundadores do Start-Up Chile estão confiantes no sucesso do Programa, prevendo que, até 2014, sejam 1000 os projectos apoiados, provenientes de todo o mundo. De facto, a equipa gestora do Programa sabe que para o País se tornar o centro de inovação e empreendedorismo da América Latina, aproveitar as experiências e know-how externos é um factor essencial. Com o intuito de facilitar a criação de novas empresas, o Governo do Chile tem vindo a desenvolver esforços que permitam diminuir o número de dias necessários para o registo. Assim, em 2010, um empreendedor esperava 27 dias para ver a sua empresa registada; em 2011 este número reduziu-se para 16 e, em 2013, prevê-se que seja apenas de 8. Ao longo dos próximos três anos, o Programa pretende também atrair novos investidores dispostos a financiar as start-ups instaladas no Chile, bem como aumentar a sua rede de contactos, tanto a nível nacional como internacional. Mais informação

132 Estudo de caso 3 UNIEMPRENDE Iniciado em 1998, o Programa UNIEMPRENDE presta serviços a todas as estruturas de criação de empresas do sistema universitário galego, sendo, no entanto, gerido centralmente pela Universidade de Santiago de Compostela (USC). Desde a sua criação, passou de pioneiro a nível nacional a uma referência internacional, fomentando o conceito de universidades empreendedoras, ou seja, aquelas que se envolvem de forma activa no desenvolvimento económico e social. Assim, através do UNIEMPRENDE, a Universidade Galega promove este seu compromisso com a sociedade, transformando os resultados dos seus projectos de investigação em factores de melhoria da qualidade de vida da população e tornando os seus alunos em impulsionadores deste desenvolvimento e geradores de riqueza. O UNIEMPRENDE procura apoiar toda a comunidade universitária, principalmente estudantes e investigadores que desenvolvam actividades nas áreas de conhecimento dos programas da Universidade; possui ainda linhas de apoio dedicadas a segmentos populacionais historicamente menos empreendedores, como as mulheres. O Programa UNIEMPRENDE pode ser considerado como um caso de estudo relevante para a Região Autónoma dos Açores por Abordar políticas/programas/acções/medidas de apoio à actividade empreendedora, num determinado território, cujo sucesso tenha sido comprovado. Objectivos O Programa UNIEMPRENDE tem quatro objectivos principais: Incrementar a médio/longo prazo o número de vocações empresariais nas universidades galegas, fomentando o empreendedorismo na comunidade universitária; Identificar, dentro das capacidades de produção científica e de conhecimento das universidades galegas, linhas de trabalho susceptíveis de serem exploradas a partir de uma óptica empresarial; Prestar serviços de apoio à criação de empresas que facilitem a análise da viabilidade empresarial dos projectos, bem como apoiá-las nos passos seguintes (incluindo o seu lançamento e a procura de financiamento);

133 Criar, estruturar e potenciar uma infra-estrutura estável, que permita difundir e desenvolver amplamente as diferentes medidas deste Programa. Enquadramento regional/nacional/internacional O Programa UNIEMPRENDE engloba uma infra-estrutura complexa, com mecanismos de apoio ao empreendedorismo a vários níveis regional, nacional e internacional. Destes, o mais desenvolvido e importante é o regional, dentro do qual o UNIEMPRENDE inclui uma incubadora (a UNINOVA), sistemas de apoio financeiro (UNIRISCO, UNIBAN, Unimicro-C e UNIGUARANTEES), mecanismos de valorização e comercialização da propriedade intelectual (por exemplo, um sistema de licenciamento e comercialização de patentes) e mecanismos de promoção da responsabilidade social e ambiental. Ao nível nacional, os mecanismos dedicados à promoção do empreendedorismo são programas específicos, em colaboração com outras instituições, de identificação de novas oportunidades como por exemplo o UNIEMPRENDIA, que procura promover empresas de base tecnológica nas universidades espanholas e que conta com o apoio do Ministério da Educação de Espanha. Por fim, a nível internacional, a sua actuação centra-se no desenvolvimento de redes de empreendedores por exemplo, a Red Woman Emprende, destinada a partilhar conhecimentos e experiências entre mulheres empreendedoras e na difusão de uma cultura empreendedora, materializada, por exemplo, na existência, na USC, de uma cátedra apoiada pela UNESCO e financiada pela Comissão Europeia, destinada a promover a cultura e a actividade empreendedora no quadro universitário dos países Ibéricos e Latinoamericanos. Recursos físicos e humanos Ao nível de recursos humanos, o UNIEMPRENDE conta com uma equipa experiente, constituída por mais de 20 especialistas, em áreas que vão da transferência de tecnologia ao empreendedorismo e gestão de unidades de investigação. A equipa está apta e disponível para fornecer apoio em todas as etapas de estabelecimento de uma nova empresa tanto de alunos, como de professores e investigadores da Universidade. Quanto aos recursos físicos e materiais, o UNIEMPRENDE disponibiliza espaço para instalação da empresa e financiamento para o crescimento e para as necessidades operacionais e estratégicas da mesma, através de uma participação temporária no seu capital

134 Áreas de actividade e serviços Os serviços e actividades oferecidos pelo UNIEMPRENDE podem ser organizados numa cadeia de vectores, que vão da concepção e identificação de ideias à monitorização e acompanhamento dos projectos. Identificação de projectos e ideias Como o nome indica, este vector procura identificar projectos e ideias passíveis de serem transformadas em negócios: Concurso de ideias empresariais inovadoras: destinado a todos os membros das três universidades galegas (USC, Universidade da Corunha e Universidade de Vigo), procura premiar ideias empresariais inovadoras, passíveis de serem transformadas num negócio; Concurso de projectos empresariais inovadores: semelhante ao anterior, mas premiando projectos inovadores de empresas; UNIEMPRENDIA: programa com periodicidade anual que procura promover empresas de base tecnológica nas universidades espanholas e que conta com o apoio do Ministério Espanhol da Educação. Incubação e estruturas de apoio Este vector inclui a incubadora da USC e todas as unidades que gerem e apoiam os centros de investigação da universidade: UNINOVA: a incubadora da USC, vocacionada para empresas inovadoras e de base tecnológica; Centro de Inovação e Transferência de Tecnologia (CITT): unidade que gere e apoia, ao nível legal, os trabalhos científicos e técnicos desenvolvidos para empresas e entidades públicas nos departamentos e centros de investigação da USC; Unidades de Investigação Intensiva: iniciativa piloto que procura a gestão, valorização e transferência dos resultados de investigação obtidos pelos grupos de investigação das três universidades galegas e centros de investigação da região; Serviços de Apoio ao Empreendedorismo e ao Emprego: dividido em três áreas Auto-emprego, Aconselhamento Profissional e Informação aos Jovens e Apoio Integrado este serviço procura fomentar o empreendedorismo junto de todos os membros da USC, com uma ênfase especial nos mais jovens

135 Formação em boas práticas Constituído por duas unidades, este vector procura oferecer formação na área do empreendedorismo, bem como dar a conhecer ao grande público exemplos e casos de sucesso na região da Galiza: Escola de negócios UNIEMPRENDE: oferece uma ampla formação em áreas que podem ser úteis ao empreendedor, como gestão de empresas, consultoria, contabilidade e administração; EMPRENDIA: publicação vocacionada para o empreendedorismo universitário, com artigos técnicos, conselhos e casos de sucesso. Direitos de propriedade industrial e intelectual e vigilância tecnológica Coordenado pelo CITT, centra-se em todos os assuntos relacionados com a propriedade intelectual, registo de patentes e legislação empresarial. Coaching e networking Este vector procura estabelecer redes nacionais e internacionais que permitam acompanhar e fomentar o empreendedorismo em sectores específicos ou menos explorados habitualmente. Entre as iniciativas promovidas neste âmbito destacam-se: Red Woman Emprende: rede internacional que procura fomentar o empreendedorismo feminino nas universidades; Programa Empresa-Concepto: de âmbito nacional, este Programa é promovido pelas três universidades galegas e procura colocar à disposição dos centros de investigação recursos financeiros e humanos que possibilitem a criação de empresas de base tecnológica, que advenham de resultados de projectos de investigação; SOCIAL EMPRENDE: programa destinado a promover o empreendedorismo nas áreas das ciências sociais e humanas; Cátedra UNESCO: as cátedras da UNESCO têm como principal objectivo melhorar a qualidade da educação nos países participantes, bem como aumentar a sua infraestrutura científica e tecnológica, através de um melhor aproveitamento dos conhecimentos e recursos tecnológicos universitários que permita a sua exploração e comercialização. No caso do UNIEMPRENDE, a cátedra UNESCO tem como objectivo a promoção da inovação e da cultura empreendedora em ambiente universitário

136 Financiamento, capital de risco e business angels Este vector inclui todos os mecanismos de financiamento aos novos projectos dos membros da comunidade universitária: UNIRISCO: capital de risco para criação de empresas que aproveitem o conhecimento gerado pela Universidade, mediante operações de investimento temporário no capital das mesmas ou outros instrumentos financeiros; UNIBAN: rede de business angels vocacionada para o ambiente universitário; UNINVEST: de âmbito ibérico, é uma sociedade gestora de capitais de risco criada para fomentar a transferência de conhecimento de centros de investigação públicos para a sociedade através da criação de empresas; UNIGUARANTEES: oferece garantias a empresas de base tecnológica surgidas no meio universitário; Unimicro-C: sistema de micro-crédito para empreendedores ligados à universidade; INBERSO: rede internacional, que põe em contacto empresas tecnológicas de grande potencial e grupos de investigação universitários com o intuito de facilitar a atracção de financiamento privado; SPIN-GROW: rede especializada em encontrar financiamento para spin-offs universitárias. Oficina de monitorização do empreendedorismo, sustentabilidade e qualidade Responsável pelos seguintes elementos do funcionamento do UNIEMPRENDE: Normas de qualidade (AENOR e SAI-8000); Responsabilidade Social Corporativa; VERDE EMPRENDE: guia com recomendações sobre como minimizar o impacto ambiental de uma empresa. Perfil das empresas apoiadas Sendo parte do sistema universitário, o UNIEMPRENDE apoia empresas nascidas de ideias e/ou projectos dos seus alunos, professores e investigadores, em áreas muito variadas que vão da biotecnologia às nanotecnologias e ciências sociais. Desde que foi criado, o Programa já apoiou 268 start-ups, financiou 23 projectos e premiou mais de 2053 ideias e 355 projectos. Organizou ainda vários cursos vocacionados para empreendedores (como Investigação de Mercados e Gestão Eficaz de Negócios) e promoveu

137 várias actividades de divulgação do empreendedorismo (como seminários ou jornadas de sensibilização). Parcerias e colaborações As várias parcerias e colaborações do Programa UNIEMPRENDE incluem empresas, universidades, organizações governamentais, bancos e centros de investigação: Empresas: Grupo San José, INDITEX, R. Telecomunicaciones e Consorcio Zona Franca (Vigo); Universidades: mais de 20 a nível nacional e internacional; Organizações governamentais: organizações nacionais e regionais, incluindo ministérios e o governo regional da Galiza; Bancos: bancos espanhóis (Banco Santander, Caixa Nova, Caixa Galicia e Banco Pastor) e bancos portugueses (Banco Espírito Santo e Banco Português de Investimento); Centros de investigação: mais de 135 centros, localizados em Espanha, Portugal e América Latina. Estratégia de curto/médio prazo A estratégia de curto/médio prazo do Programa UNIEMPRENDE passa por continuar o bom trabalho desenvolvido até ao momento, procurando fomentar o empreendedorismo junto da comunidade universitária galega e disseminar a ideia da transferência de tecnologia da Universidade para a sociedade como móbil do desenvolvimento e da inovação. Vai também procurar o estabelecimento de novas parcerias e colaborações, principalmente ao nível da disponibilização de capital de risco para novos negócios, bem como estimular o empreendedorismo em sectores da sociedade tradicionalmente mais avessos à criação de empresas, como as mulheres ou investigadores nas áreas das ciências sociais e humanidades. Mais informação

138 Estudo de caso 4 FEDERCAN O quarto estudo de caso analisado refere-se à Federação Canária de Desenvolvimento Rural, Rede Canária Rural (Federación Canaria de Desarrollo Rural, Red Canaria Rural), uma iniciativa inovadora e já com alguns anos nas Ilhas Canárias, Espanha. Criada em 1999, no seguimento do modelo da Comissão Europeia para os Centros Europeus de Empresas e Inovação e da Iniciativa Comunitária Ligações entre Acções de Desenvolvimento da Economia Rural (LEADER II), a Federação Canária de Desenvolvimento Rural, Rede Canária Rural (FEDERCAN) é uma associação sem fins lucrativos, que promove a criação de riqueza nas zonas rurais das Ilhas Canárias, através de aconselhamento profissional aos empreendedores, assistência técnica e acompanhamento de projectos elaborados por PME, com o objectivo de aumentar a sua competitividade e potencial inovador. Procura também uma gestão mais eficaz das administrações locais das Canárias, que garanta um desenvolvimento sustentado da região. A FEDERCAN é constituída por várias associações de desenvolvimento locais, localizadas nas várias ilhas do arquipélago: Associación Insular de Desarrollo Rural La Gomera (AIDER La Gomera); Asociación para el Desarrollo Rural de la Isla de La Palma (ADER La Palma); Asociación Insular de Desarrollo Rural en Gran Canaria (AIDER Gran Canaria); Asociación para el Desarrollo Rural de la Isla de Lanzarote (ADERLAN); Asociación Insular de Desarrollo Rural de Tenerife (AIDER Tenerife); Asociación para la Gestión del Desarrollo Rural Maxorata Verde (GDR Maxorata); Grupo de Desarrollo Occidental (GDR Occidental) El Hierro. Tendo em conta os critérios apresentados no Capítulo 1, a FEDERCAN enquadra-se na maioria, uma vez que foca no desenvolvimento de áreas rurais, que assumem uma grande importância no arquipélago dos Açores e localiza-se num território semelhante e com potencial económico semelhante (embora o PIB per capita das Canárias seja superior ao dos Açores, atingindo cerca de EUR/habitante/ano). Objectivos A FEDERCAN tem como principal objectivo encontrar linhas de acção que permitam o desenvolvimento do meio rural das Ilhas Canárias. Entre os seus objectivos específicos, incluem-se:

139 Participação em redes comunitárias de desenvolvimento geral e local; Integração nas associações de desenvolvimento local e rural de âmbito nacional, comunitário e internacional; Promoção e valorização dos produtos locais; Promoção e apoio a PME e empresas tradicionais; Promoção e desenvolvimento do turismo rural; Integração socioeconómica de grupos específicos em risco de exclusão social; Preservação do meio ambiente; Fortalecimento da economia social; Desenvolvimento socioeconómico; Intercâmbio de experiências e metodologias com outras regiões nacionais, comunitárias e internacionais; Formação e qualificação dos trabalhadores no âmbito da sua área de expertise; Assistência técnica em processos de desenvolvimento rural e/ou local noutras zonas da Comunidade Autónoma e de Espanha, e em países da UE; Formação e qualificação de trabalhadores desempregados; Fomento e desenvolvimento do envolvimento do governo na concepção e implementação de estratégias de desenvolvimento rural ao nível regional e europeu; Prestação de serviços de apoio ao trabalho dos seus parceiros ao nível do desenvolvimento regional; Desenvolvimento de actividades económicas e de prestação de serviços a terceiros. Enquadramento regional/nacional/internacional Como o próprio nome indica, as actividades da associação estão localizadas principalmente nas Ilhas Canárias, procurando abranger todas as ilhas, mesmo as mais remotas, através da colaboração entre as várias associações de desenvolvimento locais. Todas as suas acções são direccionadas para empreendedores, negócios ou empresas do arquipélago. No entanto, a FEDERCAN tem consciência de que um desenvolvimento sustentável das ilhas só pode ser alcançado através da sua integração em redes mais vastas. Assim, por exemplo, para uma eficiente promoção da actividade turística no arquipélago é essencial uma disseminação alargada da sua oferta e do que a distingue da concorrência. Por outro lado, o estabelecimento de parcerias com outras regiões espanholas e/ou outros países

140 comunitários ou não fomenta a internacionalização dos negócios e atrai investimento estrangeiro. Assim, a FEDERCAN está inserida numa rede maior, a Rede Espanhola de Desenvolvimento Rural (Red Española de Desarrollo Rural), uma associação sem fins lucrativos que promove um modelo de desenvolvimento rural integrado, composta por 12 redes territoriais (entre as quais a das Canárias), englobando quase 200 grupos de acção local. Recursos físicos e humanos As actividades da FEDERCAN centram-se principalmente no fornecimento de apoio técnico e administrativo, pelo que, para além da sede (e dos gabinetes nas várias ilhas), disponibiliza apenas algumas publicações incluindo revistas sobre a actividade rural nas várias ilhas, boletins e um manual de boas práticas sobre o desenvolvimento rural numa região. Por outro lado, conta com uma equipa técnica altamente especializada, que para além dos membros habituais numa associação (presidente, vogal, etc.), inclui também membros com reconhecida experiência na gestão de programas comunitários. Áreas de actividade e serviços A FEDERCAN tem actualmente quatro projectos que procuram fomentar o desenvolvimento das regiões rurais das Ilhas Canárias, três dos quais fortemente direccionados para o empreendedorismo. Projecto Rural EESS Este projecto de fomento e promoção da economia social no meio rural das Ilhas Canárias tem como principais objectivos: Fortalecer as entidades de economia social nas áreas rurais do arquipélago e promover o emprego; Promover a economia social e o auto-emprego nas zonas rurais do arquipélago; Reduzir as disparidades laborais entre as zonas rurais e urbanas e incentivar a criação de estruturas estáveis de manutenção da actividade económica e emprego através da economia social. Para atingir estes objectivos, o projecto inclui seis áreas de acção diferentes: formação; difusão e promoção da economia social; promoção do associativismo nas regiões rurais; orientação de entidades de economia social nas regiões rurais; estudo da economia social nas regiões rurais; e divulgação do projecto

141 Empreendedores Rurais A partir do projecto anterior, a FEDERCAN desenvolveu o projecto Empreendedores Rurais, que procurou fornecer conselhos sobre os procedimentos e requisitos para iniciar um novo negócio e concretizar uma ideia, dar apoio especializado no desenvolvimento de um plano de negócios, acompanhar as candidaturas a programas de financiamento e oferecer formação e acompanhamento especializado. Os negócios apoiados ao longo deste projecto centram-se principalmente em empresas ligadas ao turismo ou a sectores tradicionais da economia da região, como a produção de vinhos ou a transformação de produtos alimentares. A Escola empreendedora Este projecto está direccionado principalmente para alunos do 10º ao 12º ano e tem como objectivo proporcionar a esses mesmos alunos a possibilidade de experimentarem e desenvolverem as suas capacidades empreendedoras (observação e análise da envolvente, comunicação, auto-organização, criatividade, entre outras). Ao longo do projecto, os estudantes criam uma empresa na sala de aula, organizada formalmente e com uma produção orientada para as necessidades do mercado. Mulheres Empreendedoras Este projecto pretende promover e melhorar as condições de vida, de participação e de trabalho das mulheres das regiões rurais das Ilhas Canárias, divulgando o seu trabalho, incentivando o empreendedorismo, fomentando políticas focadas no género e desenvolvendo actividades de formação e informação específicas para mulheres. Perfil das empresas apoiadas Como referido anteriormente, a FEDERCAN procura o desenvolvimento de empresas localizadas nas regiões rurais, com um enfoque especial nas PME, nas que actuam em sectores tradicionais da economia e nas ligadas ao turismo um sector muito importante, que representa 32% do PIB das Ilhas Canárias. Entre as empresas apoiadas pelos vários projectos, destacam-se: Frutas Guay localizada em Icod de Viños, Tenerife, e fundada em 1998, tem como objectivo utilizar produtos da agricultura local na produção de marmeladas e vinhos

142 Utiliza ainda antigas receitas suíças para a elaboração de pão de forma de diferentes sementes; Molino de Gofio TASIRCHE o desaparecimento dos moinhos de gofio (a farinha tradicional das Ilhas Canárias) e a grande procura deste produto encorajou uma empreendedora, Olga Plasencia, a dar nova vida a um desses moinhos, que estava abandonado em Vallehermoso, Lagomera, fomentando-se assim a produção de um produto típico, de grande valor acrescentado no mercado, principalmente junto dos turistas; Cooperativa Artesanal de Mujeres de Valsequillo localizada em Valsequillo, Gran Canária, foi fundada por um grupo de mulheres que frequentaram um curso de formação na Agência de Desenvolvimento Local. Actualmente, produzem, com fruta do arquipélago, marmelada, mojo de amêndoa (um doce tradicional das Canárias) e bienmesabe (um doce típico da ilha), a partir de receitas tradicionais e caseiras. Além das empresas referidas, a associação e os seus projectos apoiaram ainda outros negócios em ramos muito diversificados, incluindo hotéis, empresas de organização de percursos pedestres nas ilhas, empresas de ferragem e fábricas de doçaria regional. Parcerias e colaborações A FEDERCAN é uma rede constituída por várias associações de desenvolvimento local, de cada ilha, pelo que as colaborações e parcerias entre estas estão no seu núcleo. Por outro lado, a FEDERCAN está também inserida na já referida Rede Espanhola de Desenvolvimento Rural. Além destas redes de desenvolvimento, a FEDERCAN colabora também com outras entidades locais, principalmente centros de formação e de ensino, que ajudem a promover o empreendedorismo na região, e equipas de psicólogos especialistas no fomento das capacidades empreendedoras. Por fim, a FEDERCAN procura também actuar ao nível internacional, principalmente através da disseminação dos resultados dos seus programas, destacando as empresas apoiadas e promovendo o turismo regional nas ilhas e as culturas locais

143 Estratégia de curto/médio prazo A estratégia de curto/médio prazo da FEDERCAN consiste na consolidação do trabalho que tem vindo a ser efectuado até ao momento, principalmente na formação de novos empreendedores, capazes de aproveitar o melhor de cada ilha ao nível da cultura, recursos naturais e humanos, entre outros. Para tal, continuará a melhorar a sua rede de apoio aos empreendedores locais, com equipas de aconselhamento e acompanhamento mais experientes, e procurará aumentar a sua presença junto das escolas, fomentando uma atitude empreendedora nos mais jovens. Para concretizar estas medidas, a FEDERCAN apostará num melhoramento contínuo das suas relações com outras redes de desenvolvimento rural, principalmente com a Rede Espanhola de Desenvolvimento Rural. É também importante destacar o trabalho junto das mulheres. Em regiões mais pobres e mais isoladas como são as rurais, as mulheres tendem a ser o elo mais fraco e a ser vítimas de ostracismo por parte da sociedade. A FEDERCAN tem noção desta situação, pelo que o seu programa Mulheres Empreendedoras será alvo de grande atenção no futuro, procurando promover o auto-emprego das mulheres. Mais informação

144 Estudo de caso 5 Babson College Fundado em Setembro de 1919 por Roger Babson, o Babson College assumiu desde o início uma vertente inovadora, considerando que a experiência é a melhor professora. Assim, os seus programas de ensino têm-se focado, não só numa sólida componente teórica, mas também numa componente prática que incentiva os estudantes a contactarem directamente com o mundo do trabalho a maioria dos professores sempre foram empresários e os cursos envolvem, por exemplo, várias visitas a fábricas e empresas. Com este background, e sabendo que a iniciativa privada é um motor da economia, o Babson College tem apostado na formação e valorização do empreendedorismo, remontando estas actividades aos anos 60, quando instituiu não só o Student Business Initiative Award, mas também a primeira disciplina em empreendedorismo no País. O espectro das suas actividades é grande e inclui dois centros que promovem activamente a actividade empreendedora, incluindo investigação, coordenação de projectos de diagnóstico em larga escala (como o Global Entrepreneurship Monitor) e formação especializada de grande qualidade de acordo com o US News & World Report, o MBA em empreendedorismo do Babson College é considerado o melhor do mundo. Os dois centros especializados no empreendedorismo são o Centro para o Empreendedorismo Arthur M. Blank (Arthur M. Blank Center for Entrepreneurship) e o Centro para a Liderança Feminina (Center for Women s Leadership). O primeiro tem uma área de actuação mais abrangente, pelo que será o enfoque principal deste estudo de caso. De notar que o estudo de caso cumpre totalmente o primeiro critério apresentado no capítulo 1: Abordar políticas/programas/acções/medidas de apoio à actividade empreendedora, num determinado território, cujo sucesso tenha sido comprovado. Objectivos O Centro para o Empreendedorismo Arthur M. Blank (de agora em diante referido como Centro) foi estabelecido em 1998 através de uma doação de Arthur M. Blank e é a base de toda a actividade relacionada com o empreendedorismo no Babson College. O objectivo do Centro foca-se na expansão do empreendedorismo de todos os tipos, através de programas de ensino inovadores e de projectos de investigação globais, com entidades públicas e privadas, que inspirem e informem a acção e o pensamento empreendedor

145 Enquadramento regional/nacional/internacional O Centro está localizado nas instalações do Babson College, um campus de 1,4 km 2 no Babson Park, em Wellesley, Massachusetts. Localizada perto de Boston, a universidade e os seus estudantes têm beneficiado do ambiente dinâmico da cidade, onde o empreendedorismo é uma realidade, com várias empresas de capital de risco a fornecer apoio a quem deseja iniciar o seu negócio. Esta localização privilegiada, a nível nacional, não exclui que a universidade procure atrair os melhores alunos do mundo, pelo que, pelo menos, um quarto dos estudantes são de origem internacional (provenientes de mais de 70 países), com a universidade a fornecer activamente cursos para alunos estrangeiros e parcerias com várias instituições. Desde o início que o Babson College procurou pautar-se por uma perspectiva abrangente, formando empreendedores capazes de influenciar directamente as dinâmicas empresariais, tanto ao nível dos EUA como do mundo. Assim, muitos dos seus ex-alunos colaboram ou assumem hoje cargos de liderança em empresas internacionais de referência. Por outro lado, o facto de ser uma entidade de referência no ensino e formação na área do empreendedorismo garante ao Centro uma boa rede de cooperação com entidades internacionais, sendo responsável por projectos como o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), o Projecto Diana e o Successful Transgenerational Entrepreneurship Practices (STEP). O Centro para o Empreendedorismo Arthur M. Blank é assim uma entidade de referência tanto a nível nacional como internacional, e a sua influência é reconhecida por publicações como o U.S. News & World Report, a Bloomberg Businessweek e a Forbes. Recursos físicos e humanos Localizado no campus do Babson College, o Centro ocupa uma área de cerca de 1800 m2 e pode ser considerado como um laboratório de excelência para a investigação e ensino do empreendedorismo, incluindo salas de aulas, um espaço de conferências que permite videoconferência, uma biblioteca e o Salão do Fundador, um museu da excelência empreendedora. O Babson College possui uma equipa de académicos altamente qualificada de áreas muito diferentes: empreendedores experientes, gestores, investigadores e autores. Destes, 36 são especialistas em empreendedorismo, assumindo o seu ensino e investigação na universidade, muitos deles com experiência prévia na criação de empresas. Quanto ao Centro, conta com uma equipa permanente de 10 membros, incluindo gestores e administrativos, muitos deles com experiência na coordenação de projectos internacionais na área do empreendedorismo

146 Áreas de actividade e serviços Sendo um centro de investigação inserido numa universidade de renome, as actividades do Centro incluem tanto o ensino, como a investigação e a divulgação do conhecimento. De seguida analisam-se algumas das principais actividades do Centro. Ensino Como referido, o Babson College tem uma longa tradição no ensino e formação na área do empreendedorismo, oferecendo diversas disciplinas na área, tanto ao nível da licenciatura como das pós-graduações, especialmente MBA, que se podem dividir em três grupos: Disciplinas de base: onde, sob uma perspectiva holística, se ensinam técnicas e conceitos fundamentais do empreendedorismo; Disciplinas especializadas: disciplinas específicas dentro do empreendedorismo; Disciplinas de apoio: onde se aprofunda o conhecimento numa área de estudo complementar. Todas as disciplinas oferecidas contam com a colaboração do Centro, em particular dos seus membros e dos resultados obtidos nos vários projectos de investigação. Como referido, a nível do ensino, os principais princípios que norteiam a filosofia do Babson College são a combinação entre a teoria e a prática e aplicação de ambas em casos concretos, por parte dos estudantes. É esperado de um aluno do Babson College que seja capaz de contribuir com as suas ideias e energia para a concepção e desenvolvimento de ideias e negócios ainda durante a sua formação. Naturalmente, os alunos são munidos de todas as ferramentas de conhecimento necessárias ao cumprimento dos objectivos para si estabelecidos. Estas ferramentas versam várias áreas consideradas transversais à actividade empreendedora como o pensamento empreendedor, a responsabilidade e sustentabilidade económica, e a acção social. Adicionalmente, o estudo, análise e resolução de casos são componentes essenciais na vida de um aluno do Babson College, aos níveis undergraduate e graduate, bem como ao nível da escola de executivos. Os estudos de caso são considerados, pelo Babson College, como ferramentas de valor inestimável na aprendizagem, uma vez que fornecem exemplos aprofundados de situações empresariais reais, dando aos alunos a possibilidade de formular decisões reais de gestão

147 A Aceleradora de Negócios de Babson Lançada em 2010, a Aceleradora de Negócios de Babson (Babson Venture Accelerator) apoia as empresas criadas pelos estudantes em cada fase do processo desde a identificação de oportunidades até ao plano de negócios e, eventualmente, à sua constituição. O apoio aos estudantes é feito, por exemplo, através de acompanhamento especializado por parte de empreendedores de sucesso e da disponibilização de espaço para instalação da futura empresa. O processo pode ser encarado como tendo uma estrutura piramidal com 5 etapas diferentes: Infra-estrutura: a primeira etapa prende-se com a avaliação da ideia de negócio do estudante e com a identificação da etapa onde se posiciona por exemplo, se é apenas uma ideia ou se já possui um plano de negócios definido; Exploração: esta etapa procura identificar e avaliar o que pretende o estudante, qual a sua motivação, qual a sua experiência na área, entre outros; Procura: nesta etapa dá-se a constituição da equipa e o desenvolvimento do plano de negócios; Summer Venture Program: um curso de 10 semanas onde equipas de estudantes de vários níveis desenvolvem e aceleram o desenvolvimento das suas empresas; Lançamento e crescimento: finalização do processo, com a procura de fundos e desenvolvimento da actividade concreta da empresa, como vendas, logística e distribuição. Lançamento e crescimento Summer Venture Program Procura Exploração Infra-estrutura A estrutura da Aceleradora de Negócios de Babson

148 Em 2010, a Aceleradora de Negócios apoiou 200 alunos da instituição no desenvolvimento do seu projecto. Investigação global Como referido anteriormente, o reconhecimento internacional de que o Centro e o Babson College gozam permite-lhes estabelecer diversas parcerias com outros centros e/ou instituições. De entre os projectos em que o Centro participa, importa destacar três, dois deles em que partilha a liderança e outro de que foi o fundador: Global Entrepreneurship Monitor (GEM): iniciado em 1999 numa colaboração entre a London Business School e o Babson College, o GEM analisa a situação do empreendedorismo em mais de 60 países. Além de ser o maior estudo deste género a nível mundial, o GEM distingue-se da concorrência porque em vez de analisar a criação de novas empresas, analisa o comportamento dos indivíduos em relação à criação e gestão de novas empresas, com entrevistas tanto a especialistas como à população em geral; Diana: retirando o seu nome da deusa da caça na mitologia Romana, o projecto Diana é um estudo das atitudes das mulheres empreendedoras e das suas actividades, conduzido ao longo de vários anos e por várias universidades. Duas das cinco criadoras do projecto são membros do Babson College: Patricia Green, Professora de Empreendedorismo, e Candida Brush, Presidente e Directora do Departamento de Empreendedorismo. Entre os parceiros no projecto incluem-se a University of Western Australia (Perth, Austrália), o ESBRI (Estocolmo, Suécia) e o Dundalke Institute of Technology (Irlanda). Práticas de Sucesso de Empreendedorismo Transgeracional (STEP): o projecto Práticas de Sucesso de Empreendedorismo Transgeracional (Successful Transgenerational Entrepreneurship Practices) foi lançado em 2005 pelo Babson College e procura explorar o processo empreendedor dentro dos negócios familiares, gerando soluções de aplicação imediata para os líderes da família. O projecto é desenvolvido em colaboração com seis entidades estrangeiras: ESADE (Espanha), HEC (França), Jönköping International Business School (Suécia), Universita Bocconi (Itália), Universitat St. Gallen (Suíça) e Universitat Witten/Herdecke (Alemanha). Celebrando o Empreendedorismo O Babson College possui um longo historial de valorização e reconhecimento do empreendedorismo, tendo instituído o primeiro Student Business of the Year Award em Continuando esta linha, o Centro instituiu em 2008 o Hall of Fame dos Ex-Alunos

149 Empreendedores, e, em 2009, as várias competições anuais de planos de negócios foram unidas num evento de dois dias de celebração do empreendedorismo, com o The Creative Thinking Prize (Prémio Pensamento Criativo) e o referido Student Business of the Year Award. Semana do Empreendedorismo Global A Semana do Empreendedorismo Global (Global Entrepreneurship Week) é inserida num conjunto de 120 eventos que decorrem durante uma semana em mais de 120 países. Iniciada em 2008, o evento junta empreendedores e aspirantes a empreendedores para partilharem a suas experiências, ideias e objectivos. Perfil das empresas apoiadas Sendo parte de uma universidade, o Centro apoia principalmente empresas nascidas de ideias e/ou projectos dos seus alunos. De referir que cerca de 12 a 15% dos licenciados inicia o seu próprio negócio logo após finalizar o curso. Esta percentagem triplica caso se considerem os 5-10 anos seguintes. Parcerias e cooperações Além das cooperações identificadas anteriormente em projectos de investigação internacionais, o Centro tem também outras parcerias que permitem criar uma plataforma para estudantes e ex-alunos que promove uma atitude empreendedora inovadora e sustentada, capaz de responder às necessidades da sociedade actual. O estabelecimento de parcerias e colaborações com entidades externas vai ao encontro da estratégia do Babson College, que procura combinar a teoria e o ensino académico e formal com a prática do mundo do trabalho. Assim, ao estabelecer relações com outras entidades, a universidade cria redes de oportunidade e de apoio aos seus alunos, dando visibilidade ao empreendedorismo como um todo. As empresas externas com as quais o Centro desenvolve parcerias estão ligadas ao apoio e financiamento de start-ups e incluem a Boston Harbor Angels, a Exit Planning Exchange de Boston, a Mass Challenge, a The Capital Network e a Walnut Venture Associates

150 Estratégia de curto/médio prazo A estratégia de curto/médio prazo do Centro para o Empreendedorismo Arthur M.Blank consiste na consolidação do trabalho que tem vindo a ser efectuado até ao momento, principalmente na formação de novos empreendedores, capazes de desenvolverem startups inovadoras e sustentáveis. Para tal, é necessário, não só manter a elevada qualidade dos seus cursos, como promover o conceito de empreendedorismo e premiar os melhores empreendedores, estabelecendo, se possível, relações e parcerias com outras entidades externas, aproveitando o seu know-how e gerando sinergias que permitirão levar a estratégia do Centro a bom porto. O Centro planeia também continuar a desenvolver os seus vários projectos de investigação, incluindo o GEM, procurando incluir cada vez mais países no estudo. Mais informação:

151 Estudo de caso 6 ParcBIT O último estudo de caso analisado refere-se ao Parque Balear de Inovação Tecnológica (ParcBIT), localizado na cidade de Palma de Maiorca, na Comunidade Autónoma das Ilhas Baleares, Espanha. A relevância deste estudo de caso é significativa, uma vez que este preenche quase todos os critérios considerados fundamentais: é um caso de sucesso no apoio ao empreendedorismo; proporciona um apoio transversal à actividade empreendedora, desde que esta se paute por uma forte componente de tecnologia e inovação; e está situado num território insular com autonomia governativa. No que toca ao critério de paridade económica, existe, no entanto, uma diferença considerável entre o PIB per capita das Ilhas Baleares (~ EUR) e o dos Açores (~ EUR). Adicionalmente, o ParcBIT é detentor da acreditação Business Innovation Centre (BIC), atribuída pela European BIC Network (EBN), constituindo-se como uma estrutura com potencial de replicação nos Açores. UM BIC constitui-se como um centro de promoção do desenvolvimento social e económico de uma região, através da implementação de serviços de apoio a empreendedores, auxiliando-os a transformar em realidade ideias com potencial inovador e fornecendo serviços personalizados para a modernização de Pequenas e Médias Empresas. Objectivos O ParcBIT foi aberto em 2002 e inaugurado oficialmente em Surgiu como resposta do Governo das Ilhas Baleares à necessidade de impulsionar o estabelecimento, na região, de um conjunto de empresas para o desenvolvimento de actividades relacionadas com a investigação, desenvolvimento, inovação e serviços avançados. Enquadramento regional/nacional/internacional As principais instalações do ParcBIT estão localizadas na cidade de Palma de Maiorca, ilha de Maiorca. No seu conceito, o Parque foi planeado com uma forte componente de modernização urbanística em mente, constituindo-se também, por isso, como um importante veículo de desenvolvimento territorial. Com a evolução do Parque, veio também a procura dos seus serviços e infra-estruturas por entidades fora de Palma de Maiorca e da própria ilha de Maiorca. Assim, em 2010, foi posto em marcha o projecto de construção do Centro BIT Menorca, que potenciará a iniciativa

152 empreendedora local e contribuirá directamente para a formação e capacitação de recursos humanos qualificados. O Centro BIT Menorca, a primeira infra-estrutura do ParcBIT localizada fora de Palma de Maiorca, desempenhará um papel fundamental ao contribuir para o alargamento do alcance e da coesão que o ParcBIT proporciona à Comunidade das Ilhas Baleares. A acção do ParcBIT contempla ainda uma forte dimensão nacional e internacional, nomeadamente através da sua política de estabelecimento de parcerias estratégicas. O Parque tem neste momento várias convenções em vigor com entidades espanholas e internacionais, que lhe permitem participar em várias iniciativas colaborativas e ser parte integrante de várias entidades associativas. Esta temática será abordada em maior detalhe no item relativo às parcerias e acordos de colaboração. Recursos físicos e humanos A gestão do ParcBIT está inteiramente a cabo da ParcBIT Desenvolupament, S.A., uma empresa criada propositadamente para este fim e que é participada a 100% pelo Governo das Ilhas Baleares. O ParcBIT ocupa uma área total de cerca de 450 mil metros quadrados. Recentemente, foi alvo de consideráveis melhorias infra-estruturais, que envolveram a construção de uma nova central de energia, novos acessos e vários serviços auxiliares como bancos e um infantário. O ParcBIT inclui ainda, no seu seio, vários e importantes centros de investigação e centros tecnológicos, dos quais há a destacar: A Agência de Turismo das Ilhas Baleares, que inclui o Instituto da Qualidade Turística e o Centro de Investigação e Tecnologias Turísticas; A Fundação ibit Inovação Tecnológica nas Ilhas Baleares; O SOCIB - Sistema de Observação Costeira e Previsão; A Fundação CIDTUR - Centro de Investigação e Desenvolvimento para o Turismo; O MICTT - Centro de Investigação em Tecnologias Aplicadas ao Sector Turístico; e O Laboratório de Animação e Tecnologia Audiovisual. Adicionalmente, é de referir o Complexo de Investigação Multidisciplinar, que incluirá a breve prazo vários centros da Universidade das Ilhas Baleares (tais como o Instituto de Aplicações Comunicacionais e Código Comunitário, o Grupo de Física Atómica, Molecular e Nuclear, o Grupo de Arquitectura e Comportamento de Sistemas Informáticos e de Comunicação e o Grupo Interdisciplinar de Direito e Tecnologias de Informação), outros centros de investigação (como os do Instituto Espanhol de Oceanografia e do Instituto Geológico e Mineiro de Espanha) e uma bioincubadora

153 Áreas de actividade e serviços A panóplia de serviços oferecidos pelo ParcBIT aos seus utentes é variada. Desde logo, sendo uma estrutura física de alojamento de empresas, coloca ao dispor dessas empresas, além do próprio alojamento, acesso a centros de conferências, serviços de videoconferência, vigilância contínua, serviços de manutenção, WiFi, incluindo nas áreas exteriores e nas salas de reuniões, serviços de recolha de resíduos sólidos urbanos e áreas colectivas de refeição à disposição de todos os utentes do Parque. No entanto, o ParcBIT destaca-se, sobretudo, pelos serviços de apoio empresarial que oferece às empresas em si alojadas. Neste âmbito, é de destacar a acção do ParcBIT em matéria de incubação de empresas. No ano de 2008, foi criada a Unidade de Inovação do ParcBIT, responsável por gerir a incubadora tecnológica do Parque. A Unidade de Inovação garante que todas as empresas incubadas, independentemente do seu grau de maturidade, têm acesso a serviços específicos de acordo com as suas necessidades. Particularmente, a Unidade de Inovação foca-se em start-ups, empresas estabelecidas e empresas intensivas em I&D. Concretamente, as empresas incubadas têm acesso a: Bonificações no uso dos espaços de incubação que atingem 100% do valor da renda no primeiro ano, 50% no segundo ano e 25% no terceiro e último ano; Aconselhamento e apoio em áreas de criação de novos negócios, consolidação empresarial e gestão estratégica e financeira; Acompanhamento e controlo dos projectos empresariais; Aconselhamento e apoio na procura de financiamento para projectos inovadores, especialmente a nível de concursos públicos de financiamento de I&D; Disseminação das actividades nos meios de comunicação social e eventos relevantes. Adicionalmente, a Unidade de Inovação do ParcBIT oferece um serviço de incubação virtual e, desde Janeiro de 2011, um serviço inovador de incubação colaborativa. Este último proporciona um novo estilo de incubação às empresas do parque baseado em espaços de trabalho partilhados para empresas e trabalhadores com actividade independente. Esta estratégia permite, tanto a redução de custos, como a criação de dinâmicas colaborativas. Esquematicamente, o modelo de incubação colaborativa da Unidade de Inovação do ParcBIT está representado na tabela seguinte

154 Modelo de incubação colaborativa. Incubação colaborativa Financiamento e gestão Modelo Espaços de co-working Maioritariamente privados Pagamento de uma tarifa em função do tempo de utilização do espaço Incubação tradicional Maioritariamente público Bonificação percentual do aluguer em escalões de acordo com o tempo de utilização do espaço Espaço físico Espaço partilhado Espaço privado Objectivos Resultados Sinergias entre empresas; redução de custos estruturais; serviços de infra-estrutura partilhada Aumento da taxa de sobrevivência; fomento da cultura de trabalho colaborativo Criação de empresas; redução dos custos de estabelecimento; serviços de apoio técnico; presença em redes Maiores possibilidades de sobrevivência dos projectos; imersão na cultura de cooperação empresarial e tecnológica; obtenção de financiamento para I&D colaborativa Fonte: ParCBIT, Presente y futuro del Parque Balear de Innovación Tecnológica, Fevereiro 2011 Os sectores de actividade em que operam as empresas incubadas são: TIC/Programação (7 empresas em incubação física/9 em incubação virtual); Consultoria e serviços (4/5); Biotecnologia (0/7); Ambiente e Energia (3/4); Audiovisual (4/2); Turismo (1/3); Comunicação e Multimédia (1/2); Aeronáutica (2/0); Desenho Industrial (0/2); Nanotecnologia (1/0); Náutica (0/1)

155 Perfil das empresas apoiadas No início de 2011, o ParcBIT contava com 131 empresas alojadas nas suas instalações, 58 das quais em regime de incubação tradicional ou virtual. No global, os sectores económicos mais representativos no ParcBIT são as TIC aplicadas ao turismo e a consultoria. Seguem-se, com uma representação mais limitada, as empresas que operam nos sectores de serviços diversos, biotecnologia, audiovisual e náutica. As seguintes figuras apresentam a distribuição da dimensão das empresas de acordo com o número de colaboradores que empregam e a mesma análise, tendo como referência a sua facturação. Distribuição do número de empresas do ParcBIT segundo o número de colaboradores. Distribuição do número de empresas do ParcBIT segundo a facturação

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